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Fernando Baleroni

FERNANDO BALERONI
(57 anos)
Ator, Diretor, Roteirista e Produtor

☼ São Paulo, SP (25/11/1922)
┼ São Paulo, SP (22/11/1980)

Fernando Baleroni foi um ator, diretor, roteirista e produtor brasileiro, nascido em São Paulo, SP, no dia 25/11/1922. Foi casado com a atriz Laura Cardoso com quem teve duas filhas, Fátima e Fernanda.

Começou a carreira no rádio em 1944 na Rádio Difusora, onde já mostrou toda a sua versatilidade. Era ator de radioteatro, diretor e autor. Da mesma forma sua versatilidade ia do drama à comédia. Foi também ator de cinema, onde aparecia muito bem. Enfim, era figura muito querida e aproveitada na época.

Estava na Rádio Cultura de São Paulo, quando se casou com a também atriz Laura Cardoso. O casal teve duas lindas filhas, Fátima e Fernanda.

Para salientar seu trabalho como ator, devemos citar que levavam sua assinatura no rádio, os seguintes programas: "Novela Sertaneja", "Bonde das Sete" e "Transatlântico de Luxo".

Fernando Baleroni e a esposa se transferiram da Rádio Cultura para as Emissoras Associadas, mais ou menos em 1952. E assim passaram ambos a fazer tanto rádio, como TV. Para a televisão, Fernando Baleroni escreveu "Seu Pepino" e "O Corintiano". Dirigiu as novelas "Abnegação" (1966), "A Pequena Karen" (1966) e "Seu Pepino" (1955).

Como ator salientou-se muito em grandes peças, levadas ao ar pelo "TV de Vanguarda". Fez "Casa de Bonecas", "Solnessem", "O Construtor", "Os Miseráveis", "O Delator" e "Hamlet". Atuou nas novelas "Sol Amarelo" (1971), "Editora Mayo, Bom Dia" (1971), "Os Fidalgos da Casa Mourisca" (1972) e "Os Deuses Estão Mortos" (1971). Embora aqui estejam citadas só novelas da TV Record, Fernando Baleroni também fez novelas na TV Tupi, anteriormente, e na TV Excelsior. Nesta fez "Vidas em Conflito" (1969), "Os Diabólicos" (1968), "Os Tigres" (1968), dentre outras.

Fernando Baleroni  participou com sucesso dos filmes "O Sobrado" (1956), "Dona Violante Miranda" (1960), "Na Garganta do Diabo" (1960) e "Cléo e Daniel" (1970).

Também participou de peças teatrais importantes, como "Os Catadores de Papel", "Depois da Queda", "O Marido Vai à Caça" e "As Comadres de Windson".

Fernando Baleroni recebeu muitos prêmios, entre os quais o Prêmio Saci, como melhor ator de cinema, pelo filme "O Sobrado". Pela mesma atuação recebeu o prêmio O Governador do Estado de São Paulo.

Fernando Baleroni faleceu em São Paulo, SP, no dia 22/11/1980, aos 57 anos, na semana em que iria completar 58 anos.

Carreira

Televisão
  • 1973 - Vendaval
  • 1972 - O Leopardo
  • 1972 - Os Fidalgos da Casa Mourisca
  • 1972 - O Príncipe e o Mendigo ... Pai de Andrew
  • 1971 - Sol Amarelo
  • 1971 - Editora Mayo, Bom Dia ... Chicão
  • 1970 - Tilim
  • 1969 - Mais Forte Que o Ódio ... Januário
  • 1969 - Algemas de Ouro ... Delegado
  • 1969 - Vidas em Conflito ... Pedro
  • 1968 - Os Diabólicos ... André
  • 1968 - Os Tigres
  • 1967 - Sublime Amor ... Fausto
  • 1967 - O Grande Segredo ... Delegado
  • 1966 - Redenção ... Mateus
  • 1966 - Ninguém Crê em Mim ... Orestes
  • 1966 - Abnegação ... Rafael
  • 1965 - O Caminho das Estrelas ... Martino
  • 1965 - A Ilha dos Sonhos Perdidos
  • 1965 - O Céu é de Todos
  • 1965 - Vidas Cruzadas ... Rodolfo
  • 1965 - Pecado de Mulher
  • 1964 - A Cidadela
  • TV de Vanguarda
  • 1958 - Os Miseráveis ... Jean Vanjean
  • TV de Comédia
  • TV Teatro
  • 1958 - Casa de Bonecas
  • 1957 - O Corcunda de Notre-Dame ... Rei dos Mendigos
  • 1957 - Os Três Mosqueteiros ... Portus
  • 1956 - Douglas Red ... Pablo
  • 1955 - O Falcão Negro ... Cesar Borgia
  • 1955 - Legionário Invencível
  • 1955 - Seu Pepino
  • 1953 - Segundos Fatais


Cinema
  • 1970 - Cléo e Daniel
  • 1960 - Dona Violante Miranda
  • 1960 - Na Garganta do Diabo
  • 1957 - Paixão de Gaúcho
  • 1956 - O Sobrado
  • 1949 - Luar do Sertão


Diretor
  • 1966 - A Pequena Karen
  • 1957 - Seu Genaro
  • 1956 - Douglas Red
  • 1956 - Seu Tintoreto
  • 1955 - Seu Pepino


Roteirista
  • 1956 - Douglas Red
  • 1956 - Seu Tintoreto
  • 1954 - Ciúme
  • 1954 - O Grande Sonho


Padre Libério

LIBÉRIO RODRIGUES MOREIRA
(96 anos)
Padre

* Lagoa Santa, MG (30/06/1884)
+ Divinópolis, MG (21/12/1980)

"Eu não faço milagres não! O que faço é apenas abençoar com boa vontade. Só Deus tem o poder de ajudar". Esta era a resposta de uma das figuras religiosas mais admiradas pela população de Pará de Minas, MG, e região, quando lhe qualificavam como um santo.

Libério Rodrigues Moreira foi um padre católico brasileiro nascido em Lagoa Santa, MG, no dia 30/06/1884. Seus pais eram Joaquim Rodrigues Castro e Francisca Moreira Costa.

Seus pais eram de origem humilde e tiveram sete filhos, criados com dificuldades. Desde criança, Libério tinha que ajudar o pai guiando bois. Em 1902 a família mudou-se para Mateus Leme, MG, onde Libério trabalhou como servente de pedreiro.

Aos sete anos Libério já mostrava os primeiros sinais de sua vocação pela vida sacerdotal. Sempre muito dedicado e perseverante, mas com condições financeiras precárias, o jovem soube esperar o momento certo quando contou com a ajuda de um parente para ingressar nos estudos. Após dez anos de estudo Libério ordenou-se sacerdote, em 25/04/1916. O maior sonho de Libério havia se concretizado.


Sua primeira missa foi celebrada na vizinha cidade de Mateus Leme, MG, quando pela primeira vez, Padre Libério sentiu o prazer em vestir os paramentos sagrados. Daí então prestou vários serviços sacerdotais em diversas localidades do Estado. Mas foi em Pitangui, MG, que trabalhou em sua primeira paróquia.

Já a localidade de Leandro Ferreira, MG, foi sua última paróquia onde permaneceu por 19 anos. Em um breve relato de sua vida nesta cidade pode-se dizer que Padre Libério morava com a única irmã, Maria Rodrigues Moreira, numa casa que chamavam de chalé. Foi o responsável pela criação da igreja-matriz e da casa paroquial da cidade, que conseguiu erguer com diversas contribuições num tempo de oito anos. Leandro Ferreira através de sua bondade foi crescendo e se tornando um lugarejo bastante visitado e estimado. Pequena no tamanho e enorme na fé. Mais tarde, ele próprio pediu dispensa do paroquiato preocupado com sua saúde, associada à idade avançada.

