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domingo, 8 de novembro de 2009

Sandra Bréa

SANDRA BRÉA BRITO
(47 anos)
Atriz

* Rio de Janeiro, RJ (11/05/1952)
+ Rio de Janeiro, RJ (04/05/2000)

Sandra Bréa iniciou sua carreira aos treze anos, como modelo. Aos quatorze, seguiu para o teatro de revista do Rio de Janeiro, a conselho de sua amiga Leila Diniz, onde estrelou "Poeira de Ipanema".

Como atriz estreou, em 1968, na peça "Plaza Suite", tendo sido escolhida para o papel pelo diretor João Bethencourt e pela atriz Fernanda Montenegro.

Contratada por Moacyr Deriquém, foi trabalhar na Rede Globo, estreando na telenovela "Assim na Terra Como no Céu".

Seu primeiro grande papel, porém, foi no clássico "O Bem Amado", de Dias Gomes, interpretando Telma a filha do prefeito Odorico Paraguaçu. Em seguida, atuou em "Os Ossos do Barão" e "Corrida do Ouro", todas na Rede Globo. Outras novelas de que participou foram "Escalada", "O Pulo do Gato", "Memórias de Amor" e "Elas Por Elas".

Em 1983, ela trocou a TV Globo pela TV Bandeirantes e estrelou a novela "Sabor de Mel", de Jorge Andrade, ao lado de Raul Cortez.

Anos mais tarde de volta à TV Globo, atuou em "Bambolê" (1987), de Daniel Más, interpretando a "Condessa Von Trop", "Pacto de Sangue" (1989) de Sérgio Marques, como Francisca Matoso, e seu último trabalho em novelas completo, "Felicidade" (1991), de Manoel Carlos, como Rosita.

Logo que estreou na televisão, Sandra Bréa começou a fazer não apenas novelas, mas também shows, como "Faça Humor, Não Faça a Guerra", onde conheceu Luiz Carlos Miéle, que veio a ser seu parceiro em uma série de apresentações que misturavam canto, dança e humor, principalmente no programa "Sandra e Miéle", também da TV Globo.

Muito bonita, Sandra Bréa foi um dos principais símbolos sexuais do Brasil, principalmente na década de 70, tendo posado nua diversas vezes para as revistas como Status, Playboy, entre outras. Sua beleza também rendeu convites para muitos filmes, como "Sedução", "Cassy Jones, o Magnífico Sedutor", "Amada Amante", "Herança dos Devassos", "Um Uísque Antes, Um Cigarro Depois", "Os Mansos", "Sede de Amar" e "Convite ao Prazer".

Seus primeiros nus foram feitos ainda na década de 70, em pleno Regime Militar, quando esse tipo de coisa era bem menos comum.

A carreira da atriz, que também participou de várias montagens teatrais foi sempre marcada por muito incidentes. Em 1972, casou-se com o empresário Eduardo Espínolla Netto, de quem se separou 3 anos depois. Nesse mesmo ano, durante a temporada da peça "Liberdade Para as Borboletas", ela cortou a mão com uma faca em uma das cenas e teve uma hemorragia, tendo que se submeter a uma tranfusão de sangue nos próprios bastidores. Dois anos depois, quando excursionava com o espetáculo "Regina, Mon Amour", sofreu outra hemorragia no palco, agora em razão de um aborto por causa de uma gravidez tubária.

A atriz casou-se mais duas vezes, com o fotógrafo Antonio Guerreiro (1978) e com o empresário gaúcho Arthur Guarisse (1983). Se envolveu em um escândalo em 1977 quando apareceu nua na sacada do hotel em que estava hospedada com o primeiro marido em Porto Alegre, e discutiu com o mesmo que também estava nu.

Saúde e Morte

Desde que anunciou que era soropositiva, Sandra Bréa se afastou de tudo e de todos. Em dezembro de 1999, seus médicos detectaram um Tumor Maligno no pulmão em estágio avançado e lhe deram seis meses de vida. No mês seguinte, foi internada e submetida a uma biópsia. A proposta foi de um tratamento à base de quimioterapia e radioterapia. Sandra recusou. Escondeu por um tempo sobre a doença. Quando revelou-a, primeiramente disse ter se infectado em uma doação de sangue contaminado, pois em 1991 sofreu um grave acidente de carro em que precisou de transfusão. Porém, pesquisas constataram, que naquela época só eram infectadas mulheres no interior, onde não havia uma fiscalização adequada.

