Ruy Maurity

RUY MAURITY DE PAULA AFONSO
(72 anos)
Cantor e Compositor

☼ Paraíba do Sul, RJ (12/12/1949)
┼ Rio de Janeiro, RJ (01/04/2022)

Rui Maurity de Paula Afonso, ou simplesmente Ruy Maurity, foi um cantor e compositor nascido em Paraíba do Sul, RJ, no dia 12/12/1949.

Sua mãe, Iolanda Maurity Santos, foi a primeira violinista a integrar a Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, e seu irmão é o pianista Antônio AdolfoRuy Maurity aprendeu sozinho a tocar violão.

Em 1970, venceu o III Festival Universitário do Rio de Janeiro com a música "Dia Cinco", que compôs junto com José Jorge. No mesmo ano, gravou seu primeiro LP, "Este é Rui Maurity", pela gravadora EMI-Odeon.

Ruy Maurity alcançou projeção nacional no período em que fez discos pela gravadora Som Livre, lançando músicas geralmente compostas com o parceiro José Jorge.


Da obra autoral registrada nessa companhia fonográfica, duas músicas da parceria de Ruy Maurity com José Jorge fizeram sucesso nacional naquela áurea década de 1970. Em 1971 o Brasil cantou a trágica saga ruralista de "Serafim e Seus Filhos", música de realismo fantástico incluída no repertório do álbum "Em Busca do Ouro" (1972), assinado por Ruy Maurity & Trio, e "Nem Ouro, Nem Prata", samba que deu título ao quarto álbum do artista, lançado em 1976 com regravação (de levada mais ágil e menos sedutora) de "Serafim e Seus Filhos" no repertório.

Lançou o disco "Safra 74", que teve algumas de suas músicas incluídas nas trilhas sonoras das novelas "Escalada" (1975) e "Fogo Sobre Terra" (1975), da TV Globo.

Em 1976 e 1977, lançou, respectivamente, os LPs "Nem Ouro Nem prata" e "Ganga Brasil", que inclui a gravação do tema principal da novela "Dona Xepa" (1977), da TV Globo.


Em 1978, gravou o disco "Bananeira Mangará". Com o tempo foi caracterizando cada vez mais a sua carreira com os temas e músicas regionais.

Na década de 1980, gravou os discos "Natureza" (1980) e "A Viola no Peito" (1984).

Ruy Maurity tem uma de suas músicas lembrada todo ano, no réveillon, "Marcas do Que Se Foi". Realizou, ainda, inúmeros shows em diversas cidades brasileiras.

Em 1998, lançou o CD "De Coração", distribuído atualmente pela Kuarup, no qual interpreta diversas parcerias com José Jorge.

Ruy Maurity era casado com Suzana Waldeck de Paula Afonso, e tem três filhos:  Alexandre e os gêmeos Marco Antônio e Mariana.

Morte

Ruy Maurity faleceu na sexta-feira, 01/04/2022, aos 72 anos, vítima de falência múltipla dos órgãos, no Rio de Janeiro, RJ.

Desde 17/03/2022, estava em coma em decorrência de duas paradas cardíacas sofridas após se submeter a um exame de endoscopia.

Fonte: Wikipédia
#FamososQuePartiram #RuyMaurity

Newton Cruz

NEWTON ARAÚJO DE OLIVEIRA E CRUZ
(97 anos)
Militar

☼ Rio de Janeiro, RJ (24/10/1924)
┼ Rio de Janeiro, RJ (15/04/2022)

Newton Araújo de Oliveira e Cruz foi um general de divisão reformado do Exército Brasileiro, notado por sua participação nos serviços de repressão da Ditadura Militar no Brasil entre 1964 e 1985, nascido no Rio de Janeiro, RJ, no dia 30/10/1924.

Filho de Sebastião Claudino de Oliveira e Cruz, sentou praça em março de 1941, oriundo da arma de artilharia, sendo declarado aspirante-a-oficial em janeiro de 1944. Em abril do mesmo ano, foi promovido a segundo-tenente e a primeiro-tenente em junho do ano seguinte.

Em março de 1946 iniciou curso na Escola de Artilharia da Costa (EAC). Após concluí-lo, em junho de 1947 foi nomeado auxiliar de instrutor da Escola de Artilharia da Costa (EAC).

Em janeiro de 1949, foi promovido a capitão e nomeado instrutor desta mesma escola.

Entre janeiro e dezembro de 1951, cursou a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO). Em seguida, comandou o Forte Tamandaré até fevereiro de 1954, quando iniciou curso na Escola de Estado-Maior, encerrando-o em dezembro de 1956.

Em julho de 1958, foi designado para o I Exército, guarnição da Capital Federal, como comandante da 1ª Seção.

Em fevereiro de 1960, foi nomeado instrutor da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO), onde permaneceu até fevereiro de 1962, quando foi exonerado para assumir o comando da 3ª Seção do I Exército.

Em março de 1963, foi nomeado instrutor da Escola e Comando do Estado-Maior do Exército (ECEME), e em agosto promovido a tenente-coronel. Permaneceu um ano como instrutor da Escola e Comando do Estado-Maior do Exército (ECEME), sendo exonerado em março de 1964, por ter sido nomeado para servir no Conselho de Segurança Nacional (CSN), como adjunto do Serviço Federal de Informação e Contra-Informação. Em setembro foi dispensado desse órgão e designado para adjunto do Serviço Nacional de Informações (SNI).


Após deixar o Serviço Nacional de Informações (SNI) em maio de 1967, ficou à disposição do Estado-Maior do Exército (EME). Em dezembro recebeu a patente de coronel.

Em março de 1968, foi matriculado no curso de Estado-Maior e Comando das Forças Armadas da Escola Superior de Guerra (ESG), terminando-o em dezembro do mesmo ano.

Em janeiro de 1969, foi nomeado comandante do Regimento Floriano (1º RO-105), na Vila Militar, no Estado da Guanabara.

Adido das forças armadas junto à embaixada do Brasil na Bolívia de novembro de 1970 a fevereiro de 1973, foi então nomeado diretor de Assuntos Especiais, Educação Física e Desportos. Permaneceu como chefe desse gabinete até março de 1974, quando novamente ficou lotado no Serviço Nacional de Informações (SNI).

Em fevereiro de 1975, foi nomeado chefe do gabinete desse órgão. Promovido a general-de-brigada em abril de 1976, foi nomeado comandante da Artilharia Divisionária - 4ª DE, Pouso Alegre (MG). Deixou o regimento de cavalaria que comandava em Minas Gerais em setembro de 1977, sendo nomeado para exercer o cargo de chefe da Agência Central do Serviço Nacional de Informações (SNI).

Em 1981 recebeu a patente de general-de-divisão.

