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Lygia Clark

LYGIA PIMENTEL LINS
(67 anos)
Pintora e Escultora

☼ Belo Horizonte, MG (23/10/1920)
┼ Rio de Janeiro, RJ (25/04/1988)

Lygia Clark, pseudônimo de Lygia Pimentel Lins, foi uma pintora e escultora brasileira contemporânea que se autointitulava "não artista", nascida em Belo Horizonte, MG, no dia 23/10/1920.

Lygia Clark iniciou seus estudos artísticos em 1947, no Rio de Janeiro, sob a orientação de Roberto Burle Marx e Zélia Salgado.

Em 1950, Lygia Clark viajou a Paris, onde estudou com Arpad Szènes, Dobrinsky e Fernand Léger. Nesse período, a artista dedicou-se à realização de estudos e óleos tendo escadas e desenhos de seus filhos como temas. Após sua primeira exposição individual, no Institut Endoplastique, em Paris, no ano de 1952, a artista retornou ao Rio de Janeiro e expôs no Ministério da Educação e Cultura.

Lygia Clark é uma das fundadoras do Grupo Frente, em 1954: Dedicando-se ao estudo do espaço e da materialidade do ritmo, ela se uniu a Décio Vieira, Rubem Ludolf, Abraham Palatnik, João José da Costa, entre outros, e apresentou as suas "Superfícies Moduladas" (1955-57) e "Planos em Superfície Modulada" (1957-58). Estas séries deslocavam a pintura para longe do espaço claustrofóbico da moldura. É o que Lygia Clark queria como linha-luz, como módulo construtor do plano. Cada figura geométrica projeta-se para além dos limites do suporte, ampliando a extensão de suas áreas. Lygia Clark ainda participou, em 1954, com a série "Composições", da Bienal de Veneza, fato que se repetiu em 1968, quando foi convidada a expor, em sala especial, toda a sua trajetória artística até aquele momento.


Em 1959, integrou a I Exposição de Arte Neoconcreta, assinando o Manifesto Neoconcreto, ao lado de Amilcar de Castro, Ferreira Gullar, Franz Weissmann, Lygia Pape, Reynaldo Jardim e Theon SpanudisLygia Clark propôs com a sua obra, que a pintura não se sustenta mais em seu suporte tradicional. Procurou novos vôos.

Nas "Unidades" (1959), moldura e espaço pictórico se confundiram, um invadindo o outro, quando Lygia Clark pintou a moldura da cor da tela. É o que a artista chama de "Linha Orgânica", em 1954: A superfície se expande igualmente sobre a tela, separando um espaço, se reunindo nele e se sustentando como um todo.

As obras querem ganhar o espaço. O trabalho com a pintura resulta na construção do novo suporte para o objeto. Destas novas proposições nascem os "Casulos" (1959). Feitos em metal, o material permite que o plano seja dobrado, assumindo uma busca da tridimensionalidade pelo plano, deixando-o mais próximo do próprio espaço do mundo.

Em 1960, Lygia Clark criou a série "Bichos": Esculturas, feitas em alumínio, possuidoras de dobradiças, que promovem a articulação das diferentes partes que compõem o seu corpo. O espectador, agora transformado em participador, é convidado a descobrir as inúmeras formas que esta estrutura aberta oferece, manipulando as suas peças de metal. Com esta série, Lygia Clark torna-se uma das pioneiras na arte participativa mundial.
Da Série "Bichos"
Em 1961, ganhou o prêmio de melhor escultura nacional na VI Bienal de São Paulo, com os "Bichos".

Lygia Clark deixou de lado a matéria dura (a madeira), passou pelo metal flexível dos "Bichos" e chegou à borracha na "Obra Mole" (1964). A transferência de poder, do artista para o propositor, tem um novo estágio em "Caminhando" (1964). Cortar a fita significava, além da questão da poética da transferência, desligar-se da tradição da arte concreta, já que a "Unidade Tripartida" (1948-49), de Max Bill, ícone da herança construtivista no Brasil, era constituída simbolicamente por uma fita de Moebius. Esta fita distorcida na "Obra Mole" agora é recortada no "Caminhando". Era uma situação limite e o início claro de num novo paradigma nas Artes Visuais brasileiras. O objeto não estava mais fora do corpo, mas era o próprio corpo que interessava a Lygia Clark.

A trajetória de Lygia Clark fez dela uma artista atemporal e sem um lugar muito bem definido dentro da História da Arte. Tanto ela quanto sua obra fogem de categorias ou situações em que podemos facilmente embalar. Lygia Clark estabeleceu um vínculo com a vida, e podemos observar este novo estado nos seus "Objetos Sensoriais" (1966-1968": A proposta de utilizar objetos do nosso cotidiano (água, conchas, borracha, sementes), já aponta no trabalho de Lygia Clark, por exemplo, para uma intenção de desvincular o lugar do espectador dentro da instituição de Arte, e aproximá-lo de um estado, onde o mundo se molda, passa a ser constante transformação.

"Contra Relevo" foi arrematada em 2013, em New York, por US$ 2,2 milhões (R$ 4,5 milhões)
Em 1968 apresentou, pela primeira vez, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ), "A Casa é o Corpo", uma instalação de oito metros, que permite a passagem das pessoas por seu interior, para que elas tenham a sensação de penetração, ovulação, germinação e expulsão do ser vivo. Nesse mesmo ano, Lygia Clark mudou-se para Paris. O corpo dessexualizado é apresentado na série "Roupa-Corpo-Roupa: O Eu e o Tu" (1967). Um homem e uma mulher vestem pesados uniformes de tecido plastificado e capacetes que encobrem os seus olhos: O homem, veste o macacão da mulher e ela, o do homem. Tateando um ao outro, são encontradas cavidades. Aberturas, na forma de fecho ecler, que possibilitam a exploração tátil, o reconhecimento do corpo: "Os fechos são para mim como cicatrizes do próprio corpo", disse a artista, no seu diário.

Em 1972, foi convidada a ministrar um curso sobre comunicação gestual na Sorbonne. Suas aulas eram verdadeiras experiências coletivas apoiadas na manipulação dos sentidos, transformando estes jovens em objetos de suas próprias sensações. São dessa época as proposições "Arquiteturas Biológicas" (1969), "Rede de Elástico" (1974), "Baba Antropofágica" (1973) e "Relaxação" (1974). Tratam de integrar arte e vida, incorporando a criatividade do outro e dando ao propositor o suporte para que se exprima.


