Dercy Gonçalves

DOLORES GONÇALVES COSTA
(103 anos)

Atriz, Humorista e Cantora

☼ Santa Maria Madalena, RJ (23/06/1905)
┼ Rio de Janeiro, RJ (19/07/2008)

Dolores Gonçalves Costa, artisticamente conhecida como Dercy Gonçalves, foi uma atriz, humorista e cantora brasileira, nascida em Santa Maria Madalena, RJ, no dia 23/06/1905, oriunda do teatro de revista, notória por suas participações na produção cinematográfica brasileira das décadas de 1950 e 1960. Foi reconhecida pelo Guinness Book como a atriz com maior tempo de carreira na história mundial, 86 anos.

Originária de família muito pobre, nasceu no interior do estado do Rio de Janeiro em 1905, tendo sido registrada em 1907. Na época era muito comum registrar os filhos mais tarde, pela falta de acesso a cartórios e informações da importância de um registro.

Dercy Gonçalves era filha de um alfaiate, chamado Manuel Gonçalves Costa e de uma lavadeira, chamada Margarida Gonçalves Costa. Sua mãe abandonou o lar e os sete filhos ao descobrir a infidelidade do marido. Dercy Gonçalves, abandonada pela mãe ainda pequena, foi criada pelo pai alcoólatra. A menina, que foi crescendo, teve que conviver com um pai bêbado em casa e sofreu muito com o abandono da mãe, de quem nunca mais teve notícia.

Dercy Gonçalves sofria preconceitos na infância, sendo constantemente chamada de negrinha, por ser neta de negros.

Para ajudar nas despesas de casa junto com os irmãos, Dercy Gonçalves foi trabalhar em uma bilheteria de cinema. Vendo os filmes nas horas de expediente do serviço, aprendeu a se maquiar e atuar como as artistas. Seu grande sonho era seguir carreira artística. Mesmo não sendo ainda atriz profissional, apresentava-se em teatros improvisados para hóspedes dos hotéis em sua cidade natal.


Aos 17 anos, destinada a ver seu sonho virar realidade, fugiu de casa para Macaé, RJ, embaixo do vagão de um trem, arriscando sua própria vida pelo sonho de ser artista. Ela fugiu para Macaé pois queria se juntar à uma trupe de teatro mambembe que lá estava, diversos atores de circo experientes no qual ela poderia trabalhar, a Companhia de Maria Castro.

Após um tempo morando em Macaé e trabalhando no teatro circense, o circo teve que partir para se fixar em outra cidade e fazer apresentações novas. Então, ela foi junto com a Companhia de Circo para Minas Gerais, onde estreou em 1929, em Leopoldina, integrando o elenco da Companhia Maria Castro. Fazendo teatro itinerante, fez dupla com Eugênio Pascoal em 1930, com quem se apresentou por cidades do interior de alguns estados, sob o nome de Os Pascoalinos.

Dercy Gonçalves se apaixonou por Eugênio Pascoal, que foi seu primeiro namorado, aos 23 anos, no papel, e 25 na vida real. Dercy Gonçalves disse uma vez em entrevista que, foi enganada por seu primeiro namorado, Eugênio Pascoal, que a violentou sexualmente. Ela contou que na noite em que perdeu a virgindade, usava uma camisola feita de saco de arroz: "Tinha escrito no peito: Indústria Brasileira de Arroz Agulhinha, arroz de primeira".

Anos depois, Dercy Gonçalves disse que, inocente na época, não sabia o que estava acontecendo e não entendeu por que estava sangrando. Ela foi convencida a fazer sexo e não sabia que esse convencimento, mediante ameaça de término do namoro, configura-se como estupro. Após alguns anos convivendo junto com ele, por causa de ciúmes violentos por parte dele, eles se separaram.

Dercy Gonçalves era uma típica moça do interior, ingênua e alegre. Mesmo fugindo de casa e tendo se relacionado com o namorado, ainda brincava de bonecas de pano que tinha desde criança. Isso mostra seu espírito doce e infantil, sua sensibilidade que a possibilitou ser, de fato, uma artista.

