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Marianne Ebert

LEDA MARIANNE EBERT NÓBREGA
(51 anos)
Atriz, Cantora, Coreógrafa e Dançarina

☼ Rio de Janeiro, RJ (24/04/1968)
┼ Rio de Janeiro, RJ (24/03/2020)

Leda Marianne Ebert Nóbrega ou Marianne Ebert, foi uma atriz, coreógrafa e dançarina nascida no Rio de Janeiro, RJ, no dia 24/04/1968.

Marianne Ebert começou a fazer dança de salão aos 7 anos de idade. Depois disso decidiu se firmar na carreira de dançarina.

Em 1988, Marianne Ebert estreou no teatro e trabalhou em 5 peças. Fez alguns papéis na televisão, mas deixou a carreira de atriz.

Na televisão, Marianne Ebert participou de novelas como "Sonho Meu" (1993) e "Barriga de Aluguel" (1990), da TV Globo, onde interpretou a personagem Drica, contracenando com Daniella Perez, filha da autora Glória Perez.

Daniella Perez, Marianne Ebert e Regina Restelli
Em 1992, recebeu um prêmio SATED de melhor atuação, o equivalente ao Tony Award nos Estados Unidos, por seu papel em "A Pequena Sereia".

O destino de Marianne Ebert mudou quando, em meados dos anos 90, fez uma viagem de férias à New York e muitas ofertas de emprego começaram a aparecer imediatamente.

"Eu vim para Manhattan (New York) para visitar um bom amigo e fazer algumas aulas de dança e tudo aconteceu. Antes que eu percebesse, eu tinha três shows de atuação!"
(Marianne Ebert)

Logo, Marianne Ebert recebeu uma oferta de papel principal na comédia off Broadway "Ela", dirigida por Robert Liethar (La Mamma Theatre), protagonizou a comédia "Astoria, EUA", e permaneceu como apresentadora âncora de um programa de TV a cabo "Brazil Update Weekly". Com tudo isso acontecendo, ela decidiu que ficaria em New York e continuaria a desenvolver sua carreira artística. Marianne Ebert, fixou-se então em New York, onde fez carreira como bailarina e cantora.


Em 1999, Marianne Ebert começou a realizar os eventos brasileiros em New York, incluindo o "Brazilian Day In Nova York", que atrai milhares de pessoas todos os anos.

Em 2000, e como cantora profissional, Marianne Ebert gravou o "Tema do Milênio" para a Festa de Ano Novo da Times Square. Sem parar, a artista achou que era hora de avançar sua carreira musical como compositora e gravar um álbum.

Então, em 2001, surgiu o "Swimming To The Moon", produzido pelos lendários Eumir Deodato, Misha Piatigorsky e o vencedor do Grammy, Itaal Shur. O resultado foi uma mistura colorida e pulsante de ritmos brasileiros e embalos pop. No mesmo ano, ela viajou pela Austrália e apresentou seu álbum.

De volta ao teatro e aos musicais, em 2002, Marianne Ebert apareceu em "Coisas do Samba" em um papel principal, que recebeu ótimas críticas do jornal Washington Post e a prestigiada indicação ao Helen Hayes Award. Ela então estrelou "Rio", um musical dirigido por Tom O´Horgan, conhecido por dirigir "Hair" e "Jesus Christ Super Star". Além disso, como atriz, Marianne Ebert apareceu nos filmes "Guerra dos Mundos", "Lei e Ordem" e, mais recentemente, em "City Island", um filme de Andy Garcia.


Marianne Ebert remixou o single "Homem Brasileiro" com Dan Ghosh-Roy (EMI USA) lançado no Brasil, em 2010. Ela abriu a banda excêntrica Gogol Bordello, em 27/12/2009 no Webster Hall e foi a cantora do maior carnaval brasileiro dos Estados Unidos, no Palmer Event Center em Austin (TX), com a presença de mais de 6 mil pessoas.

Marianne Ebert teve sua estreia no Carnegie Hall patrocinada pelo Consulado do Brasil.

Em março de 2014, Marianne Ebert foi diagnosticada com uma forma agressiva de câncer de mama. A doença foi descoberta durante um tratamento hormonal para gravidez.

Marianne Ebert viveu por 25 anos em New York e nos últimos anos viveu no Rio de Janeiro onde trabalhava como coreógrafa. No Brasil, amigos da atriz fizeram uma campanha para ajudá-la no tratamento de câncer.

Morte

Marianne Ebert faleceu na terça-feira, 24/03/2020, aos 51 anos, no Rio de Janeiro, RJ, vítima de câncer de mama, após uma longa batalha contra a doença.

A morte de Marianne Ebert foi anunciada pelo ator e diretor Miguel Falabella, com quem ela já trabalhou em musicais, estrelando a versão de  "A Pequena Sereia".

"Querida Marianne, você foi uma guerreira e a vida não lhe deu tréguas. Anos e anos de luta contra essa maldita doença que lhe transtornou a vida, a carreira e acabou lhe vitimando. Há entretanto um momento feliz e é sobre ele que eu jogo um foco de luz nesse momento de angústia: você vivendo a Sereiazinha, no palco do Teatro Clara Nunes. Nós vivíamos cheios de sonhos naquela época. Que você possa descansar em paz!"
(Miguel Falabella)

Glória Perez prestou homenagem a atriz nas redes sociais:

"A vida foi cruel com Marianne. Foram alguns anos de luta incansável contra o câncer, e hoje ele finalmente venceu essa menina querida, bailarina linda e cheia de projetos de vida!"
(Glória Perez - Instagram)

Carreira

Televisão
  • 1990 - Barriga de Aluguel ... Drica
  • 1993 - Sonho Meu ... Irene
  • 1996 - Você Decide (Episódio: "A Volta")

#FamososQuePartiram, #MarianeEbert

Adelaide Chiozzo

ADELAIDE CHIOZZO
(88 anos)
Cantora, Atriz e Acordeonista

☼ São Paulo, SP (08/05/1931)
┼ Rio de Janeiro, RJ (04/03/2020)

Adelaide Chiozzo foi uma atriz e acordeonista nascida em São Paulo, SP, no dia 08/05/1931. Foi estrela da Atlântida Cinematográfica, atuando em 23 filmes, inclusive em musicais com Oscarito e Grande Otelo. Foi renomada cantora da Rádio Nacional, onde atuou por 27 anos, participando, dentre outros, dos programas "Alma do Sertão" e "Gente Que Brilha".

Em seus mais de vinte discos gravados, é dona de sucessos como "Beijinho Doce", "Sabiá na Gaiola", "Pedalando" e "Recruta Biruta". Adelaide Chiozzo recebeu vários prêmios e troféus, entre os quais, o título de "A Namoradinha do Brasil" (a primeira do país) e participou também como atriz nas novelas da TV Globo, "Feijão Maravilha" (1979) e "Deus Nos Acuda" (1992).

Adelaide, com seu famoso acordeão, já se apresentou por quase todas as cidades brasileiras, juntamente com seu esposo Carlos Matos, respeitado violonista brasileiro, e teve o seu espetáculo "Cada Um Tem o Acordeon Que Merece" aclamado pela crítica como o melhor espetáculo do ano de 1975.

Em abril de 2003, foi agraciada pela Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, com o título honorário de Cidadã Cearense.

Carreira

Em 1946, estreou no cinema atuando na comédia "Segura Esta Mulher" ao lado do pai Afonso Chiozzo, com direção de Watson Macedo. Nesse filme acompanhou com o pai o cantor Bob Nelson na música "O oi Barnabé" (Afonso SimãoBob Nelson).

Em 1947, atuou ainda com o pai na comédia "Esse Mundo é Um Pandeiro", de Watson Macedo.

Em 1948, atuou em "É Com Esse Que Eu Vou", de José Carlos Burle.  Por essa época foi contratada pela Rádio Nacional.

Em 1950, estrelou o filme "Carnaval No Fogo" no qual interpretou "Pedalando" (Anselmo Duarte e Bené Nunes). Com esta mesma música estreou em disco cantando ao lado do instrumentista Alencar Terra na polca "Pedalando" e na rancheira "Tempo de Criança" (João de Souza e Eli Torquine). 