Em 1983, Newton Cruz viu-se envolvido no rumoroso caso do assassinato do jornalista Alexandre von Baumgarten, ex-diretor da extinta revista O Cruzeiro. O chamado Caso Baumgarten teve início na madrugada do dia 13/10/1982, quando o jornalista e sua mulher, Jeannete Hansen, foram sequestrados, por volta das 4h00, no cais de embarque da praça XV de Novembro, no Rio de Janeiro, onde foram obrigados a entrar numa traineira, de propriedade de Manuel Augusto Pires, e levados para local ignorado.

No dia 15/10/1982, o barqueiro foi executado em Teresópolis, RJ, e a mulher de Alexandre von Baumgarten foi morta dias depois. O corpo do jornalista apareceu semanas depois numa praia do Recreio dos Bandeirantes, RJ, com marcas de tiros, embora o laudo do Instituto Médico Legal (IML) tenha informado que a morte fora causada por afogamento.


Em janeiro de 1983, a revista Veja publicou um dossiê preparado por Alexandre von Baumgarten, no qual este acusava Newton Cruz de ser o principal interessado em sua morte, após o fracasso das negociações entre O Cruzeiro e o Serviço Nacional de Informações (SNI), que repassara uma verba secreta para a revista com o objetivo de promover a imagem do Governo. No dossiê, o jornalista revelava ter estado com Newton Cruz para obter verbas para a revista, da qual era diretor. Ele dizia nas primeiras linhas:
"A esta altura já deve ter sido decidida minha eliminação. A minha dúvida é se foi pelo chefe da Agência Central do SNI (Newton Cruz) ou pelo titular (Otávio Medeiros)."
(Alexandre von Baumgarten)

Em agosto de 1983, Newton Cruz deixou a chefia da Agência Central do Serviço Nacional de Informações (SNI) e nesse mesmo mês, assumiu o Comando Militar do Planalto (CMP) e a 11ª Região Militar, em substituição ao general-de-exército Adhemar da Costa Machado.

Durante o tempo em que Newton Cruz exerceu esse cargo, em duas ocasiões Brasília foi submetida a medidas de emergência: Entre outubro e dezembro de 1983, quando o Governo militarizou a Capital Federal sob o argumento de que era necessário dar segurança ao Congresso Nacional durante a votação da nova lei salarial, e em abril de 1984, quando os congressistas votaram a emenda Dante de Oliveira, que propunha a realização de eleições diretas em novembro daquele ano.

Diversos incidentes ocorreram enquanto o Comando Militar do Planalto (CMP) esteve sob sua responsabilidade. No dia 24/10/1983, por determinação sua, a polícia do Distrito Federal teria interditado e invadido a sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF), apreendendo algumas fitas e papéis a pretexto de que ali seria realizada uma manifestação contrária ao regime militar. Mais tarde, essa informação seria desmentida pelo próprio Newton Cruz. Em 17/12/1983, as medidas deixaram de vigorar, mas no mesmo dia aconteceu um segundo incidente, envolvendo Newton Cruz e o repórter de rádio Honório Dantas. Durante uma entrevista coletiva sobre o fim das medidas de emergência, Newton Cruz irritou-se com as perguntas do jornalista e mandou-o desligar o gravador. O repórter obedeceu, mas retirou-se do recinto, comentando, em voz baixa, sobre o empurrão que havia levado do general. Ao ouvir os comentários, Newton Cruz, chamou o repórter de moleque e obrigou-o a pedir desculpas, torcendo-lhe o braço. Já em abril de 1984, quando da votação da emenda Dante de Oliveira, novamente como executor das medidas de emergência, o general Newton Cruz, irritado por estar sendo fotografado durante um atrito com estudantes, sacou o revólver e encostou-o na barriga de um fotógrafo.

Esses acontecimentos, principalmente a ordem de interdição da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF), deixaram os militares insatisfeitos com Newton Cruz. Os ministros do Exército, general Valter Pires, da Aeronáutica, brigadeiro Délio Jardim de Mattos, e da Marinha, almirante Maximiano Eduardo da Silva Fonseca, pediram ao presidente da República, general João Batista Figueiredo, a substituição do general na função de executor das medidas de emergência.

Newton Cruz  e Ivan de Souza Mendes
Em novembro de 1984, Newton Cruz foi exonerado do Comando Militar do Planalto (CMP), sendo substituído pelo general Mário Orlando Sampaio Ribeiro, e nomeado vice-chefe do Departamento Geral do Pessoal (DGP), cargo que o afastou do comando de tropa e também da privilegiada condição de participante das reuniões do alto comando do Exército.

Em março de 1985, o ministro do Exército general Leônidas Pires Gonçalves entregou ao presidente José Sarney - vice-presidente em exercício e primeiro civil a exercer a chefia do Executivo Federal desde abril de 1964 -, a lista votada pelo alto comando do Exército que continha o nome de sete generais-de-divisão, candidatos às três vagas de general-de-exército existentes. Newton Cruz deveria ser o quinto dessa lista, mas seu nome foi excluído em votação unânime. No mesmo mês, Newton Cruz deu entrada no pedido de transferência para a reserva. Decidido a ingressar na vida política, em maio de 1985 filiou-se ao Partido Democrático Social (PDS), agremiação governista.

Em agosto de 1986, o promotor Murilo Bernardes Miguel entrou com denúncia contra Newton Cruz, acusando-o de ter participado do assassinato do jornalista Alexandre von Baumgarten, de sua mulher e do barqueiro Manuel Pires e encaminhou ao juiz Carlos Augusto Lopes Filho o requerimento para que a Secretaria de Polícia Civil do Rio de Janeiro prosseguisse as investigações sobre o caso.

O caso teve como principal testemunha o bailarino Cláudio Verner Polila, que garantiu ter visto Newton Cruz na praça XV de Novembro, na madrugada do sequestro. Em setembro, os advogados de Newton Cruz entraram com um pedido de habeas-corpus, visando obter o trancamento da ação penal, cuja denúncia, segundo o criminalista Clóvis Saione, estava fundamentada unicamente no depoimento de uma testemunha considerada incapaz. Segundo o advogado, Cláudio Verner Polila tinha problemas mentais. Os desembargadores da 4ª Câmara votaram contra o habeas-corpus, acatando o parecer do procurador Rafael Carneiro, que afirmara que a denúncia estava bastante detalhada e fundamentada e que o depoimento de Cláudio Verner Polila tinha sido válido, pois não existia nenhum laudo sobre sua sanidade mental no processo.

No pleito de novembro de 1986, Newton Cruz candidatou-se a uma cadeira de deputado federal constituinte pelo Rio de Janeiro, pelo Partido Democrático Social (PDS), não logrando êxito.

