Colé Santana

PETRÔNIO ROSA SANTANA
(82 anos)
Ator, Produtor, Diretor, Humorista e Artista Circense

☼ Cruzeiro, SP (01/12/1919)
┼ Rio de Janeiro, RJ (29/08/2000)

Petrônio Rosa Santana, mais conhecido por Colé Santana, foi um ator, produtor, diretor teatral, humorista e artista circense brasileiro nascido em Cruzeiro, SP, no dia 01/12/1919.

De família circense, Colé Santana se destacou como ator cômico no teatro de revista dos anos 40 e 50.

Estreou no circo aos 12 anos, como ajudante de palhaço, com a função de distrair a platéia enquanto os cenários eram trocados: sua falta de graça lhe rendeu o apelido de Picolé. No picadeiro, trabalhou também como acrobata e adestrador de elefantes.

Estreou no teatro no fim dos anos 30, na Companhia Típica Brasil, na qual ficou até 1940, quando entrou para a Companhia de Carambola e assumiu o pseudônimo de Santana Júnior.

Em 1941 assinou contrato com Jardel Jércolis e estreou em sua companhia na revista "Filhas de Eva", de Jardel Jércolis e Custódio Mesquita. Nesse conjunto, viajou pelo Brasil e adotou o nome artístico de Colé. Ao voltar para o Rio de Janeiro, em 1942, teve seu primeiro sucesso cômico na revista "Hoje Tem Marmelada", de Jardel Jércolis e Luiz Peixoto.

No Teatro de Revista o ator se consagrou com o tipo malandro e mulherengo que o levou para o rádio e o cinema. Em seguida foi contratado pelo empresário Chianca de Garcia e atuou ao lado de Dercy Gonçalves, Grande Otelo e Virgínia Lane em espetáculos como "O Rei do Samba" (1947), de Chianca de Garcia e Joaquim Maia, e "Um Milhão de Mulheres", de J. Maia e Humberto Cunha, que foi reencenado durante três anos, ambos com direção de Olavo de Barros.

Na década de 50, orientado por Procópio Ferreira, montou companhia própria. Um de seus maiores êxitos, sempre no gênero da revista, é "Gente Bem e Champanhota" (1955), de J. Rui, Humberto Cunha e Colé, sátira ligeira à elite social da época.

Nos anos 60 e 70, Colé Santana voltou sua carreira para a televisão, onde participou de programas humorísticos.

Colé Santana tem representativa participação em cinema, tendo atuado em "O Cortiço" (1945), adaptação de Luiz de Barros para o romance de Aluísio de Azevedo, a primeira chanchada "Segura Esta Mulher" (1946), direção de Watson Macedo, "Estou Aí" (1948), direção de Cajado Filho, "O Falso Detetive" (1951), direção de Cajado Filho, "Mulher de Verdade" (1954), direção de Alberto Cavalcanti, "O Gigante da América" (1978), de Júlio Bressane, "Tabu" (1983), em que faz o papel de Oswald de Andrade, "Brás Cubas" (1985), "Lili, a Estrela do Crime" (1988), direção de Lui Farias, "Escorpião Escarlate" (1991), direção de Ivan Cardoso.

Colé Santana era tio de Dedé Santana.

Colé Santana faleceu no dia 29/08/2000, no Rio de Janeiro, RJ, aos 82 anos, vítima de falência múltipla dos órgãos.

Coronel Ludugero

LUIZ JACINTO SILVA
(41 anos)
Humorista

* Caruaru, PE (1929)
+ Belém, PA (14/03/1970)

Durante longo tempo interpretou o personagem Coronel Ludugero, criação de Luiz Queiroga, passando a confundir-se com o próprio personagem.

Luiz Jacinto foi escoteiro aos dez anos e estudou no Colégio de Caruaru (hoje Colégio Diocesano), onde concluiu o curso ginasial. Começou a trabalhar ajudando o pai a fazer selas de cavalo, mas não seguiu a profissão.

