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Franco da Rocha

FRANCISCO FRANCO DA ROCHA
(69 anos)
Psiquiatra, Psicanalista, Escritor e Ornitólogo

☼ Amparo, SP (23/08/1864)
┼ São Paulo, SP (08/11/1933)

Francisco Franco da Rocha foi um médico psiquiatra brasileiro. Foi também músico, escritor e ornitólogo (especialista em Tico-Tico). Natural da cidade de Amparo, interior de São Paulo, realizou sua formação na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, sendo aluno de João Carlos Teixeira Brandão, interno da Casa de Saúde Doutor Eiras no Rio de Janeiro, e adepto da corrente francesa de psiquiatria, que à época predominava no país, e doutorou-se pela Universidade de São Paulo. Foi um dos pioneiros do uso de técnicas modernas no tratamento de doenças mentais no Brasil. 

Era filho do Drº José Joaquim Franco da Rocha e de Dona Maria Isabel Galvão Bueno Franco da Rocha.

Após concluir sua formação, Franco da Rocha voltou a São Paulo e, em 1893, foi nomeado para compor o corpo médico do Hospício de Alienados deste estado. A partir de então, passou a reivindicar, junto aos dirigentes estaduais, a criação de um novo hospício, projetado segundo os modernos critérios da psiquiatria, opondo-se veementemente à proposta leiga de descentralização da assistência aos alienados que então tramitava no governo. Sua proposta venceu e, em 1895, começou a ser construída nova instituição e, no ano seguinte, foi nomeado diretor clínico do Hospício de Alienados de São Paulo.

Em 1898 foi inaugurado o novo hospício, fundado por ele, o Asilo de Alienados do Juqueri, que em 1928 passou a se denominar Hospital e Colônias de Juqueri e mais tarde passou a se chamar Hospício de Juquery, sendo dirigido por Franco da Rocha desde sua fundação até 1923. O Hospital Psiquiátrico do Juqueri, localizado no atual município de Franco da Rocha, em meados do século XX, chegou a ser o maior hospital psiquiátrico da América Latina. A unidade começou a ser construída em 1895, com projeto do arquiteto Ramos de Azevedo, uma área de 150 hectares, com capacidade inicial de 800 leitos, em um terreno à margem da linha férrea, próximo à estação Juqueri. Este espaço foi inaugurado com o nome de Hospital Asilo Colônia, mas só concluído seis anos depois.

Hoje é chamado de Hospital Psiquiátrico do Juqueri, na Vila Juqueri, atual município de Franco da Rocha, nome esse dado ao município em sua homenagem (decreto lei 6.693 de 21/09/1934). A direção foi entregue ao grande psicanalista que passou a morar no local com a família e lá criou seus seis filhos, junto com a esposa Dona Leopoldina Lorena Ferreira Franco da Rocha. Na virada do século conheceu às idéias de Freud e iniciou seus estudos psicanalíticos propriamente ditos, e obteve destaque também na carreira acadêmica. 


Criou seis filhos dentro do espaço físico do Hospício de Juqueri. Foi, talvez, o primeiro médico residente na acepção radical do termo. Sua vida foi dedicada ao Hospício de Juqueri. Participou da escolha do local, planejou sua estrutura e dedicou sua vida no atendimento dos pacientes e construindo uma equipe que foi fundamental no desenvolvimento da psiquiatria paulista.

Iniciou sua carreira de médico preocupando-se com o tratamento dos doentes mentais. Foi pioneiro na utilização da laboterapia, um tipo de tratamento que não feria a dignidade dos pacientes, com o auxílio de trabalhos como a manutenção de hortas e pomares outras atividades manuais, sendo que para desenvolver esse tipo de tratamento, ajudou a fundar um Asilo Colônia.

Franco da Rocha foi o primeiro professor de Neuropsiquiatria da Faculdade de Medicina de São Paulo (1918-1923). Na aula inaugural, discorreu sobre as idéias de Freud, porém nesse campo foi apenas um estudioso, sem praticá-las profissionalmente.

Com o amigo Durval Marcondes ajudou a fundar a Sociedade Brasileira de Psicanálise (1927), a primeira instituição psicanalítica da América Latina, e um passo decisivo para o desenvolvimento da área, no Brasil.

Participou também, de acordo a historiadora Pietra Diwan, em seu livro "Raça Pura" (Editora Contexto, 2007), dos quadros da Sociedade Eugênica de São Paulo, juntamente com expoentes da intelectualidade nacional, como o médico Arnaldo Vieira de Carvalho e o escritor Monteiro Lobato, no qual divulgavam a tese da importância do aperfeiçoamento racial denominada Eugenia, criada pelo médico inglês Francis Galton (1822-1911), que tinha como objetivo o estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações, seja física ou mentalmente.

