Sônia de Moraes Angel

SÔNIA MARIA DE MORAES ANGEL JONES
(27 anos)
Guerrilheira, Professora, Economista e Militante da Ação Libertadora Nacional

* Santiago do Boqueirão, RS (09/11/1946)
+ São Paulo, SP (30/11/1973)

Foi uma integrante do grupo guerrilheiro de extrema-esquerda Ação Libertadora Nacional (ALN) e participante da luta armada contra a Ditadura Militar brasileira. Presa, torturada e morta por agentes do regime militar, seus restos só foram identificados décadas após sua morte.

Filha de um oficial do Exército Brasileiro, Sônia estudou no Colégio de Aplicação da antiga Faculdade Nacional de Filosofia e, posteriormente, na Faculdade de Economia e Administração da UFRJ, de onde foi desligada pelo Decreto nº 477, de 24 de setembro de 1969, antes de se formar, por participar de atividades subversivas. Para se sustentar, trabalhava como professora de português, no Curso Goiás, no Leblon, na cidade do Rio de Janeiro, de propriedade de sua família.

Casou-se, em 18 de agosto de 1968, com Stuart Edgard Angel Jones, militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), que conheceu nas manifestações e reuniões de militantes de esquerda.

Foi presa pela primeira vez em 1 de maio de 1969, quando das manifestações de rua na Praça Tiradentes, no Rio de Janeiro, e primeiro levada para o DOPS para interrogatório e em seguida para o Presídio Feminino São Judas Tadeu. Foi solta apenas em 6 de agosto de 1969, após ser absolvida pelo Superior Tribunal Militar, por unanimidade, passando à clandestinidade com o nome de Esmeralda Siqueira Aguiar.

Em liberdade, ela auto-exilou-se na França em maio de 1970, indo estudar na Universidade de Vincennes, enquanto lecionava português na Escola de Idiomas Berlitz, em Paris.

Após a prisão e desaparecimento do marido, Stuart Edgard Angel Jones, em maio de 1971, Sônia decide voltar ao Brasil e retomar a luta armada, ingressando na Ação Libertadora Nacional (ALN), mas por causa da intensidade da repressão, foi em seguida refugiar-se no Chile de Salvador Allende, onde trabalhou como fotógrafa. Retornou ao Brasil secretamente em maio de 1973, passando a residir em São Paulo.

Morte e Identificação

Foto de Sônia, assassinada em 1973, encontrada no DOPS/SP
Com Antônio Carlos Bicalho Lana, outro integrante da Ação Libertadora Nacional com quem se unira, foi morar em São Vicente, onde alugou um apartamento em 15 de novembro de 1973. No mesmo mês, ela e Lana foram presos por agentes do DOI/CODI de São Paulo.

Foi noticiado pelo II Exército em versão oficial, publicada nos jornais O Globo e O Estado de São Paulo de 1 de dezembro de 1973, que ela morrera, após combate, a caminho do hospital, num tiroteio com agentes de segurança no bairro de Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo.

Existem, na verdade, duas versões posteriores para a tortura e morte de Sônia:

A primeira delas, dada pelo próprio tio da militante, coronel Canrobert Lopes da Costa, ex-comandante do DOI/CODI de Brasília e irmão do pai dela, que diz que "depois de presa, do DOI-CODI de São Paulo foi mandada para o DOI-CODI do Rio de Janeiro, onde foi torturada, estuprada com um cassetete e mandada de volta a São Paulo, já exangüe, onde recebeu dois tiros."

A segunda versão, do ex-sargento Marival Chaves, ex-membro do DOI/CODI de São Paulo e do Centro de Informações do Exército (CIEx), em Brasília, dada à Revista Veja em 1992, afirma que "Sônia e Antônio Carlos foram presos e levados para um sítio na Zona Sul de São Paulo onde ficaram de cinco a dez dias sendo torturados, até morrerem, dia 30 de novembro de 1973 com tiros pelo corpo, sendo colocados, no mesmo dia, à porta do DOI-CODI/SP, para servir de exemplo. Ao mesmo tempo, foi montado um 'teatrinho' para justificar a versão oficial de que foram mortos em conseqüência de tiroteio, no mesmo dia 30 (metralharam com tiros de festim um casal e os colocaram imediatamente num carro).

