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Joaquim Callado

JOAQUIM ANTÔNIO DA SILVA CALLADO JÚNIOR
(31 anos)
Compositor e Flautista

* Rio de Janeiro, RJ (11/07/1848)
+ Rio de Janeiro, RJ (20/03/1880)

Joaquim Antônio da Silva Callado Júnior foi um músico compositor e flautista brasileiro. Era filho de Joaquim Antônio da Silva Calado e de Matilde Joaquina de Sousa Calado. Seu pai tocava cornetim e foi professor de música e mestre da Banda Sociedade União de Artistas, além de pintor da Sociedade Carnavalesca Zuavos.

Joaquim Callado casou-se com Feliciana Adelaide Callado, com quem teve cinco filhos: Leonor, Alice, Luísa, Elvira e Artur. Viveu em uma modesta casa à Rua Visconde de Itaúna, nº 40, pleno centro histórico da cidade do Rio de Janeiro.

O compositor e flautista é considerado por todos os estudiosos da música popular brasileira como a figura de proa na implantação e fixação do choro, nos últimos 20 anos do Império no Brasil. Foi pioneiro, e bem pode ser considerado o criador do choro, ao incorporar a flauta aos violões e cavaquinhos, instrumental comum aos conjuntos da época.

Seu grupo, que ficou conhecido como "O Choro de Callado", era constituído por um instrumento solista, no caso a flauta, dois violões e um cavaquinho. Aos três instrumentistas de cordas exigia-se boa capacidade de improvisar sobre o acompanhamento harmônico. O compositor trabalhou com inúmeros instrumentistas, que se destacaram na fase de fixação da nova maneira de interpretar modinhas, lundus, valsas e polcas. Eram muitos os chorões com quem conviveu e dentre estes podemos citar: Viriato (flautista), Luisinho (flautista), Bacuri (flautista), Inacinho Flauta (flautista), Soares Caixa-de-Fósforos (flautista), Artur Fluminense (flautista), Juca Vale (violonista), Manduca do Catumbi (violonista), Capitão Rangel (violonista) e Zuzu Cavaquinho (cavaquinista).

Iniciou seus estudos musicais, piano e flauta, possivelmente com o pai.


Em 1856, começou a estudar composição e regência com Henrique Alves de Mesquita. O curso foi logo interrompido porque o maestro, no ano de 1857, seguiu em viagem de estudos para Paris. O compositor destacou-se com a flauta, tornando-se um virtuoso muito popular no Rio de Janeiro da 2ª metade do século XIX.

Começou a trabalhar como músico profissional desde muito jovem, tocando em festas e bailes. É provável que sua primeira exibição em sala de concertos, como flautista, tenha ocorrido em julho de 1866, numa apresentação para a família imperial no Teatro Ginásio Dramático.

Sua primeira composição, "Querosene", data de 1863.

Aos 19 anos, obteve o seu primeiro sucesso com a quadrilha "Carnaval de 1867". Em 19 de julho do mesmo ano, perdeu o pai, aos 52 anos de idade.

No dia 13/01/1869, conseguiu ver publicada, pela primeira vez, uma obra sua, a polca "Querida Por Todos", dedicada à compositora e amiga Chiquinha Gonzaga.

A década de 1870 lhe trouxe muitas vitórias profissionais. Teve outras obras suas publicadas como a polca "Linguagem do Coração" (1872), "Íman" (1873), "Como é Bom" (1875) para flauta solo e "Cruzes, Minha Prima" (1875), que por sinal foi uma das músicas de maior sucesso do final do século XIX.

Em 1873, foi o responsável pela primeira vez de um concerto do gênero lundu, tido até então como música de escravos. Seu "Lundu  Característico" obteve tamanho sucesso que, segundo o pesquisador Vasco Mariz, lhe rendeu a nomeação para a cadeira de flauta  do Imperial Conservatório de Música.

Seu prestígio era tanto no fim dos anos 1870, que em 1879 foi condecorado com a Ordem da Rosa, no grau de Comendador, junto com os outros professores do Imperial Conservatório de Música. Esta era a mais alta condecoração oferecida pelo Império.


