Adoniran Barbosa

JOÃO RUBINATO
(72 anos)
Cantor, Compositor, Ator e Humorista

* Valinhos, SP (06/08/1910)
+ São Paulo, SP (23/11/1982)

João Rubinato representava em programas de rádio diversos personagens, entre os quais, Adoniran Barbosa, o qual acabou por se confundir com seu criador dada a sua popularidade frente aos demais.

João Rubinato era filho de Ferdinando e Emma Rubinato, imigrantes italianos da localidade de Cavárzere, província de Veneza. Aos dez anos de idade, sua certidão de nascimento foi adulterada para que o ano de nascimento constasse como 1910 possibilitando que ele trabalhasse de forma legalizada: à época a idade mínima para poder trabalhar era de doze anos.

Abandonou a escola cedo, pois não gostava de estudar. Necessitava trabalhar para ajudar a família numerosa - Adoniran Barbosa tinha sete irmãos. Procurando resolver seus problemas financeiros, os Rubinato viviam mudando de cidade. Moravam primeiro em Valinhos, depois Jundiaí, Santo André e finalmente São Paulo.

Em Jundiaí, Adoniran Barbosa conheceu seu primeiro ofício: entregador de marmitas. Aos quatorze anos, ainda criança, o encontramos rodando pelas ruas da cidade e, legitimamente, surrupiando alguns bolinhos pelo caminho. "A matemática da vida lhe dá o que a escola deixou de ensinar: uma lógica irrefutável. Se havia fome e, na marmita oito bolinhos, dois lhe saciariam a fome e seis a dos clientes; se quatro, um a três; se dois, um a um".

O compositor e cantor teve um longo aprendizado, num arco que vai do marmiteiro às frustrações causadas pela rejeição de seu talento. Queria ser artista e escolheu a carreira de ator. Procurou de várias maneiras fazer seu sonho acontecer. Tentou, antes do advento do rádio, o palco, mas foi sempre rejeitado. Sem padrinhos e sem instrução adequada, o ingresso nos teatros como ator lhe foi para sempre abortado. O samba, no início da carreira, teve para ele caráter acidental. Escolado pela vida, sabia que o estrelato e o bom sucesso econômico só seriam alcançados na veiculação de seu nome na caixa de ressonância popular que era o rádio.


O magistral período das rádios, também no Brasil, criou diversas modas, mexeu com os costumes, inventou a participação popular na maioria das vezes, dirigida e didática. Tiveram elas um poder e extensão pouco comuns para um país rural como o nosso. Inventaram a cidade, popularizaram o emprego industrial e acenderam os desejos de migração interna e de fama. Enfim, no país dos bacharéis, médicos e párocos de aldeia, a ascensão social busca-se outros caminhos e pode-se já sonhar com a meteórica carreira de sucesso que as rádios produzem. Três caminhos podem ser trilhados: o de ator, o de cantor ou o de locutor.

Adoniran Barbosa, aprendiz das ruas, percebeu as possibilidades que se abriram a seu talento. Queria ser ator, popularizar seu nome e ganhar algum dinheiro, mas a rejeição anterior o levou a outros caminhos. Sua inclinação natural no mundo da música é a composição mas, nesse momento, o compositor é somente um mero instrumento de trabalho para os cantores, que compram a parceria e, com ela, fazem nome e dinheiro. Daí sua escolha recair não sobre a composição, mas sobre a interpretação.

Entregou-se ao mundo da música. Buscou conquistar seu espaço como cantor - tinha boa voz, poderia tentar os diversos programas de calouro. Já com o nome de Adoniran Barbosa, tomado emprestado de um companheiro de boêmia e de Luiz Barbosa, cantor de sambas, que admirava – João Rubinato estreou cantando um samba brejeiro de Ismael Silva e Nilton Bastos, o "Se Você Jurar". Foi gongado, mas insistiu e voltou novamente ao mesmo programa, agora cantando o belo samba de Noel Rosa, "Filosofia", que lhe abriu as portas das rádios e ao mesmo tempo serviu como mote para suas composições futuras.

A vida profissional de Adoniran Barbosa se desenvolveu a partir das interpretações de outros compositores. Embora a composição não o atraia muito, a primeira a ser gravada é "Dona Boa", na voz de Raul Torres. Depois gravou em disco "Agora Pode Chorar", que não fez sucesso algum.

Aos poucos se entregou ao papel de ator radiofônico. A criação de diversos tipos populares e a interpretação que deles fazia, em programas escritos por Osvaldo Moles, fizeram do sambista um homem de relativo sucesso. Embora impagáveis, esses programas não conseguiram segurar por muito tempo o compositor que teimava em aparecer em Adoniran Barbosa. Entretanto, é a partir desses programas que o grande sambista encontrou a medida exata de seu talento, em que a soma das experiências vividas e da observação acurada deu ao país um dos seus maiores e mais sensíveis intérpretes.


O mergulho que o sambista faria na linguagem, suas construções linguísticas, pontuadas pela escolha exata do ritmo da fala paulistana, iam na contramão da própria história do samba. Os sambistas sempre procuraram dignificar sua arte com um tom sublime, o emprego da segunda pessoa, o tom elevado das letras, que sublimavam a origem miserável da maioria, e funcionavam como a busca da inserção social. Tudo era uma necessidade urgente, pois as oportunidades de ascensão social eram nenhumas e o conceito da malandragem vigia de modo coercitivo. Assim, movidos pelos mesmos desejos que tinha Adoniran Barbosa de se tornar intérprete e não compositor, e a partir daí conhecido, os compositores de samba, entre uma parceria vendida aqui e outra ali, davam o testemunho da importância que a linguagem assumia como veículo social.

Mas a escolha de Adoniran Barbosa foi outra, seu mergulho também outro. Aproveitando-se da linguagem popular paulistana, de resto do próprio país, as músicas dele são o retrato exato desta linguagem e, como a linguagem determina o próprio discurso, os tipos humanos que surgem deste discurso representam um dos painéis mais importantes da cidadania brasileira. Os despejados das favelas, os engraxates, a mulher submissa que se revolta e abandona a casa, o homem solitário, social e existencialmente solitário, estão intactos nas criações de Adoniran Barbosa, no humor com que descreve as cenas do cotidiano. A tragédia da exclusão social dos sambistas se revela como a tragicômica cena de um país que subtrai de seus cidadãos a dignidade.

O seu primeiro sucesso como compositor virou canção obrigatória das rodas de samba, das casas de show: "Trem das Onze". É bem possível que todo brasileiro conheça, senão a música inteira, ao menos o estribilho, que se torna intemporal. Adoniran Barbosa alcançou, então, o almejado sucesso que, entretanto, durou pouco e não lhe rendeu mais que uns minguados trocados de direitos autorais. A música, que já havia sido gravada pelo autor em 1951 e não fez sucesso, foi regravada novamente pelos Demônios da Garoa, conjunto musical de São Paulo (esta cidade é conhecida como a terra da garoa, da neblina, daí o nome do grupo). Embora o conjunto seja paulista, a música acontece primeiramente no Rio de Janeiro. E aí sim, o sucesso é retumbante.

Como aconteceu com os programas escritos por Osvaldo Moles, que deram a Adoniran Barbosa a medida exata da estética a ser seguida, o samba inspirou Osvaldo Moles a criar um quadro para a rádio, que se chamava "História das Malocas", com um personagem, que fez sucesso, o Charutinho. De novo ator, Adoniran Barbosa, tendo provado o sucesso como compositor, não mais se afastou da composição.

Arguto observador das atividades humanas, sabia também que o público não se contentava apenas com o drama das pessoas desvalidas e solitárias. Era necessário que se desse a este público uma dose de humor, mesmo que amargo. Compôs para esse público um de seus sambas mais notáveis, um dos primeiros em que trabalhou a nova estética do samba.


Entre a tentativa de carreira nas rádios paulistas e o primeiro sucesso, Adoniran Barbosa trabalhou duro, casou-se duas vezes e frequentou, como boêmio, a noite. Nas idas e vindas de sua carreira teve de vencer várias dificuldades. O trabalho nas rádios brasileiras foi pouco reconhecido e financeiramente instável e muitos passaram anos nos seus corredores e tiveram um fim de vida melancólico e miserável. O veículo que encantava multidões, que fazia de várias pessoas ídolos era também cruel como a vida. Passado o sucesso que, para muitos, era apenas nominal, o ostracismo e a ausência de amparo legal levavam cantores, compositores e atores a uma situação de impensável penúria.

Adoniran Barbosa sabia disso, mas mesmo assim seu desejo falava mais fundo. O primeiro casamento não durou um ano. O segundo, a vida toda: Matilde. De grande importância na vida do sambista, Matilde sabia com quem convivia e não só prestigiava sua carreira como o incentiva a ser quem é e como é, boêmio, incerto e em constante dificuldade. Trabalhava também fora e ajudava o sambista nos momentos difíceis, que eram constantes. Adoniran Barbosa vivia para o rádio, para a boêmia e para Matilde.

Numa de suas noitadas, de fogo, perdeu a chave de casa e não houve outro jeito senão acordar Matilde, que se aborreceu. O dia seguinte foi repleto de discussão. Mas Adoniran era compositor e dando por encerrado o episódio, compôs o samba "Joga a Chave".

Dono de um repertório variado de histórias, o sambista não perdia a vez de uma boa blague. Certa vez, quando trabalhava na Rádio Record, onde ficou por mais de trinta anos, resolveu, após muito tempo ali, pedir um aumento. O responsável pela gravadora disse-lhe que iria estudar o aumento e que Adoniran Barbosa voltasse em uma semana para saber dos resultados do estudo. Quando voltou, obteve a resposta de que seu caso estava sendo estudado. As interpelações e respostas, sempre as mesmas, duraram algumas semanas. Adoniran Barbosa começou a se irritar e, na última entrevista, saiu-se com esta: "Tá certo, o senhor continue estudando e quando chegar a época da sua formatura me avise."