Assim, Padre Libério mudou-se para Pará de Minas, MG, e, mesmo doente não deixava de celebrar diariamente sua missa na Igreja Nossa Senhora das Graças. Sempre atendeu com bom humor a todos que o procuravam e de fato não eram poucos, encantando os visitantes com suas brincadeiras.


Recebeu homenagens como o título de Cidadão Honorário de Pará de Minas através da Câmara Municipal, além de seu nome ser também o de uma rua da cidade. Além disso, o artista, já falecido, Raimundo Nogueira de Faria, mais conhecido como Sica, esculpiu a sua imagem em pedra sabão que se encontra na praça que também leva o seu nome, localizada em frente à Igreja Nossa Senhora das Graças.

De Pará de Minas, Padre Libério decidiu fixar moradia em Divinópolis, MG, onde morou na Vila Vicentina, até o dia em que foi internado no Hospital São João de Deus, falecendo em 21/12/1980. Após seu corpo ter sido velado na própria Vila Vicentina, foi levado para Pará de Minas onde permaneceu várias horas na Igreja Nossa Senhora das Graças. Em seguida o cortejo fúnebre partiu em direção à cidade de Leandro Ferreira onde seu corpo foi depositado na igreja-matriz construída por ele.

Em Leandro Ferreira foi instalado um pequeno museu que conta parte de sua história. Por sua vida piedosa e por alguns milagres que lhe são atribuídos, é considerando popularmente como santo na região Centro-Oeste de Minas Gerais. Embora não estando canonizado, a sua sepultura é local de romaria e peregrinações. Recentemente tem sido organizado eventos visando angariar fundos para custear o processo de canonização do religioso.

A data de nascimento do religioso é recordada, anualmente, com um feriado municipal, e diversas atividades.

Indicação: Vanessa Elysee

Hélio Oiticica

HÉLIO OITICICA
(42 anos)
Pintor, Escultor e Artista Plástico

* Rio de Janeiro, RJ (26/07/1937)
+ Rio de Janeiro, RJ (22/03/1980)

Hélio Oiticica foi um pintor, escultor, artista plástico e performático de aspirações anarquistas. É considerado por muitos um dos artistas mais revolucionários de seu tempo e sua obra experimental e inovadora é reconhecida internacionalmente.

Hélio Oiticica era filho de José Oiticica Filho, um dos importantes fotógrafos brasileiros, que também era engenheiro, professor de matemática e entomólogo e de Ângela Santos Oiticica. Teve mais dois irmãos, César e Cláudio, nascidos respectivamente em 1939 e 1941.

A educação de Hélio e seus irmãos começou em sua casa, onde tiveram aulas de matemática, ciências, línguas, história e geografia dadas pelo pai e a mãe. Também teve grande influência em sua formação o avô José Oiticica, conhecido intelectual filólogo, professor, escritor, anarquista e jornalista.

No ano de 1947, seu pai, José Oiticica Filho foi premiado com uma bolsa da Fundação Guggenheim. A família se mudou para Washington, Estados Unidos, e seu pai passou a trabalhar no United States National Museum - Smithsonian Institution. Ficaram lá por dois anos e Hélio, então com 10, e seus irmãos foram matriculados pela primeira vez numa escola oficial, a Thomson School. A a proximação com a arte se deu nessa época. Hélio e os irmãos tinham à disposição galerias de arte e museus.

A família retornou ao Rio de Janeiro, em 1950, e, em 1952, Hélio começou a escrever e a traduzir peças de teatro que encenava em casa com os irmãos. Sua tia, a atriz Sônia Oiticica, passou a o incentivá-lo nessa empreitada.


Primeiras Exposições

Durante a II Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo, realizada em 1953, Hélio Oiticica tomou contato com a obra de Paul Klee, Alexander Calder, Piet Mondrian e Pablo Picasso, e no ano seguinte começou a estudar pintura com Ivan Serpa. Entrou para o Grupo Frente e junto fez a sua primeira exposição no Museu de Arte Moderna. Nessa época começou a conviver com artistas e críticos, como Lygia Clark, Ferreira Gullar e Mário Pedrosa. Sua obra desse período (1955-1957) são pinturas geométricas sob guache e cartão, que resultou em 27 trabalhos nessa técnica, intitulados "Secos", que foram expostos no Rio de Janeiro, na Exposição Nacional de Arte Concreta.

Paralelo a esse evento esteve presente à polêmica conferência proferida por Décio Pignatari, na "Noite de Arte Concreta" na União Nacional dos Estudantes. Esse evento teve grande importância pois lançou as bases da arte concreta e colocou, de um lado, poetas e críticos como Haroldo de Campos, Augusto de Campos, Décio Pignatari e Ferreira Gullar, e de outro, os defensores da arte tradicional.

Em 1959, convidado por Lygia ClarkFerreira Gullar, integrou o Grupo Neoconcreto do Rio de Janeiro e passou a realizar pinturas a óleo sobre tela e compensado. São obras monocromáticas que incluem pinturas triangulares em vermelho e branco. Nesse mesmo ano participou da V Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Em 1960 trabalhou como auxiliar técnico de seu pai, José Oiticica Filho, no Museu Nacional.


Parangolés e Penetráveis

A partir do início dos anos 60, Hélio Oiticica começou a definir qual seria o seu papel nas artes plásticas brasileiras e a conceituar uma nova forma de trabalhar, fazendo uso de maneiras que rompiam com a ideia de contemplação estática da tela. Surgiu aí uma proposta da apreciação sensorial mais ampla da obra, através do tato, do olfato, da audição e do paladar. Exemplo disso é o penetrável PN1 e a maquete do "Projeto Cães de Caça", composto de cinco penetráveis (1961) e os bólides, que são as estruturas manuseáveis, chamados de B1 Bólide Caixa 1 (1963).

No período de 1964, aproximou-se da cultura popular e passou a frequentar a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, tornando-se passista e integrando-se na comunidade do morro. Vem dessa época o uso da palavra parangolé que passou a designar as obras em que estava trabalhando naquele momento. Os primeiros parangolés se compunham de tenda, estandarte e bandeira e P4, a primeira capa para ser usada sobre o corpo. São obras que causaram polêmicas e ele definia como "antiarte por excelência". Na exposição Opinião 65, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, foi proibido de desfilar - os passistas da Mangueira vestiam seus parangolés - nas dependências do museu. Hélio Oiticica realizou a apresentação no jardim, com grande aceitação pública.

Hélio Oiticica, além de realizar as sua obras, também teorizava sobre elas em textos como "Os Bólides e o Sistema Espacial Que Neles Se Revela", "Bases Fundamentais Para Definição do Parangolé", e "Anotações Sobre o Parangolé", entre muitos outros, que divulgava mimeografadas.

Em 1965, começou carreira internacional e realizou exposição, Soundings Two, em Londres, ao lado de obras de Duchamp, Klee, Kandinsky, Mondrian, Léger, entre outros.


