Enéas Carneiro

ENÉAS FERREIRA CARNEIRO
(68 anos)
Médico, Físico, Matemático e Político


* Rio Branco, AC (05/11/1938)
+ Rio de Janeiro, RJ (06/05/2007)

Enéas Ferreira Carneiro foi um médico cardiologista, físico, matemático e político brasileiro nascido em Rio Branco, AC, no dia 05/11/1938.

Como político, fundou o extinto Partido de Reedificação da Ordem Nacional (PRONA). Foi filiado ao Prona de 1989, sua fundação, até 2006, quando ocorreu sua fusão com o Partido Liberal (PL), surgindo o Partido da República (PR), do qual foi filiado de 2006 a 2007, ano de sua morte.

Em sua juventude, Enéas se interessou pela leitura dos textos de Friedrich Engels, o que o tornou num entusiasta do socialismo científico. Segundo suas próprias palavras, ele sonhava com a União Soviética que emergia na Guerra Fria, mas deixou de ser socialista pois, segundo ele, "quando o estado toma conta dos meios de produção, a competição some, e satisfeitas as necessidades básicas, como habitação,a sociedade entra em letargia e não se desenvolve!".

Após se candidatar três vezes à Presidência da República (1989, 1994 e 1998), e uma vez à prefeitura de São Paulo (2000), em 2002, foi eleito Deputado Federal pelo Estado de São Paulo, recebendo votação recorde: Mais de 1,57 milhão de votos, a maior votação já registrada no país.

Tornou-se muito famoso em todo o Brasil a partir de 1989, em sua candidatura à Presidência da República daquele ano, por seu bordão "Meu nome é Enéas!", usado sempre ao término de seus pronunciamentos no horário eleitoral gratuito brasileiro.

Era conhecido por seu nacionalismo e oposição ao neoliberalismo, por ser contrário ao comunismo e por seu conservadorismo. Seus posicionamentos políticos são colocados por vezes na extrema-direita, porém o próprio Enéas afirmou ser contrário a classificação esquerda-direita, definindo-se como nacionalista, somente. Alguns críticos, ainda, tentaram associá-lo a uma espécie de novo símbolo do Movimento Integralista, devido à semelhanças entre opiniões do eleitorado do PRONA e dos extintos partidos integralistas.

Enéas Ferreira Carneiro nasceu na cidade de Rio Branco, no Estado do Acre, em 1938. Filho de Eustáquio José Carneiro, barbeiro, e Mina Ferreiro Carneiro, dona de casa. Perdeu o pai aos 9 anos de idade, sendo obrigado a trabalhar desde essa idade para sustentar a si e à sua mãe. Quando nasceu, sua família estava em condições de miséria. Se mudou para Belém, PA, com condições financeiras um pouco melhores, onde morou em um barraco e tinha como alimentação farinha e café.

Foi casado com Jamile Augusta Ferreira, que conheceu na Escola de medicina e cirurgia do Rio de Janeiro. Enéas a conheceu quando estava lendo um livro de ciências exatas, sendo abordado por ela, interessada pela leitura, posteriormente tornando-se sua namorada. O casal teve uma filha, quando terminaram os estudos na escola de medicina, chamada Janete. Cinco anos mais tarde teve outra filha chamada Gabriela com Selene Maria, relacionamento que, como o anterior, não foi duradouro.

Enéas, por volta de 1982, casou-se com a promotora da auditoria militar, Adriana Lorandi. Com ela teve sua terceira filha, Lígia. O casal se separou pois para criar o PRONA Enéas precisou se desfazer de muitos bens. "Ela não aguentou. Torrei todo meu patrimônio, uns imóveis e jóias porque queria construir o Prona".

Carreira

Em 1958 iniciou seus estudos no Rio de Janeiro, na Escola de Saúde do Exército. Em 1959 formou-se terceiro-sargento auxiliar de anestesiologia, sendo primeiro lugar de sua turma.

Em 1960 iniciou seus estudos na Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro.

Em fevereiro de 1962, prestou exame vestibular para a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade do Estado da Guanabara, atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), curso de licenciatura em matemática e física. Aprovado em primeiro lugar. No mesmo ano iniciou atividade como professor destas disciplinas, preparando alunos para vestibulares.

Em 1965 formou-se médico pela já citada Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, pedindo então baixa do Exército, após 8 anos de serviço ativo no Hospital Central do Exército, onde auxiliou os médicos em mais de 5.000 anestesias, já tendo recebido a Medalha Marechal Hermes.

Em 1968 diplomou-se licenciado em Matemática e Física pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade do Estado da Guanabara e fundou o Curso Gradiente, pré-universitário, do qual foi diretor-presidente e onde lecionou matemática, física, química, biologia e português.

Em 1969 fez o curso de especialização em cardiologia na 6ª Enfermaria da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro e, a partir daí, foi integrado como assistente naquele Serviço de Cardiologia.

De 1973 a 1975 fez um mestrado em cardiologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Nesse período ministrou também aulas de fisiologia e semiologia cardiovascular na mesma universidade.

Em 1975 apresentou a primeira versão de seu famoso curso "O Eletrocardiograma", no Rio de Janeiro, mais tarde ministrado em São Paulo (1983), Quito, Equador (1985) e novamente no Rio de Janeiro (1986), dessa vez como curso nacional, ocorrido no Copacabana Palace.

Em 1976 defendeu sua dissertação de mestrado, "Alentecimento da Condução AV", e recebeu o título de Mestre em Cardiologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ainda em 1976 escreveu o livro "O Eletrocardiograma", referência no gênero.

Publicado em 1977 e reeditado em 1987 como "O Eletrocardiograma: 10 Anos Depois", essa obra é conhecida no meio médico como a "Bíblia do Enéas".

De acordo com Enéas, ele já trabalhou em construção civil como apontador de obras, foi tradutor de inglês, trabalhou em açougue e foi auxiliar de escritório.

