Fernando Pamplona

FERNANDO PAMPLONA
(87 anos)
Carnavalesco, Cenógrafo, Professor, Produtor e Apresentador de TV

* Rio de Janeiro, RJ (28/09/1926)
+ Rio de Janeiro, RJ (29/09/2013)

Fernando Pamplona foi um carnavalesco, cenógrafo, professor, produtor e apresentador de TV, considerado um dos mais importantes nomes do carnaval carioca.

Considerado o "pai de todos" os carnavalescos do Rio de Janeiro, o artista fez história no desfile das escolas de samba a partir dos anos 60, quando introduziu os enredos afros nos desfiles, e colocou o Salgueiro no patamar das grandes agremiações cariocas. Foi o líder de uma geração de carnavalescos que brilhou nos anos seguintes em várias escolas: Arlindo Rodrigues, Joãosinho Trinta, Rosa Magalhães, Renato Lage, Maria Augusta, dentre outros.

Após a Revolução de 1930, foi, com o pai, morar na cidade de Xapuri, no Acre, onde cursou o ensino primário. Ainda criança, teve contato com diversas manifestações folclóricas da região, como a festa do boi-bumbá, o que foi crucial para lhe despertar um grande interesse por cultura popular.

Formado pela Escola Nacional de Belas Artes, teve uma rápida passagem como ator até conhecer Mário Conde em meados da década de 50, que lhe abriu as portas para a cenografia.

Em 1959, o escritor Miercio Tati, membro do então Departamento de Turismo e Certames da Prefeitura, hoje Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro S.A. (Riotur), o chamou para integrar o corpo de jurados dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro. Embora tenha assumido o cargo com dedicação, apenas uma, entre todas as agremiações, deixou Fernando Pamplona realmente extasiado. Trata-se do GRES Acadêmicos do Salgueiro, que, naquele ano, havia inovado por completo os padrões do carnaval carioca ao jogar para o alto os habituais enredos de capa-e-espada (sobre políticos ou militares) trazidos pelas escolas e abraçou uma temática sobre o pintor francês Jean-Baptiste Debret. Tal tema, denominado "Viagem Pitoresca E Histórica Ao Brasil", fora elaborado pelos figurinistas Dirceu e Marie Louise Nery, e o Salgueiro fez uma apresentação revolucionária e inesquecível. Fernando Pamplona deu nota 8 à agremiação, que somente perdeu por um ponto da Portela.

Foi ele um dos poucos jurados a defender, sem medo, sua avaliação sobre os desfiles, o que surpreendeu o diretor de carnaval do Salgueiro, Nelson de Andrade. A diretoria da escola, por intermédio de Nelson de Andrade, o convidou para preparar desfile salgueirense para o carnaval de 1960 e Fernando Pamplona aceitou o pedido com a condição de fazer um enredo sobre Zumbi dos Palmares.

Pela primeira vez, a vida de uma personagem não-oficial da história do Brasil era retratada por uma agremiação. Chamou seus colegas de teatro, Arlindo Rodrigues e Nilton Sá, e acabou se tornando, por fim, um carnavalesco de escola de samba. No Salgueiro conquistou quatro títulos, foi vice outras três vezes.


Botafogo e Salgueiro

Tão botafoguense quanto salgueirense, Fernando Pamplona foi a síntese de um Rio de Janeiro multi-diverso, pleno de referências, de pulsação cultural, mesclando referências eruditas e populares.

"Ao contrário do artista comum, que se comove diante de uma catedral gótica, ele descobriu que a sua catedral era feita de carne e sangue, de suor e prazer, de riso e lágrima em forma de povo", descreveu o escritor Carlos Heitor Cony, que assinou a orelha da biografia.

Carnavais Que Assinou no G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro

  • 1960 - Quilombo dos Palmares - Campeão
  • 1961 - Vida e Obra do Aleijadinho
  • 1965 - História do Carnaval Carioca - Eneida (Com Arlindo Rodrigues) - Campeão
  • 1967 - História da Liberdade no Brasil (Com Arlindo Rodrigues)
  • 1968 - Dona Beja, Feticeira de Araxá
  • 1969 - Bahia de Todos os Deuses (Com Arlindo Rodrigues) - Campeão
  • 1970 - Praça Onze: Carioca da Gema
  • 1971 - Festa Para um Rei Negro (Com Arlindo Rodrigues, Joãosinho Trinta e Maria Augusta) - Campeão
  • 1972 - Nossa Madrinha, Mangueira Querida
  • 1977 - Do Cauim Ao Efó, Moça Branca, Branquinha
  • 1978 - Do Yorubá à Luz, a Aurora dos Deuses



Morte

Fernando Pamplona morreu na manhã de domingo, 29/09/2013, em sua casa, em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro, um dia após completar 87 anos. O salgueirense foi vítima de um câncer e havia deixado o Hospital São Lucas na quarta-feira, 25/09/2013.

Fernando Pamplona foi enterrado no final da tarde de domingo, 29/09/2013, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro.

Fernando Pamplona empresta seu nome a biblioteca do Centro de Referência do Carnaval, a única do gênero no Brasil.

Era casado com a ex-bailarina do Teatro Municipal do Rio de JaneiroZeni, 84 anos, desde 1952. Fernando Pamplona deixa duas filhas, Consuelo, 57 anos, e Eneida, 53 anos.

Fonte: Wikipédia e Globo

Cláudio Cavalcanti

CLÁUDIO MURILLO CAVALCANTI
(73 anos)
Ator, Diretor de TV, Produtor Teatral, Escritor, Tradutor, Cantor, Dublador, Radialista e Político

* Rio de Janeiro, RJ (24/02/1940)
+ Rio de Janeiro, RJ (29/09/2013)

Cláudio Murillo Cavalcanti foi um ator, diretor de TV, produtor teatral, escritor, tradutor, cantor, dublador, radialista e político brasileiro. É considerado um dos mais importantes nomes do cenário artístico brasileiro.

Foi homenageado com várias condecorações, entre elas a Medalha Tiradendes, pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ) e a Medalha General Zenóbio da Costa, pelo Exército brasileiro. É também Comendador do Exército brasileiro com a Medalha do Pacificador.

Cláudio Cavalcanti foi casado desde 1979 com Maria Lucia Frota Cavalcanti, psicóloga e atriz, com quem dividiu o palco inúmeras vezes. Ambos são vegetarianos e ativistas dos direitos dos animais, e sua mulher foi a criadora da Secretaria Municipal de Defesa dos Animais, na cidade do Rio de Janeiro, exercendo o cargo de Secretária Municipal de 01/2001 a 02/2005.

Cláudio Cavalcanti iniciou a carreira de ator em 13/12/1956, aos 16 anos de idade, no Teatro Brasileiro de Comédias (TBC), atuando ao lado de Nathália Timberg, Sérgio Britto e Fernanda Montenegro. No mesmo ano estreou na televisão fazendo teatro ao vivo. Desde então nunca mais interrompeu suas atividades de ator, continuando a atuar em teatro, televisão e cinema até os dias de hoje, tendo em seu currículo 41 peças, 39 novelas e 35 filmes.

Como protagonista, destacam-se entre seus principais trabalhos de tele-dramaturigia: "Anastácia, a Mulher sem Destino" (1967), "Rosa Rebelde" (1969), "Véu De Noiva" (1969), "Irmãos Coragem" (1970), "O Homem Que Deve Morrer" (1971), "Carinhoso" (1973), "O Bofe" (1972), "Cavalo De Aço" (1973), "Vejo A Lua No Céu" (1976), "O Feijão E O Sonho" (1976), "Dona Xepa" (1977), "Maria, Maria" (1978), "Pai Herói" (1979), "Água Viva" (1980), "Terras Do Sem Fim" (1981), "Sétimo Sentido" (1982), "Roque Santeiro" (1985), "Hipertensão" (1986), "Lua Cheia De Amor" (1990), "A Viagem" (1994), "Marcas da Paixão" (2000) e "Roda da Vida" (2001).