No final de abril de 2000, já praticamente sem voz, com muitas dores, insuficiência respiratória e febre, a atriz concordou em receber um oncologista.

Em 2 de maio de 2000, ela foi levada ao Hospital Barra D'or para fazer uma tomografia computadorizada. Não soube o resultado, pois morreu dois dias depois em sua casa, em Jacarepaguá. "Não morrerei de Aids", dizia, "Vou morrer como qualquer um, atropelada".

Ela deixou um filho adotado, Alexandre Bréa Brito, com quem alegadamente estava brigada à época de sua morte.

Fonte: Dramaturgia Brasileira - In Memoriam

Márcia de Windsor

MÁRCIA COUTO BARRETO
(49 anos)
Atriz

* Ouro Preto, MG (03/10/1933)
+ São Paulo, SP (04/08/1982)

Márcia Couto Barreto, verdadeiro nome de Márcia de Windsor, era descendente de duas famílias tradicionais de Ouro Preto e Diamantina, e desde pequena essa mineira demonstrava muita classe e elegância. Resolveu romper com as tradições da família aos 17 anos quando decidiu se casar com um fazendeiro 25 anos mais velho que ela, em Ilhéus, na Bahia. O casamento gerou dois filhos, o também ator Arlindo Barreto e Gilberto Márcio, e não durou mais do que cinco anos.

Cantar era seu hobby, e o sucesso e a opção pela carreira artística vieram no final da década de 50 quando ela já morava no Rio de Janeiro.

Márcia Couto Barreto estreou como vedete em um show na reabertura do Copacabana Palace, em 1958 ao lado de Elizeth Cardoso e Consuelo Leandro, e o nome artístico adotado foi uma sugestão do jornalista Stanislaw Ponte Preta que disse que ela lembrava uma Duquesa de Windsor.

Estreou na TV Rio como cantora e apresentadora. Na TV Record apresentou o programa "Acumulada Musical" ao lado do comediante Renato Corte Real.

Famosa jurada dos programas "A Grande Chance" e "Boa Noite Brasil", de  Flávio Cavalcanti, destacou-se mesmo com seu comportamento extremamente bondoso para com os calouros e os gestos suaves e elegantes, que tornaram-se sua marca registrada. E tinha um jargão que ficou famoso: Nota 10.

Hebe Camargo, Denner e Márcia de Windsor
Atuou em cerca de 15 novelas. Na TV Globo fez "O Sheik de Agadir". A seguir, na TV Excelsior, fez várias novelas, como "Os Fantoches". Na TV Globo participou de "A Última Testemunha". Na TV Excelsior fez novelas como "A Menina do Veleiro Azul" e "Os Estranhos". Na TV Tupi, Márcia de Windsor atuou em "Na Idade do Lobo", "O Profeta" e "Cara a Cara". Na TV Bandeirantes, participou de "Venha Ver o Sol na Estrada", "Cavalo Amarelo" e "Ninho de Serpente".

Morreu vítima de um Infarto Agudo do Miocárdio no quarto que ocupava no Hotel San Raphael, em São Paulo.

Márcia estava na capital paulista para gravar os últimos capítulos da novela "Ninho da Serpente" para a Rede Bandeirantes, na qual interpretava Jerusa.

Na noite anterior ao infarto havia participado de um programa diário da emissora, o "Boa Noite Brasil", onde tinha um quadro semanal chamado "Meu Netinho é Uma Graça".

Fonte: Wikipédia

Cláudia Magno

CLÁUDIA MAGNO DE CARVALHO
(35 anos)
Atriz e Dançarina

* Rio de Janeiro, RJ (10/02/1958)
+ Rio de Janeiro, RJ (06/01/1994)

Em 1982, participou do filme "Menino do Rio", grande sucesso entre os jovens, que lhe abriu as portas no cinema e na TV. No mesmo ano, estreou na televisão na novela "Final Feliz".

