Orlando Villas-Bôas

ORLANDO VILLAS-BÔAS
(88 anos)
Humanista e Sertanista

☼ Botucatu, SP (12/01/1914)
┼ São Paulo, SP (12/12/2002)

Orlando Villas-Bôas era o último sobrevivente de quatro irmãos indigenistas. Era o mais velho e último dos irmãos Villas-Bôas - Cláudio, Leonardo e Álvaro. O sertanista e indigenista nasceu em 12 de janeiro de 1914 em Botucatu, interior de São Paulo e se tornou fazendeiro, a exemplo de seu pai, Agnello. Foi um menino travesso quando estudava no grupo escolar do bairro paulistano de Perdizes, e seu espírito irrequieto predizia o futuro de sertanista e indigenista, sempre em busca de novas fronteiras.

Em 1935 Orlando Villas-Bôas alistou-se no Exército onde ficou até 1939 e foi expulso porque só obedecia "às ordens que julgava certas", conforme dizia.

Aos 29 anos resolveu trocar o emprego e a vida na cidade pela selva. Orlando Villas-Bôas dedicou grande parte de sua vida à defesa dos povos da selva.

Conheceu o deputado Ulysses Guimarães na escola, a quem apresentou a Jânio Quadros, seu amigo - e Ulysses Guimarães muito o agradeceu depois, pois se iniciou na política ao conhecer Jânio Quadros. Depois de trabalhar numa empresa de petróleo, onde se sentia entendiado e tendo provocado a própria demissão, dirigiu-se para o estado de Goiás, remando durante 22 dias no Rio Araguaia e que era o início de uma história de 40 anos pela causa indígena, abraçada depois pelos irmãos Cláudio, Leonardo e Álvaro.


Com Cláudio e Leonardo, Orlando fez o reconhecimento de numerosos acidentes geográficos do Brasil Central. Em suas andanças, os irmãos abriram mais de 1.500 quilômetros de picadas na mata virgem, onde surgiram vilas e cidades. Foi indicado duas vezes para o Prêmio Nobel da Paz, com Cláudio, em 1971 e, em 1976, pelo resgate das tribos xinguanas.

Os irmãos lideraram a Expedição Roncador-Xingu, iniciada em 1943 e que depois de 24 anos deixou em seu rastro mais de 40 novas cidades, 19 campos de pouso e o Parque Nacional do Xingu, criado por lei em 1961, com a ajuda do antropólogo Darcy Ribeiro.

A criação do Parque Nacional do Xingu em 1961 foi conseguida facilmente por Orlando Villas-Bôas, dada sua amizade com o então presidente da República, Jânio Quadros. O Xingu tem cerca de quatro mil habitantes divididos entre 13 nações assentadas em 2.800.704,3343 hectares - mais ou menos o tamanho da França e Inglaterra juntas. 

Na expedição, Orlando, Cláudio, Leonardo e Álvaro, mapearam os seus encontros com catorze tribos indígenas, conseguindo permissão tácita para instalar as bases da Fundação Brasil Central. Cuidadosos, eles souberam agir contra idéias militaristas ou contra a ação de especuladores.

Crítico da influência do homem branco, Orlando Villas-Bôas destacava que 400 anos depois do início da colonização europeia, cada uma das tribos assentadas às margens do Rio Xingu mantinha sua própria cultura e identidade.

Orlando Villas-Bôas contava que ao chegar à mata pela primeira vez encontrou os índios amedrontados, se homiziando e lançando flechas. Ele dizia que jamais reagiu às flechadas e procurava ganhar a amizade dos índios transmitindo-lhes um espírito de confiança e amizade. 

Orlando Villas-Bôas
Orlando e seus irmãos ajudaram a consolidar o Parque Nacional do Xingu com o apoio do Marechal Cândido Rondon, de Darcy Ribeiro e do sanitarista Noel Nutels.

Os irmãos sertanistas Orlando, Cláudio, Leonardo e Álvaro Villas-Bôas cuidadosamente mapearam seus encontros com as 14 tribos indígenas que encontraram, obtendo sempre permissão para instalar as bases da Fundação Brasil Central. Cientes da fragilidade das comunidades às doenças da civilização ocidental, eles impediram que a política militarista se instalasse entre pessoas armadas apenas com flechas e os fuzis de um Brasil que passo a passo procurava fazer da terra um motivo de exploração econômica.