Nos últimos anos de vida, com o enfisema avançando, e a impossibilidade de sair de casa pela noite, o sambista dedicou-se a recriar alguns dos espaços mágicos que percorreu na vida. Gravou algumas músicas ainda, mas com dificuldade – a respiração e o cansaço não lhe permitiam muita coisa mais – deu depoimentos importantes, reavaliando sua trajetória artística e compôs pouco.

Mas inventou para si uma pequena arte, com pedaços velhos de lata, de madeira, movidos a eletricidade. São rodas-gigante, trens de ferro, carrosséis. Vários e pequenos objetos da ourivesaria popular - enfeites, cigarreiras, bibelôs. Fiel até o fim à sua escolha, às observações que colheu do cotidiano, criou um mundo mágico. Quando recebia alguma visita em casa, que se admirava com os objetos criados pelo sambista, ouvia dele que "alguns chamavam aquilo de higiene mental, mas que não passava de higiene de débil mental...". Como se vê, cultivava o humor como marca registrada. Marca aliás, que aliada à observação da linguagem e dos fatos trágicos do cotidiano, fez dele um sambista tradicional e inovador.

Adoniran Barbosa nasceu e morreu pobre. Todo o dinheiro que ganhou gastou ajudando ou comemorando sucessos com os amigos. A causa de sua morte foi Insuficiência Cardíaca agravada por Enfisema Pulmonar.

Fonte: Wikipédia

Márcia Kubitschek

MÁRCIA LEMOS KUBITSCHEK DE OLIVEIRA
(56 anos)
Jornalista e Política

* Belo Horizonte, MG (22/10/1943)
+ São Paulo, SP (05/08/2000)

Márcia Lemos Kubitschek de Oliveira foi uma jornalista e política brasileira.

Filha do casal Juscelino Kubitschek e Sarah Kubitschek, Márcia Kubitischek nasceu num parto com complicações, o que quase custou sua vida e a vida de sua mãe, mas felizmente ela nasceu aparentemente saudável. Aos dez anos descobriu um problema na coluna vertebral, uma possível sequela do parto. Esse problema a impediu de seguir carreira de bailarina, que era seu sonho.

Com o agravamento do seu estado de saúde, foi levada à Europa pelos pais a fim de ser operada pelo melhor médico ortopedista da época. Conseguiu ser curada, apesar de não ter seu sonho realizado de ser bailarina, ficou feliz por ter recuperado sua vida saudável de antes. Seu pai Juscelino Kubitschek chegou á fase final de seu governo inaugurando Brasilia a nova capital do Brasil em 21 de abril de 1960.

Vida Pessoal

Em terras lusitanas, casou-se com o banqueiro Baldomero Barbará Neto e teve duas filhas: Anna Christina Kubitschek Barbará, nascida na Cidade do Rio de Janeiro em 1 de junho de 1968, casada com Paulo Octávio, e Júlia Diana Kubitschek Barbará, nascida em Nova York, dia 29 de abril de 1976. Casaram-se em Lisboa, em 1965 e depois de mais de dez anos de casamento com Baldomero Barbará Neto, acabou por pedir o divórcio. 

Mudou-se para os Estados Unidos com as filhas e continuou trabalhando. Casou-se novamente em 1980, com o bailarino norte americano, nascido em Miami, de ascendência cubana, Fernando Bujones. Desta união nasceu em Nova York, no ano de 1983, sua filha caçula, Alejandra Patrícia Kubitschek Bujones. O casal separou em 1988 e ela voltou a morar no Brasil com as três filhas.

Alguns anos depois, reencontrou seu namorado de adolescência, o advogado gaúcho José Carlos Barroso e com ele se casou. Foi seu último marido.

Carreira

Foi aluna do curso de Comunicação Social, onde estudou de 1960 a 1963, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e se formou jornalista, trabalhando ao se formar em jornais como o Última Hora e o Jornal do Brasil. Também trabalhou na revista Manchete.

Foi diretora da Fundação Cultural do Rio de Janeiro e fez mestrado em Ciências Políticas de 1977 a 1980 pela Universidade de Nova York, cidade na qual dirigiu o escritório da Embratur durante o primeiro ano do governo de José Sarney.

Márcia Kubitschek falava fluentemente cinco idiomas e viajou o mundo diversas vezes.

Teve dois netos e duas netas: Felipe e André, filhos de Anna Christina com o deputado mineiro Paulo Octávio Alves Pereira e Maria Vitoria e Luiza filhas de Júlia Diana com o banqueiro Frederico Albarran. Alejandra Patrícia ainda não teve filhos, nem se casou.

Juscelino Kubitschek e Família
Vida Política

Na política, Márcia Kubitschek defendia a valorização política e social da mulher, a industrialização do Distrito Federal para a geração de empregos e uma reforma agrária sem radicalismo. Na comemoração dos 40 anos de Brasília, Márcia Kubitschek fez um discurso emocionado. Os convidados foram às lágrimas.

"Brasília não é de JK. Não é de Lúcio Costa. Não é de Oscar Niemeyer. Mas de todos nós brasileiros que acreditamos que esse sonho poderia se tornar realidade."

Márcia Kubitschek assinou sua filiação ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) em 1982 e foi eleita deputada federal pelo Distrito Federal em 1986, atuando na Assembléia Nacional Constituinte. Permaneceu na legenda até 1989, quando ingressou no Partido da Reconstrução Nacional (PRN) a convite de Fernando Collor, que inclusive lhe havia oferecido a vaga de vice em sua chapa naquele ano, quando ele se elegeria presidente da República.

Em 1990 houve a primeira eleição direta para o governo do Distrito Federal e Joaquim Roriz (PTR) foi eleito governador tendo como vice-governadora Márcia Kubitschek, que renunciou ao mandato parlamentar em 21 de dezembro de 1990.

Durante o processo que culminaria com o impeachment de Fernando Collor, desligou-se do Partido da Reconstrução Nacional (PRN) e, em 1994, concorreu a uma cadeira de senadora pelo Partido Progressista (PP), ficando em terceiro lugar. Nomeada assessora do Ministério da Indústria e Comércio no ano seguinte pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, foi vice-presidente da Embratur entre 1996 e 2000. Foi seu último emprego.

Dez dias antes de ser internada, Márcia Kubitschek fez sua última aparição em público. Ela se encontrou com o presidente da Câmara dos Deputados, deputado Michel Temer (PMDB/SP), para pedir a reabertura das investigações sobre a morte do pai. Márcia Kubitschek duvidava da morte acidental de Juscelino Kubitschek. Acreditava que houvera um atentado. Na versão oficial, o ex-presidente Juscelino Kubitschek morreu em acidente com o carro em que viajava de São Paulo para o Rio de Janeiro, em 1976.

Depois do acidente, Márcia Kubitschek mudou-se para Nova York. Morou lá durante oito anos e retornou ao Brasil decidida a investir na carreira política. "O povo há de ver em mim a sucessora política de JK", costumava dizer. A vida política, no entanto, nem sempre foi sucedida por vitórias. Conseguiu eleger-se deputada federal, depois da Constituinte de 1985, mas perdeu as eleições para o Senado Federal, em 1994.

Na época, Márcia Kubitschek reclamou que não teve o apoio prometido pelo então governador Joaquim Roriz, do qual foi vice. Durante esse mandato, chegou a assumir o Governo do Distrito Federal (GDF) em algumas ocasiões, durante viagens de Joaquim Roriz.

Márcia Kubitschek era muito ligada ao pai. Falava sempre dele, venerava-o. Era diante do túmulo dele, no Memorial JK, que ela buscava inspiração para o dia-a-dia. Sempre que precisava tomar uma decisão importante, costumava ir para lá, meditar.

Márcia acompanhou de perto o sonho de Juscelino Kubitschek. Em 1957, do lado de fora da obra de construção do Palácio do Catetinho, a menina de 11 anos olhava o ermo ao lado do pai que apontava. "Você está duvidando que isso vai ser possível, não é?", dizia ele. "Pois você vai ver que não é bobagem. Seu pai vai ser o Aladim, nós vamos ter uma lâmpada maravilhosa. Eu vou esfregá-la e todas essas coisas que estou lhe dizendo aqui vão surgir."

Márcia Kubitschek era descrita pelos amigos próximos como pessoa doce, conciliadora, bastante caseira e culta. Mas, ao mesmo tempo, era vista como uma pessoa dinâmica e persistente. Falava três línguas fluentemente: inglês, espanhol e francês. Apesar de muitos políticos afirmem que são seguidores de Juscelino Kubitschek, era Márcia quem ele queria que trilhasse o seu caminho. Imaginava vê-la, pelo menos, governadora do Distrito Federal.


Saúde e Morte

Márcia Kubitschek morreu no sábado, (05/08/2000), às 21:45 hs, aos 56 anos, no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Depois de permanecer internada por dois meses no hospital, após entrar em coma, vítima de Insuficiência Renal e Falência Múltipla dos Órgãos.

O corpo de Márcia Kubitschek foi transportado na madrugada para Brasília, onde foi velado durante todo o dia no Memorial JKO presidente Fernando Henrique Cardoso compareceu ao velório.

A morte era inevitável e a família sabia disso. "O estado de saúde dela não permitia um transplante de fígado", explicou o empresário Paulo Octávio, casado com Anna Christina, a filha mais velha de Márcia Kubitschek.