Em 1951, participou do filme "Aviso Aos N", no qual interpretou com Eliana, com quem atuou em diversos filmes, um de seus maiores sucessos, a valsa "Beijinho Doce" (Nhô Pai). No mesmo ano, gravou dois discos com Eliana pela gravadora Star, interpretando "Beijinho Doce", o baião "Cabeça Inchada" (Hervé Cordovil), o baião "Sabiá Na Gaiola" (Hervé Cordovil e Mário Vieira), e o rasqueado "Orgulhoso" (Nhô Pai e Mário Zan).


Em 1952, gravou com Eliana a polca "Zé da Banda" (Alencar Terra), e o coco "Vapô de Carangola" (Manezinho Araújo e Fernando Lobo). No mesmo ano, participou do filme "É Fogo Na Roupa" de Watson Macedo, e "Barnabé, Tu És Meu", de José Carlos Burle.

Em 1953, gravou com Eliana a marcha "Queria Ser Patroa" (Manoel Pinto e Aldari Almeida Airão), e o samba "Com Pandeiro Na Mão" (Manoel Pinto, Jorge Gonçalves e D. Airão).

Em 1954, atuou em "O Petróleo É Nosso", de Watson Macedo. No mesmo ano, gravou outro de seus grandes sucessos, a toada "Meu Sabiá" (Carlos Mattos e Antônio Amaral).

Em 1955, gravou o fox "Passeio De Bonde" (Bruno Marnet) e o baião "Nós Três" (Garoto, Fafá Lemos e Adair Badaró). Nesse ano, sua gravação da toada "Beijinho Doce" (Nhô Pai), em dueto com Eliana foi incluída no LP "Show Copacabana Nº 1" da gravadora Copacabana.

Em 1956, estrelou o filme "Sai De Baixo", de J. B. Tanko. No mesmo ano, gravou o baião "Papel Fino" (Mirabeau, Cid Ney e Dom Madrid), e a marcha "Vamos Soltar Balão" (Luiz Gonzaga Lins).


Em 1957, gravou as marchas "A Sempre Viva" (Paulo Gracindo e Mirabeau), e "Tua Companhia" (Getúlio Macedo e Lourival Faissal). No mesmo ano, participou do filme "Garotas e Samba" onde interpretou "O Trenzinho Do Amor" (Sivan Castelo Neto e Lita Rodrigues). Também em 1957, participou de dois LPs da gravadora Copacabana: "Carnaval de 57 - Nº 1" com a marcha "A Sempre Viva", e do LP "Festas Juninas" com o baião "Papel Fino" (Mirabeau, Cid Ney e Don Madrid).

Em 1958, gravou com Silvinha Chiozzo o rasqueado "Cabecinha No Ombro" (Paulo Borges), que tornou um grande sucesso e um clássico da Música Popular Brasileira. Nesse ano, lançou o LP "Lar... Doce Melodia" pela gravadora Copacabana no qual cantou três faixas: "Vá Embora" (Geraldo Cunha e Carlos Matos), "Pagode Em Xerém" (Alcebíades Barcelos e Sebastião Gomes), "Meu Veleiro" (Lina Pesce), as demais nove músicas do disco ela interpretou ao acordeom: "Viagem à Cuba" (I. Fields e H. Ithier), "Night And Day" (Cole Porter), "É Samba" (Vicente Paiva, Luis Iglesias e Walter Pinto), "Inspiração" (Paulus e Rubinstein), "Deixa Comigo" (Índio), "Icaraí" (Silvio Viana), "Padan-Padan" (Glanzberg e Contel), "Dance Avec Moi" (Hornez e Lopez), e "Granada" (Agustin Lara).

Em 1966, sua gravação da toada "Meu Veleiro" (Lina Pesce), foi incluída no LP "Lina Pesce - Seus Grandes Sucessos" da gravadora Copacabana.  No mesmo ano, sua balada "Pra Que Sonhar", parceria com o marido Carlos Matos, foi gravada pela cantora Joelma em LP da Chantecler.

Em 1972, participou do LP "Alma do Sertão", da gravadora Copacabana, produzido a partir do programa de Renato Murce na Rádio Nacional que levava o mesmo nome. Nesse disco, interpretou com Eliana a toada "Pingo D'água" (Raul Torres e João Pacífico), e o rasqueado "Campo Grande" (Raul Torres).


Em 1975, apresentou-se ao lado do marido e violonista Carlos Mattos no show "Cada Um Tem o Acordeom Que Merece", no Rio de Janeiro e em Niterói.

Em 1976, a gravadora Philips lançou dois LPs: Um relembrando a Era de Ouro dos filmes musicais brasileiros e outro sobre os 40 anos da Rádio Nacional. No primeiro intitulado "Assim Era a Atlântida" foram remasterizados vários fonogramas interpretados durantes os filmes, incluindo três interpretações da cantora: "Pedalando" (Anselmo Duarte e Bené Nunes), do filme "Carnaval no Fogo", que ela interpretou sozinha, e "Recruta Biruta" (Antônio AlmeidaAntônio Nássara e Alberto Ribeiro), e "Beijinho Doce" (Nhô Pai), ambas do filme "Aviso Aos Navegantes", interpretadas juntamente com Eliana. No segundo LP, gravado a partir de acetatos gravados durante programas da Rádio Nacional, foi incluída sua interpretação para o samba canção "Nós Três" (GarotoChiquinho do AcordeomFafá Lemos e Badaró), cantado juntamente com Carlos Mattos.

Em 1978, atuou na novela "Feijão Maravilha", na TV Globo.

Em 1992, trabalhou na novela "Deus Nos Acuda", na TV Globo. A partir de então, realizou shows pelo Brasil acompanhada pelo marido e eventualmente, pelos três netos.

Em 1996, participou do Projeto Seis e Meia, no Teatro Dulcina no Rio de Janeiro juntamente com o cantor Francisco Carlos no show "Ídolos da Atlântida".

Adelaide Chiozzo e Eliana Macedo
Em 2001, teve lançado pelo selo Revivendo o CD "Tempinho Bom", que incluiu suas gravações para as músicas "Nós Três" (Fafá Lemos, Chiquinho do Acordeom e Garoto), "Meu Sabiá" (Carlos Mattos e A. Amaral), "Tempinho Bom" (Mário Zan e Sereno), "Minha Casa" (Joubert de Carvalho), "Cada Balão Uma Estrela" (Zé Violão e Carrapicho), "É Noite, Morena" (Hervé Cordovil e René Cordovil), "Casório Lá No Arraiá" (Getúlio Macedo e Lourival Faissal), "Pedalando" (Bené Nunes e Anselmo Duarte), "Vai Comendo Raimundo" (Petrus Paulus e Ismael Augusto), "Papel Fino" (Mirabeau, Cid Ney e Don Madrid), "Tempo de Criança" (João de Souza e Ely Turquino), "Nossa Toada" (Carlos Mattos e Luis Carlos), "Meu Papai" (Getúlio Macedo e Lourival Faissal), "Zé da Banda" (Alencar Terra), "Com Pandeiro Na Mão" (Manoel Pinto, D. Airão e Jorge Gonçalves), "Vapô De Carangola" (Manezinho Araújo e Fernando Lobo), "Orgulhoso" (Mário Zan e Nhô Pai), "Queria Ser Patroa" (Aldari de Almeida Airão e Manoel Pinto), "Cabeça Inchada" (Hervé Cordovil), "Beijinho Doce" (Nhô Pai), e "Sabiá Lá Na Gaiola" (Hervé Cordovil e Mário Vieira), todas essas últimas interpretadas em dueto com a cantora e atriz Eliana.

Em 2012, passou a integrar o grupo As Cantoras do Rádio, em sua nova formação, que estreou no show "MPB Pela ABL - A Volta das Cantoras do Rádio", récita única no auditório Raimundo Magalhães Jr., todas acompanhadas por Fernando Merlino,  com apresentação, criação e roteiro de Ricardo Cravo Albin.

Em 2014, participou, juntamente com as cantoras Lana Bittencourt  e Ellen de Lima, do espetáculo "A Noite - Nas ondas da Rádio Nacional", apresentado no teatro Rival BR.

