Sônia Coutinho

SÔNIA COUTINHO
(74 anos)
Escritora, Jornalista, Contista e Tradutora

* Itabuna, BA (1939)
+ Rio de Janeiro, RJ (24/08/2013)

Sônia nasceu em Itabuna, na Bahia, em 1939 e mudou-se para o Rio de Janeiro em 1968, tendo trabalhado em vários jornais. Era filha do poeta simbolista e político Nathan Coutinho que foi deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa da Bahia. Escritora, jornalista e tradutora, participou do International Writing Program, em Iowa, Estados Unidos, em 1983, tendo sido escritora-residente na Universidade do Texas, a convite daquela instituição.

Em 1994, ganhou o grau de Mestre em Teoria da Comunicação com a tese-ensaio "Rainha do Crime - Ótica Feminina no Romance Policial". Sua obra revela o modo de ser e de pensar da mulher brasileira na atualidade. Mostra o universo feminino, do ponto de vista da própria mulher, que é o sujeito da enunciação.

Seu primeiro livro, "O Herói Inútil", foi lançado em 1964, em Salvador, pela Ed. Macunaíma. Sônia Coutinho ganhou duas vezes o Prêmio Jabuti de Literatura. Em 1979, com "Os Venenos de Lucrécia", e em 1999, com "Os Seios de Pandora".

Em 2006, a escritora recebeu o Prêmio Clarice Lispector, dado pela Biblioteca Nacional, para o melhor livro de contos com "Ovelha Negra" e "Amiga Loura". Entre outros títulos da autora, destaque para "Uma Certa Felicidade", "Mil Olhos de Uma Rosa" (2001), "O Caso Alice" (1991) e "O Jogo de Ifá" (2001).

Traduziu cerca de 30 livros de autores como Doris Lessing, Carson McCullers, E. M. Forster e Graham Greene.

A escritora participou de várias antologias nacionais e internacionais e teve sua obra também publicada nos Estados Unidos, na França e na Alemanha. Seu conto "Toda Lana Turner Tem Seu Johnny Stompanato", publicado originalmente em seu livro "O Último Verão de Copacabana", foi incluído na antologia "Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século", organizado por Italo Moriconi.


Entrevista

Acompanhe parte de uma entrevista dada por Sônia Coutinho a Simone Ribeiro para o jornal A Tarde.

Simone Ribeiro: Como você encara o fato de estar incluída entre os autores estudados para o Vestibular e ser conhecida por adolescentes?
Sônia Coutinho: Estou imensamente feliz. Inclusive porque "Atire em Sofia", o livro adotado, é muito crítico. É um livro sobre a Bahia, mas não tem nada a ver com o clima tradicional de louvações à beleza e alegria naturais. Por causa disso, a escolha de "Atire em Sofia" foi muito lisonjeira para mim. E acho que é mais lisonjeira ainda, nesse sentido, para os próprios baianos - mostra como as cabeças mudaram. O livro, aliás, foi escrito na Bahia mesmo, em 1987/88, período em que interrompi meu jornal no Rio, a fim de ganhar tempo para a literatura, e aceitei um emprego aí.

Simone Ribeiro: Qual a sua opinião sobre a ficção brasileira produzida dos anos 70 para cá?
Sônia Coutinho: É uma ficção muito rica, mas foi sendo cada vez mais relegada. O público, de modo geral, tem se mostrado menos ligado e o espaço dado à literatura brasileira na imprensa nunca foi tão pequeno. O que vem nas capas são sempre os best-sellers e estrangeiros. Mas há suplementos culturais fora do eixo Rio-São Paulo que fazem um ótimo trabalho e abrem mais espaço para a boa literatura brasileira.

Simone Ribeiro: Marcel Proust, Clarice Lispector, Vírgina Woolf, você se considera de certa forma herdeira dessa literatura mais intimista ou psicológica?
Sônia Coutinho: Não acho que minha literatura seja intimista. Aliás, detesto essa palavra. A não ser que você se refira a textos bem trabalhados e até poéticos, mesmo quando o assunto é crime. Vêem elementos policiais em meus principais romances. Foi o caso de "Os seios de Pandora".
Quanto a mim, acho que escrevi o livro mais para desconstruir o policial clássico, machista, criando uma figura feminina de investigação. No lugar da detetive, uma repórter. Já "Atire em Sofia" e "O Caso Alice" são histórias de crime, embora claro que tenham outros elementos. São críticos, têm muito de mágico, sobrenatural mesmo e até toques históricos (em "Atire em Sofia").
"O Jogo de Ifá" é um pequeno romance experimental. Por outro lado, as personagens, na maioria mulheres, não estão mais trancadas no lar patriarcal, entregues ao seu intimismo, mas trabalham fora, se sustentam, moram sozinhas. E pagam um alto preço por isso, evidentemente. É a nova mulher brasileira, que apareceu no início dos anos 70, quando eu estreava em literatura, no Rio. Acho que uma contribuição da minha literatura foi dar voz a essa mulher.


Morte

Sônia Coutinho morreu na noite de sábado, 24/08/2013, no Rio de Janeiro. Seu corpo foi velado no domingo, 25/08/2013, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, e foi cremado na segunda-feira, 26/08/2013, às 11:00 hs, no Cemitério do Caju, na Zona Portuária da cidade. A informação foi confirmada pelo Crematório da Santa Casa da Misericórdia.

Sônia Coutinho foi casada com o poeta, escritor e jornalista Florisvaldo Mattos, com quem teve uma filha, a psicóloga Elsa de Mattos. "Ela foi uma pessoa de muita qualidade criativa e muito preparo cultural. Foi para o Rio de Janeiro e lá se realizou como uma das grandes de sua geração", disse Florisvaldo Mattos.

Indicação: Fada Veras

De Sordi

NÍLTON DE SORDI
(82 anos)
Jogador de Futebol

* Piracicaba, SP (14/02/1931)
+ Bandeirantes, PR (24/08/2013)


Nílton De Sordi foi um futebolista brasileiro. Começou no XV de Piracicaba em 1949, e, em 01/01/1952, foi contratado pelo São Paulo, clube que defenderia por 536 partidas até 16/07/1965.

Foi campeão paulista em 1953 e 1957, mas, curiosamente, não marcou gol algum com a camisa são-paulina. Porém, mesmo com este curioso fato, é um dos maiores ídolos do São Paulo Futebol Clube.

Nilton De Sordi e Mauro Ramos de Oliveira antes de jogo da Seleção Brasileira em 1958
Convocado para a Seleção Brasileira pela primeira vez no ano de 1954, foi integrante da equipe que conquistou a Copa do Mundo de 1958, da qual só não foi titular na partida final. Ele teria sido barrado da decisão pelo médico da equipe, Hílton Gosling, que supostamente percebeu no lateral direito um grande nervosismo. Ao todo, disputou 25 partidas pela Seleção Brasileira, sem marcar gols.

Foi um bom marcador, com boa noção de cobertura, que pouco apoiava o ataque. Apesar da baixa estatura, cabeceava freqüentemente e, por isso, chegou a jogar de zagueiro-central no São Paulo e também na Seleção Brasileira.

Depois de aposentado, treinou já em 1966 o União Bandeirante no Campeonato Paranaense, time que voltaria a treinar outras vezes, a última em 1977.


Morte

Nilton De Sordi faleceu em 24/08/2013, aos 82 anos de idade, vítima de Falência Múltipla dos Órgãos.

