Álvaro Valle

ÁLVARO BASTOS DO VALLE
(65 anos)
Político

* Rio de Janeiro, RJ (15/05/1934)
+ Rio de Janeiro, RJ (09/01/2000)

Álvaro Valle foi um político brasileiro, fundador e primeiro presidente do Partido Liberal (PL). Foi Deputado Estadual na Guanabara (1962-1964 e 1971-1975) e Deputado Federal pelo Rio de Janeiro (1995-1999) não conseguindo ser reeleito em 1998.

Antes de fundar o Partido Liberal, foi membro da União Democrática Nacional (UDN), Aliança Renovadora Nacional (ARENA) e Partido Democrático Social (PDS).

Em 1988 foi candidato a prefeitura do Rio de Janeiro.

Álvaro Valle morreu em 09/01/2000 vítima de um câncer no intestino.

Fonte: Wikipédia

José Fernandes

JOSÉ FERNANDES
(54 anos)
Maestro, Discotecário, Produtor, Redator, Radialista e Jurado de TV

☼ Minas Gerais (1925)
┼ Rio de Janeiro, RJ (05/09/1979)

José Fernandes foi um maestro, discotecário, produtor, redator, jurado de televisão e apresentador de programas de rádio durante quase duas décadas, mas só se tornou famoso quando começou a aparecer, eternamente mal-humorado, nos júris de programas de televisão.

Fazia o tipo mal humorado, de poucas amizades e raramente dava um sorriso em frente às câmeras. E foram raras as vezes em que seu sorriso foi visto, mas aconteceu. Os calouros tremiam quando José Fernandes pegava o microfone e já sabiam que nota receberiam. Sua nota geralmente era 0 e quando estava de bem com a vida, dava 1.

Participou do "Programa Flávio Cavalcanti" e também foi jurado no "Show de Calouros" do "Programa Sílvio Santos".

Crítico feroz, costumava distribuir notas zero aos calouros e, em 13 anos, só concedeu nota 10 para os cantores Clara Nunes, Cláudia, Elis Regina, Maysa, Orlando Silva, Carlos José, Tito Madi e Dick Farney. Mesmo assim, recentemente acabaria confessando a um amigo seu arrependimento por três dessas notas.


Em 1976, Guilherme Arantes se apresentou no programa "Show de Calouros", com o seu primeiro sucesso "Meu Mundo e Nada Mais", que era tema da novela "Anjo Mau". O cantor recebeu nota máxima de todos os jurados, menos de José Fernandes, que deu 4,5 (a nota máxima era 5), alegando que o trecho da letra "Só Sobraram Restos", formava o cacófato "Sóçobraram Restos". Guilherme Arantes discutiu com José Fernandes e Sílvio Santos pôs panos quentes, dizendo que os candidatos não deveriam comentar as opiniões do júri.

Como músico, dirigiu uma orquestra dedicada especialmente a tangos.

Em 1976, pela RCA Camden, lançou o LP "Tangos Nota 10 - José Fernandes e Sua Orquestra Típica", com a interpretação dos tangos "Ojos Negros" (Vicente Greco), "Caminito" (Gabino Coria Peñaloza e Juan de Dios Filiberto), "Derecho Viejo" (Eduardo Arolas), "Nostalgias" (Juan Carlos Cobián e Enrique Cadícamo), "Ré-fá-si" (Enrique Delfino), "A Media Luz" (Edgardo Donato e Carlos César Lenzi), "Quejas de Bandoneon" (Juan de Dios Filiberto), "Tango Pra Teresa" (Jair Amorim e Evaldo Gouveia), "El Choclo" (Angel Villoldo, Enrique Santos Discépolo e Carlos Marambaio Catan), "Volver" (Carlos Gardel e Alfredo Le Pera), "La Maleva" (A. Buglione e M. Prado) e "Yira Yira" (Enrique Santos Discépolo).


Em 1977, lançou o LP "Tangos Nota 10 - Volume 2 - José Fernandes e Sua Orquestra Típica", com os tangos "Mi Refugio" (Juan Carlos Cobián e P. N. Córdoba), "La Útima Cita" (Agustin Bardi e Francisco Garcia Jimenez), "Uno" (Mariano Mores e Enrique Santos Discépolo), "Madreselva" (Francisco Canaro e Luis César Amadori), "Buen Amigo" (Julio de Caro e C. Marambio), "Felicia" (Enrique Saborido), "Noche de Reyes" (Jorge Curi e Pedro Maffia), "À Eduardo Arolas", (José Fernandes), "Cuesta Abajo" (Carlos Gardel e Alfredo Le Pera), "Tomo y Obligo" (Carlos Gardel e Manuel Romero), "Canaro" (José Martinez), "Esta Noche Me Emborracho" (Enrique Santos Discépolo), "Recuerdo" (Adolfo Pugliese) e "Maipo" (Eduardo Arolas).

Apesar de maestro, sua notoriedade se deveu, segundo a crítica especializada, ao tipo especial que criou no "Programa Flávio Cavalcanti": Carrancudo, mal-humorado, dando sempre notas baixas aos calouros. O que fez com que o seu nome, tal sua popularidade, ficasse sinônimo de pessoas de mal com a vida.

José Fernandes faleceu no dia 05/09/1979, aos 53 anos, no Rio de Janeiro, RJ, vítima de uma afecção renal.

Fonte: Wikipédia

Julinho Botelho

JÚLIO BOTELHO
(73 anos)
Jogador de Futebol

* São Paulo, SP (29/07/1929)
+ São Paulo, SP (10/01/2003)

Foi um jogador de futebol, um dos maiores pontas direita da história do futebol brasileiro. É um dos maiores ídolos da Portuguesa, Palmeiras e Fiorentina. Sua primeira e única aparição em Copa do Mundo foi em 1954, sendo considerado pela imprensa mundial daquela época um dos melhores jogadores da Copa.

O Ínício de Carreira

Após ser dispensado da categoria de base do Corinthians, onde não se adaptou à posição de ponta-direita, Julinho, com 19 anos, chegou ao clube Atlético Juventus. No entanto sua passagem pelo clube da Mooca foi curta. Sendo promovido para a equipe profissional em 1950, depois de apenas seis meses foi contratado pela Portuguesa por Cr$ 50 mil.

Portuguesa

O recém chegado, logo se tornou titular, estreando contra o Flamengo, no Maracanã, no dia 18 de fevereiro de 1951, jogo que a Portuguesa perdeu por 5 a 2. Seis dias depois, em seu segundo jogo, marcou os seus 2 primeiros gols pela Portuguesa, na vitória de 4 a 2 sobre o América Futebol Clube, no Pacaembu.

