Chorão

ALEXANDRE MAGNO ABRÃO
(42 anos)
Cantor, Compositor, Cineasta e Empresário

* São Paulo, SP (09/04/1970)
+ São Paulo, SP (06/03/2013)

Chorão, nome artístico de Alexandre Magno Abrão, foi cantor, compositor, cineasta e empresário brasileiro. Nascido em 9 de abril de 1970, destacou-se como vocalista, principal letrista e cofundador da banda santista Charlie Brown Jr., formada em 1992 ao lado de Renato Pelado, Marcão, Champignon e Thiago Castanho.

Chorão foi o único integrante a participar de todas as formações do grupo. Com o Charlie Brown Jr., lançou dez álbuns, que venderam mais de cinco milhões de cópias, consolidando a banda como uma das mais populares do rock brasileiro a partir da década de 1990.

O apelido "Chorão" surgiu ainda na adolescência, quando amigos do skate zombavam dele com a frase "não chora", já que ele ainda não sabia andar. A infância e adolescência foram marcadas por dificuldades. Filho de mãe trabalhadora, que fazia serviços domésticos, cozinhava e vendia pastéis, Chorão ajudava nas entregas. Teve baixo rendimento escolar, abandonou os estudos na sétima série e frequentemente se envolvia em problemas com a polícia.

Aos 11 anos, seus pais se separaram. Aos 14, sua mãe sofreu um derrame e quase morreu, período em que Chorão passou a se dedicar intensamente ao skate, tornando-se uma de suas grandes paixões. Competiu por vários anos, chegando a ser vice-campeão paulista.

Início da Carreira

Em 1987, aos 17 anos, mudou-se para Santos, SP. Em um bar local, substituiu ocasionalmente o vocalista de uma banda, chamando a atenção de pessoas da plateia, que o convidaram para assumir os vocais. Após a saída do baixista, conheceu Champignon, então com apenas 12 anos, formando a banda What’s Up. Mais tarde, convidaram o baterista Renato Pelado. Com a entrada de Marcão e Thiago Castanho, formou-se a primeira formação do Charlie Brown Jr., nome escolhido em 1992. Segundo Chorão, a inspiração veio após colidir com uma barraca de água de coco que trazia a imagem do personagem Charlie Brown, criado por Charles Schulz. O "Jr." representava o fato de a banda se considerar "filha" do rock.

A sonoridade do grupo misturava hardcore, punk, reggae e skate rock, com influências de bandas como Nirvana, Red Hot Chili Peppers, Sublime, Bad Brains, além de grupos brasileiros como Raimundos, Nação Zumbi e Planet Hemp.

Em 1993, a banda passou a tocar no circuito underground de Santos e São Paulo e em eventos de skate. Uma fita demo chegou às mãos do produtor Rick Bonadio, então presidente da Virgin Records no Brasil, que contratou o grupo. Dessa demo surgiu o álbum de estreia "Transpiração Contínua Prolongada", lançado em 1997, com produção de Rick Bonadio e Tadeu Patolla. O disco vendeu cerca de 500 mil cópias, impulsionado por faixas como "O Coro Vai Comê!", "Proibida Pra Mim (Grazon)", "Tudo Que Ela Gosta de Escutar" e "Gimme o Anel".

Perdas Pessoais

Em 2001, Chorão perdeu o pai, episódio que marcou profundamente sua vida. A banda decidiu interromper temporariamente as atividades para que o cantor pudesse lidar com o luto. Esse período influenciou composições como "Ouviu-se Falar" e "Talvez a Metade do Caminho". Após cerca de seis meses afastado, Chorão retomou as atividades com o grupo.

Outros Projetos

Além da música, Chorão investiu em outros empreendimentos. Em 2006, inaugurou o Chorão Skate Park, em Santos, espaço voltado para skatistas e músicos. Em 2007, roteirizou e participou do filme "O Magnata", dirigido por Johnny Araújo, integrando também a trilha sonora. Em 2009, lançou sua marca de roupas, a DO.CE.

Morte

Chorão foi encontrado morto na madrugada de 6 de março de 2013, em seu apartamento no bairro de Pinheiros, zona oeste de São Paulo, aos 42 anos de idade. Ele foi localizado desacordado por um membro da equipe da banda, que acionou o SAMU. A Polícia Militar registrou a ocorrência por volta das 5h18. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para perícia.

Posteriormente, laudos oficiais apontaram intoxicação por cocaína como causa da morte. Sua partida causou grande comoção nacional e encerrou a trajetória de um dos artistas mais emblemáticos do rock brasileiro.