Carreira Política

Candidaturas à Presidência

Enéas fundou, em 1989, o Partido de Reedificação da Ordem Nacional (PRONA), lançando-se imediatamente candidato à presidência nas primeiras eleições diretas do Brasil, após o período da Ditadura Militar. O seu tempo na propaganda eleitoral gratuita era de quinze segundos. Todavia, sua aparência exótica, um homem pequeno, calvo, com enorme barba cerrada e grandes óculos, aliada a uma fala rápida e a um discurso inflamado e nacionalista, terminado sempre por seu bordão: "Meu nome é Enéas!", fez com que o então desconhecido político angariasse mais de 360 mil votos, colocando-o em 12º lugar entre 21 candidatos. A propaganda vinha sempre acompanhada pela Sinfonia n.º 5 de Ludwig van Beethoven.

Percebendo a penetração de sua imagem junto ao eleitorado, Enéas voltou a se candidatar em 1994, dispondo então de 1 minuto e 17 segundos no horário eleitoral. Mesmo sendo o Partido de Reedificação da Ordem Nacional (PRONA) um partido ainda sem expressão, o resultado surpreendeu os especialistas em política. Enéas foi o terceiro mais votado, com mais de 4,6 milhões de votos (7%), posicionando-se à frente de políticos consagrados, como o então governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola e o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia, ficando atrás apenas de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva.

Em 1998, com 35 segundos disponíveis no horário eleitoral, na soma total, um tempo menor do que em 1989, Enéas expôs seu discurso em que defendeu questões polêmicas como a construção da bomba atômica, a ampliação do efetivo militar e a nacionalização dos recursos minerais do subsolo brasileiro. Nas eleições presidenciais daquele ano, foi o quarto colocado, com um total de 1.447.090 votos.

Segundo o candidato, sua entrada na vida política deve-se às reclamações de sua esposa, que estava saturada de suas queixas à situação do país e aos políticos.

Candidaturas à Prefeitura de São Paulo e a Deputado Federal

Em 2000 candidatou-se à prefeitura de São Paulo, obtendo 3% dos votos, e conseguiu reunir votos para a eleição de sua candidata a vereadora Havanir Nimtz.

Em 2002 candidatou-se a Deputado Federal por São Paulo, obtendo a maior votação da história brasileira para aquele cargo: cerca de 1,57 milhão de votos, recorde que permanece não superado. Seu partido obteve votos suficientes para, através do sistema proporcional, eleger mais cinco Deputados Federais, todos homens fundadores do partido, para atuação em Brasília, mesmo com votações inexpressivas, abaixo dos mil votos. Este episódio ficou marcado pela polêmica de que alguns destes candidatos teriam mudado de colégio eleitoral de forma ilegal apenas para serem eleitos pelo princípio da proporcionalidade, confiando nos votos conferidos ao partido através de Enéas.

Enéas também participou ativamente das eleições para prefeitos e vereadores em 2004, ajudando a eleger vereadores em várias capitais, como Rio de Janeiro e São Paulo, e prefeitos em pequenas cidades.

No início de 2006, Enéas passou por sérios problemas de saúde, uma pneumonia e uma leucemia mieloide aguda, fazendo com que ele optasse por retirar sua emblemática barba, antes que a quimioterapia o fizesse. Ainda em função de seus problemas de saúde, em junho de 2006 Enéas anunciou que desistiria de sua candidatura à Presidência da República e que concorreria novamente à Câmara de Deputados. Na nova campanha, mudou seu bordão para "Com barba ou sem barba, meu nome é Enéas". Foi reeleito com a quarta maior votação no estado de São Paulo, atingindo 386.905 votos, cerca de 1,90% dos votos válidos no Estado.

Após o primeiro turno das eleições presidenciais de 2006, seu partido, o Partido de Reedificação da Ordem Nacional (PRONA), se funde com o Partido Liberal (PL) e então é fundado um novo partido, o Partido da República (PR).

Posições Principais

Neoliberalismo, Aborto e Homossexualidade

No programa especial do Partido de Reedificação da Ordem Nacional (PRONA), o candidato criticou o Estado Mínimo, alegando que o pensamento de que o Estado deve ser o menor possível é "modernismo". Em seguida o candidato ataca a política de privatizações, alegando que elas são "negociatas feitas para transferir o formidável patrimônio público para uma minoria privilegiada de representantes legítimos do sistema financeiro internacional''.

Em seu livro "Um Grande Projeto Nacional", Enéas critica várias privatizações, como a privatização da Vale do Rio Doce e das telecomunicações. Ao se referir a Vale do Rio Doce, Enéas diz:
''A Vale era e ainda é a maior mineradora de ferro do planeta. Sua alienação é inconstitucional. Não há valor para elas (as ações da empresa) e, se houvesse, esse valor estaria acima de dois trilhões de dólares, e muito mais quando se levam em conta cenários do comércio mundial diferentes do absurdo de hoje, em que não se dá valor às riquezas naturais."
Também em seu livro, Enéas critica o neoliberalismo, definindo-o como a liberdade absoluta. ''A liberdade absoluta leva a um verdadeiro massacre dos mais fracos pelos mais fortes", disse. Mais a frente, no mesmo livro, Enéas alega que o Estado defendido por ele e seus aliados é um Estado forte, técnico e intervencionista.

O político também era contrário ao aborto e à legalização de drogas. Ao referir-se, em entrevista, ao aborto, Enéas disse que ele está dentro do projeto mundial neo-malthusiano, que visa diminuir a população brasileira para que o território não possa ser defendido, em virtude da baixa natalidade. Completou afirmando que o aplauso ao homossexualismo faz parte dessas políticas. Apesar de condenar a ovação em torno do homossexualismo, o político negou atacar a existência de homossexuais. Devido às suas críticas ao que ele considera como uma ovação ao homossexualismo, Enéas foi acusado várias vezes de ser homofóbico, acusação que ele desmentiu em duas das entrevistas em que participou.

