Sergio Rodrigues

SERGIO RODRIGUES
(86 anos)
Arquiteto e Designer

* Rio de Janeiro, RJ(1927)
+ Rio de Janeiro, RJ (01/09/2014)

Sergio Rodrigues arquiteto e designer de móveis, ingressou em 1947 na Faculdade Nacional de Arquitetura (FNA) da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro.

Em 1949, atuou como professor assistente de David Xavier de Azambuja, que, em 1951, o convidou a participar da elaboração do projeto do Centro Cívico de Curitiba, com os arquitetos Olavo Redig de Campos e Flávio Regis do Nascimento, por intermédio de quem, conhece Lúcio Costa.

Sergio Rodrigues formou-se em arquitetura em 1951. Transferiu-se para Curitiba, onde criou a Móveis Artesanal Paranaense, em sociedade com os irmãos Hauner, que em 1954 contratam-no para comandar o setor de criação de arquitetura de interiores de sua nova empresa, a Forma S.A., em São Paulo. Nesse período, entrou em contato com a produção de diversos designers europeus, conheceu Gregori Warchavchik e Lina Bo Bardi.

Em 1955, pediu demissão da Forma S.A., e voltou ao Rio de Janeiro. Alimentou a idéia de criar um espaço de produção e comercialização do design brasileiro, que se concretizou com a abertura da Oca, em 1955.

Criou na década de 50 a Poltrona Mole, Cadeira Lúcio Costa e Poltrona Oscar Niemeyer.

"De fato, nesse momento ele fez coexistir o Brasil-brasileiro com o Brasil-de-Ipanema, cantada mais tarde, em 1962, por Tom Jobim e Vinicius de Morais na célebre 'Garota de Ipanema'"
(Oscar Niemeyer)


De 1959 a 1960, fez os primeiros estudos do SR2 (Sistema de Industrialização de Elementos Modulados Pré-Fabricados Para Construção de Arquitetura Habitacional em Madeira). Os protótipos das construções são expostos no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ). O sistema foi utilizado na construção do Iate Clube de Brasília e de dois pavilhões de hospedagem e restaurante da Universidade de Brasília (UNB) em 1962.

Com uma variação da Poltrona Mole, recebeu o primeiro prêmio no Concorso Internazionale Del Mobile (Concurso Internacional do Móvel), em 1961, em Cantù, na Itália, escolhido entre mais de 400 convidados de 35 países. Tal premiação deu projeção internacional a sua carreira como designer de móveis. Produzida na Itália pela ISA, a poltrona foi exportada para vários países com o nome de Sheriff.

Com o objetivo de comercializar móveis produzidos em série a preços acessíveis, criou em 1963 a empresa Meia-Pataca, que se manteve no mercado até 1968. Nesse ano, vendeu a Oca e montou ateliê no Rio de Janeiro, onde trabalhou com arquitetura de interiores para residências, escritórios e hotéis e realizou projetos para o Banco Central em Brasília e a sede da Editora Bloch, no Rio de Janeiro, além de desenvolver linhas de móveis para produção industrial. Participou da exposição Mobiliário Brasileiro - Premissas e Realidade, no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP).

Recebeu o Prêmio Lapiz de Plata na Bienal de Arquitetura de Buenos Aires pelo conjunto de sua obra, em 1987. Participou com Lúcio Costa e Zanine Caldas da Mostra Brasile 93 - La Costruzione de Una Identità Culturale (Brasil 93 - A Construção de uma Identidade Cultural), em Brescia, Itália.

Apresentou em 1991, na exposição Falando de Cadeira no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ), diversos trabalhos realizados desde os anos 50.

Obteve em 2006, o 1º lugar na categoria mobiliário na 20ª edição do Prêmio Design do Museu da Casa Brasileira, em São Paulo, com a Poltrona Diz.

Comentário Crítico

Um dos mais importantes designers de móveis do Brasil, ao lado de nomes como Joaquim Tenreiro e Zanine Caldas, Sergio Rodrigues tem um papel decisivo na história do mobiliário brasileiro. Autor de vasta obra, iniciou a carreira como designer na década de 50, no Rio de Janeiro, período de consolidação da arquitetura moderna. Em expressa crítica ao ecletismo, desenvolveu móveis condizentes com os novos espaços da arquitetura.

