Vanja Orico

EVANGELINA ORICO
(83 anos)
Cantora, Atriz e Cineasta

* Rio de Janeiro, RJ (15/11/1931)
+ Rio de Janeiro, RJ (28/01/2015)

Evangelina Orico, mais conhecida como Vanja Orico, foi uma cantora, atriz e cineasta brasileira. Surgiu no cenário artístico cantando "Mulher Rendeira", tema do filme "O Cangaceiro" (1953), de Lima Barreto. Mas começou sua carreira cantando no filme "Mulheres e Luzes", em 1950, uma produção do cineasta Federico Fellini, quando estava na Itália estudando música.

De volta ao Brasil, fez sua estréia no cinema brasileiro no clássico "O Cangaceiro", premiado no Festival de Cannes e sucesso no mundo inteiro, o que rendeu a ela o reconhecimento internacional, fazendo apresentações na Europa, África, Caribe e nos Estados Unidos. Gravou discos na França e foi recordista de vendas no Brasil, sendo capa das principais revistas da época.

Uma marca forte da sua trajetória no cinema é sua presença em vários filmes do Ciclo do Cangaço, do qual é uma das musas. Além do citado "O Cangaceiro", também participou de "Lampião, o Rei do Cangaço" (1964), "Cangaceiros de Lampião" (1967) e "Jesuíno Brilhante, o Cangaceiro" (1972). Também atuou em "Independência ou Morte" (1972), no papel da Baronesa de Goytacazes, e de "Ele, o Boto" (1987).


Paralelamente aos trabalhos como atriz, Vanja Orico desenvolveu importante carreira de cantora, com apresentações em várias partes do mundo.

Em 1973 dirigiu o filme "O Segredo da Rosa".

Vanja Orico era filha do diplomata e escritor Osvaldo Orico e mãe do cineasta Adolfo Rosenthal, fruto de seu casamento com o ator André Rosenthal.

Vanja Orico morreu na quarta-feira, 28/01/2015, no Rio de Janeiro, aos 83 anos, vítima de complicações decorrentes de um câncer no intestino. Ela também sofria de Mal de Alzheimer e estava internada no Hospital Copa D'Or, em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro, desde o dia 11/01/2015. Ela será enterrada na quinta-feira, 29/01/2015, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, Rio de Janeiro.

Fonte: Wikipédia

Suzana de Moraes

SUZANA DE MORAES
(74 anos)
Atriz e Diretora

* Rio de Janeiro, RJ (05/08/1940)
+ Rio de Janeiro, RJ (27/01/2015)

Suzana de Moraes, ou Suzana Moraes, foi uma atriz e diretora de televisão brasileira. Oficializou em 2010 união estável com a compositora Adriana Calcanhotto com quem já vivia há 25 anos.

Primeira filha de Vinícius de Moraes, era uma das responsáveis pelas obras do pai, tendo sido responsável pelas comemorações do centenário do Poetinha, em 2013.

Suzana de Moraes atuou em diversas novelas na TV Globo, entre elas "Verão Vemelho", em 1969. Atuou em filmes como "O Gigante da América", de Júlio Bressane, e "Perfume de Gardênia", de Guilherme Almeida Prado.

Suzana de Moraes também era uma das principais responsáveis pelo espólio do pai e produziu o documentário "Vinicius", de Miguel Faria Jr. Também participou da concepção do projeto "A Arca de Nóe", em 2013, álbum que reunia regravações das canções infantis feitas pelo pai.

Com Adriana Calcanhoto, dirigiu os shows "Público" e "Adriana Partimpim".

Vinicius de Moraes e sua filha mais velha, Susana Moraes, em 1980
Morte

Suzana de Moraes morreu na terça-feira, 27/01/2015, por volta das 5:00 hs, vítima de uma infecção respiratória em decorrência de um câncer, aos 74 anos. De acordo com a Clínica São Vicente, na Gávea, Zona Sul do Rio de Janeiro, ela estava internada desde o dia 05/01/2015, em tratamento de um câncer no útero, que a atingia há pelo menos dois anos.

Suzana de Moraes será cremada na quarta-feira, 28/01/2015, às 17:30 hs, no Memorial do Carmo. A cerimônia será fechada para familiares e amigos.

Em comunicado, Adriana Calcanhotto contou que estava ao lado da companheira até o fim.

"Fui a mulher mais feliz do mundo nestes 26 anos em que estive com ela. Uma grande mulher, inteligente, engraçada, culta, amiga dos amigos, que teve uma vida extraordinária, e que viveu cada segundo como nunca mais. Morreu de mãos dadas comigo. Foi-se o amor da minha vida!"

Em setembro de 2014, Adriana Calcanhotto falou sobre sua relação com Suzana de Moraes no programa "Mais Você". Em conversa com Ana Maria Braga, ela falou sobre a luta contra o câncer e contou que ajudava  muito a parceira. "São 25 anos. Dou muita força a ela diariamente. Ela está melhor", disse, na época.

Cinema

  • 1992 - Perfume de Gardênia
  • 1982 - Tabu
  • 1981 - Corações a Mil
  • 1978 - O Gigante da América
  • 1978 - A Noiva da Cidade
  • 1976 - Bandalheira Infernal
  • 1974 - O Lobisomem
  • 1971 - O Capitão Bandeira Contra o Drº Moura Brasil ... Mulher do Capitão
  • 1971 - Matei Por Amor
  • 1970 - Pecado Mortal ... Suzana
  • 1970 - Cuidado, Madame
  • 1969 - Pedro Diabo Ama Rosa Meia-Noite ... Rosa Meia-Noite
  • 1967 - Garota de Ipanema


Adriana Calcanhotto, Suzana de Moraes e Mart'nália
Televisão

  • 1970 - Assim na Terra Como no Céu ... Joaninha
  • 1970 - Verão Vermelho ... Madalena
  • 1969 - Véu de Noiva ... Suzana
  • 1969 - Rosa Rebelde ... Lola


Fonte: Wikipédia e G1
Indicação: Miguel Sampaio

Aloysio Campos da Paz

ALOYSIO CAMPOS DA PAZ JÚNIOR
(80 anos)
Médico

* Rio de Janeiro, RJ (1934)
+ Brasília, DF (25/01/2015)

Aloysio Campos da Paz Júnior foi um médico brasileiro que idealizou e criou a Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação, hoje referência mundial em traumatologia e ortopedia. A vida e a luta desse homem são por ele mesmo narradas em "Repassando Memórias" (SarahLetras, 2010), leitura para todo estudante de Medicina e para o público em geral, como belo exemplo de idealismo, pertinácia e respeito à profissão.

Carioca de Copacabana, onde nasceu em 1934, herdou a vocação e a consciência social do avô e do tio médicos, presos como comunistas, juntamente com Graciliano Ramos, pela ditadura de Getúlio Vargas.