Fez 191 partidas pela Portuguesa e marcou 101 gols. Chegango a marcar 4 gols em um mesmo jogo na vitória da Portuguesa sobre o Corinthians por 7 a 3, em 25 de novembro de 1951, no Pacaembu.

Suas atuações lhe renderam a convocação para a Copa do Mundo de 1954. Em julho de 1955, após conquistar seu segundo Torneio Rio-São Paulo, pela Portuguesa, foi vendido para a Fiorentina, da Itália, por US$ 5.500.

Fiorentina

Contratação mais cara da Fiorentina no ano de 1955, Julinho foi destaque na conquista do título italiano da temporada de 1955/1956, na primeira vez em que a equipe de Florença conquistou este título. A Fiorentina foi ainda, com Julinho, vice campeã italiana, nas duas temporadas seguintes.

Certa vez, quando andava de trem na Itália, precisou passar a viagem inteira escondido no banheiro para evitar o assédio dos fãs. Mas, em 1958, já mostrava seu desejo, de retornar à São Paulo. A Fiorentina fez uma proposta irrecusável e ele ficou. Ficou por mais um ano, mas pela vontade de voltar lhe deram o apelido de Senhor Tristeza.

Palmeiras

Voltou ao Brasil em 1959, quando passou a defender o Palmeiras. Fez parte do time que ficou conhecido como Primeira Academia, logo se tornou um dos maiores ídolos do Palmeiras.

Conquistou o Super-Campeonato Paulista contra o Santos Futebol Clube de Pelé. Foi fundamental logo neste seu primeiro título no Palmeiras.

Ganhou ainda, com o Palmeiras, a primeira, Taça Brasil da história do clube. Fez parte do elenco que disputou o jogo histórico em que o Palmeiras vestiu a camisa da Seleção Brasileira e goleou a Seleção Uruguaia por 3 x 0 na inauguração do Mineirão.

Na sua despedida contra o Náutico, saiu aos 32 minutos do primeiro tempo e deu lugar ao peruano Gallardo. Na primeira bola que o peruano errou o estádio inteiro puxou em coro: "Volta Julinho!"

Seleção Brasileira

Defendendo a Seleção Brasileira, realizou um total de 31 partidas, marcando 13 gols. Conquistou o Campeonato Pan-Americano de Futebol de 1952, o vice-campeonato sul-americano em 1953 , disputou a Copa do Mundo de 1954, sendo eleito melhor jogador do torneio, e venceu a Copa Roca de 1960.

Declinou a convocação para Seleção Brasileira de Futebol que disputaria a Copa do Mundo de 1958, alegando como motivo, o fato de que, como não atuava no futebol brasileiro, não seria justo para com os jogadores que atuavam no Brasil, que ele representasse o país em um campeonato mundial.

O dia 13 de maio de 1959 foi marcante para a vida de Júlio Botelho. Naquela ocasião, a Seleção Brasileira enfrentaria no estádio do Maracanã, a Seleção Inglesa em uma partida amistosa.

Quando Júlio Botelho entrou em campo, a expectativa de mais de 100 mil torcedores no Maracanã era de que ele fracassasse, mesmo vestindo na ocasião a camisa sete do Brasil. Era treze de maio de 1959 e o Brasil, recém campeão mundial, recebia em casa a Seleção da Inglaterra para uma partida amistosa. Ponta-direito de qualidade inquestionável, naquela partida o jogador sofria pressão da torcida carioca porque quem amargava o banco de reservas de sua posição era ninguém menos que o botafoguense Mané Garrincha. Ao entrar no gramado e ser anunciado pelo locutor como o titular, Julinho recebeu vaias de toda torcida presente no estádio (protesto que estava sendo preparado há uma semana). Mas, não fosse por ele ter tropeçado no último degrau das escadarias quando subiu ao campo, ninguém diria que realmente as ouviu. Quem impediu que ele caísse foi o goleiro da Inglaterra, que o segurou. Mas o que lhe deu forças de verdade foi o conselho ao pé do ouvido dado pelo companheiro Nilton Santos: "Vai lá e faz eles engolirem essa vaia!". Julinho obedeceu e em cinco minutos de jogo fez jogada na ponta direita e marcou o primeiro. Dez minutos depois deu passe pra Henrique fazer o segundo. Final: Brasil 2 a 0. Saiu aplaudido pela mesma torcida que não o queria em campo e, na manhã seguinte, os jornais ingleses anunciavam: "O Brasil agora tem dois Garrinchas".

Títulos

- Torneio Rio-São Paulo: Portuguesa (1952 e 1955) e Palmeiras (1965)
- Campeonato Italiano: Fiorentina (1955)
- Taça Brasil de Futebol: Palmeiras (1960)
- Campeonato Paulista: Palmeiras (1959, 1963 e 1966)
- Copa Roca: Seleção Brasileira(1960)
- Campeonato Pan-americano: Seleção Brasileira (1956)

Vice-Campeonatos

- Campeonato Italiano: Fiorentina (1956 e 1957)

Morte

Faleceu aos 73 anos de idade vítima de problemas cardíacos. Estava morando no bairro da Penha, na zona leste de São Paulo. Aliás, jamais deixou a Penha: nasceu, morreu e foi sepultado na Penha que tanto amava. Tanto que a saudade da Penha foi um dos motivos a determinar sua volta ao futebol do Brasil, para desespero dos torcedores da Fiorentina que simplesmente o idolatravam e continuam a reverenciá-lo.



Marthus Mathias

MARTHUS MATHIAS DE FARIA
(67 anos)
Ator e Dublador

☼ Itajubá, MG (01/05/1927)
┼ Campo Grande, MS (10/01/1995)

Marthus Mathias foi um ator e dublador brasileiro que imortalizou a voz brasileira de Fred Flintstone (a primeira e a mais frequente), nascido em Itajubá, MG, no dia 01/05/1927.

Marthus Mathias começou sua carreira em 1951 como rádio-ator em São Paulo, na Rádio Record. Sua estréia foi em "A Cabana do Pai Tomás".

Na televisão, atua em "Corcunda de Notre Dame" e "Vestido de Noiva", transmitidos ao vivo na década de 1950. Participou ainda de telenovelas de grande sucesso como "A Muralha" (1968), "Jerônimo, o Herói do Sertão" (1972), "Vitoria Bonelli" (1972), "O Espantalho" (1977), entre outras.

Marthus Mathias fez uma pequena participação em "Uma Rosa Com Amor" (1972), interpretando um empregado do personagem Carlos (Gilberto Martinho), ex-marido da vilã Nara Paranhos de Vasconcellos (Yoná Magalhães).

