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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Paulo Sérgio

PAULO SÉRGIO DE MACEDO
(36 anos)
Cantor e Compositor

* Alegre, ES (10/03/1944)
+ São Paulo, SP (29/07/1980)

Não fosse sua morte prematura, aos 36 anos, em decorrência de um Derrame Cerebral, Paulo Sérgio certamente seria lembrado como um dos maiores nomes da música romântica nacional. O cantor e compositor capixaba iniciou sua carreira em 1968, no Rio de Janeiro, lançando um compacto com o sucesso "Última Canção". O disco obteve sucesso imediato e vendeu 60 mil cópias em apenas três semanas, transformando seu intérprete num fenômeno de vendas. A despeito da curta carreira, Paulo Sérgio lançou treze discos e algumas coletâneas, obtendo uma vendagem superior a oito milhões de cópias.


Primeiro filho do alfaiate Carlos Beath de Macedo e de Hilda Paula de Macedo, Paulo Sérgio, se não tivesse manifestado desde cedo o intento de tornar-se músico profissional, talvez teria se realizado como alfaiate, haja vista que aos dez anos frequentava a alfaiataria do pai, aprendendo os primeiros segredos da agulha e da tesoura. Porém, a veia artística já se desenhava cedo. Aos seis, quando em sua cidade natal, Alegre, ES, apareceram as caravanas de artistas de emissoras de rádio do Rio de Janeiro, Paulo Sérgio participou, ao fim do espetáculo, de um mini-concurso de calouros. Foi escolhido o melhor dentre vários concorrentes, passando a ser requisitado como atração especial em todas as festinhas da pequena Alegre.

Ao chegar no Rio de Janeiro, para onde a família se mudara em meados dos anos 50, a trajetória do menino Paulo Sérgio ganhou uma nova conotação. Estudou no Colégio Pedro II e morava em Brás de Pina, na zona norte carioca, quando terminou o ginásio. Aos 15 anos, foi trabalhar em uma loja no bairro de Bonsucesso. Coincidência ou não, era uma loja de discos e eletrodomésticos, chamada Casas Rei da Voz. Como tocava bem violão, logo os amigos o incentivaram e Paulo Sérgio começou a mostrar suas composições.

Paulo Sérgio e Roberto Carlos
Os anos 60 sacudiam a juventude e Paulo Sérgio fez seu batismo no programa "Hoje é Dia de Rock", comandado por Jair de Taumaturgo, o mais badalado entre os jovens do Rio de Janeiro. Posteriormente, passaria ainda por muitos outros programas de calouros, como o "Clube do Rock", do saudoso Rossini Pinto, onde muitos outros ídolos que iriam formar o pessoal da Jovem Guarda se apresentaram.

Em 1966, no filme "Na Onda do Iê-Iê-Iê", Paulo Sérgio aparece como calouro do Chacrinha, cantando a canção "Sentimental Demais" de Altemar Dutra.

Em 1967, uma nova e grande oportunidade de Paulo Sérgio surgiu, quando um amigo seu foi convidado para realizar testes na gravadora Caravelle, do empresário Renato Gaetani. Paulo Sérgio, então, prontificou-se a acompanhar o amigo ao violão, que infelizmente não teve sorte. Porém, durante o teste, descobriram que Paulo Sérgio também cantava e, já que estava ali, manifestaram interesse em ouvir algumas de suas composições.

Um contrato foi prontamente assinado e dentro de poucos dias Paulo Sérgio gravou um compacto simples, que continha as músicas "Benzinho" e "Lagartinha". Entretanto, a sua afirmação definitiva deu-se com o lançamento, em 1968, do primeiro disco, denominado "Paulo Sérgio - Volume 01", que, alavancado pelo grande sucesso "Última Canção", vendeu mais de 300.000 cópias.


Paralelo ao sucesso meteórico de Paulo Sérgio, surgiu a acusação de que o mesmo era um imitador do cantor Roberto Carlos, então ídolo inconteste da juventude, dada a semelhança do seu timbre vocal. Como contrapartida, naquele mesmo ano Roberto Carlos lançaria o álbum "O Inimitável".

Do sucesso inicial advieram propostas para que Paulo Sérgio ingressasse numa grande gravadora. Em 1972, este assinaria um vultoso contrato com a Copacabana, o qual, em razão das cifras envolvidas, foi considerado o maior acontecimento artístico daquele ano. Pelo selo Beverly, Paulo Sérgio lançaria ao todo oito álbuns.

No dia 4 de março de 1972, Paulo Sérgio contraiu matrimônio com Raquel Teles Eugênio de Macedo, a qual conhecera casual e sugestivamente num pequeno acidente de trânsito. O casamento aconteceu secretamente, numa cerimônia simples, em Castilho, pequena cidade do interior de São Paulo.

Em 23 de maio de 1974, nascia Rodrigo, que mais tarde usaria artisticamente o cognome de Paulo Sérgio Jr. Além de Rodrigo, Paulo Sérgio tivera ainda duas filhas, Paula Mara e Jaqueline Lira, fruto de relacionamentos anteriores.

Últimos Momentos

No dia 27/07/1980, um domingo, Paulo Sérgio fez sua última apresentação na TV. Esta ocorreu no programa do apresentador Édson Cury (o Bolinha), da TV Bandeirantes, onde cantou duas músicas do seu último trabalho fonográfico: "O Que Mais Você Quer de Mim" e "Coroação". Logo após apresentar-se no programa "Hora do Bolinha", nos arredores do teatro onde aquele programa era veiculado, na Avenida Brigadeiro Luiz Antônio, São Paulo, Paulo Sérgio envolveu-se num incidente que talvez tenha provocado sua morte.

Ele saiu do auditório para pegar seu carro, estacionado próximo à Avenida Brigadeiro Luís Antônio. Várias fãs o cercaram. Queriam beijos, autógrafos, carinhos, fotografias. Uma delas, agressivamente, começou a comentar fatos relacionados à vida íntima do cantor e sua mulher, Raquel Telles Eugênio de Macedo.

Para evitar encrencas os amigos trataram de afastar Paulo Sérgio dela, enquanto a moça garantia que ainda tinha muito a dizer. Já nervoso, Paulo Sérgio deu a partida em seu carro, mas, quando manobrou o veículo, foi atingido por uma pedrada no para-brisa. Fora de si, ele desceu do automóvel e partiu em perseguição à moça. Esta se refugiou no interior de um edifício, para onde o zelador não permitiu que Paulo Sérgio a seguisse. Furioso, Paulo Sérgio avaliou os danos causados a seu veículo e aguardou vários minutos, na calçada, que a garota voltasse à rua.

Seus acompanhantes procuraram acalmá-lo. Ele ainda teria de cumprir três apresentações, antes que o domingo terminasse. Finalmente, o convenceram a esquecer o incidente e sair dali. Rumaram para uma pizzaria em Moema. Paulo Sérgio tentou fazer um lanche, mas não conseguiu comer direito. Tinha muita dor de cabeça e nenhum apetite.

