Mostrando postagens com marcador 1975. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 1975. Mostrar todas as postagens

Lúcio Flávio

LÚCIO FLÁVIO VILLAR LÍRIO
(31 anos)
Assaltante

☼ Rio de Janeiro, RJ (1944)
┼ Rio de Janeiro, RJ (29/01/1975)

Lúcio Flávio Villar Lírio foi um criminoso brasileiro, precursor dos assaltos a bancos no Brasil, famoso na década de 70 do século XX, sendo o marginal mais procurado pela polícia à época. Utilizava os nomes de Marcos Wolkllevit JúniorRafaelio Wandencock e Marcelo Fleming Spittscakoff e era considerado um bandido refinado e inteligente, originário da classe média alta carioca dos anos 60 e 70.

Jovem da classe média mineira, nascido em 1944, filho de um funcionário público com uma professora de escola primária, louro, de olhos claros, frequentador de praias durante a juventude no Rio de Janeiro, sempre em grupo de amigos..., mas a personalidade estava sendo tecida por fios invisíveis que surgiam de novelos adormecidos nos escaninhos da alma.

A família Villar teve que se mudar para o Rio de Janeiro com os oito filhos pequenos, se instalando em Benfica e Bonsucesso. Isto após desencontros políticos, não bem esclarecidos, de seu pai com o então PSD que foi extinto na época. Há inclusive relatos de que, em 1968, Lúcio Flavio sentiu-se profundamente frustrado por não poder concorrer a um cargo de vereador no Espírito Santo em razão da negativa de seu pai, que alegava dificuldades financeiras. A partir daí, iniciou contatos com outros jovens de sua idade e montaram uma quadrilha para roubar carros.


Aos 30 anos acumulava 32 fugas, 73 processos e 530 inquéritos por roubo, assalto e estelionato. A família de Lúcio Flávio era considerada abastada, sendo seu pai ligado ao PSD e também cabo eleitoral de Juscelino Kubitschek. Um episódio não confirmado é atribuído à família do jovem Lúcio Flávio, e que busca explicar os motivos que o fizeram contestar as autoridades e optar pelo mundo do crime:

"O motivo de sua incursão no mundo marginal teve sua gênese na época da Ditadura Militar no Brasil. Em uma festa de casamento comemorada por sua família, alguns policiais do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) adentraram em sua residência e propiciaram momentos de constrangimentos, como os vividos pelo seu pai, que teve o rosto introduzido dentro de um bolo, como também, o espancamento de sua mãe. Lúcio Flávio, ainda um adolescente à época, foi igualmente vítima de espancamento. Essas agressões teriam sido frutos da época em que ele vivia, ou seja, sob a mão pesada do regime militar. Como o pai de Lúcio Flávio era cabo eleitoral de Juscelino Kubitschek, e por esse motivo não queria informar o paradeiro de Juscelino, ele tornou-se mais uma vítima da opressão daqueles idos. Devido a todos esses acontecimentos, aos 18 anos, Lúcio Flávio transformou-se em um bandido."

Em sua última prisão, em Belo Horizonte, pronunciou a frase com que ficaria lembrado:

"Bandido é bandido, polícia é polícia, como a água e o azeite, não se misturam"

A declaração fazia referência ao fato da prática de muitos policiais, assim como ocorre ainda hoje, participarem do crime organizado ao mesmo tempo em que mantêm seus cargos na polícia. Isso significa que tal indivíduo não teria a honra de ser chamado de policial, era apenas mais um marginal como os outros, o que de muitas maneiras, não deixa de ser verdade. Apesar de sua ligação com o crime, ajudou a desmascarar um grupo de policiais cariocas pertencentes ao Esquadrão da Morte, entre eles Mariel Mariscot, um dos homens de elite da polícia do Rio de Janeiro, e que mantinha ligações com criminosos.

Em 1969 foi desbaratada uma quadrilha de ladrões de carros no Rio de Janeiro em que Lúcio Flávio foi identificado como membro. Descobriu-se logo que não era apenas um simples integrante, mas uma das figuras principais, posição que aprofundou após o assassinato do líder da quadrilha Marcos Aquino Vilar.


Ao ser preso pela última vez, em 1974, em Belo Horizonte, foi recambiado para o Complexo Prisional Frei Caneca, no Rio de Janeiro. Lá, seria morto por "Marujo", seu companheiro de cela, no início de 1975, com 28 facadas. O assassino de Lúcio Flávio logo teria o mesmo destino, assassinado por outro preso, que por sua vez, também seria assassinado dentro da prisão.

O grupo que Lúcio Flávio liderava foi aos poucos sendo abatido pela polícia ou assassinado dentro das prisões cariocas: Liéce de Paula Pinto e Nijini Renato Villar Lírio, irmão de Lúcio Flávio, foram executados pela polícia. Para simular um confronto e justificar a morte dos dois, os policiais levaram os corpos próximo ao Hotel Plaza e colocaram dentro de um carro, metralhando-os novamente para simular uma resistência à prisão.

Outros comparsas, como Rivaldo Morais Carneiro, o "Martha Rocha", Antonio Branco e Francisco Rosa da Silva, o "Horroroso" foram metralhados no Presídio Evaristo Moraes Filho, na Quinta da Boa Vista, após liderarem uma rebelião e matarem um refém, o coronel da Polícia Militar Darci Bitencourt.

Fernando C.O., cunhado de Nijini Renato Villar Lírio, foi morto dentro do Complexo Prisional Frei Caneca por outros bandidos. Júlio Augusto Diegues, o "Portuguesinho", seria morto no mesmo local, pouco depois após estrangular outros presos com a ajuda de um comparsa.

Em 1977, O cineasta Hector Babenco lançou o filme "Lúcio Flávio, O Passageiro da Agonia", baseado no livro homônimo do escritor José Louzeiro, vencedor de quatro Kikitos de Ouro no Festival de Gramado de 1978, nas categorias de Melhor Ator (Reginaldo Farias), Melhor Ator Coadjuvante (Ivan Cândido), Melhor Fotografia e Melhor Edição.

O Assassinato de Lúcio Flávio

Uma facada no pescoço, que seccionou a carótida, e vários ferimentos no peito, mataram, na madrugada, o criminoso Lúcio Flávio, aos 31 anos, na cela 7 da galeria D do Presídio Hélio Gomes, no Rio de Janeiro. O assassino, outro detento, Mário Pedro da Silva, alegou legítima defesa. Lúcio Flávio e Mário teriam brigado após uma roda de carteado.