Em 1967, iniciou suas propostas supra-sensoriais, com os bólides da "Trilogia Sensorial", além dos penetráveis PN2 e PN3 que faziam parte da obra Tropicália, mostrada na exposição Nova Objetividade Brasileira, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Caetano Veloso usou como cenário a bandeira "Seja Marginal Seja Herói", de Hélio Oiticica, em show na boate Sucata no Rio de Janeiro. A bandeira foi apreendida e o espetáculo suspenso pela Polícia Federal. Essa aproximação com Hélio Oiticica foi de grande importância na definição dos rumos da música brasileira.

Além da militância artística no Brasil, a carreira internacional de Hélio Oiticica passou a tomar grande parte de seu tempo, com exposições e intervenções em Londres, Nova York e Pamplona, a partir dos fins dos de 60 e início dos anos 70.

Em 1972, usou o formato super 8 e realizou o filme "Agripina é Roma - Manhattan". O cinema passou a ser uma referência, e em 1973 criou o projeto Quase-Cinema, com a obra "Helena Inventa Ângela Maria", série de slides que evocam a carreira da cantora Ângela Maria.

Uma nova série de penetráveis intitulados Magic Square e os objetos Topological Ready-Made Landscapes foram mostrados na exposição Projeto Construtivo Brasileiro, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1977.

Em 1979, criou o seu último penetrável chamado "Azul In Azul". Neste ano, Ivan Cardoso realizou o filme "HO", retratando a obra de Hélio Oiticica.

No dia 22/03/1980, Hélio Oiticica sofreu um acidente vascular cerebral, vindo a falecer, no Rio de Janeiro.


Carlos Torres Pastorino

CARLOS JULIANO TORRES PASTORINO
(69 anos)
Ex-Padre, Espírita, Radialista, Jornalista, Escritor, Teatrólogo, Historiador, Filólogo, Filósofo, Professor, Poliglota, Poeta e Compositor

☼ Rio de Janeiro, RJ (04/11/1910)
┼ Brasília, DF (13/06/1980)

Carlos Juliano Torres Pastorino foi um ex-padre que se dedicou ao estudo da Doutrina Espírita e da Fenomenologia Mediúnica, autor do maior best-seller de auto-ajuda no país, "Minutos de Sabedoria".

Era mais conhecido por Professor Pastorino e era filho de José Pastorino e Eugênia Torres Pastorino. Desde criança demonstrou inusitada inteligência e vocação para a vida eclesiástica. Com apenas 14 anos de idade, em 1924, recebeu os diplomas de Geografia, Corografia e Cosmografia, do Colégio Dom Pedro II e, logo em seguida, ainda no mesmo ano, o diploma de Bacharel em Português, no mesmo colégio.

Viajou para Roma a fim de cursar o Seminário, onde, em 1929, foi diplomado pelo Cardeal Basilio Pompili, para a Ordem Menor de Tonsura. Formou-se em Filosofia e Teologia em 1932, sendo ordenado sacerdote em 1934.

Abandonou a vida eclesiástica da Igreja Católica Romana, quando, em 1937, aguardava promoção para diácono. Surpreendeu-se com a recusa do Papa Pio XII, em receber o Mahatma Gandhi em seu tradicional traje branco. O Colégio Cardinalício exigia que o grande líder da Índia vestisse casaca, para não quebrar a tradição das entrevistas dos chefes de Estado. Pastorino, diante dessa recusa, imaginou que se Jesus visitasse o Vaticano, não se entrevistaria com o Papa, pois vestia-se de forma similar a Gandhi, e jamais se sujeitaria ao rigor exigido pela Igreja.

Regressou de imediato ao Brasil e desenvolveu intensa atividade pedagógica. Ingressou no Instituto Italo-Brasileiro de Alta Cultura, como professor de Latim e Grego, cargo que exerceu de 1937 a 1941. Em 1938, recebeu o registro de Professor de Psicologia, Lógica e História da Filosofia do Ensino Secundário. Foi também professor de Espanhol.

Em paralelo com o magistério, exercia atividades jornalísticas, como correspondente dos Diários Associados. Foi Adido Cultural e Jornalístico da Academia Brasileira de Belas Artes. Sócio de inúmeras Sociedades Esperantistas, no Brasil e no exterior. Delegado especializado (Faka Delegito) da Universidade Esperanto Asocio, com sede na Holanda. Foi fundador da Sociedade Brasileira de Esperanto, no Rio de Janeiro. Sua bibliografia é extensa, com mais de 50 livros publicados e outros tantos inéditos.

Pastorino falava fluentemente vários idiomas, legando-nos inúmeros livros didáticos. Traduziu obras de vários autores ingleses, franceses, espanhóis, italianos, clássicos latinos e gregos.

No dia 31/05/1950 concluiu a leitura de "O Livro dos Espíritos", de Allan Kardec, que recebera por empréstimo de um seu colega do Colégio Dom Pedro II. Nesse dia declarou-se espírita, data que guardava com muito carinho. Passou a frequentar o Centro Espírita Júlio César, no Grajaú, o qual foi sua escola inicial de Espiritismo. No dia 08/01/1951, com um grupo de abnegados companheiros, fundou o Grupo Espírita Boa Vontade, posteriormente mudado para Grupo de Estudos Spiritus, para não haver confusão com a Legião da Boa Vontade.

No Grupo de Estudos Spiritus, nasceu o Lar Fabiano de Cristo, o boletim Serviço Espírita de Informação (SEI). Fundou a Livraria e Editora Sabedoria e a revista com o mesmo nome, prestando relevantes serviços à Doutrina, no terreno cultural.

O professor Carlos Torres Pastorino realizou muitas palestras no Rio de Janeiro e em vários outros Estados. Participou ativamente de Congressos, Semanas Espíritas, Simpósios, Cursos e tantos outros eventos. Fez-se sócio de inúmeras instituições espíritas e colaborou com a imprensa espírita nacional e do exterior. De sua vasta bibliografia espírita, destaca-se "Minutos de Sabedoria", que bate todos os recordes de vendagem, já em várias edições "Sabedoria do Evangelho", publicado em fascículos na revista Sabedoria e Técnicas da Mediunidade, excelente livro sobre o assunto.

O grande sonho de Carlos Torres Pastorino era criar uma Universidade Livre, para ensinar Sabedoria. Em 1973 recebeu, por doação, do Drº Miguel Luz, famoso médico paulista, já desencarnado, magnífico terreno numa área suburbana de Brasília, denominada Park Way, onde iniciou as obras da Universidade. Já com algumas dependências construídas, passou a residir no local, para administrá-la. Chegou a realizar vários cursos, estando a sua Biblioteca em pleno funcionamento, com o respeitável número de 8000 volumes, adquiridos ao longo de sua existência, toda voltada para a cultura geral e o bem-estar da humanidade. Infelizmente faleceu antes de ver concretizado esse sonho.

Foi casado com Silvana de Santa M. Pastorino, deixando três filhos maiores e sete netos. Deixou também um casal de filhos menores do segundo casamento.

Obra

Carlos Torres Pastorino publicou uma extensa bibliografia de mais de 50 obras, muitas delas ainda inéditas. Poliglota, traduziu obras de diversos idiomas. Foi também radialista, sendo a sua obra magna - "Minutos de Sabedoria" - uma coleção de suas mensagens propaladas no rádio. Compôs 31 peças musicais para piano, orquestra, quarteto de cordas e polifonia, a três e quatro vozes. Entre as suas obras, destacam-se:

  • 1966 - Minutos de Sabedoria
  • 1966 - Teu Filho, Tua Vida
  • 1966 - Tua Mente, Tua Vida
  • 1968 - Técnica da Mediunidade
  • Sabedoria do Evangelho (Vários Volumes)

O livro "Minutos de Sabedoria" já ultrapassou a marca de 9 milhões de exemplares vendidos - tendo sido, por reincidência em mais de dois anos consecutivos, retirado da lista elaborada pela revista Veja, dos mais vendidos. A obra, originalmente destinada a subsidiar os trabalhos assistenciais e educativos do professor Pastorino, hoje teve, após ação na Justiça, os seus direitos revertidos para os herdeiros.

