Helena Greco

HELENA GRECO
(95 anos)
Ativista dos Direitos Humanos e Política

* Abaeté, MG (15/06/1916)
+ Belo Horizonte, MG (27/07/2011)

Helena Greco nasceu em Abaeté, MG, em 15/06/1916, filha do italiano Antonio Greco e da mineira Josefina Álvares Greco. Foi casada com José Bartolomeu Greco por 64 anos, e com ele teve três filhos: Marília, Heloísa e Dirceu.

Farmacêutica de formação, graduou-se em Farmácia, em 1937, na Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais, sem nunca ter exercido a profissão formalmente, Helena Greco se tornou referência na luta pelos direitos humanos. Começou a militar aos 61 anos, em 1977, e não parou mais. O primeiro marco de sua participação política foi a luta pela anistia. Helena Greco foi presidente e fundadora do Movimento Feminino pela Anistia-MG, em 1977, e do Comitê Brasileiro de Anistia-MG, no ano seguinte. Em 1979, foi a representante do Brasil no Congresso pela Anistia do Brasil em Roma.

Teve participação ativa em praticamente todos os movimentos e lutas que envolvem o binômio direitos humanos e cidadania. Foi idealizadora e criadora de várias entidades, entre elas, a Coordenadoria de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura de Belo Horizonte, o Conselho Municipal da Mulher, o Fórum Permanente de Luta pelos Direitos Humanos de Belo Horizonte, o Grupo de Trabalho Contra o Trabalho Infantil e o Movimento Tortura Nunca Mais.

Em 2002, foi homenageada pelo Programa Sempre Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com Medalha de Honra UFMG Ex-Aluno, por indicação da Faculdade de Farmácia. Helena Greco é mãe do professor Dirceu Greco, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais.

Em 2005, Helena Greco foi uma das 52 brasileiras que integraram a lista do Projeto Mil Mulheres para o Prêmio Nobel da Paz, iniciativa da Fundação Suíça Pela Paz e Associação Mil Mulheres.

Helena Greco foi a primeira vereadora eleita da capital mineira, nas eleições de 1982 e uma das fundadoras do Partido dos Trabalhadores (PT) na cidade. Exerceu dois mandatos, de 1982 a 1992.

Foi agraciada com vários prêmios e distinções, entre os quais Prêmio Chico Mendes de Resistência (1995), Prêmio Cidadania Mundial (1999) e Prêmio "Che" Guevara (2002). Além disso, foi designada para receber o Prêmio Estadual de Direitos Humanos, em 1998.

A volta dos exilados e a segurança dos perseguidos políticos se tornaram a preocupação de todos os seus dias. Escapou de um atentado a bomba e de uma série de ameaças a sua integridade física. Com a restauração da democracia, Helena Greco seguiu na luta. Participou ativamente do Grupo Tortura Nunca Mais. Elegeu-se vereadora e criou a primeira Comissão Permanente de Direitos Humanos na Câmara Municipal de Belo Horizonte.


Morte

Helena Greco morreu em casa, em Belo Horizonte, aos 95 anos, após apresentar um quadro de pneumonia.

O corpo de Helena Greco, foi velado no Cemitério Parque da Colina, região oeste de Belo Horizonte, na tarde de quarta-feira, 27/07/2011. 

Conhecida no meio político como "Dona Helena", a ex-vereadora deixou três filhos - Marília, Heloísa e Dirceu Greco - , e três netos, Helena, Júlia e Gustavo Greco

Fonte: Wikipédia

Chico da Silva

FRANCISCO DOMINGOS DA SILVA
(75 anos)
Pintor

* Cruzeiro do Sul - Alto Tejo, AC (1910)
+ Fortaleza, CE (1985)

Chico da Silva ou Francisco Domingos da Silva foi um pintor brasileiro de estilo naïf. Arte naïf ou arte primitiva moderna é, em termos gerais, a arte que é produzida por artistas sem preparação acadêmica na arte que executam, o que não implica que a qualidade das suas obras seja inferior.

A vida e a obra de Chico da Silva são das mais intrigantes da História da Arte brasileira. Também demonstra a falta de apoio por parte do governo a um artista talentoso, ainda que simples. Descendente de uma cearense e um índio da Amazônia peruana, Chico da Silva viveu até os dez anos de idade na antiga comunidade de Alto Tejo. Em 1934, a família embarcou para o Ceará, indo morar em Fortaleza, e lá viveu no Pirambu, um dos mais pobres bairros da cidade. Perdeu o pai logo em seguida.

Chico da Silva teve diversas profissões não relacionadas à arte, consertava sapatos e guarda-chuvas, fazia fogareiros de lata para vender, entre outras para ajudar no seu sustento e de sua família.


Em suas andanças pelo bairro, desenhava nos muros brancos das casas, usando carvão ou tijolo e os coloria com folhas. Semi-analfabeto, autodidata, ele pintava sem regras mas com incrível habilidade. Foram esses painéis que chamaram a atenção do artista e crítico suíço Jean-Pierre Chabloz que passou a procurá-lo pela cidade. Pelos moradores da Praia Formosa, Chico da Silva era chamado de "indiozinho débil mental"Jean-Pierre Chabloz perguntou para alguns habitantes quem era o autor daqueles desenhos, mas a constante resposta que ouvia era: "É um cara meio louco. Um caboclo que veio não se sabe de onde; se diverte rabiscando os muros e desaparece, sem deixar endereço!"

Jean-Pierre Chabloz não encontrou Chico da Silva facilmente pois este ao saber que um estrangeiro alto e forte estava a sua procura, fugiu achando que o suíço fosse um dos donos das casas de muros recém ornados por ele. Após o encontro, Jean-Pierre Chabloz ficou admirado com a simplicidade do artista e passou a incentivá-lo.

Jean-Pierre Chabloz passou a ensiná-lo a pintar com guache e  lhe fornecer todo material para suas pinturas além de comprar toda sua produção. Seus quadros eram levados à Europa, antes mesmo de serem conhecidos no Brasil. Por seu intermédio, Chico da Silva expôs, pela primeira vez, no III Salão Cearense de Pinturas e no  Salão de Abril de 1943, em Fortaleza. Em 1945, com outros artistas cearenses, expõe na Galeria Askanasy e, durante a década de 50, suas obras foram vistas em várias galerias da Europa, resultado de um artigo a seu respeito  no Cahiers d’Art, conceituada revista francesa, que o considerou um pintor genuinamente primitivo.


Chico da Silva foi estimulado por Jean-Pierre Chabloz a desenhar e pintar cada vez mais. Essa amizade e confiança mútua foi o suficiente para tornar as obras de Chico da Silva, peças de qualidade para o mundo das artes.

A fama e o dinheiro fartos fazem Chico da Silva se envolver com álcool e mulheres. Tudo que produzia era supervalorizado. Incapaz de produzir tanto o quanto precisava, Chico da Silva recorreu a meninos e meninas do bairro que pintavam seus quadros e ele apenas os assinava. Aproximadamente 90% de seus quadros após 1972 eram falsos. Os aproveitadores o cercavam e seus quadros eram vendidos no mercado, nas calçadas da beira-mar, nas feiras até nas portas dos hotéis, e por valores insignificantes.

Em 1966, em meio a denúncias de falsificação, Chico da Silva foi convidado a expor na XXXIII Bienal de Veneza, onde recebeu menção honrosa. Com um artigo no Jornal do Brasil, intitulado "Chico da Silva, a ingenuidade perdida"Jean-Pierre Chabloz, decepcionado com o rumo que seu pupilo e sua obra tomaram, rompe com ele em 1969.

