Jorge Guinle

JORGE EDUARDO GUINLE
(88 anos)
Socialite e Playboy

* Petrópolis, RJ (05/02/1916)
+ Rio de Janeiro, RJ (05/03/2004)

Foi um socialite, playboy e herdeiro milionário brasileiro.

Viveu a época áurea do Rio de Janeiro entre a década de 1930 e 50, onde conheceu e acredita-se que tenha tido relações amorosas com diversas atrizes de Hollywood, como Marilyn Monroe e Hedy Lamarr [Confira]. Residiu no hotel Copacabana Palace, fundado por seu tio, Octávio Guinle, até a sua morte.

Gastou muito de sua fortuna com ininterruptas festas luxuosas, viagens pelo mundo, presentes e mulheres, entre elas Rita Hayworth, Marilyn Monroe, Romy Schneider, Kim Novak, Ava Gardner, Susan Hayward, Jayne Mansfield, Marlene Dietrich e Janet Leigh [Confira].

Guinle também escreveu o primeiro livro editado no Brasil sobre jazz (Jazz Panorama), uma de suas paixões. Sua autobiografia foi titulada "Um Século de Boa Vida".

Jorge Guinle foi casado três vezes. O primeiro casamento foi com a americana Dolores Sherwood, com quem teve o filho Jorge Eduardo Guinle Filho, o artista plástico Jorginho, morto em decorrência da AIDS, em 1987.

O segundo casamento de Jorge Guinle foi com Ionita Salles Pinto, moça criada em Ipanema. Ionita estudou teatro com Leila Diniz, de quem foi grande amiga e também participou do filme de Domingos de Oliveira, "Todas as Mulheres do Mundo". Do casamento com Jorge Guinle nasceu a filha Georgiana Guinle.

O terceiro casamento de Jorge foi com uma moça de classe média baixa de Copacabana, Maria Helena, com quem teve seu filho Gabriel.

Morte

Jorge Guinle, morreu do dia 05/03/2003 no hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, vítima de um Aneurisma na Aorta Abdominal.

Guinle havia sido internado na segunda-feira, 01/03/2004 no hospital de Ipanema mas, nesta quinta, 04/03/2004, assinou um termo de responsabilidade para deixar o hospital, após se recusar a retirar o aneurisma. Guinle deixou o hospital e morreu em uma suíte do hotel, por volta das 4h30.

Francisco Egydio

FRANCISCO EGYDIO
(80 anos)
Cantor

* São Paulo, SP (17/01/1927)
+ São Paulo, SP (17/10/2007)

Iniciou a carreira artística na década de 1950, e em 1951 assinou contrato com a Rádio Excelcior. Logo foi contratado pela gravadora Copacabana na qual lançou seu primeiro disco em 1953 interpretando os sambas "Rascunho Brasileiro", com acompanhamento da orquestra de Nozinho, e, "Sem Palavras", com acompanhamento de Alfredo Grossi e Sua Orquestra Típica.

Em 1954, gravou a marcha "Espanhola Tentação" e o samba "Nosso Amor Morreu". No mesmo ano gravou duas composições de Oscar Gomes Cardim em homenagem ao quarto centenário da cidade de São Paulo: o samba "Terra Bandeirante", e o dobrado "São Paulo das Bandeiras". Ainda em 1954, lançou mais dois discos pela Copacabana interpretando o clássico samba "A Bahia Te Espera", de Herivelto Martins e Chianca de Garcia, os sambas "Operária", "A Diferença" e a Marcha "Sombra e Água Fresca".

Foi para a gravadora Odeon em 1955, gravou o Bolero "Vera Cruz" e o Mambo "Quem Será?", de Beltran Ruiz com versão de Lourival Faissal. No mesmo ano, gravou o Partido-Alto "Samba de Nego", de Heitor dos Prazeres e Kaumer Teixeira Camelo, e o samba "Joquei Clube", de Antonio Rago e João Pacífico.

Visando o ano de 1956, gravou a Marcha "Se Essa Nega Fosse Minha", os sambas "Pingo D'Água" e "Viva o Santos", uma homenagem de Júlio Nagib ao Santos Futebol Clube, campeão paulista daquele ano, e "A Voz do Morro", de Zé Keti, no segundo registro desse clássico samba. Ainda nesse ano, gravou com Roberto Paiva o famoso LP "Polêmica - Wilson Batista X Noel Rosa - Roberto Paiva e Francisco Egydio" lançado pela Odeon, com capa do caricaturista Nássara. Nesse disco, interpretou os sambas "Rapaz Folgado", "Palpite Infeliz", "João Ninguém", todas de Noel Rosa, além de "Feitiço da Vila", de Vadico e Noel Rosa.