São de 1956 duas criações bastante conhecidas, a Cadeira CD-7 ou Lúcio Costa, de madeira maciça torneada e assento em palhinha - assim apelidada em homenagem ao arquiteto, grande incentivador do trabalho de Sergio Rodrigues - e a Poltrona PL-7Jockey ou Oscar Niemeyer, com estrutura de madeira e trançado de palhinha, braços esculpidos como peças únicas, com desenho anatômico, solução construtiva considerada autenticamente brasileira por Lúcio Costa, embora possam ser percebidas semelhanças com certos trabalhos do arquiteto e designer dinamarquês Finn Juhl.

Num período em que os critérios de nacionalidade e originalidade pautam os julgamentos estéticos na arquitetura e nas artes visuais, diversos comentadores das realizações de Sergio Rodrigues, entre eles Lúcio Costa, difundem uma interpretação de seu trabalho como exemplar da singularidade brasileira.

Sua criação mais famosa é a Poltrona Mole, de 1957. Confortável e robusta, é considerada um símbolo do design nacional. Tal viés de brasilidade é reforçado pelo comentário do relatório do concurso em Cantù, em 1961, que justifica o 1º prêmio dado à peça pelos critérios de modernidade e expressão de regionalidade. O desejo de conceber um móvel que expressasse a identidade nacional é professado pelo próprio autor e enfatizado por vários comentadores e estudiosos, que associam a poltrona a um modo brasileiro de sentar, a idéias como preguiça e relaxamento, e enfatizam a sintonia dos móveis de Sergio Rodrigues com a descontração, informalidade e contestação de um novo estilo de vida da juventude dos anos 60. Consideram-na uma originalidade, embora a Poltrona Mole remeta a criações como a 670, de Charles Eames. De fato, o móvel contrasta com os padrões da época, dos delgados pés palitos, trazendo a grossura e a robustez da estrutura de madeira torneada, com correias de couro que formam uma cesta para receber os almofadões, também de couro, o que possibilita ao usuário moldar o corpo anatomicamente ao sentar-se. A poltrona, que integra o acervo do Museum Of Modern Art (MoMA) de New York, é até hoje um sucesso de vendas.


Sergio Rodrigues recebeu em 1958 um convite para elaborar peças do mobiliário para o edifício do Congresso Nacional, em Brasília, então em construção. Para a sala de espera, projetou a Poltrona PO-3, que recebeu mais tarde o nome de Beto, com estrutura de aço cromado e braço de madeira de lei, assento e encosto de espuma. Produziu, em 1960, a mesa que ficou conhecida como Itamaraty, para o Ministério das Relações Exteriores de Brasília, projeto de Oscar Niemeyer. Com pequenas variações, o mobiliário foi usado na Embaixada do Brasil em Roma.

"Naquela época, no início de Brasília, não se tinha tempo de pensar em desenhar móvel nenhum. Nós usamos móveis correntes no mercado, selecionando como o Palácio exigia. O principal designer a quem solicitei móveis foi Sergio Rodrigues."
(Lúcio Costa)

A convite de Darcy Ribeiro, então reitor da Universidade de Brasília (UNB), criou em 1962 os assentos do Auditório dos Candangos, projetado pelo arquiteto Alcides da Rocha Miranda, para o que encontrou uma criativa solução construtiva: o uso de balancins, que conferiram mais conforto e facilitam a passagem de transeuntes. De concepção semelhante é a poltrona criada em 1965 para o auditório do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB/DF), de Brasília, menção honrosa no concurso do IAB naquele ano, utilizada em vários auditórios brasileiros, como o Anhembi e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), em São Paulo.

Outra poltrona célebre é a Tonico, criada em 1963 para a empresa Meia-Pataca, com almofada roliça para apoio do pescoço, sustentado por cintas reguláveis.

De 1973 é a Poltrona Leve Kilin PL-104, de madeira maciça e assento e encosto de lona ou couro, premiada pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) em 1975.


Na década de 80, elaborou projetos para hotéis, como a cadeira DAAV e a Poltrona Júlia.

Nos anos 90 continuou a desenhar móveis, como as cadeiras Chico e Adolpho, feitas para a sala de reuniões da Editora Bloch.

