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Enedina Alves Marques

ENEDINA ALVES MARQUES
(68 anos)
Engenheira

☼ Curitiba, PR (05/01/1913)
┼ Curitiba, PR (20/08/1981)

Enedina Alves Marques foi a primeira mulher a se formar em Engenharia Civil no Brasil. Ela era uma mulher negra e pobre. Nasceu no início do século passado, em 05/01/1913, em Curitiba, PR. Filha de Paulo Marques e Virgília Alves Marques, Enedina Alves Marques venceu todas as barreiras e fez de tudo um pouco para tornar real o sonho de chegar à universidade e formar-se engenheira civil.

Entre a conclusão da escola secundária e a entrada na universidade passaram-se nove anos. Mas, ao vencer a barreira do vestibular em 1940, Enedina teve de enfrentar o preconceito de alunos e professores do curso de Engenharia.  Mas, com inteligência, determinação e carisma, superou esses obstáculos e conquistou amigos e a solidariedade dentro e fora do campus.

Depoimentos recordam que Enedina passava as noites estudando, copiando textos de livros que não podia comprar, até formar-se em 1945, aos 32 anos, tornando-se a primeira mulher engenheira do Paraná.

No início de sua carreira, Enedina trabalhou como engenheira fiscal de obras da Secretaria de Viação e Obras Públicas do Estado do Paraná. Depois, foi chefe de hidráulica, da divisão de estatísticas e do serviço de engenharia da Secretaria de Educação e Cultura. Atuou no levantamento topográfico da Usina Capivari Cachoeira, e deixou sua contribuição no levantamento de rios, na construção de pontes e na Usina Parigot de Souza.

Enedina Marques de Souza faleceu aos 68 anos, vítima de um infarto, no dia 20/08/1981, e foi imortalizada ao lado de outras 53 pioneiras do Paraná no Memorial à Mulher, em Curitiba, criado em homenagem a todas as mulheres que lutaram pela melhoria da qualidade de vida de seus descendentes.

A engenheira Enedina Alves Marques também empresta o nome ao Instituto de Mulheres Negras de Maringá. Mereceu biografia assinada por Ildefonso Puppi, e seu túmulo, no Cemitério Municipal, é mantido com respeito pelo Instituto de Engenheiros do Paraná.

Sandro Luis Fernandes
Gazeta do Povo
José Carlos Fernandes

Em agosto de 1981, o jornal Diário Popular tinha a matéria de capa que pedira aos infernos. Uma senhora fora encontrada morta em seu apartamento, na Rua Ermelino de Leão, centro de Curitiba. O porteiro sentira falta da moradora, chamou a polícia e a imprensa veio atrás. A foto da falecida saiu sem pudores, na cama, em camisolas, um tratamento dado aos "presuntos", no jargão da imprensa policial. Houve quem não gostasse, com punhos e coração.
A vítima se chamava Enedina Alves Marques, tinha 68 anos e fora a primeira engenheira negra do Brasil. Morreu vítima de infarto. Indignação. Seus companheiros de ofício fizeram uma grita nas páginas da revista Panorama. O Diário se retratou. Afinal, as vitórias de uma mulher negra e pobre que figurou entre os seletos bacharéis de Engenharia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), na década de 1940, deveria constar nos anais da República, e não na manchete sanguinolenta de um tabloide.
Seu resultado: Enedina virou placa de rua no Cajuru. Ganhou inscrição de bronze no Memorial à Mulher Pioneira, criado pelas soroptimistas - confraria de caridosas da qual participou. Mereceu biografia assinada por Ildefonso Puppi. Seu túmulo, no Municipal, é mantido com respeito pelo Instituto de Engenheiros do Paraná. Tempos depois, batizou o Instituto Mulheres Negras, de Maringá.
Aos poucos, descansou em paz. Paz até demais. O centenário de nascimento de Enedina, em janeiro deste 2013, passou em branco. Poderia ter sido celebrado pari passu com o de sua contemporânea, a poeta Helena Kolody, com quem, suspeita-se, teria estudado. Sim, antes de engenheira foi normalista e civilizou os sertões de Rio Negro e Cerro Azul, saindo das lides de doméstica e de "mãe preta" para a de titular de uma sala de aula.
Eu mesmo, confesso, nunca tinha ouvido falar dela até semana passada, quando meu vizinho, Darcy Rosa, estufou o peito para contar que tinha trabalhado com Enedina na Secretaria de Viação e Obras. Publicamos a declaração. Foi o que bastou: súbito vieram mensagens revelando a catacumba onde se reúnem os cultores dessa mulher.
O cineasta Paulo Munhoz prepara um documentário sobre ela, em parceria com o historiador Sandro Luis Fernandes. A casa de Sandro, no São Braz, virou um pequeno memorial de todo e qualquer documento que traga informações sobre a engenheira. São raros, dispersos e imprecisos. Bem o sabe o estudante baiano Jorge Santana. Há dois anos, ele pinça toda e qualquer pista sobre Enedina para uma monografia no curso de História da Universidade Federal do Paraná (UFPR). A pesquisa promete. Há fortes indícios de que Enedina sofreu perseguição racial nos bastidores da universidade.
Formou-se aos 31 anos, sem refresco, depois de uma saga nas madurezas. Vingou-se ao se aposentar, na década de 1960, como procuradora, respeitada por sua contribuição à autonomia elétrica do Paraná. Conheceu o mundo. Morava num apartamento de 500 metros quadrados. Impôs-se entre os ricos por sua cultura, 12 perucas e casacos de pele. Desconhece-se que tenha feito odes feministas ou em prol da igualdade. Ou que fizesse o tipo boazinha para ser aceita. Pelo contrário. Talvez Enedina tenha sido mais admirada que amada. É o que a torna ainda mais intrigante.
As pesquisas de Sandro e de Jorge, ambos negros, já tiraram Enedina do campo dos panegíricos, que se limitam a pintá-la como alguém que venceu pelo próprio esforço. É um discurso bem conveniente, como se sabe. Tudo indica que não se trata de uma biografia isolada, ainda que pareça.
A mulher baixinha, magérrima e durona sabia se impor entre os homens, com os quais gostava de beber cerveja. Enfrentava a lida nas barragens como um deles, armada se preciso fosse. É uma heroína perfeita para um longa-metragem. Nasceu de uma gente humilde do Portão. Era única menina numa casa de dez filhos. A mãe, Virgília, a Dona Duca, ganhava uns trocos como lavadeira. O pai, Paulo, está na categoria "saiu para comprar cigarros".
Mas não é tudo. Enedina teria feito parte de uma rede de resistência da comunidade negra paranaense, pré-Black Power, da qual pouco se ouve falar. As vitórias que teve desmentem a propalada passividade desse grupo diante das migalhas que lhe foram reservadas. O destino dela teria mudado ao cruzar com a família de Domingos Nascimento, negro de posses da Água Verde, e com os Heibel e os Caron, brancos progressistas que acabaram por se tornar os seus.
Nesses redutos não teria encontrado apenas um horário para estudar ao lado do fogão de lenha. Ali, suspeita-se, passou de Dindinha, seu apelido, a Enedina, a primeira engenheira, mas também uma das primeiras negras de fato alforriadas de que se tem notícia. Eis o ponto.

Indicação: Miguel Sampaio

Mariel Mariscot

MARIEL MARISCOT DE MATOS
(41 anos)
Policial e Membro do Esquadrão da Morte

☼ Niterói, RJ (06/1940)
┼ Rio de Janeiro, RJ (08/10/1981)

Mariel Mariscöt de Matos foi um policial brasileiro. Atuou no Rio de Janeiro na década de 60, e destacou-se por ser acusado de pertencer ao Esquadrão da Morte Scuderie Detetive Le Cocq.

"Eu sou Mariel Mariscot de Matos. Lutei muito, fui feliz, amei. Fui amado por uns e odiado por outros. Subi morros, corri atrás de bandidos, troquei tiros, matei. Fui julgado e condenado. Estou cumprindo pena, mas ainda não fui mutilado, a vida não me embruteceu. Dizem que estou condenado á morte pelos meus companheiros de cela. Não acredito. Ontem estava em apuros, hoje estou tranqüilo e, amanhã, quem sabe, poderei estar novamente nas ruas, andando livremente, convivendo com a sociedade, essa mesma sociedade que me condenou e a quem eu defendi e me esqueceu no fundo do cárcere."