Em 1957, gravou com a orquestra de Luis Arruda Paes os sambas "Pedacinho Por Pedacinho" e "Advinhão". Com a orquestra de Hector Lagna Fietta, os sambas "Sorris" e "É Desconfiança". No ano seguinte, lançou mais quatro sambas "Cinco Letras", "Greve de Amor", "Coração de Fera" e "Até Parece Castigo".

Gravou em 1959, o afro-bolero "Noite Má" e o rock-balada "Por um Beijo de Amor". Por essa época, sua carreira ficou mais especializada em gravações de músicas românticas. Em 1960, gravou pela Odeon o LP "Creio Em Ti" no qual interpretou músicas como a que deu título ao disco, "Noite Má", "Cem Por Cento Sincera", "Até Parece Castigo", "Leva-me Contigo", de Dolores Duran, e "Um Minuto Só".

No ano seguinte participou do LP "Hebe Comanda o Espetáculo" lançado pela cantora e apresentadora Hebe Camargo, pela Odeon no qual ela cantava e apresentava outros intérpretes. Nesse disco, interpretou "Maria Rosa", de Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves.

Em 1962, lançou o LP "Francisco Egydio Vive os Sucessos de Lupicínio Rodrigues", um tributo ao compositor gaúcho no qual interpretou jóias do cancioneiro popular como "Nunca", "Nervos de Aço", "Vingança", "Esses Moços (Pobres Moços), e "Exemplo". Todas composições solo de Lupicínio Rodrigues, além de "Cadeira Vazia", e "Quem Há de Dizer", com Alcides Gonçalves, e "Se Acaso Você Chegasse", com Felisberto Martins.

Entre 1966 e 1969, participou de diversos discos coletivos dedicados ao repertório de carnaval registrando marchas como "Eu Vou Ferver", "Quem Bate", "Vou Deixar Cair", "Pra Frente" e "Garota Moderna".

Em 1970, já pela Continental, lançou um LP em quem predominaram versões de músicas estrangeiras de sucesso, entre as quais, "E o Mundo Segue Girando", "Deus Como Te Amo", "Foste Minha um Verão" e "Vai".

Em 1975, participou da trilha sonora da novela Meu Rico Português, da TV Tupi, em LP lançado pela Continental no qual interpretou a música "Estranha Forma de Vida".

Em 1977, lançou pela Chantecler um LP que intitulou de "Chico Egydio" e no qual interpretou clássicos como "Se Alguém Perguntar Por Mim", "Risque", de Ary Barroso, "Caminhemos", de Herivelto Martins, "A Volta do Boêmio", de Adelino Moreira, e "Cinco Letras Que Choram (Adeus)", de Silvino Neto. No mesmo ano, participou do LP "Carnaval 77 - Convocação Geral" lançado pela Som Livre visando reativar o repertório carnavalesco no qual interpretou a marcha "Mulata Ponte Aérea".

Em 1978, participou do LP "Sambas de Enredo das Escolas de Samba do Grupo 1", de São Paulo, lançado pela Continental interpretando o samba-enredo "Sonho de um Rei Negro", da Escola de Samba Nenê de Vila Matilde.

Em 1990, participou do LP "Feitiço da Vila", lançado pela EMI-Odeon em homenagem a Noel Rosa no qual cantou o samba "Palpite Infeliz".

Em sua extensa carreira gravou mais de vinte discos em 78 rpm além de vários LPs pelas gravadoras Odeon, Chantecler e Continental, além de participar de diversas coletâneas. Seu principal trabalho foi a gravação feita com Roberto Paiva e que relembrou a famosa polêmica entre Noel Rosa e Wilson Batista.

Morreu no dia 17/10/2007 em São Paulo, de Falência Múltipla dos Órgãos aos 80 anos de idade. Ele foi o primeiro a ganhar o Troféu Imprensa na categoria de cantor, em 1960. Francisco Egydio, segundo informações, sofria já algum tempo de sérios problemas de saúde.

Robertinho do Acordeon

JOSÉ CARLOS FERRAREZI
(66 anos)
Acordeonista

* Lucélia, SP (09/01/1939)
+ São Paulo, SP (03/01/2006)

Desde criança, ouvia música caipira nos alto-falantes das praças de Lucélia, SP, onde nasceu e se criou. Neto e sobrinho de músicos (seu avô regia no teatro Scala, e seu tio seria maestro em Guaraçaí), foi matriculado pelo pai na Escola de Música de Armando Patti em Valparaíso, para onde sua família mudara. Não se deu bem com os estudos formais, porém seus professores apostavam em seu talento e em seu "ouvido".

