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Péricles

PÉRICLES DE ANDRADE MARANHÃO
(37 anos)
Cartunista

☼ Recife, PE (14/08/1924)
┼ Rio de Janeiro, RJ (31/12/1961)

Péricles de Andrade Maranhão foi um cartunista brasileiro de grande sucesso nas décadas de 40 e 50. Ele foi um adolescente desenhista daquele com talento de enlouquecer qualquer professor. Jovem durante a fase áurea dos quadrinhos, por vezes imitou os traços de Dick Tracy, Agente Secreto X-9 e Flash Gordon.

Péricles nasceu no bairro do Espinheiro, no Recife, PE, no dia 14/08/1924, estudou no Colégio Marista e fez sua primeira charge para o Diário de Pernambuco. A charge viveu nas páginas de O Cruzeiro de 23/10/1943 a 03/02/1962.

Menor de idade, chegou ao Rio de Janeiro, com uma carta de recomendação para Leão Gondim de Oliveira, manda-chuva dos Diários Associados, de Assis Chateaubriand, então a mais poderosa rede de comunicações do país.

Em sua estréia, no dia 06/06/1942, era o funcionário mais jovem da empresa. Nove meses depois seu primeiro personagem cômico no Diário da Noite, Oliveira, o Trapalhão, já divertia os leitores.


No ano de 1943 a revista O Cruzeiro baseada numa equipe jovem e de qualidade, iniciou a revolução que faria nos anos seguintes se tornando a revista mais importante do Brasil. Péricles participou com um tipo humorístico que traduzisse "a verve típica e o humor carioca", que captasse "o estado de espírito daquele que vive no Rio de Janeiro, não importa onde tenha nascido".

Rabisca pra cá, rabisca para lá, Péricles colocou o lápis para pensar e emergiu uma figura que lhe parecia apropriada: Baixinho, cabelo penteado para trás à base de gumex, summer jacket, bigodinho safado e olhar de peixe morto. Fez tanto sucesso, que as tiradas que antes ficavam na capa e contra-capa passaram a ser dentro da revista, evitando que as pessoas apenas as folheassem sem pagar.

O Amigo da Onça foi utilizado para fazer jornalismo e críticas e em muitas situações o Amigo da Onça esculhamba instituições como o casamento, exército e a hipocrisia social contida no jogo de aparências. Estreou em 23/10/1943, capturando de imediato a atenção dos leitores.


Coube a Leão Gondim de Oliveira o batismo do personagem, baseado numa piada da época:

Dois caçadores conversam em seu acampamento:
- O que você faria se estivesse agora na selva e uma onça aparecesse na sua frente?
- Ora, dava um tiro nela.
- Mas se você não tivesse nenhuma arma de fogo?
- Bom, então eu matava ela com meu facão.
- E se você estivesse sem o facão?
- Apanhava um pedaço de pau.
- E se não tivesse nenhum pedaço de pau?
- Subiria na árvore mais próxima!
- E se não tivesse nenhuma árvore?
- Sairia correndo.
- E se você estivesse paralisado pelo medo?
Então, o outro, já irritado, retruca:
- Mas, afinal, você é meu amigo ou amigo da onça?


O sucesso do Amigo da Onça entre os leitores era enorme, mal se podia esperar pela próxima revista para vê-lo cometer as maiores maldades: Enganar um podre transeunte na rua, pregar uma peça na sogra, azedar com o cara que pedia dinheiro emprestado, botar uma armadilha para o chefe mal-humorado, etc.

O Amigo da Onça foi publicado durante mais de 20 anos ininterruptos em O Cruzeiro. Ao contrário de repórteres como David Nasser e Jean Manzon, desenhistas de humor como Carlos Estevão ou escritores como Rachel de Queiroz, que transformaram seus nomes em grifes, quão difícil era desvincular seu nome do personagem.

Dono de uma personalidade atormentada, o sucesso fez com que o cartunista passasse a odiar sua criação, pois era sempre citado como "O criador do Amigo da Onça". Apesar disso, continuou ilustrando suas histórias semanalmente, por 17 anos ininterruptos.

Comentário Crítico

O Amigo da Onça, é uma espécie de herói irônico ou "figura do homenzinho macunaímico que satiriza costumes e acontecimentos". O personagem encarna com olhar cínico e dissimulado o espírito de porco que se encontra em algum lugar entre o malandro carioca da Lapa e o grã-fino da vida mundana do Rio de Janeiro. Sempre alinhado, de cabelo engomado, calças pretas, paletó branco e gravata-borboleta, o Amigo da Onça está pronto para tirar vantagem de tudo, em geral colocando seus interlocutores em situações humilhantes e vexatórias.

O personagem nasceu na revista ilustrada O Cruzeiro, em 1943, inspirado no quadro The Enemies Of Man, da revista americana EsquireLeão Gondim de Oliveira, editor da revista brasileira, teve a idéia de criar uma figura fixa e convocou o desenhista Augusto Rodrigues para dar forma ao Amigo. Contudo, seu desenho solto parecia não combinar com o humor negro implacável do personagem. Então convidou o jovem Péricles, recém-chegado do Recife, PE, e já colaborador em outros periódicos dos Diários Associados de Assis Chateaubriand, com a série "Oliveira, o Trapalhão" da revista A Cigarra, para dar vida ao personagem. O homem de baixa estatura e nariz proeminente, desenhado em linhas bem-feitas e formas estilizadas, é prontamente aprovado.