Em 1976, Lygia Clark voltou definitivamente ao Rio de Janeiro. Abandonou, então, as experiências com grupos e iniciou uma nova fase com fins terapêuticos, com uma abordagem individual para cada pessoa, usando os "Objetos Relacionais": Na dualidade destes objetos (leves/pesados, moles/duros, cheios/vazios), Lygia Clark trabalhou o arquivo de memórias dos seus pacientes, os seus medos e fragilidades, através do sensorial. Ela não se limitou apenas ao campo estético, mas sobretudo ao atravessamento de territórios da arte. Lygia Clark deslocou-se para fora do sistema do qual a arte é parte integrante, porque sua atitude incorpora, acima de tudo, um exercício para a vida. Como afirma:

"Se a pessoa, depois de fizer essa série de coisas que eu dou, se ela consegue viver de uma maneira mais livre, usar o corpo de uma maneira mais sensual, se expressar melhor, amar melhor, comer melhor, isso no fundo me interessa muito mais como resultado do que a própria coisa em si que eu proponho a vocês."
(O Mundo de Lygia Clark, 1973, filme dirigido por Eduardo Clark, PLUG Produções)

Em 1981, Lygia Clark diminui paulatinamente o ritmo de suas atividades.

Em 1983 foi publicado, numa edição limitada de 24 exemplares, o "Livro Obra", uma verdadeira obra aberta que acompanha, por meio de textos escritos pela própria artista e de estruturas manipuláveis, a trajetória da obra de Lygia Clark desde as suas primeiras criações até o final de sua fase neoconcreta.

Em 1986, realizou-se, no Paço Imperial do Rio de Janeiro, o IX Salão de Artes Plásticas, com uma sala especial dedicada a Hélio Oiticica e Lygia Clark. A exposição constituiu a única grande retrospectiva dedicada a Lygia Clark ainda em atividade artística.

Lygia Clark faleceu aos 67 anos, vítima de um ataque cardíaco, no Rio de Janeiro, RJ, no dia 25/04/1988.

Homenagens

Em 23/10/2015, em seu 95º aniversário de nascimento, Lygia Clark foi homenageada pelo Google através de um Doodle.

Superfície Modulada nº 4
Recorde de Valores

Em maio de 2013, a obra "Contra Relevo" foi arrematada, em New York, por US$ 2,2 milhões (R$ 4,5 milhões), tornando-se até aquele momento, a obra mas valiosa de um brasileiro vendida num leilão.

Em agosto de 2013, novamente uma obra sua, a "Superfície Modulada nº 4", foi arrematada num leilão na Bolsa de Arte de São Paulo por R$ 5,3 milhões, batendo o recorde e tornando-se ate aquele momento, a obra mas valiosa de um brasileiro vendida num leilão.

Vianna Moog

CLODOMIR VIANNA MOOG
(81 anos)
Advogado, Jornalista, Romancista e Ensaísta

☼ São Leopoldo, RS (28/10/1906)
┼ Rio de Janeiro, RJ (15/01/1988)

Clodomir Vianna Moog foi um advogado, jornalista, romancista e ensaísta brasileiro. Filho de Marcos Moog, funcionário público federal, e de Maria da Glória Vianna, professora pública, foi aluno da escola dirigida por sua mãe na cidade natal e, depois, do Colégio Elementar Visconde de São Leopoldo.

Queria seguir a carreira militar e por esta razão foi para o Rio de Janeiro para prestar exame na Escola Militar do Realengo. Como, porém, naquele ano não se abrissem as provas vestibulares, voltou para Porto Alegre, onde trabalhou algum tempo no comércio e, em 1925, matriculou-se na Faculdade de Direito. Foi nomeado, no mesmo ano, guarda-fiscal interino da Repressão ao Contrabando na Fronteira e designado para a Delegacia Fiscal de Porto Alegre.

Em 1926 prestou concurso para Agente Fiscal de Imposto de Consumo e serviu dois anos na cidade de Santa Cruz do Sul e um ano na cidade de Rio Grande.

Vianna Moog formou-se em em 1930 e, no mesmo ano, participou da Aliança Liberal. Contrário à ditadura de Getúlio Vargas, participou da Revolução de 1932, tendo sido preso e removido para o Amazonas. Anistiado, retornou ao Rio Grande do Sul em 1934.

Vianna Moog foi representante do governo brasileiro na Organização dos Estados Americanos (OEA) e na Organização das Nações Unidas (ONU).

Faleceu aos 81 anos, no dia 15/01/1988, no Rio de Janeiro, vítima de uma parada cardíaca após uma intervenção cirúrgica.

Academia Brasileira de Letras

Vianna Moog foi membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), sendo o terceiro ocupante da cadeira 4. Foi eleito em 20/09/1945, na sucessão de Alcides Maia, tendo sido recebido por Alceu Amoroso Lima em 17/11/1945.

Obras

  • 1936 - O Ciclo do Ouro Negro (Ensaio)
  • 1937 - Novas Cartas Persas (Sátira)
  • 1938 - Eça de Queirós e o Século XIX (Ensaio)
  • 1938 - Um Rio imita o Reno (Romance)
  • 1939 - Heróis da Decadência (Ensaio)
  • 1942 - Uma Interpretação da Literatura Brasileira (Ensaio)
  • 1946 - Nós, os Publicanos (Ensaio)
  • 1946 - Mensagem de Uma Geração (Ensaio)
  • 1954 - Bandeirantes e Pioneiros (Estudo Social)
  • 1959 - Uma Jangada Para Ulisses (Novela)
  • 1962 - Tóia (Romance)
  • 1965 - A ONU e os Grandes Problemas (Política)
  • 1966 - Obras Completas de Vianna Moog
  • 1968 - Em Busca de Lincoln (Biografia)


Fonte: Wikipédia

Hugo Della Santa

HUGO DELLA SANTA
(36 anos)
Ator

* Capivari, SP (1952)
+ São Paulo, SP (26/03/1988)

Hugo Della Santa foi um ator nascido na cidade de Capivari, SP, em 1952. Estreou no cinema e na televisão, no final da década de 70, e participou de três novelas, "Os Adolescentes" (1981), "Ninho da Serpente" (1982) e "Os Imigrantes: Terceira Geração" (1982), todas em papéis de destaque, na TV Bandeirantes.

No cinema, atuou em cinco filmes, sendo eles, "Paula, a História de Uma Subversiva" e "Filhos e Amantes", ambos de de Francisco Ramalho Jr., "A Próxima Vítima", de João Batista de Andrade, "Jeitosa, Um Assunto Muito Particular", de Nello De Rossi, e "Romance", de Sérgio Bianchi.

No teatro, em 1985, recebeu o Prêmio Governador do Estado pela sua atuação em "Um Beijo, Um Abraço, Um Aperto de Mão", de Naum Alves de Souza.