Nilton De Sordi, que vivia na cidade de Bandeirantes, no Paraná, sofria de Mal de Parkinson há 20 anos e desde o início do mês de agosto de 2013 estava internado por causa de uma pneumonia. O campeão mundial de 1958 deixou a esposa Celina, quatro filhos, netos e bisnetos.

Fonte: Wikipédia

Gylmar

GYLMAR DOS SANTOS NEVES
(83 anos)
Goleiro

* Santos, SP (22/08/1930)
+ São Paulo, SP (25/08/2013)


Gylmar dos Santos Neves, mais conhecido como Gylmar, foi um futebolista brasileiro que atuava como goleiro.

Era considerado até os dias atuais um dos melhores goleiros de todos os tempos, por ter jogado em times lendários como o Corinthians da década de 50, o Santos da década de 60 e na Seleção Brasileira bicampeã do mundo.

Gylmar possui o privilégio de ter sido "campeão de tudo" em sua época, devido ao fato de ter ao menos um título em cada competição que disputou. Também era conhecido por ter usado, durante a Copa do Mundo de 1958 na Suécia, a camisa n° 3 na seleção. Também ficou conhecido por tomar o histórico primeiro gol de Pelé num jogo entre Corinthians e o Santos.


Corinthians

Gylmar veio do Jabaquara Atlético Clube, pequeno clube da cidade de Santos, para o Corinthians, seu primeiro grande clube, por um acaso. Na verdade, os dirigentes do clube paulista queriam outro jogador do clube santista, o meio-campista Ciciá, que o Jabaquara só aceitou vender se o clube levasse Gylmar de contra-peso.

O seu início no Corinthians, foi um tanto complicado, pois foi considerado o principal culpado pela derrota por 7 x 3 (25/11/1951) contra a Portuguesa de Desportos pelo Campeonato Paulista. Depois de quatro meses voltaria a defender a meta alvinegra, para se consagrar campeão paulista. Durante seus dez anos de Corinthians, conquistou os títulos do Torneio Rio-São Paulo de 1953, 1954 e Pequena Taça do Mundo, os Campeonatos Paulistas de 1951, 1952 e 1954, este último no qual festejava-se o IV Centenário da Cidade de São Paulo e foi condecorado com o título de "Supremo Guardião do Campeão do Quarto Centenário".


Santos

Em 1961, após dez anos, ele se despediu do Corinthians, em meio a brigas com o presidente Wadih Helou, que o acusava de corpo mole durante os primeiros anos de fila do clube paulistano. Seguiu sua trajetória no Santos, de Pelé, onde teve o melhor momento de sua carreira, se tornando um dos maiores goleiros de todos os tempos. Gylmar dizia ser o melhor momento de sua carreira, não só pelo fato de estar em um grande e vitorioso time, mas também por estar no seu time de coração pois era torcedor do Santos desde os tempos de Jabaquara.

Permaneceu até 1969, foi muito vitorioso, conquistando os Campeonatos Paulistas de 1962, 1964, 1965, 1967 e 1968, as Taças Brasil de 1962, 1963, 1964 e 1965, as Taças Libertadores da América de 1962 e 1963, as Taças Intercontinental de 1962 e 1963, os Torneios Rio-São Paulo de 1963, 1964 (dividido com o Botafogo), e 1966 (dividido com o Botafogo, o Corinthians e o Vasco da Gama), o Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1968 e, a Recopa dos Campeões Intercontinentais de 1968.

Dizia que "Pelé foi a perfeição. Ele desequilibrou o mundo!"


Seleção Brasileira

Gylmar fez sua estreia na Seleção Brasileira em 01/03/1953, na vitória de 8 x 1 sobre a Bolívia, válida pelo Campeonato Sul-Americano (atual Copa América), disputado no Peru. Assim como nos clubes em que passou, Gylmar também fez história na Seleção do Brasil.

Em 1958, ajudou a Seleção Brasileira a conquistar a sua primeira Copa do Mundo. Em 1962, repetiu o feito conquistando sua segunda Copa do Mundo com a Seleção Brasileira. Em 1966, Gylmar também estava lá. Porém, ele não teve a mesma glória de 1958 e 1962, embora tivesse jogado duas partidas, e mais tarde seria substituído por Haílton Corrêa de Arruda, o Manga.

Gylmar jogou pela Seleção Brasileira até 1969, sendo a vitória de 2 x 1 contra a Inglaterra, em 12 de junho, num amistoso disputado no Maracanã, sua última partida pela Seleção.


Morte

O ex-goleiro Gylmar dos Santos Neves, morreu no início da noite de domingo, 25/08/2013 no Hospital Sírio-Libanês, na região central de São Paulo. Ele estava internado desde 08/08/2013 com Infecção Urinária e Infarto Agudo no Miocárdio.

Gylmar já apresentava sequela de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) ocorrido há 13 anos e Insuficiência Cardíaca. Ele estava internado com infecção sistêmica e o quadro era considerado irreversível.

Títulos

Corinthians
  • Campeonato Paulista: 1951, 1952 e 1954
  • Torneio Rio-São Paulo: 1953 e 1954
  • Pequena Taça do Mundo: 1954

Seleção Brasileira
  • Copa do Mundo: 1958 e 1962

Santos
  • Campeonato Paulista: 1962, 1964, 1965, 1967 e 1968
  • Campeonato Brasileiro: 1962, 1963, 1964 , 1965 e 1968
  • Taça Libertadores da América: 1962 e 1963
  • Taça Intercontinental: 1962 e 1963
  • Torneio Rio-São Paulo: 1963, 1964¹ e 1966²
  • Recopa dos Campeões Mundiais: 1968

(1): dividido com o Botafogo;
(2): dividido com o Botafogo, o Corinthians e o Vasco da Gama.


Prêmios

Em 1966, ganhou o Prêmio Belfort Duarte, que homenageava o jogador de futebol profissional que passasse dez anos sem sofrer uma expulsão, tendo jogado pelo menos 200 partidas nacionais ou internacionais.

Fonte: Wikipédia e Globo

Tatiana Belinky

TATIANA BELINKY
(94 anos)
Escritora

* Petrogrado, Rússia (18/03/1919)
+ São Paulo, SP (15/06/2013)

Tatiana Belinky foi uma das mais importantes escritoras infanto-juvenis contemporâneas. É autora de mais de 250 livros voltados para este público. Nascida na Rússia, chegou ao Brasil com 10 anos de idade. Recebeu a cidadania brasileira e foi radicada em São Paulo há mais de 80 anos.

Chegou com a família ao Brasil fugindo das guerras civis que assolavam a então União Soviética. Nessa altura, já era fluente em russo, alemão e letão.

Aos 18 anos, após concluir um curso preparatório pela Faculdade Mackenzie, começou a trabalhar como secretária-correspondente bilíngue, nos idiomas português e inglês. Aos vinte ingressou no curso de Filosofia da Faculdade São Bento, mas abandonou-o em seguida, quando se casou com o médico e educador Júlio Gouveia, em 1940. O casal teve dois filhos.