Com 12 anos foi trabalhar numa padaria entregando pão e, em seguida foi ajudante de pedreiro. Com 16 anos foi para os correios entregar telegramas. Nessa época serviu em São Bento do Una e Sirinhaém, cidades de Pernambuco. Morou em Palmeira dos Índios-AL onde ele começou sua jornada.

Aos 18 anos foi morar no Recife, onde fez um concurso para telegrafista. Embora não tenha sido aprovado, foi aproveitado pelos correios porque sabia taquigrafia. Permaneceu no órgão até ingressar na vida artística.

Ínicio da Carreira

Luiz Jacinto começou sua vida artística na Rádio Clube de Pernambuco, onde fazia o programa das 12h30min sob o patrocínio da Manteiga Turvo.

Em 1960 conheceu Luiz Queiroga, que, com o incentivo do radialista Hilton Marques, criou o personagem Coronel Ludugero.

Logo no início, o Coronel Ludugero se apresentava sozinho, mas logo depois conheceu também Irandir Peres Costa (Otrópe).

Apesar de muita gente não saber, e o personagem de "Dona Felomena" ser mais conhecido com a atriz Mercedes Del Prado, nos primeiros programas o mesmo personagem, com o nome de Dona Rosinha, era interpretado por Rosa Maria, outra atriz de muito talento.

Coronel Ludugero

Retratava com bom humor a figura lendária dos coronéis, muitos dos quais pertenciam à Guarda Nacional e gozavam de grande prestígio junto a população. Era um homem simples de poucas palavras, amante da verdade e sincero. Gabava-se de si próprio.

Contador de histórias fantásticas, era casado com Dona Filomena. Bom aboiador, bom cantador de viola e poeta. Mantinha um secretário (Otrópe) que o orientava nos negócios e nas questões políticas. Ludugero se sentia feliz em contar histórias, dando expansão ao seu gênio brincalhão, quando não estava em crises de impaciência e nervosismo.

Morte

No dia 14/03/1970, morre Luiz Jacinto e Irandir Costa, com toda sua equipe, vítima de desastre aéreo na Baía de Guajará , em Belém do Pará. O corpo de Jacinto só foi encontrado no dia 30 de março e sepultado um dia depois, em Caruaru.

Depois da morte do Coronel Ludugero e de Otrópe, lançaram-se outros personagens tentando resgatar o riso perdido com a triste tragédia. Entre eles, Coroné Ludrú e Gerômo, Coroné Caruá e Altenes, Seu Pajeú e Zé Macambira, esses com a produção e direção de Luiz Queiroga.

Mas, até hoje, os personagens são lembrados e revividos em épocas juninas por atores amadores e admiradores dos tipos.

Na cidade de Caruaru foi criada, na Vila do Forró, a miniatura da casa do Coronel Ludugero e da Véia Felomena, onde é grande a visitação por turistas. Durante os festejos juninos desta cidade podem ser vistos personagens caracterizados, desfilando pelas ruas, relembrando esses artistas. Mas a saudade ficou pra sempre.

Fonte: Wikipédia


Cuberos Neto

FRANCISCO CUBEROS NETO
(86 anos)
Ator

☼ São Paulo, SP (18/02/1924)
┼ São Paulo, SP (20/08/2010)

Cuberos Neto foi ator e um eterno anarquista, como ele mesmo se definia, nascido em São Paulo, SP, no dia 18/02/1924.

Concluiu o curso de teatro em 1959, no Teatro de Arena, e estreou profissionalmente no ano seguinte na peça "Nega de Maloca". No teatro fez sucesso na versão de "Gota D'água" (1977-1978), ao lado de Bibi Ferreira e grande elenco.

Na TV estreou em 1961 no seriado "O Vigilante Rodoviário" e depois atuou em novelas da TV Excelsior, TV Record, TV Tupi e TV Bandeirantes, onde fez "Sangue do Meu Sangue" (1969), "Os Fidalgos da Casa Mourisca" (1972), "A Viagem" (1975), "Ovelha Negra" (1975), "Gaivotas" (1979) e "Um Homem Muito Especial" (1980).