Prestes a dar um novo depoimento à Justiça, Lúcio Flávio era a principal testemunha nas investigações sobre as atividades exercidas pelo Esquadrão da Morte no Estado. Com sua ajuda, foram condenados vários policiais, a começar por Mariel Mariscot, acusado por ele de participação no Esquadrão da Morte, e de liderança em outra organização, de estelionato e roubo de automóveis.

Edmundo Peruzzi

EDMUNDO PERUZZI
(57 anos)
Regente, Arranjador, Instrumentista e Compositor

* Santos, SP (29/06/1918)
+ Santos, SP (03/11/1975)

Edmundo Peruzzi iniciou sua formação musical no Conservatório Musical de Santos, onde estudou sob a orientação de Sabino de Benedictis. Foi também integrante da Banda do Corpo de Bombeiros de Santos.

Em 1932, aos 14 anos de idade iniciou a carreira artística e apresentava-se como trombonista em espetáculos circenses. Em 1935, trocou o trombone pela flauta.

Em 1945, fundou Peruzzi e Sua Orquestra, passando a atuar em programas da Rádio Gazeta de São Paulo e apresentando-se em bailes realizados nos arredores da capital paulista. Gravou com sua orquestra seu primeiro disco, pela Continental, interpretando o choro "Perigoso" (Ernesto Nazareth) e a valsa "Em Pleno Estio" (R. Firpo). Gravou também com sua orquestra, com vocal de Armando Castro o samba boogie "Dança do Boogie-Woogie" (Carlos Armando) e o samba "Não Tenho Lar" (Carlos Armando e Orlando Barros). Gravou ainda, com um quarteto de saxofones o choro "Dedicação" (Orlando Costa, o Cipó).

Em 1948, a orquestra apresentou-se na Rádio Tupi de São Paulo.

Em 1951, contratado pela Rádio Mayrink Veiga, transferiu-se para o Rio de Janeiro, lá permanecendo por 10 anos e atuando à frente de várias orquestras radiofônicas. No mesmo ano, assinou com o selo Elite Special e lançou com sua orquestra os mambos "Italianinho" (Willy Franck e Gilberto Gagliardi) e "Caruaru" (Edmundo Peruzzi e Claribalte Passos). Ainda no mesmo ano, acompanhou com sua orquestra a cantora Neide Fraga e o grupo vocal Demônios da Garoa na gravação da marcha "Quando Chega o Natal" (Sereno) e do samba "Reveillon" (Francisco Ávila).

Em 1952 gravou os frevos "Frevo a Jato" (Lourival Oliveira) e "Estou Queimado" (Levino Ferreira).

Em 1953, com sua orquestra se apresentou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro executando o "Moto Perpétuo" (Paganini) em ritmo de samba.

Em 1954, gravou com sua orquestra na Columbia o "Baião na África" (Edmundo Peruzzi e Avarese) e a barcarola "Rema, Rema" (Edmundo Peruzzi e Onízio Andrade Filho).

Edmundo Peruzzi  foi diretor da gravadora Discobras durante o período de 1957 a 1958.

Em 1958 lançou com sua orquestra de danças pela Polydor o samba rock "Rock Sambando" (Carlos Armando e Aires Viana) e o samba "Agora é Cinzas" (Bide e Marçal). Também na Polydor acompanhou a cantora Dalva de Andrade na gravação do mambo "No Azul Pintado de Azul" (Modugno e Migliacci), com versão de David Nasser e do bolero "Nunca Pensei" (José Batista e José Ribamar). Lançou pela Discobras o LP "Violinos e Teleco Teco".

Em 1959, fez a primeira das várias trilhas sonoras que compôs, para o filme "Depois do Carnaval", de Wilson Silva.

Em 1963, fez a trilha para o filme "O Cabeleira", de Milton Amaral. Fez a coordenação artística, orquestração e a regência da orquestra para o LP "As Grandes Escolas de Samba Com Orquestra e Coro", com gravações dos sambas enredo "Chica da Silva", "Rio dos Vice Reis", "Mestre Valentim", "Relíquias da Bahia", "Palmares", "Tristeza no Carnaval", "Mauá e Suas Realizações", "Vem do Morro" e "Toda Prosa".

Em 1964 realizou excursão para a Argentina.

Em 1967, apresentou-se no Paraguai.

Em 1968, fez a trilha sonora para "Traficante do Crime", filme de Mário Latini.

Em 1970, esteve no Peru onde realizou apresentações e fez arranjos para a orquestra do peruano Augusto Valderrama. Lançou ainda, pela Rosicler, o LP "Transa Junina".

Como arranjador, realizou gravações para artistas como Orlando Silva, Miltinho, Wilson Simonal, Clara Nunes e outros.

Discografia

  • 1970 - Transa Tunina (Rosicler, LP)
  • 1958 - Rock Sambando / Agora é Cinza (Polydor, 78)
  • 1958 - Violinos e Teleco Teco (Discobras, LP)
  • 1954 - Baião na África / Rema, Rema (Columbia, 78)
  • 1952 - Frevo a Jato / Estou Queimado (Elite Special, 78)
  • 1952 - Carioca / Aparecida (Elite Special, 78)
  • 1951 - Italianinho / Caruaru (Elite Special, 78)
  • 1945 - Perigoso / Em Pleno Estio (Continental, 78)
  • 1945 - Dança do Boogie-Woogie / Não Tenho Lar (Continental, 78)
  • 1945 - Dedicação / Pracinha (Continental, 78)

Indicação: Miguel Sampaio

Nuno Roland

REINOLD CORREIA DE OLIVEIRA
(62 anos)
Cantor

* Joinville, SC (01/03/1913)
+ Rio de Janeiro, RJ (20/12/1975)

Reinold Correia de Oliveira, conhecido como Nuno Roland, foi um dos grandes cantores da época de ouro do rádio brasileiro.

Desde pequeno, manifestava senso rítmico e o gosto de cantar. Assim, de calças-curtas, tocava caixa e tarol na banda da cidade paranaense de Teixeira Soares. Com 13 anos, mudou-se para Porto União, em Santa Catarina, onde trabalhou como balconista, telegrafista e bancário.

Depois de servir o Exército em 1931, a convite de um cunhado, mudou-se para Passo Fundo, RS. Iniciou sua carreira artística e conseguiu emprego como cantor e baterista num cassino da cidade.

Na Revolução de 1932, alistou-se como voluntário no 7º Batalhão de Caçadores de Porto Alegre. Veio com sua tropa para São Paulo e nessa ocasião, ficou amigo de outro soldado, Lupicínio Rodrigues, que era crooner da Jazz Band do Batalhão. Nuno Roland relembrava sempre ter sido um dos primeiros a cantar as composições de Lupicínio Rodrigues.  

