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André Filho

ANTÔNIO ANDRÉ DE SÁ FILHO
(68 anos)
Compositor, Cantor, Arranjador, Instrumentista e Radialista

☼ Rio de Janeiro, RJ (21/03/1906)
┼ Rio de Janeiro, RJ (02/07/1974)

Antônio André de Sá Filho, mais conhecido com André Filho, foi um ator, multiinstrumentista (piano, violão, bandolim, violino, banjo, percussão), radialista, compositor e cantor brasileiro, nascido no Rio de Janeiro, RJ, no dia 21/03/1906.

Ficou órfão muito cedo, sendo por isso criado pela avó. Começou a estudar música erudita aos oito anos com Pascoale Gambardella. Estudou, anos depois, vários instrumentos como violão, violino, piano, bandolim, dedicando-se, então, à música popular brasileira.

Formou-se em Ciências e Letras no Colégio Salesiano de Niterói, RJ, onde foi colega de Almirante.

Na década de 1940, esteve internado com problemas psíquicos, que, somados a alguns outros, acabaram por fazê-lo abandonar a vida artística.

André Filho é autor de muitos sucessos, entre os quais a marcha "Cidade Maravilhosa" que se tornou o hino da cidade do Rio de Janeiro. Por isso virou uma figura histórica do Rio de Janeiro, além de ser o parceiro de Noel Rosa no samba "Filosofia".

André Filho começou a carreira artística cantando na Rádio Educadora. Foi arranjador, compositor de jingles, locutor de várias emissoras como a Rádio Tupi, Rádio Mayrink Veiga, Rádio Phillips e Rádio Guanabara.


Sua primeira composição a ser gravada foi "Velho Solar", em 1929, pela Parlophon, interpretada por Henrique de Melo Moraes, o tio de Vinícius de Moraes. No mesmo ano, Ascendino Lisboa lançou o samba "Dou Tudo".

Em 1930, Carmen Miranda lançou duas músicas suas pela RCA Victor, o samba "O Meu Amor" e a marcha "Eu Quero Casar Com Você". Sílvio Caldas gravou também pela RCA Victor o seu samba "Nem Queiras Saber" (André FilhoFelácio da Silva).

Em 1931, Carmen Miranda gravou os sambas "Bamboleô" e "Quero Só Você", Jaime Vogeler a canção "Meu Benzinho Foi-se Embora" e Francisco Alves a valsa "Manoelina". No mesmo ano, gravou seu primeiro disco, na Parlophon, interpretando os sambas "Estou Mal" (André FilhoHeitor dos Prazeres), e "Mangueira" (Saul de Carvalho). Lançou com J. B. de Carvalho, a macumba "Anduê, Anduá" (Maximiniano F. da Costa) e o samba "É Minha Sina" (André Filho).

Em 1932 teve diversas composições gravadas por diferentes intérpretes. Carmen Miranda registrou os sambas "Mulato De Qualidade", "Quando Me Lembro" e "Por Causa de Você"; Sílvio Caldas o samba "Jurei Me Vingar" (André Filho Valfrido Silva); O Grupo da Guarda Velha e Trio TBT, o samba "Como Te Amei".

Em 1933, gravou os sambas "Vou Navegar" e "Nosso Amor Vai Morrendo", e teve gravados por Carmen Miranda, os sambas "Fala Meu Bem" e "Lua Amiga", e por Elisa Coelho os sambas "O Samba é a Saudade" e "A Lua Vem Surgindo". Mário Reis foi convidado por Noel Rosa para gravar "Filosofia", pela Columbia.


Em 1934, Carmen Miranda lançou, junto com Mário Reis, o samba "Alô... Alô...", um grande sucesso no carnaval daquele ano. Ainda em 1934, gravou seu grande sucesso, a marcha "Cidade Maravilhosa", em dupla formada com a então novata Aurora Miranda, de apenas 19 anos. Segundo Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello, a escolha de Aurora Miranda "refletia de certo modo a tendência de romper com uma constante da época: a hegemonia masculina na gravação do repertório carnavalesco". De qualquer modo, o certo é que a entrada de Aurora Miranda em cena deve-se mesmo ao fato de ser irmã de Carmen Miranda, já então no auge da popularidade, inclusive nos carnavais. O lançamento de "Cidade maravilhosa", se deu no entanto, sem grande sucesso na Festa da Mocidade, em outubro daquele ano.

A marchinha foi inscrita em 1935 no Concurso de Carnaval da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, obtendo, para indignação do autor, a 2ª colocação. Também em 1935, gravou a marcha "Guarde Um Lugarzinho Para Mim" (André Filho e Valfrido Silva) e o samba "Jura Outra Vez" (Alcebíades Barcelos e Valfrido Silva), e com Aurora Miranda, gravou de sua autoria, a marcha "Ciganinha Do Meu Coração" e o samba "O Que Você Me Fez".

Em 1936, lançou as marchas "Teu Cabelo Vou Pintar" e "Cadê a Minha Colombina", de sua autoria. Aurora Miranda gravou de sua autoria, o samba "Quero Ver Você Sambar" e a marcha "Bacharéis Do Amor", e Carmen Miranda a marcha "Beijo Bamba" e o samba "Pelo Amor Daquela Ingrata".

Em 1937 teve mais duas marchas gravadas por Aurora Miranda, "Se a Moda Pega..." e "Quero Ver Você Chorando".


Em 1938, Aurora Miranda gravou a marcha "Na Sua Casa Tem..." (André Filho e Heitor dos Prazeres) e o samba "Chorei Por Teu Amor".

Em 1939 lançou a marcha "Linda Rosa" e o samba "Quem Mandou?".

Em 1941, gravou a marcha "Carnaval na China" (André Filho e Durval Melo) e o samba "Estrela do Nosso Amor" (André Filho). Vicente Celestino gravou pela RCA Victor a valsa "Cinzas No Coração", obtendo grande sucesso, e a canção "Cancioneiro Do Amor".

Em 1960, um decreto oficializou "Cidade Maravilhosa" como hino da cidade. No final da década de 1960, convidado e entrevistado por Ricardo Cravo Albin, então diretor do Museu da Imagem e do Som (MIS), gravou histórico depoimento para o museu, tendo sido seu estado mental considerado bastante razoável pelo entrevistador.

Em 1974, Chico Buarque resgatou "Filosofia", regravando o samba em seu álbum "Sinal fechado", dedicado a outros autores por causa da censura imposta à sua produção. O samba foi, na época, grande sucesso e uma maneira inteligente de dar um recado ao regime militar. O samba voltaria a ser ouvido na voz de Mário Reis, na década de 1970 e, posteriormente, incluído no filme "Brás Cubas" (1985), adaptação do cineasta Júlio Bressane para o clássico de Machado de Assis "Memórias Póstumas de Brás Cubas". No filme, "Filosofia" é o tema do personagem Quincas Borba.