Na obra "Técnica da Mediunidade", aborda, com o recurso a inúmeros quadros comparativos, numa ótica cientificista, o fenômeno mediúnico. Em seu prefácio, o General-de-Brigada Drº Manoel Carlos Netto Souto registra:

"Pastorino volta à Terra e tenta mostrar ou demonstrar fatos que para ele são axiomáticos, fazendo o arcabouço da ponte que une o físico ao espiritual, uma vez que os considera da mesma natureza, sem irrealidades nem fantasia."

A obra, editada em 1968, teve as suas edições póstumas proibidas pela família, praticante do catolicismo. Nela, o autor assim refere a mediunidade:

"As vibrações, as ondas, as correntes utilizadas na mediunidade são as ondas e correntes de "pensamento". Quanto mais fortes e elevados os pensamentos, maior a freqüência vibratória e menor o comprimento de onda. E vice-versa. (…) Tudo isso faz-nos compreender a necessidade absoluta de mantermos a mente em "ondas" curtas, isto é, com pensamentos elevados, para que nossas preces e emissões possam atingir os espíritos que se encontram nas altas camadas."

Gilka Machado

GILKA MACHADO
(87 anos)
Poetisa e Feminista

* Rio de Janeiro, RJ (12/03/1893)
+ Rio de Janeiro, RJ (11/12/1980)

Poetisa, sufragista e feminista carioca, pioneira na utilização do erotismo na poesia feminina brasileira. Fez parte do grupo que fundou o Partido Republicano Feminino, em 1910. Publicou vários livros de poesia, como "Mulher Nua" e "Sublimação". Em 1979, recebeu o Prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras.

Gilka Machado tinha sangue de artista nas veias: a mãe, Thereza Christina Moniz da Costa, era atriz de teatro e de rádio-teatro, e a filha, Eros Volúsia, foi bailarina consagrada e pesquisadora das danças nativas brasileiras. Além disso, sua família incluía poetas e músicos famosos.

Gilka Machado casou com um artista: o poeta, jornalista e crítico de arte Rodolfo Machado, em 1910, que morreria dali a 13 anos, deixando a esposa com dois filhos, Eros Volúsia e Hélios.

Desde criança Gilka Machado fazia versos, e com 13 anos ganhou um concurso pelo jornal A Imprensa, arrebatando os 3 primeiros prêmios, com poemas assinados com seu próprio nome e com pseudônimos. Mas somente em 1915, aos 22 anos, publicou seu primeiro livro intitulado "Cristais Partidos". Seguiram-se outros, ao longo da década de 1920, como "Estados d’Alma" (1917), "Mulher Nua" (1922), "Meu Glorioso Pecado" (1928), "Amores Que Mentiram, Que Passaram" (1928).

No início da década de 1930 sua popularidade aumentou ao ter poemas traduzidos para o espanhol, tanto em antologia quanto em volume com poemas só seus. E no ano seguinte sua popularidade foi testada: ganhou, com grande margem de votos, um concurso promovido pela revista O Malho, quando então foi aclamada como a maior poetisa brasileira, selecionada entre 200 intelectuais. Em seguida viajou para a Argentina, onde foi recebida com carinho pelo público leitor. Fez outras viagens ao longo da década de 1940, para os Estados Unidos e para a Europa, além das que fez pelo interior do Brasil.

Seus poemas foram também republicados em outros volumes: os dois primeiros livros, em "Poesias", de 1918; e alguns, escolhidos, em "Carne e Alma", de 1931, em "Meu Rosto", de 1947, e em "Velha Poesia", de 1965, antes que as "Poesias Completas" ganhassem duas edições: em 1978 e em 1991.

Poderia ter sido a primeira mulher a fazer parte da Academia Brasileira de Letras quando, após mudança do estatuto que proibia o ingresso de mulheres, lhe teria sido possível candidatar-se, atendendo a convite que lhe foi dirigido por Jorge Amado e apoiado por outros acadêmicos. Mas recusou o convite. Recebeu, contudo, da Academia Brasileira de Letras, em 1979, o Prêmio Machado de Assis, pela publicação do volume de suas "Poesias Completas".

Encerrou sua carreira com o poema "Meu Menino", escrito por ocasião da morte do filho Hélios, ocorrida em 1976.

Como se pode perceber a partir dos títulos de seus livros, sua poesia se detém nas experiências de uma intimidade sensível, que manifesta, explicitamente, suas sensações, emoções e desejos eróticos. Aliás, lembre-se que em 1916 fez conferência sobre "A Revelação dos Perfumes"... Para expressar tais sensações, usou nos poemas um vocabulário inusitado: empregou, por exemplo, a palavra "cio". E mostrou a mulher esvaída em sensualidade, numa poesia que se constrói tanto segundo a rigidez formal de tradição parnasiana quanto dando vazão às ondas de languidez que atravessam o seu verso à moda simbolista. Daí uma reação dupla por parte do público, pois causa tanto a admiração, por parte de uns, em que se incluem as mulheres que encontram aí uma porta-voz na representação de experiências da intimidade, até então proibida, quanto a rejeição severa por parte de uma crítica moralista conservadora.

Para os que a defenderam, como Henrique Pongetti, Humberto de Campos, Agrippino Grieco, foi preciso separar a Gilka Machado dos domínios da arte (a poeta) da Gilka Machado dos domínios da vida (mãe virtuosa), com o intuito de inocentá-la de uma sensualidade pecadora.

Mas foi justamente por essa força reivindicadora patente na mistura bem dosada de rigor formal e sensualidade ousada, que sua poesia ganhou força e até hoje permanece, enquanto marco na história de resistência à situação de alienação da mulher. Firmou-se, assim, como precursora na luta pelos direitos de acesso à representação do prazer erótico na poesia feminina brasileira.

Selo Postal (1993)
Centenário de Nascimento de Gilka Machado

Publicações


  • 1915 - Cristais Partidos
  • 1916 - A Revelação dos Perfumes
  • 1917 - Estados de Alma
  • 1918 - Poesias, 1915/1917
  • 1922 - Mulher Nua
  • 1928 - O Grande Amor
  • 1928 - Meu Glorioso Pecado
  • 1931 - Carne e Alma
  • 1932 - Sonetos y Poemas de Gilka Machado (Na Bolívia)
  • 1938 - Sublimação
  • 1947 - Meu Rosto
  • 1968 - Velha Poesia
  • 1978 - Poesias Completas

Prêmios


  • 1933 - A Maior Poetisa do Brasil (Revista O Malho - Rio de Janeiro)
  • 1979 - Prêmio Machado de Assis (Academia Brasileira de Letras)

Adalgisa Nery

ADALGISA MARIA FELICIANA NOEL CANCELA FERREIRA
(74 anos)
Jornalista, Poetisa e Política

* Rio de Janeiro, RJ (29/10/1905)
+ Rio de Janeiro, RJ (07/06/1980)

Nascida na Rua Sebastião Lacerda, no bairro Laranjeiras, Adalgisa era filha do advogado Gualter Ferreira, natural do Mato Grosso, mas baseado no Rio de Janeiro, e da portuguesa Rosa Cancela. Sensível e imaginativa desde cedo, ela ficou órfã de mãe aos oito anos de idade, o que lhe foi um grande impacto, registrado mais tarde em sua obra.