A ex-deputada e ex-vice-governadora do Distrito Federal, Márcia Kubitschek foi enterrada no final da tarde no cemitério Campo da Esperança, em Brasília, ao lado de sua mãe, dona Sarah Kubitschek.

O empresário Paulo Octávio, genro de Márcia Kubitschek, prestou a última homenagem ressaltando suas qualidades e seu amor por Brasília.

Segundo o Corpo de Bombeiros cerca de 500 pessoas compareceram ao enterro.

Fonte: Wikipédia e Diário de Cuiabá

Sarah Kubitschek

SARAH LUÍSA GOMES DE SOUSA LEMOS
(87 anos)
Primeira Dama Brasileira

* Belo Horizonte, MG (05/10/1908)
+ Brasília, DF (04/02/1996)

Foi primeira-dama brasileira de 1956 a 1961, tendo sido a esposa de Juscelino Kubitschek, ex-presidente do Brasil, com quem teve duas filhas Márcia Kubitschek e Maria Estela Kubitschek.

Ao lado de Darcy Vargas e Ruth Cardoso, foi uma das primeiras-damas mais ativas do país, engajando-se em obras sociais.

Sarah Luísa Gomes de Sousa Lemos nasceu em uma família tradicional de Belo Horizonte, Minas Gerais. Era filha do deputado federal Jaime Gomes de Sousa Lemos e de Luísa Negrão. Tinha quatro irmãos: Amélia, Maria Luísa, Geraldo e Idalina. Sua irmã, Amélia, era casada com o político Gabriel de Rezende Passos. Através de sua mãe, ela tinha dois primos famosos: Francisco Negrão de Lima e Otacílio Negrão de Lima. O avô paterno de Sarah, José, era natural de Lousã, Portugal.


Sarah e Juscelino Kubitschek

Na juventude, ela se apaixonou perdidamente por Juscelino Kubitschek de Oliveira. Porém, quando ele decidiu fazer especialização em urologia na Europa, Juscelino Kubitschek rompeu o noivado e passou a não responder suas cartas. Apesar disso, aconselhada por sua mãe, Sarah resolveu esperá-lo.

No dia 30 de dezembro de 1931, SarahJuscelino casaram-se na cidade do Rio de Janeiro. No dia seguinte, comemoraram o casamento no ano novo no famoso Hotel Copacabana Palace.

Logo após o casamento passou a assinar Sara Luísa Lemos de Oliveira. Anos depois, quando Juscelino Kubitschek assumiu a presidência, seu nome passou a ser Sarah Luisa Lemos Kubitschek de Oliveira, para não assinar diferente do marido.

Sarah Kubitschek desejava ter muitos filhos, mas foram onze anos de tentativas até nascer Márcia Kubitschek. Anos depois, o casal adotou Maria Estela Kubitschek, um ano mais velha do que Márcia.

Uma mulher de forte temperamento, Sarah Kubitschek era uma mulher enérgica, determinada e bem-educada. Seu marido chegou a dizer que "às vezes tinha a impressão de que se casara com um tigre". Contudo, era conservadora e não gostava de política.

Dona Sarah foi a fundadora da Organização das Pioneiras Sociais, que realizou uma notável obra de assistencialismo em Minas Gerais. Incluía fundação de escolas no interior, creches e distribuição de roupas, alimentos, cadeiras de rodas e aparelhos mecânicos para deficientes físicos. Além disso, fundou hospitais-volantes na maioria dos Estados e hospitais flutuantes, vindos da Alemanha, para o Amazonas.

Depois de ficar viúva, ela passou a viver da pensão de Juscelino Kubitschek. Residia em um apartamento alugado na Capital, quando morreu aos oitenta e sete anos de idade, vítima de Parada Cardiorrespiratória.

Em sua homenagem, leva seu nome o Hospital Sarah Kubitschek, referência no tratamento de politraumatizados, com unidades em sete capitais brasileiras: Fortaleza, Macapá, Belo Horizonte, Brasília, São Luís, Rio de Janeiro, Belém e Salvador. Graças ao apoio de Sarah Kubitschek, existe hoje o Memorial JK, projetado por Oscar Niemeyer.


Dilermando Reis, Francisco Assis Barbosa, Juscelino Kubitschek, Sarah Kubitschek e Antônio Houaiss


Representações Na cultura e Homenagens

Sarah Kubitschek já foi interpretada pelas atrizes Marília Pêra (na fase madura) e Débora Falabella (na fase jovem) na minissérie "JK", de 2006, feita pela TV Globo.

Em 30 de julho de 1957 recebeu a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo e em 28 de fevereiro de 1961 recebeu a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.

Fonte: Wikipédia

Juscelino Kubitschek

JUSCELINO KUBITSCHECK DE OLIVEIRA
(73 anos)
Médico, Militar, Político e Presidente do Brasil

☼ Diamantina, MG (12/09/1902)
┼ Resende, RJ (22/08/1976)

Juscelino Kubitschek de Oliveira foi um médico e político brasileiro. Conhecido como JK, foi prefeito de Belo Horizonte (1940-1945), governador de Minas Gerais (1951-1955), e presidente do Brasil entre 1956 e 1961.

Foi o primeiro presidente do Brasil a nascer no século XX. Foi o último político mineiro eleito para a presidência da República pelo voto direto, antes de Dilma Rousseff. Casado com Sarah Kubitschek, com quem teve a filha Márcia Kubitschek de Oliveira e adotaram a Maria Estela Kubitschek, foi o responsável pela construção de uma nova capital federal, Brasília, executando, assim, um antigo projeto, já previsto em três constituições brasileiras, da mudança da capital federal do Brasil para promover o desenvolvimento do interior do Brasil e a integração do país.

Durante todo o seu mandato como presidente da República (1956-1961), o Brasil viveu um período de notável desenvolvimento econômico e relativa estabilidade política. Com um estilo de governo inovador na política brasileira, Juscelino Kubitschek construiu em torno de si uma aura de simpatia e confiança entre os brasileiros.

Segundo seu adversário José SarneyJuscelino Kubitschek foi o melhor presidente que o Brasil já teve, por sua habilidade política, por suas realizações e pelo seu respeito às instituições democráticas.

No ano de 2001, Juscelino Kubitschek de Oliveira foi eleito o "Brasileiro do Século" em uma eleição que foi publicada pela revista Isto É.

Origem e Educação

Juscelino Kubitschek nasceu em 12/09/1902 em Diamantina, MG, num casarão colonial na Rua Direita. Seu pai, João César de Oliveira (1872-1905), foi caixeiro-viajante e exerceu, também, várias outras profissões. Era um homem boêmio, e em uma serenata no município de Rio Vermelho contraiu um resfriado que passou para pneumonia e deu origem a uma tuberculose. Com medo de contaminar a família com a doença, o pai de Juscelino Kubitschek decidiu ir morar em uma casa isolada vindo a receber visitas de amigos e familiares. João César de Oliveira faleceu em 10/01/1905, quando Juscelino Kubitschek tinha somente 3 anos.

A única renda da família se tornou a da mãe. Sua mãe, Júlia Kubitschek (1873-1973), era professora e possuía ascendência checa (seu sobrenome é uma germanização do original tcheco Kubíček) e etnia cigana - Juscelino Kubitschek foi o único presidente de origem cigana em todo o mundo. Viúva aos 28 anos, Júlia Kubitschek não quis se casar novamente, dedicando-se aos dois filhos, Maria da Conceição, apelidada de Naná, nascida em 1901, e Juscelino Kubitschek, o NonôJúlia Kubitschek havia perdido uma filha nos primeiros meses de vida, cujo nome era Eufrosina, nascida em 1900.

Quando menino, em uma brincadeira de esconde-esconde, teria machucado o dedo mínimo do pé direito. Segundo o jornalista Roniwalter Jatobá, isto teria duas consequências para a vida de Juscelino Kubitschek. A primeira seria uma característica física, pois não poderia mais fazer longas caminhadas e a pressão do sapato iria lhe trazer incomodo. O segundo seria de característica profissional, devido a dedicação do médico que lhe prestou socorro, influenciando-o a seguir a carreira de médico.

Aos 12 anos terminou o curso primário. Pagando uma mensalidade, foi estudar no seminário diocesano de Diamantina, dirigido pelos padres vicentinos, onde concluiu o curso de humanidades aos 15 anos incompletos. No seminário, teve de usar batina como os demais, seguindo os estudos num regime severo, levantando às cinco horas da manhã e indo dormir às oito horas. Nos estudos, ia razoavelmente bem, com exceção da disciplina de aritmética na qual tinha dificuldades. Segundo o historiador Francisco de Assis Barbosa, era um menino como outro qualquer, incapaz de despertar invejas ou inimizades, quer pela sua condição econômica que não era das melhores, das mais humildes, quer pelo seu comportamento, alegre, expansivo, brincalhão, mas avesso a discussões, intrigas e mal-entendidos. Como não conseguiria sair da cidade para ir estudar em Belo Horizonte por ser menor de idade, dedicou-se a estudar sozinho, conseguindo a ajuda de alguns professores. Teve cursos de língua inglesa com um professor chamado José e língua francesa com a professora Madame Louise.

Em meio a dificuldades financeiras, conseguiu obter os exames preparatórios exigidos para o curso de Medicina. Em 1919, prestou na capital mineira de Belo Horizonte um concurso para telegrafista na agência central da cidade. Para realizar o concurso exigia-se a idade mínima de 18 anos, mas ele possuía apenas 16 anos incompletos. Para resolver este problema, conseguiu com o oficial de registro de Diamantina uma certidão forjada que marcava como se tivesse nascido em 1900.