Cuberos Neto também fez cinema onde participou de "O Sexualista" (1975), "Ainda Agarro Esse Machão" (1975), "Tiradentes, o Mártir da Independência" (1976), "Os Três Boiadeiros" (1979), "Gaijin, os Caminhos da Liberdade" (1980), "A Virgem e o Bem Dotado" (1980) e "E a Vaca Foi Para o Brejo" (1981).

Na TV seu último trabalho foi na minissérie "Música ao Longe" em 1982 e no cinema no curta metragem "Autofagia".

Cuberos Neto faleceu em São Paulo, aos 86 anos, no dia 20/08/2010, vítima de uma pneumonia, agravada por um Mal de Parkinson.

Fonte: Estel Negre 

Denny Perrier

DENIS ROBERT STANISLAS PERRIER
(42 anos)
Ator

* Paris, França (01/11/1950)
+ Rio de Janeiro, RJ (1992)

Com o nome de Denny Perrier atuou no cinema e na TV a partir do final da década de 70. A estréia foi no cinema com "Fim de Festa" (1978) mas em seguida iria para a TV Globo onde estreou em "Dancin' Days" (1978) em um pequeno papel como Alberto Carlos.

No cinema, atuou em filmes como "Memórias do Cárcere" (1984), "Estranho Jogo do Sexo" (1983), "Escalada da Violência" (1982), "Os Três Mosqueteiros Trapalhões" (1980), "A Deusa Negra" (1978) e "Fim de Festa" (1978).

Na TV, Denny Perrier trabalhou em "Marquesa de Santos" (1984) na TV Manchete, "Roque Santeiro" (1985), "Os Gigantes" (1979), "Memórias de Amor" (1979) e "Dancin' Days" (1978), todas na TV Globo.

Participou também de várias fotonovelas e deu aulas de interpretação para atores no Rio de Janeiro na década de 80.

Sua morte mereceu apenas uma pequena nota no jornal "O Globo" e as informações são de que o ator teria morrido vítima da AIDS.

Alfredo Murphy

ALFREDO MUTSCHAEWSKI
(64 anos)
Ator

* Santa Catarina, SC (02/05/1929)
+ Rio de Janeiro, RJ (11/10/1993)

Alfredo Murphy foi um ator de cinema e de TV. O seu primeiro filme foi "O Quinto Poder" em 1962 e, depois, participou de "O Tropeiro", "Tô na Tua ô Bicho!", "Aventuras Com Tio Maneco" e "O Coronel e o Lobisomem".

Sempre contratado da TV Globo, Alfredo Murphy fez tele-teatros no começo da emissora e estreou em novelas em 1975, vivendo o mau caráter Sandoval em "Pecado Capital", de Janete Clair.

Alfredo Murphy especializou-se em personagens maus e, em seguida, fez as novelas "Duas Vidas" em 1976, "O Pulo do Gato" em 1978, "Terras do Sem Fim" em 1981, "Paraíso" em 1982, o Benjamin de "A Gata Comeu" em 1985 e o Mergulhão de "Pacto de Sangue" em 1989.

Alfredo Murphy era casado com Lúcia, desde 1972.

Faleceu vítima de câncer no estômago, no Hospital São Lucas, em Copacabana, no Rio de Janeiro.

Fonte: Projeto VIP

Alfredo Murphy e José de Araújo (Abolição, 1988)

Alberto Perez

ALBERTO PEREZ
(74 anos)
Ator e Dublador

☼ Rio de Janeiro, RJ (18/05/1928)
┼ Rio de Janeiro, RJ (2002)

Alberto Perez foi um ator e dublador nascido no Rio de Janeiro, RJ, no dia 18/05/1928. Alberto Perez foi um dos atores pioneiros da televisão brasileira. Foi um dos primeiros galãs da nossa televisão e depois se tornou um importante diretor de dublagem, responsável por famosas séries dos anos 80, como "Magnum", "Casal 20", "Carro Comando", "Chumbo Grosso", entre outras.