Enquanto excursionava com a trupe pelo interior de Minas Gerais, Dercy Gonçalves contraiu tuberculose, tendo que se afastar de sua maior paixão, o circo. Um exportador de café mineiro chamado Ademar Martins Senra a conheceu quando passava próximo à tenda do circo e se encantou por ela, apesar de ter ficado com pena da pobre moça doente. De bom coração, pagou todas as contas do sanatório para a internação da atriz, que não tinha dinheiro suficiente para custear o tratamento.


Depois de curada, em 1934, tendo largado o circo, teve um romance com o exportador de café mineiro Ademar Martins, mesmo ele sendo casado. Desse relacionamento de 2 anos, nasceu sua única filha, em 1936, Maria Dercimar Gonçalves Senra.

O nome Dercimar é uma mistura do apelido de Dercy, com o nome do pai dela, Ademar. Ademar descobriu que Dercy engravidou e, mesmo casado, decidiu assumir o filho fora do casamento e colocou Dercy em uma casa decente para se viver e ficou a ajudando nas despesas. Quando o bebê nasceu, Ademar registrou a criança e às vezes ia visitar Dercy e a neném. No entanto, não podiam morar juntos pelo fato dele ser casado e o romance deles ser secreto. Um dia, porém, não apareceu mais, o que fez Dercy sofrer muito, além de ter que criar a filha sozinha. Ela, então, voltou a trabalhar em teatro.

Especializando-se na comédia e no improviso, participou do auge do Teatro de Revista brasileiro, nos anos 1930 e 1940, estrelando algumas delas, como "Rei Momo na Guerra" (1943), de autoria de Freire Júnior e Assis Valente, na companhia do empresário Walter Pinto.

Na década de 1960 iniciou sua carreira-solo. Suas apresentações, em diversos teatros brasileiros, conquistavam um público cheio de moralismo. Nesses espetáculos, gradativamente introduziu um monólogo, no qual relatava fatos autobiográficos. Paralelamente a estas apresentações, atuou em diversos filmes do gênero chanchada e comédias nacionais.

Na televisão, chegou a ser a atriz mais bem paga da TV Excelsior em 1963, onde também conheceu o executivo José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. Depois passou para a TV Rio e já na TV Globo, convenceu Boni a trabalhar na emissora, junto de Walter Clark.

De 1966 a 1969 apresentou na TV Globo um programa de auditório de muito sucesso, "Dercy de Verdade", que acabou saindo do ar com a intensificação da censura no país após o AI-5.


No final dos anos 1980, quando a censura permitiu maior liberalismo na programação, Dercy Gonçalves passou a integrar corpos de jurados em programas populares, como em alguns apresentados por Silvio Santos, e até aparições em telenovelas da TV Globo. No SBT voltou a experimentar um programa próprio que, entretanto, teve curtíssima duração.

Sua carreira foi pautada no individualismo, tendo sofrido, já idosa, um desfalque nas economias por parte de um empresário inescrupuloso, o que a fez retomar a carreira, já octogenária.

Recebeu, em 1985, o Troféu Mambembe, numa categoria criada especificamente para homenageá-la: Melhor Personagem de Teatro.

Em 1991, foi enredo, "Bravíssimo - Dercy Gonçalves, o Retrato de um Povo", do desfile da Unidos do Viradouro, na primeira apresentação da escola no Grupo Especial das escolas de samba do Carnaval do Rio de Janeiro. Na ocasião, Dercy Gonçalves causou polêmica ao desfilar, no último carro, com os seios à mostra.

Sua biografia se intitula "Dercy de Cabo a Rabo" (1994), e foi escrita por Maria Adelaide Amaral.

"Dercy de Verdade" é o título dado à minissérie sobre a vida da atriz, que também foi escrita por Maria Adelaide Amaral e direção de Jorge Fernando. A minissérie estreou no dia 10/01/2012 e teve 4 capítulos.

