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Júlio Prestes

JÚLIO PRESTES DE ALBUQUERQUE
(63 anos)
Poeta, Advogado, Político e Presidente do Brasil

* Itapetininga, SP (15/03/1882)
+ São Paulo, SP (09/02/1946)

Foi o último presidente do Brasil na República Velha. Não assumiu o cargo de presidente da república, impedido que foi pela Revolução de 1930. Júlio Prestes foi o único político eleito presidente da república do Brasil pelo voto popular a ser impedido de tomar posse. Foi o último paulista a ser eleito presidente do Brasil.

Foi o décimo terceiro e último presidente eleito do estado de São Paulo (1927–1930), apesar de que Heitor Teixeira Penteado o sucedeu como presidente interino devido à candidatura de Prestes à presidência da República. É filho do quarto presidente do estado de São Paulo Fernando Prestes de Albuquerque.

Em 23 de junho de 1930 tornou-se o primeiro brasileiro a ser capa da revista Time.

Júlio Preste Brinca Com Seus Cães
Início da Carreira

Graduado em direito pela Faculdade de Direito de São Paulo em 1906. Casou com Alice Viana Prestes, com quem teve 3 filhos.

Iniciou sua carreira política em 1909, elegendo-se deputado estadual em São Paulo pelo Partido Republicano Paulista (PRP). Reelegeu-se várias vezes até 1923, defendendo o funcionário público de São Paulo.

Apresentou, como deputado estadual, os projetos de lei que criaram o Tribunal de Contas de São Paulo e a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo. Foi autor da lei que incorporou a Estrada de Ferro Sorocabana ao patrimônio do Estado de São Paulo.

Na Revolta Paulista de 1924, combateu na Coluna Sul, junto com Ataliba Leonel e Washington Luís Pereira de Sousa, expulsando os rebeldes da região da Sorocabana.

Deputado Federal

Em 1924, foi eleito para a Câmara dos Deputados, onde exerceu a liderança da bancada dos deputados paulistas. Posteriormente, assumiu a presidência da Comissão de Finanças e a liderança da bancada governista do presidente Washington Luís.

Como líder da maioria na Câmara dos Deputados, foi o responsável pelas articulações que resultaram na aprovação, em dezembro de 1926, do Plano de Estabilização Econômica e Financeira do governo Washington Luís.

Conseguiu que fossem transformadas em lei, as pensões e aposentadorias dos ferroviários. Trabalhou para a aprovação de um Código do Trabalho.

Foi reeleito deputado federal para o período de 1927 a 1929 com 60 mil votos, a maior votação do Brasil na época.

Presidente do Estado de São Paulo

Seu pai, o coronel Fernando Prestes de Albuquerque, diversas vezes deputado e presidente do estado de São Paulo entre 1898 e 1900, ocupava o cargo de vice-presidente do estado na gestão de Carlos de Campos, que foi vítima de Embolia Cerebral e faleceu em 27 de abril de 1927.

Em seguida à morte de Carlos de Campos, o coronel Fernando Prestes renunciou ao cargo de vice-presidente. Com a vacância dos cargos de presidente e vice, foram realizadas novas eleições e Júlio Prestes foi eleito presidente do estado de São Paulo.

Júlio Prestes assumiu o governo do estado de São Paulo em 14 de julho de 1927.

Iniciou a construção da estação São Paulo da Estrada de Ferro Sorocabana, hoje chamada Estação Júlio Prestes, que ficou pronta em 1937, no governo de Ademar Pereira de Barros.

Sua principal obra de governo foi a construção do Ramal de Mairinque, segunda ligação ferroviária do interior de São Paulo com o Porto de Santos, quebrando o monopólio da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí.

O Ramal de Mairinque sendo de bitola estreita, permitia a chegada de trens da Estrada de Ferro Sorocabana, Estrada de Ferro Noroeste do Brasil e da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, ao Porto de Santos sem necessidade de baldeação das cargas.

Retomou a construção de estradas de rodagem, iniciadas na gestão de Washington Luís, entre elas a São Paulo-Rio e São Paulo-Paraná.