Em dezembro de 1987, o juiz Carlos Augusto Lopes Filho apresentou a sentença de pronúncia do Caso Baumgarten, o que levou os acusados - o general Newton Cruz e o agente do Serviço Nacional de Informações (SNI) Mozart Belo e Silva - a julgamento pelo Tribunal do Júri, por homicídio, sequestro, cárcere privado e ocultação de cadáver do jornalista Alexandre von Baumgarten, de sua mulher e do barqueiro. Os advogados dos acusados alegaram que o Tribunal do Júri era incompetente para julgar o caso, e que o processo deveria ser remetido para a Justiça Militar. Essa tese não foi aceita pelo juiz, que declarou terem os delitos ocorrido a partir de divergências surgidas em operações comerciais, de natureza civil, e não em missão militar. Embora os acusados fossem militares, isto não lhes outorgava o direito de serem julgados pela Justiça Militar.


Em maio de 1990, o ministro do Exército general Carlos Tinoco Ribeiro Gomes puniu com dez dias de prisão Newton Cruz, e com uma advertência o general, também da reserva, Euclides Figueiredo, em virtude de declarações à imprensa contra o presidente Fernando Collor de Melo. Newton Cruz declarou que "um estadista que só tivesse uma bala na agulha deveria usá-la na cabeça!". Esta foi a segunda vez que o general ocupou as celas do Comando Militar do Planalto (CMP), pois no ano anterior passou três dias preso no mesmo local, por ter ofendido o então ministro do Exército, general Leônidas Pires Gonçalves.

Em julho de 1992, depois de 30 horas de julgamento, os jurados do I Tribunal do Júri absolveram, por sete votos a zero, Newton Cruz e Mozart Belo e Silva, da acusação de terem matado o jornalista Alexandre von Baumgarten, sua mulher e o barqueiro.

Por longo tempo, Newton Cruz foi relacionado ao atentado a bomba do Riocentro, ocorrido em 30/04/1981. Sobre esse atentado, Newton Cruz afirmou que o grupo de militares envolvidos atuou de modo independente com o objetivo de soltar a bomba nas imediações do evento, e que o atentado não teve a intenção de matar ninguém, teria sido apenas um ato de presença.

Em entrevista para o canal de televisão por assinatura Globo News, Newton Cruz disse que impediu um outro atentado, planejado na sequência do Atentado do Riocentro, extrapolando as funções de seu cargo.

Em maio de 2014, Newton Cruz foi denunciado, juntamente com quatro oficiais da reserva do Exército e outros dois réus, por crimes no atentado a bomba no Riocentro, em 1981. Contudo, em julho de 2014 recebeu habeas corpus emitido pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região, por este ter considerado que o crime já estaria prescrito.

Newton Cruz voltou a se candidatar no pleito de outubro de 1994, dessa feita ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, na legenda do Partido Social Democrático (PSD), em coligação com o Partido Progressista Reformador (PPR), agremiação resultante da fusão do Partido Democrático Social (PDS) com o Partido Democrata Cristão (PDC) em abril de 1993.

Sua candidatura provocou resistências no Partido Progressista Reformador (PPR), destacando-se a dos deputados federais Sandra Cavalcanti e Amaral Netto. O general, que contou com o apoio do ex-presidente João Baptista Figueiredo, anunciou durante a campanha que uma de suas principais metas seria o de acabar com os bandidos do Rio de Janeiro em apenas três meses. Para isso, contaria com a ajuda do Exército e criaria o Serviço Estadual de Informações.


Em setembro, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) suspendeu o programa de Newton Cruz na televisão, por utilização de recursos proibidos na veiculação do boneco de duas cabeças "Garocelo", que se referia aos candidatos Anthony Garotinho, do Partido Democrático Trabalhista (PDT) e Marcelo Alencar, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). No pleito de outubro, Newton Cruz ficou em terceiro lugar, atrás do vencedor Marcelo Alencar e de Anthony Garotinho.

Em março de 1995, Newton Cruz, que chegou a declarar que abandonaria a vida pública, resolveu disputar a prefeitura do Rio de Janeiro no pleito de outubro do ano seguinte.

Em junho de 1996, Cláudio Verner Polila foi encontrado morto com três tiros e com o rosto desfigurado, em Caxias, RJ. A família do bailarino declarou que ele sofreu vários atentados e que dizia sempre que eram a mando do general Newton Cruz.

Newton Cruz ameaçou processar a irmã do bailarino, Cleide Verner, por danos morais. Apesar de ter citado suas suspeitas em relação ao general, Cleide Verner preferiu não inseri-las em seu depoimento à polícia.

No mês seguinte, após quase um ano de campanha, Newton Cruz teve sua candidatura retirada pelo Partido Social Democrático (PSD), que decidiu apoiar o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). O presidente regional do Partido Social Democrático (PSD), Ademar Furtado, alegou que o general não tinha chances de ganhar e que por ser um partido com forte poder de barganha junto ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), poderia transferir os votos do general para o candidato Sérgio Cabral Filho. Após ser comunicado da decisão do partido através de carta, o general disse que apoiaria o candidato do Partido da Frente Liberal (PFL), Luís Paulo Conde.

Em fevereiro de 1997, em uma cerimônia que contou com a presença de deputados, vereadores e do ministro da Indústria e Comércio Francisco Dornelles, o general Newton Cruz assinou a ficha de filiação ao Partido Progressista Brasileiro (PPB), agremiação resultante da fusão do Partido Progressista Reformador (PPR) com o Partido Progressista (PP) em agosto de 1995. Por esta legenda, Newton Cruz se candidatou à Câmara dos Deputados em outubro de 1998, mas novamente não obteve êxito.

Newton Cruz disse em entrevista que em 1985, o então candidato indireto à presidência do Brasil, Paulo Maluf, foi a sua casa para uma conversa. Começou falando que o certo era impedir a posse de Tancredo Neves e pediu efetivamente a morte de seu adversário político, imaginando que fosse um assassino. Paulo Maluf negou, e processou Newton Cruz.

Newton Cruz foi casado com com Leni da Costa Raimundo, com quem teve quatro filhos.

Morte

Newton Cruz faleceu na sexta-feira, 15/04/2022, aos 97 anos, de causas naturais, no Hospital Central do Exército, em Benfica, na Zona Norte do Rio de Janeiro, RJ, onde estava internado.

#FamososQuePartiram #NewtonCruz

Amândio Silva Filho

ANTÔNIO AMÂNDIO ALVES DA SILVA FILHO
(66 anos)
Ator e Humorista

☼ Belém, PA (25/11/1926)
┼ Rio de Janeiro, RJ (03/06/1993)

Antônio Amândio Alves da Silva Filho, conhecido artisticamente como Amândio Silva Filho ou somente Amândio, foi um ator cômico, ativo entre os anos 1950 e 1980, nascido em Belém, PA, no dia 25/11/1926.

