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Lennie Dale

LEONARDO LA PONZINA
(60 anos)
Coreógrafo, Dançarino, Ator e Cantor

☼ Nova York, Estados Unidos (1934)
┼ Nova York, Estados Unidos (09/08/1994)

Leonardo La Ponzina, mais conhecido como Lennie Dale, foi um coreógrafo, dançarino, ator e cantor ítalo-americano radicado no Brasil.

O pai de Lennie Dale, um barbeiro fracassado que imigrara da Sicília e vivia amaldiçoando o dia em que decidira buscar a prosperidade na América, lamentava como mais um castigo da vida ter um filho bailarino.

Nascido no bairro de Brooklyn, em Nova York, iniciou sua carreira profissional no programa infantil "Star Lime Kids", co-estrelado por Connie Francis. Dos 14 aos 21 anos, deu aulas de balé, em tempo integral. Integrou o elenco do espetáculo "West Side Story", encenado na Broadway. Em seguida, mudou-se para Londres, onde foi contratado por um empresário de Shirley Bassey, realizando apresentações pela Europa e participando, ao lado de Gene Kelly, de um programa da televisão italiana.

Foi responsável pela coreografia para 500 bailarinos do filme "Cleópatra", protagonizado por Elizabeth Taylor, de quem se tornou amigo. Na ocasião, ficou conhecendo a grande estrela do filme de forma sui-generis: um dia abriu a porta errada no corredor dos camarins e defrontou-se com uma animada Elizabeth Taylor praticando sexo oral com Richard Burton. Nenhuma surpresa, eles acharam engraçado e acabaram tornando-se amigos.

Em 1960, uma de suas apresentações em Roma teve na platéia o empresário Carlos Machado, que o convidou para coreografar o espetáculo "Elas Atacam Pelo Telefone", encenado na boate Fred’s, no Rio de Janeiro. Logo em seguida, radicou-se no Brasil.


Lennie Dale foi personagem de destaque no cenário da bossa nova, dirigindo, nos anos 1960, vários shows no Beco das Garrafas, no Rio de Janeiro, chegando até a criar uma dança especial para a bossa nova. Inovou a concepção dos espetáculos musicais, ressaltando a necessidade de produção, ensaio e expressão corporal dos artistas nos shows. Impulsionava o talento de seus alunos, em aulas vespertinas no Bottle's Bar, usando a expressão "Cresce, baby!".

Em 1961, o restaurante Night And Day vibrava com o bailarino vestindo uma saia e estalando chicote, uma coreografia revolucionária para a época. Lennie Dale foi o introdutor da noção de ensaio em espetáculos de Música Popular Brasileira. Até então, o artista chegava na hora da apresentação e cantava, sem nenhuma preocupação com a produção ou expressão corporal.

Elis Regina, discípula de Lennie Dale, dizia que a ideia do famoso gesto de "puxar a rede com os braços" quando cantou "Arrastão", de Edu Lobo, e venceu a 1º Festival de MPB da TV Excelsior em 1965 tinha sido de Lennie Dale. Ele garantia que era criação dela.

O bailarino foi o responsável também pela coreografia da Bossa Nova que não era tida como uma música "dançante". Sob sua orientação vários artistas passaram a cuidar desse aspecto da apresentação, como Sérgio Mendes, que começou a usar dançarinas nos seus shows.

Para Nelson Motta, que o conheceu no tempo do Beco das Garrafas, "Lennie era uma pessoa especial, sempre animada, engraçada e carinhosa. Ele acrescentou profissionalismo às apresentações de Bossa Nova. Instituiu um padrão americano de produção e musicais. Além disso, tinha um ritmo e uma musicalidade fantástica!".


Participou, ao lado dos também dançarinos Joe Benett e Martha Botelho, de apresentações do conjunto instrumental Bossa Três, formado pelos músicos Luiz Carlos Vinhas (piano), Tião Neto (baixo) e Edison Machado (bateria), com os quais viajou, em 1962, para os Estados Unidos e se apresentou no "Ed Sullivan Show", um dos programas de maior audiência da televisão norte-americana na época. 

Em 1964, lançou, com o Bossa Três, o LP "Um Show de Bossa...". Nesse mesmo ano, apresentou-se com o Sambalanço Trio na casa noturna Zum Zum, no Rio de Janeiro. O show gerou o disco "Lennie Dale & Sambalanço Trio no Zum Zum". Também em 1964, participou, ao lado de Elis Regina, Agostinho dos Santos, Sílvio César, Pery Ribeiro e o Zimbo Trio, do show "Boa Bossa", espetáculo beneficente para a Associação de Moças da Colônia Sírio-Libanesa, dirigido por Walter Silva.

Gravou, em 1965, o LP "Lennie Dale".

Em 1967, lançou, com o Trio 3D, o LP "A 3ª Dimensão de Lennie Dale"

Atuou, em 1968, no show "Momento 68", promovido pela empresa Rhodia, ao lado de Caetano Veloso, Walmor Chagas, entre outros. O espetáculo teve texto de Millôr Fernandes.


No início dos anos 1970, criou, dirigiu e fez parte do grupo andrógino Dzi Croquettes, juntamente com Wagner Ribeiro, autor dos textos, e os bailarinos Ciro Barcelos, Cláudio Gaya, Reginaldo de Poli, Rogério de Poli, Cláudio Tovar, Paulo Bacelar, Carlinhos Machado, Benedictus Lacerda, Eloy Simões e Bayard Tonelli, que se apresentavam com maquiagem carregada e em trajes femininos. O primeiro show do irreverente grupo foi apresentado em 1972, sob o título de "Gente Computada Igual a Você", comédia de costumes que continha uma crítica à realidade político-social do país, à repressão sexual, à censura e à ditadura. O musical fez muito sucesso em São Paulo e o grupo foi depois levado pelo empresário Patrice Calmettes para a Europa, onde causou sensação na noite parisiense. Fez temporada na casa noturna Lê Palace, apresentou-se em Ibiza e em Londres, e participou do filme "Le Chat Et La Souris", de Claude Lelouch.

A vida dos Dzi Croquettes, no entanto, foi curta e acabou interrompida pela onda conservadora da época.

Lennie Dale chegou a voltar para os Estados Unidos, mas em 1971 retornava novamente ao Brasil, preso em seguida, por porte de maconha na Galeria Alaska. Passou um ano na Penitenciária Hélio Gomes onde, numa noite, sonhou que galopava sobre um cavalo branco, seguido por uma multidão de admiradores. O sonho repetiu-se exatamente um ano depois, na mesma data, e ele foi tomado por uma grande fé umbandista, pois identificou-se com a imagem de São Jorge Guerreiro. Embora calvo na vida real, no sonho via-se com uma longa cabeleira longa.

Lennie Dale possuía uma sapatilha roubada em Paris do russo Rudolf Nureyev e um exemplar da biografia de Madame Satã, seu ídolo máximo, um homossexual famoso por surrar policiais e travestir-se de Carmen Miranda.

Lennie Dale foi responsável pela coreografia da novela "Baila Comigo" (1981) e produziu o musical "1.707.839 - Leonardo Laponzina".

Morte

Leonard Laponzina morreu perto das 2h00 do dia 09/08/1994, aos 60 anos, no setor para pacientes com AIDS do Coler Hospital em Nova York. Lennie Dale estava doente há quase dois anos e desde janeiro vivia internado no hospital. Nos últimos tempos, extremamente magro, dormia numa cama d'água porque seu corpo estava coberto de feridas. Pouco antes de morrer, Lennie Dale ainda lúcido, pediu à mãe para ser cremado.