O processo de decadência de Chico da Silva era evidente. Em 1976, foi internado com cirrose hepática e tuberculose, permanecendo no hospital durante um ano. Embora recuperado, Chico da Silva, jamais recuperou sua arte. Faleceu em 1985, pobre e esquecido.

O maior artista primitivo do Brasil, que imprimia nas suas pinturas toda a mitologia da região amazônica de um modo quase surrealista, e que está representado nas maiores coleções do mundo - como a da Rainha da Inglaterra - nunca teve suporte para estruturar sua carreira, apenas incentivos isolados, que o jogou em um meio desconhecido que o deslumbrou e, dentro do qual, sem orientação, acabou por perder-se.


Estilo

Seu estilo é incomparável. Seus desenhos surgiam de forma espontânea, como involuntários impulsos de sua imaginação. Chico da Silva não teve nenhuma influência de outros estilos nem muito menos de escolas de pintura. Seus traços, inicialmente feitos a carvão, impressionavam pela riqueza de detalhes e abstração. Eram dragões, peixes voadores, sereias, figuras ameaçadoras e de grande densidade e formas. Pintor de lendas, folclore nacional, cotidiano e seres fantásticos.

Na Europa ele é conhecido como o índio de técnica apuradíssima e traços autodidatas de origem inerente à visão tropical da vida na floresta.

Para alguns especialistas seus trabalhos são individuais mas comunitários, pois muitos dos seus quadros foram apenas assinados por ele, pois na verdade estes teriam sido pintados por seus filhos e parentes para aumentar a produção, já que a procura era cada vez maior e cobiçada devido à valorização dos trabalhos no mundo das artes plásticas. Uma pesquisa estimou que 90%, dos quadros posteriores a 1972, eram falsos. Tal acontecimento cercou o artista de aproveitadores que vendiam essas falsificações em qualquer lugar por pequenos preços.


Exposições

Chico da Silva participou de várias exposições em países como França, Suíça, Itália e Rússia. Algumas de suas pinturas foram expostas em Manaus, a cidade mais próxima de sua terra natal onde os seus trabalhos chegaram, mas nunca seus quadros foram apresentados em Rio Branco, AC. Em 1945, expôs na Galeria Askanasy, no Rio de Janeiro.

Indicação: Soraya Alencar Veras

Elsie Lessa

ELSIE LESSA
(86 anos)
Jornalista e Cronista

* São Paulo, SP (05/04/1914)
+ Cascais, Portugal (17/05/2000)

Elsie Lessa foi uma jornalista e cronista brasileira.

De 1952 a 2000, Elsie Lessa escreveu e publicou, sem interrupção, no jornal O Globo. Nenhum outro escritor teve um espaço por tanto tempo nas páginas do jornal.

Na juventude, embora natural de São Paulo, foi considerada uma das duas mais belas mulheres do Rio de Janeiro, a outra era Adalgisa Nery. O cronista Rubem Braga a seguiu pelas ruas de São Paulo, fascinado pela sua beleza e graça.

Entrou em O Globo como repórter, em 1946. Sobre ela, o escritor Ruy Castro disse:

"Elsie tem seu lugar ao lado dos maiores cronistas da língua portuguesa, como Rubem Braga, Paulo Mendes Campos e Fernando Sabino."

Era neta do escritor e gramático Júlio Ribeiro, membro da Academia Brasileira de Letras, e foi casada com o escritor e também imortal Orígenes Lessa, com quem teve um filho, o jornalista, cronista e escritor Ivan Lessa. Foi casada, pela segunda vez, com o jornalista e escritor Ivan Pedro de Martins.

Da esquerda para a direita: Pagu, Elsie Lessa, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Eugênia Álvaro Moreyra
Saudades de Elsie Lessa

Carecem os jornais de hoje de textos que nos queiram tocar a alma, reacender-nos a sensibilidade, proporcionar-nos reflexões sobre as coisas simples da vida. O veículo jornal nada mais é que uma fonte crua e opaca de realidade, que mais nos seda os sentidos que instiga nosso impulso vivificador.

Pensar as singelezas da vida tornou-se atividade sem lugar na esteira incessante dos compromissos que nos aguardam e a reflexão sobre o cotidiano restringiu-se à abordagem de temas tais como violência, corrupção e miséria.

Cada dia mais robotizado na rotina casa-trabalho-casa, ao indivíduo resta "entreter-se" no entorpecimento dos copos de cerveja ou na alienação proporcionada pela caixa mágica que cotidianamente veneramos no calor do lar. Em outras palavras, estamos atrofiando os nossos sentidos. Somos, gradativamente, mais e mais incapazes de nos ater às singularidades, aos detalhes, às sutilezas do mundo que nos cerca. O prazer, cada vez mas indissociável do consumismo e refém das táticas de propaganda e do conceito de propriedade capitalista, torna-nos constantemente insatisfeitos.

Há alguns anos, perdemos uma das nossas mais sensíveis cronistas, Elsie Lessa, cujo lirismo do olhar nos revelava belezas insuspeitadas numa vida predominantemente caótica. Amiga do velho Rubem Braga, com que compartilhava semelhanças e anseios, essa cidadã do mundo (pois residiu em diversas cidades, brasileira e européias) voltava sua curiosidade para tudo aquilo que valesse a pena ser lembrado, contemplado: um sorriso de criança a brincar, um entardecer cor de rosa que nos transforma os sentimentos, a expressão inesperadamente curiosa de um companheiro anônimo de viagem, uma conversa com amigos à beira da praia, um passeio de bicicleta...

Jefferson Ávila Júnior acompanha visita de Elsie Lessa ao Museu Antônio Parreiras

Elsie nos convidava a desviar os olhos da rotina célere e voltá-los para elementos mais simples, resistentes, mas não menos belos, coisas corriqueiras que passam despercebidas por nossa sensibilidade fragilizada, numa tentativa de resgatar um prazer e uma felicidade primordiais. Faz parte dessa iniciativa o apego que a cronista tem por suas memórias. Elsie lança mão das próprias lembranças para, associando-as à memória da cidade (ou das cidades por onde passou), resgatar a sua própria história do esquecimento gradativo, causado pelo excesso de atribuições e informações do presente. Degustar novamente pela via da memória um doce que se comia na infância, comprado numa barraquinha que não mais existe; relembrar os livros que se lia na juventude, debaixo de uma árvore, comendo pão com manteiga; reconhecer-se emocionada e surpreendida diante da casa onde residiu na infância, tão igual a antes, mas tão oprimida pelas grandes construções modernas... Eis alguns exemplos hábitos e sensações que se quer proteger do fenecimento. Essa atitude revela a necessidade da escritora em colecionar experiências significativas e contáveis para dividi-las com o público leitor. Este, impulsionado didaticamente pela proposta da autora, vê-se incitado a fazer o mesmo e a reencontrar um prazer adormecido. E ao se permitir enxergar o mundo com olhos lúdicos, reata laços afetivos com a cidade - agora não somente agente de violência, mas também fonte de deleite – recobrando a capacidade de encontrar satisfação em coisas simples. Não se trata de fechar os olhos para os dilemas e dificuldades da vida, mas sim de impedir que eles amortizem a nossa sensibilidade, desumanizando-nos.

Para aqueles que desejem "experimentar" as crônicas lessianas, há as coletâneas "A Dama da Noite", "Ponte Rio-Londres" e "Canta Que a Vida é Um Dia". Permita-se reencontrar sua alma infantil e faça as pazes com o mundo e com a vida.

