Telê Santana

TELÊ SANTANA DA SILVA
(74 anos)
Jogador de Futebol e Técnico

* Itabirito, MG (26/07/1931)
+ Belo Horizonte, MG (21/04/2006)

Foi um dos mais importantes treinadores da história do futebol brasileiro. Após perder duas Copas do Mundo no comando da Seleção Brasileira de Futebol, amargou por muito tempo a fama de pé-frio. Mesmo assim, em pesquisa realizada pela revista esportiva Placar, nos idos dos anos 1990, foi eleito por jornalistas, jogadores e ex-atletas o maior treinador da história da Seleção Brasileira de Futebol.

A partir de 1990 até o início de 1995, comandou o São Paulo Futebol Clube, conquistando duas vezes a Taça Libertadores da América e o Mundial Interclubes.

É considerado o maior treinador são-paulino em todos os tempos e um dos idolos do clube, sendo apelidado pela torcida com a alcunha de Mestre Telê.

Como jogador, é ícone do Fluminense pela intensa dedicação que ofereceu ao seu clube do coração — que valeu-lhe o apelido Fio de Esperança - onde também começou a sua vitoriosa carreira de treinador de futebol.

Até hoje é o técnico que mais dirigiu o Atlético Mineiro em jogos oficiais.

Biografia

Esteve à frente da Seleção Brasileira de Futebol nas copas de 1982 e 1986.

Encerrou a carreira no São Paulo, depois de ter levado o time a suas maiores conquistas na primeira metade dos anos 1990.

Como jogador não chegou à Seleção Brasileira por concorrer com jogadores como Julinho Botelho e Mané Garrincha, nos anos 1950 e 1960.

Começou no Itabirense Esporte Clube, cuja sede situava-se próximo a sua casa, e depois jogou no América de São João del-Rei de onde saiu para jogar no Fluminense.

Fluminense

Pelo Fluminense iniciou sua carreira sendo campeão de juvenis em 1949 e 1950 e promovido para os profissionais em 1951. A partir daí despontou seu melhor futebol e conseguiu suas maiores conquistas como atleta. Foi um dos primeiros pontas no futebol brasileiro a voltar para marcar no meio.

A sua contratação pelo Fluminense se deu após fazer um teste contra o Bonsucesso e fazer cinco gols, referendada então pelo diretor de futebol do Fluminense daquela época, nada menos que outro ícone histórico deste clube, primeiro capitão e em 1930 o autor do primeiro gol da Seleção Brasileira em uma Copa do Mundo, João Coelho Netto, o Preguinho.

Com a camisa do Fluminense jogou 557 partidas e marcou 162 gols, sendo o terceiro jogador que mais atuou pelo clube tricolor e seu terceiro maior artilheiro.

O Fio de Esperança

Quando Telê era jogador, tinha o apelido de Fio de Esperança, que recebeu após um concurso entre os torcedores promovido pelo jornalista Mário Filho, então diretor do Jornal dos Sports.

O concurso tinha surgido como idéia do dirigente tricolor Benício Ferreira. Na época, Telê tinha os apelidos pejorativos de Fiapo e Tarzan das Laranjeiras, em função de seu corpo franzino. O dirigente achava que o jogador merecia algo mais honroso e deu a idéia ao amigo Mário Filho, que criou o concurso com o tema "Dê um slogan para Telê Santana e ganhe 5 mil cruzeiros".

Ao seu final, mais de quatro mil sugestões tinham sido enviadas à redação do jornal. José Trajano conta que seu pai participou do concurso propondo o apelido A Bola. Três leitores acabaram empatados no primeiro lugar na votação final, com as alcunhas El Todas, Big Ben e Fio de Esperança. Foi a última que caiu no gosto dos torcedores tricolores.

Telê se transferiu do Fluminense para o Guarani por conta do presidente histórico do bugre, o carioca Jaime Silva, ser torcedor do clube carioca e ter influenciado os dirigentes cariocas a permitirem a sua transferência para Campinas.

Telê deu mais uma demonstração de amor ao Fluminense, quando já no final de sua carreira como jogador, atuando pelo Madureira marcou o único gol de sua equipe na derrota por 5 a 1 para o Fluminense. Embora aquele gol não tenha influenciado no resultado, Telê chorou ao final da partida por ter feito um gol em seu clube do coração.

Treinador

Com uma visão particular de futebol, formada nos muitos anos de trabalho no Fluminense, em que não acreditava em ganhar por ganhar ou ganhar a qualquer custo, era um intransigente defensor de um futebol diferenciado e disciplinador exigente, que exigia de seus comandados uma postura profissional dentro e fora dos campos. Foi este futebol que transformou Telê em Mestre, no comando do time do São Paulo que conquistou vários títulos no início da década de 1990. Ganhou um total de onze títulos, incluíndo um Campeonato Brasileiro, duas Libertadores da América e dois Campeonatos Mundiais.

Após encerrar a carreira como jogador, foi aproveitado como técnico e acabou marcando uma época de glórias e estigmas. Começou na categoria de juvenis (atual juniores) do Fluminense, sendo campeão carioca em 1968. Em 1969 foi promovido a técnico do time profissional, sendo campeão carioca e formando a base do time campeão do Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1970.

Lá também brigou pelos direitos de seus jogadores, que eram obrigados a entrar e sair do clube pela porta dos fundos. Depois de uma reunião à noite com dirigentes, pediu que abrissem a porta dos fundos para ele. Responderam que ele não era jogador e podia sair pela entrada social, mas Telê recusou-se e pulou o muro, porque não achou ninguém para abrir a porta dos fundos. "Eu disse que também fui jogador e que o aviso servia para mim também", contou, anos mais tarde.

Curiosamente, o mesmo time do Fluminense disputou a final contra o Atlético Mineiro, na época dirigido por Telê, que seria Campeão Mineiro em 1970 e Campeão Brasileiro em 1971. Em 1973 passou pelo São Paulo, mas foi afastado ao entrar em conflito com os ídolos Paraná e Toninho Guerreiro.

Em 1977, dirigiu o histórico time do Grêmio, levando-o a recuperar a hegemonia do Campeonato Gaúcho após oito anos de domínio do Internacional. Após ganhar fama de bom treinador de clubes, com mais uma passagem marcante, agora pelo Palmeiras, em 1979, quando fez um time sem estrelas realizar belos jogos, foi contratado para ser técnico da Seleção Brasileira.

Como treinador da Seleção na Copa do Mundo de 1982, na Espanha, encantou o mundo com um futebol bonito e envolvente, aclamado como o melhor da época. Reconhecendo que privilegiava a técnica, escalou uma esquadra com jogadores como Zico, Sócrates e Falcão entre outros grandes jogadores.

Nem assim sua seleção foi uma unanimidade, pois muitos - inclusive o humorista Jô Soares, que criou o bordão "Bota ponta, Telê!" - cobravam a presença de um ponta direita no time.