Em 2017, apresentou-se na sexta-feira, no domingo e na segunda-feira de Carnaval no Baile da Cinelândia, tradicional baile carnavalesco promovido pela prefeitura do Rio de Janeiro em frente à Câmara Municipal.

Em 2018, realizou seu último show, na região Metropolitana de Niterói, Rio de Janeiro.

Morte

Adelaide Chiozzo faleceu às 08h00 de quarta-feira, 04/03/2020, aos 88 anos, no Rio de Janeiro, RJ. Adelaide Chiozzo estava internada há 12 dias no CTI do Hospital Evangélico, quando sofreu uma tromboembolia pulmonar e acabou não resistindo vindo a falecer.

Adelaide Chiozzo foi sepultada na tarde de quinta-feira, 05/03/2020, no cemitério do Caju, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

Fonte: Wikipédia e Dicionário Cravo Albin da MPB
#FamososQuePartiram #AdelaideChiozzo

Hilda Rebello

HILDA DE MEDEIROS REBELLO
(95 anos)
Atriz

☼ Rio de Janeiro, RJ (30/09/1924)
┼ Rio de Janeiro, RJ (29/12/2019)

Hilda de Medeiros Rebello foi uma atriz nascida no Rio de Janeiro, RJ, no dia 30/09/1924. Era mãe do também ator e diretor de televisão Jorge Fernando.

Hilda Rebello iniciou sua carreira artística aos 64 anos e se profissionalizou, com o apoio do filho Jorge Fernando, aos 70 anos, fato que lhe garantiu um registro no Livro dos Recordes, na página 72, no ano de 1994, como a atriz que começou a carreira com idade mais avançada.

Estreou na televisão em 1989 na TV Globo, fazendo pequenos papéis. Sua estréia no elenco fixo de alguma produção aconteceu um ano depois na minissérie "Boca do Lixo" (1990).

No cinema, fez algumas participações, mas destacou-se em seu primeiro longa, "Menino Maluquinho - O Filme", onde interpretou a avó do protagonista.

Em 2006, ganhou o Prêmio Bennett Mulher, uma iniciativa do Instituto, que presta uma homenagem à mulher brasileira em todos os campos de atividade

Morte

Hilda Rebello faleceu no domingo, 29/12/2019, aos 95 anos, no Hospital Pró-Cardíaco na cidade do Rio de Janeiro, RJ, após ficar internada por 22 dias com um quadro de insuficiência respiratória, dois meses após o falecimento de seu filho Jorge Fernando.

Desde a morte do filho, em 27/10/2019, Hilda Rebello vivia uma tristeza profunda e foi internada há duas semanas, com um quadro de infecção respiratória.

Pouco tempo depois da morte de Jorge FernandoHilda Rebello ainda sofreu com outro falecimento: a de Pedro Paulo, o Pepê, em novembro de 2019. O camareiro, fiel amigo do diretor, tinha 68 anos e travava uma luta contra o câncer de pulmão, que foi descoberto em maio. No entanto, o estágio avançado da doença não permitiu sua recuperação. Ele e Jorge Fernando trabalharam juntos durante 20 anos.

O velório está marcado para segunda-feira, 30/12/2019, das 10h00 às 13h30, na capela 1 do Cemitério da Penitência, e a cerimônia de cremação no Crematório da Penitência, no Caju, zona portuária do Rio de Janeiro.

Hilda Rebello e o filho Jorge Fernando em foto nos bastidores da novela "Caras e Bocas"
Carreira

Televisão
  • 1989 - Que Rei Sou Eu? ... Ama Zefa
  • 1989 - Top Model ... Álvara
  • 1990 - Rainha da Sucata ... Dona Jorgina Flores
  • 1990 - Boca do Lixo ... Dona Odete
  • 1991 - Vamp ... Hermínia
  • 1992 - Deus Nos Acuda ... Violante
  • 1995 - A Próxima Vítima ... Dona Zulmira
  • 1996 - A Vida Como Ela É... ... Vários Personagens
  • 1997 - Zazá ... Castorina
  • 1998 - Era Uma Vez... ... Olga
  • 1998 - Labirinto ... Lola
  • 1999 - Vila Madalena ... Isaura
  • 2000 - Uga Uga ... Passageira no voo de Varela
  • 2001 - As Filhas da Mãe ... Dona Geralda
  • 2002 - Os Normais ... Dona Rosa (Vizinha do Rui)
  • 2003 - Chocolate Com Pimenta ... Matilde
  • 2005 - Alma Gêmea ... Dona Filó
  • 2006 - Cobras e Lagartos ... Senhora que ajuda Luciano
  • 2007 - Sete Pecados ... Corina
  • 2008 - Guerra & Paz ... Dona Bibelona (Episódio: "Culpados & Inocentes")
  • 2008 - Cilada ... Eleitora (Episódio: "Eleições de 04/10/2018")
  • 2008 - Casos e Acasos ... Mafalda (Episódio: "O Celular, a Viagem e o Dia Seguinte")
  • 2008 - Casos e Acasos ... Isabela (Episódio: "O Papai Noel, a Perna Quebrada e o Presépio")
  • 2008 - Nada Fofa ... Rose (jurada)
  • 2009 - Caras & Bocas ... Nereide Di Francesco
  • 2010 - Ti Ti Ti ... Dona Olga Franco
  • 2011 - Macho Man ... Filomena Zucatelli
  • 2011 - Aquele Beijo ... Joana
  • 2012 - Dercy de Verdade ... Zuleide
  • 2012 - Guerra dos Sexos ... Tia Pepa
  • 2013 - Divertics ... Dona Hilda
  • 2015 - Alto Astral ... Dona Aurora
  • 2016 - Haja Coração ... Dona Marieta Pereira de Carvalho

Cinema
  • 1995 - Menino Maluquinho - O Filme ... Avó do Menino Maluquinho
  • 2004 - Sexo, Amor e Traição ... Vizinha de Miguel
  • 2006 - Irma Vap - O Retorno ... Neide
  • 2006 - Xuxa Gêmeas ... Figuração
  • 2008 - A Guerra dos Rocha ... Anita

Fonte: Wikipédia e G1
Indicação: Patrícia Veras
#FamososQuePartiram #HildaRebello

Zilda Cardoso

ZILDA CARDOSO
(83 anos)
Atriz e Humorista

☼ São Paulo, SP (04/01/1936)
┼ São Paulo, SP (20/12/2019)

Zilda Cardoso foi uma atriz e humorista, nascida em São Paulo, SP, no dia 04/01/1936. Ficou famosa por interpretar a Dona Catifunda em programas de televisão como "Praça da Alegria", "Praça Brasil", "A Praça é Nossa" e "Escolinha do Professor Raimundo". Também era conhecida por ter interpretado a enfermeira Elza na novela "Meu Bem, Meu Mal" (1990) na TV Globo.

Zilda Cardoso estreou sua carreira artística na TV Paulista de São Paulo, substituindo a atriz Eloísa Mafalda, em um programa humorístico. Era o ano de 1962. No ano seguinte, conquistou o famoso e extinto Troféu Roquete Pinto na categoria Melhor Teleatriz Humorística. 

Estreou no programa "O Riso é o Limite", da TV Rio e TV Record, logo chamando atenção por sua veia cômica. Ganhou no mesmo ano um programa na TV Paulista, "Zilda 23 Polegadas". A partir daí tornou-se humorista. Sua personagem mais famosa foi Dona Catifunda, uma mendiga debochada do bairro da Mooca, que vivia enganando os vizinhos para ganhar um trocado e conquistar os garotões do pedaço.

Zilda Cardoso e Miele no programa 'Praça da Alegria' 19-12-1977
Manuel de Nóbrega, o grande criador de programas humorísticos, gostou de Zilda e ela começou, em 1964, a participar do "A Praça da Alegria". Lançou seu personagem mais conhecido, Catifunda, a mendiga debochada, que fumava charuto.

Zilda também participou de alguns filmes, dois ao lado de Mazzaropi.

Fez em 1963 "O Lamparina", em 1964 "Meu Japão Brasileiro", em 1969 "Golias Contra o Homem das Bolinhas" e em 1970 "Se Meu Dólar Falasse".