Durante quase vinte anos, a família de Sônia investigou os fatos relativos à sua morte e a de seu companheiro Antônio Carlos Bicalho Lana. O resultado destas investigações foi transformado no vídeo Sônia Morta e Viva, dirigido por Sérgio Waismann.

Ela foi enterrada como indigente no Cemitério de Perus, em São Paulo, sob o nome de Esmeralda Siqueira Aguiar, mesmo depois de identificada como Sônia Angel. Através de um processo na 1ª Vara Cívil de São Paulo, seu pai, Tenente-coronel da reserva João Luiz de Morais, conseguiu a correção do certificado de óbito e a verdadeira identificação da filha. Com Sônia oficialmente morta, seus supostos restos, encontrados no Cemitério de Perus, foram transladados para o Rio de Janeiro em 1981, oito anos após sua morte.

No ano seguinte, na tentativa de conseguir uma maior apuração do acontecido à Sônia, através de um processo contra Harry Shibata, legista do IML/SP que atestou sua morte, descobriu-se que os ossos entregues à família eram de um homem.

Para sepultar os restos mortais da filha, sua família teve que fazer um total de seis exumações de corpos. Apenas em 1991, através da identificação dos mortos de Perus feita pela Unicamp, os verdadeiros ossos de Sônia Angel Jones puderam ser realmente identificados e foram enterrados no Rio de Janeiro, em 11 de agosto de 1991.

Homenagens Póstumas

Seu nome hoje batiza um viaduto no bairro do Jardim Santo Antônio, na cidade de São Paulo, um bairro na cidade de Mauá e uma rua no bairro do Tirol, em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Em 2011, a atriz Fernanda Montenegro a homenageou fazendo seu papel numa campanha cívica da OAB pela abertura dos arquivos da Ditadura Militar, para saber a verdade sobre sua morte e de outros guerrilheiros assassinados ou desaparecidos, exibida na televisão e nos cinemas de todo o Brasil.

Fonte: Wikipédia

Stuart Angel Jones

STUART EDGARD ANGEL JONES
(25 anos)
Militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro

* Salvador, BA (11/01/1946)
+ Rio de Janeiro, RJ (14/06/1971)

Foi um integrante da luta armada contra a Ditadura Militar no Brasil e militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), preso, torturado, morto e dado como desaparecido político brasileiro.

Stuart era filho do americano Norman Jones e de Zuleika Angel Jones, mais conhecida como Zuzu Angel, figurinista e estilista conhecida internacionalmente.

Bicampeão carioca de remo pelo Clube de Regatas Flamengo na adolescência, ele foi estudante de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Possuía dupla nacionalidade, brasileira e americana.

Na virada das décadas de 60/70, passou a militar no Movimento Revolucionário 8 de Outubro, grupo de extrema-esquerda que fazia a luta armada contra o Regime Militar, onde usava os codinomes Paulo e Henrique.

Preso, torturado e morto por membros do Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica (CISA) em 14 de junho de 1971, aos 25 anos de idade. Foi casado com a também militante e guerrilheira Sônia Maria de Moraes Angel Jones, presa, torturada e morta dois anos depois e também dada como desaparecida.

Morte

Preso próximo a seu aparelho, no bairro do Grajaú, perto da Avenida 28 de Setembro, na Zona Norte do Rio de Janeiro, Stuart foi levado pelos agentes do Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica (CISA) à Base Aérea do Galeão para interrogatório. Dele, os militares queriam a informação da localização do ex-capitão Carlos Lamarca, chefe do Movimento Revolucionário 8 de Outubro e então o grande procurado pelo regime. Negando-se a falar, Stuart Angel Jones foi então barbaramente torturado no pátio da base, vindo a morrer em consequência dos maus tratos.