Aos 16 anos, aprendeu a tocar trompete e formou, com Luizinho Eça, um conjunto que animava festas e bailes no Fluminense. A formação profissional era vista com a franqueza que lhe era própria:

"Tinha entrado para a Faculdade de Medicina pensando no que ouvia nas conversas da mesa de domingo na casa de meu avô: amor, humanismo e dedicação ao próximo. Encontrei em aulas áridas professores na maioria indiferentes, quando não sádicos, que jogavam ossos do punho em cima da mesa de exame e rosnavam: 'Identifique-os!'"

Graduou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1960. Recebeu o diploma e trocou o Rio de Janeiro pela recém inaugurada Brasília, pois em terras cariocas não aprenderia muito: nas arguições, os professores elogiavam os veteranos colegas, faziam uma pergunta besta e se davam por satisfeitos: "Vá embora, menino, 10! Você já aprendeu Medicina em casa..."

Chegada em Brasília

Em 1960, chegou à nova capital da República sem proteção política, sem experiência e sem saber que naquele fim de mundo sequer havia táxi. Num dia da primeira quinzena de maio de 1960, um ortopedista recém-formado saiu de casa, na 106 Sul, para se apresentar no primeiro emprego. Estava vestido de branco até os pés - "roupa que os médicos, os babalorixás e os atendentes de farmácia usavam na época". Afundando em poeira, caminhou até uma estrada por onde transitavam caminhões cheios de operários. Sem demora, um deles parou e perguntou aonde o candango vestido de branco avermelhado pretendia ir. "Vou ao Hospital Distrital de Brasília". Começou então uma discussão entre os peões de obra até que se chegou a um consenso. O caroneiro queria ir para a obra da Pederneiras. Naquele tempo, os endereços eram identificados pelo nome da construtora do prédio.

Em 1961, assumiu a Direção do então Centro de Reabilitação Sarah Kubitschek. Realizou Pós-Graduação em Ortopedia e Reabilitação na Oxford University, Inglaterra, em 1963/1964 e Doutorado em Ortopedia e Traumatologia na Universidade Federal de Minas Gerais em 1966.

O primeiro ortopedista da nova capital que havia se preparado para atuar em ortopedia infantil tinha caído no que parecia ser um hospital de campanha de um campo de batalha. "Foi uma loucura. Os caminhões chegavam e literalmente despejavam no pátio do barracão os candangos feridos em acidente de trabalho". O que salvou o recém-formado foi um livro, "Fraturas y Luxacones", que até os dias atuais ficava guardado na estante de sua sala no Sarah Kubitschek da 301 Sul.

"É todo cheio de diagramas, para tal coisa, faça tal coisa, e eu andava com aquele negócio debaixo do braço!"

O Motivo da Mudança Para Brasília

O que trouxe o casal para Brasília foi o desejo de fundar o próprio futuro.

"Eu era a quinta geração de médicos, praticamente todos eles professores de medicina. Minha mulher e eu vimos em Brasília a oportunidade de a gente se realizar não pelo nome. No Rio, meu nome era nome de praça, de rua. Na Faculdade de Medicina, eu ia fazer prova e o sujeito, em vez de me perguntar sobre a matéria em questão, começava a perguntar como vai o fulano, o beltrano e me mandava embora. Se eu ficasse lá, ia ser mais um por causa do nome, não por causa de uma realização pessoal!"

E foi pensando em Brasília que Campos da Paz percorreu 16 cidades da Grã-Bretanha em busca do conhecimento.

"Meu chefe sabia que eu ia voltar, tanto que ele investiu muito em mim pra que eu pudesse construir a base. O volume de informações que recebi, seja sob o ponto de vista técnico, seja de gestão, seja sob o ponto de vista filosófico, foi enorme para um garoto de 26 anos!"
E sem que soubesse, plantava naquele chão vermelho a semente do "Sarinha", o Centro de Reabilitação Sarah Kubitschek, hoje uma rede com unidades em Macapá, Belém, São Luís, Fortaleza, Salvador, Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.

Para viabilizar-lhe a existência, protagonizou uma façanha que bem poderia entrar para a história não da Medicina, mas da Igreja, como o "Milagre de Campos da Paz": uma lei do Congresso Nacional que criou a primeira (e até agora única) instituição pública não estatal do Brasil, a salvo da burocracia, da incompetência e do corporativismo funcional que tornam péssimos os serviços a que tem direito o cidadão.

Em "Um Homem Diferente", escreveu o filósofo Leandro Konder, apresentador do livro:

"Com a criação da Rede Sarah, Aloysio desencadeou uma autêntica guinada histórica: a retomada de valores humanos que não se deixam liquidar pelo exclusivismo dos critérios comprometidos exclusivamente com o lucro ou o prejuízo."

Essa, a trajetória do médico que, cheio de clientes no consultório particular, resolveu fechá-lo quando enxergou em uma radiografia de joelho não a escolha do tratamento indicado, mas a intervenção cirúrgica com que pagaria uma promissória a vencer.

As Amizades

Da solidão do Planalto Central, Campos da Paz cultivou ao longo de meio século interlocutores de primeira grandeza. Cita alguns: Leandro Konder, Florestan Fernandes, Darcy Ribeiro e Lúcio Costa.

"Tive oportunidade de conhecer e conviver com figuras notáveis. Meu horizonte era o Oceano Atlântico, eu vivia de costas para o país. Passei a conhecer o Brasil. O significado de Brasília foi esse: o Brasil dava as costas para o Brasil. A relação era com o oceano e com o que estava do outro lado do oceano. Não era com o país. Brasília obrigou o Brasil a se interiorizar, foi esse o grande significado dela, a conquista do país."

Em 1975, criou o "Plano Para Desenvolvimento de um Programa Regional de Ortopedia e Reabilitação" que originou o Instituto Nacional de Medicina do Aparelho Locomotor - Sarah. Coordenou também o Comitê de Saúde da Assembléia pré-Contituinte Comissão Affonso Arinos.

Em 1982, iniciou a expansão do Centro de Reabilitação Sarah Kubitschek com a fundação de uma nova unidade hospitalar em Brasília. Participou também dos projetos de implantação das unidades Sarah em São Luís, Salvador, Belo Horizonte, Fortaleza, Macapá, Belém e Rio de Janeiro.

Morte

A diretoria da Rede Sarah informou que o médico Aloysio Campos da Paz Júnior, fundador da instituição, morreu em Brasília na tarde de domingo, 25/01/2015. Aloysio Campos tinha 80 anos e estava na direção do hospital desde 1960.

Segundo a diretoria, ele morreu às 14:30 hs, no Sarah Centro, vítima de insuficiência respiratória. Ele se sentiu mal e estava internado.

Aloysio Campos da Paz será sepultado na segunda-feira, 26/01/2015, em Brasília.

Ele era casado com a bibliotecária Elsita Campos, com quem tinha três filhos. Deixou também quatro netos. A atual presidente da Rede Sarah é a doutora Lúcia Willadino Braga.