Em um debate para a prefeitura de São Paulo, transmitido pela Rede Bandeirantes, Paulo Maluf criticou Enéas sobre sua afirmação de que Lula teria assinado uma campanha de combate a guerra às drogas. Em resposta, Enéas afirmou que um documento publicado pelo The New York Times mostra a assinatura de Lula na campanha, cujo organizador principal é George Soros, citado por Enéas como o verdadeiro dono da privatização da Vale do Rio Doce. Enéas, em crítica ao documento, definiu-se como sendo radicalmente contra a legalização das drogas, e afirmou que é absolutamente imperdoável que um homem público ponha sua assinatura nisto.

Espectro Político, Efetivo das Forças Armadas e Ditadura Militar

O político se opôs a classificação esquerda-direita, dizendo que não via "no mundo moderno, condição para que se fale em esquerda e direita", confirmando este pensamento em uma entrevista ao IstoÉ, ao ser interrogado se acha a esquerda "burra". Em resposta político disse que "a discussão, ao meu ver, não é mais entre esquerda e direita. É de um lado, a globalização; de outro, o Estado nacional soberano".

Na entrevista concedida ao jornal Tribuna da Imprensa disse que defende triplicar o efetivo, no mínimo, das forças armadas para ter um braço armado do povo. Na mesma entrevista, ao ser perguntado se aumentar o efetivo das forças armadas não subjugaria o povo, disse que "o respeito às forças armadas foi uma tônica não só de nossa população como de todas as outras" e depois afirmou que "no curto período em que os generais governaram o país, com um governo muito ruim, agigantou o fosso que existia entre o Brasil e as potências do atual G-7", se referindo a Ditadura Militar de 1964.

Enéas defendia a construção da bomba atômica. "Não para jogar em ninguém, mas para sermos respeitados!". Enéas afirmou à IstoÉ que isso permitiria, ao país, "conversar em condições de igualdade" com as potências militares globais.

Greve, Parlamentarismo e Pena de Morte

Ao ser entrevistado no "Roda Viva" da TV Cultura, afirmou que "a greve é um direito inalienável do trabalhador [...] isto é uma coisa, outra coisa é viver da greve", ao receber uma afirmação que insinuava que o político era contra o ato. Em outra entrevista, Enéas propôs uma greve geral por um dia, apelando a quem tem capacidade de organizá-la, como forma de alertar os dirigentes da nação.

No programa "Tribuna Independente", ao ser perguntado se o comunismo é a solução, afirmou: "Não, não é. A experiência histórica é o maior de todos os mestres" e que "o comunismo nem chegou a existir, o que existiu foi o socialismo, a fase pré-comunista".

Em uma entrevista dada ao "Programa Delas", Enéas criticou o parlamentarismo: "Eles são uma fileira enorme de medíocres lutando contra a liderança" afirmou o político, completando com a afirmação "eles são uma fila de mentecaptos, cada um esperando sua vez de chegar ao poder!"

O político também se opôs a pena de morte, dizendo:
"Como médico eu jamais poderia apoiar a pena de morte. Como estadista, visto que isso é de uma seriedade extraordinária, faria uma consulta a população, medida que já é prevista. Como homem, se eu visse uma criança sendo estuprada, tenho certeza que nesse momento seria capaz de matar uma pessoa!"
Morte

Enéas Carneiro faleceu em sua casa, no Rio de Janeiro, RJ, no dia 06/05/2007, aos 68 anos, vitimado pela leucemia mieloide aguda, após ter desistido do tratamento quimioterápico e abandonado o hospital onde era tratado, o Hospital Samaritano, por acreditar que seu tratamento não mais surtiria efeito.

Seu corpo foi velado na manhã do dia 07/05/2007 no Memorial do Carmo, que fica no Cemitério São Francisco Xavier, e cremado na tarde do mesmo dia, no crematório da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro.

O último pedido de Enéas foi que sua família jogasse suas cinzas na Baía de Guanabara. Sua suplente na Câmara foi Luciana Castro de Almeida, que conseguira apenas 3.980 votos na eleição de 2006.

Enéas Carneiro foi homenageado em uma passeata contra o aborto, em Brasília, no dia 08/05/2007. Segundo o Partido da República (PR), o político era um dos organizadores do evento.

Fonte: Wikipédia

Tião Carreiro

JOSÉ DIAS NUNES
(58 anos)
Cantor

* Montes Claros, MG (13/12/1934)
+ São Paulo, SP (15/10/1993)

José Dias Nunes, conhecido como Tião Carreiro, foi um cantor, compositor e instrumentista brasileiro de música sertaneja de raiz e muitas duplas foram e são influenciadas por sua música.

Nascido na vila de Monte Azul, perto de Montes Claros, MG, teve infância difícil e foi criado em uma fazenda em Araçatuba, SP. Aos oito anos já tirava os primeiros acordes da viola depois do trabalho na lavoura, onde ajudava o pai.

Filho dos lavradores, seu pai Orcissio Dias Nunes e sua mãe Júlia Alves da Neves, tiveram 7 filhos, quatro homens, Cumercindo, Guilhermino, Jóse Dias Nunes e Valdomiro, e três mulheres, Ilda, Maria e Santina. Neto de Ricardo e Maria por parte do pai e de José Alves e Porcidonia por parte da mãe.

Tião Carreiro não teve na infância os brinquedos industrializados e caros que eram vistos nas mãos dos filhos dos coronéis de Monte Azul, na região Norte de Minas Gerais, nos pés da Serra do Espinhaço a encerrar o Vale do São Francisco, onde nasceu e passou os primeiros anos de vida. Mas desde cedo chamava a atenção nele a aptidão para inventar seus próprios brinquedos. Notadamente alguns que já permitiam vislumbrar toda a musicalidade adormecida em seu íntimo. Esticar o elástico reciclado do cano de botinas velhas ao longo de pedaços de madeira, e passar horas a fio tentando decifrar o som que produziam sob seus dedos, era um dos passatempos do mais célebre filho do casal de lavradores Orcissio Dias Nunes e Júlia Alves das Neves.

Seu irmão, Guilhermino, morreu ainda menino vítima de um sarampo recolhido.

