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Mário Vilela

MÁRIO RIBEIRO VILELA
(71 anos)
Dublador

☼ São Paulo, SP (03/05/1934)
┼ São Paulo, SP (01/12/2005)

Mário Ribeiro Vilela, conhecido como Mário Vilela, foi um dublador brasileiro.

Mário Vilela começou a carreira como ator e entre seus trabalhos está a novela "Sombras do Passado" (1983) na TVS, trabalhando ao lado de Marcelo Gastaldi, Cecília Lemes, Walter Breda e José Parisi.

Na dublagem começou no final dos anos de 60 na Arte Industrial Cinematográfica (AIC). Entre seus trabalhos está o ator Edgar Vivar interpretando o Senhor Barriga na série "Chaves", e interpretando Botina, Garrafa, Detetive Cannon, Seu Severiano e diversos personagens em "Chapolin Colorado". Também dublou o ator no filme "Aventuras em Marte", que era um filme da série "Chapolin Colorado". Este sem duvida foi o seu maior trabalho, principalmente o Senhor Barriga, no qual era carinhosamente chamado pelos amigos de profissão de tão marcado que ficou esse personagem em Mário Vilela.

Mário Vilela também fez muitas dublagens em séries japonesas, como Buba interpretado por Yoshinori Okamoto e Gyoudai interpretado por Takeshi Watabe em "Esquadrão Relâmpago Changeman", na série "Patrine" fez o Deus Protetor, interpretado por Seijun Suzuki, na série "Spectreman" fez Takashi Ota interpretado por Kazuo Arai, também fez o Robô Kaima Metal Heavy dublado originalmente por Issei Futamasa em "Kamen Rider Black Rx", alem de ter feito pontas em "O Fantástico Jaspion", "Lion Man", "Jiban", entre outros.


Em séries infantis fez o Dono da Venda, o Rato de Boné interpretado por Shane McNamara em "Bananas de Pijamas".

Além de séries, Mário Vilela fez muitos desenhos, como Lenny em "Kissyfur", o vizinho de Rocko, Ed Cabeção em "A Vida Moderna de Rocko", foi o Blass em "Fly, o Pequeno Guerreiro", em "Os Cavaleiros do Zodíaco" foi Spika, em "Zillion" foi o Barão Ricks, no desenho dos anos 70 da "Família Addams" foi o Tio Chico, dentre outros.

Em filmes não era muito atuante, na maioria das vezes fazia apenas pontas, mas participou em alguns filmes como Landlord interpretado por Andy Devine em "A Pedra Azul", Carl interpretado por Walter Robles em "Os Mestres do Universo", foi o Papai Noel interpretado por Dennis Radesky em "Filadélfia", entre outros.

Em 2003 teve a honra de conhecer pessoalmente o ator Edgar Vivar no programa "Falando Fracamente", no SBT. Mário Vilela ficou muito emocionado, pois para ele Edgar Vivar, como também para os fãs, foi o maior trabalho de sua carreira, dentre todos os segmentos que já havia passado. E foi uma cena bem bonita para os que tiveram a oportunidade de assistir esse emocionante encontro.

Mário Vilela era diabético há muitos anos, e já havia tido vários problemas por causa da doença, como problema nas pernas. Veio a falecer vítima de problemas cardíacos também causados pelo diabete no dia 01/12/2005, deixando um legado na carreira e diversos fãs pelo país a fora.

Trabalhos

  • Edgar Vivar em "Chaves", "Chapolin" e "Aventuras em Marte"
  • Buba (Yoshinori Okamoto) e Gyoudai (Takeshi Watabe) em "Esquadrão Relâmpago Changeman"
  • Lenny em "Kissyfur"
  • Spika em "Os Cavaleiros do Zodíaco"
  • Blass em Fly o Pequeno Guerreiro
  • Ed Cabeção em "A Vida Moderna de Rocko"
  • Rato de Boné (Shane McNamara) em "Bananas de Pijamas"
  • Barão Ricks em "Zillion"
  • Senhor Jenkins em "Caillou"
  • Robô Kaima Metal Heavy (Issei Futamasa) em "Kamen Rider Black Rx"
  • Monstro Humanos (Episodios 14, 18 e 22) em "Lion Man"
  • Tio Chico em "A Família Addams" (Desenho dos anos 70)
  • Doc. Wilson (Michael Higgins) em "Deu a Louca nos Astros"
  • Baleia Dopey Dick, e personagens secundários em "Pica-Pau"
  • General em "As Novas Aventuras da Turma da Mônica"
  • Takashi Ota (Kazuo Arai) em "Spectreman"
  • Deus Protetor (Seijun Suzuki) em "Patrine"
  • Ben Parker (Segunda voz) e Rhino (Segunda voz) em "Homem Aranha" (Desenho anos 90)
  • Hardman em "Megaman"
  • Joseph Barbera em "Os Flintstones - I Yabba Dabba Do"
  • Scorpion / Sub-Zero em "Mortal Kombat"
  • Landlord (Andy Devine) em "A Pedra Azul"
  • Carl (Walter Robles) em "Os Mestres do Universo"
  • Papai Noel (Dennis Radesky) em "Filadélfia"
  • Hunk em "Voltron"
  • Presidente Alcazar (Subas Herrero) em "Comando Delta 2 - Conexão Colômbia"
  • Cyborg 007 em "Cyborg 009" (Série Original)
  • Gatão em "Tico e Teco e Os Defensores da Lei"
  • Pai da Lum em "Turma do Barulho"

Fernando Bonini

FERNANDO ANTÔNIO BONINI DA SILVA
(50 anos)
Desenhista e Quadrinista

☼ Niterói, RJ (17/09/1955)
┼ Valinhos, SP (08/10/2005)

(Por Bruno Machado - Edição U-turn - Dezembro de 2011)

Fernando Bonini, de nome completo Fernando Antônio Bonini da Silva, foi um criador de histórias em quadrinhos brasileiro. Fernando Bonini se tornou conhecido por ter sido um dos principais desenhistas de Zé Carioca e Urtigão.

Franco de Rosa entra no estreito quarto de pensão que recebeu seu último hóspede há pouco mais de quatro meses. A cama está desfeita, o lençol amarrotado pela última noite de sono. "Foi-se tranqüilo", pesaria ele seis anos depois, de frente para mim, em uma cafeteria no Centro. Certamente, seu velho amigo desenhista vagara por ali, algumas décadas antes. Recolhe alguns objetos pessoais que, no momento, não se recorda quais são e deixa o pequeno aposento.

Apesar de tanto em comum, Franco de Rosa é sincero: diz não ter grandes saudades do amigo, em parte por conta de sua melancolia. Lembra-se dele, sorridente entre outros cartunistas, nas mesas de bar. Sempre com o copo a mão, para que não bebessem da sua cerveja. Em outros momentos, entregava-se a uma tristeza profunda, esmurrava paredes, amassava desenhos. Mas não era agressivo com os outros. Franco de Rosa, inclusive, confessa que Fernando Bonini chegava a apanhar da mulher. Eles dois, inclusive, chegaram a dividir a mesma mulher: Fernando Bonini se casou, certa vez, com a ex-esposa de Franco e Rosa.

O que sobrou de sua tragicômica existência - bonequinhos de durepoxi e presentes recebidos pelo aniversário de 50 anos, recém-completos - está guardado em uma caixa de sapatos num apartamento na Avenida São Luís. O apartamento do editor e desenhista Franco de Rosa, com quem converso, a poucos metros de sua casa, entre uma e outra xícara de café. É um sábado ensolarado e frio, e poderia muito bem lembrar o dia em que Fernando Bonini foi enterrado, há seis anos, em Valinhos, no interior de São Paulo. A conversa por vezes não flui de maneira elucidativa: mesmo Franco, que conviveu com Fernando Bonini por tantos anos às vezes não parece atravessar o simples esboço desse rosto fluminense estreito, de poucas fotos, o farto bigode, sotaque da baixada, chiados nervosos herdados de Niterói.