A primeira apresentação foi no Grajaú. Quando terminou de cantar, Paulo Sérgio chamou seu secretário, pedindo a ele que encontrasse uma farmácia e providenciasse comprimidos para sua dor de cabeça, que estava cada vez mais violenta. Ingeriu dois de uma só vez e partiu para Itapecerica da Serra. Mas lá só conseguiu cantar quatro músicas. A sua cabeça latejava dolorosa, implacavelmente e a sua visão estava começando a ficar turva. Ele cambaleou até o camarim. Logo depois, os amigos o encontraram alternando-se entre gemidos e gritos de dor e tendo tremores por todo o corpo. Foi levado até o carro e transportado para o Hospital Piratininga. De lá, o enviaram para o Hospital São Paulo. Quando chegou ao mesmo, já estava em coma. O diagnóstico foi rápido e assustador: Paulo Sérgio tivera um Derrame Cerebral.

Após as primeiras providências clínicas, Paulo Sérgio foi internado na UTI. Teve início assim uma desesperada batalha pela sua sobrevivência. Amigos e parentes foram alertados. Apesar de preocupados, todos, tanto familiares como fãs e equipe médica, estavam confiantes até aquele momento. Afinal, ele era um homem forte, sadio… e com apenas 36 anos. Com esse perfil, todos acreditavam que não havia motivo para que se duvidasse de sua recuperação.

No entanto, mesmo com a equipe médica fazendo tudo que foi possível, seu esforço de nada adiantou. Na manhã de segunda-feira, 28 de julho de 1980, os corredores do hospital já estavam repletos de pessoas que queriam ver e saber alguma notícia sobre o estado de saúde de Paulo Sérgio. O otimismo já cedia lugar a um certo desespero. Afora os familiares, ninguém mais naquele momento tinha autorização para entrar na UTI, onde ele se encontrava.


As reações de Paulo Sérgio continuavam desfavoráveis. O Drº Pimenta, chefe da equipe que incansavelmente tentava reabilitar o cantor, após exames minuciosos, revelou aos familiares de Paulo Sérgio que suas possibilidades de sobrevivência já eram mínimas, quase nulas. Mesmo assim, a luta prosseguia. No hospital, a vigília permanecia contínua. Mais uma noite e o estado de saúde de Paulo Sérgio, ao invés de melhorar, se agravou.

Às 14:30 hs de terça-feira, 29 de julho de 1980, já não havia a menor possibilidade de melhora. O cantor Paulo Sérgio estava praticamente sem vida, apenas os aparelhos mantinham sua respiração e seus batimentos cardíacos. Às 20:30 hs, foi anunciado o fim de sua dolorosa agonia. Apesar de todo o esforço feito para salvá-lo, Paulo Sérgio estava morto.

Durante a madrugada e a manhã seguinte o corpo do cantor ficou exposto para visitação no velório ocorrido no Cemitério de Vila Mariana, em São Paulo. Atendendo ao pedido dos pais de Paulo Sérgio, seu corpo foi sepultado no Rio de Janeiro. Na capital carioca, o velório ocorreu no Cemitério do Caju. Entre os cantores que prestaram suas últimas homenagens, podemos citar Antônio Marcos, Jerry Adriani, Agnaldo Timóteo e Zé Rodrix.

Às 16:00 hs do dia 30 de julho de 1980 (quarta-feira), o seu corpo baixou à sepultura ao som de seu maior sucesso, "Última Canção".

Oneida Maria Xavier di Loreto

Oneida teve um desentendimento com Paulo Sérgio na tarde do dia 27/07/1980, horas antes de sua última apresentação, no Circo Rosemir, armado em Vila Preu, a cinqüenta quilômetros do centro de São Paulo.

A própria Oneida contou, com a condição de não ser fotografada - para evitar que ficasse ainda mais visada pelos que a ameaçam -, como foi o incidente:

"No dia 27, fui ao Teatro Bandeirantes com uma amiga, para apanhar uma bolsa que ficara esquecida lá. Cruzei com Paulo Sérgio, que me convidou para ir com ele para o seu sítio perto de Preu. Disse, então, que eu era mulher casada e de respeito. Ele riu na minha cara. Para desviar a conversa, falei que conhecia sua ex-mulher, Raquel. Então, ele começou a me xingar e me chamou de prostituta. Para irritá-lo, retruquei que ele era um péssimo cantor e que Roberto Carlos era muito melhor do que ele. Ele ameaçou me matar e passar com o carro por cima de mim. Quando deixei o teatro, ele abandonou o seu carro e correu atrás de mim. Me refugiei na porta de um prédio, enquanto as pessoas o seguravam. Fui, depois, dar queixa no 5º Distrito."

A última fotografia de Paulo Sérgio em vida, registrada nos bastidores do programa "Hora do Bolinha" (27/07/1980). Ao seu lado, os amigos Lauro Lopes e Reinaldo dos Santos.
Os últimos momentos da vida de Paulo Sérgio foram presenciados por outra mulher, Suely Coutinho, que, há cinco meses, trabalhava como "Paulete", as bailarinas que faziam a coreografia dos shows do cantor. Ela contou o que viu:

"Pouco antes de começar o show, ele sentia forte dor de cabeça. Logo depois de cantar a primeira música, levou a mão à fronte e começou a empalidecer. Foi para seu ônibus-camarim, pedindo ajuda. Dei-lhe dois comprimidos. Ele começou a babar e a balbuciar. Entrou em coma no próprio camarim e saiu de lá na ambulância. Mas não houve tempo para nada e ele morreu no hospital, em São Paulo."

Fonte: Wikipédia

Grande Otelo

SEBASTIÃO BERNARDES DE SOUZA PRATA
(78 anos)
Ator, Humorista, Cantor e Compositor

* Uberlândia, MG (18/10/1915)
+ Paris, França (26/11/1993)

Grande Otelo foi um ator, cantor e compositor. Pai do também ator José Prata.

Grande artista de cassinos cariocas e do chamado Teatro de Revista, participou de diversos filmes brasileiros de sucesso, entre os quais as famosas comédias nos anos 1940/50, que estrelou em parceria com o cômico Oscarito, e a versão cinematográfica de "Macunaíma", realizada em 1969.

Grande Otelo e Ankito
Conheceu Orson Welles quando este veio filmar no Brasil, na década de 1940. O grande ator e diretor estadunidense considerava Grande Otelo o maior ator brasileiro.

Sua vida teve várias tragédias. Seu pai morreu esfaqueado e a mãe era alcoólatra. Quando já era um ator consagrado, sua mulher cometeu suicídio logo após matar com veneno seu filho de seis anos, que era enteado do ator.