Nascido em Niterói, em junho de 1940, filho de Ariel Mariscot de Matos e de Maria Araújo Mariscot de Matos, Mariel foi com a família morar em Salvador, na Bahia. Quando completou três anos de idade, seu pai morreu vítima de enfermidade incurável. Durante cinco anos Maria Araújo Mariscot de Matos lutou sozinha para criar os dois filhos, Roberto e Mariel.

Cinco anos depois, ela se casou novamente e regressou ao Rio de Janeiro, indo morar em Bangu, na Zona Oeste, com o novo marido, o terceiro sargento do Exército, Wilson de Azevedo Brito, e os dois filhos: Roberto, com seis anos e Mariel, com oito. Era o ano de 1948.

Mariel, seus pais e seu irmão moravam no subúrbio carioca, numa casa humilde, de pau-a-pique. Com o soldo de sargento, o padrasto de Mariel precisava contar com a renda de Dona Maria que costurava para fora. Os meninos ajudavam fazendo bainha nas saias. O tempo passava, Wilson foi promovido a primeiro-sargento, e pôde proporcionar uma vida melhor à família. Mudou-se para uma casa de alvenaria com todas as dependências. Nessa época, Mariel já era rapazinho. Estudava à noite, trabalhava e, pela manhã, treinava natação e water-polo à tarde, no Esporte Clube Bangu. Foi campeão carioca de natação e saltos ornamentais.

Aos 17 anos se alistou na Divisão Aero-Terrestre como paraquedista. Sua carreira militar foi curta, mas bastante para despontar como um soldado arrojado e de coragem invejável, que substituía, voluntariamente, os companheiros escalados para saltos. Com isso ele mantinha o número necessário de saltos para receber soldo maior do que um soldado comum.

A vidinha de Bangu já não satisfazia mais os anseios daquele jovem militar apontado como um dos mais corajosos do corpo de paraquedistas. Mariel via nas revistas que o padrasto levava para casa, um mundo diferente, cheio de prédios, boates, praias e mulheres bonitas. Esse mundo ficava apenas a alguns quilômetros de Bangu. Seu nome: Copacabana.

Através dos jornais, o inquieto Mariel tomou conhecimento da abertura de um concurso para o cargo de guarda-vidas. Era o caminho aberto para concretizar um de seus sonhos. O suburbano de classe média baixa sonhava com um mundo de cores, dinheiro e aventuras. Ele sonhava com o glamour da zona sul do Rio de Janeiro. E mais, custasse o que custasse, Mariel queria ser rico.


Prestou os exames e conseguiu ser um dos primeiros colocados com nota muito acima da média. Como membro do Corpo Marítimo de Salvamento, ele pôde alugar um pequeno apartamento e habitar no mundo que sempre desejou, o mesmo mundo que o levaria ao auge da fama e o arrastaria às celas de uma prisão. Finalmente, Mariel Mariscot de Matos estava morando em Copacabana.

Em 1963, fez concurso para a Polícia Civil e passou em todas as provas. Como policial foi designado para trabalhar num sub-posto de Bangu. Depois de tanto esforço para morar em Copacabana, acabou voltando ao bairro onde moravam seus pais. Nos dias de folga, se apresentava para fazer um "extra" na delegacia de Copacabana.

Foi nas rondas na delegacia da Zona Sul que Mariel aprendeu, com um simples olhar a distinguir o punguista do assaltante, o ladrão de praia do traficante de drogas, o estelionatário do vagabundo de rua. Foi na delegacia de Copacabana que ele aprendeu a técnica de interrogar e de perseguir bandidos nos morros, a ter vivência nas casas noturnas e de atirar e correr atrás de bandidos.

Foi na empolgação de seus 21 anos de idade que Mariel Mariscot matou pela primeira vez, quando deu um flagrante de assalto e os bandidos resistiram à voz de prisão. Daí em diante, ele passou a ser conhecido como o Ringo de Copacabana. Naquela ocasião, Mariel rendeu, com uma pistola calibre 45 em cada uma das mãos, um delegado de polícia que queria prendê-lo sob a acusação de homicídio.

Desde o dia em que matou pela primeira vez, passando por uma trajetória invejável de prisão de bandidos famosos e o assassinato de um motorista de táxi e o momento em que o promotor Silveira Lobo lhe deu voz de prisão com a preventiva já decretada, sob a acusação de pertencer ao Esquadrão da Morte, muitos lances emocionantes e perigosos marcaram a vida de Mariel Mariscot de Matos.

No carro da polícia que o conduzia ao Ponto Zero, onde fica o Batalhão da Polícia Militar, junto com César, seu companheiro de prisão, Mariel falou da necessidade de fugir para provar sua inocência. César não só concordou, como prometeu segurar a onda, enquanto o parceiro tentava reunir as provas. A fuga era uma decisão irrevogável. Na cela, César e Mariel acertaram detalhes. Só não marcaram data. Primeiro tinham que estudar bem aquela prisão, para que tudo saísse da melhor maneira possível. Durante alguns meses eles permaneceram com os outros presos, partilhando jogos, fazendo juntos as refeições e dormindo quando soava o toque de recolher. A idéia de fuga martelava a cabeça de Mariel.

Num trabalho que exigiu muita paciência, ele passou a cronometrar tudo o que acontecia na prisão. Havia a sala de jogos que fechava às 18:00 hs. Só às 21:00 hs eram trancadas as portas das celas. Esse detalhe fez com que Mariel concluísse que o melhor horário para a fuga era entre 17:55 hs e 18:05 hs. Era o tempo em que os carcereiros estavam ocupados em encerrar o movimento da sala de jogos que fechava cinco minutos depois. Aqueles dez minutos eram importantes, porque, dentro desse tempo, era feita a substituição da guarda, no portão principal da cadeia. No dia programado para a fuga estava chovendo e os guardas procuravam proteção embaixo de uma grande marquise. Na área por onde deveria escapar, o sentinela andava de um lado para o outro.

Mariel Mariscot anotou: eram cinquenta passadas de ida e o mesmo na de volta. Exatamente na volta, o guarda ficava de costas, tempo suficiente para que ele ganhasse a passarela do terceiro andar. A sala de jogos estava quase vazia. Mariel subiu na janela. Deu um salto e agarrou ao parapeito, passou da janela para um andaime colocado para o banho de sol dos presos. Em determinado momento, teve que se abaixar para não ser visto pelo carcereiro que dava ordens aos retardatários da sala de jogos.


Agarrado a parede, Mariel se deslocou do lance da passarela para o outro lance, mais abaixo. Desta forma conseguiu chegar a parte externa do prédio. Corpo reto, respiração ofegante, ele avançou e atingiu a terceira janela. Todo o cuidado era pouco. No andar de baixo, dois soldados da Polícia Militar conversavam animadamente. Bastava uma olhada para cima e Mariel estaria descoberto. A chuva ajudava, os soldados saíram daquele ponto e ele continuou em sua escalada. Na quarta e última passarela do pavilhão, Mariel deu um giro no corpo, entrou novamente no prédio e alcançou o saguão da entrada principal. Diante dele estava apenas a escada que o levaria para a liberdade.

Elza de Castro, atriz e sua mulher na época, estava a sua espera com o motor do carro ligado, na Avenida Brasil. Mariel entrou, se acomodou no banco do carona e partiram rumo ao Sul do país. O final da viagem seria o Paraguai. No caminho, depois de contar todos os detalhes da fuga, Mariel divertia Elza de Castro lembrando os lances do homem que matou em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro, quando surpreendeu três bandidos tentando assaltar um comerciante.

