Gilberto Braga

GILBERTO TUMSCITZ BRAGA
(75 anos)
Autor de Telenovelas

☼ Rio de Janeiro, RJ (01/11/1945)
┼ Rio de Janeiro, RJ (26/10/2021)

Gilberto Tumscitz Braga, mais conhecido por Gilberto Braga, foi um autor de telenovelas nascido no Rio de Janeiro, RJ, no dia 01/11/1945.

Sua telenovela de 2007, "Paraíso Tropical", foi indicada em 2008 ao Emmy na categoria de Melhor Novela. A maioria de suas novelas tinha um assassinato misterioso nos capítulos finais. Gilberto Braga é considerado um dos maiores nomes da teledramaturgia brasileira.

Gilberto Braga cursou a Faculdade de Letras na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), depois foi professor de francês na Aliança Francesa e em seguida ingressou no jornal O Globo como crítico de teatro e cinema.

Estreou como autor televisivo em 1972, quando assinou um episódio de "Caso Especial: Dama das Camélias 72", versão atualizada de "A Dama das Camélias", protagonizada por Glória Menezes e Cláudio Cavalcanti.

Durante o ano de 1973, produziu mais especiais, como "As Praias Desertas" e "Feliz na Ilusão". Sua desenvoltura e rapidez na escrita dos episódios chamaram a atenção do diretor Daniel Filho, então chefe das novelas na emissora, que o convidou para assinar, junto com Lauro César Muniz, a autoria da novela das 19h00 "Corrida do Ouro" (1974), trabalho do qual Lauro César Muniz se afastaria para estrear na faixa das 20h00. Por ainda não estar habituado ao ritmo de escrita para a televisão, Gilberto Braga chegou a desistir de escrever a trama, sendo impedido por Daniel Filho, que comentou a situação com Janete Clair. A veterana, admiradora dos diálogos de Gilberto Braga, então, se ofereceu para supervisioná-lo.

Gilberto Braga foi o primeiro autor brasileiro formado exclusivamente para a televisão. Ele jamais escreveu para teatro. Foi responsável por outras adaptações como "O Preço de Cada Um" (modernização de "Misantropo") e "Mulher" (versão moderna de "Casa das Mulheres").

Gilberto Braga também notabilizou-se pelas adaptações de clássicas obras literárias para a televisão. Em 1975, foi responsável pelas adaptações dos romances "Helena", de Machado de Assis (que seria adaptada novamente em 1987 pela extinta TV Manchete), responsável por reinaugurar a faixa das 18h00, e "Senhora" de José de Alencar.

Mas o primeiro grande sucesso da carreira de Gilberto Braga foi "Escrava Isaura" (1976), baseada no romance homônimo de Bernardo Guimarães, cujo êxito foi enorme. Durante muito tempo, foi a novela mais vendida de todos os tempos e consagrou mundialmente a atriz Lucélia Santos, que iniciava a carreira. Com a novela, foi considerado o responsável por levar a teledramaturgia brasileira para o mundo, sendo vendida para países como Cuba, China, Alemanha, Rússia, dentre outros.

Ainda em 1975, Gilberto Braga colaborou com Janete Clair na autoria da novela "Bravo!" (1975) e a substituiu quando ela teve que preparar outra trama para o lugar de "Roque Santeiro" (1975), de Dias Gomes, cuja exibição fora proibida pela censura militar no dia da estreia. Com a proibição, ela escreveu então aquele que se tornaria um dos maiores sucessos, a novela "Pecado Capital" (1975).