A presidente Dilma Roussef divulgou nota de pesar após a divulgação da morte de da Aloysio Campos da Paz. Ela afirmou que a filosofia do médico era trabalhar para que cada paciente fosse tratado com base no seu potencial e não nas suas dificuldades.

"Foi com esta fé na potencialidade de cada paciente que ele e sua equipe ajudaram a melhorar a qualidade de vida de milhares de brasileiros. O Brasil e a medicina são devedores da sua dedicação e determinação. Nesta hora de dor, meus sentimentos aos familiares, amigos, colegas de trabalho e pacientes."

Indicação: Fadinha Veras e Miguel Sampaio

Maria Della Costa

GENTILE MARIA MARCHIORO DELLA COSTA POLONI
(89 anos)
Atriz

☼ Flores da Cunha, RS (01/01/1926)
┼ Rio de Janeiro, RJ (24/01/2015)

Gentile Maria Marchioro Della Costa Poloni foi uma atriz brasileira nascida no interior do Rio Grande do Sul.

No Rio de Janeiro estreou como show-girl no Cassino Copacabana. Em 1944, estreou no teatro em "A Moreninha", de Joaquim Manuel de Macedo. Em seguida foi para Portugal estudar arte dramática com a atriz Palmira Bastos, no Conservatório de Lisboa.

De volta ao Brasil, passou a fazer parte do grupo Os Comediantes e participou de espetáculos como "Rainha Morta", de Henry de Montherlant (1946), "Terras do Sem Fim", de Jorge Amado, "Vestido de Noiva", de Nelson Rodrigues, e "Não Sou Eu", de Edgard da Rocha Miranda.

Fundou em 1948, junto com seu marido, o ator Sandro Polloni, o Teatro Popular de Arte, e estreou a peça "Anjo Negro", de Nelson Rodrigues, no Teatro Fênix, no Rio de Janeiro.

Em 1954, inaugurou sua própria casa de espetáculos, o Teatro Maria Della Costa, em São Paulo, projetado por Oscar Niemeyer e Lúcio Costa. Sandro Polloni, à frente da casa, criou um repertório considerado um dos melhores do teatro brasileiro. Montagens como "Tobacco Road", de Erskine Caldwell e Jack Kirkland (1948), "A Prostituta Respeitosa", de Sartre (1948), "Com a Pulga Atrás da Orelha", de Feydeau (1955), "A Moratória", de Jorge Andrade (1955), "Rosa Tatuada", de Tennessee Williams (1956), e "A Alma Boa de Setsuan", de Brecht (1958), marcaram essa fase.

A companhia seguiu por uma excursão pela Europa e em 1963 lotaram por 45 dias casas de espetáculos em Buenos Aires.

Ao visitar New York conheceu o autor Arthur Miller e dele trouxe, para comemorar os dez anos de seu teatro, em 1964, a famosa peça "Depois da Queda", dirigida por Flávio Rangel. Com esse mesmo diretor fez também os espetáculos "Homens de Papel", de Plínio Marcos em 1967, "Tudo no Jardim", de Edward Albee, em 1968, entre outros.

No cinema, Maria Della Costa, atuou em diversos filmes como "O Cavalo 13" (1946) e "O Malandro e a Grã-fina" (1947), ambos sob a direção de Luiz de Barros"Inocência" (1949), "Caminhos do Sul" (1949), e "Moral em Concordata" (1959).

Foi dirigida pelo italiano Camillo Mastrocinque no premiado "Areião" (1952), produção da Maristela Filmes.

Já na televisão teve pouca participação. Fez a novela "Beto Rockfeller", na TV Tupi, em 1968, e na TV Globo atuou em "Estúpido Cupido" (1976) e "Te Contei?" (1978).

Em São Paulo, no bairro da Bela Vista, foi fundado em 1954 um teatro que leva seu nome. Nos palcos do Teatro Maria Della Costa passaram os melhores atores e atrizes do teatro brasileiro, bem como importantes cenógrafos, como Gianni Ratto.

Em 2002, Maria Della Costa foi homenageada pelo Ministério da Cultura com a Ordem do Mérito Cultural. Em seus últimos anos de vida, residia no município fluminense de Parati, onde administrava seu hotel.

Morte

Maria Della Costa morreu às 16h30 de sábado, 24/01/2015, aos 89 anos. Ela estava internada no Hospital Samaritano, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, e teve um edema pulmonar agudo. O velório foi realizado no domingo, 25/01/2015, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Maria Della Costa não tinha filhos.

Televisão

  • 1990 - Brasileiras e Brasileiros
  • 1982 - Sétimo Sentido ... Juliana
  • 1978 - Te Contei? ... Ana Paula
  • 1976 - Estúpido Cupido ... Olga
  • 1970 - As Bruxas ... Teresa
  • 1969 - Beto Rockfeller ... Maitê

Teatro
  • 1992 - Típico Romântico
  • 1988 - Temos Que Refazer a Casa
  • 1986 - Alice, Que Delícia
  • 1982 - Motel Paradiso
  • 1974 - Tome Conta de Amélia
  • 1973 - Bodas de Sangue
  • 1968 - Tudo no Jardim
  • 1968 - Abra a Janela e Deixa Entrar o Ar Puro e o Sol da Manhã
  • 1967 - Homens de Papel
  • 1964 - Depois da Queda
  • 1963 - Pindura Saia
  • 1962 - Armadilha Para um Homem Só
  • 1962 - O Marido Vai à Caça
  • 1960 - Society em Baby Doll
  • 1959 - Gimba
  • 1958 - A Alma Boa de Set-Suan
  • 1956 - Moral em Concordata
  • 1956 - A Rosa Tatuada
  • 1956 - A Casa de Bernarda Alba
  • 1955 - A Mirandolina
  • 1955 - Com a Pulga Atrás da Orelha
  • 1954 - O Canto da Cotovia
  • 1952 - Manequim
  • 1951 - Ralé

Fonte: Wikipédia
Indicação: Fadinha Veras e Miguel Sampaio

Victor Manga

VICTOR DROLHE DA COSTA
(31 anos)
Instrumentista

* Rio de Janeiro, RJ (23/07/1939)
+ Rio de Janeiro, RJ (13/08/1970)

Victor Manga foi um baterista brasileiro nascido no Rio de Janeiro em 23/07/1939. Iniciou sua carreira profissional em 1960, atuando em várias boates do Beco das Garrafas, no Rio de Janeiro.

Em 1965, integrou, ao lado de Dom Salvador (piano) e Edson Lobo (baixo), o Salvador Trio, com o qual gravou disco homônimo para o selo Mocambo.