Discografia

  • 1997 - Transpiração Contínua Prolongada
  • 1999 - Preço Curto... Prazo Longo
  • 2000 - Nadando Com os Tubarões
  • 2001 - 100% Charlie Brown Jr. (Abalando a Sua Fábrica)
  • 2002 - Bocas Ordinárias
  • 2004 - Tâmo Aí na Atividade
  • 2005 - Imunidade Musical
  • 2007 - Ritmo, Ritual e Responsa
  • 2009 - Camisa 10 (Joga Bola Até na Chuva)
  • 2003 - Acústico MTV
  • 2012 - Música Popular Caiçara (Ao Vivo)

DVD

  • 2002 - Ao Vivo
  • 2003 - Acústico MTV
  • 2004 - Na Estrada
  • 2005 - Skate Vibration
  • 2008 - Ritmo, Ritual e Responsa
  • 2012 - Música Popular Caiçara (Ao Vivo)

Filmografia

  • 2007 - O Magnata (Escritor e Roteirista)
  • .... - O Cobrador (Escritor e Roteirista)

Fonte: Wikipédia e Terra

Pai João de Camargo

JOÃO DE CAMARGO
(84 anos)
Religioso, Médium, Curandeiro, Santo Popular, Milagreiro e Preto Velho

* Sarapuí, SP (16/05/1858)
+ Sorocaba, SP (18/09/1942)

Pai João de Camargo foi um médium, curandeiro, religioso, também considerado santo popular, milagreiro e preto-velho. Era também conhecido como médico dos pobres.

Nhô João, nasceu no dia 16 de maio de 1858, na fazenda dos Camargo Barros, bairro dos Cocaes em Sarapuí, SP. Era filho de Francisca, escrava de Luís de Camargo Barros e de pai incógnito, batizado na Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores de Sarapuí.

Como escravo cresceu na fazenda em que nascera, herdou o sobrenome da família Camargo Barros, analfabeto não teve acesso à educação institucional, veio para Sorocaba, SP, logo após a abolição da escravatura, em 13 de maio de 1888.

Trabalhou em Sorocaba como cozinheiro para Manuel Lopes Monteiro, e também para a família de Inácio Pereira da Rocha. Em 1893, alistou-se como soldado voluntário, no batalhão dos Voluntários Paulistas, deu baixa em sua carreira militar em 1895, quando a Revolução Federalista terminou. Passou a trabalhar na lavoura em Pilar do Sul, lugar onde conheceu Escolástica do Espírito Santo, sua esposa.

Voltou para Sorocaba em meados de 1890, época em que Sorocaba fora atacada pela epidemia de febre amarela o que fez o casal abandonar a cidade e mudar-se para o Bairro da Ilha, em Salto de Pirapora, SP. Após cerca de cinco anos de convivência matrimonial vieram a separar-se por incompatibilidade. João de Camargo retornou à Sorocaba para recomeçar a vida, trabalhou em vários empregos para sobreviver desde o campo trabalhando na lavoura a olarias fazendo tijolos e telhas.

Recebeu influência na prática de curandeirismo e na religiosidade africana através de sua mãe, Nhá Chica, de sua sinhazinha, Ana Teresa de Camargo a iniciação ao catolicismo e do padre João Soares do Amaral os ensinamentos através de seus sermões, pois o conhecera ainda quando era adolescente e lhe tinha grande admiração. Sua religiosidade sincrética formou-se a partir do catolicismo popular, participando nas festas em devoção aos santos católicos a que se homenageavam na Casa Grande nos dias sagrados, bem como do aprendizado que adquirira com sua mãe.

Desde 1897 iniciara-se no caminho do misticismo, acendia velas, rezava ao pé da cruz e já praticava a cura em algumas pessoas. Em 1905 seguindo seu percurso pela Estrada da Água Vermelha, cumpria a sua obrigação junto a Cruz do Menino Alfredinho, em casa meditando por volta da meia-noite, percebeu que fenômenos estranhos como murmúrios, luzes, ventos entre outros sinais ocorriam a ele, fazendo-o muitas vezes a ser tomado como louco. Entre as vozes que ouvia, a mensagem para que parasse de beber era clara, uma vez que, segundo a voz que lhe falava o álcool o impedia de receber a missão designada, além de lhe estragar o corpo.

Em 1913 foi processado judicialmente acusado de praticar o curandeirismo. Absolvido e para se proteger de perseguições criou em sua Capela a Associação Espírita e Beneficente Capela do Senhor do Bonfim, reconhecida como pessoa jurídica em fevereiro de 1921.