Hugo Della Santa foi responsável pela adaptação do romance "Giovanni", do autor americano James Baldwin, para o teatro, onde também atuou como ator, ao lado de Caíque Ferreira, com quem morava na época, grande sucesso de público em 1986, no Teatro Bixiga, em São Paulo, e, posteriormente, em diversas cidades do País.

Atuou na polêmica montagem de "Nossa Senhora das Flores", de Jean Genet, dirigida por Maurício Abud, em 1985.

Seu último trabalho foi em 1988 na montagem de "Vestido de Noiva", de Nelson Rodrigues, com direção de Marcio Aurélio, no Teatro Anchieta, numa montagem do grupo Pessoal do Victor.

Hugo Della Santa teve uma carreira muito rápida, interrompida por sua morte em 1988, aos 36 anos, vítima da AIDS. Morreu no Hospital Albert Einsten, em São Paulo, e segundo o atestado de óbito do ator, ele morreu vítima de anemia aplástica, uma doença que afeta as plaquetas do sangue.

O ator foi homenageado pela prefeitura de São Paulo, que deu seu nome a uma rua no bairro de Cidade Tiradentes.

Caíque Ferreira com Hugo Della Santa
Cinema
  • 1988 - Romance ... André
  • 1984 - Jeitosa, Um Assunto Muito Particular
  • 1983 - A Próxima Vítima
  • 1981 - Filhos e Amantes
  • 1979 - Paula, A História de uma Subversiva


Televisão
  • 1982 - Os Imigrantes: Terceira geração
  • 1982 - Ninho da Serpente
  • 1981 - Os Adolescentes ... Liminha

Leonor Navarro

LEONOR NAVARRO
Atriz

*
+ São Paulo, SP (09/08/1988)

Leonor Navarro nasceu em São Paulo em princípios do  século vinte. De família de artistas, ela começou no rádio quando Oduvaldo Vianna, que vinha do cinema, implantou uma novidade no rádio brasileiro: A radio-novela. Isso aconteceu no começo da década de 40, e Leonor Navarro entrou na Rádio São Paulo, que se lançou inteiramente nesse mercado.

Ao seu lado estava também o marido, e a filha Nara Navarro, ainda bem jovem, e que além de atriz, também se tornou novelista. Nara Navarro foi nome importante, pois as novelas de rádio viraram uma coqueluche  no rádio.

A Rádio São Paulo, foi a principal emissora a lançar o estilo radiofônico. Ao mesmo tempo, no Rio de Janeiro, a Rádio Nacional fez a mesma coisa e o Brasil todo foi tomado pela febre de ouvir histórias de rádio em capítulos. Leonor Navarro, por sua voz grave, era figura central, como se dizia. Fazia papeis de mães, avós, professoras, sempre muito respeitadas.

Em 1950, porém, quando veio a televisão para o Brasil, e a princípio para São Paulo, Leonor Navarro começou a se interessar pelo novo veículo. Foi para a TV Excelsior, em 1966, e participou da novela "Redenção", que foi a novela mais longa de todos os tempos.

Em 1968, ainda na TV Excelsior, fez "Legião Dos Esquecidos".

Em 1970, a atriz ingressou na TV Tupi, onde ficou por vários anos, e atuou em "Simplesmente Maria" (1970), "Hospítal" (1971), "Signo Da Esperança" (1972) , "Na Idade Do Lobo" (1972) e "Vitória Bonelli" (1972), grande sucesso do novelista Geraldo Vietri, "A Barba-Azul", "Meu Rico Português" (1975), "O Velho, O Menino E O Burro" (1975) e "Um Dia, O Amor" (1975).

Após 1976, Leonor Navarro passou para a TV Globo. Em 1977 atuou em "Um Sol Maior", e em 1978 em "Pecado Rasgado".

Leonor Navarro também participou do cinema brasileiro e atuou em vários filmes juntamente com Amácio Mazzaropi, entre eles, "O Jeca Contra O Capeta" (1976), "Jecão, Um Fofoqueiro No Céu" (1977), "O Jeca E Seu Filho Preto" (1978), e fez um bonito papel no filme "Senhora" (1976).

Leonor Navarro foi um nome prestigiado nas décadas de 40, 50, 60. Ela morreu em São Paulo no ano de 1988.

Nadia Lippi e Leonor Navarro em "A Barba-Azul" (1974)

Cinema

  • 1978 - O Jeca e Seu Filho Preto
  • 1977 - Jecão, Um Fofoqueiro No Céu ... Joly
  • 1977 - Que Estranha Forma De Amar ... Maria das Dores
  • 1976 - O Jeca Contra o Capeta
  • 1976 - Senhora ... Camila Seixas
  • 1968 - A Madona de Cedro ... Emerenciana
  • 1950 - Caiçara


Televisão

  • 1978 - Pecado Rasgado ... Delfina
  • 1977 - Um Sol Maior
  • 1976 - Tchan, A Grande Sacada
  • 1975 - Um Dia, O Amor ... Dona Generosa
  • 1975 - O Velho, O Menino E o Burro ... Dona Mocinha
  • 1975 - Meu Rico Português
  • 1974 - A Barba-Azul ... Dona Sinhá
  • 1972 - Vitória Bonelli ... Safira
  • 1972 - Na Idade do Lobo
  • 1972 - Signo da Esperança ... Domenica
  • 1971 - Hospital ... Leonor
  • 1971 - Simplesmente Maria
  • 1968 - Legião dos Esquecidos
  • 1966 - Redenção ... Carmem

Fonte: Museu da TV e Imdb
Indicação: Daniel Leite do Prado

Clóvis Graciano

CLÓVIS GRACIANO
(81 anos)
Pintor, Desenhista, Cenógrafo, Figurinista, Gravador e Ilustrador

* Araras, SP (29/01/1907)
+ São Paulo, SP (29/06/1988)

Clóvis Graciano nasceu em Araras, São Paulo, em 1907. Em 1927, iniciou sua carreira artística, pintando tabuletas, carros e sinalizações da Estrada de Ferro Sorocabana, em Conchas, no interior paulista. Na década de 1930 começa a pintar, sempre como autodidata, com grande interesse pelas tendências modernas, com as quais travou contato através de publicações e álbuns.

Em 1934, faz suas primeiras pinturas a óleo e aquarela, freqüentando o atelier de Valdemar da Costa e o curso livre da Escola Paulista de Belas-Artes, embora sem aceitar orientação de professores. Transferiu-se para São Paulo, como fiscal do consumo, passando a partir daí a dividir seu tempo entre o emprego e a arte, com evidentes vantagens para a última, tanto que dez anos depois foi demitido por abandono de emprego.

Ligou-se a partir de 1935 a Rebôlo Gonzales e Mário Zanini, integrantes do chamado Grupo Santa Helena.

