Mostrando postagens com marcador Funcionário Público. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Funcionário Público. Mostrar todas as postagens

Esther de Figueiredo Ferraz

ESTHER DE FIGUEIREDO FERRAZ
(93 anos)
Advogada, Professora, Secretária de Estado e Ministra de Estado

☼ São Paulo, SP (06/02/1915)
┼ São Paulo, SP (23/09/2008)

Esther de Figueiredo Ferraz foi uma advogada e professora brasileira, secretária de Estado em São Paulo, e a primeira mulher ministra de Estado no Brasil. Era filha de Odon Carlos de Figueiredo Ferraz e de Julieta Martins de Figueiredo Ferraz, tendo sido irmã do ex-prefeito de São Paulo José Carlos de Figueiredo Ferraz.

Fez seus primeiros estudos em Mococa, SP. Foi diplomada normalista, com distinção, pelo Instituto de Educação Caetano de Campos, em São Paulo. Licenciou-se em Filosofia, pela Faculdade de São Bento, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Concluiu o curso de Direito na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, onde recebeu os prêmios "Carvalho de Mendonça" (Direito Comercial), "João Arruda" (Filosofia do Direito), "Duarte de Azevedo" (Direito Civil) e "Livreiro Saraiva".

Durante muitos anos foi a encarregada do Gabinete Psicotécnico do Instituto Profissional Feminino de São Paulo.

Como mestre, lecionou português, francês, latim, matemática, psicologia, sociologia, lógica e história da filosofia.

Esther de Figueiredo Ferraz foi Livre Docente de Direito Penal da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, professora de Direito Judiciário penal da Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo.

Presidente João Figueiredo recebe em audiência a ministra da Educação e Cultura, Esther de Figueiredo Ferraz.
Atuou como advogada no foro de São Paulo, onde brilhou profissionalmente. Militou não apenas no foro cível e criminal, como um dos seus mais destacados membros, mas também no assessoramento das autoridades governamentais que muito se valeram dos seus vastos conhecimentos jurídicos, seja na elaboração de códigos e leis da maior importância, como representante seu em congressos e conferências, ou ainda integrando comissões encarregadas de estudos jurídicos mais importantes.

Como membro do Instituto dos Advogados do Brasil, foi indicada para elaborar um projeto de reforma do Código Civil Brasileiro, no que dizia respeito à situação civil da mulher casada. Integrou a Comissão Oficial da Reorganização Penitenciária do Estado de São Paulo.

Em 1956 fez sua defesa mais famosa, do governador Ademar Pereira de Barros no "Caso dos Chevrolet da Força Pública".

Esther de Figueiredo Ferraz foi a primeira mulher a ocupar uma cadeira na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em 1949, tendo sempre feito parte da sua Comissão de Ética. Foi também a primeira ministra de Estado brasileira.

Foi membro do Conselho Estadual de Educação de São Paulo, de 1963 a 1964, no governo de Ademar Pereira de Barros, e do Conselho Federal de Educação, entre 1969 e 1982.

Presidente João Figueiredo recebe em audiência a ministra da Educação e Cultura, Esther de Figueiredo Ferraz.

Em 1966 a 1967 foi diretora do Ensino Superior do Ministério da Educação e Cultura, durante o governo do presidente da República, marechal Humberto de Alencar Castelo Branco.

Durante o governo de Laudo Natel, em São Paulo, de 1971 a 1975, foi Secretária da Educação.

Foi a primeira reitora da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Membro da Academia Paulista de Letras. Primeira mulher a dar aulas na Universidade de São Paulo (USP).

Foi a primeira mulher a possuir um cargo de ministra no Brasil, ocupando a pasta da Educação no governo do general João Baptista de Oliveira Figueiredo, de 24/08/1982 a 15/03/1985.

No Ministério da Educação e Cultura, ela regulamentou a emenda que estabeleceu percentuais mínimos obrigatórios para a aplicação na educação dos recursos arrecadados em impostos. Promoveu uma reforma universitária que aperfeiçoou os planos de carreira para professores e defendeu a criação das Escolas Técnicas Federais.

Ao comemorar seus 90 anos, recebeu do Centro Universitário da Cidade do Rio de Janeiro o título de Doutor Honoris Causa, do reitor Paulo Alonso, em solenidade marcada pela emoção, em seu apartamento de São Paulo, cercada por amigos e familiares. Lúcida e bem disposta, Esther, de improviso, fez um discurso que emocionou a todos.


