Roberto Leal

ANTÓNIO JOAQUIM FERNANDES
(67 anos)
Cantor, Compositor, Ator e Apresentador de Rádio e Televisão

☼ Macedo de Cavaleiros, Portugal (27/11/1951)
┼ São Paulo, SP (15/09/2019)

Roberto Leal, nome artístico de António Joaquim Fernandes, foi um cantor, compositor e ator português radicado no Brasil. Era considerado embaixador da cultura portuguesa no Brasil. Ao longo da carreira de mais de 45 anos, vendeu milhões de discos e ganhou trinta discos de ouro, além de cinco de platina e quinhentos troféus.

Nascido em Macedo de Cavaleiros, no Distrito de Bragança, Portugal, emigrou para o Brasil aos onze anos de idade, em 1962, juntamente com os pais e nove irmãos, em cinco viagens. Na cidade de São Paulo, após trabalhar como sapateiro e comerciante de doces, iniciou a carreira de cantor de fados e músicas românticas.

Em 1971, obteve o seu primeiro grande sucesso com "Arrebita", conhecida pelo seu refrão "Ai cachopa, se tu queres ser bonita, arrebita, arrebita, arrebita!", após aparição no programa Discoteca do Chacrinha. Logo após, começou a ganhar grande popularidade se apresentando em diversos programas de auditório no Brasil.

Em 1978 participou do filme "Milagre - O Poder da Fé", que contou com participação especial de alguns nomes importantes como o apresentador Chacrinha, Elke Maravilha e a atriz Lolita Rodrigues. Lançado em 1979, o filme aborda a história de sua vida. Dirigido por Hércules Breseghelo, teve partes filmadas na cidade natal do cantor.


Além do repertório romântico-popular, seu trabalho também caracterizava-se por misturar ritmos lusitanos aos brasileiros, além de ter gravado em estilos tipicamente brasileiros como o forró. Quase todo seu repertório é composto de faixas de sua autoria e em parceria com a esposa Márcia Lúcia, com quem foi casado e tinha três filhos brasileiros, dentre eles o produtor musical Rodrigo Leal.

Além de cantor e compositor, Roberto Leal foi apresentador de programas na Rádio Capital de São Paulo na década de 1980, apresentador no canal português TVI e no Brasil, também tendo apresentado programas na TV Gazeta e Rede Vida.

Lançou no ano de 2007 o CD "Canto da Terra" e "Raiç/Raízes" em 2009. Nesses discos gravou músicas em mirandês para divulgar a segunda língua oficial de Portugal. Estes discos lhe conferiram prêmios e condecorações da crítica de música portuguesa pelo estudo aprofundado de instrumentos musicais muito usados na música mirandesa, como as gaitas de fole.

Em sua carreira, Roberto Leal vendeu cerca de 17 milhões de discos e tem mais de trezentas canções gravadas. É um dos compositores do atual hino da Portuguesa de Desportos, de São Paulo. Roberto Leal era também sócio do restaurante de comida portuguesa Marquês de Marialva, em São Paulo, localizado na região de Barueri.


Em 2011 participou do elenco no situation comedy "Último a Sair", um falso reality show da autoria de Bruno Nogueira, João Quadros e Frederico Pombares, exibido pelo canal português RTP1, programa do qual saiu vencedor. Nesse mesmo ano publicou uma autobiografia em um livro intitulado "Minhas Montanhas", sendo lançado tanto no Brasil quanto em Portugal.

Em 2014 fez uma participação em "Chiquititas", atuando como ele mesmo, Roberto Leal, o músico que processa Tobias por usar sua música. Nesse mesmo ano, lançou o CD "Obrigado Brasil!", que incluía alguns sambas de Jorge Aragão e Arlindo Cruz e duetos com Jair Rodrigues, Alcione, Jairzinho e Luciana Mello.

Roberto Leal vivia entre o Brasil e Portugal, além de se apresentar em países da América do Sul, América Central e Europa divulgando a cultura portuguesa. Foram lançadas coletâneas de seus principais sucessos, vendidos tanto no Brasil como em Portugal.

Em 2018 candidatou-se a Deputado Estadual por São Paulo pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), obtendo 8273 votos (0,04% dos votos válidos), não se elegendo.

Doença e Morte

Em janeiro de 2019, Roberto Leal revelou lutar havia dois anos contra um melanoma, mas sofreu com uma metástase para os olhos e a coluna, e que por conta disto havia perdido parte da visão, também devido a catarata.

Roberto Leal faleceu no domingo, 15/09/2019, aos 67 anos, vítima de um melanoma maligno, que evoluiu, atingindo o fígado, causando a síndrome hepatorrenal, e também complicações decorrentes de uma reação alérgica aos medicamentos da quimioterapia.

Roberto Leal estava internado havia cinco dias na unidade semi-intensiva do Hospital Samaritano de São Paulo.

Ele era casado com Márcia Lúcia, havia 45 anos, com que tinha três filhos nascidos no Brasil, e dois netos.

Um dos filhos, o músico Rodrigo Leal, afirmou que a família só revelou a gravidade da doença a Roberto Leal pouco antes de sua morte. Segundo Rodrigo Leal, isso fez com que a vida de seu pai se prolongasse, por não ter parado de trabalhar por causa da doença.

Discografia

  • 1973 - Arrebita
  • 1974 - Lisboa Antiga
  • 1975 - Minha Gente
  • 1976 - Carimbó Português
  • 1977 - Rock Vira
  • 1978 - Terra Da Maria
  • 1979 - Senhora Da Serra
  • 1980 - Obrigado Brasil
  • 1981 - A Banda Chegou
  • 1982 - Foi Preciso Navegar
  • 1983 - Férias Em Portugal
  • 1984 - Baile Dos Passarinhos
  • 1985 - Um Grande Amor
  • 1986 - Dá Cá Um Beijo
  • 1987 - Como É Linda Minha Aldeia
  • 1988 - A Fada Dos Meus Fados
  • 1989 - Em Algum Lugar
  • 1990 - Quem Somos Nós
  • 1991 - Gosto De Sal
  • 1992 - Rumo Ao Futuro
  • 1992 - Romantismo De Portugal
  • 1993 - Raça Humana
  • 1994 - Vozes De Um Povo
  • 1995 - Festa Da Gente
  • 1995 - Canções Da Minha Vida
  • 1996 - O Poder Da Fé, O Milagre De Santo Ambrósio
  • 1996 - Alma Minha
  • 1996 - Refazendo História
  • 1997 - Português Brasileiro
  • 1998 - Forrandovira
  • 1999 - Roberto Canta Roberto
  • 2000 - O Melhor De...
  • 2001 - Vira Brasil
  • 2002 - Reencontro
  • 2003 - Folclore I
  • 2003 - Folclore II
  • 2003 - Sucessos De Verão
  • 2003 - Marchas Populares
  • 2003 - Místico
  • 2003 - Fadista
  • 2003 - Canto A Portugal
  • 2003 - Romântico
  • 2003 - Brasileiro
  • 2004 - De Jorge Amado A Pessoa
  • 2005 - Alma Lusa
  • 2006 - Sucessos Da Minha Vida
  • 2007 - Canto da Terra
  • 2009 - Raiç / Raízes
  • 2010 - Vamos Brindar!
  • 2014 - Obrigado Brasil!
  • 2016 - Arrebenta A Festa

Fonte: Wikipédia

Madre Paulina

AMÁBILE LÚCIA VISINTAINER
(76 anos)
Religiosa e Santa

☼ Vigolo Vattaro, Itália (16/12/1865)
┼ São Paulo, SP (09/07/1942)

Amábile Lúcia Visintainer foi uma religiosa ítalo-brasileira, nascida em Vigolo Vattaro, região de Trento, que fica ao norte da Itália, no dia 16/12/1865. Foi canonizada em 19/05/2002 pelo Papa João Paulo II, recebendo o título de Santa Paulina.