A seca e a falta de perspectivas no Vale do São Francisco, próximo aos rios Pardo e Jequitinhonha, fizeram, porém, com que a família deixasse a região, a bordo de um caminhão pau-de-arara, quando Tião tinha apenas 10 anos, rumo a São Paulo. Tiveram de fazer antes uma parada forçada de três dias em Montes Claros, até que um juiz de menores autorizasse a viagem das crianças, que não tinham sequer certidões de nascimento.

Em Paulópolis e Oriente, as primeiras escalas em São Paulo, ficaram pouco: devido à morte de seu Orcissio. A avó materna de Tião, Dona Porcidonia, morava em Flórida Paulista e foi para lá que se mudaram nesta época. Algum tempo depois foram tocar roça em Valparaíso, SP.

O pai, quando morreu, deixou-lhe a primeira viola. Uma herança que o garoto saberia como ninguém valorizar. Seus dotes de músico já eram notados, aos oito anos de idade dedilhava no braço da enxada e com elástico nos dedos tentava tirar sons musicais.


O menino da viola nunca foi à escola, mas tinha sonho de ler e escrever. Começou então folheando jornais velhos. E foi dessa forma que Tião, juntando as letras, se alfabetizou. Da mesma maneira aprendeu a tocar, ou seja, sozinho, observando e juntando acordes e notas.

E foi lá em Valparaíso, SP, que Tião, aos 16 anos, decidiu trocar o cabo da enxada pelo braço da viola, e tomou a decisão que marcaria sua vida. Já apaixonado pela música decidiu deixar o trabalho no campo e se arriscar em outro mundo, em nova profissão.

Adotou o nome artístico de Palmeirinha e formou dupla com Coqueirinho, com quem se apresentou no Circo Giglio em 1951. Aperfeiçoou-se na viola e mudou-se para Valparaíso, onde trabalhou como garçom no restaurante de um hotel da cidade, onde ele costumava encantar a clientela dedilhando ao violão sambas e músicas populares da época.

Trocou o nome artístico para Zezinho, posteriormente para Zé Mineiro, e passou a se apresentar com Lenço Verde, com quem tocou no programa "Assim Canta o Sertão" e em diversos circos do interior de São Paulo e Mato Grosso.

O proprietário do circo onde ele tocava naquela época comentou que dupla de violeiros tinha que tocar viola, e ele tocava violão. No mesmo ano, na cidade de Araçatuba, SP, apresentaram-se Tonico & Tinoco, a dupla Coração do Brasil. Tonico deixou a viola no circo e foi para o hotel descansar, Tião pegou a viola e decorou a afinação.

Logo em seguida ganhou uma violinha de presente, pintada à mão pelo pintor Romeu de Araçatuba. E a partir daí, inspirando-se num dos melhores violeiros da época: Florêncio, da dupla Torres & Florêncio foi seguindo em frente, trilhando seu caminho.

O sucesso como artista, porém, só viria com força anos mais tarde ao lado de Pardinho, com quem formou a dupla que ficaria perpetuada como "Os Reis do Pagode".

Outra cidade fundamental para a formação musical e a vida de Tião foi Araçatuba. Foi lá que ele passou parte da juventude e conheceu Nair Avanço, durante as festas juninas de 1953, casando-se com ela 14 meses depois. Tiveram uma única filha, Alex Marli Dias, hoje casada com Gilberto Rodrigues da Silva e mãe de Renan Rodrigues da Silva, neto de Tião Carreiro.

Em 1955, separou-se de Lenço Verde, e nesse mesmo ano já se apresentando com o nome de Zé Mineiro, conheceu Pardinho, seu principal companheiro, no circo Rapa Rapa na cidade de Pirajuí, SP. Pardinho era ajudante braçal e cantava nas horas de folga. Passaram a cantar juntos com os nomes de Zé Mineiro & Pardinho, depois de dois anos a convite de Carreirinho mudam-se para São Paulo. Era Maio de 1956 e sua única filha Alex Marli Dias acabara de nascer.


Já em São Paulo conheceram Palmeira que os apresentou a Teddy Vieira, diretor sertanejo da RCA Victor, gravadora de grande projeção na época. No início, adotava ainda o nome de Zé Mineiro, passando a seguir para João Carreiro. O batismo definitivo veio por sugestão de Teddy Vieira que batizou José Dias de Tião Carreiro. Ele não simpatizou com o nome de imediato, mas acabou concordando. Começa então a história de Tião Carreiro.


Gravaram o primeiro disco, um 78 RPM, lançado em novembro de 1956. As músicas eram "Boiadeiro Punho de Aço", moda de viola e "Cavaleiros de Bom Jesus", um cururu, ambas composições de Teddy Vieira.

Após o primeiro registro, Tião Carreiro deu um tempo na parceria com Pardinho e formou dupla com Carreirinho. Foi uma época de grande produção. Antes de conhecer Antônio Henrique de Lima, o PardinhoTião já havia cantado usando os nomes de Zezinho, junto a Lenço Verde, e de Palmeirinha, primeiro com Coqueirinho e depois com Tietezinho. O novo nome caiu como luva também para a breve dobradinha formada entre Tião & Carreirinho, que registrou nove 78 RPM e um LP.

Em março de 1959 nasceu um novo ritmo, o pagode-de-viola. Tião Carreiro percebeu que naquele recortado mineiro que havia gravado misturado a outras batidas, a viola assumia um papel importante, e que havia encontrado algo realmente novo.

Tião Carreiro & Pardinho, novamente juntos, gravaram pela primeira vez "Pagode em Brasília" (Teddy Vieira e Lourival do Santos). Uma homenagem à nova capital do país. A composição fazia parte de um disco 78 RPM, do selo Sertanejo, lançado com grande sucesso em agosto de 1960.

Violeiro intuitivo, Tião Carreiro jamais frequentou escola de música. Foi autodidata também na escrita, ao ponto de criar letras com cheiro de terra e mato para várias músicas de seu vasto repertório. Não bastasse isso, também soube se cercar de poetas com "P" maiúsculo, do porte de Lourival dos Santos, Moacir dos Santos - que, apesar do sobrenome comum, não tinham nenhum parentesco -, Dino Franco e do próprio Teddy Vieira.