Estreou no cinema em 1953 e atuou em mais de 70 filmes. Sua estréia foi no filme "Cais do Vício" e desenvolveu sólida carreira com destaque para o filme "Jeca Tatu" (1959), um dos muitos filmes que realizou com Mazzaropi, "O Outro Lado do Crime" (1979) e "Besame Mucho" (1987).

Quase sempre no papel de vilão, Marthus Mathias era um dos atores mais constantes do cinema brasileiro, tendo atuado no cinema da Boca do Lixo paulista na década de 80.

Como ator-dublador outra de suas vozes foi de chefe dos agentes da UNCLE, vivido pelo ator Leo G. Carroll.

A maior decepção que teve foi não ter sido escolhido para dublar Fred Flintstone no primeiro longa metragem de "Os Flintstones".

Marthus Mathias faleceu aos 67 anos em Campo Grande, MS, no dia 10/01/1995, vítima de um câncer hepático.

Fonte: Wikipédia

Luiz Jatobá

LUIZ JATOBÁ
(67 anos)
Médico, Locutor e Jornalista

☼ Maceió, AL (05/01/1915)
┼ Nova York, Estados Unidos (09/12/1982)

Luiz Jatobá foi um médico, locutor e jornalista nascido em Maceió, AL, no dia 05/01/1915.

Possuidor de voz privilegiada para locuções radiofônicas e cinematográficas, em 1940, Luiz Jatobá foi convidado para ser locutor da Columbia Broadcasting System (CBS), em Nova York, Estados Unidos, onde se tornou o brasileiro que dava as notícias sobre a Segunda Guerra Mundial e apresentava trailers cinematográficos para a companhia Metro Goldwin Mayer (MGM).

Luiz Jatobá trabalhou na TV Globo quando Mauro Salles era o diretor de jornalismo da emissora. Nessa época, foi para o Jornal da Globo, ao lado de Hilton Gomes e Nathalia Thimberg.

Comandou a primeira edição do Jornal Hoje, ao lado de Léo Batista. No período da Ditadura Militar, Luiz Jatobá sofreu perseguição política por parte do governo brasileiro - novamente dos Estados Unidos, onde retomou a gravação de trailers de cinema, depois de ter percebido que era melhor afastar-se do país.


Sua voz grave e cavernosa era associada à narração dos trailers exibidos, durante décadas, nos cinemas brasileiros, com a mesma intensidade com que a voz misteriosa e sensual de Íris Lettieri passou a ser associada à locução de horários de vôos no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, de tal forma que ir ao cinema, não importa a fita que estivesse em cartaz, na época em que Luiz Jatobá apresentava os trailers, - quase sempre de filmes de Hollywood - importava em ouvir a voz profunda desse médico ortopedista e locutor, como também significava assistir, ouvindo sua música característica, às cenas recentes e cruciais dos principais jogos do desporto brasileiro, especialmente do futebol carioca (Última sessão do Cine-Jornal Canal 100, produzido por Carlos Niemeyer, com a canção "Na Cadência do Samba", de Luiz Bandeira, na versão instrumental sob a orquestração de Waldir Calmon, que muitos, não sabendo o nome da música, diziam a primeira frase da letra: "Que bonito é...").

Luiz Jatobá, a quem coube a narração de parte do noticioso radiofônico oficial "A Hora do Brasil", trabalhou no rádio brasileiro por 45 anos, na época em que os conteúdos veiculados por esse meio de comunicação eram os mais consumidos pelos públicos do Brasil, tendo influenciado na formação de gerações de locutores não apenas de rádio, mas também de cinema, televisão e vídeo, que o veneravam como dono de uma das mais célebres vozes do continente Americano, certamente o mais famoso timbre vocal masculino do Brasil, sendo a voz de Íris Lettieri o seu correspondente feminino.

Luiz Jatobá foi casado com a ex-esposa de Humberto Teixeira, a atriz e pianista Margot Bittencourt (Margarida Jatobá).

Fonte: Wikipédia

Paulo Fortes

PAULO DE PAIVA FORTES
(73 anos)
Cantor Lírico e Ator

* Rio de Janeiro, RJ (07/02/1923)
+ Rio de Janeiro, RJ (09/01/1997)

Paulo de Paiva Fortes, nasceu em 7 de fevereiro de 1923, filho de Auto Barata Fortes e Zélia de Paiva Fortes, carioca da Rua do Riachuelo, bisneto de Cândido Barata Ribeiro, primeiro prefeito do Rio de Janeiro.

Estudou no Colégio São Bento e bacharelou-se em Direito pela Faculdade do Rio de Janeiro (1948). Na Faculdade de Direito participou do Teatro Universitário, dirigido por Gerusa Camões. O José Torre o assistiu e o levou a estudar com Gabriella Besanzoni.

Em junho de 1945, Gabriella Besanzoni se despedia da carreira e o apresentava em um concerto no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e na Rádio Gazeta de São Paulo. Neste mesmo ano, em 5 de outubro, estreou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro em La Traviata, sua estréia profissional.

Paulo Fortes estudou com Gabriella Besanzoni, Murillo de Carvalho, Pina Monaco e Flaminio Contini em Florença.

Foi o artista que mais vezes atuou no palco do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Participou como ator em diversos filmes e na TV, fez vários recitais de câmara e gravou vários discos.

Promoveu a colocação da estátua de Carlos Gomes defronte ao Teatro Municipal, na Cinelândia. Foi professor da Escola de Canto Lírico Carmem Gomes, do Teatro Municipal.

Paulo Fortes faleceu em 09/01/1997 aos 73 anos.

Neusinha Brizola

NEUSA MARIA GOULART BRIZOLA
(56 anos)
Cantora e Compositora

* (20/11/1954)
+ Rio de Janeiro (27/04/2011)

Neusa Maria Goulart Brizola, filha caçula do ex-governador Leonel Brizola, ou Neusinha Brizola, ficou conhecida por suas desavenças públicas com o pai nos anos 1980 e 1990.

Extravagante, anunciou que havia criado o Movimento Anarquista Tropicalista Energético, do qual era sacerdotisa. Fez uma festa de casamento no alto do Terminal Rodoviário Menezes Cortes. A cerimônia foi celebrada por Paulo Coelho.

Mudou-se para a Holanda, onde viveu por seis anos. Ao voltar, em 1991, estava viciada em drogas. Foi presa duas vezes por posse de cocaína. Também foi acusada de agredir uma empregada doméstica.