Devido a várias crises pessoais, inclusive o fim prematuro de casamento com a esposa Zilda, o que lhe teria provocado graves crises psíquico-nervosas, afastou-se completa e prematuramente da vida artística, passando a orar com a mãe que o abrigou, cercando-o de carinho e cuidados, o que obscureceu a avaliação de sua obra, fazendo com seu trabalho fosse lembrado basicamente apenas pela marcha "Cidade maravilhosa".

Em 2006, seu acervo passou a pertencer ao Instituto Moreira Salles que o homenageou por ocasião do centenário de seu nascimento com uma exposição de partituras, documentos e fotografias.

André Filho morreu aos 68 anos , no dia 02/07/1974, no Rio de Janeiro.

Discografia

  • 1941 - Carnaval Na China / Estrela Do Nosso Amor (Odeon, 78)
  • 1939 - Linda Rosa / Quem Mandou? (Columbia, 78)
  • 1938 - Perdão, Emília / Onde é Que Eu Vou Parar (Odeon, 78)
  • 1937 - Maravilhosa / Ó Rosa (Odeon, 78)
  • 1936 - Teu Cabelo Vou Pintar / Cadê a Minha Colombina (Odeon, 78)
  • 1935 - Guarde Um Lugarzinho Pra Mim / Jura Outra Vez (Odeon, 78)
  • 1935 - Ciganinha Do Meu Coração / O Que Você Me Fez (Odeon, 78)
  • 1934 - Cidade maravilhosa (Odeon, 78)
  • 1934 - Lourinha Brasileira / Não Chore Mais (Columbia, 78)
  • 1933 - Vou Navegar / Nosso Amor Vai Morrendo (RCA Victor, 78)
  • 1931 - Estou Mal / Mangueira (Parlophon, 78)
  • 1931 - Se o Teu Amor... / Você Diz Que é Melhor (Parlophon, 78)
  • 1931 - Vai De Uma Vez / Amizade Não Se Compra (Parlophon, 78)
  • 1931 - Cala a Boca / Vivo Feliz Sem Você (Parlophon, 78)
  • 1931 - Anduê, Anduá / É Minha Sina (Parlophon, 78)


Indicação: Miguel Sampaio

Everaldo

EVERALDO MARQUES DA SILVA
(30 anos)
Jogador de Futebol

* Porto Alegre, RS, (11/09/1944)
+ Cachoeira do Sul, RS (27/10/1974)

Everaldo Marques da Silva, mais conhecido apenas como Everaldo, foi um jogador de futebol que atuou como lateral-esquerdo.

Foi o primeiro atleta atuando por um clube gaúcho a ganhar uma Copa do Mundo de Futebol. Por este feito, Everaldo ganhou uma estrela dourada na bandeira do Grêmio.

Jogava na lateral-esquerda, possuindo um estilo de jogo simples, mas eficiente, com uma grande capacidade de marcação. Jogando pelo Grêmio, conquistou o tricampeonato gaúcho nos anos de 1966, 1967 e 1968.

Carreira

Everaldo ingressou no Grêmio em 1957, passando pelas categorias infanto-juvenil e juvenil.

Em 1964 foi emprestado ao Juventude de Caxias do Sul, retornando ao Olímpico Munumental dois anos depois.

Em 1967, foi convocado pela primeira vez para defender a Seleção Brasileira de Futebol. Conquistou a Copa Rio Branco no Uruguai, assegurando vaga no selecionado que, em 1969, participaria das eliminatórias que culminariam com o tricampeonato no México em 1970.

Além de todos os prêmios conquistados, foi agraciado com o Prêmio Belfort Duarte, concedido aos jogadores de defesa leais, em julho de 1972. Entretanto, três meses depois, deu um soco no árbitro José Faville Neto durante uma partida e acabou suspenso por um ano.

Para impedir que novos casos parecidos ocorressem, duas décadas depois as regras do prêmio foram mudadas, e a partir de então apenas jogadores aposentados poderiam requerê-lo.

Na noite do domingo de 27/10/1974, Everaldo morre na BR-290 em acidente com o Dodge Dart.
Morte

Everaldo faleceu vítima de um acidente automobilístico, quando viajava com sua família, no ano de 1974, na BR-290. Everaldo voltava de Cachoeira do Sul, RS, com destino a Porto Alegre com o seu Dodge Dart bege no domingo, noite de 27/10/1974. Ele fazia campanha a deputado estadual pela antiga Aliança Renovadora Nacional (ARENA) e não conseguiu se livrar de um caminhão que se atravessou na pista. Morreram também sua esposa e uma filha.

Dodge Dart de Everaldo tinha uma história: Após o título do México com a Seleção Brasileira, uma concessionária de Porto Alegre fez o anúncio que daria o carro de presente ao campeão mundial. O jogador soube do mimo no México e não esqueceu. Quando retornou da Copa, na porta e no alto da escada do avião da Varig, multidões em festa tomavam o Aeroporto Salgado Filho, autoridades o aguardavam, ele olhou em volta e perguntou:

- Cadê o meu Dodge Dart?

Depois do aeroporto, Everaldo recebeu a maior carreata já conferida a um jogador de futebol em Porto Alegre. Passou pela Rua dos Andradas, no alto de um caminhão da Água Charrua com a réplica da Copa do Mundo e com uma jaqueta de couro cru com franjas tipo cowboy trazida da viagem. Milhares o homenagearam, gremistas e colorados. Só após a carreata, Everaldo recebeu o Dodge Dart.

No dia 30/06/1970, seis dias após seu retorno do México, o Conselho Deliberativo do Grêmio, em uma sessão solene, perpetuou oficialmente a figura de Everaldo na história do clube, dedicando ao atleta a famosa estrela dourada na bandeira. Na ocasião, o jogador recebeu também o título de Atleta Laureado, além de duas cadeiras quitadas no Estádio Olímpico.

Títulos

Seleção Brasileira
  • 1967 - Copa Rio Branco
  • 1970 - Copa do Mundo

Grêmio
  • 1966 - Campeonato Gaúcho
  • 1967 - Campeonato Gaúcho
  • 1968 - Campeonato Gaúcho


Prêmios

  • 1970 - Bola de Prata da Revista Placar
  • 1972 - Prêmio Belfort Duarte


Indicação: Miguel Sampaio

João da Baiana

JOÃO MACHADO GUEDES
(86 anos)
Cantor, Compositor, Passista e Instrumentista

* Rio de Janeiro, RJ (17/05/1887)
+ Rio de Janeiro, RJ (12/01/1974)

João Machado Guedes, conhecido como João da Baiana, foi um compositor popular, cantor, passista e instrumentista brasileiro. Filho de Félix José Guedes e Perciliana Maria Constança. Seus avós, ex-escravos tinham uma quitanda de artigos afro-brasileiros no Largo da Sé. Sua mãe, conhecida pelo nome de Tia Perciliana, era baiana, donde surgiu seu apelido, João da Baiana, para distingui-lo de outros Joões do bairro.