Mas fosse qual fosse o nome que adotasse, o destino de Tião parecia mesmo estar traçado nos braços da viola. Sobretudo depois que ele criou o pagode caipira, definido pelo cantador e produtor mineiro Teo Azevedo como uma feliz junção do coco nordestino com o calango de roda. Ambas as levadas, vale lembrar, eram e ainda são bastante praticadas na região em que Tião e o próprio Teo Azevedo nasceram, quase na divisa com a Bahia.


Há ainda quem perceba no pagode certo parentesco com a catira, só quem sem o pandeiro, o reco-reco e os temperos percussivos típicos desta outra levada violeira. O novo ritmo surgiu em março de 1959, embora seu primeiro registro em disco tenha se dado no ano seguinte, com "Pagode em Brasília" (Teddy Vieira e Lourival dos Santos). Para termos de comparação, o sucesso gravado por Tião Carreiro & Pardinho, em homenagem à recém-inaugurada Capital Federal, está para o pagode-de-viola assim como "Chega de Saudade" (Tom Jobim e Vinícius de Moraes), lançado dois anos antes por João Gilberto, está para a bossa nova. Em ambos o diferencial era dado pelas batidas inventadas por músicos virtuosos. No caso de Tião, também acabou pesando a favor o fato de ele compor e cantar magistralmente, como deixam ver (e ouvir) clássicos como "Amargurado" (Tião CarreiroDino Franco), "Rio de Lágrimas" (Tião CarreiroPiraci e Lourival dos Santos), "Cabelo Loiro" (Tião Carreiro e Zé Bonito) e tantos outros. Não desmerecendo os demais parceiros de Tião, sua segundona grave soava sob medida para a primeira voz refinada de Pardinho.

Tião Carreiro com sua habilidade e destreza criou inúmeras introduções e arranjos ao pagode-de-viola, verdadeiras preciosidades. Mas ele não parou por aí, desenvolvendo uma inconfundível batida, inovando com um estilo próprio. Na verdade Tião Carreiro inventou uma forma original para os violeiros que cantam em dupla e usam como acompanhamento a viola e o violão. Na riqueza de ritmos e estilos Tião Carreiro gravou moda de viola, cururu, cateretê, valseado, querumana e até tango.

E quando a música sertaneja se tornou mais urbana, ganhando outras influências, o violeiro se mostrou aberto a novas experiências e gravou guarânias, rasqueados e balanços. Ele nunca se preocupou com o gênero musical e sim com o que as pessoas queriam ouvir.

Tião Carreiro também aprimorou o estilo de cantar em dupla. A segunda voz que é a mais grave era colocada com mais destaque do que a primeira. Estilo que depois foi seguido por várias duplas.

O saldo desta carreira de sucesso são 25 discos 78 rpm com Pardinho e Carreirinho, mais de 50 LPs com variados parceiros, dois LPs em solos de viola caipira e mais de 300 composições com os mais importantes nomes como Teddy Vieira, Dino Franco, Moacyr dos Santos, Zé Carreiro, Zé Fortuna, Carreirinho e Lourival dos Santos, amigo, conselheiro e companheiro mais constante.

Tião Carreiro foi também um dos grandes responsáveis pela popularização da música sertaneja, tirando-a dos programas sertanejos das rádios nas madrugadas e colocando-a nos teatros, rodeios, exposições e no horário nobre da televisão.

Ainda em vida teve o prazer de possuir a viola vermelha de Florêncio e o violão de Torres. A viola foi cedida por Moreninho da dupla Moreno & Moreninho, e o violão ganhou de um amigo da cidade de São José do Rio Preto, Marco Aurélio Garcia, o Lelo, no dia 11/04/1992.

Morte

Tião Carreiro se foi como os grandes mestres, antes da hora, vítima de complicações advindas da diabetes que lhe consumiu lentamente, sem compreender a dimensão e o alcance de seu trabalho. Porém conseguiu o que todo artista sonha: Compôs com os melhores letristas, tocou seu instrumento como poucos e cantou como ninguém, era um músico completo. Honrou, sem dúvida a herança recebida de seu pai.
José Dias Nunes, Tião Carreiro, faleceu dia 15/10/1993, e foi sepultado no Cemitério da Lapa, onde foi construído um memorial em sua homenagem e onde todos os dias de finados, inúmeros fãs se reúnem em volta do túmulo do artista e passam horas e horas cantando seu repertório e relembrando alguma passagem de sua carreira.