Seguiram-se as novelas "Champagne" (1983), "Viver a Vida" (1984), "Roda de Fogo" (1986), "Fera Radical" (1988), "Bebê a Bordo" (1988), "Tieta" (1989), "Meu Bem, Meu Mal" (1990), "O Dono do Mundo" (1991), "Felicidade" (1991) e "Sonho Meu" (1993).


No cinema, participou dos filmes "Garota Dourada" (1983) e "Presença de Marisa" (1988).

Na televisão, Cláudia Magno fez novelas na TV Globo e na TV Manchete.

Cláudia Magno foi namorada do ator e modelo Marcelo Ibrahim.

Morreu vítima de Insuficiência Respiratória Aguda, em decorrência do vírus da AIDS.

Quando faleceu, Cláudia estava trabalhando na telenovela "Sonho Meu", na qual vivia a enfermeira Josefina, e ensaiava um musical com o ator Jonas Bloch.

Televisão

  • 1982 - Final Feliz ... Bartira
  • 1983 - Champagne ... Mariah
  • 1984 - Viver a Vida ... Maria Eduarda
  • 1985 - Tudo em Cima ... Carmem
  • 1985 - Um Sonho a Mais ... Regina
  • 1986 - Roda de Fogo ... Vera dos Santos
  • 1988 - Fera Radical ... Vick
  • 1988 - Bebê a Bordo ... Gilda
  • 1989 - Tieta ... Silvana
  • 1990 - Mãe de Santo
  • 1990 - Meu Bem, Meu Mal ... Eulália
  • 1991 - Filhos do Sol ... Ludmila
  • 1991 - O Dono do Mundo ... Flávia Araripe
  • 1991 - Felicidade ... Renée
  • 1993 - Sonho Meu ... Josefina

Cinema

  • 1981 - Menino do Rio ... Patrícia Monteiro
  • 1984 - Garota Dourada ... Patrícia
  • 1988 - Presença de Marisa

Teatro

  • 1985 - Rosa Tatuada
  • 1993 - Fora de Controle

Fonte: Wikipédia

Miriam Pires

MIRIAM DE SOUZA PIRES
(73 anos)
Atriz

* Rio de Janeiro, RJ (20/04/1931)
+ Rio de Janeiro, RJ (07/09/2004)

Miriam de Souza Pires, conhecida como Miriam Pires, atriz do cinema brasileiro, popular por sua atuação na televisão, participou de mais de 40 novelas e minisséries na TV Globo, SBT e TV Manchete.

Miriam Pires estreou na carreira artística em 1966, na novela "Um Rosto de Mulher", pela TV Paulista. Atuou em novelas importantes e teve papéis marcantes como a Dalva, em "Irmãos Coragem", a Quirina em "Pedra Sobre Pedra" (1992) e Dona Milu em "Tieta". Outras grandes interpretações foram em "Locomotivas" (1977), "Xica da Silva" (1997), "Mandacaru" (1997) e na minissérie "Memorial de Maria Moura".


Seu período de presença mais constante no cinema foi nas décadas de década de 1970 e década de 1980, sob a direção de cineastas como Braz Chediak, Bruno Barreto, Héctor Babenco e Djalma Limongi Batista.

Estreou em 1976, em "Aleluia, Gretchen", de Sylvio Back, seguindo-se outros filmes, como "Chuvas de Verão" em 1978 onde recebeu o prêmio de melhor atriz no Festival Brasileiro de Cinema, e "O Beijo da Mulher Aranha" (1984).

O falecimento de Miriam Pires ocorreu em plena atividade, em 2004, quando estrelava a novela das oito, "Senhora do Destino", no papel de Clementina, empregada e cozinheira da casa de Maria do Carmo, interpretada por Suzana Vieira.

A produção, direção, elenco e a Rede Globo fizeram uma homenagem póstuma a atriz, criando o livro de receita em nome da personagem. Na festa de lançamento passaram num telão vários momentos da carreira da atriz.

Faleceu na Clinica Bambina no bairro do Botafogo onde morava em decorrência da Toxoplasmose. A atriz já estava a três meses internada na UTI.

Miriam Pires era solteira e deixou uma filha adotiva de 21 anos e a irmã Azaléa de 84 anos, na época.

