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Eliezer Gomes

ELIEZER GOMES
(58 anos)
Ator

☼ Conceição de Macabu, RJ (02/04/1920)
┼ Rio de Janeiro, RJ (12/02/1979)

Eliezer Gomes foi um dos grandes atores negros do cinema brasileiro, nascido em Conceição de Macabu, RJ, no dia 02/04/1920.

Eliezer Gomes teve uma infância pobre, órfão aos 16 anos de idade, trabalhou como comerciário e estivador. Depois foi funcionário público estadual. Ele era protestante e cantor da Igreja Presbiteriana de Madureira. Até então jamais havia aparecido no cinema, foi escolhido num concurso nacional. 

Uma de suas mais célebres atuações foi no papel de Tião Medonho, no filme "O Assalto ao Trem Pagador" (1962), um dos filmes de maior bilheteria da história do cinema nacional. Na estréia, foi assistido por mais de um milhão de pessoas, apenas na cidade do Rio de Janeiro.

Um ano depois, em 1963, participou das filmagens do célebre "Ganga Zumba - Rei dos Palmares" (1964), filme dirigido por Cacá Diegues e com a participação de Cartola e de Dona Zica da Mangueira.

Foi de Conceição de Macabu a Cannes quase por um acaso: Um desconhecido lhe aconselhou a se candidatar ao papel do memorável Tião Medonho. Sua interpretação de Tião Medonho em "O Assalto ao Trem Pagador" rendeu os prêmios de Melhor Ator no Festival de Cinema da Bahia e no V Festival de Cinema de Curitiba, e de Melhor Revelação no Troféu Cinelândia.

Em 1975, Eliezer Gomes levou o Kikito de melhor ator por "O Anjo da Noite".

Eliezer Gomes faleceu aos 58 anos, vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Assalto ao Trem Pagador
Carreira

Cinema
  • 1962 - O Assalto ao Trem Pagador
  • 1964 - Ganga Zumba
  • 1964 - O Beijo
  • 1965 - Choque de Sentimentos
  • 1965 - Crônica da Cidade Amada
  • 1965 - Os Vencidos
  • 1966 - Gern Hab’ Ich Die Frauen Gekillt (Não creditado)
  • 1966 - Samba
  • 1967 - Operação Paraíso
  • 1967 - Palmeiras Negras
  • 1967 - Perpétuo Contra o Esquadrão da Morte
  • 1967 - Tarzan e O Grande Rio (Não creditado)
  • 1968 - Chegou a Hora, Camarada!
  • 1968 - Na Mira do Assassinato
  • 1969 - Carnaval de Assassinos
  • 1969 - Sete Homens Vivos ou Mortos
  • 1970 - Faustão
  • 1971 - O Homem das Estrelas
  • 1973 - Joanna Francesa ... Gismundo
  • 1974 - O Anjo da Noite

Prêmios
  • 1962 - Melhor Ator do Festival de Cinema da Bahia - "O Assalto ao Trem Pagador"
  • 1962 - Revelação no V Festival de Cinema de Curitiba - "O Assalto ao Trem Pagador"
  • 1962 - Revelação no Troféu Cinelândia - "O Assalto ao Trem Pagador"
  • 1975 - Kikito de Melhor Ator - "O Anjo da Noite"

Fonte: Wikipédia

Afrânio da Costa

AFRÂNIO ANTÔNIO DA COSTA
(87 anos)
Advogado e Esportista

☼ Macaé, RJ (14/03/1892)
┼ Rio de Janeiro, RJ (26/06/1979)

Afrânio Antônio da Costa foi um advogado e esportista brasileiro, filho de Mário Antonio da Costa e de Maria Izabel Costa, bacharel em Direito pela Faculdade Livre das Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro.

Colou grau em 28/12/1912 e advogou intensivamente no Fórum do Rio de Janeiro até 07/07/1931, para onde foi nomeado juiz de direito da 8ª Vara Criminal do Distrito Federal, após concurso. De sua documentação consta a certidão especificada de 694 causas por ele patrocinadas nos 18 anos de advocacia.

Ele foi o chefe da equipe brasileira de tiro esportivo e ganhou a medalha de prata nos VII Jogos Olímpicos de Verão, disputados em Antuérpia, na Bélgica, em 1920, ano em que o país esteve pela primeira vez representado nos Jogos por uma delegação.

Afrânio Antônio da Costa foi o primeiro esportista a ganhar uma medalha olímpica (Prata) para o Brasil, em 1920, nos Jogos de Antuérpia, na Bélgica, numa prova de tiro. Ele alcançou o feito um dia antes de Guilherme Paraense entrar para a história com a conquista da primeira medalha de ouro do Brasil, também no tiro, na mesma competição, mas em outra modalidade. Como atletas, os dois defenderam o Fluminense, no Rio de Janeiro.

Praticante e grande apreciador da modalidade, Afrânio da Costa, amigo do então presidente do Fluminense Futebol Clube, Arnaldo Guinle, foi um dos responsáveis pela construção do primeiro estande de tiro do clube, inaugurado em 1919.

Com a proximidade dos Jogos Olímpicos de 1920, Afrânio da Costa foi designado como chefe da equipe de tiro esportivo que iria, com a delegação brasileira, rumo a Antuérpia. Ao longo da viagem, que durou 28 dias, ele produziu um diário com relatos dos acontecimentos por todo o trajeto.

Revelou, por exemplo, que em Bruxelas, Bélgica, sua equipe teve as munições e os alvos de treinamento roubados. Assim que soube do roubo de armas e munição da equipe durante a escala que vôo havia feito em Bruxelas, Afrânio da Costa aproximou-se do coronel George Sanders, chefe da equipe dos Estados Unidos, e conseguiu o empréstimo de duas pistolas Colt e de 2.000 balas. O material emprestado resultou na conquista de três medalhas - uma de ouro, uma de prata e outra de bronze. Sem a iniciativa de Afrânio da Costa, o Brasil não teria sequer participado das provas.

Afrânio Antônio Costa e Dario Barbosa, participantes da equipe brasileira de Tiro dos Jogos Olímpicos da Antuérpia
Como atirador, Afrânio da Costa, que praticava tiro desde 1912, obteve 489 pontos na prova de Pistola Livre 50m Masculino, realizada no dia 02/08/1920. Aquela foi, portanto, cronologicamente, a primeira medalha olímpica conquistada pelo Brasil. A arma de Afrânio da Costa, também emprestada, era o mesmo Colt 22 com que o americano Alfred Lane havia conseguido o ouro em Estocolmo, oito anos antes. Com ela, Afrânio da Costa terminou na frente do próprio Alfred Lane (Bronze), porém atrás do também americano Karl Frederick (Ouro).

Na prova de Tiro Rápido 25m Masculino, Guilherme Paraense ganhou medalha de ouro.

Em 1922, nos Jogos Olímpicos Latino-Americanos disputado, organizado e patrocinado pelo clube onde competia, o Fluminense Futebol Clube, conquistou a medalha de prata na competição de Pistola Livre Individual e a de ouro na Competição Por Equipe, tendo sido por diversas vezes campeão carioca e brasileiro de tiro.

Afrânio da Costa participou da fundação, em 1923, da Federação Brasileira de Tiro (FBT). Foi vice-presidente da União Internacional de Tiro (UIT), hoje International Shooting Sport Federation (ISSF) e membro do Comitê Olímpico Brasileiro.

Advogado, Afrânio da Costa voltaria a integrar uma delegação olímpica brasileira como chefe da equipe de tiro que foi a Los Angeles, em 1932.

Em 1934 chefiou a Seleção Brasileira de Futebol na 2ª Copa do Mundo realizada na Itália.

Em 07/07/1937 foi transferido para a 2ª Vara Civel.

Em 14/03/1940 foi nomeado desembargador do Tribunal de Justiça. Como juiz de direito trabalhou no Tribunal de Justiça cerca de 7 anos, substituindo desembargadores titulares.