Em uma medida pioneira em privatização de rodovias, autorizou a construção, em regime de concessão privada, através da lei 2.360 de 1929, de uma rodovia de concreto ligando São Paulo a Santos: a futura Rodovia Anchieta, a qual foi iniciada por Júlio Prestes, os primeiros quilômetros e implementada, posteriormente, pelo interventor federal Ademar Pereira de Barros.

Criou a Diretoria de Estradas de Rodagem, embrião do Departamento de Estradas de Rodagem (DER).

No dia 13 de julho de 1928, é inaugurado o serviço telefônico automático na cidade de São Paulo.

Reorganizou o Banespa e o Instituto do Café de São Paulo, para a defesa do café através do tripé: Limitação dos estoques nos portos, financiamento da retenção de café e propaganda no exterior.

Construiu mais de 1200 salas de aula, na época, chamadas "Escolas Isoladas", aumentando o número de alunos matriculados em escolas estaduais de 80000 para 120000, ou 50%.

Criou o Manicômio Judiciário do Estado. Promoveu uma intensa campanha de combate à hanseníase. Criou o Instituto Biológico de Defesa Agrícola e Animal e a Escola de Medicina Veterinária de São Paulo.

Conseguiu que fosse promulgado o Código de Processo Civil e Comercial de São Paulo, que tramitava havia 8 anos no Congresso Legislativo do estado. Construiu os asilos-colônias Cocais, Aimorés e Pirapitingui, para portadores de hanseníase.

Com relação à ecologia, fez leis pioneiras sobre a proteção da caça e pesca já se referindo à extinção de espécies, lei sobre fiscalização de produção e consumo de alimentos e ao combate a doenças próprias da lavoura e da pecuária.

Criou o Parque da Água Branca, preservando uma grande área verde na cidade de São Paulo. Incentivou a policultura. Introduziu na lavoura canavieira paulista a cana-de-açúcar tipo Java que triplicou a produtividade daquela lavoura.

Conseguiu que o aproveitamento das águas da Represa de Santo Amaro, atual Represa de Guarapiranga, para o abastecimento da capital, resolvendo, por vários anos o problema da deficiência de abastecimento de água na cidade de São Paulo. Elaborou os projetos para retificação do leito do Rio Tietê na capital, obra executada posteriormente por Ademar Pereira de Barros. Iniciou a retificação do Rio Pinheiros em São Paulo.

Construiu os edifícios do Palácio da Justiça, da Faculdade de Medicina, o Instituto Biológico e iniciou, em 1928, a formação do Jardim Botânico de São Paulo.

Fez pesquisa pioneira de petróleo em São Paulo, trazendo do exterior geólogos renomados para a pesquisa do subsolo paulista. Foram perfurados poços de petróleo em Bofete, São Pedro e Guareí encontrando-se pequena quantidade de xisto e uma pequena quantidade de óleo líquido. Em São Pedro, os poços perfurados terminaram por encontrarem água mineral dando origem à estância hidromineral de Águas de São Pedro.

Essa pesquisa de petróleo, no interior de São Paulo, não é considerada a descoberta oficial de petróleo no Brasil, a qual correu em Lobato, Salvador, em 1939, descoberta esta coordenada pelo ministro da agricultura Fernando de Sousa Costa, que como secretário da agricultura de Júlio Prestes, também foi quem coordenou as pesquisas de petróleo em São Paulo.

Foi pioneiro no incentivo à utilização do álcool de cana-de-açúcar como combustível em automóveis, promovendo programa chamado "Alcohol Motor" (Álcool Motor).

A Campanha Presidencial e a Revolução de 1930

Em 1929, Júlio Prestes foi indicado, depois de uma consulta a todos os 20 governadores de estado, por Washington Luís como candidato do governo à sucessão presidencial, contando com o apoio do oficialismo, ou seja, os governadores de dezessete estados. Negaram apoio a Júlio Prestes apenas os Governos de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba.

Júlio Prestes passou o governo de São Paulo ao seu vice, Heitor Teixeira Penteado, e candidatou-se à Presidência da República, tendo como candidato a vice Vital Soares, então presidente da Bahia.