Foram amigos e por muitas vezes, colegas de trabalho. Fizeram parcerias e tiveram vidas ligadas por coincidências - das quais Franco se lembra com alegria, mas sem sentimentalismo. Filho de um homem que se alternara e se desdobrara em diversas profissões, como barbeiro e palhaço, Fernando Bonini cresceu vendo os filmes de Jerry Lewis, de quem tiraria muito de sua inspiração para criar histórias. Muitas das situações que viveu também lembrariam muito os esquetes do comediante americano.

Em São Paulo, Franco de Rosa e Fernando Bonini foram vizinhos na infância, mas nunca souberam disso. Embora morassem um em frente ao outro, numa rua da pacata Santana, jamais jogaram bola juntos na rua e estudaram em escolas separadas. Dois completos estranhos, com uma paixão em comum, e que ainda se esbarrariam um punhado de vezes pela vida dos estúdios de quadrinhos.

Fernando Bonini tinha 15 anos quando foi descoberto por Primaggio Mantovi, que chegara ao Brasil com a derrota italiana na Guerra. Primaggio Mantovi era o mentor, Fernando Bonini o assistente de arte. Na extinta Rio Gráfica Editorial (RGE), desenhou tirinhas do "Recruta Zero" e do "Sacarrolha". Nessa época, ele ainda trabalhou com outros importantes nomes como Walmir AmaralGutenberg Monteiro e Evaldo.

Era início da década de 70, e fazia pouco mais de uma década que o desenho havia se instalado profissionalmente no país, graças às agências de publicidade e aos estúdios de Histórias em Quadrinhos, importadas diretamente dos Estados Unidos.  A função dos desenhistas brasileiros, nessa época, reduzia-se a fazer o que Franco chama de decoração: finalizar cada quadrinho, fazer pequenas adaptações para o público brasileiro. A produção nacional ainda era bastante incipiente, o que mudaria na década seguinte com artistas sedentos por mostrar um trabalho de cunho mais autoral e até experimental. Fernando Bonini era um desses artistas.

Foi na revista "Spektro" que Fernando Bonini  mostrou seus primeiros trabalhos autorais. Era final dos anos 70, quando surgiram seus personagens de traços duros, verticais, de queixos sempre muito grandes em histórias de terror e erotismo. A revista durou até 1982 com histórias que versavam sobre anjos, macumbas, demônios e encontros sexuais sobrenaturais.

Como todo desenhista, produzia melhor pela manhã, mas muitas vezes passava também a madrugada rabiscando originais.  Quando terminava uma história, dava-se férias de dois a três dias. Raramente escrevia um roteiro quadro-a-quadro de suas histórias. Simplesmente pegava a folha em branco com um rascunho mental do que iria fazer. Dali saíam os desenhos e a narrativa, sem qualquer organização formal prévia.

Os tempos de "Spektro", contudo, não duraram muito. Na verdade, Fernando Bonini não parava quieto em nenhum emprego. "Ele não queria ser funcionário, queria liberdade!", brinca Franco. Mal sabia ele que, anos depois, essa liberdade encontraria seu paroxismo nas ruas de São Paulo.

Com o fim de Riograf e da Vecchi, um novo pólo do desenho se instalou no país, no começo da nova década. Curitiba é a capital dos novos sonhos dos artistas de quadrinhos do país: a Grafipar, que anteriormente apenas publicava livros decidiu entrar no ramo. Para tanto, decidiu convocar um verdadeiro time de talentos que se estabeleceu nos limites da capital paranaense. Morando contiguamente, formaram o que se chamou na época de Vila dos Desenhistas. Eram Gustavo Machado - com quem Fernando Bonini dividia a moradia -, o próprio Franco de Rosa, Itamar Gonçalves, Watson Portela e Claudio Seto, este último, conhecido como o pioneiro do mangá no Brasil.

Ao que parece, a década de 80, a década perdida, parece ter sido a mais memorável de Fernando Bonini. É quando seu talento parece florescer, quando surgem seus melhores trabalhos e histórias. Um ser humano e um artista que atinge sua maturidade e se prepara para o declínio, pessoal e profissional.

Franco de Rosa se lembra com certa saudade dessa época, e numa frase solta, como se ligasse as pontas do passado e do presente, reitera: "Hoje nossos filhos são amigos. O filho dele vive por aí, é tatuador".

É nessa época que a faceta humorística de Fernando Bonini apareceu. Sua própria vida se revestiu de um tom de paródia rocambolesca, que se refletiu nos seus trabalhos posteriores, marcados pelo duplo-sentido, pelo quadrinho que mescla o erótico com o engraçado, com a situação absurda, com o humor de Lewis e seus filmes preto e branco.

Empilham-se as histórias cômicas deste período, e é dele que Franco de Rosa tem a imagem que se cristalizou na sua memória: o Fernando Bonini falante, rodeado de desenhistas, copo em punho para que os outros não tomassem da sua cerveja; a imagem de repente toma outra cor, e o artista torna-se introspectivo, com uma forte tendência para a contemplação melancólica da vida.

A cabeça de Fernando Bonini doía em mais de um lugar quando acordou na enfermaria do clube. Mal passara a dor e o sangue parara de lhe descer testa abaixo, quando deram com ele deitado na maca. Estendia olhares sedutores à enfermeira, acanhada ante o carinho que ganhava no pulso. Calculara mal o salto na piscina e dera com a cabeça no azulejo.

Fora algumas noites depois que chegou bêbado em casa na companhia de duas mulheres. Os vizinhos se constrangeram com a algazarra noturna. O som de algo que se despedaça na noite assombrada da Curitiba oitentista: Fernando Bonini acorda com a prancheta quebrada e um prejuízo em dinheiro. Levar mulheres pra casa? Nunca mais. Ou até a semana seguinte. Até recuperar o dinheiro que duas prostitutas roubaram.

Dorme em qualquer lugar.  Às vezes esquece onde mora, urina na rua. Não tem dinheiro para subir num ônibus, muito menos para apanhar o táxi. A cidade dorme deserta a noite fria, enquanto Fernando Bonini atravessa a rua. Não sabe se dorme, se sonha, se delira, mas dois olhos grandes o chamaram do outro lado. Um estranho parece requerer sua ajuda. A ficarem a dois palmos de distância, a revelação.

No dia seguinte, como explicar aos amigos? Perdeu o dinheiro, as chaves de casa. Limparam-lhe a carteira. Tinha algo nas mãos de certo, mas não conseguiria lembrar do que se tratava. A probabilidade de ter sido assaltado com um revólver, uma faca, uma colher ou um dedo é a mesma.

Risadas, risadas e mais risadas de um jovem grupo de desenhistas. Os anos 80 ardem-lhe feito febre, o talento doado ao desenho, ao rabisco, a música alta, a cerveja. A menina de muletas lhe chama a atenção. Ela está esquecida num canto da boite barulhenta e melancólica. A cabeça nas nuvens, a perna bamba. A perna dele, a perna dela. A noite inteira foi em vão, o esforço hercúleo. Ouviu apenas um monótono e sequenciado não. As pernas parecem feitas de borracha mole, prontas para se desafazerem-se no chão.  Foi-se o dinheiro das bebidas, os xavecos vencidos, repetidos, a conversa sem sentido, os sorrisos, as muletas. Tentaria mais uma vez, mas ela parece querer ir embora. Que ideia, sair à noite de muletas.  Não conseguira um beijo ou mesmo um abraço. Como ela poderia abraçar-lhe se mal consegue parar no chão sem precisar se apoiar em algo ou alguém? Na hora da saída, Fernando Bonini não resiste, e numa cena de Jerry Lewis, atrapalhado, gag de cinema, Moe Larry Curly,  risadas de auditório, esbarra nas muletas. A garota vai ao chão.

Fernando Benini foi assaltado incontáveis vezes e ser assaltado não era novidade. Rabiscos, nanquim, papéis pelo chão. Contando trocados. Todos os bares de Curitiba devem conhecer-lhe o nome. Recebe e mal vê o dinheiro. Centavo por centavo que se esvai em bebidas.