Discografia


  • 1952 - Independente (78 RPM - Palmeirinha & Coqueirinho)
  • 1955 - Gravação Especial Casa Flávio Campana (78 RPM - Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1956 - Columbia - CB-10.302 (78 RPM - Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1957 - Columbia - CB-10.356 (78 RPM - Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1958 - Continental - Nº 17.544 (78 RPM - Tião Carreiro & Carreirinho)
  • 1958 - RCA Victor - Nº 802.016 (78 RPM - Tião Carreiro & Carreirinho)
  • 1959 - RCA Victor - Nº 802.072 (78 RPM - Tião Carreiro & Carreirinho)
  • 1959 - RCA Victor - Nº 802.108 (78 RPM - Tião Carreiro & Carreirinho)
  • 1959 - RCA Victor - Nº 802.132 (78 RPM - Tião Carreiro & Carreirinho)
  • 1960 - Chantecler - PTJ-10.066 (78 RPM - Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1960 - Chantecler - PTJ-10.113 (78 RPM - Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1960 - Chantecler - PTJ-10.134 (78 RPM - Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1960 - Chantecler - PTJ-10.149 (78 RPM - Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1960 - Chantecler - PTJ-10.066 (78 RPM - Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1961 - Chantecler - Nº 76.0530 (78 RPM - Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1961 - Chantecler - Nº 76.0630 (78 RPM - Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1961 - Rei do Gado (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1961 - RCA Camdem - Nº CAM-1089 (78 RPM - Tião Carreiro & Carreirinho)
  • 1962 - Chantecler - CH-10.310 (78 RPM - Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1962 - Chantecler - CH-10.265 (78 RPM - Tião Carreiro & Carreirinho)
  • 1962 - Chantecler - CH-10.282 (78 RPM - Tião Carreiro & Carreirinho)
  • 1962 - Continental - CS-266 (78 RPM - Tião Carreiro & Carreirinho)
  • 1962 - Meu Carro é Minha Viola (Tião Carreiro & Carreirinho)
  • 1963 - Casinha da Serra (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1963 - Chantecler - CH-10.333 (78 RPM - Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1964 - Linha de Frente (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1963 - Chantecler - CH-10.364 (78 RPM - Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1963 - Chantecler - CH-10.382 (78 RPM - Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1963 - Casinha da Serra (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1964 - Chantecler - CH-10.405 (78 RPM - Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1964 - Chantecler - CH-10.426 (78 RPM - Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1964 - Linha de Frente (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1964 - Repertório de Ouro (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1965 - Os Reis do Pagode (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1961 - Rei do Gado (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1962 - Meu Carro é Minha Viola (Tião Carreiro & Carreirinho)
  • 1963 - Casinha da Serra (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1964 - Linha de Frente (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1964 - Repertório de Ouro (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1965 - Os Reis do Pagode (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1966 - Boi Soberano (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1967 - Pagode na Praça (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1967 - Os Grandes Sucessos de Tião Carreiro & Pardinho
  • 1967 - Rancho dos Ipês (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1968 - Encantos da Natureza (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1968 - Tião Carreiro & Pardinho e Seus Grandes Sucessos
  • 1969 - Em Tempo de Avanço (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1970 - Sertão em Festa (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1970 - Show (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1970 - A Força do Perdão (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1971 - Abrindo Caminho (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1972 - Hoje Eu Não Posso Ir (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1973 - Sucessos de Tião Carreiro & Pardinho
  • 1973 - Viola Cabocla (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1973 - A Caminho do Sol (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1974 - Modas de Viola Classe "A" (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1974 - Esquina da Saudade (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1974 - Tangos em Dueto (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1975 - Modas de Viola Classe "A" - Volume 2 (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1975 - Duelo de Amor (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1976 - Rio de Pranto (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1976 - Os Grandes Sucessos de Tião Carreiro & Pardinho - Volume 2
  • 1976 - É Isto Que o Povo Quer (Tião Carreiro em Solos de Viola Caipira)
  • 1977 - Pagodes (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1977 - Rancho do Vale (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1978 - Terra Roxa (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1978 - Viola Divina (Tião Carreiro & Paraíso)
  • 1979 - Disco de Ouro (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1979 - Golpe de Mestre (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1979 - Pagodes - Volume 2 (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1979 - Tião Carreiro em Solo de Viola Caipira
  • 1979 - Seleção de Ouro (Tião Carreiro & Paraíso)
  • 1980 - Homem Até Debaixo D'água (Tião Carreiro & Paraíso)
  • 1981 - Prato do Dia (Tião Carreiro & Paraíso)
  • 1981 - 4 Azes (Tião Carreiro & Paraíso e Pardinho & Pardal)
  • 1981 - Modas de Viola Classe "A" - Volume 3 (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1982 - Navalha na Carne (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1983 - No Som da Viola (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1984 - Modas de Viola Classe "A" - Volume 4 (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1985 - Felicidade (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1986 - Estrela de Ouro (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1988 - A Majestade "O Pagode" (Tião Carreiro & Pardinho)
  • 1992 - O Fogo e a Brasa (Tião Carreiro & Praiano)
  • 1994 - Som da Terra - Tião Carreiro & Pardinho
  • 1994 - Som da Terra - Tião Carreiro & Pardinho - Volume 2 - Pagodes
  • 1994 - Som da Terra - Tião Carreiro & Pardinho - Volume 3 - Modas de Viola
  • 1996 - Saudades de Tião Carreiro (Diversas Duplas)
  • 1998 - Sucessos de Ouro de Tião Carreiro & Pardinho (As Românticas)
  • 1999 - Popularidade - Tião Carreiro & Pardinho
  • 2001 - Warner 25 Anos - Tião Carreiro & Pardinho
  • 2003 - Os Gigantes - Tião Carreiro & Pardinho
  • 2006 - Warner 30 anos - Tião Carreiro & Pardinho

Fonte: Wikipédia e Biografia produzida por Hedinan Victor de Oliveira e Alex Marli Dias (Filha de Tião Carreiro), com a colaboração de Cléber Toffoli e Eliana Arens

Herivelto Martins

HERIVELTO DE OLIVEIRA MARTINS
(80 anos)
Cantor, Compositor, Músico e Ator


* Rodeio, RJ (Atual Engenheiro Paulo de Frontim) (30/01/1912)
+ Rio de Janeiro, RJ (17/09/1992)

Filho do agente ferroviário Félix Bueno Martins e da costureira e doceira Dona Carlota, nascido no distrito de Rodeio, em Engenheiro Paulo de Frontin, Herivelto Martins, aos três anos de idade, já se apresentava de casaca, declamando versos em eventos organizados por seu pai.

Em 1916, a família mudou-se para Barra do Piraí, onde "seu" Félix fundou a Sociedade Dramática Dançante Carnavalesca Florescente de Barra do Piraí, que além de bailes, criava e dirigia espetáculos teatrais. Ele organizou, ainda, o grupo Pastorinhas de Barra do Piraí, que se apresentava no Natal, com Herivelto vestido de Papai Noel.

As atividades artísticas do pai motivaram o pequeno Herivelto a criar o seu próprio grupo teatral, com seus irmãos Hedelacy, Hedenir e Holdira e algumas meninos da vizinhança. Aos 9 anos de idade, compôs a paródia Quero Uma Mulher Bem Nua (Quiero una mujer desnuda) e o samba Nunca Mais, que não foi gravado.

