Sílvio Linhares

SÍLVIO LINHARES
(61 anos)
Locutor, Repórter Policial, Jornalista e Político

* (1950)
+ Brasília, DF (20/03/2011)

Sílvio começou puxando fios, numa época em que a experiência contava mais do que o diploma. Por conta disso, foi promovido a repórter de campo, e mais tarde veio a se firmar como locutor esportivo dos Diários Associados e da Rádio Globo.

Tinha apenas 18 anos quando participou da cobertura da Copa de 1970, no México. Viajou o mundo acompanhando a Seleção Brasileira de Futebol. Na Inglaterra, se encantou pelos tablóides: Gostava do The Sun e do The Mirror, das cores, do formato, da abordagem.

De volta ao Brasil, resolveu ingressar no jornalismo policial. Entre as coberturas que mais o marcaram, ele cita: "O Caso Ana Elizabete", Massacre do Carandiru, a Chacina de Acari, a Chacina da Candelária, e o assassinato de PC Farias. Gabava-se de ter sido "o único repórter a entrevistar Leonardo Pareja e Tommaso Buschetta".

Herdou do jornalista Walter Lima o programa de rádio Na Polícia e Nas Ruas, que transmitia pela Rádio Atividade (107,1 FM). Foi pioneiro em Brasília na produção do que se convencionou chamar de "Imprensa Marrom" (que seria muito mais apropriado chamar de "Imprensa Vermelha").

O principal motivo que o impulsionou na empreitada, afirmava, "É o tesão de ver bandido preso, tá no sangue do repórter policial". Atribui a iniciativa do Na Polícia e Nas Ruas impresso, também ao fato de que não queria mais se sujeitar ao crivo dos editores, e que preferia trabalhar com sua própria equipe.

Ele contava que atualmente já estava na 2ª geração de bandidos. Não raro topar com o filho de um criminoso que entrevistou no passado, por exemplo. Sílvio reconhecia uma função social no jornalismo que exercia: "além de ajudar nas investigações da polícia, também inibia a prática de crimes", defendia-se. Há quem discorde, e sugira o contrário: que o sensacionalismo de Na Polícia e Nas Ruas glamourize as ações criminosas, incentivando-as mais e mais.

A rotina do jornalista não era das mais relaxantes. Dormia de três a cinco horas por dia, geralmente na parte da tarde. Acordava lá pelas 17h e ficava de plantão, à espera das ocorrências. Costumava escrever as matérias de madrugada, e freqüentemente sai da redação direto para a rádio, de onde transmitia o Na Polícia e Nas Ruas a partir das 6h. Esses hábitos, aliados ao cigarro e à dieta nada moderada, podem ter contribuído para os enfartes que já acometeram-no.

Lidando diariamente com criminosos de todos os calibres, Sílvio admitia que só tinha medo de roda gigante. Não dá importância aos críticos de seu jornal: "Recebo uma crítica e mil elogios", argumentava.

Apesar de toda experiência no ramo, ele admitia: "ainda fico chocado quando vejo crimes envolvendo crianças e velhos".

O jornal era sonho antigo do repórter policial. Foi concretizado com ajuda de Fred Linhares, que apresentou o projeto do Na Polícia e Nas Ruas como trabalho final de uma disciplina na faculdade. Hoje é vice-presidente da publicação. Ao todo, são 30 pessoas fazendo o semanário, entre diagramadores, motoqueiros e gazeteiros. A reportagem está dividida em quatro equipes e cada uma cobre as ocorrências de determinadas áreas do DF. Fred Linhares, por exemplo, acompanha os crimes que acontecem em Planaltina, Sobradinho, etc.

Glossário da Polícia e das Ruas

Os repórteres do Na Polícia e Nas Ruas, assim como outros profissionais que lidam diretamente com o que se poderia chamar de "Mundo Cão", estão acostumados a usar certos jargões no linguajar cotidiano. Artigos do código penal, linguagem cifrada dos rádios de polícia e neologismos cunhados pela marginalidade integram esse vocabulário específico. Veja alguns exemplos:

157 – Assaltante
171 – Estelionatário
213 – Estuprador
Boi – Privada
Boizinho – Repórter policial novato
Cabrito – Dedo-duro
Caxanga – Casa
Caxanga muda – Casa vazia
Confere – Tiro na cabeça, para certificar-se do óbito
Grinfa – Mulher de malandro
Jaque – Estuprador
Jega – Cama
Marroque – Café
Papa-mike / Samango – Policial militar
Papa-charlie – Policial civil

Morte

Sílvio morreu domingo (20/03/2011), por volta das 14h, no Hospital Santa Helena, na Asa Norte, onde estava internado havia cinco dias. Silvio tinha 61 anos e foi vítima de Câncer. Ele deixou mulher e seis filhos, o velório ocorreu no cemitério Campo da Esperança, na manhã da segunda-feira (21/03/2011). Na terça-feira o corpo foi cremado.

Fonte: Correio de Santa Maria

Waldir Azevedo

WALDIR AZEVEDO
(57 anos)
Compositor e Instrumentista

* Rio de Janeiro, RJ (27/01/1923)
+ Brasília, DF (21/09/1980)

Foi músico e compositor brasileiro, mestre do cavaquinho e autor do choro "Brasileirinho".

