Mané Garrincha

MANUEL FRANCISCO DOS SANTOS
(49 anos)
Jogador de Futebol

☼ Pau Grande, RJ (18/10/1933)
┼ Rio de Janeiro, RJ (20/01/1983)

Manuel Francisco dos Santos, mais conhecido por Garrincha, foi um grande jogador de futebol brasileiro que se notabilizou por seus dribles desconcertantes apesar do fato de ter suas pernas tortas. É considerado um dos maiores jogadores da história do futebol de todos os tempos.

No auge de sua carreira, passou a assinar Manoel dos Santos, em homenagem a um tio homônimo, que muito o ajudou. Garrincha também é amplamente considerado como o maior driblador da história do futebol.

Garrincha, "O Anjo de Pernas Tortas", foi um dos heróis da conquista da Copa do Mundo de 1958 e, principalmente, da Copa do Mundo de 1962 quando, após a contusão de Pelé, se tornou o principal jogador do time brasileiro. Com Garrincha e Pelé jogando juntos, a seleção brasileira de futebol jamais perdeu uma partida sequer. A força do seu carisma ficou marcada rapidamente nas palavras do poeta de Itabira, Carlos Drummond de Andrade, numa crônica publicada no Jornal do Brasil, no dia 21 de janeiro de 1983, um dia após a morte do genial Garrincha:


"Se há um Deus que regula o futebol, esse Deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas, como é também um Deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho."

(Carlos Drummond de Andrade)

Pelé e Garrincha
Infância: O Apelido "Garrincha"

De origem humilde, com quinze irmãos na família, Manoel dos Santos era natural de Pau Grande, distrito de Magé, Rio de Janeiro. Sua irmã o teria apelidado de Garrincha, fazendo uma associação com um passarinho muito comum na região serrana de Petrópolis, conhecido por este nome.

As Pernas Tortas

Uma das características marcantes que envolvem a figura de Garrincha relaciona-se a uma distrofia física: as pernas tortas. Numa perspectiva frontal, por exemplo, sua perna esquerda, seis centímetros mais curta que a direita, era flexionada para o lado direito, e a perna direita, apresentava o mesmo desenho. Afirma Ruy Castro em seu livro que já teria nascido assim, mas há vários depoimentos no sentido que tal característica tenha sido sequela de uma poliomielite.

Com quatorze anos de idade começou a jogar no Esporte Clube Pau Grande e seu talento, já manifestado, despertou a atenção de Arati, um ex-jogador do Botafogo. Teve uma breve passagem pelo Serrano Foot Ball Club, time de Petrópolis, região serrana do Rio. Foi este o primeiro clube a pagar quantias em dinheiro para que Garrincha jogasse futebol. Após esta passagem pelo Serrano, foi treinar no time do Botafogo de Futebol e Regatas. Não se sabe com certeza quem o levou a fazer um teste no Botafogo, mas nos minutos iniciais do primeiro treino, ele teria dado vários dribles em Nílton Santos, o qual já era um renomado jogador.

Garrincha e Elza Soares
Vida Pessoal

Garrincha casou-se com Nair, namorada infância, com quem teve oito filhas. Separou-se dela e foi casado com Elza Soares por 15 anos. Os dois tiveram um filho, Manuel Garrincha dos Santos Junior (09/07/1977 - 11/01/1986), morto aos 9 anos de idade num acidente automobilístico. Nenem, o filho dele com Iraci, sua esposa antes de conhecer Elza Soares,  também morreu num acidente em Portugal em 20 de janeiro de 1992 aos 28 anos.

Jogador Profissional

Por praticamente toda a sua carreira, 95% das partidas, Garrincha defendeu o Botafogo, no período de 1953-1965, além da Seleção Brasileira de 1957-1966.