Foi a segunda filha de Napoleone Visintainer (Wiesenteiner) e Anna Pianezzer. Nasceu numa família de poucas posses mas cristãos muito fervorosos que, em 1875, por conta da grave crise econômica e pestes contagiosas que assolavam a Itália, emigraram para o Brasil como muitos outros tiroleses italianos oriundos de Vigolo Vattaro, na região trentina do Tirol que fazia parte do Império Austríaco e depois, do Império Austro-Húngaro, sendo incorporada à Itália somente após a Primeira Guerra Mundial.

Em 1875 a família de Amábile chegou ao Brasil. Foram para o Estado de Santa Catarina, mais precisamente para a região de Nova Trento, onde vários trentinos já estavam morando. Eles foram se estabelecer num vilarejo recém fundado no meio da mata chamado Vigolo. Tudo era muito precário e pobre. As famílias procuravam manter-se unidas para sobreviverem, alimentando o sonho de um dia prosperarem.

Estátua de Madre Paulina - Nova Trento
No vilarejo de Vigolo, Amábile travou amizade com uma menina que a acompanharia por toda a vida: Virgínia Nicolodi. As duas já tinham uma fé sólida e esta afinidade as fez crescer ainda mais na amizade. As duas eram sempre vistas rezando na capelinha de madeira. Elas fizeram a primeira comunhão no mesmo dia. Nessa época, Amábile já tinha doze anos de idade.

O vilarejo de Vigolo crescia aos poucos. Por isso, o padre responsável pela região, chamado Servanzi, iniciou um trabalho pastoral ali. Logo ele percebeu o espírito comprometido e sábio da adolescente Amábile e incumbiu-a de lecionar o catecismo às crianças, além da ajuda aos doentes e de manter limpa a capelinha do vilarejo, que era dedicada a São Jorge. Esta incumbência certamente ajudou a amadurecer a vocação religiosa no coração de Amábile.

Amábile assumiu a missão de corpo e alma, levando sempre consigo a amiga Virgínia Nicolodi. As duas dedicavam-se totalmente à caridade para com os mais pobres, ajudando aos doentes, conseguindo mantimentos para os necessitados, ajudando aos doentes, idosos, crianças, enfim, a todos que precisassem. Amábile e Virgínia começaram a ser reconhecidas por todo o povo italiano que vivia naquela região distante e abandonada do Brasil.

Santuário Madre Paulina - Santa Catarina
Em 1888, Amábile teve o primeiro de três sonhos com a Virgem Maria. Nesses sonhos, Nossa Senhora disse a Amábile:
"Amábile, é meu ardente desejo que comeces uma obra: Trabalharás pela salvação de minhas filhas!"
Amábile respondeu:
"Mas como fazer isso minha Mãe? Não tenho meios, sou tão miserável, ignorante…"
Quando acordou após o terceiro sonho, Amábile assim respondeu em oração:
"Servir-vos Minha querida Mãe… sou uma pobre criatura, mas para satisfazer o vosso desejo, prometo me esforçar o máximo que eu puder!"
Casa onde Santa Paulina cuidou de doentes
Amábile pediu e seu pai a ajudou a construir uma casinha de madeira, num terreno perto da capela, doado por um barão. O casebre se transformaria num pequeno hospital onde Amábile e Virgínia dedicaram-se arduamente ao cuidado dos doentes, mas, também, ao cuidado e à instrução das crianças. As duas nem sabiam, mas ali estava nascendo a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição.

A primeira pessoa doente que Amábile e Virgínia receberam no pequeno hospital, foi uma mulher que tinha câncer, em estado terminal. A pobre não tinha ninguém que pudesse cuidar dela. Assim, as duas assumiram a mulher no casebre. Era dia 12/07/1890. Mais tarde, Amábile e Virgínia consideraram essa data como o dia da fundação da Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição. A Obra iniciou no dia em que as duas amigas começaram a atuar como enfermeiras.

A Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição foi a primeira congregação feminina fundada no Brasil. Pela santidade e necessidade dessa Obra, ela foi aprovada rapidamente pelo bispo de Curitiba, em agosto de 1895.

Quatro meses após a aprovação eclesiástica, Amábile, Virgínia e outra jovem chamada Teresa Maule, fizeram os votos religiosos na Congregação. Na ocasião, Amábile adotou o nome de Irmã Paulina do Coração Agonizante de Jesus. Além disso, ela foi nomeada superiora da pequena congregação. Por isso, passou a ser chamada de Madre Paulina.

A santidade, a caridade e a prática apostólica de Madre Paulina e suas co-irmãs fizeram por atrair muitas outras jovens. Apesar da pobreza e das imensas dificuldades em que as irmãzinhas viviam, o exemplo que elas davam arrastavam. Por isso, muitas jovens ingressaram na Congregação. Elas continuaram a cuidar dos doentes, da paróquia, das crianças órfãs e dos pobres. Além disso, começaram uma pequena indústria da seda para terem como sobreviver e manter as obras de caridade.

Convite Para Se Instalar Em São Paulo

Em 1903, apenas oito anos após a aprovação eclesiástica, o reconhecimento da Congregação já era notório no Brasil por causa da santidade de vida das Irmãzinhas e do trabalho extremamente necessário que realizavam. Por isso, nesse ano, Madre Paulina foi chamada para estender sua obra a São Paulo. Ela viu no convite um chamado de Deus e aceitou o desafio.

Em 1903, Madre Paulina e algumas irmãs chegaram a São Paulo. Lá, foram morar no bairro Ipiranga, ao lado de uma capela. Logo ela iniciou uma obra importante: A obra da Sagrada Família, que tinha como objetivo abrigar ex-escravos e suas famílias após a abolição da escravatura, que tinha acontecido em 1888. Essas famílias viviam em péssimas condições e a obra de Madre Paulina deu a elas um pouco de dignidade.

Algum tempo depois, a obra cresceu em número de irmãs e em ações sociais. Nesse ínterim, Madre Paulina passou a ser perseguida e caluniada por uma rica senhora, chamada Ana Brotero. Esta, ajudava nas obras.

A perseguição foi tanta que, em 1909 o bispo Dom Duarte destituiu Madre Paulina do cargo de superiora da congregação e a exilou em Bragança Paulista, SP. Madre Paulina, num exemplo de obediência, acatou a ordem do bispo, mesmo que em lágrimas de dor. Na ocasião, ela disse:
"Meu  único desejo é que a obra da Congregação continue para que Jesus Cristo seja conhecido e amado por todos!"
No exílio, Madre Paulina sujeitou-se aos trabalhos mais humildes e pesados, sem murmurar nem reclamar, mas entregando tudo ao Senhor.

Nove anos depois do chamado exílio, Madre Paulina foi chamada pelo mesmo bispo de volta à casa geral da Congregação em São Paulo. Suas virtudes de humildade e obediência foram reconhecidas, depois dessa prova de fogo. Por isso, ela foi chamada para viver entre as novas irmãs e servir de exemplo e testemunho cristão para todas. Nesse tempo, destacou-se seu espírito de oração e a grande caridade que tinha para com todas as irmãs, especialmente as doentes.