Amândio, aos dois anos de idade mudou-se para o Rio Grande do Sul. Quando jovem, estudou no Teatro do Estudante do Rio Grande do Sul. Paralelamente, trabalhou como locutor na Rádio Farroupilha e como redator do Diário de Notícias de Porto Alegre, chegando, inclusive, a ser crítico de arte.

No início dos anos 1950, a convite do diretor teatral Luís Tito, mudou-se para São Paulo onde foi apresentado a Júlio Gouveia, então produtor da TV Tupi. Estreou na televisão fazendo o programa infantil comandado por Vera Nunes, atuando ao lado de Heleninha Silveira, Guilherme Corrêa e Lires Castelani.

Verinha Darcy e Amândio Silva Filho
No teatro, participou da companhia de Maria Della Costa e logo em seguida atuou no teatro de revista por dois anos, um dos quais como primeira figura masculina e o outro como diretor. Nesse período formou uma bem-sucedida dupla de comediantes com Dorinha Duval. No entanto, foi na televisão que seu nome começou a despontar como intérprete de personagens cômicos.

Na TV Tupi, participou do elenco do programa "TV de Comédia" e outros programas da emissora.

Alto, magro e um tanto pálido, criou personagens como o britânico Sandarino Bourbon, o maestro Hi-Fi-El, o coitado do Ventura ou Vivaldino Mulherengo, que caíram no gosto do público e dos críticos.

Em 1957, é referido pelo jornal Folha da Noite como incansável criador de tipos. Ainda em 1957, recebeu o Troféu Roquette Pinto, como revelação do ano.

Nos início dos anos 1960, alternou participações de programas humorísticos na TV Tupi, TV Paulista e TV Excelsior. Trabalhou também como dublador e atuou no Grupo Folclórico Brasileiro, de Barbosa Lessa.


Em 1965, Amândio foi contratado pela TV Globo e, logo em seu primeiro trabalho, teve grande sucesso, com o personagem O Amigo do Guedes, no programa "Bairro Feliz", criação de Max Nunes e Haroldo Barbosa.

Participou também de vários programas da emissora, como a "Praça da Alegria". Mais tarde, voltou a ter sucesso com o personagem Bigode, o amigo do jogador Coalhada, personagem de Chico Anysio. inicialmente em "Chico City".

Em 1981, Amândio foi contratado pelo SBT, a última emissora de televisão na qual viria a trabalhar.

Amândio foi casado com a atriz Nadir Rocha até 1965, namorou com Sandra Moura (1965/1966). Em 1976, casou-se com a artista plástica Marizalva Bezerra de Lima, com quem teve uma filha, Luciana.

Coalhada (Chico Anysio) e Bigode (Amândio Silva Filho)
Morte

Amândio Silva Filho faleceu na quinta-feira, 03/06/1993, aos 66 anos, vítima de câncer, no Rio de Janeiro, RJ.

Walter D’Àvila e Amândio (1977)
Carreira

Rádio
  • 1952 - Boa Noite, Senhores (Rádio Farroupilha)
  • 1952 - Onde Está Dona Judith (Rádio Farroupilha)
  • 1952 - Benzinho e Benzoca (Rádio Farroupilha)

Televisão
  • 1991 - Estados Anysios de Chico City (Globo)
  • 1990 - La Mamma (Minissérie, Globo)
  • 1983 - Show do Riso (SBT)
  • 1982 - Alegria 82 (SBT)
  • 1982 - Feira do Riso (SBT)
  • 1981 - Alegria 81 (SBT)
  • 1981 - Viva o Gordo (Globo)
  • 1981 - Chico Total (Globo)
  • 1977 - Praça da Alegria (Globo)
  • 1976 - Chico City (Globo)
  • 1966 - Bairro Feliz (Globo)
  • 1966 - E o Espetáculo Continua (Tupi)
  • 1965 - Tiro e Queda (Tupi)
  • 1964 - Pandegolândia (Tupi)
  • 1964 - Dercy Beaucoup (Excelsior)
  • 1964 - Coitado do Ventura (Tupi)
  • 1963 - Quando Menos Se Espera (Globo)
  • 1963 - Quando Menos Se Espera (Tupi)
  • 1963 - Ah…legria Kolynos (Tupi)
  • 1962 - Cynar Faz o Show (TV Paulista)
  • 1962 - Além da Diversão (Excelsior)
  • 1962 - Charada Show Pirani (Excelsior)
  • 1962 - Histórias Para Sorrir (Excelsior)
  • 1961 - Que Rei Sou Eu? (Excelsior)
  • 1960 - A Cabeçuda (TV Cultura)
  • 1960 - Vivaldino Mulherengo (Excelsior)
  • 1959 - Sandarino Bourbon (Tupi)
  • 1958 - Aventuras do Maestro Hi…Fi… El (Tupi)
  • 1958 - Os Namorados da Dondoca (Tupi)
  • 1957 - Show Pirani-Vigorelli (Tupi)
  • 1957 - Marmelândia (Tupi)
  • 1957 - Detetives (Tupi)

Cinema
  • 1981 - Mulher de Programa
  • 1980 - Crônica à Beira do Rio
  • 1979 - A Pantera Nua
  • 1978 - Manicures a Domicílio
  • 1977 - Um Marido Contagiante
  • 1977 - O Pequeno Polegar Contra o Dragão Vermelho
  • 1976 - As Massagistas Profissionais
  • 1975 - Um Soutien Para o Papai
  • 1974 - Os Alegres Vigaristas
  • 1973 - Como Nos Livrar do Saco
  • 1973 - Divórcio à Brasileira
  • 1973 - O Libertino
  • 1973 - As Moças Daquela Hora
  • 1971 - Bonga, o Vagabundo
  • 1971 - As Confissões de Frei Abóbora
  • 1971 - Como Ganhar na Loteria Sem Perder a Esportiva
  • 1970 - Simeão, o Boêmio
  • 1968 - O Homem Que Comprou o Mundo
  • 1968 - As Três Mulheres de Casanova
  • 1967 - A Espiã Que Entrou em Fria
  • 1967 - Em Busca do Tesouro
  • 1967 - Um Marido Barra Limpa
  • 1964 - Imitando o Sol
  • 1964 - O Vigilante Contra o Crime
  • 1958 - Com a Mão na Massa!
  • 1957 - Casei-me Com um Xavante
  • 1954 - Carnaval em Marte
  • 1947 - Fogo na Canjica
  • 1946 - O Cavalo 13

Fonte: Wikipédia
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Djenane Machado

DJNANE VASCONCELOS MACHADO
(70 anos)
Atriz

☼ Rio de Janeiro, RJ (10/06/1951)
┼ Rio de Janeiro, RJ (23/03/2022)

Djenane Vasconcelos Machado foi uma atriz nascida no Rio de Janeiro, RJ, no dia 10/06/1951.