Em 04/06/1945, com o advento do regime eleitoral, instalou o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal e foi seu primeiro presidente por 2 anos. Dirigiu e orientou o primeiro alistamento eleitoral, após 1937, tendo atendido cerca de 750.000 eleitores. Sob sua presidência foram realizadas as eleições para Presidente da República e Congresso Nacional, em 03/10/1946 e para completar o Parlamento em janeiro de 1947. Não houve recursos para o Tribunal Superior durante sua gestão.

Fernando Soledade, Tenente Guilherme Paraense, Afrânio da Costa, Tenente Mário Maurety e Dario Barbosa
Por decreto de 09/06/1947, Diário Oficial de 10/06/1947, foi nomeado Ministro do Tribunal Federal de Recursos, e, a seguir, em 25/06/1947, escolhido por seus pares primeiro presidente. Na inauguração estiveram presentes o presidente da República, General Eurico Gaspar Dutra, todo o seu Ministério bem como o cardeal Jayme de Barros Câmara dentre outras autoridades.

Também em 1947, foi eleito para presidir a recém-criada Confederação Brasileira de Tiro ao Alvo (CBTA), no Rio de Janeiro, atualmente denominada Confederação Brasileira de Tiro Esportivo (CBTE).

Em 01/07/1949 foi nomeado para o Supremo Tribunal, tendo permanecido até marco de 1956.

Foi Cavaleiro da Milenar Ordem Soberana e Militar de Malta, tendo sido distinguido com as condecorações: Caxias, Rio Branco, Cinqüentenário da República, Maria Quitéria e Marechal Hermes.

Em reconhecimento público recebeu das mãos do presidente da República, Epitácio Pessoa, em fevereiro de 1921, nos salões do Fluminense Futebol Clube, em seção solene promovida pela Liga da Defesa Nacional, com a presença de todo o Ministério e o Corpo Diplomático, uma placa de ouro com dizeres alusivos ao alto significado da vitória em nome do esporte nacional. Foi saudado na ocasião pelo próprio presidente da República e por Henrique Coelho Neto, em nome da Liga de Defesa Nacional.

Conquistou na Bélgica, Argentina, Chile, França e Suíça 159 medalhas de ouro, 39 de prata e 25 de bronze, alem de 19 tacas de prata, 24 de bronze, além de objetos de arte. Foi 19 vezes campeão brasileiro.

Afrânio da Costa faleceu em 28/07/1979 no Rio de Janeiro, aos 87 anos, tendo sido velado na sede do Fluminense Futebol Clube, do qual havia sido Presidente.

Indicação: Miguel Sampaio

Hervé Cordovil

HERVÉ CORDOVIL
(65 anos)
Compositor, Pianista e Maestro

☼ Viçosa, MG (03/02/1914)
┼ São Paulo, SP (15/07/1979)

Hervé Cordovil foi um compositor, pianista e maestro brasileiro. Entre seus grandes sucessos destacam-se "Meu Pé de Manacá", composto com a prima Marisa Pinto Coelho, "Vida do Viajante", em parceria com Luiz Gonzaga, "Sabiá Lá Na Gaiola", com Mario Vieira, as versões "Biquíni de Bolinha Amarelinha", "Rua Augusta", entre outras.

Filho do médico Cordovil Pinto Coelho e de Maria de Lucca Pinto Coelho, que se dedicava amadoristicamente à música. Sua musicalidade aflorou já na infância, e por volta dos 5 anos de idade já dedilhava ao piano as canções tocadas por sua mãe.

Passaram a viver na cidade mineira de Manhuaçu e por volta dos 10 anos de idade Hervé Cordovil transferiu-se para o Rio de Janeiro onde ingressou no Colégio Militar concluindo o curso em 1931.

Integrou a banda de música do colégio e junto a outros colegas formou um grupo de jazz que se apresentava em casas de oficiais e em bailes promovidos pelo próprio colégio. Passou a ter aulas com Romeu Malta, maestro da banda do colégio e como já compunha algumas músicas arriscou-se a apresentá-las a Eduardo Souto, diretor da Casa Edison, que o desencorajou a seguir como compositor.

Estreou  em 1931 na Rádio Sociedade como pianista e compositor da Orquestra de Romeu Silva. Rapidamente tornou-se um dos pianistas mais requisitados pelas rádios cariocas.

Em 1933, transferiu-se para a Rádio Philips.

Foi compositor de jingles, e em 1934 compôs em parceria com Lamartine Babo a marcha "Madame do Barril", uma sátira à figura francesa "Madame Du Barry", uma de suas primeiras composições no gênero. Nesse mesmo ano fez sucesso com a marcha "Carolina" (Hervé Cordovil e Bonfiglio de Oliveira), gravada por Carlos Galhardo na época cantor em início de carreira.

Em 1935, regeu a orquestra que  participou do filme "Estudantes", dirigido por Wallace Downey, passando desde então a musicar peças de teatro entre as quais "Da Favela ao Catete" escrita por Freire Júnior.  Neste mesmo ano destacou-se com a composição "Triste Cuíca" (Hervé Cordovil e Noel Rosa), lançada por Aracy de Almeida.

Em 1936 diploma-se na Faculdade de Direito de Niterói. Compôs para o filme "Alô, Alô Carnaval", de Adhemar Gonzaga, a marcha "Não Resta a Menor Dúvida" (Hervé Cordovil e Noel Rosa). Transferiu-se para a Rádio Guarani de Belo Horizonte onde atuou por dois anos, cumprindo o compromisso de apresentar uma música inédita por dia. Por essa época compôs "Pé de Manacá", parceria com sua prima Marisa Pinto Coelho, música que fez sucesso alguns anos mais tarde, registrada por Isaura Garcia.

De volta ao Rio de Janeiro, compôs em 1938 o jingle "Esquina da Sorte" (Hervé Cordovil e Lamartine Babo), feito para uma casa lotérica e gravado pelo próprio Lamartine Babo em dueto com Aracy de Almeida.

Em 1940, teve o samba-jongo "Negro Está Sambando" (Hervé Cordovil e Humberto Porto), gravado por Dalva de Oliveira e Dupla Preto e Branco. Transferiu-se para a Rádio Tupi de São Paulo. 

O cantor Ronnie Cord e seu pai Hervé Cordovil
Em 1941, casou-se com Daicy Portugal Cordovil com quem teve quatro filhos, um deles o cantor e compositor Ronnie Cord, figura importante do movimento pop brasileiro que se estruturou em torno da Jovem Guarda, a partir de 1965. Outra filha sua, Maria Regina teve curta carreira artística no começo dos anos 60 quando gravou diversos discos.

Em 1944, o samba "Veja Você" (Hervé Cordovil e Valdomiro Pereira), foi lançado pelo Conjunto Tocantins.

Em 1945, foi convidado a trabalhar na Rádio Record de São Paulo  onde permaneceu por 26 anos, aposentando-se em 1971. Ainda em 1945, teve o samba "Nêgo" incluído no filme "Caídos do Céu" em gravação de Isaura Garcia. Nesse mesmo ano, os sambas "Mulher de Malandro" e "Quando Morre Um Sambista" foram gravados por Isaura Garcia.

Em 1946, o choro "Gavião Chô Chô" foi lançado por Isaura Garcia.

Em 1948, o grupo vocal Vagalumes do Luar gravou a marcha "A Galinha do Vizinho" (Hervé Cordovil e Armando Rosas). O maxixe "Louco Por Tuba" (Hervé CordovilArrelia e Ivando Luiz), foi gravado pelo palhaço de crico Arrelia. Nesse ano, a marcha "Você Quer Casar Comigo?" (Hervé Cordovil e David Nasser), foi incluída no filme "Poeira de Estrelas" na interpretação de Emilinha Borba.