Alberto Perez, um nome importante do cinema nacional na década de 50, participou de várias comédias de grande bilheteria como "Com Água na Boca" (1956), "Fuzileiro do Amor" (1956), "O Homem do Sputinik" (1959) e "Mulheres, Cheguei!" (1959).

Ao mesmo tempo ele fazia pequenas intervenções na TV, para a qual passou a se dedicar mais na década de 70, após fazer a novela "Senhora" (1975) na TV Globo. A partir daí tornou-se um nome conhecido e sempre presente, principalmente nas novelas de época das 18h00. Além de "Senhora" (1975) ele participou de "Vejo a Lua no Céu" (1976), onde teve seu melhor papel como Seu Pedro, o pai do personagem principal vivido por Eduardo Tornaghi e "Terras do Sem Fim" (1981).

Aracy Cardoso e Alberto Pérez (Vejo a Lua no Céu, 1976)
Televisão

  • 1999 - Terra Nostra
  • 1996 - Você Decide
  • 1996 - Quem é Você ... Samuca
  • 1995 - Escolinha do Professor Raimundo ... Geninho
  • 1986 - Chico Anysio Show ... Baltazar
  • 1985 - A Gata Comeu
  • 1981 - Terras do Sem-Fim
  • 1977 - Chico City
  • 1976 - Duas Vidas ... Raul Barbosa
  • 1976 - Vejo a Lua no Céu ... Seu Pedro
  • 1975 - Senhora ... Lemos
  • 1970 - E Nós Aonde Vamos?
  • 1969 - Enquanto Houver Estrelas ... Artur
  • 1969 - O Retrato de Laura
  • 1959 - Trágica Mentira
  • 1955 - As Professoras

Fonte: Wikipédia

Rogério Cardoso

ROGÉRIO CARDOSO FURTADO
(66 anos)
Ator, Humorista e Compositor

☼ Mococa, SP (07/03/1937)
┼ Rio de Janeiro, RJ (24/07/2003)

Rogério Cardoso Furtado foi um ator e humorista brasileiro nascido em Mococa, SP, no dia 07/03/1937.

Começou a carreira em 1958 no teatro, e ao todo chegou a fazer mais de quarenta peças. A carreira televisiva teve início em 1963 na TV Excelsior, onde participou dos programas humorísticos "A Cidade Se Diverte", "Moacyr Franco Show" e "Times Square". Na TV Record, fez a "Praça da Alegria".

É também lembrado, por, na década de 70, ter estrelado um comercial cômico da Volkswagen Variant.


Com seus personagens sempre cômicos e marcantes, conseguiu conquistar o gosto do público. Entre eles, o estudante Rolando Lero do programa "Escolinha do Professor Raimundo", liderado por Chico Anysio, na TV Globo. Um de seus bordões mais famosos era: "Captei Vossa Mensagem Amado Mestre!".

Seu outro grande personagem de sucesso veio interpretando o Salgadinho, na telenovela "Explode Coração" (1995). O êxito do personagem o motivou a tentar carreira na política, elegendo-se vereador pelo PSDB do Rio de Janeiro, em 1996.

Seu último trabalho na televisão, era ao lado da atriz Nair Bello no programa "Zorra Total", onde interpretava o personagem Epitáfio, e aparecia toda semana na televisão com o personagem Seu Flô, no programa "A Grande Família", um dos mais tradicionais da TV Globo.

Rogério Cardoso também se destacou como compositor. Um dos seus sucessos é muito cantado e conhecido mas poucos sabem que é de sua autoria, a música "Pequeno Mundo", versão brasileira da música "It's a Small World" da Disney.

Rolando Lero

Rolando Lero é um dos personagens da "Escolinha do Professor Raimundo", que era interpretado por Rogério Cardoso. Este personagem fazia graça "enrolando" o Professor Raimundo, já que ele nunca sabia as respostas. O personagem contribuiu com o bordão "Captei vossa mensagem, amado guru!" e variantes, que acabaram por se tornar parte da fraseologia do português falado no Brasil.