Aos 11 anos, integrou o trio: Palmeirinha, Lenço Verde e Zezinho - ele, o sanfoneiro -, cujo sucesso começou a interferir nos estudos, obrigando o pai a tirá-lo do trio.

Palmeirinha, anos depois, se consagraria como Tião Carreiro, da dupla Tião Carreiro & Pardinho.

Com a mudança da família para São Paulo, em 1951, Robertinho resolveu tentar a sorte em programas de calouros, e foram vários - o "Calouros Piratininga" na Rádio Piratininga, o "Clube Papai Noel" na Rádio Tupi, o "Peneira Rodhine" na Rádio Cultura, entre outros, sempre obtendo o primeiro lugar como instrumentista. No entanto, foi gongado no programa "A Hora do Pato", comandado por Manuel de Nóbrega na antiga Rádio Nacional, o que o fez desistir desse recurso e tentar se profissionalizar.

Robertinho do Acordeon faleceu em 03/01/2006 vítima de um câncer no pulmão.

Carlos Lacerda

CARLOS FREDERICO WERNECK DE LACERDA
(63 anos)
Jornalista, Político e Empresário

* Rio de Janeiro, RJ (30/04/1914)
+ Rio de Janeiro, RJ (21/05/1977)

Foi membro da União Democrática Nacional (UDN), vereador (1945), deputado federal (1947–55) e governador do estado da Guanabara (1960–65). Fundador em 1949 e proprietário do jornal Tribuna da Imprensa e criador, em 1965, da editora Nova Fronteira.

Filho do político, tribuno e escritor Maurício de Lacerda e de Olga Caminhoá Werneck, era neto paterno do ministro do Supremo Tribunal Federal Sebastião Lacerda. Pela família materna, era bisneto do botânico Joaquim Monteiro Caminhoá e descendente direto do Barão do Ribeirão e de Inácio de Sousa Vernek, cuja família tinha importante influência política e econômica na região.

Seus pais eram primos, descendentes em linhas afastadas de Francisco Rodrigues Alves, o primeiro sesmeiro da cidade de Vassouras. Por outro lado, embora tivesse sobrenome parecido como o do Barão de Pati do Alferes (Francisco Peixoto de Lacerda Vernek), o seu sobrenome Lacerda origina-se de seu bisavô, um pobre confeiteiro português que se estabeleceu em Vassouras e se casou com uma descendente de Francisco Rodrigues Alves (estes serão os pais de seu avô paterno, Sebastião Eurico Gonçalves de Lacerda).

Nasceu no Rio de Janeiro, mas foi registrado como tendo nascido em Vassouras, RJ, cidade onde seu avô residia e seu pai tinha grandes interesses políticos. Recebeu o nome de Carlos Frederico como homenagem aos pensadores políticos Karl Marx e Friedrich Engels.

Ingressou em 1929 no curso de Ciências Jurídicas e Sociais da então Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, atual Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Durante seu período acadêmico, destacou-se como orador e participou ativamente do movimento estudantil de esquerda no Centro Acadêmico Cândido de Oliveira. Devido ao grande envolvimento em atividades políticas, abandonou o curso em 1932.

Tornou-se militante comunista, seguindo os passos de seu pai, Maurício de Lacerda, e do seu tio Paulo Lacerda, antigos militantes do Partido Comunista Brasileiro (PCB).

Sua primeira ação contra o governo de Getúlio Vargas implantado com a Revolução de 1930, deu-se em janeiro de 1931, quando planejou, junto com outros comunistas, incentivar marchas de desempregados no Rio de Janeiro e em Santos durante as quais ocorreriam ataques a lojas comerciais. A conspiração comunista foi descoberta e desbaratada pela polícia liderada por João Batista Luzardo, o que até virou notícia no jornal americano The New York Times.

Em março de 1934, leu o manifesto de lançamento oficial da Aliança Nacional Libertadora (ANL) em uma solenidade no Rio de Janeiro à qual compareceram milhares de pessoas.

No ano seguinte, publicou com o pseudônimo de Marcos, um livreto contando a história do quilombo de Manuel Congo. Apesar do seu viés de propaganda comunista juvenil, o livreto resultou da primeira pesquisa histórica feita sobre um assunto que tinha sido quase esquecido.

Quando ocorreu o fracasso da Intentona Comunista de 1935, teve que se esconder na velha chácara da família em Comércio (atual Sebastião Lacerda, Vassouras) e ser protegido pela família influente.