Em 04/09/2006, aos 99 anos, recebeu o título de Cidadã Honorária da cidade de São Paulo, concedido pela câmara de vereadores desta capital.

Centenário

No dia 23/06/2007, Dercy Gonçalves completou 100 anos com uma festa na Praça Coronel Braz, no centro do município de Santa Maria Madalena, sua cidade natal, na região serrana do Rio de Janeiro.

Na festa, Dercy Gonçalves comeu bolo, levantou as pernas fazendo graça para os fotógrafos, falou palavrão e saudou o povo, que parou para acompanhar a comemoração. Embora oficialmente tenha completado 100 anos, Dercy Gonçalves afirmava que seu pai a registrou com dois anos de atraso, logo teria completado 102 anos de idade.

Foi este também o mês em que Dercy Gonçalves subiu pela última vez num palco: foi na comédia teatral "Pout-PourRir", espetáculo criado e dirigido pela dupla Afra Gomes e Leandro Goulart, onde comemorou "Cem Anos de Humor", com direito à festa, autógrafos de seu DVD biográfico e um teatro lotado por um público de fãs, celebridades e jornalistas.

À noite, inesquecível para quem estava presente, onde Dercy Gonçalves foi entrevistada por uma personagem interpretada pelo ator Luís Lobianco, ainda deixou para a história duas frases memoráveis. É perguntado à atriz se ela tem medo da morte, e Dercy Gonçalves, sempre de forma irreverente responde: "Não tenho medo da morte, a morte é linda... mas a vida também é muito boa!".

No fim, após cortar o bolo com as próprias mãos e atirar nos atores, diretores e plateia, faz o público emocionar-se ainda mais, dizendo: "Eu vou sentir falta de vocês. Mas vocês também vão sentir a minha!"
"Eu fiz 94, mas me digo que estou com 95 para me energizar e chegar lá. Escrevam o que eu digo: eu só vou morrer quando eu quiser! Não programo morte, eu programo vida!"
(Ao Completar 94 anos)

"A morte é linda... mas a vida também é muito boa!"
(Em cena pela última vez no espetáculo Pout-PourRir)

"Eu vou sentir falta de vocês. Mas vocês também vão sentir a minha."
(Para uma plateia lotada no espetáculo Pout-PourRir)

Morte

Dercy Gonçalves faleceu no dia 19/07/2008, aos 103 anos de idade, no Hospital São Lucas, em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro. Ela foi internada durante a madrugada e a causa da morte teria sido uma complicação decorrente de uma pneumonia comunitária grave que evoluiu para uma sepse pulmonar e insuficiência respiratória.

O Estado do Rio de Janeiro decretou luto oficial de três dias em memória à atriz.

Dercy Gonçalves encontra-se sepultada em sua terra natal em Santa Maria Madalena, RJ. Na mesma semana, Afra GomesLeandro Goulart e o elenco de "Pout-PourRir" prestaram, em cena, uma última homenagem à Dercy Gonçalves.
"Todas as manhãs, a solidão me deixa deprimida. Moro sozinha, tem três pessoas que se revezam para me acompanhar. Minha filha não mora comigo. Filho não gosta de mãe; é a mãe que gosta do filho. Eles crescem, ganham independência e passam a ter prioridades. Eu me animo no cair da tarde, às 16h mais ou menos. Luto para ter forças para sair. Aí me arrumo, vou pro bingo. Lá, sou muito bem tratada, ganho cartelas e me distraio. À noite, vou a festas, jantares, adoro comer. E volto pra casa, durmo feliz. Assim são meus dias, sem expectativa."
(Dercy, em um desabafo)

Fonte: Wikipédia

3 comentários:

  1. Dercy, Você deixa saudades! A sua alegria e criticas fazem falta em todo o Brasil!

    Parabéns ao meu marido Marcos Aurélio pelo lindo trabalho!

    Soraya

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  2. Cinco anos de Saudades desta Grande Atriz e humorista, que marcou sua carreira por varias decadas mesmo sendo desbocada.

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