Não tardou para que a crise econômica que assolou o mundo chegasse à fria capital curitibana. Foram apenas quatro anos, mas dos mais intensos. Com o fim da Grafipar, chega ao fim também a Vila dos Desenhistas.

De volta a São Paulo, Fernando Bonini e Franco de Rosa parecem sentir no ar que os tempos são outros.  Mas a sorte lhes acena. Pois há empregos. Há desenhos, quadrinhos e revistas surgindo por toda parte. Há de se respirar aliviado, por que não?

É 1987, os títulos estrangeiros, sobretudo da Disney, convivem relativamente bem com a produção nacional de "Sérgio Mallandro", "Os Trapalhões" e "A Turma da Mônica". Embora os tempos sejam mais serenos, seu medo se realiza: Fernando Bonini se torna um funcionário. Pelos próximos anos ele permanecerá na Editora Abril, onde se tornará célebre por ser um principal desenhista dos quadrinhos do "Zé Carioca". Dessa época também são produções que nunca chegaram ao público, outras foram incineradas.

Nesse momento, a memória de Franco de Rosa borra-se de outros momentos, mas ainda é possível recuperar a memória de Fernando Bonini. Em termos. Seria a bebida, a rotina pálida, o peso da vida - uma soma dos três, quem sabe, que fez o desenhista abandonar uma vida que começava a se estruturar e trocá-la pela liberdade... das ruas? Se sua produção nessa época jamais se igualaria, e se ele parecia um artista bem-sucedido, por que largou tudo? Tais perguntas, provavelmente, jamais terão uma resposta satisfatória. Os murros nas paredes, o nervosismo, os episódios de depressão.

O que importa é que no final de 1998, Fernando Bonini passou a existir nas ruas de São Paulo. Chegou a morar dentro de um Fiat sem rodas, que certa vez foi lançado barranco abaixo. Desertas, à noite, as ruas de São Paulo têm regras e donos.

Exausto de tanto andar, novamente não sabe se dorme, se sonha, se delira. Desta vez, não vai até os grandes olhos que divisara do outro lado da rua: foge deles, e há algumas horas. Não saberia calcular o quanto já andara, mas as pernas doem e tudo que quer é um lugar quente para dormir. Mas a perseguição persiste por mais algumas horas. Seu inimigo parece onipresente nas sombras dos edifícios.

Se olhasse para o seu futuro, naquela noite, como em qualquer outra, não saberia dizer. Mas naquela noite tudo parecia pior. É como se andasse nos limites dos domínios da morte. A cidade, como um tabuleiro de xadrez, minunciosamente dividida entre seres invisíveis, seres que como ratos deixavam suas alcovas secretas, subterrâneas para reinar entre a sarjeta e o cheiro de mijo.

Na outra noite, acordara com os pés roxos e doídos. Doidos, haviam roubado-lhe os bens mais preciosos: um par de rotas meias. Houvera o cuidado de lhe devolver os não menos puídos sapatos aos pés, mas ainda era pouco contra o frio. Calor, ainda havia um pouco nos corações mendigos, mais do que num par de pés sujos.

Descalço, naquela noite era a presa. Ofegava entre becos, entre luzes amarelas. Nove de Julho, República, Maria Paula, São Luís - talvez aqui mesmo, onde ocorre esse diálogo, entre colunas de fumaça de cigarros e café - entre uma vitrine e outra, ele parou exausto. De repente os olhos, como dois faróis na noite se apagaram. Deixou-se apagar, não obstante alerta. O coração saindo pela boca. Mesmo os fortes caem no sono e, muitas vezes, falham.

Acorda do que parece ser um pesadelo para mergulhar em outro. Os faróis agora estão em seus olhos. Quentes e grandes, não apenas menos assustadores que o sorriso desdentado que os emoldura. A enfermeira ri, todos riem. Calculou mal o salto. Sangue. Uma mão de unhas imundas, um cano. A visão parece falha. A cabeça dói. Levanta e caminha, persiste na fuga, e mesmo que morto, vai sobreviver. E sobrevive.

Foi em 2000 que uma voz fraca pediu ajuda do outro lado do telefone. Franco de Rosa retirou o amigo de longa data da rua e deu-lhe novo emprego. Dessa época surgem os trabalhos para a editora Opera Graphica. Franco de Rosa me confessa que são trabalhos bons, e não raro, volumosos. Histórias longas, histórias de caráter quase confessional, um expurgo do sofrimento que aprendeu e arrancou do asfalto. Entre outras histórias mais comerciais, Fernando Bonini passa a desenhar quadrinhos do "Rei Leão" e do "Pica-Pau" para estúdios independentes. Os quadrinhos eróticos, verdadeira obsessão de Franco de Rosa, e um dos talentos de Fernando Bonini perde aceitação de mercado. O jeito é desenhar e escrever para crianças.

Mas novamente Fernando Bonini nos impõe um enigma, pois não tarda a voltar para a rua. Outra ligação, agora de um vizinho, informa Franco de Rosa que ele deixou o estúdio onde vivia provisoriamente. Os seus esforços em manter a cabeça do amigo livre dos fantasmas do asfalto falharam.

Mais um ano na rua, outro hiato na amizade entre Fernando Bonini e Franco de Rosa. Pouco se sabe desse período. Sabe-se, no entanto, que Fernando Bonini chegou a buscar ajuda espiritual, e numa de suas aventuras, embarcou numa viagem com uma seita messiânica até uma região qualquer. Meio do mato. Batida policial, pastores presos. Tráfico de drogas. Perdido no mundo.

Doente, desnutrido, cego de um olho - resultado de uma pancada na cabeça -, passou a vagar por Jacareí, também no interior de São Paulo, onde eventualmente conseguia comida e tomava banho em postos de gasolina. Foi novamente por telefone que pediu ajuda ao amigo pela última vez. Estava internado num hospital, e precisava de alguém que o tirasse de lá.

Franco de Rosa mais uma vez fez pelo amigo, instalando-o numa pensão em Valinhos, onde não permaneceu muito tempo. Não muito antes de morrer, fez seus últimos trabalhos, redesenhos, uma história de cangaceiros no estilo Disney, que importava? Parecia trabalhar quase que automaticamente no seu pequeno quartinho. Vida modesta, sem álcool, abstinência. Desgostoso com o rumo que tudo tomara? Talvez. Talvez pensasse no pai, palhaço e barbeiro. Não fosse desenhista, seria barbeiro, dizia. E de alguma forma, foi palhaço, imitando Jerry Lewis, os Três Patetas, fã de Chaves,  avesso ao rádio. A música o punha triste.

Das histórias que fez, a que Franco de Rosa guarda com mais entusiasmo é a do "Zé Mandioca". Paródia do quadrinho que tornou Fernando Bonini célebre - basta procurá-lo no Google, é assim que a História parece querê-lo, como o principal desenhista do "Zé Carioca" -, são histórias de um papagaio anão que se mete em problemas devido ao pênis muito grande.  Ao que parece, Fernando Bonini só desenhou duas das três histórias que existem. Da última, só há um roteiro.

Da última vez que Franco de Rosa viu Fernando Bonini, foi na noite anterior à morte. Ele parecia bem e há poucos dias havia ganhado sua festa de aniversário de 50 anos. Ganhou presentes numa festinha triste. Sua debilidade ainda era visível. As noites frias nas ruas de Jacareí, sem comida, diriam. Pobre coitado.

No dia da morte, saiu para tomar um café. Voltou e deitou-se na cama. Parece ter falecido no sono. O coração não resistiu. O coração que viveu uma infância quase nômade, os loucos anos 80 curitibanos e o inferno das ruas paulistanas. Fernando Bonini dormia em paz. Com o dinheiro que conseguiu, dos últimos trabalhos, chegou inclusive a pagar o próprio funeral, do qual participaram poucas pessoas.

Era dia ensolarado e Franco de Rosa fechou a porta do pequeno quartinho pela última vez. Levava consigo alguns objetos, que depositou no caixão do amigo. Lembra-se com carinho de quando, em Curitiba, o amigo chamou um policial loiro de polaca, e não fossem apartados, teria sido preso. Mas os murros nas paredes, a angústia e a dor que Fernando Bonini experimentou talvez indicasse aos mais indiferentes, aqueles que só dele recordavam sorridente, o copo em mãos, o bigode farto contra um rosto estreito, que era estava preso em vida, e nas ruas buscava a liberdade da solidão. Em vão.