"Eu me aborrecia um pouco com isso", contou Telê mais de vinte anos depois. "O time buscava ocupar o espaço ali na direita. Se eu tivesse um grande ponta, como o Garrincha, é lógico que ele iria jogar. Comigo sempre jogam os melhores". Mesmo assim, não conseguiu o almejado título, deixando o comando da Seleção.

Retornou para a Copa do Mundo de 1986, no México, como grande esperança brasileira de levantar a taça. Desta vez, buscando valorizar a experiência, montou um time não tão vibrante, com jogadores remanescentes de 1982, alguns já em fim de carreira. Criticado anteriormente por não exigir muita disciplina dos jogadores, voltou mais vigilante, o que resultou no corte da principal revelação do time, o ponta-direita do Grêmio Renato Gaúcho, quando este chegou tarde à concentração, fato que levou o melhor amigo do jogador, o lateral Leandro, a pedir para também sair da equipe.

Perdeu a Copa invicto, em uma disputa de pênaltis contra a França. Telê então foi marcado com a pecha de pé-frio por parte da imprensa brasileira, reforçada até por uma capa da Revista Placar no ano seguinte, quando o Atlético Mineiro treinado por ele foi eliminado nas semi-finais da Copa União depois de passar invicto pela primeira fase.

Em maio de 1990, Telê assumiu o Palmeiras, na época da fase final do Campeonato Paulista, o Palmeiras foi eliminado terminando em quarto na classificação geral, e em segundo no seu grupo da fase final, atrás apenas do Novorizontino por causa de um empate com a Ferroviária em 0x0 no Palestra Itália ficando um ponto atrás do Novorizontino. Por causa disso, a torcida fez um grande quebra-quebra na sala de troféus do clube. Chega o Campeonato Brasileiro, e Telê se demite após uma derrota em casa para o Bahia por 2x1. Ele se demitiu também pelo fato de na época, o Palmeiras só ter conseguido apenas uma vitória no campeonato, contra o Internacional, vitória de 1x0 para o Palmeiras, gol de Betinho.

Chegou ao tricolor paulista em outubro de 1990 e encontrou um time que três meses antes tinha tido um desempenho pífio no Campeonato Paulista, com seu principal jogador, Raí, no banco e ocupando posição intermediária no Campeonato Brasileiro. O time recuperou-se a ponto de chegar à final, ficando com o vice-campeonato frente ao Corinthians, o que serviu para mais uma vez trazer à tona a fama de pé-frio. Mas com Telê, Raí e outros jogadores, como o lateral direito estreante Cafu, foram ganhando confiança e evoluíram, ajudando o São Paulo a conquistar o Campeonato Brasileiro de Futebol de 1991, enterrando de vez a fama de azarado.

Com o título paulista conquistado no mesmo ano, passou a ser o único técnico brasileiro a ter conquistado os quatro principais campeonatos estaduais do País (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul).

Títulos Como Jogador

Campeonato Carioca de Juvenis (1949 e 1950)
Campeonato Carioca (1951, 1959)
Copa Rio (Internacional) (1952)
Torneio Início (1954 e 1956)
Torneio Rio-São Paulo (1957, 1960)

Títulos Como Treinador

Campeonato Carioca de Juvenis(atual Juniores) (1968)
Taça Guanabara (1969, 1989)
Campeonato Carioca (1969)
Campeonato Mineiro (1970 e 1988)
Campeonato Gaúcho (1977)
Campeão Árabe (1983)
Copa do Rei Árabe (1984)
Copa do Golfo (1985)
Campeonato Brasileiro (1971 e 1991)
Campeonato Paulista (1991 e 1992)
Copa Libertadores da América (1992 e 1993)
Mundial Interclubes (1992 e 1993)
Recopa Sul-Americana (1993 e 1994)
Supercopa dos Campeões da Libertadores (1993)

Morte

Após sofrer uma Isquemia Cerebral em janeiro de 1996, teve que abandonar o futebol e viu a sua saúde debilitar-se bastante, com problemas na fala e na locomoção, entre outros. Apesar de debilitado, acreditava que poderia voltar a trabalhar e, nos dias de mau humor, culpava a família por "impedi-lo". No começo de 1997, chegou a fechar contrato para ser o técnico do Palmeiras, mas seus problemas de saúde impediram que ele assumisse o cargo.

No dia 21 de abril de 2006, depois de ficar por cerca de um mês internado devido a uma infecção intestinal, que desencadeou uma série de outras complicações, o Mestre Telê Santana faleceu em Belo Horizonte.

Fonte: Wikipédia

Bernardo Sayão

BERNARDO SAYÃO CARVALHO DE ARAÚJO
(57 anos)
Engenheiro e Político

☼ Rio de Janeiro, RJ (18/06/1901)
┼ Açailândia, MA (15/01/1959)

Bernardo Sayão nasceu em 18/06/1901, no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro. Fez o ginásio no Colégio Anchieta de Nova Friburgo, cursou a Escola de Agronomia de Piracicaba em São Paulo e a Escola de Agronomia de Viçosa em Minas Gerais, em 1929.

Em 1939, aparecia Bernardo Sayão em Goiás pela primeira vez, atraído pela obra de Pedro Ludovico, que constituía Goiânia, abrindo novas perspectivas para todo o estado de Goiás. Na década de 30, já acreditava nas vantagens da interiorização do desenvolvimento brasileiro.

Foi em 1941, que Getúlio Vargas escolheu Bernardo Sayão para dirigir a implantação de uma Colônia Agrícola no interior de Goiás. Fundou a Colônia Agrícola Nacional de Goiás (CANG) que deu origem à cidade de Ceres, GO.

Encontrava-se em foco a tão falada e famosa "Marcha para o Oeste". No entanto, em 1950, devido a burocracias, Bernardo Sayão foi exonerado do cargo em comissão, de Administrador da Colônia Agrícola Nacional de Goiás. Quatro anos depois, era eleito Vice-Governador do Estado de Goiás, com votação superior à do próprio governador eleito. Por ter sido muito bem votado, era o homem mais indicado para iniciar as construções primárias de Brasília.


No ano de 1955, o Governo Federal providenciou e nomeou uma comissão, presidida por Altamiro Pacheco, e depois por Segismundo Melo, com a participação de Bernardo Sayão e Jofre Parada, para desapropriar, em nome de Goiás, as fazendas que ficavam situadas no Quadrilátero Cruls. Era proprietário da Fazenda do Gama, o Srº Algostinho da Silva.

Um dos primeiros encargos a serem executados no Distrito Federal, foi a construção de dois campos de pouso para aeronaves pequenas, sob a chefia de Bernardo Sayão. Um na Fazenda do Gama, próximo ao local onde existe hoje o Catetinho e outro, a que deu o nome de Vera Cruz, próximo ao Córrego Acampamento, nome dado por ter sido onde acampara a Comissão Cruls, em 1892 e onde Bernardo Sayão armara sua primeira barraca em 1955.

Com a criação da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), Bernardo Sayão foi um de seus primeiros diretores, juntamente com Israel Pinheiro, Ernesto Silva e Iris Meinberg. Foi nomeado Diretor Executivo.