Discografia

  • 1964 - Um Show de Bossa… Lennie Dale Com os Bossa Três (Elenco, LP)
  • 1965 - Lennie Dale e o Sambalanço Trio-Gravado no Zum Zum (Elenco, LP)
  • 1965 - Berimbau / O Pato Lennie Dale e o Sambalanço Trio (Elenco, Compacto)
  • 1965 - Lennie Dale (Elenco, LP)
  • 1967 - A 3ª Dimensão de Lennie Dale Lennie Dale e Trio 3D (Elenco, LP)
  • 1967 - O Máximo da Bossa Vários Artistas (Elenco, LP)


Filmografia

  • Dzi Croquettes (Filme de Tatiana Issa e Raphael Alvarez)

Indicação: Luiz Mach

Dadá

SÉRGIA RIBEIRO DA SILVA
(78 anos)
Cangaceira

☼ Belém do São Francisco, PE (25/04/1915)
┼ Salvador, BA (07/02/1994)

Sérgia Ribeiro da Silva, mais conhecida como Dadá, foi uma cangaceira, a única mulher a pegar em armas no bando de Lampião.

Nasceu em Belém do São Francisco, PE, em 1915, onde viveu seus primeiros anos de vida e teve algum contato com índios, e uma das filhas do casal Vicente R. da Silva e Maria R. S. da Silva. A família mudou-se para a Bahia onde, aos treze anos, foi raptada por Cristino Gomes da Silva Cleto, o cangaceiro Corisco, de quem seria prima.

Numa entrevista que concedeu em 1977, ela contou que Lampião chegou na sua casa, "onde fez uma baderna danada". Na época, Dadá morava na Fazenda Macucuré, entre os municípios de Glória e Paulo Afonso, no interior do estado da Bahia.

De repente, disse DadáLampião chamou Corisco e, em tom de brincadeira, disse para ele: "Como é? Você não quer desmamar esta menina?"Corisco deu uma gargalhada, me pegou no colo, me colocou na sela do seu cavalo e saiu a galope. Depois, lembrou, "foram 12 anos de luta, correndo ou enfrentando a Policia por toda parte". Dadá tinha, apenas 13 anos.

Cabocla bonita, esbelta, conheceu o homem da sua vida de forma violenta, em meio a caatinga árida por onde vivia errante o bando de cangaceiros. Consta que seu defloramento provocara-lhe tanta hemorragia que por pouco não faleceu.

A relação, que começou instintiva, transformou-se com o tempo. A vida nômade, seguindo o companheiro, que era o segundo homem, na hierarquia do bando, a chegada dos filhos, fez com que mais que uma amante Dadá se tornasse a companheira de Corisco, com quem, ainda no meio das lutas veio a se casar.

Dadá Grávida
Apesar da violência do contato inicial, Dadá sempre falou de Corisco com muita ternura, afirmando: "Nos amamos muito".

Dadá teve sete filhos com Corisco, que eram ocultamente deixados em casas de parentes para serem criados. Destes, apenas três sobreviveram, Maria do Carmo, Maria Celeste e Sílvio Hermano, todos vivos. Também elogiava Lampião, dizendo que ele era um homem bom.

"Um homem de palavra, que só falava uma vez e não contava vantagens. Fico triste quando vejo escreverem coisas que Lampião nunca fez. Os livros que têm saído sobre o cangaço só apresentam vantagens da Polícia e coisas terríveis que nunca aconteceram."

O bando de Lampião dividia-se, como forma de defesa, em partes menores, e a mais importante delas era justamente a chefiada por Corisco. A esposa tinha uma pistola, que ele dera, para sua defesa pessoal, e também lhe ensinou a ler, escrever e contar. Ela era a única cangaceira que carregava um revólver calibre 38 e contribuía na defesa e ataque do grupo. Algumas outras, segundo ela, possuíam uma "pistolinha de brincadeira" apenas.

Num dos ataques feitos pelas volantes, em outubro de 1939, na Fazenda Lagoa da Serra em Sergipe, o Diabo Louro foi ferido em ambas as mãos, perdendo a capacidade para atirar. Dadá, então, tornou-se a primeira e única mulher a tomar parte ativa, e não meramente defensiva, nas lutas do cangaço.

Se o marido era temido como um dos mais violentos bandoleiros, consta que muitas pessoas tiveram sua vida poupada graças à intervenção de sua companheira. Dadá também era chamado "Suçuarana do Cangaço".

Corisco e Dadá
Trágico Final

Tendo Lampião sido executado em 1938, Corisco, que estava em Alagoas com parte do bando, empreendeu feroz vingança. Como seus companheiros tiveram as cabeças decepadas, e expostas no Museu Nina Rodrigues de criminologia, na capital baiana, Corisco também cortou a cabeça de muitas vítimas, então.

O cangaço definhava, sobretudo pela disparidade de armamentos: os volantes tinham uma arma que os cangaceiros nunca conseguiram obter: a metralhadora. A própria justiça passou a oferecer vantagens para os bandoleiros que se rendessem.

Em 25/05/1940, Corisco e seu bando foi cercado em Brotas de Macaúbas, pela volante do tenente Zé Rufino. Dissolveram o bando, e abandonaram as vestes típicas, procurando se passar por simples retirantes.

Uma rajada da metralhadora rompeu os intestinos de Corisco. Dadá foi ferida na perna direita.

O último líder do cangaço morreu dez horas depois do ataque, sendo enterrado em Miguel Calmon, no Estado da Bahia, dez dias após, exumado e a cabeça decepada é enviada ao Museu Nina Rodrigues, junto às demais do bando.

Dadá, colocada em condições infectas, teve seu ferimento agravado para uma gangrena, que restou-lhe, na prisão, à amputação quase total da perna. Por essa situação, o célebre rábula baiano Cosme de Farias, representou Dadá na Justiça, pleiteando sua libertação, em 1942.

Luta Por Direitos

Dadá passou a viver em Salvador, lutando para ver a legislação que assegura o respeito aos mortos fosse cumprida - e a tétrica exposição do Museu Antropológico Estácio de Lima, localizado no prédio do Instituto Médico Legal Nina Rodrigues tivesse fim.

Só a 06/02/1969, no governo Luiz Viana Filho, foi que os restos mortais dos cangaceiros puderam ser inumados definitivamente - tendo, porém, o museu feito moldes para expor, em substituição.

Por sua luta e representatividade feminina, Dadá foi, na década de 80, homenageada pela Câmara Municipal de Salvador. Na Bahia, que tivera Gláuber Rocha e tantos outros a retratar o cangaço nas artes, Dadá era a última prova viva a testemunhar o cotidiano de lutas, dificuldades e, também, de alegrias e divertimentos. Deu muitas entrevistas, demonstrando sua inteligência e desenvoltura.

Teve sua vida retratada em muitos filmes, sendo que em um deles trabalhou na Supervisão Histórica e Costumes assegurando a melhor reprodução possível de sua época e história.

Velório de Dadá
Morte

Sob muitas lágrimas das duas filhas, dos três que teve com Corisco, dezenas de netos e bisnetos, todos chorando convulsivamente, e aplausos de um bom número de admiradores, que acorreram ao Cemitério Jardim da Saudade, foi sepultada, às 18:10 hs, de 07/02/1994, o corpo de Sérgia Silva Chagas, a Dadá, que morreu, em Salvador, BA, aos 78 anos, na madrugada de 07/02/1994, no Hospital São Rafael, vitimada por um câncer generalizado, de acordo com a informação do historiador Carlos Cleber.

O corpo de Dadá foi velado na capela do Cemitério Jardim da Saudade, onde o capelão do cemitério, padre Afonso Gomes, celebrou missa de corpo presente. O filho Sílvio Hermano, que mora em Alagoas, não chegou  a tempo de assistir ao sepultamento de sua mãe. Entre os admiradores, estiveram no cemitério o jornalista e juiz classista Oleone Coelho Fontes, autor de um livro sobre o cangaço, e a ex–vereadora Geracina Aguiar.

Dadá casou-se novamente com um velho pintor de paredes, já falecido, com quem não teve filhos. Criou, no entanto, muitos meninos e meninas, que considerava como seus filhos. Mesmo com uma perna só, Dadá costurava muito, chegando a aposentar-se como costureira. Com sua morte, fecha-se uma das últimas páginas do cangaço no sertão nordestino.