Aline Aimée Carneiro de Oliveira

Pedro Raymundo

PEDRO RAYMUNDO
(67 anos)
Cantor, Compositor e Acordeonista

* Imaruí, SC (29/06/1906)
+ Rio de Janeiro, RJ (09/07/1973)

Pedro Raymundo foi um acordeonista , compositor e cantor regionalista brasileiro, em evidência nos anos 40 e 50, principalmente com a música "Adeus, Mariana". Iniciou-se com música gauchesca, e, transladando-se para o Rio de Janeiro ficou conhecido como o Gaúcho Alegre do Rádio. Por sempre se apresentar "pilchado" (ou seja, com a roupagem característica de gaúcho), acabou inspirando Luiz Gonzaga a se apresentar com a roupagem característica dos vaqueiros.

Pedro Raymundo nasceu em berço pobre, e seu pai, João Felisberto, era pescador e sanfoneiro. Aos 8 anos começou a tocar sanfona. Até os 17 anos trabalhou como pescador. Trabalhou na Estrada de Ferro Esplanada-Rio Deserto, em Santa Catarina.

Em 1929, mudou-se para Porto Alegre, onde trabalhou como condutor de bondes, inspetor de tráfego, guarda-freios, maquinista de usina, balconista e oleiro. Foi também chaveiro da Estrada de Ferro Dona Teresa Cristina, onde foi vítima de um acidente que lhe deixou um defeito na mão, o que, entretanto, não o impediu de tornar-se um dos mais brilhantes sanfoneiros do Brasil.

Em sua cidade natal participou da Banda Amor e Ordem, que se apresentava em festinhas. Em Porto Alegre, apresentou-se como sanfoneiro em bares e cafés do Mercado. Em 1939, passou a trabalhar na Rádio Farroupilha, onde organizou o Quarteto dos Tauras. Em 1942, realizou excursão pelo interior do Rio Grande do Sul. Nesse período com o Quarteto dos Tauras se dedicou à divulgação do gênero campeiro.


Em 1943, organizou um livro de ouro e angariou fundos para seguir para o Rio de Janeiro onde deu seqüência à sua carreira. Se apresentou na Rádio Mayrink Veiga, no "Show Muraro". Apresentou-se também em programas na Rádio Tupi, Rádio Tamoio, Rádio Guanabara e Rádio Globo. Por iniciativa do radialista e cantor Almirante, foi contratado pela Rádio Nacional e mudou-se para o Rio de Janeiro. No mesmo ano gravou pela Columbia seu primeiro disco, interpretando de sua autoria o choro "Tico-Tico no Terreiro" e o xote "Adeus, Mariana", que logo se tornou um sucesso de norte a sul. No mesmo ano gravou pela Continental, de sua autoria, a valsa "Saudade de Laguna" e o xote "Se Deus Quiser".

Em 1945, recebeu o título de "Gaúcho Alegre do Rádio". Foi um dos maiores criadores de xotes e músicas gauchescas alegres. Tornou-se o primeiro artista do sul do país a obter sucesso nacionalmente. Apresentava-se vestido com trajes típicos gaúchos.

Em 1949, atuou no filme "Uma Luz Na Estrada", de Alberto Pieralise. Em 1958, participou do filme "Natureza Gaúcha", de Rafael Mancini.

Pedro Raymundo gravou mais de 50 discos em 78 rpm.

Faleceu vítima de câncer no Hospital da Lagoa no Rio de Janeiro em 07/07/1973.

Em 1984 o cantor Sérgio Reis regravou "Adeus Mariana". Em 1986, foi publicado um livro sobre a vida de Pedro Raymundo de autoria de Israel Lopes e Vitor Minas, pela Editora Tchê, de Porto Alegre.

Em 2003, o selo Revivendo lançou o CD "Saudade de Laguna" com composições do artista, entre as quais, "Tico-Tico No Terreiro", "De Galho Em Galho", "Manhoso", "Lamentos", "Contigo No Pensamento", "O Carreteiro", "Flor Brasileira", "Se Deus Quiser", "Meu Cavalo Parelheiro", "Morena Faceira", "Gauchinha", "Gaúcho Largado", "Adeus Moçada", além da clássica "Adeus Mariana", seu maior sucesso.

Discografia

  • 2003 - Saudade de Laguna (Revivendo - CD)
  • 1967 - Adeus, Mariana - Pedro Raymundo e Sua Música (Continental - LP)
  • 1961 - Sanfoninha Velha Amiga / Escadaria (Continental - 78)
  • 1961 - É Mentira Dele / O Baião Da Esperança (Chantecler - 78)
  • 1960 - São João Que Passou / Quadrilha No Arraiá (Chantecler - 78)
  • 1957 - Palhaço / Angústia (Odeon - 78)
  • 1957 - São João Em Pernambuco / Minha Promessa (Odeon - 78)
  • 1956 - Juiz De Fora / Mexendo Com A Gente (Odeon - 78)
  • 1956 - Feio De Sorte / A Nossa Valsa (Odeon - 78)
  • 1956 - Quadrilha No Arraiá / Meia Canha (Odeon - 78)
  • 1955 - Amor De Gaúcho / Lindo No Mas (Odeon - 78)
  • 1955 - Casamento Da Rosinha / Arrasta-pé (Odeon - 78)
  • 1955 - Culpado / Ladrão De Moça (Odeon - 78)
  • 1954 - Sandunga / Mara (Odeon - 78)
  • 1954 - Maria Fogueteira / Oração De Junho (Odeon - 78)
  • 1954 - Oriental / Saudade De Laguna (Odeon - 78)
  • 1953 - Vivo Solito / Sanfoneiro Bom (Continental - 78)
  • 1953 - Baião Alvorada / Felicitações (Odeon - 78)
  • 1953 - Paulicéia / Nossa Senhora Do Rocio (Odeon - 78)
  • 1953 - Festa No Arraiá / Pedido A São João (Todamérica - 78)
  • 1952 - Baião De Três / Baião Do Havaí (Continental - 78)
  • 1952 - Pulando A Fogueira / Pobre Sanfoneiro (Continental - 78)
  • 1952 - Linda Paulistinha / Malandrinho (Continental - 78)
  • 1951 - Boi Barroso / Lajeaninha (Continental - 78)
  • 1951 - Antigamente / Milonguita (Continental - 78)
  • 1951 - A Carta De Mariana / Querência Amada (Continental - 78)
  • 1951 - Pingo Mulato / Oriental (Todamérica - 78)
  • 1951 - Fanfarronada / Mágoas De Sanfona (Todamérica - 78)
  • 1951 - Baú Velho / Corre, Corre, Meu Cavalo (Todamérica - 78)
  • 1950 - Festa Na Fazenda I / Festa Na Fazenda II (Continental - 78)
  • 1950 - Levanta O Pé, Velhada / Luar Catarinense (Continental - 78)
  • 1950 - Meu Cavalo Branco / Tricolor (Continental - 78)
  • 1950 - Laranjeira Carregada / Prece (Continental - 78)
  • 1949 - Dança Da Quadrilha / Pinheirinho Copado (Continental - 78)
  • 1949 - Saudade De Querência / Trocando Idéia (Continental - 78)
  • 1948 - Tá Tudo Errado / Contemplando O Firmamento (Continental - 78)
  • 1948 - Dança Vovó / Desgraça Pouca É Bobagem (Continental - 78)
  • 1948 - Prenda Minha / Cavalinho Crioulo (Continental - 78)
  • 1947 - Chico Da Ronda / Na Casa Do Zé Bedeu (Continental - 78)
  • 1947 - Adeus, Mocidade / Nem É Bom Falar (Continental - 78)
  • 1946 - Gaúcha Malvada / Sofrer Sorrindo (Continental - 78)
  • 1946 - Calanguinho Bom / Cavalinho Crioulo (Continental - 78)
  • 1946 - Dança Da Fogueira / Festa Na Roça (Continental - 78)
  • 1946 - Puladinho / Tira Cisma (Continental - 78)
  • 1945 - Gauchinha / Manhoso (Continental - 78)
  • 1945 - Segura O Bonde! / Trenzinho Do Amor (Continental - 78)
  • 1945 - Meu Coração Te Fala / Mexeriqueira (Continental - 78)
  • 1945 - Pensando Em Ti / Rancho Triste (Continental - 78)
  • 1945 - Saudade Do Rincão / Pulando Muro (Continental - 78)
  • 1945 - Gauchada / Mágoas De Amor (Continental - 78)
  • 1945 - Índio Vago / Falando À Nossa Felicidade (Continental - 78)
  • 1945 - Provocando / Prenda Minha (Continental - 78)
  • 1945 - Brincando Na Areia / Mariana No Samba (Continental - 78)
  • 1944 - O Carreteiro / Contigo No Pensamento (Continental - 78)
  • 1944 - Meu Cavalo Parelheiro / Escadaria (Continental - 78)
  • 1944 - De Galho Em Galho / Morena Faceira (Continental - 78)
  • 1944 - Gaúcho Largado / Cuidado Maneca (Continental - 78)
  • 1944 - Flor Brasileira / Lamentos (Continental - 78)
  • 1944 - Súplica / Adeus, Moçada (Continental - 78)
  • 1943 - Tico-Tico No Terreiro / Adeus, Mariana (Continental - 78)
  • 1943 - Saudade De Laguna / Se Deus Quiser (Continental - 78)