O segundo casamento de seu pai se tornou motivo de conflitos emocionais, pois Adalgisa não se adaptou ao temperamento difícil da madrasta. Estudou como interna em um colégio de freiras e, naquela época, já era vista como "subversiva" por defender as órfãs, categoria comum nos colégios religiosos da época, consideradas subalternas e maltratadas. Por essa razão, acabou sendo expulsa da escola. Portanto, a única educação formal que ela recebeu em vida foi a do ensino primário.

Vida Com Ismael Nery

Aos quinze anos, Adalgisa se apaixonou por seu vizinho, o pintor Ismael Nery, um dos precursores do Modernismo no Brasil, com quem casou aos dezesseis anos. O casamento durou doze anos, até a morte do pintor em 1934. A partir do casamento, Adalgisa Nery mergulhou em uma vida trepidante, que lhe proporcionou a entrada em um sofisticado circuito intelectual graças a frequentes reuniões em sua casa, uma estada de dois anos na Europa com o marido, e a consequente aquisição de cultura.

Porém a vida de Adalgisa Nery foi também muito marcada pelo sofrimento e pela relação conflituosa, muitas vezes violenta, com o marido. O casal teve sete filhos, todos homens, mas somente o mais velho, Ivan, e o caçula, Emmanuel, sobreviveram.

Em 1959 Adalgisa Nery publicou o romance autobiográfico "A Imaginária", que se tornou seu maior sucesso editorial. Adalgisa Nery, usando como alter ego a personagem Berenice, descreveu como o fascínio que sentia pelo marido no início do casamento foi substituído por um verdadeiro sentimento de terror pela violência que ele podia assumir na vida cotidiana.

Viúva aos vinte e nove anos, sem muitos recursos financeiros e com dois filhos para criar, Adalgisa Nery foi trabalhar primeiro na Caixa Econômica, mas depois conseguiu arranjar um cargo no Conselho do Comércio Exterior do Itamaraty. Em 1937 lançou seu primeiro livro de poesia, intitulado "Poemas".

Vida Com Lourival Fontes

Em 1940 Adalgisa Nery casou com o jornalista e advogado Lourival Fontes, que era o diretor do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), criado por Getúlio Vargas em 1939, para difundir a ideologia do Estado Novo.

Seguiu o segundo marido em funções diplomáticas em New York, de 1943 a 1945, e como embaixador no México em 1945. No México desenvolveu amizade com os pintores Diego Rivera, José Orozco (ambos a retrataram), Frida Kahlo, David Siqueiros e Rufino Tamayo.

Em 1952 viajou novamente àquele país, como embaixadora plenipotenciária, para representar o Brasil na posse do presidente Adolfo Ruiz Cortines. Recebeu a Ordem da Águia Asteca, nunca antes concedida a uma mulher, em virtude de suas conferências sobre Juana Inés de la Cruz.

O casamento com Lourival Fontes durou treze anos, e a separação ocorreu quando ele se apaixonou por outra mulher.

Jornalista e Política

Em razão do grande sofrimento causado pelo abandono de Lourival Fontes, e apesar de seu valor literário ser reconhecido não só no Brasil como na França, onde uma coletânea de poemas foi traduzida por Pierre Seghers, Adalgisa Nery resolveu destruir a própria fama e renegar sua obra. A partir daí, tornou-se jornalista, escrevendo para o jornal Última Hora e entrando para a política.

Foi eleita deputada três vezes, primeiro pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) e depois, no tempo do bipartidarismo, pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Em 1969 teve o mandato e seus direitos políticos cassados.

Últimos Anos

Pobre e desamparada, sem ter onde morar, após em vida ter doado tudo para os filhos, Adalgisa Nery passou a residir entre 1974 e 1975 em uma casa do comunicador Flávio Cavalcanti, em Petrópolis, onde viveu como reclusa. Contrariando seu propósito de nunca mais dedicar-se à literatura, ela escreveu e publicou ainda dois livros de poesia, dois de contos, um de artigos e um romance, "Neblina". O romance foi dedicado a Flávio Cavalcanti, considerado "dedo-duro" pela Ditadura, em gratidão pelo acolhimento que lhe dera.

No conflito entre o que seria "politicamente correto" e a lealdade a um amigo, Adalgisa Nery escolheu, sem hesitar, o caminho do afeto. Em razão disso, o livro foi ignorado pela crítica.

Em 1975 passou a morar na casa de seu filho mais moço, Emmanuel. Em maio de 1976, deixou um bilhete para o filho e se internou sozinha, por livre e espontânea vontade, sem ter doença alguma, numa casa de repouso para idosos, em Jacarepaguá.

Emmanuel, quando chegou em casa, surpreso, não encontrou mais a mãe. Um ano mais tarde, ela sofreu um Acidente Vascular Cerebral e ficou afásica e hemiplégica. Três anos mais tarde, aos 74 anos, faleceu.

Obras

  • 1937 - Poemas
  • 1940 - A Mulher Ausente (Poemas)
  • 1943 - Og (Contos)
  • 1943 - Ar Do Deserto (Poemas)
  • 1948 - Cantos Da Angústia (Poemas)
  • 1952 - As Fronteiras Da Quarta Dimensão (Poemas)
  • 1959 - A Imaginária (Romance)
  • 1962 - Mundos Oscilantes (Poemas)
  • 1966 - Retrato Sem Retoque (Crônicas)
  • 1972 - 22 menos 1 (Contos)
  • 1972 - Neblina (Romance)
  • 1973 - Erosão (Poemas)

Condecorações

  • Ordem da Águia Asteca (México)

Fonte: Wikipédia

Ary Lobo

GABRIEL EUSÉBIO DOS SANTOS LOBO
(50 anos)
Cantor e Compositor

* Belém, PA (14/08/1930)
+ Fortaleza, CE (22/08/1980)

Gabriel Eusébio dos Santos Lobo, mais conhecido como Ary Lobo, foi um cantor e compositor brasileiro.

Ary Lobo foi daqueles gênios que raramente nascem nos dias atuais, o maior compositor de forró da história, com mais de 700 músicas gravadas por ele e outros cantores, músicos e intérpretes. Um defensor da música nordestina de raiz. Suas gravações são o retrato disso, a começar pelos instrumentos usados. Ele não ousava muito, já tinha sua fórmula montada.

De estilo semelhante ao de Jackson do Pandeiro, cantando derivativos do baião, entre cocos e rojões, Ary Lobo lançou varios sucessos nos anos 50 e 60 em seus nove LPs na RCA Victor. Retratava a vida e os costumes nordestinos em diversas canções, como "Cheiro da Gasolina", "Vendedor de Caranguejo", "Eu Vou Pra Lua", "Súplica Cearense", "Evoluçao", "Menino Prodigio", entre outros.

Ary Lobo, antes de se tornar popular como cantor, exercia as mais diversas profissões, incluindo a de mecânico e músico corneteiro na Força Aérea Brasileira. Ao se apresentar em um concurso de calouros na Rádio Clube do Pará, de Belém, como era de se esperar, foi feliz em sua primeira apresentação. Fazia parte do conjunto Namorados Tropicais.

Em certa ocasião, cantou no Teatro Arthur Azevedo, em show de curta temporada na cidade de São Luiz do Maranhão, e eis que na platéia encontrava-se ninguém menos que Luiz Gonzaga, o "Rei do Baião", que logo de cara gostou da bossa de Ary Lobo, fazendo-lhe então um convite para acompanhá-lo ao Rio de Janeiro, convite este que não foi aceito pois Ary Lobo tinha muitos compromissos.

Um ano depois, apareceu em Belém o conhecido compositor Pires Cavalcante, que reforçou o que todos já diziam. O jovem  Ary Lobo arrumou as malas e partiu para o Rio de Janeiro. Assinou contrato com a RCA Victor e em 1958 gravou seu primeiro disco, que foi o pontapé para a sua carreira musical.  Por intermédio do compositor e pianista Gadé, apresentou-se na Rádio Mauá

Em seu primeiro disco, pela  RCA Victor, interpretou o batuque "Sentinela do Mar" (Alventino Cavancânti e Hilton Simões) e o rojão "Forró do Cabo Gato" (Barbosa da Silva e José Pereira). No ano seguinte gravou os cocos "Paulo Afonso" e "Pedido a Padre Cícero" (Gordurinha) e o rojão "O Criador" (Edgar Ferreira).

Em 1960 gravou  o coco "A Mulher Que Vendia Siri" (Elias Ramos e Severino Ramos). Gravou também no mesmo ano a primeira composição de sua autoria, o rojão "Eu Vou Pra Lua", parceria com Luiz de França. No ano seguinte gravou "Coco Decente" da dupla Miguel Lima e João Silva.

Em 1961 gravou, pela RCA Victor, de Claudionor Martins e Osvaldo de Oliveira, o samba-choro "Eis o Conselho", e de Antônio Bezerra e Júlio Ricardo, o rojão "Riviolândia".

Em 1962 compôs em parceria com Jacinto Silva o rojão "Moça de Hoje", gravado no mesmo disco em que registrou o bolero "Pedido a São Jorge" (Ari Monteiro). No ano seguinte gravou a toada "Quem Encosta em Deus Não Cai" (João do Vale, José Ferreira e Ari Monteiro) e o arrasta-pé "Mané Cazuza" (Rosil Cavalcânti).

Em 1964 gravou o LP que popularizou dois de seus grandes sucessos como cantor, "Último Pau-de-Arara" (Venâncio, Corumba e J. Guimarães) e "Vendedor de Carangueijo" (Gordurinha).

Dois anos depois compôs com Luiz Boquinha "Quem é o Campeão", faixa título do LP que lançou na RCA Victor naquele mesmo ano. Em 2000 sua composição "Eu Vou Pra Lua" foi regravada por Zé Ramalho no CD "Nação Nordestina".

Ary Lobo morreu aos 50 anos de idade, no dia 22 de agosto de 1980, em Fortaleza, CE.

Sidney Miller

SIDNEY ÁLVARO MILLER FILHO
(35 anos)
Compositor

* Rio de Janeiro, RJ (18/04/1945)
+ Rio de Janeiro, RJ (16/07/1980)

Sidney Miller teve vida curta, mas foi um artista versátil e um trabalhador incansável que enriqueceu enormemente o cenário da música brasileira.

Carioca, de Santa Teresa, Sidney Miller despontou como compositor no cenário musical brasileiro durante a década de 60, e assim como outros artistas que também estavam começando participou com algum destaque em diversos festivais de música, bastante populares nesse período.

Cursou Sociologia e Economia, porém sem concluir nenhum dos cursos. No início da carreira chegou a ser comparado com o também estreante Chico Buarque, uma vez que tinham em comum, além da timidez, a temática urbana e um especial cuidado na construção das letras. Além disso, a cantora Nara Leão, famosa por revelar novos compositores, teve grande importância na estréia dos dois - inclusive gravando, em 1967, o disco "Vento de Maio", no qual dividiam quase todo o repertório: Chico Buarque assinou 4 canções, enquanto Sidney Miller era o autor de outras cinco.


O primeiro registro importante como compositor foi em 1965 no I Festival de Música Popular Brasileira da TV Excelsior, SP, obtendo o 4º lugar com a música "Queixa", composta em parceria com Paulo Thiago e Zé Keti, interpretada por Cyro Monteiro.

Em 1967 pelo famoso selo Elenco de Aloísio de Oliveira lançou o primeiro disco, na qual se destaca por re-trabalhar temas populares e cantigas de roda como "O Circo", "Passa Passa Gavião", "Marré-de-Cy" e "Menina da Agulha".

Sidney Miller compôs juntamente com Théo de Barros, Caetano Veloso e Gilberto Gil a trilha sonora para a peça "Arena Conta Tiradentes", dos dramaturgos Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri. Nesse mesmo ano, ao lado de Nara Leão interpretou a música "A Estrada e o Violeiro" no III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, SP, conquistando o prêmio de melhor letra.

Em 1968, também pelo selo Elenco lançou o Lp "Brasil, do Guarani ao Guaraná", que contou com as participações especiais de diversos artistas como Paulinho da Viola, Gal Costa, Nara Leão, MPB-4, Gracinha Leporace, Jards Macalé, entre outros. O maior destaque do disco ficou por conta da toada "Pois é, Pra Quê". A partir de então Sidney Miller intensificou a carreira na área de produção.

Juntamente com Paulo Afonso Grisolli organizou no Teatro Casa Grande, RJ, o espetáculo "Yes, Nós Temos Braguinha", com o compositor João de Barro. Também com Paulo Afonso Grisolli, relançou a cantora Marlene, no show "Carnavália", que fez bastante sucesso.


Em 1969 produziu e criou os arranjos do LP de Nara Leão "Coisas do Mundo". Ainda em 1969, ao lado de Paulo Afonso Grisolli, Tite de Lemos, Luís Carlos Maciel, Sueli Costa, Marcos Flaksmann e Marlene, organizou o espetáculo "Alice no País do Divino Maravilhoso", além de compor a trilha sonora do filme "Os Senhores da Terra", do cineasta Paulo Thiago.

Também para cinema, Sidney Miller foi o autor da trilha dos filmes "Vida de Artista" (1971) e "Ovelha Negra" (1974), ambos dirigidos por Haroldo Marinho Barbosa. Sidney Miller foi autor da trilha sonora das peças "Por Mares Nunca Dantes Navegados" (1972), de Orlando Miranda, na qual musicou alguns sonetos de Camões, e do espetáculo a "A Torre em Concurso" (1974), de Joaquim Manuel de Macedo.

Em 1974 lançou pela Som Livre o último disco de carreira, o LP "Línguas de Fogo".

Nos últimos anos de vida, Sidney Miller estava afastado do circuito comercial. Tinha planos de voltar a gravar, agora de forma independente, um LP que se chamaria "Longo Circuito". Trabalhava na Funarte, quando morreu prematuramente aos 35 anos após uma súbita Parada Cardíaca.

A sala em que trabalhava passou a se chamar Sala Funarte Sidney Miller e foi transformada num teatro.


Rumores de Suicídio

Segundo algumas fontes, a morte de Sidney Miller foi causada por suicídio, como no livro de Alexandre Pavan, "Timoneiro".

"...Sidney fazia parte da equipe da Funarte, no Rio de Janeiro, em que coordenava alguns projetos especiais. No entanto, sua atividade no órgão, bem como seu trabalho de compositor, nos últimos tempos estava sendo prejudicado por graves problemas de depressão e alcoolismo. Apesar dos esforços dos amigos e colegas de trabalho para ajudá-lo, ele não aguentou a barra e acabou cometendo suicídio. Um tempo depois, o auditório da Funarte, no qual o artista havia se apresentado e organizado vários projetos, ganharia o nome de Sala Sidney Miller em sua homenagem."

Discografia

  • 1967 - Sidney Miller (Elenco)
  • 1968 - Brasil, do Guarani ao Guaraná (Elenco)
  • 1974 - Línguas de Fogo (Som Livre)
  • 1982 - Sidney Miller - Projeto Almirante/Funarte (Tributo)

Participações em Festivais

  • 1965 - I Festival de Música Popular Brasileira da TV Excelsior, SP - "Queixa" (Sidney Miller/Paulo Thiago/Zé Keti) - Intérprete: Cyro Monteiro - 4º Lugar
  • 1967 - III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, SP - "A Estrada e o Violeiro" (Sidney Miller) - Intérprete: Sidney Miller e Nara Leão - Prêmio de Melhor Letra
  • 1968 - I Festival de Juiz de Fora, MG - "Sem Assunto" (Sidney Miller) - Intérprete: Cynara e Cybele - 1º Lugar
  • 1968 - I Bienal do Samba da TV Record, SP - "Quem Dera" (Sidney Miller) - Intérprete: MPB-4

Fonte: Wikipédia e Livro "Timoneiro" (Alexandre Pavan)
Indicação: Simone Cristina Firmino

Lyda Monteiro

LYDA MONTEIRO DA SILVA
(59 anos)
Secretária

* Niterói, RJ (05/12/1920)
+ Rio de Janeiro, RJ (27/08/1980)

Lyda Monteiro da Silva foi uma secretária, morta em um atentado à bomba na sede da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro.

Funcionária da Ordem dos Advogados do Brasil, onde ingressou em 1936, aos 16 anos de idade, ocupou também o cargo de Diretora do Conselho Federal da OAB, no Rio de Janeiro e em 1980 era secretária do então presidente da OAB no Rio de Janeiro, Eduardo Seabra Fagundes, quando foi vítima de um atentado à bomba na sede da Ordem no Rio de Janeiro. Na ocasião, a   OAB era vice-presidida por Sepúlveda Pertence.

Atentado à Ordem dos Advogados do Brasil

Em 27 de agosto de 1980, um atentado terrorista organizado por grupos extremistas de direita do Brasil, executaram a chamada Operação Cristal, no governo do general João Baptista de Oliveira Figueiredo. Na época, o Brasil encontrava-se no chamado Estado de Exceção e os advogados cerravam fileiras na luta pelas liberdades democráticas. O atentado indignou a sociedade brasileira que viu o ato como um ato terrorista naqueles anos de autoritarismo.

Revista Veja: Enterro Lyda Monteiro 1980
Os Fatos

Lyda Monteiro era a mais antiga funcionária da OAB, secretária do presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil quando, aos 59 anos de idade, abrindo a correspondência, fez explodir uma carta-bomba no início da tarde da quarta-feira, dia 27 de agosto de 1980. O artefato lhe decepou o braço, além de outras mutilações, e provocou a morte tão logo foi hospitalizada. 

Além do atentado à Ordem dos Advogados do Brasil, outras ações ocorreram na Câmara Municipal do Rio de Janeiro e na sede do jornal ligado ao Partido Comunista do Brasil, Tribuna da Luta Operária, o primeiro com seis feridos e o segundo, um artefato de pouca potência estourado na madrugada, provocou estragos materiais. Uma outra carta-bomba havia sido enviada à Associação Brasileira de Imprensa, mas foi desativada por seu presidente, Barbosa Lima Sobrinho, haver sido avisado por telefonema anônimo.

Em seu editorial do dia seguinte aos crimes o jornal Folha da Manhã declarou que, embora ninguém houvesse assumido a autoria dos atentados terroristas, estes certamente vieram de setores que tinham interesse em interromper o processo de abertura do país rumo à democracia, então levada a termo pelo governo do general João Baptista de Oliveira Figueiredo

Na noite do mesmo dia, o Conselho Federal da OAB, presidido pelo advogado Eduardo Seabra Fagundes, resolveu proclamar a data de 28 de agosto como Dia Nacional de Luto dos Advogados, em memória da vítima Lyda Monteiro.

Mesa de Lyda Monteiro da Silva, exposta ao público no dia da pré-inauguração do Museu em agosto de 2003
A mesa de trabalho de dona  Lyda Monteiro, local onde ela abriu a carta e veio a falecer, está guardada no Museu do Conselho Federal, em Brasília.

O depois membro do Supremo Tribunal Federal, ministro Sepúlveda Pertence, à época vice-presidente da OAB, declarou que "foi um dos dias mais chocantes da minha vida". Sepúlveda Pertence era o presidente em exercício da entidade classista, e chegou ao prédio momentos após o atentado. Segundo seu relato, feito 24 anos depois, "Desde aquele dia se pode dizer que cresceu a autoridade da OAB para a luta pela retomada do processo democrático"

A morte de Lyda Monteiro foi dada como resultado de "ato de sabotagem ou terrorismo". O registro de ocorrência na 3ª Delegacia de Polícia tem o número 0853. Na explosão que resultou em sua morte saiu ferido outro funcionário, José Ramiro dos Santos.

O óbito de n° 313 foi assinado pelo Drº Hygino C. Hércules, do Instituto Médico Legal, tendo como declarante Joaquim Alves da Costa.

Lyda Monteiro foi enterrada no dia seguinte no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro, com grande participação dos movimentos sociais, entre eles o grupo Tortura Nunca Mais que desempenhou papel fundamental na busca por justiça pelas vítimas da Ditadura Militar Brasileira. O acontecimento teve cobertura da imprensa nacional e internacional.

Na época, durante o governo do general João Baptista de Oliveira Figueiredo, os inquéritos foram abertos e nada foi apurado.

27 Anos Depois

Em nota pública divulgada em 27 de agosto de 2007, o presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D´Urso apontou que o atentado que vitimou Lyda Monteiro em 1980, continua encoberto pelo manto da impunidade e simboliza o Dia Nacional de Luto dos Advogados:

"Ainda é preocupante que o atentado não tenha sido solucionado e os culpados punidos. A morte de Lyda Monteiro da Silva continua encoberta pelo manto da impunidade, que acoberta tantos outros casos de violência e pode, infelizmente, levar a população a desacreditar nas instituições."

Fonte: Wikipédia

Osmar de Mattos

OSMAR DE MATTOS
(22 anos)
Ator

* São Paulo, SP (04/03/1958)
+ São Paulo, SP (25/10/1980)

Osmar de Mattos inicio sua carreira como modelo manequim. O ator paulista, estreou primeiro no cinema em A Morte Transparente (1978), ao lado da atriz Bibi Vogel. Depois, Osmar de Mattos foi para a TV Bandeirantes e participou de Cara a Cara.

Na Rede Globo, Osmar de Mattos esteve em um dos maiores sucessos da teledramaturgia, Dancin' Days. O crescimento de seu personagem na novela indicava uma carreira promissora. Trabalhou também na novela Pé de Vento em 1980.

Mas o sonho acabou para o jovem ator em 1980, quando Osmar foi vítima de um acidente automobilístico na época em que fazia a novela As Três Marias (1980-1981). Ele só gravou os primeiros capítulos.

Osmar de Mattos foi sepultado no Cemiterio da Quarta Parada, no bairro da Moóca, em São Paulo.


Fontana

JOSÉ DE ANCHIETA FONTANA
(39 anos)
Jogador de Futebol

* Santa Teresa, ES (31/12/1940)
+ Santa Teresa, ES (09/09/1980)

Iniciou sua carreira no Vitória Futebol Clube em 1958. Mas onde foi campeão capixaba de 1959 e 1962 foi no maior rival, o Rio Branco Atlético Clube.

Pelé e Fontana
Já no Vasco da Gama formou dupla defensiva com Brito. Em 1969, quando deixou o Vasco para defender o Cruzeiro, a dupla foi desfeita, mas não por muito tempo. Em 1970, Brito foi contratado pelo Cruzeiro e os dois voltaram a jogar juntos.

No mesmo ano, ambos foram convocados para a disputa da Copa do Mundo de 1970, sagrando-se campeões do mundo pelo Brasil.

Encerrou a carreira em 1972. Oito anos mais tarde, durante uma partida de futebol entre amigos, Fontana sofreu um Ataque Cardíaco e morreu, aos 39 anos.

Ele foi sepultado ao lodo de seus pais, no cemitério da sede de Santa Leopoldina. A rua José de Anchieta Fontana, na sede do município, leva o nome em sua homenagem.

Clubes
  • Vitória Futebol Clube 
  • Rio Branco Atlético Clube 
  • Club de Regatas Vasco da Gama 
  • Cruzeiro Esporte Clube

Títulos

Rio Branco Atlético Clube
  • Campeonato Capixaba: 1959 e 1962

Club de Regatas Vasco da Gama
  • Taça Guanabara: 1965 e 1967
  • Torneio Rio-São Paulo: 1966

Cruzeiro Esporte Clube
  • Campeonato Mineiro: 1969 e 1972

Seleção Brasileira de Futebol
  • Copa do Mundo de 1970

Fonte: Wikipédia

Samuel Wainer

SAMUEL WAINER
(68 anos)
Jornalista

☼ São Paulo, SP (16/01/1912)
┼ São Paulo, SP (02/09/1980)

Samuel Wainer foi fundador, editor-chefe e diretor do jornal Última Hora. Foi casado com a modelo e jornalista Danuza Leão. Nasceu em São Paulo, SP, no dia 16/01/1912. Era filho de Jaime Wainer e de Dora Wainer.

Embora formado em farmácia, jamais exerceu a profissão. Começou sua carreira de jornalista ainda estudante, no Diário de Notícias. Em 1938, após o golpe do Estado Novo (10/11/1937), fundou a revista mensal Diretrizes. Transformada, em 1941, em semanário, Diretrizes adotou uma linha de oposição ao regime ditatorial liderado por Getúlio Vargas, tendo diversas edições apreendidas.

Em 1944, Diretrizes publicou uma entrevista de Lindolfo Collor, na qual o ex-ministro do trabalho afirmava esperar que o fim da guerra contra o nazismo na Europa fosse acompanhado pelo término da ditadura no Brasil. Em conseqüência, o suprimento de papel ao jornal foi suspenso. Obrigado a retirá-lo de circulação, Samuel Wainer partiu para o exílio, primeiro no Chile e depois nos Estados Unidos, onde trabalhou como correspondente de O Globo.


Com o fim do Estado Novo em 29/10/1945, retornou ao Brasil e reabriu Diretrizes.

Em 1947 vendeu o jornal e em seguida foi contratado pela cadeia dos Diários Associados.

Em fevereiro de 1949, quando a sucessão presidencial de Eurico Gaspar Dutra estava em pleno andamento, viajou ao Rio Grande do Sul com o objetivo de realizar reportagens sobre a produção de trigo. Aproveitou a ocasião para tentar uma entrevista com o ex-presidente Getúlio Vargas, que vinha evitando dar declarações aos jornais. Recebido por Getúlio Vargas, obteve permissão para publicar nos jornais dos Diários Associados uma entrevista na qual Getúlio Vargas afirmava: "Voltarei como líder de massas!".

Lançado pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Getúlio Vargas ganhou as eleições de 1950. Para romper o cerco imposto pela grande imprensa do país, Getúlio Vargas começou a pensar num jornal que, sem ser do governo, pudesse defender suas iniciativas, e escolheu Samuel Wainer para viabilizá-lo.

Samuel Wainer e Getúlio Vargas
Com financiamentos concedidos pelo banqueiro Válter Moreira Sales, Euvaldo Lodi, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), e pelo industrial Ricardo Jafet, presidente do Banco do Brasil, Samuel Wainer adquiriu o parque gráfico da empresa Érica e o prédio onde ele estava instalado. Oferecendo esses bens ao Banco do Brasil como garantia, conseguiu um empréstimo para constituir a Empresa Editora Última Hora S.A.

A Última Hora circulou pela primeira vez em junho de 1951 e seis meses depois já era o vespertino de maior circulação no Rio de Janeiro.

Em março de 1952, o jornal começou a circular em São Paulo. A imprensa anti-Vargas desfechou uma campanha contra Samuel Wainer, acusando-o de favoritismo nas transações que efetuara com o Banco do Brasil. Liderada pela Tribuna da Imprensa, de Carlos Lacerda, a campanha assumia cada vez maior agressividade. Carlos Lacerda chegou a afirmar que Samuel Wainer era estrangeiro, o que o impediria de possuir ou dirigir qualquer órgão de imprensa no país, e que ele teria forjado uma certidão de nascimento, tendo incorrido assim em crime de falsidade ideológica.

Em abril de 1953, foi instituída uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as denúncias. Em junho, depondo perante a CPI, Samuel Wainer recusou-se a mencionar os nomes de seus financiadores. Em setembro as conclusões da CPI foram desfavoráveis a Samuel Wainer, mas a situação não evoluiu.


Em 23/08/1954, no auge da crise que culminaria com o suicídio de Getúlio VargasSamuel Wainer recebeu um pedido do presidente para que no dia seguinte a manchete da Última Hora fosse "Só Morto Sairei do Catete!" e foi com esta manchete que o jornal circulou em 24 de agosto.

Após a morte de Getúlio VargasSamuel Wainer manteve a Última Hora numa linha de cerrada oposição ao novo presidente, João Café Filho. O governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961) recebeu integral apoio da Última Hora, que defendeu a construção de Brasília, uma das suas iniciativas mais polêmicas.

Durante o governo de Jânio Quadros, o jornal apoiou algumas iniciativas no campo da política externa, como a aproximação com os países socialistas. Após a renúncia de Jânio Quadros (25/08/1961), a Última Hora defendeu a posse do vice-presidente João Goulart, que na ocasião sofreu uma tentativa de veto por parte dos ministros militares. Durante o governo João Goulart, o jornal manteve-se sempre ao lado do presidente, apoiando suas propostas de reformas de base.


Após o Golpe Militar de 31/03/1964, Samuel Wainer teve seus direitos políticos suspensos. Exilando-se na França, voltou ao Brasil em 1967 e reassumiu a direção da Última Hora. Vendeu o jornal em 1972. Trabalhou em diferentes órgãos da imprensa brasileira até o final da década de 70.

Samuel Wainer foi casado três vezes e do matrimônio com Danuza Leão teve três filhos.

Faleceu em São Paulo, no Hospital Albert Einstein, vítima de uma parada cardiorrespiratória, no dia 02/09/1980, aos 68 anos.