Célia Biar

CÉLIA RAPHAELLA MARTINS BIAR
(81 anos)
Atriz


* São Paulo, SP (10/03/1918)
+ São Paulo, SP (06/11/1999)

Seu verdadeiro nome era Célia Raphaella Martins Biar. Trabalhando dentro do moderno teatro brasileiro, adotou o nome de Célia Biar e tornou-se uma atriz característica da alta comédia.

Filha da modista Beatriz Biar, foi integrada ainda muito jovem ao Grupo de Teatro Experimental, dirigido por Alfredo Mesquita, na montagem de "Pif-Paf" (A Dama de Copas), de Abílio Pereira de Almeida, em 1947. Participou da produção "A Noite de 16 de janeiro", em 1949, profissionalizando-se no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) no mesmo ano, com "Nick Bar ...Álcool, Brinquedos, Ambições" de William Saroyan, com direção de Adolfo Celi. A partir daí, Célia Biar teve participação ativa no elenco da companhia, surgindo com ênfase especialmente nas comédias sofisticadas.

Ainda em 1949, esteve em "Arsênico e Alfazema" e "Luz de Gás", ambas dirigidas por Adolfo Celi; "Ele"; "O Mentiroso" e "Os Filhos de Eduardo" - esta última de 1950 - todas com o diretor Ruggero Jacobbi. Naquele ano, Célia Biar integrou os elencos de "O Cavalheiro da Lua" e "Lembranças de Bertha", dirigidas por Ziembinski e "Do Mundo Nada Se Leva", com direção de Luciano Salce.

No ano seguinte, esteve em "Seis Personagens à Procura de um Autor" de Luigi Pirandello; "Convite ao Baile", de Jean Anouilh; "Harvey" de Mary Chase, direção de Ziembinski; "Relações Internacionais" de Noel Coward, dirigida por Cacilda Becker; "Inimigos Íntimos" de Pierre Barillet e J. P. Grédy, mais uma direção de Salce e "Vá com Deus" de John Murray e Allen Boretz, pelo diretor Flaminio Bollini, são as montagens de 1952.

Ainda na década de 50, Célia Biar participou das montagens de "Divórcio para Três"; "Treze à Mesa"; "Se Eu Quisesse"; "Uma Mulher do Outro Mundo"; "Santa Marta Fabril S. A."; "O Sedutor"; "A Casa de Chá do Luar de Agosto" e "Gata em Teto de Zinco Quente".

"Adorável Júlia" de Marc-Gilbert Sauvajon, direção de Ziembinski em 1957 e "A Dama de Copas (Pif-Paf)" de Abílio Pereira de Almeida, direção de Armando Paschoal, em 1958, foram seus últimos trabalhos no TBC.

Célia Biar fez uma participação na Companhia Brasileira de Comédia, em "Folha de Parreira" de Jean-Bernard Luc em 1955. Com o Pequeno Teatro de Comédia, sob a direção de Antunes Filho, integrou a montagem de "Pic-Nic", de William Inge, em 1959.

Na Companhia Nydia Licia fez, em 1961, "Quarto de Despejo", de Carolina Maria de Jesus, com direção de Amir Haddad e "Um Elefante no Caos", de Millôr Fernandes. Em 1964, voltou à companhia para fazer "Um Apartamento Indiscreto", de Claude Magnier, outra direção de Amir.

No Rio de Janeiro, em 1966, participou de duas produções: "Sinistra Comédia" de Harold Pinter, direção de Flávio Rangel e "Oh, que Delícia de Guerra!" espetáculo que projetou o diretor Ademar Guerra. Após longo afastamento fazendo TV, Célia Biar voltou aos palcos em 1974 na produção "Dr. Knock" de Jules Romains, ao lado de Paulo Autran.

Célia Biar estreou na TV em 1970, em "Pigmalião 70" e só parou em 1999, na novela "Suave Veneno" - era a freira de um orfanato visitado por Carlota, personagem vivido por Betty Faria. Atuou, também, nas novelas "Minha Doce Namorada"; "O Primeiro Amor"; "Bicho do Mato"; "Carinhoso"; "Corrida do Ouro"; "A Moreninha"; "Estúpido Cupido"; "Locomotivas"; "Te Contei?"; "Final Feliz"; "Brega e Chique"; "Sassaricando" e "Gente Fina".

Célia Biar adorava fumar enquanto jogava cartas nas horas de folga. Fumava também quando estava trabalhando.

Apesar de ter abandonado o vício desde 1989, ela morreu aos 81 anos, de câncer no pulmão.

Célia Biar não se casou e não teve filhos.

Fonte: Dramaturgia Brasileira - In Memoriam

Tim Lopes

ARCANJO ANTONINO LOPES DO NASCIMENTO
(51 anos)
Repórter


* Pelotas, RS (18/11/1950)
+ Rio de Janeiro, RJ (02/06/2002)

Em 2001, recebeu o Prêmio Esso com a equipe da Rede Globo pela reportagem “Feirão das Drogas”, em que denunciava, por meio de uma câmera escondida, a venda livre de drogas no complexo do Morro do Alemão. Foi o primeiro prêmio Esso concedido na categoria televisão. Recebeu ainda o 11º e o 12º Prêmio Abril de Jornalismo na categoria Atualidades pelas matérias “Tricolor de Coração” publicada na revista Placar de dezembro de 1985, e “Amizade sem Limite”, de maio de 1986. Em fevereiro de 1994, recebeu um prêmio de melhor reportagem feita no jornal O Dia pela série “Funk: som, alegria e terror” - ironicamente, o mesmo tema de sua última grande reportagem na TV Globo.

Ele desapareceu em 2 de junho de 2002 e depoimentos de traficantes presos indicam que foi morto entre as 22 e 24h daquele dia.