Essa indicação, porém, desagradou o Partido Republicano Mineiro (PRM), especialmente os partidários do governador Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, que esperava que fosse mantida a tradição de revezamento entre mineiros e paulistas na Presidência da República, regra não escrita que garantira a estabilidade da República Velha. O vice-presidente da República Fernando de Melo Viana, mineiro, e seus partidários mantiveram o apoio a Washington Luís e Júlio Prestes.

O Partido Republicano Mineiro, então, articulou a Aliança Liberal, integrada pelos oficialismos de Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul, a que se somaram forças opositoras de diversos estados.

Os candidatos da Aliança Liberal foram o presidente do Rio Grande do Sul Getúlio Vargas, para a Presidência da República, e o presidente da Paraíba, João Pessoa, para vice.

Após uma campanha acirrada, em 1 de março de 1930, realizaram-se as eleições. Pela contagem oficial finalizada pelo Congresso Nacional em maio de 1930, o candidato Júlio Prestes, chamado de "Candidato Nacional", obteve 1.091.709 votos contra 742.794 votos recebidos por Getúlio Vargas, chamado "Candidato Liberal". Em São Paulo, Júlio Prestes teve 91% dos votos. Como era hábito nos pleitos da República Velha, o resultado oficial foi recebido com descrédito pelos candidatos derrotados e por boa parte da opinião pública, havendo acusações de fraude também contra a Aliança Liberal.

Após a divulgação dos resultados oficiais, Júlio Prestes passou o governo do estado em definitivo para o seu vice-presidente Heitor Teixeira Penteado, em maio de 1930, e viajou para o exterior, sendo recebido como presidente eleito em Washington, Paris e Londres. Discursando em Washington, Júlio Prestes afirmou que o Brasil nunca seria uma ditadura. Júlio Prestes só retornou a São Paulo em 6 de agosto, sendo recebido por uma multidão de adeptos, na Estação da Luz.

A situação tornava-se tensa com as denúncias de fraude veiculadas pela Aliança Liberal e, sobretudo, pelo assassinato do candidato à vice-presidência pela coligação, João Pessoa. Nesse ambiente, começou a gestar-se uma revolução que visava a depor o presidente Washington Luís antes da transmissão do mando a Júlio Prestes.

A Revolução de 1930 teve início em 3 de outubro de 1930. Enquanto as forças revolucionárias colhiam sucessos em sua campanha que avançava do Rio Grande do Sul rumo ao Rio de Janeiro, em 24 do mesmo mês, Washington Luís foi deposto por um golpe militar gestado na Capital Federal. Instalou-se no poder uma junta militar que, no dia 3 de novembro de 1930, entregou o poder a Getúlio Vargas, líder das forças revolucionárias.

A Revolução de 1932, Exílio e Morte

Após a deposição de Washington Luís, Júlio Prestes, já de regresso ao Brasil, pediu asilo ao consulado britânico. Viveu no exílio até 1934, quando retornou ao Brasil após a reconstitucionalização do país, passando a dedicar-se ao cultivo do algodão em sua Itapetininga natal, na fazenda Araras, de seu pai, o Coronel Fernando Prestes de Albuquerque.

Ainda no exílio, apoiou, fervorosamente a Revolução de 1932. Criticou a Revolução de 1930, quando, em 1931, estava em Portugal dizendo:

"O que não compreendo é que uma nação, como o Brasil, após mais de um século de vida constitucional e liberalismo, retrogradasse para uma ditadura sem freios e sem limites como essa que nos degrada e enxovalha perante o mundo civilizado!"
(Júlio Prestes)

Nos quatro anos de exílio, Júlio Prestes voltou a fazer poesia, sua paixão de juventude. Merecem menção o poema de desabafo Brutus, dedicado ao seu cachorro, e Prece, poema sobre seu exílio em Portugal. Nas duas obras, os versos buscam revelar a angústia vivida longe do país e dos amigos que, segundo o autor, não lhe foram solidários no momento de maior necessidade.