Aos 10 anos aprendeu música na Sociedade Musical União dos Artistas, de Barra do Piraí, onde tocou bombardino, pistom, e caixa, até a idade de 19 anos, mas apresentava preferência pelo violão e cavaquinho, que já "arranhava". Entre 1922 e 1931, participou como músico da banda da Sociedade Musical União dos Artistas de Barra do Piraí.

Os problemas financeiros eram constantes, assim como as discussões domésticas. Herivelto e seus irmãos ajudavam, vendendo os doces que sua mãe fazia. A família acabou falindo e perdendo a casa, para pagamento de dívidas da Sociedade fundada por "Seu" Félix. Aos 12 anos de idade, Herivelto foi ser caixeiro em uma loja de móveis, emprego que o pai lhe arranjou.

Em 1925, com apenas 13 anos, Herivelto conheceu os artistas circenses Zeca Lima e Colosso, que passavam pela cidade, e com eles formou um trio e seguiu para Juparanã, onde apresentaram um grandioso espetáculo. Durante um ano, o trio apresentou-se pelo interior do Rio de Janeiro, até que, procurados pela Polícia, Colosso e Zeca Lima foram presos em Vassouras e o delegado mandou Herivelto para casa.

Em 1930, com a promoção de "Seu" Félix, a família foi morar no Brás, a Rua Saião Lobato, em São Paulo e se empregou em um botequim, onde ganhou o apelido de Carioca.

Após mais uma discussão com o pai, aos 18 anos de idade e com apenas 1 conto e 200 réis no bolso, Herivelto partiu para o Rio de Janeiro, com o desejo de tentar uma carreira artística. Ele passou a dividir o aluguel de um pequeno quarto com seu irmão, Hedelacy, e mais seis rapazes, quatro deles mortos na Revolução de 32. Para sobreviver, teve de vender o relógio Roskoff "Estrada de Ferro", presente de seu padrinho.

No Rio de Janeiro, Herivelto foi palhaço de circo, vendedor, ajudante de contabilidade e, aos sábados, fazia barbas na barbearia onde o irmão Hedelacy trabalhava. Com o dinheiro da gorjeta, garantia o "Feijão à Camões" (prato fundo com feijão preto e uma colher de arroz no meio), do Bar de "Seu" Machado", da semana.

Foi no Bar de "Seu" Machado que Herivelto recebeu o convite de "Seu" Licínio, para gerenciar sua barbearia no Morro de São Carlos. Era sua oportunidade de conhecer os grandes sambistas que ali moravam. Foi no São Carlos onde Herivelto conheceu o compositor José Luís da Costa - Príncipe Pretinho - que lhe apresentou a J.B. de Carvalho, do Conjunto Tupi, amigo do dono da gravadora RCA Victor.

Em 1932, Herivelto Martins, através de uma parceria com J.B. de Carvalho, conseguiu lançar, pela RCA Victor, sua composição Da Cor do Meu Violão, homenagem a uma namorada que teve no bairro do Carvão, em Barra do Piraí, que seu pai insistia em dizer que era escura demais para ele. A marchinha fez grande sucesso no carnaval daquele ano, o que levou Herivelto a integrar o coro do Conjunto Tupi como ritmista. Ele inovou ao fazer breques durante as gravações, quando isso não era permitido, e por essa e outras iniciativas, Mister Evans, diretor geral da RCA Victor, o promoveu a diretor do coro.

Em 1933, Herivelto teve mais duas músicas gravadas: O Terço do Zé Faustino, com Euclides J. Moreira, pelo Conjunto Tupi, e O Enterro da Filomena, pelo Conjunto RCA.

Em uma época em que o samba ainda não havia descido o morro e ganhado a cidade, Herivelto criou várias músicas para homenagear a Estação Primeira de Mangueira, entre elas: Saudosa Mangueira e Lá em Mangueira.

Em 1986, Herivelto Martins foi homenageado pela escola de samba Unidos da Ponte, com o enredo Tá na hora do samba, que fala mais alto, que fala primeiro, o homenageado participou do desfile.

Faleceu devido a uma Embolia pulmonar.

Hoje, a par de inúmeras gravações e orquestrações internacionais, suas inesquecíveis composições têm em seu filho Pery Ribeiro um de seus maiores intérpretes.


A Dupla Preto e Branco


Em 1932, Herivelto Martins conheceu Francisco Sena, seu colega no Conjunto Tupi, e com ele começou a ensaiar algumas canções, entre as quais a música Preto e Branco. No ano seguinte, o Teatro Odeon estava em busca de um grupo que pudesse se apresentar nos intervalos das sessões. O Conjunto Tupi se apresentou e não foi aprovado. A convite de Vicente Marzulo, Herivelto e Francisco fizeram o teste, em dueto, chamando a atenção de todos. Foram contratados. o nome da Dupla, O Preto e O Branco, foi dado por Marzulo. Herivelto passou a compor para a dupla.

Em 1934, Herivelto gravou, com Francisco Sena, o primeiro disco da Dupla Preto e Branco, lançado pela Odeon, contendo os sambas Quatro Horas, com Sena, e Preto e Branco, de sua autoria. Compôs, em parceria com Francisco Sena, as marchas A Vida é Boa, gravada por Carlos Galhardo e Vamos Soltar Balão, gravada pela Dupla. Gravou, ainda, Como é Belo, de Gastão Viana e Pereira Filho.

Em 1935, a Dupla Preto e Branco gravou as marchas Bronzeada, de Moisés Friedman e Pedro Paraguassu, Passado, presente, futuro, de sua autoria, Um pouquinho só e Bela morena, ambas de Príncipe Pretinho, e fez algumas apresentações na Rádio Tupi do Rio de Janeiro, mas o sucesso foi interrompido com a morte de Francisco Sena.