Filha de Carlos Machado, o rei da noite carioca nos anos 50 e 60, e da figurinista Gisela Machado, ela cresceu entre a produção de shows e espetáculos de teatro, já que sua mãe também era membro ativo da companhia.

Na televisão, onde faria a maior parte da sua carreira, Djenane Machado estreou em junho de 1968, na TV Globo, com a novela "Passo dos Ventos" de Janete Clair com supervisão de Glória Magadan, vivendo a personagem Hannah. Era uma daquelas trágicas histórias de amor com toques de magia negra e estrelada por Carlos Alberto e Glória Menezes.

Em 1969, Djenane Machado faz três telenovelas na TV Globo, "Rosa Rebelde", "A Ponte dos Suspiros" e "Véu de Noiva" e um filme, "A Penúltima Donzela".


Em "Rosa Rebelde", estrelada pelo casal Glória Menezes e Tarcísio Meira, e a última novela estilo dramalhão mexicano ou cubano da TV Globo, ela viveu a personagem Conchita. Em "A Ponte dos Suspiros", a estréia de Dias Gomes como autor de novelas, Djenane Machado viveu Branca e a dupla central era Yoná MagalhãesCarlos Alberto. Em "Véu de Noiva", a novela de Janete Clair que marcou a estréia de Regina Duarte na TV Globo e um novo período dramatúrgico na emissora com textos mais atuais e arejados, Djenane Machado conquistou o público com sua Maria Eduarda.

No cinema, onde marcou presença constante, Djenane Machado estreou em "A Penúltima Donzela", uma fita dirigida por Fernando Amaral e com Paulo Porto, Adriana Prieto, Carlo Mossy e ela nos principais papéis.

A novela seguinte foi em julho de 1970, também de autoria de Dias Gomes e ainda na TV Globo, "Assim na Terra Como no Céu", a estréia de Francisco Cuoco e Renata Sorrah na emissora. Djenane Machado interpretou Verinha, nesta que foi uma novela que conquistou a crítica e o público, que se acostumou a partir dela a ver telenovelas às 22h00.

Mas a consagração chegou em 1971 com a Lucinha Esparadrapo de "O Cafona", novela de Bráulio Pedroso. Ela foi inclusive tema de uma das principais músicas da trilha da novela, cantada por Betinho. A personagem de Djenane Machado era uma hippie e vivia em uma comunidade ao lado de Ary Fontoura, Carlos Vereza e Marco Nanini.

Na Primeira Versão de "A Grande Família"

Em 1972, Djenane Machado viveu a irrequieta Glorinha de "O Primeiro Amor", novela das 19h00 da TV Globo, que ficou famosa por ter sido o último trabalho do ator Sérgio Cardoso e por ter lançado a dupla Shazam (Paulo José) e Xerife (Flávio Migliaccio). A personagem de Djenane Machado era justamente do núcleo da dupla e a atriz pôde colocar sua veia cômica em funcionamento. No mesmo ano ela também teve papel de destaque no especial "Somos Todos do Jardim da Infância".

A participação no seriado "A Grande Família" vivendo Bebel na primeira temporada (1973/1974) fez com que Djenane Machado ganhasse projeção nacional mas também se tornou seu primeiro problema com a TV Globo. Afastada das novelas nesse período, Djenane Machado acabou se cansando do seriado, começou a chegar atrasada às gravações e desistiu de fazer a segunda temporada, sendo substituída de um dia para outro por Maria Cristina Nunes. A atitude da atriz não caiu bem na direção da emissora e ela ficou por dois anos na geladeira.

Nesse período, aproveitou para fazer cinema mais uma vez e estrelou duas comédias no estilo pornochanchada. A primeira foi "As Alegres Vigaristas" (1974), de Carlos Alberto de Souza Barros com Luiz Armando Queiróz, Elza Gomes, Amândio, José Lewgoy e Íris Bruzzi, e a segunda, uma sucesso de bilheteria, foi "Já Não se Faz Amor Como Antigamente" (1976) uma comédia formada por três episódios dirigidos por Anselmo Duarte, John Herbert e Hélio SoutoDjenane Machado tem uma sequência na praia no episódio "O Noivo" com John Herbert, que interpreta um eterno noivo que sempre desiste do casamento na hora H. Ela faz uma das noivas dele e que não para de falar um instante, deixando-o completamente aturdido.

Djenane Machado e o pai Carlos Machado
Sua volta à televisão se deu em 1976, em um papel escrito sob medida por Mário Prata para ela, na novela "Estúpido Cupido", um grande sucesso das 19h00 da TV Globo. Djenane Machado vivia mais uma Glorinha, a agora louca integrante da turma de jovens rebeldes da pequena cidade de Albuquerque, filha do delegado local, mas muito namoradeira e cheia de arrumar confusões com a turma e o namorado Caniço, interpretado por João Carlos Barroso. Para o grande público esse talvez tenha sido o seu papel mais marcante na televisão.

Entre uma novela e um filme, Djenane Machado participava de espetáculos montados pelo pai Carlos Machado como o show "Hip Hip Rio". Boa dançarina, ela também se arriscava como cantora, fez uma incursão na televisão como apresentadora do programa "Saudade Não Tem Idade", ao lado do ator Ney Latorraca, ainda na TV Globo.

Na TV Globo ela ainda fez duas novelas. Viveu Lenita Esper, filha de um palhaço decadente na novela "Espelho Mágico" (1977) de Lauro César Muniz, fazendo uma dupla perfeita com Lima Duarte, e a personagem Guiomar de "Ciranda de Pedra" (1981), uma adaptação de Teixeira Filho para a obra de Lygia Fagundes Telles.

A Carreira Longe da TV Globo

Com problemas para se afastar das drogas, Djenane Machado perdeu espaço na TV Globo e teve que procurar trabalho em outras emissoras. Entre uma novela e outra, ela ainda fez o filme "Sábado Alucinante", de Cláudio Cunha, ao lado de Sandra Bréa, outra atriz que começava a enfrentar problemas com a direção da TV Globo, por motivos semelhantes.

Em 1982, na TV Cultura, Djenane Machado teve a oportunidade de participar como atriz principal da novela "Música ao Longe", uma adaptação da obra de Érico Veríssimo, por Mário Prata.

Com dificuldades para voltar à televisão, por falta de convites, ela fez dois filmes, mas em papéis menores. O primeiro foi "Águia na Cabeça", de Paulo Thiago, em 1984, contracenando com Christiane Torloni e Nuno Leal Maia, e, dois anos depois, "Ópera do Malandro", do diretor Ruy Guerra, com Edson Celulari e Cláudia Ohana. No filme, Djenane Machado vive Shirley Paquete, uma das meninas do bordel de Otto Struedel, personagem vivida por Fábio Sabag.