Pela sua própria figura, atitude e audácia, ninguém seria capaz de contradizê-lo em abrir o picadão da estrada Belém-Brasília em tão pouco tempo, como exigia o presidente Juscelino Kubitschek.

A luta tinha apenas iniciado e o entusiasmo renasceu. Conseguiu cinco equipes de máquinas e partiu para a arrancada, a que seria, talvez, o maior desafio de sua vida e fonte de riqueza e progresso de uma região considerada intransponível.

Morte

No dia 15/01/1959, uma árvore derrubada, na abertura da Belém-Brasília, caíra sobre a barraca onde estava Bernardo Sayão e outro companheiro. Bernardo Sayão foi gravemente ferido.

Ao fim da tarde, depois de muitas dificuldades, chegava ao local o helicóptero usado pelo presidente e pilotado pelo major Tomaz, que dirigiu-se para Açailândia, a localidade mais próxima. Devido à gravidade de seus ferimentos, Bernardo Sayão morreu a caminho, dentro do helicóptero.

No dia 16/01/1959, à noite, trazido de avião, o corpo de Bernardo Sayão chegava a Brasília, onde já o aguardava o presidente Juscelino Kubitschek. Por ironia do destino, Bernardo Sayão também foi o pioneiro do Cemitério da Cidade, hoje Campo da Esperança, que ajudou a construir.

Fonte: WikipédiaInterlegis

Carlos Machado

CARLOS MACHADO
(83 anos)
Ator, Produtor e Diretor de Musicais e Teatro de Revista

* Porto Alegre, RS (16/03/1908)
+ Rio de Janeiro, RJ (05/01/1992)

Conhecido como O Rei da Noite Carioca nos anos 50 e 60, e pai da atriz Djenane Machado.

O auge de sua fama ocorreu entre o final da era dos cassinos, em 1946, e a mudança da capital do Rio de Janeiro para Brasília, em 1960.

Foi produtor de espetáculos musicais no formato de Teatro de Revista, apreciados pela nata da sociedade da época, entre eles estadistas, políticos, milionários e diplomatas, e onde podia ser encontrado o que de melhor havia entre músicos, cenógrafos, coreógrafos, atores e mulheres bonitas, mais conhecidas como As Vedetes de Carlos Machado.

Morreu aos 83 anos de idade.

Fonte: Wikipédia

Patrícia Bins

PATRÍCIA DOREEN BINS
(79 anos)
Jornalista, Romancista, Cronista, Tradutora, Artista Plástica e Escritora

* Rio de Janeiro, RJ (29/07/1928)
+ Porto Alegre, RS (04/01/2008)

Filha da inglesa Iris Holliday e do húngaro Andor Ströh, que vêm para o Brasil para se casar, pois os pais não aprovam a união entre pessoas de nacionalidades diferentes.

Durante a infância, fala inglês dentro de casa. Em 1933, passa a estudar numa escola particular inglesa, onde aprende a dançar, a tocar piano e a pintar. No ano seguinte, a família se muda para Belo Horizonte, e Patrícia é matriculada no Colégio Americano.

Escreve seu primeiro poema, O Beijo, em 1937, um soneto que deixa sua mãe assustada por abordar um tema adulto.

Três anos depois, a família se muda para Porto Alegre, e, mais uma vez, a escritora é matriculada no Colégio Americano.

Em 1950, forma-se em artes plásticas na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde conhece seu marido, então seu professor, o arquiteto Roberto Haroldo Bins, com quem teve dois filhos.

De 1968 a 1984, é responsável pelo suplemento cultural do jornal Correio do Povo. Termina sua segunda graduação, em jornalismo, em 1980. Lança, em 1982, seu primeiro livro, O Assassinato dos Pombos, organizado, ilustrado e publicado como presente de Natal por seu marido.

A partir de 1995, escreve com menos freqüência, dedicando-se ao marido doente, que morre dois anos depois (29/01/1997).

Obras

1982 - O Assassinato dos Pombos
1983 - Jogo de Fiar
1984 - Antes Que o Amor Acabe
1986 - Janela do Sonho
1989 - Pele Nua do Espelho
1991 - Theodora
1993 - Sarah e os Anjos
1995 - Caçador de Memórias
1995 - La Piel Desnuda Del Espejo
1996 - O Dia da Árvore
1997 - Pedro e Pietrina
1998 - Receitas de Criar e Cozinhar Vol. 1
1999 - Instantes do Mundo
2001 - Receitas de criar e Cozinhar Vol. 2

Faleceu devido a problemas cardíacos.

Edivaldo Martins da Fonseca

EDIVALDO MARTINS DA FONSECA
(30 anos)
Jogador de Futebol

* Ipatinga, MG (13/04/1962)
+ Boituva, SP (14/01/1993)

Iniciou sua trajetoria futebolistica na Usipa em Ipatinga, Minas Gerais.

Nos anos 80, foi ponta-esquerda do Taquaritinga (SP), Atlético Mineiro e São Paulo, sendo levado por Telê Santana para compor a equipe que disputou a Copa do Mundo de 1986, no México. Jogou também no Puebla Fútbol Club do México,Sport Recife e no Palmeiras.

Chamado de Papagaio e de Pepe Legal, era um ótimo finalizador, principalmente em chutes de fora da área, e conquistou os títulos mineiros de 1985 e 1986 e os paulistas de 1987 e 1989.

Faleceu em desastre de automóvel na Rodovia Castelo Branco, no estado de São Paulo.

Fonte: Wikipédia

Cassiano Ricardo

CASSIANO RICARDO LEITE
(78 anos)
Jornalista, Poeta e Ensaísta

* São José dos Campos, SP (26/07/1895)
+ Rio de Janeiro, RJ (14/01/1974)

Representante do modernismo de tendências nacionalistas, esteve associado ao Movimento Verde-Amarelo e Grupo da Anta, foi o fundador do Grupo da Bandeira, reação de cunho social-democrata a estes grupos, tendo, sua obra se transformado até o final, evoluindo formalmente de acordo com as novas tendências dos anos de 1950 e tendo participação no movimento da poesia concreta.


Biografia e Produção Poética

Formou-se em direito no Rio de Janeiro, em 1917. Rumando para São Paulo, trabalhou como jornalista em diversas publicações, e chegou a fundar alguns jornais. Aproximou-se de Paulo Menotti Del Picchia e Plínio Salgado, à época da Semana de Arte Moderna de 1922.

Em 1924 fundou a Novíssima, revista modernista. Em 1928 publica Martim Cererê, importante experiência modernista primitivista-nacionalista na linha mitológica de Macunaíma (de Mário de Andrade) e Cobra Norato (de Raul Bopp).

Afastando-se das idéias de Plínio Salgado, que por essa época já começavam a descaracterizar-se como nacionais e pareciam-se mais com imitações imperfeitas de dogmas nazistas, Cassiano Ricardo funda com Paulo Menotti Del Picchia o Grupo da Bandeira, em 1937. Neste ano ainda foi eleito para a cadeira número 31 da Academia Brasileira de Letras, sendo o segundo modernista aceito na instituição (o primeiro havia sido Guilherme de Almeida, que foi encarregado de recebê-lo).