No teatro, entre outros, protagonizou "Era Uma Vez Nos Anos Cinquenta" (Troféu Mambembe de melhor ator), "Fernando Pessoa", "Bodas de Papel", "O Beijo Da Louca", "Obrigado Pelo Amor de Vocês" (Peça com que foi contratadado para inaugurar o Teatro do Casino do Estoril, em Lisboa), "Disque M Para Matar", "Estou Amando Loucamente", "Vida Nova", "O Nosso Marido", "A Primeira Valsa", "Freud E O Visitante", "O Mundo É Um Moinho", "E Agora O Que Faço Com O Pernil", "O Doente Imaginário" e, em fevereiro de 2009, "Quando Se É Alguém", texto inédito de Pirandello.

Como escritor tem 5 livros publicados dentre os quais 3 antologias. Como cantor foi campeão de vendas como o LP "Claudio Cavalcanti" em 1971.

Concomitantemente com suas atividades artísticas, em outubro de 2000 foi eleito vereador da cidade do Rio de Janeiro, pelo então Partido da Frente Liberal (PFL), atual Democratas (DEM), com a plataforma "Por uma política de respeito aos animais".

Reeleito em 2004, cumpriu dois mandatos. Em oito anos de atividade legislativa, criou e teve aprovadas 29 leis, consideradas pioneiras em relação a defesa dos direitos animais, entre as quais a que proíbe o extermínio de animais abandonados e introduz a esterilização gratuita como método oficial de controle populacional e de zoonoses. Também, entre outras, proibiu rodeios, circos com animais, estabeleceu multa para maus-tratos e crueldade contra animais e conseguiu a aprovação da lei que proibia a utilização de animais em experiências científicas, recebendo maciço apoio nacional e internacional e criando enorme polêmica. Posteriormente a Lei foi vetada pelo então prefeito, César Maia.

Em 2006 candidatou-se a deputado estadual, tendo obtido 39.742 votos e sendo diplomado em dezembro de 2006 como suplente, durante licença de um dos titulares. Não conseguiu se reeleger vereador em 2008, porém após a cassação do deputado Natalino, tornou-se titular em definitivo da vaga na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ). No entanto, ainda não se sabe porque, a assembleia empossou outro deputado menos votado. Atualmente, aguardava o julgamento de um Mandado de Segurança contra a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, mandado esse que está em tramitação no Órgão Especial do TJ-RJ.


Morte

Cláudio Cavalcanti morreu às às 17:45 hs de domingo, 29/09/2013, no Rio de Janeiro, aos 73 anos. O ator estava internado na UTI do Hospital Pró-Cardíaco desde o dia 16 de setembro, e no dia 24, havia passado por um cirurgia por conta da falência de uma vértebra. Segundo seu cardiologista e genro, Carlos Eduardo Menna Barreto, o ator sofreu um choque cardiogênico, que evoluiu para uma insuficiência renal e falência múltipla dos órgãos, ocasionando o falecimento.



Teledramaturgia

  • 2013 - Sessão de Terapia ... Otávio (GNT)
  • 2011 - Amor e Revolução ... Geraldo (SBT)
  • 2001 - Roda da Vida ... Vidal (Record)
  • 2000 - Marcas da Paixão ... Djalma (Record)
  • 1999 - Chiquinha Gonzaga ... Rogério
  • 1998 - Labirinto ... Gaspar
  • 1996 - Salsa e Merengue ... Olavo
  • 1995 - Explode Coração ... Tolentino
  • 1994 - A Viagem ... Alberto
  • 1993 - Mulheres de Areia ... Roque
  • 1990 - Lua Cheia de Amor ... Conrado
  • 1990 - Rainha da Sucata ... Delegado que investiga a morte de Laurinha Figueiroa
  • 1989 - República ... Floriano Peixoto
  • 1989 - O Salvador da Pátria ... Eduardo Corrêa
  • 1986 - Hipertensão ... Sandro Galhardo
  • 1985 - Roque Santeiro ... Padre Albano
  • 1984 - Transas e Caretas ... Douglas
  • 1984 - Padre Cícero ... Dom Joaquim
  • 1983 - Caso Verdade - Vida Nova ... Mr. Scott
  • 1982 - Sétimo Sentido ... Danilo Mendes
  • 1981 - Terras do Sem Fim ... João Magalhães
  • 1981 - Baila Comigo ... Guilherme Fonseca
  • 1980 - Água Viva ... Edir
  • 1979 - Pai Herói ... Gustavo
  • 1978 - Pecado Rasgado ... Bruno
  • 1978 - Maria, Maria ... Ricardo Valentiano Brandão
  • 1977 - Nina ... Grimaldi
  • 1977 - Dona Xepa ... Otávio
  • 1976 - O Feijão e o Sonho ... Juca Campos Lara
  • 1976 - Vejo a Lua no Céu ... Eusébio
  • 1975 - Bravo! ... Maurício
  • 1973 - Carinhoso ... Paulo
  • 1973 - Cavalo de Aço ... Aurélio
  • 1972 - O Bofe ... Maneco
  • 1971 - O Homem Que Deve Morrer ... Leandro
  • 1970 - Irmãos Coragem ... Jerônimo Coragem
  • 1969 - Véu de Noiva ... Renato Madeira
  • 1969 - Rosa Rebelde
  • 1969 - Enquanto Houver Estrelas ... César (TV Tupi)
  • 1969 - O Retrato de Laura ... Marcelo (TV Tupi)
  • 1968 - A Gata de Vison ... Taylor
  • 1968 - Demian, o Justiceiro ... Dagarata
  • 1967 - A Mulher Que Amou Demais
  • 1967 - Anastácia, a Mulher Sem Destino ... Jean Paul
  • 1965 - 22-2000 Cidade Aberta ... Carlinhos


Participações Especiais

  • 1994 - Xuxa Especial de Natal - Crer Para Ver ... Palhaço chorão.



Cinema

  • O Menino Maluquinho II - A Aventura
  • Tiradentes - O Filme
  • Mutirão de Amor
  • Caminhos Cruzados
  • Uma Estranha História de Amor
  • Um Marido Contagiante
  • Contos Eróticos
  • Ipanema, Adeus
  • Como Nos Livrar do Saco
  • O Grande Gozador
  • Quando as Mulheres Paqueram
  • Ascensão e Queda de um Paquera
  • Memórias de um Gigolô
  • A Cama ao Alcance de Todos
  • A Ascensão
  • A um Pulo da Morte
  • Cuidado! Espião Brasileiro em Ação
  • Nudista à Força
  • Engraçadinha Depois dos Trinta
  • A História de um Crápula
  • Um Ramo Para Luísa
  • Contos Eróticos - Vereda Tropical

Dublagem
  • Robin Hood


Fonte: Wikipédia
Indicação: Neyde Almeida

Oscar Castro-Neves

OSCAR CASTRO NEVES
(73 anos)
Cantor, Compositor, Instrumentista, Arranjador, Produtor Musical e Diretor Musical

* Rio de Janeiro, RJ (15/05/1940)
+ Los Angeles, Estados Unidos (27/09/2013)

Oscar Castro Neves ou, como é conhecido internacionalmente, Oscar Castro-Neves, foi um cantor, instrumentista, arranjador, compositor, produtor musical e diretor musical brasileiro. Como Antônio Carlos Jobim e João Gilberto, Oscar Castro-Neves é considerado por muitos uma das figuras que ajudaram a estabelecer o movimento da bossa nova no mercado internacional, principalmente nos Estados Unidos.