Em 1968 e 1969, fez parte do conjunto A Turma da Pilantragem, ao lado de Nonato Buzar e das cantoras Regininha, Málu Balonna e Dorinha Tapajós, e dos músicos Zé Roberto Bertrami (piano), Alexandre Malheiros (baixo), Márcio Montarroyos e Ion Muniz (sopros), entre outros. Gravou com o grupo os LPs "A Turma da Pilantragem" (1968), "A Turma da Pilantragem" (1969) e "A Turma da Pilantragem Internacional" (1969).

Ainda em 1969, passou a integrar, ao lado de Antonio Adolfo (piano), Luís Cláudio Ramos (guitarra), Luizão Maia (baixo) e das cantoras Bimba e Julie, depois substituída por Luiz Keller, o grupo A Brazuca, com o qual participou do IV Festival Internacional da Canção, classificando a canção "Juliana" (Antonio Adolfo e Tibério Gaspar) em 2º lugar no evento. Gravou com o conjunto os LPs "Antonio Adolfo e A Brazuca" (1969) e "Antonio Adolfo e A Brazuca 2" (1970). 

Victor Manga faleceu prematuramente, aos 31 anos, no dia 13/08/1970.

Antônio Adolfo e Tibério Gaspar compuseram uma música em sua homenagem no disco seguinte, "Tributo a Victor Manga".

Discografia

  • 1970 - Antonio Adolfo e A Brazuca 2 (EMI-Odeon, LP)
  • 1969 - A Turma da Pilantragem (Philips, LP)
  • 1969 - A Turma da Pilantragem Internacional (Philips, LP)
  • 1969 - Antonio Adolfo e A Brazuca (EMI-Odeon, LP)
  • 1968 - A Turma da Pilantragem (Philips, LP)

Indicação: Alvaro Drolhe

Lincoln Olivetti

LINCOLN OLIVETTI
(60 anos)
Maestro, Instrumentista, Arranjador, Compositor e Produtor Musical

* Nilópolis, RJ (17/04/1954)
+ Rio de Janeiro, RJ (13/01/2015)

Lincoln Olivetti foi um músico brasileiro que ficou conhecido pela parceria com o guitarrista Robson Jorge. Instrumentista, arranjador, compositor e produtor musical, Lincoln Olivetti iniciou na música ainda menino. Com 13 anos, já se apresentava em bailes do subúrbio com seu conjunto.

Cursou as faculdades de música e engenharia eletrônica, mas não as concluiu. Em meados da década de 70, conheceu Robson Jorge, com quem viria a manter uma grande parceria musical.

Lincoln Olivetti fez arranjos para numerosos artistas como Gal Costa, Gilberto Gil, Tim Maia, Jorge Ben, Rita Lee, Roberto Carlos, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Ângela Rô Rô, Zizi Possi, Fagner, Wando e Joanna, o que lhe rendeu fama e dinheiro, mas também críticas quanto a uma certa "pasteurização" da Música Popular Brasileira. Trabalhou também com os cantores Antônio Marcos e Vanusa.

Em 1982, lançou, com Robson Jorge, o LP "Robson Jorge e Lincoln Olivetti", registrando a parceria nas faixas "Jorgea Corisco", "No Bom Sentido", "Aleluia", "Pret-à-Porter", "Squash", "Fã Sustenido", "Zé Piolho", "Ginga" e "Alegrias", e "Eva" (Lincoln Olivetti e Ronaldo), incluindo também "Raton" (Contesini) e "Baila Comigo" (Roberto de Carvalho e Rita Lee).

Foi apelidado de "O Feiticeiro dos Estúdios" e "O Mago do Pop".


Na década de 90, viveu um período de ostracismo, do qual saiu ao produzir discos para Lulu Santos e Ed Motta.

Em 2003 foi responsável pelos arranjos do CD "Acústico Jorge Benjor".

Lincoln Olivetti fez o arranjo da abertura do programa "Fantástico", em 1973. Participou de trilhas sonoras de várias novelas, entre elas, "Baila Comigo" (1981).

Constam da relação dos intérpretes de suas canções vários artistas, como Tim Maia, Robertinho de RecifeRoberto Carlos, Fernanda Abreu, Xuxa, Ronnie Von, Cláudia Telles, Peninha, Fafá de Belém, Sérgio Reis, Chitãozinho & Xororó, Celebrare, Lafayette, Banda Black Rio, Vanusa, Patrícia Marx, KarametadeAntônio Marcos, Márcio Montarroyos, Fat Family, Roupa Nova, Sandra de Sá, Jane DubocAngélica, Sandy & Júnior, Adriana, Pedro Mariano, Diana Pequeno, Rosana, entre outros tantos.

Lulu Santos tem em um quadro o arranjo que Lincoln Olivetti fez para uma de seus maiores sucessos e que foi tema de "Malhação".

"Ele fazia a música soar como precisava para ficar o melhor que ela podia ficar", afirmou Lulu Santos. É dele também parte do arranjo de uma canção feita para as Olimpíadas Rio 2016.

Morte

Lincoln Olivetti morreu na noite de terça-feira, 13/01/2015. Ele sofreu um infarto fulminante, no estúdio que mantinha em casa, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Lincoln Olivetti tinha 60 anos e morreu fazendo o que mais gostava.

Ele passou a vida dentro de estúdios como o de Copacabana. Lá ele tocava piano, fazia arranjos, acompanhava gravações e exigia no mínimo trabalhos perfeitos.
Indicação: Miguel Sampaio

Dodô da Portela

MARIA DAS DORES RODRIGUES
(95 anos)
Porta-Bandeira

* Barra Mansa, RJ (03/01/1920)
+ Rio de Janeiro, RJ (06/01/2015)

Maria das Dores Rodrigues, mais conhecida como Dodô da Portela, foi uma porta-bandeira brasileira.

A lendária porta-bandeira da escola, estreou na agremiação aos 14 anos, conduzindo o pavilhão azul e branco. Natural de Barra Mansa, ela nunca deixou de estar com a Portela na Avenida. Ocupou o posto de primeira porta-bandeira até a década de 50. Seu primeiro desfile, em 1935, contribuiu para o primeiro campeonato conquistado pela escola. Dodô desfilou até 1966.

Desde então, tornou-se personalidade querida e admirada pelos sambistas, por sua dedicação ao samba e, principalmente, à escola de coração.

No ano 2000, Dodô voltou a desfilar como porta-bandeira, comovendo a todos na Sapucaí.

Em 2003, Dodô foi homenageada no Centro Cultural Carioca. No ano seguinte, recebeu o Estandarte de Ouro, do jornal O Globo, na categoria Personalidade do Ano.

Em 2004, teve papel de destaque no Sambódromo ocupando o posto de Rainha de Bateria.

Em 2009, foi homenageada, com outras personalidades do samba, no documentário "Velhas Guardas", de Joatan Berbel.

Há anos era de responsabilidade dela a organização da Ala das Damas, uma das mais tradicionais da escola, e à frente da qual sempre fez questão de desfilar. Católica fervorosa, era Dodô quem cuidava das cerimônias religiosas na quadra da agremiação, em Madureira.