Herivelto passou a atuar sozinho, até ser contratado pelo Teatro Pátria, de Pascoal Segreto, no Largo da Cancela, em São Cristóvão, onde criou o palhaço caipira Zé Catinga, que fez muito sucesso, principalmente com as crianças. No ano seguinte, um amigo de infância de Herivelto lhe apresentou seu irmão, o cantor e compositor Nilo Chagas, com quem formou a nova Dupla Preto e Branco, por ter gostado da voz de Nilo.

Em 1937, a Dupla Preto e Branco gravou, junto com Dalva de Oliveira, o batuque Itaquari e a marcha Ceci e Peri, ambas do Príncipe Pretinho. O disco foi um sucesso, rendendo várias apresentações nas Rádios. Foi César Ladeira, em seu programa na Rádio Mayrink Veiga, que pela primeira vez anunciou o Trio de Ouro.


Os Casamentos


No início da década de 30, Herivelto conheceu Maria Aparecida Pereira de Mello, sua primeira mulher, com quem teve os filhos Hélcio Pereira Martins e Hélio Pereira Martins. A convivência durou, aproximadamente, cinco anos. Separaram-se por Maria não aguentar mais as bebedeiras e traições de Herivelto.

Em 1935, no Cine Pátria, Herivelto conheceu Dalva de Oliveira e passaram a cantar em dueto. Iniciaram um namoro e, no ano seguinte, iniciaram uma convivência conjugal, oficializada em 1939 num ritual de umbanda, que gerou os filhos Pery Ribeiro e Ubiratan de Oliveira Martins. A União durou até 1947, quando as constantes brigas e traições da parte dele deram fim ao casamento. Mesmo casado, passava as noites fora de casa, bêbado e com prostitutas. Em 1949, após a separação oficial do casal e o final da primeira formação do Trio de Ouro, Herivelto e Dalva iniciaram uma discussão, inclusive através das composições que gravaram, bastante explorada pelos jornais e revistas da época. Depois de uma pequena turne na Venezuela, Herivelto sai de casa, logo depois, tira de Dalva a guarda dos filhos, e os manda para um internato. Passa a publicar em todos os jornais que Dalva é prostituta e promove orgias dentro de casa, o que a levou a fazer as canções "de guerra" um para o outro.

Em 1946, Herivelto passou a namorar a Aeromoça Lurdes Nura Torelly, uma mulher desquitada que tem um filho do 1º casamento. Ela é rica e é prima do Barão de Itararé, e em 1952, passaram a viver juntos, tendo oficializado a união em 1978. Herivelto e Lurdes geraram os filhos: Fernando José (já falecido), a atriz Yaçanã Martins e Herivelto Filho, além dele criar o filho de Lurdes como seu. O casamento durou 44 anos, até a morte de Lurdes, em 1990. A única esposa que mais respeitou e não traiu foi Lurdes. Foi muito feliz com Lurdes, que era doce e calma, Dalva era intensa e explosiva.

Fonte: Wikipédia

Francisco Milani

FRANCISCO FERREIRA MILANI
(68 anos)
Ator, Dublador, Humorista e Político


* São Paulo, SP (19/11/1936)
+ Rio de Janeiro, RJ (13/08/2005)

A carreira artística de Francisco Milani começou cedo, aos 13 anos de idade, quando ele conseguiu seu primeiro emprego em uma rádio no interior de São Paulo. Em 1959 participou da “TV de Vanguarda” e “TV Comédia”, na extinta Rede Tupi. Convidado pelo dramaturgo Oduvaldo Vianna Filho, foi trabalhar no Centro Popular de Cultura, o CPC, na União Nacional dos Estudantes. Perseguido pela ditadura militar, teve que ir embora de São Paulo e a carreira artística ficou interrompida durante oito anos. Virou caminhoneiro, e, na década de 70 viajou para o Rio de Janeiro, onde passou a viver e onde retomou sua vida de artista.

No cinema, Milani participou do clássico “Terra em Transe" (1967) e, mais recentemente, de “O Coronel e o Lobisomem”, e do infantil "Eliana em Os Segredos dos Golfinhos".Sua última participação foi no filme “Irmã Vap - O retorno”, lançado após a sua morte.

Milani participou de inúmeras novelas, entre elas "Selva de Pedra" (1972), "Elas por Elas" (1982), "Barriga de Aluguel" (1990) e "Vamp" (1991), todas na Rede Globo. Em 1978, ele fez na Tupi "Roda de Fogo", mesmo nome de outra novela da Globo em 1986. Fez trabalhos e minisséries, como “Bandidos da Falange”, “Riacho Doce”, “Anos Rebeldes”, entre outras.

Na década de 80 descobriu-se sua veia humorista, como o intolerante Chefe na série “Armação Ilimitada”. Trabalhou nos humorísticos “Chico Anysio Show” e “Escolinha do Professor Raimundo”. Como diretor, Milani comandou o "Viva o Gordo", de Jô Soares, e outros programas humorísticos de Chico Anysio. Entre seus últimos trabalhos estão o personagem "Saraiva", dono do bordão "tolerância zero", no programa humorístico da Globo "Zorra Total", e o rabugento tio Juvenal, em "A Grande Família". Antes disso, viveu também Pedro Pedreira, na "Escolinha do Professor Raimundo".

Milani foi também narrador e dublador. Trabalhou para o "Fantástico" e, entre 1994 e 1997, foi locutor do programa "Casseta & Planeta, Urgente!". Na área de dublagem, emprestou sua voz ao protagonista do seriado "Magnum" (Tom Selleck), entre outros.

Interessado pela política, Milani chegou a ser eleito vereador no Rio de Janeiro pelo PCB (Partido Comunista Brasileiro). Em 2000, ele foi vice da candidata Benedita da Silva (PT) nas eleições municipais do Rio de Janeiro - o vencedor foi César Maia (PTB).

Pai de três filhos, o ator foi casado por duas vezes, uma delas com a atriz Joana Fomm.

Milani morreu aos 68 anos, devido a um edema agudo pulmonar e insuficiência renal aguda, conseqüências de um "câncer no reto metastático".

Seu corpo foi cremado e as cinzas jogadas ao mar.

Fonte: Dramaturgia Brasileira - In Memoriam