Grande Otelo vivia em Uberlândia quando conheceu uma companhia de teatro mambembe e foi embora com eles, com o consentimento da diretora do grupo, Abigail Parecis, que o levou para São Paulo. Ele voltou a fugir, foi para o Juizado de Menores, onde foi adotado pela família do político Antonio de Queiroz. Grande Otelo estudou então no Liceu Coração de Jesus até a terceira série ginasial.

Participou na década de 1920 da Companhia Negra de Revistas, que tinha Pixinguinha como maestro.

Foi em 1932 que entrou para a Companhia Jardel Jércolis, um dos pioneiros do Teatro de Revista. Foi nessa época que ganhou o apelido de Grande Otelo, como ficou conhecido.

No cinema, participou em 1942 do filme "It's All True", de Orson Welles.

Grande Otelo fez inúmeras parcerias no cinema, sendo a mais conhecida a feita com Oscarito. Depois os produtores formariam uma nova dupla dele com o cômico paulista Ankito. No final dos anos 50, Grande Otelo apareceria em dupla em vários espetáculos musicais e também no cinema com Vera Regina, uma negra alta com semelhanças com a famosa dançarina americana Josephine Baker. Com o fim da dupla com Vera Regina, Grande Otelo passaria por um período de crise até que voltaria ao sucesso no cinema com sua grande atuação do personagem título de "Macunaíma" (1969), filme baseado na obra de Mário de Andrade.

Participou também do filme de Werner Herzog, "Fitzcarraldo", de 1982, filmado na floresta amazônica.

Desde os anos 1960 Grande Otelo era contratado da TV Globo, onde atuou em diversas telenovelas de grande sucesso, como "Uma Rosa Com Amor", entre várias outras. Também trabalhou no humorístico "Escolinha do Professor Raimundo", no início dos anos 1990. Seu último trabalho foi uma participação na telenovela "Renascer", pouco antes de morrer.

Grande Otelo faleceu em 26/11/1993 vítima de um Ataque Cardíaco fulminante, quando viajava para Paris onde participaria de uma homenagem que receberia no Festival de Cannes.

Fonte: Wikipédia

Luiz Gonzaga

LUIZ GONZAGA DO NASCIMENTO
(76 anos)
Cantor, Compositor e Instrumentista

* Exu, PE (13/12/1912)
+ Recife, PE (02/08/1989)

Foi uma das mais completas e inventivas figuras da Música Popular Brasileira. Cantando acompanhado de acordeão, zabumba e triângulo, levou a alegria das festas juninas e dos forrós pé-de-serra, bem como a pobreza, as tristezas e as injustiças de sua árida terra, o sertão nordestino, para o resto do país, numa época em que a maioria das pessoas desconhecia o baião, o xote e o xaxado.

Admirado por grandes músicos, como Gilberto Gil e Caetano Veloso, o genial instrumentista e sofisticado inventor de melodia e harmonias, ganhou notoriedade com as antológicas canções "Baião" (1946), "Asa Branca" (1947), "Siridó" (1948), "Juazeiro" (1948), "Qui Nem Giló" (1949) e "Baião de Dois" (1950)

Nasceu na Fazenda Caiçara, no sopé da Serra do Araripe, na zona rural de Exu, sertão de Pernambuco. O lugar seria revivido anos mais tarde em "Pé de Serra", uma de suas primeiras composições. Seu pai, Januário trabalhava na roça, num latifúndio, e nas horas vagas tocava acordeão e também consertava o instrumento. Foi com ele que Luiz Gonzaga aprendeu a tocar.


Não era nem adolescente ainda, quando passou a se apresentar em bailes, forrós e feiras, de início acompanhando seu pai. Autêntico representante da cultura nordestina, manteve-se fiel às suas origens mesmo seguindo carreira musical no sul do Brasil. O gênero musical que o consagrou foi o baião. A canção emblemática de sua carreira foi "Asa Branca", que compôs em 1947, em parceria com o advogado cearense Humberto Teixeira.

Antes dos dezoito anos, ele se apaixonou por Nazarena, uma moça da região e, repelido pelo pai dela, o coronel Raimundo Deolindo, ameaçou-o de morte. Januário e Santana lhe deram uma surra por isso. Revoltado, Luiz Gonzaga fugiu de casa e ingressou no exército em Crato, Ceará. A partir dali, durante nove anos ele viajou por vários estados brasileiros, como soldado. Em Juiz de Fora, MG, conheceu Domingos Ambrósio, também soldado e conhecido na região pela sua habilidade como acordeonista. Dele, recebeu importantes lições de música.

Em 1939, deu baixa do Exército no Rio de Janeiro, decidido a se dedicar à música. Na então capital do Brasil, começou por tocar na zona do meretrício. No início da carreira, apenas solava acordeão (instrumentista), tendo choros, sambas, fox e outros gêneros da época. Seu repertório era composto basicamente de músicas estrangeiras que apresentava, sem sucesso, em programas de calouros.


Apresentava-se com o típico figurino do músico profissional: paletó e gravata. Até que, em 1941, no programa de Ary Barroso, ele foi aplaudido executando "Vira e Mexe", um tema de sabor regional, de sua autoria. O sucesso lhe valeu um contrato com a gravadora RCA Victor, pela qual lançou mais de 50 músicas instrumentais. "Vira e Mexe" foi a primeira música que gravou em disco.

Veio depois a sua primeira contratação, pela Rádio Nacional. Foi lá que tomou contato com o acordeonista gaúcho Pedro Raimundo, que usava os trajes típicos da sua região. Foi do contato com este artista que surgiu a ideia de Luiz Gonzaga apresentar-se vestido de vaqueiro - figurino que o consagrou como artista.

Em 11 de abril de 1945, Luiz Gonzaga gravou sua primeira música como cantor, no estúdio da RCA Victor, a mazurca "Dança Mariquinha" em parceria com Saulo Augusto Silveira Oliveira.

Gonzaguinha e Gonzagão
Também em 1945, uma cantora de coro chamada Odalisca Guedes deu à luz um menino, no Rio de Janeiro. Luiz Gonzaga tinha um caso com a moça - iniciado provavelmente quando ela já estava grávida - e assumiu a paternidade do rebento, adotando-o e dando-lhe seu nome: Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior. Gonzaguinha foi criado pelos seus padrinhos, com a assistência financeira do artista.

Em 1946 voltou pela primeira vez a Exu, em Pernambuco, e o reencontro com seu pai é narrado em sua composição "Respeita Januário", parceria com Humberto Teixeira.

Em 1948, casou-se com a pernambucana Helena Cavalcanti, professora que tinha se tornado sua secretária particular. O casal viveu junto até perto do fim da vida de Lua. E com ela teve outro filho que Lua a chamava de Rosinha.


Luiz Gonzaga sofria de Osteoporose. Morreu vítima de Parada Cardiorrespiratória no Hospital Santa Joana, na capital pernambucana.

