Milton Carlos

MILTON TACINO FANTUCCI FILHO
(21 anos)
Cantor e Compositor

* São Paulo, SP (13/11/1954)
+ São Paulo, SP (21/10/1976)

Irmão da compositora Isolda e seu grande parceiro musical. Começou a interessar-se pela música, ainda criança, fazendo estórias e músicas para teatrinhos de bonecos com a irmã.

Atuou com a irmã, Isolda, como backing vocal.

Gravou seu primeiro disco em 1970, tendo como destaque as músicas "Desta Vez Te Perdi", "Tudo Parou", "Eu Vou Caminhar" e "Um Presente Para Ela", parcerias com Isolda.

Em 1973, gravou "Samba Quadrado" e "Você Precisa Saber das Coisas", também parcerias com a irmã. Nesse mesmo ano, teve a primeira de suas composições gravadas por Roberto Carlos, "Amigos, Amigos".

Dois anos depois, lançou novo LP que trazia algumas de sua composições com Isolda, entre as quais, "Amanhã é Outro Dia", "Foi Ela Um Tema de Amor", "Eu Juro Que Te Morreria Minha" e "Tele-rodovia".

Em 1976, Roberto Carlos emplacaria dois grandes sucessos de Milton Carlos e Isolda: "Pelo Avesso" e "Um Jeito Estúpido de Te Amar".

Nesse ano, 1976, o quarto LP de Milton Carlos foi lançado, trazendo novas composições suas com Isolda, como "Uma Valsa", "Por Favor" e "Último Samba-Canção".

Seu último LP foi lançado em 1977, com novas parcerias com a irmã, tais como "Enredo", "Ana Cláudia", "Maria de Tal" e "Saudade do Bexiga". Quando faleceu, fazia grande sucesso nas rádios com a regravação da marchinha "Dorinha Meu Amor", de J. Francisco de Freitas.

Morte

Milton Carlos faleceu no dia 21/10/1976 vítima de um acidente automobilístico, mas deixou vários marcos musicais em parceria com sua irmã Isolda como: "Jogo de Damas", "Elas Por Elas", "Um Jeito Estúpido de Te Amar" e "Pelo Avesso", conhecida na voz do Roberto Carlos.

Milton Carlos está sepultado no Cemitério Quarta Parada, Quadra 105, Terreno 104-B, em São Paulo, SP.

Uma Breve História
Por Bruno Negromonte

A década de 70 foi uma das mais profícuas para a Música Popular Brasileira em vários segmentos, foi a década que surgiu nomes como Belchior, Amelinha, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Ednardo, Zé Ramalho, Elba Ramalho, Djavan, isso para ficar só no Nordeste. Foi a década também que o já consagrado cantor e compositor Roberto Carlos entrou em definitivo para o hall dos grandes nomes da música mundial sendo eleito pelo povo brasileiro como o Rei de nossa música.

Enquanto no início da década o regime militar apertava o cerco contra artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque e tantos outros, alguns artistas ganhavam projeção nacional com músicas e letras que apesar de serem menos elaboradas, falavam daquilo que o povo vivenciava e aparentemente pouco eram análogas ao regime opressor da época. Além disso, diversos nomes surgiram nesse contexto musical encabeçado por artistas como Odair José, Waldick Soriano, Nelson Ned, Lindomar Castilho dentre outros. Surgiram também subgêneros musicais dentro do contexto existente como, por exemplo, o chamado "samba jóia" regido por Benito di Paula.

Dentro desse contexto de novos intérpretes e compositores em nossa música podemos destacar o nome do cantor e compositor Milton Carlos, que apesar de falecer precocemente foi um dos nomes mais representativos dessa década. Milton Carlos, assim como a sua irmã Isolda, começaram as suas respectivas carreiras ainda na adolescência, fazendo backing vocals. E embora muito jovens na época, eles já vinham sendo gravados por intérpretes como Antônio Marcos, Maria Creuza e a banda Os Incríveis no início dos anos 70. Mas, sem dúvida, foi a partir de 1973 depois de chegar à voz de Roberto Carlos que as canções dos irmãos Isolda e Milton Carlos ganharam projeção.

Milton Carlos vivia em um tempo, mas se identificando com outro, como expressou em composições como "1910", gravada pelos Incríveis, "Largo do Boticário", "Samba Quadrado" e "Memórias do Café Nice", gravadas por ele próprio.


"Milton sempre alugava meus tios perguntando como era São Paulo antigamente, como era o bairro do Bexiga, como era no tempo de vovô. Meus tios contavam, contavam e ele perguntava mais e mais!"
(Isolda)


Numa tarde de 1973, durante uma conversa no estúdio da RCA, Eduardo Araújo comentou com Milton Carlos que naquela semana iria à casa de Roberto Carlos mostrar-lhe uma composição que tinha feito para ele gravar. Milton Carlos então perguntou se Eduardo Araújo poderia levar também uma fita com uma composição dele com a irmã. "Mas o que eu vou ganhar com isso?", perguntou Eduardo Araújo, brincando. "Tudo que tenho é um fusca. Se Roberto Carlos gravar minha música, dou meu fusca pra você", prometeu Milton Carlos, que gravou numa fita sua composição "Amigos, Amigos".

