Riva Nimitz

RIVA NIMITZ
(56 anos)
Atriz

* São Paulo, SP (28/12/1936)
+ São Paulo, SP (09/10/1993)

Riva Nimitz iniciou a carreira artística no teatro, nos anos 50. Nos palcos construiu uma notável trajetória que incluiu momentos memoráveis como sua a atuação no Teatro de Arena, com sucessos como "Eles Não Usam Black-Tie", de Gianfrancesco Guarnieri, em 1958.

Em 1954 estreou no cinema no filme "A Sogra". Em 1962 atuou em uma obra-prima do cinema brasileiro, o curta "Couro de Gato". Na década de 70, depois de longo tempo afastada das telas, Riva Nimitz atuou na pornochanchada "Viúvas Precisam de Consolo".

Ainda que sua carreira tenha sido mais voltada ao teatro e televisão, deixou registrado seu talento em dois grandes momentos da história do cinema brasileiro nos filmes, "Cinco Vezes Favela" (1962) e "O Homem do Pau Brasil" (1981). Sua última participação em cinema foi no filme "Fogo e Paixão" (1988), com belissíma atuação.

Riva Nimitz, o esposo e o filho
Ainda na década de 50 estreou na televisão, onde desenvolveu extensa carreira em diversas emissoras como TV Tupi, TV Globo, TV Bandeirantes e SBT. Um de seus maiores sucessos na telinha foi a vilã Dona Elza de "A Pequena Órfã", em 1968.

Teve atuações importantes em novelas como "O Machão", "Vidas Cruzadas", "A Grande Viagem", "O Espantalho", "Os Imigrantes", entre outras. No início da década de 90, na extinta Rede Manchete, atuou nas novelas "Kananga do Japão" (1989) e "A História de Ana Raio e Zé Trovão" (1990).

Riva Nimitz faleceu aos 56 anos, em São Paulo vítima de Insuficiência Cardíaca.

Fonte: Wikipédia

Kléber Macedo

KLÉBER MACÊDO
(69 anos)
Atriz

* Rio de Janeiro, RJ (27/04/1934)
+ Rio de Janeiro, RJ (2003)

Kléber Macedo começou no teatro na década de 50 e fez sua estréia nas telas em 1955 na comédia "A Carrocinha". Só voltou ao cinema dez anos depois participando de "São Paulo S/A", de Luis Sérgio Person que era considerado um dos melhores filmes nacionais da década de 60, estrelado por Walmor Chagas e Eva Wilma.

Ida Gomes, Kléber Macedo e  Dirce Migliaccio (As  Irmãs Cajazeiras - O Bem-Amado)
O sucesso chegou ao viver a fofoqueira Eulália, fazendo dupla com a atriz Célia Biar na novela "Estúpido Cupido", na TV Globo, no ano de 1976. Outro sucesso foi no seriado "O Bem Amado", onde viveu uma das Irmãs Cajazeiras, ao lado de Ida Gomes e Dirce Migliaccio. Na verdade, o personagem da atriz substituía o de Dorinha Duval, que era a terceira irmã na novela de 1973, e que no seriado, em 1980, não pode participar porque estava envolvida no escândalo da morte do seu companheiro.

Kléber Macedo faleceu no Rio de Janeiro e a causa de sua morte não foi divulgada.

Televisão

  • 1990 - Brasileiras e Brasileiros ... Ester
  • 1985 - A Gata Comeu ... Televina
  • 1980 - O Bem-Amado ... Zuzinha Cajazeira
  • 1977 - Sem Lenço, Sem Documento ... Orozimba
  • 1976 - Estúpido Cupido ... Eulália

Cinema

  • 1970 - Sou Louca Por Você
  • 1970 - Simeão, o Boêmio
  • 1965 - São Paulo, Sociedade Anônima
  • 1955 - A Carrocinha


Olney São Paulo

OLNEY ALBERTO SÃO PAULO
(41 anos)
Cineasta

* Riachão do Jacuípe, BA (07/08/1936)
+ Rio de Janeiro, RJ (15/02/1978)

Olney Alberto São Paulo foi um cineasta brasileiro. Casado com a também cineasta Maria Augusta, era pai dos atores Irving São Paulo e Ilya São Paulo, do poeta e músico Olney São Paulo Junior e de Maria Pilar.

Filho de Joel São Paulo Rios e Rosália Oliveira São Paulo (Zali), Olney São Paulo fez os primeiros estudos em sua cidade natal. Perdeu o pai Joel aos 7 anos de idade, e foi morar com seu avô, o tabelião Augusto Aclepíades de Oliveira, em Riachão do Jacuípe.