Djalma Santos

DEJALMA DOS SANTOS
(84 anos)
Jogador de Futebol

* São Paulo, SP (27/02/1929)
+ Uberaba, MG (23/07/2013)

Dejalma dos Santos, mais conhecido como Djalma Santos, foi o maior lateral direito de todos os tempos no Brasil e no mundo. É considerado também o maior lateral direito da história do Palmeiras, da Portuguesa e do Atlético Paranaense. Foi eleito por especialistas no mundo todo como o maior lateral direita da história do futebol, incluindo revistas, jornalistas e meios de comunicação, como por exemplo, Revista Placar em 1981; Revista Venerdì Magnifici 1997; A Tarde Newspaper em 2004; e novamente na revista Revista Placar em sua última pesquisa.

Djalma Santos disputou mais de cem partidas pela Seleção Brasileira de Futebol, incluídas as copas de 1954, 1958, 1962 e 1966.

Na final da Copa do Mundo de 1958 entrou no lugar do titular De Sordi, contundido e, em apenas noventa minutos, foi eleito o melhor jogador da posição no Mundial.

Djalma Santos fez história nos três grandes clubes por onde passou, jogador exemplar, jamais foi expulso de campo. Na Portuguesa, fez parte de uma das melhores equipes do clube em todos os tempos. Ao lado de jogadores como Pinga, Julinho Botelho e Brandãozinho, conquistou o Torneio Rio-São Paulo em 1952 e 1955 e Fita Azul em 1951 e 1953.

Djalma Santos é também o segundo maior recordista de jogos disputados pelo clube, 434 no total, ficando atrás apenas de Capitão, com 496 partidas.

No Palmeiras, com 498 jogos, é o sétimo jogador que mais vestiu a camisa do palestra, conquistou o Campeonato Paulista em 1959, 1963 e 1966; os Brasileiros de em 1960 e 1967 e a Taça Brasil de 1967, torneios que classificam para a Libertadores da América, e, além disso, venceu o Torneio Rio-São Paulo em 1965.

Em 1963, foi o único brasileiro a integrar a Seleção da FIFA que enfrentou a Inglaterra em um amistoso no estádio de Wembley, na Inglaterra.

Pelo Atlético Paranaense, o lateral jogou até os 42 anos de idade, outro verdadeiro recorde para jogadores de futebol.

Uma jogada que sempre fazia era a forte cobrança do arremesso lateral, jogando a bola sempre dentro da área adversária.

Atualmente, Djalma Santos vivia com sua esposa, Esmeralda Santos, na cidade de Uberaba, em Minas Gerais.


Morte

No dia 23/07/2013, o craque visto por muitos como o melhor lateral-direito de todos os tempos deixou a vida, aos 84 anos, em Uberaba, interior mineiro, onde morava há duas décadas. Segundo nota divulgada pelo Hospital Drº Hélio Angotti, o ex-jogador morreu às 19:30 hs  em decorrência de uma pneumonia grave e instabilidade hemodinâmica, culminando com parada cardiorrespiratória. Djalma Santos estava hospitalizado desde o dia 01/07/2013.

Títulos

  • Copa do Mundo: 1958 e 1962
  • Campeonato Brasileiro: 1960, 1967 (Taça Brasil) e 1967 (Torneio Roberto Gomes Pedrosa)
  • Torneio Rio-São Paulo: 1952, 1955 e 1965
  • Campeonato Paulista: 1959, 1963 e 1966
  • Campeonato Paranaense: 1970

Fonte: Wikipédia

Dominguinhos

JOSÉ DOMINGOS DE MORAES
(72 anos)
Cantor, Compositor e Sanfoneiro

☼ Garanhuns, PE (12/02/1941)
┼ São Paulo, SP (23/07/2013)

Conhecido como Dominguinhos, foi um instrumentista, cantor e compositor brasileiro. De talento precoce e sendo autêntico herdeiro artístico de Luiz Gonzaga, tornou-se a partir da morte deste o sanfoneiro mais importante do país e reconhecidamente um dos maiores instrumentistas da Música Popular Brasileira. Realizou gravações antológicas com nomes como Chico Buarque, Gilberto Gil, Djavan e o próprio Luiz Gonzaga.

Seu pai, Mestre Chicão, foi um famoso tocador e afinador de foles de oito baixos. Começou a tocar sanfona aos seis anos de idade, juntamente com mais dois irmãos, em feiras livres e portas de hotéis do interior de Pernambuco. Com oito anos de idade, conheceu Luiz Gonzaga na porta de um hotel em que este se apresentava com o trio "Os Três Pinguins", formado por ele e mais dois irmãos. Luiz Gonzaga acabou se tornando o seu padrinho artístico.

Em 1954, mudou-se para o Rio de Janeiro, indo morar com o pai e com o irmão mais velho no município de Nilópolis, na Baixada Fluminense. Nesta ocasião, recebeu do padrinho Luiz Gonzaga uma sanfona de presente.

Seu nome artístico foi uma sugestão de Luiz Gonzaga, que considerou que o apelido de infância, "Neném", não o ajudaria na trajetória artística. Com a sanfona ganha do próprio Gonzagão, passou a percorrer o interior do Rio de Janeiro na companhia dos irmãos, apresentando-se em circos e arrasta-pés.

Em 1957, aos 16 anos, fez sua primeira gravação, tocando sanfona num disco de Luiz Gonzaga, na música "Moça de Feira" (Armando Nunes e J. Portela). No mesmo ano, em viagem ao Espírito Santo, com Borborema e Miudinho, formou um trio, batizado de Trio Nordestino. Tomou contato com outros ritmos musicais e aprendeu a tocar samba e bolero. Voltou ao Rio de Janeiro e formou um conjunto que passou a atuar em dancings, boates e inferninhos nas zonas da malandragem. Tocou na gafieira Cedo Feita, Churrascaria Gaúcha, Boate Babalaica e Dancing Brasil. Ainda na década de 1960, tocou no regional do Canhoto juntamente com Meira, Dino e Orlando Silveira acompanhando artistas de rádio.