Em popularidade, o Amigo da Onça tem antecedentes na história do humor gráfico brasileiro em figuras como Zé Povo, Jeca Tatu e Juca Pato. No entanto, diferentemente destes, não está associado aos oprimidos e sua luta. Ao contrário, em mais de mil páginas semanais, o Amigo da Onça assumiu diversos papéis sociais: é tanto o mendigo como o grã-fino, o chefe e o subalterno, o adulto e a criança, o ladrão e o policial, o retirante nordestino e o gaúcho, o náufrago e o comandante.

Tal mobilidade indica a universalidade na falta de valores e na suspensão de juízo crítico que orienta o personagem. Nos quadros do Amigo da Onça o leitor defronta um mundo cuja competição permanente exige ações livres de qualquer bom sentimento para quem quer ser vencedor. Nesse sentido, os quadros de Péricles - contemporâneo do teatro de Nelson Rodrigues, do projeto desenvolvimentista e da bossa nova - ironizam as afirmações de harmonia social advindas tanto da esquerda como da direita política e testemunham um processo de deterioração de valores sociais que se querem acima de qualquer poder ou exercício de exploração de um sobre o outro.

Por suas criações, Péricles é considerado um dos responsáveis pela inovação do humorismo brasileiro. Apesar dos diversos trabalhos de alta qualidade executados ao longo da vida - por exemplo, ao lado de Millôr Fernandes durante dez anos na coluna O Pif-Paf, também na revista O Cruzeiro, ou com charges políticas -, é com a figura baixinha do Amigo da Onça que o desenhista encontrou fama nacional.

Morte

Por trás da personalidade irreverente, havia uma pessoa muito sensível. No último dia do ano de 1961, sentindo-se só, suicidou-se abrindo o gás no seu apartamento em Copacabana, no Rio de Janeiro. Péricles era desquitado e estava longe dos parentes e amigos. Antes de cometer o suicídio, fixou na porta um cartaz onde se lia: "Não risquem fósforos".

Depois da morte de Péricles, o "Amigo da Onça" foi desenhado por Carlos Estevão, sendo publicado até 1972. Os diretores da revista O Cruzeiro queriam criar um personagem fixo e já tinham até o nome, adaptado de uma famosa anedota.

Sobre ele, escreveu o poeta Carlos Drummond de Andrade:

"A solidão do caricaturista seria talvez reação contra a personagem, que o perseguia, que lhe era necessária e que lhe travara os meios de comunicar-se e comungar com outros seres!"

Indicação: Miguel Sampaio

Caninha

JOSÉ LUIZ DE MORAIS
(77 anos)
Compositor

* Rio de Janeiro, RJ (06/07/1883)
+ Rio de Janeiro, RJ (16/06/1961)

José Luiz de Morais mais popularmente conhecido como Caninha, foi um compositor brasileiro. Nasceu no Rio de Janeiro, no bairro de Jacarepaguá, mas, em seguida, mudou-se para a Cidade Nova. Perdendo seus pais muito cedo, conseguiu emprego como vendedor de roletes de cana, na estação da Estrada de Ferro Central do Brasil, e, a partir daí, passou a ser chamado de Caninha Doce e, por fim, apenas Caninha. Nessa época aprendia cavaquinho com Adolfo Freire.

Sendo o mais antigo compositor de samba da primeira leva, Caninha foi amigo de DongaPixinguinhaJoão da BaianaHeitor dos Prazeres, entre outros. 

Por 1900, começou a frequentar as reuniões de sambistas nas casas da Tia Dadá e da Tia Ciata, baianas da Cidade Nova. Nesta época também estudou cavaquinho com o músico Adolfo Freire. Um dos fundadores do Dois de Ouro, rancho pioneiro no Rio de Janeiro, participou ainda do Balão de Rosa, do Rosa Branca, do Recanto das Fadas, do União dos Amores, chegando a ser diretor de canto do Recreio das Flores.

Já havia feito várias músicas, mas o seu primeiro sucesso foi o maxixe "Gripe Espanhola", lançado na festa da Penha em 1918, num momento em que que a famosa gripe tornava-se uma epidemia, obrigando as repartições públicas a fecharem suas portas para evitar contágio. Outros sucessos vieram aumentando em muito seu prestígio: "Ninguém Escapa do Feitiço", "Até Parece Coisa Feita", "Quem Vem Atrás Feche a Porta", "Que Vizinha Danada", "Essa Nêga Qué Me Dá", dentro outras.

Depois, tornou-se frequentador constante da festa e passou a integrar vários grupos carnavalescos, como o Grupo de Caxangá, do qual participava com o nome de Mané do Riachão, o Grupo Cidade Nova, integrado também por Pixinguinha, e o Grupo Sou Brasileiro.

Em 1919 compôs o tango "O Kaiser Em Fuga" e o samba "Até Parece Coisa Feita".

Em 1920, fez os sambas "Quem Vem Atrás Fecha a Porta", outro sucesso, e "Ninguém Escapa Ao Feitiço".

Em 1921 obteve êxito com sua primeira composição gravada, "Esta Nêga Qué Mi Dá" (Caninha e Lezute). Ainda em 1921, compôs um samba e um tango, ambos com o mesmo título, "Que Vizinha Danada".

Em 1922 foi acirrada a disputa entre Sinhô e Caninha pela majestade do samba. Sinhô recebeu as honras de Rei do Samba, e Caninha foi aclamado Imperador do Samba. Conquanto Sinhô tenha sido o autor de maior sucesso do período, Caninha foi o único que conseguiu ameaçar o seu reinado de popularidade, inclusive tendo derrotado o Rei do Samba, em 1922, no concurso da Festa da Penha, com a marcha-rag-time "Me Sinto Mal". A partir daí, tudo que compusesse seria sucesso.