Em 18/10/1991 foi beatificada pelo Papa João Paulo II por ocasião da sua visita a Florianópolis, SC. Foi por fim canonizada em 19/05/2002 pelo mesmo Papa, recebendo oficialmente o nome de Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus.

Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus é considerada a primeira santa brasileira, mesmo não tendo nascida no Brasil.

Oração a Santa Madre Paulina
"Ó Santa Paulina, que puseste toda a confiança no Pai e em Jesus e que, inspirada por Maria, decidiste ajudar o povo sofrido, nós te confiamos a Igreja que tanto amas, nossas vidas, nossas famílias, a Vida Consagrada e todo o povo de Deus.
(Pedir a graça desejada)
Santa Paulina, intercede por nós, junto a Jesus, a fim de que tenhamos a coragem de lutar sempre, na conquista de um mundo mais humano, justo e fraterno. Amém!"
Pai-Nosso - Ave Maria - Glória

Morte

A partir de 1938, Madre Paulina iniciou um período de grandes sofrimentos físicos. Por causa do diabetes, seu braço direito teve que ser amputado. Depois disso, ficou cega. Foram quatro anos de sofrimentos físicos e de testemunho de fé. Ela permaneceu firme, louvando ao senhor por tudo e sendo cada vez mais amada e admirada pelas irmãzinhas.

Por fim, após quatro anos de dor, no dia 09/07/1942, aos 76 anos de idade, ela entregou sua alma a Deus, Em São Paulo, SP, na casa geral da congregação fundada por ela.

#FamososQuePartiram #MadrePaulina #SantaPaulina

Camilla de Castro

CAMILLA DE CASTRO
(26 anos)
Atriz, Modelo e Transexual

☼ Santo André, SP (20/04/1979)
┼ São Paulo, SP (26/07/2005)

Camila de Castro foi uma atriz pornô, transexual e modelo nascida em Santo André, SP, no dia 20/04/. Camila de Castro foi um raro caso de celebridade nacional que conseguiu transcender às questões de gênero, pornografia, sexo e raça, chegando a ter um quadro fixo no programa SuperPop, da RedeTV!.

Camila de Castro era natural de Santo André, SP, onde morou com as tias até os 19 anos.

Em 1998, após transferir-se para São Paulo, recorreu à prostituição para sobreviver, como a maioria das travestis e mulheres transexuais.

Em 2000 iniciou na carreira de filmes pornográficos. Devido à sua beleza se destacou e em menos de quatro anos de carreira foi capa de pelo menos 10 filmes e apareceu em mais de 20 cenas das produtoras Evil Angel, Angel Elegant e Robert Hill Releasing, atuando com Patricia Araújo, Natasha Dumont, Julio Vidal, entre outras estrelas do cinema pornográfico brasileiro.


Em 2004, conversou com a produção do programa Superpop da RedeTV! - que era acostumado a levar pautas (nem sempre positivas) sobre a população trans - e foi chamada para um reality show amoroso. O quadro visava encontrar um namorado para Camilla, que teria que escolher com qual ela gostaria de se casar. 

Camilla frisava que não escolheria ninguém apenas para "ficar bem na TV" e dispensava sobretudo aqueles que não queriam mostrar o rosto ou que demonstravam não estarem confiantes o suficiente para assumi-la publicamente. Ela falava em casamento, mesmo, de véu e grinalda, enquanto a TV encarava tudo como um show. 

O quadro ainda estava rolando e Camilla tinha uma gravação agendada para a próxima semana quando ocorreu o suicídio. Na época, o então diretor Marcelo Nascimento declarou que a jovem estava bastante deprimida e que algumas sugestões do que teria levado o suicídio era o amor por um rapaz que não a assumia publicamente.

No dia da morte, o programa foi todo sobre Camilla. Um tanto sensacionalista, Luciana Gimenez questionava no ar se era mesmo suicídio, um acidente ou assassinato, enquanto a repórter exibia o sangue em frente ao hotel. Especularam que ela seria soropositiva - o que nunca foi confirmado - e que se prostituía - como se ninguém soubesse.