Em 1915, fundou a Corporação Musical São Luís, composta por vinte e oito músicos, sendo muitos deles os que animavam os cordões carnavalescos da cidade, visto que apresentavam-se em festas religiosas e profanas. Seus maestros foram Francisco Dimas de Melo, Salvador Elisário, Pancrácio Inocêncio de Campos, e Avelino Soares.

Sua fama percorreu o mundo, foram-lhe dedicadas poesias, composições musicais e desenhos. João de Camargo foi tema de várias dissertações de mestrado, biografado por inúmeros escritores, pesquisadores e historiadores entre eles Antônio Francisco Gaspar, Florestan Fernandes, Genésio Machado, Roger Bastide, José Barbosa Prado, Aluísio de Almeida, Paulo Tortello, Rogich Vieira, Prof. Bene Cleto, Alcir Guedes e Antônio Carlos Guerra da Cunha.

Também sobre João de Camargo o jornalista Plínio Cavalcante publicou reportagem na revista semanal "O Malho", Rio de Janeiro em 1934 e na Europa o "Corriere Dela Sera" publicou reportagem em 1922. Em 1995 foi publicada sua biografia e um espetáculo teatral cujos autores, Sônia Castro e Fernando Antonio Lomardo tinham como intenção principal investigar O Homem - João de Camargo.

Em 1999 os pesquisadores Carlos de Campos e Adolfo Frioli publicaram o livro "João de Camargo - O Nascimento de Uma Religião de Sorocaba", sendo o tema principal "o preto velho e bom da Água Vermelha" uma vez que, Nhô João foi uma referência de fé popular nesta cidade. No mesmo ano de 1999, o pesquisador Carlos Carvalho Cavalheiro também dedicou-lhe algumas páginas de seu trabalho sobre o "Folclore em Sorocaba - Milagres de Nhô João de Camargo".

Pai João de Camargo faleceu no dia 18 de setembro de 1942 na cidade de Sorocaba, SP. Após sua morte a Capela Bom Jesus do Bonfim ficou fechada durante cinco anos por questões judiciais, Escolástica do Espírito Santo Maduro, sua ex- mulher apareceu requerendo sua parte no espólio.

O túmulo de João de Camargo é uma réplica da Capela Bom Jesus do Bonfim, levantada sob responsabilidade de um de seus devotos, João Massa em 1948. Seu túmulo é visitado por um número incontável de devotos e simpatizantes, principalmente no dia 02 de novembro, Finados.

Sobre sua vida, foram escritas inúmeras biografias por famosos escritores brasileiros. Em 2003, foi homenageado no enredo da escola de samba paulistana Império de Casa Verde. O desfile contou com a participação do ator Paulo Betti, que é devoto de Nhô João e produziu o filme "Cafundó", sobre sua vida.


Cafundó

"Cafundó" é inspirado em um personagem real saído das senzalas do século XIX. Um tropeiro, ex-escravo, deslumbrado com o mundo em transformação e desesperado para viver nele.

Este choque leva-o ao fundo do poço. Derrotado, ele se abandona nos braços da inspiração, alucina-se, ilumina-se, é capaz de ver Deus. Uma visão em que se misturam a magia de suas raízes negras com a glória da civilização judaico-cristã.

Sua missão é ajudar o próximo. Ele se crê capaz de curar, e acaba curando. O triunfo da loucura da fé.

Sua morte, nos anos 40, transforma-o numa das lendas que formou a alma brasileira e, até hoje, nas lojas de produtos religiosos, encontramos sua imagem, O Preto Velho João de Camargo.

"Cafundó", na linguagem popular, é um lugar de difícil acesso, situado longe de centros povoados. A origem do nome é indígena e "caa" significa mato em tupi. Por extensão, o termo passou a designar locais para os quais fugiam índios e negros escravos.


Principais Prêmios e Indicações

Festival de Gramado 2005:
  • Venceu nas categorias de Melhor Ator (Lázaro Ramos), Melhor Direção de Arte e Melhor Fotografia.
  • Ganhou o Prêmio Especial do Júri na categoria de Melhor Longa Metragem em 35mm Brasileiro.
  • Indicado na categoria de Melhor Filme.

Los Angeles Pan African Film Festival 2006:
  • Recebeu Menção Honrosa.


Elenco
  • Lázaro Ramos ... João de Camargo
  • Leona Cavalli ... Rosário
  • Leandro Firmino ... Cirino
  • Alexandre Rodrigues ... Natalino (Adulto)
  • Ernani Moraes ... Coronel João Justino
  • Luís Melo ... Monsenhor João Soares
  • Renato Consorte ... Ministro
  • Francisco Cuoco ... Bispo
  • Abrahão Farc ... Juiz