Fonte: Dramaturgia Brasileira - In Memoriam

sábado, 7 de novembro de 2009

Carmem Silva

MARIA AMÁLIA FEIJÓ
(92 anos)
Atriz

* Pelotas, RS (05/04/1916)
+ Porto Alegre, RS (21/04/2008)

Adotou o nome artístico de Carmen Silva, em 1939, quando ingressou na carreira de atriz, na Rádio Cultura de sua cidade.

Em 1955 entrou para a Companhia Dulcina de Moraes e elencou a peça "Vivendo em Pecado", de Terence Rattigan. Com a Companhia Dulcina de Moraes, ainda apareceu em "O Imperador Galante", de Raimundo Magalhães Júnior e "Chuva" de Somerset Maugham.

Em 1957, já na Companhia Maria Della Costa foi para a Europa com os espetáculos "Manequim" (Henrique Pongetti), "O Canto da Cotovia" (Jean Anouilh) e "Rosa Tatuada" (Tennessee Williams).

Em 1961, Carmem Silva passou a integrar o Teatro Brasileiro de Comédia, trabalhando em "A Escada" (Jorge Andrade) e "Yerma" (Garcia Lorca)

Em 1935, entrou para a Cinédia e fez seu primeiro filme: "Estudantes" de Wallace Downey, com Aurora Miranda e Mesquitinha.

Carmen Silva em 1939
Em 1949, participou do último musical dirigido por Adhemar Gonzaga, "Quase no Céu", ao lado de Walter D'Ávila, Renata Fronzi, entre outros.

Na televisão fez sua primeira aparição em 1956, em "Anos de Ternura", na TV Record. Em 1970, apareceu em "Pigmaleão 70" na TV Globo, ao lado de Tônha Carrero e Sérgio Cardoso.

Participou de outras novelas importantes da emissora como "Os Ossos do Barão" e "Locomotivas". Mas foi em "Mulheres Apaixonadas", novela de Manoel Carlos, que fez grande sucesso ao lado de Oswaldo Louzada.

Em 2002 reuniu seus textos radiofônicos no livro "Comédias do Coração e Outras Peças Para Rádio e TV". Teve sua história registrada pela jornalista Marilaine Castro da Costa em "Carmen Silva, a Dama dos Cabelos Prateados".

Cinema

  • 2007 - Valsa Para Bruno Stein
  • 2005 - Café da Tarde
  • 2003 - A Festa de Margarette
  • 2002 - Lembra, Meu Velho?
  • 1997 - Até Logo, Mamãe
  • 1990 - O Gato de Botas Extraterrestre
  • 1983 - Idolatrada
  • 1982 - Amor de Perversão
  • 1977 - Contos Eróticos episódio (As Virgens três)
  • 1975 - Guerra Conjugal
  • 1970 - Elas (episódio O Artesanato de Ser Mulher)
  • 1958 - O Grande Momento
  • 1957 - Rebelião em Vila Rica
  • 1955 - Carnaval em Lá Maior
  • 1949 - Quase no Céu
  • 1946 - El Ángel Desnudo

Televisão

  • 2006 - A Diarista (episódios Aquele da Chuva e Marinete Não Chega!)
  • 2003 - Zorra Total
  • 2003 - Mulheres Apaixonadas
  • 1988 - O Primo Basílio
  • 1984 - Meus Filhos, Minha Vida
  • 1983 - Sabor de Mel
  • 1982 - Campeão
  • 1982 - Ninho da Serpente
  • 1981 - Baila Comigo
  • 1981 - Os Adolescentes
  • 1980 - Pé de Vento
  • 1979 - Cara a Cara
  • 1978 - Sinal de Alerta
  • 1977 - Locomotivas
  • 1975 - A Viagem
  • 1974 - Ídolo de Pano
  • 1973 - Os Ossos do Barão
  • 1973 - Vidas Marcadas
  • 1973 - Venha Ver o Sol na Estrada
  • 1973 - Vendaval
  • 1972 - Quero Viver
  • 1972 - Bel-Ami
  • 1972 - Signo da Esperança
  • 1971 - Minha Doce Namorada
  • 1970 - A Próxima Atração
  • 1970 - Pigmalião
  • 1958 - Cela da Morte


Morte

Era uma das mais idosas atrizes em atividade do país, com 92 anos de idade, quando faleceu às 8:15 hs do dia 21 de abril de 2008, no Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre. Faleceu vítima de Falência Múltipla dos Órgãos.