Zilda Cardoso atuou na novela "Quatro Homens Juntos" (1965), na TV Record, além de "Mãos Ao Ar" (1965) e "Meu Adorável Mendigo" (1973), na mesma emissora. Depois fez na TV Globo uma série de participações em programas humorísticos, entre eles "Os Trapalhões".

Zilda Cardoso participou da série "Delegacia de Mulheres" (1990), da novela "Meu Bem, Meu Mal" (1990) , do humorístico "Escolinha do Professor Raimundo" e do seriado "Você Decide".

Morte

Zilda Cardoso foi encontrada morta na sexta-feira, 20/12/2019, aos 83 anos, pela diarista que trabalhava com ela, em seu apartamento em São Paulo, SP. Zilda Cardoso, que fumava 3 maços de cigarro por dia, sofreu uma morte natural enquanto dormia.

A também humorista Dani Calabresa, que interpretou a famosa personagem de Zilda Cardoso na nova versão de "A Escolinha do Professor Raimundo", lamentou a morte da atriz nas redes sociais. No Stories, Dani Calabresa contou não ter tido a oportunidade de conhecer Zilda Cardoso pessoalmente e agradeceu pela chance de poder representar sua personagem.

Paulo Silvino e Zilda Cardoso
Carreira

Televisão
  • 1961 - O Riso é o Limite ... Catifunda
  • 1962-1964 - Zilda 23 Polegadas ... Vários Personagens
  • 1964-1970 - Praça da Alegria
  • 1965-1966 - Quatro Homens Juntos ... Dona Dedé
  • 1966 - Mãos Ao Ar ... Várias Personagens
  • 1967 - Quadra de Sete ... Zilda Cardoso
  • 1969 - Show do Dia 7 ... Mãe da Chapeuzinho
  • 1973-1974 - Meu Adorável Mendigo
  • 1977-1978 - Os Trapalhões ... Várias Personagens
  • 1976-1978 - Deu a Louca no Show
  • 1981-1983 - Alegria 81 ... Dona Catifunda
  • 1983-1986 - Os Trapalhões ... Catifunda / Vários Personagens
  • 1987-1988 - Praça Brasil ... Catifunda
  • 1987-1990 - A Praça é Nossa
  • 1990 - Delegacia de Mulheres ... Adelaide
  • 1990 - Meu Bem, Meu Mal ... Elza Gentil
  • 1991 - Estados Anysios de Chico City ... Vários Personagens
  • 1991-1995 - Escolinha do Professor Raimundo ... Dona Catifunda
  • 1998 - A Praça é Nossa ... Dona Catifunda
  • 2000 - Você Decide ... Cachorrona (Episódio: "Transas de Família Parte 5")

Cinema
  • 1963 - O Lamparina ... Maria
  • 1964 - Meu Japão Brasileiro ... Professora
  • 1969 - Golias Contra o Homem das Bolinhas ... Laura
  • 1970 - Se Meu Dólar Falasse ... Perua (Participação Especial)

Zilda Cardoso ao lado de Chico Anysio
Prêmios e Indicações

Troféu Roquette Pinto
  • 1963 - Melhor Teleatriz Humorística ... Venceu

Fonte: Wikipédia
Indicação: Adriana Simas e Miguel Sampaio 
#FamososQuePartiram #ZildaCardoso

Heloísa Raso

HELOÍSA HELENA RASO
(64 anos)
Atriz, Cantora, Bailarina, Dubladora e Empresária

☼ Rio de Janeiro, RJ (02/06/1955)
┼ Rio de Janeiro, RJ (31/10/2019)

Heloísa Helena Raso, mais conhecida como Heloísa Raso, foi uma atriz, cantora, bailarina e empresária, nascida no Rio de Janeiro, RJ, no dia 02/06/1955.

Filha do adido naval Orlando Raso e da professora de inglês Gilda Raso, Heloísa Raso, nasceu na Urca, Zona Sul do Rio de Janeiro. Morou em Londres, onde cursou a Royal Academy Of Dance, e nos Estados Unidos, onde estudou na Universidade Católica de Washington. Também foi aluna do Instituto Villa-Lobos e da Escola Nacional de Belas Artes.

Heloisa Raso em "Estúpido Cupido" (1976)

Seu primeiro trabalho na televisão foi na novela "O Grito" (1975), depois vieram "Anjo Mau" (1976) e "Estúpido Cupido" (1976). Seu personagem nesta última era Ana Maria, cujo tema era "Biquíni de Bolinha Amarelinha", na voz de Ronnie Cord), papel que contribuiu para torná-la símbolo sexual na década de 1970.

Heloísa Raso fez outras novelas na TV Globo, até "Anjo de Mim" (1996), seu último trabalho.

Além da televisão, atuou em filmes para cinema, fez dublagem, fotonovelas e radionovelas. Como cantora, fez shows ao lado do então marido Sebastião Tapajós, nos anos 1970. Com ele, gravou em 1975 o LP "Samba, Viola e Eu".

O Beco, uma casa noturna de São Paulo, abrigou em 1979 seu espetáculo em que cantou e dançou.

Heloísa Raso, em novo casamento, abandonou a carreira e tornou-se empresária do ramo de anúncios publicitários em táxis e ônibus.

Morte

Heloísa Raso faleceu na tarde de quinta-feira, 31/10/2019, aos 64 anos, no Rio de Janeiro, RJ. Ela estava internada no Hospital Samaritano, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. O hospital não confirmou a causa da morte.

O velório e o sepultamento de Heloísa Raso ocorreu na tarde de sexta-feira, 01/1112019, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro.

Heloisa Raso e Kadu Moliterno em "As Três Marias" (1980)
Carreira

Cinema
  • 1980 - Os Rapazes Da Difícil Vida Fácil
  • 1979 - Sábado Alucinante ... Joana
  • 1979 - Por Um Corpo De Mulher
  • 1979 - A Mulher Que Inventou O Amor
  • 1979 - A Banda Das Velhas Virgens
  • 1975 - Quando As Mulheres Querem Provas ... Banhista em Copacabana

Televisão
  • 1996 - Anjo De Mim ... Dorotéia
  • 1991 - Felicidade ... Maria
  • 1990 - Lua Cheia De Amor
  • 1987 - Sassaricando ... Kitty
  • 1980 - As Três Marias ... Violeta
  • 1979 - Os Trapalhões ... Participação Especial
  • 1977 - Sinhazinha Flô ... Clotilde
  • 1977 - Sitio do Pica-Pau Amarelo ... Lara, a menina do leite
  • 1976 - Estúpido Cupido ... Aninha
  • 1976 - Anjo Mau ... Vivi
  • 1975 - O Grito ... Arlete

Fonte: Wikipédia
Indicação: Simone Simas

Inah de Carvalho

INÁ LÚCIA CARVALHO DOS SANTOS
(65 anos)
Atriz, Diretora e Produtora

☼ São Paulo, SP (20/08/1954)
┼ São Paulo, SP (22/10/2019)

Inah de Carvalho foi uma atriz, diretora e produtora nascida em São Paulo, SP, no dia 20/08/1954.

Inah de Carvalho atuou nas áreas de televisão, cinema e teatro. Ela ficou famosa interpretando Dona Dalva, mãe de Duca (Arthur Aguiar) em "Malhação - Sonhos", de 2014. Antes disso, interpretou a mãe depressiva de Nikita (Nathalie Klein) em "Macho Man", série escrita por Fernanda Young e Alexandre Machado, com direção de núcleo de José Alvarenga Jr..

Em 2019, Inah de Carvalho foi premiada como Melhor Atriz Coadjuvante em Musicais no Prêmio Bibi Ferreira por sua atuação em "Billy Elliot - O Musical".

Atualmente, participava das gravações do filme "Sogra Perfeita"Inah de Carvalho também atuou no musical "Família Addams" interpretando a Vovó Addams.

Inah de Carvalho foi casada com o Srº Rodda, com quem teve um filho, o ator Diego Santos Rodda. Foi casada depois com Laércio Taioli com quem teve a filha Mariana Taioli.