Em 1949, o balanceio "Cabeça Inchada", sobre motivos mineiros, foi incluído no filme "Uma Aventura no Rio" na interpretação de Carmélia Alves, que com ele alcançou grande sucesso, sendo ainda gravado por Sólon Salles, Adelaide Chiozzo, Eliana, Francisco Canaro, Abel Ferreira e Seu Conjunto e Sylvio Mazzucca. Ainda nesse ano, os cantores  Ivon CuriCarmélia Alves lançaram em dueto o baião "Me Leva" (Hervé Cordovil e Rochinha).

Em 1950, obteve grande sucesso com a composição "Sabiá Lá Na Gaiola" (Hervé Cordovil e Mário Vieira), lançada por Carmélia Alves e incluída no filme "Aí Vem o Baião". Nesse ano, o baião "Pé de Manacá" composto anos antes foi lançado por Isaura Garcia, em dueto com ele mesmo, tendo conhecido ainda gravações dele próprio, Carmélia Alves, MarleneIvon Curi, Muraro e Portinho e Sua Orquestra. O samba "Tem Pena de Mim" foi gravado por Aracy de Almeida recebendo ainda registros de Sólon Salles, Carmélia Alves, André Penazzi, Norma Avian, Sambistas do Asfalto e Simonetti e Sua Orquestra.

Em 1951, o baião "A Saudade é de Matá (Adeus Pernambuco)" (Hervé Cordovil e Manezinho Araújo), foi gravada em dueto por Carmélia Alves e Jimmy Lester, recebendo ainda registro de Luiz Gonzaga. Neste mesmo ano, teve gravadas por Carmélia Alves os baiões "Adeus, Adeus Morena" (Hervé Cordovil e Manezinho Araújo), e "Baião Vai, Baião Vem". Teve ainda o samba-canção "Chuva" gravado por Isaura Garcia. Esta composição foi também registrada por André PenazziCarmélia Alves, Hebe Camargo, Agnaldo Rayol e Johnny Alf. Teve três composições incluídas em filmes: a toada-baião "Esta Noite Serenou", no filme "Meu Destino é Pecar", a toada-baião "Moreninha Moreninha", e a polca "Tô Sobrando", ambas em parceria com Luiz Gonzaga, incluídas no filme "O Comprador de Fazendas", as duas últimas na interpretação de Luiz Gonzaga, então no auge do sucesso. Ainda em 1951, gravou seu baião "Sei Lá", em dueto com Carmélia Alves em disco lançado pela gravadora Continental.

Em 1952, fez grande sucesso com "Baião da Garoa" (Hervé Cordovil e Luiz Gonzaga), que o lançou, tendo sido ainda regravado por Carmélia Alves, Guio de Morais e Seus Parentes, Sérgio Reis e Dominguinhos. Nesse ano, gravou em dueto com Isaura Garcia "Baião da Solidão" (Hervé Cordovil e Marisa Pinto Coelho). Teve ainda o baião "Xaxado" (Hervé Cordovil e Luiz Gonzaga), interpretado pelo grupo vocal Quatro Ases e Um Coringa no filme "Simão, o Caolho". Outro sucesso desse ano, foi o samba-canção "Jangada" que recebeu gravações de Jimmy Lester, Esterzinha de Souza, Sílvio Caldas, Leny Eversong e José Tobias.

Hervé Cordovil (Óculos), Carmélia Alves, Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira
Em 1953, obteve novo grande sucesso em composição feita em parceria com Luiz Gonzaga, o xote-baião "A Vida Viajante", que foi gravado por Luiz Gonzaga e recebeu regravações, entre outros, de GonzaguinhaMarinês, Pena Branca & Xavantinho, Trio Nordestino e Chico Buarque. Nesse ano, outras de suas composições receberam mais de uma gravação, como foi o caso do samba-canção "De Tanto Acreditar" (Hervé Cordovil e René Cordovil), lançado por Dircinha Batista, José Tobias e Morgana, o samba "E Ela Não Vem" (Hervé Cordovil e Vicente Leporace), que foi gravado por Titulares do RitmoLeny Eversong e Carmélia Alves, e o samba-canção "Falaram de Você" (Hervé Cordovil e René Cordovil), registrado por Almir Ribeiro e por Isaura Garcia. Ainda em 1953, fez os arranjos para o motivo popular "Mulher Rendeira" gravado pelo Trio Marabá e que fez parte da trilha sonora do filme "O Cangaceiro", de Lima Barreto, o primeiro filme brasileiro a obter sucesso no estrangeiro, sendo interpretado por Homero Marques, Zé do Norte e Demônios da Garoa.

Em 1954, teve duas composições interpretadas por Carmélia Alves em dois filmes diferentes: o baião "O Miguel é o Maior" (Hervé Cordovil, Pascoal José e Marcílio), no filme "Carnaval em Caxias", e a marcha "Disco Voador", do filme "Carnaval Em Lá Maior".

Em 1956, gravou, em dueto com Carmélia Alves, os sambas "Nego Difíci", e "Nego Tabuleta", ambas parcerias com Osvaldo Molles.

Em 1959, gravou, pela Copacabana a "Polca do Fritz" e o choro "Não Tem Choro", ambos de sua autoria.

Em  1961, fez sucesso nacional com a marcha "Carta a Papai Noel", gravada por sua filha Maria Regina, então uma criança de 5 anos de idade.

Em 1964 compôs músicas  no estilo Jovem Guarda entre as quais "Rua Augusta", "Boliche Legal" e a versão da música "Itsy Bitsy Teenie Weenie Yellow Polka Dot Bikini" (Biquini de Bolinha Amarelinha). De sua produção, algumas composições foram feitas em parceria com seus filhos Ronnie Cord e René Cordovil.

Em 1966, compôs "Canto ao Brasil", peça sinfônica orquestrada por Gabriel Migliori e executada pela Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo.

Em 1977, participou do show comemorativo "30 Anos de Baião", realizado no Teatro Municipal de São Paulo, ocasião na qual também se apresentaram Luiz GonzagaCarmélia Alves e Humberto Teixeira.

Em 1997, foi publicado o livro "Hervé Cordovil - Um Gênio da Música Popular Brasileira" de autoria de Maria do Carmo Tafuri Paniago.


Discografia


  • 1959 - Polca do Fritz / Não Tem Choro (Copacabana, 78)
  • 1956 - Nego Difíci / Nego Tabuleta (Continental, 78)
  • 1951 - Sei Lá (Continental, 78)
  • 1950 - Pé de Manacá (RCA Victor, 78)

Indicação: Miguel Sampaio

Djanira da Motta e Silva

DJANIRA DA MOTTA E SILVA
(64 anos)
Pintora, Desenhista, Ilustradora, Cartazista, Cenógrafa e Gravadora

☼ Avaré, SP (20/06/1914)
┼ Rio de Janeiro, RJ (31/05/1979)

Djanira da Motta e Silva foi uma pintora, desenhista, ilustradora, cartazista, cenógrafa e gravadora brasileira. Nasceu em Avaré, SP, filha de Oscar Paiva e Pia Job Paiva foi registrada inicialmente como Dijanira e que mais tarde foi retificado pela artista em ação judicial. Seus familiares a tratavam como Dja.

Na década de 30 casou-se com Bartolomeu Gomes Pereira, um oficial da Marinha Mercante, que morreu na Segunda Guerra Mundial, quando passou a se chamar Djanira Gomes Pereira.

Aos 23 anos, foi internada com tuberculose no Sanatório Dória, em São José dos Campos, SP, onde fez seu primeiro desenho: um Cristo no Gólgota. Com a melhora, continuou o tratamento no Rio de Janeiro, e residiu em Santa Teresa, por causa do seu ar puro.

