Tony Vieira

MAURI DE OLIVEIRA QUEIROZ
(52 anos)
Ator, Diretor e Produtor

* Dores do Indaiá, MG (1938) 
+ Contagem, MG (1990)

Mauri de Oliveira Queiroz, mais conhecido como Tony Vieira, foi um ator, diretor e produtor de cinema brasileiro. Seus filmes eram do estilo faroeste e policiais que retratavam a Boca do Lixo paulistana.

Ao fugir de casa, na pequena Dores do Indaiá, no Oeste de Minas, aos 12 anos de idade, o menino Mauri de Oliveira Queiroz, que mais tarde se tornaria Tony Vieira, começava uma história de lutas, que o levaria ao topo da chamada "sétima arte", se tornando um dos expoentes do cinema brasileiro nas décadas de 70 e 80.


O sonho de se tornar artista, levou Tony Vieira a seguir um circo, quando garoto, ainda jovem, aportou em Contagem, onde trabalhou na Transportadora Vitória e na Companhia de Cimentos Portland Itaú, onde começou a carreira de ator no grupo teatral da empresa, indo, em seguida, fazer parte do "cast" da antiga TV Itacolomi, em Belo Horizonte.


O Início Da Carreira

A mudança na vida de Tony Vieira veio com um convite do diretor do grupo, José Sebastião Carneiro Filho, para fazer testes na TV Itacolomi, em Belo Horizonte. Sua insistência, mesmo após sucessivas reprovações, o levou a trabalhar na telenovela "A Garrafa Do Diabo". Anos depois, o sucesso o conduziu a São Paulo, apoiado por Moacyr Franco. Atuou em filmes de Mazzaropi e logo consagrou sua imagem de "durão", em aventuras como "Panca De Valente" (1968) e "Uma Pistola Para Djeca" (1969).

Na metrópole paulistana, conheceu também a Boca do Lixo, onde realizou seu primeiro longa-metragem, "Gringo, O Último Matador" (1972).


O Sucesso

Tony Vieira produzia, protagonizava e também dirigia, mas não gostava muito dessa função. Em entrevista à Folha da Tarde, durante o lançamento de "O Exorcista De Mulheres" (1974), justificou por que, mesmo sem gostar, preferia dirigir seus filmes:

"Para o meu tipo de filme, não encontro o diretor adequado. No Brasil, há bons diretores para dramas, comédias, fitas intimistas... Mas, para policiais e westerns, não."

Seu primeiro trabalho como produtor foi "Gringo, O Matador Erótico" (1972). Fundou a Produtora MQ, das iniciais de seu nome verdadeiro, mas alegadamente para "Marca e Qualidade", que realizou cerca de 20 filmes policiais e faroestes, de baixo orçamento mas grande apelo popular:

"Faço o que o povo gosta. Vejam as rendas. E eu, inicialmente, atendo o público. Quando tiver dinheiro até para perder, farei o filme que eu gosto."

Ele, sua mulher, a atriz Claudete Joubert, que depois se tornaria esposa de Afonso Brazza, e o comediante Heitor Gaiotti, compunham um trio de aventureiros que aparecia em quase todos os seus filmes.


O Cineasta

Para assistir e assimilar a obra de Tony Vieira, é preciso conhecer um pouco de sua história de vida e artística, que bem poderia ser argumento ideal para o roteiro de um longa-metragem. Mas, especificamente sobre sua obra, o cineasta se aventurou na criação de histórias bastante ecléticas, flutuando entre os gêneros policial, faroeste e erótico.

Entre 1972 e 1988, Tony Vieira realizou 32 filmes, sendo diretor, produtor, roteirista e ator em seus filmes, a maioria deles chamados de "western feijoada", versão erotizada, que fazia para o conhecido estilo de filmes de faroeste americano. Exemplos marcantes são os conhecidos "A Filha Do Padre", "Os Violentadores", "Sob O Domínio Do Sexo", "Traídos Pelo Desejo" e "Os Depravados", esses dois últimos feitos em Contagem, MG.

Com orçamento baixo e forte apelo popular, os filmes de Tony Vieira batiam de frente com a pornochanchada nacional, conseguindo arrebatar grande público na época, sendo que em 1978, emplacou dois filmes na lista das 50 maiores bilheterias, publicada pela revista Filme Cultura. "Torturadas Pelo Sexo" e "As Amantes De Um Canalha", ficaram logo abaixo da lista encabeçada pelo clássico de Lima Barreto, "Dona Flor E Seus Dois Maridos".

Em 1988, Tony Vieira realizou seu último filme "Calibre 12", sendo que em 1990 retornou para Contagem, onde logo em seguida faleceu, aos 52 anos.

Mesmo com relevante passagem na construção do cinema brasileiro, desde o período do Cinema da Boca do Lixo, na Rua Triumpho, em São Paulo, onde Tony Vieira, que conviveu com nomes de peso do cinema como Glauber Rocha e José Mojica Marins, dentre outros, acabou sendo esquecido, assim como sua obra.


Legado

Números da Agência Nacional do Cinema (Ancine) dão a Tony Vieira o status de diretor brasileiro com mais filmes na lista de público entre 500 mil e 1 milhão de espectadores. Seu filme mais bem-sucedido, "Desejo Proibido" (1974), levou aos cinemas mais de 1 milhão de espectadores.

Em 2009, a prefeitura de Contagem, cidade onde Tony Vieira passou parte da adolescência, rodou dois filmes - "Traídas Pelo Desejo" (1976) e "Os Depravados" (1978) - e morreu, promoveu a exposição Tony Vieira - Cineasta de Contagem, com acervo cedido por Hytagiba Carneiro, amigo de Tony Vieira, desde os tempos da Companhia de Cimentos Portland Itaú, de quem atuou em vários filmes e preservou fitas e objetos.

Em 2010, esse material foi exposto na Casa dos Contos, em Ouro Preto.


Filmografia

  • 1988 - Calibre 12
  • 1988 - A Famosa Língua De Ouro
  • 1987 - Eu Adoro Esta Cobra
  • 1987 - Julie... Sexo À Vontade
  • 1987 - Scandalou's Das Libertinas
  • 1986 - Garotas Da Boca Quente
  • 1986 - Meninas Da B... Doce
  • 1985 - Banho De Língua
  • 1985 - Neurose Sexual
  • 1986 - Venha Brincar Comigo
  • 1984 - Meninas De Programa
  • 1984 - Prostituídas Pelo Vício
  • 1983 - Corrupção De Menores
  • 1982 - As Amantes De Helen
  • 1982 - Desejos Sexuais De Elza
  • 1982 - Susy... Sexo Ardente
  • 1981 - Condenada Por Um Desejo
  • 1980 - Tortura Cruel
  • 1979 - O Matador Sexual
  • 1979 - O Último Cão De Guerra
  • 1978 - Os Depravados
  • 1978 - Os Violentadores
  • 1977 - As Amantes De Um Canalha
  • 1976 - Torturadas Pelo Sexo
  • 1976 - Traídas Pelo Desejo
  • 1975 - A Filha Do Padre
  • 1975 - Os Pilantras Da Noite
  • 1974 - O Exorcista De Mulheres
  • 1973 - Desejo Proibido
  • 1973 - Sob O Domínio Do Sexo
  • 1972 - Gringo, O Último Matador


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