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Clóvis Tavares

SEBASTIÃO CLÓVIS TAVARES
(69 anos)
Professor, Militante da UJC e Espírita 

☼ Campos dos Goytacazes, RJ (20/01/1915)
┼ Campos dos Goytacazes, RJ (13/04/1984)

Sebastião Clóvis Tavares, mais conhecido por Clóvis Tavares, foi um espírita brasileiro nascido no distrito de São Sebastião, em Campos dos Goytacazes, interior do Rio de Janeiro, em 20/01/1915. Era dia de São Sebastião e, por isso, seus pais deram-lhe o nome de batismo em homenagem ao padroeiro, embora sempre tenha sido tratado, em casa e em todos os ambientes, simplesmente por Clóvis.

A família mudou-se para a sede do município quando ele contava com 9 anos de idade. Desde a infância, demonstrou pendores religiosos. Era comum, na região de São Sebastião, ver seus irmãos jogando bola ou brincando de cabra-cega e ele lendo ou rezando em seu oratório particular.

Afeiçoou-se ao padre da Igreja de São Sebastião, chamado Émille Dés Touches, francês de nascimento, de família nobre e abastada. Ele teria abandonado a sua herança para dedicar-se à vida religiosa, tendo decidido vir para o Brasil seguindo uma inspiração ou determinação do Alto. Foi o seu professor de Francês e seu primeiro orientador espiritual. Do padre Émille Dés Touches, o público espírita conhece "Petição de Servo", eivada de beleza e sabedoria espiritual.

Na adolescência, estudando no célebre Liceu de Humanidades de Campos, integrou um grupo de jovens idealistas que decidiram mudar o mundo. Engajaram-se na União da Juventude Comunista (UJC) e viveram um sonho de liberdade.

Dois desses jovens eram Nina Arueira e Clóvis Tavares, que enamoraram-se e tornaram-se noivos. Os dois viviam intensamente a vida partidária, sendo líderes de greves operárias e movimentos estudantis. Inesperadamente, Nina Arueira é acometida de uma febre tifoide e Clóvis Tavares passa a fazer plantão ao seu lado, passando noites acordado, em vigilância, mas sem oração.

Por um destes 'mistérios da vida', ela conheceu, já doente, um homem chamado Virgílio de Paula, que a recebeu em sua casa para prestar-lhe tratamento. Era um profundo conhecedor de Teosofia e Espiritismo. Nina interessou-se inicialmente pela Teosofia. Leu "Do Recinto Interno", de Annie Bésant e decidiu, já no leito, renunciar à política partidária. Contou a Clóvis a sua decisão. Este, que também estava a discordar da direção partidária quanto a rumos decididos que feriam a sua ética, passou a escutar de Nina as lições que ela ouvia do Vovô Virgílio.


Virgílio de Paula, por sua vez, aos poucos introduziu um pouco de Evangelho em suas conversações com Nina. Ela maravilhou-se com a visão de um Jesus Cristo amigo dos pobres e dos sofredores. Um Jesus Cristo amigo da justiça e da caridade e entregou-se, de alma inteira, ao Evangelho, explicado pela racionalidade Espírita. Foram apenas alguns meses, mas ela desencarnou considerando-se espírita.

Após a sua morte é que Clóvis Tavares começou a ler os livros que ela lera no seu estágio derradeiro. E como ocorreu com Nina, ele também apaixonou-se pela cosmovisão espiritista. Quando leu pela primeira vez os versos de Olavo Bilac, Cruz e Souza, Fagundes Varella, Augusto dos Anjos, Castro Alves, João de Deus, Auta de Souza, entre outros, então declarou-se espírita. E com o mesmo afinco que se dedicou há apenas alguns meses à política partidária, passou a militar ativamente no meio espírita. Começou a frequentar o Grupo Espírita João Batista, dirigido pelo Srº Virgílio de Paula e outros companheiros da primeira hora do Espiritismo em Campos.

Em pouco tempo, Clóvis Tavares passou a realizar palestras doutrinárias que a muitos atraíram por sua fluência evangélica e pelo ardor de seu verbo. Paralelamente a essas atividades, fundou uma escola de Doutrina Espírita para crianças, na casa da mãe de sua antiga noiva, Dona Didi Arueira. Passaram a chamar essa casa de Escola Infantil Jesus Cristo.

Mais uma vez, o inesperado ocorreu. Os frequentadores do Grupo Espírita João Batista, somados aos pais das crianças da Escola Infantil, afluíram em número crescente para escutar suas palestras na casa de Dona Didi.

Decide, então, a diretoria do Grupo Espírita João Batista auto-dissolver-se e passar a integrar os quadros da nascente Escola Jesus Cristo, já sem o qualificativo de "Infantil".

Repetiu-se, em escala institucional, o mesmo que acontecera entre João Batista e Jesus Cristo. "É necessário que eu diminua para que Ele cresça", e o Grupo precursor João Batista dissolveu-se e seus seguidores, assim como os seguidores de João, passaram a seguir a Escola Jesus Cristo. Iniciou-se uma nova era para o Espiritismo local, até então conhecido apenas pelas sessões mediúnicas.

Clóvis Tavares, Carlos Vítor e Hilda Mussa Tavares, em 1957
Com Clóvis Tavares, alvoreceu, em 1935, o Espiritismo da cultura e da prática da caridade. Clóvis sempre priorizou na Escola Jesus Cristo o serviço de amor ao próximo e o estudo doutrinário. Na Escola Jesus Cristo, ele fundou dois orfanatos: um de meninas, dirigido inicialmente pela filha de Virgílio de Paula, Inaiá de Paula, e outro para meninos, dirigido por ele mesmo e por seu companheiro de ideais, Medeiros Correia Júnior. Fundou, ainda, um Culto de Assistência, onde um grupo de irmãos visitava duas favelas de Campos, para distribuição de gêneros e para a realização de um culto de Evangelho no Lar dos assistidos.

Fundou, ainda, a Sopa dos Domingos com a ajuda dos irmãos portugueses Inocêncio Noronha, Bonifácio de Carvalho, Dona Candinha e Dona Mariquinhas, portugueses que sempre estiveram presentes na história da Escola Jesus Cristo.

Surge, ainda, por seu ideário, o Curso Elzinha França para orientação espiritual às crianças. A escolha do nome Elzinha França deveu-se ao fato de que a Mocidade Espírita de Campos, da qual fazia parte a jovem Hilda Mussa, com quem se casaria mais tarde, e sua amiga Zenith Pessanha, visitava as famílias pobres da Escola Jesus Cristo na busca do sofrimento a fim de mitigá-lo. Numa dessas peregrinações, na favela, encontram desvalida menina recém-nascida, abandonada. Como não havia, na época, nenhum órgão oficial de amparo à criança e nem de longe pensava-se no Estatuto da Criança e do Adolescente, decidiram trazer a menina para a Casa da Criança. Apesar de Clóvis Tavares ter providenciado todos os cuidados médicos, a menor desencarnou em pouco tempo.

Todavia, em uma de suas habituais viagens a Pedro Leopoldo para encontrar-se com Chico Xavier, obteve do médium a informação de que o visitava um espírito de muita luz, chamado Elzinha França. Clóvis Tavares, a princípio pasmo, contou ao médium quem era a menina, que Chico Xavier identificou como sendo uma professora que estava integrando a equipe espiritual de serviço na Escola Jesus Cristo e que trabalharia na educação dos menores.

Chico Xavier e Clovis Tavares
Clóvis Tavares fundou o Clube da Fraternidade, espaço artístico e lúdico para a realização de jogos infantis, teatros e coros musicais nos domingos à tarde, numa época em que não havia televisão.