A carreira de Djenane Machado encerrou na TV Manchete, com participações nas novelas "Tudo em Cima" (1985), de Geraldo Carneiro e Bráulio Pedroso, na qual vive Marilu, uma das principais personagens femininas, e interpretando Laureta, em "Novo Amor" (1986), de Manoel Carlos. A partir daí, Djenane Machado se retirou da carreira a fim de se submeter a tratamentos contra a dependência de álcool e anfetaminas. Ao mesmo tempo, dedicou-se a escrever um livro de poesia.

Djenane Machado foi casada duas vezes mas não teve filhos. Em maio de 2019, vivia de maneira simples e discreta, em seu apartamento, no Bairro Peixoto, Rio de Janeiro, em companhia de uma cuidadora.

Djenane Machado acompanhada de sua cuidadora
Morte

Djenane Machado faleceu na quarta-feira, 23/03/2022, aos 70 anos, de causas não reveladas, no Rio de Janeiro, RJ. Sua morte porém, só foi divulgada no dia 29/03/2022. Ela estava afastada da mídia há muitos anos.

Carreira

Televisão
  • 1986 - Tudo ou Nada ... Lourdes (Manchete)
  • 1986 - Novo Amor ... Laureta (Manchete)
  • 1985 - Tudo em Cima ... Maria Lúcia "Marilu" (Manchete)
  • 1982 - Música ao Longe ... Clarissa/Zulmira (Cultura)
  • 1981 - Ciranda de Pedra ... Guiomar (Globo)
  • 1978 - Saudade Não Tem Idade ... Apresentadora (Globo)
  • 1977 - Espelho Mágico ... Lenita Esper / Neide (Globo)
  • 1976 - Estúpido Cupido ... Glorinha (Globo)
  • 1972 - A Grande Família ... Maria Isabel "Bebel" (Globo)
  • 1972 - O Primeiro Amor ... Glorinha (Globo)
  • 1971 - O Cafona ... Lúcia Esparadrapo (Globo)
  • 1970 - Assim na Terra como no Céu ... Verinha (Globo)
  • 1969 - Véu de Noiva ... Maria Eduarda (Globo)
  • 1969 - Rosa Rebelde ... Conchita (Globo)
  • 1969 - A Ponte dos Suspiros ... Bianca (Globo)
  • 1968 - Passo dos Ventos ... Hanna (Globo)

Cinema
  • 1986 - Ópera do Malandro ... Shirley Paquete
  • 1984 - Águia na Cabeça ... Amiga de Rose
  • 1979 - Sábado Alucinante ... Baby
  • 1976 - Já Não Se Faz Amor Como Antigamente ... Helô (Segmento: "O Noivo")
  • 1974 - As Alegres Vigaristas
  • 1969 - A Penúltima Donzela ... Wanda

Fonte: Wikipédia
#FamososQuePartiram #DjenaneMachado

Lili Carabina

DJANIRA RAMOS SUZANO
(56 anos)
Bandoleira, Assaltante, Assassina e Traficante

☼ Rio de Janeiro, RJ (1944)
┼ Rio de Janeiro, RJ (05/04/2000)

Djanira Ramos Suzano, conhecida pelo pseudônimo de Lili Carabina, Djanira Metralha ou Djanira da Metralhadora, foi uma bandoleira, assaltante, assassina e traficante nascida no Rio de Janeiro, RJ, em 1944.

Infamemente notória nos anos 1970 e 1980 por participar de uma quadrilha que usava fantasias em suas ações criminosas. Djanira, particularmente, usava uma peruca loira, maquiagem pesada, óculos escuros e roupas justas para seduzir os guardas de segurança das agências enquanto seus comparsas entravam para executar o roubo.

Djanira ganhou o apelido de seus próprios cúmplices, apesar de utilizar sempre pistola 9mm, e não carabina, durante os assaltos.

Em uma entrevista a Revista Veja disse ter sido uma Roceira de Minas. Casou-se por imposição dos pais, mas apaixonou-se por um traficante e fugiu com ele, tendo os primeiros dois filhos.

Teria entrado no crime aos 20 anos, quando seu companheiro foi assassinado e ela, em vingança, matou os dois responsáveis.

Em 1975, passou a ser assaltante de bancos.

Presa no final dos anos 80, e condenada, ao todo, a mais de 100 anos de reclusão, chegou a fugir seis vezes da cadeia.

Em 1988, ainda foragida, foi baleada na cabeça ao tentar furar uma blitz, portando armas e drogas, e passou 33 dias em coma. Uma das balas ficou alojada em sua cabeça, não foi retirada, e parte do lado esquerdo de seu corpo ficou paralisada, obrigando-a a usar muletas.

Ao se recuperar, Djanira voltou para a Penitenciária Feminina Talavera Bruce, no Rio de Janeiro, onde tornou-se evangélica. Deveria cumprir pena até o ano 2019, mas foi beneficiada pelo indulto de natal de 1999, pelo presidente Fernando Henrique Cardoso por ter diabete aguda.

Sua vida foi objeto de duas biografias escritas por Aguinaldo Silva (antes de ser autor de novelas, tinha sido repórter de polícia), "Lili Carabina - Retrato de Uma Obsessão" e "A História de Lili Carabina". Estes livros foram adaptados para o cinema no filme "Lili, a Estrela do Crime", de 1989, com Betty Faria no papel-título.

Apesar da saúde debilitada (sofria de diabetes e colesterol alto) e de andar sempre apoiada em muletas, Dejanir fazia questao de manter a vaidade da juventude tingindo os cabelos.

Os vários anos na prisao também lhe renderam o respeito das presidiárias, as quais Lili Carabina fazia questão de dar conselhos sobre a vida no mundo crime: "Dinheiro de roubo vem fácil e vai embora rápido!", dizia.

Lili Carabina tinha uma filha, Dejane, e dois netos. Teve mais dois filhos. O primeiro, 33 anos, morreu ao bater com a moto num ônibus. O caçula, traficante, foi assassinado, aos 19, com mais de 40 tiros.

Lili Carabina Nunca Existiu

Em 2017, com a estreia de uma peça de teatro sobre a vida de Lili CarabinaAguinaldo Silva publicou textos e deu declarações afirmando que Lili Carabina nunca existiu, foi apenas uma personagem criada por ele com base nas histórias policiais que ele cobria nos seus tempos de jornalista.

No entanto, diversos textos jornalísticos afirmam que Lili Carabina é realmente Djanira Ramos Suzano, criminosa cuja ficha policial é marcada por seis fugas de cadeias, condenações por homicídios, assaltos, latrocínio, tráfico, direção perigosa, porte de armas e falsidade ideológica.