No ano de 1948, começou a trabalhar em adaptações, traduções e criações de peças infantis para a prefeitura de São Paulo em parceria com o marido. Em 1952 encenam "Os Três Ursos", pedido da TV Tupi, que atinge grande sucesso. O êxito deste trabalho foi definitivo para a carreira da escritora iniciante: o casal foi convidado a ter um programa fixo na emissora. Dentro da casa, Tatiana BelinkyJúlio Gouveia fazem a primeira adaptação de "O Sítio do Pica-Pau Amarelo", de Monteiro Lobato. O trabalho do casal na TV Tupi seguiu até 1966. Nesse ínterim, Tatiana Belinky recebeu seus primeiros prêmios como escritora, além de se tornar presidente da Comissão Estadual de Teatro de São Paulo (CET).

Em 1972 passou a trabalhar na TV Cultura e em grandes jornais do estado de São Paulo, como a Folha de São Paulo, o Jornal da Tarde e O Estado de São Paulo, escrevendo artigos, crônicas e crítica de literatura infantil.

Finalmente, em 1985, ela despontou como escritora de livros, colaborando em uma série infanto-juvenil. Em 1987 publicou o primeiro livro, "Limeriques", pela editora FTD, baseando-se nos limericks irlandeses. A partir dessa publicação, Tatiana Belinky passou a trabalhar fervorosamente sobre novas criações, chegando a escrever mais de cem obras. Suas publicações são acompanhadas por vários prêmios literários, entre eles o célebre Prêmio Jabuti, recebido em 1989.


De sua vasta obra, destacam-se "Coral dos Bichos", "Limeriques", "O Grande Rabanete", "Diversos Russos", "Limerique das Coisas Boas", entre outros. A autora tem também publicado livros de crônicas e memórias.

Em 2010, no dia 15 de abril ocorreu a sessão de posse da Academia Paulista de Letras, passando a ocupar a cadeira 25 e tendo sido recebida pelo acadêmico Francisco Marins.

Tatiana Belinky faleceu aos 94 anos, após 11 dias internada no Hospital Alvorada, em São Paulo. 

Fonte: Wikipédia
Indicação: Miguel Sampaio

Adelaide Carraro

ADELAIDE CARRARO
(55 anos)
Escritora

* Vinhedo, SP (30/07/1936)
+ São Paulo, SP (07/01/1992)

Adelaide Carraro foi uma escritora brasileira. Era uma escritora que escrevia livros fortes, com temas polêmicos e em plena época da ditadura militar, quando havia muita censura.

Poucas foram as escritoras que souberam lidar com a libido em seus textos. Polêmica, a cada livro que lançava despertava a curiosidade em alguns e a ira em outros. Principalmente, os políticos e a alta sociedade que sempre apareciam biografados, e nem sempre da forma que gostariam.

Adelaide Carraro nasceu na cidade de Vinhedo, interior de São Paulo, em 30/07/1936. Logo cedo, aos 7 anos, ficou órfã com mais onze irmãos. As dificuldades eram grandes, e então, passou a viver em um orfanato.

Seu primeiro texto que chegou ao conhecimento público foi a crônica "Mãe", que lhe rendeu um prêmio aos 13 anos de idade.


Adelaide Carraro deixou uma obra bastante extensa, com mais de 40 edições, tendo mais de 2 milhões de exemplares vendidos, entre eles "O Estudante", "O Estudante II", "O Estudante III", "Meu Professor, Meu Herói" e "Eu e o Governador". Este último é o seu texto mais polêmico, referente à descrição de um suposto romance com Jânio Quadros em seu período como governador de São Paulo.

Escreveu também outras obras como "Podridão" e "O Mundo Cão de Sílvio Santos".

"Falência das Elites" é a segunda e uma das mais importantes obras de Adelaide Carraro. Ela exibe de maneira perturbadora o retrato de uma sociedade cheia de preconceitos, em decomposição e intolerante, que despreza todos aqueles que não ingressaram em seu meio egocêntrico aristocrático do dinheiro.

Pasquim Num. 427 (Entrevista Com Adelaide Carraro)
Sincera, clara e simples, a autora ofende a vaidade da chamada elite. Para Adelaide Carraro, a elite apresenta duas caras: uma é feliz e amável e finge-se filantrópica, a outra é sombria, oculta e repulsiva.

Adelaide Carraro era solteira convicta, jamais cogitou se casar, porém, foi mãe adotiva de duas crianças. Muitos foram os adjetivos na tentativa de classificar sua obra, entre os quais "literatura pornográfica" e "escritora maldita".

Adelaide Carraro morreu em janeiro de 1992 aos 55 anos.

Cassandra Rios

ODETE RIOS
(69 anos)
Escritora

* São Paulo, SP (1932)
+ São Paulo, SP (08/03/2002)

Cassandra Rios foi uma escritora brasileira, autora de dezenas de livros que há quarenta anos escandalizaram o Brasil por seu estilo pornográfico, dentre eles "A Tara", "Tessa, a Gata", "Volúpia do Pecado", "A Paranoica", "Muros Altos", "Uma Mulher Diferente", "Cabelos de Metal" e "A Borboleta Branca", entre outras dezenas de títulos. O romance "A Noite Tem Mais Luzes" atingiu a marca de 700 mil exemplares vendidos.

Nascida em 1932 com o nome de Odete Rios, Cassandra foi uma das autoras mais vendidas dos anos 60 e 70, e também das mais perseguidas pela censura, que não tolerava o forte conteúdo erótico de sua obra, considerada pornográfica pelos setores mais conservadores da cultura.

Em seus livros, Cassandra Rios falava com liberdade e muita sensualidade sobre assuntos mais que polêmicos para a época, como o homossexualidade feminina, as relações entre sexo, religião, política e cultos umbandistas, que "atentavam" contra a moral defendida pelos militares. Lésbica assumida, chegou a vender quase trezentos mil exemplares de seus livros por ano, um sucesso editorial que só seria igualado décadas mais tarde pelo escritor Paulo Coelho.

Estreou com "Volúpia do Pecado" (1948) e foi um sucesso popular com incontáveis livros, ao lado da também considerada pornógrafa Adelaide Carraro. Com a abertura, um de seus livros, "A Paranóica", foi adaptado para o cinema com o título de "Ariella", interpretado por Nicole Puzzi. Ariella era uma menina rejeitada que vivia numa mansão e que descobre que seu tio fingia ser seu pai para ficar com sua fortuna. Para se vingar, passa a usar o próprio corpo, desintegrando a família.

Aos 33 anos, em meados dos anos 1960, Cassandra Rios era uma mulher completamente diferente das da época. Porte alto, vestindo terninho e com certa altivez, destacava-se mesmo estando numa multidão. Além de escritora, nesta época foi dona de uma livraria na Avenida São João, ao lado da Galeria do Rock, em São Paulo,onde podia ser encontrada diariamente.

Em 1976, a autora tinha 33 dos 36 livros que havia publicado apreendidos e proibidos em todo o país. Desde então, desapareceu completamente do noticiário. Abandonada, editando os últimos livros por conta própria, Cassandra Rios queixava-se que sempre se sentiu incomodada pelo fato de sua vida pessoal ser confundida com as atmosferas que criava em suas obras.

Numa entrevista à revista TPM, afirmou: "O que mais me incomodou foi me encararem como personagem de livro. Então, não tenho capacidade para ser escritora?"

Cassandra Rios faleceu no Hospital Santa Helena em São Paulo, aos 69 anos, vítima de câncer, em 08/03/2002.


Contexto

Como dita os manuais da literatura comparada, para entender Cassandra Rios é preciso entender sua época e ambiente.