Em 1965, foi convidado por Pedro Sertanejo, então diretor da recém-inaugurada gravadora Cantagalo, para gravar um LP destinado ao público migrante nordestino e, com isso, voltou a tocar forrós e baiões.

Em 1967, fez parte de uma excursão de Luiz Gonzaga ao Nordeste, como sanfoneiro e motorista. Também fazia parte do grupo a cantora pernambucana Anastácia. Os dois iniciaram então uma carreira artística conjunta e um relacionamento amoroso, que os levou ao casamento. Observado pelo empresário Guilherme Araújo tocando num show de Luiz Gonzaga, em 1972, foi convidado por ele a trabalhar com Gal Costa e Gilberto Gil. Viajou para a França com Gal Costa, acompanhando a cantora baiana em apresentação no Midem, em Cannes. De retorno ao Brasil, participou do show "Índia", da mesma cantora. Posteriormente, trabalhou um ano e meio com Gilberto Gil que  gravou o maior sucesso de Dominguinhos, em parceria com Anastácia, "Eu Só Quero Um Xodó", que conheceria em pouco tempo cerca de 20 regravações, inclusive algumas no exterior. Dominguinhos participou como instrumentista de inúmeros shows de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa e Maria Bethânia. Participou do primeiro disco gravado por Elba Ramalho, "Ave de Prata" (1979).


Em 1980, participou do II Festival Internacional de Jazz de São Paulo. Em 1981, participou, com destaque, do programa "Som Brasil", na TV Globo. Na década de 1980, suas composições "De Volta Pro Meu Aconchego", em parceria com Nando Cordel, gravada por Elba Ramalho, e "Isso Aqui Tá Bom Demais", em parceria com Chico Buarque, e gravada pelos dois, foram incluídas na novela "Roque Santeiro", da TV Globo, o que fez aumentar nacionalmente sua popularidade.

Em 1984, o cantor e compositor Chico Buarque gravou em seu disco "Chico Buarque" a composição "Tantas Palavras", parceria de Chico Buarque e Dominguinhos, que obteve grande sucesso.

Em 1985, a composição "Esse Mato, Essa Terra", composta em parceria com a cantora, sua esposa, Maria de Guadalupe, foi incluída na trilha sonora do filme "Aventuras De Um Paraíba", de Marco Altenberg.

Em 1993, Dominguinhos, criou o "Projeto Asa Branca", com patrocínio da Caixa Econômica Federal, destinado a levar shows de música popular para praças públicas de diversos estados brasileiros.

Em 1997, lançou o CD "Dominguinhos e Convidados Cantam Luiz Gonzaga", pela gravadora Velas. No mesmo ano, compôs a trilha sonora do filme "O Cangaceiro", de Anibal Massaini Neto. Teve suas composições registradas por diferentes intérpretes, entre os quais Fagner, que gravou "Quem Me Levará Sou Eu" e Maria Betânia, que gravou "Lamento Sertanejo".

Em 1999 lançou pela gravadora Velas o seu 41º disco, "Você Vai Ver O Que É Bom", no qual interpreta, entre outras: "O Riacho Do Imbuzêro", letra inédita de Zé Dantas, dada a Dominguinhos pela viúva do compositor pernambucano; "Quem Era Tu", parceria com Nando Cordel, que faz uma homenagem bem-humorada aos grupos É o Tchan e Terra Samba; e "Prece a Luiz", em parceria com Climério, uma homenagem a Luiz Gonzaga nos 10 anos de sua morte.

Em 50 anos de carreira recebeu seis Prêmios Sharp. Em 2000 lançou o 54º trabalho, gravado ao vivo durante dois shows no Sesc Pompéia, em São Paulo, com destaque para "De Volta Pro Meu Aconchego", "Gostoso Demais", ambos de sua autoria, "Abri A Porta" e "Forró Do Dominguinhos", em parceria com Gilberto Gil, e "Isso Aqui Tá Bom Demais", parceria com Chico Buarque. O CD foi lançado com um show na casa de espetáculos Olimpo, no Rio de Janeiro. Em seguida fez shows em São Paulo e realizou turnê pelo Nordeste.


Em 2001 foi o grande homenageado no 11º Festival de Inverno de Garanhuns, sua cidade natal, com um concerto sinfônico. No mesmo ano, participou do Primeiro Festival de Sanfona do Maranhão juntamente com Waldonys, Sivuca, Renato Borghetti, o argentino Antonio Tarragô e os norte- americanos Geno Delafose e Mingo Saldival.

Em 2002, teve participação especial, com seu acordeom, no CD "Sertão", lançado por Gereba, em comemoração aos 100 anos do lançamento do livro "Os Sertões", de Euclides da Cunha.

No início de 2003, gravou com Sivuca e Oswaldinho do Acordeon um disco que registrou o encontro de três dos maiores sanfoneiros em atividade no país, produzido por José Milton, com repertório escolhido na hora e arranjos feitos no próprio estúdio, no qual aparecem composições como "Maria Fulô" e "Feira De Mangaio", de Sivuca, além de muitas de autoria de Luiz Gonzaga, resultando numa homenagem natural ao Rei do Baião. Ainda nesse ano, participou na Fundição Progresso, Rio de Janeiro do show comemorativo dos 45 anos do Trio Nordestino. Ainda em 2003, participou do projeto "Todos Cantam Zé Dantas & Luiz Gonzaga", um CD lançado pela Som Livre, em que grandes nomes da música brasileira interpretaram as principais obras que Luiz Gonzaga e Zé Dantas compuseram juntos. No disco, interpretou "Riacho Do Imbuzeiro". Do projeto, também participaram artistas como Chico Buarque, Gilberto Gil, Gonzaguinha, Sérgio Reis, Alceu Valença e Elba Ramalho.

Em 2004, apresentou-se fazendo dupla com Elba Ramalho, em temporada de shows no Canecão, Rio de janeiro. O repertório contou com sucessos de carreira da cantora e do compositor como "De Volta Para O Aconchego", parceria de Dominguinhos com Nando Cordel,  além de levar ao palco surpresas como a composição "Xote Da Navegação", de Dominguinhos e Chico Buarque. No mesmo ano, o cantor e compositor Targino Gondim gravou a sua música "Xote Do Coice", no CD "Targino Gondim - Ao Vivo".

Em 2005, a cantora Elba Ramalho lançou um CD que registrou a temporada de show no Canecão com o sanfoneiro, revivendo grandes obras deste que foram grandes sucessos em sua interpretação. No CD, Elba Ramalho que afirma ser Dominguinhos um dos maiores músicos do mundo, respaldada por muitos artistas como Gilberto Gil e Chico Buarque, além do maestro Hélio Sena, revive, entre outros, o clássico de sua carreira "De Volta Para O Aconchego". Apenas uma canção "Chama", não é de autoria do sanfoneiro, sendo atenção de Elba Ramalho a Tato, vocalista do grupo Falamansa. Nesse mesmo ano, participou, como atração consagrada, nos festejos juninos do circuito tradicional nesses eventos, que engloba cidades nordestinas como Caruaru, Campina Grande e Recife. Ainda em 2005, teve participação especial no DVD ao vivo do cantor e compositor Jorge de Altinho, na música "Sanfona Sentida", parceria sua com Anastácia.