A participação do personagem dá-se da mesma forma que com a maioria dos demais alunos da escolinha. O professor o chama para responder uma pergunta e então ele levanta e diz o bordão saudando o mestre.

Após ouvir a pergunta, que geralmente não sabe a resposta correta, Rolando Lero conta alguma história, contorna a pergunta e a devolve para o professor, tentando sensibilizá-lo com dramaturgia. O professor, um pouco impaciente, resolve dar uma dica e diz a primeira sílaba da palavra que é a resposta.

Aí então Rolando Lero diz ter captado a mensagem, mas ele sempre interpreta mal e completa a palavra com uma resposta errada. Por fim, o Professor Raimundo pede para o aluno Ptolomeu, personagem estilo nerd que sempre tem as respostas corretas, para responder a pergunta. Ao ouvir a resposta correta de Ptolomeu, Rolando Lero demonstra sua repulsa ao colega.

Na cultura popular brasileira, advogados levam fama de falarem demais e tentarem enrolar outras pessoas com discursos cheio de palavras pomposas e vazio de significado. O discurso do Rolando Lero tem exatamente a mesma característica. Ele dispõe de um vocabulário rebuscado e elitizado, mas que demonstra ser pobre de conhecimento. Seu discurso é uma tentativa de ludibriar o professor.

Morte

Rogério Cardoso faleceu vítima de um infarto fulminante, no dia 27/07/2003, em sua casa no bairro de Copacabana, Rio de Janeiro, aos 66 anos.

Rogério Cardoso possuía antigas complicações cardíacas. Ele tinha uma ponte de safena havia nove anos e se submeteu a uma cirurgia para colocação de um stent em fevereiro de 2003.

Sua esposa, Isabel, que dormia a seu lado, contou que Rogério Cardoso sentou-se na cama e em seguida tombou sobre seu corpo.

O corpo de Rogério Cardoso foi velado na Câmara Municipal e sepultado no Cemitério Municipal de sua cidade natal, Mococa, SP.

Ele deixou três filhos e seis netos.

Fonte: Wikipédia

Afonso Brazza

JOSÉ AFONSO DOS SANTOS FILHO
(48 anos)
Ator, Cineasta e Bombeiro

☼ São João do Piauí, PI (17/04/1955)
┼ Gama, DF (29/07/2003)

José Afonso dos Santos Filho, mais conhecido por Afonso Brazza, foi um ator, cineasta e bombeiro brasileiro nascido em São João do Piauí, no dia 17/04/1955.

Em 1969, aos 12 anos, Afonso Brazza decidiu ganhar o mundo e sair do Gama. Os pais vindos do Piauí eram fazendeiros, mas decidiram tentar a vida no Planalto Central. Afonso Brazza viveu uma infância difícil, já que seu pai abandonou a família quando tinha 5 anos.
"Tinha muita revolta naquela época. Minha mãe lavava roupa pra manter todo mundo. Conseguiu nos educar bem pois ninguém seguiu o caminho errado!"
Afonso Brazza aprendeu tudo que sabe sobre cinema dentro de um dos principais movimentos do cinema nacional dos anos 70, desenvolvido na Boca do Lixo, em São Paulo.

"Depois de 1980, quando o movimento da Boca começou a cair, o cinema nacional nunca mais viveu um período como aquele, com mais de 50 filmes lançados por ano", disse ele, que morou na Avenida Rio Branco, de 1969 a 1980, época de grande efervescência cinematográfica nas ruas próximas à Estação da Luz, como a Vitória, a do Triunfo e à antiga rodoviária de São Paulo.


O local foi batizado de Boca do Lixo e ganhou seu destaque no cinema brasileiro por flertar com o cinema marginal e experimental, produzindo cerca de 700 filmes de 1972 a 1982.