Oscar Castro-Neves foi um dos mais bem-sucedidos arranjadores do cenário musical, tendo se destacado no Brasil ainda na década de 1950, quando teve a oportunidade de contribuir com Antônio Carlos Jobim, Vinicius de Moraes e outros cânones da bossa nova. Entre as canções de sucesso "Onde Está Você?" e "Morrer de Amor".

Na década seguinte, apesar da hegemonia do movimento no país, Oscar Castro-Neves se mudou para Los Angeles, onde passou a viver até a morte, apesar das constantes vindas à cidade natal.

O seu primeiro instrumento foi um cavaquinho, enquanto o seu primeiro grupo musical foi uma parceria com seus irmãos: o pianista Mário, o baixista Iko e o baterista Léo. Estava formado então o conjunto Irmãos Castro Neves, um dos grupos precursores da bossa nova. Seu primeiro sucesso foi com "Chora Tua Tristeza" , aos 16 anos de idade.


Em 1962, estava junto com Antônio Carlos Jobim na histórica apresentação no Carnegie Hall, em Nova York. Em seguida iniciou uma turnê junto a Stan Getz e Sérgio Mendes. Ele continuou trabalhando com diversos músicos bem conceituados, entre eles: Yo-Yo Ma, Michael Jackson, Barbra Streisand, Stevie Wonder, João Gilberto, Lee Ritenour, Airto Moreira, Toots Thielemans, John KlemmerDiane Schuur, entre muitos outros.

Oscar Castro-Neves participava das famosas reuniões musicais realizadas na casa de Nara Leão, frequentadas também por Carlos Lyra, Roberto Menescal, Ronaldo BôscoliChico Feitosa, entre outros integrantes da bossa nova.

Nos anos de 1970 e no início de 1980, participou do conjunto musical de Paul Winter. Por 7 anos, Oscar Castro-Neves dirigiu um programa de músicas brasileiras no Hollywood Bowl. Com uma audiência que superava 14 mil pessoas, o programa homenageava grandes nomes da fusão "Jazz-Bossa" e era televisionado globalmente.

Atualmente vivia em Los Angeles, na Califórnia, aonde trabalha como orquestrador de trilha sonora de longa-metragens, e inclui em seu curriculum filmes como "Blame It On Rio" e "Sister Act 2: Back In The Habit".


Morte

Oscar Castro-Neves faleceu na sexta-feira, 27/09/2013, aos 73 anos, em virtude de complicações decorrentes de um câncer, em Los Angeles, Estados Unidos. A notícia, no entanto, só foi divulgada no sábado, 28/09/2013. O compositor lutava contra a doença, instalada no estômago, há mais de um ano.

O irmão dele, Pedro Paulo, divulgou uma mensagem sobre a morte de Oscar Castro-Neves:

"A todos os amigos, amigos músicos, membros da família, temos nós, Mario, Maria Lina e eu, irmãos e irmã de Oscar, a tristeza de anunciar seu pacífico falecimento ontem à noite, dia 27 de setembro 2103 em Los Angeles, Califórnia, tendo ao seu lado sua amada esposa, Lorry e queridas filhas, Bianca e Felicia. Nosso inesquecível Oscar nos deixou com muito amor para o Eter".


Discografia

  • 2006 - All One
  • 2003 - Playful Heart
  • 1998 - Brazilian Days (Com Paul Winter)
  • 1997 - The John Klemmer And Oscar Castro-Neves Duo
  • 1993 - Tropical Heart
  • 1991 - More Than Yesterday (Com Teo Lima)
  • 1989 - Maracujá
  • 1987 - Oscar!
  • 1987 - Brazilian Scandals

Indicação: Miguel Sampaio

Carlos Spera

CARLOS SPERA
(36 anos)
Jornalista e Repórter

* São Paulo, SP (15/06/1929)
+ São Paulo, SP (11/01/1966)

Desde garoto queria ser repórter. Estava apenas com 20 anos quando começou a trabalhar no jornal Hoje onde ficou três anos. A seguir passou para o jornal Hora. Mais um ano e passou para os Diários Associados de Assis Chateaubriand.

Em 1953 ficou responsável pelo programa "Ronda dos Bairros". Em 1954, já contratado pela Rádio Difusora de São Paulo, começou a desenvolver intenso trabalho jornalístico. Investiu tanto no setor nacional como internacional e esteve nos Estados Unidos, em toda a Europa e no Oriente Médio. Estava em Londres, quando na cerimônia fúnebre de Wiston Churchiel.

A partir de 1955, apesar dos bons profissionais que haviam na televisão, dois jornalistas se destacaram na TV Tupi e iniciaram a fase do repórter de televisão: Carlos Spera e José Carlos de Moraes (Tico-Tico). Esses dois profissionais, vindos do jornal Diário de São Paulo, dedicaram-se ao noticiário da televisão, indo atrás dos fatos, tentando transmitir diretamente dos locais, informando em primeira mão antes do jornal e do rádio, fazendo com que o veículo gerasse mais intensamente suas próprias notícias.

Carlos Spera é o último a direita da foto
Em 1961, quando Jânio Quadros, então presidente, renunciou, Carlos Spera ficou no microfone por 24 horas consecutivas. Em 1963, esteve nos Estados Unidos, para transmitir informações sobre o assassinato do presidente Kennedy.

Incansável, irreverente, era muito respeitado por todos a quem entrevistava. Todos o consideravam o maior repórter de seu tempo. Além de trabalhar na TV Tupi, foi também repórter da TV Cultura, que foi por muito tempo a caçula, dentre as Associadas.

Carlos Spera foi importante na implantação da TV Cultura. Hoje ele dá nome à rua que contorna a sede da Fundação Padre Anchieta, que hoje congrega a TV Cultura, a Rádio Cultura AM e a Rádio Cultura FM. É um belo conjunto arquitetônico, que fica no bairro da Água Branca em São Paulo.

Carlos Spera entrevista Auro de Moura
Durante uma visita do líder cubano Fidel Castro ao Brasil, o repórter Carlos Spera conseguiu levá-lo à TV Tupi. Às pressas, improvisou-se uma equipe para sabatiná-lo. Foi ao ar uma "entrevista coletiva".

Carlos Spera faleceu ainda muito jovem, com apenas 36 anos, em 11/01/1966, no Hospital do Câncer em São Paulo, vítima de um câncer na garganta.

Ele foi casado com Esmeralda Lesjak Spera e  deixou 4 filhos, Sandra Spera, Katia Spera, Solange Spera e Carlos Spera Junior.

Indicação:  Carlos Spera Junior

Waldir Anunciação

WALDIR ANUNCIAÇÃO
(62 anos)
Cantor

* Rio de Janeiro, RJ (1941)
+ Rio de Janeiro, RJ (08/01/2004)

Waldir Anunciação foi um cantor brasileiro nascido na cidade do Rio de Janeiro, um dos integrantes do grupo Golden Boys, o mais popular conjunto musical da época da Jovem Guarda.

Golden Boys

Os Golden Boys era uma das bandas do movimento Jovem Guarda no Brasil. Eles são, na origem, um quarteto doo-wop, formado por três irmãos: Roberto, Ronaldo, Renato, e um "primo", Valdir Anunciação.