"Aquele nunca mais vai assaltar ninguém. Eu não queria matar, mas o cara reagiu e não tive outra alternativa senão manda-lo para o inferno. Foi uma jogada de sorte. Nós íamos passando, eu e o César. Ali, perto da Rua Álvaro Ramos diminuímos a marcha do carro. A gente já tinha recebido reclamações que ali estava havendo assaltos com muita freqüência. Entramos na Rua General Góis Monteiro e vimos um homem sendo assaltado. Fui incisivo. Parei o carro de repente. César desceu de um lado e eu do outro. Ficamos distantes para não chamar a atenção.
Observamos que a vítima mantinha as mãos espalmadas na altura do peito. Um homem estava na frente dele e o outro atrás, enquanto o terceiro revistava seus bolsos. Não havia dúvida de que se tratava de um assalto. Me aproximei sorrateiramente por entre os carros e gritei: 'Mãos na cabeça que é a polícia!'.
A resposta foi na hora. Um dos caras se virou, apontou a arma e começou a atirar. Por alguns segundos fiquei em posição difícil, me protegendo por entre os carros estacionados, sem poder atirar para não atingir o cara que estava sendo assaltado. Os bandidos estavam se escudando na vítima. Eles atiraram novamente, rolei por entre os carros e ganhei melhor posição. Um dos bandidos ficou bem descoberto. Fiz pontaria e atirei na cabeça dele. O outro estava preocupado com César que se aproximava atirando do outro lado. Saltei por cima do capô de um carro e atirei na testa do segundo assaltante. Ele ainda estava caindo quando atirei novamente acertando-o no peito. O assaltante rodopiou e caiu. César chegou correndo e, pensando que eu também estivesse morto já ia atirar novamente na cabeça do assaltante. Eu gritei: 'Calma compadre, eu estou bem. A vítima dos bandidos, o comerciante Hélio Tamassini, estava tremendo, encostado na parede de um prédio. César examinava os homens feridos, percebeu que estavam graves e decidimos leva-los para o Pronto Socorro. Um deles morreu antes de chegar ao Hospital Miguel Couto. O outro escapou."


Mariel Mariscot foi morto em 1981, no centro do Rio de Janeiro, quando estacionava o carro para uma reunião com bicheiros.




Veja Também:

Lúcio Flávio
Madame Satã
Preto Amaral
Maria Bonita

José Augusto

JOSÉ AUGUSTO COSTA
(45 anos)
Cantor

* Aquidabã, SE (03/10/1936)
+ Feira de Santana, BA (05/12/1981)

José Augusto Costa, popularmente conhecido como José Augusto Sergipano ou também José Augusto Velho, foi um cantor brasileiro.

Nasceu na Avenida Santa Terezinha, no bairro da Baixinha, em Aquidabã, Sergipe, onde fez os primeiros estudos, e depois foi morar em Aracaju, concluindo o 2º grau. Em 1953, estudou e trabalhou na primeira linha de ônibus coletivo da capital sergipana.

Dentre 6 irmãos, era o filho mais novo de Maria Adolfina Costa e de Januário Bispo dos Santos. O jovem José Augusto cantava nas festinhas das escolas e festas de aniversários, pois sua vocação para cantor aflorou na juventude.

Gravou mais de 200 músicas, em 22 LP's, iniciando a sua carreira de cantor na gravadora Chantecler, realizando seu grande sonho, gravando também em outras gravadoras. O seu nome "estourou" nos principais programas radiofônicos de São Paulo, fazendo sucesso retumbante, admirado pelos nordestinos e pelos brasileiros de um modo em geral.

Viajou por todo o país fazendo shows, apresentando-se, em palcos dos cinemas, pois na época os cinemas eram os principais locais para a apresentação dos artistas. As emissoras de rádio de Aracaju tocavam os seus discos, diariamente, fato que se repetia em todo o Brasil.

Morte

José Augusto, com uma agenda cheia de compromissos, ao saber da hospitalização da sua mãe, Dona Adolfina, veio às pressas para Aracaju, mas por exigência de seu empresário, viajou para realizar um show em Senhor do Bonfim, na Bahia, agendado anteriormente. Mas um acidente ocorrido perto de Feira de Santana, BA, matou-o na hora. O corpo foi sepultado, no jazigo da família, no Cemitério de Santa Isabel.


Discografia

  • 1961 - Florisbela Saint-Tropez / Saudade Bateu Na Porta
  • 1962 - Se Meu Apartamento Falasse
  • 1962 - Ninguém Faz Falta / Minha Saudade
  • 1962 - Minha Mãezinha / Cantando Pra Não Chorar
  • 1963 - Guarânia Da Noite Triste / Tortura
  • 1963 - Tudo De Mim / E O Tempo Passou
  • 1963 - Engano Do Carteiro / Até Amanhã
  • 1964 - Beijo Gelado / Amor Proibido
  • 1964 - Angústia Da Solidão / Traição
  • 1965 - Um Novo Ídolo
  • 1965 - Exitos De Brasil
  • 1966 - José Augusto
  • 1967 - Preciso De Alguém
  • 1968 - Momento Feliz
  • 1969 - Os Grandes Sucessos De José Augusto
  • 1969 - Prece De Um Rapaz Apaixonado
  • 1971 - A Vida Passando Por Mim
  • 1973 - Canção De Paz
  • 1976 - Minha Visão
  • 1978 - Aliança Devolvida
  • 1980 - Já O Novo Ídolo

Fonte: Wikipédia
Indicação: Miguel Sampaio

Mário Reis

MÁRIO DA SILVEIRA MEIRELES REIS
(73 anos)
Cantor

* Rio de janeiro, RJ (31/12/1907)
+ Rio de Janeiro, RJ (05/10/1981)

Mário da Silveira Meireles Reis, o Bacharel do Samba, foi um popular cantor brasileiro da Era do Rádio. Nascido em uma família carioca abastada, começou a ter aulas de violão por volta de 1926. O professor era Sinhô, conhecido como "Rei do Samba", que, impressionado com o aluno, resolveu levá-lo para uma gravadora.

Formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais na então Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, atual Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na turma de Ary Barroso, de quem era amigo e incentivador, e foi o primeiro intérprete a gravar uma música do então desconhecido pianista e compositor: o samba "Vou à Penha", em 1929.  Foi Mário Reis que gravou o primeiro sucesso popular de Ary Barroso, "Vamos Deixar de Intimidades".


Em 1930 começou a gravar uma série de discos em dupla com o vozeirão de Francisco Alves, fórmula que mostrou-se extremamente bem-sucedida, e imitada, entre outras, pela dupla Jonjoca e Castro Barbosa.

Mário Reis inaugurou em estilo de cantar diferente do que havia no Brasil até então. Ao contrário dos vozeirões do rádio, cantava coloquial, com outro timbre e uma divisão rítmica mais ágil, dando uma interpretação diferente às canções. O seu estilo de cantar, que até hoje soa moderno, é considerado como um dos precursores da Bossa Nova. Muitos consideram que seu canto influenciou João Gilberto. Seus primeiros sucessos foram gravações de músicas de Sinhô, como "Que Vale a Nota Sem o Carinho da Mulher", "Jura" e "Gosto Que Me Enrosco", essas duas últimas do compacto que foi seu primeiro grande êxito.

Mário Reis gravou muitos sucessos com Carmen Miranda e Francisco Alves, com os quais também se apresentou frequentemente nos anos 1930. Fizeram turnês pelo Brasil e também na Argentina.

Na década de 30 firmou-se como um dos maiores intérpretes de Noel Rosa, que também foi seu parceiro. Entre essas gravações estão "Filosofia" (Noel Rosa e André Filho) e "Meu Barracão".

Gravou, em 1933, dois grandes sucessos de Lamartine Babo, "Linda Morena" e "A Tua Vida é um Segredo", e no ano seguinte "Alô Alô" (André Filho) em dueto com Carmen Miranda.

Outro grande êxito foi com "Agora é Cinza", de Bide e Marçal, que nos anos 80 voltaria a ser sucesso com Mestre Marçal, filho do compositor.

Mário Reis ficou muitos anos afastado da carreira de cantor tendo voltado anos mais tarde a fazer discos. Em 1965 e 1971 gravou dois discos, sendo este o seu último. No repertorio, antigos sucessos de autores como Sinhô, Noel Rosa e Ismael Silva além de uma versão de "A Banda" de Chico Buarque.

Em 1995 Julio Bressane fez o filme "O Mandarim" sobre a música popular brasileira do século XX, focando especialmente na vida e no trabalho do cantor Mário Reis. O cantor foi representado pelo ator Fernando Eiras.