Em 1977, esgotado das tramas de época, Gilberto Braga escreveu o primeiro folhetim contemporâneo do horário das 18h00: uma adaptação da peça teatral "Dona Xepa", original de Pedro Bloch. O sucesso desta novela motivou a promoção de Gilberto Braga para a faixa das 20h00, na qual ele estreou com "Dancin' Days" (1978), escrita a partir do argumento inicial "A Prisioneira", de sua mestra Janete Clair, primeira trama sua sem ser uma adaptação de romance consagrado. A trilha sonora internacional, basicamente com canções de discotecas foi um sucesso de vendagem, mais de um milhão e meio de cópias, assim como a nacional com um milhão de cópias, estimulando o crescimento de novas casas do gênero. A novela lançou diversos modismos, como voos de asa delta e meias de lurex usadas com sandália. Foi reexibida em 1980 no "Festival 15 Anos", com apresentação de Glória Pires e numa versão compacta entre outubro e novembro de 1982. Alguns anos depois, a novela foi adaptada para romance na coleção "Campeões de Audiência - Telenovelas", lançada pela Editora Globo entre 1987 e 1988, assim como "Água Viva" e "Pecado Capital". O livro "Água Viva" foi lançado por Leonor Bassères baseado nas três mil e duzentas laudas que Gilberto Braga escrevera para a novela.

Seguiram-se outras novelas de sucesso no horário nobre: "Água Viva" (1980) abordou o cotidiano da classe média alta no litoral e o windsurfe, causou polêmica por conta do topless e mostrou, pela primeira vez, o uso de maconha na televisão brasileira. Prosseguiu com a novela "Brilhante" (1981), que discutiu a homossexualidade masculina e romance entre pessoas de diferentes idades. "Brilhante" foi acusada de plágio de livros e filmes norte-americanos e enfrentou problemas com a audiência e a Censura Federal, que o obrigaram a promover muitas alterações ao longo da história. O tema de abertura da novela era "Luiza", composta por Tom Jobim especialmente para a trama, e cuja letra menciona o cabelo loiro e comprido da protagonista, Vera Fischer. Quando ela apareceu de cabelo curto, o compositor foi o primeiro a protestar. Este polêmico fato foi bastante criticado, e a figurinista Marília Carneiro deu a ideia de usar uma bandana no pescoço, acessório este que virou febre entre o público feminino. Nessa fase escreveu "Louco Amor" (1983), que teve a estreia antecipada devido ao término repentino - causado pela morte do protagonista, Jardel Filho, de "Sol de Verão" (1982), de Manoel Carlos que colaborou, a pedido do próprio Gilberto Braga, na redação do texto de "Água Viva" (1980) - e "Corpo a Corpo" (1984), inspirada no mito de Fausto, que causou polêmica por debater o racismo, um tema que não foi aceito pelo grande público.

O maior sucesso foi quando ele parou o Brasil com o mistério em torno de "Quem matou Odete Roitman?", protagonizada pela atriz Beatriz Segall, personagem da novela "Vale Tudo" (1988). O último capítulo da referida telenovela obteve a maior audiência já conquistada, com 86% dos televisores ligados. O final da trama revelou Leila, interpretada por Cássia Kiss, como a assassina. A expectativa foi tamanha que a marca de caldos de galinha Maggi, fez um concurso em que premiava quem acertasse o nome do assassino. O vencedor recebeu cinco mil cruzeiros, equivalente a três mil e duzentos dólares. "Vale Tudo" (1988) também ganhou um remake em espanhol: "Vale Todo" (2002), com o elenco formado de atores de língua hispânica e foi exibida em parceria com a Rede Telemundo, cadeia de emissoras abertas mais voltada para o público latino.

O mistério sobre a identidade de um assassino que só vem a ser revelado no último capítulo fora um recurso já utilizado pelo autor antes mesmo de "Vale Tudo" (1988). Em 1980, sua trama "Água Viva", utilizou o bordão "Quem matou Miguel Fragonard?", interpretado por Raul Cortez.

Em 1986, sua minissérie "Anos Dourados", que retratava o Rio de Janeiro dos anos 1950, contou com vinte capítulos, e, faltando quatro capítulos para o fim, Olivério (Arthur Costa Filho), dono de uma boate em Copacabana, apareceu morto. O autor do crime, revelado no último capítulo, foi Carneiro (Cláudio Corrêa e Castro).

Em 1991, os personagens de sua novela "O Dono do Mundo" passam a ser perseguidos por um sujeito desconhecido em sua reta final, onde o autor introduz um outro suspense: "Quem é o homem misterioso?".