Tanto Júlio Prestes quanto os demais políticos da República Velha, tiveram suas administrações devassadas pela chamada Justiça Revolucionária e por um Tribunal Especial criado, por decreto de Getúlio Vargas em 1930. Esse Tribunal Especial encerrou suas atividades meses depois, sem nada ter encontrado de irregular nas administrações de Júlio Prestes e dos demais próceres políticos da República Velha.

Escreveu uma carta a Getúlio Vargas apoiando a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial.

Júlio Prestes somente voltou à cena política em 1945, com a deposição de Getúlio Vargas por novo golpe militar, que levou à redemocratização do país, após a promulgação da Constituição de 1946.

Júlio Prestes foi fundador da União Democrática Nacional (UDN) e membro da comissão diretora desse partido.

Faleceu em 09 de fevereiro de 1946 na cidade de São Paulo.

Júlio Prestes escondeu, no porão da casa sede de sua fazenda, seu arquivo particular, onde este permaneceu emparedado, por 50 anos, para não ser confiscado pela Revolução de 1930.

No Centenário de Júlio Prestes em 1982, como parte das comemorações, seu arquivo particular foi desenterrado e doado ao Arquivo Público do Estado de São Paulo.

Homenagens

A antiga Estação São Paulo da Estrada de Ferro Sorocabana, por ele construída no centro de São Paulo foi rebatizada como Estação Júlio Prestes após sua morte em 1946.

Nesse local, existe hoje, dentro do projeto de revitalização do centro da cidade de São Paulo, uma sala de concertos sinfônicos, chamada Sala São Paulo, inaugurada em 9 de julho de 1999, fazendo parte do Complexo Cultural Júlio Prestes que é a sede da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo.

Na cidade natal de Itapetininga, ainda se fazem homenagens à família do Coronel Prestes e de Seu Julinho, família que não mais milita na política devido às perseguições sofridas.

Fonte: Wikipédia

Catulo da Paixão Cearense

CATULO DA PAIXÃO CEARENSE
(82 anos)
Poeta, Compositor, Cantor e Teatrólogo

☼ São Luís, MA (08/10/1863)
┼ Rio de Janeiro, RJ (10/05/1946)

Apesar do nome, Catulo da Paixão Cearense, nasceu no Maranhão. Equivocadamente, a data de seu nascimento foi considerada por muito tempo como sendo 31/01/1866. A data original foi alterada para que ele pudesse ser nomeado para o serviço público.

Com 10 anos, em 1873, mudou-se com a família para o interior do Ceará.

Em 1880, quando contava 17 anos, sua família mudou-se para o Rio de Janeiro indo residir à Rua São Clemente, 37, onde passaria a funcionar a relojoaria e ourivesaria de seu pai. No Rio de Janeiro, começou a frequentar uma República de Estudantes na Rua do Barroso, em Copacabana, da qual faziam parte os flautistas Joaquim Callado e Viriato, o estudante de música Anacleto de Medeiros, o violonista Quincas Laranjeiras, o cantor Cadete e um estudante de medicina que o ensinou a tocar violão, fazendo com que abandonasse a antiga paixão pela flauta.

Catulo da Paixão Cearense era autodidata. Aprendeu português e matemática e, posteriormente, o francês, chegando a fazer traduções de poetas franceses famosos na época como Lamartine. Recebeu grande influência dos cantadores do Nordeste com quem conviveu durante parte de sua juventude, chegando, inclusive, a produzir literatura de cordel.

Os primeiros anos de Rio de Janeiro foram bastante difíceis para o poeta já que, muito pobre, morava num dos bairros mais distantes do Rio de Janeiro à época, o balneário de Copacabana, um lugar quase deserto e ermo. Em pouco tempo, morreu sua mãe, Maria Celestina Braga da Paixão. O pai morreu três anos depois.

Sua primeira composição foi "Ao Luar", apresentada numa seresta na República de Estudantes. Na mesma noite, seu pai, Amâncio José da Paixão Cearense quebrou-lhe um violão na cabeça, pois seguiu o filho e não o queria envolvido com boêmios. Após a morte do pai, passou a trabalhar como estivador no cais do porto.