Passou a visitar semanalmente os presos, recordando o ensino de Paulo aos hebreus: "Lembrai-vos dos encarcerados, como se vós mesmos estivésseis presos com eles. E dos maltratados, como se habitásseis no mesmo corpo com eles." (Hb, 13:3).

Uma vez por ano, pregava o Evangelho Consolador no cemitério, no dia 2 de novembro, iniciando uma prática consoladora e esclarecedora na nossa Terra.

Outra particularidade da Escola Jesus Cristo foi abrigar em suas dependências, na década de 60, uma escola de educação formal: o Instituto Allan Kardec.

Paralelamente a essa atividade espírita, Clóvis Tavares lecionava História em duas escolas e Direito Internacional Público na Faculdade de Direito de Campos. Foi autor de livros espíritas, renunciando, todavia, aos direitos autorais, pois, aprendeu com Chico Xavier a doá-los às editoras que se dedicavam à difusão doutrinária.

Tornou-se amigo íntimo de Chico Xavier, com quem conviveu por 50 anos, o que é relatado nos referidos livros do parágrafo anterior. Frequentava com assiduidade as reuniões do Grupo Meimei, em Pedro Leopoldo. Visitou, também, Belo Horizonte várias vezes, onde travou contato com Arnaldo Rocha, Joaquim Alves, Cícero Pereira e tantos outros que dignificaram o Espiritismo em Minas Gerais.

Na década de 1950, passou a se corresponder com o sábio italiano Pietro Ubaldi, a quem promoveu duas vindas ao Brasil - a última das quais, definitiva. Traduziu do italiano os seguintes livros do referido autor: "As Noúres, Ascese Mística, Grandes Mensagens" e "Fragmentos de Pensamento e Paixão".

Clóvis Tavares veio a casar-se somente 20 anos após da desencarnação de Nina Arueira, e a jovem Hilda Mussa, que o ajudava na pesquisa sobre a vida dos santos católicos, passou a ser também a sua fiel colaboradora nos trabalhos da Escola Jesus Cristo. Deste matrimônio nasceram cinco filhos: Carlos Vítor, que faleceu aos 17 anos, após uma vida de sofrimentos para ele e para os pais - que está relatado no livro: "A Morte é Simples Mudança" - , Margarida, Flávio, Luís Alberto e Celso Vicente.

Clóvis Tavares faleceu, vítima de parada cardíaca no hospital Santa Casa de Campos, no dia 13/04/1984.

Henrique Teixeira Lott

HENRIQUE BATISTA DUFFLES TEIXEIRA LOTT
(89 anos)
Militar

☼ Antônio Carlos, MG (16/11/1894)
┼ Rio de Janeiro, RJ (19/05/1984)

Henrique Batista Duffles Teixeira Lott foi um militar brasileiro, que atingiu o posto de marechal. Estudou no Colégio Militar do Rio de Janeiro, onde foi comandante do Batalhão Escolar em 1910. Formou-se Aspirante a Oficial na Escola Militar de Realengo, em 1914. Foi adido militar do Brasil em Washington, Estados Unidos.

Em 1944 chegou ao generalato. Entre dezembro de 1944 e março de 1946, comandou a Infantaria Divisionária, em Santa Maria, RS.

Na crise de 1954 assinou o documento em que os generais, com receio de um golpe de estado devido à instabilidade política, exigiam o afastamento de Getúlio Vargas do poder em meio às inúmeras denúncias de corrupção.

Caracterizava-se pelos seus hábitos metódicos, pelo seu respeito à hierarquia militar e ao governo constituído. Após o suicídio de Getúlio Vargas, Café Filho assumiu a presidência da República e nomeou Teixeira Lott ministro de Guerra, devido às pressões da caserna, sobretudo de oficiais generais, mas especialmente visando afastar a influência do general pró-Vargas, Newton Estillac Leal, sobre os militares.

Quando Juscelino Kubitschek e João Goulart venceram as eleições presidenciais de outubro de 1955, respectivamente para presidente e vice-presidente, houve uma divisão das Forças Armadas, pois a chapa vitoriosa era constituída por dois candidatos getulistas, o mineiro Juscelino Kubitschek e o gaúcho João Goulart.


Em 11/11/1954 o então general Lott desencadeou o movimento militar, dito de "retorno ao quadro constitucional vigente". Houve então a declaração do impedimento do presidente em exercício, Carlos Luz (Café Filho havia sofrido um infarto e afastara-se da presidência), a entrega de seu cargo ao presidente do senado Nereu Ramos e a garantia da posse dos eleitos, em obediência à Constituição.

No início de 1956, Lott continuou como ministro da Guerra no governo de Juscelino Kubitschek, pois garantira a posse do presidente, mobilizando as tropas nas ruas. Foi quando recebeu uma espada de ouro da comunidade defensora da legalidade constitucional (segundo familiares e amigos próximos, Lott teria recusado a espada de ouro, ao brandir sua tradicional espada de general). Este acontecimento ficou conhecido com Movimento de 11 de Novembro.

Se distinguiu pelo legalismo e por suas convicções democráticas. Na eleição presidencial brasileira de 1960, o marechal Lott, já na reserva, foi postulado candidato à presidência da República pela coligação governista PTB/PSD que elegeu Juscelino Kubitschek em 1955, deu sustentação ao governo deste e recebeu apoio de Juscelino Kubitschek. A campanha de Teixeira Lott foi uma das primeiras a contar com um planejamento profissional, com técnicas de marketing político importadas dos Estados Unidos. O jingle utilizado em sua campanha é considerado um dos melhores já feitos em campanhas eleitorais no Brasil. Porém foi derrotado por Jânio Quadros. Após isso tentou ainda permanecer na vida pública.

Em 1961 declarou-se contrário à tentativa de golpe planejada pelos ministros militares para impedir a posse de João Goulart após a renúncia de Jânio Quadros e foi de extrema importância para a Campanha da Legalidade de Leonel Brizola ao aconselhar a buscar apoio em chefes militares nacionalistas locais. No caso, os generais de Exército Oromar Osório, comandante em Santiago, e Peri Constant Bevilacqua, comandante em Santa Maria, RS. Para assegurar a legalidade, em 26/08/1961, dia seguinte à renúncia do presidente Jânio Quadros, fez um importante manifesto às Forças Armadas:


Aos meus camaradas das Forças Armadas e ao povo brasileiro.
Tomei conhecimento, nesta data, da decisão do Senhor Ministro da Guerra, Marechal Odílio Denis, manifestada ao representante do governo do Rio Grande do Sul, deputado Rui Ramos, no Palácio do Planalto, em Brasília, de não permitir que o atual presidente da República, Sr. João Goulart, entre no exercício de suas funções, e ainda, de detê-lo no momento em que pise o território nacional.
Mediante ligação telefônica, tentei demover aquele eminente colega da prática de semelhante violência, sem obter resultado. Embora afastado das atividades militares, mantenho um compromisso de honra com a minha classe, com a minha pátria e as suas instituições democráticas e constitucionais. E, por isso, sinto-me no indeclinável dever de manifestar o meu repúdio à solução anormal e arbitrária que se pretende impor à Nação.
Dentro dessa orientação, conclamo todas as forças vivas do país, as forças da produção e do pensamento, dos estudantes e intelectuais, dos operários e o povo em geral, para tomar posição decisiva e enérgica no respeito à Constituição e preservação integral do regime democrático brasileiro, certo ainda de que os meus camaradas das Forças Armadas saberão portar-se à altura das tradições legalistas que marcam sua história no destino da Pátria.

Por conta desse pronunciamento, no qual se contrapunha ao Ministro da Guerra, que era contrário à posse de João Goulart, Henrique Teixeira Lott foi preso. Estava em seu apartamento em Copacabana, com a família, quando chegaram militares para prendê-lo. Todavia, o marechal recusou-se a ser detido por um oficial de patente inferior à sua e exigiu que fosse cumprida a hierarquia militar. Aguardou, assim, a chegada do marechal Nilo Sucupira, para finalmente sair.