Eduardo Araújo deixou as duas fitas com Roberto Carlos e foi passar uma temporada em sua fazenda em Minas Gerais. Na volta, ligou para o cantor:


- E aí, Roberto, vai gravar minha música ou não vai? - perguntou em tom descontraído.
- Dudu, sua música é bonita, mas acho que ela não é pra mim. Mas eu gostei daquela outra com uma mulher cantando - respondeu Roberto Carlos.
- Mulher cantando?
- É, bicho, aquela que fala de um cara apaixonado por uma amiga!
- Mas não é mulher, Roberto. É Milton Carlos, um rapaz que tem voz fina.

Não era falsete. Milton Carlos foi uma criança que não teve mudança de voz. Ele crescia, mas sua voz continuava infantil e com o tempo feminina. Era uma voz ímpar, bastante peculiar porque continha, além da beleza esfuziante, uma evidente androginia. E isso chamou a atenção das gravadoras, que logo o convidaram para gravar por volta de 1970. E o que podia ser uma coisa negativa se tornou positiva.

Depois de falar com Roberto Carlos, Eduardo Araújo telefonou para o autor de "Amigos, Amigos":

"Milton, você pode passar aqui em casa e deixar a chave do fusca porque Roberto Carlos vai gravar sua música!"

Milton Carlos ficou alguns segundos em silêncio, respirou fundo e perguntou:

"Isso não é brincadeira sua, não? Roberto Carlos vai mesmo gravar minha música?"

"Pra gente foi uma loucura, uma loucura. A gente não queria acreditar. E quando vimos a confirmação no jornal com a lista das músicas do novo disco de Roberto fizemos a maior comemoração. Chamamos os amigos, saímos, pagamos o chope para todo mundo."
(Isolda)

Outras canções da lavra dos irmãos Milton Carlos e Isolda, gravada por Roberto Carlos foram as canções "Um Jeito Estúpido De Te Amar" e "Pelo Avesso", música com um refrão de forte apelo popular:

"Eu quero seu amor a qualquer preço / quero que você me tenha até pelo avesso / pra me sentir envolvido em seus cabelos / faça de mim o que quiser / eu sou seu homem, minha mulher..."

Por via das dúvidas, Milton Carlos foi ao estúdio da RCA, gravou as duas canções numa fita e a enviou para o escritório de Roberto Carlos em São Paulo. Agora era torcer e esperar. Pois foi uma agradável surpresa para os autores saber, algumas semanas depois, que Roberto Carlos iria gravar não apenas uma, mas as duas canções em seu álbum de 1976. O cantor gostou muito de "Pelo Avesso" e ainda mais de "Um Jeito Estúpido De Te Amar", que se emocionou assim que ouviu a fita enviada por Milton Carlos. O compositor, aliás, defendia muito bem seus temas, cantando sempre com sentimento e segurança, o que por certo contribuía para a boa aceitação das suas músicas. Até hoje poucas vezes aconteceu isso na discografia de Roberto, autores de fora entrarem com mais de uma música num mesmo disco do cantor.

Ele morreu aos 22 anos, na noite de 21 de outubro de 1976, quando vinha de Jundiaí para São Paulo a bordo de seu Passat. Viajava em companhia de sua noiva, a também cantora Mariney Lima e do empresário Genildo de Oliveira. O acidente ocorreu num trecho da via Anhanguera quando o Passat do cantor tentou ultrapassar uma carreta Scania Vabis e bateu em um caminhão Chevrolet. Com o choque, o carro do cantor desgovernou-se e foi colhido pela carreta. Milton Carlos e sua noiva morreram na hora. O empresário Genildo Oliveira, que viajava no banco de trás, teve apenas ferimentos leves, o ajudante do motorista do caminhão, o jovem Mário Alves de Araújo, que desceu para socorrer as vítimas, foi atropelado na pista e também morreu no local.

Sem ainda ser informada da real dimensão do acidente, Isolda foi imediatamente para Jundiaí. Ao parar na porta do hospital, ela ligou o rádio do carro no momento em que Milton Carlos cantava a canção "Elas Por Elas". Logo depois, o locutor informava que o cantor e compositor Milton Carlos havia falecido naquela noite.

"Eu abri a porta do carro e corri feito uma louca para a entrada do hospital. Mas aí não sei o que aconteceu, não sei se desmaiei ou se me deram uma injeção, porque eu só acordei no carro do meu tio já chegando em casa!"