Entrevista

Dodô conversou com a Portela Web e revelou: "Recebi a bandeira de 1935 das mãos de Paulo da Portela".

PW: Como a senhora chegou à Portela?
Dodô: Foi a rainha da Portela que me trouxe, em 1935.

PW: A senhora foi a primeira porta-bandeira da Portela?
Dodô: Eu cheguei para pegar a bandeira da Portela. E nunca saí em outro lugar.

PW: A senhora foi a porta-bandeira no primeiro título da Portela, não é verdade?
Dodô: No primeiro título, e quem me entregou a bandeira foi Paulo da Portela.

PW: E quem era seu mestre-sala?
Dodô: Seu Antônio, o primeiro mestre-sala da Portela.

PW: E qual lembrança a senhora guarda de Paulo da Portela?
Dodô: Muito trabalho. E se hoje em dia a escola tem esse nome, Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela, agradeça a ele. Ele, Seu Rufino, Seu Cláudio... os fundadores da escola.

PW: Como era ser porta-bandeira naquele tempo?
Dodô: Era diferente. Tanto para mim quanto para as outras porta-bandeiras antigas. A dança era diferente. O rodopio era diferente.

PW: O carnaval mudou muito, não é, Dodô?
Dodô: Mudou. Mudou muito.

PW: O que a senhora acha do carnaval de hoje? Naquela época todos na escola se conheciam, não é verdade?
Dodô: Bom, justamente, todo mundo se conhecia, como agora. Vocês agora já passaram a me conhecer (risos) e assim todo mundo vai se conhecendo. Mas, quando eu vim para a Portela, tinha mais harmonia, tinha mais vontade, tinha mais garra no samba. Os compositores, para concorrer com o samba, tinham as pastoras julgando na quadra, cantando. O samba mais bem cantado é que a gente levava para a avenida. O samba não podia ser pequeno como agora.

PW: Como assim? Como era o samba naquela época?
Dodô: Quando eu vim para cá, as pastoras cantavam em coro. O estribilho era versado. Os compositores vinham na frente da bateria e versando. Agora não. De 1935 para cá, o samba já teve que ter estribilho.

PW: A senhora acha que hoje o som da avenida atrapalha, impedindo que as pessoas cantem?
Dodô: Ué, atrapalha por quê? Só não canta quem não quer. Quanto mais som, melhor. Para quais escolas vocês torcem?

PW: Todos somos portelenses.
Dodô: Vocês são portelenses, mas no meu tempo, no primeiro ano em que eu saí, em 1935, ninguém me ensinou, meu mestre-sala disse apenas: "Quando tocar o sinal você entra", era garra. Mas agora o que está faltando ao nosso samba é amor. Cada um por sua escola. Se você era Portela, você não podia sair na Mangueira, no Salgueiro... agora não. As pessoas somente em uma noite saem em 4 ou 5 escolas. Estão enganando os outros.

PW: O que a Portela representa para a senhora?
Dodô: Tudo. É minha família.

Morte

Dodô da Portela morreu na terça-feira, 06/01/2015, aos 95 anos. Ela tinha quadro de desnutrição e desidratação. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa da Portela. O corpo de Dodô da Portela será velado na capela 2 do Cemitério São João Batista, em Botafogo, RJ, a partir das 10:00 hs de quarta-feira, 07/01/2015, e o sepultamento será às 13:30 hs.

O vice-presidente da Portela, Marcos Falcon, que esteve com Dodô várias vezes durante o período em que ela esteve internada, cuidou pessoalmente dos detalhes referentes ao velório e ao enterro. O velório, a pedido da própria Dodô, não será na quadra da escola. Segundo a assessoria, ela repetiu diversas vezes que achava que a sede da escola era pra ser um local de alegria permanente.

Ela estava internada desde o dia 22/12/2014 no Hospital Municipal Ronado Gazolla, o Hospital de Acarí, no Subúrbio do Rio de Janeiro.

Portela Lamenta a Morte de Dona Dodô

"Um clima de profunda tristeza toma conta da quadra e do barracão da Portela nesta terça-feira quando perdemos uma das maiores referências da história da escola e uma figura importante na história do Carnaval carioca. Tia Dodô foi um exemplo de dedicação para todos os portelenses. Figura que frequentou a quadra até poucos dias antes de ser internada, Dodô irradiava energia, apesar da idade, e sempre foi uma grande conselheira de toda a Família Portelense.
Estamos profundamente consternados e orando pela alma de nossa querida madrinha, que, ao nos deixar, abriu uma profunda lacuna no seio portelense"

Indicação: Miguel Sampaio

Chico de Assis

FRANCISCO DE ASSIS PEREIRA
(81 anos)
Dramaturgo

* São Paulo, SP (10/12/1933)
+ São Paulo, SP (03/01/2015)

Francisco de Assis Pereira, mais conhecido como Chico de Assis, foi um dramaturgo brasileiro. Começou seus estudos no Colégio São Paulo. Depois foi aluno interno do Colégio Diocesano São Luiz em Bragança Paulista. Logo ao terminar o segundo grau foi trabalhar na TV Tupi de São Paulo como câmera-man. Ali conheceu o ambiente de televisão onde permaneceu trabalhando até 1957 nas mais variadas funções. Na TV Tupi teve sua primeira peça montada, uma adaptação de Machado de Assis: "Os Óculos de Pedro Antão". Na mesma TV Tupi escreveu seu primeiro original "Na Beira da Várzea".

Nesta época foi para o grupo do Teatro de Arena onde trabalhou como ator e fez parte da fundação do Seminário de Dramaturgia do Arena e do Laboratório de Interpretação.

Em 1960 foi para o Rio de Janeiro com o Teatro de Arena, onde fez sua segunda assistência de direção. A primeira tinha sido para Antunes Filho em "Plantão 21". Desta vez trabalhou com Zé Renato Pecora na peça "A Revolução na América do Sul", de Augusto Boal.

No Rio de Janeiro se desvinculou do Teatro de Arena e foi dirigir o grupo do Teatro Jovem na Faculdade de Arquitetura. Dirigiu uma peça de Oduvaldo Vianna Filho: "A Mais Valia Vai Acabar, Seu Edgard".

Chico de Assis foi um dos fundadores do Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes (UNE) de São Paulo, Santo André e Bahia.


Chico de Assis dedicou-se ao estudo da literatura de cordel, nascendo deste trabalho uma trilogia experimental que consta das peças: "O Testamento do Cangaceiro", "As Aventuras de Ripió Lacraia" e "Farsa Com Cangaceiro Truco e Padre (Xandu Quaresma)".

Sua peça "Missa Leiga" foi montada com sucesso no Brasil e em Portugal. Foi levada para Angola e Moçambique, com elenco brasileiro.