Já em fim de carreira jogou alguns meses no Sport Club Corinthians Paulista, (1966), no Clube de Regatas do Flamengo, (1969), e no Olaria Atlético Clube, porém já estava longe de seu auge. Integrou o elenco do Vasco, em um amistoso contra a seleção da cidade de Cordeiro, RJ, marcando um gol nesta partida. Sua contratação não foi fechada pela equipe cruzmaltina devido a sua má condição física e foi devolvido ao Sport Club Corinthians Paulista após o supracitado amistoso.

Jogou sessenta partidas pelo Brasil entre 1955 e 1966. Em todos os seus jogos, participou de apenas uma derrota (de 3 a 1 para a Hungria na Copa de 66).

Mesmo na Seleção Brasileira, Garrincha nunca abandonou sua forma irreverente de jogar. Voltava a driblar o jogador oponente, no mesmo lance, ainda que desnecessariamente, só pela brincadeira em si.

Nos clubes, jogou 614 vezes, marcando 245 gols pelo Botafogo e sua carreira profissional se prolongou de 1953 a 1972.

O último gol de Garrincha aconteceu no empate do Olaria Atlético Clube em 2 a 2 com o Comercial, dia 23 de março de 1972, no Estádio Palma Travassos em Ribeirão Preto. Foi, inclusive, o único gol de Mané pelo Olaria Atlético Clube.

Em 2010, torcedores do Botafogo custearam uma estátua de quatro metros e meio e cerca de 300 kg, ao custo de R$ 56.000,00 pagos ao artista plástico Edgar Duvivier. Essa estátua encontra-se hoje em frente ao Estádio João Havelange, onde o Botafogo manda seus jogos.

Já em novembro de 2011 durante a convenção mundial de futebol Soccerex, Eusébio, maior jogador português e contemporâneo tanto de Pelé quanto Garrincha, declarou abertamente que considerava Garrincha o melhor jogador de todos os tempos.

Garrincha foi considerado o mais habilidoso jogador que já existiu em todos os tempos sua capacidade de driblar e envolver seus adversários era impressionante. Pelo Brasil perdeu apenas uma das 61 partidas que fez com a camisa da Seleção. Em 1998, foi escolhido para a seleção de todos os tempos da Fifa, em eleição que contou com votos de jornalistas do mundo inteiro.


A Morte

A bebida e problemas no joelho gerados pela ambição de inescrupulosos dirigentes, que o mantinham em campo á base de poderosas drogas, que também destruíam sua saúde, encurtaram a carreira de Mané. Uma artrose nos dois joelhos - uma espécie de desgaste entre o fêmur e a tíbia - acabaram a magia de Garrincha. Os dribles geniais exigiam muito dos joelhos. E a dor vinha a cada freada ou giro em cima do adversário. O mágico saía de campo.

Garrincha viveu os últimos anos de sua vida sem glamour. Levava uma vida simples, humilde e abandonado por aqueles que lucraram milhões com sua arte. O adeus veio aos 49 anos, depois de três casamentos e 13 filhos. Morria a alegria do povo em 20 de janeiro de 1983 vítima de problemas generalizados causados pelo excessivo consumo de álcool. A causa foi cirrose do fígado.

Em seu epitáfio lê-se:

"Aqui jaz em paz aquele que foi a Alegria do Povo – Mané Garrincha"

Fonte: Wikipédia

Carequinha

GEORGE SAVALLA GOMES
(90 anos)
Palhaço

* Rio Bonito, RJ (18/07/1915)
+ São Gonçalo, RJ (05/04/2006)

George Savalla Gomes nasceu numa família circense, na cidade de Rio Bonito, interior do estado do Rio de Janeiro. Seus pais eram os trapezistas Lázaro GomesElisa Savalla. George literalmente nasceu no circo, pois sua mãe grávida estava fazendo performance de trapézio quando entrou em trabalho de parto em pleno picadeiro. Deu início à sua carreira como palhaço Carequinha aos cinco anos de idade, no circo de sua família, quando este estava em apresentação em Carangola, cidade do interior do estado de Minas Gerais. Aos doze era palhaço oficial do Circo Ocidental, pertencente ao seu padrasto.