Paulo Alonso falou da amizade que o unia à educadora, destacando sua "generosidade, simplicidade, o saber servir, profissionalismo, pioneirismo e, sobretudo, sua meiguice e docilidade". Falou, ao encerrar, que o fato de ter tido a oportunidade de conviver com Esther fez com que aprendesse muito ao longo de sua carreira:

"Foi a professora Esther quem me ensinou muito do que sei e foi ela, do alto da sua sabedoria, que me fez refletir sobre a educação com mais profundidade. A professora Esther será sempre uma pessoa extremamente querida e ficará para sempre guardada na minha memória e no meu coração. Como ministra da Educação, foi essencial para colocar a educação na agenda do Brasil."

Esther de Figueiredo Ferraz escreveu diversos livros, entre eles "Prostituição e Criminalidade Feminina" e "Mulheres Frequentemente".

Recebeu inúmeras honrarias, destacando-se a da Ordem do Mérito Nacional da Educação.

Esther de Figueiredo Ferraz faleceu no início da noite de terça-feira, 23/09/2008, aos 93 anos, no Hospital do Coração, em São Paulo, vítima de Acidente Vascular Cerebral (AVC).

O velório aconteceu na quarta-feira, 24/09/2008, a partir das 8h30, na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, e o enterro ocorreu às 16h00, no Cemitério do Araçá.

Esther de Figueiredo Ferraz não era casada.

Fonte: Wikipédia

Cidinho Bola Nossa

ALCEBÍADES DE MAGALHÃES DIAS
(94 anos)
Jornalista, Funcionário Público e Árbitro de Futebol

☼ Ponte Nova, MG (11/04/1913)
┼ (01/06/2007)

Natural de Ponte Nova, MG, jornalista e funcionário público, Cidinho Bola Nossa foi árbitro da Federação Mineira de Futebol entre os anos de 1940 e 1960. Cidinho só soube fazer uma coisa na vida melhor que apitar: Torcer para o Atlético Mineiro. Como as duas coisas são aparentemente incompatíveis, ser juiz e torcer de forma absolutamente escancarada por um time, Cidinho aprontou coisas do arco da velha nas quatro linhas, e tudo em nome da paixão. A história mais famosa de Cidinho aconteceu durante um jogo entre o Atlético Mineiro e o Botafogo, em 1949, quando Cidinho ganhou seu apelido:

Durante o jogo entre Atlético x Botafogo, na inauguração do estádio do Cruzeiro-MG em 1949. Numa bola lateral disputada entre Afonso (Atlético-MG) e Santo Cristo (Botafogo-RJ), ele foi questionado pelo jogador mineiro sobre de quem era a bola e, num ato falho, gritou: "É nossa, Afonso. A bola é nossa!"

Passou a ser conhecido como Cidinho Bola Nossa e adorou a deferência.

Em outra ocasião jogavam os extintos Sete de Setembro e Asas. Como o Atlético Mineiro enfrentaria três dias depois o vencedor do prélio, Cidinho encontrou uma ótima maneira de cansar o futuro adversário do Galo: Deu três horas e dez minutos de bola rolando. Isso mesmo, Cidinho Bola Nossa deu inacreditáveis 100 minutos de acréscimos, recorde mundial, e pra todo sempre imbatível, em uma partida de futebol.

O próprio Cidinho gostava de relatar como foi sua estréia no apito, com o objetivo admitido de ser parcial. Jogavam, em 1945, Atlético Mineiro e América. Jogo decisivo para o certame. Aos 40 segundos do primeiro tempo, em uma falta simples, Cidinho expulsou Fernandinho, ponteiro do América. Foi aplaudido pela torcida do Atlético Mineiro e declarou se sentir realizado.

Cidinho Bola Nossa, ao centro, sorteia a moeda.
Cidinho saiu corrido de estádios e quase morreu dezenas de vezes. Ameaças de linchamento foram pelo menos quinze. Em uma delas, em um jogo do Atlético Mineiro contra o Metalusina, em Barão de Cocais, marcou um pênalti aos 41 minutos do segundo tempo para o Atlético Mineiro em uma falta ocorrida na intermediária, uns dez metros antes da meia lua. No momento em que o jogador do Atlético Mineiro caiu, Cidinho deu a clássica corrida apontando a marca do pênalti, com tremenda autoridade e pose de vestal. Cercado pelos jogadores do Metalusina, declarou apenas:

"Penalidade máxima. Pênalti claro, a falta foi pelo menos meio metro dentro da área. Quem reclamar vai pro chuveiro mais cedo!"

Mais uma vez ameaçado de morte, ficou quase três horas protegido pela polícia no meio de campo e só conseguiu sair da cidade vestido de cigana, com argolas nas orelhas, leque, saia rodada e o escambau. Em duas outras ocasiões foi salvo da morte pelo Corpo de Bombeiros.