Não havia imagens de sexo, a não ser em livros de medicina legal. No Brasil pré-contracultura, taras individuais não eram debatidas. O estranho era considerado desvio a ser combatido pelo Estado, com a censura.

A exibição de seios só era permitida em documentários sobre índios. "Amaral Neto, o Repórter" serviu para muitos adolescentes descobrirem o que havia escondido numa mulher.

Cassandra Rios falava às claras sobre o prazer feminino. Talvez por isso tenha sido uma das personalidades mais censuradas. Tratava-se de uma mulher escrevendo sobre tesão de mulher, numa sociedade cuja predominância religiosa afirmava que a mulher apenas se deitava com um homem para gerar filhos de Deus.

Seus livros surpreendiam. Cassandra Rios rivalizava com uma outra autora erótica e sua contemporânea, Adelaide Carraro. Enquanto Cassandra Rios tinha um estilo mais ousado, extrovertido, Adelaide Carraro era linear, contida. Em Cassandra Rios, há empresários corruptos, que fazem despachos em terreiros de umbanda.

Cassandra Rios já no título era direta, como, por exemplo, "A Volúpia do Pecado", de 1948, seu livro de estréia, que a transformou numa das autoras mais vendidas da história da literatura brasileira. Ela o escreveu com 16 anos. Fazia uma literatura assumidamente popular. Eram livros baratos. Havia desenhos provocantes nas capas: moças oferecidas em poses sutilmente sensuais.

Nas poucas entrevistas que deu, ela dizia que, no fundo, era uma simples dona-de-casa conservadora, que suas narrativas fluíam sem controle e que ela mesma ficava enrubescida com aquelas cenas mais quentes.

Chegou a escrever um livro sério, "MezzAmaro", uma autobiografia que não fala de sexo, com 400 páginas. Chegou a ter o livro "A Paranóica" adaptado para o cinema, sobre uma filha que descobre que seu pai é falso e quer apenas roubar a grana da família. Na tela, o livro virou "Ariella", revelando a atriz Nicole Puzzi.

Em muitas faculdades brasileiras, pesquisadores deveriam estar estudando Cassandra Rios. Foi uma precursora. Sua importância não será esquecida. Nem a libido de suas personagens.


Algumas Obras

  • Volúpia do Pecado
  • Carne em Delírio
  • Nicoletta Ninfeta
  • Crime de Honra
  • Uma Mulher Diferente
  • Copacabana Posto 6 - A Madrasta
  • A Lua Escondida
  • O Gamo e a Gazela
  • A Borboleta Branca
  • As Traças
  • A Tara
  • O Prazer de Pecar
  • Tessa, a Gata
  • A Paranoica
  • Breve História de Fábia
  • Um Escorpião na Balança
  • Muros Altos



Leda Zepellin

ANNA MARIA DE ANGELO RIBEIRO
(38 anos)
Dançarina

* Rio de Janeiro, RJ (11/01/1960)
+ (1998)

O nome verdadeiro da Leda Zepellin era Anna Maria de Angelo Ribeiro, carioca, nascida na Penha em 11/01/1960. No ano de 1979 estreou no programa do Chacrinha, na TV Bandeirantes, aos 19 anos.

Pequena em estatura, era dona de um rosto perfeito e de curvas fenomenais. Apareceu nua em várias revistas masculinas e concedeu diversas entrevistas como chacrete. Seus pais eram falecidos e Leda Zepellin fora criada pelos tios.

Ela se considerava uma mulher realista, ultra-aberta e assumida. Não se preocupava com o futuro, buscava viver intensamente o aqui e agora, pois desde pequena foi colocada de frente com a realidade da vida e, isso a marcou demais.


Gostava de ler Cassandra Rios e Vinícius de Moraes, além de ouvir Maria Bethânia, Joann Baez e principalmente Gilberto Gil. Seu maior sonho era ser mãe e, por motivo de gravidez, afastou-se do programa do Chacrinha em janeiro de 1983. Retornou em março de 1984, deixando definitivamente o programa em 14/07/1984.

Teve uma breve passagem no Clube do Bolinha, num único programa, e saiu de cena. Com toda sua beleza e carisma, Leda Zepellin marcou toda uma geração.

Faleceu em 1998, deixando inconsoláveis seus eternos fãs.

Fonte: As Chacretes

Neimar de Barros

NEIMAR MACHADO DE BARROS
(69 anos)
Produtor, Diretor e Escritor

* Corumbá, MS (08/03/1943)
+ Osasco, SP (06/05/2012)

Produtor e diretor de Silvio Santos, depois escritor de best-seller destacado pelo livro "Deus Negro" que vendeu mais de 4 milhões de exemplares em 5 países.

Neimar de Barros arrastava multidões. Em 1985, o ginásio do Gigantinho, em Porto Alegre, ficou abarrotado de pessoas querendo ouvi-lo. Era o mais popular pregador leigo católico daquela época.

O Início

Nascido em Corumbá, filho de militar, ainda na infância mudou-se com a família para a cidade de São Paulo. Sua adolescência foi marcada por uma forte tuberculose aos 16 anos, onde muita literatura predominou em seus 6 meses de cama, depois trabalhou como garçom, bancário, e foi ainda jovem para a Rádio Nacional como redator do programa de Renato Corte Real. Foi na rádio que conheceu Silvio Santos. Logo foram para a TV Paulista, Canal 5, das Organizações Victor Costa, comprada depois pela Rede Globo.

Ainda como TV Paulista, Silvio Santos recebeu um presente de Manuel de Nóbrega, o "Baú da Felicidade", e foi aí que junto com Neimar de Barros e Luciano Callegari caminharam para o "Programa Silvio Santos". Como o próprio Silvio Santos disse na comemoração dos 25 anos do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT): "Tudo começou comigo, Neimar de Barros e Luciano Callegari, e nunca imaginei que chegaria neste ponto…"

O Sucesso Profissional

Sua maior realização dentro da televisão foi na Rede Globo e TV Tupi, onde conseguiu sucesso e fama, chegando como diretor, produtor e redator, pois era o braço esquerdo de Silvio Santos.

Criou e produziu vários programas campeões de audiência como "Cidade Contra Cidade", "Boa Noite Cinderela", entre outros. Devido ao sucesso esteve em Brasília com o presidente do Brasil, Emílio Garrastazu Médici e Silvio Santos, solicitando concessão para um canal de televisão, por onde anos depois veio o primeiro canal de Silvio Santos, a TVS - Rio de Janeiro. Até o início da década de 1970 foi líder, companheiro, amigo e profissional de destaque dentro da equipe Silvio Santos.

A Transformação

Em 1971 foi convidado a participar de um encontro dentro da Igreja Católica, na época chamado de Cursílio. Mesmo sendo ateu, devido ao sucesso destes encontros, ele aceitou o convite, pois queria desafiar e defender sua filosofia materialista, que sempre dizia só acreditar no que seus olhos poderiam ver.

No terceiro e último dia, depois de ter questionado muito e até incomodado o encontro, foi desafiado pelo padre Jonh Drexel a entrar na capela e ajoelhar-se, pois Deus tinha algo a lhe falar. Então foi aí que uma grande comoção o tomou, e naquela hora aconteceu o início de sua conversão, ficando claro para ele, que podemos ver muitas coisas que nossos olhos não enxergam.


O Desafio Profissional

Quando retornou ao seu trabalho na TV, sentiu que como cristão não poderia continuar a ter as mesmas atitudes e aceitar muitos procedimentos dos bastidores de televisão, então, teve um grande conflito com Silvio Santos e acabou se desligando do grupo.