Vários foram os seus intérpretes, entre os principais, o Rei da Voz Francisco Alves e os cantores Bahiano, Fernando, Mário Reis, Frederico RochaMoreira da Silva.

Para o Carnaval de 1923, compôs o maxixe "Não é Conversa", a marcha "Meu Amor Qué Me Batê" e o samba "Não Se Ganha Pra Comer".

Em 1927 obteve o primeiro prêmio no concurso do jornal Correio da Manhã, com "Rosinha".

Com o falecimento de Sinhô em 04/08/1930, de quem, embora rival, Caninha também era amigo, acabou se afastando do meio musical.

Em 1933, já por muitos considerado ultrapassado, compôs "É Batucada", feita em parceria com o jornalista Horácio Dantas, que usava o pseudônimo de Visconde de Bicoíba. Com este samba, venceu o Primeiro Concurso de Sambas e Marchas instituído pela Prefeitura do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, que também lhe agraciou com o Diploma de Sambista, visto que concorrera com outros 63 compositores importantes do período. Essa música foi gravada por Moreira da Silva, na Columbia, com acompanhamento do grupo instrumental Gente do Morro, de Benedito Lacerda.

No início dos anos 40, chegou a se casar com Edméia Franco, no entanto não teve filhos.

Funcionário Público, José Luiz de Morais se aposentou em 1945.

Em 1954, participou do Festival da Velha Guarda organizado por Almirante, de que também fizeram parte PixinguinhaDongaJoão da Baiana, Alfredinho Flautim e outros.

Caninha faleceu aos 77 anos, em sua casa em Olaria, subúrbio do Rio de Janeiro, no dia 16/06/1961, embora em 1950, a prefeitura do Rio de Janeiro, supondo sua morte, já o tivesse incluído numa homenagem prestada a sambistas famosos falecidos, ao lado de Noel RosaSinhô e outros.

Fonte: Wikipédia

J. Cascata

ÁLVARO NUNES
(48 anos)
Cantor e Compositor

* Rio de Janeiro, RJ (23/11/1912)
+ Rio de Janeiro, RJ (27/01/1961)

Filho de Álvaro Nunes e Leonor Neves Nunes, nasceu no bairro carioca de Vila Isabel. Cresceu num ambiente musical, pois sua casa vivia sempre cheia de músicos como o flautista Pedro Galdino, seu irmão José Seixas, que tocava bombardino, entre tantos outros.

Aos sete anos, a família mudou-se para o bairro da Abolição, onde ingressou na escola pública. Compôs sua primeira música aos 17 anos, uma marcha dedicada ao bloco carnavalesco do qual era integrante, obra que foi cantada por todo o bairro, e identificada como a "Música do Cascata".

Decidido a abraçar a música como profissão, comprou um violão e rapidamente fez amizade com Noel Rosa, João Petra de Barros e Cristóvão de Alencar, passando a frequentar as rodas de samba. Neste mesmo ano, 1929, foi convidado a integrar o conjunto Grupo do Mato, do qual faziam parte Luís Bernardes, Newton Teixeira, Valzinho, Euclides Lemos, Luís Bittencourt, entre outros.

J. Cascata, Donga, Ataulfo Alves, Pixinguinha, João da Baiana e Alfredinho
J. Cascata ingressou no rádio a convite de Cristóvão de Alencar, optando definitivamente pelo nome Cascata precedido de um "J" sugerido pelo próprio Cristóvão. Em 1932, já com o nome de J. Cascata, estreou no programa "Horas de Outro Mundo", de Renato Murce. Inicialmente, como os compositores não lhe confiassem obras inéditas, cantava o repertório dos grandes ídolos da época. Ao conhecer o compositor Leonel Azevedo, na época também iniciando na profissão, combinaram que ele cantaria as músicas de Leonel, e vice-versa.

Em 1935, quando fez a valsa "O Teu Olhar", o cantor João Petra de Barros pediu para gravá-la, sendo esta a primeira obra de sua autoria a chegar as lojas. Logo em seguida, teve a segunda composição gravada, o samba "Minha Palhoça", por Sílvio Caldas na Odeon, alcançando grande sucesso. No mesmo ano, Orlando Silva gravou na RCA Victor o samba "Para Deus Somos Iguais" (J. CascataJ. Barcelos)

Em 1936, Orlando Silva gravou as canções "Mágoas de Caboclo" e "História Joanina", as primeiras músicas compostas em parceria com Leonel Azevedo, estabelecendo-se assim uma das mais frutíferas parcerias da Música Popular Brasileira. No mesmo ano, compôs com Cristóvão de Alencar o samba "Tristeza" gravado por Orlando Silva.

Em 1937, o mesmo Orlando Silva gravou o samba "Juramento Falso" e a valsa "Lábios Que Beijei", um dos maiores sucessos de sua carreira, composição que iria consagrar a parceria com Leonel Azevedo, sendo a primeira parte de autoria de Azevedo e a segunda sua.

Leonel Azevedo (com o violão) e J.Cascata sempre estavam presentes. Na foto na casa de Zaíra Cavalcanti .
No ano seguinte, 1938, compôs com Antônio Almeida o samba "Jurei Mas Fracassei" e a marcha "Sabe Quem é? Você!", gravadas por Orlando Silva, um de seus maiores intérpretes. Ainda no mesmo ano, a cantora Odete Amaral lançou duas composições de sua parceria com Leonel Azevedo, a marcha "Não Pago o Bonde", grande sucesso no carnaval do ano seguinte e o samba "Não Chores".