Foi também nomeado professor de música do Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, por intermédio de seu padrinho, o marechal-de-campo José Basileu Neves Gonzaga, pai de sua companheira de choro, Chiquinha Gonzaga.

Joaquim Callado elevou a virtuosidade da flauta, imprimiu estilo próprio à execução desse instrumento, tocando a melodia em rápidos saltos oitavados, de forma que os ouvintes tivessem a impressão de estarem ouvindo duas flautas simultaneamente. Tornou-se exemplo para toda uma escola de flautistas extraordinários, entre os quais, Viriato, Patápio Silva, Nola, Plínio, Henrique Flauta, Pixinguinha, Benedito Lacerda e Altamiro Carrilho.

Uma grande parte de suas composições recebeu nome de mulher e é considerado por todos como o "Pai dos Chorões".

Joaquim Callado foi homenageado em 1974 na coleção de LPs "MPB 100 Ao Vivo", extraídos da série radiofônica do mesmo nome, irradiadas para todo o Brasil pela cadeia de emissoras do Projeto Minerva, programas produzidos e apresentados por Ricardo Cravo Albin.

Em 1975, a homenagem se repetiu pelo mesmo Ricardo Cravo Albin, dentro do show "Do Chorinho Ao Samba", em que o produtor atuava como narrador ao lado de Altamiro Carrilho e de Paulo Tapajós, espetáculo que correu várias cidades.

Em 1976, seu clássico choro "Flor Amorosa" foi incluído no álbum duplo "Choradas, Chorões, Chorinhos" produzido por Ricardo Cravo Albin e Mozart Araújo para a pela Companhia Internacional de Seguros como brinde de final de ano. Para esse álbum foi feita uma gravação especial com a primeira parte, segundo a partitura original do autor e com um agrupamento musical baseado nas formações dos conjuntos da época (1880), segundo informações constantes no encarte do álbum. Dessa gravação participaram os músicos Altamiro Carrilho na flauta, Voltaire no violão de 7 cordas e Valmar no cavaquinho.


Em 2003, foi lançado pela gravadora Acari em conjunto com a Arte Fato Produto Cultural um estojo com 5 CDs com obras suas acompanhados por um livreto biográfico assinado por André Diniz. Os CDs foram produzidos por Maurício Carrilho após três anos de pesquisas. Estão presentes nos CDs os artistas Hermeto Pascoal, Sivuca, Joel Nascimento, Déo Rian, Pedro Amorim, IzaíasAltamiro Carrilho, Toninho Carrasqueira, OdetteAndréa Ernest Dias, Marcelo Bernardes,  Paulo Sérgio Santos, Yamandú Costa, Zé da Velha, Silvério Pontes e os grupos Época de Ouro, Rabo de Lagartixa, Quarteto Maogani, Nó Em Pingo D'água, Abraçando Jacaré, Galo Preto, Sarau e Quinteto Villa Lobos. Na epígrafe do livreto há uma citação do escritor Machado de Assis que assim se refere ao flautista:

"Quando me falaram de um homem que tocava flauta com as mãos respondi, eu já ouvi o Callado."

Ainda nesse conjunto de CDs, sua polca "Flor Amorosa" recebeu cinco versões diferentes.

Em 2011, foi lançado pelo selo Discobertas em convênio com o Instituto Cultural Cravo Albin (ICCA), a caixa "100 Anos de Música Popular Brasileira" com a reedição em quatro CDs duplos dos oito LPs lançados com as gravações dos programas realizados pelo radialista e produtor Ricardo Cravo Albin na Rádio MEC em 1974 e 1975.

No volume 1 desses CDs está incluído seu choro "Flor Amorosa", com letra de Catulo da Paixão Cearense, na interpretação de Altamiro Carrilho e Conjunto.


Morte

Logo após o carnaval de 1880, a população do Rio de Janeiro conviveu com uma epidemia de meningite. Joaquim Callado contraiu a doença e morreu prematuramente vítima de meningo-encefalite perniciosa no dia 20/03/1880. Deixou quatro filhos com Feliciana Adelaide Callado: Alice Callado Correia, Luísa Callado Ribeiro de Castro, Elvira Callado e Artur da Silva Callado.