Em 1948, o avô levou Olney São Paulo, sua mãe, Dona Rosália, e seus irmãos Valnei, Valdenei e Walneie, para morarem em Feira de Santana, que neste período já era o entreposto comercial mais importante do sertão baiano. Ali Olney continuou seus estudos no Colégio Santanópolis.

Algum tempo depois Dona Rosália se casou novamente e Olney ganhou mais três irmãos, Carlos Antônio, Colbert Francisco e Alberto Ulysses. Olney se destacou no colégio, participando do grêmio, escrevendo sobre a cinema no jornal e afinal foi escolhido orador da turma do ginásio.

A paixão pelo cinema nasceu com a chegada a Feira de Santana, em 1954, da equipe do diretor Alex Viany para filmar o episódio "Ana" do filme "Rosa dos Ventos" (Die Windrose), com roteiro de Alberto Cavalcanti e Trigueirinho Neto. Olney engajou-se na equipe durante todo o tempo em que esteve em Feira de Santana, acompanhou as filmagens e atuou como figurante em algumas cenas. Em carta escrita a Alex Viany, em 05 de novembro de 1955, escreveu:

"Eu sou um jovem que tem inclinação invulgar para o cinema. Porém, como neste mundo aquilo que desejamos nos foge sempre da mão, eu luto com incríveis dificuldades para alcançar o meu objetivo."

Em 1955, foi redator do jornal "O Coruja". Sob o pseudônimo de Conde D'Evey escreveu sátiras e críticas ao colunismo social de Feira de Santana, na coluna Causerie, para desgosto da burguesia local. Escreveu também sobre literatura e arte, e também criou e dirigiu o programa "Cinerama" na Rádio Cultura de Feira de Santana, onde comentava filmes em exibição e novidades da produção mundial. Lecionou Contabilidade Pública e a Organização Técnica Comercial na Escola Técnica de Contabilidade da cidade. No mesmo ano foi aprovado no concurso do Banco do Brasil. No ano seguinte, leitores ofendidos forçaram Olney a encerrar a coluna "Causerie". O programa de rádio também chegou ao fim.

Na impossibilidade de realizar produções cinematográficas escreveu sobre casos e fatos, alguns verídicos, outros imaginários, transformando-os em novelas e contos, escritos em estilo cinematográfico, abordando temas nordestinos - o misticismo, a magia do seu povo, personagens e histórias do sertão reconstruídas em narrativa linear, encadeada à moda do cancioneiro popular -, registrando o linguajar regional do catingueiro.

Ainda em 1955, com fotógrafo Elídio Azevedo, produziu seu primeiro curta-metragem intitulado "Um Crime na Feira". Com uma filmadora 16mm Kodak antiga e, coletando dinheiro entre os amigos, comprou os negativos. Filmou o roteiro em sequência linear, efetuando os cortes com as paradas na própria câmera, já que não dispunha de moviola. Finalizado entre 1956 e 1957, com dez minutos de duração, o filme foi exibido em clubes de Feira de Santana e outras cidades do interior da Bahia, acompanhando espetáculos teatrais que o próprio Olney organizava, pela Associação Cultural Filinto Bastos. Nessa época, Olney criou a Sociedade Cultural e Artística de Feira de Santana (SCAFS) e o Teatro de Amadores de Feira de Santana (TAFS).

Em maio de 1956, conquistou a Menção Honrosa do Concurso de Contos da revista "A Cigarra" do Rio de Janeiro, com o conto "Festim à Meia-noite". Em outubro do mesmo ano, conquistou outra Menção Honrosa, desta vez com o conto "A Última História".

Começou a se interessar pela obra de Jorge Amado. Escreveu-lhe algumas cartas, entre 1956 e 1957, pedindo informações sobre o andamento das filmagens de algumas de suas obras.

Em 1958, Olney foi baleado pelas costas pelo amigo Luiz Navarro. Ambos disputavam a jovem Maria Augusta. Luiz Navarro disse que foi acidental. O ferimento perfurou seu pulmão esquerdo.

Em 1959, durante uma viagem a Maceió, AL, adquiriu uma câmera Bell & Howeel. Escreveu o roteiro do documentário "O Bandido Negro", sobre um personagem da literatura popular, Lucas da Feira (1804-1849), chefe de um bando terrível, que assolou a região de Feira de Santana, realizando saques e assaltos e também lutou pela abolição da escravatura na Bahia. Escreveu também o roteiro do "O Vaqueiro das Caatingas", ambos os roteiros não concretizados por falta de recursos.