Em 1938, Almirante gravou a marcha "Pierrô Moderno" (J. CascataJ. Barcelos), e Francisco Alves a valsa "Minha História" (J. Cascata e Leonel Azevedo). No mesmo ano, fez com Manezinho Araújo a canção "Mágoas de um Trovador", gravada por Sílvio Caldas na Columbia.

Em 1939, Roberto Paiva gravou duas de suas parcerias com Leonel Azevedo, a valsa "Ao Cair da Noite" e o samba "Longe, Muito Longe". No mesmo ano, compôs com Roberto Martins o samba "Foi Num Sonho", gravado por J. B. de Carvalho, e fez a primeira composição com Nássara, a marcha "História Antiga", gravada por Orlando Silva. Ainda em 1939, Sílvio Caldas gravou o fox-canção "Eu e Você" (J. Cascata e J. Barcelos), e a valsa "Última Confidência" (J. Cascata e Leonel Azevedo).

Em 1940, fez com Haroldo Lobo a marcha "Maria Antonieta", gravada por Cândico Botelho, com Leonel Azevedo a batucada "Eu Já Mandei", gravada por Odete Amaral e o samba "Só Ela", gravado por Gastão Formenti. No mesmo ano, Violeta Cavalcânti gravou as marchas "Vou Sair de Pai João" (J. Cascata e Leonel Azevedo) e "Pulo do gato" (J. Cascata, Correia da SilvaOrlando Silva), duas de suas parcerias com Leonel Azevedo, o samba "Desilusão" e a valsa "Quero Voltar aos Braços Teus".

Em 1941, compôs sozinho, o samba "Lágrimas de Homem", que Orlando Silva gravou. No mesmo ano, fez com Nássara a marcha "Anastácio", que Marilu gravou, e com Heitor dos Prazeres a marcha "Africana", gravada por Odete Amaral.

Em 1942, outra composição de sua parceria com Leonel Azevedo foi gravada por Orlando Silva, a canção "Mágoas de Caboclo". Deixou inúmeras composições também com outros parceiros, como os compositores Nássara, Luís Bittencourt, entre outros.

Entre os anos de 1942 e 1943, passou a dedicar-se ao clube de danças do qual era proprietário e ao cargo de funcionário de Departamento de Saúde Pública. Reapareceu em 1944, com o samba "Não Serás Feliz", gravado por Orlando Silva na Odeon.

Em 1945, teve o samba "Ela Vai Voltar", parceria com Leonel Azevedo, gravado por Orlando Silva. Em 1946, Nelson Gonçalves regravou a canção "História Joanina". Em 1949, voltou a ter composições gravadas por Orlando Silva, a valsa "Beijando as Tuas Mãos", parceria com F. Correia da Silva, e o samba "A Que Ponto Chegaste", parceria com Leonel Azevedo.

Em 1954, integrou o Conjunto da Velha Guarda, organizado por Almirante, onde tocava afoxé, e atuava ao lado de Pixinguinha, Donga, e outros. A gravadora Sinter, registrou o trabalho do conjunto em dois LPs, "A Velha Guarda" e "Carnaval da Velha Guarda". Nesta mesma gravadora o cantor Carlos Augusto registrou várias de suas composições em parceria com Leonel Azevedo.

Em 1955, teve as canções "Benvindo Congressista" e "Canção do Peregrino", parcerias com Murilo Caldas, gravadas por Alcides Gerardi na Odeon. Em fins da década de 1950 ocupou o posto de assistente da direção artística da gravadora Sinter. Posteriormente, passou a diretor artístico da Prestige.


Leonardo Villas-Bôas

LEONARDO VILLAS-BÔAS
(43 anos)
Humanista e Sertanista

* Botucatu, SP (1918)
+ São Paulo, SP (06/12/1961)

Leonardo Villas-Bôas foi um sertanista brasileiro, o mais jovem dos irmãos Villas-Bôas.

Leonardo Villas-Bôas nasceu em Botucatu SP em 1918. Membro, como os irmãos Orlando Villas-Bôas e Cláudio Villas-Bôas, da expedição Roncador-Xingu, viveu depois, por vários anos, no posto Jacaré, no alto Xingu.

Em 1961 foi encarregado de fundar um posto no alto Kuluene, mas adoeceu e teve de ser retirado do sertão. Pacificou os índios Xikrin, ramo Caiapó, do sudoeste do Pará, e tomou parte na Operação Bananal (1960), organizada no governo de Juscelino Kubitschek. Foi também chefe da base de Xavantina.

Leonardo Villas-Bôas viveu com a índia Pele de Reclusa entre 1947 e 1953. O jovem Villas-Bôas teria mantido uma relação ilícita, pública e de exclusividade com Pele de Reclusa. A índia era parte da tribo de índios Kamayuráuma e esposa do grande xamã e chefe Kutamapù, uma das mulheres do chefe, o que, entre outras coisas, fez com que ela fosse coletivamente estuprada pelos homens da aldeia como forma de punição.

"Arraia de Fogo" de José Mauro de Vasconcelos, narra perfeitamente o trabalho e as dificuldades dos irmãos Villas-Bôas, ao travar contatos com os índios. Trata-se de um romance, que tem como personagem principal, não Cláudio Villas-Bôas ou Orlando Villas-Bôas, poderia tratar-se de Leonardo Villas-Bôas? Tão pouco citado, mas de grande importância, pois trabalhou arduamente com seus imãos Cláudio e Orlando.

Leonardo Villas-Bôas morreu na cidade de São Paulo em 1961 vítima de Miocardia Reumática.

Leonardo, Orlando e Cláudio
Os Irmãos Villas-Bôas

Os irmãos Villas-Bôas - Orlando Villas-Bôas (1914-2002), Cláudio Villas-Bôas (1916-1998) e Leonardo Villas-Bôas (1918-1961), foram importantes sertanistas brasileiros.