Foi sepultado no dia 21/03/1880, em cova rasa, no Cemitério São João Batista, bairro de Botafogo, Rio de Janeiro. Anos depois, em 27/07/1885, músicos da época organizaram um recital no Teatro Dom Pedro II, a fim de angariar fundos para a compra de uma casa modesta na Rua do Conde para a família do compositor, e de uma sepultura junto à de seu amigo Viriato, no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju.

Um mês depois de sua morte, foi publicada pelas casas editoras sua última música "Flor Amorosa", que se tornou um clássico da música popular brasileira e recebeu versos de Catulo da Paixão Cearense.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB e Wikipédia
Indicação: Miguel Sampaio

Duque de Caxias

LUÍS ALVES DE LIMA E SILVA
(76 anos)
Militar

* Porto da Estrela (Hoje Duque de Caxias), RJ (25/08/1803)
+ Desengano (Hoje Juparanã), RJ (07/05/1880)

Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, alcunhado O Pacificador ou O Marechal de Ferro, foi um dos mais importantes militares e estadistas da história do Império do Brasil. Filho do brigadeiro e regente do Império brasileiro, Francisco de Lima e Silva, e de Mariana Cândida de Oliveira Belo.

Luís Alves de Lima, como assinou seu nome por muitos anos, foi descrito por alguns dos seus biógrafos como um predestinado à carreira das armas que aos cinco anos de idade assentou praça no exército do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (1808). O que os biógrafos não explicitam é que essa trajetória apoteótica é devida às especificidades da carreira militar nessa época. Ter sido cadete aos 5 anos não era um sinal de seu caráter especial: a honraria era concedida aos filhos de nobres ou militares e muitos alcançaram o mesmo privilégio, até mesmo com menor idade.


Pertencia a uma tradicional família de militares. De um lado, a família paterna, constituída de oficiais superiores e generais do Exército Português, e, posteriormente, quando da independência do Brasil, em 1822, do Exército Brasileiro. Do lado materno, a família era de oficiais de milícia. Foi com o pai e com os tios que Luís Alves de Lima e Silva aprendeu a ser militar.

Luís Alves de Lima e Silva desde cedo ingressou na vida militar. Teve intensa carreira profissional no Exército, ascendendo ao posto de marechal-de-campo aos 39 anos de idade.

Cadete desde os 5 anos de idade, ingressou aos 15 anos na Academia Militar, de onde saiu como tenente para ingressar numa unidade de elite do Exército do Rei. Em 1822, organizou a Guarda Imperial de Dom Pedro I. O batismo de fogo teve lugar no ano seguinte, ao entrar em campanha para combater os revoltosos na Bahia, no movimento contra a independência comandado pelo general Madeira de Melo. Em 1825, o então capitão Luiz Alves deslocou-se para a Campanha da Cisplatina, nos pampas gaúchos. Participou do esforço pela manutenção da ordem pública na capital do Império após a abdicação de Dom Pedro I, em 1831.

Voluntariamente se juntou as forças do Corpo de Guardas Municipais Permanentes que marcham contra a rebelião de Miguel de Frias, em 03/04/1832, que tentava derrubar a Regência.

Em 20/10/1832, após ser promovido a tenente-coronel, assumiu o seu primeiro comando militar: o Corpo de Guardas Municipais Permanentes - A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. A frente dela, implanta várias inovações na Corporação, como as rondas de Cavalaria e o Serviço Médico, além dos postos de major e tenente-coronel (a oficialidade da corporação só ia até capitão).

Duque de Caxias perto dos 54 anos
Em 1833, casou-se com Ana Luisa do Loreto Carneiro Viana, na época com 16 anos de idade, membro da aristocrática família Carneiro Leão, sendo neta da Baronesa de São Salvador de Campos de Goitacases. Com ela teve duas filhas, Luisa do Loreto, casada com o Barão de Santa Mônica, e Ana de Loreto, casada com o Visconde de Ururaí, e um varão, Luís Alves de Lima Filho, falecido na adolescência. Suas filhas deixaram conhecida descendência, em sua maioria, estabelecida em Macaé, RJ.