Por volta das 17 horas de 2 de junho, domingo, Tim Lopes foi até a favela Vila Cruzeiro, no bairro do Complexo do Alemão, subúrbio do Rio de Janeiro, com uma microcâmera escondida numa pochete que levava na cintura, para gravar imagens de um baile funk promovido por traficantes de drogas. Ele havia recebido uma denúncia dos moradores da favela de que no baile acontecia a exploração sexual de adolescentes e a venda de drogas. Iria verificar também a informação de que os traficantes construíram um parque infantil num acesso da comunidade, para dificultar a ação da polícia, e que desfilavam armados de fuzis.

Os traficantes estranharam a presença de Tim Lopes no local. Há suspeita de que, uma vez descoberto, sua morte tenha sido decidida como vingança pela reportagem feita anteriormente, sobre a venda de drogas no morro, veiculada em agosto de 2001 pela TV Globo. Depois desta reportagem, vários traficantes foram presos e o tráfico da região teve um prejuízo em suas atividades criminosas por um longo tempo. Outras hipóteses são de que Tim Lopes tenha sido confundido com um policial ou um informante da polícia.

Segundo testemunhas, a morte de Tim Lopes foi definida pelo traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, um dos líderes do grupo criminoso Comando Vermelho, que dominava na época o Complexo do Alemão. As investigações indicam que participaram do crime outros nove traficantes de sua quadrilha. Antes da execução, os traficantes fizeram uma espécie de julgamento para decidir sobre a morte do jornalista. Ele foi torturado antes de morrer, com golpes de katana. Seu corpo foi queimado na localidade da Grota.

Ele também teria sido esquartejado antes de ser queimado - método popularmente chamado como "micro-ondas" e usado para ocultar o cadáver e o crime.

Embora fosse um jornalista destacado, Tim Lopes somente se tornou conhecido nacionalmente após sua morte, num crime que chocou o país, tendo a sua repercussão aumentada em grande parte pela influência da Rede Globo como formadora de opinião. O caso de seu desaparecimento ocupou muitas edições do Jornal Nacional, o que aumentou a pressão sobre as autoridades pela captura de todos os criminosos envolvidos; o jornal também passou a usar a expressão Poder paralelo para definir os grupos criminosos existentes nas favelas cariocas. Embora a resolução do caso fosse considerada pela sociedade em geral como uma prioridade, até pela afronta que representou à liberdade de expressão, houve quem criticasse o fato de que não tenha havido o mesmo empenho da polícia no caso de outros crimes onde não houve a influência de alguma organização influente.

Caçados pela polícia, um a um, todos os criminosos foram presos ou mortos, até que finalmente Elias Maluco foi preso em setembro, no alto da favela, após uma mega-operação policial.

Tim Lopes foi homenageado pela escola de samba Acadêmicos do Tucuruvi no carnaval do ano seguinte, com o enredo "Não calem minha voz", uma homenagem à imprensa, onde um dos versos dizia "a verdade tim-tim por tim-tim", numa referência ao apelido do jornalista.

Fonte: Wikipédia

Átila Iório

ÁTILA IÓRIO
(81 anos)
Ator

* Rio de Janeiro, RJ (1921)
+ Rio de Janeiro, RJ (10/12/2002)

Estreou nenhum cinema com o filme "Caídos do Céu", em 1946, de Luís de Barros, ao lado de grandes comediantes como Dercy Gonçalves e Walter D'Ávila.

Mas o sucesso chegou mesmo com o papel de Fabiano, protagonista do clássico "Vidas Secas", de Nelson Pereira dos Santos, em 1963, adaptado do romance de Graciliano Ramos.

Em 1964, Átila Iório atuou em outra famosa obra da cinematografia nacional: "Os Fuzis", de Ruy Guerra, no papel de Gaúcho. A partir daí, sua carreira seguiu com dezenas de outros filmes importantes como "Assalto ao Trem Pagador", "Os Carrascos Estão Entre Nós", "A Guerra dos Pelados", "Sagarana, o Duelo" e "Diário da Província".

Átila Iorio também foi um importante nome das novelas brasileiras com papéis marcantes em "Os Fantoches" (1967), "Os Estranhos" (1969) e "Dez Vidas" (1969), todas na TV Excelsior. Participou das duas versões em 1976 e 1997 da novela "Anjo Mau"; "O Feijão e o Sonho"; "Escrava Isaura" de 1976 como Miguel; "Os Gigantes" (1979) e "O Rei do Gado", todas da Rede Globo. Participou também da minissérie "Chapadão do Bugre" (1988) na TV Bandeirantes.


Átila Iório também fez aparições nos programas dos Trapalhões, sempre interpretando o personagem "malvado" dos quadros. Foi ao lado de Renato Aragão, Dedé Santana e Mussum que Átila Iório fez seu último filme, "O Mistério de Robin Hood", lançado em 1990.

De 1993 a 1997, Átila Iorio presidiu o Retiro dos Artistas, em Jacarepaguá e foi responsável pela implantação de uma série de melhorias para os velhos artistas que vivem lá.

Em uma carreira de mais de 50 anos participou de mais de 30 filmes e 13 novelas e minisséries. Faleceu em sua casa em Sepetiba, Rio de Janeiro, aos 81 anos, vítima de problemas decorrentes de asma, bronquite e enfisema pulmonar.

Átila Iório foi casado com a apresentadora e também atriz Adélia Iório.

Cartola

ANGENOR DE OLIVEIRA
(72 anos)
Cantor, Compositor, Poeta e Violonista


☼ Rio de Janeiro, RJ (11/10/1908)
┼ Rio de Janeiro, RJ (30/11/1980)

Angenor de Oliveira, mais conhecido como Cartola, foi um cantor, compositor, poeta e violonista brasileiro.

Considerado por diversos músicos e críticos como o maior sambista da história da música brasileira, Cartola nasceu no bairro do Catete, mas passou a infância no bairro de Laranjeiras. Criou o Bloco dos Arengueiros, cujo núcleo em 1928 fundou a Estação Primeira de Mangueira. Após muitos anos desaparecido do cenário musical carioca, foi reencontrado em 1956 e voltou a cantar, indo a programas de rádio e compondo novos sambas para serem gravados. A partir daí, o compositor foi redescoberto por uma nova safra de intérpretes.