Depois esteve só na TV Record com seu programa próprio de entrevistas, "Meia Hora Com Neimar", e nesta época foi que se tornou famoso também como escritor de livros religiosos e seus poemas.

Suas poesias "Não Tenho Tempo" e "Deus Decepção" comoverão milhares de leitores, seu best-seller, intitulado "Deus Negro", vendeu mais de 4 milhões de exemplares, foi editado em vários países e teve suas poesias declamadas em vários meios de comunicação incluindo no programa "Fantástico" da TV Globo.

A Realização Pessoal

Em 1975 contraiu sua segunda tuberculose e foi aconselhado a se tratar na Serra da Mantiqueira onde conseguiu se recuperar em 3 meses. Escreveu o livro "Apóstolos Cansados" e decidiu mudar-se de São Paulo para Campos do Jordão, SP, onde residiu por 11 anos. Lá fundou o instituto Missionários Para Evangelização e Animação de Comunidades (MEAC), sendo o principal palestrante e pregador do grupo, onde durante 14 anos desenvolveu um incrível trabalho missionário dando cursos e palestras em mais de 3 mil cidades.

Suas palestras lotavam ginásios de esportes, auditórios, igrejas e teatros. Seu trabalho teve muito destaque e esteve sempre presente na mídia secular e fortemente na religiosa. Foi capa, em 1974, da revista Família Cristã, a maior publicação católica do Brasil pela Editora Paulinas.

Nestes 14 anos, visitou diversas vezes o Vaticano, palestrou em várias Universidades inclusive na Sorbonne em Paris, esteve em Israel, publicou mais de 10 livros, sendo vários em espanhol. Como leigo na Igreja Católica, conseguiu quebrar vários paradigmas, sendo uma forte referência por pregar a necessidade de mudanças em vários pontos da igreja.

A Tribulação

Sua vida deu uma grande guinada em 1986, e como um ser humano normal teve muitas desilusões com sua igreja, sua família e em seu grupo de trabalho. A falta de um alicerce deixou um forte florescer, a vontade de mudar os dogmas arbitrários da igreja católica foram sempre boicotados, e errou muito na forma reivindicada, apesar de haver boas intenções.

Assim, instalou-se uma profunda crise em sua vida, dando início a manifestação de uma doença neurológica que só foi descoberta 18 anos depois, explicando seus devaneios excessivos publicados irresponsavelmente pela revista Veja em 1986, onde concedeu uma entrevista com efeito bombástico devido a sua estória de fé dentro da igreja.

Ele declarou ter participado de uma investigação onde foi usado para se infiltrar na Igreja Católica e repassar informações sobre a conduta de religiosos a uma organização secreta. Esta declaração chocou muitos, o resultado foi que algo estranho havia com Neimar de Barros. Contudo, isto potencializou ainda mais a evolução desta oculta doença, o Mal de Alzheimer, descoberta só em 2004. A única beneficiária desta reportagem foi a revista Veja, que editou a entrevista conforme seu interesse e teve recordes de vendagem naquela semana, ultrapassando pela primeira vez o número de 900 mil exemplares. Sua família, amigos e milhares de verdadeiros admiradores sofreram muito com este impacto.


A Verdade

O mais importante é que ficou claro que quem conheceu Neimar de Barros, sabia e sentia que parte do que aconteceu depois de 1986 não foi de sua natureza. Tanto que a maioria de seus admiradores não acreditaram que a reportagem da revista Veja fosse verdade absoluta, existe essências e pontos verdadeiros, más não quando se fala em farsa e espionagem.

A  verdade esta na sua vontade de corrigir vários erros dentro da igreja. Ao invés de esconde-los, lutou muito por mudanças internas, más as desilusões foram grandes, o que teve muito peso e pouco apoio no meio católico. Contudo, sempre houve um sentimento que algo fora do racional acontecia em sua personalidade. Sabemos hoje que era o Mal de Alzheimer, o que explica seus excessos, más a sua essência sempre foi de um cristão temente a Deus, que estava revoltado com as doutrinas católicas. Nos últimos 10 anos congregou na Igreja Presbiteriana Renovada de Osasco, em São Paulo.

A Despedida

Neimar de Barros faleceu no dia 06/05/2012 e nos deixou um exemplo de que o homem é pecador, que muitas vezes erra o alvo, e que devemos perdoar sempre, pois o principal é não nos afastarmos de Deus, e sim entender que "quando somos nada, Deus é sempre tudo em nossa vida", como declarou como o apóstolo Paulo em sua poesia "Sim Eu Posso!".

Nunca recuperou a popularidade. Nos anos 90, virou protestante, trabalhou para a prefeitura de Osasco e voltou ao SBT, onde ficou até 2006.

Sofria de Alzheimer desde 2004 e morreu no domingo, 06/05/2012, aos 69, vítima de falência de órgãos. Teve cinco filhos e seis netos.

Fonte: Neimar de Barros e Folha de S.Paulo

Cruz Cordeiro

JOSÉ DA CRUZ CORDEIRO FILHO
(79 anos)
Escritor, Poeta, Tradutor e Compositor

* Recife, PE (12/03/1905)
+ Rio de Janeiro, RJ (16/07/1984)

Cruz Cordeiro nasceu em Recife, PE, em 12/03/1905. Era filho de José da Cruz Cordeiro e Carolina Sabóia de Albuquerque Cordeiro. Tinha cinco irmãs e um irmão: Lourdes,  Augusta, Carmem, Carozinha, Bernadete e Humberto.  Aos 7 anos mudou-se com a família para o Estado do Rio de Janeiro.

Cruz Cordeiro, aos 13 anos de idade, em foto de 9.10.1918
De família abastada, Cruz Cordeiro foi internado, na época, num famoso colégio de padres, tendo sido "educado" dentro de uma prejudicial formação católica tradicional.  Em seu único romance escrito aos 33 anos, publicado com sucesso em 1938, intitulado "Uma Sombra Que Desce", no último capítulo Solidão,  ele escreve sobre a sua permanência no conhecido colégio:

"O pai gastara fortuna na sua instrução, à moda do tempo, internando-o em um dos mais famosos colégios de padres do país. Arrancado pequeno e para muito longe de casa, Jorge pouco ou nada aprendera. Desde então não gozara mais saúde. A comida era de inferior qualidade. Não nutria. Feita como si fosse para cachorro. E depois das frugalíssimas refeições seria castigado todo aquele que não participasse do futebol, da barra-bandeira, ou de qualquer outra brincadeira assim congestionante imposta àquelas crianças afastadas do convívio e da responsabilidade de quem as botou no mundo. Do colégio não podia se queixar. As cartas eram censuradas e a vergonha de uma expulsão tolhia os mais audazes. Aos domingos, em dias de visitação, a bóia era atacada de súbita melhora. O ardil surtia o efeito desejado: eram os alunos que reclamavam sem base, meninos vadios que inventavam tramas para dar o fora do colégio... Nas férias, diante da alegria de rever a casa paterna, esquecia-se de reagir, dizer o que não podia fazer por carta, do internato. E voltava no ano seguinte para continuar a estudar sem se alimentar. Foi se enfraquecendo. Sarampo, caxumba, e um violento tifo, devolveram-no, afinal, aos seus. A sua educação se completara..."