Em 1950 foi eleito presidente do Clube da Poesia de São Paulo, e entre 1953 e 1954 foi chefe do Escritório Comercial do Brasil em Paris, vindo a ocupar outros cargos públicos nos anos seguintes.

Sua obra passa por diversos momentos: Inicialmente apresenta-se presa ao Parnasianismo e ao Simbolismo. Com a fase modernista, explora temas nacionalistas e depois restringe-se mais, louvando a epopéia bandeirante, detendo-se, em seguida, em temas mais intimistas, cotidianos, ou mais próximos da realidade observável.

A partir da década de 1950, já no período daquelas tendências que têm sido chamadas por alguns críticos de Segunda Vanguarda, aproximando-se do grupo concretista das revistas Noigandres e Invenção, mostra claramente o seu espírito, desde sempre, vanguardista.

Em Jeremias Sem-Chorar (1964), Cassiano Ricardo mostra sua grande capacidade de reciclar-se, produzindo poemas tipográficos e visuais, sempre utilizando-se das possiblidades espaciais da página escrita, sem perder suas próprias características. Nas palavras do poeta, na introdução do livro, "Situa-se o poeta numa linha geral de vanguarda, na problemática da poesia de hoje, mas as suas soluções são nitidamente pessoais".

Detalhes Sobre Sua Participação em Grupos e Movimentos

Cassiano Ricardo declarou que, o Verde-Amarelismo, tendo resultado no Integralismo, não haveria mais nada a dizer-se a respeito. Eis aí uma causa de seu afastamento do Movimento Verde-Amarelo e Grupo da Anta.

Quando foi um dos editores da revista concretista Invenção, sofria uma certa rejeição do grande grupo, por sua oposição, no passado, à Oswald de Andrade. Além disso, Cassiano considerava, compreensivelmente, em função das diferenças de fundo entre a poesia concreta e a sua, os poetas concretistas "radicais demais". Estes desacordos levaram ao seu afastamento do grupo.

Poesia

1915 - Dentro da Noite
1917 - Evangelho de Pan
1920 - Jardim das Hespérides
1924 - A Mentirosa de Olhos Verdes
1926 - Vamos Caçar Papagaios
1927 - Borrões de Verde e Amarelo
1928 - Martim Cererê
1931 - Deixa Estar, Jacaré
1930 - Canções da Minha Ternura
1940 - Marcha Para Oeste
1943 - O Sangue das Horas
1947 - Um Dia Depois do Outro
1950 - Poemas Murais
1950 - A Face Perdida
1956 - O Arranha-Céu de Vidro
1956 - João Torto e a Fábula
1957 - Poesias Completas
1960 - Montanha Russa
1960 - A Difícil Manhã
1964 - Jeremias Sem-Chorar
1971 - Os Sobreviventes

Ensaio

1936 - O Brasil no Original
1938 - O Negro da Bandeira
1939 - A Academia e a Poesia Moderna
1940 - Marcha Para Oeste
1953 - A Poesia na Técnica do Romance
1954 - O Tratado de Petrópolis
1959 - Pequeno Ensaio de Bandeirologia
1962 - 22 e a Poesia de Hoje
1964 - Algumas Reflexões Sobre a Poética de Vanguarda

Fonte: Wikipédia

Angelita Martinez

ANGELITA MARTINEZ
(48 anos)
Cantora, Bailarina, Vedete e Atriz

* São Paulo, SP (17/05/1931)
+ São Paulo, SP (13/01/1980)

Angelita Martinez foi uma vedete, atriz e cantora brasileira. Era filha do jogador Bartô Guarani, que fez sucesso no Clube Paulistano. Começou sua carreira artística na década de 50 no Teatro de Revista.

Entre os vários prêmios que recebeu, destaca-se o de Rainha das Vedetes, em 1958.

Estreou no cinema em 1960, no filme "Pequeno Por Fora". Em 1966, fez o filme "007 1/2 no Carnaval".

Angelita Martinez fez poucos filmes, dedicando-se mais à carreira de cantora e bailarina e gravou algumas músicas típicas para carnaval, de sucesso relativo.


Participou dos primórdios da televisão brasileira, e causando escândalo, como numa edição do programa Espetáculos Tonelux, de 27/12/1956, na TV Continental, onde apareceu com roupas sumárias, causando reação na sociedade moralista da época.

Teve vários romances célebres, como os com Garrincha, Dorival Caymmi e com o então vice-presidente João Goulart.

Casou-se com Francisco Bretal Rego em 13/08/1964. 

Angelita Martinez morreu em 13/01/1980, aos 48 anos de idade, vítima de leucemia, em São Paulo.

Marisa Raja Gabaglia

MARISA RAJA GABAGLIA
(61 anos)
Jornalista e Escritora

* (1942)
+ São Paulo, SP (13/01/2003)

Marisa Raja Gabaglia foi uma jornalista e escritora brasileira. Era tida como pessoa de opinião forte, e também forte e polêmica era sua presença nos programas de auditório do qual participou, inclusive no de Flávio Cavalcanti. Participou dos jornais Última Hora e Diário de São Paulo, e trabalhou como repórter pela Rede Globo por 18 anos.

Marisa começou na televisão como jurada do programa de Flávio Cavalcanti, na extinta TV Tupi. Só depois que a empresa de comunicação faliu é que a jornalista foi para a TV Globo, onde trabalhou por dezoito anos.

Foi autora de vários livros, entre eles, "Milho Para a Galinha Mariquinha""Grilos e Amâncio Pinto" e "Casos de Amor".

Teve uma atuação na telenovela "Pigmalião 70" (1970) junto com Tônia Carrero e Betty Faria.


No início da década de 80 iniciou um relacionamento com o cirurgião plástico Hosmany Ramos, assistente de Ivo Pitanguy na época, que, envolvido em diversos crimes, foi preso.

Um dia, Marisa apaixonou-se por Hosmany Ramos e desse romance, além da peregrinação pelas vizinhanças dos presídios que guardava o amado, ficou o livro "Amor Bandido" de 1982, contando sua versão da história. "Não me apaixonei por um bandido", dizia.

Além desse, ela publicou outros sete livros. Esse foi o primeiro de uma série de oito obras de sua autoria. O romance conta a sua versão da convivência que teve com o cirurgião plástico Hosmany Ramos, preso, seis meses depois de conhecê-la, por tráfico de drogas, assassinato, roubo e contrabando.

Logo após a explosão do caso HosmanyMarisa foi demitida da televisão. Mas seu choque maior foi em relação às amigas, que se afastaram.


"Nunca pensei que Hosmany fosse tão temível pelo povo. E eu, imagine, tachada de mulher do bandido. Nunca tinha visto de perto o orgasmo da maldade!"

Marisa Raja Gabaglia sempre foi uma mulher à frente de seu tempo. Profissionalmente, introduziu no jornalismo brasileiro a entrevista em primeira pessoa, quando esteve no jornal O Globo. Depois do envolvimento com o cirurgião plástico, Marisa foi gradativamente abandonando e se desencantando com o jornalismo.

