Glauce Rocha

GLAUCE ELDDÉ ARAÚJO ROCHA
(41 anos)
Atriz

* Campo Grande, MS (16/08/1930)
+ São Paulo, SP (12/10/1971)

A atriz Glauce Elddé Araújo Rocha, conhecida como Glauce Rocha, nasceu na capital do Mato Grosso do Sul. Segundo sua sobrinha, Leonora Rocha, essa data ainda é discutida: "Há uma história de que minha avó teria modificado a data de nascimento para que Glauce pudesse entrar mais cedo na escola".

Os pais de Glauce eram Leopoldino de Araújo Rocha e Edelweiss Ilgenfritz Rocha.

A mãe, gaúcha, foi criada em Campo Grande. O pai era soldado e viera de Alagoas ainda rapaz. Casaram-se e tiveram cinco filhos, dois homens e três mulheres, sendo Glauce a caçula.

Aos cinco anos, Glauce enfrentou uma tragédia que marcaria o resto de sua vida. Em visita a Bela Vista, no interior de Manto Grosso do Sul, em uma festa de batizado, o pai, tenente, foi assassinado. Os detalhes do episódio ficaram tão gravados na mente de Glauce que puderam ser perfeitamente reproduzidos por um de seus amigos mais próximos em relato a José Octávio Guizzo, advogado e pesquisador de Campo Grande, autor do livro "Glauce Rocha, Atriz, Mulher, Guerreira", certamente o estudo mais completo já publicado sobre a atriz.

Ainda menina foi enviada pela família para Minas Gerais, onde passou três anos estudando em colégio de freiras, em regime de semi-internato.

Em 1949, Glauce Rocha mudou-se para Porto Alegre, onde moravam seus avós maternos, para preparar-se para o vestibular. No Colégio Júlio de Castilhos, teve como colega de sala o futuro ator Walmor Chagas. No fim do ano, decidiu prestar o concurso no Rio de Janeiro.

Reprovada no vestibular, Glauce se inscreveu no Conservatório Nacional de Teatro. Lá, teve aulas com Ester Leão, Maria Clara Machado, Luísa Barreto Leite, dentre outros. Foi aí que se apaixonou definitivamente pela arte de interpretar.

Começou apresentando peças teatrais infantis. No início, entre 1950 e 1951, era uma das integrantes do grupo "Os Fabulosos". Sua primeira aparição profissional no teatro foi com a companhia de Alda Garrido, em 1952, no Rio de Janeiro, na peça "Madame Sans Gene". Um de seus colegas era o ator Milton Moraes, com quem se casou em 1952. Mas, logo se separaram.

Seu primeiro papel de destaque, já em 1953, foi ao lado de Alda Garrido em "Dona Xepa", de Pedro Bloch. Foi dirigida por Jaime Costa, em "É Agora Suzana", de Ladislau Fodor (1955). No ano seguinte, atuou sob a direção de Ziembinski, na temporada carioca de "Divórcio Para Três", de Victorien Sardou, originalmente montada pelo Teatro Brasileiro de Comédia em 1953.

Em 1957, atuou em duas peças de Eugene Ionesco, realizações de Luís de Lima: "A Lição" e "A Cantora Careca". Seu primeiro prêmio veio em 1958, com "Moral em Concordata", de Abílio Pereira de Almeida, com direção de Flaminio Bollini.

Durante dois anos atuou nos espetáculos do Teatro Nacional de Comédia, em que protagonizou "A Beata Maria do Egito" (1959), de Rachel de Queiroz, "As Três Irmãs" (1960), de Anton Pavlovich Tchekhov, como a personagem Olga e "Não Consultes Médico" (1960), de Machado de Assis, como Dona Leocádia.

Em 1960, atuou no Pequeno Teatro de Comédia como protagonista de "Doce Pássaro da Juventude", de Tennessee Williams, sob direção de Ademar Guerra - pelo qual recebeu o prêmio de melhor atriz da Associação Paulista de Críticos Teatrais - e em "Plantão 21", de Sidney Kingsley, com direção de Antunes Filho.

Participou de montagens do Grupo Decisão, com direção de Antônio Abujamra: "Terror e Miséria no III Reich" (1963), de Bertolt Brecht e "Electra" (1965), de Sófocles.

O crítico Yan Michalski observa, a respeito de seu desempenho na cena em que a protagonista trágica recebe a urna contendo as cinzas do irmão, que "a atriz atinge um nivel de inspiração excepcionalmente elevado e projeta sua emoção para a platéia com um impacto impressionante".

Em 1964, foi dirigida por Rubens Corrêa em "Além do Horizonte", de Eugene O'Neill, e "À Margem da Vida", de Tennessee Williams.

Para Glauce Rocha, o papel mais difícil que viveu foi o de GH, extraído do romance de Clarice Lispector, "A Paixão Segundo GH", no espetáculo "Perto do Coração Selvagem", primeira direção de Fauzi Arap, em 1965.

Em 1968, no Teatro Jovem, interpretou a protagonista de "Um Uísque Pra Rei Saul", de César Vieira, sob a direção de B. de Paiva, que lhe valeu o Prêmio Molière de melhor atriz.

Em 1969, atuou em "O Exercício", de Lewis John Carlino, com o mesmo diretor. Segundo o crítico Sábato Magaldi, um "magnífico desempenho", ao lado de Rubens de Falco, conquistando em São Paulo o Prêmio Governador do Estado.

No cinema, Glauce Rocha atuou em "Terra em Transe" (1967), "Navalha na Carne" (1969), "Um Homem Sem Importância" (1971), entre outros 25 filmes.

Segundo a crítica Mariângela Alves de Lima, Glauce Rocha atingiu, na interpretação da prostituta Neusa Sueli, em "Navalha na Carne", uma "singular construção reducionista", economizando na configuração do trágico:

"É incapaz de esboçar gestos à altura das violências que a atingem. O rosto, encoberto pelo cabelo em desalinho e a voz que não tem força para o grito, que, ao contrário, se reduz a um murmúrio quando o sofrimento se intensifica, reforçam a idéia de que há sempre um degrau mais baixo nesse calvário de humilhação. Glauce percorre, enfim, o caminho inverso ao da progressão dramática, retirando camadas de vitalidade da sua personagem até conduzi-la ao impressionante mutismo final"

Na televisão, Glauce Rocha participou de novelas na TV Globo, dentre as quais "A Última Valsa", "Véu de Noiva" e "Irmãos Coragem" e, na TV Tupi, fez "Hospital", seu último trabalho na TV.

Faleceu às 17:15hs do dia 12 de outubro de 1971, na Unidade Cardiológica da Alameda Santos, em São Paulo. Faleceu precocemente vítima de um Infarto Fulminante. Recebeu um Prêmio Molière póstumo, pelo conjunto de trabalhos.

Fonte: Itaú Cultural
#FamososQuePartiram #GlauceRocha

Um comentário:

  1. Glauce Rocha, foi das melhores atrizes brasileiras. Pena, ter falecido tão precocemente. Cheguei a assistir muitos ensaios de O Exercício. Eu acompanhava o diretor, B. de Paiva, que é meu irmão. Gostei muito, de sua biografia. Conheci também a sobrinha dela, Eleonora, que estava sempre ao lado da tia, nesta época (1970/71).

    Este seu blog, é maravilhoso!
    Um abraço,
    da Lúcia.

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