A versão mais conhecida e aceita de sua tortura e morte foi dada pelo ex-guerrilheiro Alex Polari, também preso na base, e que assistiu da janela de sua cela as torturas feitas contra Stuart, presenciando inclusive a cena em que ele foi arrastado por um jipe militar, com o corpo completamente esfolado e com a boca no cano de descarga do veículo, pelo pátio interno do quartel, o que causou sua morte por asfixia e envenenamento por gás carbônico. Alex Polari escreveu uma carta a Zuzu Angel contando-lhe o ocorrido com o filho. De posse dela, a estilista denunciou o assassinato de Stuart - que tinha cidadania brasileira e americana - ao senador Edward Kennedy, que levou o caso ao Congresso dos Estados Unidos.

O livro Desaparecidos Políticos, de Reinaldo Cabral e Ronaldo Lapa, aponta duas versões para o desaparecimento do corpo do guerrilheiro:

"A primeira é de que teria sido transportado por um helicóptero da Marinha para uma área militar localizada na Restinga de Marambaia, na Barra de Guaratiba, próximo à (então) zona rural do Rio de Janeiro, e jogado em alto-mar pelo mesmo helicóptero. Mas, de acordo com outras informações, o corpo de Stuart teria sido enterrado como indigente, com o nome trocado, num cemitério de um subúrbio carioca, provavelmente Inhaúma."

Os responsáveis, segundo eles:

"Os brigadeiros João Paulo Burnier e Carlos Afonso Dellamora, o primeiro, chefe da Zona Aérea e, o segundo, comandante do CISA; o tenente-coronel Abílio Alcântara, o tenente-coronel Muniz, o capitão Lúcio Barroso e o major Pena - todos do mesmo organismo; o capitão Alfredo Poeck – do Centro de Informações da Marinha (CENIMAR); Mário Borges e Jair Gonçalves da Mota - agentes do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS)".

Pelos anos seguintes, a mãe de Stuart, Zuzu Angel, peregrinou pelo poder militar tentando conseguir explicações e informações sobre o corpo do filho, oficialmente dado como desaparecido. Sua campanha chegou ao mundo da moda, na qual tinha destaque, com desfiles de coleções feitas com roupas estampadas com manchas vermelhas, pássaros engaiolados e motivos bélicos. O anjo, ferido e amordaçado em suas estampas, tornou-se também o símbolo do filho. Zuzu Angel chegou a realizar em Nova York um desfile-protesto, no consulado do Brasil na cidade.

Usando de sua relativa notoriedade internacional, ela envolveu celebridades de Hollywood que eram suas clientes, como Joan Crawford, Liza Minelli e Kim Novak, em sua causa, e durante a visita de Henry Kissinger, então secretário de estado norte-americano, ao Brasil, chegou a furar a segurança para entregar-lhe um dossiê com os fatos sobre a morte do filho, também portador da cidadania americana.

Zuzu Angel morreu em 1976, num acidente de automóvel nunca devidamente explicado no bairro de São Conrado, Rio de Janeiro, sem jamais conseguir descobrir o paradeiro do corpo de Stuart Angel.

Cinema e Literatura

Em 2006, a vida de Stuart Angel Jones e de sua mãe foram levadas ao cinema, com o filme Zuzu Angel, dirigido por Sérgio Rezende, com Daniel de Oliveira e Patrícia Pillar no papel do militante-guerrilheiro e da estilista.

O escritor José Louzeiro escreveu o romance "Em Carne Viva", com personagens e situações que lembram o drama da morte de Stuart Angel.

Stuart Jones é patrono da Juventude Revolucionária 8 de Outubro, seção de jovens do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), hoje uma facção política integrante do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).

Fonte: Wikipédia

Zuzu Angel

ZULEIKA ANGEL JONES
(54 anos)
Estilista

* Curvelo, MG (05/06/1921)
+ Rio de Janeiro, RJ (14/04/1976)

Zuleika de Souza Neto (nome de solteira), conhecida como Zuzu Angel, foi uma estilista brasileira, mãe do militante político Stuart Edgard Angel Jones e da jornalista Hildegard Angel.

Nascida no interior de Minas Gerais, mudou-se quando criança para Belo Horizonte, onde começou a costurar e criar modelos, fazendo roupas para as primas, mudando-se depois para a Bahia, onde passou a juventude. A cultura e cores desse estado influenciaram significativamente o estilo das suas criações. Pioneira na moda brasileira, fez sucesso com seu estilo em todo o mundo, principalmente nos Estados Unidos.