Dadá Na Cultura

  • 2005 - "Dadá, a Mulher de Corisco" (Savaget, Luciana - Ed. DCL)
  • 1996 - "Corisco & Dadá" (Filme de Rosemberg Cariry)
  • 1982 - "Gente de Lampião: Dadá e Corisco" (Araújo, Antônio Amaury Corrêa de)
  • 1976 - "A Mulher no Cangaço" (Curta-metragem de Hermano Penna)

Fonte: Wikipédia e A Tarde (08/02/1994)

Sérgio Sampaio

SÉRGIO MORAES SAMPAIO
(47 anos)
Cantor e Compositor

* Cachoeiro de Itapemirim, ES (13/04/1947)
+ Rio de Janeiro, RJ (15/05/1994)

Sérgio Moraes Sampaio foi um cantor e compositor brasileiro. Suas composições variam por vários estilos musicais, indo do samba e choro, ao rock'n roll, blues e balada. Sobre a poética de suas composições, em que se vê elementos de Franz Kafka e Augusto dos Anjos, que lia e apreciava, declarou num estudo Jorge Luiz do Nascimento:

"A paisagem urbana em geral, e a carioca em particular, na poética de Sérgio Sampaio, possui a fúria modernista. Porém, o espelho futurista já é um retrovisor, e o que o presente reflete é a impossibilidade de assimilação de todos os índices e ícones da paisagem urbana contemporânea."

No dizer do cantor Lenine, Sérgio Sampaio foi um nome marginalizado que equipara a Tim Maia e Raul Seixas, como um dos "malditos" da música popular brasileira.

Filho de Raul Gonçalves Sampaio, dono de uma tamancaria e maestro de banda, e de Maria de Lourdes Moraes, professora primária, era primo do compositor Raul Sampaio Cocco, autor de sucessos na voz do conterrâneo Roberto Carlos. Ali assistiu o pai compor a canção "Cala a Boca, Zebedeu", quando tinha 16 anos e que veio a gravar mais tarde. Tocando violão, era um artista nato que buscava mostrar seus trabalhos - "Ele estava sempre sedento para mostrar suas músicas, precisava de uma orelha e nunca fez doce para tocar", como registrou seu primo João Moraes.


Aficcionado pelos programas de rádio, onde acompanhava os cantores da época como Orlando Silva, Sílvio Caldas ou Nelson Gonçalves, que o inspiravam, veio a tornar-se imitador de radialistas como Luiz Jatobá e Saint-Clair Lopes, conseguindo trabalho numa emissora da cidade natal, a XYL-9.

Em 1964 tentou trabalhar no Rio de Janeiro na Rádio Relógio, retornando após quatro meses. Em fins de 1967 mudou-se definitivamente para o Rio de Janeiro, inicialmente para tentar a carreira como radialista, embora não tenha conseguido firmar-se em nenhum trabalho por frequentar a vida boêmia carioca, atraído pela música e a bebida. Morou em pensões baratas e até na rua, chegando a mendigar comida.

Sérgio Sampaio tinha passado a cantar à noite, em bares, até que em fevereiro de 1970 demitiu-se da Rádio Continental para dedicar-se integralmente à música. Candidatou-se no Festival Fluminense da Canção, etapa do Festival Internacional da Canção (III FIC) daquele ano, ficando entre os vinte finalistas com a música "Hei, Você".

No Rio de Janeiro conheceu o baiano Raul Seixas, então produtor musical da gravadora CBS, atual Sony Music, dando início a uma longa amizade e parceria. Raul Seixas é considerado o "descobridor" do artista. Após ter feito um teste junto ao parceiro de Paulo Diniz, Odibar, acabou contratado no lugar deste, no ano seguinte, participando de diversas gravações, como parte do coro de Renato e Seus Blue Caps.


Assinou, com o pseudônimo de Sérgio Augusto, a letra da canção "Sol 40 Graus", gravada pelo Trio Ternura e que foi sucesso em 1971. O Trio Ternura gravou outras de suas composições, como "Vê Se Dá Um Jeito Nisso" - uma parceria com Raul Seixas, com quem partilhou também "Amei Você Um Pouco Demais", gravada por José RobertoRaul Seixas produziu o primeiro compacto em que Sérgio Sampaio experimentou algum sucesso com "Coco Verde", logo regravada por Dóris Monteiro.

Voltou a Cachoeiro de Itapemirim em julho, onde participou do II Festival de MPB, vencendo em primeiro lugar e ocupando também a quarta colocação. Deu início com Raul Seixas à produção de um projeto de ópera-rock, que teve as letras mutiladas pela censura do Regime Militar. Apesar disto as canções integraram o primeiro disco de Raul Seixas, "Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das Dez", em que participaram Miriam Batucada e Edy Star.

Tentou mais uma vez vencer o IV Festival Internacional da Canção (FIC), no Maracanãzinho, com a música "No Ano 83", sendo eliminado na etapa inicial.

Começou a gravar, finalmente, em 1972, ano em que sua canção "Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua" participou do IV Festival Internacional da Canção e integrou um compacto do festival, que graças a ela vende 500 mil cópias, tornando-se sucesso no carnaval de 1973, e rendendo a Sérgio Sampaio o Troféu Imprensa como revelação de 1972, na Rede Globo, emissora em que trabalhava o apresentador Silvio Santos.

Em 1973 lançou seu primeiro LP pela Philips, produzido por Raul Seixas e com o nome da canção de sucesso, com vários músicos de renome. O disco fracassou nas vendas, apesar da sua aparição em programas de televisão e da boa execução de canções como "Cala a Boca, Zebedeu", de seu pai, nas rádios.


Sérgio Sampaio casou-se em 1974 com a também capixaba Maria Verônica Martins, afastando-se da carreira por algum tempo. O casamento durou até o final da década. Tinha lançado, neste ano, com produção de Roberto Menescal, um compacto em que contraditoriamente reverencia e critica o conterrâneo Roberto Carlos.

Em 1975 lançou, agora pela gravadora Continental, outro compacto. No ano seguinte gravou seu segundo LP, chamado "Tem Que Acontecer", e que contou com participações de artistas como Altamiro Carrilho e Abel Ferreira.

Em 1977 mais um compacto pela Continental, "Ninguém Vive Por Mim", último por essa gravadora. Realizou shows e teve composições gravadas por artistas como Zizi Possi, Marcos Moran e Erasmo Carlos, ficando cinco anos longe dos estúdios.

Novamente se casa em 1981, com a arquiteta Ângela Breitschaft, com quem teve o filho João, afilhado de Xangai, separando-se em 1986. A família da esposa patrocinou, em 1982, a gravação do compacto "Sinceramente", sem gravadora.

Completamente afastado da mídia, após a separação voltou para a casa paterna e em seguida para o Rio de Janeiro. A carreira só experimentou um recomeço quando se mudou, no começo da década de 90 para a Bahia, quando velhos sucessos foram novamente lançados por Elba Ramalho, Luiz Melodia, Roupa Nova e outros cantores.

Em 1994 acertou com a gravadora Baratos Afins o lançamento de um disco com músicas inéditas, mas por consequência da vida desregrada, faleceu vítima de pancreatite antes de concretizar o projeto.

Homenagens

Em 1975 teve um curta-metragem sobre sua vida exibido no Rio de Janeiro. Diversas homenagens ocorreram ao longo do tempo, em memória do artista, dos quais se destacam:

  • 1996 - Show "Balaio do Sampaio" - Rio de Janeiro, com cantores como Alceu Valença Jards Macalé, e poetas e músicos como Chico Caruso e Euclides Amaral.
  • 1996 - CD "Balaio do Sampaio".
  • 2000 - "Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua" - Biografia autorizada, por Rodrigo Moreira, Editora Muiraquitã.
  • 2005 - CD póstumo "Cruel", lançado por Zeca Baleiro.
  • 2009 - "Velho Bandido - O Bloco de Sérgio Sampaio", peça musical apresentada no Teatro de Arena.
  • 2009 - CD "Hoje Não!" - 12 canções de Sérgio Sampaio, sendo uma delas inédita, interpretadas por Juliano Gauche & Duo Zebedeu.