Em 1930, alugou uma pequena casa no bairro e instalou uma pensão familiar. Um de seus hóspedes, o pintor Emeric Marcier, a incentivou e lhe dar aulas de pintura. Djanira também frequentava, à noite, o curso de desenho no Liceu de Artes e Ofícios, Nesse período travava contato com o casal Árpád Szenes e Maria Helena Vieira da Silva, Milton Dacosta, Carlos Scliar, e outros que viviam em Santa Teresa e frequentavam o meio artístico.

Djanira com um primo, aos dois anos
No fim da década de 30, na capital fluminense, teve suas primeiras instruções de arte em curso noturno de desenho no Liceu de Artes e Ofícios e com o pintor Emeric Marcier, hóspede da pensão que Djanira instalou no bairro de Santa Teresa. Os contatos com os artistas Carlos Scliar, Milton Dacosta, Árpád Szenes, Maria Helena Vieira da Silva e Jean-Pierre Chabloz, frequentadores da pensão, proporcionaram um ambiente estimulador que a levou a expor no 48º Salão Nacional de Belas Artes, em 1942.

Em 1943, realizou sua primeira mostra individual, na Associação Brasileira de Imprensa (ABI).

Em 1945, viajou para New York, onde conheceu a obra de Pieter Bruegel e entrou em contato com Fernand Léger, Joan Miró e Marc Chagall. De volta ao Brasil, realizou o mural "Candomblé" para a residência do escritor Jorge Amado, em Salvador, BA, e painel para o Liceu Municipal de Petrópolis.

Entre 1953 e 1954, viajou a estudou na a União Soviética.

A sua pintura dos anos 40 é geralmente sombria, utiliza tons rebaixados, como cinza, marrom e negro, mas já apresenta o gosto pela disciplina geométrica das formas. Na década seguinte, sua palheta se diversifica, com uso de cores vibrantes, e em algumas obras trabalha com gradações tonais que vão do branco ao cinza claro. Apresenta em seus tipos humanos uma expressão de solene dignidade.

A artista sempre buscou aproximar-se dos temas de suas obras: no fim da década de 50, após convivência de seis meses, pintou os índios Canela, do Maranhão. Em 1950 em sua estada em Salvador, BA, ela conhece José Shaw da Motta e Silva, o Motinha, funcionário público, nascido em Salvador em 29/01/1920 e com ele se casou no Rio de Janeiro em 15/05/1952, mudando o nome para Djanira da Motta e Silva.


De volta ao Rio de Janeiro, tornou-se uma das líderes do Movimento Pelo Salão Preto e Branco, um protesto de artistas contra os altos preços do material para pintura.

Realizou em 1963, o painel de azulejos "Santa Bárbara", para a capela do túnel Santa Bárbara, Laranjeiras, Rio de Janeiro.

No ano de 1966, a editora Cultrix publicou um álbum com poemas e serigrafias de sua autoria.

Em 1977, o Museu Nacional de Belas Artes, realizou uma grande retrospectiva de sua obra.

Na década de 70, desceu às minas de carvão de Santa Catarina para sentir de perto a vida dos mineiros e viajou para Itabira para conhecer o serviço de extração de ferro.

Djanira trabalhou ainda com xilogravura, gravura em metal, e fez desenhos para tapeçaria e azulejaria. Em sua produção, destaca-se o painel monumental de azulejos para a capela do túnel Santa Bárbara no Rio de Janeiro.

Inicialmente nomeada como "primitiva", gradualmente sua obra alcançou maior reconhecimento da crítica. Como apontou o crítico de arte Mário Pedrosa (1900-1981), "Djanira é uma artista que não improvisa, não se deixa arrebatar, e, embora possuam uma aparência ingênua e instintiva, seus trabalhos são consequência de cuidadosa elaboração para chegar à solução final".

Djanira da Motta e Silva em 1967
Luto Em Avaré

"O prefeito Fernando Cruz Pimentel, decretou luto oficial por três dias em homenagem póstuma a Djanira da Motta e Silva, falecida em 31 de maio de 1979, quinta-feira, às 11:25 hs., no Hospital Silvestre, no Rio de Janeiro, vítima de enfarte. Contava com 65 anos. Seu médico particular era o Drº Nataliel Rodrigues.
A pintora manifestou em vida o desejo de ser enterrada descalça e com o hábito de irmã da Ordem Terceira do Carmo, instituição religiosa a que estava ligada nos últimos anos."

Djanira se tornou freira da Ordem das Carmelitas em 1972.

Em sua memória, foi criado em 31/05/2000 o Centro Cultural Djanira da Motta, pelo prefeito em exercício Joselyr Benedito Silvestre, instalado em meio a um bosque na área urbana, onde funcionou no passado a estatal agrícola CAIC. O local recebeu o nome da pintora Djanira, significando o tributo do município de Avaré à "maior artista avareense de todos os tempos", cujas telas ficaram mundialmente conhecidas por retratarem de forma genuína as cores do Brasil. O espaço abriga a Biblioteca Municipal Professor Francisco Rodrigues dos Santos.

No mesmo local foi criado em 02/04/2008 o Memorial Djanira da Motta e Silva mostra de objetos pessoais, obras e material de referência.

Obras Mais Conhecidas

  • 1958 - Painel de Santa Bárbara (Acervo do Museu Nacional de Belas Artes MNBA - RJ)
  • 1962 - Festa do Divino em Parati (Acervo do Palácio dos Bandeirantes)
  • 1944 - O Circo (Acervo da Funarte)
  • Senhora Sant'Ana de Pé (Acervo do Museu de Arte Moderna do Vaticano)
  • 1975 - Inconfidência (Acervo do Governo do Estado de Minas Gerais)
  • 1959 - Serradores (Coleção Roberto Marinho)
  • 1962 - Anjo Com Acordeão (Coleção Gilberto Chateaubriand - Museu Arte Moderna, RJ)
  • 1956 - Pescadores (Coleção embaixador Taylor)


Embarque de Bananas
Obras Em Avaré
Acervo do Museu Histórico e Pedagógico Anita Ferreira de Maria

  • 1957 - Embarque de Bananas (Óleo sobre tela)
  • Década de 40 - Sem Título (Óleo sobre tela)
  • 1967 - Viagem (Poema ilustrado)
  • 1967 - Canção (Poema ilustrado)
  • 1967 - Acalanto (Partitura musical para órgão)
  • 1967 - O Corvo (Poema ilustrado)
  • 1967 - Prelúdio Para o Motta (Partitura musical para órgão)
  • 1966 - Fabrico do Açúcar (Serigrafia)
  • Cafezal


Citações

Djanira da Motta e Silva nas palavras do amigo e escritor Jorge Amado:
"Djanira traz o Brasil em suas mãos, sua ciência é a do povo, seu saber é esse do coração aberto à paisagem, à cor, ao perfume, P'as alegrias, dores e esperanças dos brasileiros.
Sendo um dos grandes pintores de nossa terra, ela é mais do que isso, é a própria terra, o chão onde crescem as plantações, o terreiro da macumba, as máquinas de fiação, o homem resistindo à miséria. Cada uma de sua telas é um pouco do Brasil."

Djanira da Motta e Silva homenageada pelo poeta Paulo Mendes Campos:

Cantiga Para Djanira

O vento é o aprendiz das horas lentas,
Traz suas invisíveis ferramentas,
Suas lixas, seus pentes-finos,
Cinzela seus castelos pequeninos,
Onde não cabem gigantes contrafeitos,
E, sem emendar jamais os seus defeitos,
Já rosna descontente e guaia
De aflição e dispara à outra praia,
Onde talvez possa assentar
Seu monumento de areia - e descansar.

Fonte: Wikipédia

Sérgio Fleury

SÉRGIO FERNANDO PARANHOS FLEURY
(45 anos)
Policial

* Niterói, RJ (19/05/1933)
+ Ilhabela, SP (01/05/1979)

Sérgio Fernando Paranhos Fleury foi um policial que atuou como delegado do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) de São Paulo, durante a ditadura militar no Brasil e ficou notoriamente conhecido por sua pertinácia ao perseguir os opositores do regime. Sofreu diversas acusações formais pelo Ministério Público pela contumácia na prática de tortura e homicídios contra os opositores do golpe de estado orquestrado pelos militares em 1964.