Em 1839, seguiu para o Rio Grande do Sul com uma força de 200 permanentes, para lutar na Revolução Farroupilha. Em dezembro de 1839 passou o comando dos permanentes, por ter sido nomeado presidente da Província do Maranhão.

Luiz Alves tomou parte nas ações militares da Balaiada, na Província do Maranhão, em 1839. Foi nomeado para presidente da Província do Maranhão e Comandante Geral das Forças Militares em operação, num esforço de união civil e militar. O papel que desempenhou, na resolução do conflito, valeu-lhe seu primeiro título de nobreza, o de Barão de Caxias, outorgado em 1841. O título faz referência à cidade maranhense de Caxias, palco de batalhas decisivas para a vitória das forças imperiais. Neste mesmo ano, foi eleito deputado à Assembléia Legislativa pela Província do Maranhão.

Dominou os movimentos revoltosos dos liberais em Minas Gerais e São Paulo em 1842. Em 1845, quando decorria a Guerra dos Farrapos, recebeu o título de marechal de campo. Passou a ocupar o cargo de presidente do Rio Grande do Sul. A sua ação militar e diplomática levou à assinatura da Paz de Ponche Verde em 1845, que pôs fim ao conflito. Sua atuação aliou ação militar com habilidade política, respeitando os vencidos. Contribuiu, assim, para a consolidação da unidade nacional brasileira e para o fortalecimento do poder central. Foi feito Conde de Caxias.

Duque de Caxias perto dos 58 anos
No plano externo, participou de todas as campanhas platinas do Brasil independente, como a Campanha da Cisplatina (1825-1828), contra as Províncias Unidas do Rio da Prata. Comandante-chefe do Exército do Sul (1851), dirigiu as campanhas vitoriosas contra Manuel Oribe, no Uruguai, e Juan Manuel de Rosas, na Argentina (1851-1852). Comandante-geral das forças brasileiras (1866) e, pouco depois, comandante-geral dos exércitos da Tríplice Aliança (1867), na Guerra do Paraguai (1864-1870). O Conde de Caxias, que já havia atuado como conselheiro no começo da guerra, assumiu o treinamento e a reorganização das tropas. Instituiu o avanço de flancos gerais, o contorno de trincheiras e o uso de balões cativos para espionagem. Finalmente, depois da célebre Batalha de Itororó seguiu-se a campanha final, a Dezembrada, uma fase de vitórias, como a Batalha do Avaí e Lomas Valentinas, em dezembro de 1868, conduzindo à ocupação da cidade de Assunção.

Após a ocupação da capital paraguaia, ainda antes do término do conflito, por motivos de saúde retornou a Corte. O comando das tropas foi mais tarde passado ao Conde D'Eu. Seu retorno a Corte, foi polêmico, seus opositores, partidários do Conde D'Eu, o acusavam de ter abandonado uma guerra ainda em curso, por outro lado, seus partidários defendiam que a tomada de Assunção encerrava a guerra, com o Paraguai sem recursos e Solano Lopez isolado e liderando um bando de maltrapilhos.

No Rio de Janeiro, Caxias recebeu o título de Duque, o único atribuído durante a época imperial.

Na vida política do Império seu papel foi, também, significativo, como um dos líderes do Partido Conservador. Tornando-se senador vitalício desde 1845, foi presidente das províncias do Maranhão e Rio Grande do Sul, por ocasião dos movimentos revolucionários que venceu, e vice-presidente da província de São Paulo. Ministro da Guerra e presidente do Conselho por três vezes na segunda metade do século XIX (1855-1857, 1861-1862 e 1875-1878), procurou modernizar os regulamentos militares, substituindo as normas de origem colonial.