Em 1938, estreou como cantor na Rádio Mayrink Veiga no Rio de Janeiro, no programa "Picolino".

Já na televisão brasileira teve como marco o fato de ter sido o primeiro palhaço a ter um programa, o "Circo Bombril", posteriormente rebatizado "Circo do Carequinha", programa que comandou por 16 anos na TV Tupi nas décadas de 1950 e 1960.

Ainda nos anos 1960, num dia de domingo, Carequinha fez um programa na TV Piratini de Porto Alegre. O produtor do programa o abordou dizendo: "Os gaúchos conhecem o Carequinha devido ao programa do Rio de Janeiro transmitido em rede. Mas eles querem você ao vivo aqui no Rio Grande do Sul. Queremos fazer seus programas todos os domingos".

Carequinha, então, entrou em contato com um empresário chamado Nelson e depois do encerramento de cada programa dominical, às 16:00 hs, saía para as mais diversas cidades gaúchas, como Caxias do Sul, São Leopoldo, Uruguaiana e até Rivera (Uruguai), para apresentar o seu circo até terça- feira, quando retornava para o Rio de Janeiro, a realizar o seu programa na TV Tupi, nas quintas-feiras. Aos sábados, apresentava o seu circo na "TV Curitiba".

Assim, era comum no final do programa anúncios como "Alô garotada de Uruguaiana, Carequinha e o seu circo estarão aí…". O palhaço e a sua troupe, Fred, Zumbi, Meio Quilo e Cia., costumavam se hospedar em Porto Alegre no antigo Hotel Majestic, hoje a Casa de Cultura Mario Quintana. O vendedor e representante da Copacabana Discos, gravadora do Carequinha, em Porto Alegre, o Jajá, Jairo Juliano, foi convidado por Carequinha a ser o apresentador do seu programa nessa época.

Carequinha também apresentou o seu circo na TV Gaúcha, que foi o embrião da Rede Brasil Sul de Comunicações (RBS) e finalmente, na TV Difusora (pioneira na transmissão ao vivo de um evento nacional em cores: A Festa da Uva, 1972) anunciando os desenhos animados da garotada, além de apresentar nas tardes de sábado o programa americano "O Circo".

Vale destacar que Carequinha, participante do início da TV Tupi - Rio, também estava no estágio final da citada televisão com o programa local, "O Circo do Carequinha".

Em 1976 o cineasta Roberto Machado Junior fez um documentário sobre Carequinha que teve o próprio palhaço como autor do roteiro.

Nos anos 1980, apresentou um programa infantil chamado "Circo Alegre", na extinta TV Manchete. O "Circo Alegre" tinha a assistência da ajudante Paulinha e das professoras da Escola de Dança Sininho de Ouro, de Niterói (RJ).

Na TV Manchete, ele gravava um programa de oito horas por dia para uma semana inteira e a empresária Marlene Mattos era a sua assessora. Após dois anos e meio de "Circo Alegre", com a saída de Carequinha, as características fundamentais do seu programa foram incorporados pelo de Xuxa, O Clube da Criança.

"Eu inventei essas brincadeiras com crianças, tão comuns hoje nos programas infantis. Eu as pegava para dar cambalhota, rodar bambolê, calçar sapatos, vestir paletó primeiro, brincadeiras com maçã e furar bolas", conta Carequinha.

Na TV Globo, participou do programa "Escolinha do Professor Raimundo" e da novela "As Três Marias".

Seu último trabalho na televisão foi na Rede Globo, com uma participação na minissérie "Hoje É Dia De Maria" em 2005.