Seu corpo foi velado em Juazeiro do Norte (a contragosto de Gonzaguinha, que pediu que o corpo fosse levado o mais rápido possível para Exu, irritando várias pessoas que iriam ao velório e tornando Gonzaguinha "persona non grata" em Juazeiro do Norte) e posteriormente sepultado em seu município natal.

Fonte: Wikipédia

Gonzaguinha

LUIZ GONZAGA DO NASCIMENTO JÚNIOR
(45 anos)
Cantor e Compositor

* Rio de Janeiro, RJ (22/09/1945)
+ Renascença, PR (29/04/1991)

Gonzaguinha era filho do também cantor e compositor Luiz Gonzaga do Nascimento e de Odaleia Guedes dos Santos, cantora do "Dancing Brasil", que morreu de tuberculose, aos 46 anos. Acabou sendo criado pelos padrinhos Dina e Xavier.

Gonzaguinha e Gonzagão
Compôs a primeira canção "Lembranças da Primavera" aos quatorze anos, e em 1961, com 16 anos foi morar em Cocotá, com o pai, para estudar. Voltou para o Rio de Janeiro para estudar Economia, pela Universidade Cândido Mendes Ary Fontoura. Na casa do psiquiatra Aluízio Porto Carrero, conheceu e se tornou amigo de Ivan Lins. Conheceu também a primeira mulher, Ângela, com quem teve dois filhos: Daniel e Fernanda. Teve depois uma filha com a atriz Sandra Pêra, a cantora Amora Pêra.

Foi nessa convivência na casa do psiquiatra, que fundou o Movimento Artístico Universitário (MAU), com Aldir Blanc, Ivan Lins, Márcio Proença, Paulo Emílio e César Costa Filho. Tal movimento teve importante papel na música popular do Brasil nos anos 1970 e em 1971 resultou no programa na TV Globo "Som Livre Exportação".

Característico pela postura de crítica à Ditadura Militar, submeteu-se ao DOPS. Assim, das 72 canções mostradas, 54 foram censuradas, entre as quais o primeiro sucesso, "Comportamento Geral".

Neste início de carreira, a apresentação agressiva e pouco agradável aos olhos da mídia lhe valeram o apelido de "Cantor Rancor", com canções ásperas, como "Piada Infeliz" e "Erva". Com o começo da abertura política, na segunda metade da década de 1970, começou a modificar o discurso e a compor músicas de tom mais aprazível para o público da época, como "Começaria Tudo Outra Vez", "Explode Coração" e "Grito de Alerta", e também temas de reggae, como "O Que é o Que é" e "Nem o Pobre Nem o Rei".

As composições foram gravadas por muitos dos grandes intérpretes da Música Popular Brasileira, como Maria Bethânia, Simone, Elis Regina, Fagner e Joanna.

Em 1975 dispensou os empresários e se tornou um artista independente, o que fez em 1986, fundar o selo Moleque, pelo qual chegou a gravar dois trabalhos.

Nos últimos doze anos de vida, Gonzaguinha viveu em Belo Horizonte com a segunda mulher Louise Margarete Martins - Lelete e a filha deles, a caçula Mariana.


Morte

Após uma apresentação em Pato Branco, no Paraná, Gonzaguinha foi vítima de um Acidente Automobilístico, vindo a óbito às 07:30 hs do dia 29 de abril de 1991, entre as cidades de Renascença e Marmeleiro. Ele dirigia o automóvel rumo a Francisco Beltrão e depois ia a Foz do Iguaçú. Este trágico acidente encerrou de forma repentina a sua brilhante carreira.

Fonte: Wikipédia

Leandro

LUÍS JOSÉ COSTA
(36 anos)
Cantor e Compositor

* Goianápolis, GO (15/08/1961)
+ São Paulo, SP (23/06/1998)

Luís José da Costa, mais conhecido como Leandro, foi um cantor e compositor brasileiro, que formou com seu irmão Leonardo a dupla sertaneja Leandro & Leonardo.

Leandro nasceu no dia 15/08/1961, em Goianápolis, GO. Filho de Avelino Virgulino da Costa e Carmem Divina Eterno da Silva, morou com os pais e mais oito irmãos na roça, onde estudou até o ensino fundamental. Desde criança, Leandro ajudava os pais numa pequena plantação de tomates e jilós. Mas aquela profissão nunca agradou o sertanejo.

O primeiro emprego de Leandro, junto com o irmão mais novo Emival Eterno Costa, o Leonardo, foi no mercado central de Goiânia, como vendedor de sapatos, durante a época de Natal. Até que Leandro percebeu sua vocação para a música, e chegou a ser vocalista de uma banda chamada "Os Dominantes", que fazia covers de músicas dos Beatles e de Roberto Carlos.

A dupla Leandro & Leonardo nasceu em 1983, depois que Leonardo, que era balconista da Farmácia São Benedito, em Goiânia, foi demitido. Depois de ser bóia-fria, Leonardo foi trabalhar como entregador de remédio. Foi promovido, mas não durou dez dias na nova função. Leonardo receitou um remédio errado para uma cliente que tinha micose. Foi despedido e, junto com seu irmão, resolveu formar a dupla.


Leandro & Leonardo
No começo dos anos 80, os irmãos levaram suas violas a pequenos bares de Goianópolis e outras pequenas cidades de Goiás. Mas a dupla só nasceu comercialmente depois que chegou aos ouvidos dos diretores da gravadora Continental. Eles ficaram impressionados com uma fita mal gravada com uma música de apenas três acordes. Era a canção "Entre Tapas e Beijos", que se transformaria em grande sucesso.

O nome da dupla foi inspirado em filhos gêmeos de um amigo dos dois irmãos goianos. Com o nome de Leandro & Leonardo, os sertanejos começaram a batalhar no concorrido mercado da música.

Eles mostravam um ritmo sertanejo diferente da antiga moda de viola, que acabou sendo chamado de "Sertanejo Moderno".

Em 1986, a dupla lançou o primeiro disco, que trazia a música "Contradição". O álbum não chegou a emplacar, mas vendeu a razoável quantia de 150 mil cópias. Mas foi em 1989 que Leandro & Leonardo viraram estrelas. Com a música "Entre Tapas e Beijos", do terceiro álbum, os sertanejos venderam 1 milhão e 300 mil cópias.

Leandro fez parte dos apresentadores do show "Amigos" da Rede Globo, juntamente com Zezé di Camargo & Luciano, Chitãozinho & Xororó, e seu irmão, Leonardo. O sucesso era tão grande que, no início dos anos 1990, os ex-plantadores de Goiás foram recebidos na casa do então presidente Fernando Collor de Mello para um show particular. Além das apresentações na Casa da Dinda, Leandro & Leonardo, fizeram shows no Palácio do Planalto.