No fim dos anos 1990, Gilberto Braga voltou a utilizar o "Quem matou?", primeiro através de sua minissérie policial "Labirinto" (1998), que, ao longo de seus vinte capítulos, mobilizou o público com a pergunta "Quem matou Otacílio Martins Fraga?" (Paulo José), e, em seguida, através de sua telenovela de época "Força de Um Desejo" (1999), que, a partir de seu capítulo 155 passou a perguntar "Quem matou o Barão Henrique Sobral?" (Reginaldo Faria), num mistério que durou até o capítulo 226, o último da trama.

Quatro anos mais tarde, "Celebridade" (2003), perguntava "Quem matou Lineu Vasconcelos?" (Hugo Carvana), tendo sido a vilã Laura (Cláudia Abreu) a sua assassina.

Em 2007, o mistério foi na novela "Paraíso Tropical" com o bordão "Quem matou Taís Grimaldi?" (Alessandra Negrini).

Em 2011, foi a vez da novela "Insensato Coração" usar o bordão "Quem matou Norma Pimentel?" (Glória Pires).

Em 2015, "Babilônia" trouxe ao público a pergunta "Quem matou Murilo?" (Bruno Gagliasso).

Substituição e Trilogia Entre 1988 e 1994

Gilberto Braga substituiu Sílvio de Abreu a título informal em alguns capítulos na autoria da novela "Rainha da Sucata" (1990) quando este último precisou se afastar durante algumas semanas devido a problemas pessoais.

Em 1992, Gilberto Braga substituiu Glória Perez na condução da novela "De Corpo e Alma" em parceria com a fiel colaboradora Leonor BassèresGlória Perez se afastou da trama por algumas semanas devido ao assassinato da filha, a atriz Daniella Perez.

O primeiro título sugerido para "Vale Tudo" (1988) foi "Pátria Amada", o que se tornou inviável por já existir um filme da cineasta Tizuka Yamazaki com este nome. Além de refletir sobre os problemas do alcoolismo e de mostrar, pela primeira vez de maneira explícita, o relacionamento homo afetivo entre duas mulheres, a novela iniciava uma trilogia onde eram abordadas temas sobre honestidade e corrupção.

O segundo trabalho nesse caminho foi "O Dono do Mundo" (1991), que teve o objetivo de recuperar a audiência perdida com a antecessora no horário, "Meu Bem, Meu Mal" (1990), de Cassiano Gabus Mendes. A novela sofreu reformulações pois a trama inicial não entusiasmou o público e houve uma migração significativa da audiência para a novela infantil mexicana "Carrossel" (1989) do SBT, que, entretanto, jamais chegou a superá-la no confronto. Desta vez, quem colaborou na condução da história foi Sílvio de Abreu, que deu maior agilidade, o que fez com que a trama fosse recuperando gradativamente a audiência. "O Dono do Mundo" (1991) teve média geral de quarenta e três pontos, índice considerado baixíssimo para uma novela do horário nobre na época. O maior destaque da novela foi a elogiadíssima abertura, que mostrou imagens de Charles Chaplin no filme "O Grande Ditador" (1940).

A última obra da trilogia foi "Pátria Minha" (1994). A novela, que teve o título extraído do poema homônimo de Vinícius de Moraes, enfocou conflitos ideológicos como as questões da moradia, racismo, adultério, virgindade, já abordada em "O Dono do Mundo" (1991), e primeira experiência sexual, uso de preservativos e diálogo familiar entre pais e filhos. "Pátria Minha" (1994) teve média geral de quarenta e seis pontos, dez a menos que a antecessora, "Fera Ferida" (1993), de Aguinaldo Silva, apesar dos percalços que a produção teve que enfrentar com os atores Vera Fischer e Felipe Camargo, então casados, que foram afastados do elenco.