Henrique Teixeira Lott recebeu uma pena de 30 dias de prisão, dos quais cumpriu 15, sendo três dias na inóspita Fortaleza da Laje. Após o Golpe Militar de 1964, residindo em Teresópolis, no estado do Rio de Janeiro, em 1965, foi impedido, pela Justiça Eleitoral, de lançar sua candidatura ao governo do então estado da Guanabara. Foi declarado inelegível por falta de domicílio regular.

Henrique Teixeira Lott afastou-se definitivamente da vida pública por não concordar com o regime militar que estava iniciando no Brasil.

Enterro Sem Honras Militares

Quando morreu em 1984, seu enterro aconteceu sem honras militares. O Ministério do Exército tentou minimizar e justificar o fato, mas a imprensa da época divulgou a ausência das honras militares no enterro de Henrique Teixeira LottLeonel Brizola, na época governador do Rio de Janeiro decretou luto oficial de três dias e declarou que, na sua volta do exílio, a primeira pessoa que visitou foi o marechal. Cerca de trezentas pessoas compareceram ao seu enterro.

Na ocasião, seu grande amigo Sobral Pinto declarou:

"Se tivesse ido para a presidência do Brasil, teria instaurado um governo de legalidade e de respeito à pessoa humana, e uma vinculação com partidos políticos, porque era um democrata sincero, inteligente e honrado. Com Lott na presidência, não teríamos ditadura militar durante vinte anos, não teríamos a falência nacional. Nada disso teria acontecido."

Representações na Cultura

Quando a vida e a carreira política de Juscelino Kubitschek é mostrada na TV ou no cinema, a presença de Henrique Teixeira Lott é quase que obrigatória, por causa de sua importância histórica neste período.

No filme "Bela Noite Para Voar", de 2005, é vivido pelo ator Cecil Thiré.

Em 2006, na minissérie "JK" da TV Globo, Henrique Teixeira Lott foi interpretado por Arthur Kohl.

Fonte: Wikipédia

Deolindo Amorim

DEOLINDO AMORIM
(78 anos)
Jornalista, Sociólogo, Publicitário, Escritor e Conferencista Espírita

* Baixa Grande, BA (23/01/1906)
+ Rio de Janeiro, RJ (24/04/1984)

Deolindo Amorim foi um jornalista, sociólogo, publicitário, escritor e conferencista espírita brasileiro. Colaborou no Jornal do Commercio e em praticamente toda a imprensa espírita do país.

Deolindo Amorim nasceu no seio de uma família pobre e católica, vindo a tornar-se presbiteriano fervoroso. Rompeu com a sua igreja e permaneceu muitos anos sem definição filosófica ou religiosa. Mudou-se para o Rio de Janeiro, então capital do país. Graduou-se em Sociologia, pela Faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil, tendo feito, ainda, outros cursos de nível superior. Tornou-se jornalista e, posteriormente, funcionário público, tendo galgado elevada posição funcional no Ministério da Fazenda.

Um de seus três filhos é o jornalista Paulo Henrique Amorim.

O Ativista Espírita

Por volta de 1935, já no Rio de Janeiro, passou a frequentar o Centro Espírita Jorge Niemeyer, onde entrou em contato com o acervo da Doutrina Espírita, mostrando-se profundo admirador das obras de Léon Denis.

Já em 1939 idealizou e promoveu o I Congresso de Jornalistas e Escritores Espíritas, realizado no auditório da sede da Associação Brasileira de Imprensa, no Rio de Janeiro em 15 de novembro. A importância da iniciativa pode ser avaliada considerando-se que, no plano externo, iniciava-se a Segunda Guerra Mundial, e que, no plano interno, o Espiritismo era perseguido por setores da igreja Católica e pela polícia do Estado Novo.

Também esteve ao lado de Leopoldo Machado na promoção do I Congresso de Mocidades e Juventudes Espíritas do Brasil, ocorrido no Rio de Janeiro, em julho de 1948, e na criação do Conselho Consultivo de Mocidades Espíritas.

Privou da amizade de grandes vultos do Espiritismo no Brasil e no exterior, como, por exemplo, Carlos Imbassahy, Leopoldo Machado, Herculano Pires, Leôncio Correia e Humberto Mariotti.

Um dos mais ardorosos defensores das obras codificadas por Allan Kardec e profundo admirador de Léon Denis, foi presidente do Instituto de Cultura Espírita do Brasil e presidente de honra da Associação Brasileira de Jornalistas e Escritores Espíritas.

Levou o Espiritismo ao meio universitário, proferindo bela conferência no Instituto Pinel da Universidade do Brasil, focalizando o tema: "O Suicídio à Luz do Espiritismo".

Umberto Mariotti e Deolindo Amorim
Em Defesa do Conceito de Espiritismo

Um dos problemas mais emergentes relativos ao bom entendimento da Doutrina Espírita, em meados do século XX, foi a constante tentativa de confundi-lo quer seja com o Candomblé, quer com a Umbanda, quer com as diversas doutrinas espiritualistas. As confusões eram muito grandes, principalmente com os cultos afro-brasileiros. A própria Federação Espírita Brasileira (FEB) pretendeu chamar de "Espiritismo" todas as práticas mediúnicas ou assemelhadas e de "Doutrina Espírita", os conceitos decorrentes da obra codificada por Allan Kardec.

Para dirimir dúvidas, lançando luz sobre o assunto, em 1947 Deolindo Amorim publicou "Africanismo e Espiritismo", obra onde deixa clara a inexistência de ligações filosóficas, práticas ou doutrinárias entre o Espiritismo e as correntes espiritualistas apoiadas na cultura africana, trazida pelos escravos e que se converteram em vários cultos de gosto popular.

Posteriormente, determinado a explanar didaticamente as bases da doutrina de Allan Kardec, escreveu "O Espiritismo e os Problemas Humanos" e o "O Espiritismo à Luz da Crítica", este último em resposta a um padre que escrevera uma obra criticando a Doutrina. Segui-se-lhes "Espiritismo e Criminologia", oriundo de uma conferência no Instituto de Criminologia da Universidade do Rio de Janeiro.

Por fim, em 1958, lançou a obra "O Espiritismo e as Doutrina Espiritualistas", onde sem combater nenhuma corrente ou filosofia espiritualista, como a Teosofia, a Rosacruz, e as diversas seitas de origem asiática e africana, embora ressaltando eventuais coincidências de pontos filosóficos, simplesmente define, separa e identifica o que é o Espiritismo, mostrando a sua independência.

Sobre a questão religiosa no Espiritismo, a sua posição foi a mesma de Allan Kardec. Citando as palavras do fundador, concluía que, como qualquer filosofia espiritualista, o Espiritismo tinha consequências religiosas, mas de forma alguma se tornava uma religião constituída.

Herculano Pires (sentado) com Deolindo Amorim no Instituto de Cultura Espírita do Brasil.
A Fundação do Instituto de Cultura Espírita do Brasil (ICEB)

Tendo existido, no Rio de Janeiro, a Faculdade Brasileira de Estudos Psíquicos a que pertenceu e foi seu último presidente, quando a instituição se tornou insubsistente Deolindo Amorim promoveu a criação do Instituto de Cultura Espírita do Brasil (ICEB), fundado em 07 /12/1957 e por ele dirigido até sua morte.

Quanto à questão da unificação do movimento, Deolindo Amorim nunca se ligou à Federação Espírita Brasileira, tendo mantido laços com a Liga Espírita do Brasil, entidade criada em 1927 por Aurino Barbosa Souto e da qual Deolindo Amorim foi o último 2º vice-presidente.