Ficou em 19º lugar, sendo classificado. No final de 1920, se mudou para Belo Horizonte. De início, a mãe pagava os custos do filho na capital mineira, mas Juscelino não morava em boas condições de conforto. Dois anos após o concurso, em maio de 1921, foi divulgada a sua nomeação para telegrafista auxiliar. Em janeiro de 1922, prestou o vestibular e matriculou-se na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais.

Em 1926, recebeu o diagnóstico de que estava com estertores no pulmão, tendo que ficar seis meses de cama. No quinto ano de Medicina, começou a trabalhar juntamente com o seu cunhado e amigo Júlio Soares como interno na enfermaria da clínica cirúrgica de Santa Casa. Tornou-se assistente em duas cadeiras, a da Clínica Cirúrgica e Física Médica. Além disso, foi nomeado por seu amigo José Maria Alkmim como médico da Caixa Beneficente da Imprensa Oficial do Estado.

Juscelino gostava de dançar, e, por isso criou-se a fama de pé de valsa. Numa festa conheceu Sarah Gomes de Lemos, filha do deputado federal Jaime Gomes de Sousa Lemos. A partir de então começaram a namorar.

Em 17/12/1927 formou-se em Medicina, na mesma turma de Pedro Nava, três anos antes de Guimarães Rosa. Foi na cerimônia de colação de grau que sua mãe, Júlia Kubitschekconheceu Sarah Gomes de Lemos.

No final de abril de 1930, viajou de trem para o Rio de Janeiro, donde partiu para a França no navio Formose.

Viagem a Paris

O navio onde encontrava-se Juscelino Kubitschek fez várias escalas. O primeiro país em solo estrangeiro que o rapaz conheceu foi Senegal, mais especificamente na cidade de Dakar, seguindo para a cidade de Casablanca, no Marrocos. Chegou a cidade do Porto, Portugal, e a Vigo, Espanha. Desceu próximo a Bordéus já em território francês, onde pegou um trem para Paris. Lá, inscreveu-se num curso de cultura francesa, atualizando-se no idioma e visitando museus e lugares históricos. Mas o objetivo principal da viagem era se especializar em um curso intensivo de urologia com o doutor Maurice Chevassu, que durou três semanas.

Em agosto de 1930, os professores entraram em férias de verão. Fazendo economias pois não possuía muito dinheiro, Juscelino Kubitschek embarcou juntamente com 300 turistas no navio Lotus com destino a uma viagem pelo Mar Mediterrâneo, que sairia de Marselha e faria uma volta completa pelo Mediterrâneo oriental, do Egito até a Grécia, passando pela Terra Santa.

Em sua estadia na Europa conheceu vários brasileiros. Em Veneza embarcou para Viena na Áustria. Em Viena frequentou vários hospitais e enfermarias a fim de assistir operações. Conheceu a Tchecoslováquia, terra de seu avô materno, constatando que o seu sobrenome Kubitschek era muito comum ali, passando seu aniversário nesta ocasião. Logo, tomou um trem para Berlim, Alemanha, para cumprir um vasto programa de conhecimentos médicos em sua especialidade.

De volta a Paris, confirmou na embaixada brasileira os boatos de que haveria acontecido a chamada Revolução de 1930 no Brasil, ocasião em que o gaúcho Getúlio Vargas teria chegado ao governo. Após saber das novidades, Juscelino Kubitschek junto com os amigos Cândido Portinari e Leopoldo Fróis saíram pelas ruas a comemorar. Embarcou no navio Almirante Alexandrino donde partiria para o Brasil e chegou em 21/11/1930 no Rio de Janeiro. Ao chegar, pediu a sua amada Sarah Gomes de Lemos em casamento.

O Retorno a Minas e a Revolução Constitucionalista

Ao retornar para Minas Gerais, assumiu todos os trabalhos em Belo Horizonte como era antes da viagem. Em 17/03/1931, quatro meses após o regresso da Europa, foi nomeado para a Força Pública indo servir como capitão-médico no Hospital Militar como encarregado do Laboratório de Análises Clínicas.

Em 30 de dezembro de 1931, casou-se no Rio de Janeiro com Sarah Gomes de Lemos. O vestido de Sarah era longo, sem véu e grinalda. A festa foi simples e íntima. Juscelino Kubitschek, que então morava com a irmã em Belo Horizonte, alugou uma casa na Avenida Paraúna, próximo a irmã.

Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, conflito entre o Estado de São Paulo e o Governo de Getúlio VargasJuscelino Kubitschek foi convocado para atuar como médico das tropas mineiras que lutavam contra os paulistas na Serra da Mantiqueira. Instalado em Passa Quatro, recebeu lá um paciente em estado grave. Tendo que operá-lo, pediu a um coronel-médico que ajudasse-lhe, este se recusou. Com a ajuda de um veterinário e de uma freira, conseguiu operar o soldado e salvá-lo. Logo, recebeu a visita de um capitão do quartel-general que veio para abrir um inquérito contra o coronel que recusou ajuda a um paciente agonizante. Juscelino Kubitschek pediu que o inquérito não fosse aberto.

De acordo com o jornalista Roniwalter Jatobá, a atitude de não querer prejudicar a carreira de um superior hierárquico do Exército aumentou a simpatia de Juscelino Kubitschek com os militares. Nesta ocasião conheceu um amigo, o padre esloveno Alfredo Kobal que havia servido ao Exército Austríaco na Primeira Guerra Mundial. Também conheceu Benedito Valadares. Após o fim do conflito na região, Juscelino Kubitschek voltou para a casa.

Carreira Política Até a Presidência

Em 1933, após a morte do governador de Minas Gerais, Olegário Maciel, o então presidente da República Getúlio Vargas nomeou Benedito Valadares para o cargo. Benedito Valadares nomeou Juscelino Kubitschek para o cargo de chefe-de-gabinete, mas ele recusou. O fato é que Benedito Valadares foi até o hospital militar onde Juscelino Kubitschek estava. Lá ele homenageou o ex-governador Olegário Maciel e anunciou o seu novo chefe-de-gabinete: Juscelino Kubitchek.

Juscelino Kubitchek conta que foi nomeado na marra. No cargo, resolvia vários problemas conversando com as autoridades. Em Diamantina, por exemplo, conseguiu abrir estradas e preservar edifícios históricos. Nessa época construiu a sua primeira obra pública, uma ponte sobre o Ribeirão do Inferno, ligando Diamantina a cidade de Rio Vermelho.

Em outubro de 1934 foi eleito o deputado federal mais votado em Minas Gerais, filiado ao recém-criado Partido Progressista (PP) que havia sido fundado por membros do Partido Republicano Mineiro (PRM) que apoiavam a Revolução de 1930. Exerceu o mandato de deputado federal de 1935 até o fechamento do Congresso Nacional, em 10/11/1937, com o golpe do Estado Novo. Chegou ao posto de tenente-coronel-médico da Polícia Militar de Minas Gerais. Após o impedimento de seu mandato, confidenciou a esposa que sairia definitivamente da política naquele instante, o que não se concretizou.

Prefeitura de Belo Horizonte

No início de 1940, o então governador de Minas Gerais Benedito Valadares nomeou Juscelino Kubitschek como novo prefeito da capital mineira. A princípio, Juscelino Kubitschek não quis aceitar o cargo, mas a nomeação foi divulgada em 16 de abril no Minas Gerais. durante este período, não abandonou a carreira de médico, intercalando a Medicina com a Prefeitura. Tornou-se o Primeiro Secretário do recém Partido Social Democrático (PSD).

Tomou posse como prefeito de Belo Horizonte em 19/10/1940, sendo conhecido como "Prefeito Furacão" pelas grandes mudanças feitas por ele na cidade. Como prefeito, restaurou, pavimentou e construiu muitas avenidas, sendo responsável pelo asfaltamento da Avenida Afonso Pena, a construção de grandes avenidas a fim de facilitar o acesso ao centro da cidade como a pavimentação da Avenida do Contorno e a Avenida Amazonas. Criou vários bairros em Belo Horizonte. Canalizou vários córregos que banham a cidade visando o saneamento básico de Belo Horizonte. Construiu pontes e realizou terraplanagens a fim de integrar o centro da cidade a vários núcleos populacionais da zona suburbana, e desenvolveu em Belo Horizonte a rede subterrânea de luz e telefone.

Neste período, uma das mais importantes obras foi a construção da Pampulha, um centro de lazer. Esta foi projetada por Oscar Niemeyer e a obra se tornou um marco cultural nacional. Na época, a construção tinha como finalidade o turismo. Fora construído um grande lago artificial e em torno deste, um conjunto integrado pelo Iate Clube, o Cassino, a Casa do Baile e a Igreja. As obras duraram 9 meses.

Para a cultura, criou o Museu de Belo Horizonte, o Instituto de Belas Artes e o Curso de Extensão Musical. Iniciou a construção do Teatro Municipal, oficializou a Orquestra Sinfônica e apoiou várias instituições. Estimulou a criação de novas habitações residenciais e o desenvolvimento de uma rede de assistência social juntamente com a construção do Hospital Municipal no Bairro da Lagoinha. O prédio possuía 306 leitos e instalações modernas para a época.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, iniciou-se no Brasil a redemocratização com a queda do Estado Novo e a posse do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) José Linhares. Os governantes que haviam sido indicados pela ditadura deixaram os cargos, inclusive Juscelino Kubitschek em 30/10/1945.