Nascidos na cidade de Botucatu, interior de São Paulo, com a morte dos pais, Agnello e Arlinda Villas-Bôas, a cidade de São Paulo já não os prendia. Vieram do interior paulista para a Capital pois o pai, Agnello, advogado, havia sido convidado por um escritório do ramo. Mudaram-se para uma pensão na Rua Bento Freitas, esquina com a Rua Marquês de Itu.

Fundação Brasil Central - Expedição Roncador Xingu

O lançamento do plano de ocupação do território brasileiro a "Marcha Para o Oeste" no ano de 1938 estava em completa sintonia com os mais recentes e graves acontecimentos políticos que haviam abalado o Brasil. No dia 10 de novembro de 1937, o país ouvira, em cadeia de rádio, a decretação do Estado Novo e Getúlio Vargas (1882-1954) permaneceria na presidência da República até 29 de outubro de 1945. Getúlio Vargas passou a governar através de decretos-lei e mobilizou o país em uma campanha de integração nacional: A "Marcha Para o Oeste". Nas palavras de Getúlio Vargas, pronunciadas naquele primeiro de ano:

"A civilização brasileira a mercê dos fatores geográficos, estendeu-se no sentido da longitude, ocupando o vasto litoral, onde se localizaram os centros principais de atividade, riqueza e vida. Mais do que uma simples imagem, é uma realidade urgente e necessária galgar a montanha, transpor os planaltos e expandir-nos no sentido das latitudes. Retomando a trilha dos pioneiros que plantaram no coração do Continente, em vigorosa e épica arrancada, os marcos das fronteiras territoriais, precisamos de novo suprimir obstáculos, encurtar distâncias, abrir caminhos e estender fronteiras econômicas, consolidando, definitivamente, os alicerces da Nação. O verdadeiro sentido de brasilidade é a 'Marcha Para o Oeste'. No século XVIII, de lá jorrou o caudal de ouro que transbordou na Europa e fez da América o Continente das cobiças e tentativas aventurosas. E lá teremos de ir buscar: - dos vales férteis e vastos, o produto das culturas variadas e fartas; das entranhas da terra, o metal, com que forjar os instrumentos da nossa defesa e do nosso progresso industrial."
(Saudação aos Brasileiros, Pronunciado no Palácio Guanabara e Irradiada Para Todo o País, às 00:00 hs de 31 de Dezembro de 1937)

Orlando Villas-BôasCláudio Villas-Bôas e Leonardo Villas-Bôas tomaram parte desde as primeiras atividades da vanguarda da Expedição Roncador-Xingu criada pelo governo federal no início de 1943 com o objetivo de conhecer e desbravar as áreas mostradas em branco nas cartas geográficas brasileiras. O índio apareceria, mais tarde, diante da expedição como um "obstáculo".

Posteriormente foram designados chefes da expedição. Em face disso foram acelerados todos os trabalhos em andamento, possibilitando assim que fosse vencida a grande e difícil etapa Rio das Mortes - Alto Xingu. A segunda etapa, ainda mais longa Xingu - Serra do Cachimbo - Tapajós, deixou no roteiro uma dezena de campos de pouso. Alguns desses campos - Aragarças, Barra do Garças, Xavantina, Xingu, Cachimbo, e Jacareacanga, foram mais tarde transformados em Bases Militares e em importantes pontos de apoio de rotas aéreas nacionais e transcontinentais pelo Ministério da Aeronáutica. Outros campos intermediários como o Kuluene, Xingu, Posto Leonardo Villas-Bôas, Diauarum, Telles Pires e Kren-Akôro, tornaram-se Postos de assistência aos índios.

LeonardoCláudio e Orlando foram os principais idealizadores e participaram do grupo integrado pelo marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, Heloísa Alberto Torres, diretora do Museu Nacional, Café Filho, vice-presidente da República, brigadeiro Raimundo Vasconcelos de Aboim, Darcy Ribeiro e José Maria da Gama Malcher, diretor do Serviço de Proteção aos Índios, que, pleiteou ao presidente da República a criação do Parque Nacional do Xingu. A criação desse parque visava a preservar a fauna e a flora ainda intocadas da região, assim como resguardar as culturas indígenas da área. Dessa reunião também participou o médico sanitarista Noel Nutels.

Como decorrência dos esforços envidados pelos irmãos Villas-Bôas e pelo auxílio das personalidades citadas, foi criado, em 1961, o Parque Nacional do Xingu, a mais importante reserva indígena das Américas.

No que tange à fauna e à flora, a reserva procuraria guardar para o Brasil futuro um testemunho do Brasil do Descobrimento, considerando-se a descaracterização violenta pela qual vem passando as nossas reservas naturais. Ali, a reserva mostraria ao Sul os últimos descampados e cerrados do Brasil Central - para através de uma transição busca, mostrar ao Norte, com toda a exuberância, a Hileia Amazônica caracterizada pelas seringueiras, cachoeiras, castanheiras e as gigantescas samaumeiras.

Por fim, cabe registrar que no roteiro da Expedição Roncador-Xingu, órgão da vanguarda da Fundação Brasil Central, em toda a sua extensão entre os Rios Araguaia e Mortes, Mortes e Kuluene (região da Serra do Roncador), Kuluene-Xingu (abrangendo extenso vale), Xingu-Mauritsauá, cobrindo ampla região do Rio Teles Pires ou São Manuel, alcançando, ainda, a encosta e o alto da Serra do Cachimbo, nasceram mais de quarenta municípios e vilas, quatro bases de proteção de voo do Ministério da Aeronáutica, dentre as quais se destaca a Base da Serra do Cachimbo.