Morte

Inah de Carvalho faleceu na noite de terça-feira, 22/10/2019, em São Paulo, SP, aos 65 anos. Ela estava hospitalizada em São Paulo desde sexta-feira, 18/10/2019, e faleceu por conta da complicação de uma Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC).

O velório de Inah de Carvalho ocorreu no dia 23/10/2019, entre 11h00 e 14h30 no Crematório Vila Alpina, na Zona Leste de São Paulo. Logo em seguida o corpo foi cremado.

Inah Carvalho ganhou prêmio Bibi Ferreira de Teatro como Melhor Atriz Coadjuvente em Musicais
Carreira

  • 2004 - Sertão Sertões São (Teatro)
  • 2006 - A Vida É Uma Comédia (Teatro)
  • 2008 - Herótica (Teatro)
  • 2010 - O Canto Minguante (Cinema)
  • 2010 - Malhação (Televisão) ... Aurora
  • 2011 - Malhação (Televisão) ... Aurora
  • 2011 - Irene (Cinema) ... Irene
  • 2011 - Macho Man (Televisão)
  • 2012 - A Família Addams (Teatro) ... Vovó Addams
  • 2013 - A Mulher do Prefeito (Televisão) ... Dona Rosa
  • 2013 - M Is For Mailbox (Cinema) ... Mãe
  • 2014 - Malhação (Televisão) ... Dalva Menezes 'Dona Velha'
  • 2015 - Malhação (Televisão) ... Dalva Menezes 'Dona Velha'
  • 2015 - Totalmente Demais (Televisão) ... Ruth
  • 2016 - Totalmente Demais (Televisão) ... Ruth
  • 2016 - De Um Dia De Pierrot Ao Curto-Circuito (Teatro)
  • 2016 - Rock Story (Televisão) ... Dona Gilsa
  • 2017 - Rock Story (Televisão) ... Dona Gilsa
  • 2017 - Metrópole: Pilot (Televisão) ... Dona Sônia
  • 2017 - Psi: A Amiga Belga Parte 1 (Televisão) ... Leonor
  • 2018 - Confissões Médicas: Olho De Peixe (Televisão) ... Débora
  • 2018 - Rua Augusta (Televisão) ... Edinéia Aparecida
  • 2019 - Billy Elliot: O Musical (Teatro) ... Avó
  • 2019 - O Amor Dá Trabalho (Cinema) ... Freira
  • 2019 - O Homem Cordial (Cinema) ... Senhora
  • 2019 - Quatro Atrizes E Um Personagem 'Leitura' (Teatro) ... Virgínia

Camilla de Castro

CAMILLA DE CASTRO
(26 anos)
Atriz, Modelo e Transexual

☼ Santo André, SP (20/04/1979)
┼ São Paulo, SP (26/07/2005)

Camila de Castro foi uma atriz pornô, transexual e modelo nascida em Santo André, SP, no dia 20/04/. Camila de Castro foi um raro caso de celebridade nacional que conseguiu transcender às questões de gênero, pornografia, sexo e raça, chegando a ter um quadro fixo no programa SuperPop, da RedeTV!.

Camila de Castro era natural de Santo André, SP, onde morou com as tias até os 19 anos.

Em 1998, após transferir-se para São Paulo, recorreu à prostituição para sobreviver, como a maioria das travestis e mulheres transexuais.

Em 2000 iniciou na carreira de filmes pornográficos. Devido à sua beleza se destacou e em menos de quatro anos de carreira foi capa de pelo menos 10 filmes e apareceu em mais de 20 cenas das produtoras Evil Angel, Angel Elegant e Robert Hill Releasing, atuando com Patricia Araújo, Natasha Dumont, Julio Vidal, entre outras estrelas do cinema pornográfico brasileiro.


Em 2004, conversou com a produção do programa Superpop da RedeTV! - que era acostumado a levar pautas (nem sempre positivas) sobre a população trans - e foi chamada para um reality show amoroso. O quadro visava encontrar um namorado para Camilla, que teria que escolher com qual ela gostaria de se casar. 

Camilla frisava que não escolheria ninguém apenas para "ficar bem na TV" e dispensava sobretudo aqueles que não queriam mostrar o rosto ou que demonstravam não estarem confiantes o suficiente para assumi-la publicamente. Ela falava em casamento, mesmo, de véu e grinalda, enquanto a TV encarava tudo como um show. 

O quadro ainda estava rolando e Camilla tinha uma gravação agendada para a próxima semana quando ocorreu o suicídio. Na época, o então diretor Marcelo Nascimento declarou que a jovem estava bastante deprimida e que algumas sugestões do que teria levado o suicídio era o amor por um rapaz que não a assumia publicamente.

No dia da morte, o programa foi todo sobre Camilla. Um tanto sensacionalista, Luciana Gimenez questionava no ar se era mesmo suicídio, um acidente ou assassinato, enquanto a repórter exibia o sangue em frente ao hotel. Especularam que ela seria soropositiva - o que nunca foi confirmado - e que se prostituía - como se ninguém soubesse.