Foi criado na Rua Senador Pompeu, no bairro da Cidade Nova, onde tomou lições de cartilha com Dona Maria Josefa. Na infância, teve como companheiros os futuros compositores Donga e Heitor dos Prazeres.

Seus pais constantemente promoviam festas de candomblé, para as quais deviam tirar licença com o chefe de polícia, pois na época o samba, a batucada e o candomblé eram manifestações proibidas. Sua mãe teve 12 filhos, todos baianos, exceto ele. Um de seus irmãos, o Mané, era palhaço do Circo Spinelli e tocava violão e cavaquinho. Uma de suas irmãs tocava violino.

João da Baiana começou a compor sambas desde garoto. Sua mãe apreciava os dotes do menino para a batucada, o candomblé e a macumba, dotes que o destacavam de seus irmãos. Iniciou-se no pandeiro, instrumento para o qual tinha grande aptidão.


João da Baiana foi o responsável pela introdução do pandeiro no samba. Segundo depoimento prestado ao Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, que abriu em 1966 o ciclo de depoimentos para a posteridade, de larga repercussão no Rio de Janeiro e em todo o país:

"Na época o pandeiro era só usado em orquestras. No samba quem introduziu fui eu mesmo. Isto mais ou menos quando eu tinha oito anos de idade e era Porta-machado no 'Dois de Ouro' e no 'Pedra do Sal'. Até então nas agremiações só tinha tamborim e assim mesmo era tamborim grande e de cabo. O pandeiro não era igual ao atual. O dessa época era bem maior."
"Eu sempre me dediquei ao pandeiro porque tinha amor ao ritmo. Os garotos formavam uma roda de samba e eu é quem tocava melhor o pandeiro."

Ainda menino, trabalhou no circo como chefe da claque dos garotos que respondiam ao "Hoje tem marmelada? Tem sim senhor!". Por essa época, passou a se dedicar à pintura, uma grande paixão do compositor. Aos nove anos, ingressou como aprendiz no Arsenal da Marinha. Deu baixa três anos mais tarde, passando então a trabalhar no 2º Batalhão de Artilharia, como ajudante de cocheiro sob o comando de Hermes da Fonseca, futuro Marechal e Presidente da República.

Em 1908, quando se apresentava na tradicional Festa da Penha, teve seu pandeiro apreendido pela polícia. O senador Pinheiro Machado, que era seu admirador e que freqüentemente promovia festas em "seu" palácio no Morro da Graça, o convidou para uma dessas festas e como ele não apareceu, quis saber o porque. Ao saber que o instrumentista tivera seu pandeiro apreendido, resolveu presenteá-lo com um novo padeiro, que trazia a seguinte inscrição: "Com a minha admiração, ao João da Baiana - Pinheiro Machado". Com essa dedicatória do senador, pôde voltar por diversas vezes à Festa da Penha, como integrante do Grupo do Malaquias, sem que a polícia fosse atormentá-lo.

Pixinguinha, João da Baiana e Donga
Além do pandeiros, sua especialidade era o prato e faca, populares nas gravações da época.

Algumas de suas composições da época foram "Pelo Amor da Mulata""Mulher Cruel""Pedindo Vingança" e "O Futuro é Uma Caveira".

Em 1910, passou a trabalhar no Cais do Porto, sendo promovido a fiscal, em 1920. Por esse motivo, não acompanhou Os Oito Batutas à Paris, pois não queria trocar seu emprego certo pela aventura.

Em 1924, compôs com Donga e Pixinguinha o samba "Mulher Cruel". Em 1928, ingressou no rádio como ritmista, tocando pandeiro, prato e faca, tendo atuado na Rádio Cajuti, Rádio Transmissora, Rádio Educadora e Rádio Philips.

Em 1930, teve o samba "Pelo Amor da Mulata", sua primeira composição, feita sete anos antes, gravado na Odeon por Patrício Teixeira, que gravou também no mesmo ano o samba "O Futuro é Uma Caveira".

Em 1931, passou a integrar o "Grupo da Guarda Velha", conjunto organizado por Pixinguinha que reuniu alguns dos maiores instrumentistas brasileiros da época. Realizaram quatro gravações na RCA Victor, acompanhando também grandes cantores como Carmen Miranda, Sílvio Caldas, Mário Reis, Jonjoca, Castro Barbosa, entre outros.

O primeiro disco da Guarda Velha, gravado em dezembro de 1931, trazia o partido alto "Há! Hu! Lahô" e a chula raiada "Patrão Prenda Seu Gado", as duas de sua parceria com Pixinguinha e Donga. Ainda no mesmo ano, gravou o samba "Viva Meu Orixá", no lado B de um disco que trazia no lado A, o cantor Francisco Sena interpretando, de sua autoria o samba "Convencida".

Em 1932, Patrício Teixeira gravou os sambas "Quem Faz a Deus Paga ao Diabo", "Cabide de Molambo" e "Ai Zezé", este uma parceria dos dois. A respeito do samba "Cabide de Molambo", afirmou em histórico depoimento ao Museu da Imagem e do Som:

 "Eu acho que este samba inspirou o Noel Rosa a fazer o 'Com Que Roupa'."

No mesmo ano, 1932, outras duas parcerias com Pixinguinha e Donga, a batucada "Já Andei" e a macumba "Que Queré", foram gravadas pelo Grupo da Guarda Velha, com Zaíra de Oliveira e Francisco Sena. Ainda em 1932, o cantor Francisco Sena lançou a batucada "Vi o Pombo Gemê" e a macumba "Xou Coringa".

João da Baiana atuou em vários conjuntos entre os quais o Grupo do Malaquias, o Grupo do Louro, o Conjunto dos Moles e o conjunto Alfredinho no Choro. Em fins de 1932, Pixinguinha organizou na RCA Victor a orquestra "Diabos do céu", com alguns dos integrantes do Grupo da Guarda Velha, grupo que estreou em disco acompanhando Carmen Miranda na gravação de "Etc", samba de Assis Valente.

Conhecedor do candomblé, gravou diversos corimás, com algumas palavras em dialeto africano, cantadas no início das sessões de candomblé.

Em 1936, seu samba "Seu Pai Não Quer" foi gravado na RCA Victor por Castro Barbosa.

Em 1937, Pixinguinha reuniu quatro músicos, Tute (violão de sete cordas), Luperce Miranda (cavaquinho), Valeriano (violão de seis cordas) e João da Baiana (pandeiro), formando o conjunto Os Cinco Companheiros, que atuou no Dancing Eldorado e no Palácio Guanabara com Vicente Celestino e Gilda de Abreu.

Em 1938, gravou na RCA Victor com seu conjunto, as macumbas "Sereia" e "Folha Por Folha", parcerias com Getúlio Marinho.