A Carta de Camilla de Castro

A seguir está a carta escrita por Camilla de Castro quatro meses antes de seu suicídio. Foi publicada em seu blog. Era uma entrevista para Alex Jungle:
"Camilla de Castro - 05/03/2005
Alex Jungle! O que vou expor agora é algo íntimo e pessoal, uma lembrança toda minha, mas que acredito poder trazer mais luz para este espaço (ou não)???
Era uma vez a Camilla.
Camilla tinha saído, aos 19 anos, do teto protetor de suas tias em Santo André e se mudado em definitivo para São Paulo, aonde já cultivara algumas amizades, fruto de suas voltinhas pela noite da cidade (mas os motivos pelos quais deixei a casa de minhas tias e os primórdios de minha carreira na prostituição são coisas que contarei em outra ocasião).
Camilla teve a sorte de ter o primeiro mês de flat, aonde veio a morar, pagos por sua tia. Como já tinha algum conhecimento, passou a trabalhar no telefone durante o dia e à noite na porta do Hotel Grants, celeiro de muitas belezas passadas, presentes e futuras no meio transexual.
E Camilla, que apesar de sentir pela primeira vez a delícia da liberdade de morar sozinha, e de poder contar com o apoio de algumas amigas, começou a desejar, já que tinha atingido o ápice de sua transformação, que tivera início aos 16 anos e que podia se sentir à vontade mesmo entre as mais bonitas de sua "espécie", um algo mais em sua vida: Um namorado.
Dos 16 aos 19 anos, além de não poder contar com a comodidade de namorar em casa, eu me contentei em dar uns amassos em uns e outros quando de minhas saídas pelas boates da moda - coisa que sempre gostei. Mas ela queria, e muito, um alguém. Chegava a sonhar acordada com isso.
Camilla conheceu, então, na porta do hotel uma linda travesti (que não vou dizer quem é) e as duas desenvolveram uma bela amizade. A colega acabara de voltar da Europa, para onde já fora diversas vezes, sempre vitoriosa. Ela e Camilla conversavam sobre os mais diversos assuntos: música, família, trabalho, etc.
Quando, porém, questionada sobre namoros por Camlla, a colega sempre soltava escrachos para ela.
Mas a colega era mais velha, e portanto mais experiente.
Os comentários da colega eram assim: Que eu (Camilla) deveria me mancar e juntar logo o máximo de dinheiro que conseguisse dos homens, já que quem está na chuva..., que não existe amor para as travestis, a não ser o da família (em poucos casos), que os homens nos viam (as travestis) como privadas humanas, onde descarregavam seus desejos mais "loucos" sem sequer olhar para trás depois. E lançou para Camilla um olhar de ironia por perceber que ela estava interessada nas "Coisas do Amor".
Camilla, jovem e inexperiente que era e que nunca havia tido problemas para arranjar namoradinhos (ainda que fossem de uma noite só) e que já esquecera as humilhações da escola, pensou: Essa maluca não quer é me ver feliz! Mas ficou com aquilo na cabeça e pensava em como podia aquela coisa linda que era sua colega ser tão azeda nesse ponto, apesar de linda e rica!
Pois apesar de não ser 100% feminina, ou seja, apesar de não enganar a todos 24 horas por dia, ela era dona de uma beleza quase sobrenatural... de parar o comércio, de virar o pescoço de qualquer marmanjão. Pouco depois, por obra pura do acaso - ou seria destino? - Camilla conheceu um rapaz que a levou para seu apartamento, a título de atração pura e simples, vinda de ambas as partes.
Conheceram-se na rua, beijaram-se e na mesma noite fizeram um sexo alucinado. Surpreendentemente, depois que tudo acabou, ele se mostrou interessado em continuar na casa dela, aonde conversaram até o amanhecer, quando ele saiu para ir trabalhar.
Ele havia se mostrado muito boa pessoa durante o tempo em que ficaram conversando e disse que nunca tinha experimentado nada como aquilo, e que não esperava ser tão bom conhecer um travesti.
Camilla chamou-o à razão e disse que não era nenhum bicho de 7 cabeças... E o dia passou.
À noite, ele, que havia pedido seu telefone, ligou, perguntando se poderiam se ver de novo. Mas ela estava "ocupada", coisa que ele deve ter entendido porque ela não lhe escondera que fazia programas. Marcaram para o outro dia, uma sexta-feira, no apartamento dela. E repetiram a dose , que foi ainda melhor, com descobertas e êxtases para os dois. E nesse clima gostoso, ele acabou ficando lá o fim de semana todo. E na segunda-feira, depois de tudo, ele foi trabalhar com a roupa de sexta. E ligou para ela durante a tarde toda, talvez por carinho ou até ciúmes dos clientes dela. E à noite estava de novo ao lado dela, mas o tom de sua visita já não era mais tão carnal. Perguntou a ela de sua infância, de sua família, de como tinha acabado por fazer programas.
E ela lhe contou tudo. Abriu sua alma para ele. E ele tinha sido o primeiro...
E ela se sentiu no direito de perguntar sobre a vida dele também. Coisas que ele respondeu com o maior prazer, que morava com os pais, que estudava e trabalhava, que era solteiro e não estava com ninguém. Mais uma semana se passou e a proximidade entre o rapaz e ela aumentou, com ele dormindo em sua casa quase todo o dia, ligando toda hora. E Camilla até negligenciou um pouco sua vida para ficar mais com ele. E ela se deixou conquistar por ele, pela presença dele, pela educação dele. E ele não se cansava de elogiá-la, de dizer que ela era a pessoa mais linda que ele já tinha visto, enfim, coisas de quem está apaixonado!
Mas quando, agora, ele ia para o trabalho de manhãzinha, Camilla ficava perdida, encanada, encucada, desajeitada, encurralada, pois um problema começava a se insinuar, lentamente, como uma serpente, como uma nuvem, como uma árvore da maldição: Se eles tivessem que sair juntos, como seria? Se ele tivesse que apresentá-la aos amigos, como seria? À família... E se alguém percebesse, em pleno shopping, que ela não era exatamente uma mulher, como seria? E se ela tivesse de apresentá-lo à suas tias, seria assim tão normal?
Essas eram as dúvidas que atormentavam a cabeça de Camilla e lhe tiravam o prazer de revê-lo durante a noite.
Mas ela também percebia (pois sou ariana pura) que algo nele também estava mudando. Que ele passou a se conter segurando-se para não dar vazão a seu desejo de literalmente assumi-la e mandar tudo para o inferno!
A semente da dúvida fora plantada nela, assim como nele.
E de repente eles eram Adão e Eva, em versão anos 2000, expulsos de seu paraíso particular. Pois se ela era obrigada a namorar escondido dentro de casa, com um homem que se ajoelhava a seus pés e lhe fazia juras de amor eterno, mas que não tinha coragem de ir com ela até a padaria da esquina, ele também deveria estar se amaldiçoando, com o coração dividido entre a razão e o coração.
Sim, pois existem entre os que amam as travestis pessoas sinceras, que não lhes fazem falsas promessas ou querem adestrá-las para satisfazerem seus caprichos, sem enxergarem seu lado pessoa...
Enfim, nesses quase 3 meses em que Camilla suportou ter de ver sua beleza toda relegada à um plano de sonho, visto que era impossível conciliar o preço de sua origem sexual a uma vida de dia a dia, e se ele já não aguentava mais a certeza de não ser corajoso o suficiente para pegar seu sonho pelas mãos e arrastá-lo consigo para a luz do dia, ela preferiu mandá-lo embora. Mandá-lo de volta para o universo que ele conhecia. Que era seguro para ele. Que haviam lhe ensinado ser assim.
Ele pediu mais um tempo, que ela se deu o direito de negar. Estava cansada. E as lágrimas dele não a fizeram mudar, pois ela sabia que ele não seguraria o tranco, que é para poucos, quase nenhum.
Alex Jungle! A Camilla dessa história sou eu.
A Camilla deusa.
A Camilla Alice.
A Camilla desenganada com a vida, que aprendeu de um modo cru que deve ser "Amada e Adorada" em segredo. No escuro da rua... No quarto do hotel barato... Que seu lugar é no reino do Faz de Conta, aonde deve-se estar sempre alegre! Sempre rir!
Mas se por muito tempo a Camilla exibia um olhar sem emoção alguma, um olhar de Medusa que congelava até quem a elogiava, é porque há coisas que não se esquecem, que não se explicam.
E foi ali, naquele ponto, que a Camilla, que antes fazia seus programas sem muitos questionamentos interiores e até por farra, pois não é que eu necessite tanto, percebeu que fazia o que o esquema de sua escolha queria, e não o que eu queria. Que eu já não era mais dona de meu nariz, da minha vida. Mesmo com toda a minha beleza. Mesmo com toda a educação que tive, minhas tias, o escambau.
E decidi virar poeira... Fazer o que "vim para fazer"... E se toda minha educação era vã, para que ser educada então?
Me isolei de tudo e todos. Mas fui mudando... entendendo... Aprendendo a gostar de mim mais um pouco, sacando que não importa como eu vivo. Atrás da cara linda na revista existe algo real, que eu não sou um sonho perfeito, mas que tem um fim, que minhas amigas de verdade e família conhecem e amam! E hoje posso dizer que é preferível sair com 100 homens por noite, que te tratem como um sonho por 1 hora - sempre com educação do que querer fazer parte da vida real de um deles. Porque quem está pagando sabe o que quer, só não sabe ao certo como chegar lá. Já aquele que te tira do eixo, acaba virando um problemão...
Quem é certo? Quem está errado? Quem aqui está se escondendo do que, e porque?
Alex! Contei essa história sem medo de ser vista como a Cinderela de 2004, mas com a certeza de que terá algum proveito. Precisava exorcizar esse demônio.
Não pensem porém alguns incautos que estou ainda derrotada e vencida, à mercê de qualquer tentativa de gozada de graça com a Camilla de Castro travestida de "namorico"!
Como creio que pode agora perceber, não sou nenhuma iludida!
Agradeço ainda a enorme quantidade de e-mails que recebi, além de inúmeras ligações, não só de clientes, mas de amigos também. Espero que esse relato seja usado para o bem, e que não se dê margem para comentários estúpidos.
Grata pela compreensão, 
Camilla de Castro"

Morte

Camilla de Castro faleceu no dia 26/07/2005, aos 26 anos, ao saltar nua do 7º andar de um prédio no centro de São Paulo.

Noticiado como suicídio, o caso chocou a comunidade transexual, uma vez que a jovem era sucesso na televisão, estava no auge da carreira, era considerada uma das mais belas travestis do país, e colocou em debate a difícil vida amorosa de uma travesti.