Com o dinheiro acumulado da venda de picolés, Afonso Brazza se vestiu com uma roupa social e burlou a vigilância, chegando de ônibus à antiga rodoviária paulistana.
"Estava arrumado, sabia conversar, e aí pedi informações sobre onde ficava o pessoal do cinema!"
Acabou parando no Brás, onde José Mojica Marins mantinha um escritório. O criador do Zé do Caixão simpatizou com Afonso Brazza, o que fez com que ele começasse a trabalhar junto ao meio cinematográfico.
"Encontrei a arte na rua do Triunfo!"
A agitação do local iria influenciá-lo em toda a sua produção.
"Via aquelas viaturas saindo de madrugada atrás dos vagabundos rasgando pneu... pô, aquilo era cena de filme. Tinha um pouco de prostituição, mas havia os pontos de encontros, o Bar Soberano, o do Saci, era muito gostoso viver tudo aquilo!"
Afonso Brazza e Claudette Joubert
Afonso Brazza foi casado com a paranaense Claudette Joubert, que trabalhou como modelo, atuou em comerciais de televisão e iniciou-se no cinema ao lado de Vera Fischer, em "Sinal Vermelho, as Fêmeas" (1972), de Fauzi Mansur, atuando em outros 23 filmes produzidos na Boca do Lixo, como "O Exorcista de Mulheres" (1974), "As Amantes de um Canalha" (1977) e "Os Violentadores" (1978), os três de Tony VieiraClaudette Joubert marcou presença em vários filmes de Afonso Brazza.

Afonso Brazza foi bombeiro, mas como grande apaixonado por cinema dedicou-se à produção de filmes de baixíssimo orçamento. Atuou em três longas de Tony Vieira, "A Filha do Padre" (1975), "Traídas Pelo Desejo" (1976) e "As Amantes de um Canalha" (1977), em "O Trapalhão no Planalto dos Macacos" (1976), de J. B. Tanko, em "A Terceira Margem do Rio" (1994), de Nelson Pereira dos Santos, e em "Surfista Invisível", de Juliana Mundin.

Como diretor e protagonista realizou "O Matador de Escravos" (1982), "Os Navarros" (1985), "Santhion Nunca Morre" (1991), "Inferno no Gama" (1993), "Gringo Não Perdoa, Mata" (1995), "No Eixo da Morte" (1997) e "Tortura Selvagem - A Grade" (2001).

Afonso Brazza sempre foi um "faz-tudo", interferindo em todas as etapas da realização de seus filmes.

Em 2002, ganhou uma retrospectiva de sua obra em Brasília.


Seu filme "Tortura Selvagem" custou 240 mil reais, um recorde para os padrões de Afonso Brazza. Em Brasília, o filme se manteve em uma sala de cinema por quatro semanas, com mais de dois mil ingressos vendidos, performance não alcançada por seus concorrentes do momento: "Memórias Póstumas", de André Klotzel, e "Domésticas", de Fernando Meirelles e Nando Olival.

Perguntado sobre a fama respondeu:
"Eu não quero fama. Eu quero estar sempre na memória das pessoas, mas lentamente. A fama leva à destruição, é instantânea e, por isso mesmo, faz mal, faz você passar por cima de tudo, inclusive dos amigos. A fama é curta. Eu quero admiração e respeito. É uma fama simples, do meu jeito!"
(Afonso Brazza)

Afonso Brazza faleceu aos 48 anos no Gama, DF, no dia 29/07/2003, vítima de parada cardiorrespiratória causada por um câncer no esôfago.

Quando faleceu, Afonso Brazza deixou o 8º filme, o longa metragem "Fuga Sem Destino", inacabado. O cineasta Pedro Lacerda conseguiu concluir o seu filme 3 anos após a sua morte.

Curiosidades

Uma das coisas mais peculiares dos filmes de Afonso Brazza era seu ''desleixo'' com as cenas. Um exemplo é uma cena onde a espada de um dos vilões quebrou enquanto se rodava o filme, Afonso Brazza optou por continuar a cena mesmo com a espada quebrada.