No ano de 1940, Leopoldo Stokowski solicitou a Heitor Villa-Lobos que selecionasse e reunisse os mais representativos artistas de Música Popular Brasileira, para gravação de músicas destinadas ao Congresso Pan-Americano de FolcloreHeitor Villa-Lobos incluiu no grupo escolhido a nata dos verdadeiros criadores nacionais de música: Pixinguinha, Cartola, Donga, João da Baiana e Zé Espinguela. As gravações realizaram-se na noite de 7 para 8 de agosto de 1940, a bordo do navio Uruguai atracado no Armazém 4. Foram registradas 40 músicas e apenas 16 chegaram ao disco, reproduzidas nos Estados Unidos em dois álbuns de quatro fonogramas cada um, sob o título "Columbia Presents - Native Brazilian Music - Leopold Stokowski".

Em 1950, seu tema afro-brasileiro "Ogum Nilê", com Raul Carrazatto, foi gravado pelo trio vocal Trigêmeos Vocalistas em disco Odeon.

Em 1952, lançou os ritmos afro brasileiros "Lamento de Inhançã" e "Lamento de Xangô", de sua autoria. Por quatro anos seguidos, gravou anualmente um disco intitulado "João da Baiana no Seu Terreiro", interpretando pontos de macumba de sua autoria.

Em 1954, Almirante organizou em São Paulo o I Festival da Velha Guarda, reunindo vários músicos veteranos. No II Festival da Velha Guarda, a caravana carioca formou em caráter regular um conjunto denominado Velha Guarda do qual faziam parte, alem dele, Pixinguinha, Donga, Alfredinho Flautim, entre outros.

Em 1955, alcançaram sucesso na Boate Casablanca, constituindo a grande atração do Show Zilco Ribeiro. Nesse mesmo ano, o grupo gravou seu primeiro LP na Sinter "A Velha Guarda" seguido de um outro "Carnaval da Velha Guarda".

Em 1957, lançou com Sussu pela Odeon o LP "Batuques e Pontos de Macumba", no qual interpretou "Quê, Quê, Rê, Quê, Quê", "O Cachimbo da Vovó", "Nanan Boroque" e "Amalá de Xangô", todos de sua autoria.

Em 1966, foi convidado por Ricardo Cravo Albin, depois do seu nome ter sido sufragado pela unanimidade do Conselho Superior de MPB do Museu da Imagem e do Som, para realizar o primeiro depoimento para a posteridade do Museu da Imagem e do Som, que não só abriu o ciclo como também definiria a estrutura principal do museu junto à opinião pública de todo o país. Este seu histórico depoimento obteve grande repercussão na imprensa e deu por inaugurado, junto à mídia, o próprio museu, então desconhecido.

Clementina de Jesus, Pixinguinha e João da Baiana
Em 1968, foi lançado o LP "Gente da Antiga", produzido por Hermínio Bello de Carvalho para a Odeon contando além de sua participação, com as de Clementina de Jesus e Pixinguinha, onde lançou, entre outras, as ancestrais "Cabide de Molambo" e "Batuque na Cozinha", depois regravada por Martinho da Vila.

No mesmo ano, lançou na "Bienal do Samba" da TV Record o samba "Quando a Polícia Chegar", defendido por Clementina de Jesus. Segundo Ricardo Cravo Albin, foi, além de exímio pandeirista, e além de uma doce e inesquecível figura humana, um dos grandes ritmistas do prato com faca, habilidade que aprendeu ainda na infância, por influência de uma tradição cultivada na Bahia.

João da Baiana casou-se e teve dois filhos que morreram ainda na infância.

Em 1972, foi recolhido à Casa dos Artistas, em Jacarepaguá, Rio de Janeiro, onde morreu dois anos depois.

Hoje em dia, alguns pertences do músico integram o acervo do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro. Entre eles está o prato e faca de João da Baiana (Coleção Almirante), instrumento que o consagrou.

Erlon Chaves

ERLON CHAVES
(40 anos)
Maestro, Arranjador, Instrumentista, Disk Jockey, Ator, Compositor e Cantor

* São Paulo, SP (09/12/1933)
+ Rio de Janeiro, RJ (14/11/1974)

Ainda bem pequeno, demonstrou gosto pela música, chegando a apresentar-se na Rádio Difusora de São Paulo, em um programa infantil. Foi ator mirim no filme "Quase No Céu" (1949). Começou a estudar música aos 7 anos, matriculando-se no Conservatório Musical Carlos Gomes, onde se formou em piano em 1950. Estudou também canto com a professora Tercina Saracceni. Ainda na década de 1950, estudou harmonia, tendo sido orientado pelos maestros Luís Arruda Pais, Renato de Oliveira e Rafael Pugliese.

Ingressou na carreira artística, como pianista de casas noturnas, na década de 1950, quando teve a oportunidade de conhecer muitos músicos e a desenvolver técnica jazzística.

Como cantor, fez sucesso, com a versão de "Matilda", calipso criado por Harry Belafonte, no final dos anos 1950.

Trabalhou até meados dos anos 1960 na TV Excelsior de São Paulo, compondo uma sinfonia que tornou-se prefixo da emissora por muitos anos.

Em 1965, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou na TV Tupi e na TV Rio. Nesta emissora, chegou a exercer a função de diretor musical, sendo um dos responsáveis pela realização do I Festival Internacional da Canção em 1966, evento para o qual compôs um prefixo até hoje utilizado em versões mais atuais dos festivais da TV Globo.

No V Festival Internacional da Canção, realizado pela TV Globo em 1970, regeu um coro de 40 vozes que posteriormente passou a atuar com o nome de Banda Veneno, acompanhando o cantor Jorge Ben. Fez sucesso com a música "Eu Também Quero Mocotó" (Jorge Ben) e seguiu carreira solo com grande êxito. Erlon Chaves foi acusado de assédio moral após uma cena em que é beijado por diversas loiras em apresentação na etapa internacional. Foi acusado pela ditadura militar brasileira. Neste festival estava presente o presidente da república, general Emílio Garrastazu Médici.

A imagem do povo brasileiro feliz seria veiculada para o mundo, em cores para a Europa e Estados Unidos. A ditadura militar brasileira não deixava dúvida, queria manter música e o espetáculo deste festival em prol da imagem que deveria ser painel para o mundo. Nesta época, Erlon Chaves estava namorando a então Miss Brasil de 1969, Vera Fischer.

Teve intensa atuação como arranjador, trabalhando em discos e shows de grandes nomes da música brasileira e internacional.

Em 1968, acompanhou Elis Regina em sua excursão a Paris, quando a cantora se apresentou no Olympia. Gravou com Paul Mauriat um LP contendo músicas brasileiras: "Águas de Março" (Tom Jobim e Paulo César Pinheiro), "Como Dois e Dois" (Caetano Veloso), "Construção" (Chico Buarque), "Dona Chica" (Dorival Caymmi) e "Testamento" (Toquinho e Vinícius de Moraes).