Depois da fase turbulenta, livrou-se do álcool e das drogas e abriu uma produtora cultural com a filha. Passou a ter uma relação mais tranquila com o pai e o acompanhava durante as campanhas políticas.

"Meu pai sempre foi um aglutinador na política e na família. Procurava manter todos debaixo da asa. Nos falávamos praticamente todos os dias", disse, em entrevista à revista IstoÉ Gente, logo depois da morte de Leonel Brizola, em 2004.

Carreira

Fez sucesso na década de 1980 ao lançar hits New Wave, como a música "Mintchura", em parceria com o compositor e guitarrista gaúcho Joe Euthanázia.

Em 1983 fez um ensaio fotográfico para a revista Playboy mesmo contrariando a opinião do seu pai, então governador do estado do Rio de Janeiro. Porém, Leonel Brizola impediu a publicação das fotos. Seu primeiro LP foi lançado neste ano.

Em 1984 participou da trilha sonora do programa musical infantil "Plunct, Plact, Zuuum", da Rede Globo. Para esta emissora, também compôs algumas trilhas sonoras para novelas, como em "Transas e Caretas" (1984) e para o cinema, como no filme "As Sete Vampiras" (1986). Na campanha Diretas Já, lançou a música "Diretcha" em compacto simples.

Morte

Neusinha Brizola morreu no dia 27/04/2011, aos 56 anos, na Clínica São Vicente, na Gávea, zona sul do Rio de Janeiro. De acordo com a família, ela sofria de Hepatite C e morreu em decorrência de complicações da doença.

O hospital não foi autorizado a divulgar boletim médico. Neusinha Brizola sentiu-se mal na tarde de domingo, 24/04/2011, e foi internada. Ao longo da semana, o quadro se agravou e ela sofreu uma embolia pulmonar, informou Tania Fayal, uma das fundadoras do Partido Democrático Trabalhista (PDT) e assessora do Secretário de Trabalho e Renda, Brizola Neto, e do vereador Leonel Brizola, sobrinhos de Neusinha.

Neusinha Brizola deixou dois filhos, Laila (36), Paulo César (28) e quatro netos.

O velório de Neusinha Brizola, ocorreu na capela 2 do Cemitério de São João Batista, em Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro, às 11:00 hs de quinta-feira, 28/04/2011.

Ela será enterrada na sexta-feira, 29/04/2011, no mausoléu da família, no Cemitério Municipal de São Borja, no Rio Grande do Sul.

"Neusinha, que com todos os desentendimentos que a imprensa sempre explorou, foi sempre objeto de um carinho especial de meus avós, será sepultada ao lado deles, em São Borja", escreveu Brizola Neto, em seu blog. Foi também o ex-deputado federal que divulgou a morte da tia, pela internet.

Antes da sua morte, Neusa Maria Goulart Brizola, a Neusinha (ela se assinava com Z) implorou por uma extrema-unção - ao contrário do que muitos imaginam, ela era muito católica. Uma amiga conseguiu um padre, e o pedido foi atendido. A famosa filha do político Leonel Brizola queria ser enterrada em São Borja, Rio Grande do Sul, ao lado do pai.

Há algum tempo, Neusinha não saía de casa, desde que piorou da hepatite C. Seu último evento social foi no carnaval, quando ela comprou uma frisa na Marquês de Sapucaí.

Mário Eugênio

MÁRIO EUGÊNIO RAFAEL DE OLIVEIRA
(31 anos)
Radialista, Jornalista e Repórter Policial

* Comercinho, MG (03/01/1953)
+ Brasília, DF (11/11/1984)

Mário Eugênio Rafael de Oliveira, conhecido por Mário Eugênio, o Gogó das Sete, foi um jornalista especializado em cobertura policial, nascido em Comercinho, MG, no dia 03/01/1953. Mário Eugênio foi uma lenda do jornalismo policial de Brasília nos anos 80.

Formou-se em comunicação social pela Universidade de Brasília (UNB). Era repórter policial, estava separado quando foi assassinado, aos 31 anos de idade, e não tinha filhos. Trabalhava no Correio Braziliense e comandava um programa na Rádio Planalto, o Gogó das Sete, líder de audiência na cidade, então com 500 mil habitantes, em 1984. Tinha alguns bordões que tornaram-se sua marca registrada: "Meninos, eu vi" e "Aqui a notícia é do tamanho da verdade, doa a quem doer!"

Mário Eugênio passou a incomodar pela ousadia com que denunciava os crimes. Não importava se cometidos por criminosos comuns ou poderosos. Com seu jornalismo investigativo, denunciou que policiais do Distrito Federal, sob o comando do então secretário de Segurança Lauro Rieth, atuavam como grupos de extermínio. Pagou com a própria vida pela denúncia. Foi assassinado com sete tiros na cabeça, em 11/11/1984, às 23:55 hs, quando deixava a Rádio Planalto, no Setor de Rádio e Televisão Sul, em Brasília.

O crime até hoje não foi totalmente esclarecido. Nem será, pois já prescreveu. Se falta alguém ser condenado pela morte dele, não há mais como ser julgado. O agente policial Divino José de Matos, o Divino 45, o único condenado a 14 anos de prisão, disse, em 2004, ao Correio Braziliense: "Eu não matei Mário Eugênio. Um dia a verdade vai aparecer".

Marão Era um Repórter Polêmico e Irrequieto

Mário Eugênio Rafael de Oliveira, ou Marão, como era chamado entre amigos, foi, durante muito tempo, o único repórter policial do jornal Correio Braziliense em um período de transição política em que o Brasil - e, por conseqüência, os jornalistas - tentava se livrar das amarras de 30 anos de ditadura, censura e torturas, para estabelecer as bases de uma democracia após os governos militares instalados com o golpe de 1964.

Brasília, sede da Presidência da República, não era a cidade que é hoje. "Na época, havia muita gente das Forças Armadas trabalhando na delegacia de polícia para colher informações", explica o policial civil Ivan Baptista Dias, o Ivan Kojak, falecido em 2010: "Muitos militares portavam carteira de policial civil e de delegado". Ivan Baptista Dias foi apelidado pelo próprio Mário Eugênio de Kojak pela semelhança com o personagem careca do seriado de TV. O jornalista criou vários apelidos para figuras públicas.

Naquela época, os crimes ganhavam muito mais destaque e por isso apareciam nas páginas escritas e editadas por Mário Eugênio, recorda a jornalista Ana Maria Rocha, que foi casada com ele de 1978 até 1980. O jovem repórter passou a ser conhecido na cidade por seu estilo contundente de apresentar a notícia. "Ele era constantemente ameaçado, porque expunha o lado marginal de Brasília, mas tinha um senso de justiça. Uma vez, foi criticado por ter mostrado o lado humano de um bandido, seus problemas familiares e a vida sofrida", lembra Ana Maria.