Leandro & Leonardo
O quarto álbum, que vendeu quase 3 milhões de cópias, confirmou a consagração dos astros com o sucesso "Pense em Mim", que marcaria para sempre a dupla sertaneja. Foi a primeira vez que uma dupla sertaneja alcançou essa marca de vendagem. Leandro, responsável pela segunda voz da dupla, nunca negou que sua música se afastava da tradição sertaneja.

Com a renda dos shows e dos discos, Leandro tornou-se um empresário agressivo e bem-sucedido. Formou um patrimônio sólido. Era dono de duas fazendas no Estado de Tocantins e de uma fazenda e uma chácara em Goiás. No total, possuía cerca de 4.000 alqueires de terra, nos quais criava 6.000 cabeças de gado. Além disso, tinha vários imóveis em Goiânia, entre eles um prédio de três andares que chegou a hospedar um shopping center e um terreno de 15 alqueires dentro da cidade, próximo ao aeroporto. O grosso dos rendimentos do cantor vinha dos cachês de shows da dupla, que oscilavam entre R$ 35.000 e R$ 50.000 por apresentação. As várias campanhas publicitárias que Leandro & Leonardo protagonizaram também renderam um bom dinheiro.


Doença e Morte

Foi durante uma pescaria, numa de suas fazendas no Estado do Tocantins, em 19/04/1998, que a vida de Leandro começou a mudar. No momento em que puxava o molinete de sua vara de pescar, ele sentiu uma dor aguda nas costas. Voltou para São Paulo, onde iria passar o feriado de 21/04/1998 com amigos, num sítio no município de Cotia, a 25 quilômetros da capital. Entre um churrasco e outro, constatou que a dor persistia. Resolveu ir, então, ao hospital da cidade para tirar uma radiografia do tórax. O diagnóstico foi divulgado no dia 27/04/1998, durante entrevista coletiva no Hotel Sheraton Mofarrej, em São Paulo.

Na radiografia, apareceu uma mancha sobre o pulmão direito, do tamanho de uma laranja. Era o primeiro indício do diagnóstico que seria confirmado cerca de duas semanas depois, no dia 08/05/1998, por médicos no hospital da Johns Hopkins University, em Baltimore, Estados Unidos, onde foi detectado que seu tumor era maligno e se desenvolveu em seu tórax.

O cantor goiano sofria de um tipo de câncer raríssimo, conhecido por Tumor de Askin, localizado junto ao seu pulmão direito. Leandro foi internado às pressas no final da tarde do dia 15/05/1998, na UTI do Hospital São Luiz, após sofrer uma parada cardiorrespiratória por volta das 18:00 hs em seu apartamento no Itaim Bibi, zona sudoeste de São Paulo, e foi levado imediatamente ao hospital.

Antes, o cantor havia sido internado no dia 22/04/1998, depois de sentir dores no peito e nas costas. Na ocasião, o cirurgião torácico do Hospital São Luiz, Alli Esgaib, disse que as dores não estavam relacionadas ao tumor.

No dia 18/05/1998, Leandro passou por duas cirurgias, além de reiniciar a terceira etapa do tratamento quimioterápico. Leandro foi submetido à colocação de uma prótese no interior da veia cava superior (que leva o sangue venoso da cabeça ao coração), que estava sendo comprimida pelo tumor. Depois, ele passou por uma "embolização", para obstruir algumas artérias que alimentam o tumor no sangue. Fontes do Hospital São Luiz revelaram que não houve metástase, ou seja, o tumor não se espalhou por outros órgãos do cantor Leandro.

A informação é de que os problemas foram causados pelo crescimento do Tumor de Askin que, situava na região de tórax. Na verdade, os médicos perceberam já no domingo que haviam perdido a luta para prolongar a vida do sertanejo. Isso porque o tumor ficou fora de controle, comprometendo o coração e os pulmões de forma irremediável e extremamente rápida, afetando brônquios, veias e também as artérias do coração.

Leandro morreu à 0:10 hs de 23/06/1998, em São Paulo, SP, vítima de Falência Múltipla dos Órgãos, segundo médicos do Hospital São Luiz. Nos seus últimos momentos, Leandro respirava com extrema dificuldade, apesar da ajuda dos aparelhos.

A onda de comoção teve início na capital paulista. Na Assembléia Legislativa de São Paulo, o corpo foi velado por uma multidão. Mais de 16.000 fãs apareceram para dar o último adeus ao cantor. Políticos, como o senador Eduardo Suplicy e o então prefeito Celso Pitta, apresentadores de TV, como Hebe Camargo, AngélicaRatinho, além das duplas sertanejas Chitãozinho & Xororó e Zezé Di Camargo & Luciano estiveram lá também para a despedida.

Em Goiânia, onde foi sepultado, o corpo de Leandro foi levado ao cemitério por um cortejo de 150.000 pessoas. Estima-se que 60.000 delas passaram em frente do caixão do cantor durante o velório em Goiânia.

Sem pensar na carreira, o show "Amigos" deu problema na Rede Globo: não fez muito sucesso devido à ausência de Leandro. Assim, o cantor Leonardo e também as duplas sertanejas Chitãozinho & Xororó e Zezé Di Camargo & Luciano se alternavam. A única canção feita pela homenagem a ele foi "Canção da Amizade", que era uma música inédita. Assim Leonardo, mesmo triste com a perda, seguiu cantando com Chitãozinho a música "Um Sonhador" e com Luciano a música "Deu Medo", também feita pela homenagem a ele, as duas feitas pelo álbum "Um Sonhador", último trabalho da dupla antes do falecimento de Leandro.

Sua doença foi causada pelo fato de que Leandro fumava um maço de cigarros diariamente. Especulou-se que a exposição direta de Leandro a agrotóxicos, quando trabalhava como agricultor em sua juventude, também poderia ter contribuído decisivamente para a formação do tumor.

Sua mãe mantém uma instituição que ajuda pessoas que sofrem de câncer. Leonardo, ex-companheiro de dupla, está hoje em carreira solo. A Rede Globo exibiu um programa especial sobre a vida de Leandro.


Relacionamentos

Leandro se casou com Célia Gonçalves nos anos 80 e teve um filho chamado Thiago, que hoje é cantor e faz parte da dupla Pedro & Thiago. Após alguns anos de casamento, os dois se separaram por desentendimentos.

Alguns anos depois começou a namorar e casou-se com a ex-modelo Andréa Mota. Em 1995 tiveram uma filha, que recebeu o nome de Lyandra Mota da Costa. Em 1998, ano de seu falecimento, nasceu o segundo filho do casal, Leandro Mota da Costa.

Em 2009 foi divulgada a existência de um outro filho de Leandro. O menino é fruto do relacionamento de Leandro com a empregada da casa de seus pais. Esse caso ocorreu nos anos 90. A menina era ainda adolescente, bem mais jovem que Leandro e ao engravidar pediu demissão, não contando que esperava um bebê, por medo da reação da família dos patrões.