Fred Figner e Catulo da Paixão Cearense, 1940
De dia usava tamancos nos pés e à noite colocava as calças listradas e o fraque forrado de seda e ia para as serestas. Certa feita, convidado para uma festa na casa do senador Gaspar da Silveira Martins, conselheiro do Império, acabou por tornar-se o centro da festa. A mulher do senador acabou por contratá-lo como professor para os filhos e dessa forma, mudou-se para a casa do senador. Pouco depois, viu-se envolvido numa trama que resultaria num casamento, sob a acusação de ter violentado sua futura mulher.

Considerado como grande mulherengo, envolveu-se ao longo de sua vida com diversas mulheres, tendo dedicado a algumas delas várias de suas obras. Para a atriz Apolônia Pinto dedicou a canção "Os Olhos Dela". Apaixonado pela filha do senador goiano Hermenegildo de Morais, de quem somente se conhece o apelido de "Coleira", devido a um adorno que usava no pescoço, não teve o amor correspondido. Por isso, abandonou o trabalho na casa do senador Gaspar da Silveira e foi refugiar-se em Piedade, subúrbio do Rio de Janeiro, onde fundou um colégio e passou a lecionar, criando novos métodos que tornassem o ensino mais agradável. Paralelamente, continuou a participar de serestas e recitais.

Em 1906, o cantor Mário Pinheiro gravou pela Casa Edson as canções "Talento e Formosura" e "Resposta ao Talento e Formosura".

Em 1907, o mesmo cantor gravou "O Que Tu És", "Até as Flores Mentem" e "Clélia". E, com grande sucesso, a canção "Rasga Coração", novo nome dado pelo poeta a partir da letra que colocou no xote "Iara", composto por Anacleto de Medeiros em 1896 e repertório obrigatório das bandas desde então.

Em 1908, conseguiu o que para muitos parecia impossível: levar o violão, instrumento até então considerado maldito, para um salão de elite. Por intermédio do maestro Alberto Nepomuceno, conseguiu realizar um recital no Instituto Nacional de Música, onde, nas suas próprias palavras, "Músicos, literatos, médicos, jornalistas, advogados, engenheiros, professores, diplomatas, misturaram-se a populares". O recital foi um enorme sucesso, fazendo crescer ainda mais a fama do cantor e poeta nordestino.


Em 1909, o cantor Mário Pinheiro gravou mais duas composições de sua autoria, "Choça ao Monte" e "Cabocla bonita".

Em 1910, o mesmo cantor gravou "Adeus da Manhã".

Em 1913, obteve grande sucesso no carnaval  com a composição "Cabocla di Caxangá". Sobre essa composição, informam os pesquisadores Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello:

"... Entrou para a história apenas assinada pelo poeta. Inspirado numa toada que João Pernambuco lhe mostrara e que teria melodia do violonista, composta sobre versos populares, Catulo escreveu extensa letra, impregnada de nomes de árvores (taquara, oiticica, imbiruçu...), animais (urutau, coivara, jaçanã...), localidades (Jatobá, Cariri, Caxangá, Jaboatão...) e gírias do sertão nordestino, daí nascendo em 1913 a embolada 'Caboca de Caxangá', classificada no disco como batuque sertanejo. E nasceu para o sucesso, que se estenderia ao carnaval de 1914, para desgosto de Catulo, que achava depreciativo o uso da composição pelos foliões."

Em 1914, foi convidado pela mulher do então presidente da República Hermes da Fonseca, a senhora Nair de Teffé, a caricaturista Rian,  para um recital no Palácio do Catete, onde obteve um dos seus momentos de maior glória, sendo aplaudido de pé pela assistência, ao término de cada apresentação.