Deputado Federal Pela Segunda Vez

Após a saída da Prefeitura de Belo Horizonte, decidiu entrar definitivamente na política. Nas eleições de 2 de dezembro de 1945 foi eleito deputado federal para a Assembleia Nacional Constituinte pelo Partido Social Democrático (PSD) com 26.293 votos, ficando em terceiro lugar. Através do estado de Minas Gerais, elegeram-se também entre outros vinte deputados, Tancredo Neves, José Maria Alkmim, Gustavo Capanema e Benedito Valadares. Juscelino Kubitschek juntamente com a esposa e a filha Márcia Kubitschek, foi morar na então capital federal do Rio de Janeiro na Rua Sá Ferreira de Copacabana.

Tomou posse como deputado federal pela segunda vez em 22/04/1946, discursando sobre a necessidade de se construir casas populares e de se realizar uma política de conteúdo social, tendo em vista elevar o padrão de vida da população. Destacou-se muito por sua oratória. Seus discursos mais importantes, com as frases que ficaram famosas, como "Deus me poupou o sentimento do medo", foram escritos pelo poeta Augusto Frederico SchmidtJuscelino Kubitschek destacou-se, também, na chamada política de bastidores, as articulações políticas bem trabalhadas, típica de Minas Gerais e de seu segundo partido político, o Partido Social Democrático (PSD).

Em 22/07/1946, um grupo de deputados federais incluindo Juscelino Kubitschek, embarcaram em um avião do Força Aérea Brasileira com destino a Belém. Anos mais tarde, ele lembraria que foi a primeira vez a entrar em contato com um Brasil diferente daquele que estava acostumado. Também diria que, "se a beleza dos cenários me seduziu e deslumbrou, tive a oportunidade de viver, por outro lado, o drama daquelas populações deserdadas, perdidas nos desvãos de um território imenso e quase sem um vínculo afetivo com a capital da República."

Permaneceu até 1950 no cargo de deputado. Destacou-se mais, entretanto, nos cargos executivos que ocupou, e, pela sua atuação neles, ficou conhecido como um político do tipo "tocador de obras".

Governador de Minas Gerais

Em sua campanha a governador, percorreu 168 municípios mineiros sendo candidato pelo Partido Social Democrático (PSD) com o apoio do Partido Republicano (PR). Ironicamente, o outro candidato era o seu concunhado Gabriel Passos (Partido Democrata Cristão - União Democrática Nacional), ou seja, era casado com a irmã de sua esposa Sarah. Num jornal da época, um leitor brincou com este parentesco, escrevendo que não sabia quem ganharia as eleições, mas que poderia afirmar quem era a sogra do futuro governador.

Minas não tinha produção de energia elétrica suficiente e nem estradas, por isso sua estratégia se baseou no binômio "Energia e Transporte", sugerido pelo reitor da Universidade do Brasil, Pedro Calmon.

Apurados os resultados, Juscelino Kubitschek foi eleito governador de Minas Gerais com 714.664 votos (56,77%) contra 544.086 votos (43,23%) de Gabriel Passos. Pela mesma coalizão de Juscelino Kubitschek, foi eleito para vice Clóvis Salgado da Gama com 676.914 votos (56,50%) contra 520.956 votos (43,50%) de Pedro Aleixo.

Juscelino Kubitschek assumiu o Governo de Minas Gerais no dia 31 de janeiro de 1951. Em 1952, criou a Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG) e construiu cinco usinas hidrelétricas. Com a eletrificação foi possível estimular a industrialização, e assim pode ser instalado em 12 de agosto de 1954 um conjunto de produção metalúrgica na região metropolitana de Belo Horizonte, a Siderúrgica de Mannesmann, uma empresa alemã, que possibilitou a concretização dos planos de Juscelino Kubitschek em tirar Minas Gerais daquela situação "agropastoril". Foram construídos mais de 3 mil quilômetros de estradas e 251 pontes. Foram criados mais 120 postos de saúde. Quando tomou posse, haviam 680 mil alunos matriculados na escola primária, índice que saltou para mais de um milhão de alunos no final da gestão. A maior dificuldade que enfrentou como governador foi uma revolta ocorrida em Uberaba, em 1952, contra os elevados impostos estaduais. Terminou a gestão em 31/03/1955.

Em 30/03/1955, Juscelino Kubitschek renunciou ao cargo de governador para se candidatar a presidente. Ele teria dito ao vice Clóvis Salgado: "Vou ter que renunciar, e vão fazer tudo para impedir as eleições. Você vai ter que ficar com essa defesa aqui nas mãos. Porque, sem o apoio de Minas, meu velho, minha candidatura desmorona, não tenha dúvida". O vice teria o tranquilizado.

Eleição Presidencial de 1955

Através de uma aliança política formada por 6 partidos, Juscelino Kubitschek foi eleito presidente da República em 03/10/1955, com 35,68% dos votos válidos, a menor votação de todos os presidentes eleitos de 1945 a 1960.

Naquela época as eleições se realizavam em turno único. Nesta eleição, pela primeira vez no Brasil, se utilizou a cédula eleitoral oficial confeccionada pela Justiça Eleitoral. Antes de 1955 os próprios partidos políticos confeccionavam e distribuíam as cédulas eleitorais.

Foi difícil o lançamento da candidatura de Juscelino Kubitschek, pois se acreditava em um veto militar a ela: Juscelino Kubitschek era acusado de ser apoiado pelos comunistas. Somente quando o presidente da república Café Filho divulgou a carta dos militares na Voz do Brasil foi que Juscelino Kubitschek se lançou candidato, alegando que a carta dos militares não citava o seu nome.

Para dar legitimidade e prestígio à sua candidatura a presidente, Juscelino Kubitschek visitou o já idoso e venerado ex-presidente da república Wenceslau Brás em sua residência no sul de Minas Gerais. Pediu e conseguiu o apoio do antigo presidente à sua candidatura.

A apuração dos votos foi demorada. Em 3 de outubro de 1955, Juscelino Kubitschek elegeu-se com 3.077.411 votos (35,68%), o general Juarez Távora recebeu 2.610.462 votos (30,27%), o doutor Ademar de Barros conseguiu 2.222.725 votos (25,77%) e Plínio Salgado conquistou 714.379 votos (8,28%). Juscelino Kubitschek obteve, 400 mil votos a mais que o candidato da União Democrática Nacional (UDN) Juarez Távora, e 800 mil votos a mais que o terceiro colocado, o ex-governador de São Paulo Ademar de BarrosJuscelino Kubitschek foi favorecido pelo lançamento da candidatura de Plínio Salgado, a qual tirou votos do candidato Juarez Távora.

União Democrática Nacional (UDN) tentou impugnar o resultado da eleição, sob a alegação de que Juscelino Kubitschek não obteve vitória por maioria absoluta dos votos. A posse de Juscelino Kubitschek e do vice-presidente eleito João Goulart só foi garantida com um levante militar liderado pelo ministro da Guerra, general Henrique Teixeira Lott, que, em 11/11/1955, depôs o então presidente interino da República Carlos Luz. Suspeitava-se que Carlos Luz, da União Democrática Nacional (UDN), não daria posse ao presidente eleito Juscelino Kubitschek. Assumiu a presidência, após o golpe de 11 de novembro, o presidente do Senado Federal, Nereu Ramos, do partido de Juscelino Kubitschek, o Partido Social Democrático (PSD). Nereu Ramos concluiu o mandato de Getúlio Vargas que fora eleito para governar de 1951 a 1956. O Brasil permaneceu em estado de sítio até a posse de Juscelino Kubitschek em 31/01/1956.

Viagem Internacional

Antes de tomar posse como presidente eleito, Juscelino Kubitschek fez uma série de visitas a países estrangeiros. Pelas palavras do próprio, o objetivo da viagem "não era apenas afastar-me da cena política nacional, de forma a permitir que as paixões serenassem mas, sobretudo, estabelecer contatos diretos com os Chefes de Governo e com os capitães da indústria e do comércio daqueles países, para apresentar-lhes, em termos concretos, a política de desenvolvimento econômico que instalaria no Brasil, de forma a interessá-los naquela arrancada."

Juscelino Kubitschek foi aos Estados Unidos, cujo governo estava aflito com as acusações da oposição de que Juscelino Kubitschek tivesse sido eleito com o voto dos comunistas. Nesta viagem não haveria obtido sucesso, pois os empresários de lá não o deram atenção. Também viajou para a Inglaterra, França, Alemanha, Holanda, Bélgica, Espanha, Portugal, Itália e Vaticano.

Presidente do Brasil
O Plano de Metas

Em seu mandato presidencial, Juscelino Kubitschek lançou o Plano Nacional de Desenvolvimento, também chamado de Plano de Metas, que tinha o célebre lema "Cinquenta Anos Em Cinco". O plano tinha 31 metas distribuídas em 5 grandes grupos: Energia, Transportes, Alimentação, Indústria de Base, Educação, e, a meta principal ou meta-síntese: a construção de Brasília.

O Plano de Metas visava estimular a diversificação e o crescimento da economia brasileira, baseado na expansão industrial e na integração dos povos de todas as regiões do Brasil através da nova capital localizada no centro do território brasileiro, na região do Brasil Central.

A estratégia do Plano de Metas era corrigir os "pontos de estrangulamento" da economia brasileira, em termos atuais "reduzir o custo Brasil", que poderiam estancar o crescimento econômico brasileiro (por falta de estradas e energia elétrica) e reduzir a dependência das importações, no processo chamado de "substituição de importações", já que o Brasil padecia de uma crônica falta de divisas externas (dólares).

A Convivência Democrática

Outro fato importante do governo de Juscelino Kubitschek foi a manutenção do regime democrático e da estabilidade política, que gerou um clima de confiança e de esperança no futuro entre os brasileiros. Teve grande habilidade política para conciliar os diversos setores da sociedade brasileira, mostrando-lhes as vantagens de cada setor dentro da estratégia de desenvolvimento de seu governo.