Na Rádio Planalto, Mário Eugênio ficou famoso com o Gogó das Sete, programa líder de audiência, que tinha este nome porque era patrocinado pelo Leite Gogó. Por este motivo também, a primeira emboscada planejada para eliminar Mário Eugênio (que falhou) foi chamada de Operação Leite. Às vezes, exagerava ao usar termos sensacionalistas no programa de rádio.

Foi processado, acusado de injúria, calúnia e difamação por delegados que denunciou. Nunca chegou a ser condenado. "Não defendo policial corrupto, não defendo policial ladrão, não defendo policial que bate em trabalhador. E lugar de bandido, para mim, é na cadeia ou na cova", registrou o Correio Braziliense como sendo uma das frases do jornalista.

As matérias de Mário Eugênio tinham muitos detalhes, mas ele também fazia alguns floreios, recorda o colega Carlos Honorato, que trabalhou no Correio Braziliense e é editor executivo do Jornal de Brasília. Alguns jornalistas criticavam Mário Eugênio pela relação promíscua estabelecida com suas fontes na polícia. "Ele assistiu a execuções e torturas, por isso escrevia com tantos detalhes", observou um repórter que preferiu não se identificar.

O delegado aposentado Paulo Cesar Tolentino diz que costumava sair freqüentemente com Mário Eugênio para beber à noite, e confirma que ele "chegou a fotografar algumas sessões de tortura e me mostrou as fotos. Mário Eugênio queria ter um furo de reportagem, pretendia publicar um livro. Estava fazendo um dossiê."

Tolentino foi responsável pela investigação da morte de Mário Eugênio na Delegacia de Homicídios, em Brasília. Depois do crime, o dossiê foi procurado na casa do repórter e na redação. Tolentino afirma que as anotações e fotos não foram encontradas.

Quando o jornalista entrou em atrito com o secretário Lauro Melchíades Rieth e começou a publicar denúncias envolvendo policiais e militares, Tolentino o avisou que sua vida estava em perigo. "Mário Eugênio tinha uma medalha de São Jorge e sempre dizia que o santo ia protegê-lo."

Ana Maria sabia que Mário Eugênio acompanhava de perto as operações policiais, embora ele não conversasse a respeito. Mas também ressalva que havia muito preconceito, na época, em relação aos setoristas de polícia. "Ele era discriminado pelos que se diziam da esquerda", observa. Ao candidatar-se a Deputado pelo Partido Democrático Social (PDS), considerado um partido de direita, Mário Eugênio reforçou esse estigma. "Mas ele não se metia com material político e ideológico, cobria 100% de polícia", afirmou Renato Riella, que foi editor executivo e chefe do jornalista no Correio Braziliense.


Mário Eugênio fazia toda a página policial no Correio Braziliense, desde foto (que ele às vezes tirava), texto, até edição. Próximo a sua mesa, colocou uma placa que dizia:  Editoria de Polícia - Distrito Zero, que virou a sua marca. Às vezes, irritado com os motoristas, assumia ele mesmo a direção do carro na hora de ir apurar os dados. Na semana de sua morte, tinha acertado tirar férias em dezembro. Depois de viajar, ele e Riella definiriam um novo esquema de trabalho, porque o editor o considerava sub-aproveitado. A idéia era que começasse a fazer reportagens maiores, mais profundas.

Ana Maria tem certeza de que, se estivesse vivo, Mário Eugênio estaria hoje denunciando os crimes de corrupção no governo. "Teria sido o mesmo repórter competente em qualquer editoria, porque respirava jornal o tempo inteiro", enfatiza. No início, até conciliava o trabalho com um hobby, o motociclismo. O estilo meio playboy desagradava alguns colegas. Filho de fazendeiros, dinheiro para ele não era problema. Bonito, tinha fama de conquistador. O programa na rádio lhe rendeu um fã-clube. Com o aumento da carga de trabalho, na rádio e no jornal, acabou diminuindo as saídas de moto. De madrugada, antes de se recolher, ia ver se estava tudo certo com sua página no jornal.

Desde criança, Mário Eugênio era uma pessoa inquieta e persistente e na vida adulta manteve a personalidade forte. "Foi esse temperamento que o levou à morte", acredita o irmão, Paulo Roberto Rafael de Oliveira. Todos sabiam que Mário Eugênio recebia ameaças de morte. Mas, como eram muito freqüentes, o jornalista não dava importância. Quando Paulo Roberto ficou sabendo que ele andava mexendo com gente poderosa, aconselhou-o a deixá-los "quietos". "Mário me disse que, se fosse eliminado, todos saberiam que foi por causa do Lauro (Lauro Rieth)", testemunhou Paulo.

A mãe de Mário Eugênio, Maria Eres Rafael de Oliveira, não entende por que não se chegou ao nome do responsável por planejar o assassinato. "Parece que a falha vem da Justiça. Se na época que estava todo mundo querendo saber quem foi não chegaram ao mandante, será que agora a Justiça vai agir?", questiona. Ela mesmo responde: "Minha esperança é só em Deus, porque aqui acho que não se consegue, não."

Como o Crime Ocorreu

Eram 23h55min do dia 11 de novembro de 1984. O repórter Mário Eugênio Rafael de Oliveira acabara de gravar mais uma edição do programa Gogó das Sete, que iria ao ar na manhã seguinte, uma segunda-feira. Estava saindo do prédio da Rádio Planalto, no Setor de Rádio e Televisão Sul de Brasília. Quando chegou ao estacionamento, próximo a seu carro Monza, recebeu sete tiros na cabeça.

O operador de rádio Francisco Resende, o Chiquinho, que havia gravado o programa com Mário Eugênio, ouviu os tiros e, de longe, avistou apenas um homem com chapéu, vestindo um casaco escuro, com uma arma comprida na mão, correndo. Depois viu um carro branco afastar-se rapidamente.

O inquérito policial apurou que os tiros saíram da espingarda calibre 12 e do revólver Magnum calibre 38, de Divino José de Matos, conhecido como Divino 45. O apelido, ironicamente, foi dado pelo próprio Mário Eugênio devido à reconhecida pontaria do policial e a sua habilidade com as armas. As balas especiais do revólver, do tipo Hollow Point, dilaceraram o crânio do jornalista. Seu corpo foi encontrado estendido próximo ao carro. A explosão provocada pelos tiros lançou pedaços da massa encefálica de Mário Eugênio para o asfalto e deixou resíduos na capa usada pelo matador.