Durante a sua juventude, iniciou na Faculdade de Engenharia e no aprendizado do violino, ambos abandonados para mais tarde dar lugar a atividades multifacetadas no campo da cultura brasileira. Foi o sócio remido nº 7 do Clube de Regadas Guanabara onde praticou vários esportes, e onde mais tarde colocou seus quatro filhos como sócios para aprender natação e frequentar o clube recreativo.

Cruz Cordeiro, o filho José Roberto e sua esposa Dora Alencar Vasconcellos (Passeio Público, RJ)
Cruz Cordeiro casou-se com Dora Alencar Vasconcellos, nascendo da união o único filho José Roberto Cordeiro, falecido aos 31 anos nos Estados Unidos, em 1969. A Embaixadora Dora Alencar Vasconcellos faleceu aos 62 anos, em 1973, como representante do Brasil junto à República de Trinidad-Tobago, sendo sepultada com honras de estado no Cemitério de São João Batista, na aléa 10, jazigo numero 3782.

Dora Vasconcellos era poetiza, e em vida deixou três livros publicados: "O Grande Caminho do Branco", "Palavra Sem Eco" e "Surdina do Contemplado". Ela iniciou parcerias com o compositor brasileiro erudito Heitor Villa-Lobos, durante a sua primeira permanência nos Estados Unidos em 1952. Dora criou inspiradas letras para algumas das belas canções da grande suíte "Floresta do Amazonas" (1958), sendo as mais conhecidas "Tarde Azul (Canção do Amor)" e "Canção do Amor (Melodia Sentimental)".


Com o falecimento de Dora Alencar Vasconcellos em 1973, Cruz Cordeiro casou-se em 05/12/1973 com Angelita Silva, companheira de longa data com a qual viveu até o dia do seu falecimento em 16/07/1984. Angelita Silva, com o casamento, passou a se chamar Angelita Silva da Cruz Cordeiro. Ela nasceu na Bahia, em 22/06/1910, filha de Canuto Silva Laureano e de Martinha Costa Maranhão. Da união entre Cruz Cordeiro e Angelita nasceram quatro filhos: Márcio (19/02/1943), Antônio José (23/l2/l944), Mário Eduardo (29/07/1949), e Ricardo (26/06/1951). Márcio Silva da Cruz Cordeiro, divorciado de Eliane Bastos Cordeiro, faleceu em 18/09/1995, aos 52 anos, em seu apartamento, em Botafogo, RJ. Segundo a médica atestante Drª Virgínia da Conceição Sencades Alves, a causa mortis foi desnutrição: esquizofrenia paranoide. Márcio foi enterrado no Cemitério de São João Batista, na sepultura perpétua da família de seu genitor.

Cruz Cordeiro e Angelita no Sanatório em Correias, Rio de Janeiro
Angelita formou-se em enfermagem pela Cruz Vermelha Brasileira, conhecendo Cruz Cordeiro na condição de enfermeira num hospital de cirurgia no Rio de Janeiro. Angelita e Dora tornaram-se amigas no hospital, e Dora, após acompanhar o marido durante a existência de sua prolongada enfermidade, seguiu o seu destino, a sua ambição, a sua carreira. Contratada pela família, Angelita assistiu Cruz Cordeiro também em sua recuperação num sanatório em Correias. Angelita, depois de ter sido uma das enfermeiras de Cruz Cordeiro no hospital, e sua enfermeira particular no sanatório, abandonou a profissão de enfermagem para dedicar-se ao companheiro, aos quatro filhos e à vida doméstica. Angelita faleceu em 21/03/2005, aos 94 anos, na UTI da Clínica de São Gonçalo S.A, em Niterói, RJ, tendo sido enterrada no Cemitério São João Batista na sepultura da família de seu marido.

Cruz Cordeiro, em parceria com Sérgio Alencar Vasconcellos, irmão de Dora Alencar Vasconcellos, fundou a pioneira Revista Phono-Arte, como editor e redator.  A revista teve o apoio das gravadoras e representantes de disco e de músicas impressas, inaugurando a crítica sistemática da música popular e erudita impressa e gravada no Brasil. A revista também iniciou comentários sobre filmes musicados do então chamado "cinema falado", logo que começou o filme sonoro no cinema. A Phono-Arte foi publicada com sucesso até o número 50, no período de 1928 a 1931, havendo coleções completas da revista no Museu do Som e da Imagem no Rio de Janeiro.


Logo após o término da sua importante Revista Phono-Arte, Cruz Cordeiro ingressou na RCA Victor Brasileira Inc., então recém-fundada no Brasil. No período de 1931 a 1936, exerceu cargo de publicidade e orientador artístico da empresa, na qual, por motivo de moléstia, aposentou-se prematuramente. Eram os tempos áureos de compositores como Lamartine Babo, Noel Rosa, João de Barrro, o Braguinha, Almirante, Joubert de Carvalho, e artistas como Carmen Miranda, Mário Reis e muitos outros. Cruz Cordeiro aumentou muito a venda de discos nacionais no seu período de atuação, passando a venda de 3 mil discos por  mês para 35 mil discos, conforme controlava em fichários adequados.

No auge de sua atuação bem sucedida na RCA Victor, Cruz Cordeiro foi acometido por uma doença incapacitante, forçando-o a se afastar do importante cargo que ocupava na recém-fundada empresa brasileira. Como pessoa enferma passou por vários consultórios médicos, por diversos diagnósticos equivocados e por algumas operações inúteis, até a descoberta da verdadeira causa da misteriosa doença: "um enorme abscesso nas suas nádegas, que tinham virado panelas de pus durante os dias de febre". O sofrimento físico e psíquico vivido pelo doente durante a duradoura moléstia levou Cruz Cordeiro ainda em recuperação a escrever o único romance intitulado "Uma Sombra Que Desce". O livro foi publicado em 1938 pela Cultura Moderna - Sociedade Editora Ltda., São Paulo, obtendo grande êxito ao ser lançado em 1939. Pelo seu grande sucesso e elevada qualidade literária, o romance foi traduzido para o espanhol por Bráulio Sánches Saez, e editado na Argentina pela Editorial Araújo, Buenos Aires, em 1942, na sua "Colección Universal" com o título de "Peregrinos Del Dolor".

Cruz Cordeiro, Angelita, Márcio e Antônio José, em Barbacena, MG.
Em consequência de sua prolongada enfermidade, Cruz Cordeiro foi aposentado na época por invalidez com 1 salário mínimo. O seu salário da RCA Victor foi pago durante um bom tempo mesmo após o início de sua doença, em razão da generosidade do diretor da empresa no Brasil, o norte-americano Mr. Evans. Após a sua aposentadoria por invalidez e completa recuperação, Cruz Cordeiro trabalhou até a velhice como datilógrafo na firma Werco Comércio e Indústria S.A., de seu parente Paulo Fernando Marcondes Ferraz. Além de ser um exímio datilógrafo, Cruz Cordeiro era conhecedor do inglês e do francês, tendo inclusive trabalhado como tradutor para aumentar a renda doméstica.

Como tradutor do inglês e do francês, a Casa Editora Vecchi Ltda., Rio de Janeiro, lançou suas traduções: "Abandonados" (1943) de Nevil Shute; "O Flagelo de Deus" (1953) de  Maurice Leblanc; "A Ilha dos 30 Ataúdes" (1952) de Maurice Leblanc; "Falso Testemunho" (1956) de Irving Stone; "Um Retrato de Mulher" (1945) de J.H. Wallis; "Os Mais Belos Contos Terroríficos" (1945) de famosos autores (Tradução de 4 dos 23 contos); "A Grande Audácia" (1955) de Maurice Leblanc.