Em ''A Tortura Selvagem'' (2001), seu filme de maior sucesso, alguns dos atores não tiveram roteiro de fala em algumas cenas, o que deixou bastante nítido o improviso, coisa que para Afonso Brazza era muito importante, fazia parte da essência de seus filmes. Muitos de seus filmes contavam com a proatividade e criatividade do próprio ator, o que necessitava de espontaneidade.

Afonso Brazza se preocupava muito em mostrar os pontos turísticos e mais históricos de Brasília, chegando em diversas cenas somente fazer uma tomada geral com os personagens, por mais que nada acontecesse naquela cena. Ele foi o único a fazer isso.

Ainda em ''Tortura Selvagem'' (2001), uma das cenas do filme é editada de maneira no mínimo cômica: A cena onde Fábio Marreco entra no recinto com seus capangas. Esta cena foi colocada duas vezes, aonde num pico rápido pode-se perceber ele entrando. A edição propositalmente meia-boca sempre esteve presente em seus filmes, algumas das vezes não havia linearidade de cenas nos filmes de Afonso Brazza. Uma cena se passava com aquele personagem e, logo após, outra cena com o mesmo personagem já em outro lugar completamente diferente e, logo após, novamente na cena anterior, era comum e intencional.

Filmografia

Como Diretor
  • 2002 - Fuga Sem Destino
  • 2001 - Tortura Selvagem - A Grade
  • 1998 - O Eixo da Morte
  • 1995 - Gringo Não Perdoa, Mata
  • 1993 - Inferno no Gama
  • 1991 - Santhion Nunca Morre
  • 1985 - Os Navarros em Trevas de Pistoleiros Entre Sexo e Violência
  • 1982 - O Matador de Escravos

Como Ator
  • 2002 - Fuga Sem Destino
  • 2001 - Tortura Selvagem - A Grade
  • 2000 - Surfista Invisível (curta-metragem)
  • 1998 - O Eixo da Morte
  • 1995 - Gringo Não Perdoa, Mata
  • 1993 - Inferno no Gama
  • 1991 - Santhion Nunca Morre
  • 1985 - Os Navarros em Trevas de Pistoleiros Entre Sexo e Violência
  • 1982 - O Matador de Escravos
  • 1977 - As Amantes de Um Canalha
  • 1976 - O Trapalhão no Planalto dos Macacos
  • 1976 - Traídas Pelo Desejo
  • 1975 - A Filha do Padre

Carlos Kroeber

CARLOS HENRIQUE KROEBER
(64 anos)
Ator

☼ Belo Horizonte, MG (20/09/1934)
┼ Rio de Janeiro, RJ (13/06/1999)

Carlos Kroeber foi um ator brasileiro nascido em Belo Horizonte, MG, no dia 20/09/1934.

Carlos Kroeber atuou em cinema, teatro e televisão. Foi um dos fundadores do Teatro Experimental, em Belo Horizonte, em 1955.

Carlos Kroeber foi um dos atores mais atuantes do cinema nacional, fez mais de 60 filmes em 30 anos de carreira. Fez também teatro e televisão, ganhando vários prêmios como melhor ator e melhor coadjuvante, principalmente no cinema.

A estréia de Carlos Kroeber no cinema foi no final da década de 60 em "O Homem Que Comprou o Mundo" (1968). Atuou em 1997 no filme "Navalha na Carne", adaptação para as telas da peça de Plínio Marcos.

O primeiro prêmio como melhor ator veio em 1971 com o papel principal no filme "A Casa Assassinada" (1971).

Na televisão, Carlos Kroeber chegou apenas em 1976 como o Frei Damasceno da novela "Estúpido Cupido" na TV Globo, e na mesma emissora, fez ainda mais 20 novelas e quatro minisséries.

Carlos Kroeber faleceu no dia 13/06/1999, aos 64 anos, no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, depois de permanecer quase dois meses internado no CTI do hospital com insuficiência respiratória e cardíaca.