Conforme apurou a polícia, Divino fugiu em um Fusca branco dirigido pelo cabo David Antônio do Couto. Ali perto, havia outros policiais que forneceram suporte para o crime. O agente policial Iracildo José de Oliveira e o sargento Antônio Nazareno Mortari Vieira acompanhavam tudo, no interior de um automóvel Fiat do Pelotão de Investigações Criminais do Exército (PIC). Estavam prontos para atuar no caso de uma eventualidade. Outra equipe de apoio era constituída pelos agentes de polícia Moacir de Assunção Loiola e Aurelino Silvino de Oliveira. Os dois simulavam estar no local para prender um suspeito de furto. Encontravam-se num carro Chevette preto, de procedência ilícita, normalmente usado pelo sargento Nazareno.

As investigações chegaram ao nome do coronel Lauro Melchíades Rieth, então Secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, como suspeito de ser o mandante do crime. De acordo com as apurações da polícia baseadas em depoimentos de testemunhas, Rieth teria pedido a um de seus auxiliares, o delegado Ary Sardella, na época titular da Coordenação de Polícia Especializada (CPE), para escolher os executores, e o sargento Nazareno foi encarregado de definir quem participaria da emboscada contra o jornalista. Tanto Iracildo como Divino eram subordinados à Coordenação de Polícia Especializada (CPE). Além disso, foi comprovado que todos os demais envolvidos no crime haviam participado de uma operação policial desastrada próximo à cidade de Luziânia, em que resultou morto, por engano, um chacareiro.

Mário Eugênio havia publicado matérias no Correio Braziliense e falado no programa Gogó das Sete, várias vezes, sobre esse crime. Dizia que o chacareiro havia sido assassinado por engano por militares do Pelotão de Investigações Criminais do Exército com a ajuda da Polícia Civil do Distrito Federal. Insistia que o secretário Rieth sabia de tudo e não tomava providências. Nos dias anteriores a sua morte, denunciou a utilização ilícita de carros roubados pela Polícia do Distrito Federal, e a atuação da polícia no que denominou de Esquadrão da Morte. O próprio Rieth admitiu a existência do Esquadrão em entrevista concedida 15 horas depois do crime.

Divino José de Matos, Divino 45 (Camiseta Preta)
Em outubro de 1984, o mesmo grupo já havia feito uma primeira tentativa de matar Mário Eugênio. Divino, Iracildo, Loiola, Nazareno, Couto, Aurelino e o cabo do exército, Dirceu Perkoski, foram até o estacionamento próximo à Rádio Planalto, mas o jornalista não apareceu. Além disso, o movimento no local era muito grande. Apelidada de Operação Leite (porque Mário Eugênio apresentava o programa Gogó das Sete, patrocinado pelo Leite Gogó), a investida foi transferida para o dia 11 de novembro. O cabo Perkoski ficou de fora na segunda vez.

Depoimentos colhidos pela equipe que investigou o crime indicam que a segunda Operação Leite foi organizada na casa do sargento Nazareno, no sábado, 10 de novembro de 1984, durante um churrasco de que participaram Iracildo, Couto e Aurelino. No dia seguinte, eles voltaram à casa do sargento, sob o pretexto de darem continuidade à churrascada, junto com Divino e Loiola. Dali saíram para cumprir a operação. Para despistar, passaram antes no Pelotão de Investigações Criminais do Exército. Simularam estar participando de uma missão oficial em que Nazareno e seus subordinados fariam uma campana para prender suspeitos de praticar assaltos na Praça dos Namorados. Na verdade, daquele lugar tinham uma boa visão do prédio do Correio Braziliense e poderiam ver quando Mário Eugênio saísse do jornal e fosse até a Rádio Planalto.

Um fato inesperado quase atrapalhou os planos e, mais tarde, foi decisivo para ajudar a desvendar o crime. Enquanto Nazareno e seu grupo faziam a campana, uma equipe do Grupamento de Operações Especiais (GOE), em sua ronda, estranhou a presença de quatro homens de boné no Chevette preto, uma vez que o lugar era freqüentado apenas por casais. Os três agentes do GOE abordaram os ocupantes do carro e reconheceram Iracildo. Como era "gente da casa", foram embora. Para evitar suspeitas, Nazareno pediu, pelo rádio, o envio de um outro veículo, que foi entregue a Loiola. No novo carro, um Fiat, Nazareno se dirigiu ao lugar onde Mário Eugênio seria morto para dar apoio aos policiais que estavam ali. O Chevette se manteve na Praça dos Namorados para manter a simulação anterior.

Relatos dos envolvidos confirmaram que Divino disparou os tiros contra Mário Eugênio e que lavou a capa e a peruca usadas no crime assim que chegou ao Pelotão de Investigações Criminais do Exército. Nazareno providenciou que o revólver fosse desmontado e suas peças jogadas no Lago Paranoá. A peruca, a capa e outros objetos ficaram escondidos num barracão.

No inquérito, fica claro que, quando souberam da morte de Mário Eugênio, os agentes do Grupamento de Operações Especiais que haviam avistado Iracildo e outros policiais no carro estacionado na Praça dos Namorados suspeitaram que isso pudesse estar relacionado ao crime e comunicaram o fato a seu superior, o delegado Ângelo Neto. Este, por sua vez, avisou o delegado Benedito Gonçalves e o secretário de Segurança, Lauro Rieth. Os agentes receberam a orientação de não comentar com ninguém sobre a presença de Iracildo e outros policiais naquela noite próximo ao local onde foi assassinado o jornalista.

O fato, porém, chegou ao conhecimento dos repórteres que cobriam o caso para o Correio Braziliense. O jornal recebia denúncias anônimas, por telefone e por escrito, praticamente todos os dias. Também os delegados amigos de Mário Eugênio se empenharam em ajudar. A constatação de que Rieth foi informado, mas não tomou nenhuma providência, sobre a presença de um grupo de policiais de campana no local, na noite do crime, serviu de base para o promotor denunciá-lo como suspeito de envolvimento no caso.

Divino 45 é Preso Em Taguatinga





Vida de Mário Eugênio Vira Livro



Fonte: Proyecto Impunidad (Crímenes Contra Periodistas) - Por: Clarinha Glock e Radar Satélite

Hélio Saboya

HÉLIO SABOYA
(80 anos)
Advogado

* Sobral, CE (26/01/1930)
+ Rio de Janeiro, RJ (07/01/2011)

Hélio Saboya foi presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio de Janeiro de 1983 a 1985 e secretário estadual da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ) de 1987 a 1990, durante a gestão do governador Wellington Moreira Franco.