Em 1974, aos 66 anos, Cartola gravou o primeiro de seus quatro discos solo e sua carreira tomou impulso de novo com o sucesso de seus LPs, fazendo shows por diversas cidades brasileiras e mantendo o ritmo de trabalho até o final de sua vida, em 1980.

Do Catete Para a Mangueira

Angenor de Oliveira nasceu em 1908 na cidade do Rio de Janeiro. Era o mais velho dos oito filhos do casal Sebastião Joaquim de Oliveira e Aída Gomes de Oliveira. Apesar de ter recebido o nome de Agenor, foi registrado como Angenor - fato que só viria a descobrir muitos anos mais tarde, ao tratar dos papéis para seu casamento com Dona Zica na década de 60. Para não ter que providenciar a mudança do nome em cartório, a partir de então passou a assinar oficialmente seu nome como Angenor de Oliveira.

Sua família materna era de Campos dos Goytacazes, RJ, e seus antepassados foram escravos do primeiro Barão de Carapebus, proprietário do Solar do Beco. Nesse local nasceu seu avô materno Luís Cipriano Gomes, famoso cozinheiro, que trabalhou em Macaé, RJ, na Fazenda da Bertioga, propriedade da aristocrata Dona Julia Nogueira da Gama e Gavinho, até ser aliciado por Dona Anita Peçanha, prima da última esposa do futuro presidente do Brasil, Nilo Peçanha. O avô de Cartola foi então levado para o Rio de Janeiro, chegando a servi-la no Palácio do Catete.

Cartola nasceu no bairro carioca do Catete, onde também passou parte de sua infância. Quando tinha oito anos, sua família se mudou para as Laranjeiras, onde ele se tornou torcedor do time do bairro, o Fluminense. Nas Laranjeiras, entrou em contato com os ranchos carnavalescos "União da Aliança" e "Arrepiados" - neste último tocava cavaquinho, instrumento musical que lhe tinha sido dado pelo pai quando tinha somente 8 ou 9 anos de idade, o que também fazia nos desfiles do Dia de Reis, em que suas irmãs saíam em grupos de "Pastorinhas".

Era tão entusiasmado pelo "Arrepiados" que, mais tarde, ao participar da fundação da escola de samba Estação Primeira de Mangueira, sugeriu que as cores desse rancho, o verde e o rosa, fossem as mesmas da nascente agremiação, que seria um símbolo dos mais reverenciados no mundo do samba. Por outro lado, Carlos Cachaça disse que tinha existido no Morro da Mangueira um antigo rancho chamado Caçadores da Floresta, cujas cores eram exatamente o verde e o rosa.

Em 1919, movidos por dificuldades financeiras, os Oliveira foram para o Morro da Mangueira, então uma pequena e nascente favela com menos de cinquenta barracos. Logo, outro morador da Mangueira, Carlos Cachaça, seis anos mais velho que Cartola, se tornaria, além de amigo por toda a vida, o seu parceiro mais constante em dezenas de sambas.

Quando tinha 15 anos, abandonou os estudos (tinha concluído apenas o quarto ano primário) para trabalhar, ao mesmo tempo em que se inclinava para a vida boêmia. Na adolescência, trabalhou como aprendiz de tipógrafo, mas logo se transformou em pedreiro. Foi enquanto trabalhava nas obras de construção que ele ganharia o apelido com que se tornaria reconhecido como um dos grandes nomes da Música Popular Brasileira. Para que o cimento não lhe caísse sobre os cabelos, resolveu passar a usar um chapéu-coco, que os colegas diziam parecer mais uma cartolinha, e assim, começou a ser chamado de "Cartola".

Cartola tinha 17 anos quando sua mãe morreu. Pouco depois, após conflitos crescentes com o pai, inimigo da malandragem, acabou expulso de casa. Levou então por algum tempo uma vida de vadio, bebendo e namorando, frequentando zonas de prostituição e contraindo doenças venéreas, perambulando pelas noites e dormindo em trens de subúrbio. Esses hábitos o levaram a se enfraquecer fisicamente, adoecido e mal-alimentado, na cama de um pequeno barraco.

Uma vizinha do seu barraco chamada Deolinda, uma mulher gorda, forte e boa, sete anos mais velha, casada e com uma filha de dois anos, passou a cuidar e a gostar dele. Os dois acabaram se envolvendo. Tinha na época apenas 18 anos e estava morando sozinho. Decidiram viver juntos e Deolinda deixou o marido, levando a filha, que o compositor criaria como sua.

O Surgimento do Sambista

O barraco dividido por Cartola e Deolinda era habitado por mais gente, todos sustentados pela dona de casa, que lavava e cozinhava para fora. Sob seu teto e de Deolinda, Noel Rosa foi se abrigar algumas vezes, à procura de um refúgio tranqüilo. Cartola exercia a atividade de pedreiro apenas esporadicamente, preferindo assumir o ofício de compositor e violonista nos bares e tendas locais. À época, já se firmava como um dos maiores criadores do morro, ao lado do grande amigo Carlos Cachaça e Gradim.

Com estes e outros compositores, Cartola integrava uma turma de brigões e arruaceiros que, não por acaso, formaram o "Bloco dos Arengueiros", em 1925, para brincar o carnaval. Esse bloco seria o embrião da Estação Primeira de Mangueira. A ampliação e fusão do bloco com outros existentes no morro gerou, em 28/04/1928, a segunda escola de samba carioca e uma das mais tradicionais da história do carnaval da cidade. Cartola, um dos seus sete fundadores, também assumiu a função de diretor de harmonia da escola, em que permaneceu até fins da década de 30.

O nome "Estação Primeira" foi escolhido porque, contando a partir da Central do Brasil, o Morro de Mangueira ficava na primeira estação de trem de um lugar em que havia samba. Cartola compôs "Chega de Demanda", o primeiro samba escolhido para o desfile e que só seria gravado pelo compositor em 1974, para o disco "História das Escolas de Samba: Mangueira".