Atuação

Carequinha agitava a criançada com seu bordão "Tá certo ou não tá?". Por várias gerações levou alegria a milhões de espectadores. Ainda ativo, no alto dos seus noventa anos, continuava alegrando e educando com suas músicas. Natural da cidade de Rio Bonito, Rio de Janeiro, residia na cidade de São Gonçalo, também no estado do Rio de Janeiro. Iniciou sua carreira com cinco anos de idade e atuou em diversos circos nacionais e internacionais.

Carequinha foi o primeiro artista circense a fazer sucesso na televisão, sendo pioneiro, no Brasil, no formato de programas infantis de auditório que até hoje fazem sucesso. Gravou 26 discos, fez filmes e colocou sua marca em diversos produtos infantis.

Seu vasto repertório musical, quase integralmente formado por cantigas de roda, constitui hoje, clássicos da música infanto-juvenil, folclórica e carnavalesca. Dentre elas, destacam-se "Sapo Cururu", "Marcha Soldado", "Escravos de Jó", "Samba Lelê" e dezenas de outros.

O palhaço Carequinha é considerado por muitos como um patrimônio da cultura brasileira. Suas músicas estiveram sempre entre os maiores sucessos muito no carnaval, como "Garota Travessa", "Carnaval JK", "O Bom Menino" e tantas outras.

Carequinha atravessou várias gerações como ídolo infantil. Apresentou-se para vários presidentes, como Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, João Goulart, passando pelos generais do regime militar e recebendo condecoração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

A Morte

Aos noventa anos, o artista morreu em sua casa em São Gonçalo, no estado do Rio de Janeiro. Durante a madrugada, ele queixou-se de falta de ar e dores no peito, e morreu antes de receber atendimento médico. Foi enterrado no dia seguinte, no Cemitério de São Miguel, na mesma cidade. Seu terno colorido, com o qual sempre se apresentava em seus espetáculos, foi também posto no caixão e assim enterrado juntamente com o corpo do artista. O local tem grande valor simbólico, neste cemitério estão a maior parte das 400 vítimas de um incidente de um circo ocorrido em 1961, na cidade de Niterói - o incêndio no Gran Circus Norte Americano.

Durante anos, o artista expressou publicamente (em entrevistas para jornais e para a televisão) sua intenção de ser enterrado com a cara pintada - segundo ele, para "alegrar os mortos". Seu desejo não foi atendido pela família, que exigiu que ele fosse enterrado com a cara limpa. No entanto, permitiram que ele fosse sepultado vestindo uma roupa de palhaço.

Fonte: Wikipédia
Crédito Fotográfico: Rudy Trindade

Clóvis Bornay

CLÓVIS BORNAY
(89 anos)

Museólogo, Carnavalesco e Cantor

* Nova Friburgo, RJ (10/01/1916)
+ Rio de Janeiro, RJ (09/10/2005)

Clóvis Bornay era o mais novo dos doze filhos de mãe espanhola e pai suíço, dono de uma loja de jóias em Nova Friburgo.

Na sua juventude, durante a década de 1920, descobriu no carnaval sua grande paixão. Começou sua carreira em 1937, quando conseguiu convencer o diretor do Teatro Municipal do Rio de Janeiro a instituir bailes de carnaval de gala com concurso de fantasias, inspirado no modelo dos bailes de Veneza. Estreou neste ano com sua fantasia intitulada "Príncipe Hindu" e obteve o primeiro lugar.

Passou a desfilar também nas Escolas de Samba, sendo célebre a fantasia em homenagem a Estácio de Sá, no desfile de 1967, quando a cidade comemorava seu quarto centenário de fundação.

Tornou-se um dos mestres em fantasias de Carnaval. Todo ano trazia novos elementos em suas fantasias, e acabava ganhando quase todos os concursos que disputava. Evandro de Castro Lima e Mauro Rosas eram seus rivais de salão. De tanto ganhar, acabou sendo declarado Hors Concours (concorrente de honra, não sujeito à premiação).