Encontro Com o Cinema Novo

Em 1961, o diretor Nelson Pereira dos Santos foi a Feira de Santana com a intenção de realizar as filmagem de "Vidas Secas", baseado no romance homônimo de Graciliano Ramos. Os planos foram modificados em razão das chuvas torrenciais que atingiram a região, e o diretor foi obrigado a improvisar um outro roteiro, que resultaria no filme "Mandacaru Vermelho", rodado em Juazeiro, na Bahia. Nesse filme, o jovem Olney atuou como continuísta da produção, assistente de direção, produção além de também compor o elenco. Terminada a filmagem, que se prolongou por Feira de Santana, Olney e Nelson tornam-se grandes amigos.

A experiência de "Mandacaru Vermelho" marcou de fato a integração de Olney ao grupo pioneiro de cineastas do Cinema Novo.

Na véspera do natal de 1961, casou-se com Maria Augusta Matos Santana. Ainda naquele ano, começou a escrever e dirigir a revista literária, "Sertão" (1961-1963).

Em janeiro de 1962, nasceu seu primeiro filho, Olney São Paulo Junior. No mesmo ano, Olney participou como assistente de direção de "O Caipora", de Oscar Santana, rodado em Riachão do Jacuípe, nas Zonas de Pé-de-Serra, Chapada e Beira do Rio. Também na mesma época, em Salvador, estabeleceu contato com a geração liderada por Glauber Rocha.

A formação cinematográfica de Olney São Paulo é influenciada pelo neo-realismo italiano, e por filmes de guerra e western americanos. Seus principais inspiradores foram John Ford, Vittorio de Sica, Roberto Rosselini, Giuseppe De Santis, Augusto Genina e Pietro Germi. Estudou também as idéias de Vsevolod Pudovkin, sobre montagem cinematográfica, e foi leitor dos escritos de Georges Sadoul, sobre a história do cinema.

Realizou seu primeiro longa metragem, "O Grito da Terra", em (1964), abordando a realidade do nordeste brasileiro. Entre a pré-produção do filme e o início das filmagens, nasceu seu segundo filho Ilya Flayert. Nelson Pereira do Santos e Laurita dos Santos foram os padrinhos do menino.

As filmagens iniciam-se em novembro de 1963 e para compor a cenografia do filme, Olney contou com a colaboração dos comerciantes de Feira de Santana, que emprestaram móveis, roupas de cama, utensílios e adereços. O figurino era constituído por roupas dos próprios atores ou emprestado por amigos. A pré-estreia do filme ocorreu no dia 27 de novembro de 1964, com apresentação do cineasta Orlando Senna.

Em 26 de outubro de 1964, em Feira de Santana, BA, nasceu seu filho José Irving Santana São Paulo.

Entre 1965 e 1967, "O Grito da Terra" foi exibido no Rio de Janeiro, Salvador, Aracaju e Recife. Participou do I Festival Internacional do Filme de Guanabara, do Festival do Cinema Baiano, em Fortaleza, e da Noite do Cinema Brasileiro, organizada pela embaixada dos Estados Unidos, em dezembro de 1965. No entanto sofreu cortes pela Censura Federal, pois um personagem fazia menção à volta do "Cavaleiro da Esperança", Luiz Carlos Prestes, membro do Partido Comunista Brasileiro. Por conta do corte, o produtor Ciro de Carvalho, convidado pelo Itamarati, não aceitou que o filme representasse o Brasil em festivais internacionais. Os produtores receberam prêmio do governo de Carlos Lacerda, o que lhes possibilitou saldar dívidas bancárias e confeccionar uma nova cópia do filme, sem cortes, e exibi-la nos principais cinemas do nordeste.

"Manhã Cinzenta" foi realizado entre 1968 e 1969. Junto com Fernando Coni Campos, Olney decidiu registrar alguns acontecimentos da época, com sua câmera 16mm, a partir do seu conto homônimo, escrito em 1966, e da documentação feita por José Carlos Avellar, sobre protestos de rua. Para driblar a censura, confeccionou várias cópias do filme enviando-as para cinematecas de outros países e para os festivais de Viña del Mar (Chile), Pesaro, Cannes e Mannheim.

Prisão e Censura

Na manhã do dia 8 de outubro de 1969, ocorreu o primeiro sequestro de um avião brasileiro, por membros da organização MR-8. O avião foi desviado de Cuba. Um dos sequestradores era membro da diretoria da Federação Carioca de Cineclubistas, presidida na época por Sílvio Tendler. "Manhã Cinzenta" foi exibido a bordo e Olney foi vinculado pelas autoridades brasileiras ao sequestro. Foi detido e levado para local ignorado, ficando incomunicável por doze dias. Liberado, em 5 de dezembro, foi internado com suspeita de pneumonia dupla. Em 25 de dezembro, muito debilitado psíquica e fisicamente, passou alguns dias com a família e foi internado novamente.