Numa apresentação do Jazz-Band na Rádio Gaúcha, Nuno Roland se destacou e recebeu um contrato da rádio, ainda como Reinold de Oliveira.


Em 1934, tentou a sorte em São Paulo e atuou na Rádio Record na base de cachês, mas poucos dias depois a turma do Regional de Garoto o levou à Rádio Educadora Paulista, daí advindo um contrato. Sobressaiu-se logo como um dos grandes cantores de São Paulo, já com o nome artístico de Nuno Roland, por sugestão do diretor da Rádio Educadora Paulista.

Ainda em 1934, fez seu primeiro disco, na Odeon: "Pensemos Num Lindo Futuro / Cantigas De Quem Te Vê". Só voltou a gravar em 1937, na Colúmbia, 2 discos com 4 musicas.

De 1937 a 1941, voltou à Odeon, fez em 1941 apenas 1 disco com 2 músicas na RCA Victor, e só retornou as gravações em 1944, na Continental. Ao todo, foram 47 discos com 87 músicas, sem contar as muitas gravações como integrante do Trio Melodia e os LPs.

Em 1936 mudou-se para o Rio de Janeiro onde assinou contrato com a Rádio Nacional, a fim de compor o elenco pioneiro, desde a sua inauguração, em 12/09/1936, dela nunca se desligando.

Também foi crooner, de 1937 a 1948, da orquestra do Copacabana Palace Hotel. Dentre seus sucessos, devem ser citados "Iracema", "O Primeiro", "Mil Corações", "Rosali", "Ao Som das Balalaicas" "Fim de Semana em Paquetá". Com Carmen Miranda, gravou "Nas Cadeiras da Baiana".

Também foi um campeão de carnavais: "Clodomira", "Pirata da Perna de Pau", "Tem Gato Na Tuba", "Serenata Chinesa", "Tem Marujo no Samba" (Com Emilinha Borba) e "Lancha Nova".

Nuno Roland é um cantor que merece ser sempre lembrado e reconhecido como um dos grandes intérpretes de nossa música popular.

Ranieri Mazzilli

PASCOAL RANIERI MAZZILLI
(64 anos)
Advogado, Jornalista, Político e Presidente Interino do Brasil

* Caconde, SP (27/04/1910)
+ São Paulo, SP (21/04/1975)

Pascoal Ranieri Mazzilli foi um advogado, jornalista e político brasileiro, tendo sido presidente do Brasil em dois momentos durante o 17° período do Governo Republicano.

O primeiro, após a renúncia do titular Jânio Quadros, e durante a ausência do vice-presidente João Goulart, que estava em visita oficial à República Popular da China. Neste período, Ranieri Mazzilli governou o país durante catorze dias, de 25 de agosto a 8 de setembro de 1961. Ranieri Mazzilli governou o Brasil, pela segunda vez, de 2 de abril de 1964 até 15 de abril de 1964.

Filho de Domenico Mazzilli e Angela Liuzzi, imigrantes italianos, matriculou-se na Faculdade de Direito de São Paulo em 1930, mas não terminou os estudos jurídicos nessa faculdade. Trabalhou brevemente como coletor de impostos em Taubaté. A partir de 1932 passou a trabalhar como jornalista especializado em temas fiscais. Em 1936 decidiu continuar os estudos de direito, vindo a se formar em 1940 na Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense.

No Distrito Federal, à época na cidade do Rio de Janeiro, teve vários empregos no setor público. Foi diretor do Tesouro Público Nacional (1942), secretário-geral de Finanças da Prefeitura do Distrito Federal (1946) e diretor da Caixa Econômica Federal do Rio de Janeiro (1948). Foi também chefe de gabinete do ministro da Fazenda Guilherme da Silveira, entre 1949 e 1951.

Na década de 1950 entrou para a política, elegendo-se deputado federal por São Paulo, filiado ao Partido Social Democrático (PSD). Foi reeleito em 1954 e 1958. Em 1959 candidatou-se à presidência da Câmara dos Deputados, cargo no qual permaneceu até 1965, reelegendo-se cinco vezes seguidas.


Presidência Interina

Primeiro Período

Na qualidade de presidente da Câmara dos Deputados, conforme previa a Constituição vigente, assumiu a presidência da República algumas vezes, dentre elas duas especialmente marcantes. Em 25 de agosto de 1961, em virtude da renúncia de Jânio Quadros e da ausência do vice-presidente João Goulart, que se encontrava em missão na China.

Nesta ocasião os ministros militares do governo Jânio Quadros, general Odílio Denys, do Exército, brigadeiro Gabriel Grün Moss, da Aeronáutica, e almirante Sílvio Heck, da Marinha, formaram uma junta militar informal que tentou impedir, sem sucesso, a posse de João Goulart, abrindo-se uma grave crise político-militar no país. A solução para o impasse foi a aprovação pelo Congresso, em 2 de setembro, de uma emenda à Carta de 1946, instaurando o sistema parlamentarista de governo. João Goulart assumiu, então, a presidência em 7 de setembro de 1961.

Segundo Período

Em 2 de abril de 1964, o presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, assumiu mais uma vez a presidência da República, por ocasião do golpe político-militar que depôs o presidente João Goulart. Em menos de três anos, era a sexta vez que assumia o cargo interinamente. Apesar disso, o poder de fato passou a ser exercido por uma junta, auto-denominada Comando Supremo da Revolução, composta pelo general Artur da Costa e Silva, almirante Augusto Rademaker Grünewald e o brigadeiro Francisco de Assis Correia de Melo.

O regime instaurado com o golpe de 1964 apresentava-se como uma intervenção militar de caráter provisório, que pretendia reinstaurar a ordem social e retomar o crescimento econômico, contendo o avanço do comunismo e da corrupção. No dia 15 de abril, entregou o cargo ao marechal Humberto de Alencar Castelo Branco.

Os dois períodos em que Ranieri Mazzilli foi presidente se caracterizaram por sua pouca influência nas decisões políticas. Assim, o Ato Institucional, depois conhecido como número 1, foi baixado no seu segundo período, com a assinatura dos ministros militares, que se auto-denominavam Comando Supremo da Revolução e detinham o poder de fato, cabendo a Ranieri Mazzilli um cargo apenas formal.

Com saúde frágil, anoréxico, com problemas renais e com sequelas de uma bronquite mal curada, era jocosamente apelidado de "Modess": descartável, estava sempre na hora e lugar certo para evitar derramamento de sangue.