Nos seus números de agosto 1941, novembro/dezembro de 1942, janeiro 1943 e janeiro/fevereiro 1944, a revista de cultura A Ordem, sob a direção de Alceu Amoroso Lima, revelou Cruz Cordeiro como poeta, publicando seus poemas: "Regresso", "História de Jangadeiro", "Aquele Velho", "Luz e Sombra", "Prece" e o "Problema do Poeta".

Anonimamente e
Na intimidade de cada pouso,
Silenciosamente e
No indevassável de cada alma,
Tudo vai tendo o seu próprio desconhecido
No concerto da beleza universal.
E assim somos como os búzios,
Que não falam: a vida em nós,
Como nas conchas diante do mar profundo,
É ressonância que a palavra,
Embora dom milagroso,
Jamais traduz exatamente.
E se tudo é silêncio e anonimato,
Se tudo ressoa sem palavras,
Se tudo é harmonia e beleza,
Por que então fazer poemas,
Que pedem títulos,
Que levam palavras e que
Se endereçam à alma de todas as criações?
(Poema - O Problema do Poeta)

Ainda, de 1939 a 1957, exerceu inúmeras outras atividades, conforme o texto abaixo escrito pelo próprio Cruz Cordeiro.

  • 1939 - Na revista Cine-Rádio Jornal, de Celestino Silveira, Rio de Janeiro, colaborou, frequente e animadamente, na seção "Fala o Amigo Fan", com seu nome literário Cruz Cordeiro  e, posteriormente, sob o pseudônimo de Tupiniquim, sempre em defesa da música brasileira popular, de que se tornou um dos seus melhores conhecedores e críticos.
  • 09/03/1940 - No famoso jornal crítico-literário de Brício de Abreu, Dom Casmurro, estreou com um trabalho de Linguística e Filologia, que passariam a ser a sua principal especialidade desde então, intitulado "A Ortografia dos Vocábulos Indígenas e Afro-negros". No mesmo periódico seguiu colaborando longo tempo até, praticamente, sua extinção.
  • 1941 - Colaborou com artigos para Diretrizes, publicação de Samuel Wainer e de projeção na época. Passou  a ser um dos colaboradores efetivos da Revista Filológica, publicação mensal sob a direção de Rui Almeida, que publicou até 1944. Ainda, tornou-se colaborador da Revista do Arquivo Municipal, publicação do Departamento de Cultura de São Paulo, onde se publicaram trabalhos seus como "Os Fundamentos Econômicos nas Origens dos Nomes Brasil e América" (Vol. LXXVIII de agosto/setembro 1941) e "Terminações Mineralógicas" (Vol. CII, 1945). Tornou-se colaborador do conceituado suplemento literário do Diário de Notícias, do Rio de Janeiro, sob a direção de Raul Lima, tendo sua colaboração sido variada, focalizando de preferência, porém, temas linguísticos, filológicos e de música popular e folclórica brasileira.
  • Janeiro de 1942 – A Revista do Brasil (Ano V, 3ª fase, nº 43) publicou seu importante trabalho "A Língua Brasileira".
  • 1945 - Ingressa como colaborador dos Diários Associados, de Assis Chateaubriand, em constante colaboração através do suplemento literário do seu órgão líder no Rio de Janeiro: O Jornal, de preferência sobre assuntos de linguística, filologia, folclore e música popular brasileira.
  • 1955/1956 – Convidado por Lúcio Rangel, criador da Revista da Música Popular, Cruz Cordeiro escreve sobre folcmúsica e música popular brasileira, e apresenta uma discografia mensal da Produção Nacional.
  • 1957 -  Passa a colaborar também no suplemento literário do Jornal do Comércio, do Rio de Janeiro.

O Jornal do Brasil, no Caderno Especial, em 26/01/1975, publica a Carta de Leitor de Cruz Cordeiro, intitulada "Fato Social e Fato Artístico", referindo-se às análises de caráter sociológico do historiador e crítico José Ramos Tinhorão, relativas aos compositores e letristas da nossa música popular.


O jornalista, escritor, crítico e historiador Sérgio Cabral entrevistou Cruz Cordeiro em sua residência, na Rua General Góis Monteiro, nº 88, apto 303, Botafogo, RJ. A extensa entrevista foi publicada no jornal O Globo, em 22/07/76, com o título "Cruz Cordeiro – O Primeiro Colunista de Discos do Brasil". A grande reportagem também foi publicada no livro "ABC do Sérgio Cabral – Um Desfile dos Craques da MPB" (Editora Codecri - Rio de Janeiro, 1979). Quando Cruz Cordeiro foi entrevistado por Sérgio Cabral, ele já tinha a idade avançada de 71 anos.

Entre os 72 e 73 anos de idade (1977/1978), Cruz Cordeiro foi internato no Hospital da Lagoa do Rio de Janeiro para a retirada de um coágulo no cérebro. Apesar de a cirurgia invasiva ter sido bem sucedida pela competência dos médicos na época, mais tarde Cruz Cordeiro sofreu um derrame cerebral que paralisou o seu lado esquerdo. Ele permaneceu em sua residência neste lamentável estado irreversível até o dia de seu falecimento, assistido por uma enfermeira e por sua sempre dedicada Angelita. Tendo ido visitar meu querido pai neste dia, estava em seu quarto e ao lado da sua cama, e junto à minha mãe presenciei a sua vida se esvaindo através de uma dispneia.

José da Cruz Cordeiro Filho faleceu em 16/07/1984 às 22:00 hs, aos 79 anos de idade. Segundo a Certidão de Óbito atestada pelo médico Drº Ismar Fernandes, a causa mortis foi Insuficiência Cardiorrespiratória e Arterioesclerose Cerebral.

Cruz Cordeiro foi sepultado no Cemitério São João Batista, no túmulo perpétuo da família, de mármore preto, encimado por uma grande imagem branca de Santa de Lourdes. A antiga sepultura, que tem espaço para três urnas funerárias, fica à esquerda logo após a entrada do Cemitério São João Batista, e da rua principal já pode se ver não muito distante a imagem bonita da alta escultura.

Meu pai era um homem de poucas palavras e não dado a manifestações físicas de carinho, embora fosse muito atento aos estudos dos seus quatro filhos. Eu mesmo tive professores particulares de português, francês e matemática, quando não ia bem nestas matérias durante o curso primário e básico comercial.  E comprou um piano para que eu fizesse o curso completo do instrumento, pois uma professora de música afirmou que eu tinha muito talento para o piano, embora mais adiante tenha abandonado o curso por não me sentir motivado. Todos os filhos, sem exceção, no momento próprio, foram inscritos no Instituto Brasil-Estados-Unidos (IBEU), e ao contrário dos demais irmãos abandonei o curso de inglês logo no início.