Minisséries, Supervisão de Texto e Retorno às Produções de Época

A primeira minissérie escrita foi um dos trabalhos mais elogiados e bem-sucedidos, "Anos Dourados" (1986), dirigida por Roberto Talma. A trama, que foi posta no ar às pressas visando concorrer com o estrondoso sucesso "Dona Beija" (1986) da extinta Rede Manchete, também marcou o retorno às produções ambientadas nos anos 1950, realçado principalmente pela trilha sonora que trouxe diversas canções consagradas da época, escolhidos pessoalmente pelo autor, que pela primeira vez atuou também como produtor musical. "Anos Dourados" (1986) foi reprisada em 1988 e 1990 com cortes, alguns duramente criticados, inclusive na narração do encerramento, que não conta o destino dos personagens principais. A minissérie foi lançada em DVD em 2003, numa versão condensada porém mais completa que a versão apresentada em 1990. Como parte das comemorações dos 40 anos da TV Globo, em 2005 o canal pago Multishow apresentou parte da série, também com cortes, sendo relançada em DVD em 2006 com dois volumes pela Editora Globo.

A minissérie "O Primo Basílio" (1988), baseada no romance homônimo do escritor português Eça de Queiroz, marcou à volta ao trabalho com adaptações e às produções de época na carreira. A minissérie foi muito elogiada pela Federação das Associações Portuguesas e Luso-Brasileiras e criticada por alguns intelectuais que se opuseram à versão televisiva do romance, abordando a cultura portuguesa da literatura de Eça de Queiroz.

Quatro anos mais tarde, outra minissérie obteve relevante sucesso, Anos Rebeldes (1992), lançada em livro, com adaptação de Flávio de Campos, paralelamente à exibição na tevê, onde abordava a época da ditadura militar brasileira (1964-1985). A minissérie, encontrou eco ao povo que ia às ruas pedir o impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello, vivendo uma situação política semelhante à discutida na obra. A minissérie foi lançada em vídeo nos anos 1990, e, assim como "Anos Dourados" (1986), teve lançamento em DVD, em 2003, também numa versão compacta, e uma exibição no canal Multishow em 2005.

Em 1990, Gilberto Braga atuou como supervisor de texto na novela "Lua Cheia de Amor"(1990), adaptação de Ana Maria Moretzsohn para "Dona Xepa" (1977), baseada na peça homônima de Pedro Bloch. Ele havia também colaborado na sinopse de "Bambolê" (1987), de Daniel Más, ambientada nos anos 1950, assim como a minissérie "Anos Dourados" (1986).

Gilberto Braga também supervisionou o texto de Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa na elaboração da sinopse e na construção do perfil dos personagens da novela "Salsa e Merengue" (1996).

Em 2012, Gilberto Braga supervisionou o texto de Claudia Lage e João Ximenes Braga para a telenovela "Lado a Lado" (2012), premiada internacionalmente com o Emmy de Melhor Telenovela.

Em 1998, Gilberto Braga escreveu uma sinopse intitulada "Feliz Aniversário", projeto que acabou sendo abortado mas cujas tramas foram aproveitadas na sua minissérie policial "Labirinto" (1998). Estrelada por Malu Mader e Fábio Assunção, "Labirinto" (1998) é, até os dias de hoje, a última minissérie escrita por Gilberto Braga, que desde então escreveu apenas telenovelas.

Além de participarem da minissérie "Labirinto" (1998), Fábio Assunção e Malu Mader protagonizaram a novela "Força de Um Desejo" (1999), ambientada no século XIX por decisão que a TV Globo tomou depois do grande sucesso de "Chiquinha Gonzaga" (1999), de Lauro César Muniz, que se passava nessa mesma época. A novela também marcou a volta às produções de época no horário das 18h00 da TV Globo, depois de oito anos. A última havia sido em "Salomé" (1991), de Sérgio Marques, cujo projeto deveria ter sido desenvolvido por Gilberto Braga, em 1978, tendo ele passado na época para o horário nobre, com "Dancin' Days" (1978).