Os negativos e cópias de "Manhã Cinzenta" foram confiscados. Mas uma das cópias do filme foi salva por Cosme Alves Neto, então diretor da Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, e ficou lá por vinte cinco anos escondida. Assim, embora proibido no país pela Censura Federal, o filme foi exibido na Itália, no Festival de Pesaro, no Festival Internacional de Cinema de Viña del Mar, na Quinzena de Realizadores do Festival de Cannes, em 1970. Participou também da XIX Semana Internacional de Mannheim, conquistando o prêmio de melhor média-metragem, e foi premiado no Festival de Oberhausen, na Alemanha, em 1972.

Olney São Paulo realizou ainda, em 1970, o documentário "O Profeta de Feira de Santana", sobre o artista plástico Raimundo de Oliveira. A equipe foi formada pelo produtor Júlio Romiti e Tuna Espinheira, como assistente de direção.

Em 11 de maio de 1971, nasceu a filha de Olney São Paulo, Maria Pilar.

Em 13 de janeiro de 1972, o Superior Tribunal Militar, absolveu definitivamente o cineasta das acusações de subversão da ordem, relacionadas ao filme "Manhã Cinzenta".

Apesar da saúde debilitada, ainda realizou "O Forte", baseado no romance de Adonias Filho, longa metragem no qual se destaca a paisagem de Salvador, tendo como um dos protagonistas, o sambista e ator Monsueto Menezes, que morreu durante as filmagens. O filme teve inúmeros problemas e as filmagens sofreram várias interrupções, que prejudicaram bastante a qualidade do resultado final. Com o filme "Pinto Vem Aí", sobre o ex-deputado Francisco Pinto, ganhou o prêmio Jornal do Brasil, em 1976.

Olney São Paulo morreu cedo, vítima de Câncer no Pulmão, aos 41 anos.

Sobre o Cinema de Olney São Paulo

De Glauber Rocha, em seu livro "Revolução do Cinema Novo" (Rio de Janeiro. Alambra/Embrafilme: 1981, p. 364):

"Olney é a Metáfora de uma Alegorya. Retirante dos sertões para o litoral - o cineasta foi perseguido, preso e torturado. A Embrafilme não o ajudou, transformando-o no símbolo do censurado e reprimido. 'Manhã Cinzenta' é o grande filmexplosão de 1968 e supera incontestavelmente os delírios pequeno-burgueses dos histéricos udigrudistas (...) Panfleto bárbaro e sofisticado, revolucionário a ponto de provocar prisão, tortura e iniciativa mortal no corpo do artista."

De Nelson Pereira dos Santos:

"A imagem que guardo do meu compadre é uma síntese daquele documentário que ele fez sobre os sábios do tempo, os velhos sertanejos que dominam sistemas ancestrais de medição meteorológica [Sob o ditame do rude Almajesto: Sinais de Chuva (1976)]. Vejo-o de chapéu de couro, no raso da caatinga, conversando com os ventos, para saber de onde vêm e para onde vão."

Filmografia

Curtas:

  • 1955 - Um Crime na Rua (16 mm, 10 minutos, P&B)
  • 1970 - O Profeta de Feira de Santana (35 mm, 8 minutos, Cor)
  • 1973 - Cachoeira: Documento da História (35 mm, 9 minutos, Cor e P&B)
  • 1973 - Como Nasce Uma Cidade (35 mm, 10 minutos, Cor e P&B)
  • 1975 - Teatro Brasileiro I: Origem e Mudanças (35 mm, 12 minutos, Cor)
  • 1975 - Teatro Brasileiro II: Novas Tendências (35 mm, 11 minutos, Cor)
  • 1976 - Sob o Ditame do Rude Almajesto: Sinais de Chuva (16 mm, 13 minutos, Cor)
  • 1976 - A Última Feira Livre (16 mm, Cor)

Médias:

  • 1969 - Manhã Cinzenta (35 mm, 21 minutos, P&B)
  • 1976 - Pinto Vem Aí (25 minutos, P&B)
  • 1978 - Dia de Erê (16 mm, 30 minutos, Cor)

Longas:

  • 1964 - Grito da Terra (35 mm, 80 minutos, P&B)
  • 1974 - O Forte (35 mm, 90 minutos, Cor)
  • 1976 - Ciganos do Nordeste (16 mm, 70 minutos, Cor)
  • 1974 - O Amuleto de Ogum

Fonte: Wikipédia