No início da década de 30, Cartola se tornou conhecido fora da Mangueira, quando foi procurado por Mário Reis, através de um estafeta chamado Clóvis Miguelão, que subira o morro para comprar uma música. O sambista vendeu os direitos de gravação do samba "Que Infeliz Sorte", que acabou sendo lançado por Francisco Alves, pois não se adaptava à voz de Mário Reis. Assinava então Agenor de Oliveira. Vendeu outros sambas a Francisco Alves, o maior ídolo da música brasileira na época, cedendo apenas os direitos sobre a vendagem de discos. Neste comércio, que serviu para projetá-lo entre os sambistas na cidade, Cartola conservava a autoria e não dava parceria a ninguém.

"O rapaz foi lá e disse: 'Cartola, vem cá. O Mário Reis tá aí, queria comprar um samba teu'. 'O quê? Comprar samba? Você tá maluco, rapaz? (...) Eu não vou vender coisa nenhuma!' (...) Ele disse: 'Quanto é que você quer pelo samba?'. Eu virei pro cara, no cantinho, disse assim: 'Vou pedir 50 mil réis'. 'O quê, rapaz? Pede 500.' (...) Com muito medo, pedi 500 contos. 'Não, dou 300. Tá bom?' Eu disse assim: 'Bom, me dá esses 300 mesmo'. Mas com muito medo (...) Mas botou meu nome direitinho, legal (...). Ele comprou, mas não deu para a voz dele. Então gravou Chico, Francisco Alves."
(Cartola, sobre o samba "Que Infeliz Sorte", Almanaque da Folha)

Em 1932, Francisco Alves e Mário Reis gravaram outro samba seu, "Perdão, Meu Bem". Também remonta àquela época a amizade e a parceria que Cartola estabeleceu com Noel Rosa. Com o "Poeta de Vila Isabel", compôs "Tenho Um Novo Amor", interpretada por Carmen Miranda, "Não Faz, Amor" e "Qual Foi o Mal Que Eu Te Fiz", interpretadas por Francisco Alves. Ainda naquele ano, Sílvio Caldas lançou "Na Floresta", de autoria de Cartola, do próprio Sílvio Caldas e ainda a primeira composição em parceria com Carlos Cachaça. Também em 1932, a Mangueira foi campeã do desfile promovido pelo jornal O Mundo Esportivo com o samba "Pudesse Meu Ideal", sua primeira parceria com Carlos Cachaça.

Em 1933 Cartola viu pela primeira vez um samba seu se tornar sucesso comercial: "Divina Dama", novamente na voz de Francisco Alves. Arnaldo Amaral gravou "Fita Meus Olhos" (Cartola e B. Vasquez), canção que encerrava o breve ciclo inicial de gravações de composições suas. A partir dali, o sambista passou a compor exclusivamente para a sua escola no morro, marginalizando-se do círculo artístico e de produção discográfica da cidade.

Em 1935 novamente a Mangueira teve premiado no desfile um samba de Cartola, "Não Quero Mais", feito com Carlos Cachaça e Zé da Zilda, que foi gravado, em 1936, por Aracy de Almeida e regravado, em 1973, por Paulinho da Viola, com o título alterado para "Não Quero Mais Amar A Ninguém".

Em 1940 Cartola foi convidado pelo maestro e compositor erudito Heitor Villa-Lobos, seu admirador, a formar um grupo de sambistas, entre eles, Donga, Pixinguinha, João da Baiana, para fazer algumas gravações de Música Popular Brasileira para outro maestro mundialmente famoso, o norte-americano Leopold Stokowski (que percorria a América Latina recolhendo músicas nativas), realizadas a bordo do navio Uruguai, ancorado no pier da Praça Mauá, no Rio de Janeiro.

Dos sambas que Cartola gravou a bordo do navio, "Quem Me Vê Sorrindo", composto com Carlos Cachaça, saiu em um dos quatro discos de 78 RPM lançados comercialmente apenas nos Estados Unidos pela gravadora Columbia. Além da sua primeira gravação, foi registrado nesse álbum o Coro da Mangueira com as vozes de Dona Neuma e de suas irmãs, a clarineta de Luís Americano, emboladas de Jararaca & Ratinho, a flauta de Pixinguinha, além das participações de Donga e João da Baiana e um arranjo de Villa-Lobos para o tema indígena "Canidé Joune".

Popular, Cartola também atuou como cantor na rádio, apresentando músicas suas e de outros compositores. Ainda em 1940 criou com Paulo da Portela o programa "A Voz do Morro", na Rádio Cruzeiro do Sul, no qual apresentavam sambas inéditos, cujos títulos deviam ser dados pelos ouvintes. Assim, o programa premiava o ouvinte que tivesse sugerido o título escolhido para o samba.

Em 1941 formou, junto com Paulo da Portela e Heitor dos Prazeres, o Conjunto Carioca, que durante um mês realizou apresentações em um programa da Rádio Cosmos, da cidade de São Paulo.

Em 1942 "Não Posso Viver Sem Ela" (Cartola e Alcebíades Barcellos) foi lançada no famoso disco "Ai Que Saudades da Amélia", de Ataulfo Alves.

"Gosto de fazer samba de dor de cotovelo, falando de mulher, de amor, de Deus, porque é isso que acho importante e acaba se tornando uma coisa importante"
(Cartola, comentando sua obra, Almanaque da Folha)

Tempos Difíceis

Nos anos seguintes, Cartola participou pouco no cenário musical. Entre suas poucas atuações artísticas, o sambista apareceu como corista da gravação de alguns cantores na Colúmbia e chegou a se apresentar com um grupo de morro no Cassino Atlântico.

Com a nova direção da Estação Primeira de Mangueira antipática a Cartola, o sambista viu seu samba ser desqualificado pelo júri que julgou as músicas concorrentes ao enredo que representaria a escola de samba no carnaval de 1947. Para piorar, ele contraiu meningite, ficando três dias em estado de coma e um ano andando de muleta. Com vergonha da condição de doente, acabou se mudando para Nilópolis. Foi cuidado por Deolinda, mas pouco depois assistiu à morte da mulher, vitimada por um ataque cardíaco. Com a morte de Deolinda, Cartola deixou o Morro da Mangueira.