Em 1947, foi morar no Rio de Janeiro e nos anos 50 iniciou seu trabalho como costureira, quando fazia roupas principalmente para alguns familiares próximos. No princípio dos anos 70, após muitos anos de costura e ganhando um dinheiro que teve que juntar a vida toda abriu uma loja de roupas em Ipanema.

Seu estilo misturava renda, seda, fitas e chitas com temas regionais e do folclore, com estampados de pássaros, borboletas e papagaios. Zuzu também trouxe para a moda as pedras brasileiras, fragmentos de bambu, de madeira e conchas.

Trabalhando muito, com o tempo fez algumas amizades importantes no bairro e através de ajudas de pessoas ricas e bem intencionadas que reconheciam seu trabalho teve a oportunidade de expandir seus negócios e começou a realizar desfiles de moda nos Estados Unidos. Nestes desfiles, sempre abordou a alegria e riqueza de cores da cultura brasileira, fazendo sucesso no universo da moda daquela época. Suas roupas eram bem costuradas e muito coloridas, pois ela passou a, além de costurar, desenhar e pintar suas roupas. O anjo, de seu sobrenome, passou a ser uma das marcas registradas de suas criações.

Nessa época de desfiles no exterior, Zuzu conheceu o americano Norman Jones, com quem iniciou um relacionamento. Após alguns anos juntos, voltaram para o Rio de Janeiro e se casaram, mudando-se depois para Salvador, onde ela morou muitos anos. Lá, Zuzu engravidou e deu à luz seu filho, chamado Stuart Edgard Angel Jones.

Confronto Com a Ditadura

Na virada dos anos 60 para os anos 70, Stuart, filho de Zuzu e então estudante de economia, passou a integrar as organizações clandestinas que combatiam a Ditadura Militar instalada no país desde 1964, filiando-se ao MR-8, grupo guerrilheiro do Rio de Janeiro. Preso em 14 de abril de 1971, Stuart foi torturado e morto pelo Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica (CISA) no Aeroporto do Galeão e dado como desaparecido pelas autoridades.

A partir daí, a apolítica Zuzu entraria em uma guerra contra o regime pela recuperação do corpo de seu filho, envolvendo até os Estados Unidos, país de seu ex-marido e pai de Stuart. Como estilista, ela criou uma coleção estampada com manchas vermelhas, pássaros engaiolados e motivos bélicos. O anjo, ferido e amordaçado em suas estampas, tornou-se também o símbolo do filho. Zuzu chegou a realizar, também em Nova York, um desfile-protesto, realizado no consulado do Brasil na cidade.

Usando de sua relativa notoriedade internacional, ela envolveu celebridades de Hollywood que eram suas clientes, como Joan Crawford, Liza Minelli e Kim Novak, em sua causa, e durante a visita de Henry Kissinger, então secretário de estado norte-americano, ao Brasil, chegou a furar a segurança para entregar-lhe um dossiê com os fatos sobre a morte do filho, também portador da cidadania americana.

Foram anos em busca do corpo do filho, sem poder dar-lhe um enterro, pois o corpo de Stuart nunca foi encontrado e consta como desaparecido político brasileiro.

Morte

A busca de Zuzu pelas explicações, pelos culpados e pelo corpo do filho só terminou com sua morte, ocorrida na madrugada de 14 de abril de 1976, num acidente de carro na Estrada da Gávea, à saída do Túnel Dois Irmãos, RJ, hoje batizado com seu nome, em circunstâncias até hoje mal esclarecidas.

O carro dirigido por ela, um Karmann Ghia, derrapou na saída do túnel e saiu da pista, chocou-se contra a mureta de proteção, capotando e caindo na estrada abaixo, matando-a instantaneamente. Uma semana antes do acidente, Zuzu deixara na casa de Chico Buarque de Hollanda um documento que deveria ser publicado caso algo lhe acontecesse, em que escreveu:

"Se eu aparecer morta, por acidente ou outro meio, terá sido obra dos assassinos do meu amado filho"

Na Cultura Popular

Depois de sua morte, Zuzu foi homenageada em livros, música e filme. O mesmo Chico Buarque compôs, sobre melodia de Miltinho (MPB4), a música Angélica, em 1977, em homenagem à estilista.