A irreverência que marcava seus projetos o acompanhou ao longo de mais de 50 anos de carreira ininterrupta, notada em projetos, como a espreguiçadeira Nina, de 1992, cujo desenho remete a uma caravela de Pedro Álvares Cabral, na qual ressalta a busca pelo conforto do repouso, com direito a um apoio para livros.

O exame de sua vasta produção de mobiliário permite perceber a preferência pela madeira como material principal, utilizada muitas vezes combinada com o couro ou a palhinha, outras com estofados de tecidos de fibras naturais, como o algodão e a lona e, em menor freqüência, com metal. Vale ressaltar, além do caráter inovador das peças produzidas para a Oca, a importância dessa empresa para o desenvolvimento da indústria de móveis modernos no Brasil, por sua contribuição na difusão do design brasileiro e sua aceitação no mercado. Criada em 1955 como um estúdio de arquitetura de interiores, e galeria de arte, a Oca surgiu estimulada pela excelente fase por que passava a arquitetura nacional.

De sua atuação como arquiteto, relativamente obliterada pela notoriedade como designer de móveis, destaca-se a idealização do SR2 (Sistema de Industrialização de Elementos Modulados Pré-Fabricados Para Construção de Arquitetura Habitacional em Madeira). Na década de 1960, foram produzidas e montadas centenas de unidades, muitas delas na floresta amazônica, entre casas, conjuntos habitacionais, pousadas, clubes, restaurantes e postos ambulatoriais.

"O móvel não é só a figura, a peça, não é só o material de que esta peça é composta, e sim alguma coisa que tem dentro dela. É o espírito da peça. É o espírito brasileiro. É o móvel brasileiro."
(Sergio Rodrigues)

Morte

Sergio Rodrigues morreu na manhã de segunda-feira, 01/09/2014, aos 86 anos. Segundo funcionários de seu escritório, a morte foi em casa, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, vítima de insuficiência hepática. Sergio Rodrigues já estava sendo submetido a tratamento por complicações no fígado, mas não resistiu. Ele será cremado no Cemitério Memorial do Carmo, no Caju, na quarta-feira, 03/09/2014. Sergio Rodrigues deixa mulher, Vera Beatriz, três filhos, além de netos e bisnetos.

A morte do designer foi lamentada pela presidente Dilma Rousseff. Em nota, ela disse:

"Rodrigues elevou o designer do nosso mobiliário aos mais altos padrões de criatividade e qualidade internacionais, sem perder um profundo toque de brasilidade. Sua morte entristece a todos. Meus sentimentos a sua família, amigos e admiradores."

Cronologia

  • 1952 - Se formou na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo na Universidade Federal do Rio de Janeiro.
  • 1953 - Formou juntamento com os imãos Hauner a primeira loja de arte e móveis modernos em Curitiba a Móveis Artesanal Paranaense.
  • 1954 - É contratado para trabalhar na loja de móveis Forma S.A. desenvolvendo projetos de móveis modernos.
  • 1955 - Fundou a Indústria Oca, um dos estúdios de arquitetura de interiores e cenografia mais importantes para a indústria do mobiliário brasileiro expondo mais de mil criações de móveis ao longo dos anos, onde ficou até 1968.
  • 1961 - Ganhou o primeiro prêmio no Concurso Internacional do Móvel, na Itália.
  • 1968 - Montou seu próprio ateliê no Rio de Janeiro de design de móveis e arquitetura onde realizou vários projetos nacionais e internacionais como a Embaixada do Brasil em Roma, o Palácio dos Arcos e o Teatro Nacional de Brasília.
  • 1973 - Montou a empresa Sérgio Rodrigues Arquitetura no Rio de Janeiro produzindo linhas de móveis e projetos de arquitetura e ambientação de hotéis, residências e escritórios, além de sistemas de casas pré-fabricadas. A empresa funciona até hoje no bairro de Botafogo.


Móveis Mais Famosos

  • 1956 - Cadeira Oscar
  • 1957 - Poltrona Mole
  • 1962 - Poltrona Aspas "chifruda"
  • 1973 - Poltrona Killin
  • 1997 - Banco Sônia
  • 2001 - Poltrona Diz


Indicação: Miguel Sampaio