Em 1973, gravou pela Phillips o LP "As Dez Canções Medalha de Ouro", com destaque para "Casa no Campo" (Zé Rodrix e Tavito) e "Amada Amante" (Roberto Carlos e Erasmo Carlos).

Erlon Chaves era amigo de Wilson Simonal, Jairzinho e de Carlos Alberto. Sempre estiveram juntos e se reuniam para conversar. Os dois últimos são campeões da Copa do Mundo de 1970, do México.

Erlon Chaves faleceu em 14/11/1974 vítima de infarto fulminante quando discutia (dizem que defendia) com um grupo de forma emocionada a polêmica em torno dos acontecimentos com o Wilson Simonal, aos 40 anos.


Discografia

  • 1959 - Em Tempo de Samba - Erlon Chaves e Sua Orquestra
  • 1965 - Sabadabada
  • 1965 - Alaíde Costa (Participação Como Arranjador)
  • 1971 - Banda Veneno
  • 1972-1974 - Banda Veneno Internacional

Coletânea

  • 1999 - Millennium: Erlon Chaves


Tema de Telenovela

  • 1966 - "O Sheik de Agadir" (TV Globo, autor da Música Tema)
  • 1966 - "Eu Compro Esta Mulher" (Música Tema)
  • 1970 - "Pigmalião 70" (TV Globo. Na trilha sonora da novela consta a participação de Erlon Chaves e Orquestra, nas músicas "Tema de Cristina", "Tema de Nando e Candinha" e "Povos", todas de autoria do maestro)


Tema de Filme

  • 1973 - "Aladim e a Lâmpada Maravilhosa" (Renato Aragão e Dedé Santana)



José Mendes

JOSÉ MENDES
(34 anos)
Cantor, Compositor e Ator

☼ Lagoa Vermelha, RS (20/04/1939)
┼ Pelotas, RS (15/02/1974)

José Mendes foi um cantor e compositor brasileiro de música regional gaúcha. Nasceu na localidade de Machadinho, no município gaúcho de Lagoa Vermelha, RS. Com a separação dos pais, mudou-se para a cidade de Santa Terezinha, no distrito de Esmeralda, em 1944, passando a residir com pais adotivos.

Viveu em Santa Terezinha, RS, durante 14 anos, período no qual trabalhou como peão de estância e começou a fazer suas primeiras serenatas. Começou a se interessar pela música aos 14 anos, formando pouco depois, com um amigo, uma dupla amadora chamada Os Irmãos Teixeira.

Em 1958, foi prestar o serviço militar e mudou então para a cidade de Vacaria, onde se fixou depois do serviço militar, decidindo, então, seguir a carreira artística.

Iniciou a carreira artística em 1960, quando se mudou para a cidade de Júlio de Castilhos, onde formou o trio Os Seresteiros do Pampa.

Em 1962, depois de excursionar pelo nordeste do Rio Grande do Sul e por algumas cidades de Santa Catarina, decidiu que era hora de gravar um disco, ou abandonar a carreira. Pediu dinheiro emprestado ao fazendeiro Irineu Nery da Luz, que lhe cedeu a quantia de 20 mil cruzeiros, para viajar até São Paulo. Na capital paulista, dormiu vários dias em bancos da rodoviária, alimentando-se de pão e banana. Conheceu então os radialistas Zé Tomé da Rádio Tupi, e Teixeira Filho da Rádio Cultura, e os artistas Pedro Bento & Zé da Estrada, Zilo & Zalo, Palmeira, então diretor artístico da gravadora Continental, Biá, além do acordeonista Alberto Calçada, que tocou acordeom em seu primeiro disco.


Apresentou suas composições a Palmeira que o levou para gravar o disco pela Continental, aconselhando-o a colocar as músicas que eram todas dele em parceria com radialistas de São Paulo e Rio de Janeiro, para que tivessem divulgação. Utilizando o nome artístico de Gaúcho Seresteiro, gravou o LP "Passeando de Pago em Pago", uma autêntica crônica de suas viagens pelo Rio Grande do Sul. Nesse disco, gravou doze composições, todas de sua autoria, mas que acabaram aparecendo com diferentes parceiros, todos radialistas.

Depois da gravação do disco, retornou para a cidade gaúcha de Vacaria e, logo em seguida, mudou-se para a cidade de Porto Alegre, onde chegou a dormir dentro de carros em uma garagem na qual trabalhava um amigo. Começou a fazer apresentações em cidades do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, a fim de divulgar o disco, fazendo isso por cinco anos.

Em Porto Alegre, apresentou-se em diversos programas de rádio, entre os quais, "Festa na Roça" apresentado por Nelson Souza na Rádio Itay, e "Programa Grande Rodeio Coringa", na Rádio Farroupilha, no qual conheceu Darcy Fagundes e Luiz Menezes que se tornaram grandes amigos seus. Nesse período, participou de várias caravanas artísticas ao lado de nomes como Aírton Pimentel, Os Araganos, Velho Mirongueiro, Os MirinsLuís Müller, Portela Delavy, e as duplas Milton e Almerinda e Xará e Timbaúva, entre outros.

Numa dessas viagens, em companhia de Portela Delavy e Luís Müller, ocorreu um episódio que mudaria sua vida. Viajavam de Kombi para a realização de um show, quando o carro quebrou e tiveram que pegar um ônibus. A certa altura dois peões começaram a discutir até que um deles, para terminar o assunto falou: "Pára Pedro", e tornou a repetir "Pedro, Pára". Estava dado o mote para ele e Portela Delavy comporem o xote "Pára, Pedro". A música foi apresentada primeiramente no programa radiofônico "Grande Rodeio Coringa" causando grande impacto, recebendo o incentivo de todos para que a gravasse.


Em 1967, voltou a São Paulo, a fim de gravar seu segundo disco. Foi recusado pela Continental e pela Chantecler, até que a gravadora Copacabana resolveu lançar "Pára Pedro" em compacto simples. O disco tornou-se rapidamente um grande sucesso nacional e internacional, sendo regravado em diversos gêneros, por diferentes cantores na América Latina. O compacto vendeu mais de 600 mil cópias e se tornou o disco mais vendido do ano, o que lhe valeu da TV Gaúcha o "Troféu de Consagração Popular". Na época, uma reportagem da revista O Cruzeiro dava conta da enorme popularidade alcançada por ele. No mesmo ano, lançou o LP "Pára Pedro". Nessa época, assim referiu-se a revista Contigo sobre ele:

"Surge um vaqueiro sulino com melodias regionais, de chimarrão e bombacha, largando uma tremenda lenha em todo mundo, fazendo cair por terra as previsões de preferência popular. No bar, no cabeleireiro  em casa, no escritório ou à saída da missa, todos assobiam e cantarolam a história do Pedro que entrou numa festa lá na fazenda da Ramada. Todos querem imitar a velha apaixonada, no Pára Pedro! Pedro, Pára!"