A permanência efetiva dos irmãos Villas-Bôas na área do sertão foi de 42 anos.

Carta de próprio punho do Marechal Rondon para os Irmãos Villas-Bôas. O marechal só escrevia de próprio punho para sua filha e para os Villas-Bôas. É importante atentar para o encerramento da carta: "afetuoso abraço do velho, seu admirador Cândido M. S. Rondon"

A Política Indigenista Proposta Pelos Irmãos Villas Bôas

O posicionamento dos irmãos Villas Bôas acerca da política indigenista brasileira, foi tributário das idéias do marechal Rondon. Nesse sentido, mostrou-se pautado por uma intensa preocupação protecionista e preservacionista relativamente aos povos indígenas, procurando, contudo, interferir o mínimo possível na vida e na organização social desses povos. Foi com base nessas premissas que eles conduziram pacificamente o contato com todas as tribos indígenas da região do Xingu e lá implantaram uma reserva, Parque Indígena do Xingu, cuja intenção básica foi proteger e resguardar os povos indígenas xinguanos de contatos indiscriminados com as frentes de penetração de nossa sociedade.

Trata-se de um posicionamento que, em linhas gerais, caminha no sentido da orientação pacifista rondoniana, mas que, entretanto, não se restringe a ela, pois a perspectiva dos Villas-Bôas não visava mais a pacificação dos índios com vistas a transformá-los em trabalhadores rurais. Ao contrário, a partir dos contatos e das relações privilegiadas que tiveram com as populações indígenas do Xingu, os irmãos Villas-Bôas puderam apreender toda a riqueza cultural das mesmas, o que os levou a defender não apenas a sua integridade física, mas também sua integridade cultural.

Conforme enfatiza Darcy Ribeiro:

"Os Villas-Bôas dedicaram todas as suas vidas a conduzir os índios xinguanos do isolamento original em que os encontraram até o choque com as fronteiras da civilização. Aprenderam a respeitá-los e perceberam a necessidade imperiosa de lhes assegurar algum isolamento para que sobrevivessem. Tinham uma consciência aguda de que, se os fazendeiros penetrassem naquele imenso território, isolando os grupos indígenas uns dos outros, acabariam com eles em pouco tempo. Não só matando, mas liquidando as suas condições ecológicas de sobrevivência."
(Darcy Ribeiro - "Confissões" - São Paulo: Companhia das Letras, 1997, p. 194)

O antropólogo americano Shelton Davis, ao analisar os dois principais modelos de política indigenista que se confrontaram no Brasil durante a segunda metade do século XX, ressalta que:

"Quando a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) foi criada em 1967, dois modelos opostos de uma política indigenista existiam no Brasil. Um desses modelos, que era radicalmente protecionistas na natureza, foi desenvolvido por Orlando, Cláudio e Leonardo Villas-Bôas no Parque Nacional do Xingu. Segundo este modelo, as tribos indígenas devem ser protegidos pelo governo federal a partir de invasões na fronteira fechada parques indígenas e reservas, e estar preparado gradualmente, como independente, grupos étnicos, para se integrarem na sociedade em geral e a economia do Brasil. Em oposição à filosofia dos irmãos Villas-Bôas era um segundo modelo de política indigenista que foi desenvolvido pelo Serviço de Proteção ao índio brasileiro nos últimos anos de sua existência e, posteriormente, assumido pela FUNAI. Este modelo foi desenvolvimentista na natureza e foi baseada na premissa de que os grupos indígenas devem ser rapidamente integrados, como força de trabalho de reserva ou como produtores de bens transacionáveis  nas economias em expansão regional e rural estruturas de classe do Brasil."
(Shelton Davis - "Vítimas do Milagre de Nova York" - Cambridge University Press, 1977)

Os irmãos Villas-Bôas sustentavam uma política indigenista fundada em dois princípios básicos:


  • Os índios só sobrevivem em sua própria cultura;
  • Os processos integrativos ocorridos historicamente no Brasil teriam, via de regra, conduzido à desagregação das comunidades indígenas e não à sua efetiva participação em nossa sociedade.



Os Índios

No aspecto dos índios, os irmãos Villas-Bôas implantaram uma nova política indigenista, que, basicamente, consistia na defesa dos valores culturais dos índios, como único meio de evitar a marginalização e o desaparecimento dos grupos tribais. A partir da máxima segundo a qual "O índio só sobrevive na sua própria cultura", os irmãos Villas-Bôas conseguiram implantar uma nova forma de relacionamento entre nossa sociedade e as comunidades indígenas brasileiras. Essa política vem sendo esposada por etnólogos e entidades científicas não só nacionais, como estrangeiras.