Foi carnavalesco das escolas de samba Salgueiro em 1966, Portela em 1969 e 1970, Mocidade Independente de Padre Miguel em 1972 e 1973 e Unidos da Tijuca em 1973. Com a Portela ganhou o campeonato de 1970 com o enredo "Lendas E Mistérios Da Amazônia", que foi reprisado no desfile de 2004.

Introduziu inovações como a figura do destaque, que é uma pessoa luxuosamente fantasiada sendo conduzida do alto de um carro alegórico. Após isso, todas as demais escolas de samba copiaram e tornaram o quesito obrigatório.

Ao longo de seus 77 anos de carnaval, sendo que 69 em desfiles, sempre ele mesmo participava dos desfiles carnavalescos como destaque. Embora sua carreira esteja justa e fortemente ligada ao carnaval do Rio de Janeiro, por diversas vezes desfilou no carnaval de São Paulo como destaque da Escola de Samba Nenê de Vila Matilde.

Algumas de suas fantasias estão expostas no Brasil e são acervo de outros museus no exterior. Pela significação de seu trabalho, foi laureado com o título de Cidadão Honorário de Louisiana em 1964.

Recebeu a "Medalha Tiradentes" da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro em 1966 dada a personalidades que tenham relevância cultural para o estado.

Foi também cantor, gravando marchinhas carnavalescas nos anos 60 e 70.

Era museólogo, profissão que exerceu no Museu Histórico Nacional.

Clóvis Bornay também se notabilizou como jurado para os apresentadores de televisão Chacrinha e Silvio Santos, e participou da "Escolinha do Professor Raimundo".


Lilian Fornos e  Clóvis Bornay  
No Cinema

O cineasta Glauber Rocha percebeu o potencial da metáfora da figura de Clóvis Bornay e o escalou para um de seus principais filmes, "Terra em Transe" (1967), onde contracenou com o ator Paulo Autran. O filme é um considerado uma alegoria política do Brasil pós-golpe de 64.

A carreira cinematográfica de Clóvis Bornay também inclui "Independência ou Morte", de 1972, um filme, como o próprio título indica, sobre o processo de independência do Brasil.


Morte

Clóvis Bornay, morreu no início da noite de domingo, 09/10/2005, vítima de uma Parada Cardiorrespiratória provocada por um quadro grave de desidratação.

Clóvis Bornay foi hospitalizado no Hospital Souza Aguiar, no centro do Rio de Janeiro, por volta das 15:00 hs. A desidratação teria sido provocado por uma infecção intestinal. Por volta das 19:00 hs, sofreu uma parada cardíaca e respiratória.

Fonte: Wikipédia

Sérgio Naya

SÉRGIO AUGUSTO NAYA
(66 anos)
Empresário, Engenheiro e Político

* Laranjal, MG (14/04/1942)
+ Ilhéus, BA (20/02/2009)

Terceiro entre nove filhos de uma família de classe média, formou-se engenheiro no final dos anos 1960 em Juiz de Fora e mudou-se para Brasília, onde muitos empresários da construção civil faziam fortunas. Ainda funcionário de construtora na capital federal, aproximou-se do poder pelas mãos do general Golbery do Couto e Silva, que costumava repetir: "Esse menino tem instinto para ganhar dinheiro".

No final dos anos 1970, já sócio da construtora Sersan, o governo militar lhe delegou a construção do polêmico "Bolo de Noiva", que levou nove anos para ser concluído. No governo João Figueiredo, associou-se ao empresário Paulo Octávio, à época genro do ministro da Marinha Maximiano da Fonseca, para a construção do Hotel St. Paul, onde a Marinha adquiriu 40 dos 272 apartamentos.

Em 1986, tentou uma vaga para a assembleia constituinte pelo PMDB de Minas Gerais, mas obteve apenas a suplência, vindo a assumir a vaga no ano seguinte, devido à cassação de um deputado por excesso de faltas. Seus negócios então prosperaram ainda mais.