Em 1988, o escritor José Louzeiro escreveu o romance Em Carne Viva, com personagens e situações que lembram o drama de Zuzu Angel.

Em 2006, o cineasta Sérgio Rezende dirigiu Zuzu Angel, filme que retrata a vida da estilista, protagonizada por Patrícia Pillar e com Daniel de Oliveira, Luana Piovani, Paulo Betti, Juca de Oliveira e Elke Maravilha, entre outros, no elenco.

Em 1993, a filha de Zuzu, a jornalista Hildegard Angel, criou o Instituto Zuzu Angel de Moda do Rio de Janeiro, em memória da mãe.

Citações
  • Eu sou a moda brasileira.
  • Eu não tenho coragem, coragem tinha meu filho. Eu tenho legitimidade.

Fonte: Wikipédia

Ivani Ribeiro

CLEIDE FREITAS ALVES FERREIRA
(73 anos)
Autora de Novelas

* São Vicente, SP (20/02/1922)
* São Paulo, SP (17/07/1995)

Cleide Freitas Alves Ferreira, conhecida artisticamente como Ivani Ribeiro, nasceu no dia 20 de fevereiro de 1922, em São Vicente, São Paulo (São Vicente é um município da Microrregião de Santos, na Região Metropolitana da Baixada Santista). Formada na Escola Normal de Santos, mudou-se para São Paulo para cursar a faculdade de Filosofia. Foi casada com o radialista Dárcio Alves Ferreira, com quem teve dois filhos: Luís Carlos e Eduardo.

Começou sua carreira profissional aos 16 anos, na Rádio Educadora de São Paulo, interpretando canções folclóricas e sambas – alguns de sua própria autoria. Logo depois, alcançaria grande sucesso no rádio, sobretudo através de dois programas que criou, Teatrinho da Dona Chiquinha e As Mais Belas Cartas de Amor. Neste, inclusive, Ivani Ribeiro viveu sua primeira experiência como radioatriz.

Passou ainda pela Rádio Difusora, antes de se transferir com o marido para a Rádio Bandeirantes, onde começaria a adaptar peças, poemas e letras de canções para diversos programas, entre os quais o Teatro Romântico, Os Grandes Amores da História e A Canção Que Viveu. Contratada pela recém inaugurada TV Tupi, escreveu a série Os Eternos Apaixonados. Anos depois, em 1963, Ivani Ribeiro assinaria sua primeira telenovela diária, Corações em Conflito. Tratava-se da adaptação de uma das histórias de sucesso que apresentara no rádio.

No final da década de 1960, transferiu-se para a TV Excelsior, onde se destacaria como autora do horário das 19:30 hs. Por conta disso, chegou a escrever 13 novelas consecutivas, obtendo grande sucesso em todas. A Deusa Vencida (1965), por exemplo, consagraria a atriz estreante Regina Duarte.

Em 1970, de volta à TV Tupi, desta vez como principal autora do horário das 20:00 hs, Ivani Ribeiro escreveu outros três clássicos da teledramaturgia brasileira: Mulheres de Areia (1973), estrelada por Eva Wilma, A Viagem (1975) e O Profeta (1977). O sucesso obtido por suas tramas era tamanho – e o colapso financeiro da Tupi, também – que, no final da década de 1970, a emissora decidiria exibir, nos seus três horários de maior audiência, reprises de novelas assinadas por Ivani Ribeiro.


Entre 1980 e 1982, teve uma passagem pela TV Bandeirantes, onde escreveu Cavalo Amarelo, que contava com a participação da atriz e comediante Dercy Gonçalves, e assinou os remakes de A Deusa Vencida e Meu Pé de Laranja Lima. Esta, baseada no livro homônimo de José Mauro de Vasconcelos, teria ainda uma terceira versão, produzida pela TV Bandeirantes em 1998, assinada por Ana Maria Moretszohn.

Ivani Ribeiro estreou como autora da TV Globo em novembro de 1982, com Final Feliz. A trama, que seria a única inédita da autora na emissora, era estrelada por José Wilker, no papel do genioso Rodrigo, e Natália do Vale, como a impetuosa Débora, entre outros.