Os irmãos Villas-Bôas mostraram que a antiga visão que a sociedade nacional tinha acerca do índio era absolutamente equivocada. Não se tratava, portanto, de sociedades selvagens, sem regras e sem estrutura social como se narrava na época do Descobrimento do Brasil. A nova imagem do índio, trazida pelos irmãos Villas-Bôas à nossa sociedade, era a de uma sociedade equilibrada, estável, erguida sobre sólidos princípios morais e donos de um comportamento ético que sustentava uma organização tribal harmônica. A esse respeito Cláudio Villas-Bôas teria dito certa feita:

"Se achamos que nosso objetivo aqui, na nossa rápida passagem pela Terra, é acumular riquezas, então não temos nada a aprender com os índios. Mas se acreditamos que o ideal é o equilíbrio do homem dentro de sua família e dentro de sua comunidade, então os índios têm lições extraordinárias para nos dar."
(Cláudio Villas-Bôas)


Parque Indígena do Xingu

A área do Parque Nacional do Xingu, hoje Parque Indígena do Xingu, que conta com mais de 27 mil quilômetros quadrados, está situado ao norte do estado de Mato Grosso, numa zona de transição florística entre o planalto central e a Amazônia. A região, toda ela plana, onde predominam as matas altas entremeadas de cerrados e campos, é cortada pelos formadores do Xingu e pelos seus primeiros afluentes da direita e da esquerda. Os cursos formadores são os Rios Kuluene, Ronuro e Batoví. Os afluentes, os Rios Suiá Miçu, Maritsauá Miçu, Auaiá Miçu, Uaiá Miçu e o Jarina, próximo da cachoeira de Von Martius.

Atualmente, vivem na área do Xingu, aproximadamente 5.500 índios de catorze etnias diferentes pertencentes às quatro grandes famílias linguísticas indígenas do Brasil: Carib, Aruak, Tupi, Jê. Centros de estudo, inclusive a Unesco, consideram essa área como sendo o mais belo mosaico lingüístico puro do país. As tribos que vivem na região são: Kuikuro, Kalapálo, Nafukuá, Matipú, Mehinaku, Awetí, Waurá, Yawalapiti, Kamayurá, Trumái, Suyá (Kisedjê), Juruna (Yudjá), Txikão (Ikpeng), Kayabí, Mebengôkre e Kreen-Akarôre (Panará).

Marco do Centro Geográfico Brasileiro, plantado pelos irmãos Villas-Bôas a pedido do Marechal Rondon
Foi também Orlando Villas-Bôas e seu irmão Cláudio Villas-Bôas quem, por solicitação do marechal Rondon,  plantou o Centro Geográfico Brasil, às margens do rio Xingu, 17.800 metros para o interior.

O estabelecimento de campos de apoio e pontos de segurança de voo  na rota do Brasil central, proporcionou à aeronáutica civil substancial economia em horas de voo, principalmente nos cursos internacionais. E foram esses sem dúvida, os objetivos que levaram à instalação, hoje dos núcleos de proteção de voo de Aragarças, Xavantina, Xingu, Cachimbo (hoje a maior base aérea militar do Brasil) e Jacareacanga. A esses trabalhos estiveram empenhados os irmãos Villas-Bôas que, a partir de Xavantina, foram os responsáveis por toda uma marcha desbravadora, como também, locação dos pontos e dos campos pioneiros. Logicamente, tudo isso foi feito mediante pagamento de pesado tributo, cobrado pelo sertão e suas áreas insalubres. Para testemunhar, duas centenas de malárias que a cada um se registra.

Após encerrarem suas atividades no Parque Indígena do Xingu, os dois irmãos Orlando Villas-Bôas e Cláudio Villas-Bôas, aposentados, continuaram atuando como assessores da presidência da Fundação Nacional do Índio (FUNAI).

Estimativa dos Trabalhos Realizados

  • Expedição Roncador-Xingu - picadas: cerca de 1.500 quilômetros;
  • Rios navegados (explorados): cerca de mil quilômetros;
  • Campos abertos (inclusive aldeias): dezenove;
  • Campos (hoje bases militares para a segurança de vôo): quatro;
  • Rio desconhecidos (levantados e explorados): seis;
  • Marcos de coordenadas: seis;
  • Tribos assistidas (aldeias): dezoito.
  • Esse intenso trabalho exploratório no interior do Brasil permitiu o mapeamento de um território até então desconhecido.



Homenagens

Os irmãos Villas-Bôas receberam diversas homenagens em razão do trabalho desenvolvido, depois do falecimento os irmãos receberam muitas outras láureas, à título póstumo. Destacam-se entre elas:

  • Medalha do Fundador, concedida pela Royal Geographical Society Of London, com a aprovação da Rainha da Inglaterra;
  • As mais altas condecorações brasileiras como o Grau Oficial da Ordem do Rio Branco e Grão Mestre da Ordem Nacional do Mérito, entre outras;
  • Membros do The Explorers Club Of New York";
  • Foi apresentado para o Prêmio Nehhu da Paz bem como para o Prêmio Nobel da Paz com indicações de Julian Huxley e Claude Lévi-Strauss.
  • Receberam, ainda, cinco títulos Doutor Honoris Causa de universidades estaduais e federais brasileiras e algumas dezenas de títulos de cidadãos honorários de todo território brasileiro.


Padre Donizetti

DONIZETTI TAVARES DE LIMA
(79 anos)
Padre

* Santa Rita de Cássia - atualmente Cássia, MG (03/01/1882)
+ Tambaú, SP (16/06/1961)

Foi um padre brasileiro da Igreja Católica que ficou famoso na década de 1950 por graças, conversões e milagres de curas atribuídos a ele, e que o mesmo atribuía a Maria Mãe Santíssima. A igreja tem processo de beatificação instaurado em 2 de dezembro de 1996.

Ficou também conhecido como o Taumaturgo de Tambaú. Durante 35 anos foi pároco em Tambaú, antes fez parte da Diocese de Campinas e depois por 16 anos Vigário em Vargem Grande do Sul. Teve uma vida devota ao próximo, principalmente o carente tanto do campo material, moral ou espiritual.

Conta-se que existem catalogados milhares de milagres alcançados pela intercessão do Padre Donizetti.

Joelmir Beting, famoso jornalista e analista econômico, foi coroinha, aluno e amigo do Padre Donizetti, por quem foi aconselhado a mudar-se para São Paulo.