Discografia

Álbuns
  • 1973 - Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua (LP, Philips)
  • 1976 - Tem Que Acontecer (LP, Continental - Reeditado em CD pela Warner Music em 2002)
  • 1982 - Sinceramente (LP)
  • 2006 - Cruel (CD)

Antologias e Participações
  • 1971 - Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10 (LP, CBS)
  • 1972 - Carnaval Chegou (LP)
  • 1973 - Phono 73 (LP)
  • 1975 - Convocação Geral nº 2 (LP)
  • 1998 - Balaio do Sampaio (CD)
  • 2002 - Sérgio Sampaio (CD)

Compactos Simples
  • 1971 - Coco Verde / Ana Juan (CBS)
  • 1972 - Classificados nº 1 / Não Adianta (Participação de Raul Seixas)
  • 1972 - Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua (Phillips/Phonogram)
  • 1974 - Meu Pobre Blues / Foi Ela (1974)
  • 1975 - Velho Bandido / O Teto da Minha Casa
  • 1977 - Ninguém Vive Por Mim / História de Boêmio (Um abraço em Nélson Gonçalves)

Videografia
  • Cachoeiro em Três Tons

Fonte: Wikipédia 
Indicação: Miguel Sampaio

Sebastião Camargo

SEBASTIÃO FERRAZ DE CAMARGO PENTEADO
(84 anos)
Empresário

* Jaú, SP (25/09/1909)
+ São Paulo, SP (26/08/1994)

Sebastião Ferraz de Camargo Penteado foi um empresário brasileiro, fundador da construtora Camargo Corrêa. Era filho de fazendeiros e em 1926, seu pai morreu deixando os dez filhos órfãos e o dinheiro se esvaeceu.

Sebastião Camargo estudou só até o terceiro ano primário e aos 17 anos, aprendeu a transportar terra retirada de construções usando uma carroça puxada por um burro. Tomou gosto pelo negócio e, em 1939, comprou duas carroças. Com a pá em punho e as rédeas nas mãos, Sebastião Camargo ajudou a construir as estradas que se multiplicavam pelo interior de São Paulo.

Logo aprendeu terraplenagem e se transformou num modesto empreiteiro. Quando conheceu o advogado Sylvio Brand Corrêa, em 1939, abriu com ele uma pequena construtora, a Camargo Corrêa & Cia Ltda Engenheiros e Construtores, com um capital de 200 contos de réis.

Em 1940, Sebastião Camargo adquiriu um trator, o que significou grande vantagem tecnológica em relação à concorrência.

Sebastião Camargo e Juscelino Kubitschek
Nos anos 50, a construção de Brasília era o sonho do empreiteiro. Ao participar da licitação, ouviu de um assessor do presidente Juscelino Kubitschek que a Camargo Corrêa não tinha máquinas em número suficiente para encarar as obras da nova capital. "Pois então me dê três dias e eu provo que o senhor está enganado", respondeu, contrariado. Quando o prazo expirou, o empresário desfilou pelo cerrado com mais de 100 tratores vindos de seus canteiros de São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás. Coube à Camargo Corrêa a abertura de várias estradas que possibilitaram o acesso à capital federal.

Em 1960, Juscelino Kubitschek sugeriu que Sebastião Camargo construísse um moinho de trigo para abastecer Brasília. Preocupado com o rigor técnico que a tarefa exigia, ele trouxe um especialista da Suíça para garantir a qualidade do serviço. Batizou-o de Moinho de Trigo Jauense.

Em 1962, quando a empreiteira construiu a hidrelétrica Usina Hidrelétrica Engenheiro Sousa Dias, também conhecida por Usina de Jupiá, no Rio Paraná, uma das maiores do Brasil, concluída em 1968, o tamanho da obra obrigou que uma cidade fosse construída ao seu redor para alojar os 12 mil funcionários.

Nos anos 70, a construtora entrou na licitação para as obras da Ponte Rio-Niterói e tirou o segundo lugar. Mortes de pedreiros e desmoronamentos em meio à construção obrigaram o presidente Emílio Garrastazu Médici a pedir ao empreiteiro que assumisse a obra. "Pois não, senhor presidente, mas vou fazer do meu jeito. Vou começar derrubando tudo e partir do zero", respondeu Sebastião Camargo.


Grupo Camargo Corrêa

A Camargo Corrêa & Cia Ltda. Engenheiros e Construtores foi responsável por mais de mil obras, incluindo as rodovias Imigrantes e Bandeirantes, o gasoduto Brasil-Bolívia, além da Usina Nuclear de Angra I e as hidrelétricas de Ilha Solteira, Itaipu e Tucuruí.

A partir dos anos 1990, o empresário passou a fazer parte da lista de bilionários da revista Forbes e sua fortuna pessoal foi avaliada em US$ 1,3 bilhão. Foi casado com Dirce Camargo, falecida em  20/04/2013, e teve três filhas, Rosana Camargo de Arruda Botelho, Renata de Camargo Nascimento e Regina de Camargo Pires Oliveira Dias.

Após a sua morte por Insuficiência Respiratória em 1994, o controle da Holding Morro Vermelho, que abrangia 34 empresas dos mais variados setores, incluindo agricultura, siderurgia, têxtil, alumínio e transporte, passou para os genros, Fernando de Arruda Botelho, Luiz Roberto Ortiz Nascimento e Carlos Pires Oliveira Dias.

Fernando Botelho faleceu em 13/04/2012 em acidente aéreo na cidade de Itirapina, interior de SP. O atual presidente do grupo é Luiz Roberto Ortiz Nascimento.


Curiosidades

  • O astuto Bastião, como era chamado pelos mais íntimos, ou China, para a maioria, devido aos traços orientais de seus olhos, não admitia homem barbudo, cabeludo ou desquitado na firma.
  • Sempre com um cachimbo na boca, Sebastião Camargo reservava os fins de semana para se atirar no mato. Não era raro ele se aventurar em caçadas no Mato Grosso. Podia-se medir a paixão observando a coleção particular de animais empalhados na fazenda em Jaú. Pelo menos uma vez por ano embrenhava-se em alguma selva africana. Tudo mudou radicalmente em 1988, quando o caçador quase virou caça. Ao deparar-se com um leão, ele mirou a fera e errou o alvo. Foi salvo por pouco e passou a se dedicar à criação de javalis, patos, gado e cavalos.
  • Na construção de Itaipu, houve quase um atrito diplomático. A Camargo Corrêa não havia sido aceita para a obra do lado brasileiro. O ditador paraguaio Alfredo Stroessner, amigo de pescaria do construtor, protestou: "Onde está Don Sebastián?" Ameaçou melar o negócio, obrigando o governo brasileiro a contratar a Camargo Corrêa.

Fonte: Wikipédia

Franc Landi

FRANC LANDI
(46 anos)
Cantor

☼ Manaus, AM (1948)
┼ Manaus, AM (27/04/1994)

Franc Landi foi um cantor nascido em 1948 na cidade de Manaus, AM. Ainda adolescente partiu para o Rio de Janeiro para tentar a carreira artística como cantor. Lançou-se como cantor com o compacto simples que tinha as músicas "Eu Queria Ter Você", composição de Odair José e "Enquanto Eu Chorava", de Reginaldo Rossi.

Franc Landi obteve a primeira grande oportunidade por meio do cantor, compositor e produtor musical, Hyldon, que atuava na divisão popular Polyfar, da gravadora Phonogram. Nos anos 70 em companhia de Hyldon, produziram um compacto em que tinha como carro chefe  a versão da música "Philosopher" da dupla inglesa Yellowstone & Voice, cuja versão recebeu o título de "Diga Pra Mim". A música foi um grande sucesso e rapidamente ocupou as paradas de sucessos de todo o país, inclusive superando em muito a música original inglesa "Philosopher".

Seu primeiro LP "A Voz do Sucesso" era uma coletânea de versões de sucessos internacionais.

Franc Landi morreu precocemente aos 46 anos, em 27/04/1994, na cidade de Manaus, AM, vitima de um aneurisma. Infelizmente existe pouco material disponível sobre o cantor.

Fonte: Jovem Guarda
Indicação: Miguel Sampaio

Tony Ferreira

ANTÔNIO FERREIRA PINTO FILHO
(51 anos)
Ator

* Florianópolis, SC (26/02/1943)
+ Rio de Janeiro, RJ (12/10/1994)

Tony Ferreira estreou na TV em 1972 na primeira versão da novela "Selva de Pedra" vivendo o delegado da história. A partir daí o ator fez mais 21 trabalhos entre novelas e minisséries, a a maior parte delas na TV Globo, embora também tenha trabalhado no SBT e na TV Manchete.