Vários depoimentos, testemunhas e relatos de presos políticos, apontam que ele usava sistematicamente a tortura durante os interrogatórios que comandava na época do regime militar brasileiro. Vários dos militantes que eram capturados pelo delegado Fleury não resistiram a essas torturas e acabaram morrendo, como no caso de Eduardo Collen Leite, guerrilheiro de renome, que foi torturado por cerca de quatro meses.

Sérgio Fleury foi o principal responsável pela tentativa de captura e morte de Carlos Marighella, ícone da extrema-esquerda, apontado como participante da Chacina da Lapa e de mais uma série de casos envolvendo combate e morte de opositores do regime.

Carreira

Bacharel em Direito, delegado em 1966, atuou no serviço de radio-patrulhamento da cidade de São Paulo, ganhando notoriedade no combate enérgico às organizações armadas de esquerda, utilizando-se também de violência.

Em 1968, foi requisitado pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), para lutar contra os movimentos de oposição ao governo militar no Brasil.

Pela sua participação nas ações desenvolvidas pelas Forças Armadas do Brasil durante a chamada "guerra subversiva", foi condecorado pelo Exército Brasileiro com a Medalha do Pacificador e pela Marinha de Guerra com o título de "Amigo da Marinha".

Sérgio Fleury participou da prisão dos estudantes da União Nacional dos Estudantes (UNE), Congresso de Ibiúna, 1968. Foi acusado de determinar o extermínio de militantes comunistas em São Paulo (1968-1969). Chefiou a captura, seguida da troca de tiros que matou Carlos Marighella em 04/11/1969 e de buscas visando a prender diversos opositores à ditadura militar ligados a este último, em 1971.

A Inversão da Tática

Ao contrário dos métodos do Exército, empregados na repressão aos movimentos subversivos nos demais estados brasileiros, que copiavam modelos empregados pela França e pelos Estados Unidos na luta contra a insurgência, envolvendo equipamentos sofisticados e até o uso de satélites, o delegado Sérgio Fleury adotou a inversão dessa tática.

Um artigo publicado na revista Veja de 12/11/1969, ressaltava que o sucesso de Sérgio Fleury no combate à luta armada da esquerda, deveu-se a sua experiência no combate aos criminosos comuns. Para ele, a motivação política era secundária.

"Um assalto a banco, praticado por um subversivo, deveria ser investigado como um assalto comum. O subversivo que roubasse um automóvel deveria ser procurado como qualquer 'puxador'."

A tática usada no cerco a Carlos Marighella foi a mesma empregada na captura de marginais. A revista, entrevistando um delegado do DOPS paulista, obteve a seguinte informação:

"Quando a gente prende um malandro, ladrão ou assassino, enfim um bandido, e a gente sabe que ele tem um companheiro, obrigamos o preso a nos levar até o barraco onde o outro mora. O bandido vai lá, bate na porta, o outro pergunta: 'quem é?', e o bandido responde: 'sou eu'. O camarada abre a porta e entram dez policiais junto com o bandido. Foi assim que Fleury obteve sucesso no combate à subversão: em cada dez diligências, sete eram proveitosas."

Esquadrão da Morte e Anistia Política

Além de acusado pela prática de tortura contra guerrilheiros, foi investigado e denunciado pelos Promotores de Justiça Hélio Bicudo e Dirceu de Mello por supostos assassinatos praticados pelo Esquadrão da Morte.

O delegado Sérgio Fleury foi apontado pelo Ministério Público de São Paulo como o principal líder desse Esquadrão. Apesar de algumas condenações, não chegou a cumprir pena.

Foi condecorado pelo governador Abreu Sodré em 1969, e foi escolhido Delegado do Ano em duas oportunidades, em 1974 e 1976, em meio a diversas acusações de tortura e homicídios.

Em 1978, na convenção da Aliança Renovadora Nacional (ARENA) em São Paulo, apoiou a candidatura do coronel Erasmo Dias à Câmara dos Deputados. Opôs-se à anistia política promulgada em 1979.

Foi beneficiado por uma lei que facultava a liberdade aos réus primários e com residência fixa que ficou conhecida como Lei Fleury.

Morte

Sérgio Fleury morreu vítima de afogamento, segundo a sua mulher Maria Izabel Oppido, presente em sua lancha na madrugada do dia 01/05/1979. Seu corpo foi sepultado sem ter sido necropsiado, o que gerou comentários de que ele teria sido assassinado pela esquerda como vingança ou como "queima de arquivo" pelos seus antigos colaboradores da ditadura.

Segundo relatos no livro "Memórias de Uma Guerra Suja", o ex-delegado do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) do Espírito Santo, Cláudio Antônio Guerra, assume na condição de um ex-agente da repressão aos opositores da ditadura militar, que o também delegado Sérgio Paranhos Fleury teria sido assassinado por ordem dos próprios militares.

Segundo Claudio Guerra, "o delegado Fleury tinha se tornado um homem rico desviando dinheiro dos empresários que pagavam para sustentar as ações clandestinas do regime militar e não obedecia mais a ninguém, agindo por conta própria".

Segundo o mesmo, "Fleury teria sido dopado e levado uma pedrada na cabeça antes de cair no mar, fato que justificaria a estranha ausência da necropsia do cadáver".

O delegado Sérgio Fleury era conhecido e temido publicamente no Estado de São Paulo como agente apoiador da ditadura, torturador e assassino de opositores ao regime militar. Assim, quando sua morte foi anunciada pelo jornalista Juca Kfouri no famoso Comício do Sindicato dos Metalúrgicos do Grande ABC no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, ainda durante o 1º de maio, ele teve a duvidosa homenagem de ter a notícia de sua morte festejada e efusivamente aplaudida por aproximadamente 100 mil pessoas.

Cinema

Sérgio Fleury é interpretado por Cássio Gabus Mendes no filme "Batismo de Sangue" (2007), do diretor Helvécio Ratton. Também por Ernani Moraes, como Delegado Flores no filme "Lamarca" (1994), de Sérgio Rezende. O personagem de um delegado da repressão interpretado pelo ator Carlos Zara no filme "Pra Frente Brasil" (1980), também é vagamente inspirado no delegado Sérgio Fleury.

Fonte: Wikipédia

J. B. de Carvalho

JOÃO PAULO BATISTA DE CARVALHO
(78 anos)
Cantor e Compositor

* Rio de Janeiro, RJ (26/04/1901)
+ Rio de Janeiro, RJ (24/08/1979)

João Paulo Batista de Carvalho foi um cantor e compositor brasileiro. Ficou conhecido como "O Batuqueiro Famoso". Notabilizou-se como cantor de corimas e pontos de macumba.

Iniciou a carreira artística em 1931, liderando o Conjunto Tupi na extinta Rádio Cajuti, e interpretando corimas, músicas cantadas durante os rituais de macumba. Dirigiu durante anos o Conjunto Tupi que teve entre seus integrantes o cantor e compositor Herivelto Martins. Foi o pioneiro na apresentação de pontos de umbanda em programas de rádio.

Consta que o grupo, que fez apresentações em quase todas as emissoras de rádio cariocas no início da década de 1930, sofria frequentes interrupções da polícia pois as pessoas entravam em transe ao ouvir as músicas.

Foi preso diversas vezes e dizia que sempre era solto devido à sua amizade com o presidente Getúlio Vargas.

