Ary Lobo

GABRIEL EUSÉBIO DOS SANTOS LOBO
(50 anos)
Cantor e Compositor

* Belém, PA (14/08/1930)
+ Fortaleza, CE (22/08/1980)

Gabriel Eusébio dos Santos Lobo, mais conhecido como Ary Lobo, foi um cantor e compositor brasileiro.

Ary Lobo foi daqueles gênios que raramente nascem nos dias atuais, o maior compositor de forró da história, com mais de 700 músicas gravadas por ele e outros cantores, músicos e intérpretes. Um defensor da música nordestina de raiz. Suas gravações são o retrato disso, a começar pelos instrumentos usados. Ele não ousava muito, já tinha sua fórmula montada.

De estilo semelhante ao de Jackson do Pandeiro, cantando derivativos do baião, entre cocos e rojões, Ary Lobo lançou varios sucessos nos anos 50 e 60 em seus nove LPs na RCA Victor. Retratava a vida e os costumes nordestinos em diversas canções, como "Cheiro da Gasolina", "Vendedor de Caranguejo", "Eu Vou Pra Lua", "Súplica Cearense", "Evoluçao", "Menino Prodigio", entre outros.

Ary Lobo, antes de se tornar popular como cantor, exercia as mais diversas profissões, incluindo a de mecânico e músico corneteiro na Força Aérea Brasileira. Ao se apresentar em um concurso de calouros na Rádio Clube do Pará, de Belém, como era de se esperar, foi feliz em sua primeira apresentação. Fazia parte do conjunto Namorados Tropicais.

Em certa ocasião, cantou no Teatro Arthur Azevedo, em show de curta temporada na cidade de São Luiz do Maranhão, e eis que na platéia encontrava-se ninguém menos que Luiz Gonzaga, o "Rei do Baião", que logo de cara gostou da bossa de Ary Lobo, fazendo-lhe então um convite para acompanhá-lo ao Rio de Janeiro, convite este que não foi aceito pois Ary Lobo tinha muitos compromissos.

Um ano depois, apareceu em Belém o conhecido compositor Pires Cavalcante, que reforçou o que todos já diziam. O jovem  Ary Lobo arrumou as malas e partiu para o Rio de Janeiro. Assinou contrato com a RCA Victor e em 1958 gravou seu primeiro disco, que foi o pontapé para a sua carreira musical.  Por intermédio do compositor e pianista Gadé, apresentou-se na Rádio Mauá

Em seu primeiro disco, pela  RCA Victor, interpretou o batuque "Sentinela do Mar" (Alventino Cavancânti e Hilton Simões) e o rojão "Forró do Cabo Gato" (Barbosa da Silva e José Pereira). No ano seguinte gravou os cocos "Paulo Afonso" e "Pedido a Padre Cícero" (Gordurinha) e o rojão "O Criador" (Edgar Ferreira).

Em 1960 gravou  o coco "A Mulher Que Vendia Siri" (Elias Ramos e Severino Ramos). Gravou também no mesmo ano a primeira composição de sua autoria, o rojão "Eu Vou Pra Lua", parceria com Luiz de França. No ano seguinte gravou "Coco Decente" da dupla Miguel Lima e João Silva.

Em 1961 gravou, pela RCA Victor, de Claudionor Martins e Osvaldo de Oliveira, o samba-choro "Eis o Conselho", e de Antônio Bezerra e Júlio Ricardo, o rojão "Riviolândia".

Em 1962 compôs em parceria com Jacinto Silva o rojão "Moça de Hoje", gravado no mesmo disco em que registrou o bolero "Pedido a São Jorge" (Ari Monteiro). No ano seguinte gravou a toada "Quem Encosta em Deus Não Cai" (João do Vale, José Ferreira e Ari Monteiro) e o arrasta-pé "Mané Cazuza" (Rosil Cavalcânti).

Em 1964 gravou o LP que popularizou dois de seus grandes sucessos como cantor, "Último Pau-de-Arara" (Venâncio, Corumba e J. Guimarães) e "Vendedor de Carangueijo" (Gordurinha).

Dois anos depois compôs com Luiz Boquinha "Quem é o Campeão", faixa título do LP que lançou na RCA Victor naquele mesmo ano. Em 2000 sua composição "Eu Vou Pra Lua" foi regravada por Zé Ramalho no CD "Nação Nordestina".

Ary Lobo morreu aos 50 anos de idade, no dia 22 de agosto de 1980, em Fortaleza, CE.