Suas principais participações na TV foram nas novelas "Fogo Sobre Terra" (1974), "Escalada" (1975), "O Grito" (1975), "Estúpido Cupido" (1976), "Sem Lenço, Sem Documento" (1977), "O Astro" (1977), "Água Viva" (1980), "Coração Alado" (1980), "Baila Comigo" (1981), "Final Feliz" (1982), "Um Sonho A Mais" (1985), "Mandala" (1987) e a minissérie "La Mamma" (1990).

Tony Ferreira fez muito cinema tendo se destacado nos filmes "O Ibrahim do Subúrbio" (1976), "As Mulheres Que Dão Certo" (1976), "O Seminarista" (1977), "Noite Em Chamas" (1977), "Inquietações De Uma Mulher Casada" (1979) e "O Grande Palhaço" (1980).

No teatro, Tony Ferreira fez "Ópera Do Malandro" e ainda participou de alguns programas humorísticos como o "Planeta dos Homens".

Tony Ferreira morreu, em 1994, aos 51 anos, vítima de Infecção Generalizada.


Televisão

  • 1991 - O Portador
  • 1990 - La Mamma ... Luigi Vampa
  • 1988 - Olho Por Olho ... Secretário da Justiça
  • 1987 - A Rainha da Vida ... Advogado
  • 1987 - Mandala
  • 1985 - Um Sonho A Mais ... Afonso
  • 1984 - Partido Alto ... Delegado
  • 1984 - Anjo Maldito ... Tomás
  • 1982 - Final Feliz ... Gastão
  • 1981 - Baila Comigo ... Edmundo
  • 1980 - Coração Alado ... Jaime
  • 1980 - Água Viva ... Waldir
  • 1978 - Sinal De Alerta ... Padre Mauro
  • 1977 - O Astro ... Gilberto
  • 1977 - Sem Lenço, Sem Documento ... Gouveia
  • 1976 - Estúpido Cupido ... Fidélis
  • 1975 - O Grito ... Grandalhão
  • 1975 - Escalada ... Bruno
  • 1974 - Fogo Sobre Terra
  • 1973 - Cavalo De Aço
  • 1972 - Selva De Pedra ... Delegado

Cinema

  • 1984 - Amor Maldito
  • 1980 - O Grande Palhaço
  • 1979 - Inquietações De Uma Mulher Casada
  • 1979 - Milagre - O Poder Da Fé
  • 1977 - Noite Em Chamas
  • 1977 - O Seminarista
  • 1976 - As Mulheres Que Dão Certo
  • 1976 - Xica Da Silva
  • 1976 - O Ibraim Do Subúrbio
  • 1976 - O Monstro De Santa Teresa

Teatro

  • Ópera do Malandro
  • Mame-o Ou Deixe-o
  • Cabaret S.A.


Burle Marx

ROBERTO BURLE MARX
(84 anos)
Artista Plástico e Paisagista

* São Paulo, SP (04/08/1909)
+ Rio de Janeiro, RJ (04/06/1994)

Roberto Burle Marx foi um artista plástico brasileiro, renomado internacionalmente ao exercer a profissão de arquiteto-paisagista. Morou grande parte de sua vida no Rio de Janeiro, onde estão localizados seus principais trabalhos, embora sua obra possa ser encontrada ao redor de todo o mundo.

Era o quarto filho de Cecília Burle, de origem pernambucana e francesa, e de Wilhelm Marx, judeu alemão, nascido em Stuttgart e criado em Trier, cidade natal de Karl Marx, primo de seu avô.

A mãe, exímia pianista e cantora, despertou nos filhos o amor pela música e pelas plantas. Burle Marx a acompanhava, desde muito pequeno, nos cuidados diários com as rosas, begônias, antúrios, gladíolos, tinhorões e muitas outras espécies que plantava no seu jardim. Com a ama Ana Piascek aprendeu a preparar os canteiros e a observar a germinação das sementes do jardim e da horta.

O pai era um homem culto, amante da música erudita e da literatura europeia, preocupado com a educação dos filhos, aos quais ensinou alemão, embora se dedicasse aos negócios, como comerciante de couros, num curtume que mantinha em São Paulo.


Mudança Para o Rio de Janeiro

Quando os negócios começam a ir mal em São Paulo, seu pai resolveu mudar-se para o Rio de Janeiro em 1913. A família viveu um tempo em casa de familiares e, quando a nova empresa de exportação e importação de couros de Wilhelm Marx começou a ter resultados positivos, finalmente se mudaram para um casarão no Leme. Nesse casarão, Burle Marx, então com 8 anos, começou a sua própria coleção de plantas e a cultivar suas mudas.

Período na Alemanha

Aos 19 anos, Burle Marx teve um problema nos olhos e a família se mudou para Alemanha em busca de tratamento. Permaneceram na Alemanha de 1928 a 1929, onde Burle Marx entrou em contato com as vanguardas artísticas. Lá conheceu um Jardim Botânico com uma estufa mantendo vegetação brasileira, pela qual ficou fascinado.

As diversas exposições que visitou e, dentre as mais importantes, a de Pablo Picasso, Henri Matisse, Paul Klee e Van Gogh, lhe causaram grande impressão, levando-o à decisão de estudar pintura.

Formação Acadêmica em Arquitetura

Durante a estada na Alemanha, Burle Marx estudou pintura no ateliê de Degner Klemn. De volta ao Rio de Janeiro, em 1930, Lúcio Costa, que era seu amigo e vizinho do Leme, o incentivou a ingressar na Escola Nacional de Belas Artes, atual Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Burle Marx conviveu na universidade com aqueles que se tornariam reconhecidos na arquitetura moderna brasileira: Oscar Niemeyer, Hélio Uchôa, Milton Roberto, entre outros.

Início do Paisagismo Em Recife

O primeiro projeto de jardim público idealizado por Burle Marx foi a Praça de Casa Forte, em Recife, no ano de 1934. Nesse mesmo ano assumiu o cargo de Diretor de Parques e Jardins do Departamento de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco, onde ainda lidava com um trabalho de inspiração levemente eclética, projetando mais de 10 praças. Nesse cargo, fez uso intenso da vegetação nativa nacional e começou a ganhar renome, sendo convidado a projetar os jardins do Edifício Gustavo Capanema, então Ministério da Educação e da Saúde.

Em 1935, ao projetar a Praça Euclides da Cunha (a Praça do Internacional, conhecida também como Cactário Madalena) ornamentada com plantas da caatinga e do sertão nordestino, buscou livrar os jardins do "cunho europeu", semeando a alma brasileira e divulgando o "senso de brasilidade".

Seu grupo do movimento arquitetônico modernista, junto com Luiz Nunes, da Diretoria de Arquitetura e Construção, e Attílio Correa Lima, responsável pelo Plano Urbanístico da cidade, ganhou opositores como Mário Melo e simpatizantes como Gilberto Freyre, Joaquim Cardozo e Cícero Dias, com os quais sempre se reunia. Em 1937 criou o primeiro parque ecológico de Recife.

Ruptura e Modernidade

Sua participação na definição da Arquitetura Moderna Brasileira foi fundamental, tendo atuado nas equipes responsáveis por diversos projetos célebres. O terraço-jardim que projetou para o Edifício Gustavo Capanema é considerado um marco de ruptura no paisagismo brasileiro. Definido por vegetação nativa e formas sinuosas, o jardim, com espaços contemplativos e de estar, possuía uma configuração inédita no país e no mundo.

A partir daí, Burle Marx passou a trabalhar com uma linguagem bastante orgânica e evolutiva, identificando-a muito com vanguardas artísticas como a arte abstrata, o concretismo, o construtivismo, entre outras. As plantas baixas de seus projetos lembram em muitas vezes telas abstratas, nas quais os espaços criados privilegiam a formação de recantos e caminhos através dos elementos de vegetação nativa.