Por volta de 1998 havia sido cogitado um remake da novela "Dancin' Days" (1978), para comemorar vinte anos de sua estreia, mas por questões de inadequação ao horário que a TV Globo havia disponibilizado para o autor, 18h00, este projeto também acabou sendo descartado. Como a vaga no horário das 18h00 continuava disponível, a TV Globo entregou a Gilberto Braga uma sinopse que Alcides Nogueira escreveu em 1988 sob o título de "Amor Perfeito". Gilberto Braga reformulou a sinopse, dando origem à "Força de um Desejo", exibida a partir de maio de 1999. Ainda em 1998, quando Gilberto Braga começou a escrever "Força de Um Desejo" a partir da história original de Alcides Nogueira, Alcides se encontrava a colaborar com Sílvio de Abreu na telenovela "Torre de Babel" (1998). Dessa forma, Gilberto Braga desenvolveu a trama sozinho até Alcides Nogueira estar disponível para trabalhar com ele, o que só veio a acontecer quando do fim de "Torre de Babel" (1998) em janeiro de 1999. Na sinopse original de 1988 a ação se passava na década de 1950, tendo sido mudada para o século XIX após a reformulação. Os atores originalmente cogitados em 1988 foram Maria Zilda, Thales Pan Chacon e Castro Gonzaga para os papéis equivalentes aos personagens que acabaram sendo interpretados por Malu Mader, Fábio Assunção e Reginaldo Faria em "Força de Um Desejo" (1999). Denise del Vecchio, que também estaria no elenco da primeira versão, acabou ganhando um papel de destaque na telenovela de 1999.

Exibida a partir de maio de 1999, e originalmente estruturada para 179 capítulos, "Força de Um Desejo" (1999) terminou por ser tremendamente esticada, sendo concluída então com 226 capítulos. Para ajudar os autores principais, Sérgio Marques, antes creditado na abertura da telenovela como co-autor, acabou juntando-se a Gilberto Braga e a Alcides Nogueira na autoria principal da trama.

"Força de Um Desejo" (1999) tornou-se entre os críticos um dos mais cultuados trabalhos já realizados pelo autor, ainda que não tenha alcançado altos índices de audiência, como antes fora esperado. Porém, cinco anos após seu término em janeiro de 2000, passou a ser reprisada em setembro de 2005 na sessão "Vale a Pena Ver de Novo" conquistando uma audiência satisfatória. A telenovela também foi um estrondoso sucesso quando exibida internacionalmente. Ao ser reapresentada no "Vale a Pena Ver de Novo", "Força de Um Desejo" (1999) tornou-se a primeira telenovela da TV Globo a utilizar o recurso closed caption, processo que permite aos deficientes auditivos acompanhar o que está sendo dito nos programas por meio da leitura de legendas que podem ser visualizadas na tela.

Anos 2000 e Indicação ao Emmy Awards

Em "Celebridade" (2003), que teve o título provisório de "Fama", o mundo ficcional era tratado como real, ridicularizando e colocando em questão o que é "ser célebre" e o que é "ter fama". A obra foi escrita principalmente para comemorar os vinte anos de carreira da atriz Malu Mader, grande amiga de Gilberto Braga. A sinopse foi escrita originalmente em 2001, mas sua exibição foi adiada. Consistia em uma espécie de revisão das antigas obras, com personagens com as mesmas características de outros em trabalhos anteriores, além de revisitar o "quem matou?", através do mistério "Quem matou Lineu Vasconcelos?".

"Paraíso Tropical" (2007), levada ao ar de 05/03/2007 a 28/09/2007, em 179 capítulos, foi a produção do horário de menor duração dos onze anos anteriores. Seu título provisório foi "Copacabana", em referência ao bairro carioca, onde a história é ambientada. Foi escrita em parceria com o fiel colaborador Ricardo Linhares, mostrando ao público temas importantes e polêmicos como homossexualidade sem nenhum preconceito, turismo sexual, prostituição e alcoolismo.

A trama foi protagonizada por Fábio Assunção e Alessandra Negrini, que estava afastada das novelas havia cinco anos. Alessandra Negrini substituiu Cláudia Abreu, que precisou deixar o trabalho por causa de uma gravidez. A novela marcou também a volta de Renée de Vielmond às telenovelas - a última da qual ela havia participado foi "Explode Coração" (1995), de Glória Perez.

Daisy Lucidy também estava longe das telas desde 1976, quando fez parte do elenco de "O Casarão" (1976), de Lauro César Muniz. Vera Holtz substituiu Joana Fomm na personagem Marion Novaes, pois Joana Fomm precisou se afastar por problemas de saúde. Cogitava-se o seu retorno à trama em outro papel, mas isso não se concretizou.