Fonte: Wikipédia e Facebook
#FamososQuePartiram #CamilladeCastro

Patrícia Araújo

PATRÍCIA ARAÚJO
(37 anos)
Atriz, Modelo e Transexual

☼ Rio de Janeiro, RJ (11/03/1982)
┼ São Paulo, SP (04/07/2019)

Patrícia Araújo foi uma atriz, modelo e transexual nascida no Rio de Janeiro, RJ, no dia 11/03/1982. Patrícia ficou conhecida ao roubar a cena nos desfiles do Fashion Rio de 2009, quando desfilou pela grife Complexo B. No mesmo ano, ela já tinha sido eleita musa de um camarote da Marquês de Sapucaí.

Patrícia Araújo nasceu na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, em uma família de classe média-baixa e evangélica. Foi designada menino ao nascer, mas sempre teve a feminilidade como uma das maiores características. O que facilitou quando revelou ao mundo que era Patrícia e na vivência enquanto pessoa de identidade feminina na sociedade, mas que também a fez enfrentar muitas pelejas ainda na infância e adolescência.
"Sou mulher. Eu sempre me pareci com uma e nunca tive dúvidas sobre a minha sexualidade. Eu ainda era bebê e as pessoas falavam para a minha mãe: Nossa, como a sua filha é linda!"
(Declaração à revista Contigo! em 2013)

Na escola, poucos entendiam quem era aquele "garoto tão garota". E, enquanto os meninos tentavam abusar dela na ida ao banheiro, a diretora da escola a chamava para conversar regularmente por não entender sua feminilidade tão aparente.

Aos 12 anos, deu o primeiro beijo em um colega que se apaixonara por ela. Aos 13 anos, depois de tanto ser pressionada, revelou para a diretora que gostava de garotos. Resultado: Foi expulsa da escola por "mal comportamento". Não havia nessa época nem completado a sétima série.


Em entrevista à revista Marie Claire, Patrícia Araújo disse que a expulsão motivada pelo preconceito institucional foi o seu maior trauma, mas que impulsionou a dar um grande passo em sua vida: Contou tudo para os pais, o segurança Severino Araújo e a dona de casa Terezinha Araújo. Disse com todas as letras que gostava de rapazes e que se sentia na verdade uma mulher.

Ela contou que os pais, apesar de ficarem assustados num primeiro momento, não discriminaram. O irmão mais velho não aceitou, mas na mesma hora o pai interveio, dizendo que independente de qualquer coisa Patrícia era filha dele e que contaria com o apoio.

Aos 13 anos, passou a tomar os primeiros hormônios, por intermédio de uma travesti que morava perto de sua casa. Ela disse que os anticoncepcionais lhe dariam formas delicadas, como de qualquer mulher cisgênera. Apesar de fazer o uso sem acompanhamento médico, o que já era bastante visto como feminino passou a ficar cada vez mais. Com os hormônios, Patrícia também evitou que caracteres secundários atribuídos ao masculino, como barba e pomo de adão, por exemplo, se desenvolvessem em sua puberdade. Transformava-se em uma linda mulher.

Mas se cada vez mais ela fazia as pazes com o espelho e via seus pretendentes aumentarem, era só pisar fora de casa para sentir na pele o peso da transfobia. Patrícia era conhecida como "o travesti do bairro" e era alvo de apontamentos, piadas e chacotas de vizinhos. Tudo piorou quando passou a ser alvo de fofocas e mentiras cada vez mais frequentes. Ela afirmava que foi um período difícil e que tanto preconceito a deixava muito abalada, mas que suportava principalmente porque os pais a respeitavam.


O primeiro relacionamento sério de Patrícia ocorreu quando ela era menor de idade, de 14 para 15 anos. O pretendente era um homem 30 anos mais velho e muito rico, sobre o qual ela nunca gostou de comentar quem era ou o que fazia. Foi ele que a levou para São Paulo, pagou pelas cirurgias no nariz e nos seios e proporcionou a ela uma vida dos sonhos.

Com quatro anos de casada, o homem passou a ter crises de ciúme, começar a vê-la como uma de suas posses e o relacionamento começou a ficar extremamente abusivo. Após a situação ficar insustentável, Patrícia abandonou a vida que levava e voltou para o Rio de Janeiro.

Concluiu os estudos por meio do supletivo, mas ainda assim encontrou dificuldades de  inserir-se no mercado formal de trabalho. A esquina tornou-se sedutora, afinal era onde outras travestis estavam, e também a única opção.

A partir daí ela passou a pagar as contas como profissional do sexo, uma realidade para muitas pessoas trans e travestis do mundo. Segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), estima-se que 90% das travestis do Brasil trabalham como profissionais do sexo, cuja maioria não o faz por escolha, mas devido ao preconceito e imposição social.
"Não é prazer fazer parte de um grupo marginal. Ninguém que se prostitui é totalmente feliz. Olha, a prostituição é como uma droga, um vício, algo que absorve toda a sua energia e te faz escrava. Pode acabar com você. Mas criei um escudo que separa meu corpo da alma. O que vendo é meu corpo, nunca minha alma. E isso liberta!"
(Declaração à revista Marie Claire em 2008)


Com 17 anos, entrou para o cinema pornô, sendo conhecida e anunciada como Patricia Chantily ou Patricia Dollface. O primeiro filme foi "Rogue Adventures 5" (1999), em que fez uma cena dupla com Julio Vidal, que hoje é pastor evangélico, e Fábio Scorpion, ícone do pornô que morreu em 23/11/2004 após uma cirurgia para aplicar silicone na panturrilha. Ela protagonizou outros 11 filmes, sempre como destaque de capa. Chegou a gravar também com Camilla de Castro, travesti ícone de beleza e sua amiga que cometeu suicídio em 26/07/2005.

Após um ano trabalhando e juntando dinheiro, embarcou rumo a Itália. Conseguiu ganhar muito dinheiro e ajudar sua família com bens, como a casa que comprou para os pais. Patrícia revelou que, apesar de ter tido a sorte de não ter se deparado com clientes agressivos, conheceu o lado nada saudável da competição com outras travestis e mulheres trans que faziam programa.
"É um submundo podre e triste. Como todas já sofreram muito, encaram a vida de um jeito duro e predatório. Penei para me adequar!"
Dentre as revelações mais surpreendentes, Patrícia contou que chegou a trabalhar como acompanhante em Dubai, nos Emirados Árabes. Um sheik árabe ficou encantado com a beleza das travestis brasileiras e mandou contratar Camilla de Castro e Patrícia Araújo. Como Camilla de Castro estava passando por problemas pessoais, Patrícia teve que embarcar nessa aventura sozinha.
"Lá eu usava burca para não sofrer preconceito. Fui alertada para só andar com o olhar para baixo e não encarar ninguém!"
(Declarou Patrícia à revista Contigo!)

Beleza e Estrela

Patrícia Araújo já tinha inúmeras fotos e ensaios espalhados pela internet. Os temas variavam entre torcedora do Brasil, colegial e noiva.

Em 2009, foi a primeira modelo travesti a posar quase como veio ao mundo para a capa da revista carioca A Gata da Hora, espaço habituado geralmente por musas cisgêneras,  como a Mulher Melão. Nos cliques, ela aparecia ao lado de Paloma Sanches. Um produtor declarou que a intenção é de que os leitores pudessem compará-las.

Em 2011, a modelo se preparava para o nosso ensaio do Virgula Girl, fotografado por Gabriel Quintão, clicado dentro da extinta Boate Glória, que anteriormente era uma igreja, na Rua 13 de Maio. Ela mesma escolheu o figurino em uma loja especializada em peças sensuais e dividiu com Neto Lucon os custos de uma peça de medalhas que não fazia parte da permuta do espaço. Enquanto provava, conversava com o TV Fama, da RedeTV!, que cobria o ensaio.