Rompeu com o movimento comunista em 1939 dizendo considerar que tal doutrina "levaria a uma ditadura, pior do que as outras, porque muito mais organizada, e, portanto, muito mais difícil de derrubar". A partir de então, como político e escritor, consagrou-se como um dos maiores porta-vozes das ideologias conservadora e direitista no país, e grande adversário de Getúlio Vargas, e dos movimentos políticos Trabalhista e Comunista.


O Anti-Getúlio

Inimigo político de Getúlio Vargas, Carlos Lacerda foi o grande coordenador da oposição à campanha de Getúlio à presidência em 1950, e durante todo o mandato constitucional do presidente, até agosto de 1954. Uniu-se a militares golpistas e aos partidos oposicionistas, principalmente a União Democrática Nacional (UDN), num esforço conjunto para derrubar o presidente Getúlio Vargas, através de acusações que publicava em seu jornal, Tribuna da Imprensa.

Carlos Lacerda foi vítima de atentado a bala na porta do prédio onde residia, em 05/08/1954, quando voltava de uma palestra no Colégio São José, no bairro da Tijuca. No atentado morreu o major da Aeronáutica Rubens Vaz, membro de um grupo de jovens oficiais que se dispuseram a acompanhá-lo e protegê-lo das ameaças que vinha sofrendo. Atingido de raspão em um dos pés, Carlos Lacerda foi socorrido e medicado em um hospital. Lá mesmo acusou os homens do Palácio do Catete como mandantes do crime.

A pressão midiática e a comoção pública com a morte do major Rubens Vaz obrigaram o governo a instaurar um Inquérito Policial Militar (IPM) para investigar o atentado. Rapidamente, os militares ligados a Carlos Lacerda fizeram do inquérito o palco perfeito para fomentar ainda mais a crise. Uma série de investigações levou à prisão dos autores do crime, que confessaram o envolvimento do chefe da guarda pessoal de Getúlio Vargas, Gregório Fortunato e do irmão do presidente, Benjamim Vargas.

Com a conclusão do Inquérito Policial Militar, chamado na imprensa de "República do Galeão", instaurado pelo brigadeiro Nero Moura, Ministro da Aeronáutica, o presidente do Inquérito, indicado pelo ministro, coronel João Adil Oliveira, informou, em audiência com o presidente Getúlio Vargas, que havia a existência de indícios sólidos sobre a participação de membros da Guarda no atentado.

Dezenove dias depois, com o agravamento da crise política e o ultimato das Forças Armadas pela sua renúncia, Getúlio Vargas suicidou-se em 24/08/1954. O suicídio reverteu a opinião pública e provocou uma imensa onda de comoção e revolta. Isso obrigou Carlos Lacerda e parte de seu grupo a deixar o país. À época, milhares de revoltosos tomaram as ruas, empastelando jornais ligados à oposição.


Lacerda e a Posse de Juscelino

Carlos Lacerda participou ainda de nova tentativa de golpe de estado, em 1955, quando uniu-se aos militares e à direita udenista para impedir a eleição e a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek e de seu vice-presidente, João Goulart.

As manobras golpistas começaram já no período eleitoral, quando ocorreu o episódio da Carta Brandi, uma notícia falsa plantada pelos opositores no jornal de Carlos Lacerda, envolvendo João Goulart num pretenso contrabando de armas da Argentina para o Brasil.

Depois de eleito Juscelino Kubitschek, Carlos Luz, presidente interino à época, aliado aos militares e a Carlos Lacerda, tramaram um novo golpe. A bordo do Cruzador Tamandaré fizeram a resistência, mas foram alvejados a tiros pela artilharia do exército a mando do general Teixeira Lott, que tinha pretensões de se candidatar a presidência. Foi o último tiro de guerra disparado na Baía da Guanabara no Rio de Janeiro. Durante anos o episódio ficou conhecido como o "Golpe de Lott", principalmente pela ação da mídia conservadora.

Vencido na tentativa de golpe, Carlos Lacerda partiu para um exílio breve em Cuba, que ainda era uma ditadura conservadora, nas mãos do general Fulgencio Batista, antes da revolução cubana.

Voltou em seguida para reassumir sua cadeira de deputado, e continuar a oposição a Juscelino Kubitschek, atacando, entre outras coisas, a construção de Brasília.

Juscelino Kubitschek não permitiu jamais o acesso de Carlos Lacerda à televisão. Juscelino confessou a Carlos Lacerda, no encontro de Lisboa, em 1966, que se deixasse ele falar na televisão, Lacerda o teria derrubado do governo.


O Golpista Derruba-Presidentes

Em 1961, fez um discurso atacando, pela televisão, o presidente Jânio Quadros, antigo aliado. A renúncia de Jânio Quadros ocorreu em seguida, a 25 de agosto.