Em 1968, lançou, também pela Copacabana, o LP "Não Aperta, Aparício". Visitou o Rio de Janeiro e apresentou-se no Programa do Chacrinha. Participou da coletânea "Carnaval Copacabana", que contou as presenças de diversos artistas como Ângela Maria, Gilberto Alves, Carequinha, e Roberto Silva, interpretando "Pedro no Carnaval", de sua autoria e "Maria Antonieta", em parceria com Paulo Finger.

José Mendes e Otávio Rodrigues
Em 1969, atuou no filme "Pára, Pedro!", baseado em sua música, filmado pela produtora Leopoldis-Som, com roteiro de Antônio Augusto Fagundes e direção de Pereira Dias, sendo esse, o primeiro longa metragem colorido produzido no Rio Grande do Sul. O filme foi um grande sucesso, permanecendo em cartaz por 23 semanas no Rio Grande do Sul, antes de se lançado no Rio de Janeiro. Ainda em 1969, lançou pela Copacabana seu quarto LP, "Andarengo". Atuou no filme "Não Aperta Aparício", baseado na sua música homônima, filme com direção de Pereira Dias e que contou, entre outros, com as participações de Grande Otelo e José Lewgoy, sendo também um grande sucesso.

Em 1970, desfrutando de intensa popularidade, fez shows em quase todas as cidades gaúchas, além de se apresentar em Santa Catarina, Paraná, Amazonas, São Paulo e Rio de Janeiro. Nesse ano, tornou-se, juntamente com o cantor Altemar Dutra, o artista brasileiro com disco mais tocado em Portugal. Foi convidado para desfilar na Escola de Samba Unidos de Vila Isabel, saindo como destaque ao lado de Martinho da Vila no enredo "Glórias Gaúchas". Ainda nesse ano, lançou o LP "Mocinho do Cinema Gaúcho".

Uma outra comprovação do sucesso da música "Pára, Pedro" foi o lançamento, na época, dos bonecos com o nome "Pára, Pedro". Além disso, polícia carioca desencadeou a "Operação Pára, Pedro!" nos morros cariocas, e o cantor Wilson Simonal, que gravou a música, chegou a comprar um carro da marca Mustang com os rendimentos obtidos com a gravação. Suas músicas foram tocadas a partir de Portugal, na Áustria, Suécia, Suíça e Bélgica.

Em 1971, gravou o LP "Gauchadas" com sete composições de sua autoria.

Em 1972, fez seu terceiro filme, "A Morte Não Marca Tempo", tendo como música de abertura a "Balada da Solidão", parceria com Pereira Dias. O filme foi lançado em abril de 1973.

Em 1973, lançou, pela Continental, o LP "Isto é Integração".

Morte

José Mendes faleceu em 1974, no auge do sucesso, quando a camionete Veraneio na qual viajava com mais três pessoas, voltando do show em um circo na cidade de Pelotas, colidiu de frente com um ônibus na altura de Porto Novo na rodovia Rio Grande-Pelotas.

Nesse ano de 1974, foi editado o LP "Adeus Pampa Querido", uma cópia do seu primeiro disco "Passeando de Pago em Pago" com as substituições das músicas "Passeando de Pago em Pago", por "Adeus Pampa Querido", versão sua, para música de F. Canaro, M. Mores e Pelay, e "Excursão Catarinense", substituída pela "Balada da Solidão".

Em 1979, suas músicas "Carancho" e "Baile de Campanha" foram incluídas no LP "Gauchíssimo - Vol. 4", da Musicolor/Continental, que contou com participações de diversos artistas gaúchos entre os quais, Os Milongueiros, Gildo de Freitas, e Berenice Azambuja.

Em 2002, José Mendes foi homenageado com a publicação do livro "Pára, Pedro - José Mendes - Vida e Obra", de Ajadil Costa. Nesse livro, o autor afirma que:

"Passados quase 30 anos é firme a devoção ao mito José Mendes. Existem hoje diversos louvores em todo o Rio Grande, em sua lembrança: nome de ruas em diversas cidades espalhadas pelo Estado. Homenagens em diversos programas de rádio e festividades em muitas cidades exaltando sua memória."

Em 2004, em sua homenagem, foi feita a cavalgada "José Mendes de Volta a Querência", uma iniciativa da Prefeitura Municipal de Esmeralda e da Universidade de Caxias do Sul, com coordenação de Nilson Hoffmann. A cavalgada destinou-se a transladar os restos mortais do cantor e compositor enterrado em Porto Alegre, para a cidade de Santa Tereza, seu berço natal.

Em 2006, o "Memorial José Mendes", localizado no município de Esmeralda, foi transformado em patrimônio cultural do Estado do Rio Grande do Sul.

Discografia

  • 1974 - Adeus Pampa Querido (LP, Continental)
  • 1973 - Isto é Integração (LP, Continental)
  • 1971 - Gauchadas (LP, Continental)
  • 1970 - Mocinho do Cinema Gaúcho (LP, Continental)
  • 1969 - Andarengo (LP, Continental)
  • 1968 - Não Aperta, Aparício (LP, Continental)
  • 1967 - Pá...ra Pedro (LP, Continental)
  • 1962 - Passeando de Pago em Pago (LP, Continental)

Filmografia

  • 1969 - Para Pedro
  • 1969 - Não Aperta Aparício
  • 1972 - A Morte Não Marca Tempo

Indicação: Miguel Sampaio

Cândido Fontoura

CÂNDIDO FONTOURA SILVEIRA
(88 anos)
Farmacêutico e Empresário

* Bragança Paulista, SP (14/05/1885)
+ São Paulo, SP (05/03/1974)

Cândido Fontoura Silveira foi um farmacêutico e empresário brasileiro. Fundou o Instituto Medicamento Fontoura em 1915 e, posteriormente, as Indústrias Farmacêuticas Fontoura-Wyeth dedicada à produção de penicilina, inseticidas, entre eles o célebre Detefon, entre outros.

Em sua homenagem foi batizado o Hospital Infantil Cândido Fontoura localizado no bairro da Mooca, na cidade de São Paulo.

A biografia de Cândido Fontoura contém registros emocionantes, que relatam de forma clara e precisa seus ideais, compromissos éticos, vocação empresarial e educacional, além de sua liderança e atuação nas entidades associativas e da categoria empresarial, no início do período conhecido como a época dourada das descobertas.

Quem foi? O inventor do famoso Biotônico Fontoura foi o farmacêutico bragantino chamado Cândido Fontoura. Conhecido simplesmente como "Tio Candinho", ele se formou, em 1905, pela Escola de Farmácia, Odontologia e Obstetrícia de São Paulo, depois incorporada pela Universidade de São Paulo (USP).