Waldir Anunciação era conhecido como o “primo” dos irmãos Roberto, Ronaldo e Renato, que juntos formavam o quarteto de cantores. Na verdade, ele era um amigo de infância dos três irmãos, colega de classe de Roberto na Escola Industrial Ferreira Viana, no Maracanã. A história foi revelada por Roberto.

Os fãs achavam tão bonito três irmãos cantando juntos e ficavam chateados quando dizíamos que o Waldir não era parente.

‘"Ah, não é irmão, não? Por quê?’"
"Porque não é!", a gente respondia.

Aí um dia alguém disse: ‘"Então é primo"’. Ficou assim”, contou. “Waldir não era nosso primo de sangue, mas era como se fosse nosso irmão. Ele era órfão e considerava o nosso pai como sendo dele”. 

Golden Boys
Os Golden Boys começaram a carreira muito jovens, por volta de 1958, como versão brasileira do conjunto americano The Platters. Destacaram-se em apresentações de rádio e televisão, e, inspirados nos quartetos norte-americanos, gravaram vários discos voltados para o público jovem.

Os irmãos Roberto, Renato e Ronaldo também atuaram como compositores de canções de sucesso gravadas por outros artistas, além de serem também produtores. Os Golden Boys excursionaram nos anos 60 por países da América do Sul e gravaram diversos álbuns.

Os maiores sucessos foram reunidos em uma coletânea de dois volumes da série Melhores Momentos. Algumas dessas faixas são "Cabeção" (Roberto Correia e Silvio Sion), "Alguém Na Multidão" (Rossini Pinto) e versões de músicas dos Beatles, como "Michelle" e "Ontem" ("Yesterday").

Após terem se dedicado ao iê-iê-iê, no final dos anos 60 e início dos anos 70 participaram de vários álbuns de artistas da MPB e do pop-rock brasileiro, álbuns estes que futuramente se tornariam cult e objeto de desejo de colecionadores, como o clássico "Carlos, Erasmo" de Erasmo Carlos, nos discos de Marcos Valle, e até mesmo do álbum "A Matança do Porco" do grupo de rock progressivo Som Imaginário.

Waldir Anunciação
Os irmãos mais jovens formaram o Trio Esperança, com Regina, Mario e Evinha, mais tarde substituída pela irmã mais nova, Marizinha.

Os Golden Boys foram responsáveis por inserir um pouco de negritude na jovem guarda, ainda que não fossem exatamente um coral soul, apenas tinham uma maneira toda especial de cantar os hits da época.

Com o passar do tempo, o grupo, que sempre primou pelo bom humor aliado a técnica vocal, foi tirando boa parte do terno-e-gravata de seu som e inserindo toques de soul music e psicodelia, além de algumas guitarras distorcidas e letras inusitadas como em "Fumacê" (1970), também título do LP, que soava como uma referência nada sutil a maconha.

As últimas gravações importantes do grupo foram os CDs "Os Grandes Sucessos dos Golden Boys" (1994) e "Festival dos Golden Boys" (1997).

Desde 1996, porém, Waldir Anunciação estava afastado do grupo. Primeiro por conta de problemas nas cordas vocais. Recuperado, ensaiou uma volta aos Golden Boys, mas passou a sofrer de enfisema pulmonar. “Ele ficou sem motivação, muito deprimido por não poder cantar mais”, disse Roberto.

Waldir Anunciação tinha uma voz muito bonita e solava em algumas músicas. "Smoke Gets in Your Eyes", por exemplo, era imprescindível nos nossos shows. Depois que o Waldir saiu, ninguém nunca mais cantou essa música”, contou Renato.

Os Golden Boys fizeram duas apresentações para arrecadar dinheiro para o tratamento de Waldir Anunciação. Nos últimos tempos, ele dedicava-se à carreira do filho Germano, que era estudante de Educação Física e chegou a gravar um CD, com a participação do pai.

Morte

Waldir Anunciação, dos Golden Boys, morreu às 21:30hs do dia 08/01/2004,  no Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes, no Rio de Janeiro, depois de ser atendido em razão de um mal-estar. Ele sofria de câncer no intestino e já estava afastado do grupo há alguns anos. A doença surgiu no intestino há quatro meses, mas espalhou-se rapidamente. Os médicos ainda tentaram operá-lo, mas o câncer já havia tomado todo o aparelho digestivo. 

O corpo do cantor foi velado no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, Zona Oeste do Rio de Janeiro e o enterro ocorreu às 15:30hs do dia 09/01/2004.

Waldir Anunciação era casado com Maria Alzira e tinha um filho, Germano, na época com 22 anos.


Discografia

  • 1958 - The Golden Boys (Copacabana 78rpm)
  • 1958 - The Golden Boys (Copacabana 78rpm)
  • 1959 - Os Golden Boys (Copacabana LP)
  • 1959 - Os Golden Boys (Copacabana 78rpm)
  • 1959 - Os Golden Boys (Copacabana Compacto)
  • 1959 - The Golden Boys (Copacabana 78rpm)
  • 1960 - The Golden Boys (Com Betinho e Seu conjunto - Copacabana Compacto)
  • 1960 - The Golden Boys (Copacabana 78rpm)
  • 1961 - The Golden Boys (Copacabana 78rpm)
  • 1962 - The Golden Boys (Copacabana 78rpm)
  • 1963 - The Golden Boys (Polydor 78rpm)
  • 1963 - The Golden Boys (Polydor 78rpm)
  • 1964 - The Golden Boys (Polydor Compacto)
  • 1964 - Golden Boys (Odeon Compacto)
  • 1964 - Golden Boys (Odeon Compacto)
  • 1965 - The Golden Boys (Odeon Compacto)
  • 1965 - The Golden Boys (Odeon LP)
  • 1965 - The Golden Boys (Odeon Compacto)
  • 1965 - The Golden Boys (Com The Fevers - Odeon Compacto)
  • 1966 - Alguém na Multidão (Com The Fevers - Odeon LP)
  • 1966 - The Golden Boys (Com The Fevers - Odeon Compacto)
  • 1967 - Golden Boys (Odeon Compacto)
  • 1967 - Pensando Nela (Odeon LP)
  • 1967 - Golden Boys (Odeon Compacto)
  • 1967 - Golden Boys (Odeon Compacto)
  • 1968 - Golden Boys (Odeon Compacto)
  • 1968 - Golden Boys (Odeon Compacto)
  • 1968 - Na linha de Frente (Odeon LP)
  • 1968 - Golden Boys (Odeon Compacto)
  • 1968 - Golden Boys (Odeon Compacto)
  • 1969 - Golden Boys (Odeon Compacto)
  • 1969 - Golden Boys (Odeon Compacto)
  • 1969 - Golden Boys (Odeon LP)
  • 1969 - Golden Boys (Odeon Compacto)
  • 1970 - Golden Boys (Odeon Compacto)
  • 1970 - Golden Boys (Odeon Compacto)
  • 1970 - Fumacê (Odeon LP)
  • 1970 - Golden Boys (Odeon Compacto)
  • 1971 - Golden Boys (Odeon Compacto)
  • 1971 - Golden Boys (Odeon Compacto)
  • 1971 - Só Vou Criar Galinha (Odeon LP)
  • 1973 - Golden Boys (Odeon LP)
  • 1975 - Golden Boys (Odeon LP)
  • 1978 - Golden Boys (Polydor LP)
  • 1984 - O Sonho Não Acabou... (Epic/CBS LP)
  • 1986 - Golden Boys (Epic/CBS LP)
  • 1991 - Golden Boys Ao Vivo (Som Livre CD)
  • 1994 - Meus Momentos - Golden Boys (EMI-Odeon CD)
  • 1994 - Os Grandes Sucessos dos Golden Boys (EMI-Odeon CD)
  • 1997 - Meus Momentos Vol. 2 - Golden Boys (EMI Music CD)
  • 1997 - Festival dos Golden Boys (Som Livre CD)

Filmografia

  • 1959 - Eu Sou o Tal (Golden Boys)
  • 1960 - Cala a Boca, Etelvina (Golden Boys)
  • 1967 - Adorável Trapalhão (Golden Boys)


Indicação: Miguel Sampaio

Pereira Passos

FRANCISCO PEREIRA PASSOS
(76 anos)
Engenheiro e Político

* São João Marcos, RJ (29/08/1836)
+ Em Viagem (12/03/1913)

Francisco Pereira Passos foi um engenheiro brasileiro e prefeito da cidade do Rio de Janeiro entre 1902 e 1906, nomeado pelo presidente Rodrigues Alves.