Juscelino Kubitschek evitou qualquer confronto direto com seus adversários políticos e apelou a eles para que fizessem oposição sempre dentro das leis democráticas. Anistiou os militares revoltosos de Jacareacanga e Aragarças. Sendo que muitos políticos da União Democrática Nacional (UDN), adversária do Partido Social Democrático (PSD) de Juscelino Kubitschek, o apoiavam, ficando, estes políticos, conhecidos como a UDN Chapa-Branca.

Outro momento de tensão política do governo Juscelino Kubitschek foi, em 23 de novembro de 1956, quando Juscelino Kubitschek ordenou a prisão domiciliar do general Juarez Távora, que havia sido derrotado nas eleições de 1955. O motivo seria o fato de Juarez Távora ter desafiado a ordem de Juscelino Kubitschek, dada em 21/11/1956, que proibia os militares de fazerem manifestação ou comentário político. O ministro da Guerra, Henrique Teixeira Lott, cumpriu a ordem de prisão, mas pediu exoneração do cargo, porém voltou atrás. Com sua atitude enérgica e apoio de Henrique Teixeira LottJuscelino Kubitschek se fortaleceu entre os militares, setor em que tinha antes pouca aceitação e prestígio. Juscelino Kubitschek fechou, também, em novembro de 1956, a "Frente de Novembro" e o "Clube da Lanterna", que faziam oposição a ele.

Seu maior adversário político foi Carlos Lacerda com o qual se reconciliou posteriormente. Juscelino Kubitschek não permitiu o acesso de Carlos Lacerda à televisão durante todo o seu governo. Ele próprio confessou a Carlos Lacerda, depois, que se o tivesse deixado ter acesso a televisão, este o derrubaria.

Economia e Obras

O governo de Juscelino Kubitschek usou uma plataforma nacional desenvolvimentista, o Plano de Metas, lançado em 1956, e permitiu a abertura da economia brasileira ao capital estrangeiro. Entre 1955 e 1961, entraram mais de dois bilhões de dólares destinados às metas. Isentou de impostos de importação as máquinas e equipamentos industriais, assim como liberou a entrada de capitais externos em investimentos de risco, desde que associados ao capital nacional ("capital associado"). Para ampliar o mercado interno, o plano ofereceu uma generosa política de crédito ao consumidor.

O país crescia 7,9% ao ano. Juscelino Kubitschek promoveu a implantação da indústria automobilística com a vinda de fábricas de automóveis para o Brasil. Como na época os Estados Unidos estavam mais interessados no mercado europeu, vieram marcas europeias, inicialmente com o capital alemão (Volkswagen), francês (Simca) e nacional com tecnologia estrangeira (Vemag).

Promoveu a indústria naval com capital japonês, holandês e brasileiro, e a siderurgia com recursos estatais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e capital japonês agregado à Usiminas. Construiu grandes usinas hidrelétricas, como a Furnas localizada em São João da Barra e a Três Marias. A construção de Furnas foi iniciada em 1957 e concluída em 1963. Furnas formou um dos maiores lagos artificiais do mundo que banha 34 municípios mineiros e que ficou conhecido como o "Mar de Minas Gerais".

O processo de industrialização da região Sudeste com a abertura de empregos, aumentou a vinda dos nordestinos para essa região, principalmente São Paulo e Rio de Janeiro, assim como imigrantes das áreas rurais de todo o país. Muitos empresários, principalmente os paulistas, acreditavam que o pouco desenvolvimento da região Nordeste era um dos maiores obstáculos para a ampliação do mercado interno pois excluía um terço da população. Em 15/12/1959, Juscelino Kubitschek criou a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) para integrar a região ao mercado nacional.

Abriu as rodovias transregionais que uniram todas as regiões do Brasil, antes sem ligação rodoviária entre elas. Aumentou a produção de petróleo da Petrobras. Com exceção das empresas de energia hidrelétrica, Juscelino Kubitschek praticamente não criou nenhuma empresa estatal.

Comprou, em 1956, para a Marinha do Brasil, o seu primeiro porta-aviões, o NAeL Minas Gerais (A-11).

Entre 1959 e 1960, houve uma crise na obra da construção de Brasília. As verbas haviam acabado e Juscelino Kubitschek entendia que não poderia terminar o governo sem construir Brasília. Ao pedir um empréstimo de 300 milhões de dólares para o Fundo Monetário Internacional (FMI), o órgão exigiu que o país "colocasse a casa em ordem antes de pedir ajuda financeira"Juscelino Kubitschek substituiu o ministro da Fazenda José Maria Alkmim por Lucas Lopes, mas rompe "todos os entendimentos com o FMI".

Lucas Lopes ficou por um ano no ministério após sofrer um infarto. O historiador estadunidense Thomas Skidmore diz que o contentamento era maior do que se o Brasil tivesse recebido os 300 milhões, pois "os brasileiros tinham a sensação de estar desafiando com êxito as autoridades estrangeiras para as quais seus vizinhos da Argentina e Chile abaixavam a cabeça."

Juscelino Kubitschek emitiu títulos da dívida pública e cartas precatórias. Estas consistem em papéis negociados na bolsa de valores para se conseguir capital de curto prazo. Juscelino Kubitschek vendeu esses papéis com deságio, ou seja, com um preço abaixo do valor de mercado que poderia ser recuperado posteriormente em um prazo de 5 anos. Com isso, conseguiu dinheiro para terminar a construção de Brasília. Isso, no entanto, fez com que fosse acusado de inviabilizar os próximos governos do país, por aumentar a dívida pública federal.

Junto com Brasília, uma grande obra rodoviária ajudou muito o povoamento e desenvolvimento do Brasil Central e da Amazônia: A rodovia BR-153, antiga BR-14, também conhecida como Rodovia Belém-Brasília. Outras obras rodoviárias importantes ligando regiões brasileiras, feitas por Juscelino Kubitschek, foram:

  • A Rodovia Régis Bittencourt, antiga BR-2, que liga o Sudeste do Brasil ao Sul do Brasil, inaugurada no início de 1961.
  • A Rodovia Fernão Dias que liga São Paulo a Belo Horizonte, obra iniciada por Getúlio Vargas, inaugurada por Juscelino Kubitschek em 1960, e concluída em 1961.
  • A BR-364 ligando Cuiabá a Porto Velho e Rio Branco. Inicialmente uma estrada de terra e que foi asfaltada em 1983. A BR-364 foi a primeira rodovia a ligar o Centro Oeste do Brasil a Rondônia e ao Acre. A BR-364 viabilizou o povoamento de Rondônia que passou de 70.000 mil habitantes em 1960 a 500.000 habitantes em 1980.

O governador de Rondônia na época, Paulo Nunes Leal, em seu livro "O Outro Braço da Cruz", conta como conseguiu de Juscelino Kubitschek a construção da BR-364 em 2 de fevereiro de 1960:

- Srº Presidente!
- Diga Paulo!
- O Srº já ligou Brasília ao Centro-Sul, ao Nordeste e a Belém. Por que o Srº não faz o outro braço da cruz, ligando Brasília ao Acre?
- Uai, Paulo! E pode?
- Pode, Srº Presidente! Mas é negócio pra homem!
- Então vai ser!

Os críticos de Juscelino Kubitschek frisam o fato de ele ter priorizado o transporte rodoviário em detrimento do transporte ferroviário devido à implantação da indústria automobilística no Brasil, o que teria causado prejuízos econômicos como o crescimento das importações de derivados de petróleo, gasolina e óleo diesel, e também provocado isolamento e decadência de certas cidades. Juscelino Kubitschek conseguiu entretanto, com a inauguração da Refinaria de Duque de Caxias, em 1961, a autossuficiência do Brasil na produção de derivados de petróleo, passando o Brasil, a partir de então, a importar apenas a matéria-prima, produzindo os derivados de petróleo nas refinarias brasileiras.

A opção pelas rodovias é considerada, por muitos, danosa aos interesses do país, que estaria mais bem servido por uma grande rede ferroviária. Na década de 1920, o presidente Washington Luís também havia sido contestado por construir rodovias, sendo apelidado de "General Estrada de Bobagem", um trocadilho com "Estrada de Rodagem". Mesmo após o governo Juscelino Kubitschek, continuou forte, no Brasil, a oposição política à construção de rodovias: Na década de 1960, em São Paulo, Ademar de Barros foi muito criticado por construir a Rodovia Castelo Branco, tida, na época, como obra cara e desnecessária.

A dívida externa brasileira aumentou de 87 milhões de dólares, em 1955, para 297 milhões de dólares em 1959. Esta dívida foi ainda agravada pelas altas remessas de lucros das empresas estrangeiras de "capital associado" e pelo consequente aumento do déficit na balança de pagamentos.

Houve também uma elevação da dívida interna brasileira em aproximadamente 500 milhões de dólares.

Apesar do crescimento econômico, a construção de Brasília fez com que o mandato de Juscelino Kubitschek terminasse com crescimento da inflação, aumento da concentração de renda e arrocho salarial. Em 1956, a taxa de inflação era de 19,2%, e em 1960, de 30,9%. Ocorreram várias manifestações populares, com greves na zona rural e nos centros industriais que se alastram nos governos seguintes.

De fato, a expansão do crédito, a grande quantidade de importações para indústria automobilística e as constantes emissões de moeda - para manter os investimentos estatais e pagar os empréstimos externos - provocaram crescimento da inflação e queda no valor dos salários.