Vai ver a morte o seduziu com suas promessas de liberdade e ele assim resolveu segui-la. Com sorriso na cara e os trejeitos de Jerry Lewis.

Fernando Bonini faleceu num sábado, dia 08/10/2005, vítima de um ataque cardíaco, aos 50 anos de idade.. Foi enterrado em Valinhos, no interior do Estado de São Paulo, localidade que residia nos últimos anos.


Desenho à lápis de Fernando Bonini
Obras
  • Desenhou histórias para a Editora Vecchi na revista "Sobrenatural" ("A Namorada do Julinho", "Roupas do Outro Mundo" e "O Melhor Pastel da Cidade").
  • Desenhou histórias eróticas para a Grafipar.
  • Para a Abril trabalhou nas publicações "Gugu", "Os Trapalhões", "Urtigão", "Recruta Zero" e "Sítio do Pica-Pau Amarelo".
  • Em 2002, "Os Exterminadores Sem Futuro", na Opera Graphica.
  • "Álbum Luciano", escrito por Primaggio Mantovi e publicado pela Via Lettera.


Fonte: Revista Babel

Luiz Carlos Niño

LUIZ CARLOS MENDONÇA NIÑO
(40 anos)
Ator

☼ Rio de Janeiro, RJ (27/05/1965)
┼ Rio de Janeiro, RJ (01/06/2005)

Luiz Carlos Niño, nome artístico de Luiz Carlos Mendonça Niño, foi um ator brasileiro.

Nasceu no Rio de Janeiro em 27/05/1965. Era filho da atriz Ilva Niño e de Luiz Mendonça. Seus principais trabalhos na TV foram nas novelas "Corpo Santo" (1987), "Te Contei?" (1978) e "O Astro" (1977).

Também em 1977, participou do "Sítio do Pica-Pau Amarelo" como o personagem Faharouquinho, na TV Globo.

No cinema, atuou em filmes como "Amor e Traição" (1974) e "Sábado Alucinante" (1979).

Luiz Carlos Niño morreu aos 40 anos, vítima de cirrose, no dia 01/06/2005, no Rio de Janeiro.


Luis Gustavo com Luiz Carlos Niño em Te Contei?
Televisão

  • 1977 - O Astro ... Alan Quintanilha (Criança)
  • 1977 - Sítio do Pica-Pau Amarelo ... Faharouquinho
  • 1978 - Te Contei? ... Zito
  • 1983 - Eu Prometo ... Garnizé
  • 1987 - Corpo Santo ... Juliano Queirós


Luís Carlos Niño e Jacira Sampaio no "Sítio do Pica-Pau Amarelo"
Cinema

  • 1974 - Amor e Traição
  • 1975 - Lição de Amor
  • 1979 - Sábado Alucinante
  • 1980 - Cabaret Mineiro


Luis Carlos Niño, Rosana Garcia, Jacyra Sampaio e Júlio César
Teatro

  • 1981 a 1983 - O Último Desejo
  • 1985 - Cabaret Brasileiro
  • 1990 a 1993 - Homem de Muitas Mulheres
  • 1996 - Os Reis do Improviso


Fonte: Wikipédia

Helena dos Santos

MARIA HELENA DOS SANTOS OLIVEIRA
(83 anos)
Compositora

* Conselheiro Lafaiete, MG (07/01/1922)
+ Rio de Janeiro, RJ (23/10/2005)

Maria Helena dos Santos Oliveira, ou simplesmente Helena dos Santos foi uma compositora brasileira, famosa por suas composições para o cantor Roberto Carlos. Nasceu em Conselheiro Lafaiete, interior de Minas Gerais, no dia 07/01/1922. Foi uma mulher do povo, humilde, humana, que sofreu muito, mas soube transformar seu drama em canções. Seus pais, Francisco dos Santos e Maria Amália dos Santos, jamais poderiam imaginar que Helena dos Santos um dia viesse a ficar famosa, dadas as precárias condições de vida da família.

Ainda criança, assistiu ao falecimento da mãe, passando a viver com a madrasta até os 11 anos de idade. Aos 12, mudou-se com uma irmã e o cunhado para o Rio de Janeiro. Logo, começou a trabalhar em uma fábrica de tecidos, e depois em uma loja de confecções masculinas, na Rua Frei Caneca. Depois de sofrer um acidente, passou quase dois anos sem trabalhar. Recuperada do acidente, empregou-se como doméstica.

Aos 17 anos, Helena dos Santos conheceu um jovem rapaz de Cabo Frio, Lauro Moreira, o qual trabalhara na mesma fábrica que ela. Tornaram-se namorados, e mais tarde se casaram, tendo seis filhos. Doze anos mais tarde, Lauro Moreira acabou falecendo. Na época, ainda grávida do sexto filho, Helena dos Santos viu-se em situação de profundo desamparo financeiro. Começou a lavar roupa para senhoras de Copacabana, e a fazer pequenos trabalhos de costura, atividade que a consumia todos os dias até altas horas da madrugada.

Sem concluir seus estudos, e portanto alheia às convenções gramaticais, Helena dos Santos aprendera a forma da composição e o trabalho com rimas ensinada por seu marido. Nos anos 60, o rock e a Jovem Guarda dominavam o cenário musical juvenil brasileiro, e Helena dos Santos resolveu compôr uma música naquele estilo. Depois de finalizar "Na Lua Não Há", em 1963, a então empregada doméstica iniciou sua batalha para encontrar um artista que quisesse gravar sua canção.

Um dia, ao visitar o programa "Luiz de Carvalho", na Rádio Globo, viu a cantora Rogéria, então em grande sucesso e a mostrou a composição "Na Lua Não Há", que a cantora ouviu e gostou, desculpando-se, contudo, por não ser do estilo dela. Disse então que havia um jovem cantor que talvez se interessasse pela composição. O jovem cantor se chamava Roberto Carlos que ouviu e gostou. Iniciou-se assim uma amizade duradoura entre os dois artistas, que ainda renderia mais dez composições de sucesso, das quais três seriam escritas em parceria com o compositor Edson Ribeiro.


Em 1963, a composição "Na Lua Não Há" foi gravada por Roberto Carlos no LP "Splish Splash" e no ano seguinte, no LP "É Proibido Fumar", ele gravou "Meu Grande Bem".

Em 1965, no LP "Roberto Carlos Canta Para a Juventude", teve gravada a canção "Como é Bom Saber" e no LP "Jovem Guarda", lançado no mesmo ano, teve gravado aquele que foi seu maior sucesso, "Sorrindo Para Mim".

Em 1966, no LP "Roberto Carlos", teve gravada a obra "Esperando Você".

Em 1967, uma reportagem da revista Intervalo assim falou sobre ela:

"Dona Helena dos Santos de Oliveira é uma ex-favelada que 'Betinho' (assim ela chama Roberto Carlos) resolveu chamar para ser sua compositora exclusiva. Com apenas seis músicas de sua autoria - 'Meu Grande Bem', 'Como é Bom Saber', 'Sorrindo Para Mim', 'Esperando Por Você', 'Fiquei Tão Triste' e 'Na Lua Não Há' - a vida dela já mudou muito. Ela comprou um apartamento na Gávea, móveis modernos e entrou num consórcio de automóveis. Os filhos estão todos no colégio."

Em 1968, obteve novo grande sucesso com a canção "Nem Mesmo Você" gravada por Roberto Carlos no LP "O Inimitável". No ano seguinte teve gravada pelo mesmo cantor a música "Do Outro Lado da Cidade".

Em 1970, teve a primeira de suas músicas gravadas por Roberto Carlos na qual não fez sozinha a letra e a música, dividindo a parceria de "O Astronauta" com Edson Ribeiro. Lançou um livro intitulado "O Rei e Eu", em que conta detalhes de sua relação com Roberto Carlos, do qual era também uma querida confidente.