Nos bastidores, Neto Lucon sentiu que ela estava um tanto insegura de ser fotografada em algumas partes do corpo, resultado de algumas reações pontuais do silicone industrial - produto que não deve ser aplicado no corpo humano, mas que foi e ainda é frequente na construção da identidade travesti. Mas com um pouco de maquiagem no bumbum e nas pernas, algumas peças que favoreciam e lá estava ela, pronta para trabalhar em fotos sensuais, não eróticas e sem nudez.

Assim que as fotos iniciaram, Patrícia Araújo se transformou totalmente. Era uma modelo que sabia seus melhores ângulos, caras, bocas e uma pessoa que era dona e apaixonada pelo seu corpo. Quase não precisou de direção e em menos de uma tarde tudo estava pronto. Sim, a travesti mais bonita do Brasil não se considerava perfeita, mas tinha algo que fazia questão de pontuar: "Tenho estrela e isso faz a diferença!". De fato brilhava.

A jornalista Mônica Apor, que trabalhava na RedeTV!, esteve lá para uma matéria sobre Patrícia e o título de mais bela do Brasil. A jornalista perguntou ainda se ela não seria uma bela candidata para ser Panicat, num momento em que Nicole Bahls e Juju Salimeni haviam sido afastadas do programa Pânico na TV, da RedeTV!. Patrícia ironizou que era tímida e semanas depois realmente foi cotada. Em seguida, a jornalista quis saber se Patrícia realmente havia ficado com o jogador Adriano Imperador. Ela desconversou: "Minha boca é um túmulo!".

Modelo e Atriz

Com muitos títulos de beleza, fama pelos filmes adultos e frisson pelos ensaios, Patrícia Araújo poderia se manter como uma musa entre as travestis e seus admiradores. Mas foi além. O mais surpreendente é que conseguiu estourar a bolha, driblando o preconceito por ser travesti, o preconceito por ter trabalhado como profissional do sexo e o preconceito por falar sobre todas essas questões abertamente. Tudo conquistado por meio da beleza, da simpatia e da tal estrela que ela sempre mencionava.

Em 2009 caiu nas graças do estilista Beto Neves, da grife Complexo B, que a chamou para desfilar no badalado Fashion Rio. O convite surgiu porque Beto Neves trazia em sua coleção uma homenagem à malandragem e à boemia da Lapa, que reunia muitas tribos, dentre elas as travestis. A presença da modelo new face, que ocorreu um ano antes do fenômeno Lea T, repercutiu na imprensa e rendeu a comparação com Gisele Bündchen.

Graças ao desfile, Patrícia passou a dar entrevistas para programas de televisão, tirar registro para trabalhar como atriz e teve portas abertas para fazer algumas pontas. No mesmo ano, esteve na série "A Lei e O Crime" (2009), da TV Record, em que viveu uma travesti profissional do sexo que se envolve com um galã de novelas e que aparece assassinada. O episódio gira em torno deste assassinato.

Em entrevista ao site NLUCON, em 2011, Patrícia Araújo disse que toda a repercussão do desfile e participações foram realizações, mas que a deixaram assustada. Ela revelou que tentou entrar em uma agência de modelos, mas teve as portas fechadas logo na primeira conversa. O dono da agência declarou que era impossível colocá-la no casting, pois era uma agência de família e muitos pais não gostariam de ver uma travesti ao lado de suas filhas.
"Fora do Brasil é diferente. Em Roma, uma menina me chamou para um trabalho de biquíni.  Acho que o preconceito é quebrado quando a gente consegue a oportunidade!"
(Patrícia Araújo)

Outro convite ocorreu em 2013. Patrícia entrou no elenco da novela "Salve Jorge", da TV Globo, escrita por Gloria Perez. Era a Priscila, uma travesti que havia sido enganada por Wanda (Totia Meirelles) e que foi traficada para a Turquia para se prostituir. Foi ali que Patrícia conseguiu mostrar o lado atriz, com fala, atuação e troca de figurinhas com artistas como Adriano Garib, Nanda Costa e Roberta Rodrigues em pleno horário nobre da TV. Por fim, fez uma ponta no filme "O Vendedor de Passados", com Lázaro Ramos.

Carnaval e Cinzas

Outro ponto alto na trajetória de Patrícia Araújo foi a presença marcante nos carnavais cariocas. Lembrando que as travestis sempre foram ressaltadas no período carnavalesco, seja com bailes voltados para travestis ou com a presença de travestis nos desfiles tradicionais. Vale lembrar que a primeira rainha de bateria na história uma travesti: Eloína dos Leopardos, pela Beija-Flor, em 1976. Já Patrícia Araújo desfilou desde os anos 2000 para a Caprichosos de Pilares, Portela e Grande Rio. Patrícia Araújo chegou a ser musa da Porto da Pedra e destaque da Mocidade.

Em 2007, chegou a passar no tradicional Aviãozinho da Globo e conta que William Bonner ofereceu o elogio, ainda que não a conhecesse: "Bela sois vós entre as mulheres!", ressaltando que era uma das mais belas mulheres do Brasil.

Mas foi em 2014, quando Patrícia representou Alamoa (Uma criatura feminina que seduz marinheiros e pescadores desavisados nas praias de Fernando de Noronha) pela Mocidade, na ala de Fernando de Noronha, que um episódio controverso e trágico aconteceu. Ela estava com os seios à mostra e em lugar de destaque no momento em que um paparazzo começou a tirar fotos estrategicamente de baixo, que mostravam parte de seu genital. A imprensa explorou o flagrante, ressaltou algumas partes do corpo em posições que não a favoreciam, e Patrícia Araújo foi duramente criticada, ofendida e alvo de chacota nas redes sociais.

Diversas pessoas tentaram defendê-la, dizendo que era óbvio que veriam um genital debaixo de seu biquíni ("Esperavam ver um papagaio azul?", como sugeriu Sayonara Nogueira) mas as agressões verbais, críticas e xingamentos - inclusive de pessoas que diziam apoiá-la - foram fortes demais para Patrícia. Houve quem disse que ela fez de propósito para ter mídia e aparecer. Mas todo aquele bafafá e exposição fez Patrícia chorar, querer se recolher e tentar uma vida reclusa.

Vida Pacata e Depressão

Querendo se apoiar no anonimato, Patrícia chegou a ficar um tempo loira, viajou novamente para a Europa e até tentou abrir um salão de beleza no Rio de Janeiro. Em 2016, ela topou falar com o site NLUCON:

"Estou vivendo a vida, cuidando de mim, preferindo ficar mais anônima. Depois de toda a exposição que tive, precisava dar uma sumida, me recolher e pensar em tudo. Tinha muita gente falsa se aproximando, muita energia negativa. E eu sou da paz, do amor e gosto de energias positivas!"
(Patrícia Araújo)

Ao ser questionada se teria desistido da carreira artística, ela declarou:
"Boas oportunidades para travestis aparecem uma a cada década. Então não dá para contar apenas com esse trabalho e nem dá para pensar só nessa carreira. Não é como as atrizes que emendam novelas inteiras e já estão escaladas para as próximas. Para as atrizes travestis e transexuais falta oportunidade de trabalho, da gente mostrar de fato o nosso talento!"
(Patrícia Araújo)

Em 2017, Patrícia Araújo começou a sentir forte depressão, tentou suicídio e conseguiu ser salva a tempo. Ela relatou que uma briga familiar a teria deixado ainda pior, pois nada seria pior que ver balançado este laço.