Sucessos


Fonte: Wikipédia

Mestre Pastinha

VICENTE JOAQUIM FERREIRA PASTINHA
(92 anos)
Lutador de Capoeira

* Salvador, BA (05/04/1889)
+ Salvador, BA (13/11/1981)

Vicente Joaquim Ferreira Pastinha nasceu em 1889, filho do espanhol Jose Señor Pastinha e de Maria Eugenia Ferreira. Seu pai era um comerciante, dono de um pequeno armazém no centro histórico de Salvador e sua mãe ,com a qual ele teve pouco contato, era uma negra natural de Santo Amaro da Purificação e que vivia de vender acarajé e de lavar roupas.

Mestre Pastinha foi um dos principais mestres de Capoeira da história. Ele dizia não ter aprendido a Capoeira em escola, mas "com a sorte". Afinal, foi o destino o responsável pela iniciação do pequeno Pastinha no jogo, ainda garoto.

Viveu uma infância feliz, porém, modesta. Durante as manhãs frequentava aulas no Liceu de Artes e Ofício, onde também aprendeu pintura. À tarde, empinava arraia e jogava capoeira. Com 13 anos era o mais respeitado e temido do bairro. Mais tarde, foi matriculado por seu pai na Escola de Aprendizes de Marinheiro que não concordava muito com a prática da capoeira pois achava que era muita vadiagem. Conheceu os segredos do mar e ensinou aos amigos que conquistou a arte da capoeira.


Em depoimento prestado no ano de 1967, no Museu da Imagem e do Som, Mestre Pastinha relatou a história da sua vida:

"Quando eu tinha uns dez anos - eu era franzininho - um outro menino mais taludo do que eu tornou-se meu rival. Era só eu sair para a rua - ir na venda fazer compra, por exemplo - e a gente se pegava em briga. Só sei que acabava apanhando dele, sempre. Então eu ia chorar escondido de vergonha e de tristeza."

A vida iria dar ao moleque Pastinha a oportunidade de um aprendizado que marcaria todos os anos da sua longa existência.

"Um dia, da janela de sua casa, um velho africano assistiu a uma briga da gente. Vem cá, meu filho, ele me disse, vendo que eu chorava de raiva depois de apanhar. Você não pode com ele, sabe, porque ele é maior e tem mais idade. O tempo que você perde empinando raia vem aqui no meu cazuá que vou lhe ensinar coisa de muita valia. Foi isso que o velho me disse e eu fui." 

Começou então a formação do mestre que dedicaria sua vida à transferência do legado da Cultura Africana a muitas gerações. Segundo ele, a partir deste momento, o aprendizado se dava a cada dia, até que aprendeu tudo. Além das técnicas, muito mais lhe foi ensinado por Benedito, o africano seu professor.

"Ele costumava dizer: não provoque, menino, vai botando devagarinho ele sabedor do que você sabe (…). Na última vez que o menino me atacou fiz ele sabedor com um só golpe do que eu era capaz. E acabou-se meu rival, o menino ficou até meu amigo de admiração e respeito."


Ensino e Difusão

Foi na atividade do ensino da Capoeira que Pastinha se distinguiu. Ao longo dos anos, a competência maior foi demonstrada no seu talento como pensador sobre o jogo da Capoeira e na capacidade de comunicar-se. Os conceitos do Mestre Pastinha formaram seguidores em todo Brasil. A originalidade do método de ensino, a prática do jogo enquanto expressão artística formaram uma escola que privilegia o trabalho físico e mental para que o talento se expanda em criatividade. Foi o maior propagador da Capoeira Angola, modalidade tradicional do esporte no Brasil.

Em 1941, fundou a primeira escola de capoeira legalizada pelo governo baiano, o Centro Esportivo de Capoeira Angola (CECA), no Largo do Pelourinho, na Bahia. Hoje, o local que era a sede de sua academia é um restaurante do Senai.

Em 1966, integrou a comitiva brasileira ao primeiro Festival Mundial de Arte Negra no Senegal, e foi um dos destaques do evento. Contra a violência, o Mestre Pastinha transformou a capoeira em arte. Em 1965, publicou o livro "Capoeira Angola", em que defendia a natureza desportista e não-violenta do jogo.

Entre seus alunos estão Mestres como João Grande, João Pequeno, Curió, Bola Sete (Presidente da Associação Brasileira de Capoeira Angola), entre muitos outros que ainda estão em plena atividade. Sua escola ganhou notoriedade com o tempo, frequentada por personalidades como Jorge Amado, Mário Cravo e Carybé, cantada por Caetano Veloso no disco "Transa" (1972).

Durante décadas, dedicou-se ao ensino da Capoeira, e mesmo quando cego não deixava de acompanhar seus alunos.

"Tudo o que eu penso da Capoeira, um dia escrevi naquele quadro que está na porta da Academia. Em cima, só estas três palavras: Angola, capoeira, mãe. E embaixo, o pensamento: Mandinga de escravo em ânsia de liberdade, seu princípio não tem método e seu fim é inconcebível ao mais sábio capoeirista."

Com 84 anos de idade, doente, e fisicamente debilitado, foi morar no Pelourinho em um pequeno quarto, com sua segunda esposa, Dona Maria Romélia. Deixando a antiga sede da Academia, devido aos problemas financeiros, o único meio de sobrevivência provinha dos acarajés que sua esposa vendia.

Em abril de 1981, Mestre Pastinha participou da última roda de Capoeira de sua vida.

Apesar da fama, o Velho Mestre terminou seus dias esquecido. Expulso do Pelourinho em 1973 pela prefeitura, sofreu dois derrames seguidos, que o deixaram cego e indefeso. Numa sexta-feira, 13/11/1981, Mestre Pastinha se despediu desta vida aos 92 anos, cego e paralítico, vítima de uma Parada Cardíorrespiratória.


Abigail Maia

ABIGAIL MAIA
(94 anos)
Atriz, Cantora e Bailarina

* Porto Alegre, RS (17/10/1887)
+ Rio de Janeiro, RJ (20/12/1981)

Abigail Maia foi uma atriz de teatro e cantora brasileira. Fundou uma companhia teatral com Oduvaldo Vianna. Foi ainda radio-atriz da Rádio Nacional.

Abigail Maia estreou no teatro aos 15 anos na peça "Fada de Coral". Trabalhou em várias companhias de comédias e revistas antes de criar sua própria empresa, em parceria com Oduvaldo Vianna.

Em 1921, agregando-se à Companhia Viriato Correia e Nicola Viggiani, deu-se uma temporada conhecida historicamente como Movimento Trianon.

Rodolfo Mayer, Abigail Maia e Floriano Faissal
Com seu trabalho ligado um dos comediógrafos mais conceituados do período, valorizou Abigail Maia a dramaturgia brasileira e ensejou algumas experimentações renovadoras.
   
No cinema, Abigail Maia atuou "João José", curtametragem de 1909, "A Vida do Barão do Rio Branco", curtametragem de 1912, e "O Guarani" (1920).

Nos anos 40, Abigail Maia ingressou no elenco de rádio-atores da Rádio Nacional.

Fonte:  Wikipédia

Goiá

GERSON COUTINHO DA SILVA
(46 anos)
Cantor e Compositor

☼ Coromandel, MG (11/01/1935)
┼ Uberaba, MG (20/01/1981)

Gerson Coutinho da Silva, mais conhecido como Goiá, foi um cantor e compositor brasileiro.

Logo abaixo está a transcrição fiel da biografia do poeta, datilografada por ele mesmo de forma resumida, quase como um currículum:

GERSON COUTINHO DA SILVA (GOIÁ)
Filiação: Celso Coutinho da Silva e Margarida Rosa de Jesus

Nasci em 11 de janeiro de 1935, em Coromandel, na Rua Raul Soares, numa casa que muitos anos depois ficou conhecida por Casa do Períque (o nosso Péricles, de saudosa memória);

Desde pequenino, sempre gostei de "falar versos" (recitar trovas), e como sempre recebia em troca um "cachê" (doce, queijo, requeijão, etc.), meu entusiasmo cresceu sobremaneira, até que um dia, no auge da interpretação, quis dar um colorido especial à uma frase, expressando-a com bastante força, mas, o que todos ouviram foi um longo e grave ruído, considerado impróprio e vergonhoso, na presença "dos mais velhos", e foi assim que Coromandel perdeu seu declamador, de quatro anos de idade...