Morreu aos 84 anos vítima de Câncer.

Cronologia

  • 1909 - Nasce Burle Marx em 4 de agosto, em São Paulo.
  • 1913 - Muda-se com a família para o Rio de Janeiro, onde fixam domicílio.
  • 1928 a 1929 - Vive período na Alemanha com a família.
  • 1930 a 1934 - Ingressa e frequenta a Escola Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro.
  • 1932 - Primeiro projeto de paisagismo para a residência da família Schwartz no Rio de Janeiro.
  • 1934 - Assume a Diretoria de Parques e Jardins do Recife, projeta praças e jardins públicos.
  • 1937 - Cria o primeiro Parque Ecológico do Recife.
  • 1949 - Adquire um sítio de 365.000 m², em Guaratiba, RJ, onde abriga uma grande coleção de plantas.
  • 1950 - Projeta o Parque Generalisimo Francisco de Miranda em Caracas, Venezuela.
  • 1953 - Projeta os Jardins da Cidade Universitária da Universidade do Brasil, Rio de Janeiro.
  • 1953 - Projeta o Jardim do Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte.
  • 1954 - Realiza o projeto paisagístico para o Parque Ibirapuera, em São Paulo, SP (não executado).
  • 1955 - Projeta o paisagismo do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ.
  • 1961 - Projeta o paisagismo para o Eixo Monumental de Brasília.
  • 1961 - Paisagismo do Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro.
  • 1968 - Projeta o paisagismo da Embaixada do Brasil em Washington, D.C. (Estados Unidos).
  • 1970 - Projeta o paisagismo do Palácio Karnak, sede oficial do Governo do Piauí.
  • 1971 - Projeta o paisagismo do aterro da Bahia Sul em Florianópolis.
  • 1971 - Recebe a Comenda da Ordem do Rio Branco do Itamaraty em Brasília.
  • 1982 - Recebe o título Doutor honoris causa da Academia Real de Belas Artes de Haia (Holanda).
  • 1982 - Recebe o título Doutor honoris causa do Royal College of Art em Londres (Inglaterra).
  • 1985 - Doou seu sítio de Guaratiba com seu acervo ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN (na ocasião se chamava Fundação Nacional Pró Memória).
  • 1990 - Projeta o paisagismo do Parque Ipanema, em Ipatinga, MG.
  • 1994 - Morre no Rio de Janeiro, em 5 de junho, tendo projetado mais de 2.000 jardins ao longo de sua vida. O falecimento foi no dia 4 de junho.

Fonte: Wikipédia

Fred Jorge

FUED JORGE JABUR
(70 anos)
Compositor, Novelista, Produtor de TV

* Tietê, SP (31/05/1924)
+ Tietê, SP (20/10/1994)

Fued Jorge Jabur, conhecido pelo pseudônimo de Fred Jorge, nasceu em Tietê, SP.  

Depois de formar-se no curso normal, mudou-se para São Paulo, a fim de iniciar sua carreira, e ingressou na Rádio São Paulo, onde em pouco tempo se firmou como novelista, gênero que estava em início e publicou, naquele tempo fantasias denominadas Cartas de Amor, obra com 4 volumes.

Viajou para os Estados Unidos por um ano. Retornou a São Paulo, "versionista" da música moderna americana, traduzindo para o português os grandes sucessos musicais dedicados a juventude.  Foi produtor de televisão do canal 7 Rádio Record e detentor do prêmio Roquette Pinto como melhor novelista de 1964.  

Foi também jornalista, tendo vários livros publicados na série popular, destacando-se Vida de São Judas Tadeu e Vida de ArigóTambém atuou como compositor sendo o autor de uma das músicas que mais fez sucesso em 1970, gravada pelo Rei  Roberto Carlos , intitulada A Palavra Adeus

Fred Jorge trabalhou na Rádio Capital como produtor executivo, transferindo-se depois para a CBS. Escreveu mais de 100 músicas, incluindo versões, adptações e composições. Algumas de suas músicas são: Estúpido Cupido e Lacinhos Côr-de-Rosa gravadas por Celly Campello, Diana gravada por Carlos Gonzaga e Todos os Meus Rumos gravada por  Roberto Carlos.

No final de sua vida, retornou à cidade onde nascera, vivendo pobremente na mesma casa em que vira a luz. A Revista Veja chegou a comentar o fato de que um recordista da autoria de discos e livros vivesse de parcos rendimentos do INSS e nenhum direito autoral.

Faleceu em 20 de outubro de 1994, mas será sempre lembrado como um patrimônio da Jovem Guarda, com suas versões e composições que projetaram o Brasil, em várias partes do mundo. De Tietê, o admirável Fred Jorge, levou o respeito e o carinho de todos aqueles que sempre acompanharam com orgulho sua trajetória de vida.

Em sua homenagem a cidade de Tietê celebra, anualmente, um dia.

Fonte: Wikipédia

Xisto Guzzi

XISTO GUZZI
(94 anos)
Ator e Locutor

* Franca, SP (23/06/1909)
+ Rio de Janeiro, RJ (1994)

Era filho de Ângelo e Virgínia Guzzi, imigrantes italianos. Ainda jovem, a convite de um amigo de infância, Vicente Leporace, participou de um concurso para locutor de rádio e foi aprovado. Então levou o amigo, para juntos dividirem a programação do dia e da noite.

Mais tarde junto com o amigo foi trabalhar em Santos, na época áurea dos cafés e cassinos. Além da longa carreira como locutor, participou de programas de humorismos na Rádio Atlântica de Santos. Ai veio para São Paulo e fez parte da Caravana da Alegria, com Paulo Leblon e Caldeira Filho. A seguir foi contratado pelas Emissoras Associadas, onde ficou por cerca de 40 anos.

Era locutor, radiator e humorista. Era produtor do programa Marmelandia, escrito por Max Nunes. Na Escolinha do Ciccilo, interpretava Mr.Polish, um americano muito engraçado, cuja entrada musical característica do personagem, fazia muito sucesso.


Foto: Xisto Guzzi (em pé da esquerda para a direita)
 Vera Lúcia, Correa Junior, Gentil Castro, João Monteiro
Paulo Leblon, Ibraim Mauá - Ernani Franco


Com a inauguração do televisão, além de rádio, atuava no teleteatro, fazendo novelas. Fez: O Segredo de Laura e várias outras, como O Preço de um Vida, A Outra, O Mestiço, O Direiro de Nascer, onde interpretava o médico, tipo de papel que várias vezes recebeu. E, como curiosidade, era a profissão que teria seguido, se não fosse ator.

Fez cinema, partitipou do filme O Sobrado. Aos 65 anos, em 1974, aposentou-se, deixando inúmeros fãs e amigos. Na mesma ocasião perdeu sua esposa Lila, com quem havia se casado ainda em Santos. Posteriormente foi morar no Rio de Janeiro, onde permaneceu até sua morte, em 1994.

Xisto Guzzi deixou 3 filhos: Ubirajara, Ubiratan e Jussara.