Franco da Rocha aposentou-se do cargo de Diretor do Hospício de Juqueri em 1923, aos 58 anos de idade, e anos depois, por iniciativa de discípulos e amigos, em 1928 foi erguida uma herma do mestre, busto em que o peito, as costas e os ombros são cortados por planos verticais, em bronze, no saguão do hospital.

Autor de uma vasta bibliografia encontrada no Índice Bibliográfico Brasileiro de Psiquiatria, faleceu em São Paulo, em conseqüência de Enfisema Pulmonar, aos 69 anos de idade, em 8 de novembro de 1933. 

Olegário Maciel

OLEGÁRIO DIAS MACIEL
(77 anos)
Engenheiro e Político

* Bom Despacho, MG (08/10/1855)
+ Belo Horizonte, MG (05/09/1933)

Foi um dos líderes da Revolução de 1930 que conduziu Getúlio Vargas ao poder no Brasil.

Filho de Antônio Dias Maciel e Flaviana Rosa da Silva Maciel, iniciou seus estudos no Colégio do Caraça. Formou-se em Engenharia pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro em 1878. Foi engenheiro superintendente da Companhia Belga da Estrada de Ferro Pitangui-Patos e também juiz de paz em Santo Antônio de Patos, atual Patos de Minas, MG.

O município vizinho de Patos de Minas passou a se chamar Presidente Olegário em homenagem à Olegário Maciel, que fora presidente da província de Minas Gerais no tempo da República Velha (1889-1930).

Atuação Política

Iniciou sua carreira política em Minas Gerais como deputado provincial pelo Partido Liberal entre 1880 e 1883. No início da República, elegeu-se deputado à Constituinte Mineira de 1891 a 1893. Foi eleito deputado federal pelo Partido Republicano Mineiro (PRM) em 1894, iniciando ali um longo período de permanência na Câmara Federal, onde obteve sucessivos mandatos até 1911.

Permaneceu alguns anos afastados da política, exercendo os cargos de consultor técnico do Ministério de Viação e Obras Públicas e inspetor dos Serviços de Vias Férreas durante o governo de Venceslau Brás (1914-1918).

Retornou à política ao se eleger vice-presidente do estado de Minas Gerais para o período de 1922 a 1926 na chapa de Raul Soares de Moura, assumindo o governo de agosto a dezembro de 1924, em virtude da doença e morte de Raul Soares. Também em 1922, elegeu-se senador por Minas Gerais, permanecendo no cargo por oito anos.

Em 1930 foi indicado por Antônio Carlos Ribeiro de Andrada para sucedê-lo na presidência de Minas Gerais, elegeu-se e assumiu o cargo em 7 de setembro daquele ano. Assim como Antônio Carlos, que por temer a derrota adiou por muito tempo seu apoio ao movimento que pretendia depor o presidente Washington Luís, Olegário Maciel também hesitou inicialmente em colocar-se ao lado dos revolucionários.

Após algumas consultas ao ex-presidente Artur Bernardes, acabou por juntar-se aos estados do Rio Grande do Sul e da Paraíba, derrubando Washington Luís para evitar a posse de Júlio Prestes, que vencera a disputa pela Presidência da República travada com o candidato apoiado pela Aliança Liberal, Getúlio Vargas. O movimento saiu-se vitorioso e conduziu Getúlio Vargas à Presidência da República. Olegário Maciel foi o único dos presidentes estaduais a ser mantido em seu cargo, uma vez que, para os demais Estados, Getúlio Vargas nomeou interventores federais.

Olegário Maciel apoiou em Minas Gerais a formação de uma agremiação fascista, denominada Legião de Outubro, cujo objetivo era fortalecer o apoio ao novo regime, o que despertou a reação contrária de Artur Bernardes e seus seguidores dentro do Partido Republicano Mineiro.

Em agosto de 1931, Osvaldo Aranha tentou um golpe contra Olegário Maciel, no entanto a tentativa de afastá-lo do governo de Minas foi frustrada pela ação da Força Pública estadual, sob o comando de seu oficial-de-gabinete Gustavo Capanema.

Olegário Maciel tentou reunir as forças políticas mineiras no Partido Social Nacionalista, mas seus esforçoes não lograram êxito em razão do Movimento Constitucionalista deflagrado por São Paulo em 9 de julho de 1932. Se antes do conflito Olegário Maciel era entusiasta da reconstitucionalização do Brasil, após o levante paulista preferiu manter-se fiel ao governo federal, não apenas deslocando tropas de Minas Gerais para combates na divisa com São Paulo, como também punindo quem tentava dentro de Minas Gerais apoiar as ações paulistas, como era o caso de Artur Bernardes e Venceslau Brás.

Fundou em 1933 o Partido Progressista, vindo a falecer alguns meses depois.

Fonte: Wikipédia