Em seguida, Ivani Ribeiro assinaria uma série de remakes e adaptações a partir de seus principais sucessos na TV Tupi e na TV Excelsior. Amor Com Amor Se Paga, por exemplo, exibida em 1984, resultou de uma fusão entre as tramas de Camomila e Bem-me-Quer, produzidas originalmente pela TV Tupi.


Em A Gata Comeu (1985) – remake de A Barba Azul, exibida em 1974 pela TV Tupi –, a autora contou com a colaboração de Marilu Saldanha. Ambientada no Rio de Janeiro, a comédia romântica trazia os encontros e desencontros de uma jovem rica e mimada, Jô Penteado, Christiane Torloni, e um professor viúvo, Fábio Coutinho, Nuno Leal Maia. A novela representou um marco na consolidação da comédia como gênero principal da faixa de horário das 19:00 hs.

Hipertensão (1986) é o caso de uma trama que Ivani Ribeiro atualizou, sem alterar a estrutura central da história. Originalmente apresentada como Nossa Filha Gabriela, exibida pela TV Tupi em 1971, a novela tinha como foco principal o mistério em torno da paternidade de Carina (Maria Zilda Bethlem). O rol de possíveis pais era composto por três personagens: Napoleão (Cláudio Corrêa e Castro), Candinho (Paulo Gracindo) e Romeu (Ary Fontoura).

O O Sexo dos Anjos (1989), adaptada de O Terceiro Pecado, exibida pela TV Excelsior em 1968, envolvia a discussão sobre morte, destino e amor. A novela foi estrelada por Diana (Bia Seidl), o Anjo da Morte, seu emissário Adriano (Felipe Camargo) e a jovem Isabela (Isabela Garcia).

O trabalho seguinte de Ivani Ribeiro foi, talvez, seu maior sucesso: Mulheres de Areia. Exibida pela primeira vez em 1973, na TV Tupi, a nova versão da novela – que teve a colaboração de Solange Castro Neves – narrava a vida das gêmeas Ruth e Raquel, vividas pela atriz Glória Pires. Foi levada ao ar em 1993, transformando-se num marco de audiência do horário das 18:00 hs. Outro destaque foi a interpretação do ator Marcos Frota, no papel do escultor Tonho da Lua.

No ano seguinte, a autora assinou o remake de outro grande sucesso da TV Tupi, A Viagem. Exibida originalmente em 1975, a novela era inspirada na doutrina espírita de Allan Kardec, e abordava diversos temas relacionados ao espiritismo, como a mediunidade e a reencarnação. A versão de 1994 foi protagonizada por Guilherme Fontes, no papel do mau-caráter Alexandre, Christiane Torloni, como Dinah, e Antônio Fagundes, interpretando o criminalista Otávio Jordão.

Em 1995, Ivani Ribeiro voltaria a dividir um trabalho com Solange Castro Neves, desta vez, um argumento. Com a morte de Ivani Ribeiro, em 17 de julho daquele ano, decidiu-se que Quem é Você?, em fase adiantada de produção, seria escrita por Solange Castro Neves, com a colaboração de Isa Duboc, Rosane Lima, Aimar Labaki e Nelson Nadotti. A partir do capítulo 25, porém, Lauro César Muniz assumiu a autoria da novela, que apresentou a relação das irmãs Maria Luísa (Elizabeth Savalla) e Beatriz (Cássia Kiss). As duas reagem de modo diferente à ausência do pai, Nelson (Francisco Cuoco).

Mais de 10 anos após a morte de Ivani Ribeiro, a TV Globo voltou a exibir uma trama da autora. Em 2006, estreou o remake de O Profeta, que fora levada ao ar pela primeira vez em 1977, na TV Tupi. A adaptação ficou a cargo de Thelma Guedes e Duca Rachid, sob a supervisão de Walcyr Carrasco. Na nova versão, o personagem vivido pela atriz Nicete Bruno era uma homenagem à falecida autora: seu nome, Cleide, fazia referência ao verdadeiro nome de Ivani Ribeiro.