Ganhei de meu pai uma gaita de boca, que foi minha companheira por muitos anos, até que a troquei por um cavaquinho, mas, a minha alegria maior foi quando ganhei um violão "de tarrachas", que era o meu grande sonho...

Comecei a cantar em dupla com vários parceiros, dentre eles, Anterino Coutinho, meu irmão Nelson, Geraldo Telles (Geraldinho do Vigilato), seu irmão José (Zé do Vigilato), e quando chegávamos naquelas festas animadas, o pessoal sempre dizia:

- "Chegou o fio do Cerso cum seus cumpanhêro!"

E a coisa "fervia" até o nascer do sol!

Essa época marcou muito para mim e é responsável, em grande parte, pela saudade impossível que sinto da infância!

Comecei a estudar música com o mestre José Ferreira e enquanto não terminava o curso, passei a ser o tocador de bumbo ou bombo, e como por essa ocasião eu formava dupla com o Miguelinho (filho do "Miguel Batalhão"), arranjei para ele um lugar na banda de música, como tocador de tarol. E depois das retretas (Chapadão, Alegre, Mateiro, Santa Rosa, etc), a gente cantava nas "barracas" e o incentivo era imenso.

Após passarmos uma temporada em Lagamar, em casa de minha irmã Maria e de meu cunhado Fulô, fomos (eu e Miguelinho) para Patos de Minas, onde cantamos, por alguns meses, no programa do Compadre Formiga, meu querido amigo Padre Tomaz Olivieri.

Mas eu não suportava passar mais que dois meses fora de Coromandel! Saia e voltava, voltava e saia...


Foi em 1953 que parti para Goiânia, (então com dezoito anos de idade, juntamente com o meu pai) onde fiquei conhecendo gente maravilhosa, e onde permaneci por dois anos, aprendendo muito, em todos os sentidos!

Formei o Trio da Amizade, (o primeiro nome artístico foi Rouxinol), com programas diários na inesquecível Rádio Brasil Central, e fomos os primeiros do Estado a gravar discos em São Paulo (dois discos com 78 RPM na antiga Columbia, atual CBS).

Tenho um carinho especial pelo Estado de Goiás, notadamente por Goiânia, onde deixei grandes amigos, que jamais esquecerei!

De lá parti, no último dia do ano de 1955, e confesso, parti com lágrimas nos olhos, mas a grande meta era São Paulo, o grande eixo, também no mundo artístico.

Aqui, gravei alguns discos com o Trio Mineiro e após uma temporada na Rádio Nacional, nos programas do amigo Nhô Zé, transferí-me para a Rádio Bandeirantes, onde fui contratado como apresentador de programas, inicialmente no "Maiador da Fazenda", do amigo e parceiro Zacarias Mourão, e posteriormente lancei o "Choupana do Goiá", além de ser substituto eventual dos saudosos Capitão Balduino e Comendador Biguá, em seus tradicionais programas "Brasil Caboclo" e "Serra da Mantiqueira".

Esqueci-me de dizer que durante toda minha trajetória, de Coromandel a Patos, Goiânia e São Paulo, jamais deixei de compor minhas músicas, e através delas, chorava a grande saudade de minha terra, mas, eu tinha em mente um ideal, e todo ideal exige sacrifícios, e de todos, o maior era a ausência prolongada de minha cidade, de minha gente, "meus amores...".

Permaneci na Rádio Bandeirantes até meados de 61, quando então a quase totalidade do cast sertanejo daquela emissora havia gravado músicas minhas: Pedro Bento e Zé da Estrada, Liu e Léo, as Irmãs Galvão, Zilo e Zalo, Caçula e Marinheiro, Tibagi e Miltinho, Souza e Monteiro, Primas Miranda e outros tantos.

Fui para a Rádio 9 de Julho (ainda como apresentador) a convite do Geraldo Meirelles e Zé Claudino, lá ficando por dois anos, quando me despedi, e depois de uma curta temporada com Zacarias Mourão na Rádio Excelsior, decidi dedicar-me inteiramente às composições.

Com exceção de alguns meses como free-lancer na Rádio Nacional, no programa "Biá e Seus Batutas", nunca mais voltei a apresentar programas, tendo me dedicado, de corpo e alma, aos meus "versos"...
 
Um dia, para a alegria do povo de Coromandel, a dupla, Goiá e Biá, gravou o seu primeiro LP, com as composições de Goiá, e muitas falando de Coromandel e do Estado de Goiás, sendo que nesta época o seu parceiro e cunhado era bem conhecido na música sertaneja, através da dupla Palmeira e Biá, assim concretizando de vez os seus sonhos no âmago de sua alma.

Sentindo certas dificuldades ao cantar em dupla, não com relação a Biá, que sempre foi o seu Parceiro-Amigo-Irmão, como ele mesmo dizia, separou-se de Biá para gravar individualmente o seu primeiro LP em duas vozes, sendo um dos primeiros no Brasil a gravar neste estilo.


Assim, Goiá mostrou a sua familiaridade com o violão, pois tinha uma impressionante capacidade de musicar, não somente suas letras como também de muitos parceiros seus, vestindo a cada dia uma roupagem nova na Música-Política-Sertaneja.

E, sempre acompanhado de grandes personalidades da época, Goiá viveu dias intensos de viagens e shows por todo esse Brasil.

Mas nem tudo foi um mar de rosas. Além das dificuldades que todos enfrentam neste país, ele tinha também o seu lado de esposo e pai, sempre mostrando um carinho muito grande pela sua família, já composta de três filhos: Róbson, Myre e Hilger. Aí passou a ver o lado financeiro de suas músicas, pois até então, de direitos autorais, pouco recebia, devido a não regulamentação desse direito no Brasil.

Como exemplo, Goiá compôs a trilha sonora do filme "A Vingança de Chico Mineiro", onde quase nada recebeu por um grande trabalho de uma qualidade indiscutível.

Por volta de 1971, começou um tempo negro em sua vida. Goiá passou a ser portador de diabetes, e como ele mesmo dizia, abusava muito de sua saúde, não se alimentando corretamente, passando longos períodos de viagens e cantorias, ficando até três anos sem fazer um exame de sangue sequer.

E foi em dezembro de 1979, nos exames realizados em Uberlândia que ficou comprovado: Além do açúcar no sangue, Goiá era portador de cirrose hepática, já bem acentuada, ascite, água no peritônio.

De volta a São Paulo, começou a corrida aos hospitais na tentativa de estacionar a cirrose, e com isso ele perdia peso assustadoramente.

Foi quando em novembro de 1980, já vivendo praticamente só de cama, transferiu-se para Uberaba, ficando mais perto de Coromandel, podendo ser visitado freqüentemente pelos seus conterrâneos, trazendo para si, forças para continuar, mesmo acamado, a escrever suas canções.

Nos últimos anos de sua vida, Goiá já escrevia para o estilo sertanejo moderno e já era gravado por Chitãozinho & Xororó, João Mineiro & Marciano, Cezar & Paulinho, Milionário & José Rico, Duduca e Dalvan, Chico Rey e Paraná e muitos outros.

No dia 20/01/1981, às 8h00, morre Goiá em Uberaba, Minas Gerais, aos 46 anos. Seu corpo foi levado para Coromandel e esperado por uma multidão de pessoas, exatamente na Placa de 5 Km, onde outrora foi sempre esperado pelo seu povo.

Seu corpo foi velado na Igreja de Sant'ana e sepultado no Cemitério Municipal de Coromandel, no dia 21/01/1981, passando a viver conosco somente de forma espiritual.

No seu túmulo, ficou escrito o que humildemente pediu numa de suas canções, mostrando mais uma vez a sua natureza humana: "A humildade, que era o seu gesto maior".