Em 1972, fez com Edson Ribeiro a música "Agora Eu Sei", a segunda dessa parceria gravada por Roberto Carlos.

Em 1982, teve gravada por Roberto Carlos a música "Recordações", parceria com Edson Ribeiro.

Com o dinheiro adquirido com os direitos autorais de suas composições, Helena mudou-se com os filhos para um apartamento no Horto Florestal, tendo morado também em Bangu.

Helena dos Santos faleceu em 23/10/2005, no Hospital da Força Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, sendo sepultada no Cemitério São João Batista.

Composições

  • 1965 - Na Lua Não Há
  • 1964 - Meu Grande Bem
  • 1965 - Como é Bom Saber
  • 1965 - Sorrindo Para Mim
  • 1966 - Esperando Você
  • 1967 - Fiquei Tão Triste
  • 1968 - Nem Mesmo Você
  • 1969 - Do Outro Lado da Cidade
  • 1970 - O Astronauta (Parceria com Edson Ribeiro)
  • 1972 - Agora Eu Sei (Parceria com Edson Ribeiro)
  • 1982 - Recordações (Parceria com Edson Ribeiro)


Indicação: Miguel Sampaio

Heleninha Costa

HELENA COSTA
(81 anos)
Cantora

☼ Rio de Janeiro, RJ (18/01/1924)
┼ Rio de Janeiro, RJ (12/04/2005)

Heleninha Costa foi uma cantora brasileira nascida em 18/01/1924, no Rio de Janeiro, considerada uma das integrantes do primeiro time de cantoras da Rádio Nacional, ídolo do rádio e da época do vinil. Mudou-se em 1924 com a família, quando ainda era pequena, para Santos, litoral de São Paulo.

Formada como contadora, iniciou sua carreira artística aos 14 anos, na Rádio Clube de Santos, em 1938. Pouco depois, transferiu-se para São Paulo, onde atuou na Rádio São Paulo, Rádio Record e Rádio Bandeirantes.

Em 1953, no Rio de Janeiro, casou-se com Ismael Neto, líder do conjunto Os Cariocas.

Em 1940, gravou seu primeiro disco na Columbia registrando a marcha "Sortes de São João" (Osvaldo Santiago e Alcyr Pires Vermelho), e o samba "Apesar da Goteira do Quarto" (Pedro Caetano e Alcyr Pires Vermelho).

Em 1941 gravou a marcha "Tocaram a Campainha" (Pedro Caetano e Alcyr Pires Vermelho) e o samba "Está Com Sono Vai Dormir".


Em 1943, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde atuou na Rádio Clube do Brasil e trabalhou como lady crooner e bailarina do Cassino da Urca, cantando também no Cassino Quitandinha. Neste ano, gravou na Columbia o samba "Exaltação à Bahia", de Chianca de Garcia (revistógrafo espanhol) e Vicente Paiva que, na época, era diretor musical do cassino e compunha sambas de exaltação para os finais "apoteóticos" dos shows da casa. "Exaltação à Bahia" transformou-se no grande sucesso da carreira da cantora.

Em 1944 gravou na Continental com o conjunto Milionários do Ritmo o samba "O Samba Que Eu Fiz" (Oscar Bellandi e Dilo Guardia).

Em 1945, convidada por César Ladeira, passou a atuar na Rádio Mayrink Veiga. Dois anos mais tarde, também a convite de César Ladeira transferiu-se para a Rádio Nacional, participando do programa "Música do Coração" e dos melhores musicais noturnos da emissora. No mesmo ano, gravou na Continental o samba "Você é Tudo Que Eu Sonhei" (Laurindo de Almeida e Del Loro) e o choro "Amor" (Laurindo de Almeida e Valdomiro de Abreu).

Em 1947, lançou o samba "Recordações de um Romance" (Bartolomeu Silva e Constantino Silva) e o maxixe "Ginga" (Sá Róris).

Em 1951 gravou dois de seus grandes sucessos, o bolero "Afinal" (Ismael Neto e Luis Bittencourt) e o fox "Cartas de Amor" (Young e Heyman), com versão de Alberto Ribeiro. No mesmo ano, gravou com César de Alencar o baião "Não Interessa Não" (José Menezes e Luiz Bittencourt) e o maxixe "Que é Isto" (Nestor de Holanda e Abelardo Barbosa).

Heleninha Costa prepara-se para cantar e César de Alencar deixa o palco.
Esteve presente no primeiro LP brasileiro lançado pela Sinter, com repertório para o carnaval, juntamente com Marion, Neusa Maria, Oscarito, Geraldo Pereira, Os CariocasCésar de Alencar e as Irmãs Meireles

Em 1952, gravou na RCA Victor "Baião Serenata" (Klécius Caldas e Armando Cavalcanti) e o bolero "Por Quanto Tempo?" (Marino Pinto e Don Al Bibi). No mesmo ano, gravou um de seus grandes sucessos, o samba "Barracão" (Luiz Antônio e Teixeira). No mesmo período, gravou com o radialista César de Alencar o samba-canção "Está Fazendo Um Ano" (Ismael Neto e Manezinho Araújo) e o choro "Me Dá, Me Dá" (Ismael Neto e Claudionor Cruz).

Em 1953, gravou os baiões "Santo Antônio Disse Não" (Haroldo Lobo e Milton de Oliveira), e com acompanhamento de Os Cariocas, "Que É Que Tu Qué" (Luiz Gonzaga e Zé Dantas).

Em 1954 gravou os sambas "Arranha Céu" (Luiz Antônio e Oldemar Magalhães) e "Morro" (Luiz Antônio).

Em 1956, registrou o samba canção "Eu Já Disse" (Lúcio Alves).

Em 1958 gravou os sambas "Estrela De Ouro" (Luiz Bandeira e José Batista) e "Por Que Choras?" (Alberto Rego e Alberto Jesus).

A partir do final dos anos 70, retirou-se definitivamente da carreira artística, não mais aceitando convites para quaisquer aparições públicas.

No começo da década de 80 foi homenageada com um LP da série "Era do Rádio", do selo Collector's quando mereceu texto escrito pelo crítico Ricardo Cravo Albin, que a considerou uma das mais belas vozes de todos os tempos da radiofonia carioca.

Heleninha Costa, uma das cantoras da Era do Rádio, morreu no esquecimento, no dia 12/04/2005, no Rio de Janeiro, aos 81 anos, vítima de falência múltipla dos órgãos. Ela foi enterrada no Cemitério São João Batista, em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro.