Em 1949, com a assinatura do "Pacto Áureo", a Liga Espírita do Brasil, que não tinha representatividade nacional, deixou de existir, transformando-se numa entidade federativa estadual. Atualmente, após várias denominações, é denominada União das Sociedades Espíritas do Estado do Rio de Janeiro (USEERJ).

Deolindo Amorim foi contra o acordo, à época, referindo:

"Quando a Liga [Espírita do Brasil] aceitou o Acordo de 5 de outubro [de 1949], acordo que se denominou depois, Pacto Áureo, tomei posição contrária (...) votei contra a resolução, porque não concordei com o modo pelo qual se firmara esse documento. E o fiz em voz alta, de pé, na Assembleia, com mais doze companheiros que pensavam da mesma forma."

Obras
  • Africanismo e Espiritismo
  • Allan Kardec
  • Análises Espíritas
  • Doutrina Espírita
  • Espiritismo à Luz da Crítica
  • Espiritismo e as Doutrinas Espiritualistas
  • Espiritismo e Criminologia
  • Idéias e Reminiscências Espíritas (Documentário)
  • Ponderações Doutrinárias
  • Relembrando Deolindo Vol. 1
  • Relembrando Deolindo Vol. 2

Fonte: Wikipédia

Paulo Valentim

PAULO ÂNGELO VALENTIM
(51 anos)
Jogador de Futebol

* Barra do Piraí, RJ (20/11/1932)
+ Buenos Aires, Argentina (09/07/1984)

Paulo Ângelo Valentim, também conhecido como Paulinho Valentim, foi um jogador de futebol brasileiro nascido em Barra do Piraí, RJ.

Centroavante raçudo e artilheiro, começou a jogar futebol no Central de Barra do Piraí. Passou pelo Guarani de Volta Redonda e, em 1954, transferiu-se para Belo Horizonte, contratado pelo Atlético Mineiro, onde foi Campeão Estadual em 1954 e 1955.

Dois anos depois, foi levado pelo treinador João Saldanha para o Botafogo, que não conquistava um título desde 1948. O jejum terminou em 1957, com participação fundamental de Paulo Valentim: ele fez 5 gols, sendo um de bicicleta, na vitória de 6 a 2 do Botafogo sobre o Fluminense que decidiu o Campeonato Carioca daquele ano.

No Rio de Janeiro dos anos 50, Paulo Valentim desenvolveu seu futebol mas também seu temperamento boêmio, costume entre boa parte dos jogadores naquele tempo.

Convocado para a Seleção Brasileira que participou do Sul-Americano de 1959, em Buenos Aires, jogou e encantou os argentinos. No ano seguinte foi contratado pelo Boca Juniors, mas antes de mudar-se para Buenos Aires, casou-se com a namorada Hilda Maia, que ele havia conhecido em Belo Horizonte e que mais tarde seria a inspiradora da personagem Hilda Furacão, criada em 1991 pelo escritor Roberto Drummond, tornando-se famosa, esta personagem, depois da exibição da minissérie "Hilda Furacão" (1998).


No Boca Juniors, Paulo Valentim rapidamente destacou-se como goleador. Não chegou a ser artilheiro do Campeonato Argentino de Futebol, mas foi o artilheiro do Boca Juniors nas temporadas de 1961, 1962 e 1964, sendo que nas duas últimas seu clube foi também campeão.

Em 4 anos, marcou 10 gols em jogos oficiais, e mais 3 em amistosos, contra o River Plate, sendo o maior artilheiro do Boca Juniors na história do super clássico do futebol argentino. Tornou-se ídolo da torcida xeneize, que tinha um grito de guerra especial para ele: "Tim, tim, tim! Es gol de Valentim!". Sua esposa Hilda Maia Valentim era tratada como "primeira-dama" do clube, assistindo as partidas num lugar especial da Tribuna de Honra da Bombonera.

Em 1965, já com 33 anos e debilitado pela vida boêmia, Paulo Valentim transferiu-se para São Paulo, onde teve uma passagem apagada pelo clube. No final dos anos 60, Paulo ValentimHilda Maia Valentim foram para o México onde ele ainda tentou jogar no Atlante, mas acabou trabalhando no cais do porto.

Em 1978 conseguiu dinheiro emprestado com amigos brasileiros e voltou com a esposa a Buenos Aires, onde se dispôs a ser treinador de futebol, mas teve apenas uma rápida experiência numa equipe de juniores.

Paulo Valentim morreu pobre no dia 09/07/1984, em Buenos Aires, Argentina.

Fonte: Wikipédia

Henricão

HENRIQUE FELIPE DA COSTA
(76 anos)
Cantor e Compositor

* Itapira, SP (11/01/1908)
+ Rio de Janeiro, RJ (11/06/1984)

Henrique Felipe da Costa, o Henricão, foi um cantor e compositor brasileiro. Participou de vários filmes brasileiros, como "O Gato de Madame" (1956), e "Betão Ronca Ferro" (1970).

Ele foi mais um desses inúmeros casos de compositores de grandes sucessos que caíram no esquecimento. Figura querida dos seus pares, o risonho cantor e também ator, Henricão, gostava muito de Carnaval. Fala-se que ele era considerado o primeiro Rei Momo Negro da história do Carnaval.

Seu apelido vem de sua alta estatura. Também era um gigante na hora de compor. É autor de inúmeras músicas que se tornaram eternas, dentre elas "Está Chegando a Hora", um dos maiores sucessos da história do carnaval e até hoje cantada nos estádios brasileiros ou na despedidas de alguém. A canção foi gravada por Carmen Costa, intérprete preferida do compositor, com quem chegou a formar dupla nos anos 40, e regravada por nomes de peso da Música Popular Brasileira como Maria Bethânia e Elis Regina. "Está Chegando a Hora", na verdade, é uma adaptação de "Cielito Lindo", uma antiga melodia do folclore mexicano. O compositor confessou que estava em Pernambuco e percebeu que a platéia gostava de cantar a música mexicana, escreveu uma nova letra que caiu de imediato no gosto do público, o que levou Ary Barroso a considerar plágio aquilo que, obviamente, é apenas uma versão da música.

Mas unanimidade mesmo na obra de Henricão é a adorável "Só Vendo Que Beleza",  parceria com Rubem Campos. O compositor conta que a inspiração para a música surgiu quando ouviu uma conversa de bar entre dois aspirantes a Fuzileiros Navais. O interessante é que a singeleza da letra, que retrata um ambiente bucólico, marcado de belezas naturais propícias ao romance, uma verdadeira fórmula da felicidade, foi contrastado pouco tempo depois pelo próprio Henricão ao compor "Casinha da Marambaia", música que mostra um cenário pessimista e de destruição daquele belo cenário da música anterior. provavelmente uma forma do brilhante compositor pegar carona no sucesso da sua composição original.

Após sua morte, ocorrida no Rio de Janeiro, RJ, no dia 11/06/1984, a Escola Municipal Jardim Campos, fundada em 1982, mudou de nome para Escola Municipal Henrique Felipe da Costa, através do Decreto nº 20.275 de 19/10/1984.

Indicação: Miguel Sampaio

Figueiredo

CLÁUDIO FIGUEIREDO DIZ
(23 anos)
Jogador de Futebol

* São Paulo, SP (23/12/1960)
+ Nova Friburgo, RJ (20/12/1984)

Cláudio Figueiredo Diz, mais conhecido como Figueiredo, foi um jogador de futebol brasileiro, zagueiro do Flamengo, no início dos anos 1980. Vivia com seus pais, Antônio e Suzana, e com os irmãos Antônio e Silvana.

Figueiredo começou a jogar futebol, como dente de leite, no Palmeiras. Aos quinze anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, para defender os infantis do Flamengo, que o lançou, em 1979, numa partida contra o Botafogo.