A novela seguiu o gênero habitual de suspense das novelas de Gilberto Braga. No capítulo 154 houve a morte de Taís Grimaldi, interpretada por Alessandra Negrini, e o mistério foi levado até o final, com a pergunta "Quem matou Taís?". Logo depois do assassinato principal vieram mais perguntas, como "Quem envenenou Marion Novaes?" (no capítulo 171) e "Quem matou Lutero?" (no capítulo 175) -  todos cometidos pelo mesmo assassino, Olavo, interpretado por Wagner Moura.

"Paraíso Tropical" (2007) foi indicada ao Emmy 2008 na categoria de Melhor Novela. O International Emmy Awards, ou simplesmente Emmy, é equivalente ao Oscar da televisão internacional.

Quase quatro anos depois, estreava outra telenovela de autoria de Gilberto Braga, "Insensato Coração" (2011), que estreou na faixa das 21h00 na TV Globo, em 17/01/2011, substituindo "Passione" (2010), de Sílvio de Abreu. A trama teve 185 capítulos, sendo o último exibido em 19/08/2011.

Em 2012, Gilberto Braga supervisionou os textos da telenovela "Lado a Lado" (2012), de autoria de João Ximenes Braga (seu antigo colaborador) e Claudia Lage.

Em 2015 foi a vez de "Babilônia" (2015), também na faixa das 21h00, e que inicialmente teve o título de "Três Mulheres". A previsão inicial de estreia era 23/02/2015, mas foi adiada para 16/03/2015. Com 143 capítulos, a trama terminou em 29/08/2015, sendo considerada forte pela crítica, pois abordava temas pouco tradicionais ao gênero, como homossexualidade e racismo, e foi rejeitada pela parcela mais conservadora do público, especialmente entre os evangélicos. Alguns deputados da bancada evangélica chegaram a promover boicotes à produção. "Babilônia" (2015) teve a menor média do horário das 21h00 na Grande São Paulo: 25 pontos, tomando o posto de "Em Família" (2014), que obteve 30, e trazendo problemas de audiência para a sua sucessora, "A Regra do Jogo" (2015).

Seus maus resultados, no entanto, não foram atribuídos somente aos polêmicos temas abordados - uma vez que a telenovela das 23h00, "Verdades Secretas" (2015), exibida no mesmo período, obteve sucessivos recordes de audiência para o seu horário mesmo apresentando uma trama com alto conteúdo erótico -, mas também ao roteiro considerado inconsistente pela imprensa.

Depois de "Babilônia" (2015), Gilberto Braga não conseguiu emplacar outras tramas na televisão, mas, ao morrer, deixou ao menos uma novela totalmente escrita.

Vida Pessoal

Segundo o site Bem Paraná, Gilberto Braga e o decorador Edgar Moura Brasil ficaram noivos no dia 26/12/2013 na cidade de Paris, celebrando esta ocasião no restaurante L'Entrecôte. Vieram a oficializar a união na data de 22/03/2014, no próprio apartamento de ambos, no Arpoador, no Rio de Janeiro. O longo relacionamento durou quase 50 anos.

Morte

Gilberto Braga faleceu na terça-feira, 26/10/2021, aos 75 anos, no Hospital Copa Star, no Rio de Janeiro, RJ, vítima de complicações decorrentes do Mal de Alzheimer e uma infecção sistêmica decorrente de uma perfuração no esôfago.

Gilberto Braga foi sepultado na quarta-feira, 27/10/2021, no Cemitério de São João Batista.