Alguns setores mais conservadores da imprensa, contudo, registraram críticas e comentários maldosos. Pouco depois, foi nomeado pelo presidente para um cargo na Imprensa Nacional. Ligou-se ao proprietário da Livraria do Povo, e por ela editou diversos folhetos de cordel com o repertório de modinhas, lundus e cançonetas que faziam sucesso. Para a mesma livraria editou as coletâneas "O Cantor Fluminense" e "O Cancioneiro Popular". Em seguida, publicou diversos trabalhos de sua autoria, "Lira dos Salões", "Novos Cantares",  "Lira Brasileira", "Canções da Madrugada", "Trovas e Canções" e "Choros ao Violão".

Ainda em 1914, o cantor Eduardo das Neves, acompanhado de coro, gravou na Odeon aquele que se tornaria o maior sucesso do poeta, e um dos maiores clássicos da Música Popular Brasileira, consagrada popularmente como um segundo Hino Nacional: a toada sertaneja "Luar do Sertão", regravado dezenas de vezes ao longo da história da Música Popular Brasileira, e que também lhe rendeu a célebre polêmica com João Pernambuco sobre a autoria da música, chegando à barra dos tribunais, que decidiu a favor de João Pernambuco, reconhecido assim como autor da melodia, que segundo alguns, seria provavelmente um tema folclórico, ficando a dúvida entre o coco "É do Maitá" e "Meu Engenho é de Humaitá".


Também em 1914, o cantor Bahiano gravou a modinha "Fascinação Por Teus Olhos" (Catulo da Paixão Cearense e Cupertino de Menezes), Eduardo das Neves gravou a modinha "Eulina" e a Banda da Casa Edison regravou "Cabocla de Caxangá", como tango, todos na Odeon. Ainda na mesma época, colocou versos na serenata "Lolita" e na valsa "Adoráveis Tormentos", ambas de Fernando de Azevedo.

Um de seus principais parceiros foi Anacleto de Medeiros, com quem compôs, entre outras, "Rasga o Coração", "Por um Beijo", "Palma de Martírio", "O Que Tu És", "Perdoa", "Nasci Para Te Amar", "O Boêmio" e "Coração Oculto".

Em 1918, editou "Meu Sertão" e o cantor Vicente Celestino gravou na Odeon uma série de canções suas com diferentes parceiros, entre as quais, "Porque Sorris" e "Porque Fui Poeta" (Catulo da Paixão Cearense e Juca Kalut) e "Aos Pés da Cruz" (Catulo da Paixão Cearense e Cremieux). No mesmo período, Mário Pinheiro gravou uma série de modinhas, entre as quais "Pastor Peregrino", "Não Partas", "Cabocla Bonita" e "Lágrimas Sonoras".

Em 1919, publicou "Sertão em Flor".

Em 1921, "Poemas em Bravios".

Em 1926, participou da "Tarde Brasileira", no Teatro Lírico no Rio de Janeiro, apresentando-se ao lado de João Pernambuco e Patrício Teixeira. Na ocasião, lançou o poema "Maria Cabocla", que recebeu calorosos aplausos fazendo-o retornar várias vezes ao palco. No mesmo ano, Patrício Teixeira gravou sua canção "Magnólia", a modinha "Canção do Cego" e a modinha cateretê "Bem-Te-Vi".

Em 1928, publicou "Mata Iluminada", "Meu Brasil", "Um Boêmio no Céu" e "Alma do Sertão".

Os Últimos Anos

Nos últimos anos de sua vida, viveu num barracão na Rua Francisco Méier, nº 21, depois transformada em Rua Catulo da Paixão Cearense. Lá recebia diversas figuras da vida pública e intelectual do Rio de Janeiro, do Brasil e de outros países, como o escritor Monteiro Lobato, o poeta espanhol Salvador Rueda e o médico e tenor mexicano Alfonso Ortiz Tirado, conhecido como a "Voz Romântica do México". Lá recebia as visitas de chinelo e pijama.

Em 1939, encontrando-se em situação financeira delicada, pediu ajuda ao cantor paulista Paraguaçu, que organizou para ele uma série de recitais, com apresentações na Rádio Cosmos, atual Rádio América e também no Palácio dos Campos Elíseos, sendo convidado do governador Ademar de Barros. O sucesso foi absoluto, com os recitais totalmente concorridos e com seus livros esgotados pelo público ávido por autógrafos do grande poeta. Mesmo assim, o poeta morreu pobre.