Apesar de ter facilitado a fundamentação política e constitucional do golpe de 1964, em 1966 o regime militar patrocinou sua derrota na candidatura à presidência da Câmara dos Deputados, em favor de Bilac Pinto, União Democrática Nacional (UDN), depois nomeado pela ditadura ministro do Supremo Tribunal Federal, deixando assim um cargo que exercia havia sete anos. Foi também presidente da União Interparlamentar Mundial.

Ranieri Mazzilli morreu esquecido do meio político, em 21 de abril de 1975.

Fonte: Wikipédia

Stefana de Macedo

STEFANA DE MOURA MACEDO
(72 anos)
Cantora

* Recife, PE (29/01/1903)
+ Rio de Janeiro, RJ (01/09/1975)

Stefana de Macedo foi uma das principais cantoras-pesquisadoras brasileiras, a quem nossa memória folclórica muito deve. Incluiu 43 músicas de características regionais nos seus 22 discos gravados. São cocos, toadas pernambucanas, cateretês, maracatus, corta-jacas, baiões, canções do Amazonas, tanto de domínio público (muitas vezes com adaptações suas) quanto de autores conhecidos, numa época em que só homens atuavam nesse setor, abrindo caminho para artistas que vieram depois, como Dilu Melo, Inezita Barroso e Ely Camargo.

Quando tinha nove anos de idade, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, onde estudou no Colégio R. William e teve aulas de violão com Patrício Teixeira e Rogério Guimarães, logo começando a cantar e tocar em festas familiares.

Em 1926 apresentou-se ao violão no Cassino do Copacabana Palace, quando esse instrumento ainda estava restrito à então chamada malandragem. No ano seguinte, apresentou-se no Teatro Municipal de São Paulo.

Em 1928 estreou em disco na Odeon as canções "Tenho |Uma Raiva de Vancê" e "Sussuarana", ambas de Luiz Peixoto e Hekel Tavares. "Sussuarana" obteve grande sucesso, embora tivesse sido gravada pouco antes por Gastão Formenti. No mesmo ano, gravou de Catulo da Paixão Cearense o samba "Leonor" e de Hekel Tavares e Joracy Camargo, a canção "Lua Cheia".

Em 1929 apresentou-se no Teatro Municipal de São Paulo e gravou pela Columbia o samba-choro "Bambalelê", a canção "Stela", os corta-jaca "A Mulher e o Trem" e "O Homem e o Relógio", o cateretê "Bicho Caxinguelê", a toada "Saia do Sereno", o batuque "Dança do Quilombo dos Palmares", talvez a música brasileira mais antiga conhecida, com a primeira gravação de um batuque com batida na caixa do violão, executada por ela, e a canção "História Triste de Uma Praieira" seu maior sucesso, todos de motivo popular, com arranjos de sua autoria. Ainda no mesmo ano, gravou de João Pernambuco os cocos "Tiá de Junqueira" e "Biro Biro Iaiá" e as toadas "Siricóia" e "Vancê", esta última em parceria com E. Tourinho.

Em 1930 gravou pela Columbia o batuque "Mãe Maria Camundá" de sua autoria e o baião "Estrela D'Alva" de João Pernambuco. No mesmo ano gravou a toada "Como se Dobra o Sino", de motivo popular com arranjos de sua autoria. Também fez arranjos de outros motivos populares, entre os quais o coco "O-le-lê Tamandaré" e a canção "Rede do Ceará". Gravou diversas composições de João Pernambuco, entre as quais "Manaca dos Gerais", de parceria de João Pernambuco e E. Tourinho. Gravou diversas composições de Amélia Brandão Nery, a Tia Amélia, entre as quais a cantiga "Casa de Farinha" e a canção "Nos Cafundó do Coração". Ainda em 1930 gravou do compositor pernambucano Raul Moraes o coco "Lenhadô".

Em 1931 cantou no filme "Coisas Nossas", de Alberto Byington. Em 1933 gravou de sua autoria, o maracatu "Dois de Oro" e a canção "Sodade Véia". Em 1935 deu dois recitais no Teatro Colón, de Buenos Aires, Argentina. No primeiro, com a presença do mundo oficial da Argentina e do Brasil, executou na primeira parte suas canções ao violão e, na segunda, com Villa-Lobos ao piano, músicas do compositor.

Em 1939 regravou a canção "História Triste de Uma Praieira", com arranjos de sua autoria e versos de Adelmar Tavares. Em 1942 gravou a canção "Rede do Ceará", de motivo popular e arranjos de sua autoria. Em fins dos anos 1950, a cantora Ely Camargo gravou de sua autoria e Aldemar Tavares, "História Triste de Uma Praieira".

A partir dos anos 1950 só se apresentava em raros recitais, consolidando, contudo, uma aura de elegância e sofisticação, sempre saudada por intelectuais, críticos e até músicos eruditos. Em 1968 gravou histórico depoimento para a posteridade no Museu da Imagem e do Som. Passou seus últimos anos de vida na cidade de Volta Redonda, sempre esquecida pela chamada grande mídia.

Aída Mar

AÍDA DE CAMILIS RUTIGLIONI
(68 anos)
Atriz

☼ São Paulo, SP (12/01/1907)
┼ São Paulo, SP (1975)

Aída de Camilis Rutiglioni, mais conhecida por Aída Mar, foi uma atriz brasileira nascida em São Paulo, SP, no dia 12/01/1907.

Aída Mar, mulher simples, de maneiras comedidas, era uma atriz sensível e versátil. Foi pioneira na TV Tupi, onde era contratada pelas Emissoras Associadas de São Paulo e participou de vários espetáculos apresentados na televisão no "Grande Teatro Tupi".

Sua inclinação era para a comédia e para os tipos bem populares. Por isso é que sempre haviam papéis para ela, como tia, vizinha, mãe e avó.

Fez parte dos seriados "Seu Pepino", "A Mão de Deus", "O Pequeno Mundo de Dom Camilo", "Seu Genaro", e outros. Desde 1953 participou de vários programas da "TV de Vanguarda" e "TV de Comédia", dirigidos por Geraldo Vietri.

Fez também cinema onde apareceu nos filmes "A Carrocinha" e "O Gato de Madame", ambos ao lado de Mazzaropi.

De 1964 até o fim da TV Tupi de São Paulo, Aída Mar participou de importantes novelas como "Alma Cigana", "O Direito de Nascer", "O Cara Suja", "Fatalidade", "Sempre Rebelde" e a última foi "Ídolo de Pano" em 1976.