A Carta de Camilla de Castro

A seguir está a carta escrita por Camilla de Castro quatro meses antes de seu suicídio. Foi publicada em seu blog. Era uma entrevista para Alex Jungle:
"Camilla de Castro - 05/03/2005
Alex Jungle! O que vou expor agora é algo íntimo e pessoal, uma lembrança toda minha, mas que acredito poder trazer mais luz para este espaço (ou não)???
Era uma vez a Camilla.
Camilla tinha saído, aos 19 anos, do teto protetor de suas tias em Santo André e se mudado em definitivo para São Paulo, aonde já cultivara algumas amizades, fruto de suas voltinhas pela noite da cidade (mas os motivos pelos quais deixei a casa de minhas tias e os primórdios de minha carreira na prostituição são coisas que contarei em outra ocasião).
Camilla teve a sorte de ter o primeiro mês de flat, aonde veio a morar, pagos por sua tia. Como já tinha algum conhecimento, passou a trabalhar no telefone durante o dia e à noite na porta do Hotel Grants, celeiro de muitas belezas passadas, presentes e futuras no meio transexual.
E Camilla, que apesar de sentir pela primeira vez a delícia da liberdade de morar sozinha, e de poder contar com o apoio de algumas amigas, começou a desejar, já que tinha atingido o ápice de sua transformação, que tivera início aos 16 anos e que podia se sentir à vontade mesmo entre as mais bonitas de sua "espécie", um algo mais em sua vida: Um namorado.
Dos 16 aos 19 anos, além de não poder contar com a comodidade de namorar em casa, eu me contentei em dar uns amassos em uns e outros quando de minhas saídas pelas boates da moda - coisa que sempre gostei. Mas ela queria, e muito, um alguém. Chegava a sonhar acordada com isso.
Camilla conheceu, então, na porta do hotel uma linda travesti (que não vou dizer quem é) e as duas desenvolveram uma bela amizade. A colega acabara de voltar da Europa, para onde já fora diversas vezes, sempre vitoriosa. Ela e Camilla conversavam sobre os mais diversos assuntos: música, família, trabalho, etc.
Quando, porém, questionada sobre namoros por Camlla, a colega sempre soltava escrachos para ela.
Mas a colega era mais velha, e portanto mais experiente.
Os comentários da colega eram assim: Que eu (Camilla) deveria me mancar e juntar logo o máximo de dinheiro que conseguisse dos homens, já que quem está na chuva..., que não existe amor para as travestis, a não ser o da família (em poucos casos), que os homens nos viam (as travestis) como privadas humanas, onde descarregavam seus desejos mais "loucos" sem sequer olhar para trás depois. E lançou para Camilla um olhar de ironia por perceber que ela estava interessada nas "Coisas do Amor".
Camilla, jovem e inexperiente que era e que nunca havia tido problemas para arranjar namoradinhos (ainda que fossem de uma noite só) e que já esquecera as humilhações da escola, pensou: Essa maluca não quer é me ver feliz! Mas ficou com aquilo na cabeça e pensava em como podia aquela coisa linda que era sua colega ser tão azeda nesse ponto, apesar de linda e rica!
Pois apesar de não ser 100% feminina, ou seja, apesar de não enganar a todos 24 horas por dia, ela era dona de uma beleza quase sobrenatural... de parar o comércio, de virar o pescoço de qualquer marmanjão. Pouco depois, por obra pura do acaso - ou seria destino? - Camilla conheceu um rapaz que a levou para seu apartamento, a título de atração pura e simples, vinda de ambas as partes.
Conheceram-se na rua, beijaram-se e na mesma noite fizeram um sexo alucinado. Surpreendentemente, depois que tudo acabou, ele se mostrou interessado em continuar na casa dela, aonde conversaram até o amanhecer, quando ele saiu para ir trabalhar.
Ele havia se mostrado muito boa pessoa durante o tempo em que ficaram conversando e disse que nunca tinha experimentado nada como aquilo, e que não esperava ser tão bom conhecer um travesti.
Camilla chamou-o à razão e disse que não era nenhum bicho de 7 cabeças... E o dia passou.
À noite, ele, que havia pedido seu telefone, ligou, perguntando se poderiam se ver de novo. Mas ela estava "ocupada", coisa que ele deve ter entendido porque ela não lhe escondera que fazia programas. Marcaram para o outro dia, uma sexta-feira, no apartamento dela. E repetiram a dose , que foi ainda melhor, com descobertas e êxtases para os dois. E nesse clima gostoso, ele acabou ficando lá o fim de semana todo. E na segunda-feira, depois de tudo, ele foi trabalhar com a roupa de sexta. E ligou para ela durante a tarde toda, talvez por carinho ou até ciúmes dos clientes dela. E à noite estava de novo ao lado dela, mas o tom de sua visita já não era mais tão carnal. Perguntou a ela de sua infância, de sua família, de como tinha acabado por fazer programas.
E ela lhe contou tudo. Abriu sua alma para ele. E ele tinha sido o primeiro...
E ela se sentiu no direito de perguntar sobre a vida dele também. Coisas que ele respondeu com o maior prazer, que morava com os pais, que estudava e trabalhava, que era solteiro e não estava com ninguém. Mais uma semana se passou e a proximidade entre o rapaz e ela aumentou, com ele dormindo em sua casa quase todo o dia, ligando toda hora. E Camilla até negligenciou um pouco sua vida para ficar mais com ele. E ela se deixou conquistar por ele, pela presença dele, pela educação dele. E ele não se cansava de elogiá-la, de dizer que ela era a pessoa mais linda que ele já tinha visto, enfim, coisas de quem está apaixonado!
Mas quando, agora, ele ia para o trabalho de manhãzinha, Camilla ficava perdida, encanada, encucada, desajeitada, encurralada, pois um problema começava a se insinuar, lentamente, como uma serpente, como uma nuvem, como uma árvore da maldição: Se eles tivessem que sair juntos, como seria? Se ele tivesse que apresentá-la aos amigos, como seria? À família... E se alguém percebesse, em pleno shopping, que ela não era exatamente uma mulher, como seria? E se ela tivesse de apresentá-lo à suas tias, seria assim tão normal?
Essas eram as dúvidas que atormentavam a cabeça de Camilla e lhe tiravam o prazer de revê-lo durante a noite.
Mas ela também percebia (pois sou ariana pura) que algo nele também estava mudando. Que ele passou a se conter segurando-se para não dar vazão a seu desejo de literalmente assumi-la e mandar tudo para o inferno!
A semente da dúvida fora plantada nela, assim como nele.
E de repente eles eram Adão e Eva, em versão anos 2000, expulsos de seu paraíso particular. Pois se ela era obrigada a namorar escondido dentro de casa, com um homem que se ajoelhava a seus pés e lhe fazia juras de amor eterno, mas que não tinha coragem de ir com ela até a padaria da esquina, ele também deveria estar se amaldiçoando, com o coração dividido entre a razão e o coração.
Sim, pois existem entre os que amam as travestis pessoas sinceras, que não lhes fazem falsas promessas ou querem adestrá-las para satisfazerem seus caprichos, sem enxergarem seu lado pessoa...
Enfim, nesses quase 3 meses em que Camilla suportou ter de ver sua beleza toda relegada à um plano de sonho, visto que era impossível conciliar o preço de sua origem sexual a uma vida de dia a dia, e se ele já não aguentava mais a certeza de não ser corajoso o suficiente para pegar seu sonho pelas mãos e arrastá-lo consigo para a luz do dia, ela preferiu mandá-lo embora. Mandá-lo de volta para o universo que ele conhecia. Que era seguro para ele. Que haviam lhe ensinado ser assim.
Ele pediu mais um tempo, que ela se deu o direito de negar. Estava cansada. E as lágrimas dele não a fizeram mudar, pois ela sabia que ele não seguraria o tranco, que é para poucos, quase nenhum.
Alex Jungle! A Camilla dessa história sou eu.
A Camilla deusa.
A Camilla Alice.
A Camilla desenganada com a vida, que aprendeu de um modo cru que deve ser "Amada e Adorada" em segredo. No escuro da rua... No quarto do hotel barato... Que seu lugar é no reino do Faz de Conta, aonde deve-se estar sempre alegre! Sempre rir!
Mas se por muito tempo a Camilla exibia um olhar sem emoção alguma, um olhar de Medusa que congelava até quem a elogiava, é porque há coisas que não se esquecem, que não se explicam.
E foi ali, naquele ponto, que a Camilla, que antes fazia seus programas sem muitos questionamentos interiores e até por farra, pois não é que eu necessite tanto, percebeu que fazia o que o esquema de sua escolha queria, e não o que eu queria. Que eu já não era mais dona de meu nariz, da minha vida. Mesmo com toda a minha beleza. Mesmo com toda a educação que tive, minhas tias, o escambau.
E decidi virar poeira... Fazer o que "vim para fazer"... E se toda minha educação era vã, para que ser educada então?
Me isolei de tudo e todos. Mas fui mudando... entendendo... Aprendendo a gostar de mim mais um pouco, sacando que não importa como eu vivo. Atrás da cara linda na revista existe algo real, que eu não sou um sonho perfeito, mas que tem um fim, que minhas amigas de verdade e família conhecem e amam! E hoje posso dizer que é preferível sair com 100 homens por noite, que te tratem como um sonho por 1 hora - sempre com educação do que querer fazer parte da vida real de um deles. Porque quem está pagando sabe o que quer, só não sabe ao certo como chegar lá. Já aquele que te tira do eixo, acaba virando um problemão...
Quem é certo? Quem está errado? Quem aqui está se escondendo do que, e porque?
Alex! Contei essa história sem medo de ser vista como a Cinderela de 2004, mas com a certeza de que terá algum proveito. Precisava exorcizar esse demônio.
Não pensem porém alguns incautos que estou ainda derrotada e vencida, à mercê de qualquer tentativa de gozada de graça com a Camilla de Castro travestida de "namorico"!
Como creio que pode agora perceber, não sou nenhuma iludida!
Agradeço ainda a enorme quantidade de e-mails que recebi, além de inúmeras ligações, não só de clientes, mas de amigos também. Espero que esse relato seja usado para o bem, e que não se dê margem para comentários estúpidos.
Grata pela compreensão, 
Camilla de Castro"

Morte

Camilla de Castro faleceu no dia 26/07/2005, aos 26 anos, ao saltar nua do 7º andar de um prédio no centro de São Paulo.

Noticiado como suicídio, o caso chocou a comunidade transexual, uma vez que a jovem era sucesso na televisão, estava no auge da carreira, era considerada uma das mais belas travestis do país, e colocou em debate a difícil vida amorosa de uma travesti.

Fonte: Wikipédia e Facebook
#FamososQuePartiram #CamilladeCastro

Patrícia Araújo

PATRÍCIA ARAÚJO
(37 anos)
Atriz, Modelo e Transexual

☼ Rio de Janeiro, RJ (11/03/1982)
┼ São Paulo, SP (04/07/2019)

Patrícia Araújo foi uma atriz, modelo e transexual nascida no Rio de Janeiro, RJ, no dia 11/03/1982. Patrícia ficou conhecida ao roubar a cena nos desfiles do Fashion Rio de 2009, quando desfilou pela grife Complexo B. No mesmo ano, ela já tinha sido eleita musa de um camarote da Marquês de Sapucaí.