Estou cansado de presenciar fatos consumados,
De ter notícias de desgraças ou de vitórias,

Acabei por detestar os acontecimentos.
Queria que Deus me desse a pré-ciência
O dom divinatório e a mais absoluta vidência,
Que me fizesse entrar no espírito de todas as coisas,
Que me coordenasse com a essência universal e
me concedesse, desde logo,
A paz imensa que pressinto no infinito.
(Poema - Prece)

Antônio José, ao lado de seus pais Cruz Cordeiro e Angelita, na sua primeira exposição individual no Foyer da Sala Cecília Meireles, realizada no período de 06/07 a 06/08/1979
O filho de Cruz Cordeiro, Antônio José Silva da Cruz Cordeiro, autor da presente biografia resumida, homenageando o seu querido, saudoso e admirado pai, organizou, anteriormente, o site Revista Phono-Arte,  e do qual retirou  a maioria das informações desta biografia à pedido de Marcos Carvalho, criador deste blog.

Fonte: Antônio José Silva da Cruz Cordeiro e Revista Phono-Arte

Meira

JAIME TOMÁS FLORENCE
(73 anos)
Compositor e Instrumentista

* Paudalho, PE (01/10/1909)
+ Rio de Janeiro, RJ (08/11/1982)

Jaime Tomás Florence, o Meira, foi um compositor e instrumentista. Aprendeu a tocar violão com o irmão Robson, com quem seguiu para o Rio de Janeiro em 1928 no conjunto Voz do Sertão, organizado por Luperce Miranda ainda em Recife, em 1927, e integrado também por Minona Carneiro (cantor) e José Ferreira (cavaquinho).

Foi vizinho de Noel Rosa, que compunha os primeiros sambas. No início da década de 1930 teve editada uma musica sua, "Falando Ao Teu Retrato" (Meira De Chocolat), gravada em 1935 por Augusto Calheiros.

Sua estréia em disco ocorreu em 1934, quando Benedito Lacerda e seu Regional lançaram o choro "Primavera".

Em 1937 substituiu o violonista Carlos Lentine no Regional de Benedito Lacerda, o qual, com Dino 7 Cordas (violão de sete cordas), formou uma das mais duradouras duplas violonistas da música popular brasileira. Com o regional, acompanharam os grandes cantores populares da época, em apresentações e gravações.

Regional de Canhoto: Gilson, Canhoto e Altamiro Carrilho (de pé) - Meira, Orlando Silveira e Dino (sentados)
Na década de 1940, apareceu com algumas composições que alcançaram êxito, como "Aperto De Mão" (MeiraDino 7 Cordas e Augusto Mesquita), gravada por Isaurinha Garcia na RCA Victor, em 1943; "Deixa Pra Lá" (Meira e Augusto Mesquita), choro gravado por Isaurinha Garcia em 1945; e "Amar Foi Minha Ruína" (Meira e Augusto Mesquita), lançado por Gilberto Alves em 1947.

Em 1950, quando Benedito Lacerda abandonou as atividades artísticas, permaneceu no grupo, que passou a se chamar Regional do Canhoto, realizando durante a década de 1950 muitas gravações com choros dos seus integrantes, além de acompanhar outros artistas.

Augusto Mesquita, relançou o samba-canção "Molambo", grande sucesso nas gravações de Roberto Luna e Cauby Peixoto.

Em 1965 tomou parte no show "Samba Pede Passagem", organizado por Sidney Miller, e participou da gravação do LP "Rosa de Ouro", pela Odeon. Atuou em gravações de novos sambistas e, a partir de 1970, também de discos de choro, além de lecionar violão no Rio de Janeiro.

Zizinho

THOMAZ SOARES DA SILVA
(80 anos)
Jogador de Futebol

* São Gonçalo, RJ (14/09/1921)
+ Niterói, RJ (08/02/2002)

Thomaz Soares da Silva nascido em 14/09/1921, foi um dos mais refinados jogadores de futebol de todos os tempos, terceiro a alcançar o estrelato brasileiro e quarto na galeria dos maiores de todos os tempos. Virou o ídolo de Pelé quando jogou pelo São Paulo e foi o segundo brasileiro a ser reconhecido mundialmente. Seu azar foi, além de jogar em uma época em que a televisão de certa forma não existia, haver perdido a copa de 1950 realizada no Brasil.

Zizinho foi um craque que não conseguiu incluir no currículo o título da Copa do Mundo, mas que foi eleito o craque de um Mundial, e que conseguiu algo especial: ser o grande ídolo do Rei Pelé.

Zizinho nasceu em São Gonçalo, Rio de janeiro, em 14/09/1921 e rapidamente teve reconhecido o seu talento nos gramados. Em 1939, com 18 anos, fez um treino no Flamengo e encarou o desafio de entrar no lugar de Leônidas da Silva, craque da Copa disputada na França um ano antes. E o jovem não se intimidou: marcou três gols e foi imediatamente aprovado pelo treinador Flávio Costa. E foi um dos destaques do rubro-negro na conquista do tricampeonato carioca em 1942, 1943 e 1944.

No clube, disputou 318 jogos e marcou 145 gols. Mas deixou a Gávea de forma traumática. Já um dos principais jogadores do país e titular absoluto da Seleção Brasileira, foi negociado com o Bangu pouco antes da Copa de 1950. O presidente do Flamengo na época, Dario de Mello Pinto, teria dito que nenhum jogador rubro-negro era inegociável. Diante disso, o patrono do clube de Moça Bonita, Guilherme da Silveira, teria perguntado qual seria o valor para contratar Zizinho. E bancou a pedida, criando uma saia-justa para Dario de Mello Pinto, que não conseguiu voltar sua palavra.

E rapidamente, o Flamengo percebeu o erro que havia cometido. Em 20/08/1950, em jogo da segunda rodada do Carioca, Zizinho comandou o Bangu na goleada por 6 a 0 sobre o Flamengo. Com um gol do Mestre Ziza, assim apelidado pelo fino trato com a bola no pé.

Zizinho ficou no Bangu até 1957, quando já veterano, aos 36 anos, foi contratado pelo São Paulo. E o meia mostrou mais uma vez a sua categoria, sendo peça-chave para que o tricolor conquistasse o título paulista daquele ano.

Castilho e Zizinho
Em 1958, se transferiu para o Audax Italiano, pelo qual encerrou a carreira em 1962.

Pela Seleção Brasileira, Zizinho estreou em 18/01/1942, contra a Argentina, no Campeonato Sul-Americano disputado no Uruguai. Em 53 jogos, marcou 30 gols.

Foi campeão sul-americano em 1949, mas não conseguiu obter o tão sonhado título mundial. Com um problema no joelho esquerdo, só estreou no terceiro jogo do Brasil na Copa de 1950, contra a Iugoslávia. E foi decisivo para que a Seleção vencesse a partida por 2 x 0, um gol dele, e avançasse para a fase final.

Após brilhar com o time nas goleadas sobre a Suécia (7 x 1) e Espanha (6 x 1), teve que amargar a decepção da derrota para o Uruguai na decisão, em um Maracanã superlotado. Decepção que seria eterna.

Após o jogo, desorientado, como admitiu tempos depois, caminhou a pé do Maracanã até a Praça XV, para pegar a barca para Niterói, onde morava. Um trajeto de oito quilômetros.

Uma tristeza eterna. Que resistia mesmo 50 anos depois do fatídico 16 de julho. Em 2000, durante entrevista para a Rede Globo, pediu para interromper a conversa ao se emocionar lembrando a partida. A amargura era tanta que evitava falar com jornalistas em épocas de Mundial. Sabendo que o assunto Copa de 1950, fatalmente, seria mencionado.

Zizinho faleceu em 08/02/2002 vítima de problemas cardíacos.

Fonte: Globo Esporte (Blog memória E.C.)
Indicação: Miguel Sampaio