Waldir Azevedo foi um pioneiro que retirou o cavaquinho de seu papel de mero acompanhante no choro e o colocou em destaque como instrumento de solo, explorando de forma inédita as potencialidades do instrumento.

Waldir Azevedo nasceu de família pobre em 1923 na cidade do Rio de Janeiro, no bairro da Piedade, e passou a infância e a adolescência no bairro do Engenho Novo. Manifestando interesse em música ainda criança, Waldir conseguiu comprar uma flauta transversal aos sete anos de idade, depois de juntar dinheiro capturando passarinhos e vendendo-os.

No carnaval de 1933, aos 10 anos de idade, apresentou-se em público pela primeira vez, como flautista, tocando "Trem Blindado", de João de Barro, no Jardim do Méier.

Já adolescente, conheceu um grupo de amigos que se reunia aos sábados para tocar e, por influência deles, acabou por trocar a flauta pelo bandolim. Pouco tempo depois trocou o bandolim pelo cavaquinho, instrumento que deixou de lado quando o violão elétrico ganhou projeção no Brasil.

Waldir sonhava ser piloto de aviões, mas problemas cardíacos o impediram de realizar seu sonho, e ele acabou empregando-se na companhia elétrica do Rio de Janeiro, a Light, até que em 1945, aos 22 anos, enquanto passava a lua de mel na cidade de Miguel Pereira, recebeu um telefonema de um amigo avisando de uma vaga no grupo de Dilermando Reis, em um programa da Rádio Clube do Brasil. Tocou no grupo durante dois anos, após o que acabou assumindo sua liderança, com a saída de Dilermando em 1947.

Durante a década de 1950 fez grande sucesso com composições como "Brasileirinho", "Pedacinhos do Céu", "Delicado", "Chiquita" e "Vê Se Gostas", e as composições de Waldir o projetaram internacionalmente. Durante 11 anos viajou com seu conjunto por países da América do Sul e Europa, incluindo duas viagens patrocinadas pelo Itamaraty na Caravana da Música Brasileira.

Suas composições tiveram gravações no Japão, Alemanha e Estados Unidos, onde Percy Faith e sua orquestra atingiram a marca de um milhão de cópias vendidas com uma gravação de "Delicado". Waldir chegou a participar de um programa na BBC de Londres, transmitido para 52 países.

Em 1964, com a morte de sua filha Miriam aos 18 anos, afastou-se da música. Mudou-se para Brasília em 1971, aos 48 anos, onde sofreu um acidente com um cortador de grama onde quase perdeu seu dedo anular, e foi forçado a ficar sem tocar por um ano e meio. Após cirurgias e fisioterapia, recuperou-se e voltou a gravar.

Em 1980, começou a preparar a gravação de um novo disco, e como era muito meticuloso em seu trabalho, gravou instruções em uma fita cassete tanto para os músicos que o acompanhariam como para o maestro Messias. Faleceu entretanto, poucos dias antes de iniciar as gravações do novo trabalho. O disco foi gravado postumamente com a presença do música Percy Faith, que ficou encarregado de substituí-lo. O LP recebeu o nome de "Luzes e Sombras", título de uma composição de sua autoria e teve incluídas as falas gravadas por ele como instrução para a realização do trabalho. Deixou mais de 70 obras de sua autoria e gravou mais de 200 músicas, sendo considerado um marco na história da execução do cavaquinho.

Waldir Azevedo morreu de Parada Cardíaca (horas após uma cirurgia no coração).



Felipe Carone

FELIPE CARONE
(74 anos)
Ator

* São Paulo, SP (25/07/1920)
+ Rio de Janeiro, RJ (27/03/1995)

Filho de família abastada, era pessoa de bastante educação e simpatia. Estreou na televisão em 1962, na novela "Gente Como a Gente", da TV Record. No mesmo ano fez na mesma emissora "Marcados pelo amor" e "Renúncia". Em 1965, passou para a TV Excelsior e participou de "Em Busca da Felicidade". Em 1968 fez "Os Tigres" e "A Grande Mentira", também na TV Excelsior. Em 69 participou do filme "Árvore dos Sexos".

Em 1970, Felipe Carone passou para a Rede Globo e participou de inúmeras novelas de sucesso. Fez "A Cabana do Pai Tomás", "Pigmaleão 70", "A Próxima Atração", "O Cafona", "Bandeira Dois", "Uma Rosa Com Amor", "O Semideus", "Cuca Legal".

Em 1975 participou da novela na TV Tupi intitulada "Um Dia, O Amor", para depois voltar à TV Globo. E lá fez outra série enorme de grandes novelas: "O Pulo do Gato", "Pecado Rasgado", "Feijão Maravilha", "Chega Mais", "Plumas e Paetês", "Elas Por Elas", "Voltei Pra Você", "De Quina Pra Lua", "Vida Nova" e "Top Model".

Felipe Carone era figura carismática, engraçada, e que era, portanto, querido por todos os colegas. Era , além disso ,um grande ator.

O artista faleceu aos 74 anos em uma clínica no bairro do Botafogo vitimado por um Câncer no Esôfago.

Pouco antes de morrer, ele estava em cartaz no Rio de Janeiro com a peça "Além da Vida", baseada em livro de Chico Xavier.