Filho de Antônio Pereira Passos, Barão de Mangaratiba, e de Clara Oliveira. Até os 14 anos foi criado na Fazenda do Bálsamo, em São João Marcos, atualmente distrito de Rio Claro, no estado do Rio de Janeiro.

Em março de 1852 ingressou na então Escola Militar, atual Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, antiga Universidade do Brasil, onde se formou em 1856 como Bacharel em Ciências Físicas e Matemáticas o que lhe dava o Diploma de Engenheiro Civil. Foi colega de turma de Benjamin Constant.

Estudou na França de 1857 ao final de 1860, onde assistiu a reforma urbana de Paris promovida por Georges-Eugène Haussmann. A estada em Paris lhe exerceu profunda influência, que iria dedicar-se à engenharia ferroviária e ao urbanismo.

Em seu retorno ao Brasil, em 1860, Pereira Passos dedicou-se à construção e expansão da malha ferroviária brasileira, sob a demanda da economia cafeeira. Participou da construção da ferrovia Santos-Jundiaí (1867), do prolongamento da Estrada de Ferro Dom Pedro II até o São Francisco (1868), foi consultor técnico do Ministério da Agricultura e Obras Públicas (1870).

Voltou à Europa em 1871, na companhia do Barão de Mauá, como inspetor do Governo Imperial. Na Europa, estudou o sistemas ferroviários europeus e se inspirou na estrada de ferro suiça, a que subia o Monte Righi com inclinações de até 20%, para a executar o prolongamento da estrada de ferro da serra de Petrópolis. Sistema que seria ainda usado posteriormente na primeira estrada turística do Brasil, a Estrada de Ferro Corcovado. Dirigiu na mesma época o Arsenal de Ponta da Areia, a convite do Barão de Mauá, produzindo trilhos, vagões, etc.

Foi nomeado engenheiro do Ministério do Império em 1874, cabendo a Pereira Passos acompanhar todas as obras do governo imperial. Integrou a comissão que iria apresentar o plano geral de reformulação urbana da capital, incluindo o alargamento de ruas, construção de grandes avenidas, canalizações de rios entre outras medidas urbanas e sanitárias. O levantamento realizado de 1875 a 1876, seria a base do futuro plano diretor da cidade, posto em prática em sua administração como prefeito.

Retornou à Europa em 1880 e permaneceu em Paris até 1881. Nesta época frequentou cursos na Sorbonne e no Collége de France. Visitou fábricas, siderúrgicas, empresas de transporte e obras públicas na Europa. Ainda em 1881 tornou-se consultor da Compagnie Générale de Chemins de Fer Brésiliens, para acompanhar a construção de uma linha ferroviária no Paraná, ligando o porto de Paranaguá à Curitiba.

No seu retorno ao Brasil, mudou-se para o Paraná e somente após a inauguração da ferrovia em 1882, retornou à capital. Em seu retorno, assumiu a presidência da Carris de São Cristóvão, substituindo Visconde de Taunay.

Após restruturar a empresa, em 1884, Pereira Passos propõe aos acionistas a aquisição do projeto do italiano Giuseppe Fogliani, para a construção de uma grande avenida. Apesar da aprovação dos acionistas e da licença para construção obtida, o projeto não saiu do papel. No entanto, essa seria mais uma antecipação do que viria a ocorrer em sua gestão como prefeito 20 anos depois: a abertura da Avenida Central.

O prefeito Pereira Passos posando para Rodolpho Bernadelli
(Fonte: Foto Malta. Arquivo IHGB, Rio de Janeiro)
Panorama do Rio de Janeiro no Início do Século XX

No início do século XX, o Rio de Janeiro passava por graves problemas sociais, decorrentes, em grande parte de seu rápido e desordenado crescimento, alavancado pela imigração européia e pela transição do trabalho escravo para o trabalho livre.

Na ocasião em que Pereira Passos assumiu a prefeitura da cidade, o Rio de Janeiro, com sua estrutura de cidade colonial, possuía quase 1 milhão de habitantes carentes de transporte, abastecimento de água, rede de esgotos, programas de saúde e segurança.

No centro do Rio de janeiro, a Cidade Velha e adjacências, eclodiam habitações coletivas insalubres (cortiços), epidemias de febre amarela, varíola, cólera, conferindo à cidade a fama internacional de porto sujo ou Cidade da Morte, como se tornara conhecida.

A reforma urbana de Pereira Passos, período conhecido popularmente como "Bota-abaixo", visou o saneamento, o urbanismo e o embelezamento, dando ao Rio de Janeiro ares de cidade moderna e cosmopolita.

Monumento ao Prefeito Francisco Pereira Passos
Prefeito

Nomeado prefeito pelo presidente Rodrigues Alves, ao lado de Lauro Müller, Paulo de Frontin e Francisco Bicalho, promoveu uma grande reforma urbanística na cidade, com o objetivo de transformá-la numa capital nos moldes franceses.

Inspirado nas reformas de Georges-Eugène Haussmann, em quatro anos Pereira Passos transformou a aparência da cidade: aos cortiços (locais serviam de moradia para aqueles que não seriam benquistos na "cidade higienizada") e às ruas estreitas e escuras, sobrevieram grandes bulevares, com imponentes edifícios, dignos de representar a capital federal.

Alargamento e Abertura de Ruas:

Com a finalidade de saneamento e ordenação da malha de circulação viária, Pereira Passos demoliu casarões, abriu diversas ruas e alargou outras. O alargamento das ruas permitiu o arejamento, ventilação e melhor iluminação do centro e ainda a adoção de uma arquitetura de padrão superior.

Foram abaixo todos os prédios paralelos aos Arcos da Lapa e o Morro do Senado, a fim de liberar passagem para a Avenida Mem de Sá. Para a abertura da Avenida Passos, foi demolido o Largo de São Domingos. Após a conclusão do alargamento da Rua da Vala, atual Rua Uruguaiana, em 1906, que custou a demolição de todo o casario de um dos lados da rua, esta passou a abrigar as melhores lojas do início do século.

Foi também em sua administração que ocorreram as obras de abertura das avenidas Beira-Mar e Atlântica, além do alargamento da Rua da Carioca, Rua Sete de Setembro, dentre outras obras.

Avenida Central:

Pereira Passos idealizou e realizou a Avenida Central, com 1.800 metros de comprimento e 33 metros de largura, a atual Avenida Rio Branco, um dos mais importantes logradouros da cidade ainda hoje, a exercer o papel de centro econômico e administrativo. É considerada um dos marcos de sua administração.

Avenida Beira Mar:

As obras da Avenida Beira Mar, iniciadas logo que assumiu, foram inspecionadas pessoalmente. Esta ligaria o centro da cidade até o Morro da Viúva. A avenida foi uma forma eficiente de ligar as extremidades da cidade, sendo esta ligação reforçada posteriormente pela abertura de túneis.