Em matéria publicada na Folha, por exemplo, é possível encontrar um depoimento no qual Djanira relata as táticas que usava para executar seus assaltos a bancos, joalherias e casas lotéricas e ressalta como suas roupas extravagantes e seu poder de sedução eram essenciais no modo como executava suas ações:
"Eu entrava sempre na frente, porque quem fica para trás corre mais risco. Eu procurava prender o guarda ou o gerente, puxava conversa, jogava um charme. Eles me achavam bonita e eu ia enganando o cara, até ter chance de abrir a bolsa e puxar a arma. O nome Djanira foi a polícia que botou. Meu nome é Djanir. Depois acharam que eu tinha uma metralhadora, mas usava uma pistola 9 milímetros adaptada, com cano que dava para tirar, para caber na bolsa. Como eu usava dois pentes de bala, acharam que eu tinha uma metralhadora. Aí chamavam de loura da metralhadora, mulata pistoleira, mudava muito!"
(Djanira Ramos Suzano)

Embora não usasse uma carabina ou uma metralhadora, tal qual sugeriam a alcunha com a qual tornou-se célebre, Djanira sabia manejar muito bem sua pistola 9 mm e fazia também da sedução uma importante arma para executar seus crimes e colocar em prática os seus planos de fuga.

Morte

Djanira Ramos Suzano faleceu na manhã de quarta-feira, 05/04/2000, aos 56 anos, vítima de infarto, no Hospital Rocha Faria, em Campo Grande, Zona Oeste do Rio de Janeiro, RJ.

Lili Carabina foi sepultada na tarde de quinta-feira, 06/04/2000,no Cemitério de Campo Grande.

#FamososQuePartiram #LiliCarabina

Cabo Anselmo

JOSÉ ANSELMO DOS SANTOS
(80 anos)
Militar

☼  Itaporanga d'Ajuda, SE (13/02/1942)
┼ Jundiaí, SP (15/03/2022)

José Anselmo dos Santos, conhecido como Cabo Anselmo, foi um militar nascido em Itaporanga d'Ajuda, SE, no dia 13/02/1942. Cabo Anselmo foi líder durante a Revolta dos Marinheiros, que deu início à série de eventos que culminariam na derrubada do presidente eleito João Goulart pelo golpe de Estado de 1964, e na ditadura militar que governaria o Brasil nos vinte e um anos seguintes.

Agente infiltrado das forças de repressão do Governo Militar, Anselmo coletava e fornecia aos militares informações que lhes permitiram capturar guerrilheiros e opositores da esquerda, incluindo sua noiva, que, mesmo grávida, foi brutalmente torturada e morreu em uma prisão militar.

Carreira na Marinha

Anselmo entrou na Marinha através da Escola de Aprendizes-Marinheiros da Bahia, no ano de 1958, servindo na graduação de marinheiro de primeira classe. Apesar do apelido, não era cabo. O título foi erroneamente atribuído por jornalistas.

Em março de 1962, filiou-se à Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil (AMFNB), onde foi eleito diretor de relações públicas. A AMFNB era uma das principais associações de classe dentro dos movimentos dos subalternos militares, responsáveis também pela Revolta dos Sargentos de 1963. Ela exigia direitos negados aos marinheiros e fuzileiros navais abaixo da graduação de cabo, como o casamento, voto e uso de trajes civis fora do expediente, e a reforma dos regulamentos disciplinares.

Em abril de 1963, foi eleito presidente da AMFNB graças à desistência de três outros candidatos mais fortes. Sua eleição foi apoiada por uma facção mais militante que criticava o presidente anterior, João Barbosa de Almeida, por sua atitude conciliatória. Anselmo era conhecido entre a esquerda e os militares como líder mais radical. Mas pelas fontes dos marinheiros, o mais combativo era o vice-presidente Marcos Antônio da Silva Lima. Segundo Pedro Viegas, cabo envolvido em A Tribuna do Mar, o jornal da AMFNB, Anselmo tinha função principal como representante de relações públicas, com o poder efetivo nas mãos de Marcos Antônio.

Depoimentos dos marinheiros são unânimes em afirmar a habilidade oratória de Anselmo. Ele ganhou notoriedade e a AMFNB crescia rapidamente. Ela radicalizou-se à esquerda, aproximou-se de movimentos fora da Marinha e apoiou as reformas propostas pelo presidente João Goulart. Ao mesmo tempo, entrou em conflito com o Conselho do Almirantado.

A Marinha dispersou os diretores para dificultar a reunião e em janeiro de 1964, Anselmo foi transferido do Centro de Instrução da Marinha para uma pequena unidade em terra, isolado da massa dos marinheiros.

Como parte do conflito com as autoridades navais, protestou contra o ministro da Marinha Sílvio Mota no Sindicato dos Bancários, em 20/03/1964. Nos dias seguintes o ministro respondeu com ordens de prisão a diretores da AMFNB, incluindo Anselmo.

Por já ter sido enquadrado várias vezes no regulamento disciplinar, sua expulsão da Marinha já era esperada. Ele e outros dois diretores ficaram escondidos para participarem do 2º aniversário da AMFNB, marcado para 25/03/1964 no Sindicato dos Metalúrgicos, no Rio de Janeiro.

Na presença dos marinheiros e de amplos setores civis, como os sindicalistas do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), Anselmo pronunciou um discurso redigido com a ajuda de Carlos Marighella e representativo das causas da esquerda da época.

O marinheiro Otacílio dos Anjos Santos e o cabo Cláudio Ribeiro sugeriram a permanência dos marinheiros dentro do Sindicato em solidariedade aos diretores presos. O ministro da Marinha determinou a prontidão rigorosa, exigindo a presença de todo o pessoal em suas unidades, mas essa ordem foi desobedecida. A esse ponto, o aniversário já havia se tornado rebelião. Seu desfecho foi a nomeação de um novo ministro da Marinha, o almirante Paulo Mário da Cunha Rodrigues, que anistiou os marinheiros.

Em 30/03/1964, Anselmo foi destaque na reunião no Automóvel Clube, na presença de João Goulart. A anistia concedida pelo Governo, mais do que o discurso de Anselmo, ofendeu a oficialidade. Os jornais registravam que o próprio presidente da República incentivava a quebra da disciplina e hierarquia militares. A preocupação com a disciplina permitiu aos conspiradores militares conseguirem o apoio dos legalistas, unificando as Forças Armadas contra o presidente e abrindo o caminho para a deflagração do golpe de Estado ao final do mês.

Anselmo tentou resistir ao golpe, recolhendo armas no Corpo de Fuzileiros Navais e levando-as ao Sindicato dos Metalúrgicos com a ajuda do sindicalista Hércules Corrêa. Ele traçou planos junto com os outros diretores e o apoio da União Nacional dos Estudantes (UNE) e operários marítimos.