Em 1989, enquanto seu amigo Leopoldo Bessone, também deputado pelo PMDB mineiro, era ministro da Reforma e Desenvolvimento Agrário, vendeu a esse ministério um prédio de 21 andares, 7 dos quais interditados pelo Corpo de Bombeiros. A compra foi desfeita, mas as parcelas já pagas ainda não haviam sido recuperadas quase 10 anos depois.

Em 1990, concorreu novamente a deputado federal, sendo o mais votado de Minas Gerais. Sua campanha ficou marcada pelo fato dele chegar de helicóptero a pequenos municípios, onde distribuía máquinas de costura e doava transmissores para rádio comunitárias. Nessa época entrou no ramo de comunicações, chegando a possuir cinco autorizações para retransmitir em Minas Gerais a TV Educativa do Rio de Janeiro (onde em pelo menos uma delas veiculou publicidade, o que é ilegal), além de nove rádios AM e FM.

Obteve um terceiro mandato, desta vez pelo PP, o qual não cumpriu até o final, devido á cassação.

Caso Palace II

Tornou-se nacionalmente conhecido depois do desabamento do Edifício Palace II, no Rio de Janeiro, em 22 de fevereiro de 1998, que provocou a morte de oito pessoas, além de deixar 150 famílias desabrigadas. A construção havia sido interditada pela defesa civil em 1996, quando a obra já estava atrasada, devido à morte de um operário que caíra no fosso de elevador, que apresentara defeito. Inicialmente, Sérgio Naya tentou culpar os moradores pelo excesso de carga que teria causado o desabamento. A Construtora Sersan, empresa em que Sérgio Naya era o principal acionista, porém não era o engenheiro responsável, construiu o edifício e foi acusada pelo Ministério Público de negligência por supostamente ter usado material barato e de baixa qualidade na construção do prédio. A empresa já havia sido processada quatro vezes antes do desabamento pela má construção, que impediu a obra de receber o habite-se. Segundo Sérgio Naya: "Se areia de praia desse concreto, mesmo de baixa qualidade, não haveria mais praias no Rio de Janeiro, pois não dá liga para o concreto".


Depois do incidente com o  Edifício Palace II, Sérgio Naya foi para os Estados Unidos, mas conseguiu ser localizado algum tempo depois em Miami. Chegou a ficar preso por 137 dias, em duas passagens pela prisão. 26 dias na Polinter, no Rio, em 1999, após ser preso em Brasília pelas denúncias de ser o responsável pelo desabamento e em 2004, em Porto Alegre, por mais quatro meses, quando tentava fugir para Montevidéu. Mas em 2005 foi absolvido por cinco votos a zero do processo criminal que o acusava de causar o desabamento. Ficou comprovado que ele não era o engenheiro responsável pela obra, sendo o erro de cálculo do projetista. Quanto ao uso de materiais de baixa qualidade, o laudo não foi convincente o suficiente para a condenação. A anulação da condenação ocorreu porque os promotores, ao apelarem da sentença, desrespeitaram o Código Penal, alterando a classificação do crime de doloso (cabível se o prédio tivesse sido construído com o objetivo de cair) para culposo (o crime ocorreu devido à negligência, desatenção ou descaso).

A construtora Sersan havia se comprometido a pagar indenizações às famílias em até 6 meses, o que não ocorreu. Acionado judicialmente, as contas bancárias de Sérgio Naya foram bloqueadas. Foi condenado a pagar indenizações que variavam de 200 mil a 1,5 milhões de reais a aproximadamente 120 famílias. Para pagá-las, teve seus bens leiloados, mas as execuções judiciais não haviam terminado até o seu falecimento. Sobre a tragédia, Sérgio Naya declarou que o desabamento foi uma fatalidade e que a associação das vítimas criou uma indústria de danos morais.