Também foi procurador geral do Estado do Rio de Janeiro durante a gestão do então governador Wellington Moreira Franco.

Em 1995, fundou a Associação Rio Contra o Crime. Criador do Disque Denúncia, Hélio Saboya sempre atuou como advogado nas áreas civil e constitucional.

Hélio Saboya  faleceu às 7h00 de sexta-feira, 07/01/2011, no Hospital Quinta D'Or, Zona Norte do Rio de Janeiro, em decorrência de um câncer na traqueia e no pulmão. Ele completaria 81 anos no dia 26/01/2011 e estava internado desde 01/01/2011. A informação é da assessoria de comunicação do hospital.

Fonte: Wikipédia e Rádio Metrópole

Xangô da Mangueira

OLIVÉRIO FERREIRA
(85 anos)
Cantor e Compositor

☼ Rio de Janeiro, RJ (19/01/1923)
┼ Rio de Janeiro, RJ (07/01/2009)

Xangô da Mangueira iniciou-se no samba na Escola de Samba União de Rocha Miranda, transferindo-se posteriormente para a Portela, onde foi discípulo do célebre Paulo da Portela.

Após a saída de Paulo da Portela da escola, no início da década de 40, Xangô seguiu Paulo por um tempo na Lira do Amor, porém, como também admirava a Mangueira, pediu permissão a seu mestre, sendo por ele indicado a diretoria mangueirense, onde Paulo da Portela também possuía grandes amigos.

Na Mangueira, Xangô permaneceu pelo resto da vida, notabilizando-se como diretor de harmonia, cargo que ocupou por várias décadas. Foi também o intérprete oficial do samba da escola até 1951, sendo antecessor de Jamelão.

Na década de 70, gravou quatro LPs pela gravadora Tapecar e desenvolveu extensa atividade artística, apresentando-se como cantor em todo o Brasil e no exterior. Como compositor, teve diversas obras gravadas por cantores como Clara Nunes e Roberto Ribeiro.

Morte

Xangô da Mangueira morreu na noite de quarta-feira, 07/01/2009, aos 85 anos, no Hospital de Irajá, na zona norte do Rio de Janeiro. Ele tinha infecção renal crônica, agravada pelo diabetes e também sofria de Mal de Parkinson.

Durante o período de internação, Xangô da Mangueira manteve-se lúcido. Com a piora do quadro, foi transferido para o Centro de Tratamento Intensivo, onde morreu. Baluarte da Mangueira, Xangô da Mangueira completaria 86 anos no dia 19/01/2009.

Rita Lobato

RITA LOBATO VELHO LOPES
(87 anos)
Médica e Política

* Rio Grande, RS (07/06/1866)
+ Rio Pardo, RS (06/01/1954)

Rita Lobato foi a primeira mulher a exercer a Medicina no Brasil.

Frequentou o curso secundário em Pelotas, RS, e demonstrou, desde cedo, vocação para a Medicina. Mas, apesar de um decreto imperial de 1879 autorizar às mulheres a frequentar os cursos das faculdades e obter um título acadêmico, os preconceitos da época, que relegavam às mulheres a uma função doméstica, falavam mais forte.

Rita matriculou-se inicialmente na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, transferindo-se depois para a Faculdade de Medicina de Salvador, na Bahia. Determinada em obter o título de médica, venceu a hostilidade inicial dos colegas e professores, conquistando aos poucos sua simpatia, até receber do corpo docente da tradicional faculdade baiana as maiores considerações.

Em 1887, tornou-se a primeira mulher brasileira e a segunda latino-americana a obter diploma de médica, após defender tese sobre "A Operação Cesariana".

Após a formatura, retornou ao Rio Grande do Sul, onde casou com Antônio Maria Amaro Freitas, com quem teve uma única filha, Ísis.

Rita Lobato iniciou a prática da profissão clinicando em Jaguarão, RS, recém casada, onde permaneceu por quase dois anos. Mas inteligente, saiu para o mundo a estudar e de volta ao Rio Grande, RS, em 1910, passa a clinicar nos arredores de Rio Pardo, RS, agora com domicílio na Estância Capivari.

Rita Lobato praticou a caridade homenageando sua mãe que morreu durante o parto de seu irmão caçula. Prestou serviços gratuitos, forneceu medicamentos gratuitos. Esqueceu de si mesma e atendeu a todos os chamados que lhe bateram à porta. De 1910 a 1925, exerceu intensamente a clínica domiciliar. Já com quase 60 anos, encerrou sua atividade profissional.

Em 1926 perdeu seu marido, companheiro dedicado por 37 anos. Doou seus aparelhos ao hospital local e ingressou na vida política encontrando terreno propício por seu temperamento, tentando esquecer sua mágoa pela morte de Antonio Maria e procurando ajudar as dificuldades da cidade onde clinicou por tanto tempo, sendo testemunha das dificuldades de seu povo.

Militou no Partido Libertador (PL). Septuagenária, foi eleita vereadora pelo Partido Libertador por Rio Pardo, representando a Vereança com mesma dignidade e eficácia que praticou a Medicina. Exerceu seu mandato até a implantação do Estado Novo em 1937, que fechou as Câmaras Municipais. Mesmo assim continuou sendo Presidente de Honra do Comitê Feminino Pró-Candidatura Darcy Porto Bandeira, em favor ao seu conterrâneo à prefeitura de Rio Pardo.

Afastou-se da vida política no final da década de 1950. Passou a viver no centro da cidade de Rio Pardo com os familiares onde ficou até 1950. De 1950 a 1952 viveu em Porto Alegre, RS, voltando para Rio Pardo em 1952 e falecendo em 1954.

Barão de Poconé

MANUEL NUNES DA CUNHA
Fazendeiro e Barão

+ Mato Grosso, MT (06/01/1871)

Foi o primeiro e único Barão de Poconé.

Oitavo filho do casal Manuel Antônio Nunes Martins e de Maria Alves da Cunha. Neto materno de André Alves da Cunha, natural de Carvalho de Coura, Portugal e de Francisca de Arruda e Sá, da então Vila do Itú, São Paulo.

Casou-se com sua sobrinha Maria de Aleluia Bueno do Prado, filha de sua irmã Ana e de Bartolomeu Nunes do Prado, com a qual gerou sete filhos. Maria de Aleluia Bueno do Prado virou a Baronesa de Poconé.

Barão de Poconé foi um título outorgado a 04/12/1861.