Por exame de DNA foi reconhecido a paternidade, o que deixou todos emocionados. O garoto tem uma enorme semelhança com o pai e foi batizado pela mãe com o nome artístico do cantor, Leandro.

Outro caso ocorrido no ano de 1992, uma mulher afirmava ter tido um filho do cantor, devido as grandes semelhanças com seu filho, mas após ser pressionada a jovem acabou desmentindo, alegando que havia se enganado sobre o fato.

Filme

Em abril de 2011, Leonardo contou à uma emissora de TV que estariam produzindo um longa da dupla Leandro & Leonardo, intitulado "Não Aprendi Dizer Adeus". O cantor disse que a produção irá se iniciar em julho de 2011, escolhendo os atores para seus personagens, e consequentemente  iniciando as filmagens.


Discografia

  • 1983 - Leandro & Leonardo - (Independente) - 500 cópias
  • 1986 - Leandro & Leonardo Vol. 1 - (M3) - 38.000 cópias
  • 1987 - Leandro & Leonardo Vol. 2 - (M3) - 100.000 cópias
  • 1989 - Leandro & Leonardo Vol. 3 - (Chantecler) - 1.800.000 cópias
  • 1990 - Leandro & Leonardo Vol. 4 - (Chantecler) - 3.145.814 cópias
  • 1991 - Leandro & Leonardo Vol. 5 - (Chantecler) - 2.500.000 cópias
  • 1992 - Leandro & Leonardo Vol. 6 - (Chantecler) - 1.950.000 cópias
  • 1993 - Leandro & Leonardo Vol. 7 - (Chantecler / Warner Music) - 1.500.000 cópias
  • 1994 - Leandro & Leonardo Vol. 8 - (Chantecler / Warner Music) - 1.400.000 cópias
  • 1995 - Leandro & Leonardo Vol. 9 - (Chantecler / Warner Music) - 1.250.000 cópias
  • 1996 - Leandro & Leonardo Vol. 10 - (Chantecler / Warner Music) - 1.850.000 cópias
  • 1997 - Leandro & Leonardo Vol. 11 - (Chantecler / Warner Music) - 650.000 cópias
  • 1998 - Um Sonhador - (BMG Brasil) - 2.732.735 cópias


Nota: todos os discos foram lançados pelo selo Continental, exceto "Um Sonhador", único trabalho da dupla pela antiga BMG.

Fonte: Wikipédia

Milton Carlos

MILTON CARLOS
(22 anos)
Cantor e Compositor

* São Paulo, SP (13/11/1954)
+ São Paulo, SP (21/10/1977)

Irmão da compositora Isolda e seu grande parceiro musical. Começou a interessar-se pela música, ainda criança, fazendo estórias e músicas para teatrinhos de bonecos com a irmã.

Atuou com a irmã, Isolda, como backing vocal.

Gravou seu primeiro disco em 1970, tendo como destaque as músicas "Desta Vez Te Perdi", "Tudo Parou", "Eu Vou Caminhar" e "Um Presente Para Ela", parcerias com Isolda.

Em 1973, gravou "Samba Quadrado" e "Você Precisa Saber das Coisas", também parcerias com a irmã. Nesse mesmo ano, teve a primeira de suas composições gravadas por Roberto Carlos, "Amigos, Amigos".

Dois anos depois, lançou novo LP que trazia algumas de sua composições com Isolda, entre as quais, "Amanhã é Outro Dia", "Foi Ela Um Tema de Amor", "Eu Juro Que Te Morreria Minha" e "Tele-rodovia".

Em 1976, Roberto Carlos emplacaria dois grandes sucessos de Milton Carlos e Isolda: "Pelo Avesso" e "Um Jeito Estúpido de Te Amar".

Nesse ano, 1976, o quarto LP de Milton Carlos foi lançado, trazendo novas composições suas com Isolda, como "Uma Valsa", "Por Favor" e "Último Samba-Canção".

Seu último LP foi lançado em 1977, com novas parcerias com a irmã, tais como "Enredo", "Ana Cláudia", "Maria de Tal" e "Saudade do Bexiga". Quando faleceu, fazia grande sucesso nas rádios com a regravação da marchinha "Dorinha Meu Amor", de J. Francisco de Freitas.

Milton Carlos faleceu em 1977 num Acidente Automobilístico, mas deixou vários marcos musicais em paceria com sua irmã Isolda como: "Jogo de Damas", "Elas Por Elas", "Um Jeito Estúpido de Te Amar" e "Pelo Avesso", conhecida na voz do Roberto Carlos.

Uma Breve História
Por Bruno Negromonte

A década de 70 foi uma das mais profícuas para a Música Popular Brasileira em vários segmentos, foi a década que surgiu nomes como Belchior, Amelinha, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Ednardo, Zé Ramalho, Elba Ramalho, Djavan, isso para ficar só no Nordeste. Foi a década também que o já consagrado cantor e compositor Roberto Carlos entrou em definitivo para o hall dos grandes nomes da música mundial sendo eleito pelo povo brasileiro como o Rei de nossa música.

Enquanto no início da década o regime militar apertava o cerco contra artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque e tantos outros, alguns artistas ganhavam projeção nacional com músicas e letras que apesar de serem menos elaboradas, falavam daquilo que o povo vivenciava e aparentemente pouco eram análogas ao regime opressor da época. Além disso, diversos nomes surgiram nesse contexto musical encabeçado por artistas como Odair José, Waldick Soriano, Nelson Ned, Lindomar Castilho dentre outros. Surgiram também subgêneros musicais dentro do contexto existente como, por exemplo, o chamado "samba jóia" regido por Benito di Paula.

Dentro desse contexto de novos intérpretes e compositores em nossa música podemos destacar o nome do cantor e compositor Milton Carlos, que apesar de falecer precocemente foi um dos nomes mais representativos dessa década. Milton Carlos, assim como a sua irmã Isolda, começaram as suas respectivas carreiras ainda na adolescência, fazendo backing vocals. E embora muito jovens na época, eles já vinham sendo gravados por intérpretes como Antônio Marcos, Maria Creuza e a banda Os Incríveis no início dos anos 70. Mas, sem dúvida, foi a partir de 1973 depois de chegar à voz de Roberto Carlos que as canções dos irmãos Isolda e Milton Carlos ganharam projeção.

Milton Carlos vivia em um tempo, mas se identificando com outro, como expressou em composições como "1910", gravada pelos Incríveis, "Largo do Boticário", "Samba Quadrado" e "Memórias do Café Nice", gravadas por ele próprio.