Ela tinha duas filhas e morreu vítima de leucemia, aos 61 anos, em 13/01/2003.

Hosmany Ramos foi preso sob a acusação de matar dois cúmplices, roubar aviões e contrabandear carros importados. Ele está condenado a 53 anos de prisão e, em 2003, mandou um exemplar do seu livro mais recente, "Sequestro Sangrento", lançado pela Geração Editorial, ao então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com um pedido de comutação da pena.

Fonte: Wikipédia e Memorial da Fama

Nelson Werneck Sodré

NELSON WERNECK SODRÉ
(87 anos)
Militar, Historiador e Escritor

* Rio de Janeiro, RJ (27/04/1911)
+ Itu, SP (13/01/1999)

Nelson Werneck Sodré nasceu no Rio de Janeiro, antigo município neutro e então Capital Federal do Brasil, em 27 de abril de 1911. Após estudar em escolas públicas e em alguns internatos, ingressou no Colégio Militar do Rio de Janeiro, em 1924, e na Escola Militar do Realengo, em 1930. Concluído o curso em 1933, fez a Declaração de Aspirantes em janeiro de 1934 e logo em seguida foi designado para servir no Regimento de Artilharia de Itu, o tradicional Regimento Deodoro.

Sua estréia na grande imprensa ocorreu em 1929, com a publicação do conto "Satânia", premiado pela revista O Cruzeiro.

Em outubro de 1934 começou a colaborar no Correio Paulistano. Dois anos depois tornou-se, em sua própria opinião, "um profissional da imprensa" , passando a assinar o rodapé de crítica literária naquele periódico e a ser remunerado pelos artigos publicados.

Entre 1938 e 1945 publicou algumas centenas de artigos e sete livros: "História da Literatura Brasileira" (1938), "Panorama do Segundo Império" (1939), a segunda edição de "História da Literatura Brasileira" (1940), "Oeste" (1941), "Orientações do Pensamento Brasileiro" (1942), "Síntese do Desenvolvimento Literário no Brasil" (1943), "Formação da Sociedade Brasileira" (1944) e "O Que Se Deve Ler Para Conhecer o Brasil" (1945).

Até o início da década de 1950, Nelson Werneck Sodré teve uma brilhante carreira militar: chegou a ser instrutor na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, onde lecionava História Militar.

Nelson Werneck Sodré com sua mãe.
Em 1951, foi desligado da Escola de Estado-Maior devido às posições políticas que assumiu publicamente: por participar da diretoria do Clube Militar, empenhada na luta pelo monopólio estatal da pesquisa e lavra do petróleo no Brasil, e pela publicação, sob pseudônimo, de um artigo na Revista do Clube Militar, claramente identificado com as posições sustentadas à época pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), em que combatia a participação do Brasil na Guerra da Coréia.

Apesar de suas ligações com o então Ministro da Guerra, general Newton Estillac Leal, que presidira o Clube Militar durante a Campanha do Petróleo, Nelson Werneck Sodré teve de conformar-se em postos de pouco relevo: como oficial de artilharia numa guarnição em Cruz Alta, interior do Rio Grande do Sul e numa Circunscrição de Recrutamento no Rio de Janeiro, lotação considerada punitiva, à época.

Em 25 de agosto de 1961, Nelson Werneck Sodré foi promovido, por antiguidade, a coronel, último posto da carreira militar, no Exército. Em conseqüência, foi designado para o Quartel General da 8ª Região Militar, em Belém, PA. Em sinal de protesto, solicitou a sua passagem para a reserva.

Durante a crise gerada pela renúncia de Jânio Quadros, Nelson Werneck Sodré ficou preso por 10 dias por se se opor à tentativa do golpe que pretendia impedir a posse do vice-presidente eleito, João Goulart. Com a posse de João Goulart, sob o regime parlamentarista, seu pedido de passagem à reserva foi despachado, anulado e, mais uma vez, Nelson Werneck Sodré foi classificado para servir na capital do Pará: agora, numa Circunscrição Militar.

Pela segunda vez, requereu seu afastamento do serviço ativo do Exército e consumou a sua exclusão das fileiras militares.

Nelson Werneck Sodré e Affonso Romano de Sant'Anna, no gabinete deste na Biblioteca Nacional.
No ISEB

No primeiro trimestre de 1954, Nelson Werneck Sodré foi convidado por Alberto Guerreiro Ramos a participar do Instituto Brasileiro de Economia, Sociologia e Política (IBESP), que oferecia cursos, em nível de pós-graduação, no auditório do Ministério da Educação e Cultura.

O IBESP foi, de acordo com Nelson Werneck Sodré, a "fase preliminar do ISEB" , e sua convivência com os "ibespianos" só teve início em 1955, após o seu retorno para o Rio de Janeiro, convidado pelo general Newton Estillac Leal para servir em seu Estado-Maior.

Ao final do governo Café Filho, em 1955, o IBESP passou por uma reformulação que alterou o seu nome para Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB). Como parte de seus integrantes se alinhara à candidatura de Juscelino Kubitschek, e a instituição "(...) não tinha sede nem estrutura, continuou, sob outro título, o novo, aquilo que o IBESP vinha fazendo".

Com o início do governo de Juscelino Kubitschek, em 1956, a estrutura do ISEB foi fortalecida e se tornou mais estável, embora os cursos ainda fossem ministrados no auditório do Ministério da Educação e Cultura. A partir do ano seguinte, o Instituto passaria a ocupar a sede que lhe havia sido destinada, no bairro de Botafogo.

No ISEB, a problemática do desenvolvimento brasileiro delineou, desde o início do governo de Juscelino Kubitschek, a existência de duas tendências: a que sustentava a participação de capitais estrangeiros na economia brasileira para acelerar o ritmo de sua expansão, e a que defendia o caráter autônomo do processo de industrialização no país, admitindo a presença do capital estrangeiro apenas sob o rígido controle do Estado.

Os conflitos provocados entre os adeptos dessas duas orientações causaram a exclusão dos chamados "entreguistas" do ISEB, em 1960. Nelson Werneck Sodré se identificava com a tese do desenvolvimento autônomo de nossa economia. Através de estudos direcionados para a relação entre o Colonialismo e o Imperialismo, para a formação e constituição das classes sociais no Brasil e, em especial, para a discussão de quem seria o povo brasileiro e o papel que poderia desempenhar na luta anti-imperialista, ele orientou a sua produção intelectual para a identificação da classe ou da aliança de classes que poderia encaminhar o processo revolucionário no país.

Nelson Werneck Sodré com José Loureiro e um homem não identificado.
A participação no ISEB também assinalou o retorno de Nelson Werneck Sodré à publicação de livros.

Em 1957 foram lançados "As Classes Sociais no Brasil", curso pronunciado no IBESP em 1954, e "O Tratado de Methuen". Em 1958, foi a vez de "Introdução à Revolução Brasileira". Em 1959, e a pedido de Umberto Peregrino, que dirigia a biblioteca do exército, Nelson Werneck Sodré organizou uma antologia de episódios militares brasileiros, "Narrativas Militares".