Discografia

  • 1963 - Atchim (Deus Te Ajude) / Já Vou Embora (Chantecler, 78)
  • 1960 - Canta Heleninha Costa (Todamérica, LP)
  • 1959 - Exaltação à Brasilia / Turista (Todamérica, 78)
  • 1959 - Falaram / Poema Azul (Todamérica, 78)
  • 1958 - A Respeito da Lua / Não Tive Tempo (Copacabana, 78)
  • 1958 - Heleninha Costa (Copacabana, LP)
  • 1958 - L'Edera / Nós Nos Veremos Depois (Todamérica, 78)
  • 1958 - Estrela De Ouro / Por Que Choras? (Todamérica, 78)
  • 1957 - Pecadora / Revelarei (Copacabana, 78)
  • 1957 - Cinzas Do Amor  / O Chico Namorou (Copacabana, 78)
  • 1957 - Depois Da Rusga / O Lago Da Esperança (Copacabana, 78)
  • 1957 - Santa Maria / Desde Ontem (Copacabana, 78)
  • 1957 - É Luxo Só / Exaltação à Bahia (Copacabana, 78)
  • 1957 - A Grande Verdade / Madeira De Lei (Copacabana, 78)
  • 1956 - Sinfonia Do Samba / Quero Dizer-te (Copacabana, 78)
  • 1956 - Obrigado Reverendo / Eu Já Disse (Copacabana, 78)
  • 1956 - Rádio-Patrulha / Marcha Do Faquir (Copacabana, 78)
  • 1956 - Desespero / Manequins do Rio (Copacabana, 78)
  • 1955 - Malandro É O Gato / Você Está Chorando (Copacabana, 78)
  • 1955 - Juca  /Amor Brejeiro (Copacabana, 78)
  • 1954 - Arranha Céu / Você É Feio Ou Tá Doente (RCA Victor, 78)
  • 1954 - A Todos Consola / Aconteceu (RCA Victor, 78)
  • 1954 - Morro / Santo Amaro (RCA Victor, 78)
  • 1953 - Mais Do Que Eu / Vem Para Os Braços Meus (RCA Victor, 78)
  • 1953 - Que É Que Tu Qué / Santo Antonio Disse Não (RCA Victor, 78)
  • 1953 - Ninguém / Meu Amor Foi Embora (RCA Victor, 78)
  • 1953 - Por Quê / Agora É Tarde Demais (RCA Victor, 78)
  • 1952 - Já É Demais / A noite É Grande (Sinter, 78)
  • 1952 - Minha Cartilha / Voltarás (Sinter, 78)
  • 1952 - Fale Na Orelhinha De Cá / Jica-Jica (Sinter, 78)
  • 1952 - Está Fazendo Um Ano / Me Dá, Me Dá, Choro (RCA Victor, 78)
  • 1952 - Baião Serenata / Por Quanto Tempo? (RCA Victor, 78)
  • 1952 - Não Consigo Esquecer / Barracão (RCA Victor, 78)
  • 1952 - Cachorro Vai / Lar Vazio (RCA Victor, 78)
  • 1952 - Já Chorei / Dança Do Coça Roça (RCA Victor, 78)
  • 1951 - Afinal / Felicidade (Sinter, 78)
  • 1951 - Não Interessa Não / Que É Isto? (Sinter, 78)
  • 1951 - Vai Ter Casamento / Que Saudade (Sinter, 78)
  • 1951 - Noites Do Rio / Cartas De Amor (Sinter, 78)
  • 1950 - Jurei / Um Pouquinho De Carinho (Continental, 78)
  • 1950 - Única Saída / Junto De Ti (Sinter, 78)
  • 1950 - A Princesa Do Sião / Bonequinha Da Holanda (Sinter, 78)
  • 1950 - Macaco Me Lamba / Vida Vazia (Sinter, 78)
  • 1949 - Coitado Do Frederico / Fracassei (Continental, 78)
  • 1948 - A Serpente Do Faquir / Amanhece E Anoitece (Continental, 78)
  • 1947 - Recordações De Um Romance / Ginga (Continental, 78)
  • 1946 - Carinho Proibido / Perfume Da Terra (Continental, 78)
  • 1945 - Você É Tudo Que Eu Sonhei / Amor (Continental, 78)
  • 1945 - Remexe, Remexe / Não Posso Perdoar (Continental, 78)
  • 1944 - O Samba Que Eu Fiz (Continental, 78)
  • 1944 - Seja Breve / É, Seu Orlando! (Continental, 78)
  • 1943 - Ninguém Sabe O Que Quer / Exaltação À Bahia (Columbia, 78)
  • 1943 - Balança O Bebê / O Galo Do Vizinho (Continental, 78)
  • 1942 - Rebola Bola / Coração Ferido (Columbia, 78)
  • 1941 - Tocaram A Campainha / Está Com Sono Vai Dormir (Continental, 78)
  • 1940 - Sortes De São João / Apesar De Goteira No Quarto (Continental, 78)

Indicação: Miguel Sampaio

Norma Suely

NITA DE ARAÚJO SANTOS
(71 anos)
Cantora e Atriz

* Ponte Nova, MG (26/06/1933)
+ Rio de Janeiro, RJ (14/06/2005)

Norma Suely nasceu Nita de Araújo Santos, seu nome de batismo, na cidade de Ponte Nova, MG, no dia 26/06/1933. Filha de Jamil Lopes dos Santos e Esther de Araújo Santos, tinha dois irmãos: Edmundo e Adalberto. Seu pai era jornalista, editor do jornal da cidade, e sua mãe, exímia pianista, foi cantora profissional e professora de música. Com ela, iniciou seus estudos musicais ainda menina, em Belo Horizonte, onde a família passou a residir. Estudou no católico Colégio Santa Maria e no Colégio Batista Mineiro, mas a música clássica tornou-se desde então a principal motivação da precoce e sensível menina, tendo Dona Esther como principal incentivadora e primeira professora.

Enquanto estudava piano e canto, acompanhava a mãe nos programas da Rádio Inconfidência, e vibrava com o prestígio que ela desfrutava como folclorista e atração da emissora mineira. Aos 11 anos, interpretou a modinha "Quem Sabe" (Carlos Gomes) no auditório da rádio e recebeu sua primeira lufada de aplausos, acompanhada de rasgados elogios da direção. Cantar e tocar acordeão em festinhas e eventos da cidade, passou a ser constante em sua vida de adolescente.

Quando a família mudou-se para o Rio de Janeiro, frequentou os inevitáveis programas de calouros. No "Pescando Estrelas", em 1951, comandado por Arnaldo Amaral na Rádio Club do Brasil, conquistou o primeiro lugar e um contrato com a rádio, recebendo salário mensal de 1.500 réis. Foi o bastante para ser notada por Renato Murce, que na época lançava o programa "PRE-Neno" na Rádio Nacional. Foi lá que conheceu o tenor Paulo Fortes, que a aconselhou lapidar seu potencial vocal de soprano-ligeiro.

À essas alturas adotou o nome artístico de Norma Suely, por sugestão de um colega de rádio, que achava Nita um nome sem apelo comercial. Ela gostava de Norma por causa da ópera "Norma" de Vicenzo Bellini, e Suely, achou um complemento sonoro e popular.


No programa de Renato Murce, um concurso de canto lírico que tinha o compositor erudito Cláudio Santoro como presidente do júri, lhe concedeu como prêmio ao primeiro lugar conquistado, uma bolsa de estudos no Conservatório de Santa Cecília, na Itália.

Em 1953, afivelou as malas e seguiu viagem sozinha. Seu aproveitamento no curso foi de Excelência, a ponto de ser espontaneamente recomendada pelos professores do Conservatório para a renovação da bolsa por mais um ano. Durante sua estada em Roma, excursionou e apresentou-se em espetáculos ao lado de grandes nomes do cinema, como Silvana Pampanini, Renato Rascel, Eleonora Rossi Drago e outros.

De volta ao Brasil, assinou contrato com a Rádio Nacional, onde permaneceu contratada até 1967. Soltando seus trinados em trechos de óperas no famoso auditório, era aplaudida de pé, constantemente escalada para os populares programas de Manoel Barcelos, César de Alencar e Paulo Gracindo.

Sua participação em Festivais GE, acompanhada por orquestra sob regência de Lirio Panicalli, cantando "Alelluiah" de Mozart, empolgou não só a platéia, mas também os músicos que levantaram-se para aplaudi-la no final da apresentação.

Em 1957 recebeu convite da Polydor para gravar música popular, sonho que acalentava e o mercado lhe acenava. Gravou "Fascinação", "Se Todos Fossem Iguais a Você", "Olhe-me, Diga-me" e "Odeio-te, Meu Amor" em compacto-duplo. Saiu-se muito bem como cantora romântica, e passou a gravar MPB sem abandonar o canto lírico.

Norma Suely e Cauby Peixoto
Paralelo à vida artística, em 1958, fez concurso para o Instituto Brasileiro do Café (IBC), onde foi admitida como escrituraria. Logo estava na seção de relações públicas ao lado de jornalistas, o que a levou fazer curso de jornalismo, tornando-se redatora, e subindo para nível universitário com vencimentos.

A carreira como cantora prosseguiu com prestígio e popularidade, até que em 1965, estimulada pelo amigo Walter Mattesco, fez teste para o musical americano "Música, Divina Música", versão teatral de "A Noviça Rebelde", que o produtor Oscar Ornstein apresentou no Teatro Carlos Gomes. Foi aprovada como substituta da protagonista, deixando surpresos os americanos com seu alcance vocal. A atriz começava assim a despontar.