Televisão
  • 1971 - A Fábrica ... Alfredinho
  • 1969 - Nino, o Italianinho ... Pedro
  • 1968 - Antônio Maria
  • 1967 - Yoshico, um Poema de Amor
  • 1966 - Somos Todos Irmãos ... Barão Krischiberg
  • 1965 - O Pecado de Cada Um ... Augusto
  • 1965 - A Outra ... Santana
  • 1965 - Olhos que Amei ... Nahor
  • 1965 - O Mestiço ... Onofre
  • 1965 - Teresa ... Fabiano
  • 1964 - O Segredo de Laura
  • 1964 - A Gata
  • 1962 - A Estranha Clementine
  • 1962 - A Noite Eterna
  • 1959 - TV de Vanguarda
      • Uma Rua Chamada Pecado
      • Eugenia Grandet
      • A Janela
      • O Comediante ... Will C. Brown
      • O Preço da Glória ... Comandante
  • 1958 - Os Miseráveis ... Juiz
  • 1958 - TV Teatro
      • Pode-se Tip Tap de Patins
      • O Príncipe Encantado
  • 1958 - TV de Comédia
      • Vá com Deus
  • 1958 - Marcelino, Pão e Vinho
  • 1958 - Sublime Obsessão
  • 1957 - Seu Genaro
  • 1956 - Douglas Red
  • 1956 - Uma História de Ballet
  • 1956 - Conde de Monte Cristo .... Morrel
  • 1954 - As Aventuras de Red Ringo .... Xerife
  • 1954 - Sangue na Terra .... Delegado
Cinema
  • 1971 - Diabólicos Herdeiros
  • 1968 - O Pequeno Mundo de Marcos
  • 1965 - Quatro Brasileiros em Paris
  • 1965 - O Homem das Encrencas
  • 1962 - O Rei Pelé
  • 1956 - O Sobrado
 Fonte:  Wikipédia

Tonico

JOÃO SALVADOR PEREZ
(77 anos)
Cantor, Compositor e Instrumentista

* São Manuel, SP (02/03/1917)
+ São Paulo, SP (13/08/1994)

Tonico & Tinoco foi uma dupla sertaneja, considerada a mais importante da história da música brasileira e a de maior referência. Em 60 anos de carreira, Tonico & Tinoco realizaram quase 1000 gravações, divididas em 83 discos. As gravadoras a que eles pertenceram já lançaram no mercado um total de 60 discos. Tonico & Tinoco venderam mais de 150 milhões de cópias, realizando cerca de 40.000 apresentações em toda a carreira.

O gosto pela música veio dos avós maternos Olegário e Izabel, que alegravam a colônia com suas canções, ao som de uma antiga sanfona. A primeira música que aprenderam foi Tristeza do Jeca em 1925. Em 15 de agosto de 1935 fizeram a primeira apresentação profissional. Cantaram na Festa de Aparecida de São Manuel, onde milhares de pessoas de todo o Brasil visitam o segundo Santuário dedicado à Padroeira do Brasil. Junto com o primo Miguel, formavam o Trio da Roça.

Em 1931, Tonico & Tinoco moravam em Botucatu, SP, na Fazenda Vargem Grande, de Petraca Bacci, com os pais, Salvador Perez, um espanhol de Léon, chegado ao Brasil criança, em 1892 e Maria do Carmo, uma brasileira descendente de negros com bugres. A exemplo de outras crianças da época, os dois garotos, mal aprenderam a falar, já eram cantadores das modas de viola. Aprendiam as letras com Virgílio de Souza, violeiro das redondezas. Num baile que Tonico conheceu e apaixonou-se por Zula, filha do administrador da fazenda, Antônio Vani. O pai proibiu o namoro e magoado, Tonico compôs Saudosa Maloca.

Como não havia rádio na região, o conjunto ficou famoso. Mas Tonico & Tinoco só cantavam em dupla nas horas vagas ou nas folgas do trabalho, quando a turma parava para tomar café. Cantavam as modas de viola de Jorginho do Sertão, um autor imaginário, que utilizavam para assinar suas canções, que falava da crise no país com as revoluções de 1930 e 1932.

No fim do ano agrícola de 1937, os Pérez decidiram, com outras famílias, tentar a vida na cidade de Sorocaba, SP. As irmãs Antonia, Rosalina e Aparecida foram trabalhar na fábrica de tecidos Santa Maria. Tonico foi ser servente na Pedreira Santa Helena, fábrica do cimento Votorantim. Tinoco virou engraxate na Estação Sorocabana, e Chiquinho engajou-se na construção da Rodovia Raposo Tavares, que liga o sul de São Paulo ao Mato Grosso do Sul.

A crise econômica do país chega ao auge. Getúlio Vargas implanta a ditadura do Estado Novo. Adolf Hitler invade e ocupa a Tchecoslováquia e depois a Polônia. Começa a Segunda Guerra Mundial. A vida em Sorocaba fica insuportável, nada dá certo para os Pérez e eles decidem retornar ao campo, agora para a Fazenda São João Sintra, em São Manuel, SP.

A volta, contudo, possibilitou aos irmãos Perez a primeira chance de cantar numa rádio. O administrador da fazenda, José Augusto Barros, levou-os para cantar na Rádio Clube de São Manuel - ainda hoje lá, na Rua Coronel Rodrigues Alves, no centro da cidade. Assim, até o final de 1940, eles ficam trabalhando na roça durante a semana e aos domingos cantam na emissora da cidade. Só por amor à arte, sem ganhar. As dificuldades levaram os Pérez a uma derradeira migração.

Em janeiro de 1941 chegam, de mala e cuia - quatro sacos com os “trens” de cozinha e duas trouxas de roupa - a São Paulo. À falta de profissão, as meninas foram trabalhar em casa de família, Tinoco num depósito de ferro-velho, Chiquinho na Metalúrgica São Nicolau e Tonico, sem outra alternativa, comprou uma enxada e foi ser diarista nas chácaras do bairro de Santo Amaro.

Os tempos duros da cidade grande tinham lá sua compensação, principalmente nos domingos, quando a família ia ao circo, na Rua Lins de Vasconcelos no então pacato bairro do Cambuci. Num desses espetáculos, os irmãos conheceram pessoalmente Raul Torres e Florêncio, a dupla de violeiros mais famosa de São Paulo e que depois,com Rielli na sanfona, formaram na Rádio Record o famoso trio Os Três Batutas do Sertão.

Em São Paulo, inscreveram-se no programa de calouros comandado por Chico Carretel (Durvalino Peluzo), na Rádio Emissora de Piratininga. O Capitão Furtado, que estava sem violeiro em seu programa Arraial da Curva Torta, na Rádio Difusora, promoveu então concurso para preencher a vaga: os dois irmãos, formando a dupla Irmãos Perez, cantaram o cateretê Tudo Tem no Sertão (Tonico). Classificados para a final, interpretaram de Raul Torres e Cornélio Pires, (esse último um radialista e pesquisador que foi pioneiro no estudo da vida sertaneja, especialmente a paulista, e que deixou uma extensa obra a respeito.) Adeus Campina da Serra. Quando terminaram, o auditório aplaudiu de pé, em meio a lágrimas. Todos pediam bis àquela dupla que cantava diferente, com afinação, fino e alto. Todos os outros violeiros foram abraçá-los. O cronômetro marcava 190 segundos de aplausos, contra apenas 90 segundos da dupla segundo colocada.

No dia seguinte o Trio da Roça estava contratado pela Rádio Difusora, que naquele período havia sido comprada pela Rádio Tupi, parte de ofensiva do jornalista Assis Chateaubriand para formar uma poderosa rede de veículos de comunicação - os Diários e Emissoras Associados. Três meses depois o contrato foi renovado por dois anos e o salário foi acertado em cruzeiros, a nova moeda que aposentara os réis. Eram 1.200,00, uma fortuna comparado ao salário mínimo da época, de 280,00.

Já sem o primo Miguel, eles eram apenas os Irmãos Pérez. Um dia, durante um ensaio do programa Arraial da Curva Torta, o Capitão Furtado - de batismo Ariosvaldo Pires, sobrinho de Cornélio Pires, apresentador do programa e também lendário divulgador da música sertaneja - disse que uma dupla tão original, com vozes gêmeas, não poderia ter nome espanhol. Batizou-os, na hora, de Tonico & Tinoco.

A divulgação nos programas da rádio transformava a dupla em sucesso imediato, fazendo surgir dezenas de convites para shows. A primeira apresentação dessas foi no Cine Catumbi, em São Paulo, atualmente transformado em uma casa de forró sertanejo. Depois rumaram para o interior, em excursões que demoravam semanas. Apresentavam-se em cinemas, clubes e até em pátios vazios de armazéns. Quando terminaram a primeira excursão, no Circo Biriba, em Ribeirão Preto, fizeram a partilha do lucro: 4500,00 cruzeiros para cada um.