Alfredo Mesquita e Clóvis Graciano no cenário da peça Fora da Barra (São Paulo, 1944)  - Roberto Maia
Em 1937, já tendo travado contato com a arte de Alfredo Volpi, Clóvis Graciano instala-se no Palacete Santa Helena e integra, então, o Grupo Santa Helena, com os artistas Francisco Rebôlo, Mario Zanini, Aldo Bonadei, Fulvio Pennacchi, Alfredo Rizzotti, Humberto Rosa e outros, além do próprio Alfredo Volpi. Começou a participar de coletivas, quando expôs no I Salão da Família Artística de São Paulo, do qual foi um dos fundadores. Desde então, participou de diversos Salões Oficiais e Coletivas, conquistando o prêmio de viagem ao exterior no Salão Nacional de Belas Artes, Divisão Moderna, seguindo para a Europa em 1949 e retornando em 1951.

A partir dos anos 50, dedicou-se ao muralismo, executando cerca de 120 painéis pelo estado de São Paulo, e à cenografia e indumentária teatral, trabalhando para o Grupo de Teatro Experimental, Grupo Universitário de Teatro e Teatro Brasileiro de Comédia (TBC). Mário de Andrade destacou na pintura de Clóvis Graciano "o peso em luta com a leveza, a efusão dramática do movimento".

Fez amizade com Cândido Portinari e, ao final da década de 1940, foi estudar em Paris, onde aprendeu técnicas de produção de murais, inclusive com mosaicos. Ao retornar ao país, realizou diversos painéis: Em 1962 o mural "Armistício de Iperoig", na Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP); o painel "Operário", na Avenida Moreira Guimarães (1979), murais na Avenida Paulista e no edifício do Diário Popular, entre outros.


Em 1971, exerceu a função de diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo, e presidente da Comissão Estadual de Artes Plásticas e do Conselho Estadual de Cultura.

Além da pintura, Clóvis Graciano dedicou-se a diversas atividades paralelas, lecionando cenografia na Escola de Arte Dramática de São Paulo (EAD), e ilustrando jornais, revistas e livros, principalmente nos anos 1980.

No decurso de toda a sua carreira, Clóvis Graciano permaneceu fiel ao figurativismo, jamais tendo sequer de leve sentido a sedução pelo abstracionismo. Tratou constantemente de temas sociais, como o dos retirantes, além de temas de músicos e de dança.

Suas obras figuram em museus e coleções particulares do Brasil e do exterior.

Radamés Gnattali

RADAMÉS GNATTALI
(82 anos)
Compositor, Arranjador e Instrumentista

* Porto Alegre, RS (27/01/1906)
+ Rio de Janeiro, RJ (13/02/1988)

Radamés Gnattali estudou com Guilherme Fontainha no Conservatório de Porto Alegre, e na Escola Nacional de Música, com Agnelo França. Terminou o curso de piano em 1924 e fez concertos em várias capitais brasileiras, viajando também como violista do Quarteto Oswald, desde então passou a estudar composição e orquestração.

Em 1939 substituiu Pixinguinha como arranjador da gravadora RCA Victor. Durante trinta anos trabalhou como arranjador na Rádio Nacional. Foi o autor da parte orquestral de gravações célebres como a do cantor Orlando Silva para a música "Carinhoso", de Pixinguinha e João de Barro, ainda a famosa gravação original de "Aquarela do Brasil", de Ary Barroso, ou de "Copacabana", de João de Barro e Alberto Ribeiro. Esta última imortalizada na voz de Dick Farney.

Em 1960, Radamés Gnattali, embarcou para Europa, apresentando-se num sexteto que incluía acordeão, guitarra, bateria e contrabaixo.

Foi contemporâneo de compositores como Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga, Anacleto de MedeirosPixinguinha. Na década de 70, Radamés Gnattali teve influência na composição de choros, incentivando jovens instrumentistas como Raphael Rabello, Joel Nascimento e Maurício Carrilho, e para a formação de grupos de choro como o Camerata Carioca. Nasceu assim uma amizade que gerou muitos encontros e parcerias. Em 1979 surgiu, no cenário da música instrumental, o conjunto de choro Camerata Carioca, tendo Radamés Gnattali como padrinho. Também compôs obras importantes para o violão, orquestra, concerto para piano e uma variedade de choros.

Radamés Gnattali foi parceiro de Tom Jobim. No seu círculo de amizades Tom Jobim, Cartola, Heitor Villa-LobosPixinguinha, Donga, João da Baiana, Francisco Mignone, Lorenzo Fernândez e Camargo Guarnieri. É autor do hino do Estado de Mato Grosso do Sul - a peça foi escolhida em concurso público nacional.

Em janeiro de 1983, recebeu o Prêmio Shell na categoria de música erudita. Na ocasião, foi homenageado com um concerto no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, que contou com a participação da Orquestra Sinfônica do Rio de Janeiro, do Duo Assad e da Camerata Carioca. Em maio do mesmo ano, numa série de eventos em homenagem a Pixinguinha, Radamés Gnattali e Elizeth Cardoso apresentaram o recital "Uma Rosa Para Pixinguinha" e, em parceria com a Camerata Carioca, gravou o disco "Vivaldi e Pixinguinha".

A saúde começou a fraquejar em 1986, quando Radamés Gnattali sofreu um derrame que o deixou com o lado direito do corpo paralisado. Em 1988, em decorrência de problemas circulatórios, sofreu outro derrame, falecendo no dia 13 de fevereiro de 1988 na cidade do Rio de Janeiro.


Homenagem a Radamés

Em 2007 foi gravado um CD duplo com composições de Radamés Gnattali com patrocínio da Petrobras, "Retratos de Radamés" com os violonistas Edelton Gloeden e Paulo Porto Alegre.

Discografia

  • 1948 - A Saudade Mata a Gente / Copacabana - Fim de Semana em Paquetá
  • 1949 - Barqueiro do São Francisco / Um Cantinho e Você
  • 1949 - Isso é Brasil / Carinhoso
  • 1949 - Bate Papo / Caminho da Saudade
  • 1949 - Tico-Tico no Fubá / Fim de Tarde (Com o Quarteto Continental)
  • 1949 - Sempre Esperei Por Você / Remexendo (Com o Quarteto Continental)
  • 1950 - Onde Estás? / Tema (Vero e Seu Ritmo)
  • 1950 - Tocantins / Madrigal (Vero e Seu Ritmo)
  • 1952 - Mambolero / Improviso
  • 1953 - Fantasia Brasileira / Rapsódia Brasileira (Com Sua Orquestra)
  • 1982 - Tributo a Garoto (Com Raphael Rabello)

Principais Composições

  • 1944-1962 - Brasilianas nº 1,2,3,6,9 e 10
  • 1963 - Concertos Para Piano e Orquestra nº 1,2 e 3
  • 1941 - Concerto Para Violoncelo e Orquestra
  • 1960 - Concerto para Harmônica de Boca
  • Hino do Estado do Mato Grosso do Sul
  • 10 Estudos Para Violão

Fonte: Wikipédia

Francisco Mário

FRANCISCO MÁRIO DE SOUZA
(39 anos)
Cantor, Compositor e Violonista

* Belo Horizonte, MG (22/08/1948)
+ Rio de Janeiro, RJ (14/03/1988)

Chico Mário, como era carinhosamente chamado, estudou violão, cursou economia, com pós-graduação em engenharia de sistemas no Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (COPPE). Foi também jornalista no "Estado de São Paulo" e crítico musical na revista Realidade.