"Milton sempre alugava meus tios perguntando como era São Paulo antigamente, como era o bairro do Bexiga, como era no tempo de vovô. Meus tios contavam, contavam e ele perguntava mais e mais!"
(Isolda)


Numa tarde de 1973, durante uma conversa no estúdio da RCA, Eduardo Araújo comentou com Milton Carlos que naquela semana iria à casa de Roberto Carlos mostrar-lhe uma composição que tinha feito para ele gravar. Milton Carlos então perguntou se Eduardo Araújo poderia levar também uma fita com uma composição dele com a irmã. "Mas o que eu vou ganhar com isso?", perguntou Eduardo Araújo, brincando. "Tudo que tenho é um fusca. Se Roberto Carlos gravar minha música, dou meu fusca pra você", prometeu Milton Carlos, que gravou numa fita sua composição "Amigos, Amigos".

Eduardo Araújo deixou as duas fitas com Roberto Carlos e foi passar uma temporada em sua fazenda em Minas Gerais. Na volta, ligou para o cantor:


- E aí, Roberto, vai gravar minha música ou não vai? - perguntou em tom descontraído.
- Dudu, sua música é bonita, mas acho que ela não é pra mim. Mas eu gostei daquela outra com uma mulher cantando - respondeu Roberto Carlos.
- Mulher cantando?
- É, bicho, aquela que fala de um cara apaixonado por uma amiga!
- Mas não é mulher, Roberto. É Milton Carlos, um rapaz que tem voz fina.

Não era falsete. Milton Carlos foi uma criança que não teve mudança de voz. Ele crescia, mas sua voz continuava infantil e com o tempo feminina. Era uma voz ímpar, bastante peculiar porque continha, além da beleza esfuziante, uma evidente androginia. E isso chamou a atenção das gravadoras, que logo o convidaram para gravar por volta de 1970. E o que podia ser uma coisa negativa se tornou positiva.

Depois de falar com Roberto Carlos, Eduardo Araújo telefonou para o autor de "Amigos, Amigos":

"Milton, você pode passar aqui em casa e deixar a chave do fusca porque Roberto Carlos vai gravar sua música!"

Milton Carlos ficou alguns segundos em silêncio, respirou fundo e perguntou:

"Isso não é brincadeira sua, não? Roberto Carlos vai mesmo gravar minha música?"

"Pra gente foi uma loucura, uma loucura. A gente não queria acreditar. E quando vimos a confirmação no jornal com a lista das músicas do novo disco de Roberto fizemos a maior comemoração. Chamamos os amigos, saímos, pagamos o chope para todo mundo."
(Isolda)

Outras canções da lavra dos irmãos Milton Carlos e Isolda, gravada por Roberto Carlos foram as canções "Um Jeito Estúpido De Te Amar" e "Pelo Avesso", música com um refrão de forte apelo popular:

"Eu quero seu amor a qualquer preço / quero que você me tenha até pelo avesso / pra me sentir envolvido em seus cabelos / faça de mim o que quiser / eu sou seu homem, minha mulher..."

Por via das dúvidas, Milton Carlos foi ao estúdio da RCA, gravou as duas canções numa fita e a enviou para o escritório de Roberto Carlos em São Paulo. Agora era torcer e esperar. Pois foi uma agradável surpresa para os autores saber, algumas semanas depois, que Roberto Carlos iria gravar não apenas uma, mas as duas canções em seu álbum de 1976. O cantor gostou muito de "Pelo Avesso" e ainda mais de "Um Jeito Estúpido De Te Amar", que se emocionou assim que ouviu a fita enviada por Milton Carlos. O compositor, aliás, defendia muito bem seus temas, cantando sempre com sentimento e segurança, o que por certo contribuía para a boa aceitação das suas músicas. Até hoje poucas vezes aconteceu isso na discografia de Roberto, autores de fora entrarem com mais de uma música num mesmo disco do cantor.

Ele morreu aos 22 anos, na noite de 21 de outubro de 1976, quando vinha de Jundiaí para São Paulo a bordo de seu Passat. Viajava em companhia de sua noiva, a também cantora Mariney Lima e do empresário Genildo de Oliveira. O acidente ocorreu num trecho da via Anhanguera quando o Passat do cantor tentou ultrapassar uma carreta Scania Vabis e bateu em um caminhão Chevrolet. Com o choque, o carro do cantor desgovernou-se e foi colhido pela carreta. Milton Carlos e sua noiva morreram na hora. O empresário Genildo Oliveira, que viajava no banco de trás, teve apenas ferimentos leves, o ajudante do motorista do caminhão, o jovem Mário Alves de Araújo, que desceu para socorrer as vítimas, foi atropelado na pista e também morreu no local.

Sem ainda ser informada da real dimensão do acidente, Isolda foi imediatamente para Jundiaí. Ao parar na porta do hospital, ela ligou o rádio do carro no momento em que Milton Carlos cantava a canção "Elas Por Elas". Logo depois, o locutor informava que o cantor e compositor Milton Carlos havia falecido naquela noite.

"Eu abri a porta do carro e corri feito uma louca para a entrada do hospital. Mas aí não sei o que aconteceu, não sei se desmaiei ou se me deram uma injeção, porque eu só acordei no carro do meu tio já chegando em casa!"

Mesmo sem o irmão e parceiro, Isolda continuou compondo suas canções para os cantores gravarem. E no ano seguinte entregou a Roberto Carlos uma música que se constituiria num dos maiores sucessos no Brasil, em todos os tempos: "Outra Vez". Se a Música Popular Brasileira é repleta de musas, a história dessa composição revela a existência de um raro "muso":


"Acho que minha vida se divide em antes e depois desse dia. Pensei em voltar a estudar, em tomar outro rumo, mas no meio dessa tempestade encontrei vários amigos que me abrigaram, emocionalmente e, mesmo sem perceber, continuei fazendo sozinha o que sempre fiz desde menina: brincar de fazer músicas. Desse momento em diante, sem mais o meu amigo para brincar comigo. Foi assim que fiz, numa madrugada, uma música desprovida de qualquer ambição futura, uma confidência sincera: 'Outra Vez'. Gravei essa canção numa fita entre outras e entreguei para Roberto Carlos." 
(Isolda - Cantora, compositora e irmã de Milton Carlos)


Obra Musical

  • Amanhã é Outro Dia (Com Isolda)
  • Ana Cláudia (Com Isolda)
  • Desta Vez Te Perdi (Com Isolda)
  • Enredo (Com Isolda)
  • Eu Juro Que Te Morreria Minha (Com Isolda)
  • Eu Vou Caminhar (Com Isolda)
  • Foi Ela Um Tema De Amor (Com Isolda)
  • Maria De Tal (Com Isolda)
  • Pelo Avesso (Com Isolda)
  • Samba Quadrado (Com Isolda)
  • Saudade Do Bexiga (Com Isolda)
  • Tele-Rodovia (Com Isolda)
  • Tudo Parou (Com Isolda)
  • Último Samba-Canção (Com Isolda)
  • Um Jeito Estúpido De Te Amar (Com Isolda)
  • Um Presente Para Ela (Com Isolda)
  • Uma Valsa, Por Favor (Com Isolda)
  • Você Precisa Saber Das Coisas (Com Isolda)


Discografia

  • 1977 - Milton Carlos (LP)
  • 1975 - Milton Carlos (LP)
  • 1973 - Milton Carlos (LP)
  • 1970 - Milton Carlos (LP)


Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPBMusicaria Brasil

Agepê

ANTÔNIO GILSON PORFÍRIO
(53 anos)
Cantor

* Rio de Janeiro, RJ (10/08/1942)
+ Rio de Janeiro, RJ (30/08/1995)

Antônio Gilson Porfírio, mais conhecido como Agepê. O nome artístico decorre da pronúncia fonética das iniciais do nome verdadeiro "AGP".