Morte

Patrícia Araújo faleceu na quinta-feira, 04/07/2019, aos 37 anos, após ter ficado 10 dias internada com problemas de saúde decorrentes de um quadro de depressão no Hospital Municipal Doutor Arthur Ribeiro de Saboya, em São Paulo, SP.

O corpo de Patrícia foi levado para o Rio de Janeiro no sábado, 06/07/2019, e sepultado no domingo, 07/07/2019, na Ilha do Governador, onde nasceu.

Patrícia Araújo tinha apenas 37 anos quando faleceu, fazendo parte da baixíssima expectativa de vida de uma pessoa transexual no Brasil, que é de 35 anos. A morte precoce também alerta para a depressão e a falta de acolhimento às quais pessoas LGBT estão submetidas.

Carreira

Televisão
  • 2007 - Luz do Sol
  • 2009 - A Lei e o Crime
  • 2012 - Salve Jorge
  • 2013 - Amor à Vida

Cinema
  • 2015 - O Vendedor de Passados

Filme Adulto
  • 1999 - Rogue Adventures 5
  • 2002 - Hidden Secrets
  • 2002 - Shemale Yum Takes On Brazilian Transsexuals 3
  • 2003 - Gia Darling's Shemale Slumber Party
  • 2003 - Big-Ass She-Male All-Stars
  • 2003 - She-Male Slumber Party
  • 2003 - Trans X 2
  • 2010 - 33 She Male 3-Ways
  • 2010 - Shemales From Hell
  • 2012 - Monsters Of She Male Cock 27
  • 2013 - Transsexual Teens 10
  • 2016 - Don't Tell My Parents I'm A Tranny 13

Fonte: Wikipédia e NLUCON
#FamososQuePartiram #PatriciaAraujo

Fernanda Young

FERNANDA MARIA YOUNG DE CARVALHO MACHADO
(49 anos)
Atriz, Escritora, Roteirista e Apresentadora

☼ Niterói, RJ (01/05/1970)
┼ Paraisópolis, MG (25/08/2019)

Fernanda Maria Young de Carvalho Machado, ou Fernanda Maria Young, foi uma escritora, roteirista, apresentadora e atriz nascida em Niterói, RJ, no dia 01/05/1970.

Sua formação literária foi em parte constituída durante a travessia da baía de Guanabara em barcas ou ônibus. Dedicou-se aos livros na busca de aperfeiçoamento, influências e distração.

Fernanda Young interrompeu os estudos após a conclusão do ensino fundamental, posteriormente concluindo o médio por meio de um supletivo de seis meses. Frequentou a faculdade de Letras da Universidade Federal Fluminense (UFF), sem chegar a se formar. Ainda viria a cursar jornalismo na Faculdades Integradas Hélio Alonso (FACHA) e, depois de mudar-se para São Paulo e iniciar sua carreira de escritora, virau aluna de Rádio e Televisão na Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), mas não terminaria nenhum dos cursos.

Fernanda Young teria jurado nunca mais pisar em um campus universitário após as experiências, mas atualmente estava cursando Artes Plásticas na Faculdades Integradas Hélio Alonso (FACHA).

Em 1995, foi roteirista do programa de televisão "A Comédia da Vida Privada", da TV Globo.


Em 1996, Fernanda Young lançou seu primeiro romance, "Vergonha dos Pés", que já tem mais de 15 edições. No ano seguinte, lançou "À Sombra de Vossas Asas", que conta a história de amor, obsessão e vingança entre o fotógrafo Rigel, que reaparece no livro "Aritmética", e da aspirante-a-top-model Catarina, que teve os direitos comprados por uma produtora de Hollywood interessada em fazer um filme da história.

A princípio, os livros de Fernanda Young conseguiram boa exposição na mídia devido à sua persona peculiar, suas declarações controversas, sua obsessão com cultura pop e seu visual, construído por cabelos geralmente curtos, grandes tatuagens e, por algum tempo, ostensivas pulseiras de baquelite das décadas de 1920 a 1950.

Em 1998 lançou o romance "Carta Para Alguém Bem Perto", seguido pelo criticado "As Pessoas dos Livros", lançado no ano 2000.

Em 2001, após o lançamento de seu quarto romance, "O Efeito Urano"Fernanda Young retomou a carreira de roteirista de televisão, com "Os Normais". O seriado seria exibido durante dois anos na TV Globo e culminaria em um longa-metragem, lançado em 2003.

Fernanda Young também participaria dos roteiros do quadro "Supersincero" (2005), no programa "Fantástico", e do seriado "Minha Nada Mole Vida" (2006).


Entre 2002 e 2003, Fernanda Young co-apresentou, ao lado de Rita Lee, Mônica Waldvogel e Marisa Orth, o programa feminino "Saia Justa" no canal a cabo GNT.

Seus próximos livros, o romance "Aritmética" e a coletânea poética "Dor do Amor Romântico", sairiam, respectivamente, em 2004 e 2005.

Fernanda Young escreveu uma coluna mensal na revista Claudia e apresentou no canal GNT o programa "Irritando Fernanda Young", um programa de entrevistas com celebridades entre 2006 a 2010.

Em novembro de 2009, fez barulho ao sair nua na revista Playboy, que acabou vendendo acima das expectativas. "Espero que mais mulheres inteligentes e incomuns posem para a revista, cada vez mais nuas e mais livres", disse na época.

Em maio de 2012, estreou no GNT o programa "Confissões do Apocalipse", seguindo a linha de entrevistas com pessoas conhecidas, porém tendo como pano de fundo a previsão maia acerca do fim do mundo, em 21/12/2012, data de sua ultima exibição.


Em 2013, escreveu e atuou como uma das protagonistas da série "Surtadas na Yoga", com 13 episódios na primeira temporada. A série conta a história de três mulheres que fazem yoga para não surtar. As surtadas Jéssica (Fernanda Young), Ana Maria (Flávia Garrafa) e Marion (Anna Sophia Folch) não estão em busca de sexo e de homens. São solitárias, sim, gostariam de encontrar alguém, sim, mas estão mais preocupadas em sobreviver à loucura do mundo - e à loucura própria - com independência e a consciência tranquila. Devido ao sucesso e crescimento de 115% na audiência do GNT em abril de 2014, a segunda temporada entrava no ar com mais 13 episódios. Em outubro de 2014, após três temporadas, a série foi cancelada.

Fernanda Young foi duas vezes indicada ao Emmy Internacional de melhor comédia, pelos seriados "Separação?!" (2010) e "Como Aproveitar o Fim do Mundo" (2012), ambos na TV Globo.

Fernanda Young era casada com o roteirista e escritor Alexandre Machado, com quem teve as gêmeas Cecília Madonna e Estela May. Teve dois filhos adotivos, Catarina Lakshimi, nascida em 10/11/2008, e John Gopala, nascido em 21/07/2009.


Em maio de 2015, lançou seu 11º livro e o 2º de poesias de sua carreira, intitulado "A Mão Esquerda de Vênus", pela Editora Globo. O lançamento aconteceu na Galeria Vermelho em São Paulo.

No cinema, além dos filmes "Os Normais" e "Os Normais 2", participou do roteiro de "Bossa Nova" e "Muito Gelo e Dois Dedos D'Água".