Lançou seu primeiro disco solo pela RCA Victor em 1931, interpretando os batuques "E Vem o Sol" e "Na Minha Terrera", de sua autoria. Em seguida, gravou na Parlophon a marcha "Isto é Azar" e o samba "Gente Faladeira", obras de Maximiliano F. da Costa. Ainda em 1931, paralelamente à sua carreira solo também fez gravações com o Conjunto Tupi dirigido por ele e que seria integrado entre outros por Herivelto Martins e Francisco Sena, que posteriormente sairiam do conjunto formando a dupla Preto e Branco, embrião do lendário Trio de Ouro. Nesse ano de 1931 o Conjunto Tupi lançou o batuque "Cadê Viramundo", de sua autoria, que se tornaria seu maior êxito como compositor, sendo anos depois regravada pelo músico mexicano Xavier Cugat, o cateretê "Bambaia" (J. B. de Carvalho e P. Nascimento), os sambas "Foi Sem Querer" e "Fica no Mocó", o jongo "Palavra Caboclo" e a canção "Chegou o Fim do Mundo" todas de sua autoria.

Em 1932 gravou a toada "Saudade do Vaqueiro" (J. B. de Carvalho e Paulo Nascimento), que somente seria lançada três anos depois. Também nesse ano, fez novas gravações com o Conjunto Tupi que registrou, de sua autoria, a canção "Minha Cabocla Serrana", o batuque "Saci Pererê", os sambas "O Destino Há de Falar""Isto é Que é", o jongo "Quando o Sol Sair", a toada "Depois Daquela Montanha", e o samba-canção "A Palavra Adeus", além da macumba "Mironga de Moça Branca" (J. B. de Carvalho e Gastão Viana), a marcha "Da Cor do Meu Violão" (J. B. de Carvalho e Herivelto Martins). Essa marcha na verdade era somente de autoria de Herivelto Martins que ainda em começo de carreira cedeu-lhe a parceria em troca da gravação.

Em 1933, contratado pela Odeon gravou o samba canção "Quetuba da Ita" (J. B. de Carvalho e Maximiliano F. da Costa), a rumba "Cadê o Craveiro" (J. B. de Carvalho). Como era comum naquela época artistas lançarem discos num mesmo ano por gravadoras diferentes, gravou pela Columbia o samba "Vivo Tristonho" (César da Silva) e o batuque "Vê Se é" (J. B. de Carvalho). Ainda em 1933, o Conjunto Tupi gravou seus batuques "Lá no Horizonte", "Rei Coroado" e "Rompendo a Madrugada", e a canção "Boiadeiro".

Em 1935, já com o Conjunto Tupi tendo encerrado as atividades, voltou a gravar na RCA Victor e registrou a macumba "Meia Noite" (J. B. de Carvalho e J. Piedade), a toada-cateretê "Sinhá Maria Rosa" (Roberto Martins e Ataulfo Alves), as marchas "Criança Louca" (Sátiro de Melo), "Flauta de Bambu" (Sátiro de Melo e J. Bastos Filho), e os sambas "Se Você Não Quer Saber de Mim" (Sátiro de Melo), "Nosso Amor" (Sátiro de Melo e Jorge Nóbrega). Nesse mesmo ano, registrou na Columbia os sambas "Nega Reúna" e "Canta Meu Pandeiro", parcerias com J. Piedade.

Em 1936, lançou os jongos "Pomba Gira" (J. B. de Carvalho e Jorge Nóbrega), e "É Timbetá" (Getúlio Marinho), os sambas "Eu Nunca Pensei" (Paquito e Miguel Baúso), "Esta Mulher Me Provoca" (J. B. de Carvalho e Cândido Vasconcelos), "Falso Amor" (J. B. de Carvalho e Osvaldo Silva), que fez bastante sucesso, e a marcha "Alô Boy" (Kid Pepe, J. Piedade e Homero Ferreira).

Em 1937, gravou as macumbas "Caboclo do Mato" e "No Fundo do Mar" (João da Baiana e Getúlio Marinho), o batuque "Vem Baianinha" (Max Bulhões e Constantino Silva), as batucadas "O Batuque Começou" (Peterpan e Oscar Lavado), e "Foste Embora" (Djalma Esteves, Carlos Almeida e Raul Rezende), os sambas "Bateu Cinco Horas" (Haroldo Lobo e Milton de Oliveira), "Eu Era Bem Feliz" (J. B. de Carvalho e J. Nóbrega), "Só Um Novo Amor" (Max Bulhões), "Juro" (Haroldo Lobo e Milton de Oliveira), "Julgou Ser Feliz" (Valdemar Silva e C. Vasconcelos), "Não Sei Se Chorei" (Peterpan e M. Robledo), a marcha "Vaca Preta" (J. B. de Carvalho e Jorge Nóbrega).

Em 1938, gravou mais oito disco na RCA Victor registrando as marchas "Tereré Não Dá Camisa a Ninguém" (Valfrido Silva e Antônio Almeida), "Americana" (Tio Sam), "Dona Laura" (Arlindo Marques Jr. e Roberto Roberti), os sambas "Mulher Sem Dono" (J. Piedade e Torres Homem), "Minha Vida é Cantar" (Peterpan e J. Portela), "Gostei Do Teu Olhar" (Armando Marçal e Antônio Soares), "O Coração Ordena" (Alvaiade e Paquito), "Deve Ser Amor" (Nelson Trigueiro e Paquito), "Despedida" (Haroldo Lobo e Milton de Oliveira), e "Princípio de Amor" (Amado Régis), os cateretês "O Rancho De Sapé" (J. B. de Carvalho), "Na Boca Da Noite" (João Maia e Pedro Paraguassu), o jongo "Suará" (J. B. de Carvalho e Jorge Nóbrega), o maracatu "Bagé" (Odilon Carvalho e Raimundo Ferreira), e o batuque "Melodia Africana" (J. B. de CarvalhoIlca Airosa e Durval Fernandes), em gravação feita em dueto com a cantora Odete Amaral.

Em 1939 lançou um último disco pela RCA Victor com o ponto de macumba "Meia Noite" (Antenor Borges e Príncipe Pretinho), e o samba-canção "Grande Mágoa" (Raul Marques e J. Miranda Pinto). Ainda em 1939 foi para a Odeon e gravou os sambas "Em Sonhos Te Beijei" (Djalma Esteves e Milton de Oliveira), "Quando o Meu Amor Morreu", com arranjos seus, de Djalma Esteves e Milton de Oliveira, para a melodia do fox "My Love Parade" adaptada para ritmo de samba, "Foi Num Sonho" (J. Cascata e Roberto Martins), "Me Deixa Em Paz" (J. B. de Carvalho e Paulo Rodrigues), "Noite De Lua" (Max Bulhões e Felisberto Martins), "Com a Vida Que Pediste a Deus" (Ismael Silva), "Dormindo Sonhei" (Paquito, Chico Cuíca e Ernâni Dias), "Te Encontrei No Abandono" (Kid Pepe e Germano Augusto), "Sonhou" (Haroldo Lobo e Milton de Oliveira), e as marchas "Descança Palhaço" ( (J. B. de Carvalho e Nicola Bruni), "Mulata Nacional" (J. B. de Carvalho e Manoel Ferreira), "Touradas Na Avenida" (J. B. de Carvalho e Felisberto Martins).