Aceitou o convite para trabalhar no musical "Os Fantastikos" que o diretor Antonio de Cabo começava a montar no pequeno Teatro Carioca do Flamengo. Perto da estréia, recebeu um telefonema de Oscar Ornstein para que assumisse o papel de Maria em "Música, Divina Música" imediatamente. Assim, protagonizou dois espetáculos em uma mesma temporada, já que em "Os Fantastikos" alternava com Suely Franco a personagem feminina principal. A guinada que esse fato causou em sua vida profissional foi avassaladora.

Atuava como cantora e atriz, especialmente de musicais, com brilho e ascensão. A cantora foi parar nas paradas de sucesso com a versão de "Juanita Banana", ao lado do cantor Kleber, uma ideia do grande amigo Abelardo Barbosa, o Chacrinha. Gravou os LPs "A Voz e o Violão" ao lado de Luiz Bonfá e "Festival San-Remo 65", com as célebres canções do festival.

A atriz experimentou o cinema em "Cangerê" (1957), e posteriormente fez "Adorável Trapalhão" (1967), "Rally da Juventude" (1972) e "O Esquadrão da Morte" (1975).

Norma Suely e Juscelino Kubitschek

Nos palcos atuou também em "Onde Canta o Sabiá", "Sabiá 67", "Tem Banana na Banda", "As Garotas da Banda", "Bordel da Salvação", "Tem Piranha na Lagoa", "Missa Leiga", "Independência ou Morte", "Gota D’Água", "O Homem de La Mancha", "O Ministro e a Vedete", "Greta Garbo, Quem Diria, Acabou no Irajá", "Sequestro na Sauna" e "A Dama de Copas e o Rei de Cuba" em Portugal. Suas últimas aparições em teatro foram nas leituras das peças "O Telescópio" e "Revolução dos Beatos", produzidas pela Funarte.

Na televisão ganhou papel escrito especialmente por Gilberto Braga, a cantora de sarau Norma Santiago na novela "Senhora" (1975) da TV Globo, onde cantava a mesma modinha "Quem Sabe" de Carlos Gomes, dos primeiros tempos. Seguiram-se "Nina" (1977), também na TV Globo e "Helena" (1987) na TV Manchete.

Sempre ávida por se reciclar e antenada com tudo à sua volta, voltou a estudar, fazendo Faculdade de Filosofia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), formando-se em 1982.

Dedicada à família durante toda vida, viveu cercada da tia, Ilka Drummond, irmãos, sobrinhos e primos, demonstrando a mais pura solidariedade e companheirismo. Residindo com a mãe em seu apartamento no Lido, Copacabana, apartamento esse que comprou pela Caixa Econômica Federal, pagando anos a fio até quitá-lo.

Sofreu a perda de Dona Esther no final de 1969, acometida de doença incurável. Muito abalada, afastou-se das atividades profissionais por um ano, até voltar ao teatro em "Tem Banana na Banda", a convite do amigo Nestor Montemar.

Da vida sentimental, foi noiva do italiano Eufêmio Maurizio del Buono enquanto estudou no período de dois anos no Conservatório de Santa Cecília. Mas a relação não resistiu ao aeroporto. No inicio de 1969 conheceu o comerciante Natal Luiz Prosdocimi nas cercanias da praça do Lido, onde também residia, apresentado pelo amigo André Tambourini. Ao assisti-la cantando "Amendoim Torradinho" em uma boate no Flamengo, foi impossível para Natal Luiz resistir. Apaixonaram-se e viveram juntos por quase quarenta anos.


Morte

Norma Suely faleceu em 14/06/2005 no Hospital Pan-Americano da Tijuca, vitimada pela mesma enfermidade de sua amada mãe.


Discografia

  • 1962 - Por Causa do Amor / Suave é a Noite (Odeon, 78)
  • 1960 - Oração do Amor Espanhol / E o Vento Levou (Polydor, 78)
  • 1960 - Jerusalém / Eu Quero Tantas Coisas (Polydor, 78)
  • 1960 - A voz e o Violão - Luiz Bonfá e Norma Suely (Odeon, LP)
  • 1958 - Fascinação / Se Todos Fossem Iguais a Você (Polydor, 78)
  • 1958 - Odeio-te Meu Amor / Olhe-me, Diga-me (Polydor, 78)
  • 1958 - O Amor Numa Serenata / Meu Coração (Polydor, 78)
  • 1955 - Poeira Dourada / Que Importa? (RCA Victor, 78)

Indicação: Miguel Sampaio

Jair

JAIR ROSA PINTO
(84 anos)
Jogador de Futebol e Técnico

* Quatis, RJ (21/03/1921)
+ Rio de Janeiro, RJ (28/07/2005)

Jair Rosa Pinto foi um dos principais futebolistas brasileiros das décadas de 1940 e 1950. Nasceu no dia 21/03/1921, em Quatis, RJ, pertinho de Barra Mansa, e começou a carreira no Madureira. Também jogou no Flamengo, Santos, São Paulo e Ponte Preta, Palmeiras e Vasco.

No Santos, em 1959, quando foi vice-campeão Paulista, deu aulas especiais de comportamento, posicionamento em campo e de chute a gol ao menino Pelé.


São Paulo

Jair Rosa Pinto passou pelo São Paulo. Foi rápido, em 1961. E ainda jogou na Ponte Preta, também rapidinho. Jair chegou ao São Paulo no final de sua carreira. Jogou pelo Tricolor entre 1961 e 1963. Atuou em 31 partidas (20 vitórias, quatro empates, sete derrotas) e marcou apenas 2 gols. Encerrou sua passagem pelo São Paulo dirigindo a equipe em janeiro de 1963.


Vasco da Gama

Começou a carreira profissional no Madureira, atuando como meia-esquerda, em 1938, quando formou um trio com os jogadores Lelé e Isaías, conhecido como "Os Três Patetas". O trio fez tanto sucesso que acabou sendo contratado pelo Vasco da Gama em 1943, onde participou do Expresso da Vitória, considerado um dos maiores elencos da história do clube. Pelo Vasco fez, 71 jogos, com 44 vitórias, 18 empates e nove derrotas, marcando 27 gols (média de 0,39 gols por jogo).

Zizinho, Pirillo e Jair Rosa Pinto
Flamengo

Em 1946, saiu do Vasco e foi para o Flamengo, segundo ele, por receber menos que outros jogadores no elenco.


Palmeiras

Jair chegou ao Palmeiras após vestir a camisa do Flamengo e do Vasco, e disputar a Copa de 1950 com a Seleção Brasileira. Lá ficou até 1955, onde foi ídolo incontestável.

Jair foi personagem principal de uma das partidas mais emocionantes da história do clássico entre São Paulo e Palmeiras, o famoso Choque-Rei. No dia 28/01/1951, o Palmeiras entrou em campo contra o São Paulo, jogando pelo empate. A partida era válida pelo campeonato paulista de 1950, e as duas equipes, que vinham disputando o título ponto a ponto, tinham chance de levantar o caneco. Debaixo de muita chuva o São Paulo conseguiu abrir o placar. Teixeirinha bateu, a bola desviou em Turcão (zagueiro palmeirense) e morreu no fundo das redes do goleiro Oberdan Catani. Após o árbitro inglês Alwyn Bradley decretar o fim do primeiro tempo, oa jogadores do Palmeiras, devidamente abatidos, desceram ao vestiário e foram surpreendidos por Jair, que aos berros exigiu raça ao time verde. No intervalo, ele chegou para seus companheiros e disse:

"A única chance que temos é a seguinte: todo mundo que pegar a bola, toca pra mim que eu vou lançar pra frente. Uma hora faremos um gol", lembra o jornalista Cláudio Carsughi.

E foi isso que aconteceu. Aos 15 minutos do segundo tempo Jair dominou e fez um de seus incríveis lançamentos. A bola parou em uma poça do inundado Pacaembu e sobrou para Aquiles, que empatou a partida e garantiu o título ao alviverde do Parque Antártica.