Por um período de cerca de sete anos, andou desaparecido dos seus conhecidos. Fora do ambiente musical, muitos pensavam até que tivesse morrido. Chegou-se a compor sambas em sua homenagem.

Em 1948 a Mangueira sagrou-se campeã do carnaval do Rio de Janeiro com seu samba-enredo "Vale do São Francisco" (CartolaCarlos Cachaça).

Cartola vivia um período difícil em sua vida. Sem mais a atenção de Deolinda e o prestígio no morro da Mangueira, o sambista morava em uma favela no bairro do Caju, com uma mulher chamada Donária.

Cartola conseguiu trabalhos modestos, como o de lavador de carros e vigia de edifícios. Mas a entrada em cena de uma nova, e definitiva, mulher em sua vida alterou o seu destino. Quando Eusébia Silva do Nascimento, mais conhecida como Zica, o encontrou, o sambista estava em um estado lastimável, entregue à bebida, desdentado e sobrevivendo de biscates, sem contar ainda um problema no nariz, que tinha se tornado demasiadamente grande, devido a uma afecção denominada rinofima. Apesar disso, Zica, antiga admiradora de Cartola, se apaixonou por ele, conquistando-o.

Zica o levou de volta ao morro da Mangueira, onde o casal se instalou em uma casa na subida do morro, perto da quadra da escola de samba e próximo da casa de Carlos Cachaça e Menina, irmã de Zica. Com ZicaCartola viveria até o fim de seus dias, sem, no entanto, deixar filhos.

Mesmo sumido, Cartola ainda foi lembrado em 1952, quando Gilberto Alves gravou o samba-canção "Sim" (Cartola e Oswaldo Martins).

Dona Zica e Cartola
Os Bons Tempos do Zicartola

Em 1957, Cartola trabalhava como vigia e lavador dos carros dos moradores de um edifício em Ipanema. Nessa função, foi identificado em uma madrugada pelo jornalista Sérgio Porto, conhecido como Stanislaw Ponte Preta, sobrinho do crítico musical Lúcio Rangel, que havia dado ao sambista, anos antes, o apelido de "Divino Cartola". Ao ver o compositor magro e maltrapilho em um macacão molhado, Stanislaw Ponte Preta decidiu ajudá-lo, começando por divulgar a redescoberta, que fizera, do sambista. Àquela altura, Cartola era dado como desaparecido ou mesmo morto por muitos de seus conhecidos e admiradores. O reencontro com o jornalista foi definitivo para a retomada de sua carreira como músico e compositor.

A promoção rendeu algumas apresentações na Rádio Mayrink Veiga e em restaurantes, além de matérias em jornais e revistas. Sérgio Porto também arranjou para o sambista, por meio do cronista e pesquisador Jota Efegê, um emprego de contínuo no jornal Diário Carioca em 1958 e, no ano seguinte, no Ministério da Indústria e Comércio.

Em 1958 foram gravados seus sambas "Grande Deus" e "Festa da Penha", respectivamente por Jamelão e Ari Cordovil.

Em 1960 Nuno Veloso gravou "Vale do São Francisco", parceria com Carlos Cachaça.

No início da década de 60, Cartola se tornou zelador da Associação das Escolas de Samba, localizada em um velho casarão no centro do Rio de Janeiro, que se tornou um ponto de encontro de sambistas de toda a cidade. Além das rodas de samba no local, Zica, uma exímia cozinheira, passou a servir uma sopa aos participantes. Estimulado por amigos, CartolaZica resolveram aplicar a fórmula música-comida em um sobrado da Rua da Carioca, também na zona central da cidade, em 1963. A iniciativa contou com o apoio financeiro de empreendedores considerados "mangueirenses de coração", como o empresário Renato Augustini.

O Zicartola se tornou um marco na história da Música Popular Brasileira no início das década de 60. Além da boa cozinha administrada por Zica, Cartola fazia as vezes de mestre de cerimônias, propiciando o encontro entre sambistas do morro e compositores e músicos de classe média, especialmente ligados à Bossa Nova, além de poetas-letristas como Hermínio Bello de Carvalho e jornalistas musicais como Sérgio Cabral. Velhos bambas, como Nelson Cavaquinho e Zé Keti, se juntavam a novos talentos, como Elton Medeiros e Paulinho da Viola. Além da presença constante de alguns dos melhores representantes do samba de morro, diferentes gerações de cantoras se encontravam ali, como Elizeth Cardoso e Nara Leão.

No Zicartola, desafiado pelo amigo Renato Agostini, Cartola compôs com Elton Medeiros em cerca de 30 minutos o samba "O Sol Nascerá", que se tornaria um de seus grandes clássicos. A mesma facilidade para compor experimentaria em "Alvorada" um samba feito a seis mãos. Compusera com Carlos Cachaça a primeira parte de um samba que decidiram mostrar a Hermínio Bello de Carvalho, que escreveu então os versos da segunda parte, que ele musicou na hora.

Moda no Rio de Janeiro, o Zicartola inaugurou um gênero de casa noturna que viria a se propagar nas décadas seguintes. Apesar disso, o bar durou pouco e, mal-administrado, fechou as portas após dois anos de existência, pois seu dono definitivamente não tinha tino comercial. Em 1974, um bar chamado Zicartola foi aberto no bairro paulistano de Vila Formosa.

Ainda em 1964, CartolaZica se casaram oficialmente, às vésperas do casamento, ele compôs "Nós Dois" para ela, e o sambista atuou no filme "Ganga Zumba" de Carlos Diegues, no papel de um escravo. Ele já havia atuado discretamente em "Orfeu Negro" e ainda participaria de "Os Marginais". O samba "O Sol Nascerá" foi gravado por Isaura Garcia.

Em 1965 foi lançado o álbum com gravações do "Show Opinião", no ano anterior, realizado entre Zé KetiJoão do Vale e Nara Leão, e esta incluiu "O Sol Nascerá" (Cartola e Elton Medeiros) no repertório do LP. Esta gravação tornou Cartola, assim como outros sambistas de seu círculo, conhecidos pelo público de classe média da época, projetando-os profissionalmente. Em consequência do prestígio que ganhou, Cartola chegou a ter seu nariz retocado pelo célebre cirurgião plástico Ivo Pitanguy. Pery Ribeiro e Bossa Três também regravam "O Sol Nascerá".