Tendo atuado numa época em as gravações eram difíceis é de se notar a quantidade de gravações que chegou a fazer lançando seis disco em 1939 e mais oito no ano seguinte quando gravou as batucadas "Poeira" (J. Santos e Abigail Moura), "Ciúmes de Pai João" (Fausto Vasconcelos e Felisberto Martins), os samba-canção "Era Eu" (J. B. de Carvalho e Amadeu Veloso), "Suas Lágrimas" (Paquito e Henrique de Almeida), os sambas "Beira-Mar" (Paulo Rodrigues e Pedro Carvalho), "Falsa Jura" (Paulo Rodrigues e J. M. Hermida), "Se Ela Perguntar" (Amado Régis e Zé Pretinho), "Saudade De Um Batuqueiro" (A. Alexandrino, Max Bulhões e Elpídio Viana), "Não Há Quem Possa" (Edgard Freitas e Sá Róris), "Partiu... Para Onde Não Sei..." (Henrique Mesquita e Felisberto Martins), "Essa Sopa Vai Acabar" (Lázaro Martins e Pedrito), o samba jongo "Iaiá, Ioiô e a Cuíca" (Fausto Vasconcelos e Felisberto Martins), que foi gravado em dueto com a cantora Nena Robledo, e as marchas "Pó De Mico" (Haroldo Lobo e Milton de Oliveira), de grande sucesso no carnaval daquele ano, "A Mulher Faz o Homem" (Nelson Teixeira e Alberto Homsi), "Aguenta o Galho Carolina" (Paulo Rodrigues e Custódio Fontes), "Esta Noite Tive Um Sonho" (J. B. de Carvalho e Kid Pepe).

Ainda em 1940, registrou o batuque "Ponto Do Caboclo Rompe Mato" (J. B. de Carvalho e Nelson Trigueiro), em gravação na qual cantou em dupla com a cantora Eladir Porto, e o samba "Espero Não Zombar De Mim" (Lázaro Martins e Pedrito).

Em 1941, gravou os sambas "O Patrão Está Com a Palavra" (Paquito e Artur Vilarino), "Reportagem Carnavalesca" (Moreira da Silva e Davina Anita Pentone), "Só Eu" (Orlando M. Braga e Pedrito), a batucada "Bota a Canoa No Mar" (J. B. de Carvalho), a marcha-rancho "Lenda Da Rosa Vermelha" (Amado Régis), e o samba-canção "Só Você" (O. M. Braga, Henrique de Almeida e Nelson Trigueiro).

Em 1942, gravou as macumbas "Pai Xangô" (J. B. de Carvalho, Henrique de Almeida e Estanislau Silva), e "São Jorge Guerreiro" (J. B. de Carvalho e Amado Régis).

Em 1945, gravou pela Continental os sambas "Pra Que Esse Abandono?" e "A Estrela Brilhou", parcerias com Amado Régis, a marcha "Margarida" (Lauro Maia e Humberto Teixeira), e o samba "Não Vejo Lágrimas" (Mendonça de Souza).

Depois de alguns anos sem gravar foi contratado pela gravadora Todamérica em 1951 e, seguindo o sucesso do baião, lançou o que seria um novo gênero, o macumbaião gravando "Segura o Boi" e "Saravá", parcerias com Paulo Rodrigues.

Em 1952 gravou as macumbas "Salve Ogum" e "Pedra Rolou", de sua autoria, o baião "Na Encruzilhada" (J. B. de Carvalho e César Cruz), e o samba "A Baiana Chegou" (J. B. de Carvalho e João Dias).

Em 1953, gravou mais quatro macumbas "Cangira" (J. B. de Carvalho, Paulo Rodrigues e Valdir Machado), "Pena Verde" (J. B. de Carvalho e Ângela Dantas), "Ogum Megé" (Paulo Rodrigues), "Mãe D'água" e "Doum, Cosme e Damião", as duas em parceria com Amado Régis, e "São Benedito" (J. B. de Carvalho, Rossini Pacheco e Valdir Machado), os batuques "Ê-Rê-Rê (Caboclo 7 Flechas)" e "Ogum Meu Pai" (César Brasil e Otávio Faria), a marcha "Mei-Noite", (Wilson Batista, Brasinha e J. Batista), e o samba "Vai Pra Casa Do Teu Pai" (Paulo Cardoso).

Em 1954, regravou seu batuque "Cadê Viramundo" (J. B. de Carvalho) além de registrar também o batuque "São Jorge Guerreiro" (Antônio Almeida), as macumbas "Santo Antônio Caminhou" (J. B. de Carvalho e Ari Rebelo), "Pena Branca" (J. B. de Carvalho e Ângelo Dantas), "Ponto de Aniversário (Cosme e Damião)", "Oxumaré" e "Tranca Rua" as três em parceria com Otávio Faria, "Beira-Mar" (J. B. de Carvalho, Otávio Faria e Amado Régis), "Congo é" (J. B. de Carvalho e Ângelo Dantas), os sambas "Penei" (J. B. de Carvalho, Elpídio Viana e Ângelo Dantas) e "Papel De Palhaço" (Abílio de Oliveira), e o baião "Rojão do Lampião" (J. B. de Carvalho).

Em 1955, lançou mais quatro disco com composições de umbanda: as macumbas "Ogum Iara", "Pai Xangô", "Cabolco da Cachoeira", "Cabocla Jurema" e "Caboclo do Mato", todas de sua autoria, e "Dia Das Crianças (Cosme e Damião)" (J. B. de Carvalho e Rossini Pacheco), "Capoeira" (J. B. de Carvalho, Valter Tourinho e Guará), e a marcha "Bilhete à São João" (J. B. de Carvalho, Dias de Oliveira e Mauro Miranda).

Em 1956, gravou com o grupo J. B. de Carvalho e Seus Caboclos as macumbas "Ogum Megê Meu Pai" e "Exu Tranca Rua Das Almas", ambas parcerias com Álvaro F. Gonçalves.

Em 1957, gravou na RCA Victor o samba "Saudação a São Jorge", de sua autoria e os pontos "Ogum Megé" (J. B. de Carvalho e Zé Ferreira), "Saudação a Cosme e Damião" (J. B. de Carvalho e Jarbas Assad), e "Saravá Inhançã" (César Cruz e Silvinha Drumont).

Em 1960, gravou com o grupo J. B. de Carvalho e Seu Terreiro os dois últimos discos pela Todamérica interpretando as macumbas "Vencedor De Demanda" e "Tala Talá", as duas, composições em parceria  com Delmiro Ramos, "Ogum Sete Ondas" (J. B. de Carvalho e Pedro Nascimento), e "Estrela Dalva", de sua autoria.

Em 1961, dezessete de seus discos em 78 rpm foram relançados numa série da gravadora Continental. Lançou ainda com sucesso diversos LPs entre os quais "Terreiros e Atabaques" pela Todamérica, e "Batuque", pela Philips, muito vendidos em casas de artigos de umbanda.

No fim da década de 1960, retirou-se do rádio, mas retornou logo depois, em 1971, quando passou a dirigir na Rádio Carioca o programa "A Carioca dos Terreiros" no qual contou com a presença do locutor Moreira e de J. B. Júnior, que era seu filho, pandeirista e compositor da Portela. Esse programa atingiu grande audiência na época.

Sua longa carreira artística atravessou quase cinco décadas tendo lançado mais de 70 discos entre 78 rpm e LPs pelas gravadoras Odeon, RCA Victor, Columbia, Continental, Parlophon, Todamérica e Philips, deixando seu nome gravado na história da música popular não apenas pelo pioneirismo de levar pontos de macumba para o rádio, já que no disco nomes como João da Baiana e Getúlio Marinho também o fizeram na mesma época, mas pela continuidade de gravar esses pontos até o final da carreira.