Cidade Maravilhosa

Após as obras de Pereira Passos e o trabalho do sanitarista Oswaldo Cruz o Rio de Janeiro perdeu o apelido de Cidade da Morte, ganhou o título de Cidade Maravilhosa e realizou a Exposição Nacional de 1908, idealizada pelo presidente Afonso Pena para festejar o Centenário da abertura dos portos.


Aspectos Sociais na Gestão Pereira Passos

Apesar das melhorias sanitárias e urbanísticas, o plano de Pereira Passos implicou alto custo social, com o início das formações de favelas na cidade.

A reforma promoveu uma grande valorização do solo na área central, ainda ocupada parcialmente pela população de baixa renda. Cerca de 1.600 velhos prédios residenciais foram demolidos. A partir destas demolições, a população pobre do centro da cidade se viu obrigada a morar com outras famílias, a pagar altos aluguéis ou a mudar-se para os subúrbios, uma vez que foram insuficientes as habitações populares construídas em substituição às demolidas.

Parte considerável da imensa população atingida pela remodelação permaneceu na região e nos morros situados no centro da cidade - Providência, Santo Antonio, entre outros - outrora pouco habitados, sofreram uma rápida ocupação habitacional proletária. Surgiram as favelas, que marcariam a configuração da cidade até os dias de hoje.

Principais Obras da Gestão de Pereira Passos

  • 1903 - Inauguração do Pavilhão da Praça XV
  • 1903 - Prolongamento da Rua do Sacramento (atual Avenida Passos) até a Rua Marechal Floriano
  • 1903 - Inauguração do Jardim do Alto da Boa Vista
  • 1903 a 1904 - Alargamento da antiga Rua da Prainha (atual Rua do Acre)
  • 1904 - Construção do Aquário do Passeio Público
  • 1904 - Obras na Rua 13 de Maio
  • 1905 - Início da Construção do Teatro Municipal do Rio de Janeiro (inaugurado em 1909)
  • 1905 - Inauguração da nova estrada da Tijuca
  • 1905 - Alargamento e prolongamento da Rua Marechal Floriano até o Largo de Santa Rita
  • 1905 - Alargamento da Rua do Catete
  • 1905 - Alargamento e prolongamento da Rua Uruguaiana (antiga Rua da Vala)
  • 1905 - Inauguração da Avenida Central (atual Avenida Rio Branco), marco de sua administração
  • 1905 - Decreto para a construção da Avenida Atlântica, em Copacabana
  • 1905 - Inauguração da Escola-Modelo Tiradentes
  • 1905 - Abertura da Rua Gomes Freire de Andrade
  • 1905 - Abertura da Avenida Maracanã
  • 1906 - Alargamento da Rua da Carioca
  • 1906 - Inauguração da fonte do Jardim da Glória
  • 1906 - Inauguração da nova Fortaleza na Ilha de Lage
  • 1906 - Inauguração do palácio da exposição permanente de São Luiz (futuro Palácio Monroe)
  • 1906 - Conclusão das obras de melhoramento do porto do Rio de Janeiro e do Canal do Mangue
  • 1906 - Inauguração das obras de melhoramento e embelezamento do Campo de São Cristóvão
  • 1906 - Aterramento das praias do Flamengo e Botafogo, com construção de jardins
  • 1906 - Inauguração do alargamento da Rua Sete de Setembro , entre as avenidas Central e Primeiro de Março
  • 1906 - Inauguração da Avenida Beira-Mar
  • 1906 - Reforma do Largo da Carioca
  • 1906 - Construção do Pavilhão Mourisco, em Botafogo
  • 1906 - Construção do Restaurante Mourisco, próximo à estação das barcas, no Centro
  • 1906 - Melhorias no abastecimento de água da cidade


Outros Feitos

  • Foi presidente do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro
  • Construção da Estrada de Ferro do Corcovado (a primeira estrada de ferro turística do Brasil)

Morte

Pereira Passos morreu a bordo do navio Araguaia, quando viajava do Rio de Janeiro para a França no dia 12/03/1913.

Fonte: Wikipédia
Indicação: Miguel Sampaio

Leny Eversong

HILDA CAMPOS SOARES DA SILVA
(63 anos)
Cantora

* Santos, SP (01/09/1920)
+ São Paulo, SP (29/04/1984)

Hilda Campos Soares da Silva, mais conhecida como Leny Eversong, foi uma cantora brasileira. Ficou famosa pela sua voz e por cantar em inglês e francês.

Foi contratada pela Rádio Clube de Santos depois de participar de um programa de calouros infantil, quando tinha 12 anos. Especializou-se em foxes norte-americanos, e, em meados da década de 30, quando foi contratada pela Rádio Atlântica, adotou o nome artístico Leny Eversong, passando a cantar apenas em inglês.

Por volta de 1937, mudou-se para São Paulo, onde trabalhou como crooner em boates e cassinos. Teve passagens por diversas emissoras de rádio paulistas e excursionou pela Argentina. Nos anos 50 voltou a cantar músicas brasileiras, e gravou LPs, cantando em vários idiomas.

Seu maior sucesso foi o fox "Jezebel" (Shanklin), gravado pela primeira vez em 1952. No final da década excursionou pelos Estados Unidos, onde gravou "Leny Eversong na América do Norte", acompanhada pela Orquestra de Neal Heafti.


Até o final dos anos 60, realizou oito temporadas só em Las Vegas. Gravou em 78 rpm na Continental e na era do LP na Copacabana e na RGE. Nos anos 60, participou de uma montagem da "Ópera dos Três Vinténs", de Bertold Brecht, e depois de um show no Canecão, no Rio de Janeiro.

Muito gorda, com os cabelos oxigenados e uma voz potente de contralto mas com bom alcance nos agudos, ela nunca chegou a ter, no Brasil, a popularidade de uma Dalva de Oliveira ou Ângela Maria. No entanto, Leny Eversong impactava as plateias com suas interpretações em vários idiomas.

Foi na segunda metade dos anos 50 que Leny Eversong viveu o auge de sua carreira. Foi capa das principais publicações brasileiras e trazia a tiracolo uma invejável agenda internacional, incluindo Las Vegas, Nova York e Paris, cantando em grandes teatros e cassinos.

"Leny foi a primeira brasileira a cantar em Las Vegas apenas por suas qualidades de cantora. A Carmen Miranda foi um caso extraordinário, porque foi para lá depois de fazer cinema. A Leny não. Foi sem filme, sem nada, cantando em inglês", compara a cantora Carminha Mascarenhas.

O maestro Daniel Salinas, que a acompanhou em turnês por Las Vegas e Nova York, é testemunha do estrondoso sucesso que a cantora fez ao redor do mundo, onde quer que se apresentasse.

Elvis Presley, Leny Eversong e Ed Sullivan (06/01/1957)
"Ela fez temporadas em Las Vegas, Nova York, Paris, México e em países das Américas Central e do Sul. Mesmo em lugares em que não era tão conhecida, como a Venezuela, ela tinha um potencial tão fabuloso que, quando cantava, arrasava. Era aplaudida de pé. Naquela época, quase não tinha brasileiro de sucesso fora do país. Pena que ninguém lembre mais dela", lamenta o maestro Daniel Salinas. Ele afirma que Leny Eversong teve a chance de gravar com os melhores músicos, nos melhores estúdios e com arranjos de grandes maestros. "Ela fez tudo que um artista sonharia fazer". De fato, ela gravou nos anos 50 um LP na Coral com a Orquestra de Neal Hefti e, na Vogue francesa, um com a de Pierre Dorsey.