Em um time repleto de estrelas, como o Flamengo do início da década de 1980, Figueiredo não chegava a ser um dos destaques daquela equipe.

"Não é um jogador excepcional, e seu prestígio deve-se em parte ao sobrenome, que insinua um parentesco com o presidente João Figueiredo", escreveu o jornal Folha de S.Paulo no texto sobre o acidente avião que vitimaria o zagueiro em 1984.

Justamente por causa do sobrenome, ele tinha sido escolhido como "padrinho" da recém-criada torcida Fla-Diretas em janeiro de 1984. Assim, ele teria sido o primeiro jogador de futebol a dar apoio à campanha Diretas Já. O sobrenome também valeu-lhe o apelido de "Presidente" entre os jogadores.

Diversas contusões atrapalharam-no ao longo de sua carreira, inclusive em 1983, quando foi considerado pelo então técnico Cláudio Garcia como titular absoluto da quarta-zaga rubro-negra.

Apesar de sua curta carreira, Figueiredo teve a oportunidade de comemorar os Brasileiros de 1980, 1982 e 1983, além da Libertadores da América e do Mundial Interclubes em 1981. Sua última partida com a camisa rubro-negra aconteceu em 01/12/1984, quando o Flamengo foi derrotado pelo Fluminense pelo placar de 2 x 1. Na sua última partida Leandro, que então estava jogando como titular da quarta-zaga, foi deslocado para o meio-campo, e Figueiredo acabou recebendo do técnico Zagallo a camisa 10 do ausente Zico.

Morte

Figueiredo morreu em 20/12/1984, num desastre de avião no Pico da Caledônia, em Nova Friburgo. O monomotor Corisco de prefixo PT-NJS 193 desapareceu após decolar do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, e só foi localizado um dia depois, a uma altitude de dois metros no Pico da Caledônia, embora os bombeiros só tenham conseguido alcançar o local após mais dois dias, devido às chuvas e à neblina na região. No acidente morreram também Nilton, irmão de Bebeto, uma modelo amiga dos dois jogadores e o piloto.

Figueiredo foi velado a Capela 7 do Cemitério São João Batista, Rio de Janeiro, onde o corpo do jogador foi sepultado.

Em pé: Leandro, Raul, Marinho, Figueiredo, Andrade e Júnior
Agachado: Tita, Adílio, Nunes, Zico e Lico
Títulos

Flamengo
  • Copa Europeia / Sul-Americana: 1981
  • Copa Libertadores da América: 1981
  • Campeonato Brasileiro: 1980, 1982 e 1983
  • Campeonato Carioca: 1981
  • Taça Guanabara: 1980, 1981, 1982 e 1984
  • Taça Rio: 1983

Fonte: Wikipédia

Leny Eversong

HILDA CAMPOS SOARES DA SILVA
(63 anos)
Cantora

* Santos, SP (01/09/1920)
+ São Paulo, SP (29/04/1984)

Hilda Campos Soares da Silva, mais conhecida como Leny Eversong, foi uma cantora brasileira. Ficou famosa pela sua voz e por cantar em inglês e francês.

Foi contratada pela Rádio Clube de Santos depois de participar de um programa de calouros infantil, quando tinha 12 anos. Especializou-se em foxes norte-americanos, e, em meados da década de 30, quando foi contratada pela Rádio Atlântica, adotou o nome artístico Leny Eversong, passando a cantar apenas em inglês.

Por volta de 1937, mudou-se para São Paulo, onde trabalhou como crooner em boates e cassinos. Teve passagens por diversas emissoras de rádio paulistas e excursionou pela Argentina. Nos anos 50 voltou a cantar músicas brasileiras, e gravou LPs, cantando em vários idiomas.

Seu maior sucesso foi o fox "Jezebel" (Shanklin), gravado pela primeira vez em 1952. No final da década excursionou pelos Estados Unidos, onde gravou "Leny Eversong na América do Norte", acompanhada pela Orquestra de Neal Heafti.


Até o final dos anos 60, realizou oito temporadas só em Las Vegas. Gravou em 78 rpm na Continental e na era do LP na Copacabana e na RGE. Nos anos 60, participou de uma montagem da "Ópera dos Três Vinténs", de Bertold Brecht, e depois de um show no Canecão, no Rio de Janeiro.

Muito gorda, com os cabelos oxigenados e uma voz potente de contralto mas com bom alcance nos agudos, ela nunca chegou a ter, no Brasil, a popularidade de uma Dalva de Oliveira ou Ângela Maria. No entanto, Leny Eversong impactava as plateias com suas interpretações em vários idiomas.

Foi na segunda metade dos anos 50 que Leny Eversong viveu o auge de sua carreira. Foi capa das principais publicações brasileiras e trazia a tiracolo uma invejável agenda internacional, incluindo Las Vegas, Nova York e Paris, cantando em grandes teatros e cassinos.

"Leny foi a primeira brasileira a cantar em Las Vegas apenas por suas qualidades de cantora. A Carmen Miranda foi um caso extraordinário, porque foi para lá depois de fazer cinema. A Leny não. Foi sem filme, sem nada, cantando em inglês", compara a cantora Carminha Mascarenhas.

O maestro Daniel Salinas, que a acompanhou em turnês por Las Vegas e Nova York, é testemunha do estrondoso sucesso que a cantora fez ao redor do mundo, onde quer que se apresentasse.

Elvis Presley, Leny Eversong e Ed Sullivan (06/01/1957)
"Ela fez temporadas em Las Vegas, Nova York, Paris, México e em países das Américas Central e do Sul. Mesmo em lugares em que não era tão conhecida, como a Venezuela, ela tinha um potencial tão fabuloso que, quando cantava, arrasava. Era aplaudida de pé. Naquela época, quase não tinha brasileiro de sucesso fora do país. Pena que ninguém lembre mais dela", lamenta o maestro Daniel Salinas. Ele afirma que Leny Eversong teve a chance de gravar com os melhores músicos, nos melhores estúdios e com arranjos de grandes maestros. "Ela fez tudo que um artista sonharia fazer". De fato, ela gravou nos anos 50 um LP na Coral com a Orquestra de Neal Hefti e, na Vogue francesa, um com a de Pierre Dorsey.

Embora os letreiros dos cassinos de Las Vegas a enfocassem como cantora brasileira, muitas vezes ela era vendida como cantora americana, pois apesar de até o final dos anos 50 não falar uma palavra de inglês, cantava sem sotaque graças a seu ótimo ouvido. O cantor Luiz Vieira lembra-se de ouvi-la falar dessas armações, às gargalhadas.

"A Leny era maravilhosa, de uma humildade e uma simplicidade incríveis. Ela me contava os seus micos do modo mais natural. Ela podia não ter um nível de cultura dos mais lisonjeiros, mas era inteligente demais. Quando ela ia para a Argentina, por exemplo, o empresário dela dizia: 'Não abra a boca com a imprensa'. Então, só falavam com o empresário. E ela só falava yes, ok, all right. Ela contava isso com muita graça!"


Até o final dos anos 60, sua carreira ia bem. Leny Eversong participou da primeira montagem brasileira da "Ópera dos Três Vinténs", de Bertold Brecht, em São Paulo, e de alguns festivais da canção, além de continuar com suas turnês americanas. Mas no início dos 70, começaram as dores de cabeça. Seu marido saiu para comprar cigarros e nunca mais voltou. Foi sequestrado e desapareceu. Isso marcou tanto a sua vida que todos os artistas entrevistados para essa reportagem fizeram menção ao fato. "Ela ficou quase louca quando o marido sumiu", lembra Luiz Vieira. A cantora Adelaide Chiozzo diz que chegou a consolá-la. Mas o maior apoio à cantora foi dado pelo amigo Agnaldo Rayol.

"Quando o marido dela sumiu, ela ficou dias hospedada no meu sítio, em Itapecerica da Serra. Estava muito nervosa. Ela estava meio desencontrada, perdida e eu disse: Venha passar uns dias comigo. Batíamos muito papo. Já nessa época, ela se sentia meio injustiçada, esquecida".

Em 1970, Leny Eversong afastou-se da vida artística, aparecendo esporadicamente em programas de televisão e eventos.

Mesmo sendo uma figura tão interessante e única no estilo, ela morreu em 1984, no total ostracismo, aos 64 anos, vítima de diabetes.


Discografia

  • S/D - Um Drink Com Cauby e Leny (LP)
  • 1964 - A Internacional Leny Eversong (RGE - LP)
  • 1960 - Leny Eversong Na América Do Norte (Copacabana - LP)
  • 1960 - Mack The Knife (Moritat) / Lazy Bones (RGE - 78rpm)
  • 1960 - Marina / Mack The Knife (Moritat) (RGE - 78rpm)
  • 1960 - Coração De Mãe (RGE - 78rpm)
  • 1960 - Carina / Sabor A Mi (RGE - 78rpm)
  • 1960 - Sol De Verão / Oui, Oui, Oui, Oui (RGE - 78rpm)
  • 1960 - Exemplo / Oui, Oui, Oui, Oui (RGE - 78rpm)
  • 1960 - Nunca Num Domingo / Olhando Estrelas (RGE - 78rpm)
  • 1959 - Vem Aqui A La Realidad / Bem, Bem, Bem (RGE - 78rpm)
  • 1959 - The World Outside / It's Only Make Believe (RGE - 78rpm)
  • 1958 - Geada / No Azul Pintado De Azul (Copacabana - 78rpm)
  • 1958 - Fascination / Marianne (Copacabana - 78rpm)
  • 1958 - Ritmo Fascinante Nº 1 (Copacabana - LP)
  • 1958 - Sereno / Esmagando Rosas (RGE - 78rpm)
  • 1957 - Feliz Natal Pra Jesus / Nossa Senhora Aparecida (Copacabana - 78rpm)
  • 1957 - Leny Eversong Em Foco (Copacabana - LP)
  • 1956 - Oxalá / Ritmo Do Coração (Copacabana - 78rpm)
  • 1956 - Noel Rosa / Aquarela Mineira (Copacabana - 78rpm)
  • 1956 - Ontem / Taquará (Copacabana - 78rpm)
  • 1955 - Coração De Palhaço / Enxuga As Lágrimas (Copacabana - 78rpm)
  • 1955 - Chuva / Ela Diz Que É Grega (Copacabana - 78rpm)
  • 1955 - Jovem Coração / Portão Antigo (Copacabana - 78rpm)
  • 1955 - Vestido De Fustão / Batuque De Salvador (Copacabana - 78rpm)
  • 1955 - Nego Bola-Sete / Mamãe-Iemanjá (Copacabana - 78rpm)
  • 1955 - Jezebel / Jalousie (Copacabana - 78rpm)
  • 1954 - Ali Babá / Sempre Te Amei (Copacabana - 78rpm)
  • 1954 - Estou Morrendo De Saudade / Panela Vazia (Copacabana - 78rpm)
  • 1954 - Johnny / 400 Verões (Copacabana - 78rpm)
  • 1954 - Virgem Maria / Mater (Copacabana - 78rpm)
  • 1954 - Pretenda / Responde (Copacabana - 78rpm)
  • 1953 - Pobre Pierrô / Eu Não Sabia (Continental - 78rpm)
  • 1953 - Confissão / Solidão (Continental - 78rpm)
  • 1953 - E Ele Não Vem / Roda, Roda, Roda (Copacabana - 78rpm)
  • 1953 - Leny Eversong Em Foco (Copacabana - LP)
  • 1953 - Padam... Padam / Vencida (Copacabana - 78rpm)
  • 1953 - Canção De Natal / Prece De Natal (Copacabana - 78rpm)
  • 1953 - Big Mamou / Rachel (Copacabana - 78rpm)
  • 1952 - Pode ir em paz/Volta por Deus! (Continental - 78rpm)
  • 1952 - Jezebel /Blue Guitar (Continental - 78rpm)
  • 1952 - Vocês Estão Vendo / Mi Mamito (Continental - 78rpm)
  • 1951 - Estranho / Inutilmente (Continental - 78rpm)
  • 1951 - Vidas Iguais / Vem Amor (Continental - 78rpm)
  • 1948 - My Mammy / California Here I Come (Continental - 78rpm)
  • 1946 - Amado Mio / Put The Blame On Mame (Continental - 78rpm)
  • 1946 - Take Me Back Baby / All The Cats Join In (Continental - 78rpm)
  • 1945 - Irrestible You / Milkman Keep Those Bottles Quiet! (Continental - 78rpm)
  • 1945 - Candy / How Blue The Night (Continental - 78rpm)
  • 1944 - Stormy Weather / I Can't Give You Anything But Love (Continental - 78rpm)
  • 1944 - The Music Stopped / I've Heard That Song Before (Continental - 78rpm)
  • 1944 - I Dug Aditch / They Just Chopped Down The Old (Continental - 78rpm)
  • 1943 - Besame Mucho / Por Mi Culpa (Columbia - 78rpm)

Fonte: Wikipédia

Cruz Cordeiro

JOSÉ DA CRUZ CORDEIRO FILHO
(79 anos)
Escritor, Poeta, Tradutor e Compositor

* Recife, PE (12/03/1905)
+ Rio de Janeiro, RJ (16/07/1984)

Cruz Cordeiro nasceu em Recife, PE, em 12/03/1905. Era filho de José da Cruz Cordeiro e Carolina Sabóia de Albuquerque Cordeiro. Tinha cinco irmãs e um irmão: Lourdes,  Augusta, Carmem, Carozinha, Bernadete e Humberto.  Aos 7 anos mudou-se com a família para o Estado do Rio de Janeiro.

Cruz Cordeiro, aos 13 anos de idade, em foto de 9.10.1918
De família abastada, Cruz Cordeiro foi internado, na época, num famoso colégio de padres, tendo sido "educado" dentro de uma prejudicial formação católica tradicional.  Em seu único romance escrito aos 33 anos, publicado com sucesso em 1938, intitulado "Uma Sombra Que Desce", no último capítulo Solidão,  ele escreve sobre a sua permanência no conhecido colégio:

"O pai gastara fortuna na sua instrução, à moda do tempo, internando-o em um dos mais famosos colégios de padres do país. Arrancado pequeno e para muito longe de casa, Jorge pouco ou nada aprendera. Desde então não gozara mais saúde. A comida era de inferior qualidade. Não nutria. Feita como si fosse para cachorro. E depois das frugalíssimas refeições seria castigado todo aquele que não participasse do futebol, da barra-bandeira, ou de qualquer outra brincadeira assim congestionante imposta àquelas crianças afastadas do convívio e da responsabilidade de quem as botou no mundo. Do colégio não podia se queixar. As cartas eram censuradas e a vergonha de uma expulsão tolhia os mais audazes. Aos domingos, em dias de visitação, a bóia era atacada de súbita melhora. O ardil surtia o efeito desejado: eram os alunos que reclamavam sem base, meninos vadios que inventavam tramas para dar o fora do colégio... Nas férias, diante da alegria de rever a casa paterna, esquecia-se de reagir, dizer o que não podia fazer por carta, do internato. E voltava no ano seguinte para continuar a estudar sem se alimentar. Foi se enfraquecendo. Sarampo, caxumba, e um violento tifo, devolveram-no, afinal, aos seus. A sua educação se completara..."

Durante a sua juventude, iniciou na Faculdade de Engenharia e no aprendizado do violino, ambos abandonados para mais tarde dar lugar a atividades multifacetadas no campo da cultura brasileira. Foi o sócio remido nº 7 do Clube de Regadas Guanabara onde praticou vários esportes, e onde mais tarde colocou seus quatro filhos como sócios para aprender natação e frequentar o clube recreativo.

Cruz Cordeiro, o filho José Roberto e sua esposa Dora Alencar Vasconcellos (Passeio Público, RJ)
Cruz Cordeiro casou-se com Dora Alencar Vasconcellos, nascendo da união o único filho José Roberto Cordeiro, falecido aos 31 anos nos Estados Unidos, em 1969. A Embaixadora Dora Alencar Vasconcellos faleceu aos 62 anos, em 1973, como representante do Brasil junto à República de Trinidad-Tobago, sendo sepultada com honras de estado no Cemitério de São João Batista, na aléa 10, jazigo numero 3782.

Dora Vasconcellos era poetiza, e em vida deixou três livros publicados: "O Grande Caminho do Branco", "Palavra Sem Eco" e "Surdina do Contemplado". Ela iniciou parcerias com o compositor brasileiro erudito Heitor Villa-Lobos, durante a sua primeira permanência nos Estados Unidos em 1952. Dora criou inspiradas letras para algumas das belas canções da grande suíte "Floresta do Amazonas" (1958), sendo as mais conhecidas "Tarde Azul (Canção do Amor)" e "Canção do Amor (Melodia Sentimental)".


Com o falecimento de Dora Alencar Vasconcellos em 1973, Cruz Cordeiro casou-se em 05/12/1973 com Angelita Silva, companheira de longa data com a qual viveu até o dia do seu falecimento em 16/07/1984. Angelita Silva, com o casamento, passou a se chamar Angelita Silva da Cruz Cordeiro. Ela nasceu na Bahia, em 22/06/1910, filha de Canuto Silva Laureano e de Martinha Costa Maranhão. Da união entre Cruz Cordeiro e Angelita nasceram quatro filhos: Márcio (19/02/1943), Antônio José (23/l2/l944), Mário Eduardo (29/07/1949), e Ricardo (26/06/1951). Márcio Silva da Cruz Cordeiro, divorciado de Eliane Bastos Cordeiro, faleceu em 18/09/1995, aos 52 anos, em seu apartamento, em Botafogo, RJ. Segundo a médica atestante Drª Virgínia da Conceição Sencades Alves, a causa mortis foi desnutrição: esquizofrenia paranoide. Márcio foi enterrado no Cemitério de São João Batista, na sepultura perpétua da família de seu genitor.

Cruz Cordeiro e Angelita no Sanatório em Correias, Rio de Janeiro
Angelita formou-se em enfermagem pela Cruz Vermelha Brasileira, conhecendo Cruz Cordeiro na condição de enfermeira num hospital de cirurgia no Rio de Janeiro. Angelita e Dora tornaram-se amigas no hospital, e Dora, após acompanhar o marido durante a existência de sua prolongada enfermidade, seguiu o seu destino, a sua ambição, a sua carreira. Contratada pela família, Angelita assistiu Cruz Cordeiro também em sua recuperação num sanatório em Correias. Angelita, depois de ter sido uma das enfermeiras de Cruz Cordeiro no hospital, e sua enfermeira particular no sanatório, abandonou a profissão de enfermagem para dedicar-se ao companheiro, aos quatro filhos e à vida doméstica. Angelita faleceu em 21/03/2005, aos 94 anos, na UTI da Clínica de São Gonçalo S.A, em Niterói, RJ, tendo sido enterrada no Cemitério São João Batista na sepultura da família de seu marido.

Cruz Cordeiro, em parceria com Sérgio Alencar Vasconcellos, irmão de Dora Alencar Vasconcellos, fundou a pioneira Revista Phono-Arte, como editor e redator.  A revista teve o apoio das gravadoras e representantes de disco e de músicas impressas, inaugurando a crítica sistemática da música popular e erudita impressa e gravada no Brasil. A revista também iniciou comentários sobre filmes musicados do então chamado "cinema falado", logo que começou o filme sonoro no cinema. A Phono-Arte foi publicada com sucesso até o número 50, no período de 1928 a 1931, havendo coleções completas da revista no Museu do Som e da Imagem no Rio de Janeiro.


Logo após o término da sua importante Revista Phono-Arte, Cruz Cordeiro ingressou na RCA Victor Brasileira Inc., então recém-fundada no Brasil. No período de 1931 a 1936, exerceu cargo de publicidade e orientador artístico da empresa, na qual, por motivo de moléstia, aposentou-se prematuramente. Eram os tempos áureos de compositores como Lamartine Babo, Noel Rosa, João de Barrro, o Braguinha, Almirante, Joubert de Carvalho, e artistas como Carmen Miranda, Mário Reis e muitos outros. Cruz Cordeiro aumentou muito a venda de discos nacionais no seu período de atuação, passando a venda de 3 mil discos por  mês para 35 mil discos, conforme controlava em fichários adequados.

No auge de sua atuação bem sucedida na RCA Victor, Cruz Cordeiro foi acometido por uma doença incapacitante, forçando-o a se afastar do importante cargo que ocupava na recém-fundada empresa brasileira. Como pessoa enferma passou por vários consultórios médicos, por diversos diagnósticos equivocados e por algumas operações inúteis, até a descoberta da verdadeira causa da misteriosa doença: "um enorme abscesso nas suas nádegas, que tinham virado panelas de pus durante os dias de febre". O sofrimento físico e psíquico vivido pelo doente durante a duradoura moléstia levou Cruz Cordeiro ainda em recuperação a escrever o único romance intitulado "Uma Sombra Que Desce". O livro foi publicado em 1938 pela Cultura Moderna - Sociedade Editora Ltda., São Paulo, obtendo grande êxito ao ser lançado em 1939. Pelo seu grande sucesso e elevada qualidade literária, o romance foi traduzido para o espanhol por Bráulio Sánches Saez, e editado na Argentina pela Editorial Araújo, Buenos Aires, em 1942, na sua "Colección Universal" com o título de "Peregrinos Del Dolor".

Cruz Cordeiro, Angelita, Márcio e Antônio José, em Barbacena, MG.
Em consequência de sua prolongada enfermidade, Cruz Cordeiro foi aposentado na época por invalidez com 1 salário mínimo. O seu salário da RCA Victor foi pago durante um bom tempo mesmo após o início de sua doença, em razão da generosidade do diretor da empresa no Brasil, o norte-americano Mr. Evans. Após a sua aposentadoria por invalidez e completa recuperação, Cruz Cordeiro trabalhou até a velhice como datilógrafo na firma Werco Comércio e Indústria S.A., de seu parente Paulo Fernando Marcondes Ferraz. Além de ser um exímio datilógrafo, Cruz Cordeiro era conhecedor do inglês e do francês, tendo inclusive trabalhado como tradutor para aumentar a renda doméstica.

Como tradutor do inglês e do francês, a Casa Editora Vecchi Ltda., Rio de Janeiro, lançou suas traduções: "Abandonados" (1943) de Nevil Shute; "O Flagelo de Deus" (1953) de  Maurice Leblanc; "A Ilha dos 30 Ataúdes" (1952) de Maurice Leblanc; "Falso Testemunho" (1956) de Irving Stone; "Um Retrato de Mulher" (1945) de J.H. Wallis; "Os Mais Belos Contos Terroríficos" (1945) de famosos autores (Tradução de 4 dos 23 contos); "A Grande Audácia" (1955) de Maurice Leblanc.


Nos seus números de agosto 1941, novembro/dezembro de 1942, janeiro 1943 e janeiro/fevereiro 1944, a revista de cultura A Ordem, sob a direção de Alceu Amoroso Lima, revelou Cruz Cordeiro como poeta, publicando seus poemas: "Regresso", "História de Jangadeiro", "Aquele Velho", "Luz e Sombra", "Prece" e o "Problema do Poeta".

Anonimamente e
Na intimidade de cada pouso,
Silenciosamente e
No indevassável de cada alma,
Tudo vai tendo o seu próprio desconhecido
No concerto da beleza universal.
E assim somos como os búzios,
Que não falam: a vida em nós,
Como nas conchas diante do mar profundo,
É ressonância que a palavra,
Embora dom milagroso,
Jamais traduz exatamente.
E se tudo é silêncio e anonimato,
Se tudo ressoa sem palavras,
Se tudo é harmonia e beleza,
Por que então fazer poemas,
Que pedem títulos,
Que levam palavras e que
Se endereçam à alma de todas as criações?
(Poema - O Problema do Poeta)

Ainda, de 1939 a 1957, exerceu inúmeras outras atividades, conforme o texto abaixo escrito pelo próprio Cruz Cordeiro.

  • 1939 - Na revista Cine-Rádio Jornal, de Celestino Silveira, Rio de Janeiro, colaborou, frequente e animadamente, na seção "Fala o Amigo Fan", com seu nome literário Cruz Cordeiro  e, posteriormente, sob o pseudônimo de Tupiniquim, sempre em defesa da música brasileira popular, de que se tornou um dos seus melhores conhecedores e críticos.
  • 09/03/1940 - No famoso jornal crítico-literário de Brício de Abreu, Dom Casmurro, estreou com um trabalho de Linguística e Filologia, que passariam a ser a sua principal especialidade desde então, intitulado "A Ortografia dos Vocábulos Indígenas e Afro-negros". No mesmo periódico seguiu colaborando longo tempo até, praticamente, sua extinção.
  • 1941 - Colaborou com artigos para Diretrizes, publicação de Samuel Wainer e de projeção na época. Passou  a ser um dos colaboradores efetivos da Revista Filológica, publicação mensal sob a direção de Rui Almeida, que publicou até 1944. Ainda, tornou-se colaborador da Revista do Arquivo Municipal, publicação do Departamento de Cultura de São Paulo, onde se publicaram trabalhos seus como "Os Fundamentos Econômicos nas Origens dos Nomes Brasil e América" (Vol. LXXVIII de agosto/setembro 1941) e "Terminações Mineralógicas" (Vol. CII, 1945). Tornou-se colaborador do conceituado suplemento literário do Diário de Notícias, do Rio de Janeiro, sob a direção de Raul Lima, tendo sua colaboração sido variada, focalizando de preferência, porém, temas linguísticos, filológicos e de música popular e folclórica brasileira.
  • Janeiro de 1942 – A Revista do Brasil (Ano V, 3ª fase, nº 43) publicou seu importante trabalho "A Língua Brasileira".
  • 1945 - Ingressa como colaborador dos Diários Associados, de Assis Chateaubriand, em constante colaboração através do suplemento literário do seu órgão líder no Rio de Janeiro: O Jornal, de preferência sobre assuntos de linguística, filologia, folclore e música popular brasileira.
  • 1955/1956 – Convidado por Lúcio Rangel, criador da Revista da Música Popular, Cruz Cordeiro escreve sobre folcmúsica e música popular brasileira, e apresenta uma discografia mensal da Produção Nacional.
  • 1957 -  Passa a colaborar também no suplemento literário do Jornal do Comércio, do Rio de Janeiro.

O Jornal do Brasil, no Caderno Especial, em 26/01/1975, publica a Carta de Leitor de Cruz Cordeiro, intitulada "Fato Social e Fato Artístico", referindo-se às análises de caráter sociológico do historiador e crítico José Ramos Tinhorão, relativas aos compositores e letristas da nossa música popular.


O jornalista, escritor, crítico e historiador Sérgio Cabral entrevistou Cruz Cordeiro em sua residência, na Rua General Góis Monteiro, nº 88, apto 303, Botafogo, RJ. A extensa entrevista foi publicada no jornal O Globo, em 22/07/76, com o título "Cruz Cordeiro – O Primeiro Colunista de Discos do Brasil". A grande reportagem também foi publicada no livro "ABC do Sérgio Cabral – Um Desfile dos Craques da MPB" (Editora Codecri - Rio de Janeiro, 1979). Quando Cruz Cordeiro foi entrevistado por Sérgio Cabral, ele já tinha a idade avançada de 71 anos.

Entre os 72 e 73 anos de idade (1977/1978), Cruz Cordeiro foi internato no Hospital da Lagoa do Rio de Janeiro para a retirada de um coágulo no cérebro. Apesar de a cirurgia invasiva ter sido bem sucedida pela competência dos médicos na época, mais tarde Cruz Cordeiro sofreu um derrame cerebral que paralisou o seu lado esquerdo. Ele permaneceu em sua residência neste lamentável estado irreversível até o dia de seu falecimento, assistido por uma enfermeira e por sua sempre dedicada Angelita. Tendo ido visitar meu querido pai neste dia, estava em seu quarto e ao lado da sua cama, e junto à minha mãe presenciei a sua vida se esvaindo através de uma dispneia.

José da Cruz Cordeiro Filho faleceu em 16/07/1984 às 22:00 hs, aos 79 anos de idade. Segundo a Certidão de Óbito atestada pelo médico Drº Ismar Fernandes, a causa mortis foi Insuficiência Cardiorrespiratória e Arterioesclerose Cerebral.

Cruz Cordeiro foi sepultado no Cemitério São João Batista, no túmulo perpétuo da família, de mármore preto, encimado por uma grande imagem branca de Santa de Lourdes. A antiga sepultura, que tem espaço para três urnas funerárias, fica à esquerda logo após a entrada do Cemitério São João Batista, e da rua principal já pode se ver não muito distante a imagem bonita da alta escultura.

Meu pai era um homem de poucas palavras e não dado a manifestações físicas de carinho, embora fosse muito atento aos estudos dos seus quatro filhos. Eu mesmo tive professores particulares de português, francês e matemática, quando não ia bem nestas matérias durante o curso primário e básico comercial.  E comprou um piano para que eu fizesse o curso completo do instrumento, pois uma professora de música afirmou que eu tinha muito talento para o piano, embora mais adiante tenha abandonado o curso por não me sentir motivado. Todos os filhos, sem exceção, no momento próprio, foram inscritos no Instituto Brasil-Estados-Unidos (IBEU), e ao contrário dos demais irmãos abandonei o curso de inglês logo no início.

Estou cansado de presenciar fatos consumados,
De ter notícias de desgraças ou de vitórias,

Acabei por detestar os acontecimentos.
Queria que Deus me desse a pré-ciência
O dom divinatório e a mais absoluta vidência,
Que me fizesse entrar no espírito de todas as coisas,
Que me coordenasse com a essência universal e
me concedesse, desde logo,
A paz imensa que pressinto no infinito.
(Poema - Prece)

Antônio José, ao lado de seus pais Cruz Cordeiro e Angelita, na sua primeira exposição individual no Foyer da Sala Cecília Meireles, realizada no período de 06/07 a 06/08/1979
O filho de Cruz Cordeiro, Antônio José Silva da Cruz Cordeiro, autor da presente biografia resumida, homenageando o seu querido, saudoso e admirado pai, organizou, anteriormente, o site Revista Phono-Arte,  e do qual retirou  a maioria das informações desta biografia à pedido de Marcos Carvalho, criador deste blog.

Fonte: Antônio José Silva da Cruz Cordeiro e Revista Phono-Arte