Em 2008, Sérgio Naya foi denunciado por fraude à execução por ocasião da venda de um terreno avaliado em 20 milhões de reais de propriedade da LPS Participações e Empreendimentos, na qual em 2007 a Construtora Sersan era sócia majoritária. Dois dias antes da venda, a Sersan foi substituída por outra empresa, impedindo que o dinheiro da venda fosse usado para satisfazer as execuções judiciais em andamento contra a construtora.


Cassação

Logo após o desabamento, o Jornal Nacional da Rede Globo divulgou vídeo de reunião política no interior de Minas Gerais onde o deputado confessava vários crimes, dentre os quais a falsificação da assinatura do então governador, Eduardo Azeredo. Aberto o processo de cassação em março de 1998, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou a cassação no dia 31 do mesmo mês, sendo enfim cassado em plenário em 15 de abril de 1998, por falta de decoro parlamentar, com o placar de 277 votos favoráveis à cassação e 163 contra.

Patrimônio e Amizades

À época da tragédia do Edifício Palace II, estimava-se que Sérgio Naya possuía milhares de imóveis no Brasil, Estados Unidos e Espanha, uma dezena de carros de luxo, três jatinhos, empresas de mineração e de turismo, além de seus negócios no ramo de meios de comunicação. Vivia numa cobertura cinematográfica de mil metros quadrados, além de ceder imóveis para que cerca de 40 amigos e políticos vivessem gratuitamente. Costumava presentear parlamentares com relógios caros, esteiras de ginástica e até dinheiro para a campanha. Conforme dizia o ex-governador de Minas Gerais Newton Cardoso, "Não sei nada nem a favor nem contra ele. Sei apenas que ele tem boas amizades no Congresso."

Estilo de Vida

Quando tornou-se conhecido nacionalmente, aos 55 anos, continuava solteiro, mas sempre visto ao lado de belas mulheres. Considerado um workaholic, dormia 5 horas por dia, estava sempre cercado de seguranças e tinha fama de truculento, chegando a agredir o então deputado federal Agostinho Valente, que o acusara de envolvimento com o narcotráfico.

Outro acontecimento bastante repercutido envolvendo Sérgio Naya foi um vídeo exibido num programa de televisão em que ele diz não querer tomar champagne numa taça de plástico, alegando que seria "coisa de pobre", já que estava em um lugar muito caro e a bebida era sofisticada para se beber em taças de plástico. Isso aconteceu quando ele se encontrava em Miami, durante o Natal.

Nos últimos anos de vida, tinha como renda a pensão de deputado federal. Planejava, contudo, construir um centro de convivência de idosos e um shopping center em Ilhéus, onde tinha boas relações com o prefeito. Frequentava regularmente a missa na cidade e tinha intenções de fixar residência ali.

Morte

Hipocondríaco, Sérgio Naya, teve três AVCs e sofria de gota.

Sérgio Naya foi encontrado morto em um quarto do Hotel Jardim Atlântico, em Ilhéus, BA. Ele estava hospedado desde o dia 13 de fevereiro e participava de reuniões de negócios. Morreu devido a um Infarto Agudo do Miocárdio.

De acordo com a dona do  Hotel Jardim Atlântico, Néia Machado, Sérgio Naya era um cliente habitual. Segundo ela, na sexta, 20/02/2009, o empresário tomou café e voltou para o quarto. Horas depois, o motorista de Sérgio Naya estranhou a ausência dele e pediu a uma funcionária para que fosse aberta a porta do quarto.

Primeiramente, segundo Néia Machado, o motorista chamou um médico particular do empresário e, depois, um legista constatou a morte.

Fonte: Wikipédia

Renato Barbosa

RENATO BARBOSA
(49 anos)
Cantor, Apresentador de TV e Jurado

* (1954)
+ Vassouras, RJ (25/05/2003)

Começou sua carreira no rádio nos anos 70. De lá veio o convite para fazer parte do programa "Boa Noite Brasil" de Flávio Cavalcanti na TV Bandeirantes. Nos anos 90, ganhou o comando do "Quem Sabe… Sábado!" na TV Record. Seu último trabalho foi na TV Bandeirantes, na produção do "A Noite É Uma Criança".