A dupla estreou em disco, na Continental, em 1944, com o cateretê Em Vez de me Agradecê (Capitão Furtado, Jaime Martins e Aimoré), que foi lançada em 1945. Na gravação de Em Vez de me Agradecê ocorreu um fato inusitado, pois eles a gravaram e em seguida, quando foram gravar o lado B do disco soltaram a voz tão alto, da forma como cantavam lá na roça e estouraram o microfone. Como o processo de gravação era algo muito caro, o disco saiu apenas com um lado, mas como punição a dupla precisou ficar seis meses fazendo aula de canto para educar a voz e voltar a gravar. Por isso que o lançamento do primeiro 78 rpm para o segundo é curto pois eles gravaram a primeira moda ainda em 1944.

Bem sucedida com essa gravação, que serviu de teste, gravou seu primeiro disco completo, a moda de viola Sertão do Laranjinha, motivo popular adaptado pela dupla e Capitão Furtado, e Percorrendo o Meu Brasil, com João Merlini, que foi sucesso imediato. No ano seguinte, 1946, o sucesso definitivamente chegou com Chico Mineiro (Tonico e Francisco Ribeiro).

Com o sucesso de Chico Mineiro a dupla consagrou-se definitivamente e tornou-se a dupla sertaneja mais famosa do Brasil. Uma curiosidade: quando Tonico & Tinoco foram gravar Chico Mineiro a gravadora havia informado que esse seria o último disco da dupla, pois eles já haviam gravado 5 discos e existia sempre uma reclamação dos ouvintes com relação a dupla, alegavam que não era possível entender a pronuncia deles nas letras das músicas, os fãs não entendiam o que eles estavam dizendo. Aí surgiu Chico Mineiro e tudo mudou, inclusive com o dinheiro que eles ganharam com essa música conseguiram comprar sua primeira casa para viver com a família. Desde então, tornou-se a dupla sertaneja mais famosa do país.

Ao final da Segunda Guerra Mundial, o número de emissoras de rádio saltou para 117, e os aparelhos receptores eram 3 milhões. Tonico & Tinoco estão agora na Rádio Nacional de São Paulo onde nasceu um de seus mais marcantes programas: Um dia, o auditório estava ocupado com um ensaio e como eles precisavam entrar no ar, puxaram os microfones para fora e fizeram a apresentação do corredor. O locutor Odilon Araújo perguntou de onde o programa estava sendo transmitido e Tinoco respondeu: "Da Beira da Tuia". O nome ficou.

Apesar da popularidade, o trabalho para dupla sertaneja era garantido, porém limitado aos circos. Felizmente nessa época, apenas em São Paulo estavam baseados cerca de 200 circos que iam ao interior para apresentação dos ídolos sertanejos do rádio.

Em 1961 estreiam no cinema com o filme Lá no Meu Sertão de Eduardo Llorente, filme baseado na vida e obra de Tonico & Tinoco. No final de 1960 a dupla recebera um golpe quase mortal, quando Tonico, tuberculoso desde 1940, precisou ser internado num hospital em Campos do Jordão, SP, cedendo lugar para o irmão Chiquinho tanto nos shows, quanto nos programas de rádio e gravações de discos. Tonico fez uma cirurgia e um tempo depois deixou o hospital com a certeza que não voltaria mais a cantar. Tinoco, através da Rádio Nacional onde faziam o programa, pediu para os fãs rezarem pela saúde de Tonico, o qual ficou curado, e voltou a cantar com mais força e beleza. Em devoção a Nossa Senhora Aparecida, a quem a dupla atribuiu sua cura, construíram na Vila Diva, em São Paulo, uma capelinha que recebe romeiros e devotos até hoje.

Em 1965 filmaram Obrigado à Matar de Eduardo Llorente, um filme baseado na lenda do Chico Mineiro. No ano de 1969, ocorrem novas mudanças na carreira de Tonico & Tinoco, eles estreiam na Rádio Bandeirantes onde permaneceram até 1983.


No cinema, em 1969, fizeram A Marca da Ferradura de Nelson Teixeira Mendes. Em 1970 Tonico & Tinoco resolvem lançar um LP intitulado Recordando Raul Torres em homenagem ao cantor. Conseguiram a autorização para gravar as músicas, entre elas, Moda da Mula Preta, Pingo d´Agua e Chico Mulato (Raul Torres e João Pacífico), mas infelizmente Raul Torres não chegou a ouvir as gravações, tendo falecido dois meses antes do lançamento.

Gravaram em referência a famosa estrada do norte do Brasil, Transamazônica (Tonico e Caetano Erba) e em homenagem a sua terra natal, São Manuel, SP, Minha Terra, Minha Gente (Tonico). Filmaram ainda nesse ano Os Três Justiceiros de Eduardo Llorente, uma espécie de bang-bang, sem muito sucesso.

Em 1972, já com um enorme prejuízo, filmam Luar do Sertão de Osvaldo de Oliveira e desistem da carreira de atores. Quase faliram nessa incursão pelo cinema. Mazzaropi fazia sucesso e fortuna pois produzia, distribuía e fiscalizava seus filmes, já Tonico & Tinoco sem condições de ter um fiscal na porta de cada cinema onde seus filmes eram exibidos, foram passados para trás, arcando com um prejuízo imenso.

Em 1979, precisamente no dia 6 de junho, Tonico & Tinoco fazem o que nenhum caipira havia sonhado: apresentam-se no Teatro Municipal de São Paulo, num show de três horas que reúne um público recorde de 2.500 pessoas. Da Beira da Tuia, celeiros centenários onde cantavam no passado, os Irmãos Perez chegavam a um dos mais famosos teatros do mundo, que até então só abria suas portas para óperas, balés e concertos eruditos.


Permaneceram na Continental até 1982, emplacando vários sucessos. Nesse ano resolvem ir para a gravadora Copacabana onde mudam seu repertório, passam a gravar músicas mais alegres, arrasta-pés divertidos e Nadir Perez, esposa de Tinoco passa a assinar várias músicas com a dupla. No ano de 1983 estreiam o programa Na Beira da Tuia na TV Bandeirantes e lançam o filme O Menino Jornaleiro, só que dessa vez como co-produtores.

Em 1984 participam do filme A Marvada Carne de André Klotzel, como convidados especiais.

Em 1989 voltam para a  Copacabana e gravam Mãe Natureza (Tinoco e José Carlos). Nesse disco Tonico já se encontrava bastante debilitado mas continuava sua carreira.

No ano de 1994 na Polygram com a produção de José Homero e Chitãozinho, gravam seu último trabalho, onde destaca-se Coração do Brasil (Joel Marques e Maracaí) com participação especial de Chitãozinho & Xororó e Sandy & Júnior, e Chora Minha Viola (Nilsen Ribeiro e Geraldo Meirelles).

Apresentaram o programa Na Beira da Tuia nas seguintes emissoras: TV Bandeirantes (1983), SBT (1988), TV Cultura (Viola, Minha Viola).


Realizaram grandes eventos, como A Grande Noite da Viola, no Maracanãzinho, Rio de Janeiro (1981), Teatro Municipal de São Paulo (1979), Semana Cultural Tonico & Tinoco no Centro Cultural de São Paulo (1988) e o Troféu Tonico & Tinoco (1992). No mesmo ano, realizaram um show em conjunto com Chitãozinho e Xororó na cidade de São Bernardo do Campo, SP, onde foram prestigiados por mais de 100.000 espectadores.

Entre as inúmeras premiações destacamos:

  • 04 Roquette Pinto 
  • Medalha Anchieta (Comenda da Cidade de São Paulo)
  • Ordem do Trabalho (Ministro do Trabalho Almir Pazzianoto)
  • Ordem do Mato Grosso (Comendador)
  • Troféu Imprensa
  • 02 Prêmios Sharp de Música
  • Prêmio Di Giorgio

O slogan "A Dupla Coração do Brasil", surgiu em 1951, quando o humorista Saracura resolveu batizá-los assim, pela interpretação de todos os ritmos regionais. A dupla passou por todas as mudanças na música sertaneja, mas jamais mudou seu estilo, copiadíssimo durante as décadas de 1950 e 1960.

O último show da dupla Tonico & Tinoco foi na cidade mato-grossense de Juína, no dia 7 de agosto de 1994.

A Morte de Tonico

Tonico (João Salvador Perez), faleceu no dia 13 de agosto de 1994, após uma queda da escada do prédio onde morava.

Fonte:  Wikipédia