Existem vários casos sobre fugas espetaculares de estádio protagonizadas por Cidinho Bola Nossa. Certa vez, ele pulou o muro e caiu num córrego raso. Bateu a cabeça no fundo e acordou no hospital. Em outra ocasião, teve de se esconder num cemitério próximo ao campo. Ele, no entanto, nega que tenha se vestido de padre para escapar da ira de uma torcida revoltada com sua arbitragem.

Apesar de ter assumido o apelido, Cidinho tinha outra versão para o fato. Segundo ele, a versão maldosa teria sido espalhada por um repórter à beira do campo. Na verdade, ele teria respondido apenas que a bola era do Atlético.

Cidinho Bola Nossa morreu no dia 01/06/2007, aos 93 anos, vítima de um câncer de próstata. Confessou certa vez uma única e grande frustração em sua vida: Achava que merecia um busto na sede do Atlético Mineiro, por serviços prestados ao clube. Legou ao futebol pelo menos uma sentença exemplar:

"Nunca fui desonesto. Acontece que sou passional e não consigo ver a massa sofrendo. Jamais traí o povo!"

Jaiminho

JAIME DIAS SABINO
(84 anos)
Funcionário Público, Papagaio de Pirata e Figura Folclórica

* Feira de Santana, BA (1929)
+ Rio de Janeiro, RJ (24/10/2013)

Nascido em 1929, em Feira de Santana, na Bahia, ele veio para o Rio de Janeiro sozinho, no navio Comandante Capela, aos 7 anos, fugido dos castigos que lhe eram aplicados na escola. Desde essa época o baixinho de 1,56 cm já usava terno e gravata, e foi assim durante toda a vida, chegando a colecionar mais de 200 ternos e 300 gravatas, figurino que servia inclusive para ir à praia, e para dormir. Logo que chegou ao então Distrito Federal, trabalhou como carregador de frutas na feira, pedreiro, porteiro, ator em mais de 40 filmes, entre eles "O Assalto Ao Trem Pagador", de Roberto Farias, e "Boca de Ouro", de Nelson Pereira dos Santos. Ele também foi estrela de fotonovelas. A de maior sucesso na revista Sétimo Céu, onde interpretou o irmão de Cauby Peixoto.

No dia a dia, pegava no batente como assessor da prefeitura de Nilópolis, na Baixada Fluminense, Rio de Janeiro. Mas quando morria alguém, seja um anônimo das redondezas, seja um famoso Brasil afora, Jaiminho se apressava para saber hora e local dos préstimos fúnebres e era presença certa.


Jaime Dias Sabino dormia de terno, gravata, banho tomado e barba feita. Pronto para o próprio enterro. "Se eu não abrir mais os olhos, é só me colocar no caixão que eu vou embora", dizia.

De terno e gravata, ele chegava com seu 1,60m dando os pêsames e, sem ninguém se dar conta, de repente está carregando o caixão. Assim fez com Chacrinha, Daniella Perez, Tancredo Neves, OscaritoCazuza, Nelson Gonçalves, Tim Maia, Irmã Dulce. O objetivo era um só: Aparecer.

Jaime Dias Sabino dedicou a vida a monitorar onde estariam as câmeras de jornais e TVs para tirar uma casquinha. Em sua casa, no Rocha, coleciona mais de 300 mil aparições. O mais famoso papagaio de pirata carioca aparece nas imagens atrás da Xuxa, ao lado da Angélica, dando abraço em Itamar Franco, em treino de futebol, em matéria de tragédia.

Desde o primeiro funeral, o do presidente Getúlio Vargas em 1954, foram mais de 1.153 sepultamentos na lista. Entre os que contaram com sua extrema-unção, ele destaca Chacrinha, Cazuza, Tom Jobim, Luís Carlos Prestes, Dina Sfat, João Saldanha, Roberto Marinho, Austregésilo de Athayde e os ex-presidentes militares Ernesto Geisel, Emílio Garrastazu Médici e João Figueiredo.

Despedida de Castelo Branco
Sobre participar de velórios, Jaiminho disse: "Vi que era bom, me sinto orgulhoso de prestigiar alguém importante. Se não vou lá e não seguro o caixão, fico triste", justifica. Funcionário da Prefeitura de Nilópolis desde 1964, alega representar a cidade quando chega nos velórios.