Desde cinco anos de idade, Francisco Mário mostrava interesse musical tocando bongô, atabaque e violão, contando com o incentivo de seu irmão Betinho, que reunia com sua turma e ouvia Bach, Tchaikovsky e Chopin.

Foi tio Geraldo, de Bocaiúva, norte de Minas Gerais, que ensinou Francisco Mário a tocar viola. Um dia apareceu o Bernard, violonista fantástico, que morreu no dia em que iria dar a primeira aula a Francisco Mário, deixando um desafio no ar para o jovem violonista.

O compositor e violonista Francisco Mário nasceu no dia 22 de agosto de 1948 em Belo Horizonte, MG. Filho de Henrique José de Souza e Maria da Conceição, a Dona Maria, que ficou conhecida através das cartas do Henfil no "Pasquim" e na "Isto É". Tinha sete irmãos: BetinhoHenfil, Glorinha, Filó, Wanda, Tanda e Ziláh.

Assim como seus irmãos Betinho e Henfil, também Francisco Mário herdou da mãe a hemofilia. A doença contribuiu também para a sua formação musical pois o obrigava a ficar deitado horas e horas, quando aproveitava esta ocasião para tocar violão.

Francisco Mário graduou-se com uma licenciatura em Economia e fez pós-graduação em Análise de Sistemas.

Trabalho Musical

Francisco Mário começou a estudar violão aos cinco anos de idade. Em 1965, o instrumento já era um elemento central em sua vida, intimamente ligada a sua ativa vida religiosa. Foi estudar violão com Henrique Pinto. Estudou arranjo e harmonia com Roberto Gnattali, que arranjou as músicas do seu primeiro show, "Ouro Preto".

Em 1978 mudou-se para o Rio de Janeiro. Em 1979, depois de ter sido elogiado por Carlos Drummond de AndradeFrancisco Mário gravou seu primeiro disco, "Terra", lançado no México com a participação de vários artistas brasileiros, entre eles Joyce, Quarteto em Cy, Antonio Adolfo, Airton Barbosa, Chiquinho do Acordeon.

Criou o "Método Musical Por Cores Para as Crianças", em que as artes dramáticas e música folclórica brasileira desempenham um papel significativo. O método foi adotado em várias escolas de São Paulo. Sua metodologia didática incluía histórias infantis escritas para a revista "Recreio" bem como a adaptação para seu próprio método musical, de técnicas de dinâmica de grupo.

Francisco Mário envolveu-se na primeira fase da produção fonográfica independente no Brasil e foi eleito vice-presidente da Associação de Produtores Independentes Record (APID). No mesmo ano, participou da 12ª edição do Festival de Inverno de Ouro Preto. Seu álbum "Revolta dos Palhaços" foi gravado de forma independente em 1980, com a ajuda de 200 pessoas que compraram o álbum antes da produção. O álbum teve parcerias com Aldir BlancPaulo Emílio, Fernando Rios, Gianfrancesco Guarnieri, Ivan Lins, MPB-4, Lucinha Lins, Boca Livre, Mauro Senise, Luiz Cláudio Ramos, Danilo Caymmi, Djalma Correa, convidados especiais entre outros.

Em 1981, Francisco Mário, representou o Brasil no 5º Festival da Oposição (Festival de Oposición), no México. No mesmo ano, gravou "Versos e Viola", com Francisco Julião que havia recentemente retornado do exílio. O álbum foi vetado pela censura da Ditadura Militar no Brasil e nunca chegou a ser lançado. Seguiu-se O instrumental "Conversa de Cordas, Palhetas e Metais", com a participação de Raphael Rabello, Nivaldo Ornelas, Zeca Assumpção, Antonio Adolfo e Afonso Machado. O álbum foi eleito o melhor álbum de música instrumental brasileira de 1983, sendo premiado com o Troféu Chiquinha Gonzaga. O livro de poemas "Painel Brasileiro" foi lançado ao mesmo tempo que o álbum.

Em 1984, foi o primeiro colocado no Festival de Ouro Preto com "São Paulo". Dois anos depois, a mesma canção ganhou o prêmio de melhor arranjo no Festival dos Festivais em Minas Gerais.

Em 1985, lançou o álbum instrumental "Pijama de Seda". Com sua esposa Nívia, produziu independentemente o álbum "Retratos" (1986), um solo de piano de Radamés Gnattali que é um projeto de antigos diálogos folclóricos com a modernidade urbana no Brasil.

Anos Finais

Em 1987, Francisco Mário ficou sabendo que, assim como seus irmãos Betinho e Henfil, havia contraído o vírus da AIDS em uma das transfusões de sangue a que era obrigado a se submeter periodicamente devido à hemofilia. Mudou-se então para a fazenda da família em Itatiaia onde escreveu seus três últimos trabalhos: "Dança do Mar", "Suíte Brasil" e "Tempo", que foi gravado em outubro com o Quarteto de Cordas Bosísio.

"São Paulo", do álbum inédito "Tempo", conquistou o primeiro lugar no Festival de Inverno de Ouro Preto e foi premiado como o melhor arranjo no Festival dos Festivais (Minas Gerais).

O último show de Francisco Mário foi encenado em novembro de 1987, no Projeto Suite Brasil, no Parque da Catacumba, Rio de Janeiro.

Em dezembro de 1987, mais de 30 artistas realizaram, gratuitamente, um concerto no Teatro João Caetano, que levantou fundos para tratamento médico de Francisco Mário. Entre eles, Milton Nascimento, Chico Buarque, Gonzaguinha, Dona Ivone Lara, Paulinho da Viola, Emílio Santiago, Joyce, Cláudio Nucci, Fagner, Élton Medeiros e Aldir Blanc.

Em fevereiro de 1988, músicos de Minas Gerais fizeram o mesmo no Teatro Cabaré Mineiro: entre eles estavam Beto Guedes, Paulinho Pedra Azul, Gilvan de Oliveira, Tadeu Franco, Rubinho do Vale e outros.