Duque de Caxias aos 74 anos
Na terceira vez em que ocupou a presidência do Conselho apaziguou os conservadores, divididos no que dizia respeito à questão da escravatura, encerrou o conflito entre o Estado e os bispos ("questão religiosa") e iniciou o aperfeiçoamento do sistema eleitoral. Em reconhecimento aos seus serviços, o Imperador Dom Pedro II agraciou-o, sucessivamente, com os títulos de Barão, Conde, Marquês e Duque de Caxias.

Retirou-se, por motivos de saúde, para a fazenda de Santa Mônica, em Desengano (hoje Juparanã, Rio de Janeiro) em 1878.

No dia 07/05/1880, às 20:30 hs, fechava os olhos para sempre aquele bravo militar e cidadão, que viveu no seio do Exército para glória do próprio Exército. No dia seguinte, chegava, em trem especial, na Estação do Campo de Sant'Ana, o seu corpo, vestido com o seu mais modesto uniforme de Marechal-de-Exército, trazendo ao peito apenas duas das suas numerosas condecorações, as únicas de bronze: a do Mérito Militar e a Geral da Campanha do Paraguai, tudo consoante suas derradeiras vontades expressas.

Outros desejos testamentários são respeitados: enterro sem pompa; dispensa de honras militares; o féretro conduzido por seis soldados da guarnição da Corte, dos mais antigos e de bom comportamento, aos quais deveria ser dada a quantia de trinta cruzeiros (cujos nomes foram imortalizados em pedestal de seu busto em passadiço do Conjunto Principal antigo da Academia Militar das Agulhas Negras); o enterro custeado pela Irmandade da Cruz dos Militares; seu corpo não embalsamado.

Quantas vezes o caixão foi transportado, suas alças foram seguras por seis praças de pré do 1º e do 10º Batalhão de Infantaria. No ato do enterramento, o grande literato Visconde de Taunay, então major do Exército, proferiu alocução assim concluída:

"Carregaram o seu féretro seis soldados rasos; mas, senhores, esses soldados que circundam a gloriosa cova e a voz que se levanta para falar em nome deles, são o corpo e o espírito de todo o Exército Brasileiro. Representam o preito derradeiro de um reconhecimento inextinguível que nós militares, de norte a sul deste vasto Império, vimos render ao nosso velho Marechal, que nos guiou como General, como protetor, quase como pai durante 40 anos; soldados e orador, humildes todos em sua esfera, muito pequenos pela valia própria, mas grandes pela elevada homenagem e pela sinceridade da dor."


Foi enterrado no jazigo de sua esposa, no Cemitério do Catumbi, onde repousou até 1949, quando seus restos foram exumados e trasladados para o Panteão Duque de Caxias.

Para culto de sua memória, o governo federal proclamou-o, em 1962, "Patrono do Exército Brasileiro". O dia do seu nascimento, 25 de agosto, é considerado o Dia do Soldado. Seu nome está inscrito no "Livro dos Heróis da Pátria".

Os cadetes da Academia Militar das Agulhas Negras prestam o seguinte juramento durante a cerimônia de graduação:

"Recebo o sabre de Caxias como o próprio símbolo da Honra Militar!"

Representações na Arte e Espetáculos

O Duque de Caxias já foi retratado como personagem na televisão, interpretado por Sérgio Britto na minissérie "Chiquinha Gonzaga" (1999) e Nelson Diniz na minissérie "A Casa das Sete Mulheres" (2003).

Também teve sua efígie impressa nas notas de Cr$ 2,00 (dois cruzeiros) emitida entre 1944 e 1958 e nas de Cr$ 100,00 (cem cruzeiros) emitidas de 1981 a 1984.


