Gilka Machado

GILKA MACHADO
(87 anos)
Poetisa e Feminista

* Rio de Janeiro, RJ (1893)
+ Rio de Janeiro, RJ (1980)

Poetisa, sufragista e feminista carioca, pioneira na utilização do erotismo na poesia feminina brasileira. Fez parte do grupo que fundou o Partido Republicano Feminino, em 1910. Publicou vários livros de poesia, como "Mulher Nua" e "Sublimação". Em 1979, recebeu o Prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras.

Gilka Machado tinha sangue de artista nas veias: a mãe, Thereza Christina Moniz da Costa, era atriz de teatro e de rádio-teatro, e a filha, Eros Volúsia, foi bailarina consagrada e pesquisadora das danças nativas brasileiras. Além disso, sua família incluía poetas e músicos famosos.

Gilka Machado casou com um artista: o poeta, jornalista e crítico de arte Rodolfo Machado, em 1910, que morreria dali a 13 anos, deixando a esposa com dois filhos, Eros Volúsia e Hélios.

Desde criança Gilka Machado fazia versos, e com 13 anos ganhou um concurso pelo jornal A Imprensa, arrebatando os 3 primeiros prêmios, com poemas assinados com seu próprio nome e com pseudônimos. Mas somente em 1915, aos 22 anos, publicou seu primeiro livro intitulado "Cristais Partidos". Seguiram-se outros, ao longo da década de 1920, como "Estados d’Alma" (1917), "Mulher Nua" (1922), "Meu Glorioso Pecado" (1928), "Amores Que Mentiram, Que Passaram" (1928).

No início da década de 1930 sua popularidade aumentou ao ter poemas traduzidos para o espanhol, tanto em antologia quanto em volume com poemas só seus. E no ano seguinte sua popularidade foi testada: ganhou, com grande margem de votos, um concurso promovido pela revista O Malho, quando então foi aclamada como a maior poetisa brasileira, selecionada entre 200 intelectuais. Em seguida viajou para a Argentina, onde foi recebida com carinho pelo público leitor. Fez outras viagens ao longo da década de 1940, para os Estados Unidos e para a Europa, além das que fez pelo interior do Brasil.

Seus poemas foram também republicados em outros volumes: os dois primeiros livros, em "Poesias", de 1918; e alguns, escolhidos, em "Carne e Alma", de 1931, em "Meu Rosto", de 1947, e em "Velha Poesia", de 1965, antes que as "Poesias Completas" ganhassem duas edições: em 1978 e em 1991.

Poderia ter sido a primeira mulher a fazer parte da Academia Brasileira de Letras quando, após mudança do estatuto que proibia o ingresso de mulheres, lhe teria sido possível candidatar-se, atendendo a convite que lhe foi dirigido por Jorge Amado e apoiado por outros acadêmicos. Mas recusou o convite. Recebeu, contudo, da Academia Brasileira de Letras, em 1979, o Prêmio Machado de Assis, pela publicação do volume de suas "Poesias Completas".

Encerrou sua carreira com o poema "Meu Menino", escrito por ocasião da morte do filho Hélios, ocorrida em 1976.

Como se pode perceber a partir dos títulos de seus livros, sua poesia se detém nas experiências de uma intimidade sensível, que manifesta, explicitamente, suas sensações, emoções e desejos eróticos. Aliás, lembre-se que em 1916 fez conferência sobre "A Revelação dos Perfumes"... Para expressar tais sensações, usou nos poemas um vocabulário inusitado: empregou, por exemplo, a palavra "cio". E mostrou a mulher esvaída em sensualidade, numa poesia que se constrói tanto segundo a rigidez formal de tradição parnasiana quanto dando vazão às ondas de languidez que atravessam o seu verso à moda simbolista. Daí uma reação dupla por parte do público, pois causa tanto a admiração, por parte de uns, em que se incluem as mulheres que encontram aí uma porta-voz na representação de experiências da intimidade, até então proibida, quanto a rejeição severa por parte de uma crítica moralista conservadora.

Para os que a defenderam, como Henrique Pongetti, Humberto de Campos, Agrippino Grieco, foi preciso separar a Gilka Machado dos domínios da arte (a poeta) da Gilka Machado dos domínios da vida (mãe virtuosa), com o intuito de inocentá-la de uma sensualidade pecadora.

Mas foi justamente por essa força reivindicadora patente na mistura bem dosada de rigor formal e sensualidade ousada, que sua poesia ganhou força e até hoje permanece, enquanto marco na história de resistência à situação de alienação da mulher. Firmou-se, assim, como precursora na luta pelos direitos de acesso à representação do prazer erótico na poesia feminina brasileira.

Selo Postal (1993)
Centenário de Nascimento de Gilka Machado

Publicações


  • 1915 - Cristais Partidos
  • 1916 - A Revelação dos Perfumes
  • 1917 - Estados de Alma
  • 1918 - Poesias, 1915/1917
  • 1922 - Mulher Nua
  • 1928 - O Grande Amor
  • 1928 - Meu Glorioso Pecado
  • 1931 - Carne e Alma
  • 1932 - Sonetos y Poemas de Gilka Machado (Na Bolívia)
  • 1938 - Sublimação
  • 1947 - Meu Rosto
  • 1968 - Velha Poesia
  • 1978 - Poesias Completas

Prêmios


  • 1933 - A Maior Poetisa do Brasil (Revista O Malho - Rio de Janeiro)
  • 1979 - Prêmio Machado de Assis (Academia Brasileira de Letras)