Ainda em 1965 Cartola iniciou a construção de uma casa, na cor verde e rosa, ao pé do morro da Mangueira, em terreno doado pelo então Estado da Guanabara. Naquele mesmo ano e no seguinte fez participação em dois discos de Elizeth Cardoso, que gravou o samba "Sim" (CartolaOswaldo Martins e Leny Andrade).

Ainda em 1966 gravou com Clementina de Jesus seu samba "Fiz Por Você o Que Pude".

Em 1968 participou em duas faixas do LP "Fala, Mangueira", que reuniu, além dele, Nelson Cavaquinho, Carlos Cachaça, Clementina de Jesus e Odete Amaral. Também naquele ano, Cartola gravou com Odete Amaral "Tempos Idos" (Cartola Carlos Cachaça) e Cyro Monteiro gravou "Tive Sim".

A Glória Na Velhice

Em 1970 Cartola protagonizou uma série de apresentações promovidas pela União Nacional dos Estudantes (UNE), intituladas "Cartola Convida", na Praia do Flamengo, onde recebia grandes nomes do samba. Também naquele ano, a Abril Cultural lançou um volume dedicado à sua obra na série "História da Música Popular Brasileira", no qual o sambista interpretou "Preconceito", de sua autoria.

Em 1972 Paulinho da Viola gravou "Acontece" e Clara Nunes gravou "Alvorada", com Carlos Cachaça e Hermínio Bello de Carvalho.

Em 1973 Elza Soares gravou "Festa da Vinda"  (Cartola e Nuno Veloso).

Mas a consagração definitiva viria somente em 1974, alguns meses antes de completar 66 anos, quando o sambista finalmente gravou seu primeiro disco solo. Cartola, lançado em uma iniciativa do pesquisador musical, produtor de discos e publicitário Marcus Pereira. O disco, que recebeu vários prêmios e foi considerado um dos melhores daquele ano, reunia uma coleção de obras-primas de Cartola e uma equipe de instrumentistas de primeira linha no acompanhamento. O sambista interpretou "Acontece", "Tive Sim" e "Amor Proibido", canções de autoria própria, "Disfarça e Chora" e "Corra e Olhe o Céu" (Cartola e Dalmo Casteli), "Sim" (Cartola e Oswaldo Martins), "O Sol Nascerá" (Cartola e Elton de Medeiros), "Alvorada" (CartolaCarlos Cachaça e Hermínio Bello de Carvalho), "Festa da Vinda" (Cartola e Nuno Veloso), "Quem Me Vê Sorrindo" (Cartola e Carlos Cachaça) e "Ordenes e Farei" (Cartola e Aluizio).

Também em 1974 a mesma gravadora Marcus Pereira lançou o LP "História das Escolas de Samba: Mangueira", no qual Cartola interpretou algumas faixas. Pouco depois, durante uma entrevista ao radialista e produtor Luiz Carlos Saroldi, em um programa especial para a Rádio Jornal do Brasil, apresentou dois sambas ainda inéditos: "As Rosas Não Falam" e "O Mundo é Um Moinho". Ainda naquele ano, o sambista participou do programa radiofônico "MPB - 100 Ao Vivo". Os programas foram editados em 8 LPs com o mesmo título e em um dos álbuns ocupou todo um lado, deferência só concedida a dois outros convidados, Luiz Gonzaga e Paulinho da Viola, e se apresentou no bairro carioca de Botafogo, em que atuou ao lado da cantora Rosana Tapajós e do flautista Altamiro Carrilho. Gal Costa regravou "Acontece".

Logo depois, em 1976, a mesma gravadora lançou o segundo LP, também intitulado "Cartola". O sucesso do álbum foi puxado por uma de suas mais famosas criações, "As Rosas Não Falam", incluída na trilha sonora de uma novela da TV Globo. Ainda em seu segundo disco, Cartola interpretou suas composições "Minha", "Sala de Recepção", "Aconteceu", "Sei Chorar", "Cordas de Aço" e "Ensaboa". Gravou também as canções "Preciso Me Encontrar" (Candeia), "Senhora Tentação" (Silas de Oliveira) e "Pranto de Poeta" (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito). Também nesse ano, Clementina de Jesus gravou "Garças Pardas" (Cartola e Zé da Zilda).

A grande popularidade obtida pelo samba levou Cartola a uma divulgação inédita de seu trabalho. Realizou seu primeiro show individual, no Teatro da Galeria, no bairro do Catete, acompanhado pelo Conjunto Galo Preto. O show foi um sucesso de público e se estendeu por quatro meses em várias partes do país.

Em 1977 o sambista dividiu com um novo parceiro, Roberto Nascimento, uma turnê por palcos do SESC, no interior de São Paulo. Em meio ao grande sucesso, Cartola voltou a desfilar pela Mangueira, após 28 anos de ausência no desfile de carnaval. O seu samba "Tive, Sim" foi defendido por Cyro Monteiro na I Bienal do Samba, promovida pela TV Record, e terminou classificado em quinto lugar no concurso. Também foi convidado pela Prefeitura de Curitiba para integrar o júri do desfile das escolas de samba locais, onde, pela primeira e única vez, julgou um desfile das escolas.

Ainda em 1977 a cantora Beth Carvalho gravou com sucesso "O Mundo é Um Moinho". Em junho de 1977 a TV Globo apresentou o programa "Brasil Especial" número 19, dedicado exclusivamente a Cartola, e que obteve grande êxito. Em setembro de 1977, o sambista participou, acompanhado por João Nogueira, do "Projeto Pixinguinha", no Rio de Janeiro, e depois em uma excursão pelas principais cidades brasileiras. O sucesso do espetáculo os levou a excursionar por São Paulo, Curitiba e Porto Alegre.