Homenagens

  • Há no centro da cidade de Niterói a Rua Marquês de Caxias em sua homenagem.
  • Em sua homenagem o Palácio Duque de Caxias no Rio de Janeiro, antiga sede do Ministério do Exército, atual sede do Comando Militar do Leste.
  • Em frente ao Palácio Duque de Caxias há o Panteão Duque de Caxias, com uma estátua equestre do patrono do Exército, monumento onde estão sepultados seus restos mortais e de sua esposa.
  • Em 14/03/1931, a antiga Porto da Estrela, onde nasceu, foi nomeada Distrito de Caxias. Em 31/12/1943, através do Decreto-Lei 1.055, elevou-se à categoria de município, recebendo o nome de Duque de Caxias, no estado do Rio de Janeiro.
  • Em sua homenagem, foi dado o nome de 25 de Agosto, data de seu nascimento, a um dos principais bairros do município de Duque de Caxias.
  • O 15º (responsável pela cidade de Duque de Caxias) e o 17º Batalhões (responsável pela Ilha do Governador) da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro recebem o nome de "Batalhão Duque de Caxias", haja vista cada terem recebido tal denominação quando o primeiro pertencia a Policia Militar do antigo estado do Rio de Janeiro e o segundo, a Polícia Militar do antigo estado da Guanabara. Além disso, o militar também foi comandante-geral daquela corporação, em seus primórdios.

Busto de Duque de Caxias (Parque da Redenção - Porto Alegre, RS)
Títulos e Condecorações

Títulos Nobiliárquicos
  • Barão por decreto de 18/07/1841
  • Visconde por decreto de 15/08/1843
  • Conde por decreto de 25/03/1845
  • Marquês por decreto de 20/06/1852
  • Duque por decreto de 23/03/1869

Títulos Agremiativos
  • Membro honorário do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro
  • Presidente de Honra do Institut D'Afrique
  • Sócio honorário do Instituto Politécnico do Brasileiro
  • Sócio efetivo da Sociedade dos veteranos da Independência da Bahia
  • Sócio honorário do Instituto Literário Luisense

Condecorações
  • Cavaleiro da Imperial Ordem do Cruzeiro
  • Medalha de Ouro da Independência
  • Comendador da Ordem de São Bento de Avis
  • Cavaleiro da Imperial Ordem da Rosa
  • Grã-cruz da Ordem Militar de Avis
  • Medalha de Ouro da Campanha do Uruguai
  • Grã-cruz efetivo da Imperial Ordem da Rosa
  • Medalha de Ouro Comemorativa da Rendição de Uruguaiana
  • Grã-cruz da Imperial Ordem do Cruzeiro
  • Grã-cruz da Imperial Ordem de D. Pedro I
  • Medalha do Mérito Militar
  • Medalha Comemorativa do término da Guerra do Paraguai


Campanhas Pacificadoras

Primeiro Reinado
  • 1825 - Guerra da Cisplatina

Período Regencial
  • 1841 - Balaiada (Maranhão/Piauí)
  • 1842 - Revolução Liberal em São Paulo
  • 1842 - Revolução Liberal em Minas Gerais

Segundo Reinado
  • 1835 a 1845 - Revolução Farroupilha

Fonte: Wikipédia
Indicção: Miguel Sampaio

Francisco João de Azevedo

FRANCISCO JOÃO DE AZEVEDO
(66 anos)
Padre e Inventor

* Paraíba, PB (04/03/1814)
+ Paraíba, PB (26/06/1880)

Francisco João de Azevedo foi um padre paraibano nascido em João Pessoa, então chamada Paraíba, na Província da Paraíba, que inventou e construiu pioneiramente, em 1861, um modelo de máquina de escrever que funcionava perfeitamente, um protótipo que era acionado por um sistema de pedais, como as antigas máquinas de costura.

Pouco se sabe sobre a sua infância, além do que cedo perdeu o pai, Francisco João de Azevedo, mas não se conhece o nome de sua mãe. Seus primeiros anos não foram nada fáceis, não só pela situação da viuvez de sua mãe, quanto pelo fato do Nordeste atravessar terríveis secas naqueles anos.

Aprendeu as primeiras letras em uma escola próxima do seminário dos extintos jesuítas, onde aprendeu a ler, contar, escrever, rezar e latim. Durante uma visita pastoral à Paraíba, em 1834, Dom João da Purificação Marques Perdigão, o bispo diocesano de Olinda conheceu aquele jovem promissor, e sabendo de sua pobreza, convidou-o para o Seminário Diocesano, e ele partiu para Pernambuco, onde foi aprovado nos exames preliminares e se matriculou no histórico Seminário de Olinda em 1835.