Em 1960, a inflação estava a 25% ao ano, subiu para 43% em 1961, para 55% em 1962 e chegou a 81% em 1963. O economista Roberto de Oliveira Campos, um dos coordenadores do Plano de Metas, foi um dos primeiros economistas a alertar Juscelino Kubitschek para o caráter inflacionário da construção de Brasília. Durante o governo de Juscelino Kubitschek, a produção industrial cresceu 80%, os lucros da indústria cresceram 76%, mas os salários cresceram apenas 15%.

Porém, o salário-mínimo do trabalhador brasileiro, em 1959, foi, considerado o mais alto, em valores reais, de todos os tempos.

Construção de Brasília

A construção de Brasília foi um dos fatos mais marcantes da história brasileira, e da política de Juscelino Kubitschek no seu mandato de 5 anos como presidente, sendo uma das maiores obras do século XX. A ideia de construir uma nova capital no centro geográfico do país estava prevista na Constituição de 1891, na Constituição de 1934 e na Constituição de 1946, mas foi adiada, sua construção, por todos os governos brasileiros desde 1891.

A promessa de construir Brasília foi feita, por Juscelino Kubitschek, no dia 4 de abril de 1955, em um comício, em Jataí, no estado de Goiás, quando, no final do comício, Juscelino Kubitschek resolveu ouvir perguntas de populares, e, o estudante para tabelião Antônio Soares Neto, o Toniquinho, perguntou a Juscelino Kubitschek se este iria cumprir toda a constituição do Brasil de 1946, inclusive o artigo referente a nova capital.

Toniquinho se referia ao artigo 4º do "Ato das disposições constitucionais transitórias da Constituição de 1946" que dizia:


"Art 4º - A Capital da União será transferida para o planalto central do país. § 1 º - Promulgado este Ato, o Presidente da República, dentro de sessenta dias, nomeará uma Comissão de técnicos de reconhecido valor para proceder ao estudo da localização da nova Capital. § 2 º - O estudo previsto no parágrafo antecedente será encaminhado ao Congresso Nacional, que deliberará a respeito, em lei especial, e estabelecerá o prazo para o início da delimitação da área a ser incorporada ao domínio da União. § 3 º - Findos os trabalhos demarcatórios, o Congresso Nacional resolverá sobre a data da mudança da Capital. § 4 º - Efetuada a transferência, o atual Distrito Federal passará a constituir o Estado da Guanabara."

(Constituição Federal de 1946)

O Congresso Nacional, mesmo com descrença, aprovou a lei n° 2.874, sancionada por Juscelino Kubitschek, em 19/09/1956, determinando a mudança da Capital Federal e criando a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap).

As obras, lideradas pelos arquitetos Lúcio Costa e Oscar Niemeyer começaram com entusiasmo em fevereiro de 1957. Mais de 200 máquinas e de 30 mil operários, os candangos, vindos de todas as regiões do Brasil, principalmente do Nordeste, exerceram um regime de trabalho ininterrupto, dia e noite, para construir e concluir Brasília até a data prefixada de 21/04/1960, em homenagem à Inconfidência Mineira.

As obras terminaram em tempo recorde de 41 meses, antes do prazo previsto. Já no dia da inauguração, em pomposa cerimônia, Brasília era considerada como uma das obras mais importantes da arquitetura e do urbanismo contemporâneos.

Além da obediência à Constituição, a construção da nova capital visava a integração de todas as regiões do Brasil, a geração de empregos, absorvendo o excedente de mão-de-obra da região Nordeste e o estímulo ao desenvolvimento do interior, desafogando a economia saturada do Centro-Sul do país.

Política Externa

No plano internacional, Juscelino Kubitschek procurou estreitar as relações entre o Brasil e os Estados Unidos, ciente de que isso ajudaria na implementação de sua política econômica industrial e na preservação da democracia brasileira.

Formulou a Operação Pan-americana, iniciativa diplomática em que solicitava apoio dos Estados Unidos ao desenvolvimento da América do Sul, como forma de evitar que o continente americano fosse assolado pelo fantasma do comunismo.

Manifestações Contra Juscelino Kubitschek

Duas semanas após a posse de Juscelino Kubitschek, a 11/02/1956, ocorreu a Revolta de Jacareacanga, liderada pelo major-aviador Haroldo Veloso e pelo capitão-aviador José Chaves Lameirão. Acusavam o presidente de supostas associações com grupos financeiros internacionais para a entrega de petróleo e minerais estratégicos, e de infiltração comunista nos postos militares. No mesmo mês, a rebelião militar foi debelada. Enviou ao Congresso um projeto de lei que concedeu anistia ampla e irrestrita a todos os civis e militares que tivessem participado de movimentos políticos ou militares no período de 10/11/1955 até 19/03/1956.

No início do governo, aconteceram duas greves de transportes públicos em São Paulo. No Rio de Janeiro, a empresa canadense Light S.A. aumentou o preço das passagens de bonde, atitude que levou à primeira manifestação pública de estudantes e populares. Em uma semana, com as lideranças sindicais no Palácio do Catete, Juscelino Kubitschek negociou o fim do movimento com a redução das tarifas. Juscelino Kubitschek conseguiu conciliar o país nos inúmeros conflitos.

Em 03/12/1959, em Aragarças eclodiu uma nova rebelião, com a participação de dez oficiais da Aeronáutica, três do Exército e alguns civis mais radicais ligados às ideias de Carlos Lacerda. Os rebeldes denunciavam "a conspiração comunista em marcha", que seria inspirada pelo governador do Rio Grande do Sul Leonel Brizola. Iniciou-se com o sequestro do primeiro avião brasileiro, do modelo Constellation da empresa Panair. Em 36 horas, o movimento foi debelado através da conciliação e anistia aos rebeldes.

Corrupção

Juscelino Kubitschek também foi acusado diversas vezes de corrupção. As acusações vinham desde os tempos em que ele era governador, e se intensificaram no período em que ele foi presidente. As denúncias se multiplicaram por conta da construção de Brasília: haviam sérios indícios de superfaturamento das obras e favorecimento a empreiteiros ligados ao grupo político de Juscelino Kubitschek.

Outro caso rumoroso foi o da empresa aérea Panair do Brasil, pertencente a amigos de Juscelino Kubitschek, que foi acusada de possuir um monopólio do transporte de pessoas e materiais enviados para a construção de Brasília. Durante a construção de Brasília, como a BR-050 ainda não estava pronta, grande parte dos materiais e equipamentos utilizados na obra eram transportados por aviões.

A imprensa chegou a dizer que Juscelino Kubitschek teria a sétima maior fortuna do mundo, o que nunca foi provado. Durante a campanha eleitoral de 1960, para a escolha de seu sucessor, as denúncias de corrupção contra Juscelino Kubitschek foram amplamente exploradas pelo candidato Jânio Quadros que prometia "varrer a corrupção" do governo de Juscelino KubitschekJuscelino Kubitschek respondeu a Inquérito Policial Militar (IPM) durante o regime militar, acusado de corrupção e de ter apoio dos comunistas.

A Panair do Brasil foi depois perseguida e levada à falência pelo regime militar.

Quando de sua morte, porém, o seu inventário de bens mostrou um patrimônio modesto, tendo sua filha Márcia precisado vender um apartamento para financiar sua campanha eleitoral à Câmara dos Deputados.

Espiritismo

Há relatos dando conta de que o presidente Juscelino Kubitschek enviava perguntas ao médium Chico Xavier pedindo conselhos sobre problemas enfrentados durante a construção de Brasília.

Concedeu indulto ao médium José Pedro de Freitas, o José Arigó, ou Zé Arigó, que fora preso acusado de exercício ilegal da medicina. Existem relatos de que Juscelino Kubitschek fazia parte da Maçonaria, informação esta nunca confirmada pela maçonaria brasileira.

A Eleição do Sucessor de Juscelino Kubitschek

As eleições de 3 de outubro de 1960 foram vencidas pelo candidato oposicionista Jânio Quadros,  ex-governador de São Paulo apoiado pela União Democrática Nacional (UDN). Jânio Quadros obteve 48% dos votos válidos, em um total de quase 6 milhões de votos, a maior votação nominal obtida por um político brasileiro até então. Juscelino Kubitschek apoiou o marechal Henrique Teixeira Lott, seu ministro da Guerra, morto em 19/05/1984, e que havia garantido a posse de Juscelino Kubitschek em 1955.

Henrique Teixeira Lott era o candidato a presidente pela aliança PSD-PTB que tinha João Goulart candidato a reeleição como vice-presidente da república. A disputa entre Jânio Quadros e Henrique Lott foi chamada de "A Campanha da Vassoura Contra a Espada". Ademar de Barros, novamente candidato, definiu-se como "A Candidatura de Protesto", e obteve o terceiro lugar. João Goulart foi reeleito vice-presidente da república.

Ao passar a faixa presidencial para Jânio Quadros, em 31/01/1961, Juscelino Kubitschek tornou-se o primeiro presidente civil desde Arthur Bernardes, eleito pelo voto direto, que iniciou e concluiu seu mandato dentro do prazo determinado pela Constituição Federal. Após Juscelino Kubitschek, o primeiro presidente civil, eleito pelo voto direto, a cumprir integralmente seu mandato foi Fernando Henrique Cardoso.

Anos Dourados

Após a retomada da democracia no Brasil em 1945, Juscelino Kubitschek e sua atuação como governador de Minas Gerais e na presidência da República, foram referências para o Brasil entre os anos de 1951 e 1961. A era JK estava em todo canto, nos chamados "Anos Dourados". Ao longo da década de 1950, a economia brasileira foi industrializada rapidamente, passando de rural a urbana.

Nessa época foram se popularizando os eletrodomésticos, que prometiam facilitar a vida do lar. Eram de todos os tipos, desde enceradeiras até aspiradores de pó, carros, televisores, o rádio e os toca-discos portáteis e o disco de vinil. Foram criados os objetos de plástico e fibra sintética, além de casas com mobílias com menos adornos.

