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Moacy Cirne

MOACY CIRNE
(70 anos)
Poeta, Artista Visual e Professor

* São José do Seridó, RN (1943)
+ Natal, RN (11/01/2014)

Moacy Cirne foi um poeta, artista visual e professor do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense (UFF), sendo considerado o maior estudioso brasileiro das histórias em quadrinhos, tendo escrito inúmeros livros sobre o assunto, além de ter sido um dos fundadores do poema/processo.

Em 1967 participou do lançamento do poema/processo, em Natal e no Rio de Janeiro, movimento de vanguarda literária próxima das artes plásticas, ao lado de Wlademir Dias-Pino, Alvaro de Sá, Neide Dias de Sá, Anselmo Santos, Dailor Varela, Anchieta Fernandes, Falves Silva, Nei Leandro de Castro, Sanderson Negreiros, Pedro Bertolino, Hugo Mund Jr., e outros. Em seguida, Joaquim Branco, Sebastião Carvalho, José Arimathéa, Ronaldo Werneck e, mais tarde, Jota Medeiros e Bianor Paulino se incorporaram ao movimento, com seus poemas semiótico-gráfico-visuais, além dos projetos semântico-verbais.

Na década de 1970 escreveu a coluna EQ, juntamente com Marcio Ehrlich, no jornal carioca Tribuna da Imprensa. Foi editor da Revista de Cultura Vozes, de Petrópolis (1971-1980), e colaborador do suplemento Livro do Jornal do Brasil (Rio de Janeiro, 1972-1976).

Professor aposentado do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense (UFF), onde lecionava disciplinas sobre Histórias em Quadrinhos e Ficção Científica, dentre outras, era famoso no Instituto de Arte e Comunicação Social da UFF por editar e distribuir um fanzine independente de uma única página, o Balaio PorretaMoacy Cirne costumava organizar comemorações chamadas "Balaiadas", com distribuição de brindes como livros de arte e poesia entre os alunos do curso de Comunicação Social, para divulgar as edições especiais do Balaio.

Desde 2007 o fanzine, que une textos provocativos, listagens de filmes, pensamentos e poesias, se transferiu para a internet sob a forma de um blog, o Balaio Vermelho. O fanzine Balaio foi um dos principais meios de divulgação no Rio de Janeiro das poesias eróticas do polêmico Chico Doido de Caicó, durante muito tempo considerado um personagem fictício e alter-ego do próprio Moacy Cirne.

A Poética na Prática e na Teoria

Considerando a história em quadrinhos a literatura por excelência do século XX, Moacy Cirne considerava, em 1968, que "A poesia não poderia ficar presa ao jogo fácil das palavras, que puxam palavras – associações paranomásticas que não mais funcionam" numa referência direta à teoria da poesia concreta, "nem a falsa engenharia estrutural / que termina na mais pura esterilidade", acrescentando que "A crise da poesia é simplesmente a crise da palavra (no poema)".

Intencionando criar uma arte radical e revolucionária marxista-leninista, voltada para a ação, Moacy Cirne pretendia criar uma poesia próxima das artes plásticas, porém de alta "voltagem semântica". De teoria bastante complexa, o poema/processo, na visão de Moacy Cirne, desejava criar um poema dialógico, obra aberta permitindo "várias leituras, a partir de um ponto dado, inicial ou não". Assim, o poema de processo permite ao leitor decifrar relações semióticas entre signos não necessariamente verbais, ou criar novas.

Por outro lado, conforme o manifesto do poema/processo, de 1967, assinado por Moacy Cirne, entre outros, "nem todo poema de processo, embora sempre concrecionando a linguagem, é concreto, no sentido empregado pelo grupo noigandres (São Paulo). mas todo poema concreto, para ser realmente válido, precisa encerrar um processo". Dessa forma, mantendo-se fiel ao projeto inicial do poema/processo, quando este faz uso da palavra, nem sempre é possível distinguir um poema/processo de um poema concreto na obra de Moacy Cirne.

Ainda assim, podemos considerar, ao vislumbrar poemas como "Correnteza em Noite de Lua Vermelha" e "Dadá Pra Cá, Dadá Pra Lá", o quanto a melhor poesia de Moacy Cirne pode ser devedora do Dadaísmo e Surrealismo, divergindo, por sua essência mais expressiva do que comunicativa do projeto dos concretistas paulistas.

Prêmio Moacy Cirne de Quadrinhos

Em 2009 o governo do Estado do Rio Grande do Norte, através da Fundação José Augusto, lançou o Prêmio Moacy Cirne de Quadrinhos, que objetiva selecionar 10 quadrinistas potiguares para integrarem uma coletânea de quadrinhos. O prêmio tem como objetivo revelar e premiar o talento dos artistas profissionais ou amadores do Rio Grande do Norte, além de impulsionar a produção artística nessa área.

Morte

No final de 2013, Moacy Cirne descobriu um câncer de fígado, do qual começou a se tratar, passando por um procedimento cirúrgico no sábado, 11/01/2014. Pouco tempo depois da operação, teve uma parada cardíaca, ficando em coma induzido por pouco tempo, ao que não resistiu e morreu por volta das 13:00 hs, aos 70 anos, no Hospital da Unimed, em Natal, RN.

O corpo foi velado no Centro de Velório do Morada da Paz, no bairro Lagoa Seca, e o sepultamento foi realizado no domingo, 12/01/2014, em São José do Seridó, sua cidade natal.

Principais Obras

Antologias Organizadas, Ensaios e Trabalhos Visuais

  • 1970 - A Explosão Criativa dos Quadrinhos
  • 1972 - Para Ler os Quadrinhos
  • 1975 - Vanguarda: Um Projeto Semiológico
  • 1979 - A Poesia e o Poema do Rio Grande do Norte
  • 1982 - Uma Introdução Política Aos Quadrinhos
  • 1983 - A Biblioteca de Caicó
  • 1990 - História e Crítica dos Quadrinhos Brasileiros
  • 2000 - Quadrinhos, Sedução e Paixão
  • 2002 - Cinema Cinema
  • 2002 - A Poética das Águas (Com Candinha Bezerra)
  • 2002 - 69 Poemas de Chico Doido de Caicó (Com Nei Leandro de Castro)
  • 2006 - A Escrita dos Quadrinhos

Poesia

  • 1979 - Objetos Verbais
  • 1983 - Cinema Pax
  • 1988 - Docemente Experimental
  • 1993 - Qualquer Tudo
  • 1994 - Continua na Próxima
  • 1998 - Rio Vermelho
  • 2004 - A Invenção de Caicó
  • 2006 - Almanaque do Balaio
  • 2007 - Poemas Inaugurais

Teatro

  • Escreveu o auto natalino "Jesus de Natal", em 2006, apresentado na capital potiguar com direção de Paulo Jorge Dumaresq.

Fonte: Wikipédia
Indicação: Douglas Bachine