A esposa de Orlando Villas-Bôas, a enfermeira Marina Villas-Bôas, conta muitas das suas proezas. Ele a viu pela primeira vez em um consultório médico, e, como precisava de uma enfermeira para a expedição que chefiava resolveu convidá-la. Ela aceitou participar e ficou cerca de 15 anos trabalhando pela missão indígena. "Nesse tempo contraíu malária 15 vezes e Orlando pelo menos umas 200", conforme disse.

Marina chegou ao parque do Xingu em 1963 e logo no início enfrentou uma epidemia de gripe, além de cuidar de muitos casos de malária. "Os índios tinham o organismo puro, e pegavam com facilidade as doenças de branco, mas conseguimos êxito rapidamente".

O lazer, no Xingu, era algo restrito a jogos de cartas e passeios nas margens do rio segundo Marina. "À noite, jogávamos baralho ou conversávamos", relata. "Assim, eu me apaixonei por ele, só que Orlando demorou quase dois anos para perceber".

Em 1978, Orlando Villas-Bôas deixou definitivamente o Parque Nacional do Xingu. Em 1984, aposentou-se para viver em sua casa no bairro paulistano de Alto da Lapa, e cultuava, num grande galpão nos fundos de casa, uma espécie de miniatura da Mostra do Redescobrimento (Exposição Brasil + 500, montada no Pavilhão da Bienal no ano 2000), composta de grande variedade de objetos indígenas, guardados em prateleiras, cada um com uma história a contar. Ele, e seus três irmãos eram contrários à ação colonizadora que se iniciara há quatro séculos.

Irmãos Villas-Bôas (Foto: Beatriz Lefèvre)
Procuraram descobrir intacto um universo de hábitos e ética inteiramente diferentes. À medida que encontravam novas tribos assentadas às margens do Rio Xingu e seus afluentes se deparavam com povos que tinham sua própria cultura e identidade e isso os fascinava e fazia do seu trabalho uma meta de vida. E, ao voltar à vida doméstica, queria conviver com um exemplar da mata, que tinha no reduto de sua própria casa.

Os Villas-Bôas contribuíram para preservar vidas humanas, culturas antigas, valores que, depois de perdidos, não podem mais ser recuperado. Garantiram a sobrevivência de nações inteiras no Parque Nacional do Xingu ao consolidá-lo como espaço, com a orientação humanista do marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, e o apoio do antropólogo Darcy Ribeiro e do sanitarista Noel Nutels.

Sem ter completado o segundo grau, a vivência no Xingu permitiu que Orlando Villas-Bôas publicasse, em co-autoria com seu irmão Cláudio Villas-Bôas, 12 livros e inúmeros artigos em jornais e revistas internacionais, como a National Geographic Magazine.  Algumas das aventuras da Expedição Roncador-Xingu foram contadas em "A Marcha Para o Oeste", escrito com Cláudio Villas-Bôas. Já no fim da vida, Orlando Villas-Bôas começou a escrever uma autobiografia lançada após seu falecimento.

Tanto juntos quanto individualmente, os irmãos receberam honras acadêmicas, reconhecimento de cidadanias e títulos honorários, homenagens à sua atuação na política de proteção à cultura indígena.

Orlando Villas-Bôas foi demitido da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), órgão que ajudou a criar, em fevereiro de 2000 pelo seu então presidente, Carlos Marés de Souza. A demissão causou revolta da opinião pública e retratação formal do presidente Fernando Henrique Cardoso.

Orlando Villas-Bôas morreu aos 88 anos, em 12/12/2002, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, vítima de Falência Múltipla dos Órgãos.

Homenagens

Orlando Villas-Bôas recebeu diversas homenagens em razão do trabalho desenvolvido, dentre elas:

  • Medalha do Fundador, concedida pela Royal Geographical Society Of London, com a aprovação da Rainha da Inglaterra;
  • As mais altas condecorações brasileiras, como o Grau Oficial da Ordem do Rio Branco e Grão Mestre da Ordem Nacional do Mérito entre outras;
  • Membro do The Explorers Club Of New York;

Foi indicado para o Prêmio Nehru da Paz e para o Prêmio Nobel da Paz, por Julian Huxley e Claude Lévi-Strauss.

Recebeu, ainda, cinco títulos Doutor Honoris Causa de universidades estaduais e federais brasileiras e algumas dezenas de títulos de cidadãos honorários de diferentes cidades brasileiras.

Em 2001 foi homenageado como enredo pela escola de samba Camisa Verde e Branco.

Fonte: Wikipédia

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