O arroz de velório acotovela-se até ficar tête-à-tête com o finado e conseguir dar os pêsames ao pé do ouvido da família. Mais do que isso, fazia questão de segurar a alça do caixão, até a sepultura. "Gosto de sentir o peso do morto!". Segundo Jaiminho, a ausência na partida dos pais alimentou o desejo de ver como era um funeral, como uma pessoa desaparecia debaixo da terra. "Quando papai e mamãe morreram, lá na Bahia, eu já morava aqui no Rio de Janeiro e não consegui dinheiro para ir".

Para se despedir de Irmã Dulce, no entanto, foi patrocinado. "Um cara, que eu não posso dizer quem é, disse que me pagaria a passagem caso eu chegasse perto do corpo e rezasse por ele". Não deu outra. Apesar da baixa estatura, Jaiminho venceu a multidão e conseguiu dizer adeus pessoalmente à religiosa morta em 1992. Ele lamentava, no entanto, não ter ido ao enterro de Ayrton Senna. "Estava com a passagem para São Paulo comprada!". Mas com a morte de seu filho, dias antes, foi proibido pela mulher de viajar. "Ela me trancou no quarto e disse que se eu fosse o casamento acabava!".

Despedida de Betinho
As aventuras de Jaiminho pelos cemitérios lhe renderam o apelido de Caveirinha e viraram um museu sobre ele mesmo. Nas paredes de um salão anexo a sua casa, ele colou milhares de fotografias para mostrar sua história. "É também a história do país, porque cada pessoa que morre é um pedaço do Brasil que vai embora", filosofava.

E Jaiminho coleciona causos. O fato mais inusitado que ele já vivenciou em sepultamentos foi o da atriz Dina Sfat, em 1989, quando caiu dentro da sepultura, junto com o então governador Marcello Alencar. "Segura o baixinho e o governador!", foi o que gritaram os presentes no velório, como conta Jaiminho. "Aquela foi a pior cena que vivi. O governador achou que eu o tinha empurrado", lembrou.

O mesmo episódio se repetiu anos depois. Desta vez foi no enterro do ator Jorge Lafond, quando ele e seu companheiro, Nil Ramos, conhecido como "Homem Celular", subiram em um túmulo, o qual acabou quebrando e os dois indo parar dentro da cova. A partir daí, a confusão se estabeleceu. As pessoas começaram a jogar terra nos penetras e a situação foi motivo de muitas risadas.

No do ex-presidente Castelo Branco, Jaiminho pegou no caixão errado.

Despedida do jogador Didi
Além de adorar aparecer em reportagens, também teve faceta como ator. Estrelou mais de 40 filmes e fotonovelas. Em 2010, concorreu a deputado estadual, tendo como bandeira a regulamentação da profissão de Papagaio de Pirata. Junto com outros papagaios de pirata, fundou o clandestino Sindicato dos Papagaios de Pirata, do qual era presidente.

O aposentado também fundou o Museu Histórico dos Papagaios de Pirata, em um galpão, no bairro do Rocha, Zona Norte do Rio, com um arquivo de 20 mil fotos, que destacam os mais de 50 anos dedicados à arte de aparecer na imprensa, sem ser convidado.

Segundo Jaiminho, suas aparições passaram de 135 mil, entre filmes, jornais e fotografias. Só em filmes, o papagaio contabiliza 40 participações. Na TV, já participou três vezes do programa do Jô Soares.

No velório de Oscar Niemeyer, bateu a marca de 1.153 funerais e aproveitou a oportunidade para gravar cenas do documentário "Aqui Jaz Jaiminho", de Alex Teixeira. Na ocasião, recriou o episódio do primeiro enterro de celebridade da sua vida, o de Getúlio Vargas, em 1954. O documentário será lançado em 2014 e vem sendo produzido desde 2007. Ele conta a saga do mais ilustre papagaio de pirata do Brasil.

Jaiminho sonhava alto com o dia de seu velório. "Se Deus quiser, vai ser na Câmara dos Vereadores de Nilópolis, com mais de 20 mil pessoas. Minha família, os amigos, o governador, o prefeito, o presidente da Beija-Flor, o Cauby Peixoto e a Ivete Sangalo. Sou louco por essa baiana!".

"Imagina se esse povo todo de quem eu carreguei caixão aparecesse para carregar o meu?"


Morte

Jaiminho morreu, na quinta-feira, 24/10/2013, no Rio de Janeiro, aos 87 anos, em consequência de um infarto. Segundo a filha, Regina de Sabino, ele estava internado há 45 dias em um hospital de Ipanema, chegou a ser operado para a colocação de stents, mas não resistiu a uma uma infecção.

Jaiminho era viúvo e deixou dois filhos, quatro netos e dois bisnetos. Ele foi enterrado na sexta-feira, 25/10/2013, às 15:00 hs, no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju, na Zona Portuária.