Patrícia Araújo nasceu na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, em uma família de classe média-baixa e evangélica. Foi designada menino ao nascer, mas sempre teve a feminilidade como uma das maiores características. O que facilitou quando revelou ao mundo que era Patrícia e na vivência enquanto pessoa de identidade feminina na sociedade, mas que também a fez enfrentar muitas pelejas ainda na infância e adolescência.
"Sou mulher. Eu sempre me pareci com uma e nunca tive dúvidas sobre a minha sexualidade. Eu ainda era bebê e as pessoas falavam para a minha mãe: Nossa, como a sua filha é linda!"
(Declaração à revista Contigo! em 2013)

Na escola, poucos entendiam quem era aquele "garoto tão garota". E, enquanto os meninos tentavam abusar dela na ida ao banheiro, a diretora da escola a chamava para conversar regularmente por não entender sua feminilidade tão aparente.

Aos 12 anos, deu o primeiro beijo em um colega que se apaixonara por ela. Aos 13 anos, depois de tanto ser pressionada, revelou para a diretora que gostava de garotos. Resultado: Foi expulsa da escola por "mal comportamento". Não havia nessa época nem completado a sétima série.


Em entrevista à revista Marie Claire, Patrícia Araújo disse que a expulsão motivada pelo preconceito institucional foi o seu maior trauma, mas que impulsionou a dar um grande passo em sua vida: Contou tudo para os pais, o segurança Severino Araújo e a dona de casa Terezinha Araújo. Disse com todas as letras que gostava de rapazes e que se sentia na verdade uma mulher.

Ela contou que os pais, apesar de ficarem assustados num primeiro momento, não discriminaram. O irmão mais velho não aceitou, mas na mesma hora o pai interveio, dizendo que independente de qualquer coisa Patrícia era filha dele e que contaria com o apoio.

Aos 13 anos, passou a tomar os primeiros hormônios, por intermédio de uma travesti que morava perto de sua casa. Ela disse que os anticoncepcionais lhe dariam formas delicadas, como de qualquer mulher cisgênera. Apesar de fazer o uso sem acompanhamento médico, o que já era bastante visto como feminino passou a ficar cada vez mais. Com os hormônios, Patrícia também evitou que caracteres secundários atribuídos ao masculino, como barba e pomo de adão, por exemplo, se desenvolvessem em sua puberdade. Transformava-se em uma linda mulher.

Mas se cada vez mais ela fazia as pazes com o espelho e via seus pretendentes aumentarem, era só pisar fora de casa para sentir na pele o peso da transfobia. Patrícia era conhecida como "o travesti do bairro" e era alvo de apontamentos, piadas e chacotas de vizinhos. Tudo piorou quando passou a ser alvo de fofocas e mentiras cada vez mais frequentes. Ela afirmava que foi um período difícil e que tanto preconceito a deixava muito abalada, mas que suportava principalmente porque os pais a respeitavam.


O primeiro relacionamento sério de Patrícia ocorreu quando ela era menor de idade, de 14 para 15 anos. O pretendente era um homem 30 anos mais velho e muito rico, sobre o qual ela nunca gostou de comentar quem era ou o que fazia. Foi ele que a levou para São Paulo, pagou pelas cirurgias no nariz e nos seios e proporcionou a ela uma vida dos sonhos.

Com quatro anos de casada, o homem passou a ter crises de ciúme, começar a vê-la como uma de suas posses e o relacionamento começou a ficar extremamente abusivo. Após a situação ficar insustentável, Patrícia abandonou a vida que levava e voltou para o Rio de Janeiro.

Concluiu os estudos por meio do supletivo, mas ainda assim encontrou dificuldades de  inserir-se no mercado formal de trabalho. A esquina tornou-se sedutora, afinal era onde outras travestis estavam, e também a única opção.

A partir daí ela passou a pagar as contas como profissional do sexo, uma realidade para muitas pessoas trans e travestis do mundo. Segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), estima-se que 90% das travestis do Brasil trabalham como profissionais do sexo, cuja maioria não o faz por escolha, mas devido ao preconceito e imposição social.
"Não é prazer fazer parte de um grupo marginal. Ninguém que se prostitui é totalmente feliz. Olha, a prostituição é como uma droga, um vício, algo que absorve toda a sua energia e te faz escrava. Pode acabar com você. Mas criei um escudo que separa meu corpo da alma. O que vendo é meu corpo, nunca minha alma. E isso liberta!"
(Declaração à revista Marie Claire em 2008)


Com 17 anos, entrou para o cinema pornô, sendo conhecida e anunciada como Patricia Chantily ou Patricia Dollface. O primeiro filme foi "Rogue Adventures 5" (1999), em que fez uma cena dupla com Julio Vidal, que hoje é pastor evangélico, e Fábio Scorpion, ícone do pornô que morreu em 23/11/2004 após uma cirurgia para aplicar silicone na panturrilha. Ela protagonizou outros 11 filmes, sempre como destaque de capa. Chegou a gravar também com Camilla de Castro, travesti ícone de beleza e sua amiga que cometeu suicídio em 26/07/2005.

Após um ano trabalhando e juntando dinheiro, embarcou rumo a Itália. Conseguiu ganhar muito dinheiro e ajudar sua família com bens, como a casa que comprou para os pais. Patrícia revelou que, apesar de ter tido a sorte de não ter se deparado com clientes agressivos, conheceu o lado nada saudável da competição com outras travestis e mulheres trans que faziam programa.
"É um submundo podre e triste. Como todas já sofreram muito, encaram a vida de um jeito duro e predatório. Penei para me adequar!"
Dentre as revelações mais surpreendentes, Patrícia contou que chegou a trabalhar como acompanhante em Dubai, nos Emirados Árabes. Um sheik árabe ficou encantado com a beleza das travestis brasileiras e mandou contratar Camilla de Castro e Patrícia Araújo. Como Camilla de Castro estava passando por problemas pessoais, Patrícia teve que embarcar nessa aventura sozinha.
"Lá eu usava burca para não sofrer preconceito. Fui alertada para só andar com o olhar para baixo e não encarar ninguém!"
(Declarou Patrícia à revista Contigo!)

Beleza e Estrela

Patrícia Araújo já tinha inúmeras fotos e ensaios espalhados pela internet. Os temas variavam entre torcedora do Brasil, colegial e noiva.

Em 2009, foi a primeira modelo travesti a posar quase como veio ao mundo para a capa da revista carioca A Gata da Hora, espaço habituado geralmente por musas cisgêneras,  como a Mulher Melão. Nos cliques, ela aparecia ao lado de Paloma Sanches. Um produtor declarou que a intenção é de que os leitores pudessem compará-las.

Em 2011, a modelo se preparava para o nosso ensaio do Virgula Girl, fotografado por Gabriel Quintão, clicado dentro da extinta Boate Glória, que anteriormente era uma igreja, na Rua 13 de Maio. Ela mesma escolheu o figurino em uma loja especializada em peças sensuais e dividiu com Neto Lucon os custos de uma peça de medalhas que não fazia parte da permuta do espaço. Enquanto provava, conversava com o TV Fama, da RedeTV!, que cobria o ensaio.

Nos bastidores, Neto Lucon sentiu que ela estava um tanto insegura de ser fotografada em algumas partes do corpo, resultado de algumas reações pontuais do silicone industrial - produto que não deve ser aplicado no corpo humano, mas que foi e ainda é frequente na construção da identidade travesti. Mas com um pouco de maquiagem no bumbum e nas pernas, algumas peças que favoreciam e lá estava ela, pronta para trabalhar em fotos sensuais, não eróticas e sem nudez.

Assim que as fotos iniciaram, Patrícia Araújo se transformou totalmente. Era uma modelo que sabia seus melhores ângulos, caras, bocas e uma pessoa que era dona e apaixonada pelo seu corpo. Quase não precisou de direção e em menos de uma tarde tudo estava pronto. Sim, a travesti mais bonita do Brasil não se considerava perfeita, mas tinha algo que fazia questão de pontuar: "Tenho estrela e isso faz a diferença!". De fato brilhava.