Antes de seu sepultamento, o escultor Flory Gama fez sua máscara mortuária. Seu corpo foi levado para o saguão do edifício da Associação Brasileira de Imprensa, depois para a Capela de Santa Teresinha, na Praça da República e finalmente levado a pé até o Cemitério de São Francisco de Paula.

Conforme o enterro passava, acompanhado por uma multidão e pela Banda do Corpo de Bombeiros entoando a "Marcha Fúnebre", o comércio fechava as portas.

No cemitério, uma multidão aguardava a chegada do féretro. Sucederam-se diversos discursos que fizeram a cerimônia estender-se até à noite. Quando escureceu, uma imensa lua cheia apareceu no céu e o tenor mexicano Alfonso Ortiz começou a cantar "Luar do Sertão". Pouco a pouco um coro de milhares de vozes o acompanhou numa homenagem espontânea ao poeta morto.

As Homenagens

Nos anos 50, um dos primeiros cantores a homenageá-lo foi o modinheiro Paulo Tapajós, lançando pelo selo Sinter, LPs de 10 e 12 polegadas só com músicas do poeta, interpretando entre outras, as composições "Vai, ó Meu Amor, ao Campo Santo", "Talento e Formosura", "Palma de Mutirão""Luar do Sertão", "Por um Beijo" e "Flor Amorosa", esta última em parceria com Joaquim Callado.

Ainda nos anos 50, o tenor Vicente Celestino gravou pela RCA Victor um LP com obras do poeta, entre outras, as composições, "Rasga o Coração", "O Meu Ideal", "Por um Beijo", "Ontem ao Luar""Luar do Sertão".

Em 1962, as canções "Tu Passaste Por Este Jardim" (Catulo da Paixão Cearense e Alfredo Dutra) e "Por Que Sorris?" (Catulo da Paixão Cearense e Juca Kalut) foram relançadas por Gilberto Alves no LP "Gilberto Alves de Sempre" lançado pela gravadora Copacabana.

Em 1994, o selo Revivendo lançou o CD "Catulo da Paixão Cearense na Voz de Vicente Celestino e Paulo Tapajós".

Em 2000 o selo EMI/Copacabana lançou o CD duplo "Cantores do Rádio - Volume 1", no qual consta a canção "Ontem ao Luar" (Catulo da Paixão Cearense e Pedro de Alcântara) na interpretação de Vicente Celestino.

Em 2007, estreou no Teatro Villa-Lobos no Rio de Janeiro sua peça inédita "Um Boêmio no Céu", escrita em 1945, com direção de Amir Haddad, figurinos de Biza Vianna e direção musical de José Maria Braga, e com José Mayer no papel do poeta. Durante o espetáculo são interpretadas algumas de suas canções mais famosas como "Ontem ao Luar""Luar do Sertão". No mesmo ano, a toada "Luar do Sertão" (Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco), foi gravada por Tinoco e Mazinho Quevedo no CD "Coração Caipira - Ao Vivo" da Som Livre.

Em 2009, foi lançado no Museu da República pelo pesquisador Haroldo Costa o livro "Catulo da Paixão - Vida e Obra", no qual o autor fala da vida e da obra do grande seresteiro e poeta.

Em 2011, foi lançado pelo selo Discobertas em convênio com o Instituto Cultural Cravo Albin (ICCA) a caixa "100 Anos de Música Popular Brasileira" com a reedição em 4 CDs duplos dos oito LPs lançados com as gravações dos programas realizados pelo radialista e produtor Ricardo Cravo Albin na Rádio MEC em 1974 e 1975. No volume 1 desses CDs estão incluídas suas modinhas "Terna Saudade" (Catulo da Paixão Cearense e Anacleto de Medeiros), "Luar do Sertão" (Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco), e "Cabocla Bonita" na interpretação de Paulo Tapajós, e "Flor amorosa" (Catulo da Paixão Cearense e Joaquim da Silva Callado), na interpretação de Altamiro Carrilho e seu conjunto.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB