sábado, 7 de novembro de 2009

Dercy Gonçalves

DOLORES GONÇALVES COSTA
(103 anos)

Atriz e Humorista

* Santa Maria Madalena, RJ (23/06/1905)
+ Rio de Janeiro, RJ (19/07/2008)

Originária de família pobre, nasceu no interior do estado do Rio de Janeiro, em 1905, mas foi registrada erroneamente, em 1907. Era filha de um alfaiate e de uma lavadeira. Sua mãe, chamada Margarida, abandonou o lar ao descobrir a infidelidade do marido. Dercy foi bilheteira de cinema, além de apresentar-se teatralmente para hóspedes de hotel em sua cidade natal. Teve que aturar o pai bêbado em casa e sofreu muito com o abandono da mãe, de quem nunca mais teve notícia.

Aos dezessete anos, fugiu de casa e se juntou a uma companhia de teatro. Estreou em 1929, em Leopoldina, MG, integrando o elenco da Companhia Maria Castro. Fazendo teatro itinerante, fez dupla com Eugênio Pascoal em 1930, com quem se apresentou por cidades do interior de alguns estados, sob o nome de "Os Pascoalinos".

Especializando-se na comédia e no improviso, participou do auge do Teatro de Revista Brasileiro, nos anos 1930 e 1940, estrelando algumas delas, como "Rei Momo na Guerra" (1943), de autoria de Freire Júnior e Assis Valente, na companhia do empresário Walter Pinto.

Na década de 1960 iniciou sua carreira solo. Suas apresentações, em diversos teatros brasileiros, conquistavam um público cheio de moralismos. Nesses espetáculos, gradativamente introduziu um monólogo, no qual relatava fatos autobiográficos. Paralelamente a estas apresentações, atuou em diversos filmes do gênero chanchada e comédias nacionais.

Na televisão, chegou a ser a atriz mais bem paga da TV Excelsior em 1963, onde também conheceu o executivo José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. Depois passou para a TV Rio e já na TV Globo, convenceu Boni a trabalhar na emissora, junto de Walter Clark.


De 1966 a 1969 apresentou na TV Globo um programa de auditório de muito sucesso, "Dercy de Verdade" (1966-1969), que acabou saindo do ar com o início da censura no país. No final dos anos 1980, quando a censura permitiu maior liberalismo na programação, Dercy passou a integrar corpos de jurados em programas populares, como em alguns apresentados por Sílvio Santos, e até aparições em telenovelas da TV Globo. No SBT voltou a experimentar um programa próprio que, entretanto, teve curtíssima duração.

Sua carreira foi pautada no individualismo, tendo sofrido, já idosa, um desfalque nas economias por parte de um empresário inescrupuloso, o que a fez retomar a carreira, já octogenária.

Dercimar (Foto: Andre Mussel / Photo Rio News)
Em 1934, teve um romance passageiro com o exportador de café mineiro Ademar Martins, do qual nasceu sua única filha, Dercimar. O nome é uma mistura de Dolores com Ademar. Dercy e Ademar moraram juntos um tempo, ela engravidou, ele registrou a criança e não apareceu mais. Dercy disse uma vez em entrevista que foi enganada por seu primeiro namorado, que a violentou sexualmente em sua adolescência, só que ela nem sabia o que era isso, disse que simplesmente sangrou muito, e não imaginava o que fosse.

Era chamada de Negrinha na infância, por ser neta de negros. Era uma típica moça do interior, ingênua e alegre, que mesmo fugida de casa ainda brincava de bonecas de pano.

"Todas as manhãs, a solidão me deixa deprimida. Moro sozinha, tem três pessoas que se revezam para me acompanhar. Minha filha não mora comigo. Filho não gosta de mãe; é a mãe que gosta do filho. Eles crescem, ganham independência e passam a ter prioridades. Eu me animo no cair da tarde, às 16h mais ou menos. Luto para ter forças para sair. Aí me arrumo, vou pro bingo. Lá, sou muito bem tratada, ganho cartelas e me distraio. À noite, vou a festas, jantares, adoro comer. E volto pra casa, durmo feliz. Assim são meus dias, sem expectativa."
(Dercy, em um desabafo)

Recebeu, em 1985, o Troféu Mambembe, numa categoria criada especificamente para homenageá-la: Melhor Personagem de Teatro.

Em 1991, foi enredo - "Bravíssimo - Dercy Gonçalves, o Retrato de um Povo" - do desfile da Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos do Viradouro, na primeira apresentação da escola no Grupo Especial das escolas de samba do carnaval do Rio de Janeiro. Na ocasião, Dercy causou polêmica ao desfilar, no último carro, com os seios à mostra.

Sua biografia se intitula "Dercy de Cabo a Rabo" (1994), e foi escrita por Maria Adelaide Amaral.

Em 4 de setembro de 2006, aos 99 anos, recebeu o título de Cidadã Honorária da Cidade de São Paulo, concedido pela câmara de vereadores desta capital.

Cem Anos

No dia 23 de junho de 2007, Dercy Gonçalves completou cem anos com uma festa na Praça General Brás, no centro do município de Santa Maria Madalena (sua cidade natal) na região serrana do Rio de Janeiro.

Na festa, Dercy comeu bolo, levantou as pernas fazendo graça para os fotógrafos, falou palavrão e saudou o povo, que parou para acompanhar a comemoração. Embora oficialmente tenha completado cem anos, Dercy afirmava que seu pai a registrou com dois anos de atraso, logo teria completado 102 anos de idade. Foi este também o mês em que Dercy subiu pela última vez num palco: na comédia teatral "Pout-PourRir" (espetáculo criado e dirigido pela dupla Afra Gomes e Leandro Goulart, que reúne os melhores comediantes da atualidade e do passado), onde comemorou cem anos de humor, com direito à festa, autógrafos de seu DVD biográfico e um teatro hiper-lotado por um público de fãs, celebridades e jornalistas.

A noite foi inesquecível para quem estava presente, onde Dercy foi entrevistada pelo ator Luis Lobiancoque interpreta no espetáculo uma sátira à Marília Gabriela, ainda deixou para a história duas frases memoráveis. "Marília Tagarela" pergunta à atriz se ela tem medo da morte, e Dercy, sempre de forma irreverente responde: "Não tenho medo da morte, a morte é linda... (ela repensa)... mas a vida também é muito boa!", e no fim, após cortar o bolo com as próprias mãos e atirar nos atores, diretores e plateia, faz o público emocionar-se ainda mais, dizendo: "Eu vou sentir falta de vocês. Mas vocês também vão sentir a minha". Um ano depois viria a falecer um dos maiores mitos da dramaturgia brasileira.

"Eu fiz 94, mas me digo que estou com 95 para me energizar e chegar lá. Escrevam o que eu digo: eu só vou morrer quando eu quiser! Não programo morte, eu programo vida!"
(Ao Completar 94 anos)

"A morte é linda... mas a vida também é muito boa!"
(Em cena pela última vez no espetáculo Pout-PourRir)

"Eu vou sentir falta de vocês. Mas vocês também vão sentir a minha."
(Para uma plateia lotada no espetáculo Pout-PourRir)

O Túmulo de Dercy Gonçalves
Morte

Morreu com 101 anos no papel e 103 de verdade, às 16:45 hs do dia 19 de julho de 2008, no Hospital São Lucas, em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro. Ela foi internada na madrugada do sábado dia 19 de julho. A causa da morte teria sido uma complicação decorrente de uma Pneumonia Comunitária Grave, que evoluiu para uma Sepse Pulmonar e Insuficiência Respiratória.

O Estado do Rio de Janeiro decretou luto oficial de três dias em memória à atriz. Na mesma semana, Afra Gomes, Leandro Goulart e o elenco de "Pout-PourRir" prestam, em cena, uma última homenagem à Dercy.

"Deus é um apelido. Ele pra mim não existe. O que existe é a natureza. Deus é fantasma, mas a natureza é a verdade que nunca podemos contestar a existência."
(Dercy Gonçalves)

Fonte: Wikipédia

3 comentários:

  1. Dercy, Você deixa saudades! A sua alegria e criticas fazem falta em todo o Brasil!

    Parabéns ao meu marido Marcos Aurélio pelo lindo trabalho!

    Soraya

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  2. Cinco anos de Saudades desta Grande Atriz e humorista, que marcou sua carreira por varias decadas mesmo sendo desbocada.

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