Trabalhos


  • 1974 - Ídolo de Pano ... Benta
  • 1966 - Sangue Rebelde
  • 1965 - Fatalidade
  • 1965 - O Cara Suja
  • 1964 - O Direito de Nascer ... Madre
  • 1964 - Alma Cigana ... Madre
  • 1953-1962 - TV de Vanguarda ... Senhora Minchale (7 episódios)
  • 1958 - Os Miseráveis ... Madame Venturinier
  • 1957 - O Gato de Madame
  • 1957 - Seu Genaro
  • 1957 - Pequeno Mundo de Dom Camilo ... Senhora Bilo
  • 1955 - A Mão de Deus
  • 1955 - Seu Pepino
  • 1952 - Grande Teatro Tupi


Fonte: Net Saber

Castro Barbosa

JOAQUIM SILVÉRIO DE CASTRO BARBOSA
(69 anos)
Cantor, Compositor e Humorista

* Sabará, MG (07/05/1905)
+ Rio de Janeiro, RJ (20/04/1975)

Mais conhecido como Castro Barbosa, foi um cantor, compositor e humorista brasileiro.

Irmão do cantor Luiz Barbosa e do humorista e cantor Barbosa Júnior, Castro Barbosa nasceu no interior de Minas Gerais. Filho de um engenheiro que participara da construção da antiga estrada Rio-São Paulo. Ainda durante a infância de Castro Barbosa, a família veio morar no Rio de Janeiro, então Capital Federal.

Em 1924, Castro Barbosa passou a cursar uma escola comercial, onde se formaria guarda-livros (contabilidade). De 1926 a 1928 trabalhou na Livraria Braga e Cia., mas após sofrer um acidente ferroviário em Teresópolis, passou alguns meses inativo e depois ingressou na companhia de navegação Lloyd Brasileiro.

Joaquim Silvério de Castro Barbosa
Em 1930, trabalhando no Lloyd Brasileiro, conheceu João Athos, um cantor, que escutando-o cantarolar, interessou-se pela sua voz e o indicou para um teste na Rádio Educadora (PRB-7), onde foi apresentado ao também cantor Almirante, que o convidou a participar de seu programa.

Na emissora, foi travando conhecimento com os grandes artistas da época, dentre os quais Noel Rosa, Custódio Mesquita, Nonô e Francisco Alves.

Teve sua grande oportunidade no famoso Programa Casé, apresentado por Ademar Casé. Convidado pelo compositor André Filho, gravou seu primeiro disco em fevereiro de 1931, com a marcha Uvinha (André Filho), e o samba Tu Hás de Sentir (Heitor dos Prazeres). Gravou também o samba Tá de Mona (Maércio e Mazinho), com o Bando da Lua.

Em dezembro de 1931 voltaria ao estúdio, desta vez para realizar uma das gravações mais importantes da história da música brasileira: O Teu Cabelo Não Nega, de Lamartine Babo e Irmãos Valença. A marcha se tornaria em 1932 o maior sucesso de carnaval de todos os tempos e a gravação venderia 15 mil cópias.

Pouco depois, foi incentivado pelo cantor e compositor Paulo Neto de Freitas a tentar contatos com a gravadora RCA Victor. Paulo Neto apresentou o cantor ao violonista Rogério Guimarães, então diretor-artístico dessa gravadora que o aprovou. Nessa época, conheceu João de Freitas Ferreira, que atuava com o pseudônimo de Jonjoca. Em uma festa na casa do cantor Jorge Fernandes, os dois fizeram duetos de brincadeira, com Castro Barbosa imitando a voz de Francisco Alves, então o cantor de maior sucesso no Brasil. A partir de então formaram uma dupla, Jonjoca e Castro Barbosa, para concorrer com Mário Reis e Francisco Alves, que gravou muitas músicas de sucesso.

O primeiro disco da dupla trazia os sambas Sinto Falta de Você e A Cana Está Dura, de autoria de Jonjoca. Levado por Paulo Neto para a gravadora RCA Victor, foi apresentado ao diretor artístico Rogério Guimarães. A dupla realizou mais de 20 gravações até 1933.

Castro Barbosa gravaria inúmeras canções de sucesso até 1954 (83 discos de 78 RPM e 150 músicas), mas em 1937 foi convidado por Renato Murce para substituir o ator Artur de Oliveira no Programa Palmolive, da Rádio Nacional, atuando como cantor e humorista ao lado de Dircinha Batista e Jorge Murad. Foi a partir dali que a sua atuação como "speaker" e humorista passaria a sobrepujar a carreira de cantor.

Lauro Borges e Castro Barbosa

Foi convidado por Lauro Borges em 1939 para fazer juntamente com ele um programa humorístico, PRV-8 Rádio X, com poucas edições. Seria o embrião de uma nova atração, PRK-20 Zoio d'Água - 200 Velocipe na Antônia e 500 Kilovate na Onda, quadro do programa Sorriso Colgate, que durou de outubro de 1942 a setembro de 1944 na Rádio Club.

Castro Barbosa adotou então o pseudônimo de Vasco Ferreira e dividia o microfone com Lauro Borges e também Renato Murce, Jorge Murad e Del Mundo. As participações dos demais atores logo cessou e restou apenas a dupla Lauro Borges e Castro Barbosa.

Às 21:00 hs do dia 19 de outubro de 1944 estreou pela Rádio Mayrink Veiga PRK-30. No entanto, Castro Barbosa não participou das primeiras irradiações, com o ator Pinto Filho em seu lugar. Foi somente a partir da 25ª apresentação, em 16 de abril de 1945, que Castro Barbosa, sem mais usar o pseudônimo de Vasco Ferreira, passou a interpretar Megatério Nababo de Alicerce. Em 27 de setembro de 1946, PRK-30 passou a ser transmitido pela Rádio Nacional. A partir de então, o humorístico seria uma das maiores e mais populares atrações da emissora.

Seriam muitos anos de absoluto sucesso, com PRK-30 sendo irradiado também de São Paulo (1951). O programa também passou para a televisão, com igual sucesso, pela TV Paulista e TV Rio.

Castro Barbosa aposentou-se em 1968, após a morte de Lauro Borges, e morreu em 1975, vítima de um Aneurisma no Estômago. Deixou a viúva, Guilhermina Mendes, três filhos e cinco netos. Em sua homenagem, foi batizada com seu nome uma rua no bairro de Vila Isabel. Sua neta Renata Castro Barbosa também é atriz.

Fonte: Wikipédia

Murilo Mendes

MURILO MONTEIRO MENDES
(74 anos)
Poeta

* Juiz de Fora, MG (13/05/1901)
+ Lisboa, Portugal (13/08/1975)

Foi um poeta brasileiro, expoente do surrealismo brasileiro.