Pelo PalmeirasJair Rosa Pinto fez 241 jogos (141 vitórias, 55 empates, 45 derrotas) e anotou 71 gols. Conseguiu o título paulista de 1950 e a Copa Rio de 1951.


Santos

Em 1956, foi para o Santos, onde venceu três campeonatos paulistas (1956, 1958 e 1960). Ainda em 1957, voltou a vestir a camisa do Vasco num combinado Vasco-Santos, numa série de três amistosos no Maracanã. Jair jogou no Santos já quando veterano (tinha quase 40 anos), mas é lembrado até hoje como membro da melhor linha do time, que não tinha Mengálvio e Coutinho.

O melhor ataque do Santos foi a que o Palmeiras enfrentou no famoso 7x6 do Torneio Rio-São Paulo de 1958, formada por Dorval, Jair, Pagão, Pelé e Pepe. Esse ataque bateu o recorde de gols do paulistão em 58, com 143 gols, e o aumentou em 59 para 151 gols.


Seleção Brasileira

Jair atuou em 41 partidas pela Seleção Brasileira (39 oficiais), com 25 vitórias, cinco empates, onze derrotas, marcando 24 gols (22 oficiais). Foi o artilheiro da Campeonato Sul-Americano de 1949, com 9 gols, recorde até hoje não batido. Foi vice-campeão na Copa do Mundo de 1950, jogada no Brasil, onde marcou um gol em cinco jogos disputados. Sobre a derrota para o time do Uruguai, na final travada no estádio do Maracanã, Jair declarou: "Isso eu vou levar para a cova, mas, lá em cima, perguntarei para Deus por que perdemos o título mais ganho de todas as copas, desde 1930".

Apesar da seleção não usar numeração fixa naquela copa, Jair usava a camisa 10 sempre que jogava, portanto é tido como o primeiro jogador a usar a camisa 10 da seleção em copas do mundo.

Últimos Clubes e Carreira de Treinador

Ainda jogou com brilho no São Paulo e depois na Ponte Preta, onde encerrou a carreira em 1963, aos 42 anos. Foi ainda técnico de oito clubes, mas sem conseguir alcançar o sucesso que teve como jogador.


Vida Pós-Futebol

Depois de aposentado, estabeleceu-se no bairro da Tijuca, onde era um popular frequentador dos cafés da Praça Sáenz Peña. Ele passava boa parte do seu tempo cuidando dos muitos passarinhos que criava e revivendo mentalmente os seus tantos e tantos anos de glória no futebol, como jogador (principalmente) e como técnico.

Jair, que costumava acompanhar todos os programas esportivos da TV, ficou inconformado quando a Band tirou do ar o programa "Gol, o Grande Momento" e quando a TV Cultura encurtou e transformou o "Grandes Momentos do Esporte".

Jair Rosa Pinto morreu na madrugada do dia 28/07/2005, vítima de embolia pulmonar. Ele estava internado no Hospital da Lagoa, na zona sul do Rio de Janeiro, onde se recuperava de uma cirurgia no abdômen. O corpo do jogador foi velado no Cemitério do Caju, zona portuária do Rio de Janeiro, e cremado, no mesmo dia de sua morte.

Clubes
  • Madureira (1938 a 43)
  • Vasco da Gama (1943 a 48)
  • Flamengo (1948 a 49)
  • Palmeiras (1950 a 55)
  • Santos (1956 a 61)
  • São Paulo (1961 a 63)
  • Ponte Preta (1963 a 64).


Títulos

Vasco
  • Rio de Janeiro Campeonato Carioca: 1945


Palmeiras
  • São Paulo Campeonato Paulista: 1950
  • Rio de Janeiro x São Paulo Torneio Rio-São Paulo: 1951
  • Mundial de Clubes 1951: 1951


Santos
  • São Paulo Campeonato Paulista: 1956, 1958 e 1960
  • Rio de Janeiro x São Paulo Torneio Rio-São Paulo: 1959


Seleção Brasileira
  • Vice-Campeão Mundial: 1950
  • Campeão Sul-Americano (Atual Copa América): 1949



Bolão

ISIDORO LONGANO
(79 anos)
Saxofonista, Flautista e Clarinetista

* São Paulo, SP (15/03/1925)
+ São Paulo, SP (19/02/2005)

Isidoro Longano, mais conhecido como Bolão foi um saxofonista, flautista e clarinetista de Música Popular Brasileira. Estudou com Leonardo Mauro, João Dias Carrasqueira e Nelson Ayres.

Iniciou a carreira artística em 1944, integrando a orquestra de Fernando Arantes Brasil, e atuando em diferentes outras orquestras. Atuou ainda com os pseudônimos de Edward Long e Bob Longano. De 1945 a 1948 atuou no Hotel Parque Balneário, em Santos, SP, com a orquestra de Jorge Fazoli.


Ainda em 1948 passou para a orquestra de Rud Warton, tocando na boate Vogue, do Rio de Janeiro, até 1949, ano em que também atuou com a orquestra de Georges Henry na boate Excelsior, e na Rádio Tupi, ambas de São Paulo.

De 1950 a 1953 fez parte do conjunto Robledo, tendo, em 1950, estreado em disco, quando o mesmo conjunto acompanhou o cantor Caco Velho, em gravação de selo Continental.

A partir de 1954 integrou a orquestra de Sílvio Mazzuca, apresentando-se na Rádio Bandeirantes, de São Paulo, e em bailes e shows, até 1958. Em 1958, gravou o LP "Rock Sensacional - Bolão e Seus Rockettes", pela gravadora Columbia, interpretando diferentes sucessos do rock norte americano.

No final dos anos 1950, criou o Bolão e Seus Rockettes, com o qual gravou o LP "Viva a Brotolândia", três anos antes que Elis Regina lançasse um LP homônimo.

De 1958 a 1975 foi acompanhante em shows de cantores, internacionais e brasileiros. Integrante da banda de Nelson Ayres, e trabalhou também como músico de estúdio em gravadoras.


Em 1959, seu solo de sax na gravação da balada rock "Estúpido Cupido", versão de Fred Jorge, na voz de Celly Campello, e grande sucesso naquele ano, foi muito elogiado. Em 1959-60 tocou com Osmar Milani, exibindo- se em cinemas paulistas.

Em 1961, já com o nome de Bolão e Seu Conjunto, lançou o LP "Favoritas dos Brotos", também com diferentes sucessos do rock internacional. No mesmo ano, e também pela RCA Candem, lançou o LP "Baile de Brotos - Bolão e Seu Sax Tenor". Nesse período, além de gravações, apresentava-se constantemente tocando na noite paulistana. Entre outros grupos e conjuntos, atuou com o pianista argentino Robledo.

Em 1964, gravou, pela RCA Victor, o LP "Dance o Hully Gully - Bolão e Seu Conjunto" com diversos sucessos. No mesmo ano, lançou "Muito Legal! Bolão e Seu Conjunto". De 1964 a 1968 trabalhou com a orquestra do Pocho, tendo, em 1967, entrado também para a orquestra da TV Tupi, onde ficou até 1974.

Em 1976, sua interpretação para a balada rock "Ritmo da Chuva", de Demétrius, foi incluída no LP "Saudade Jovem - Volume 2", da RCA Candem.

Gravou LPs entre 1958 e 1972, na RGE Fermata sob o pseudônimo de Bob Longano, na RGE com o de Edward Long, e na RCA, como líder do conjunto Crazy Cat's.


Discografia

  • 1964 - Dance o Hully Gully - Bolão e Seu Conjunto (RCA Victor - LP)
  • 1964 - Muito Legal! Bolão e Seu Conjunto (RCA Victor - LP)
  • 1961 - Favoritas dos Brotos - Bolão e Seu Conjunto (RCA Candem - LP)
  • 1961 - Baile de Brotos - Bolão e Seu Sax Tenor (RCA Candem - LP)
  • 1958 - Viva a Brotolândia - Bolão e Seus Rockettes (Columbia - LP)
  • 1958 - Rock Sensacional - Bolão e Seus Rockettes (Columbia)


Indicação: Miguel Sampaio