Embora os letreiros dos cassinos de Las Vegas a enfocassem como cantora brasileira, muitas vezes ela era vendida como cantora americana, pois apesar de até o final dos anos 50 não falar uma palavra de inglês, cantava sem sotaque graças a seu ótimo ouvido. O cantor Luiz Vieira lembra-se de ouvi-la falar dessas armações, às gargalhadas.

"A Leny era maravilhosa, de uma humildade e uma simplicidade incríveis. Ela me contava os seus micos do modo mais natural. Ela podia não ter um nível de cultura dos mais lisonjeiros, mas era inteligente demais. Quando ela ia para a Argentina, por exemplo, o empresário dela dizia: 'Não abra a boca com a imprensa'. Então, só falavam com o empresário. E ela só falava yes, ok, all right. Ela contava isso com muita graça!"


Até o final dos anos 60, sua carreira ia bem. Leny Eversong participou da primeira montagem brasileira da "Ópera dos Três Vinténs", de Bertold Brecht, em São Paulo, e de alguns festivais da canção, além de continuar com suas turnês americanas. Mas no início dos 70, começaram as dores de cabeça. Seu marido saiu para comprar cigarros e nunca mais voltou. Foi sequestrado e desapareceu. Isso marcou tanto a sua vida que todos os artistas entrevistados para essa reportagem fizeram menção ao fato. "Ela ficou quase louca quando o marido sumiu", lembra Luiz Vieira. A cantora Adelaide Chiozzo diz que chegou a consolá-la. Mas o maior apoio à cantora foi dado pelo amigo Agnaldo Rayol.

"Quando o marido dela sumiu, ela ficou dias hospedada no meu sítio, em Itapecerica da Serra. Estava muito nervosa. Ela estava meio desencontrada, perdida e eu disse: Venha passar uns dias comigo. Batíamos muito papo. Já nessa época, ela se sentia meio injustiçada, esquecida".

Em 1970, Leny Eversong afastou-se da vida artística, aparecendo esporadicamente em programas de televisão e eventos.

Mesmo sendo uma figura tão interessante e única no estilo, ela morreu em 1984, no total ostracismo, aos 64 anos, vítima de diabetes.


Discografia

  • S/D - Um Drink Com Cauby e Leny (LP)
  • 1964 - A Internacional Leny Eversong (RGE - LP)
  • 1960 - Leny Eversong Na América Do Norte (Copacabana - LP)
  • 1960 - Mack The Knife (Moritat) / Lazy Bones (RGE - 78rpm)
  • 1960 - Marina / Mack The Knife (Moritat) (RGE - 78rpm)
  • 1960 - Coração De Mãe (RGE - 78rpm)
  • 1960 - Carina / Sabor A Mi (RGE - 78rpm)
  • 1960 - Sol De Verão / Oui, Oui, Oui, Oui (RGE - 78rpm)
  • 1960 - Exemplo / Oui, Oui, Oui, Oui (RGE - 78rpm)
  • 1960 - Nunca Num Domingo / Olhando Estrelas (RGE - 78rpm)
  • 1959 - Vem Aqui A La Realidad / Bem, Bem, Bem (RGE - 78rpm)
  • 1959 - The World Outside / It's Only Make Believe (RGE - 78rpm)
  • 1958 - Geada / No Azul Pintado De Azul (Copacabana - 78rpm)
  • 1958 - Fascination / Marianne (Copacabana - 78rpm)
  • 1958 - Ritmo Fascinante Nº 1 (Copacabana - LP)
  • 1958 - Sereno / Esmagando Rosas (RGE - 78rpm)
  • 1957 - Feliz Natal Pra Jesus / Nossa Senhora Aparecida (Copacabana - 78rpm)
  • 1957 - Leny Eversong Em Foco (Copacabana - LP)
  • 1956 - Oxalá / Ritmo Do Coração (Copacabana - 78rpm)
  • 1956 - Noel Rosa / Aquarela Mineira (Copacabana - 78rpm)
  • 1956 - Ontem / Taquará (Copacabana - 78rpm)
  • 1955 - Coração De Palhaço / Enxuga As Lágrimas (Copacabana - 78rpm)
  • 1955 - Chuva / Ela Diz Que É Grega (Copacabana - 78rpm)
  • 1955 - Jovem Coração / Portão Antigo (Copacabana - 78rpm)
  • 1955 - Vestido De Fustão / Batuque De Salvador (Copacabana - 78rpm)
  • 1955 - Nego Bola-Sete / Mamãe-Iemanjá (Copacabana - 78rpm)
  • 1955 - Jezebel / Jalousie (Copacabana - 78rpm)
  • 1954 - Ali Babá / Sempre Te Amei (Copacabana - 78rpm)
  • 1954 - Estou Morrendo De Saudade / Panela Vazia (Copacabana - 78rpm)
  • 1954 - Johnny / 400 Verões (Copacabana - 78rpm)
  • 1954 - Virgem Maria / Mater (Copacabana - 78rpm)
  • 1954 - Pretenda / Responde (Copacabana - 78rpm)
  • 1953 - Pobre Pierrô / Eu Não Sabia (Continental - 78rpm)
  • 1953 - Confissão / Solidão (Continental - 78rpm)
  • 1953 - E Ele Não Vem / Roda, Roda, Roda (Copacabana - 78rpm)
  • 1953 - Leny Eversong Em Foco (Copacabana - LP)
  • 1953 - Padam... Padam / Vencida (Copacabana - 78rpm)
  • 1953 - Canção De Natal / Prece De Natal (Copacabana - 78rpm)
  • 1953 - Big Mamou / Rachel (Copacabana - 78rpm)
  • 1952 - Pode ir em paz/Volta por Deus! (Continental - 78rpm)
  • 1952 - Jezebel /Blue Guitar (Continental - 78rpm)
  • 1952 - Vocês Estão Vendo / Mi Mamito (Continental - 78rpm)
  • 1951 - Estranho / Inutilmente (Continental - 78rpm)
  • 1951 - Vidas Iguais / Vem Amor (Continental - 78rpm)
  • 1948 - My Mammy / California Here I Come (Continental - 78rpm)
  • 1946 - Amado Mio / Put The Blame On Mame (Continental - 78rpm)
  • 1946 - Take Me Back Baby / All The Cats Join In (Continental - 78rpm)
  • 1945 - Irrestible You / Milkman Keep Those Bottles Quiet! (Continental - 78rpm)
  • 1945 - Candy / How Blue The Night (Continental - 78rpm)
  • 1944 - Stormy Weather / I Can't Give You Anything But Love (Continental - 78rpm)
  • 1944 - The Music Stopped / I've Heard That Song Before (Continental - 78rpm)
  • 1944 - I Dug Aditch / They Just Chopped Down The Old (Continental - 78rpm)
  • 1943 - Besame Mucho / Por Mi Culpa (Columbia - 78rpm)

Fonte: Wikipédia

Muíbo Cury

MUHIB CURY
(80 anos)
Ator, Apresentador, Locutor, Cantor, Compositor, Radialista e Dublador

* Duartina, SP (15/01/1929)
+ São Paulo, SP (26/12/2009)

Muhib Cury, mais conhecido como Muíbo Cury ou Muíbo César Cury, foi um ator, compositor, radialista e dublador brasileiro.

Disseram ao descendente de libaneses Muhib Cury que, com aquele nome, ele não faria sucesso no rádio. A primeira iniciativa tomada pelo rapaz foi abrasileirar o Muhib, cujo significado é "amado", segundo a filha Adriana, para Muíbo.