Chico de Assis tem um repertório de teatro de mais de 30 peças. É fundador e coordenador do Seminário de Dramaturgia do Arena (SEMDA), que já funciona há treze anos, revelando novos nomes para a dramaturgia brasileira. Pertenceu à diretoria da Associação dos Produtores de Espetáculos Teatrais do Estado de São Paulo (APETESP) e é conselheiro da Sociedade Brasileira de Autores (SBAT). Foi também ex-professor da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) e da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), e tem o título de Notório Saber desde 1965, como professor.

Chico de Assis foi o ganhador da primeira edição do Prêmio Gastão Tojeiro em 1999. Foi professor do curso de dramaturgia e de preparação de atores Ação Dramática promovido pela Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo em 1999. No ano de 2001 continuou com o curso Ação Dramática, agora tomando o ano todo.

Em 2002 Chico de Assis ingressou na Companhia Ocamorana, como dramaturgo. Atualmente era mestre de dramaturgia do projeto de cidadania "Este País é Meu", da Sociedade Gastão Tojeiro, patrocinado pela Secretaria da Cultura do Município de São Paulo.

Em 2014 recebeu a condecoração da Ordem do Mérito Cultural do Brasil, pelo seu trabalho no teatro e no ensino da dramaturgia.

Morte

Aos 81 anos, o dramaturgo foi encontrado morto sem sinais de violência em seu apartamento, no bairro dos Jardins, em São Paulo, no dia 03/01/2015. Ele foi vítima de um infarto fulminante. Seu corpo foi velado no Teatro Arena, em São Paulo, e foi sepultado no Cemitério da Vila Alpina.


Teatro

  • Quebra-Vento e Dorminhoco ou o Triunfo da Amizade
  • O Testamento do Cangaceiro
  • As Aventuras de Ripió Lacraia
  • Farsa Com Cangaceiro, Truco e Padre (Xandu Quaresma)
  • Prometeu Engaiolado
  • Galileu da Galiléia
  • Na Toca da Raposa
  • As Aventuras e Desventuras de Maria Malazartes Durante a Grande Construção da Pirâmide
  • Missa Leiga
  • A Tentação do Templário
  • O Auto do Burrinho de Belém
  • Davi e Golias
  • Ópera Mineira
  • O Cocô do Cavalo do Bandido
  • CalifórniaFulano de Tal, Fiscal Federal
  • Conheça Seus Ídolos
  • EnigmaConcerto Nº 1 Para Solidão e Orchestra
  • Os Balões
  • Tremembé Jones Contra Kong Kong
  • Tio Sam'uca
  • O Auto da Rainha GingaPeças Íntimas
  • O caderno de Jó Estrobolofe o Ovo e a Galinha
  • A Ópera Trinassau (Tema: A Invasão Holandesa)


Telenovelas

  • Bicho do Mato (TV Globo - Chico de Assis e Renato Correa de Castro)
  • Ovelha Negra (TV Tupi - Chico de Assis e Walter Negrão)
  • Xeque Mate (TV Tupi - Chico de Assis e Walter Negrão)
  • Cinderela 77 (TV Tupi - Chico de Assis e Walter Negrão)
  • Salário Mínimo (TV Tupi - Chico de Assis)
  • O Coronel e o Lobisomem (TV Cultura - Chico de Assis)

Fonte: Wikipédia

Bernardo Guimarães

BERNARDO JOAQUIM DA SILVA GUIMARÃES
(58 anos)
Romancista e Poeta

* Ouro Preto, MG (15/08/1825)
+ Ouro Preto, MG (10/03/1884)

Bernardo Joaquim da Silva Guimarães foi um romancista e poeta brasileiro, conhecido por ter escrito o livro "A Escrava Isaura", sendo o patrono da Cadeira nº 5 da Academia Brasileira de Letras.

Filho de João Joaquim da Silva Guimarães, também poeta, e de Constança Beatriz de Oliveira Guimarães. Casou-se com Teresa Maria Gomes de Lima Guimarães, e tiveram oito filhos: João Nabor (1868-1873), Horácio (1870-1959), Constança (1871-1888), Isabel (1873-1915), Affonso (1876-1955), também escritor, autor de "Os Borrachos" e "Ossa Mea", sob o nome de Silva Guimarães, José (1882-1919), Bernardo (1832-1955) e Pedro (1884-1948).

Formou-se na 20ª turma da Faculdade de Direito de São Paulo, em 1851, colando grau em 15/03/1852, e nesta cidade tornou-se amigo dos poetas Álvares de Azevedo e Aureliano Lessa. Os três e outros estudantes fundaram a Sociedade Epicureia.

A Poesia Pré-Surrealista

Na época em que participou da criação da Sociedade Epicureia, Bernardo Guimarães teria introduzido no Brasil o bestialógico, ou pantagruélico, que se tratava de poesia cujos versos não tinham nenhum sentido, embora bem metrificados. Usando do burlesco, o satírico e o nonsense, esta poesia faz de Bernardo Guimarães um precursor brasileiro do surrealismo, conforme Haroldo de Campos, embora este ainda o considere um romancista medíocre.

João Alphonsus, em sua obra "Bernardo Guimarães, Romancista Regionalista", vê na opinião dos que declararam o poeta maior que o romancista "um critério intelectual exigente", acrescentando:

"No que concerne a Minas, nenhum outro escritor de sua época foi mais admirado, lido e conhecido"

A maior parte dessa poesia não foi publicada porque era considerada pornográfica, e se perdeu. Para alguns críticos, como o citado Haroldo de Campos, o melhor do escritor seria o bestialógico. Um exemplo dessa produção (não-pornográfica) é o soneto "Eu Vi dos Pólos o Gigante Alado".

Histórico das Obras

O seu livro mais conhecido é "A Escrava Isaura". Foi publicado pela primeira vez em 1875, pela Garnier. Conta as agruras de uma bela escrava branca que vivia em uma fazenda do Vale do Paraíba, na região fluminense de Campos.

O romance foi levado à tela da TV Globo em 1976 e em 1977, e à da TV Record em 2004. A versão da TV Globo foi exportada para cerca de 150 países. Na China, protagonizada por Lucélia Santos, a "Escrava Isaura" foi assistida por mais de 1 bilhão de pessoas. Uma edição do livro naquele país teve pelo menos 300 mil exemplares. O romance é considerado por alguns críticos como anti-escravista.

José Armelim Bernardo Guimarães, neto do escritor, argumenta que, se a história fosse de uma escrava negra, não chamaria a atenção dos leitores daquela época para a questão da escravidão. O livro de Bernardo Guimarães mais bem aceito pela crítica é "O Seminarista", cuja primeira edição é de 1872. Permanece atual porque questiona o celibato dos padres. Conta a história de um fazendeiro de Minas Gerais que obriga o seu filho a ser padre. Eugênio, o filho, ama desde criança Margarida, filha de uma agregada da fazenda. Ele tenta abandonar o Seminário de Congonhas em Minas Gerais, mas o pai dele, o capitão Antunes, inventa que Margarida se casou. Eugênio se ordena. Mas ele se endoidece no dia em que volta a sua cidade para rezar a sua primeira missa e se depara, na igreja, com um cadáver, o da Margarida, que tinha estado muito doente.