Com a transferência da capital para Brasília, candidatou-se ao governo do recém-criado estado da Guanabara. Apesar do grande favoritismo inicial, Carlos Lacerda foi eleito por pequena margem, tendo sido ajudado pela divisão de votos populares que ocorreu com a candidatura de Tenório Cavalcanti ao mesmo cargo.

O seu governo do antigo estado da Guanabara destacou-se pela construção de grandes obras que mostraram suas habilidades de administrador e consolidaram a simpatia da classe-média. Seu Secretário de Obras foi o eminente engenheiro civil e sanitarista Enaldo Cravo Peixoto.

Construiu a estação de tratamento de água do Guandu (até hoje a maior do país) e um sistema de distribuição que resolveram um centenário problema de abastecimento. A falta de água era crônica e inspirava marchinhas de carnaval como "Rio de Janeiro, cidade que nos seduz, de dia falta água, de noite falta luz", sucesso de Victor Simón e Fernando Martins, do Carnaval de 1954.

Construiu túneis importantes para o trânsito de veículos, como o Santa Bárbara e o Rebouças, ligando a Zona Norte à Zona Sul da Cidade do Rio de Janeiro. Terminou a construção e reurbanização do aterro do Flamengo. Removeu favelas de bairros da zona sul e Maracanã, criando o Parque da Catacumba, o Campus da Universidade do Estado da Guanabara (UEG), atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), e instalando seus antigos habitantes em conjuntos habitacionais afastados como Cidade de Deus e Vila Kennedy. Construiu inúmeras escolas e manteve um alto padrão de qualidade dos hospitais públicos.

Durante seu governo, foi divulgado que policiais assassinavam os mendigos que perambulavam pela cidade e jogavam seus corpos ao Rio da Guarda, afluente do Rio Guandu. O governo de Carlos Lacerda foi acusado pela imprensa de oposição de ter dado instruções aos policiais para que realizassem estes assassinatos. Carlos Lacerda demitiu o Secretário de Segurança e o envolvimento dos escalões superiores do governo nestes fatos nunca foi provado.

Foi um dos líderes civis do Golpe Militar de 1964, porém voltou-se contra ele em 1966, com a prorrogação do mandato do presidente Castelo Branco. Segundo Carlos Lacerda, a prorrogação do mandato de Castelo Branco levaria à consolidação do governo revolucionário numa Ditadura Militar permanente no Brasil, o que realmente aconteceu.

Acredita-se que a sua oposição à prorrogação devia-se ao fato de já se haver lançado como candidato a Presidente da República em 1965. Confiava no sucesso do governo que tinha realizado no estado da Guanabara para enfrentar o candidato de oposição Juscelino Kubitschek.


A Desilusão Com 1964 e a Cassação

Foi cassado em 1968 pelo regime militar, provando o fel da perseguição de um regime ditatorial que tanto lutara para que se instaurasse.

Em novembro de 1966, lançou a Frente Ampla, movimento de resistência ao Golpe Militar de 1964, que seria liderada por ele com seus antigos opositores João Goulart e Juscelino Kubitschek.


Empresário e Escritor

Em 1965, fundou a editora Nova Fronteira, que publicou importantes autores nacionais e estrangeiros, inclusive o Dicionário Aurélio (de 1975 até 2004).

Escreveu numerosos livros, entre eles "Caminho da Liberdade" (1957), "O Poder das Idéias" (1963), "Brasil Entre a Verdade e a Mentira" (1965), "Paixão e Ciúme" (1966), "Crítica e Autocrítica" (1966), "A Casa do Meu Avô: Pensamentos, Palavras e Obras" (1977).

"Depoimento" (1978) e "Discursos Parlamentares" (1982) foram compilados e publicados após a sua morte.


Representações na Cultura

Carlos Lacerda já foi retratado como personagem no cinema e na televisão, interpretado por Marcos Palmeira no filme "JK - Bela Noite Para Voar" (2005) e José de Abreu na minissérie "JK" (2006).


Morte

Carlos Lacerda morreu na madrugada 21/05/1977, em uma clínica particular após ter contraído uma gripe comum. Sua morte repentina levantou a suposição de que Carlos Lacerda, e os dois ex-presidentes teriam sido assassinados pelo Centro de Informações do Exército (CIE) da Ditadura Militar, pois todos eles faleceram em datas próximas.

Em 20/05/1987, através do Decreto Federal nº 94.353, teve restabelecidas, post mortem, as condecorações nacionais que foram retiradas e reincluído nas ordens do mérito das quais fora excluído em 1968.

Fonte: Wikipédia