Em outubro de 1977, a gravadora RCA Victor lançou "Verde Que Te Quero Rosa", seu terceiro disco solo, com igual sucesso de crítica. Um dos grandes destaques do álbum foi "Autonomia", com arranjo do maestro Radamés Gnattali. Desse LP fazem parte o samba-canção "Autonomia", além de "Nós Dois", composta especialmente para o casamento com Zica, em 1964. Recriou "Escurinha", samba do mangueirense Geraldo Pereira, falecido prematuramente em consequência de uma briga com Madame Satã. Estão presentes ainda os sambas "Desfigurado", "Grande Deus", "Que é Feito de Você" e "Desta Vez Eu Vou", todos de sua autoria, "Fita Meus Olhos" (Cartola e Osvaldo Vasques) e "A Canção Que Chegou" (Cartola e Nuno Veloso).

Cartola e Nelson Cavaquinho
Últimas Homenagens

Em 1978, quase aos 70 anos, se transferiu da Mangueira para uma casa em Jacarepaguá, buscando um pouco mais de tranquilidade, na tentativa de continuar compondo, mas sempre voltava para visitar os amigos no morro onde crescera e se tornara famoso. A residência de Cartola e Zica em Mangueira era muito frequentada por músicos e jornalistas, o que levou o casal a procurar um pouco de sossego. Era finalmente a primeira casa própria do artista, o máximo que ele conseguiu com o sucesso obtido no final da vida. Em frente à sua porta, foi inaugurada em seguida uma praça apropriadamente batizada de "As Rosas Não Falam".

Naquele mesmo ano, estreou seu segundo show individual: "Acontece", outro sucesso. E em novembro, por ocasião de seu septuagésimo aniversário, recebeu uma grande homenagem na quadra da Mangueira. O sambista, no entanto, já estava doente. Diagnosticado seu mal, câncer na tireoide, foi operado em 1978.

Ainda em 1978 o sambista gravou com Eliana Pittman o samba "Meu Amigo Cartola" (Roberto Nascimento) e, com Odete Amaral, o samba "Tempos Idos" (Cartola e Carlos Cachaça). Waldir Azevedo, João Maria de Abreu, Joel Nascimento e Fagner regravaram "As Rosas Não Falam". Elizeth Cardoso regravou "Acontece"Odete Amaral, "Alvorada". Durante a apresentação no Ópera Cabaré, em São Paulo, no mês de dezembro, o concerto foi gravado ao vivo, por iniciativa de J.C. Botezelli, responsável pelo primeiro disco de Cartola. Esse registro ao vivo só sairia em LP após a morte do compositor.

Em 1979 foi lançado "Cartola - 70 Anos", seu quarto LP, no qual interpretou seus sambas "Feriado na Roça", "Fim de Estrada", "Enquanto Deus Consentir", "Dê-me Graças, Senhora", "Evite Meu Amor", "Bem Feito" e "Ao Amanhecer", além de "O Inverno do Meu Tempo" e "A Cor da Esperança" (Cartola e Roberto Nascimento), "Ciência e Arte" e "Silêncio de um Cipreste" (CartolaCarlos Cachaça), "Senões" (Cartola e Nuno Veloso) e "Mesma Estória" (Cartola e Elton Medeiros).

Nelson Gonçalves e Emílio Santiago, em 1979, regravaram "As Rosas Não Falam". Em fins de 1979 Cartola participou de um programa na Rádio Eldorado, da cidade de São Paulo, no qual contou um pouco de sua vida e cantou músicas que andava fazendo. Essa entrevista foi posteriormente lançada em LP, na década de 80, com o nome "Cartola - Documento Inédito".

Em 1980, a cantora Beth Carvalho regravou "As Rosas Não Falam" e "Consideração", parceria com Heitor dos Prazeres. Com Nelson Cavaquinho, compôs apenas "Devia Ser Condenada", gravada pelo parceiro na década de 80.

A carreira de Cartola não iria longe. Ele sabia que sua doença era grave, mas manteve segredo sobre ela todo o tempo. Para todos dizia que tinha uma úlcera.

"Quando for enterrado, quero que Waldemiro toque o bumbo!"
(Cartola, manifestando a sua família um desejo uma semana antes de sua morte, Almanaque da Folha)

Três dias antes de morrer, recebeu de Carlos Drummond de Andrade sua última homenagem em vida. O poeta lhe dedicou uma comovente crônica, publicada pelo Jornal do Brasil.

Morte

Cartola morreria de vítima de câncer em 30/11/1980, aos 72 anos de idade. O corpo foi velado na quadra da Estação Primeira de Mangueira, onde passaram as mais diversas presenças do mundo da música como Clara Nunes, AlcioneEmílio Santiago, Chico Buarque, João Nogueira, Dona Ivone Lara, Nelson Sargento, Jamelão, Roberto Ribeiro, Clementina de Jesus, Martinho da Vila, Gal Costa, Simone, Elizeth Cardoso, Paulo Cesar Pinheiro, Beth Carvalho, Paulinho da Viola, Gonzaguinha, entre muitos outros.

Seu corpo foi sepultado no Cemitério do Caju. Dona Zica viu o corpo do seu grande amor pela última vez, abraçada com Clara Nunes, que era amiga e uma das "queridinhas" do poeta. Atendendo a seu pedido, no dia 01/12/1980, data de seu funeral, Waldemiro, ritmista da Mangueira, que havia aprendido com ele a encourar seu instrumento, marcou o ritmo para o coro de "As Rosas Não Falam", cantada por uma pequena multidão de sambistas, amigos, políticos e intelectuais, presentes em sua despedida. Em seu caixão a bandeira do time do seu coração, o Fluminense.

Após a Morte

Durante os anos seguintes, viriam homenagens póstumas, discos e biografias que o confirmariam como um dos maiores nomes da música popular brasileira. Em 1981, Artur Oliveira concluiria o samba "Vem", que Cartola deixara inacabado, e seu livro escrito juntamente com Marília Trindade Barboza, a biografia "Cartola, Os Tempos Idos" seria lançado pela Funarte, em 1983.