Acusações de Ser Agente Infiltrado Antes do Golpe

Somente após sua prisão nos anos 70, na qual foi coagido e torturado, Anselmo reconheceu ter aceitado trabalhar para o Governo Militar, quando infiltrou-se em grupos de esquerda e movimentos sindicalistas. Porém, havia suspeitas de que antes de 1964, Anselmo já fosse um agente infiltrado nesses movimentos, sendo sua função fornecer informações para os órgãos de repressão do Governo. Tal suspeita tem base em depoimentos como o do policial Cecil Borer, ex-diretor do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) do Rio de Janeiro. Cecil Borer afirma que Cabo Anselmo já possuía treinamento específico para trabalhos de infiltração antes do golpe militar.

Apesar das negativas de Anselmo e seus apoiadores, citam-se evidências documentais das próprias Forças Armadas de que ele realmente já fosse agente de infiltração, antes de 1964 e da Revolta dos Marinheiros. Um documento do Centro de Informações da Aeronáutica, datado de 1966, corrobora as afirmações de Cecil Borer de que a fuga de Anselmo naquele ano foi falsa. Já o chefe do Serviço Federal de Informações e Contrainformação no governo João Goulart, Ivo Acioly Corseuil, declarou em 1977 que Anselmo era, à época, agente da Central Intelligence Agency (CIA) americana. Segundo o fuzileiro naval Narciso Júlio Gonçalves, ele e outros companheiros suspeitavam à época de Anselmo ser um agente provocador.

No século XXI, a explicação da Revolta dos Marinheiros como obra de um agente provocador tornou-se comum, mas é criticada por novos estudos que preferem enfatizar o contexto social dentro da Marinha. Mais ainda, questionam que Anselmo fosse de fato agente provocador. Flávio Luís Rodrigues, autor de "Vozes do Mar" (2004), então o único livro de um historiador voltado especificamente para o movimento dos marinheiros, não encontrou evidência para as acusações de Ivo Acioly Corseuil e afirma que a associação à CIA, citada até recentemente, é feita sem uma análise profunda do movimento.

Anderson da Silva Almeida, outro historiador dos marinheiros, também não encontrou evidência documental da Central Intelligence Agency (CIA), Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) ou Centro de Informações da Marinha (CENIMAR) e caracteriza as acusações como uma interpretação que trata os marinheiros como enganados, desconsidera a totalidade dos eventos e ignora a relação da Revolta com a esquerda e a sociedade. Para outro trabalho, "Muitos interpretaram as atitudes de Anselmo em 1964 em função de suas atitudes em 1969, sem jamais apresentar fontes, no máximo, o conhecido ouvi dizer!".

Roberto Ferreira Teixeira de Freitas, diretor do Centro de Informações da Marinha (CENIMAR) em 1964, nega veementemente as acusações de Cecil Borer. Segundo Antônio Duarte dos Santos, que politizou Anselmo e ajudou a trazê-lo à AMFNB, não há prova de que ele fosse agente dentro da Marinha, ele não era a autoridade mais importante entre os marinheiros e nem mesmo tem tanta importância histórica.

O cabo Pedro Viegas, argumentando com base nas circunstâncias da eleição de Anselmo em 1963, não vê sentido em afirmar que ele trabalhasse à época para a Marinha. Para Raimundo Porfírio da Costa, delegado da Associação e Cabos e Marinheiros do Brasil, as acusações são forma de menosprezar o movimento. Anselmo concorreu por insistência de outros marinheiros e todas as suas ações foram resultado de deliberação coletiva.

Ações Durante a Ditadura Militar

Com a vitória do golpe, teve seus direitos políticos suspensos por 10 anos pelo Comando Supremo da Revolução. A AMFNB foi dissolvida, e todos os seus dirigentes, expulsos da Marinha. Anselmo foi julgado pelos crimes de motim e revolta. Chegou a ser preso, mas fugiu, exilando-se por último em Cuba e voltando ao Brasil somente em 1970, quando tornou-se membro atuante do movimento guerrilheiro brasileiro que combatia a ditadura. Acabou preso por Sérgio Fernando Paranhos Fleury e levado para o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS).

Mesmo considerada apenas sua atuação assumida como agente da repressão, Anselmo levantou com sucesso uma grande quantidade de dados sobre os movimentos dos guerrilheiros brasileiros, resultando na prisão, morte e tortura de vários de seus integrantes. Entre eles, estava a noiva de Anselmo, Soledad Barrett Viedma, grávida de quatro meses. Mesmo assim, Anselmo, que seria justiçado e assassinado pelos companheiros da noiva, a entregou para o delegado Sérgio Fleury. Soledad Barrett Viedma não resistiu as torturas e morreu.

Após sua função de agente infiltrado ser descoberta pelos guerrilheiros, Anselmo desapareceu entre 1972 e 1973, época que foi dado oficialmente como morto, pelas forças de segurança do Governo Militar.

Volta Após a Redemocratização

A desconfiança a respeito de sua morte desapareceu a partir do momento em que o Cabo Anselmo foi entrevistado pelo jornalista Octavio Ribeiro, com sua publicação pela revista Isto É, na edição de 28/03/1984.

Cabo Anselmo foi entrevistado pelo jornalista Percival de Souza, em 1999.

Em 30/08/2009, Cabo Anselmo participou do programa Canal Livre, da Rede Bandeirantes de Televisão.

Em 17/10/2011, participou do Programa Roda Viva da TV Cultura. Na entrevista revelou detalhes sobre episódios ocorridos durante o período da Ditadura e afirmou não sentir culpa por entregar militantes.

Aposentadoria

Cabo Anselmo pleiteava uma identidade formal, pois desde que foi cassado nunca mais conseguiu documentos que provassem ser ele José Anselmo dos Santos. Requereu junto ao Governo de São Paulo o pagamento de indenização pago aos que foram presos e torturados no Estado, durante a Ditadura Militar.

Cabo Anselmo reivindicou ainda uma aposentadoria condizente com o posto que ocuparia hoje na Marinha, que seria o de suboficial aposentado. O argumento de Anselmo é que a indenização da Comissão de Anistia não deve beneficiar apenas os militantes de esquerda. Ele alega que todos que foram de alguma forma prejudicados ou cassados em seus postos em razão do golpe militar deveriam ser beneficiados.

O então ministro durante o Governo Lula, Paulo Vannuchi, afirmou em 2009 que era remota a possibilidade de Cabo Anselmo vir a receber qualquer tipo de indenização ou aposentadoria. Ele afirmou que a reivindicação de Anselmo não procedia porque desde o início da Ditadura o ex-marinheiro teria sido um agente do Estado.

Morte

Anselmo faleceu na terça-feira, 15/03/2022, aos 80 anos, em Jundiaí, SP, vítima de uma infecção renal. O sepultamento aconteceu na quarta-feira, 16/03/2022.

Fonte: Wikipédia
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