Em 2009, o Papa Bento XVI, dá ênfase a Donizetti e o Vaticano acelera o processo de beatificação.

Dedicou inteiramente sua vida a pregar a doutrina de Jesus Cristo e a proteger os desamparados pela sociedade.

Fonte: Wikipédia

Kid Pepe

JOSÉ GELSOMINO
(51 anos)
Cantor e Compositor

* Itália (19/09/1909)
+ Rio de Janeiro, RJ (15/09/1961)

José Gelsomino chegou ao Brasil em 1914 e fixou-se no Rio de Janeiro, onde exerceu modestas profissões como vendedor de loteria, engraxate ou garçom.

Tornou-se boxeador o que lhe valeu o apelido de Kid Pepe. Passou quatro anos nos ringues e depois de algumas costelas quebradas resolveu aposentar-se, trocando as luvas pelo samba. A fama de boxeador o fez usar os punhos para arrancar parcerias dos mais fracos.

Apesar de mal saber o português, ser desafinado e possuir péssimo ouvido, não deixou de surpreender no campo da composição. Fez mais de cem canções com diversos parceiros, tais como David Nasser, Peterpan, Zeca Ivo, Germano Augusto, Noel Rosa, Zé Pretinho, Dante Santoro, Jorge Faraj, Castro Barbosa, Roberto Martins, Antônio Almeida, entre tantos outros.

Homem forte, tipo atlético, cigarro e palito no canto da boca, era frequentador do Café Nice e do Café Trianon, redutos dos artistas de sua época.

Era muito amigo de Germano Augusto, motorista de Francisco Alves, seu parceiro em diversos sambas. Os dois, cheios de manha, não deixavam nada a desejar aos mais astutos malandros cariocas. Kid Pepe, não fez segredo, foi capaz de tudo, grandes e pequenas torpezas e orgulhava-se disso.

Começou na rádio em 1931, cantava e tinha até um programa seu.

Em 1934, foi gravada a sua primeira música, "Eu Era Feliz", em parceria com Germano Augusto, interpretada por Patrício Teixeira e, no mesmo ano, alcançou seu primeiro sucesso, "O Orvalho Vem Caindo", em parceria com Noel Rosa.

A partir do sucesso de "O Orvalho Vem Caindo" começou a perturbar Noel Rosa, pois só pensava em como seria vantajoso ser seu parceiro exclusivo, porém Noel Rosa jamais aceitou e disse isso categoricamente. Kid Pepe com toda a sua malandragem passou a ameaçá-lo, chegando até a persegui-lo, procurando-o por todos os lugares e sempre voltando ao assunto da parceria exclusiva. Noel Rosa chegou a ficar assustado. Zé Pretinho, outro compositor da época, chegou a abordar Kid Pepe para deixar Noel Rosa em paz, chegando a lhe mostrar uma arma. Noel Rosa, muito grato a isso, acabou presenteando-o com algumas composições.

Ameaçava vários outros compositores entre eles Almirante, que negou parceria. Nas proximidades do carnaval de 1935, irritado por não ter gravado mais nenhuma canção, Kid Pepe, completamente bêbado na Galeria Cruzeiro, em plena Avenida Rio Branco, imprevisivelmente, tentou ferir Almirante na barriga com um canivete. Felizmente não o atingiu, graças a um dos grandes botões de osso de seu paletó.

Com relação ao samba "O Orvalho Vem Caindo" há razões de sobra para muitos estranharem o fato de Kid Pepe ser parceiro de Noel Rosa. Eis que uma feliz coincidência, levou um jornalista de O Globo entrevistar Kid Pepe e ouvir do próprio que "nada entende de música".

Logo em seguida deparam-se os três, Kid PepeNoel Rosa e o repórter, no Café Trianon, quando o próprio Noel Rosa pôs-se a elogiar o novo parceiro, tudo isso porém com trocas de olhares misteriosos e sorrisos enigmáticos. Ambos fizeram questão de serem vagos a respeito do modo que compuseram o grande sucesso. Fica aí a dúvida.

Tudo nos leva a crer que esta história é como muitas outras, que a criação da música é de um compositor e que Kid Pepe entrou na parceria apenas com seus músculos.

Dizem que Kid Pepe era um perigo ambulante e sonoro. Mostrava suas músicas, impunha-as ao intérprete e o coitado que as recusava, algumas vezes era levado ao estúdio com uma navalha nas costas.

Em meados de 1940 suas canções de sucesso começaram a rarear.

Kid Pepe faleceu em 1961 como indigente no Hospital Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro.

Maneca

MANOEL MARINHO ALVES
(35 anos)
Jogador de Futebol

* Salvador, BA (28/01/1926)
+ Salvador, BA (28/06/1961)

Jogava como meia e ponta-direita. Foi descoberto por um olheiro do Vasco da Gama quando jogava no Galícia Esporte Clube, de Salvador. Transferiu-se para o Vasco, onde jogou de 1947 a 1955.

Seu estilo era de dribles curtos e desconcertantes, e passes e lançamentos certeiros. No Vasco, jogava tanto na meia-direita como na meia-esquerda, mas durante a Copa do Mundo de 1950, atuou como como titular da Seleção Brasileira de Futebol deslocado na ponta direita no lugar de Tesourinha, que operara os meniscos. Um estiramento afastou-os dos dois últimos jogos contra Espanha e Uruguai.

Depois de sair do Vasco da Gama voltou a Salvador, onde foi campeão pelo Bahia. Mais tarde, uma contusão antiga no joelho o fez abandonar o futebol.

Homem chegado a depressões, Maneca cometeu suicídio tomando veneno em 1961.