Fonte: Wikipédia

Dercy Gonçalves

DOLORES GONÇALVES COSTA
(103 anos)

Atriz e Humorista

* Santa Maria Madalena, RJ (23/06/1905)
+ Rio de Janeiro, RJ (19/07/2008)

Originária de família pobre, nasceu no interior do estado do Rio de Janeiro, em 1905, mas foi registrada erroneamente, em 1907. Era filha de um alfaiate e de uma lavadeira. Sua mãe, chamada Margarida, abandonou o lar ao descobrir a infidelidade do marido. Dercy foi bilheteira de cinema, além de apresentar-se teatralmente para hóspedes de hotel em sua cidade natal. Teve que aturar o pai bêbado em casa e sofreu muito com o abandono da mãe, de quem nunca mais teve notícia.

Aos dezessete anos, fugiu de casa e se juntou a uma companhia de teatro. Estreou em 1929, em Leopoldina, MG, integrando o elenco da Companhia Maria Castro. Fazendo teatro itinerante, fez dupla com Eugênio Pascoal em 1930, com quem se apresentou por cidades do interior de alguns estados, sob o nome de "Os Pascoalinos".

Especializando-se na comédia e no improviso, participou do auge do Teatro de Revista Brasileiro, nos anos 1930 e 1940, estrelando algumas delas, como "Rei Momo na Guerra" (1943), de autoria de Freire Júnior e Assis Valente, na companhia do empresário Walter Pinto.

Na década de 1960 iniciou sua carreira solo. Suas apresentações, em diversos teatros brasileiros, conquistavam um público cheio de moralismos. Nesses espetáculos, gradativamente introduziu um monólogo, no qual relatava fatos autobiográficos. Paralelamente a estas apresentações, atuou em diversos filmes do gênero chanchada e comédias nacionais.

Na televisão, chegou a ser a atriz mais bem paga da TV Excelsior em 1963, onde também conheceu o executivo José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. Depois passou para a TV Rio e já na TV Globo, convenceu Boni a trabalhar na emissora, junto de Walter Clark.


De 1966 a 1969 apresentou na TV Globo um programa de auditório de muito sucesso, "Dercy de Verdade" (1966-1969), que acabou saindo do ar com o início da censura no país. No final dos anos 1980, quando a censura permitiu maior liberalismo na programação, Dercy passou a integrar corpos de jurados em programas populares, como em alguns apresentados por Sílvio Santos, e até aparições em telenovelas da TV Globo. No SBT voltou a experimentar um programa próprio que, entretanto, teve curtíssima duração.

Sua carreira foi pautada no individualismo, tendo sofrido, já idosa, um desfalque nas economias por parte de um empresário inescrupuloso, o que a fez retomar a carreira, já octogenária.

Dercimar (Foto: Andre Mussel / Photo Rio News)
Em 1934, teve um romance passageiro com o exportador de café mineiro Ademar Martins, do qual nasceu sua única filha, Dercimar. O nome é uma mistura de Dolores com Ademar. Dercy e Ademar moraram juntos um tempo, ela engravidou, ele registrou a criança e não apareceu mais. Dercy disse uma vez em entrevista que foi enganada por seu primeiro namorado, que a violentou sexualmente em sua adolescência, só que ela nem sabia o que era isso, disse que simplesmente sangrou muito, e não imaginava o que fosse.

Era chamada de Negrinha na infância, por ser neta de negros. Era uma típica moça do interior, ingênua e alegre, que mesmo fugida de casa ainda brincava de bonecas de pano.

"Todas as manhãs, a solidão me deixa deprimida. Moro sozinha, tem três pessoas que se revezam para me acompanhar. Minha filha não mora comigo. Filho não gosta de mãe; é a mãe que gosta do filho. Eles crescem, ganham independência e passam a ter prioridades. Eu me animo no cair da tarde, às 16h mais ou menos. Luto para ter forças para sair. Aí me arrumo, vou pro bingo. Lá, sou muito bem tratada, ganho cartelas e me distraio. À noite, vou a festas, jantares, adoro comer. E volto pra casa, durmo feliz. Assim são meus dias, sem expectativa."
(Dercy, em um desabafo)

Recebeu, em 1985, o Troféu Mambembe, numa categoria criada especificamente para homenageá-la: Melhor Personagem de Teatro.