Morte

Francisco Mário morreu 2 meses e 10 dias (70 dias) após a morte do irmão Henfil. Morreu vítima de Septicemia no Hospital Universitário do Fundão, aos 39 anos. Assim como Henfil, hemofílico, Francisco Mário também contraiu o vírus da AIDS após uma transfusão de sangue e lutou contra a doença alterando períodos de tratamento em casa e no hospital.

Jornal do Brasil
Discos Póstumos

Quando Francisco Mário faleceu, em 14 de março de 1988, ele possuía material inédito suficiente para três álbuns. As músicas foram lançadas por sua viúva e produtora Nívia Souza e seus filhos, no álbum "Dança do Mar", em um concerto na Sala Cecília Meireles, na qual Raphael Rabello, Antonio Adolfo, Mauro Senise, Rique Pantoja, David Chew e Galo Preto participaram.

"Suíte Brasil" foi lançado em 1992 no Centro Cultural Banco do Brasil. Em 1995, três álbuns de Francisco Mário foram lançados em CD pela Caju Music: "Conversa de Cordas, Couros, Palhetas e Metais", "Pijama de Seda" e "Retratos". Os álbuns foram também lançados nos Estados Unidos pela Fantasy.

Em 1997, "Terra" e "Dança do Mar" foram lançados em CD, juntamente com uma exposição no Museu de Imagem e do Som do Rio de Janeiro e no Centro de Referência Audiovisual (CRAV), em Belo Horizonte.

Em 1998, o "Projeto Francisco Mário - 50 Anos", trouxe uma outra exposição, juntamente com apresentações em vídeo, teatro, show, e leitura de poema.

Regina Spósito lançou o CD "Marionetes", em 1999. O CD foi produzido por Marcos Souza e dedicado às obras de Francisco Mário. No mesmo ano, o álbum "Suíte Brasil" foi reeditado pela Funarte / Itaú Cultural / Atração.

Francisco Mário escreveu três livros: "Ressurreição", "Como Fazer Um Disco Independente (Base do Produtor Independente)" e o livro de poesias "Painel Brasileiro".


Filme

Em 2006 foi lançado o filme "Três Irmãos de Sangue", sobre a vida dos irmãos BetinhoHenfil e Francisco Mário, e sua participação na história política, social e cultural do Brasil na segunda metade do século XX. Idealizado pelo músico Marcos Souza, filho de Francisco Mário, o filme teve direção e roteiro de Ângela Patrícia Reiniger.

Fonte: Wikipédia

Marcos Carneiro de Mendonça

MARCOS CARNEIRO DE MENDONÇA
(93 anos)
Historiador, Escritor e Goleiro

* Cataguases, MG (25/12/1894)
+ Rio de janeiro, RJ (19/10/1988)


Dono de reflexos apurados, grande sentido de colocação, estilo clássico e refinado, Marcos Carneiro de Mendonça, com seus 1,87m de altura, também chamava atenção pelo modo elegante como trajava o uniforme tricolor. Sempre ao final das partidas, curiosamente, as roupas do goleiro (camisa e calção brancos, este último preso a cintura com uma fita roxa) ainda estavam praticamente limpas pelo simples fato de estar sempre bem colocado, fato que fazia com que não se atirasse muito ao chão.

Com suas exibições primorosas, Marcos Carneiro de Mendonça acumulou fama e prestígio numa época em que jogar no gol era algo reservado aos menos hábeis coma bola nos pés.

Marcos escolheu a posição na infância, quando teve febre amarela, sarampo, forte infecção intestinal e problemas pulmonares: "Todo mundo me cercava de cuidados, impedindo-me de fazer grandes esforços. Mas eu queria jogar futebol, e achei que no gol seria menos exigido".


Marcos Carneiro de Mendonça foi o primeiro goleiro da Seleção Brasileira de Futebol e detem até os dias atuais o título de goleiro mais jovem a ser selecionado, pois tinha 19 anos quando de seu primeiro jogo, contra o Exeter City, da Inglaterra em 21 de Julho de 1914. Foi titular por nove anos, conquistando os campeonatos sul americanos de 1919 e 1922.

Marcos chegou ao Rio de Janeiro aos 6 anos, começou a carreira aos 13 anos no time Haddock Lobo, time da Rua do Bispo, na Tijuca.  com a fusão deste clube ao América F.C. passou a defender o time rubro, onde foi campeão carioca de 1913. Tinha 1,87 m.

Assim como outras dezenas de sócios e atletas do América, descontentes com a diretoria, Marcos se transferiu para o Fluminense em 1914, tendo sido seu goleiro titular até 1922. Em 127 jogos nesse período, sofreu 164 gols e foi tricampeão carioca em 1917/1918/1919. No Fluminense jogou até o fim da carreira, aos 29 anos, quando sofreu séria lesão.

Após encerrar a sua carreira, Marcos trabalhou como historiador e foi presidente do Fluminense, conquistando como dirigente, o bicampeonato carioca em 1940/1941.

Casado com a poetisa Anna Amélia Carneiro de Mendonça, pai da crítica teatral Bárbara Heliodora, uma das maiores especialistas em Shakespeare, que escreve semanalmente, coluna no jornal O Globo.

Títulos

  • America-RJ - Campeonato Carioca: 1913
  • Fluminense - Campeonato Carioca: 1917,1918 e 1919
  • Seleção Brasileira - Copa Roca: 1914 e Campeonato Sul-Americano: 1919 e 1922

Fonte Wikipédia

Carlos Aguiar

CARLOS AGUIAR
(41 anos)
Locutor, Produtor e Apresentador de TV

* Caiabu, SP (1947)
+ São Paulo, SP (22/10/1988)

Hey, hey! Um passo para ô... su-ce-sso!!!

Esta frase com certeza lhe remeterá a ele, um dos grandes nomes do início da TV Gazeta. Ele tinha um público fiel e garantia bons pontos no Ibope para a emissora aos domingos. A voz um pouco anasalada e uma alegria contagiante. Como não lembrar de Carlos Aguiar, o mister show? Se a sua memória ainda não está fresca, com certeza agora ficará. Feche os olhos e lembre-se das bela panteras: Lia, Edna, Zilu, Aline, Ângela, Zeti, Eliane, Rebeca, Leninha e Rosane, as bailarinas de Carlos Aguiar. Agora vá mais fundo e lembre-se delas, em coro, cantando a canção que com certeza vai te remeter ao início de cada Programa Carlos Aguiar:

Laialaiá, laiá, laialaiá... Lalalalaiá, lalalaiá...
Chegou a hora, nós vamos cantar: Já está no ar, Carlos Aguiar!
Bate palma, bate o pé, o mister show é o que ele é!
Saia da frente que ele vai passar, Carlos Aguiar não pode parar!
Laialaiá, laiá, laialaiá... Lalalalaiá, lalalaiá...