Algumas Composições de Goiá

  • A Árvore que Plantei (Goiá e Julião Saturno)
  • A Cama (Goiá)
  • Adeus Filhinha (Goiá e José Neto)
  • Adeus Jusmare (Goiá e José Neto)
  • Adeus Mãezinha (Goiá e Sebastião Aurélio)
  • Adeus Maria (Goiá e Sebastião Víctor)
  • Adeus Menina (Goiá e Sebastião Aurélio)
  • Adeus Menina Amada (Goiá e Plínio Alves)
  • Adeus Meu Bem (Goiá e Marciano)
  • Adeus Meu Rincão (Goiá e D. Thomaz)
  • Adeus Paraná Querido (Goiá e Sebastião Aurélio)
  • Adeus Para Sempre (Goiá e J. Víctor)
  • Aeronave do Amor (Goiá e Marciano)
  • A Grande Esperança (Goiá e Francisco Lázaro)
  • Ainda uma Vez, Adeus (Goiá e Sebastião Víctor)
  • Aí Vareia (Goiá e Leonardo Amâncio)
  • Além da Vida (Goiá e Leonardo Amâncio)
  • Alma Cabocla (Goiá e José Neto)
  • Alma Irmã (Goiá e Leonardo Amâncio)
  • Alma Triste (Goiá e Chico Vieira)
  • A Lua é Testemunha (S. Lozano Versão: Goiá e Inhana)
  • Amada Ausente (Goiá e Zacarias Mourão)
  • Amarga Saudade (Goiá e Comendador Biguá)
  • Amargurada (Goiá e Paiozinho)
  • Amigo Cachorro (Goiá)
  • Amor de Minha Vida (Goiá e Soberano)
  • Amor e Felicidade (Zacarias Mourão e Goiá)
  • Amor Graúdo (Goiá e Augusto Alves Pinto)
  • Apenas um Pecado (Zé Claudino e Goiá)
  • As Cordilheiras (Meu Pranto em Teus Olhos) (Goiá)
  • Aurora do Mundo (Goiá)
  • A Vida Não Vale Nada (Goiá e Zacarias Mourão)
  • Badalar do Adeus (Goiá e Almir)
  • Baile do Adeus (Goiá)
  • Bambuzinho Suburbano (Goiá)
  • Barquinho da Esperança (Goiá)
  • Bondoso Guia (Goiá e Leonardo Amâncio)
  • Boneca de Rua (Benedito Seviero e Goiá)
  • Boneca Loira (Goiá e Taubaté)
  • Brasília (Goiá e Zé Micuim)
  • Cai Sereno, Cai (Belguinha e Goiá)
  • Caminhando Pela Vida (Goiá e Marciano)
  • Caminhão de Uai (Goiá e Jacozinho)
  • Caminheiro da Saudade (Goiá e Sebastião Aurélio)
  • Caminhos de Minha Infância (Goiá)
  • Caminhos da Vida (Zalo e Goiá)
  • Campos Amados de Coromandel (Goiá e Waldemar de Freitas Assunção)
  • Canarinho da Manhã (Goiá e José Neto)
  • Canção da Minha Terra (Luiz de Castro e Goiá)
  • Canção do Meu Adeus (Goiá e Zé Claudino)
  • Canção do Meu Regresso (Goiá)
  • Capotamento de Amor (Goiá)
  • Capricho (Goiá e Arlindo Pinto)
  • Capricho da Vida (Goiá e Biguá)
  • Caprichosa (Goiá e Sebastião Aurélio)
  • Carrossel da Vida (Tela Branca do Meu Coração) (Goiá e Geraldo Meirelles)
  • Carta de Filho (Goiá e Plínio Alves)
  • Casa do Chapéu (Goiá e Plínio Alves)
  • Casinha de Praia (Goiá)
  • Casinha dos Meus Amores (Goiá e Praense)
  • Centelha Divina (Goiá e Almir)
  • Chapadão (Goiá e Sebastião Rocha)
  • Chora Coração (Zacarias Mourão e Goiá)
  • Chorarei ao Amanhecer (Goiá e Amir)
  • Chuvisco da Madrugadan (Goiá)
  • Cidade de Assis (Goiá)
  • Cidade de Santo André (Goiá e Julião Saturno)
  • Cinqüenta Mil Amores (Goiá e Almir)
  • Coisas da Vida (Mineirinho e Goiá)
  • Coisas do Destino (Goiá e Clóvis Pontes)
  • Copo na Mesa (Zacarias Mourão e Goiá)
  • Coração Dividido (Goiá e Zacarias Mourão)
  • Coração Sofredor (Milano e Goiá)
  • Coromandel (Goiá e Zalo)
  • Criança Crescida (Goiá e José Neto)
  • Cuiabá (Goiá)
  • Declina o Sol no Poente (Evangelista e Goiá)
  • Derradeiro Adeus (Goiá e Belmonte)
  • Desabafo da Alma (Goiá e Taguaí)
  • Desespero de Amor (Goiá e Leonardo Amâncio)
  • Desilusão (Goiá e Pirajá)
  • Despedida (Goiá e Sebastião Aurélio)
  • Despedida de um Poeta (Goiá e Almir)
  • Desprezo de Amor (Goiá)
  • Deus te Proteja (Goiá)
  • Dia Mais Lindo da Vida (Goiá)
  • Dia Mais Tristes da Vida (Goiá)
  • Direito de Amar (Goiá e Leonardo Amâncio)
  • Dois Artistas (Goiá e Nenete)
  • Dois Goianos (Goiá e Sebastião Aurélio)
  • Dois Lares (Goiá e José Víctor)
  • Duas Vidas (Goiá e José Russo)
  • Duelo de Amor (Goiá e Benedito Seviero)
  • É Chato Gostar (Brasão e Goiá)
  • Em Busca da Sorte (Goiá e Dionilde Thomas)
  • Em Busca de Deus (Chico Vieira e Goiá)
  • Emocionante (Goiá e Tertuliano Amarilha)
  • Enquanto Trindade Louvava o Divino (Goiá)
  • Entardecer da Vida (Goiá e José Neto)
  • Erga Teus Olhos Meu Anjo (Goiá e Leonardo Amâncio)
  • Esperança (Goiá)
  • Espinhos no Coração (Goiá e Plínio Alves)
  • Esquina do Adeus (Goiá)
  • Estrada das Flores (Goiá e José Neto)
  • Estrela Dourada (Goiá e Mizael)
  • Estrela-Guia (Goiá e Sebastião Victor)
  • Estrela Matutina (Goiá e Sebastião Aurélio)
  • Estrela Sem Luz (Zé Dionísio e Goiá)
  • Estupidez (Goiá e Almir)
  • Eu Vivia Sozinho e Você Também (Goiá)
  • Fala Coxim (Goiá e Zacarias Mourão)
  • Feitiço Espanhol (Zacarias Mourão e Goiá)
  • Festa do Divino (Goiá)
  • Festinha Boa (Clóvis Pontes e Goiá)
  • Filosofia de Poeta (Augusto Alves Pinto e Goiá)
  • Fim de um Sonho (Goiá e José Neto)
  • Flor do Lodo (Goiá e Biá)
  • Flor Mineira (Goiá e Chico Vieira)
  • Folhas Amarelas (Mensagem de Amor) (Goiá e Leonardo Amâncio)
  • Fronteira do Adeus (Goiá e Almir)
  • Gamação (Mulher de Malandro) (Goiá e José Neto)
  • Garça Maguary (Goiá e Tertuliano Amarilha)
  • Garimpeiro Theodoro (Goiá)
  • Gatinha de Praia (Goiá)
  • Gente de Minha Terra (Goiá, Amir e Pereirinha)
  • Gente Deste Planeta (Almir e Goiá)
  • Gotas de Esperança (Goiá e Almir)
  • Gotas de Lembranças (Entardecer) (Goiá e Plínio Alves)
  • Grande Erro (Goiá e Sebastião Aurélio)
  • Grão de Areia (Goiá e Leonardo Amâncio)
  • História Triste de Um Índio Civilizado (Goiá e Mizael)
  • Homem Triste (Goiá e Valdery)
  • Homenagem ao Presidente (Goiá e Kambuquira)
  • Imagem do Sertão (Goiá)
  • Índia Misteriosa (Goiá e Chico Vieira)
  • Índia Soberana (Zacarias Mourão e Goiá)
  • Itacolomi (Goiá e Cambuquira)
  • Jardineira do Adeus (Goiá e Sebastião Aurélio)
  • José e Maria (Goiá e Evangelista)
  • Juriti Mineira (Zacarias Mourão e Goiá)
  • Lamento (Goiá e Zacarias Mourão)
  • Lamento de uma Saudade (Goiá e Zilo)
  • Lei Agrária (Goiá e Francisco Lázaro)
  • Lembrando Vila Pequena (Goiá e Edimilson Corrêa)
  • Lição de Caboclo (Goiá e Julião Saturno)