Fernanda Young se preparava para estrear, em São Paulo, a peça "Ainda Nada de Novo", em que contracenava com Fernanda Nobre. A estreia seria em 12/09/2019. Fernanda Nobre disse que a última vez em que falou com Fernanda Young foi na sexta-feira, 23/08/2019. Segundo ela, Fernanda Young "já estava estava com a malinha para ir para o sítio e disse que ia relaxar no fim de semana para se preparar para a peça". Ela havia levado os textos para repassar no fim de semana. Em sua penúltima foto no Instagram, ela aparece no sítio com os textos ao lado. As colegas iam se reencontrar na segunda-feira, 26/08/2019.

Funcionária da TV Globo, seu trabalho mais recente na televisão foi a série original "Shippados", lançada pela Globoplay e estrelada por Tatá Werneck, Eduardo Sterblitch e Clarice Falcão.

Morte

Fernanda Young faleceu na madrugada de domingo, 25/08/2019, aos 49 anos, em Gonçalves, MG, após sofrer uma crise de asma seguida de parada cardíaca.

Fernanda Young estava no sítio da família em Gonçalves, MG, quando passou mal. Ela tinha asma desde a infância. Ela foi levada de ambulância para um hospital da cidade vizinha, Paraisópolis, MG. A equipe médica tentou reanimá-la, mas ela não resistiu. Segundo o Hospital Frei Caetano, de Paraisópolis, ela foi atendida por volta da 1h45 e morreu às 2h53.

O corpo de Fernanda Young foi sepultado na tarde de domingo, 25/08/2019, no Cemitério de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo, por volta das 17h00. 

Em sua última postagem, na noite de sábado, 24/08/2019, Fernanda Young publicou uma foto do seu sítio e escreveu: "Onde queres descanso, sou desejo".

Carreira

Bibliografia
  • 1996 - Vergonha dos Pés
  • 1997 - A Sombra das Vossas Asas
  • 1998 - Cartas para Alguém Bem Perto
  • 2000 - As Pessoas dos Livros
  • 2001 - O Efeito Urano
  • 2004 - Aritmética
  • 2005 - Dores do Amor Romântico (Poesias)
  • 2005 - Melhores Momentos de Os Normais
  • 2007 - Tudo Que Você Não Soube
  • 2009 - O Pau
  • 2012 - A Louca Debaixo do Branco
  • 2016 - A Mão Esquerda de Vênus
  • 2016 - Estragos
  • 2018 - Pos-F

Televisão (Como Atriz e Apresentadora)
  • 1989 - Iaiá Garcia (Minissérie)
  • 1991 - O Dono do Mundo ... Jurema (Atriz)
  • 2002-2003 - Saia Justa (Apresentadora)
  • 2006-2010 - Irritando Fernanda Young (Apresentadora)
  • 2011 - Duas Histéricas (Apresentadora)
  • 2011 - Macho Man (Atriz)
  • 2012 - Confissões do Apocalipse (Apresentadora)
  • 2012 - Saturday Night Live Brasil (Apresentadora, episódio 2)
  • 2013-2014 - Surtadas na Yoga (Atriz)
  • 2016 - TV Mulher (Colaboradora)

Televisão (Como Roteirista)
  • 1995 - A Comédia da Vida Privada
  • 2001-2003 - Os Normais (Série)
  • 2004 - Os Aspones (Série)
  • 2005 - Super Sincero (Quadro do Fantástico)
  • 2006 - Minha Nada Mole Vida (Série)
  • 2007 - O Sistema (Série)
  • 2008 - Nada Fofa (Especial de Fim de Ano)
  • 2010 - Separação?! (Série)
  • 2011 - Macho Man (Série)
  • 2012 - Como Aproveitar o Fim do Mundo (Série)
  • 2013 - O Dentista Mascarado (Série)
  • 2013-2014 - Surtadas na Yoga (Série)
  • 2015 - Odeio Segundas
  • 2017 - Vade Retro
  • 2017 - Edifício Paraíso
  • 2019 - Shippados

Cinema (Como Roteirista)
  • 2000 - Bossa Nova
  • 2003 - Os Normais - O Filme
  • 2006 - Muito Gelo e Dois Dedos d'Água
  • 2009 - Os Normais 2 - A Noite Mais Maluca de Todas

Fonte: Wikipédia e G1
Indicação: Simone Simas, Adriana Simas e Fada Veras
#FamososQuePartiram #FernandaYoung

Athayde Patreze

ATHAYDE DE MELO PATREZE
(63 anos)
Empresário, Apresentador de Televisão e Socialite

☼ Mirassol, SP (20/12/1942)
┼ São Paulo, SP (03/03/2006)

Athayde de Melo Patreze foi um empresário, apresentador de televisão e socialite nascido em Mirassol, SP, no dia 20/12/1942.

Filho de Nestor e Rosaria Gonçalves de Melo, foi herdeiro de uma fortuna deixada por seu pai.

Athayde Patreze iniciou na televisão nos anos 70, na TV Tupi, TV Record e TV Globo, como auxiliar de Silvio Santos.

Na década de 90 teve seus anos de maior sucesso, com o programa "Athayde Patreze Repórter" e, em seguida, com "Ricos e Famosos", ambos no SBT. Athayde Patreze também foi colunista social.

Seus programas cobriam viagens, festas da alta sociedade, principalmente a sociedade paulista, eventos do mundo empresarial e entrevistas com ricos e famosos. Athayde Patreze foi o criador do bordão "Simplesmente Um Luxo" e utilizava sempre um microfone dourado em seus programas, que afirmava ser "de ouro dezoito quilates".


Athayde Patreze possuía apenas um dos rins, pois havia doado o outro ao filho Marcos, nascido de seu primeiro casamento. O outro órgão começou a apresentar problemas com o tempo, obrigando-o a realizar sessões freqüentes de hemodiálise.

Em 2002, Athayde Patreze depôs na CPI do Tráfico de Órgãos na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, pois o mesmo havia declarado semanas antes em um programa da RedeTV! que um médico do Hospital Sírio-Libanês havia lhe oferecido um transplante de rim por 50 mil dólares. Athayde Patreze declarou estar juntando o dinheiro - já havia vendido sua BMW por 25 mil dólares - quando se arrependeu da intenção. Tudo isso está documentado nos anais da CPI de Tráfico de Órgãos e no livro "Transplantes de Orgãos - O Que a Máfia Não Quer Que Você Saiba", de Paulo Pavesi.

No final de sua vida, Athayde Patreze trabalhava simultaneamente na TV Comunitária (UHF) de São Paulo e na TV Milênio (TVA) com o programa "Athayde Patrese, o Repórter".

Athayde Patreze era pai de Marcos, Ricardo, Athayde, Débora e Patrícia.

Morte

Athayde Patreze faleceu por volta das 22h00 de sexta-feira, 03/03/20016, aos 63 anos, na Clínica de Nefrologia Santa Rita, na Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo. Ele sofreu uma arritmia cardíaca logo após terminar uma sessão de hemodiálise, processo de filtragem e depuração do sangue por meio de uma máquina.

Segundo Fernando Morais, amigo da família, Athayde Patrese possuía apenas um dos rins, depois de ter doado o outro a um de seus filhos, Marcos, do primeiro casamento. Com o tempo, o órgão que restou começou a apresentar problemas e Athayde Patrese teve de iniciar o tratamento de hemodiálise - à época ele fazia três sessões por semana. Ele estava a espera de um transplante renal, sem no entanto encontrar um doador compatível.

"Parece que ele pressentia a própria morte", disse Marcelo Serrano, enfermeiro da clínica. Segundo ele, embora não aparentasse qualquer problema, o apresentador teria dito que já tinha vivido bastante e que seu fim estava próximo.

Indicação: Marco Antonio
#FamososQuePartiram #AthaydePatreze