Falecimento e Trabalhos Póstumos

Ivani Ribeiro morreu vítima de Insuficiência Renal, provocada pela Diabetes, em 17 de julho de 1995, aos 73 anos. Deixou prontos dois trabalhos: a última telenovela, Quem é Você?, exibida em 1996, que aborda a vida da terceira idade e a farsa dos sexos, reunindo veteranos há tempos afastados da televisão como Castro Gonzaga, Norma Geraldy, Alberto Perez, Ênio Santos e Vanda Lacerda, protagonizada por Cássia Kiss e Elizabeth Savalla (o roteiro, do qual ela escreveu apenas o argumento e que foi redigido pela sua colaboradora Solange Castro Neves, que escreveu apenas os vinte e quatro primeiros capítulos e foi substituída por Lauro César Muniz após sua transferência para a TV Record) e a minissérie O Sarau, em doze capítulos, baseada em obras do escritor Machado de Assis, projeto este que acabou por ser abortado.


Além desta, Ivani Ribeiro também escreveu o argumento de A Selvagem (remake de Alma Cigana, 1964) e O Machão, de Sérgio Jockyman, exibidas pela TV Tupi em 1971 e 1974, respectivamente. Esta última foi adaptada de A Indomável, de 1965, pela TV Excelsior e ganharia uma terceira adaptação em 2000 exibida pela TV Globo, cujo título agora era O Cravo e a Rosa, de Walcyr Carrasco, protagonizada por Adriana Esteves e Eduardo Moscovis (na primeira versão, foram interpretados por Aracy Cardoso e Édson França e na segunda adaptação, os papéis foram defendidos por Maria Isabel de Lizandra e Antônio Fagundes) - uma livre adaptação do clássico A Megera Domada, de William Shakespeare.

Escreveu também um roteiro para um filme com direção de Roberto Santos, Pantomina. Até a década de 80, Ivani Ribeiro havia adaptado exatos 2922 contos, média de um por dia, além de 1300 peças para rádio. Sem colaboradores ela escrevia dois capítulos de novela, o dobro do que uma equipe de quatro novelistas escreve hoje.

Ivani Ribeiro também foi a única autora a ter suas novelas reprisadas duas vezes na sessão Vale a Pena Ver de Novo: A Viagem, em 1997 e 2006, A Gata Comeu, em 1989 e 2001 e Mulheres de Areia em 1996 e 2011. Durante a segunda reprise de A Viagem, a gravadora Som Livre relançou no mercado a trilha sonora internacional da novela.

Em 1998 a autora e colaboradora de Ivani Ribeiro, Solange Castro Neves, apresentou uma sinopse de A Viagem 2, que seria uma continuação da novela exibida em 1994, mas desavenças entre diretores de emissora fizeram com que o projeto fosse abortado.

Ivani Ribeiro não temia a morte, mas reprovava a forma como os ocidentais a tratavam. Por isso, em suas 30 novelas, nunca escreveu cenas de enterro, que mostrassem o corpo dentro da urna. "Ela achava horrível mostrar a pessoa nessa situação", diz Solange Castro Neves. Ela "Respeitava a dignidade do morto". Solange fez de tudo para impedir que os fotógrafos registrassem o velório. "Era um desejo dela", desculpou-se, emocionada, no dia seguinte à cerimônia de cremação do corpo da escritora.

Na sexta-feira, 14, três dias antes de morrer, Ivani Ribeiro conversou pela última vez com Solange. No Hospital Sírio Libanês, onde estava internada há 25 dias, o assunto era trabalho. Falou com Solange sobre a minissérie O Sarau, que estava escrevendo, baseada na obra de Machado de Assis. Falava pausadamente, o corpo não mais acompanhava o raciocínio. Sofria de Insuficiência Renal provocada pela Diabetes. No início da noite, despediu-se, otimista, de Solange.

Ela me disse: "Semana que vem estou em casa e conversamos melhor."

Três dias depois, não resistiu a três paradas cardíacas. Morreu 20 dias depois do marido, o escritor Dácio Moreira Alves Ferreira, deixando dois filhos, Luís Carlos de 45 anos, e Eduardo de 40.