Telegrafista, auxiliar de contabilidade, notário e inspetor do ensino secundário do Distrito Federal. Foi escrivão da 4ª Vara de Família do Distrito Federal, em 1946.

De 1953 a 1955 percorreu diversos países da Europa, divulgando, em conferências, a cultura brasileira. Em 1957 se estabeleceu em Roma, onde lecionou literatura brasileira. Manteve-se fiel às imagens mineiras, mesclando-as às da Sicília e Espanha, carregadas de história.

Obras de Murilo Mendes

Iniciou-se na literatura escrevendo nas revistas modernistas Terra Roxa, Outras Terras e Antropofagia. Os seus livros Poemas (1930), História do Brasil (1932) e Bumba-Meu-Poeta, escrito em 1930, mas só publicado em 1959, na edição da obra completa intitulada Poesias (1925–1955), são claramente modernistas, revelando uma visão humorística da realidade brasileira.

Tempo e Eternidade (1935) marca a conversão de Murilo Mendes ao catolicismo. Nesse livro, os elementos humorísticos diminuem e os valores visuais do texto são acentuados. Foi escrito em colaboração com o poeta Jorge de Lima.

Nos volumes da fase seguinte, Poesia em Pânico (1938), O Visionário (1941), As Metamorfoses (1944) e Mundo Enigma (1945), o poeta apresenta influência cubista, sobrepondo imagens e fazendo o plástico predominar sobre o discursivo.

Poesia Liberdade (1947), como alguns outros livros do poeta, foi escrito sob o impacto da guerra, refletindo a inquietação do autor diante da situação do mundo.

Em 1954, saiu Contemplação de Ouro Preto, em que Murilo Mendes alterou sua linguagem e suas preocupações, reportando-se às velhas cidades mineiras e sua atmosfera. Daí por diante, o poeta lançou-se a novos processos estilísticos, realizando uma poesia de caráter mais rigoroso e despojado, como em Parábola (1946-1952) e Siciliana (1954–1955), publicados em Poesias (1925–1955). As características desse período atingem sua melhor realização no livro Tempo Espanhol (1959).

Em 1970, Murilo Mendes publicou Convergência, um livro de poemas vanguardistas.

Murilo Mendes também publicou livros de prosa, como O Discípulo de Emaús (1944), A Idade do Serrote (1968), Livro de Memórias e Poliedro (1972).

Murilo Mendes foi casado com Maria da Saudade Cortesão.

Ao morrer, em Lisboa, deixou inéditas várias obras.

Prêmios Recebidos

  • Prêmio Graça Aranha, pelo livro Poemas.
  • Prêmio Internacional de Poesia Etna-Taormina, 1972.

Fonte: Wikipédia

Vladimir Herzog

VLADO HERZOG
(38 anos)
Jornalista, Professor e Dramaturgo

* Osijek, Croácia (27/06/1937)
+ São Paulo, SP (25/10/1975)

Foi um jornalista, professor e dramaturgo nascido na Croácia (à época ainda parte do Reino da Iugoslávia), mas naturalizado brasileiro. Vladimir também tinha paixão pela fotografia, atividade que exercia por conta de seus projetos com o cinema. Passou a assinar Vladimir por considerar seu nome muito exótico nos trópicos.

Vladimir tornou-se famoso pelas consequências que sofreu devido às suas conexões com a luta comunista contra a ditadura militar, autodenominada movimento de resistência contra o regime do Brasil, e também pela sua ligação com o Partido Comunista Brasileiro. Sua morte causou impacto na ditadura militar brasileira e na sociedade da época, marcando o início de um processo pela redemocratização do país. Segundo o jornalista Sérgio Gomes, Vladimir Herzog é um "símbolo da luta pela democracia, pela liberdade, pela justiça".

Primeiros Anos

Herzog nasceu na cidade de Osijek, em 1937, na Iugoslávia (atual Croácia), filho de um casal judeu, Zigmund e Zora Herzog. Com o intuito de escaparem do Estado Independente da Croácia (estado fantoche controlado pela Alemanha Nazista e pela Itália Fascista), o casal decidiu emigrar, com o filho, para o Brasil, na década de 1940.

Educação e Carreira

Herzog se formou em filosofia pela Universidade de São Paulo em 1959. Depois de formado, trabalhou em importantes órgãos de imprensa no Brasil, notavelmente no O Estado de São Paulo. Nessa época, resolveu passar a assinar Vladimir ao invés de Vlado pois acreditava que seu nome verdadeiro soava um tanto exótico no Brasil. Vladimir também trabalhou por três anos na BBC de Londres.

Na década de 1970, assumiu a direção do departamento de telejornalismo da TV Cultura, de São Paulo. Também foi professor da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo e, nessa época, também atuou como dramaturgo, envolvido com intelectuais de teatro. Em sua maturidade, Vladimir passou a atuar politicamente no movimento de resistência contra a Ditadura Militar no Brasil de 1964-1985, como também no Partido Comunista Brasileiro.

Prisão e Morte

Em 24 de outubro de 1975 - época em que Vladimir já era diretor de jornalismo da TV Cultura - agentes do II Exército  o convocaram para prestar depoimento sobre as ligações que ele mantinha com o Partido Comunista Brasileiro (que era proibido pela ditadura).

No dia seguinte, Vladimir compareceu ao pedido. O depoimento de Vladimir era dado por meio de uma sessão de tortura. Ele estava preso com mais dois jornalistas, George Benigno Duque Estrada e Rodolfo Konder, que confirmaram o espancamento.

No dia 25 de outubro, Vladimir foi encontrado enforcado com a gravata de sua própria roupa. Embora a causa oficial do óbito, divulgada pelo governo ditatorial da época, seja suicídio por enforcamento, há consenso na sociedade brasileira de que ela resultou de tortura, com suspeição sobre servidores do DOI/CODI, que teriam posto o corpo na posição encontrada, pois as fotos exibidas mostram Vladimir enforcado.

Porém, nas fotos divulgadas há várias inverossimilhanças. Uma delas é o fato de que ele se enforcou com um cinto, coisa que os prisioneiros do DOI/CODI não possuíam. Além disso, suas pernas estão dobradas e no seu pescoço há duas marcas de enforcamento, o que mostra que supostamente sua morte foi feita por estrangulamento. Na época, era comum que o governo militar ditatorial divulgasse que as vítimas de suas torturas e assassinatos haviam perecido por "suicídio", o que gerava comentários irônicos de que Vladimir e outras vítimas haviam sido "suicidados pela ditadura".