  • Liguei o Rádio Nesta Triste Madrugada (Goiá)
  • Linda Mentirosa (Almir e Goiá)
  • Lindos Campos do Amambaí (Goiá e Negrão da Costa)
  • Língua Grande (Goiá e José Neto)
  • Luz de Minh'Alma (Goiá e Osvaldo Alves da Silva)
  • Magoado Coração (Goiá e Emídio Rama)
  • Mais uma Noite Vou Dormir Sem Meu Bem (Goiá e Waldemar de Freitas Assunção)
  • Mamãe Mafalda (Goiá e Sebastião Rocha)
  • Mares da Ilusão (Goiá e Zalo)
  • Marreca Selvagem (Goiá e Tertuliano Amarilha)
  • Menina de Praia (Nízio e Goiá)
  • Mensagem à Mamãe (O Adeus de Mamãe) (Goiá e Leonardo Amâncio)
  • Mensagem de Amor (Goiá e Zalo)
  • Mensagem de Natal (Julião Saturno, César Martins e Goiá)
  • Mesmo Caminho (Zalo e Goiá)
  • Messalina (Goiá e Marciano)
  • Meu Coró (Goiá e Plínio Alves)
  • Meu Natal Sem Mamãe (Goiá e Sebastião Aurélio)
  • Meu Último Amor (Goiá e Waldemar de Freitas Assunção)
  • Meus Amigos do Sul de Minas (Goiá e Almir)
  • Minha Gratidão (Goiá e Sebastião Víctor)
  • Minha Infância (Goiá e Hélio Alves)
  • Minha Mulher Amada (Goiá e Zalo)
  • Minha Viola Caipira (Goia e Zacarias Mourão)
  • Minuano do Sudoeste (Goiá e Marciano)
  • Moça de Abadia (Goiá)
  • Moças do Interior (Goiá)
  • Mulher Volúvel (Melrinho e Goiá)
  • Mutirão de Goiânia (Goiá)
  • Não Sei Porque (Goiá e Cristalino)
  • Não te Quero Não (Goiá e Melrinho)
  • Nas Curvas do Seu Corpo Capotei Meu Coração (Goiá e Amir)
  • Natal em Goiás (Goiá e Chicão Pereira)
  • Noites Estreladas (Luiz Manoel, Goiá e Hilda)
  • Nossa Mensagem (Goiá)
  • O Adeus do Meu Bem (Goiá e Tomaz)
  • O Amor Não tem Vergonha (Goiá e Marciano)
  • O Astronauta (Goiá e Nenete)
  • O Colono (Biá e Goiá)
  • O Direito de Amar (Goiá e Leonardo Amâncio)
  • O Grande Segredo (Goiá e Plínio Alves)
  • Olhos Verdes (Goiá e José Neto)
  • O Mártir do Calvário (Goiá e Biá)
  • Onde a Saudade Mora (Goiá e Oswaldo Caixeta)
  • Orgulho e Ciúme (Goiá e Sebastião Aurélio)
  • O Seu Bem Sou Eu (Goiá e Zalo)
  • Os Olhos Azuis de Cristo (Goiá e Praense)
  • Outra Noite Sem Meu Bem (Goiá e Waldemar de Freitas Assunção)
  • Parabéns aos Noivos (Goiá e Leonardo Amâncio)
  • Parabéns Meu Amor (Aniversário do Meu Amor) (Goiá e Ivan Caires)
  • Paraguaia da Fronteira (Goiá)
  • Paraná Querido (Paulinho Gama e Goiá)
  • Pássaro Preto (Moreninha de Guata) (Almir e Goiá)
  • Pau de Sebo (Goiá)
  • Pecado Loiro (Zacarias Mourão e Goiá)
  • Pecado Mortal (Goiá e Benedito Seviero)
  • Pé de Cedro (Goiá e Zacarias Mourão)
  • Pedro Paissandu (Goiá)
  • Pescando Saudade (Goiá e Leonardo Amâncio)
  • Piadas da Minha Terra (Goiá e Osvaldo Gomes)
  • Poço Verde (Goiá e Taubaté)
  • Poente da Vida (Goiá e D. Thomaz)
  • Poluição (Goiá e zacarias Mourão)
  • Pranto da Meia-Noite (Goiá e Plínio Alves)
  • Preciso te Esquecer (Goiá e Waldemar de Freitas Assunção)
  • Qualquer Dia Destes Pego um Avião (Goiá)
  • Quando meu Bem me Disse Adeus (Goiá)
  • Quem Ama em Dueto e Ama a Pátria (Goiá)
  • Recordação (Nenete e Goiá)
  • Retalhos de Saudade (Goiá e Francisco do Carmo)
  • Retrato do Sertão (Goiá e Sebastião Rocha)
  • Reze por Mim ao Pôr-do-Sol (Goiá e Praense)
  • Rosas e Orquídeas Para Você (Goiá e Tertuliano Amarilha)
  • Rosa Ternura (Goiá)
  • Sabe Deus (Sebastião Víctor e Goiá)
  • Sanfona Pé de Bode (Goiá)
  • Santa Helena de Goiás (Goiá e Amaraí)
  • Saudade Cruel (Goiá e Zalo)
  • Saudade da Minha Terra (Goiá e Belmonte)
  • Saudade de Alguém (Goiá e Zalo)
  • Saudade de Coromandel (Goiá e Biazinho)
  • Saudade de Goiás (Goiá e Amaraí)
  • Saudade do Poeta (Goiá)
  • Saudade em Excursão (Goiá e Nelsinho)
  • Segredo de um Artista (Goiá e Almir)
  • Sem Ela Não Sei Viver (Goiá e Zilo)
  • Sem Teu Amor (Goiá e Biguá)
  • Sereno da Solidão (Goiá e José Neto)
  • Séria Questão (Goiá e Belmar)
  • Seriema (Goiá e Leonardo Amâncio)
  • Sertanejo Meu Irmão (Maria Morena) (Goiá e Ermiro Vieira da Cunha)
  • Sinfonia da Dor (Goiá e Sebastião Aurélio)
  • Solidão da Noite (Goiá)
  • Solidão na Praia (Goiá e Sebastião Aurélio)
  • Só me Resta Gargalhar (Goiá e Almir)
  • Sonhar de Novo (Goiá e Leonardo Amâncio)
  • Sonho de Criança (Goiá)
  • Só Pelo Amor Vale a Vida (Goiá e Zacarias Mourão)
  • Sorriso de Maria (Goiá e Sebastião Aurélio)
  • Tardes Morenas de Mato Grosso (Goiá e Valderi)
  • Te Amo Jatobá (Goiá e Sebastião Aurélio)
  • Terra Santa de Padre Víctor (Goiá e João Mineiro)
  • Tipos Populares de Minha Terra (Goiá e Selma A. Lopes)
  • Travessa da Amizade (Goiá Sebastião Víctor)
  • Três Amores (Goiá e Tony Gomide)
  • Tribunal do Mundo (Goiá e Tony Gomide)
  • Trilha da Saudade (Goiá)
  • Triste Abandono (Goiá e Zacarias Mourão)
  • Triste Arrependimento (Goiá e Gauchito)
  • Triste Viola (Goiá)
  • Trovas do Goiá (Goiá)
  • Tua Carta (Zé Micuim, Goiá e Loló)
  • Uai (Goiá)
  • Última Esperança (Goiá e Natinho)
  • Última Melodia (Zilo, Goiá e Braz Hernandes)
  • Última Saudade (Goiá)
  • Último a Saber (Rubens Avelino e Goiá)
  • Último adeus (Flor Menina) (Goiá e Bernardes Vieira)
  • Um Abraço, Um Adeus (Goiá e Amir)
  • Uma Saudade Amarga e Cruel de Coromandel em Minas Gerais (Goiá)
  • Um Novo Amanhã (Goiá)
  • Um Pouco de Paz (Goiá e Taguaí)
  • Vida Enganosa (Goiá e Soberano)
  • Vinte Anos de Silêncio (Zacarias Mourão e Goiá)
  • Visita à Goiás (Goiá e Sidon Barbosa)
  • Volta ao Passado (Goiá e Antônio Marani)
  • Vovó Rita (Valdery e Goiá)
  • Zé da Carolina (Goiá e Leonardo Amâncio)

Homero Silva

HOMERO SILVA
(63 anos)
Apresentador de TV, Radialista e Político

* São Paulo, SP (30/01/1918)
+ São Paulo, SP (19/09/1981)

Foi o primeiro apresentador da televisão brasileira. Apresentava o programa TV Na Taba da TV Tupi. Foi também radialista das rádios Tupi e Difusora nas décadas de 40 e 50. Apresentava o programa de auditório Clube Papai-Noel, onde surgiram vários cantores e cantoras, entre as quais Wilma Bentivegna. Na cidade de São Paulo existe uma praça com o seu nome localizada no bairro da Pompéia, próximo à avenida de mesmo nome.