Este estilo de vida foi criado nos Estados Unidos e recebeu o nome de "American Way Of Life", e, por conta da influência norte-americana durante e após a Segunda Guerra Mundial, se espalhou pelo mundo.

Enquanto tudo isso se consolidava, os meios de comunicações e de diversões se ampliavam. Eram emissoras de rádios que através das ondas curtas chegavam grande parte do interior do Brasil, revistas como Seleções e O Cruzeiro, jornais, radionovelas, o teatro de revista, programas radiofônicos de musicais e os humorísticos, o radiojornal Repórter Esso, as comédias e as chanchadas da Atlântida Cinematográfica do Rio de Janeiro. O cinema brasileiro teve sua fase dourada, nos anos 1950, com a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, de São Paulo, e a premiação do filme "O Cangaceiro", no exterior, em 1953.

Os teatros, rádios, especialmente a Rádio Nacional, radionovelas, radiojornais, teleteatros e telejornais na televisão que já atingia a maioria das capitais brasileiras, tinham mais audiência que nunca. Em 1958, a música popular brasileira é sucesso no exterior, especialmente a Bossa Nova, criada naquela época, e com sucessos como "Chega de Saudade" de Vinícius de Moraes.

O salário-mínimo, em 1959, em termos reais, descontado a inflação, ou seja, em valores reais, é considerado o mais alto da história do Brasil.

Após a Presidência

Em janeiro de 1960, pouco antes de deixar a presidência, Juscelino Kubitschek deixou uma mensagem de agradecimento ao professor José Antero de Carvalho, na qual resume sua visão sobre seu governo e seu futuro político. A carta tinha o seguinte teor:


"Sinto-me satisfeito em poder proclamar que, na presidência da república, não faltei a um só dos compromissos que assumi como candidato. Mercê de Deus, em muitos setores realizei além do que prometi, fazendo o Brasil avançar, pelo menos,cinquenta anos de progresso em cinco anos de governo. Pude ainda, através da operação Pan-Americana, despertar as esperanças e energias dos povos americanos para o objetivo comum de combater o sub-desenvolvimento. E todo este esforço culminou no cumprimento da meta democrática, quando o nosso país apresentou ao mundo um admirável espetáculo de educação política, que me permite encerrar o mandato, num clima de paz, de ordem, de prosperidade e de respeito a todas as prerrogativas constitucionais. Sejam quais forem os rumos de minha vida pública, levarei comigo, ao deixar o honroso posto que me confiou a vontade popular, o firme propósito de continuar servindo ao Brasil com a mesma fé, o mesmo entusiasmo e a mesmo confiança nos seus altos destinos!"

(Juscelino Kubitschek)

Juscelino Kubitschek foi eleito senador pelo estado de Goiás em 1962. Ele desejava concorrer novamente à presidência da República, nas eleições marcadas para 3 de outubro de 1965. Sua pré-campanha eleitoral foi chamada de "JK-65: A Vez da Agricultura".

A candidatura de Juscelino Kubitschek foi lançada, pelo Partido Social Democrático (PSD), em 20/03/1964. Os outros pré-candidatos eram Carlos Lacerda, Leonel Brizola e Jânio Quadros. Estas candidaturas foram abortadas pelo golpe militar de 1964, também chamado de Revolução de 1964, iniciada em 31/03/1964.

Em 11/04/1964, o Congresso Nacional elegeu o general Castelo Branco presidente da república e o antigo amigo de Juscelino Kubitschek, do tempo do seminário em Diamantina, José Maria Alkmin, como vice-presidente da república. Juscelino Kubitschek, na condição de senador por Goiás, votou em Castelo Branco e em José Maria Alkmin.

Acusado de corrupção e de ser apoiado pelos comunistas, teve os direitos políticos cassados, em 08/06/1964, perdendo o mandato de senador por Goiás. A partir de então passou a percorrer cidades dos Estados Unidos e da Europa, em um exílio voluntário.

Voltou ao Brasil, logo depois das eleições de 03/10/1965, na qual dois aliados de Juscelino Kubitschek e adversários do governo Castelo Branco, Francisco Negrão de Lima e Israel Pinheiro da Silva, venceram as eleições para governador na Guanabara e em Minas Gerais, porém Juscelino Kubitschek permaneceu pouco no Brasil, logo voltando para o exílio. Após esse segundo exílio voluntário, regressou definitivamente, ao Brasil, em 1967.

Posteriormente, tentou articular, em 1967, a Frente Ampla de oposição ao regime militar, juntamente com o ex-presidente João Goulart e o ex-governador da Guanabara, Carlos Lacerda, este último seu antigo adversário político.

Juscelino Kubitschek pretendeu voltar para a vida política, depois de passados os 10 anos que duravam as cassações de direitos políticos. Para dissuadi-lo, os militares usaram os fantasmas das denúncias de corrupção, buscando desmoralizá-lo politicamente. Eles ameaçavam levar as investigações adiante caso ele tentasse voltar à cena política.

Apesar dos fortes indícios de corrupção e da pressão de alguns segmentos políticos e da opinião pública da época, Juscelino Kubitschek nunca chegou a responder formalmente à justiça pelas acusações de corrupção, porém respondeu aos Inquéritos Policiais Militares (IPM).

Um ano antes de sua morte, seu nome ainda era proibido na televisão brasileira. Assim, a telenovela "Escalada", exibida em 1975, pela TV Globo, na qual era tratado o tema da construção de Brasília, não pode mencionar o seu nome. O recurso usado pelo autor Lauro César Muniz foi mostrar os personagens assoviando a música "Peixe-Vivo" que identificava Juscelino Kubitschek.

Morte

Juscelino Kubitschek faleceu em 22/08/1976, em um desastre automobilístico em que também perdeu a vida seu motorista e amigo Geraldo Ribeiro no antigo Km 165, atual Km 328 da Rodovia Presidente Dutra, em um automóvel Chevrolet Opala, na altura da cidade fluminense de Resende, no qual o veículo onde ele estava, colidiu violentamente com uma carreta carregada de gesso.

Até hoje, o local do acidente é conhecido como "Curva do JK", antes conhecido como "Curva do Açougue".

Mais de 300 mil pessoas assistiram ao seu funeral em Brasília, onde a multidão cantou a música que o identificava: "Peixe Vivo". Seus restos mortais repousam no Memorial JK, construído em 1981, na capital federal do Brasil, Brasília, por ele fundada.

Em 1996, seu corpo foi exumado, para se esclarecer a causa de sua morte, levantando-se novamente a polêmica sobre o caso. O laudo oficial da exumação concluiu que foi apenas um acidente de trânsito, sendo tal laudo contestado pelo secretário particular de Juscelino Kubitschek, Serafim Jardim, no livro "JK, Onde Está a Verdade".

Em 2012, a Comissão Nacional da Verdade que analisa os crimes políticos ocorridos entre 1946 e 1988, decidiu analisar o inquérito sobre a morte de Juscelino Kubitschek.

Vida Pessoal

Após quase doze anos de casamento com Sarah Kubitschek, nasceu em 22/10/1943 sua primeira filha Márcia Kubitschek. Na época, Juscelino Kubitschek queria um menino.

Em 1947, numa viagem a Belo Horizonte, ele e sua esposa adotaram uma criança com quatro anos de idade, esta seria chamada de Maria Estela Kubitschek.

Representações na Cultura e Homenagens

A vida e carreira política de Juscelino Kubitschek foi tema de muitos livros, e, de 03 de janeiro até 24 de março de 2006, foi contada através de uma minissérie da TV Globo intitulada "JK".

Juscelino Kubitschek foi retratado como personagem no cinema e na televisão, interpretado por José de Abreu no filme "Bela Noite Para Voar" (2005), e José Wilker e Wagner Moura na minissérie de televisão "JK" em 2006.

Teve sua efígie impressa nas notas de Cz$ 100,00 (cem cruzados) de 1986, e teve sua efígie cunhada no verso das moedas de 1 real, lançadas em 2002, no Brasil, comemorativas do centenário de seu nascimento.

Foi criada a "Comenda JK", também conhecida como a "Jóia de JK" (cravejada com 22 rubis e 5 esmeraldas) durante as comemorações de seus 100 anos. No Palácio da Alvorada, o presidente Fernando Henrique Cardoso recebeu a primeira peça das mãos de uma das filha de Juscelino Kubitschek, e do Comendador Regino Barros, Grão Mestre da Soberana Ordem do Mérito do Empreendedor JK, e presidente do Centro de Integração Cultural e Empresarial de São Paulo (CICESP), considerada a mais alta condecoração empresarial brasileira.

A Rodovia Juscelino Kubitschek que liga Brasília à cidade Rio de Janeiro, o Aeroporto Internacional de Brasília, a Rodovia Presidente Juscelino Kubitschek que compreende o trecho da BR-020 entre Formosa e Fortaleza, e as cidades de Presidente Juscelino, MG, e Presidente Juscelino, MA, foram nomeadas em sua homenagem.


"Qual seria o futuro se o ceticismo predominasse? Do chão de uma fábrica nasceu um presidente. É a evidência da semeadura generosa promovida pelo desassombro de JK."

(Lula, elogiando Juscelino na comemoração dos seus 106 anos)

Quando estava em Portugal durante a viagem internacional a 22/01/1956, Juscelino Kubitschek recebeu a 3 de fevereiro desse ano a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, tendo recebido também a Grã-Cruz da Banda das Três Ordens a 30/07/1957 e o Grande-Colar da Ordem do Infante D. Henrique a 20/10/1960.

Fonte: Wikipédia