Mesmo sem o irmão e parceiro, Isolda continuou compondo suas canções para os cantores gravarem. E no ano seguinte entregou a Roberto Carlos uma música que se constituiria num dos maiores sucessos no Brasil, em todos os tempos: "Outra Vez". Se a Música Popular Brasileira é repleta de musas, a história dessa composição revela a existência de um raro "muso":


"Acho que minha vida se divide em antes e depois desse dia. Pensei em voltar a estudar, em tomar outro rumo, mas no meio dessa tempestade encontrei vários amigos que me abrigaram, emocionalmente e, mesmo sem perceber, continuei fazendo sozinha o que sempre fiz desde menina: brincar de fazer músicas. Desse momento em diante, sem mais o meu amigo para brincar comigo. Foi assim que fiz, numa madrugada, uma música desprovida de qualquer ambição futura, uma confidência sincera: 'Outra Vez'. Gravei essa canção numa fita entre outras e entreguei para Roberto Carlos." 
(Isolda - Cantora, compositora e irmã de Milton Carlos)


Obra Musical

  • Amanhã é Outro Dia (Com Isolda)
  • Ana Cláudia (Com Isolda)
  • Desta Vez Te Perdi (Com Isolda)
  • Enredo (Com Isolda)
  • Eu Juro Que Te Morreria Minha (Com Isolda)
  • Eu Vou Caminhar (Com Isolda)
  • Foi Ela Um Tema De Amor (Com Isolda)
  • Maria De Tal (Com Isolda)
  • Pelo Avesso (Com Isolda)
  • Samba Quadrado (Com Isolda)
  • Saudade Do Bexiga (Com Isolda)
  • Tele-Rodovia (Com Isolda)
  • Tudo Parou (Com Isolda)
  • Último Samba-Canção (Com Isolda)
  • Um Jeito Estúpido De Te Amar (Com Isolda)
  • Um Presente Para Ela (Com Isolda)
  • Uma Valsa, Por Favor (Com Isolda)
  • Você Precisa Saber Das Coisas (Com Isolda)


Discografia

  • 1977 - Milton Carlos (LP)
  • 1975 - Milton Carlos (LP)
  • 1973 - Milton Carlos (LP)
  • 1970 - Milton Carlos (LP)

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB e Musicaria Brasil
Contribuição Especial: Anderson Cesarini
#FamososQuePartiram #MiltonCarlos

8 comentários:

  1. Fãns de Milton Carlos

    No dia 06 de março/2011 a partir das 9:30 de manhã, a Valinhos Fm através o programa TRAjeTÓRIAS apresentado pelo radialista Vagner Boneto, apresenta um especial em homenagem ao cantor. Acesse www.valinhosfm.com.br
    e clique no rádio ao vivo

    ResponderExcluir
  2. Gostaria de parabenizar o radialista Vagner Boneto pelo excelente programa "Trajetórias" em homenagem a Milton Carlos. O programa foi transmitido pela rádio Valinhos FM no dia 06/03/2011 às 09:30hs. Acompanhei todo o programa e fiz a gravação do mesmo. Em breve estarei disponibilizando aqui para que todos possam apreciar.

    ResponderExcluir
  3. Eu tive a sorte de ve-lo ao vivo em STA RITA PASSA QUATRO, numa feira, pouco tempo antes do acidente.
    Contrasenso, e a musica que mais gosto dele..!!!
    J.ANTONIO

    ResponderExcluir
  4. ótimo cântor,ficou a saudades.

    ResponderExcluir
  5. Eu gosto muito das musicas de Milton Carlos muitas saudades.

    ResponderExcluir
  6. Foi Uma Pena partiu muito cedo não gozou nem vida mais ja tinha muito talento deixou varias perolas para nos as principais - em parceria com sua irmã Isolda como: "Jogo de Damas", "Elas Por Elas", "Um Jeito Estúpido de Te Amar" e "Pelo Avesso", conhecida na voz do Roberto Carlos. Nos deixou ha 36 anos.
    P

    ResponderExcluir
  7. Duas musicas do jovem Cantor e compositor Milton Carlos que lembro muito bem e traz recordações dos anos 70 foi (Memórias do cafe nice e o Largo do Boticário) foi uma morte prematura demais e com certeza a musica e a cultura brasileira ficou bem mais pobre

    ResponderExcluir
  8. Milton Carlos de suas musicas que mais lembro e traz recordações dos anos 70, foram "Memórias do Café nice " e Largo do boticário" partiu muito jovem, acho que oportunidade de conhecer bem o que a vida, mas deixou uma historia de Sucessos

    ResponderExcluir

Atenção!

Prezado amigo leitor, a partir desta data, 13/05/2019, não serão mais aceitos comentários anônimos. Portanto, não me responsabilizarei pelos comentários que alguém possa vir a fazer denegrindo a imagem de quem quer que seja e que esteja publicada neste blog.

Antes de fazer o seu comentário, se identifique e se responsabilize.

Desde já fico grato!