Duas das poesias mais conhecidas são consideradas pornográficas, embora não sejam do período bestialógico. Trata-se do "O Elixir do Pajé" e "A Origem do Mênstruo". Ambas foram publicadas clandestinamente em 1875.

Em 1852, tornou-se juiz municipal e de órfãos de Catalão, GO. Exerceu o cargo até 1854. Em 1858, mudou-se para o Rio de Janeiro. Em 1859, trabalhou como jornalista e crítico literário no jornal Atualidade, do Rio de Janeiro. Em 1861, reassumiu o cargo de juiz municipal e de órfãos de Catalão. Foi quando, ao ocupar interinamente o juizado de direito, Bernardo Guimarães convocou uma sessão extraordinária do júri, que liberou 11 réus porque a cadeia não estava em condições de abrigá-los. Em 1864, voltou para o Rio de Janeiro. Em 1866, foi nomeado professor de retórica e poética do Liceu Mineiro, de Ouro Preto. Em 1867, casou-se. Em 1873, lecionou latim e francês em Queluz, MG. Em 1881, foi homenageado pelo imperador Dom Pedro II

Bernardo Guimarães morreu pobre em 10/03/1884, em Ouro Preto, MG.

Academia Brasileira de Letras

Na Academia Brasileira de Letras, Bernardo Guimarães foi homenageado como patronato da cadeira 5, que teve como fundador Raimundo Correia e na qual tiveram assento figuras exponenciais como Oswaldo Cruz e Rachel de Queiroz.

Também foi homenageado como patrono da cadeira número 15 da Academia Mineira de Letras, cujo fundador foi Dilermando Cruz.

Obras

  • 1852 - Cantos da Solidão
  • 1858 - Inspirações da Tarde
  • 1858 - O Ermitão de Muquém
  • 1860 - A Voz do Pajé
  • 1865 - Poesias Diversas
  • 1865 - Evocações
  • 1865 - Poesias
  • 1871 - Lendas e Romances
  • 1872 - O Garimpeiro
  • 1872 - História e Tradições da Província de Minas Gerais
  • 1872 - O Seminarista
  • 1872 - O Índio Afonso
  • 1875 - A Escrava Isaura
  • 1876 - Novas Poesias
  • 1877 - Maurício ou Os Paulistas em São João del-Rei
  • 1879 - A Ilha Maldita ou A Filha das Ondas
  • 1879 - O Pão de Ouro
  • 1883 - Folhas de Outono
  • 1883 - Rosaura, a Enjeitada
  • 1905 - O Bandido do Rio das Mortes (Romance terminado em 1905 por Teresa Guimarães, mulher do autor)
  • Dança dos Ossos


Obras Não Publicadas

  • 1865 - Os Inconfidentes
  • 1870 - Os Dois Recrutas (Cerca de 1870)
  • 1870 - As Nereidas de Vila Rica ou As Fadas da Liberdade (Cerca de 1870)
  • 1876 - A Cativa Isaura
  • 1881 - A História de Minas Gerais (Encomendada pelo imperador Dom Pedro II)


Fonte: Wikipédia

Nelson Carneiro

NELSON DE SOUZA CARNEIRO
(85 anos)
Advogado, Jornalista e Político

* Salvador, BA (08/04/1910)
+ Niterói, RJ (06/02/1996)

Nelson de Souza Carneiro foi um político e jornalista brasileiro com larga atuação parlamentar. Tornou-se conhecido pela defesa da causa do divórcio, aprovada no ano de 1977.

Nascido em Salvador, BA, filho de Antônio Joaquim de Souza Carneiro, primeiro especialista a reconhecer a existência de petróleo em Lobato, e de Laura Coelho de Souza Carneiro. Iniciou sua vida pública como repórter em O Jornal, ligado a oposição democrática na Bahia, em 1929. Advogado formado na Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia em 1932, foi preso ao apoiar a Revolução Constitucionalista contra os esbirros de Getúlio Vargas cumprindo pena no Rio de Janeiro, então capital do país.

Com a redemocratização do país em 1945, filiou-se à União Democrática Nacional (UDN) e disputou uma vaga na Assembléia Constituinte destinada a elaborar a nova Constituição ficando apenas na suplência.

Passada a refrega político-eleitoral cobriu os trabalhos constituintes para dois impressos baianos: o Jornal da Bahia e O Imparcial.

Convocado para exercer o mandato parlamentar em abril de 1947, foi reeleito em 1950 numa coligação com o antigo Partido Social Democrático (PSD). No ano seguinte apresentou seu primeiro projeto divorcista e um outro desígnio que igualava a mulher casada ao marido, protagonizando debates acerbos com o Padre Arruda Câmara, frontal adversário de tais inovações.

Já filiado ao Partido Libertador (PL) não foi reeleito em 1954, derrota atribuída à firme oposição da Igreja Católica às teses encampadas por Nelson Carneiro.


Em 1958 Nelson Carneiro transferiu-se para o Rio de Janeiro com o fito de concorrer às eleições pelo então Distrito Federal, apostando que um eleitorado de perfil menos conservador assimilaria suas propostas.

Foi eleito deputado federal pelo Partido Social Democrático (PSD) em 1958 e a partir de 21/04/1960 passou a representar a Guanabara sendo reeleito em 1962.

Em meio à crise desencadeada pela renúncia do presidente Jânio Quadros em 25/08/1961, foi o autor da emenda que instituiu o parlamentarismo no Brasil de modo a assegurar a posse do vice-presidente João Goulart na presidência desde que o governo estivesse nas mãos de um primeiro-ministro, neste caso o mineiro Tancredo Neves. Com a deposição do presidente João Goulart por um golpe militar em 31/03/1964 e a subsequente adoção do bipartidarismo, Nelson Carneiro ingressou Movimento Democrático Brasileiro (MDB) sendo reeleito deputado federal em 1966.

Eleito senador pela Guanabara em 1970, passou a representar o Rio de Janeiro após a fusão entre essas unidades federativas em 15/03/1975 em face de lei sancionada pelo presidente Ernesto Geisel.

Após 26 anos de espera Nelson Carneiro obteve a aprovação da Lei 6.515 que instituiu o divórcio no Brasil em 26/12/1977 em virtude de sua tenacidade e ainda beneficiado pela mudança de quórum para aprovação de emendas constitucionais, que passou de dois terços para maioria absoluta dentre o total de parlamentares eleitos graças ao Pacote de Abril baixado pelo governo.