O médico Orlando Parahym e Cândido Fontoura
Em 1910, Drº Cândido Fontoura deixou Bragança Paulista para estabelecer-se na Capital paulista, onde montaria o Laboratório Fontoura & Serpe para a produção deste produto. Após formar-se em São Paulo, retornou a Bragança Paulista e com demais colegas sentiu a falta de uma sociedade esportiva de futebol nesta cidade para que os jovens da época pudessem exercitar o corpo.

Em 02/08/1908 o Jornal Cidade de Bragança estampou pela primeira vez em suas páginas uma notícia vinculada ao futebol. Em 06/08/1908 foi realizado o I Match Training do Sport Club, primeiro time bragantino de futebol na várzea do Lavapés.

Cândido Fontoura era um dos 18 jogadores em campo, cumpre notar que não é de regra jogar com times formados por nove jogadores, mas como o futebol está principiando e para não arrefecer o entusiasmo dos novos futebolistas, o árbitro assim determinou, de acordo comum com os capitães dos times.

A nova sociedade esportiva foi constituída por mais de 50 sócios entre eles o farmacêutico Ernesto de Almeida, major Ernesto Assis, Drº Alfredo Teixeira, Drº Simião Stytila Jr., Francisco Martins Ferreira eleito presidente e o então ainda não famoso Drº Cândido Fontoura.

O Sport Club teve vida curta, porém um dos mais ilustres bragantinos fez parte da história do nascimento do futebol em Bragança Paulista: o Drº Cândido Fontoura.

Biotônico Fontoura

Desde meados dos anos 90, o Biotônico Fontoura havia se tornado marca do portfólio da DM Farmacêutica, que posteriormente foi vendida ao Hypermarcas que ainda produz e comercializa o produto no Brasil.

No ano de 2010 o Biotônico Fontoura completou 100 anos e entrou para a lista de medicamentos mais antigos ainda em circulação no Brasil.

O slogan do produto era "Ferro Para o Sangue e Fósforo Para os Músculos e Nervos" e seu jingle era "Bê, á, bá. Bê, e, bé. Bê, i, Bi... otônico Fontoura!", composto em 1978.

Cândido Fontoura, em 1910, fundou em São Paulo uma fábrica para a produção de um fortificante que havia criado para o tratamento de sua esposa que estava com a saúde fragilizada. Queria um produto com qualidades semelhantes ao Elixir Nogueira ou a Emulsão Scott, seus concorrentes. O nome Biotônico Fontoura foi dado por Monteiro Lobato famoso escritor e amigo profissional do farmacêutico Cândido Fontoura. Ambos trabalhavam no jornal O Estado de S. PauloMonteiro Lobato sentia-se muito cansado quando Cândido Fontoura indicou o medicamento ao amigo e este sentiu-se mais animado.


Posteriormente foi criado o "Almanaque Fontoura" que trouxe o personagem de Monteiro Lobato, o Jeca Tatuzinho, baseado no Jeca Tatu que o autor criara na literatura. O almanaque divulgava o laboratório e pregava uma campanha contra a ancilostomose.

Durante a vigência da Lei Seca, o Biotônico Fontoura foi exportado para os Estados Unidos. Como se tratava de um produto medicinal, sua comercialização e consumo eram liberados. Ainda que muitos o considerem superestimado, Cândido Fontoura contava que ganhou muito dinheiro com o negócio. Não há registros da quantidade exportada.

Sua fórmula original continha 19,5% de álcool etílico e em 2001 a Anvisa proibiu álcool em formulações destinadas às crianças. Nesta época o produto continha 9,5% de álcool etílico.

A fórmula atual contém: extrato glicólico de Aloe Perryi, Commiphora Myrrha, Myristica Fragans e Cinnamomum Zeylanicon, além de Sulfato Ferroso heptahidratado e Ácido Fosfórico.

Almanaque Fontoura

Almanaque do Biotônico Fontoura, popularmente conhecido apenas por Almanaque Fontoura, foi uma revista anual de divulgação publicitária do Biotônico Fontoura, distribuído gratuitamente como brinde pelas farmácias do país, de conteúdo recreativo e informativo de curiosidades.

Editado e ilustrado por Monteiro Lobato, o Almanaque Fontoura teve a sua primeira publicação em 1920, numa tiragem de cinquenta mil exemplares.

A sua tiragem foi crescendo a ponto de entre as décadas de 1930 a 1970 terem sido distribuídos entre 2,5 a 3 milhões de almanaques. No ano de 1982 sua tiragem foi de cem milhões de exemplares.

O Almanaque trazia um conteúdo variado, como horóscopo, dias bons para a pesca (fases da lua), passatempos e até história em quadrinhos, como a que retratava o personagem lobatiana Jeca Tatuzinho, baseada em sua criação, Jeca Tatu.

"O tempo não cessa de correr. Os anos se sucedem, 1943 já lá se foi. Estamos em 1944, e mais uma vez aparece o Almanaque do Biotônico, por intermédio do qual o Instituto Medicamenta, de São Paulo, deseja aos seus amigos todas as venturas e a maior prosperidade. E como a base da vida é a saúde, aconselho aos leitores o uso do fortificante que dá saúde, força, vigor..."

(Almanaque Fontoura, 1944)

Fonte: Wikipédia e Arquivo BDJ
Indicação: Simone Cristina Firmino

Armanda Álvaro Alberto

ARMANDA ÁLVARO ALBERTO
(81 anos)
Educadora e Militante Feminista

* Rio de Janeiro, RJ (10/06/1892)
+ Rio de Janeiro, RJ (05/02/1974)

Armanda Alvaro Alberto nasceu no Rio de Janeiro em 1892, falecendo na mesma cidade em 1974. Pertencia a uma família de classe média alta, sendo que ela e o irmão não frequentaram escolas na infância, pois a mãe se responsabilizou por sua educação escolar.

Aos 36 anos, casou-se com Edgar Süssekind de Mendonça, não adotando o sobrenome do marido, por defender posição de setores do movimento feminista brasileiro.

A educadora empreendeu iniciativas inovadoras na área educacional. Projetou-se no cenário educacional, em 1921, graças a uma experiência desenvolvida em Duque de Caxias, distrito de São João de Meriti, na Escola Proletária de Meriti, fundada em 13/02/1921, numa comunidade rural, sem condições de vida e bastante precária. Em 1923, esta escola passou a denominar-se Escola Regional de Meriti, e ficou conhecida como "Mate com Angu", por ter sido uma das primeiras escolas da América Latina a servir merenda escolar. A inovação demonstrou a preocupação de Armanda com o bem-estar e a saúde das crianças. Eram seus princípios, explicitados em documento redigido em abril de 1925: saúde, alegria, trabalho e solidariedade.

A merenda não era a única novidade. Influenciada pelo Método Montessori e antecipando a chegada das teorias da Escola Nova no Brasil, a diretora procurou transformar o espaço num laboratório educacional. Os alunos ficavam na escola no horário integral e ajudavam no cultivo de hortas e criação de animais como o bicho-da-seda.