Antes da fama, foi técnico projetista da extinta Telerj, a que abandonaria para se dedicar à carreira artística. A carreira fonográfica teve início em 1975 quando lançou o compacto com a canção "Moro Onde Não Mora Ninguém", primeiro sucesso dele, que seria regravada posteriormente por Wando. Nove anos depois, lançou o sucesso estrondoso "Deixa Eu Te Amar", que fez parte da trilha sonora da telenovela "Vereda Tropical", de Carlos Lombardi.


O disco "Mistura Brasileira", que continha esta canção, foi o primeiro disco de samba a ultrapassar a marca de um milhão de cópias vendidas (vendeu um milhão e meio de cópias). A carreira destacou-se por um estilo mais romântico, sensual e comercial em que fez escola.

Foi integrante da ala dos compositores da Portela, contendo um repertório eclético, composto principalmente por baião e teve no compositor Canário o mais freqüente parceiro. Na sua voz tornaram-se consagradas inúmeras composições da autoria, como "Menina dos Cabelos Longos", "Cheiro de Primavera", "Me Leva", "Moça Criança" dentre outras.

Morreu vítima de Cirrose Hepática aos cinqüenta e três anos de idade.

Fonte: Wikipédia

domingo, 8 de novembro de 2009

Jessé

JESSÉ FLORENTINO SANTOS
(41 anos)
Cantor

* Niterói, RJ (25/04/1952)
+ Cajati, SP (29/03/1993)

Jessé foi criado em Brasília. Mudou-se para São Paulo já adulto, e atuou como crooner em boates. Depois, integrou os grupos Corrente de Força e Placa Luminosa, animando bailes por todo o Brasil.

Ainda nos anos 70, também chegou a gravar em inglês com o pseudônimo de Tony Stevens. Foi revelado ao grande público em 1980, no Festival MPB Shell da Rede Globo com a música "Porto Solidão" (Zeca Bahia e Ginko), seu maior sucesso, ganhando prêmio de melhor intérprete.


Em 1983, ganhou o XII Festival da Canção Organização (ou Televisão Ibero-Americana) realizado em Washington, com os prêmios de melhor intérprete, melhor canção e melhor arranjo para "Estrelas de Papel" (Jessé e Elifas Andreato).

De voz muito potente, no decorrer de sua carreira Jessé gravou 12 discos, como os álbuns duplos "O Sorriso ao Pé da Escada" e "Sobre Todas as Coisas", mas nunca conseguiu os louros da crítica especializada.

Morreu aos 41 anos, em 29 de março de 1993 vítima de um Traumatismo Craniano sofrido em acidente automobilístico quando se dirigia para a cidade de Terra Rica, no Paraná, para fazer um espetáculo.

Fonte: Wikipédia

sábado, 7 de novembro de 2009

João Paulo

JOSÉ HENRIQUE DOS REIS
(37 anos)
Cantor

* Brotas, SP (28/07/1960)
+ São Paulo, SP (12/09/1997)

José Henrique dos Reis, mais conhecido como João Paulo, da dupla João Paulo & Daniel, foi um cantor brasileiro.

João Paulo era filho de Henrique Neri dos Reis e Faraildes dos Reis, teve uma infância humilde e chegou a trabalhar como pedreiro e carpinteiro. Em 1980, junto com Daniel (José Daniel Camillo) começaram a carreira na cidade de Brotas, interior de São Paulo, em busca do sucesso em um segmento que ainda sofria muitos preconceitos. Separadamente, eles já possuíam alguma experiência: João Paulo formava com o irmão Francisco a dupla Neri & Nerinho, e Daniel tocava e cantava em rodas de viola e festivais desde os 5 anos.

João Paulo & Daniel
O curioso da história da dupla é que os dois eram rivais nas apresentações que faziam em circos, praças e festivais. João Paulo cuidava do gado nas fazendas do pai de Daniel enquanto cantava com o irmão. Mas essa dupla não foi muito longe. Logo João Paulo e Daniel estavam cantando juntos, com o objetivo de gravar um disco, o que aconteceu com ajuda de amigos pela gravadora Continental Chanceler. Estava pronto "Amor Sempre Amor", lançado em 1985.

A partir daí, a dupla começou uma busca intensa e incessante pelo sucesso, divulgando o trabalho nas rádios e nas cidades do interior paulista. Porém o mercado fonográfico nacional só começou mesmo a aceitar a dupla, que sofreu inclusive o preconceito racial, em 1992.

Em 1996, com o lançamento de "João Paulo & Daniel Vol. 7", a dupla finalmente se consagrou. O CD trazia a canção romântica "Estou Apaixonado", versão para "Estoy Enamordo", de Donato e Estefano, que estourou nas rádios e na TV, como tema da novela global "Explode Coração". Outra canção da dupla entrou na trilha da novela "O Rei do Gado", a toada caipira "Pirilume".

O Acidente

Em 12 de setembro de 1997, João Paulo, voltava para à casa após um show realizado em São Caetano do Sul, ansioso para ver a esposa e a filha que moravam em Brotas, interior de São Paulo, em seu carro de placa CJP-0008 que viajava pela Rodovia dos Bandeirantes. Em certo ponto da rodovia, seu carro capotou por várias vezes, o cantor ficou preso às ferragens e não conseguiu sair do veículo que explodiu logo em seguida. Assim era o fim da dupla que tanto encantou o Brasil e que estava no auge da carreira.

O acidente ocorreu no quilômetro 40,5 da Rodovia dos Bandeirantes, pouco depois do primeiro pedágio no sentido norte da rodovia e perto das cidades de Franco da Rocha, Caieiras e Cajamar.

O enterro foi realizado em sua cidade natal, Brotas, e milhares de pessoas participaram, as duplas sertanejas como Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo e Zezé di Camargo & Luciano estiveram lá para despedida.

No mesmo ano, o show "Amigos" produziu uma bandeira com uma pintura do cantor, feito em homenagem à ele, com Daniel cantando duas canções: "Canção Da América" com Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo e Zezé Di Camargo & Luciano, e "Te Amo Cada Vez Mais" com Leandro, Chitãozinho e Luciano.

Após a morte de João Paulo, o sucesso não parou e Daniel continuou com carreira solo.

Fonte: Wikipédia