Homero Silva nasceu em São Paulo, no bairro do Cambuci. Descendente de italianos, seu pai era Eloi Domingues da Silva e a mãe Dona Cândida. Aos 18 anos Homero Silva perdeu o pai, e ele e mais um irmão menor, ficaram aos cuidados de Cândida.

O pai, fotógrafo, era pobre. E assim, Homero e o irmão Gilberto, acostumaram-se a dividir tudo, até um par de sapatos, pois a mãe comprava um número intermediário, que pudesse servir aos dois, na hora de irem à escola. E eles iam em turnos diferentes. Assim mesmo, ambos conseguiram entrar na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, respectivamente em primeiro e segundo lugares.

Homero Silva e Assis Chateaubriand
Rapazes sérios, religiosos, extremamente inteligentes, eram admirados por todos. Gilberto, o mais novo, prosseguiu a carreira jurídica, mas Homero fez um concurso de locutor na Rádio Tupi de São Paulo, e passou, pois era dono de uma voz bonita e marcante.

E aí começou a carreira que, se não única, foi a mais importante de sua vida. Logo chegou a diretor da emissora. É preciso lembrar que seu grande sucesso deu-se à apresentação do programa infantil Clube do Papai Noel , onde ele era tão querido que as crianças o chamavam de Papai Noel. Nesse programa iniciaram a carreira artística: Hebe Camargo, Erlon Chaves, Wilma Bentivegna, Wanderley Cardoso, Vida Alves, e muitos outros.

Foi um acontecimento esse programa que começou na rádio e, mais tarde, transferiu-se para a televisão. Homero Silva, aliás, foi escolhido para ser o primeiro locutor, aquele que apresentou a PRF3-TV Tupi, aos telespectadores, no lançamento da primeira emissora de televisão da América Latina.

Homero Silva, alguns anos antes havia se casado com Yolanda. Desse casamento nasceram dois filhos: CéliaHomero Silva Filho. Na televisão Homero era super admirado pela perfeição de suas apresentações, por sua cultura, por sua verve. Apresentava também outros programas: Ponta de Lança, Boa Noite Amigos, e o famoso Clube dos Artistas, que foi uma criação de Airton Rodrigues, mas teve Homero Silva como apresentador por muitos anos.

Homero Silva, porém, não se satisfez somente com a vida artística, embora tivesse total sucesso. Foi para a política. Foi vereador da cidade de São Paulo, por duas vezes. Foi deputado, também por dois mandatos. Foi candidato à Prefeito, perdendo apenas por 50 votos, o que até suscitou muita polêmica, mas Homero, homem sério, quis deixar de lado e prosseguiu sua vida.

Quando deixou a TV Tupi, Homero Silva foi ser Presidente da Fundação Padre Anchieta e, posteriormente, diretor artístico da Rádio Cultura. Homero Silva, ainda desejoso de eternamente lutar, entrou para as lides universitárias e foi professor de Direito Constitucional na FMU e nas Faculdades de Bragança Paulista. Isso o fez rejuvenescer, pois adorava estar com os jovens, assim como tinha adorado trabalhar com crianças.

Uma das coisas que criou, com muito êxito foi a Campanha do Natal da Criança Pobre, que aconteceu por vários anos consecutivos e que revolucionou todo o bairro do Sumaré, que era chamado de A Cidade do Rádio, pois era a sede das Rádios Tupi, Difusora e da Televisão Tupi.

Assim foi Homero Silva, que faleceu em 19 de setembro de 1981. Ele havia se casado pela segunda vez com Mariinha, e com ela teve a filha Silvana, que é médica. Ele estava com Mariinha quando faleceu. Ao seu enterro compareceram centenas de amigos, entre artistas, advogados, professores, políticos e fãs.

Fonte: NetSaber Biografias e Wikipédia

Geraldo Bretas

GERALDO BRETAS
(69 anos)
Jornalista e Comentarista Esportivo

* Anápolis, GO (17/05/1911)
+ São Paulo, SP (06/01/1981)

Jornalista e comentarista esportivo, tornou-se um dos mais polêmicos do país pelos seus ataques a cartolas, árbitros e jogadores. Atuou na TV Gazeta e fundou o jornal Mundo Esportivo.

Fonte: Projeto VIP

Lola Brah

ELEONORA BEINAROWICZ
(61 anos)
Atriz

☼ União Soviética (07/07/1920)
┼ São Paulo, SP (14/07/1981)

Lola Brah foi uma atriz nascida na União Soviética em 07/07/1920, com o nome de Eleonora Beinarowicz, veio para o Brasil com a família em 1933 e se naturalizou brasileira em 1948.

Estreou no cinema brasileiro em 1953 na comédia "Uma Pulga Na Balança" e depois fez filmes importantes como "Floradas Na Serra", "Ravina", "Estranho Encontro" e "Fronteiras do Inferno".

Pelo filme de Walter Hugo Khouri, "Estranho Encontro", ganhou o Prêmio Governador do Estado e Prêmio Saci de melhor atriz do ano.

Bonita e sofisticada, fazia o gênero Femme Fatale. Outros filmes importantes na sua carreira foram "O Bandido da Luz Vermelha", "Paixão na Praia", "A Marcha", "Mestiça, a Escrava Indomável", "Ainda Agarro Essa Vizinha", "Noite Em Chamas" e "O Estripador de Mulheres".

Na TV fez a telenovela "A Cabana do Pai Tomás" (1969) e vários teleteatros na TV Cultura.

Lola Brah faleceu aos 61 anos em São Paulo, SP, no dia 14/07/1981, vítima de um ataque cardíaco.

Rafael de Carvalho

MANUEL RAFAEL DE CARVALHO
(63 anos)
Ator, Produtor e Dramaturgo

* Caiçara, PB (16/02/1918)
+ Salvador, BA (03/05/1981)

Aos quinze anos deixou seu estado e foi para Salvador e se tornou ator, produtor e dramaturgo, sempre preocupado com a cultura popular e suas manifestações.

Na capital baiana ele venceu festivais interpretando poemas e escreveu o livro "Quadra Quadrilha" e duas peças. Estreou no cinema em "Aguenta o Rojão" (1958) e participou de "Um Candango na Belacap" (1961).

Na TV, começou apenas em 1973, na telenovela "O Bem-Amado", interpretando o personagem Emiliano Medrado.

Ary Fontoura e Rafael de Carvalho

Destacou-se nos filmes: "Macunaíma", "O Doce Esporte do Sexo", "O Trapalhão na Ilha do Tesouro", "Fogo Morto", "Crueldade Mortal", "Gargalhada Final", "Eles Não Usam Black-Tie" e "O Homem que Virou Suco".

Na televisão teve papéis marcantes nas telenovelas O Bem-Amado (sua estreia na TV), Gabriela e Saramandaia (TV Globo), Cavalo Amarelo (ao lado de Dercy Gonçalves) e Rosa Baiana (TV Bandeirantes).

Morreu vitimado por Infarto, logo depois de encerrar as filmagens de "O Baiano Fantasma", de Denoy de Oliveira.

Fonte: Wikipédia