Carlos Kroeber, Kátia D'Angelo e Ana Lúcia Torres em "As Três Marias" 1980.
Televisão

  • 1998 - Labirinto Juiz
  • 1998 - Torre de Babel ... Drº Navarro
  • 1995 - Engraçadinha... Seus Amores e Seus Pecados
  • 1995 - História de Amor ... Remador
  • 1994 - A Viagem ... Juiz
  • 1994 - Pátria Minha ... Cristiano
  • 1993 - Sonho Meu ... Varela
  • 1992 - Glückliche Reise
  • 1992 - Deus nos Acuda ... Alberto
  • 1992 - Perigosas Peruas ... Michelângelo
  • 1990 - Rainha da Sucata ... Conde Giacomo di Lampedusa
  • 1990 - Barriga de Aluguel ... Ramiro
  • 1989 - República ... Dom Pedro II
  • 1989 - O Sexo dos Anjos ... Nascimento
  • 1989 - Que Rei Sou Eu? ... Dom Curro de la Grana
  • 1988 - Fera Radical ... Drº Nogueira
  • 1987 - Mandala ... Drº Henrique
  • 1986 - Cambalacho ... Delegado
  • 1986 - Roda de Fogo ... Werner Benson
  • 1985 - O Tempo e o Vento ... Nepomuceno
  • 1985 - Um Sonho a Mais ... Pedro Ernesto
  • 1984 - Amor Com Amor Se Paga ... Anselmo
  • 1984 - Transas e Caretas ... Dom Manuel
  • 1983 - Guerra dos Sexos ... Moisés
  • 1982 - Sol de Verão ... Hilário
  • 1982 - Sétimo Sentido ... Antônio Rivoredo
  • 1981 - Terras do Sem-Fim ... Sinhô Badaró
  • 1981 - Baila Comigo ... Gerente de Banco
  • 1980 - As Três Marias ... Olímpio
  • 1979 - Pai Herói ... Tiago
  • 1978 - O Pulo do Gato ... Pacheco
  • 1976 - Anjo Mau ... Conrado Medeiros
  • 1976 - Estúpido Cupido ... Frei Damasceno

Cinema

  • 1990 - O Quinto Macaco ... Mr. Garcia
  • 1988 - Jardim de Alah
  • 1987 - Vera
  • 1987 - Running Out Of Luck
  • 1986 - Por Incrível Que Pareça
  • 1985 - Chico Rei ... Governador
  • 1984 - Noites do Sertão
  • 1984 - O Cavalinho Azul
  • 1984 - Quilombo
  • 1982 - Tessa, a Gata
  • 1982 - Luz del Fuego ... Trancoso
  • 1981 - Bonitinha Mas Ordinária ... Drº Werneck
  • 1979 - Bye Bye Brasil
  • 1979 - Muito Prazer
  • 1979 - Massacre em Caxias
  • 1978 - O Bandido Antonio Dó
  • 1977 - Anchieta, José do Brasil
  • 1977 - Gente Fina é Outra Coisa
  • 1976 - Soledade, a Bagaceira
  • 1976 - Um Brasileiro Chamado Rosaflor
  • 1976 - O Casamento ... Padre Bernardo
  • 1976 - Gordos e Magros ... Carlão / Carlinhos
  • 1976 - Feminino Plural
  • 1976 - Tem Alguém na Minha Cama
  • 1975 - O Padre Que Queria Pecar
  • 1975 - As Loucuras de um Sedutor
  • 1975 - Guerra Conjugal ... João Bicha
  • 1975 - Quem Tem Medo de Lobisomem? ... Leão
  • 1975 - A Extorsão
  • 1974 - Um Homem Célebre
  • 1974 - O Marginal
  • 1974 - O Filho do Chefão
  • 1974 - Motel
  • 1973 - Joanna Francesa ... Aureliano
  • 1973 - Os Primeiros Momentos
  • 1972 - Som Amor e Curtição
  • 1972 - Os Inconfidentes ... Alvarenga Peixoto
  • 1971 - A Casa Assassinada ... Timóteo
  • 1971 - Rua Descalça
  • 1970 - É Simonal
  • 1969 - Navalha na Carne
  • 1968 - O Homem que Comprou o Mundo

Fonte: Wikipédia