Pós-Morte

Vladimir era casado com a publicitária Clarice Herzog, com quem tinha dois filhos. Com a morte do marido, Clarice passou por maus momentos. Com medo e opressão, teve que contar para os filhos pequenos o que havia ocorrido com o pai. A mulher, três anos depois, conseguiu que a União fosse responsabilizada, de forma judicial, pela morte do esposo. Ainda sem se conformar, ela diz que "Vlado contribuiria muito mais para a sociedade se estivesse vivo".

Gerando uma onda de protestos de toda a imprensa mundial, mobilizando e iniciando um processo internacional em prol dos direitos humanos na América Latina, em especial no Brasil, a morte de Vladimir impulsionou fortemente o movimento pelo fim da Ditadura Militar Brasileira. Após sua morte, grupos intelectuais, agindo em jornais e meios de comunicação, e grupos de atores, no teatro, como também o povo, nas ruas, se empenharam na resistência contra a ditadura do Brasil.

Diante da agonia de saber se Vladimir havia se suicidado ou se havia sido morto pelo Estado, criaram-se comportamentos e atitudes sociais de revolução. Em 1976, por exemplo, Gianfrancesco Guarnieri escreveu Ponto de Partida, espetáculo teatral que tinha o objetivo de mostrar a dor e a indignação da sociedade brasileira diante do ocorrido. Segundo o próprio Guarnieri:

"[...] Poderosos e dominados estão perplexos e hesitantes,impotentes e angustiados. Contendo justos gestos de ódio e revolta, taticamente recuando diante de forças transitoriamente invencíveis. Um dia os tempos serão outros. Diante de um homem morto, todos precisam se definir. Ninguém pode permanecer indiferente. A morte de um amigo é a de todos nós. Sobre tudo quando é o Velho que assassina o Novo."

Legado

Em 2009, mais de 30 anos após a morte de Vladimir, surge o Instituto Vladimir Herzog. O instituto destina-se a três objetivos:

  • Organizar todo o material jornalístico sobre a história de Vladimir, como meio de auxílio a estudantes, pesquisadores e outros interessados em sua vida e obra;
  • Promover debates sobre o papel do jornalista e também discutir sobre as novas mídias;
  • Ser responsável pelo Prêmio Jornalistico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, que premia pessoas envolvidas no jornalismo e na promoção dos direitos humanos. 

Fonte: Wikipédia

Abel Pêra

ABEL PÊRA
(84 anos)
Ator

* Carregosa, Portugal (16/11/1891)
+ Rio de Janeiro, RJ (1975)

Irmão de Manuel Pêra, pai da atriz Marília Pêra, Abel Pêra entrou para o mundo do teatro no final da adolescência como carpinteiro fazendo cenários, tornando-se depois ator.

Os irmãos Abel PêraManuel Pêra, faziam aniversário no mesmo dia e contracenaram em diversos espetáculos, dentre os quais "A Pensão da Dona Estela" e "Feitiço", de Oduvaldo Viana.

Tio e padrinho da atriz Marília Pêra, Abel Pêra mesmo depois de torna-se ator, continuou fabricando objetos de madeira. O amigo Chico Anysio, certa vez ganhou de Abel Pêra um taco de golfe feito por ele.

Na televisão, participou da novela "Fogo Sobre Terra" em 1974. O último trabalho de Abel Pêra foi o filme "O Casamento", lançado em 1976.

Filmografia
  • 1975 - O Casamento
  • 1975 - Com as Calças na Mão
  • 1973 - Toda Nudez Será Castigada
  • 1973 - O Descarte
  • 1973 - A Filha de Madame Bettina
  • 1972 - Eu Transo, Ela Transa
  • 1972 - Revólveres Não Cospem Flores
  • 1971 - As Quatro Chaves Mágicas
  • 1970 - O Enterro da Cafetina
  • 1970 - Vida e Glória de um Canalha
  • 1969 - A Penúltima Donzela
  • 1969 - O Bravo Guerreiro
  • 1969 - As Duas Faces da Moeda
  • 1968 - Enfim Sós... Com o Outro
  • 1968 - O Homem que Comprou o Mundo
  • 1960 - Pintando o Sete
  • 1959 - O Homem do Sputnik
  • 1957 - De Vento em Popa
  • 1951 - Maior Que o Ódio
  • 1951 - O Falso Detetive
  • 1945 - O Cortiço
  • 1944 - Romance de um Mordedor
  • 1943 - Samba em Berlim
  • 1941 - A Sedução do Garimpo
  • 1941 - Entra na Farra
  • 1940 - Cisne Branco
  • 1940 - E o Circo Chegou
  • 1939 - Onde Estás Felicidade?
  • 1939 - Está Tudo Aí
  • 1938 - Maridinho de Luxo
  • 1936 - João Ninguém
  • 1914 - O Crime dos Banhados

Fonte: Wikipédia

Adriana Prieto

ADRIANA PRIETO
(25 anos)
Atriz

* Buenos Aires, Argentina (1950)
+ Rio de Janeiro, RJ (24/12/1975)

Adriana Prieto foi uma atriz brasileira nascida na Argentina que fez carreira no Brasil. Filha de um diplomata chileno com uma brasileira, a família de Adriana Prieto fixou-se no Rio de Janeiro quanto ela tinha apenas quatro anos.

Durante o curso colegial, que fazia no Colégio Pedro II no bairro da Tijuca, ela estreou no cinema (1966) no filme "El Justicero", de Nelson Pereira dos Santos, e já foi premiada como melhor atriz coadjuvante do ano.

Com "Lucia McCartney", ganhou o Prêmio Air France de Cinema como melhor atriz de 1971 e no mesmo ano naturalizou-se brasileira, aos 21 anos.

Adriana Prieto morreu na véspera do natal de 1975, em um acidente automobilístico quando seu fusca foi atingido fortemente por um carro da polícia.

Quando morreu, Adriana Prieto acabara de filmar "O Casamento", de Arnaldo Jabor, baseado na obra homônima de Nelson Rodrigues.