Fonte: Wikipédia

Geraldo Bretas

GERALDO BRETAS
(69 anos)
Jornalista e Comentarista Esportivo

* Anápolis, GO (17/05/1911)
+ São Paulo, SP (06/01/1981)

Jornalista e comentarista esportivo, tornou-se um dos mais polêmicos do país pelos seus ataques a cartolas, árbitros e jogadores. Atuou na TV Gazeta e fundou o jornal Mundo Esportivo.

Fonte: Projeto VIP

Lauro Maia

LAURO MAIA TELES
(37 anos)
Compositor, Arranjador e Instrumentista

* Fortaleza, CE (06/11/1912)
+ Rio de Janeiro, RJ (05/01/1950)

Foi um compositor, arranjador e instrumentista, figura maior no campo da pesquisa musical folclórica. O cearense que criou o "balanceio".

Nascido em Fortaleza, Ceará, Lauro ensaiou seus primeiros passos como músico e compositor no piano da mãe e foi dela que o garoto recebeu as primeiras aulas de teoria musical. Com apenas 13 anos, começou a apresentar-se, tocando piano no Cine-Teatro Majestic, em Fortaleza.

Em 1935 começou a trabalhar na Ceará Rádio Clube (1935/1941) dirigindo o programa "Lauro Maia e Seu Ritmo".

Em 1944 freqüentou a Faculdade de Direito vindo a abandoná-la mais tarde. Em 1945, casado com Djanira Teixeira, irmã de Humberto Teixeira, transferiu-se para o Rio de Janeiro, vivendo exclusivamente de suas composições, já consagradas na época pelos maiores nomes da música. Ainda em 1945, foi contratado pela Rádio Tupi.

Faleceu prematuramente no dia 5 de janeiro de 1950, com 37 anos e dois meses, vítima de Tuberculose, no Rio de Janeiro.

Fonte: Wikipédia

Maria Felipa

MARIA FELIPA DE OLIVEIRA
Heroína da Independência da Bahia

☼ Ilha de Itaparica, BA
┼ Bahia (04/01/1873)

Maria Felipa era descendente de africanos sudaneses.

Natural de Itaparica, Maria Felipa foi uma mulher de muita coragem, de beleza por porte físico exuberante, habilidade de capoeirista e trabalhadora marisqueira, muito querida da pela população da Ilha de Itaparica, onde participou das lutas pela Independência na Bahia.

Maria Felipa comandou cerca de 40 mulheres num ato de ousadia e muito desembaraço, onde queimaram 42 barcos da esquadra portuguesa, permitindo ao povo de Salvador a supremacia nos embates e a definição da situação, com a vitória sobre as tropas da dominação Portuguesa.

Em sua biografia destaca-se também a lendária história de quando Maria Felipa usou galhos de Cansanção para dar uma surra nos vigias portugueses Araújo Mendes e Guimarães das Uvas.

"Maria Felipa foi uma guerreira negra que junto com cerca de 40 mulheres seduziram os portugueses e quando eles estavam completamente envolvidos, e sem roupa, deram-lhes uma surra de Cansanção."
(Hilda Virgens, da Casa de Maria Felipa)

Maira Felipa, ainda que pouco conhecida, é estudada hoje em Faculdades e Universidades. Esta mulher negra que lutou pela independência da Bahia ainda não foi devidamente reconhecida na História da Independência da Bahia.

Atualmente, Maria Filipa é considerada matriarca da Independência de Itaparica, devido a seu ato de bravura contra os portugueses nas praias da Ilha. Seus feitos heroicos foram mencionados, inicialmente, nos estudos do historiador Ubaldo Osório Pimentel.

Em 2007, a heroína entrou no circuito oficial das comemorações do 2 de Julho, como uma das grandes homenageadas pela Independência Baiana.

Resgate

Segundo pesquisa de Eny Farias, Ubaldo Osório relata que em janeiro de 1905 o Conselho Municipal da Ilha de Itaparica recebe um abaixo assinado, solicitando que determinada rua passe a ter o nome de Maria Felipa.

Uma das ruas de Itaparica tem o nome de Maria Felipa, porém isto só ocorreu em 2007, ou seja, em mais de um século. O silêncio que faz calar o nome de Maria Felipa faz lembrar a autora Neusa Souza, que escreveu a obra "Tornar-se Negro", na qual afirma que "saber-se negra é viver a experiência de ter sido massacrada em sua identidade, confundida em suas perspectivas, submetida a exigências, compelida a expectativas alienadas".

Os diálogos na Ilha apontam o fato de Maria Felipa ter sido negra como motivo para seu esquecimento nos livros didáticos e nas comemorações. Contudo, lembramos mais uma vez Neusa Souza quando comenta que a experiência de ser negra é de igual modo "comprometer-se a resgatar sua história e recriar-se em suas potencialidades".

A heroína excluída das festividades no dia em que se comemora a independência da Bahia é historiada por Ubaldo Osório, que, inclusive, presta homenagem a Maria Felipa ao colocar o seu nome na primeira filha. Outro autor que comenta sobre ela é Xavier Marques em seu livro "Sargento Pedro", premiado pela Academia Brasileira de Letras (ABL) em 1920.

Jurandir Pires Pereira cita seu nome, considerando-a como heroína, e, em 1985, João Ubaldo Ribeiro trata de Maria Felipa como Maria da Fé, atribuindo-lhe diversas atitudes políticas no seu famoso livro "Viva o Povo Brasileiro", e conclui:

"As Faculdades Integradas Olga Mettig se orgulham em ter retomado as pesquisas sobre a heroína e de ter somado novas revelações com a Irmandade do Rosário do Pelourinho, na criação da Casa Maria Felipa, quando coordenou o Curuzu: Corredor Cultural da Liberdade, quando divulgou em jornais de Salvador os feitos desta mulher negra e apresentou trabalhos em dois eventos: I Congresso de Pesquisadores Negros da Bahia e no Seminário A Abolição Inacabada."

É preciso divulgar mais os valores da nossa terra.

Excluída dos livros didáticos e esquecida pela maioria dos historiadores, a guerreira Maria Felipa é, agora, finalmente enaltecida no livro "Maria Felipa de Oliveira - Heroína da Independência da Bahia", de Eny Kleyde Vasconcelos Farias, educadora.

Sobre a Foto Publicada

Retrato de Maria Felipa. Desenho da artista plástica Filomena Orge, com base em relatos históricos, pesquisa e fotos de descendentes vivos da heroína negra. A imagem foi feita em 2005 e não retrata com 100% de certeza o rosto de Maria Felipa, mas faz uma projeção de como ela seria.