Mesmo assim, para alguns, a solução nada resolvia, pois o nome continuava ruim. Aí ele incluiu o César na história. Resultado: ficou conhecido de várias maneiras como César Cury, Muíbo Cury ou Muíbo César Cury.

Estreou em 1949, na Rádio Clube de Marília. No início dos anos 50 o jovem nascido em Duartina, SP, começou como contrarregra na Rádio Bandeirantes, fazendo os barulhinhos para as radionovelas. Na emissora, trabalhou até o fim da vida. Apresentava o programa "Arquivo Musical" e o "Jornal em Três Tempos", ao lado de Chiara Luzzati e Paulo Galvão.

Da esquerda para a direita: Muíbo Cury, Sérgio Galvão, Wanderley Cardoso, Fernando Solera e Altemar Dutra
Também passou pela Rádio América, Rádio São Paulo, e Rádio Cultura, onde fez por 10 anos um programa de música sertaneja de raiz, uma de suas paixões. Integrou a dupla Barreto & Barroso e foi coautor da canção "João de Barro". Muíbo Cury compôs também marchinhas de carnaval. 

Atuou em telenovelas na TV Tupi e TV Bandeirantes. Seus últimos trabalhos televisivos foram uma participação em "Memórias de um Gigolô" e num comercial da Skol, no Natal de 1993.

Muíbo Cury era casado com Dalva, moça que o ouvia no rádio antes de conhecê-lo no madureza (espécie de supletivo). Teve 4 filhos e 2 netas.

Muíbo Cury morreu no Hospital São Luiz, sábado, dia 26/12/2009, onde estava internado em decorrência problemas cardíacos. O enterro aconteceu no domingo, 27/12/2009, às 11:00 hs, no Cemitério da Lapa.

Dublagens

  • Caçador Kaura em "Flashman"
  • Mantor do Diabo (primeira voz) em "Lion Man"
  • Fozzie em "Muppet Show" e "Os Muppets Conquistam Nova York"
  • Prefeito White em "Doug"
  • Participações nos Episódios 17 e 22 de "Samurai X"

Fonte: Wikipédia e Folha de S.Paulo
Indicação: Reginaldo Monte

Big Boy

NEWTON ALVARENGA DUARTE
(33 anos)
Disk Jockey (DJ)

* Rio de Janeiro, RJ (01/06/1943)
+ São Paulo, SP (07/03/1977)

Big Boy, pseudônimo de Newton Alvarenga Duarte, foi o mais importante Disc Jockey de sua época, responsável por uma verdadeira revolução no rádio brasileiro.

Como locutor, introduziu uma linguagem jovem, mais próxima do público que o ouvia. Seu "Hello crazy people!", a maneira irreverente como saudava os ouvintes, tornou-se marca registrada de um estilo próprio, descontraído, diferente da voz impostada dos locutores de então. Como programador, demonstrou extrema sensibilidade ao captar o gosto do público, observando as tendências musicais ao redor do mundo e inovando a partir de idéias que modificariam todo um sistema de programação estabelecido. Uma de suas grandes influências foi o grande Disc Jockey americano Wolfman Jack.

Apaixonado por música desde a infância, manifestando preferência pelo rock, o então novo ritmo americano que conquistou os jovens no mundo todo. Também costumava "peregrinar" na Rádio Tamoio do Rio de Janeiro, a rádio que apresentava a programação mais atualizada na época, procurando manter contato com os programadores e outros aficionados por rock, em busca de informações e de uma oportunidade profissional - seu sonho desde então, que procurou alcançar com obstinação. A oportunidade finalmente surgiu quando foi convidado para substituir um programador que entrou em férias. Assim, não hesitou em interromper a carreira de professor de geografia para tornar-se radialista.


Mais tarde foi convidado para participar de uma bem-sucedida tentativa de reformulação da Rádio Mundial AM, que se tornaria a rádio de maior audiência entre o público jovem do Rio de Janeiro. Foi ali que iniciou sua atuação como Disc Jockey, ganhou o apelido de Big Boy e criou o estilo inconfundível que continua até hoje influenciando locutores, inclusive das modernas rádios FM, cujas programações muitas vezes ainda seguem os moldes de seus programas.

Com sua voz alegre e postura informal, complementava as músicas que tocava com informações "quentes" sobre o mundo do disco, impondo uma dinâmica irresistível ao programa. Tudo isso sem perder o jeito de fã dos artistas, o que o aproximava ainda mais dos ouvintes.

Big Boy também pode ser considerado o primeiro "profissional multimídia" do show business brasileiro. Programador e radialista eclético, diversificava sua atuação mantendo a ligação da paixão pela música contemporânea nos seus diversos segmentos e movimentos.

Além de manter dois programas diários na Rádio Mundial, "Big Boy Show" e "Ritmos de Boite", um na Rádio Excelsior de São Paulo e um semanal especializado em Beatles, o "Cavern Club", também na Rádio Mundial, atuava como programador, colunista em diversos jornais e revistas, produtor de discos e Disc Jockey dos Bailes da Pesada, onde mantinha um contato direto com o público que gostava especialmente de soul e black music, principalmente na Zona Norte do Rio de Janeiro.


Na televisão, inovou ao apresentar em sua participação diária no Jornal Hoje da TV Globo, pela primeira vez, Film Clips com músicas de sucesso do momento. Em seu programa "Papo Pop", na TV Record de SP, lançou grupos brasileiros de vanguarda. Foi também o responsável pela implantação do Projeto Eldo Pop, no início das transmissões em FM no Brasil. A lendária rádio (antiga Eldorado FM), especializada em rock progressivo, visava contemplar um público restrito mas altamente especializado em seu gosto musical e que encontrava ali um veículo de expressão da autêntica música de vanguarda.

Chegou a participar como ele mesmo da novela infantil "Linguinha x Mr. Yes", ao lado do humorista Chico Anysio na TV Globo. Era exibida diariamente às 20:00hs após o Jornal Nacional e antes da novela das 20:00hs, no mesmo horário em que anteriormente era exibido o humorístico "Você Tem Tempo?" (1971) também de Chico Anysio, e aos sábados eram reprisados os episódios da semana inteira em São Paulo. Durou entre dia 11/10/1971 e 24/04/1972.

Ao longo de toda sua vida profissional, Big Boy continuou ampliando sua coleção. Em diversas viagens a outros países apurou seu acervo, buscando raridades como "discos piratas" de tiragens limitadíssimas. Ao morrer havia juntado cerca de 20 mil títulos, entre LPs e compactos, na maioria importados, que abrangem diversos gêneros musicais como rock, jazz, soul music, rock progressivo, música francesa, trilhas sonoras de filmes, orquestrais, etc. Como um todo, a discoteca Big Boy constitui-se num acervo cultural importantíssimo, pois retrata vários períodos do cenário discográfico mundial e, mais do que uma coleção, trata-se da síntese do trabalho de um profissional que ousou inovar.

Big Boy morreu sufocado por um ataque de asma, num quarto de hotel em São Paulo.


Discografia

Estes são LPs onde Big Boy selecionava o repertório e gravava locuções e vinhetas que eram mixadas às faixas, recriando uma parte do repertório tocado nos Bailes da Pesada:
  • 1970 - Baile da Pesada (Top Tape)
  • 1971 - Big Baile (Top Tape)
  • 1972 - Baile da Cueca (Top Tape)
  • 1974 - The Big Boy Show (RCA)


No álbum "Big Baile" afirma-se que Big Boy era artista exclusivo da Top Tape.

Fonte: Wikipédia
Indicação: Miguel Sampaio