O trabalho ali desenvolvido propiciava uma oportunidade das mulheres contribuírem para a formação da nacionalidade, participando da cruzada cívica de combate ao analfabetismo. A escola era mantida por sócios contribuintes, benfeitores e fornecedores da Fundação Álvaro Alberto.

A despeito das transformações sofridas nas cinco décadas de funcionamento, a instituição permaneceu fiel a suas características de servir à população até que foi absorvida, após enfrentar sérios problemas financeiros, por uma organização denominada Instituto Central do Povo, em 1971. Atualmente, a Escola funciona vinculada à rede municipal de Duque de Caxias, no mesmo local de sua criação, sob o nome Escola Municipal Drº Álvaro Alberto.

Cabe lembrar que Armanda estava entre os signatários do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, de 1932, cujo objetivo era determinar diretrizes para a educação nacional. No Conselho Diretor da Associação Brasileira de Educação, junto com Edgar Sussekind de Mendonça e Francisco Venâncio Filho, defendeu uma postura de neutralidade política e religiosa da entidade. Armanda também foi quem criou a primeira biblioteca de Duque de Caxias.

Militância

Por suas lutas políticas em prol da educação laica e dos direitos da mulher, a imprensa nacional a identificou como subversiva e comunista, na década de 30 do século passado, e o mesmo acontecendo com seu marido Edgar Süssekind de Mendonça.

Nesta época, já presidente da Associação Brasileira de Educação (ABE) e integrante da Aliança Nacional Libertadora (ALN), Armanda militou na Liga Anticlerical do Rio de Janeiro, ao lado do marido, Edgar Süssekind de Mendonça.

Ao lado de Eugênia Álvaro Moreyra, fundou a União Feminina do Brasil (UFB), da qual foi a primeira presidente.

À frente da União Feminina do Brasil (UFB), defendeu uma união entre "mulheres educadoras, intelectuais e tralhadoras", e criticou outras associações feministas como "inócuas, outras ligadas a correntes partidárias explorando a angustiosa situação da mulher, pregando um estreito feminismo que consiste em cumular o homem em si e nele ver um 'inimigo' da mulher".

Tanto a União Feminina do Brasil (UFB) quanto a Aliança Nacional Libertadora (ALN) eram alvo de perseguição por parte da Delegacia Especial de Segurança Política e Social (DESPS) do Estado Novo. As duas organizações foram postas na ilegalidade pelo Decreto 229, de 1935.

Em outubro de 1936, foi presa como suspeita de ligação com o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e de participação na Revolução Comunista de 1935. Permaneceu na Casa de Detenção do Rio de Janeiro até junho de 1937, tendo como companheiras de cárcere Olga Benário PrestesMaria Werneck de Castro, entre outras.

De Volta à Escola

Depois de sair da prisão, Armanda procurou retomar as atividades na direção da Escola Regional de Meriti. Em 1938, porém, as autoridades impediram a assembleia anual da Fundação Álvaro Alberto, que reunia os mantenedores da escola. A alternativa encontrada foi promover atividades na Biblioteca Euclydes da Cunha, como forma de mobilização da comunidade.

Após a redemocratização do país, foi aos poucos retomando as atividades públicas, colaborando com manifestos e reivindicações.

Em 1949, representou a Associação Brasileira de Educação na organização do III Congresso Infanto-Juvenil de Escritores. Na ocasião, dirigiu suas principais críticas às histórias em quadrinhos, que considerava "sub-literatura" e nociva à formação das crianças. Ao mesmo tempo, defendia a valorização de autores brasileiros, como Monteiro Lobato. Sete anos depois, porém, ela mesma assinaria um parecer da Comissão de Meios Auxiliares ao Ensino recomendando a Enciclopédia dos Quadrinhos (1956).

Em 1964, diante das dificuldades para manter a Escola Regional de Meriti, tentou transferi-la para o governo estadual. No entanto, não houve consenso para a manutenção da instituição nos moldes em que fora concebida, e a negociação foi encerrada.

Após a morte de Armanda, a Escola Regional de Meriti foi doada para o Instituto Central do Povo. Atualmente é mantida em parceria com a prefeitura e tem o nome de Escola Municipal Drº Álvaro Alberto.

Fonte: Wikipédia e Faculdade de Educação Universidade Federal do Rio de Janeiro

Marina Freire

MARINA DA CUNHA FREIRE JUNQUEIRA FRANCO
(63 anos)
Atriz

* São Paulo, SP (06/06/1910)
+ São Paulo, SP (02/05/1974)

Marina Freire começou a carreira artística em 1938, no teatro, convidada por Alfredo Mesquita para participar da peça "Casa Assombrada". Pioneira do movimento brasileiro de renovação teatral, foi uma das fundadoras do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), ao atuar na peça "A Mulher do Próximo", de Abílio Pereira de Almeida, tendo tido atuação marcante não apenas no teatro, mas também no cinema e na televisão.

Marina Freire atuou, também, nas peças "O Banquete", "O Grilo na Lareira", "Uma Mulher do Outro Mundo", "O Avarento", "Nick Bar", "Antígona", "Arsênico e Alfazema" e "A Margem da Vida". Nessa última peça recebeu o Prêmio Governador do Estado.

No cinema Marina Freire atuou em vários filmes da Cia Vera Cruz, entre eles "Tico-Tico no Fubá", "Sinhá Moça", "Floradas na Serra" e "Família Lero-Lero".

Marina Freire trabalhou também em peças encenadas para a televisão e nas novelas "A Fábrica" (1971), "Toninho On The Rocks" (1970), "Nino, O Italianinho", "Estrelas No Chão" (1967), "A Ponte de Waterloo" (1967), "David Copperfield" (1958).

Tico-Tico no Fubá (1952)
Cinema

  • 1972 - A Infidelidade ao Alcance de Todos
  • 1971 - Lua-de-Mel e Amendoim ... Dona Regina
  • 1968 - Vidas Estranhas
  • 1968 - O Quarto
  • 1967 - A Desforra
  • 1965 - O Puritano da Rua Augusta ... Raimunda
  • 1963 - Noites Quentes de Copacabana
  • 1963 - Casinha Pequenina ... Josefina
  • 1960 - Dona Violante Miranda ... Boneca
  • 1958 - Macumba na Alta
  • 1957 - Absolutamente Certo ... Clarice
  • 1957 - Osso, Amor e Papagaio
  • 1954 - Floradas na Serra ... Sofia
  • 1953 - A Família Lero-Lero ... Isolina
  • 1953 - Esquina da Ilusão
  • 1953 - Sinhá Moça
  • 1952 - Tico-Tico no Fubá ... Amália

Sinhá Moça (1953)
Televisão

  • 1971 - A Fábrica ... Emilinha
  • 1970 - Toninho On The Rocks
  • 1969 - Nino, o Italianinho ... Luísa
  • 1967 - Estrelas no Chão
  • 1967 - A Ponte de Waterloo
  • 1958 - David Copperfield