Ordenou-se padre em 1838, pelo Seminário de Recife, onde passou a residir e lecionou cursos técnicos de geometria mecânica e desenho no Arsenal de Guerra de Pernambuco, notabilizando-se com um sistema de gravação em aço. Lá também desenvolveria sua invenção revolucionária: uma máquina de escrever.

Anos depois, em 1863, voltou a capital da província paraibana onde por mais alguns anos foi professor de cursos técnicos de geometria. Depois, em 1868, tornou-se professor de aritmética e geometria no Colégio das Artes, anexo à Faculdade de Direito do Recife.


Sua notável invenção era um móvel de jacarandá equipado com teclado de dezesseis tipos e pedal, aparentando um piano. Cada tecla de sua máquina acionava uma haste comprida com uma letra na ponta. Combinando-se duas ou mais teclas era possível reproduzir todo o alfabeto, além dos outros sinais ortográficos. O pedal servia para o datilógrafo mudar de linha no papel. A máquina era um sucesso por onde passava e em uma exposição do Rio de Janeiro, no ano de 1861, na presença do imperador Dom Pedro II, o padre recebeu uma medalha de ouro dos juízes em reconhecimento a seu projeto revolucionário. Em seguida, para sua decepção, lhe comunicaram que sua máquina não seria levada à Exposição de Londres em 1862 por dificuldades de acomodação (?!).

Ainda assim, na Segunda Exposição Provincial, no ano de 1866, ganhou medalha de prata pela invenção de um elipsígrafo. Segundo seu biógrafo, Ataliba Nogueira, o padre foi enganado e seus desenhos roubados por um estrangeiro, o que o desestimulou a continuar no desenvolvimento da invenção, e a idéia foi esquecida.

As suspeitas é que tais desenhos tenham ido parar nas mãos do tipógrafo estadunidense Christopher Latham Sholes que teria aperfeiçoado o projeto e apresentado como seu e ganho os louros históricos como o criador da máquina de datilografia em 1867. A glória como na maioria das inventos, não foi para a máquina pioneira em funcionamento, mas para quem produziu o modelo que serviu de base à produção industrial do equipamento. O invento do brasileiro porém já era bastante conhecido no Brasil, tanto que os primeiros cursos de datilografia no Brasil exibiam na parede retratos do padre e tornou-se o patrono nacional da máquina de escrever.

Francisco João de Azevedo morreu em 1880 e foi enterrado no cemitério de João Pessoa. Faleceu sem completar o seu sonho: patentear sua máquina e transformar o Brasil num grande exportador.

Fonte: O Nordeste e Wikipédia

Ana Néri

ANA JUSTINA FERREIRA NÉRI
(65 anos)
Enfermeira, Heroina e Patrona da Enfermagem

* Cachoeira, BA (13/12/1814)
+ Rio de Janeiro, RJ (20/05/1880)

Ana Néri foi uma enfermeira brasileira e foi a pioneira brasileira da enfermagem.

Era filha de José Ferreira de Jesus e de Luísa Maria das Virgens. Casou-se com capitão-de-fragata Isidoro Antônio Néri. O marido morreu em 1843, deixando-a com três filhos: Justiniano, Antônio Pedro e Isidoro Antônio Néri Filho. Dois filhos eram oficiais do Exército.

Tempos de Guerra

Em 1865, o Brasil formava a Tríplice Aliança com a Argentina e o Uruguai. Quando estourou a Guerra do Paraguai, os filhos de Ana Néri foram convocados, assim como dois de seus irmãos. Um sobrinho ofereceu-se como voluntário e também seguiu como soldado. Ver seus parentes indo à luta armada mexeu muito com a matriarca de 51 anos de idade. Tocada, escreveu ao presidente da província, cargo equivalente ao de governador nos dias de hoje. Requeria um posto na guerra como voluntária, alegando querer ficar perto dos filhos e atenuar o sofrimento dos combatentes como enfermeira, trabalho que dominava com muita propriedade. Aprendeu em um hospital local o ofício da enfermagem, ajudando sempre que podia, com muita presteza, em uma época em que não existiam cursos de formação para enfermeiros no país.