Discografia


  • 1931 - E Vem O Sol / Na Minha Terrera
  • 1931 - Isto É Azar / Gente Faladeira
  • 1933 - Quetuba da Ita / Cadê O Craveiro
  • 1933 - Saudade do Vaqueiro
  • 1933 - Vivo Tristonho / Vê Se É
  • 1935 - Meia Noite / Sinhá Maria Rosa
  • 1935 - Criança Louca / Se Você Não Quer Saber De Mim
  • 1935 - Nosso Amor / Flauta De Bambu
  • 1935 - Nega Reúna / Canta Meu Pandeiro
  • 1936 - Poma Girá / Étimbetá
  • 1936 - Eu Nunca Pensei / Esta Mulher Me Provoca
  • 1936 - Falso Amor / Alô Boy
  • 1937 - Caboclo Do Mato / No Fundo Do Mar
  • 1937 - Vem Baianinha / O Batuque Começou
  • 1937 - Bateu Cinco Horas / Eu Era Bem Feliz
  • 1937 - Só Um Novo Amor / Juro
  • 1937 - Julgou Ser Feliz / Foste Embora
  • 1937 - Não Sei Se Chorei / Vaca Preta
  • 1938 - Tereré Não Dá Camisa A Ninguém / Mulher Sem Dono
  • 1938 - O Rancho De Sapé / Suará

Indicação: Miguel Sampaio

Capitão Furtado

ARIOWALDO PIRES
(72 anos)
Cantor, Compositor e Radialista

* Tietê, SP (31/08/1907)
+ São Paulo, SP (10/11/1979)

Ariowaldo Pires, mais conhecido como Capitão Furtado, foi um compositor e cantor brasileiro. Era sobrinho do músico e cineasta Cornélio Pires, o pioneiro nas gravações de discos caipiras. Seu pai possuía um sítio e uma olaria.

Ainda criança mudou-se para Botucatu, SP. Em 1926, resolveu mudar-se para São Paulo. Em 1927, conseguiu emprego como auxiliar de escritório na empresa Henrique Metzger.

Em 1929, participou da inauguração da Rádio Cruzeiro do Sul encenando um quadro caipira, em substituição ao ator Sebastião Arruda, que não compareceu. Compôs com Marcello Tupinambá a toada "Coração", que marcou sua estréia como letrista. Assumiu durante algum tempo o papel de caipira no programa "Cascatinha do Genaro", na Rádio Cruzeiro do Sul.

Na mesma rádio, criou, juntamente com o cantor e radioator Celso Guimarães, o primeiro programa de calouros a utilizar este título. Em 1931, trabalhou como assistente de produção no filme "Coisas Nossas", de Wallace Downey. Em 1934, passou a apresentar o programa "Cascatinha do Genaro" na Rádio São Paulo, PRA-5.

A Rádio Cruzeiro fez proposta para tê-lo de volta em sua programação, mas retornou atrás logo em seguida. Frustrado com o cancelamento do contrato, resolveu adotar o nome artístico de Capitão Furtado.

Ariowaldo Filho, Ana Marilda , Marilda, Ariowaldo Pires e Dona Carmem (Mãe de Marilda)
No ano de 1935, atuou como coordenador artístico do filme "Fazendo Fita". Em 1936, participou do I Concurso de Músicas Carnavalescas, organizado pela Comissão de Divertimentos Públicos da Prefeitura de São Paulo. O concurso contava com a participação de Ary Barroso, que era dado como virtual vencedor. Para a surpresa de todos, a composição vencedora foi "Mulatinha da Caserna", de sua autoria e Martinez Grau. "Mulatinha da Caserna" foi gravada pela RCA Victor em janeiro de 1936 com interpretação de Januário de Oliveira e Arnaldo Pescuma, e acompanhamento dos Diabos do Céu e Pixinguinha.

No mesmo ano, iniciou frutífera parceria com Alvarenga & Ranchinho, que gravaram "Itália e Abissínia". Ainda em 1936, começou a trabalhar na Rádio Tupi do Rio de Janeiro, juntamente com Alvarenga & Ranchinho, formando a Trinca do Bom Humor. Gravaram uma série de composições: "Meu Coração", "Futebol", "Repartindo Um Boi" e "A Baixa do Café".

Em 1937, gravou em dueto com a atriz Jurema Magalhães o diálogo de Campos Negreiros intitulado "Adoração". Na Rádio Tupi, criou o programa "Repouso", espécie de "retiro interiorano". Nesse programa ele recebia uma série de convidados, como Carlos Galhardo, Benedito LacerdaAlvarenga & Ranchinho, entre outros.

Suas gravações na Odeon alcançam enorme sucesso e passou a ser conhecido como "O Maior Caipira Humorista do Brasil". Ainda em 1937, gravou sozinho ou em companhia de outros artistas vários trabalhos satíricos em linguajar caipira: "Caipira em Hollywood", "Descobrimento da América", "Em Redor do Mundo", "Modos de Cumprimentar" e "Psicologia dos Nomes". Em de 1937, lançou o livro "Lá Vem Mentira", que alcançou enorme sucesso.

Em 1939, deixou a Rádio Tupi, passando a trabalhar na Rádio Nacional. Ficou pouco tempo na nova estação em virtude do curto espaço que lhe foi dado para apresentar o programa "Poemas Sertanejos", difundido em horário de pequena audiência. Naquele mesmo ano, estreou no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, "O Tesouro do Sultão", de sua autoria, e música de Radamés Gnattali, com a Companhia Jardel Jércolis. Na peça estavam presentes diversos gêneros musicais: danças russas, bailados orientais, rumba, batucada, samba, marcha carnavalesca e canção caipira. Foi um enorme sucesso, tendo sido apresentada ainda em São Paulo, Recife, Argentina e Uruguai.

No fim de 1939, retornou a São Paulo, onde na Rádio Difusora criou o programa "Arraial da Curva Torta", que revelou diversas duplas caipiras, sendo Tonico & Tinoco a principal.

Em 1940, Orlando Silva gravou pela RCA Victor a valsa "E o Vento Levou...", segunda incursão de Ariowaldo Pires em gênero não caipira.

Em 1941, compôs com o compositor mexicano Luiz Alvarez "Caray Con El Amor" e "El Vacilón", ambas gravados por Luiz Alvarez.


Em 1943, fez "Sou Um Tropeiro", versão para "El Bandolero", de Jesus Ramos, primeira de uma série. Seguiram-se, entre outras, as versões da italiana "Tesoro Mio" ("Tesouro Meu"), da americana "Oh, Susana" e da alemã "Lili Marlene".

Em junho de 1948, apresentou-se com a mulher no Circo Piolim na peça "Sertão em Flor", e no final do ano mudou-se para Salvador, BA, onde passou a dirigir a Rádio Excelsior local.

Em 1949, retornou a São Paulo indo trabalhar na Rádio Cultura onde por dois anos e meio produziu programas caipiras. Deixou a Rádio Cultura em 1952, passando para a Rádio Difusora, onde permaneceu até 1956. Neste mesmo ano, colocou letra em "Moonlight Serenade", de Glenn Miller, gravada na RCA Victor com o título de "Serenata ao Luar". Foi contratado pela São Paulo Alpargatas para supervisionar todos os programas sertanejos patrocinados pela empresa no Brasil.

Em 1960, compôs com Henrique Simonetti o hino oficial de Brasília, "Brasília, Capital da Esperança", gravado pelo trio vocal feminino Titulares do Ritmo, na RGE

De 1963 a 1966, transferiu-se para a Rádio Bandeirantes. Percorreu o Brasil com a "Roda de Violeiros" que promoveu verdadeiro campeonato de violeiros, revelando inúmeros nomes.

A partir de 1967, já aposentado, continuou a trabalhar como coordenador de música, em geral, e caipira, em particular, da Editora Fermata do Brasil

Em 1977, foi coordenador da área de música regional da primeira edição da Enciclopédia de Música Brasileira.

Em 1979, recebeu o Troféu Chantecler pelos 50 anos de carreira.

Capitão Furtado faleceu em 10/11/1979 vítima de uma parada cardíaca na UTI do Hospital Presidente, em São Paulo, aos 72 anos.

Em 1986, foi homenageado com o LP "Ao Capitão Furtado - Marvada Viola", com Rolando Boldrin, Sivuca, Roberto Corrêa e outros, lançado pela Funarte.

Capitão Furtado era um letrista versátil e de fácil comunicação popular.

Em 1993, Rolando Boldrin gravou sua "Moda dos Meses", parceria com Alvarenga & Ranchinho no CD "Disco da Moda", lançado pela RGE.