Em 2006, após cinco anos sem lançar disco solo, lançou o CD "Conterrâneos", com repertório que mescla inéditas, como "Vivendo A Brincar", "Cai Fora", "Oi Que Balanço Bom" e regravações como "Acácia Amarela", parceria de Luiz Gonzaga com Orlando Silveira.  A toada "Carece De Explicação", com Clodo Ferreira, "Tempo Menino",  o côco "Gavião Peneirador", com Marcos Barreto e "Feito Mandacaru". A faixa-título, "Conterrâneos", conta com a participação da cantora Guadalupe. O disco, que  traz capa de Elifas Andreato, conta também com a participação do sanfoneiro Waldonis, na quadrilha "Eita Paraíba", de Chico Anysio e Sarah Benchimol. O disco lhe conferiu o Prêmio - 2007, na categoria Regional - Melhor Cantor. No mesmo ano, participou do primeiro disco solo de sua filha, Liv Moraes, fazendo o arranjo e tocando acordeom em algumas faixas. Teve também suas músicas "Retrato Da Vida", com Djavan, "Dedicado A Você", com Nando Cordel, "Ninguém Melhor Que Você" "Casa Tudo Azul" com Fausto Nilo, gravadas no CD, que foi lançado pela gravadora Eldorado.


Em 2008, foi o grande homenageado no Prêmio Multishow. Na ocasião do show de entrega dos prêmios, apresentou-se em duetos, em oito números. No mesmo ano, apresentou-se com Alceu Valença na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro no projeto "Pé No Mundo", interpretando seus sucessos.

Em 2009, gravou, no maior teatro ao ar livre do mundo, o Nova Jerusalém, em Pernambuco, o DVD "Dominguinhos Ao Vivo", que contou com as participações especiais de Elba Ramalho, Renato Teixeira, Liv Moraes, Waldonys, Cezinha, Guadalupe e Jorge de Altinho. Em 2009, foi responsável, ao lado de Sandro Haick e Pepe Cisneros, pelos arranjos do CD "É Você", o segundo de sua filha, Liv Moraes. No disco, lançado pela Atração Fonográfica, realizou participação especial na faixa "Doce Princípio", parceria sua com Climério, além de tocar acordeom em várias faixas.

Em março de 2010, participou do programa "Emoções Sertanejas", da Rede Globo, interpretando, com Paula Fernandes a música "Caminhoneiro", versão de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, para canção de John Hartford. O programa teve como objetivo homenagear o cantor e compositor Roberto Carlos e recebeu como convidados, em um mega-show, no Ginásio do Ibirapuera em São Paulo, grandes nomes da música sertaneja como Almir Sater, Bruno & Marrone, César Menotti & Fabiano, Chitãozinho & Xororó, Daniel, Elba Ramalho, Gian & Giovani, Leonardo, Martinha, Milionário & José Rico, Nalva Aguiar, Paula Fernandes, Rio Negro & Solimões, Roberta Miranda, Sérgio Reis, Victor & Léo e Zezé di Camargo & Luciano. Ainda em 2010, a gravadora Biscoito Fino lançou o CD "Lado B - Dominguinhos e  Yamandú Costa", trazendo um dueto entre os dois músicos. Continuando 2010, foi contemplado com o Prêmio Shell de Música, pelo conjunto de sua obra. No mesmo ano, lançou o DVD "Iluminado Dominguinhos", um projeto que contou com o apoio do Ministério da Cultura. Do álbum, participaram especialmente os artistas Elba Ramalho, Wagner Tiso, Gilberto Gil, Yamandu Costa, Waldonys e Gilson Perazzeta. No fim de 2010, participou  e foi o homenageado principal do 2º Festival Internacional da Sanfona, realizado em Juazeiro, BA. Apresentou-se no mesmo dia com Laudiston Bagagi, Sexteto Pernambucano de Acordeon, Renato Borghetti e Cezinha.

Em 2011, participou do "São João Carioca", evento realizado pela prefeitura do Rio de Janeiro, na Quinta da Boa Vista, comemorando a passagem dos festejos juninos. No evento cantou e acompanhou Elba Ramalho, Gilberto Gil e o jovem cantor sertanejo Gusttavo Lima. O evento levou ao palco montado naquele parque, artistas como Caetano Veloso, Trio Virgulino, Geraldo Azevedo, além de Elba Ramalho, Gilberto Gil, Alcione, entre outros. No mesmo ano, realizou participação especial no CD "Sorrir Faz A Vida Valer", de Roberta Miranda, na faixa "Forrópeando". A gravação integrou a trilha sonora da novela "Araguaia", exibida pela Rede Globo, e o disco foi indicado ao Prêmio Grammy Latino, na categoria Melhor Álbum de Música Sertaneja.

Saúde

O cantor e compositor Dominguinhos, estava internado no Hospital Santa Joana, no Recife, com um quadro de Infecção Respiratória e Arritmia Cardíaca. A internação aconteceu na segunda-feira, 17/12/2012.

De acordo com o boletim médico, o músico estava na Unidade Coronária do hospital, passava por tratamento com antibióticos, além de receber "cuidados intensivos". Ainda segundo o hospital, Dominguinhos "estava sedado e em assistência ventilatória mecânica".

Na manhã de sexta-feira, 21/12/2012, não ocorreu mudanças em relação ao quadro apresentado no último boletim médico, divulgado na tarde de quinta-feira, 20/12/2012, em entrevista coletiva concedida pela equipe que atendia Dominguinhos.

Morte

Dominguinhos morreu na noite do dia 23/07/2013. Ele estava internado no hospital Sírio Libanês em São Paulo após sofrer complicações respiratórias. Dominguinhos faleceu após perder uma batalha que durou 6 anos contra um câncer de pulmão.


Discografia

  • 2007 - Yamandu + Dominguinhos
  • 2009 - Dominguinhos Ao Vivo
  • 2008 - Conterrâneos Dominguinhos
  • 2005 - Elba Ramalho e Dominguinhos
  • 2002 - Chegando de Mansinho
  • 2001 - Lembrando de Você
  • 2001 - Dominguinhos Ao Vivo
  • 1999 - Você Vai Ver o Que é Bom
  • 1998 - Nas Costas do Brasil
  • 1997 - Dominguinhos e Convidados Cantam Luiz Gonzaga
  • 1996 - Pé de Poeira
  • 1995 - Dominguinhos é Tradição
  • 1994 - Nas Quebradas do Sertão
  • 1994 - Choro Chorado
  • 1993 - O Trinado do Trovão
  • 1992 - Garanhuns
  • 1991 - Dominguinhos é Brasil
  • 1990 - Aqui Tá Ficando Bom
  • 1989 - Veredsa Nordestinas
  • 1988 - É Isso Aí! Simples Como a Vida
  • 1987 - Seu Domingos
  • 1986 - Gostoso Demais
  • 1985 - Isso Aqui Tá Bom Demais
  • 1983 - Festejo e Alegria
  • 1982 - Simplicidade
  • 1982 - Dominguinhos e Sua Sanfona
  • 1982 - A Maravilhosa Música Brasileira
  • 1981 - Querubim
  • 1980 - Quem Me Levará Sou Eu
  • 1979 - Após Tá Certo
  • 1978 - O Xente! Dominguinhos
  • 1977 - Oi, Lá Vou Eu
  • 1976 - Domingo, Menino Dominguinhos
  • 1974 - Forró de Dominguinhos
  • 1974 - Dominguinhos e Seu Acordeon
  • 1973 - Tudo Azul
  • 1973 - Lamento de Caboclo
  • 1973 - Festa no Sertão
  • 1966 - 13 de Dezembro
  • 1965 - Cheirinho de Molho
  • 1964 - Fim de Festa

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB, DominguinhosWikipédia, Último Segundo IG e G1

Ionei Silva

IONEI SILVA
(71 anos)
Radialista e Dublador

* (1942)
+ Uberlância, MG (22/07/2013)

Natural de Uberlândia, Ionei Silva foi o primeiro diretor de dublagem com carteira assinada do Brasil. Aos 10 anos de idade ele venceu um concurso para apresentar um programa infantil na Rádio Difusora, em Uberlândia. O programa durou dois anos e, desde então, ele sabia que trabalharia com a voz: queria ser ator ou cantor.

