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Francisco Matarazzo Júnior

FRANCISCO MATARAZZO JÚNIOR
(77  anos)
Empresário

☼ São Paulo, SP (1900)
┼ São Paulo, SP (27/03/1977)

Francisco Matarazzo Júnior, também conhecido como Conde Chiquinho, foi um empresário brasileiro que dirigiu durante quatro décadas, desde 1937, com o falecimento do fundador, seu pai Francesco Matarazzo, até sua morte, as Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, durante muito tempo o maior complexo industrial da América Latina.

Penúltimo dos treze filhos do fundador do complexo industrial, foi escolhido pelo pai para sucedê-lo no comando do grupo após a morte do filho anteriormente escolhido, Ermelino Matarazzo. A escolha gerou conflitos familiares.

Francisco Matarazzo Júnior protagonizou grandes desavenças com Assis Chateaubriand, como na questão da desocupação do prédio para a construção do Edifício Matarazzo, hoje sede da prefeitura paulistana.

Francisco Matarazzo Júnior teve cinco filhos e escolheu como sucessora a caçula, Maria Pia Esmeralda Matarazzo. A escolha também desagradou os outros herdeiros, gerando inclusive disputas judiciais.

Fonte: Wikipédia

Carolina de Jesus

CAROLINA MARIA DE JESUS
(62 anos)
Escritora

* Sacramento, MG (14/03/1914)
+ São Paulo, SP (13/02/1977)

Carolina Maria de Jesus foi uma escritora brasileira nascida no Estado de Minas Gerais, numa comunidade rural onde seus pais eram meeiros. Filha ilegítima de um homem casado, foi tratada como pária durante toda a infância, e sua personalidade agressiva contribuiu para os momentos difíceis pelos quais passou.

Aos sete anos, a mãe de Carolina forçou-a a frequentar a escola depois que a esposa de um rico fazendeiro decidiu pagar os estudos dela e de outras crianças pobres do bairro. Carolina parou de frequentar a escola no segundo ano, mas aprendeu a ler e a escrever.

A mãe de Carolina tinha dois filhos ilegítimos, o que ocasionou sua expulsão da igreja católica quando ainda era jovem. No entanto, ao longo da vida, ela foi uma católica devota, mesmo nunca tendo sido readmitida na congregação. Em seu diário, Carolina muitas vezes faz referências religiosas.

Carolina Maria de Jesus e Ruth de Souza na Favela do Canindé. São Paulo, 1961
Em 1937, sua mãe morreu, e ela se viu impelida a migrar para São Paulo. Ela construiu sua própria casa, usando madeira, lata, papelão e qualquer coisa que pudesse encontrar. Saía todas as noites para coletar papel, a fim de conseguir dinheiro para sustentar a família. Quando encontrava revistas e cadernos antigos, guardava-os para escrever em suas folhas.

Começou a escrever sobre seu dia-a-dia, sobre como era morar na favela. Isto aborrecia seus vizinhos, que não eram alfabetizados, e por isso se sentiam desconfortáveis por vê-la sempre escrevendo, ainda mais sobre eles.

Carolina teve vários envolvimentos amorosos quando jovem, mas sempre se recusou a casar-se, por ter presenciado muitos casos de violência doméstica. Preferiu permanecer solteira. Cada um dos seus três filhos era de um pai diferente, sendo um deles um homem rico e branco.

Em seu diário, ela detalhou o cotidiano dos moradores da favela e, sem rodeios, descreveu os fatos políticos e sociais que vivenciou. Ela escreveu sobre como a pobreza e o desespero podem levar pessoas boas a trair seus princípios, simplesmente para assim conseguir comida para si e suas famílias.

Histórico

O diário de Carolina Maria de Jesus foi publicado em agosto de 1960. Ela foi descoberta pelo jornalista Audálio Dantas, em abril de 1958. Ele cobria a abertura de um pequeno parque municipal e imediatamente após a cerimônia uma gangue de rua chegou e reivindicou a área, perseguindo as crianças. Audálio Dantas viu Carolina de pé na beira do local gritando: "Saiam ou eu vou colocar vocês no meu livro!". Os intrusos partiram. Audálio Dantas perguntou o que ela queria dizer com aquilo. Ela se mostrou tímida no início, mas levou-o até o seu barraco e mostrou-lhe tudo. Ele pediu uma amostra pequena e correu para o jornal. A história de Carolina "eletrizou a cidade" e, em 1960, "Quarto de Despejo", foi publicado.

A tiragem inicial de dez mil exemplares se esgotou em uma semana (segundo a Wikipédia em inglês, foram trinta mil cópias vendidas nos primeiros três dias). Embora escrito na linguagem simples e deselegante de uma pessoa sem muita instrução, seu diário foi traduzido para treze idiomas e tornou-se um best-seller na América do Norte e na Europa.

Clarice Lispector e Carolina Maria de Jesus
Mas não foram somente fama e publicidade que Carolina ganhou com a publicação de seu diário: despertou também o desprezo e a hostilidade de seus vizinhos: "Você escreveu coisas ruins sobre mim, você fez pior do que eu fiz", gritou um vizinho bêbado.

Chamavam-a de prostituta negra, que havia se tornado rica por escrever sobre a favela, mas que se recusava a compartilhar o dinheiro. Muitas pessoas jogavam pedras e penicos cheios nela e em seus filhos. A raiva dos vizinhos também teria sido motivada pela mudança de endereço de Carolina, para uma casa de tijolos nos subúrbios, o que foi possível com os ganhos iniciais da publicação de seu diário. Vizinhos se juntaram ao redor do caminhão e não a deixavam partir.

A filha de Carolina, Vera, contou, em entrevista, que sua mãe aspirava a se tornar cantora e atriz.

Pobre e esquecida, Carolina Maria de Jesus morreu em 13/02/1977, vítima de insuficiência respiratória, aos 62 anos.

Livros Publicados

  • 1960 - Quarto de Despejo
  • 1961 - Casa de Alvenaria
  • 1963 - Pedaços de Fome
  • 1963 - Provérbios


Publicações Póstumas

  • 1982 - Diário de Bitita
  • 2014 - Onde Estaes Felicidade


A pesquisadora Raffaella Fernandez ainda trabalha na organização do material inédito deixado por Carolina de Jesus em 58 cadernos que somam 5.000 páginas de texto. São sete romances, 60 textos curtos e 100 poemas, além de quatro peças de teatro e de 12 letras para marchas de carnaval.

Frases de Carolina Maria de Jesus

"O assassinato de Kennedy é descendente de Herodes e neto de Caim. Kennedy era o Sol dos Estados Unidos. O Sol que se apagou. Um homem que era digno de viver séculos e séculos."
"Antigamente o que oprimia o homem era a palavra calvário; hoje é salário."
"O maior espetáculo do pobre da atualidade é comer."
"As crianças ricas brincam nos jardins com seus brinquedos prediletos. E as crianças pobres acompanham as mães a pedirem esmolas pelas ruas. Que desigualdades tragicas e que brincadeira do destino."
"A amizade do analfabeto é sincera. E o ódio também."
"Eu sou negra, a fome é amarela e dói muito."
"A favela é o deposito dos incultos que não sabem contar nem o dinheiro da esmola."
"Quem inventou a fome são os que comem."
"Quem não tem amigo mas tem um livro tem uma estrada."

Carolina Maria de Jesus e Audálio Dantas na Favela do Canindé - São Paulo, 1961
Audálio Dantas

Audálio Dantas, descobridor de Carolina Maria de Jesus, deu uma pequena entrevista ao blog Socialista Morena  sobre a escritora.

SM: Por que Carolina, mesmo sendo reconhecida no exterior, ficou tanto tempo esquecida no Brasil?
Audálio: É que, como sempre, a moda passou rapidinho. A maioria "consumiu" Carolina como uma novidade, uma fruta estranha. Carolina, como objeto de consumo, passou, mas a importância de seu livro, um documento sobre os marginalizados, permanece.

SM: Neste meio tempo, não apareceram tantas mulheres faveladas ou empregadas domésticas escritoras. Por quê?
Audálio: Xi, foram dezenas ou centenas, Só eu recebi mais de vinte originais, Nenhum tinha a força do texto de Carolina.

SM: Ainda hoje existem catadores de papel… A vida nas favelas mudou pouco em relação à época da Carolina?
Audálio: Existem até mais, com a necessidade de reciclagem. A maioria, hoje, faz esse trabalho com carroças (aquelas sempre acompanhadas por um cachorro…). As favelas também mudaram. Não que seja bom e bonito viver nelas, mas em muitas já se observam os sinais da movimentação social dos últimos anos, quando milhões de brasileiros ascenderam à chamada nova classe C. Muitos desses brasileiros vivem nelas, com TV, internet, celular e outros objetos das novas tecnologias.

SM: Você acompanhou Carolina até o fim?
Audálio: Não. Carolina era uma pessoa de personalidade muito forte. Isso pode ser constatado no livro. Desentendeu-se comigo, me distanciei. Ela sempre buscou a glória, e quando esta se foi, se ressentiu. Morreu amarga.


Desiludida com o insucesso de suas obras posteriores, Carolina rompeu com o jornalista e chegou a criticá-lo no livro "Casa de Alvenaria".

"Eu queria ir para o rádio, cantar. Fiquei furiosa com a autoridade do Audálio, reprovando tudo. Dá impressão de que sou sua escrava!"

Em 1961, chegou a gravar um disco, com canções compostas por ela mesma. Mais tarde, perto do final da vida, a escritora mudou de opinião sobre seu descobridor.

"O Audálio foi muito bom, muito correto comigo, eu sempre acreditei nele"
(Carolina à Folha de S.Paulo em sua última entrevista, em 1976)

Na mesma reportagem, Audálio Dantas conta sua versão do rompimento:

"Ela recebia convites de um Matarazzo, recebia convites para falar em faculdades, para visitar o Chile, para frequentar a sociedade e dezenas de propostas de casamento. Mas eu achava que ela não devia entrar neste esquema, porque não era uma coisa natural. Porque as pessoas a procuravam como uma pessoa de sucesso e a viam como um animal curioso."

No enterro de Carolina, Audálio era uma das duas "autoridades" presentes além dos familiares - o outro era o prefeito de Embu-Guaçu. Um orador que não conhecera a escritora em vida improvisou o discurso de despedida.

"Somente compareceram para lhe dar o último adeus as pessoas humildes, as pessoas que sempre a acompanharam em toda a sua vida."

E fez, ali, o epitáfio de Carolina:

"Morreu como viveu: pobre."

Cronologia


  • 1914 - Nascimento de Carolina Maria de Jesus, em Sacramento, Minas Gerais;
  • 1923 - Matrícula de Carolina Maria de Jesus no Colégio Alan Kardec, em Sacramento;
  • 1924/1927 - A família e Carolina vivem como lavradores em fazenda em Lageado, Minas Gerais;
  • 1927 - Carolina Maria de Jesus e família retornam para Sacramento, Minas Gerais;
  • 1930 - Muda-se, com a família, para Franca, São Paulo, onde trabalha como lavradora em uma fazenda e depois, na cidade, como empregada doméstica;
  • 1937 - Morre a mãe de Carolina Maria de Jesus que, então, em 31 de janeiro, vai para São Paulo, onde trabalha como faxineira de hotel e empregada doméstica;
  • 1941 - 24 de fevereiro - Publicação da foto de Carolina Maria de Jesus em Folha da Manhã, ao lado do jornalista Willy Aureli;
  • 1941 - Publicação de poema de Carolina Maria de Jesus em louvor a Getúlio Vargas no jornal Folha da Manhã;
  • 1948 - Muda para a favela do Canindé;
  • 1948 - Nascimento do primeiro filho, João, depois do relacionamento com um marinheiro português, que a abandona;
  • 1950 - Nascimento do segundo filho, José Carlos, após relacionamento com um espanhol;
  • 1953 - Nascimento do terceiro filho, Vera Eunice, após relacionamento com um dono de fábrica e comerciante;
  • 1955 - Em 15 de julho, inicia os registros, em diário, sobre a vida na favela;
  • 1958 - Primeiro contato do jornalista Audálio Dantas com Carolina Maria de Jesus, devido à reportagem para Folha da Noite sobre o playground instalado na favela do Canindé;
  • 1959 - A revista O Cruzeiro, onde Audálio Dantas passara a trabalhar, publica trechos dos diários;
  • 1960 - Publicação de "Quarto de Despejo - Diário de uma Favelada", em edição de Audálio Dantas, com tiragem inicial de dez mil exemplares.Na noite de autógrafos, foram vendidos 600 exemplares. No primeiro ano, com várias reedições, mais de cem mil exemplares;
  • 1960 - Sai da favela do Canindé e muda-se inicialmente para os fundos da casa de um amigo, em Osasco. Pouco depois, instala-se na casa que comprara, no Alto de Santana;
  • 1960 - Homenageada pela Academia Paulista de Letras e pela Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo;
  • 1961 - Viaja à Argentina, onde é agraciada com a Orden Caballero Del Tornillo, ao Uruguai e ao Chile. Viaja também para várias regiões do Brasil. Na Feira do Livro do Rio de Janeiro desentende-se com Jorge Amado;
  • 1961 - Publicação de "Casa de Alvenaria: Diário de uma Ex-favelada", com apresentação de Audálio Dantas. Pouca repercussão da obra, que não agradou nem ao público comum, nem aos setores intelectualizados;
  • 1963 - "Pedaços da Fome", romance, é publicado, com apresentação de Eduardo de Oliveira, tendo sido recebido com indiferença pela imprensa;
  • 1964 - Jornal publica foto em que se registra a autora nas ruas, catando papéis;
  • 1965 - Provérbios é publicado, com edição da autora, e sem nenhuma repercussão;
  • 1969 - Muda-se, com os filhos, para o sítio em Parelheiros, bairro na periferia de São Paulo;
  • 1972 - Anuncia que escreve "O Brasil Para os Brasileiros", o que é ridicularizado pela imprensa. Posteriormente, parte desse material é editada como "Diário de Bitita";
  • 1975 - Produção, na Alemanha, de "O Despertar de um Sonho" (sobre a vida de Carolina Maria de Jesus), com direção de Gerson Tavares, cuja exibição é proibida no Brasil;
  • 1976 - Relançamento, no Brasil, de "Quarto de Despejo", pela Ediouro;
  • 1977 - 13 de fevereiro - Morte de Carolina Maria de Jesus;
  • 1977 - A Scappelli Film Company propõe a realização de um filme a partir de "Quarto de Despejo", cuja realização, porém, não se efetiva, apesar de ter havido pagamento parcial de direitos autorais;
  • 1991 - Karen Brown faz roteiro "Passion Flower: The Story Of Carolina Maria de Jesus" para um documentário sobre Carolilina Maria de Jesus, Los Angeles;
  • 2004 - Em comemoração ao Ano Nacional da Mulher, por iniciativa do Senado, a Coordenação da Mulher da Cidade de São Paulo lança o Calendário "Mulheres Que Estão no Mapa", com homenagem a Carolina Maria de Jesus exposta no mês de novembro;
  • 2004 - Inauguração da Rua Carolina Maria de Jesus, no bairro de Sapopemba;
  • 2005 - É inaugurada a Biblioteca Carolina Maria de Jesus, com acervo inicial de 2000 livros sobre a formação da identidade nacional com a perspectiva da participação do negro, no Museu Afro Brasil / Parque do Ibirapuera.


Indicação: Miguel Sampaio

Ricardo Gumbleton Daunt

RICARDO GUMBLETON DAUNT
(82 anos)
Advogado e Jurista

* Casa Branca, SP (27/02/1894)
+ São Paulo, SP (17/02/1977)

Ricardo Gumbleton Daunt foi um advogado, precursor da Polícia Científica e um dos pioneiros da datiloscopia no Brasil.

Cursou o Ginásio de São Bento e a Faculdade de Direito do Largo São Francisco, bacharelando-se em 1919. Foi promotor público de Santa Cruz do Rio Pardo e de Itápolis.

Por muitos anos foi diretor do Serviço de Identificação do Estado de São Paulo, idealizando e criando, nesta repartição, os laboratórios de Antropologia Criminal, Odontologia Legal, Química Legal, Arquivo Monodatilar e o Arquivo Dactiloscópico, totalmente reestruturado com as "Mesas Daunt". Foi o inspirador da instituição do Registro Criminal do Estado, da Sessão de Passaportes, da Biblioteca, e da Sessão de Identificação de Estrangeiros. Foi o criador das chamadas "Mesas Acácio Nogueira", destinadas ao registro de impressões digitais.

Em 1938, Ricardo Gumbleton Daunt revolucionou o Instituto de Identificação Criminal do Estado de São Paulo, dividindo-o em quatro secções: Fotografia, Antropometria, Datiloscopia e Aplicação (de vários recursos da ciência da identidade). Este Instituto, que mais tarde levaria seu nome, desde a sua criação, já identificou mais de quarenta milhões de pessoas, e, atualmente, emite mais de dez mil cédulas de identidade por dia, entre primeiras e segundas vias.

Em 1934, Ricardo Gumbleton Daunt, participou do Congresso Nacional de Identificação, realizado no Rio de Janeiro e em São Paulo. Em julho de 1937, da Semana Paulista de Medicina Legal.

Em julho de 1938, do Primeiro Congresso Paulista de Psicologia, Neurologia, Psiquiatria, Endocrinologia, Identificação, Medicina Legal e Criminologia. 

Em janeiro de 1941 participou do Segundo Congresso Latino-Americano de Criminologia, realizado em Santiago, sempre representando o Serviço de Identificação do Estado de São Paulo, elaborando trabalhos e teses inéditas.

Ricardo Gumbleton Daunt foi membro de diversas identidades científicas, tais como:
  • Sociedade de Medicina Legal e Criminologia de São Paulo
  • Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo
  • Instituto de Estudos Genealógicos de São Paulo (Instituto Heráldico e Genealógico)
  • Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas (Membro Honorário)

Dedicou-se, também, a profundos estudos de História, Heráldica e Genealogia, realizando pesquisas inéditas nestas áreas, também. Foi comendador da Ordem Soberana e Militar de Malta. Um exemplo é o livro que fez mostrando toda a linhagem histórica de uma das famílias mais importantes do município paulista de Casa Branca, a família Carvalho, da qual o mais famoso era o Drº Francisco Tomás de Carvalho, patrono da Escola Normal que leva o seu nome, Escola Normal Doutor Francisco Tomás de Carvalho.

Bibliografia

Ricardo Gumbleton Daunt foi autor de numerosos trabalhos sobre a Ciência da Identidade, tendo obras divulgadas na França, por Edmond Locard e em Portugal, por Luís de Pina. Destacam-se:
  • Revista de Identificação e Ciências Penais e do Museu Vucetich de La Plata, na Argentina - Diversos artigos;
  • Revista de Derecho Penal, da Argentina - Diversos artigos;
  • Arquivos de Polícia e Identificação de São Paulo (Fundador e diretor) - Diversos artigos;
  • Herschel e a Dactiloscopia, considerada obra precursora desta especialidade;
  • O Padre Diogo Antônio Feijó na Tradição da Família Camargo
  • Diário da Princesa Isabel
  • O Capitão Diogo Garcia da Cruz e Sua Geração
  • Tradições Paulistas - A Baronesa de Monte Santo
  • Tenente Urias Emídio Nogueira de Barros
  • O Capitão Diogo Garcia da Cruz - Edição revista, ampliada e atualizada por Caio Figueiredo Silva, em 1974


Genealogia

Ascendência:

Era filho de Rogério O'Connor de Camargo Dauntre (grafia original, conforme o próprio Ricardo Gumbleton Daunt explica, em sua obra genealógica) e de Iria Leopoldina de Figueiredo Dauntre.

Pelo lado paterno, descendia da antiga aristocracia francesa, da Normandia, que passou à Irlanda, onde a família ligou-se aos O’Connor, de uma longa linhagem de patriotas, descendentes de Roderick O’Connor, o 183º Monarca Suserano da Irlanda, falecido em 1198. Era neto paterno de Ana Francelina de Camargo e do médico irlandês Ricardo Gumbleton Daunt (Dauntre), radicado em Campinas, este filho de Richard Gumbleton Dauntre e de Anna Dixon Raines.

Era neto materno do comendador Urias Gonçalves dos Santos e de Ana Jacinta de Figueiredo, esta filha do Barão de Monte Santo e de sua sobrinha Maria Carolina de Figueiredo. O Barão e seu irmão Joaquim, pai de Maria Carolina, eram filhos do capitão Diogo Garcia da Cruz e de Inocência Constância de Figueiredo; esta, filha do capitão-mor José Álvares de Figueiredo - o fundador de Boa Esperança - e de Maria Vilela do Espírito Santo, esta neta da Ilhoa Júlia Maria da Caridade. Por este lado materno, Ricardo Gumbleton Daunt descendia de uma complexa rede de endogamia formada pelos descendentes do capitão-mor José Álvares de Figueiredo.

Descendência:

Casou-se com Maria Amália Ferreira de Abreu Teixeira Leomil, com quem teve três filhos: Ricardo Gumbleton Daunt Filho (pai do escritor Ricardo Gumbleton Daunt Neto), Alicia Maria Daunt de Campos Salles e Maria Elisa Leomil Daunt.

Colaterais:

Era sobrinho do monsenhor Fergus O'Connor de Camargo Dauntre (1849-1911), que foi vigário-geral da Arquidiocese de São Paulo. Foi primo de diversas personalidades, como: Antônio Aureliano Chaves de Mendonça, Danton Mello, Eduardo Carlos Figueiredo Ferraz, Ester de Figueiredo Ferraz, José Carlos de Figueiredo Ferraz, Fátima Freire, Geraldo Freire, Morvan Aloísio Acaiaba de Resende, Nelson Freire, Newton Freire Maia, Selton MelloWagner Tiso, dentre outros.

Fonte: Wikiédia
Indicação: Adolpho Legnaro Filho

Zózimo

ZÓZIMO ALVES CALAZANS
(45 anos)
Jogador de Futebol e Técnico

* Salvador, BA (19/06/1932)
+ Rio de Janeiro, RJ (17/07/1977)

Zózimo Alves Calazans, mais conhecido apenas como Zózimo, foi um jogador e treinador de futebol brasileiro, que atuou como zagueiro. Nasceu em 19/06/1932, na cidade de Salvador, BA, no bairro de Plataforma. Chegou a cidade do Rio de Janeiro no ano de 1947 e no ano seguinte foi levado para jogar nas divisões amadoras do São Cristóvão.

Pouco mais tarde, o clube lhe ofereceu um "contrato de gaveta", documento comum na época e utilizado para segurar o jogador na agremiação.

Em 1951 o Bangu Atlético Clube interessou-se pelo seu futebol e o jovem craque foi para Moça Bonita. Ainda garoto, foi convocado para a seleção carioca juvenil que disputou e venceu o campeonato brasileiro de seleções naquele ano.

Zózimo, revelado então pelo modesto São Cristóvão, se consagrou no futebol atuando pelo Bangu Atlético Clube, onde ficou de 1951 a 1964, o que lhe rendeu diversas convocações a Seleção Brasileira.

Disputou também as Olimpíadas de Helsinque, em 1952, pela Seleção Olímpica. Foram 3 jogos, 2 vitórias e 1 derrota, e 1 gol assinalado.

Assinou seu primeiro contrato profissional somente em 1955, no próprio Bangu. Zózimo era um quarto zagueiro calmo, clássico e sutil em seus movimentos, jogava sempre de cabeça erguida e não era adepto de chutões.


Dispensado em 1964 pelo Bangu, Zózimo esteve no Esportiva de Guaratinguetá, onde foi rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Paulista de 1965.

Foi um dos grandes zagueiros da Seleção Brasileira de Futebol, sendo campeão da Copa do Mundo FIFA em 1958 e 1962. Pela Seleção Brasileira principal, atuou de 1955 à 1962, somando 37 jogos, 26 vitórias, 6 empates, 5 derrotas, e apenas 1 gol marcado. Em jogos de Copa do Mundo foram 6 jogos, 5 vitórias e 1 empate. Toda a passagem de Zózimo pela Seleção Brasileira foi no mesmo período em que era jogador do Bangu Atlético Clube.

Já afastado da Seleção Brasileira desde 1962, Zózimo chegou ao Flamengo em 1965 e vestiu a camisa em quatro oportunidades naquele ano, porém, não conseguiu se firmar.

Em 1966 Zózimo foi para o futebol peruano atuar pelo Sport Boys. No ano seguinte, ainda timidamente, começou sua carreira de treinador no próprio Sport Boys. Encerrou a carreira no Sport Boys, do Peru, onde jogou até 1969. 

Regressou ao Brasil e ainda trabalhou como treinador no Campo Grande e no Bangu.

Zózimo faleceu em 17/07/1977 em um trágico acidente automobilístico no Rio de Janeiro.

O jogador é citado no documentário "Subterrâneos do Futebol" (1964), quando então se faz referência a um caso de suborno envolvendo o seu nome.


Títulos

Seleção Brasileira
  • 1955 - Taça Oswaldo Cruz
  • 1955 - Taça Bernardo O'Higgins
  • 1956 - Taça Oswaldo Cruz
  • 1956 - Taça do Atlântico
  • 1958 - Copa do Mundo
  • 1958 - Taça Oswaldo Cruz
  • 1962 - Copa do Mundo
  • 1962 - Taça Oswaldo Cruz

Bangu
  • 1954 - Torneio Início do Rio de Janeiro
  • 1955 - Torneio Início do Rio de Janeiro
  • 1957 - Torneio Triangular Internacional do Equador
  • 1957 - Torneio Quadrangular do Rio de Janeiro
  • 1957 - Torneio Triangular de Porto Alegre
  • 1958 - Torneio Quadrangular Internacional da Venezuela
  • 1958 - Torneio Triangular Internacional de Luxemburgo
  • 1959 - Torneio Quadrangular Internacional da Costa Rica
  • 1960 - International Soccer League
  • 1961 - Torneio Triangular Internacional da Áustria
  • 1961 - Torneio Quadrangular de Recife
  • 1962 - Torneio Quadrangular de Belém do Pará
  • 1962 - Torneio Quadrangular Internacional do Equador

Indicação: Miguel Sampaio

Big Boy

NEWTON ALVARENGA DUARTE
(33 anos)
Disk Jockey (DJ)

* (01/06/1943)
+ São Paulo, SP (07/03/1977)

Big Boy, pseudônimo de Newton Alvarenga Duarte, foi o mais importante Disc Jockey de sua época, responsável por uma verdadeira revolução no rádio brasileiro.

Como locutor, introduziu uma linguagem jovem, mais próxima do público que o ouvia. Seu "Hello crazy people!", a maneira irreverente como saudava os ouvintes, tornou-se marca registrada de um estilo próprio, descontraído, diferente da voz impostada dos locutores de então. Como programador, demonstrou extrema sensibilidade ao captar o gosto do público, observando as tendências musicais ao redor do mundo e inovando a partir de idéias que modificariam todo um sistema de programação estabelecido. Uma de suas grandes influências foi o grande Disc Jockey americano Wolfman Jack.

Apaixonado por música desde a infância, manifestando preferência pelo rock, o então novo ritmo americano que conquistou os jovens no mundo todo. Também costumava "peregrinar" na Rádio Tamoio do Rio de Janeiro, a rádio que apresentava a programação mais atualizada na época, procurando manter contato com os programadores e outros aficionados por rock, em busca de informações e de uma oportunidade profissional - seu sonho desde então, que procurou alcançar com obstinação. A oportunidade finalmente surgiu quando foi convidado para substituir um programador que entrou em férias. Assim, não hesitou em interromper a carreira de professor de geografia para tornar-se radialista.


Mais tarde foi convidado para participar de uma bem-sucedida tentativa de reformulação da Rádio Mundial AM, que se tornaria a rádio de maior audiência entre o público jovem do Rio de Janeiro. Foi ali que iniciou sua atuação como Disc Jockey, ganhou o apelido de Big Boy e criou o estilo inconfundível que continua até hoje influenciando locutores, inclusive das modernas rádios FM, cujas programações muitas vezes ainda seguem os moldes de seus programas.

Com sua voz alegre e postura informal, complementava as músicas que tocava com informações "quentes" sobre o mundo do disco, impondo uma dinâmica irresistível ao programa. Tudo isso sem perder o jeito de fã dos artistas, o que o aproximava ainda mais dos ouvintes.

Big Boy também pode ser considerado o primeiro "profissional multimídia" do show business brasileiro. Programador e radialista eclético, diversificava sua atuação mantendo a ligação da paixão pela música contemporânea nos seus diversos segmentos e movimentos.

Além de manter dois programas diários na Rádio Mundial, "Big Boy Show" e "Ritmos de Boite", um na Rádio Excelsior de São Paulo e um semanal especializado em Beatles, o "Cavern Club", também na Rádio Mundial, atuava como programador, colunista em diversos jornais e revistas, produtor de discos e Disc Jockey dos Bailes da Pesada, onde mantinha um contato direto com o público que gostava especialmente de soul e black music, principalmente na Zona Norte do Rio de Janeiro.


Na televisão, inovou ao apresentar em sua participação diária no Jornal Hoje da TV Globo, pela primeira vez, Film Clips com músicas de sucesso do momento. Em seu programa "Papo Pop", na TV Record de SP, lançou grupos brasileiros de vanguarda. Foi também o responsável pela implantação do Projeto Eldo Pop, no início das transmissões em FM no Brasil. A lendária rádio (antiga Eldorado FM), especializada em rock progressivo, visava contemplar um público restrito mas altamente especializado em seu gosto musical e que encontrava ali um veículo de expressão da autêntica música de vanguarda.

Chegou a participar como ele mesmo da novela infantil "Linguinha x Mr. Yes", ao lado do humorista Chico Anysio na TV Globo. Era exibida diariamente às 20:00hs após o Jornal Nacional e antes da novela das 20:00hs, no mesmo horário em que anteriormente era exibido o humorístico "Você Tem Tempo?" (1971) também de Chico Anysio, e aos sábados eram reprisados os episódios da semana inteira em São Paulo. Durou entre dia 11/10/1971 e 24/04/1972.

Ao longo de toda sua vida profissional, Big Boy continuou ampliando sua coleção. Em diversas viagens a outros países apurou seu acervo, buscando raridades como "discos piratas" de tiragens limitadíssimas. Ao morrer havia juntado cerca de 20 mil títulos, entre LPs e compactos, na maioria importados, que abrangem diversos gêneros musicais como rock, jazz, soul music, rock progressivo, música francesa, trilhas sonoras de filmes, orquestrais, etc. Como um todo, a discoteca Big Boy constitui-se num acervo cultural importantíssimo, pois retrata vários períodos do cenário discográfico mundial e, mais do que uma coleção, trata-se da síntese do trabalho de um profissional que ousou inovar.

Big Boy morreu sufocado por um ataque de asma, num quarto de hotel em São Paulo.


Discografia

Estes são LPs onde Big Boy selecionava o repertório e gravava locuções e vinhetas que eram mixadas às faixas, recriando uma parte do repertório tocado nos Bailes da Pesada:
  • 1970 - Baile da Pesada (Top Tape)
  • 1971 - Big Baile (Top Tape)
  • 1972 - Baile da Cueca (Top Tape)
  • 1974 - The Big Boy Show (RCA)


No álbum "Big Baile" afirma-se que Big Boy era artista exclusivo da Top Tape.

Fonte: Wikipédia
Indicação: Miguel Sampaio

Antero de Oliveira

ANTERO DE OLIVEIRA
(46 anos)
Ator

* Rio de Janeiro, RJ (1931)
+ Rio de Janeiro, RJ (01/05/1977)

Antero de Oliveira foi um ator brasileiro. Sua estreia se deu em 1967, no filme "Cara a Cara", de Júlio Bressane. Na TV, seu primeiro trabalho foi em 1969, na novela "Um Gosto Amargo de Festa", pela TV Tupi. Nesse mesmo chamou a atenção da crítica ao protagonizar o filme "Matou a Família e Foi ao Cinema", no papel do filho assassino.

Na televisão, sua melhor participação foi na novela "Bandeira 2", onde viveu Quincas, personagem da parte pobre da trama, contracenado com Anecy Rocha.

Participou do programa "Chico City", do comediante Chico Anysio, onde fez vários personagens.

Antero de Oliveira faleceu vitimado pelo câncer, após ficar cerca de um mês internado.

Televisão

  • 1971 - Bandeira 2 ... Quincas
  • 1971 - O Crime do Silêncio
  • 1970 - Assim na Terra Como no Céu ... Mãozinha
  • 1969 - Um Gosto Amargo de Festa


Cinema

  • 1976 - A Noiva da Cidade
  • 1976 - Pedro Bó, o Caçador de Cangaceiros
  • 1972 - Sombra de Suspeita
  • 1971 - O Crime do Silêncio
  • 1971 - Em Família ... Roberto
  • 1970 - A Possuída dos Mil Demônios
  • 1969 - Tempo de Violência
  • 1969 - Matou a Família e Foi ao Cinema ... O Assassino
  • 1967 - Cara a Cara ... Raul


Outro Trabalhos

  • 1972 - Herança do Nordeste (Documentário) ... Narrador
  • 1970 - Paulicéia Fantástica (Documentário) ... Narrador
  • 1968 - Brasil Verdade (Documentário) ... Narrador


Fonte: Wikipédia

Dilermando Reis

DILERMANDO DOS SANTOS REIS
(60 anos)
Compositor, Professor de Violão, Arranjador e Instrumentista

* Guaratinguetá, SP (22/09/1916)
+ Rio de Janeiro, RJ (02/01/1977)

Dilermando Reis foi um violonista e compositor brasileiro. Foi professor de música do então presidente Juscelino Kubitschek. Gravou diversos discos de sucesso, sendo o chorinho o seu estilo musical. Trabalhou na Rádio Clube do Brasil e na Rádio Nacional do Rio de Janeiro.

Dilermando dos Santos Reis começou a estudar violão com o pai, o violonista Francisco Reis, ainda na infância. Em 1931, aos 15 anos de idade, Dilermando já era conhecido como o melhor violonista de Guaratinguetá. Neste mesmo ano, assistindo a um concerto do violonista Levino da Conceição, que se apresentava na cidade, tornou-se seu aluno e seu acompanhador, seguindo-o em suas excursões.

Em 1933 chegou ao Rio de Janeiro, em companhia de Levino da Conceição e segundo contou em depoimento "ao desembarcarmos na Central, tomamos o bonde com destino à Lapa à procura do violonista João Pernambuco", que era amigo de Levino da Conceição. O violonista residia num quarto de uma república na Praça dos Governadores, posteriormente Praça João Pessoa, localizada no cruzamento da Avenida Mem de Sá com a Rua Gomes Freire. Passaram o resto do dia e a noite com João Pernambuco, entre conversas e música.

Em 1934, Levino da Conceição a pretexto de fazer uma viagem, deixou pagos 15 dias de hotel para o jovem violonista e nunca mais voltou. Sozinho na cidade, Dilermando procurou auxílio com João Pernambuco, que o acolheu.

Em fins da década de 30, envolveu-se num caso amoroso com Celeste, companheira de seu ex-professor Levino Conceição. O casal passou a residir na Rua Visconde de Niterói, próximo ao Morro de Mangueira. Viveram juntos por toda a vida.

Um dos mais importantes violonistas brasileiros, Dilermando Reis atuou como instrumentista, professor de violão, compositor, arranjador, tendo deixado uma obra vultuosa, versátil, composta de guarânias, boleros, toadas, maxixes, sambas-canção e principalmente de valsas e choros.


Iniciou sua vida profissional aos 18 anos de idade. Segundo seu relato ao Jornal do Brasil:

"Naquela época as lojas de instrumentos musicais mantinham professores de música que ajudavam a aumentar a clientela. Dei aulas numa loja na rua Buenos Aires, depois fui apresentado por um aluno ao dono da loja Ao Bandolim de Ouro."

Em 1935, passou a lecionar na loja A Guitarra de Prata. Nessa época, Dilermando começou a acompanhar calouros na Rádio Guanabara, trabalho esporádico e sem contrato. No intervalo de uma dessas apresentações, Dilermando como costumava fazer, solava a valsa "Gota de Lágrima", de Mozart Bicalho quando o radialista Renato Murce ouviu e gostou. Levou o violonista para a Rádio Transmissora e deu-lhe um programa de solos de violão, para experimentar o resultado.

O programa foi um sucesso e iniciava-se neste momento uma carreira de violonista destinado à fama. Como já naquela época não era possível sobreviver apenas de solos de violão, continuou como acompanhador em regionais, como faziam todos os grandes violonistas da época como Garôto, Laurindo de Almeida, e outros.

Em 1940, Dilermando Reis transferiu-se pra a Rádio Clube do Brasil. Nesse mesmo ano, formou uma orquestra de violões composta de 10 violonistas, à qual acredita-se que tenha sido uma das primeiras do gênero. Atuou com êxito na Rádio Clube do Brasil e também no Cassino da Urca.

Em 1941, gravou seu primeiro disco pela Columbia, onde constavam a valsa "Noite de Lua" e o choro "Magoado", provavelmente o mais conhecido e mais executado de seus choros. Em 1944, fez um segundo disco também com composições suas. Em 1946, mais dois discos num dos quais registrou pela primeira vez músicas de outro compositor. Encerrou a década de 1940, com um total de nove discos gravados.

A década de 50, representou a consolidação e grande avanço na carreira do artista. Em 1956, assinou contrato com a Rádio Nacional, com o programa "Sua Majestade, o Violão", nos primeiros anos apresentado por Oswaldo Sargentelli e posteriormente por César Ladeira. O programa tinha por prefixo a mazurca "Adelita", de Francisco Tárrega e se manteve no ar até 1969.

Na década de 60, Dilermando Reis gravou vários LPs. Em 1960, lançou o disco "Melodias da Alvorada", em homenagem à nova capital, com arranjos e regência de Radamés Gnattali. De 1941 a 1962, lançou 34 discos de duas faces (68 músicas) em 78 rpm. Dentre essas, 43 de sua autoria. Com o início da era do LP, Dilermando Reis passou a gravar perfazendo um total de 35 LPs gravados em sua carreira.

Os LPs, mostraram uma nova faceta do violonista: o acompanhamento de cantores com apenas um violão, que neste caso se caracterizava pela apresentação da canção, seguida de um solo de Dilermando Reis, voltando ao acompanhamento para terminar. Nesse estilo de acompanhar, Dilermando Reis esteve ao lado de José Mojica quando este veio ao Brasil e fez um total de sete LPs com o cantor Francisco Petrônio.

Em 1970, Radamés Gnattali dedicou ao violonista o "Concerto nº 1", gravado nesse mesmo ano.

Como professor, ensinou a grandes violonistas dentre os quais Darci Vilaverde e Bola Sete. Foi também professor de Maristela Kubitscheck, filha do presidente Juscelino Kubitschek, de quem foi grande amigo e parceiro de serenatas. Essa amizade, aliás, valeu a Dilermando Reis a nomeação para um cargo público, o que muito lhe aliviou as dificuldades financeiras.

Em 1972, gravou o LP "Dilermando Reis Interpreta Pixinguinha", e em 1975 lançou "O Violão Brasileiro de Dilermando Reis" ambos pela Continental. Em alguns de seus LPs foi acompanhado pelos grandes violonistas Horondino Silva, o Dino Sete Cordas e em outros por Jaime Florence, o Meira.

Além de sua vasta obra, Dilermando Reis deixou inúmeros arranjos editados. Na década de 90, o violonista Genésio Nogueira iniciou uma coleção de LPs e CDs dedicados à obra do compositor.


Discografia
  • 1941 - Noite De Lua / Magoado
  • 1944 - Dança Chinesa / Adeus De Pai João
  • 1945 - Recordando / Saudade De Um Dia
  • 1945 - Minha Saudade / Rapsódia Infantil
  • 1946 - Noite De Estrelas / Dedilhando
  • 1946 - Adelita / Grajaú
  • 1948 - Vê Se Te Agrada / Dois Destinos
  • 1948 - Araguaia
  • 1949 - Súplica / Tempo De Criança
  • 1949 - Flor De Aguapé / Doutor Sabe Tudo
  • 1950 - Alma Sevilhana / Quando Baila La Muchacha
  • 1951 - Xodó Da Baiana / Promessa
  • 1951 - Cuidado Com O Velho / Vaidoso
  • 1951 - Sentimental / Bingo
  • 1952 - Sons De Carrilhões / Abismo De Rosas
  • 1953 - Calanguinho / Penumbra
  • 1953 - Alma Nortista / Interrogando
  • 1954 - Recordando A Malaguenha / Uma Noite Em Haifa
  • 1954 - Eu Amo Paris / Fingimento
  • 1955 - Poema De Fibich / Barqueiro Do Volga
  • 1955 - Dois Destinos / Vê Se Te Agrada
  • 1955 - Limpa-Banco / Sonhando Com Você
  • 1955 - Rosita / Chuvisco
  • 1956 - Tristesse - Opus Nº 3 / Adelita
  • 1956 - Dilermando Reis
  • 1956 - Sua Majestade O Violão
  • 1958 - Se Ela Perguntar / Índia
  • 1958 - Romance De Amor / Pavana
  • 1958 - Abismo De Rosas
  • 1958 - Volta Ao Mundo Com Dilermando Reis
  • 1960 - La Despedida (Chilena N° 1) / Ausência
  • 1960 - Melodias Da Alvorada
  • 1960 - Abismo De Rosas
  • 1961 - Uma Valsa E Dois Amores / Marcha Dos Marinheiros
  • 1961 - Soluços / Odeon
  • 1962 - Oiá De Rosinha / Abandono
  • 1962 - Pequena Cantiga De Natal / Idealista / Felicidade / Ato De Caridade
  • 1962 - No Tempo Do Vovô / Fingimento
  • 1962 - L'arlequin De Toléde / Recordando A Malagueña
  • 1962 - Presença De Dilermando Reis
  • 1962 - Uma Voz E Um Violão - Francisco Petrônio e Dilermando Reis
  • 1963 - Sons De Carrilhões / Despertar Da Montanha
  • 1963 - Gotas De Lágrimas / Cisne Branco
  • 1963 - Uma Voz E Um Violão Em Serenata - Volume 2
  • 1964 - Junto A Teu Coração
  • 1965 - Meu Amigo Violão
  • 1965 - Gotas De Lágrimas
  • 1965 - Sua Majestade, O Violão
  • 1965 - Junto A Teu Coração
  • 1966 - Subindo Ao Céu
  • 1967 - Recordações
  • 1968 - Saudade De Ouro Preto
  • 1968 - Dilermando Reis
  • 1969 - Dilermando Reis
  • 1970 - Grand Prix
  • 1970 - Dilermando Reis
  • 1971 - Dilermando Reis
  • 1971 - Uma Voz E Um Violão Em Serenata - Volume 6
  • 1972 - Dilermando Reis Interpreta Pixinguinha
  • 1973 - Homenagem A Ernesto Nazareth
  • 1973 - Uma Voz E Um Violão Em Serenata - Volume 7
  • 1975 - O Violão Brasileiro De Dilermando Reis
  • 1976 - Concerto Nº 1 Para Violão E Orquestra
  • 1977 - O Melhor De Dilermando Reis
  • 1978 - Dilermando Reis
  • 1978 - Presença De Dilermando Com Orquestra de Radamés
  • 1978 - Dilermando Reis No Choro
  • 1979 - Aplausos
  • 1986 - Violão Brasileiro
  • 1988 - Dilermando Reis Interpreta Pixinguinha
  • 2004 - Noite De Estrelas (CD)

Fonte: Wikipédia e NetSaber
Indicação: Moacir Teles Maracci

Abílio Pereira de Almeida

ABÍLIO PEREIRA DE ALMEIDA
(71 anos)
Ator, Autor, Produtor e Diretor Teatral

* São Paulo, SP (26/02/1906)
+ São Paulo, SP (12/05/1977)

Formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), começou como ator em montagens beneficentes de Alfredo Mesquita. Juntos eles fundam o Grupo de Teatro Experimental (GTE).

Foi um dos fundadores do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), não só como ator mas principalmente como autor com a peça "A Mulher do Próximo", estrelada por Cacilda Becker. No Teatro Brasileiro de Comédia encenou também de sua autoria, "Paiol Velho", "Santa Marta Fabril" e "Rua São Luís, 27".

Foi para a Companhia Vera Cruz onde participou como ator dos filmes "Caiçara" (1950), "Terra é Sempre Terra" (1951), "Angela" (1951), "Tico-Tico no Fubá" (1952), "Apassionata" (1952) e "Sai da Frente" (1952), que lançou Mazzaropi.

Produziu filmes importantes pela Brasil Filmes no final da década de 1950 como "Moral em Concordata" (1959), "O Sobrado" (1956) e "Estranho Encontro" (1958). No primeiro filme se destaca Odete Lara, de cuja carreira foi um dos principais incentivadores.

Escreveu várias peças para outras companhias como "Dona Violante Miranda" que virou filme com Dercy Gonçalves, "O Comício", "Os Marginalizados", "O Bezerro de Ouro", "Círculo de Champagne" e "Licor de Maracujá".

Morte

Abílio Pereira de Almeida suicidou-se aos 71 anos em São Paulo, no ano de 1977. Ele completaria cem anos em 2006 e foi homenageado pelo diretor Silnei Siqueira com uma nova montagem de "Moral em Concordata".

Fonte: Wikipédia

Joubert de Carvalho

JOUBERT DE CARVALHO
(77 anos)
Médico e Compositor

* Uberaba, MG (06/03/1900)
+ Rio de Janeiro, RJ (20/09/1977)

Foi um médico e compositor brasileiro, autor de canções como Maringá e Ta-hi.

Nascido no Triângulo Mineiro, era um dos treze filhos do fazendeiro Tobias de Carvalho e de Francisca Gontijo de Carvalho.

Tinha nove anos quando o pai comprou um piano, onde Joubert passou a tocar, de ouvido, os dobrados que ouvia na banda local. Aos doze, tendo terminado o curso primário em Uberaba, Joubert mudou-se com a família para São Paulo, por conta da preocupação do pai com a educação e formação dos filhos, que foram estudar no Ginásio São Bento.

A primeira composição de Joubert, a valsa Cruz Vermelha, foi inspirada no hospital infantil do mesmo nome, que havia em São Paulo, e cujas primeiras notas haviam sido tiradas no piano da infância.

O pai permitiu a Joubert que vendesse as partituras, desde que o dinheiro revertesse em benefício do Hospital Cruz Vermelha. O relativo sucesso alcançado pela música animou Joubert a compor outras peças, que entregava à Casa Editora Compassi & Camin, com autorização de seu pai, desde que o pagamento se resumisse a alguns exemplares para Joubert distribuir aos amigos. Durante o curso ginasial Joubert foi se familiarizando com os clássicos, na casa de uma tia pianista.

Em 1919 Joubert foi para o Rio de Janeiro, onde o ensino era de melhor nível e, em 1920, entrou para a Faculdade de Medicina. Com uma mesada de 500 mil réis, Joubert continuava a compor e, durante uma de suas visitas a São Paulo, o editor fez novos pedidos, com a oferta de 600 mil réis mensais. Como o filho havia obtido êxito nos exames, o velho Tobias não só se rendeu, como manteve a mesada, propiciando ao jovem Joubert uma vida de estudante rico, que podia até mesmo morar em hotel.

Nessa época, influenciado por ritmos estrangeiros, Joubert compôs diversos tangos, como Cinco de Janeiro, dedicado ao sanitarista Oswaldo Cruz.

Sua primeira composição gravada foi a canção Noivos, lançada em 1921. Mas seu primeiro grande sucesso viria em 1922 com O Príncipe, composta por inspiração da chuva e que seria sua primeira composição gravada no exterior, em 1931. No ano seguinte, 1923, compôs o tango Lindos Olhos.

Joubert de Carvalho no Consultório
Em 1925 Joubert se formou em Medicina, com a tese intitulada Sopros Musicais do Coração, tendo sido aprovado com distinção, embora o título da tese beirasse à pilhéria. Sabendo equacionar perfeitamente as atividades de médico e de músico, Joubert continuava a compor. Desse ano são suas composições Luxo Asiático e Vem Meu Benzinho.

Em 1926, em parceria com Sadi Fonseca, Joubert compôs o maxixe Arrepiado e o tango Canção dos Mares e, com Zael, o maxixe Jaquetão. Ainda desse ano são as composições Manequinho, Mãos de Neve, Pobrezinho, Prisioneiro do Amor e Agonia, esta gravada por Pedro Celestino, irmão de Vicente Celestino.

Em 1927 Joubert casou-se com Elza Faria, que lhe daria o filho Fernando Antônio.

Em 1928 Joubert musicou dois poemas de Olegário Mariano, "Cai, Cai Balão" e "Tutu Marambá", dando início a uma parceria de mais de vinte músicas.

Embora as composições de Joubert de Carvalho já viessem sendo gravadas por cantores de destaque na época, como Gastão Formenti e Francisco Alves, a novata Carmen Miranda é que foi a responsável pelo grande sucesso de Ta-hi, lançado em 1930 com o título Pra Você Gostar de Mim, que alcançou uma vendagem de 35.000 discos, numa época em que os grandes cantores vendiam, no máximo, até mil discos.

Em 1931, em parceria com Pascoal Carlos Magno, Joubert compôs Pierrô, um de seus maiores êxitos e que foi interpretado por Jorge Fernandes, na peça teatral de mesmo nome, de autoria de Pascoal Carlos Magno.

Em setembro de 1972, o então prefeito de Maringá Dr. Adriano José Valente, inaugurou o busto do médico e compositor Joubert de Carvalho
Foto: Acervo Maringá Histórica
O grande êxito de Joubert em 1932 foi a canção Maringá que, gravada por Gastão Formenti, fez sucesso também no exterior, rendendo direitos autorais a Joubert durante muito tempo. Como Joubert queria um lugar de médico do Instituto dos Marítimos e, sendo amigo do ministro da Viação, José Américo de Almeida, fez, para agradá-lo, já que este era nordestino, a música Maringá, que surgiu de Maria do Ingá. Ingá era um município do nordeste, onde a seca havia sido mais rigorosa. Maringá era cantada por operários que construíam uma nova cidade no norte do Paraná e que, ao ser fundada oficialmente em 1947, recebeu o nome de Maringá.

Em 1933 Joubert foi nomeado médico do Instituto dos Marítimos, onde fez carreira, chegando a ser diretor do hospital. Mas não deixou de compôr.

No período de 1955 a 1960, Joubert de Carvalho passou a dedicar-se a estudos filosóficos, não publicando nada e produzindo apenas para uso interno. Em 1959, foi homenageado pelo povo de Maringá, que deu seu nome a uma das ruas da cidade.

Em 1970, participou do V Festival Internacional da Canção da Rede Globo, com a valsa A Flor e a Vida, composta em parceria com Leda Fonseca, não conseguindo classificação. Pouco depois, venceu, com a mesma composição, interpretada por Antonio João, o Festival Brasileiro de Seresta.

Joubert de Carvalho nunca bebeu, nunca foi boêmio e bares e botequins jamais o atraíram. Homem culto e refinado, chegou também a escrever um romance, Espírito e Sexo, que se aproxima do ensaio social. Como médico, também foi muito talentoso e um dos pioneiros no Brasil em Medicina Psicossomática. Autor de mais de setecentas composições editadas, no final da vida, Joubert se afastou do mundo musical, pois os novos estilos surgidos deixaram pouco espaço ao romantismo do seresteiro que, de certa forma, ele foi.

Joubert de Carvalho morreu no dia 20 de setembro de 1977, vítima de Pneumonia, deixando importante legado para a música popular brasileira.

Fonte: Wikipédia

Jararaca

JOSÉ LUÍS RODRIGUES CALAZANS
(81 anos)
Instrumentista, Cantor, Compositor e Humorista

* Maceió, AL (29/09/1896)
+ Rio de Janeiro, RJ (11/10/1977)

José Luiz Rodrigues Calazans, o Jararaca, era filho do poeta e professor muito conhecido Ernesto Alves Rodrigues e começou a tocar sua viola aos 8 anos de idade, inspirado em seus irmãos que também eram violeiros e seresteiros.

Jararaca
Ainda criança conviveu muito com os boiadeiros que vinham de Minas Gerais, onde ouvia diversas estórias, que mais tarde iriam influenciar bastante a sua música.

Em 1915 aproximadamente começou atuar juntamente com um grupo teatral na cidade Piranhas, em Alagoas. Dizem também que integrou o bando de Lampião por quase dois anos, e no início da década de 20 resolveu tentar a carreira artística.

Jararaca e Ratinho foi uma dupla sertaneja, compositores e humoristas formada pelos músicos José Luiz Rodrigues Calazans (Jararaca) e por Severino Rangel de Carvalho (Ratinho).

Severino Rangel, o Ratinho, ficou órfão ainda bebê e acabou sendo criado por seu tios e padrinhos e foi sua tia a incentivar o sobrinho na música. Começou a tocar ainda criança na Banda Musical de Itabaiana, no estado da Bahia, e em 1914 mudou-se para Recife onde integrou a orquestra sinfônica local tocando trompete, saxofone e ainda dava aulas numa escola de aprendizes.

Jararaca e Ratinho
Por volta de 1919 Severino Rangel e José Calazans se conheceram quando passaram a integrar o Bloco dos Boêmios. Pouco tempo depois em 1921, formaram o grupo Os Boêmios e tempos depois o grupo passou a ser conhecido como Os Turunas Pernambucanos, onde cada um dos integrantes adotou o nome de um animal, foi quando José Luiz resolveu adotar o nome de Jararaca.

Com o conjunto excursionaram cantando cocos e emboladas, com seus trajes típicos percorrendo diversos lugares, e incentivado por Pixinguinha eles acabaram vindo para o Rio de Janeiro em 1922.

Depois que o grupo foi desfeito, José Luiz e Severino resolveram formar a dupla Jararaca e Ratinho e começaram a conhecer o sucesso quando passaram a cantar embolada e também fazendo apresentações satíricas e humorísticas em São Paulo.

Seu primeiro disco aconteceu em 1929, através da gravadora Odeon com músicas regionais.

Em 1937 Jararaca compôs a clássica Mamãe Eu Quero em parceria com Vicente Paiva e seu sucesso foi tanto que ultrapassou as fronteiras brasileiras, sendo gravada por artistas internacionais como Bing Crosby e Carmem Miranda.

Trabalharam por quase uma década na Rádio Nacional, sempre como músicos caipiras e humoristas fazendo sucesso com diversas músicas. Nos anos 60 e 70 passaram a também atuar na televisão em diversos programas como Balança Mas Não Cai, Uau e Alô Brasil, Aquele Abraço.

Após a morte de Ratinho em 1972, Jararaca continuou sua trajetória sozinho participando como cantor e humorista, inclusive no programa Chico City onde ele interpretou o papel do Cangaceiro Sucuri e assim continuou suas atuações até sua morte em 1977.

Para saber mais, acesse: Severino Rangel de Carvalho

Fonte: TV Sinopse e Wikipédia