Reeleito em 1978, prescindiu da orientação do governador Chagas Freitas que fundou o Partido Popular (PP) e aportou no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) de Ivete Vargas, cuja candidata ao governo do Rio de Janeiro em 1982 era Sandra Cavalcanti, outrora adversária do senador. Por ocasião da eleição presidencial indireta de 1985 votou em Tancredo Neves no Colégio Eleitoral. De volta ao convívio de antigos companheiros ingressou no Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e disputou a convenção do partido como candidato ao governo, todavia a vitória de Moreira Franco o levou a disputar seu terceiro mandato como senador em 1986 numa campanha vitoriosa.

Membro da Assembleia Nacional Constituinte que elaborou a Constituição de 1988, foi eleito presidente do Senado Federal no ano seguinte e empossou Fernando Collor na Presidência da República em 15/03/1990, sendo que nesse mesmo ano ficou em terceiro lugar na eleição para governador do Rio de Janeiro num pleito marcado pelo triunfo de Leonel Brizola. Disputou a reeleição em 1994 pelo Partido Progressista (PP), mas não obteve a vitória.

Viúvo, casou-se com Maria Luísa Monteza de Souza Carneiro, natural do Peru, com quem teve uma filha, Laura Carneiro. Divorciado, veio a casar-se com Carmem Perim Casagrande de Souza Carneiro.

Nelson Carneiro se despediu do Senado Federal, em 18/01/1995, depois de 43 anos de atividade parlamentar. Em discurso de três horas, durante o qual chorou diversas vezes, disse ter sido derrotado pelo "Judas do Rio", referindo-se ao governador Marcello Alencar (PSDB), que apoiou a candidatura de Artur da Távola (PSDB).

"Os traidores passam. Nós conhecemos agora a verdadeira fisionomia do Judas. Saio da vida pública não pela vontade do povo do Rio, mas pela vontade do Judas do Rio"

Morte

Nelson Carneiro morreu por volta das 18:00 hs, do dia 06/02/1996, em sua casa, em Niterói, RJ, aos 85 anos. Ele se recuperava de uma cirurgia abdominal a que havia sido submetido em dezembro de 1995.

Fonte: Wikipédia

Roberto Drummond

ROBERTO FRANCIS DRUMMOND
(68 anos)
Jornalista e Escritor

* Ferros, MG (21/12/1933)
+ Belo Horizonte, MG (21/06/2002)

Roberto Francis Drummond foi um jornalista e escritor brasileiro. Participou da chamada Literatura Pop, marcada pela ausência de cerimônias e pela proximidade com o cotidiano.

Antes de residir, a partir da adolescência, em Belo Horizonte, a família do escritor viveu em Guanhães, Araxá e Conceição do Mato Dentro. Na capital mineira, iniciou no jornalismo na extinta Folha de Minas. Aos 28 anos, passou a dirigir a revista Alterosa, fechada pela Ditadura Militar em 1964. Durante um ano trabalhou no Rio de Janeiro, retornando a Belo Horizonte em 1966, onde passou a escrever colunas esportivas e crônicas.

O sucesso na literatura começou com seu primeiro livro, "A morte de D.J. em Paris", em 1971. Relançado em 1975, bateu recordes de vendas, recebendo o Prêmio Jabuti de Autor Revelação. Ao receber o Prêmio Jabuti, Roberto Drummond ganhou notoriedade nos meios literários brasileiros.

Na década de 80 publicou "Hitler Manda Lembranças" (1984) e "Ontem à Noite Era Sexta-Feira" (1988), iniciando uma nova fase em sua produção literatura, com enredos mais complexos.

Em 1991, lançou seu maior sucesso, o romance "Hilda Furacão", que foi adaptado para a televisão por Glória Perez, numa minissérie. Pare ele, o fato de o livro ter se tornado sua obra-prima resultou numa espécie de prisão: "Sou um eterno refém de 'Hilda Furacão'", dizia o escritor.

O cenário principal da trama é a capital mineira do final dos anos 50 e início dos anos 60. Os capítulos de "Hilda Furacão" seguem o modelo de suspense dos folhetins, instigando a leitura do próximo. Várias ações ocorrem quase ao mesmo tempo, dando ao texto conferindo uma dinâmica expressiva. A história central focaliza a personagem que dá nome ao romance, Hilda Furacão, que foi levada também ao teatro na direção de Marcelo Andrade.

Ele publicou também "Inês é Morta" (1993) e a biografia "Magalhães: Navegando Contra o Vento" (1994). Num de seus últimos livros, "O Cheiro de Deus" (2001), Roberto Drummond ironiza seu próprio sobrenome e narra histórias do clã Drummond em solo brasileiro.


Torcedor fanático do Atlético Mineiro, cronista do jornal Estado de Minas, escreveu a crônica "Para Torcer Contra o Vento", na qual descreveu a cena de um uniforme do time sendo lavado:

"Se houver uma camisa branca e preta pendurada no varal durante uma tempestade, o atleticano torce contra o vento!"


Roberto Drummond também fez um programa esportivo diário na TV Bandeirantes de Belo Horizonte.

Pouco antes de sua morte, concluiu a novela "Os Mortos Não Dançam Valsa".

Roberto Drummond morreu vítima de um infarto, no dia da partida entre Brasil x Inglaterra pelas quartas-de-final da Copa do Mundo de 2002.

Roberto Drummond era casado com Maria Beatriz, com quem teve uma filha, Ana Beatriz.

Foi homenageado pela prefeitura de Belo Horizonte com uma estátua de bronze em tamanho real na Praça Diogo de Vasconcelos, na Savassi, e pela prefeitura de Ferros com um Centro Cultural em seu nome.

Passados 10 anos da morte de Roberto Drummond, sua obra, sua paixão pelo futebol e seu legado para a literatura nacional foram novamente destacados pelos relançamentos de alguns de seus livros e de um documentário dirigido por Breno Milagres sobre a vida do escritor, além de uma homenagem da torcida atleticana no dia 23/06/2012, durante o jogo Atlético x Náutico, pelo Campeonato Brasileiro, no Estádio Independência.

Obras
  • 1971 - A Morte de D.J. em Paris
  • 1978 - O Dia em Que Ernest Hemingway Morreu Crucificado
  • 1980 - Sangue de Coca-Cola
  • 1982 - Quando Fui Morto em Cuba
  • 1984 - Hitler Manda Lembranças
  • 1988 - Ontem à Noite Era Sexta-Feira
  • 1991 - Hilda Furacão
  • 1993 - Inês é Morta
  • 1993 - O Homem Que Subornou a Morte & Outras Histórias
  • 2001 - Magalhães: Navegando Contra o Vento
  • 2001 - O Cheiro de Deus
  • Dia de São Nunca à Tarde (Publicação Póstuma)
  • Os Mortos Não Dançam Valsa (Publicação Póstuma)
  • O Estripador da Rua G (Publicação Póstuma)
  • Uma Paixão em Preto e Branco (Publicação Póstuma).