Antes de conseguir se estabelecer como dublador em São Paulo trabalhou como tintureiro, feirante e vendedor de enciclopédias.

Em Uberlândia, foi radialista e diretor da Rádio Educadora. Depois foi para a Rádio Bela Vista e, quando a mesma faliu, foi para São Paulo. Lá, passou por dificuldades e foi onde conseguiu emprego numa rádio.

Pouco tempo depois, um amigo o convidou para fazer dublagens em um estúdio onde trabalhava. Até aquele momento, Ionei Silva nunca havia feito dublagens. Lá ele fez testes e foi aprovado, iniciando sua carreira de dublador em 1965, ficando em São Paulo durante 10 anos. Depois recebeu um convite do Rio de Janeiro para dirigir na Cinecastro, lugar este onde ficou por menos de dois anos, pois ela acabou falindo também. Logo após, foi trabalhar em estúdios como o Herbert Richers, Peri Filmes, Delart, e outros.

Ionei Silva foi bastante ativo nos anos 80. Com sua voz anasalada e inconfundível, ele dublou diversos personagens de desenhos, filmes, seriados e novelas.

"Vivi tudo o que quis, trabalhei muito com amor, mas já foi. Não me arrependo de nada, mas não vivo de saudosismo", "Foram tantos os personagens que nem tenho ideia da quantidade. Cumpria jornada de segunda a sexta-feira, o dia todo. É impossível saber quantos trabalhos eu fiz", disse Ionei Silva em entrevista ao Correio de Uberlândia, publicada em novembro de 2009.


Morte

Ionei Silva morreu às 03:00 hs de segunda-feira,  22/07/2013, em Uberlândia, MG aos 71 anos. Segundo a viúva do dublador, Selda Galvão Silva, ele teve um problema na vesícula, fez uma cirurgia há aproximadamente três semanas mas não se recuperou bem. "Havia uma semana que ele estava no hospital e surgiram algumas infecções. Ele teve inclusive pneumonia", afirmou a viúva, que esteve ao lado dele o tempo todo. Apesar de ter uma família grande em Uberlândia, o casal não teve filhos.

A família não autorizou a divulgação da causa da morte.

O sepultamento de Ionei Silva ocorreu às 14:00 hs no Cemitério Municipal São Pedro, também em Uberlândia.


Alguns Personagens Dublados


  • O Mestre dos Magos do desenho "Caverna do Dragão" (1ª voz)
  • O personagem Tutubarão
  • Sapulha em "Ursinhos Gummi"
  • Ultraman, no japonês "O Regresso de Ultraman"
  • Duarte, o mordomo do desenho "Riquinho"
  • Dublou o personagem Sallah, interpretado por John Rhys-Davies e Panama Hat, interpretado por Paul Maxwell, ambos do filme "Indiana Jones e a Última Cruzada"
  • O personagem Subotai no filme "Conan, o Bárbaro"
  • Asdrúbal em "Bernardo e Bianca"
  • O policial Tony Baretta, da série "Baretta"
  • Cão Yabba-Doo, irmão do Scooby-Doo
  • O magricelo Silva do desenho "Fantasminha Legal"
  • Larry Fine do desenho "Robôs"
  • No desenho "Carangos e cotocas", ele dublou a motoca Avesso
  • O Tico-Mico do desenho "Peter Potamus"
  • Ladrão Kazim no desenho "Aladdin" (Disney)


Pai Agenor

AGENOR MIRANDA ROCHA
(96 anos)
Babalaô, Professor, Poeta e Cantor

☼ Luanda, Angola (08/09/1907)
┼ Rio de Janeiro, RJ (17/07/2004)

Agenor Miranda Rocha, o Pai Agenor, é quase uma lenda no Candomblé. Nascido em Luanda, Angola, no dia 08/09/1907, foi iniciado aos cinco anos, em 1912, pelas mãos da Srª Eugênia Ana dos Santos, mais conhecida como Mãe Aninha de Xangô ou Obá Biyi, fundadora do Axé Opô Afonjá, na cidade Salvador, Bahia, devido a uma enfermidade, fato este que levou sua mãe carnal a senhora Zulmira Miranda, católica apostólica romana, fervorosa, a aceitar o feito com intuito de salvar a vida de seu filho.

Quando jovem, e já residindo na cidade do Rio de Janeiro, foi o ilustre professor, iniciado nos mistérios da Orixá Ewá, de onde segue que dado a união destes dois orixas, Oxalufã e Ewá, o digno professor, ou como ele se auto intitulava, Zelador de Santo, tinha um dom especial nos jogos sagrados dos búzios.


O Professor Agenor, como era conhecido, foi professor catedrático aposentado do Colégio Pedro II, nas cadeiras de matemática e latim. Cantor lírico, seguindo os passos de sua mãe, a soprano Zulmira Miranda e babalaô adivinho na referida tradição religiosa candomblé, um dos ocidentais mais conhecedores da herança e da cultura afro-brasileira, além de talvez uma das mais respeitadas personalidades religiosas por todas as lideranças de tradicionais terreiros do Brasil.

Foi o jogo de búzios (meridilogun) do Professor Agenor que decidiu a sucessão de importantes terreiros: Mãe Oké e Mãe Tatá, na Casa Branca do Engenho Velho; Mãe Stella, no Axé Opô Afonjá; Mãe Índia, no Terreiro do Bogun (o último grande jogo de sucessão antes do falecimento do professor).

Agenor Miranda também foi poeta e musicista. Seu jogo de búzios foi um dos mais procurados do país. O velho professor foi orientador espiritual e conselheiro de personalidades de diferentes procedências religiosas e de muitos babalorixás, como Tatá Makamba Malaiá em São Paulo, no ano de 1972 e orientador do Babá Augusto César de Logunedé.

Jorge Amado, Zélia Gattai, almirante Adalberto de Barros Nunes, Maria Zilda, Maria Bethânia, Gal Costa, Liege Monteiro, Hugo Gross, Zora Sejlman, Antônio Olinto, Vera Fisher, Marcelo Picchi, Camila Amado, Heloísa Perissé, Bel Kutner e Regina Casé, dentre muitos outros, foram amigos ou frequentavam a casa do velho professor.

"Quem não conhece Agenor, não conhece Candomblé"
(Mãe Menininha do Gantois)


Documentário: Um Vento Sagrado

Foi publicada no jornal Diário de São Paulo a matéria "O Zelador Dos Orixás Na Tela", feita pelo jornalista Marcos Pinho - "Um Vento Sagrado", do diretor e artista plástico baiano Walter Lima. O trabalho conta a história de Pai Agenor, um dos mais importantes nomes do candomblé no país. O trabalho de pesquisa consumiu mais de três anos de viagens, pesquisas e gravações no Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Roma.

O filme "Brasil" (2001), mostra Pai Agenor em sua casa no Engenho Novo, subúrbio do Rio de Janeiro, onde figuram desde imagens de São Francisco e Buda até de Oxalá e outras divindades do candomblé. É no local que ele recebia visitantes em busca de aconselhamento e jogava búzios.

Suas declarações são desconcertantes.