Em 1960 veio a público a terceira edição de "História da Literatura Brasileira", uma obra nova que conservou apenas o título de seu livro de estréia, e a segunda edição de "O Que Se Deve Ler Para Conhecer o Brasil", obra de referência que também guardou apenas o nome, quando comparada à edição original.

Em 1961, lançou uma coleção de ensaios, "A Ideologia do Colonialismo". Em novembro desse mesmo ano, no posto de general de brigada do Exército Brasileiro, Nelson Werneck Sodré solicitou a sua transferência para a reserva (ele não chegou a exercer o generalato na ativa). Com sua passagem à reserva,  passou a se dedicar exclusivamente ao trabalho intelectual.

Desde a criação do ISEB, em 1956, até a sua extinção, com o Golpe Militar de 1964, Nelson Werneck Sodré era responsável pelo Curso de Formação Histórica do Brasil. Desse curso resultou, após diversas reformulações, o livro "Formação Histórica do Brasil", publicado em 1962. A interpretação da formação social brasileira apresentada na "Formação Histórica do Brasil" também inspirou a produção de material para-didático destinado a professores do ensino médio, a "História Nova do Brasil", elaborada com a colaboração dos estagiários do Departamento de História do ISEB.

Ainda em colaboração com os estagiários do Departamento de História do ISEB, que se encarregaram da pesquisa, Nelson Werneck Sodré escreveu em poucos dias o livro "Quem Matou Kennedy", lançado em dezembro de 1963, duas semanas após o assassinato do presidente dos Estados Unidos.

O livro "Formação Histórica do Brasil" conheceu uma versão condensada. Suas teses centrais foram expostas em "Evolución Social Y Económica Del Brasil", publicado na Argentina em 1965, mas com data de 1964. A edição brasileira dessa obra foi lançada somente 1988 e reproduz integralmente o texto original. Conserva, inclusive, as notas de rodapé elaboradas pelo tradutor argentino, as quais, no julgamento de Nelson Werneck Sodré, "(...) parecem ruins".

Carta a Nelson Werneck Sodré agradecendo notícias e conselhos.
Após o Golpe de 1964

Duas semanas após o Golpe Militar de 1964, Nelson Werneck Sodré teve os seus direitos políticos cassados por dez anos pela Junta Militar que assumiu o poder. Sofrer a cassação não tinha desdobramentos apenas político-eleitorais. A posterior regulamentação das punições ampliou os seus efeitos, impedindo-o de lecionar e de escrever artigos para a imprensa.

Optou por não se exilar e dedicou-se, nos anos seguintes, a resistir da única forma que lhe parecia ser possível: escrevendo. Como os demais meios de comunicação lhe foram interditados, passou a escrever livros. Escrevendo em período integral, e sem contar a reedições, Nelson Werneck Sodré publicou quatro títulos em 1965: "Ofício de Escritor", "O Naturalismo no Brasil", "As Razões da Independência" e "A História Militar do Brasil".

Também em 1965 começaram a ser apreendidos das livrarias e depósitos das editoras alguns de seus títulos. Além da "História Nova do Brasil", foram recolhidos exemplares de "Quem Matou Kennedy", da "História da Burguesia Brasileira" e de "A História Militar do Brasil". Reeditado em 1968, esse livro foi proibido de circular em 1969 e mais uma vez os exemplares disponíveis nas livrarias e na editora sofreram apreensão. A reedição dessa obra motivou um novo Inquérito Policial Militar contra Nelson Werneck Sodré.

Em 1966, Nelson Werneck Sodré publicou uma obra de referência que vinha preparando há décadas, "História da Imprensa no Brasil".

Em 1967, foram lançadas as "Memórias de um Soldado" e a terceira edição de uma obra de referência que vinha sendo reelaborada a cada vez que era publicada, "O Que Se Deve Ler Para Conhecer o Brasil".

Em 1968, publicou quatro antologias: "Fundamentos da Economia Marxista", "Fundamentos da Estética Marxista", "Fundamentos do Materialismo Histórico" e "Fundamentos do Materialismo Dialético".

Em 1970, vieram a público "Síntese de História da Cultura Brasileira", escrito a pedido da direção do Partido Comunista Brasileiro, e as "Memórias de um Escritor".

Bilhete a sua mãe pedindo que envie bala para revólver.
Em 1974 foi a vez de "Brasil: Radiografia de um Modelo".

Em 1976, "Introdução à Geografia".

Em 1978 Nelson Werneck Sodré lançou três livros, "A Verdade Sobre o ISEB", "Oscar Niemeyer" e a "Coluna Prestes".

Em 1984, "Vida e Morte da Ditadura".

Em 1985, Nelson Werneck Sodré publicou três títulos, "Contribuição à História do PCB", "O Tenentismo" e "História e Materialismo Histórico no Brasil".

Em 1986 são lançados "História da História Nova" e "A Intentona Comunista de 1935".

Em 1987, "O Governo Militar Secreto" e "Literatura e História no Brasil Contemporâneo".

Em 1988, as "Memórias de um Escritor" são republicadas com o título "Em Defesa da Cultura".

Em 1989, vem a público "A República: Uma Revisão Histórica", "A Marcha Para o Nazismo" e um pequeno ensaio que assinalou a participação de Nelson Werneck Sodré na primeira eleição direta para a presidência da República no Brasil após o Golpe Militar de 1964, "O Populismo, a Confusão Conceitual".

Em 1990 foram publicados "Capitalismo e Revolução Burguesa no Brasil" (reunião de textos elaborados no fim dos anos 1970), "O Fascismo Cotidiano" e mais um volume de sua memorialística, "A Luta Pela Cultura".

Em 1992 é publicado o penúltimo volume de suas memórias, "A Ofensiva Reacionária", concluídas com o lançamento, em 1994, de "A Fúria de Calibã". Nesse ano, a Prefeitura Municipal de Porto Alegre, através da Unidade Editorial, mantida pela Secretaria Municipal de Cultura, publicou o livro "O Golpe de 64".

Em 1995, a Graphia Editorial lançou "A Farsa do Neoliberalismo", seguido pela reedição de seis obras do historiador: "Capitalismo e Revolução Burguesa no Brasil", "Panorama do Segundo Império", "Literatura e História no Brasil Contemporâneo", "Formação Histórica do Brasil" (com posfácio de Emir Sader), "História da Literatura Brasileira" (com posfácio de André Moisés Gaio) e "As Razões da Independência" (com posfácio de Ricardo Maranhão).

Em 1998, foi publicado "Tudo é Política", 50 anos do pensamento de Nelson Werneck Sodré em textos inéditos em livro e censurados, organizados por Ivan Alves Filho.

Morte

Nelson Werneck Sodré faleceu devido a complicações intestinais, depois de dois dias internado devido a uma operação de emergência.

Camargo Guarnieri

MOZART CAMARGO GUARNIERI
(85 anos)
Compositor e Regente

* Tietê, SP (01/02/1907)
+ São Paulo, SP (13/01/1993)

Seu pai era um imigrante italiano e sua mãe vinha de uma tradicional família paulista. O pai, Miguel Guarnieri, era barbeiro e músico, e tocava flauta. A mãe, Gécia Camargo, tocava piano. O pequeno Mozart aprendeu música em casa.

Teve aulas de piano a partir dos dez anos de idade com Virgínio Dias. Para este professor dedicou sua primeira composição, a valsa "Sonho de Artista" (1918). A obra foi desdenhada pelo professor, mas seu pai julgou que a obra era fruto de promissor talento, pagando sua publicação em 1920.

Em 1923, Miguel Guarnieri decidiu mudar-se com a família para São Paulo a fim de proporcionar melhores condições de estudo da música ao filho. Sendo uma família de poucos recursos financeiros, Guarnieri trabalhou junto com o pai na barbearia e trabalhou como pianista.

Até 1925 manteve vários empregos, tocando em cinemas, lojas de partitura e casas de baile da cidade. Estudou piano com Ernani Braga. Em 1925 seu pai obteve melhor emprego, o que permitiu a Guarnieri reduzir sua carga de trabalho e dedicar-se mais ao estudo da música. Passou a ter aulas de piano com Antônio de Sá Pereira, e, alguns anos depois, começou também a estudar harmonia, contraponto, orquestração e composição com o maestro Lamberto Baldi, recém chegado da Itália.

Em 1928 foi apresentado a Mário de Andrade, a quem mostrou suas obras recém compostas "Canção Sertaneja" e "Dança Brasileira". O escritor modernista tornou-se seu mestre intelectual. Guarnieri passou a frequentar a casa de Mário de Andrade, com quem discutia estética, ouvia obras musicais e tomava livros emprestados.

Tendo cursado até então apenas dois anos do curso primário, o contato com o escritor foi muito importante para a formação intelectual de Guarnieri. O contato entre ambos tornou-se uma grande amizade e também uma parceria artística. Muitas das canções escritas por Camargo Guarnieri foram sobre textos de Mário de Andrade, incluindo a ópera "Pedro Malazarte". Exercendo atividade como crítico musical na imprensa, Mário de Andrade foi um dos principais responsáveis pela aceitação e pela divulgação da obra de Camargo Guarnieri.

Profissionalização
O Modernismo e a Era Vargas
(1935-1950)

Em 1935 a prefeitura de São Paulo criou o Departamento de Cultura, cujo primeiro diretor, Mário de Andrade, convidou Guarnieri como regente do Coral Paulistano. Este deveria ser um conjunto de câmera, pois o município também iria manter o Coral Lírico para dedicar-se ao repertório operístico. O Coral Paulistano tinha também como objetivo fomentar o canto em língua nacional, e Camargo Guarnieri compôs para ele diversas obras corais. Foi também no Departamento de Cultura que Guarnieri passou a reger a Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, e o trabalho nesta instituição pública foi sua principal atividade profissional ao longo de toda a década de 1940.

Em 1938 o compositor foi selecionado em concurso pela Comissão do Pensionato Artístico do Estado de São Paulo, recebendo uma bolsa de estudos de dois anos, renovável por mais um, para estudar em Paris. Na capital francesa teve aulas de contraponto, harmonia, orquestração e composição com Charles Koechlin, e de regência com François Rühlmann. Além das aulas, realizou concertos, a travou conhecimento com Nádia Boulanger, figura central da chamada escola neo-clássica. A temporada parisiense foi abortada prematuramente por causa de vários fatores, entre eles a instabilidade financeira sofrida pelo compositor quando mudanças políticas no município de São Paulo levaram à perda de uma bolsa complementar, e também a eclosão da guerra e a iminência da ocupação alemã.

Em retorno a São Paulo, em 1939, Guarnieri manteve-se de forma incerta, terminando por ocupar outras funções no Departamento de Cultura, visto que seu cargo de regente tivesse sido ocupado quando de sua ausência. Mário de Andrade já não estava na direção do Departamento de Cultura, e vivia no Rio de Janeiro. Outros intelectuais passam apoiar e divulgar a música de Guarnieri, especialmente Luís Heitor Correia de Azevedo.

Em 1942, por influência direta de Luís Heitor, que trabalhava como representante brasileiro na instituição, Guarnieri é convidado a visitar os Estados Unidos como bolsista da União Panamericana. Sua primeira estada lá durou 6 meses, entre outubro de 1942 e março de 1943. Na ocasião Guarnieri realizou importantes contatos e promoveu sua música em concertos. A partir de então, passaria a contar com espaço constante no meio musical norte-americano, onde sua música foi muitas vezes executada em concerto, editada em partitura e gravada em disco.

Em 1944, recebeu vários prêmios nos Estados Unidos que lhe conferiram notoriedade. Classificou-se em segundo lugar em um concurso realizado em Detroit para eleger a Sinfonia das Américas.

Em 1950, Camargo Guarnieri publica a Carta Aberta aos Músicos e Críticos do Brasil, na qual condena a Técnica Dodecafônica de composição. A carta faz referências veladas a Hans-Joachim Koellreutter, líder do grupo Música Viva.

Uma Referência na Cultura Brasileira
(Década de 1950 em Diante)

Após a publicação da polêmica Carta Aberta aos Músicos e Críticos do Brasil, Guarnieri já se torna uma referência cultural importante. O documento marca a passagem de Guarnieri da fase de compositor jovem, que se afirma junto com o Modernismo, para nome de referência na cultura musical brasileira, ao lado de Villa-Lobos e Francisco Mignone.

Testemunha deste novo papel é a organização do livro "150 Anos de Música no Brasil" (1800-1950) escrito por Luís Heitor, e publicado pela Editora José Olímpio. O livro se tornou a principal referência de História da Música no Brasil, e dedicou um capítulo exclusivo a Guarnieri.

A década de 50 também marca o início do que vai ficar conhecido como Escola Paulista, com Camargo Guarnieri tornando-se um dos principais professores de composição no país. Entre seus alunos destacaram-se os nomes de Osvaldo Lacerda, Lina Pires de Campos, Marlos Nobre, Almeida Prado.

Entre janeiro de 1956 e janeiro de 1961 o compositor exerceu o cargo de Assessor Artístico-Musical do Ministério da Educação, durante a gestão de Clóvis Salgado, no governo de Juscelino Kubitschek.

Sua reputação internacional continuou crescente, sendo sempre executado nos Estados Unidos. Foi também muitas vezes convidado a participar de juris internacionais em concursos.

Em 1975 assumiu a direção da recém-criada Orquestra Sinfônica da Universidade de São Paulo (OSUSP), cargo que exerceu até o fim da vida.

Obra


Na Cultura

A obra musical de Camargo Guarnieri é formada por mais de 700 obras e é provavelmente o segundo compositor brasileiro mais executado no mundo, superado apenas por Villa-Lobos. Pouco antes de sua morte recebeu o Prêmio Gabriela Mistral, sob o título de Maior Compositor das Américas.

O acervo pessoal de Camargo Guarnieri (correspondência pessoal, partituras, discos, recorte de jornal, etc.) está depositado no arquivo do Instituto de Estudos Brasileiros - USP (IEB-USP), e consiste no principal arquivo para pesquisa sobre o compositor.

Camargo Guarnieri morreu vítima de câncer.

Fonte: Wikipédia

Anália Franco

ANÁLIA FRANCO BASTOS
(62 anos)
Professora, Jornalista, Poetisa, Filantropa e Religiosa

☼ Resende, RJ (10/02/1856)
┼ São Paulo, SP (20/01/1919)

Anália Franco Bastos, mais conhecida como Anália Franco, foi uma professora, jornalista, poetisa e filantropa brasileira. Fundou mais de setenta escolas e mais de vinte asilos para crianças órfãs. Na cidade de São Paulo, fundou uma importante instituição de auxílio a mulheres e a região, antes afastada do centro, é hoje o Bairro Jardim Anália Franco.

"Não há vida feliz, individual ou coletiva sem ideal..."
(Anália Franco)

"A verdadeira caridade não é acolher o desprotegido, mas promover-lhe a capacidade de se libertar"
(Anália Franco)

O seu nome de solteira era Anália Emília Franco. Após o seu matrimónio com Francisco Antônio Bastos, o seu nome passou a Anália Franco Bastos.

Diplomada como Normalista, aos 16 anos de idade, em 1872, num concurso promovido pela Câmara de São Paulo, logrou a aprovação para exercer o cargo de professora primária. À época, acabara de entrar em vigor a Lei do Ventre Livre no país (1871) e, tendo tomado conhecimento de que os nascidos de escravas estavam a ser encaminhados à roda dos expostos na Santa Casa de Misericórdia, Anália Franco mobilizou-se, usando o seu talento de escritora para dirigir-se às esposas dos fazendeiros e trocou o seu cargo na capital paulista por outro, no interior, a fim de socorrer as crianças necessitadas.


Graças à ajuda de uma dessas fazendeiras, num bairro de uma cidade no norte do estado de São Paulo obteve uma casa para instalar uma escola primária. Tendo a fazendeira lhe imposto a condição de segregação entre crianças brancas e afro-descendentes para a cessão gratuita do imóvel, Anália Franco recusou-a terminantemente, passando a pagar um aluguel.

Nessa primeira Casa Maternal, passou a receber as crianças que lhe batiam à porta, levadas por parentes ou recolhidas nos caminhos da região. A fazendeira, ressentida com a altivez da jovem professora e vendo que a sua casa, embora alugada, se transformara num albergue, recorreu ao prestígio do marido, um "coronel", e este obteve a remoção de Anália Franco.

Indo para a cidade, alugou uma velha casa, consumindo com essa despesa a metade do seu salário. Como o restante era insuficiente para a alimentação das crianças, não hesitou em ir pessoalmente pedir esmolas para prover as crianças, que referia carinhosamente em seus escritos como os "Meus Alunos Sem Mães". Numa folha local anunciou que, ao lado da escola pública, havia um pequeno "abrigo" para as crianças desamparadas. Embora essas práticas chocassem o setor conservador da cidade, Anália Franco obteve o apoio de um grupo de abolicionistas e republicanos.

Desse modo, ao longo do tempo, tendo implantado algumas escolas maternais no interior do estado, voltou para a capital paulista, ainda com o apoio do grupo abolicionista e republicano. O seu prestígio no seio do professorado já era grande quando finalmente foi decretada a Abolição da Escravatura (1888) e a Proclamação da República (1889).

O advento dessa nova era encontrou Anália Franco com dois grandes colégios gratuitos para meninas e meninos. A sua preocupação com as crianças desamparadas, levou-a a fundar uma revista própria, intitulada "Álbum das Meninas", cujo primeiro número veio a público a 30/04/1898. O artigo de fundo desse número inaugural tinha o título "Às Mães e Educadoras".


Pouco depois, com o apoio de vinte senhoras, fundou o instituto educacional que se denominou Associação Feminina Beneficente e Instrutiva, a 17/11/1901, no Largo do Arouche. A Associação Feminina mantinha ainda um bazar na rua do Rosário nº 18, para a venda dos artefatos produzidos nas suas oficinas, e uma sucursal desse estabelecimento na Ladeira do Piques nº 23.

Em seguida criou várias Escolas Maternais e Escolas Elementares, instalando, com inauguração solene a 25/01/1902, o Liceu Feminino, destinado a instruir e preparar professoras para a direção daquelas escolas, com o curso de dois anos para as professoras de Escolas Maternais e de três anos para as de Escolas Elementares.

No curso de sua atuação publicou numerosos folhetos e opúsculos referentes aos cursos ministrados em suas escolas, e tratados sobre a infância, nos quais as professoras encontraram meios de desenvolver as faculdades afetivas e morais das crianças, como parte do processo pedagógico. O seu opúsculo "O Novo Manual Educativo", era dividido em três partes: Infância, Adolescência e Juventude.

Em 01/12/1903, passou a publicar "A Voz Maternal", revista mensal com a tiragem de 6.000 exemplares - expressiva à época -, impressa em oficinas próprias.

Anália Franco mantinha Escolas Reunidas na capital e Escolas Isoladas no interior do estado, Escolas Maternais, Creches na capital e no interior do estado, bibliotecas anexas às escolas, Escolas Profissionais de Arte Tipográfica, Curso de Escrituração Mercantil, Prática de Enfermagem e Arte Dentária, de Línguas (francês, italiano, inglês e alemão), Música, Desenho, Pintura, Pedagogia, Costura, Bordados, Flores Artificiais e Chapéus, num total de 37 instituições.


A sua produção literária compreendeu ainda três romances: "A Égide Materna", "A Filha do Artista", e "A Filha Adotiva", além de numerosas peças teatrais, diálogos e várias poesias, destacando-se "Hino a Deus", "Hino a Ana Nery", "Minha Terra", "Hino a Jesus" e outros.

Em 1911 conseguiu, sem qualquer recurso financeiro, adquirir a Chácara Paraíso, 75 alqueires de terra, parte matas e capoeiras e o restante benfeitorias diversas, entre as quais um velho solar, que havia pertencido a Diogo Antônio Feijó. Nesse espaço fundou a Colônia Regeneradora D. Romualdo, aproveitando o casarão, a estrebaria e a antiga senzala, internando ali sob direção feminina, os rapazes mais aptos para a agricultura, a horticultura e outras atividades agropastoris, recolhendo ainda moças desviadas, conseguindo assim regenerar centenas de mulheres.

Ao final da vida, Anália Franco constituiu 71 Escolas, 2 albergues, 1 colônia regeneradora para mulheres, 23 asilos para crianças órfãs, 1 Banda Musical Feminina, 1 orquestra, 1 Grupo Dramático, além de oficinas para manufatura em 24 cidades do interior e da capital.

Veio a falecer quando havia tomado a deliberação de viajar até ao Rio de Janeiro fundar mais uma instituição, projeto que viria a ser materializado por seu esposo, com a fundação do Asilo Anália Franco.

Anália Franco faleceu vitimada pela Gripe Espanhola.

Fonte: Wikipédia