Em 1982 foi lançado um disco póstumo do sambista, "Ao Vivo", gravação de um espetáculo realizado no final de 1978, em São Paulo.

Em 1984, também pela Funarte, sairia o LP "Cartola, Entre Amigos".

Em 1988, para comemorar o octagésimo aniversário de seu nascimento, a gravadora Som Livre lançou o songbook "Cartola - Bate Outra Vez...", que trazia Caetano Veloso, Gal Costa, Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho, Luiz Melodia, Dona Ivone Lara, Beth Carvalho, Nelson Gonçalves, Paulo Ricardo e Cazuza. E a cantora Leny Andrade apareceu com "Cartola - 80 Anos". Marisa Monte viria a incluir em seu repertório o lundu "Ensaboa", composto em 1975 e gravado pelo compositor em seu segundo LP.

A cantora Cláudia Telles, filha de Sylvia Telles, um dos ícones da Bossa Nova, lançaria em 1995 um álbum-tributo com composições de Cartola e Nelson Cavaquinho.

Em 1998, Elton Medeiros e Nelson Sargento gravaram o álbum "Só Cartola"Elton Medeiros também se apresentou com a cantora Márcia no espetáculo "Cartola 90 Anos", que resultaria em um álbum lançado pelo SESC de São Paulo. Naquele mesmo ano, o grupo Arranco, ex-Arranco de Varsóvia, lançou o álbum "Samba de Cartola".

Em 2001, a RCA Victor relançou em CD o disco "Verde Que Te Quero Rosa". Naquele mesmo ano, foi fundado o Centro Cultural Cartola, tendo por base a obra do compositor.

Em 2002, o cantor Ney Matogrosso lançou o álbum "Cartola", com repertório todo dedicado ao compositor da Mangueira.

Em 2003, a neta de Cartola descobriu uma pasta com vários letras inéditas que teriam de ser musicadas. Ainda naquele ano, Beth Carvalho lançou o álbum "Beth Carvalho Canta Cartola".

Em 2004, o espetáculo "Obrigado Cartola", de Sandra Louzada, com direção de Vicente Maiolino, estreou no Centro Cultural Banco do Brasil. O musical contava a vida do compositor e apresentava sambas clássicos. Naquele mesmo ano, foi lançado pela Editora Moderna o livro "Cartola", de Mônica Ramalho.

Em 2007, foi lançado o filme "Cartola - Música Para Os Olhos", com direção de Lírio Ferreira e Hilton Lacerda.

Em 2008, esquecido no ano de seu centenário pela Estação Primeira de Mangueira que ajudou a fundar, foi, no entanto homenageado pela Paraíso do Tuiuti com o enredo "Cartola, Teu Cenário é Uma Beleza", que ajudou a escola de São Cristóvão a subir para o grupo de Acesso A.

Dentro das comemorações pelo seu centenário, foi lançado pelo selo Biscoito Fino "Viva Cartola - 100 Anos", que incluiu gravações lançadas em outros discos e que continha uma única faixa inédita, "Basta de Clamares Inocência", gravada por Martinália.

Obras

Discografia Oficial

  • 1974 - Cartola
  • 1976 - Cartola
  • 1977 - Verde Que Te Quero Rosa
  • 1978 - Cartola 70 Anos
  • 1982 - Cartola - Ao Vivo
  • 1982 - Cartola - Documento Inédito

Participações

  • 1942 - Native Brazilian Music (Leopold Stokowski)
  • 1967 - A Enluarada Elizeth (Elizeth Cardoso)
  • 1968 - Fala Mangueira! (Odete Amaral, Cartola, Clementina de Jesus, Nelson Cavaquinho, Carlos Cachaça)
  • 1970 - História da Música Popular Brasileira (Cartola e Nelson Cavaquinho)
  • 1974 - História das Escolas de Samba: Mangueira (Vários Artistas)
  • 1975 - MPB - 100 Ao Vivo (Vários Artistas)
  • 1980 - E Vamos à Luta (Alcione)
  • 1993 - No Tom da Mangueira (Tom Jobim e Velha Guarda da Mangueira)

Não-Oficiais

  • 1977 - Cartola (Este disco faz parte da coleção Nova História da Música Popular Brasileira vem acompanhado de fascículo, fotos, ilustração de Elifas Andreatoe as letras das músicas)
  • 1980 - Adeus, Mestre Cartola
  • 1982 - Cartola - História da MPB
  • 1999 - O Sol Nascerá
  • 2001 - A Música Brasileira Deste Século Por Seus Autores e Intérpretes

Homenagens e Tributos

  • 1984 - Cartola, Entre Amigos (Vários Artistas)
  • 1987 - Cartola - 80 Anos (Leny Andrade)
  • 1988 - Cartola - Bate Outra Vez... (Vários Artistas)
  • 1995 - Claudia Telles Interpreta Nelson Cavaquinho e Cartola
  • 1998 - Sambas de Cartola (Grupo Arranco)
  • 1998 - Só Cartola (Elton Medeiros e Nelson Sargento)
  • 1998 - Cartola - 90 Anos (Elton Medeiros e Márcia)
  • 2002 - Cartola (Ney Matogrosso)
  • 2003 - Beth Carvalho Canta Cartola (Beth Carvalho)
  • 2008 - Viva Cartola! 100 Anos (Vários Artistas)

Coletânea

  • 2005 - Maxximum: Cartola


DVD

  • 2007 - MPB Especial 1974

Filmografia

  • 1958 - Orfeu Negro (Participação Especial)
  • 1963 - Ganga Zumba
  • 1968 - Os Marginais (Participação Especial)
  • 2006 - Cartola - Música Para Os Olhos (Cine Biografia)

Bibliografia

  • 1997 - Cartola: Os Tempos Idos (Arthur L. de Oliveira Filho e Marília Trindade Barbosa da Silva)
  • 2003 - Cartola: Os Tempos Idos (Arthur L. de Oliveira Filho e Marília Trindade Barbosa da Silva)
  • Cartola: Semente de Amor Sei Que Sou, Desde Nascença (Arley Pereira)

Fonte: Wikipédia