Em 1991, foi enredo - "Bravíssimo - Dercy Gonçalves, o Retrato de um Povo" - do desfile da Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos do Viradouro, na primeira apresentação da escola no Grupo Especial das escolas de samba do carnaval do Rio de Janeiro. Na ocasião, Dercy causou polêmica ao desfilar, no último carro, com os seios à mostra.

Sua biografia se intitula "Dercy de Cabo a Rabo" (1994), e foi escrita por Maria Adelaide Amaral.

Em 4 de setembro de 2006, aos 99 anos, recebeu o título de Cidadã Honorária da Cidade de São Paulo, concedido pela câmara de vereadores desta capital.

Cem Anos

No dia 23 de junho de 2007, Dercy Gonçalves completou cem anos com uma festa na Praça General Brás, no centro do município de Santa Maria Madalena (sua cidade natal) na região serrana do Rio de Janeiro.

Na festa, Dercy comeu bolo, levantou as pernas fazendo graça para os fotógrafos, falou palavrão e saudou o povo, que parou para acompanhar a comemoração. Embora oficialmente tenha completado cem anos, Dercy afirmava que seu pai a registrou com dois anos de atraso, logo teria completado 102 anos de idade. Foi este também o mês em que Dercy subiu pela última vez num palco: na comédia teatral "Pout-PourRir" (espetáculo criado e dirigido pela dupla Afra Gomes e Leandro Goulart, que reúne os melhores comediantes da atualidade e do passado), onde comemorou cem anos de humor, com direito à festa, autógrafos de seu DVD biográfico e um teatro hiper-lotado por um público de fãs, celebridades e jornalistas.

A noite foi inesquecível para quem estava presente, onde Dercy foi entrevistada pelo ator Luis Lobiancoque interpreta no espetáculo uma sátira à Marília Gabriela, ainda deixou para a história duas frases memoráveis. "Marília Tagarela" pergunta à atriz se ela tem medo da morte, e Dercy, sempre de forma irreverente responde: "Não tenho medo da morte, a morte é linda... (ela repensa)... mas a vida também é muito boa!", e no fim, após cortar o bolo com as próprias mãos e atirar nos atores, diretores e plateia, faz o público emocionar-se ainda mais, dizendo: "Eu vou sentir falta de vocês. Mas vocês também vão sentir a minha". Um ano depois viria a falecer um dos maiores mitos da dramaturgia brasileira.

"Eu fiz 94, mas me digo que estou com 95 para me energizar e chegar lá. Escrevam o que eu digo: eu só vou morrer quando eu quiser! Não programo morte, eu programo vida!"
(Ao Completar 94 anos)

"A morte é linda... mas a vida também é muito boa!"
(Em cena pela última vez no espetáculo Pout-PourRir)

"Eu vou sentir falta de vocês. Mas vocês também vão sentir a minha."
(Para uma plateia lotada no espetáculo Pout-PourRir)

O Túmulo de Dercy Gonçalves
Morte

Morreu com 101 anos no papel e 103 de verdade, às 16:45 hs do dia 19 de julho de 2008, no Hospital São Lucas, em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro. Ela foi internada na madrugada do sábado dia 19 de julho. A causa da morte teria sido uma complicação decorrente de uma Pneumonia Comunitária Grave, que evoluiu para uma Sepse Pulmonar e Insuficiência Respiratória.

O Estado do Rio de Janeiro decretou luto oficial de três dias em memória à atriz. Na mesma semana, Afra Gomes, Leandro Goulart e o elenco de "Pout-PourRir" prestam, em cena, uma última homenagem à Dercy.

"Deus é um apelido. Ele pra mim não existe. O que existe é a natureza. Deus é fantasma, mas a natureza é a verdade que nunca podemos contestar a existência."
(Dercy Gonçalves)

Fonte: Wikipédia