Carreira

Televisão
  • 1972-1974 - Caso Especial ... Roteirista
  • 1974 - Corrida do Ouro ... Autor principal
  • 1975 - Helena ... Autor principal
  • 1975 - Senhora ... Autor principal
  • 1975 - Bravo! ... Autor principal
  • 1976 - Escrava Isaura ... Autor principal
  • 1977 - Dona Xepa ... Autor principal
  • 1978 - Dancin' Days ... Autor principal
  • 1980 - Água Viva ... Autor principal
  • 1981 - Brilhante ... Autor principal
  • 1983 - Louco Amor ... Autor principal
  • 1984 - Corpo a Corpo ... Autor principal
  • 1986 - Anos Dourados ... Autor principal
  • 1987 - Bambolê ... Autor da sinopse
  • 1988 - O Primo Basílio ... Autor principal
  • 1988 - Vale Tudo ... Autor principal
  • 1990 - Rainha da Sucata ... Escreveu alguns capítulos
  • 1990 - Lua Cheia de Amor ... Supervisor de texto
  • 1991 - O Dono do Mundo ... Autor principal
  • 1992 - Anos Rebeldes ... Autor principal
  • 1992 - De Corpo e Alma ... Escreveu alguns capítulos
  • 1994 - Pátria Minha ... Autor principal
  • 1996 - Salsa e Merengue ... Supervisor de texto
  • 1998 - Labirinto ... Autor principal
  • 1999 - Força de Um Desejo ... Autor principal
  • 2003 - Celebridade ... Autor principal
  • 2007 - Paraíso Tropical ... Autor principal
  • 2011 - Insensato Coração ... Autor principal
  • 2012 - Lado a Lado ... Supervisor de texto
  • 2015 - Babilônia ... Autor principal

Teatro
  • 1972 - Os Amantes de Viorne (L'Amante Anglaise) ... Como tradutor
  • 1976 - O Estranho Casal (The Odd Couple) ... Como tradutor

Prêmios
  • 1980 - Troféu Imprensa (Água Viva) - Melhor Telenovela ... Venceu
  • 1988 - Troféu APCA  (O Primo Basílio) - Prêmio da Crítica ... Venceu
  • 1988 - Troféu APCA (Vale Tudo) - Melhor Telenovela ... Venceu
  • 1988 - Troféu Imprensa (Vale Tudo) - Melhor Telenovela ... Venceu
  • 1991 - Troféu Imprensa (O Dono do Mundo) - Melhor Telenovela ... Venceu
  • 1992 - Troféu APCA (Anos Rebeldes) - Prêmio da Crítica ... Venceu
  • 2004 - Prêmio Qualidade Brasil (Celebridade) - Melhor Telenovela ... Venceu
  • 2004 - Prêmio Qualidade Brasil (Celebridade) - Melhor Autor ... Venceu
  • 2004 - Troféu APCA (Celebridade) - Melhor Telenovela ... Venceu
  • 2007 - Prêmio Qualidade Brasil (Paraíso Tropical) - Melhor Telenovela ... Venceu
  • 2007 - Troféu APCA (Paraíso Tropical) - Melhor Telenovela ... Venceu
  • 2007 - Troféu Imprensa (Paraíso Tropical) - Melhor Telenovela ... Venceu
  • 2007 - Troféu Internet (Paraíso Tropical) - Melhor Telenovela ... Venceu
  • 2007 - Prêmio Contigo! (Paraíso Tropical) - Melhor Telenovela ... Venceu
  • 2007 - Prêmio Contigo! (Paraíso Tropical) - Melhor Autor ... Venceu
  • 2007 - Prêmio Quem Acontece (Paraíso Tropical) - Melhor Autor ... Venceu
  • 2007 - Prêmio Extra de TV (Paraíso Tropical) - Melhor Telenovela ... Venceu
  • 2007 - Poptevê (Paraíso Tropical) - Melhor Telenovela ... Venceu
  • 2007 - TV Press (Paraíso Tropical) - Melhor Telenovela ... Venceu
  • 2007 - TV Press (Paraíso Tropical) - Melhor Autor ... Venceu
  • 2007 - Melhores e Piores IG (Paraíso Tropical) - Melhor Telenovela ... Venceu
  • 2008 - Emmy Internacional (Paraíso Tropical) - Melhor Telenovela ... Indicado
  • 2012 - Prêmio Contigo! (Insensato Coração) - Melhor Telenovela ... Indicado
  • 2012 - Prêmio Contigo! (Insensato Coração) - Melhor Autor ... Indicado

Fonte: Wikipédia
#FamososQuePartiram #GilbertoBraga

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