Filmografia

  • 1975 - O Casamento (Póstumo) ... Glorinha
  • 1974 - A Viúva Virgem ... Cristina
  • 1974 - Ainda Agarro Esta Vizinha ... Teresa
  • 1974 - Ipanema Toda Nua
  • 1971 - Lúcia McCartney, uma Garota de Programa ... Lucia McCartney
  • 1971 - Soninha Toda Pura ... Soninha
  • 1971 - Um Anjo Mau ... Açucena
  • 1970 - As Gatinhas ... Lilian
  • 1970 - O Palácio dos Anjos
  • 1970 - Uma Mulher para Sábado ... Dorianne
  • 1969 - A Penúltima Donzela
  • 1969 - As Duas Faces da Moeda
  • 1969 - Memória de Helena
  • 1969 - Os Paqueras ... Fátima
  • 1968 - Balada de Página Três
  • 1968 - As Sete Faces de um Cafajeste ... Ana
  • 1957 - El Justicero ... Ana Maria
  • 1967 - A Lei do Cão ... Alzirinha

Televisão

  • 1972 - Tempo de Viver
  • 1967 - A Rainha Louca

Érico Veríssimo

ÉRICO LOPES VERÍSSIMO
(69 anos)
Escritor


* Cruz Alta, RS (17/12/1905)

+ Porto Alegre, RS (28/11/1975)


Érico Veríssimo casou-se em 1931 com Mafalda Halfen Volpe, com quem teve dois filhos, Clarissa e Luis Fernando. Estudou em Porto Alegre e ao voltar para a sua cidade natal, trabalhou num banco, tornando-se mais tarde sócio de uma farmácia. Ali, entre remédios, dedicava suas horas vagas à leitura, principalmente de Ibsen, Shakespeare, Bernard Shaw, Oscar Wilde e Machado de Assis, que muito influenciaram sua formação literária.

Em 1928, estreou com o conto "Ladrão de Gado", na Revista do Globo. Dois anos depois transferia residência para Porto Alegre, ingressando como redator da revista que o acolhera como escritor.

Mais tarde, nos anos 30, passou a ocupar o cargo de Secretário do Departamento Editorial da Livraria do Globo. Em 1932 publicou "Fantoches", conjunto de contos, em sua maioria, sob forma dialogada.

"Clarissa", história das descobertas de uma adolescente vinda do interior para estudar em Porto Alegre, foi sua primeira novela, publicada em 1933. A volta de Clarissa à sua cidade natal é o tema de "Música ao Longe", obra publicada em 1934, que mereceu o Prêmio Machado de Assis. No ano seguinte, foi editado "Caminhos Cruzados", obra polêmica devido à acusação de que Érico Veríssimo teria imitado a técnica do Contraponto de Aldous Huxley, que traduzira anos antes.


Apesar das controvérsias e da crítica imediata da Igreja Católica, "Caminhos Cruzados" foi premiado pela Fundação Graça Aranha. É nesta obra que aparecem pela primeira vez a ironia e a sátira, resultando uma forte crítica social. Neste mesmo ano foi publicado "A Vida de Joana D`Arc", romance para os jovens.

Em 1936 escreveu "Um Lugar ao Sol", onde o autor coloca em cheque ideais antigos de personagens já conhecidos das obras anteriores. Um ano depois publicou "As Aventuras de Tibicuera", uma história romanceada do Brasil, dedicada ao público infanto-juvenil.

Com "Olhai os Lírios do Campo", editado em 1938, Érico Veríssimo tornou-se realmente popular. Trata-se da história de um jovem médico ambicioso que faz um casamento por interesse, abandonando a mulher com quem vivia e que realmente o amava: Olívia.

Outro livro infanto-juvenil foi publicado em 1939. "Viagem à Aurora do Mundo", obra que aborda a pré-história através de uma viagem fantástica de um cientista amalucado e alguns jovens.

Publicou, no ano seguinte, "Saga", que narra a luta de Vasco, personagem de "Música ao Longe", para libertar-se da condição de ser humano frágil e insatisfeito através da Guerra Civil Espanhola.

A convite do Department Of State, visitou os Estados Unidos, registrando suas impressões de viagem em "Gato Preto em Campo de Neve", publicado em 1941. Solicitado a permanecer nos Estados Unidos, Érico Veríssimo passou a lecionar literatura brasileira na Universidade da Califórnia e fez palestras em vários institutos culturais da América. Em 1946, regressando ao Brasil, publicou novo livro de viagens: "A Volta do Gato Preto".


O autor gaúcho ainda exerceu o cargo de Diretor do Departamento de Assuntos Culturais da União Pan-Americana em Washington, onde difundiu a literatura e a cultura brasileiras.

Seu trabalho mais notável é "O Tempo e o Vento", romance dividido em três partes que começou a escrever em 1949 e terminou em 1962. A primeira parte da trilogia, "O Continente", narra a saga da família Terra-Cambará, que se identifica com a própria história do Rio Grande do Sul. Os personagens deste livro impõe-se ao leitor por sua força épica e telúrica. A segunda, "O Retrato", centralizada na figura do Drº Rodrigo Cambará, retrata um período importante na história do Brasil, o início do século XX. A última parte, "O Arquipélago", trata dos conflitos individuais de cada personagem, tendo como pano de fundo os dias tumultuados do Brasil contemporâneo.

Destacam-se ainda "Noite" (1954), romance de abordagem psicanalítica; "México" (1957) e "Israel em Abril" (1969), relatos de viagem; "O Senhor Embaixador" (1965), "O Prisioneiro" (1967) e "Incidente em Antares" (1971), obras de denúncia social e política, e "Solo de Clarineta" (1973), seu livro de memórias. Érico Veríssimo morreu quando escrevia o segundo volume desta obra.

Seus livros foram traduzidos e publicados em quase todo o mundo: Estados Unidos, Inglaterra, França, Itália, Alemanha, Áustria, Japão, México, União Soviética, Holanda, Noruega, Argentina, e vários outros países.

Deve-se destacar, ainda, o humanismo e o modelo realista que marcaram os 40 anos de produção literária de Érico Veríssimo. Ele foi um dos escritores brasileiros mais populares do século XX.

Érico Veríssimo faleceu subitamente vítima de um infarto no dia 28/11/1975, deixando inacabada a segunda parte do segundo volume de suas memórias, além de esboços de um romance que se chamaria "A Hora do Sétimo Anjo".

Carlos Drummond de Andrade faz homenagem ao amigo fazendo publicar o seguinte poema:

A Falta de Érico Veríssimo

Falta alguma coisa no Brasil
depois da noite de sexta-feira.
Falta aquele homem no escritório
a tirar da máquina elétrica
o destino dos seres,
a explicação antiga da terra.

Falta uma tristeza de menino bom
caminhando entre adultos
na esperança da justiça
que tarda - como tarda!
a clarear o mundo.

Falta um boné, aquele jeito manso,
aquela ternura contida, óleo
a derramar-se lentamente.
Falta o casal passeando no trigal.

Falta um solo de clarineta.

Fonte: Net Saber e Releituras