Entretanto, Ana Néri não esperou a resposta do presidente baiano. Viajou para o Rio Grande do Sul, principal base brasileira para os militares que seguiam para o front e tornava-se a primeira mulher brasileira a exercer a profissão oficialmente. Ajudava-lhe muito seus amplos conhecimentos de fitoterapia, a arte de utilizar matérias-primas naturais para fins medicinais.

Na frente de batalha, Ana Néri demonstrou muita garra, coragem e amor ao próximo, ajudando muitos feridos. Vários puderam voltar para suas famílias por terem sido prontamente tratados pela enfermeira. Seus conhecimentos sobre cauterização pouparam muitos combatentes que poderiam sucumbir a ferimentos.

Sem Olhar a Quem

Ficou no front por quase 5 anos, tornando-se famosa por onde passava por causa de sua tenacidade, compaixão e competência. Ver tantas mortes de ambos os lados não a fez parar, embora ela tenha perdido um filho e um sobrinho nos combates. As mortes dos paraguaios aumentavam aos montes, massacrados pelo exército da Aliança em um dos episódios mais sangrentos e vergonhosos da história sul-americana. Seu dever se sobrepunha inclusive ao patriotismo: tratava com a mesma compaixão soldados paraguaios que encontrava feridos, inclusive os torturados, o que não era muito bem visto por alguns militares brasileiros (ajudava-a o fato de seus dois irmãos serem oficiais de alta patente). Mesmo assim, arriscava-se e exercia sua função sem olhar a quem beneficiava. Salvou muitas vidas de soldados e civis dos quatro países que participavam do embate, incluindo crianças do lado paraguaio "convocadas" para guerrear, e muitos foram os menores mutilados e mortos na carnificina.

Assunção, capital do Paraguai, foi sitiada pelo Brasil. Usando recursos financeiros próprios, oriundos de herança familiar, Ana Néri montou uma enfermaria-modelo no local. Em meio a muito trabalho, a brasileira adotou três crianças - filhos de pais desaparecidos em combate. No fim da guerra, levou-os com ela para o Brasil. Recebeu do imperador Dom Pedro II uma medalha e uma pensão vitalícia para cuidar dos novos filhos.

Mas a homenagem não foi dada somente pela corte. O povo da capital brasileira, então o Rio de Janeiro, a recebeu com uma calorosa festa nas ruas. Foi acolhida com uma chuva de pétalas de rosas. Uma numerosa caravana de baianos seguiu para a corte para a recepção. Na Bahia, em 1870, recebeu condecorações da província e ocupou lugar de honra na Câmara Municipal de Salvador.


O governo imperial conferiu-lhe a Medalha Geral de Campanha e a Medalha Humanitária de primeira classe.  Victor Meireles pinta sua imagem, que é colocada no edifício do Paço Municipal.

O médico Carlos Chagas, então diretor do Instituto Oswaldo Cruz, homenageou-a, colocando o nome da valorosa combatente na primeira escola de enfermagem do Brasil, que primava pela qualidade. A antes chamada Rua da Matriz, onde a enfermeira nasceu, foi renomeada Rua Ana Néri.

Em 20 de maio de 1880, Ana Néri morre aos 66 anos, no Rio de Janeiro. Foi sepultada com muitas honras por parte das autoridades e do povo.

Em 1938, Getúlio Vargas, assinou o Decreto n.º 2.956, que instituía o Dia do Enfermeiro, a ser celebrado a 12 de maio, devendo nesta data ser prestadas homenagens especiais à memória de Anna Nery, em todos os hospitais e escolas de enfermagem do país. 

Em 2009, por intermédio da Lei n.º 12.105, de 2 de dezembro de 2009, Anna Justina Ferreira Nery entrou para o Livro dos Heróis da Pátria, depositado no Panteão da Liberdade e da Democracia, em Brasília.