E com alegria, ele entrava no palco:

- Oi, oi, oi, oiêêê... Alô, alô, minha geeeentê!


Berros, gritos, uma série de telespectadoras presentes no palco aplaudiam o Carlos Aguiar, que abriu na televisão brasileira não uma porta, mas um portão para a música sertaneja e a música nordestina. Sempre incentivou a música brasileira. Foi o primeiro programa da linha de shows da  TV Gazeta, que estreou em 4 denovembro de 1970 com o nome São Paulo da Viola. Posteriormentetornou-se Boa-Tarde Viola, quando seu horário era vespertino. E, em 1972 transformou-se em Show da Viola, nome que manteve até 1978.

Mas para falar do Carlos Aguiar, precisamos relembrar um pouco de sua história. Carlos Aguiar nasceu em 1947 em Caiabu, SP, cidade próxima de Martinópolis, na região de Presidente Prudente. Foi lá que Carlos Aguiar, aos 14 anos, iniciou sua carreira artística como locutor no serviço de alto-falantes da cidade. Um ano depois foi contratado como locutor da Rádio Clube de Martinópolis, onde ficou até 1964. Foi chamado para ser locutor da Rádio de Presidente Prudente.

Foi um passo para o sucesso. No final daquele mesmo ano, aos 17 anos,  Carlos Aguiar veio para São Paulo e começou a trabalhar com o ator Amácio Mazzaropi. Trabalhou como programador do Rancho Alegre, programa do humorista na TV Tupi. A partir dali dividiu seu trabalho entre o rádio como locutor e a televisão como produtor.

Foi para a TV Paulista, canal 5, produzindo os programas de Chacrinha, Dercy Gonçalves e Juca Chaves. Estava lá quando a TV Paulista foi comprada e transformada em TV Globo. Começou a fazer sucesso como locutor do programa Patrulha do Sertão, na Rádio Piratininga. E foi ali que recebeu o convite do produtor Kleber Afonso para apresentar um programa na TV Gazeta. Aí, naquele novembro de 1970, começou o São Paulo da Viola. O programa ia ar aos domingos à tarde, num auditório improvisado no 4º andar. Kleber Afonso foi ser seu produtor.

Quando as cores chegaram à TV brasileira, a TV Gazeta transformou o programa de Carlos Aguiar em cores. Em 1972, nos jornais, falava-se do Show da Viola: O programa colorido de maior audiência no horário, mostra o que de melhor existe na música sertaneja. Pouco tempo depois, o Show da Viola abriu espaço para a música nordestina, atraindo um público esquecido da metrópole paulistana. Aos poucos a viola sertaneja abriu espaço para outros instrumentos... e o enfoque neste novo segmento aumentou a audiência da TV Gazeta.


A partir de 1973 o programa passou a ter uma garota-propaganda, Wilma, ex-jogadora de basquete da Seleção Brasileira. Aos poucos, o ator Kleber Afonso se ausentou da produção, ocupando-se com turnês de suas peças de teatro, e Wilma assumiu a produção do programa. O bom entendimento com Carlos Aguiar, suas boas sugestões, suas opiniões, tudo fez que além da parceria nascesse algo mais forte: Carlos Aguiar e Wilma se casaram em 1975... E ela passou a usar o nome de Wilma Aguiar.

Em 1974 Wilma sugeriu que Carlos Aguiar criasse um quadro destinado à Música Popular Brasileira, que obteve muito sucesso. A TV Gazeta passou por uma grande reformulação na programação em 25 de janeiro de 1978, seu 8º aniversário. Com Com isso, o Show da Viola se transformou em Programa Carlos Aguiar, tendo agora a Música Popular Brasileira em geral como enfoque principal. Foi outra sugestão de Wilma Aguiar à direção da TV Gazeta.

As músicas sertaneja e nordestina passaram a aparecer no quadro Coisas do Nosso Folclore dentro do programa. Havia ainda os quadros: Só Sucessos, Um Passo Para o Sucesso (grande bordão do apresentador) e Lançamento, que mostravam, respectivamente, as músicas já consagradas pelo público, as que estavam atingindo o topo das paradas e as lançadas no mercado fonográfico. Além disso, semanalmente um artista consagrado contava fatos pitorescos de sua vida e carreira no quadro Vida de Artista (hoje tão copiado pelas grandes redes).

A equipe de produção de Carlos Aguiar contava com Wilma, Rubito, Amaury e Tony Auad, responsáveis pelos artistas convidados e pelas promoções do programa. A equipe também criou o Troféu Carlos Aguiar, aos grandes nomes do rádio, TV e música brasileira.

A partir de 1979, o Programa Carlos Aguiar passa a ser gravado no Teatro das Nações, na Avenida São João. De "ao vivo" virou "gravado", mas não tirou a naturalidade e o jeito espontâneo de Carlos Aguiar. O aumento do público foi uma das principais causas da mudança. O Teatro das Nações ficava lotado pelas fãs do programa, nas noites de segundas-feiras (dia da gravação). E não dá para deixar de lado o júri do programa, que gerava polêmica: Garcia Gambero, Prof. Fernando Jorge, Tony Auad, Arethusa Nogueira, Severino Araújo, entre outros.

Os aniversários do programa de 1978, 1979 e 1980 foram realizados no Ginásio do Pacaembu. Em cada ano um número aproximado de 18 mil fãs prestigiou Carlos Aguiar. Wilma Aguiar, a eterna companheira do apresentador, é quem nos conta mais sobre sua história:


"Eu entrei na Gazeta em 1973... O Aguiar já fazia o programa na TV Gazeta. Era o Show da Viola. Antes era jogadora de basquete da seleção brasileira. Fui apresentada a ele pelo Aucir, da Churrascaria Eduardo’s. Eu e o Aguiar sempre nos demos bem. Tanto é que aquela amizade cresceu e nos casamos. Dentro do programa tinha corrida, passava turfe, corrida de cavalo lá do Jockey Clube. Era transmitido simultaneamente. O Aguiar estava no ar, mas o programa era interrompido para entrar a corrida. Era domingo de manhã. No programa vieram violeiros importantes da época – Tonico & Tinoco, Pena Branca & Xavantinho, Zico & Zeca, Trio Parada Dura, Milionário e Zé Rico, Zé Betio... Eu comecei sendo garota-propaganda do programa dele... E metia o dedo onde não era chamada! Dava sugestões, opiniões. Um dia o Kleber Afonso foi fazer turnês e acabaram me colocando como produtora do programa. Na época os maiores patrocinadores do programa eram cafés. Tinha o Café do Ponto, Café São Bernardo, Café Serra Negra... Nós tínhamos patrocinadores de café até demais, porque o programa era pela manhã... E o Aguiar ia falando: 'Você vai acordando e tomando seu café'. Tínhamos também a Tapeçaria Chic, que na época era a rainha de patrocinar os programas de televisão. O Aguiar ajudou também na divulgação dos grandes laboratórios da época. Eles patrocinavam o programa. Dorsay, que era o Vitasay, do Doril, hoje grande potência e que na época era pequeno. Quando o programa foi para o horário da tarde, começamos a competir com o Sílvio Santos, aos domingos, com duas horas de duração. Depois dei a sugestão de ser Programa Carlos Aguiar. Nessa época, surgiu no programa o Zé Luiz, que chamam de Diabo Loiro, cantor de sucesso na época. Ele despontou no quadro Um Passo Para o Sucesso. O Amado Batista também começou no programa. O Aguiar sempre foi um comunicador popular. A gente tocava música sertaneja, música nordestina, que na época ninguém tocava. Quem fazia sucesso era Anastácia, Trio Nordestino, Dominguinhos, Luiz Gonzaga. Os artistas passaram a procurar o programa. Cada vez mais foi melhorando o nível, a ponto de a gente chegar a ter Fábio Jr., Elba Ramalho diversas vezes, Sidney Magal, Chitãozinho & Xororó... Os artistas faziam tudo o que o Aguiar queria, uma vez ele brincou com o Ovelha e perguntou para o público:
 
- Vocês querem o Ovelha pelado?
E todo mundo respondeu:
- Queremos!
 
Aí o Aguiar mandou o Ovelha tirar a roupa e ficar pelado... E ele realmente ficou! Aquilo foi manchete em tudo quanto é jornal. As festas do programa eram um sucesso, uma loucura. A primeira festa de aniversário que a gente foi fazer de externa, fomos gravar num salão de forró do Mário Zan. Metade do povo ficou do lado de fora e nós não tivemos condições de gravar. Foi aquela briga porque todo mundo queria entrar. Foi uma surpresa para a gente, até para os diretores da TV Gazeta. Foi um alvoroço. Teve que vir polícia, bombeiro, gente na rua gritando, chorando que queria entrar. Nós não tivemos condições de gravar. Foi em 1978. Tivemos que remarcar e fizemos o programa de aniversário na TV Gazeta, ao vivo e lotado de gente. Nossa sala de produção era no 8º andar, onde hoje é a Sala Vip. Hoje o Aguiar ficou na saudade para muitos artistas porque ele tinha as portas abertas para todos, sem distinção. Na TV Gazeta ele também apresentou o Telecatch... E lá também foi precursor, teve uma importância muito grande para a TV Gazeta, quando ela chegou a transmitir o Carnaval dos Clubes, durante muitos anos. Era transmitido do Palmeiras, do Corinthians, do São Paulo. A cada dia dois comentavam. Eu fazia um, o Carlos Aguiar o outro. O Aguiar sempre amou televisão, ele gostava muito mais do que rádio. O Aguiar deixou muita saudade. Tanto ele como eu amávamos a TV Gazeta."

Em 1983, o diretor-geral da Rádio Gazeta e TV Gazeta, Alberto Maluf, tirou do ar o Programa Carlos Aguiar. A alegação na época foi de que o comunicador não se enquadrava no perfil que a emissora adotava a partir daquele instante, menos popular.

Carlos Aguiar faleceu vítima de Insuficiência Respiratória, aos 41 anos, na capital paulista, em 22 de outubro de 1988. Encerrou sua carreira trabalhando na Rádio Globo, com o seu eterno Programa Carlos Aguiar.


Nota do radialista Edson Xavier: Na época eu era office-boy dos diários oficiais e trabalhava em um Flat no período noturno na Alameda Campinas. Conheci o apresentador Carlos Aguiar e sua Esposa Wilma quando se dirigiam a sua residência em uma rua travessa da Alameda Rio Preto no bairro Bela Vista. Anos mais tarde o reencontrei nas dependências da Rádio América AM 1.410 khz onde Wilma apresentava um programa com seu nome nas madrugadas, após falecimento do eterno amigo Carlos Aguiar. Saudades!

Mário Moraes

MÁRIO DE TOLEDO LEITE MORAES
(63 anos)
Jornalista e Comentarista Esportivo

* São Paulo, SP (13/06/1925)
+ São Paulo, SP (11/08/1988)

Mário trabalhou em jornal, rádio e televisão. Trabalhou na Rádio Panamericana, Rádio Nacional, Rádio Tupi, Rádio Bandeirantes, TV Tupi, Tv Gazeta, TV Guaíba, nos jornais Sport News e Diário da Noite. Destacou-se nas transmissões em dupla com Pedro Luiz.

Foi casado com Irma Leite (atriz de rádioteatro) e tiveram dois filhos, Mário de Toledo Leite Moraes Júnior e Roberto de Toledo Leite Moraes.

Faleceu em 11/08/1988 no Hospital Sírio Libanês, São Paulo, vítima de uma Parada Cardiorrespiratória durante uma sessão de quimioterapia em consequência de um Câncer na Garganta.

Fonte: Projeto VIP

Lola Lys

MARIA VILELA DE ALMEIDA
(88 anos)
Atriz

* Vila de São Manuel, MG (28/01/1900)
+ Volta Redonda, RJ (10/09/1988)

Ainda jovem mudou-se para Cataguases, onde conheceu o também jovem Humberto Mauro, com quem se casou em 1920.

Mesmo sem nunca ter pretendido ser atriz, aceita participar do filme O Tesouro Perdido (O Thesouro Perdido) em 1927, de seu marido, durante o Ciclo Cataguases do Cinema Nacional, pois a atriz principal, Eva Nil, abandonara as filmagens.

O Tesouro Perdido é um sucesso, recebe o Medalhão Cinearte de Melhor Filme de 1927, passaporte para sua futura parceria com o jornalista, diretor e produtor Adhemar Gonzaga. O filme, uma aventura com direito a mocinha, herói e bandidos, é basicamente composto pela família: Humberto Mauro é o vilão, seu irmão Bruno Mauro (pseudônimo de Francisco Mauro) é o herói, e Lola Lys é a mocinha Susana.

A partir daí, dedica-se somente aos três filhos do casal e a acompanhar Humberto em suas empreitadas cinematográficas.

Morreu em 10 de Setembro de 1988, em Volta Redonda, aos 88 anos de idade.

Filmografia

  • 1927 - O Thesouro Perdido

Fonte: Projeto VIP e Meu Cinema Brasileiro