A jornalista Mônica Apor, que trabalhava na RedeTV!, esteve lá para uma matéria sobre Patrícia e o título de mais bela do Brasil. A jornalista perguntou ainda se ela não seria uma bela candidata para ser Panicat, num momento em que Nicole Bahls e Juju Salimeni haviam sido afastadas do programa Pânico na TV, da RedeTV!. Patrícia ironizou que era tímida e semanas depois realmente foi cotada. Em seguida, a jornalista quis saber se Patrícia realmente havia ficado com o jogador Adriano Imperador. Ela desconversou: "Minha boca é um túmulo!".

Modelo e Atriz

Com muitos títulos de beleza, fama pelos filmes adultos e frisson pelos ensaios, Patrícia Araújo poderia se manter como uma musa entre as travestis e seus admiradores. Mas foi além. O mais surpreendente é que conseguiu estourar a bolha, driblando o preconceito por ser travesti, o preconceito por ter trabalhado como profissional do sexo e o preconceito por falar sobre todas essas questões abertamente. Tudo conquistado por meio da beleza, da simpatia e da tal estrela que ela sempre mencionava.

Em 2009 caiu nas graças do estilista Beto Neves, da grife Complexo B, que a chamou para desfilar no badalado Fashion Rio. O convite surgiu porque Beto Neves trazia em sua coleção uma homenagem à malandragem e à boemia da Lapa, que reunia muitas tribos, dentre elas as travestis. A presença da modelo new face, que ocorreu um ano antes do fenômeno Lea T, repercutiu na imprensa e rendeu a comparação com Gisele Bündchen.

Graças ao desfile, Patrícia passou a dar entrevistas para programas de televisão, tirar registro para trabalhar como atriz e teve portas abertas para fazer algumas pontas. No mesmo ano, esteve na série "A Lei e O Crime" (2009), da TV Record, em que viveu uma travesti profissional do sexo que se envolve com um galã de novelas e que aparece assassinada. O episódio gira em torno deste assassinato.

Em entrevista ao site NLUCON, em 2011, Patrícia Araújo disse que toda a repercussão do desfile e participações foram realizações, mas que a deixaram assustada. Ela revelou que tentou entrar em uma agência de modelos, mas teve as portas fechadas logo na primeira conversa. O dono da agência declarou que era impossível colocá-la no casting, pois era uma agência de família e muitos pais não gostariam de ver uma travesti ao lado de suas filhas.
"Fora do Brasil é diferente. Em Roma, uma menina me chamou para um trabalho de biquíni.  Acho que o preconceito é quebrado quando a gente consegue a oportunidade!"
(Patrícia Araújo)

Outro convite ocorreu em 2013. Patrícia entrou no elenco da novela "Salve Jorge", da TV Globo, escrita por Gloria Perez. Era a Priscila, uma travesti que havia sido enganada por Wanda (Totia Meirelles) e que foi traficada para a Turquia para se prostituir. Foi ali que Patrícia conseguiu mostrar o lado atriz, com fala, atuação e troca de figurinhas com artistas como Adriano Garib, Nanda Costa e Roberta Rodrigues em pleno horário nobre da TV. Por fim, fez uma ponta no filme "O Vendedor de Passados", com Lázaro Ramos.

Carnaval e Cinzas

Outro ponto alto na trajetória de Patrícia Araújo foi a presença marcante nos carnavais cariocas. Lembrando que as travestis sempre foram ressaltadas no período carnavalesco, seja com bailes voltados para travestis ou com a presença de travestis nos desfiles tradicionais. Vale lembrar que a primeira rainha de bateria na história uma travesti: Eloína dos Leopardos, pela Beija-Flor, em 1976. Já Patrícia Araújo desfilou desde os anos 2000 para a Caprichosos de Pilares, Portela e Grande Rio. Patrícia Araújo chegou a ser musa da Porto da Pedra e destaque da Mocidade.

Em 2007, chegou a passar no tradicional Aviãozinho da Globo e conta que William Bonner ofereceu o elogio, ainda que não a conhecesse: "Bela sois vós entre as mulheres!", ressaltando que era uma das mais belas mulheres do Brasil.

Mas foi em 2014, quando Patrícia representou Alamoa (Uma criatura feminina que seduz marinheiros e pescadores desavisados nas praias de Fernando de Noronha) pela Mocidade, na ala de Fernando de Noronha, que um episódio controverso e trágico aconteceu. Ela estava com os seios à mostra e em lugar de destaque no momento em que um paparazzo começou a tirar fotos estrategicamente de baixo, que mostravam parte de seu genital. A imprensa explorou o flagrante, ressaltou algumas partes do corpo em posições que não a favoreciam, e Patrícia Araújo foi duramente criticada, ofendida e alvo de chacota nas redes sociais.

Diversas pessoas tentaram defendê-la, dizendo que era óbvio que veriam um genital debaixo de seu biquíni ("Esperavam ver um papagaio azul?", como sugeriu Sayonara Nogueira) mas as agressões verbais, críticas e xingamentos - inclusive de pessoas que diziam apoiá-la - foram fortes demais para Patrícia. Houve quem disse que ela fez de propósito para ter mídia e aparecer. Mas todo aquele bafafá e exposição fez Patrícia chorar, querer se recolher e tentar uma vida reclusa.

Vida Pacata e Depressão

Querendo se apoiar no anonimato, Patrícia chegou a ficar um tempo loira, viajou novamente para a Europa e até tentou abrir um salão de beleza no Rio de Janeiro. Em 2016, ela topou falar com o site NLUCON:

"Estou vivendo a vida, cuidando de mim, preferindo ficar mais anônima. Depois de toda a exposição que tive, precisava dar uma sumida, me recolher e pensar em tudo. Tinha muita gente falsa se aproximando, muita energia negativa. E eu sou da paz, do amor e gosto de energias positivas!"
(Patrícia Araújo)

Ao ser questionada se teria desistido da carreira artística, ela declarou:
"Boas oportunidades para travestis aparecem uma a cada década. Então não dá para contar apenas com esse trabalho e nem dá para pensar só nessa carreira. Não é como as atrizes que emendam novelas inteiras e já estão escaladas para as próximas. Para as atrizes travestis e transexuais falta oportunidade de trabalho, da gente mostrar de fato o nosso talento!"
(Patrícia Araújo)

Em 2017, Patrícia Araújo começou a sentir forte depressão, tentou suicídio e conseguiu ser salva a tempo. Ela relatou que uma briga familiar a teria deixado ainda pior, pois nada seria pior que ver balançado este laço.

Morte

Patrícia Araújo faleceu na quinta-feira, 04/07/2019, aos 37 anos, após ter ficado 10 dias internada com problemas de saúde decorrentes de um quadro de depressão no Hospital Municipal Doutor Arthur Ribeiro de Saboya, em São Paulo, SP.

O corpo de Patrícia foi levado para o Rio de Janeiro no sábado, 06/07/2019, e sepultado no domingo, 07/07/2019, na Ilha do Governador, onde nasceu.

Patrícia Araújo tinha apenas 37 anos quando faleceu, fazendo parte da baixíssima expectativa de vida de uma pessoa transexual no Brasil, que é de 35 anos. A morte precoce também alerta para a depressão e a falta de acolhimento às quais pessoas LGBT estão submetidas.

Carreira

Televisão
  • 2007 - Luz do Sol
  • 2009 - A Lei e o Crime
  • 2012 - Salve Jorge
  • 2013 - Amor à Vida

Cinema
  • 2015 - O Vendedor de Passados

Filme Adulto
  • 1999 - Rogue Adventures 5
  • 2002 - Hidden Secrets
  • 2002 - Shemale Yum Takes On Brazilian Transsexuals 3
  • 2003 - Gia Darling's Shemale Slumber Party
  • 2003 - Big-Ass She-Male All-Stars
  • 2003 - She-Male Slumber Party
  • 2003 - Trans X 2
  • 2010 - 33 She Male 3-Ways
  • 2010 - Shemales From Hell
  • 2012 - Monsters Of She Male Cock 27
  • 2013 - Transsexual Teens 10
  • 2016 - Don't Tell My Parents I'm A Tranny 13

Fonte: Wikipédia e NLUCON
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