"A força do candomblé está no sangue verde das plantas e não no sangue vermelho dos animais!"
(Pai Agenor - Comentário condenando os sacrifícios em cultos)

Professor aposentado, poeta, ensaísta, cantor de ópera e de fado, Pai Agenor era um homem múltiplo e incomum. "Ele é talvez a última das grandes figuras do candomblé", afirma Gilberto Gil. O retrato pintado por Walter Lima é o de um ser de personalidade instigante cujas opiniões são sempre respeitadas.

A fita mostra ainda o biografado sendo recebido pelo Papa em Roma e inclui poemas nas vozes de atores como Alessandra Negrini, Ingrid Guimarães e Camila Amado, além da narração de Othon Bastos e depoimentos dos acadêmicos Antônio Olinto e Paulo Alonso, do cantor Gilberto Gil, dos professores Muniz Sodré e Wilson Choueri e de outras personalidades.

Amante da música, talvez por influência de sua mãe, a fadista portuguesa Zulmira Miranda, cuja história está registrada na Casa do Fado e da Guitarra Portuguesa, Agenor fez uma incursão como cantor no mundo da música. Há alguns anos foram recuperadas algumas de suas antigas gravações e hoje circula nas mãos de seus amigos e admiradores CDs onde ele canta fados, canções italianas e músicas clássicas.

Amante da poesia, teve dois livros publicados ainda em vida, "Poemas Infantis" (1999), e "Oferenda - Como a Flor Que Se Oculta Entre as Folhas" (1998), pela Editora Sete Letras, traduzido na Espanha e editado pela Algorán Poesia, em 2001.


Seus poemas foram muito bem recebidos por serem, além de belos, expressão de um grande conhecimento também nesta arte. Tinha muitos amigos e admiradores, muitos alunos, e para todos estes deixou ainda o livro "Caderno de Português" (2000), escrito logo após uma intervenção cirúrgica bastante séria.

Pai Agenor faleceu em 17/07/2004, vitimado principalmente pelo agravamento de um simples caso infeccioso, uma vez que não conseguiu ser tratado a tempo em condições necessárias. Deixou muitos amigos e filhos em todas as partes do Brasil e no exterior, todos saudosos e consternados, principalmente por não terem podido ajudá-lo e intervir para que pudesse completar com "saúde e paz", como gostava de dizer, os seus almejados 100 anos de existência, que foi lembrado e comemorado no dia 08/09/2007.

Dentre as homenagens que recebeu está a Medalha Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro.

Sobre ele há uma primorosa biografia: "Um Vento Sagrado", editado pela Editora Mauad e de autoria de Muniz Sodré e Luis Filipe de Lima.

Fonte: Wikipédia

Bertha Becker

BERTHA KOIFFMAN BECKER
(82 anos)
Geógrafa, Professora e Pesquisadora

* Rio de Janeiro, RJ (07/11/1930)
+ Rio de Janeiro, RJ (13/07/2013)

Bertha Koiffmann Becker foi uma geógrafa brasileira. Graduou-se em Geografia e História pela Universidade do Brasil em 1952, foi Docente Livre-Doutora em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1970). Realizou pós-doutorado no Massachusetts Institute Of Technology - Department Of Urban Studies And Planning (1986). Foi professora Emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro e coordenadora do Laboratório de Gestão do Território - LAGET/UFRJ. Membro da Academia Brasileira de Ciências e Doutor Honoris Causa pela Universidade de Lyon III. Havendo sido agraciada com as medalhas David Livingstone Centenary Medal da American Geographical Society e Carlos Chagas Filho de Mérito Científico da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). Foi consultora ad hoc de várias instituições científicas e membro de conselho editorial de editoras nacionais e internacionais. Coordenou diversos projetos de pesquisa e participou da elaboração de políticas públicas nos Ministérios de Ciência e Tecnologia, da Integração Nacional e do Meio Ambiente. Seu foco principal de pesquisa foi a Geografia Política da Amazônia e do Brasil. Autora de uma extensa produção sobre a geografia política da Amazônia e do meio-ambiente.

Bertha Becker iniciou a carreira na década de 1950, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde deu aulas por 40 anos, tornando-se professora emérita. No Instituto Rio Branco, lecionou por quase 20 anos. Acumulou títulos de prestígio, como doutora honoris causa pela Universidade de Lyon III, na França, e era integrante da Academia Brasileira de Ciências (ABC).

Por mais de 40 anos, Bertha Becker se aprofundou nos estudos sobre os conflitos fundiários nas regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil, com foco na Amazônia. Ao longo desse período, estudou e pesquisou in loco a geografia humana e política da região, tornando-se uma autoridade internacional no assunto. Por isso, era sempre requisitada por órgãos do governo, como o Itamaraty e a Secretaria de Assuntos Estratégicos, além de dar conferências nas principais associações internacionais. Sua contribuição foi essencial para o desenvolvimento do plano estratégico da Amazônia, hoje em implantação no Brasil.


Para a companheira de pesquisa e amiga, a geógrafa Ima VieiraBertha Becker deixou um legado enorme. "O que ela fez é muito importante e teve repercussão internacional. Participou de reuniões científicas que deram origem a importantes ações políticas para o Brasil como, por exemplo, a Rio Mais 20 e ECO 92" - disse Ima Vieira, pesquisadora do Museu Goeldi, em Belém.

A geógrafa estudou a fronteira móvel da agropecuária no Brasil desde a década de 60. Começou com o crescimento da pecuária no Rio de Janeiro e São Paulo, depois em Goiás na década de 70 e, a partir daí desenvolveu suas pesquisas de campo principalmente na Amazônia.

"As pessoas pensam que isso é novo, mas não é, a expansão das fronteiras da pecuária na direção da Amazônia tem 50 anos."
(Declarou recentemente Bertha)

Bertha era, desde os anos 90, membro do conselho diretor da Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, da qual era também associada emérita.

"Sua dedicação para a instituição era total, profunda, como tudo o que ela fazia. Bertha foi uma cidadã 24×7, além de uma das pessoas mais inteligentes que já conheci na vida. Uma inteligência que a levava sempre a farejar as mudanças antes que elas se revelassem. A sociedade brasileira recebe uma herança ímpar e um desafio para décadas: decifrar e desdobrar o patrimônio de sabedoria que ela construiu."
(Roberto Smeraldi)

A geógrafa publicou diversos livros, sendo o mais recente "A Urbe Amazônica - A Floresta e a Cidade", finalizado há alguns meses.

Bertha deixou três filhos, Beatriz, Paulo e Lídia, e oito netos.


Morte

A geógrafa, professora, pesquisadora e o maior nome da geografia internacional em estudos sobre a Amazônia, Bertha Koiffmann Becker, de 82 anos, morreu no sábado, 13/07/2013, às 16:30 hs, por complicações decorrentes de um câncer de pulmão, após quatro anos lutando contra a doença.

Além de familiares e amigos, autoridades fizeram as últimas homenagens a pesquisadora, em uma cerimônia na Chevra Kadisha. Seu corpo foi enterrado no Cemitério de Vilar dos Teles, em Belford Roxo.


Publicações

  • Dimensões Humanas da Biodiversidade - O Desafio de Novas Relações Sociais (Co-autoria de Irene Garay)
  • Migrações Internas no Brasil - Reflexo da Organização do Espaço Desequilibrada
  • Tecnologia e Gestão do Território (Bertha Becker et al.)
  • Amazônia Geopolítica Na Virada do III Milênio (2004)
  • Um Futuro Para Amazônia (Co-autoria de Claudio Stenner)
  • Dilemas e Desafios do Desenvolvimento Sustentável (Bertha Becker, Ignacy Sachs e Cristovam Buarque)
  • Becker, Bertha K. Geopolítica da Amazônia

Indicação: Miguel Sampaio