Renato Barbosa participou do "Programa Flávio Cavalcanti", "Show de Variedades" e "Show de Prêmios" todos no SBT. Compôs os temas de abertura dos infantis "Show Maravilha" e "Dó Ré Mi Fá Sol Lá Simony".

Ficou conhecido como o "Rei da Paródia" por suas participações no lendário "Show de Calouros", onde atuava semanalmente, às vezes até como jurado. Em uma delas, se utilizou de "Saudosa Maloca" para falar dos problemas de saúde de Silvio Santos e de "Caça e Caçador" para promover um relacionamento entre os jurados Elke Maravilha e Pedro de Lara.

No início de 2003 descobriu a doença, que se agravou em pouco tempo. Com seu jeito irreverente, bom humor, talento e criatividade, Renato Barbosa faz falta na televisão.

Renato Barbosa era solteiro e faleceu em 2003, aos 49 anos em, vítima de Câncer de Próstata.

Fonte: Central de Noticias

Chacrinha

JOSÉ ABELARDO BARBOSA DE MEDEIROS
(70 anos)
Radialista e Apresentador de TV

* Surubim, PE (30/09/1917)
+ Rio de Janeiro, RJ (30/06/1988)

Chacrinha, foi um grande comunicador de rádio e considerado o maior nome da televisão no Brasil, como apresentador de programas de auditório, enorme sucesso dos anos 1950 aos 1980. Foi o autor da célebre frase: "Na televisão, nada se cria, tudo se copia". Em seus programas de televisão, foram revelados para o país inteiro nomes como Roberto Carlos, Paulo Sérgio, Raul Seixas, entre muitos outros.

Desde os anos 70 era chamado de Velho Guerreiro, conforme homenagem feita a ele por Gilberto Gil que assim se referiu a Chacrinha numa conhecida letra de canção que compôs chamada "Aquele Abraço".

Nasceu em Surubim, e aos 10 anos de idade, mudou-se com a família para Campina Grande, na Paraíba. Aos 17, foi estudar no Recife. Começou a cursar faculdade de Medicina em 1936 e, no 3º ano em 1937, teve o seu primeiro contato com o rádio na Rádio Clube de Pernambuco ao dar uma palestra sobre alcoolismo. Chacrinha, apesar de sucessivas crises financeiras na família, teve, porém, uma infância tranquila.

Em Recife, ponto de chegada, Chacrinha prosseguiu seus estudos e todos os caminhos pareciam indicar a Faculdade de Medicina para o jovem Abelardo.


Não pretendendo passar um ano inteiro no quartel, falsificou a data de nascimento na cédula de identidade e acabou ingressando no Tiro de Guerra.

Após esta experiência, foi tocar bateria. Dois anos depois de começar seus estudos de medicina, em 1938, caiu nas mãos de colegas já formados que o salvaram de uma apendicite supurada e gangrenada. Ainda convalescente da delicada cirurgia, ele, como percussionista do grupo Bando Acadêmico, decidiu aos 21 anos, viajar, como músico no navio Bagé rumo à Alemanha. Porém, naquele dia estourou a Segunda Guerra Mundial que agitava o mundo em 1939 o fizeram desembarcar na então capital federal, o Rio de Janeiro onde se tornou locutor na Rádio Tupi. Em 1943, lançou na Rádio Fluminense um programa de músicas de carnaval chamado "Rei Momo Na Chacrinha", que fez muito sucesso. Passou então a ser conhecido como Abelardo "Chacrinha" Barbosa. Nos anos 1950 comandaria o programa "Cassino do Chacrinha", no qual lançou vários sucessos da música brasileira como "Estúpido Cupido" de Celly Campelo e "Coração De Luto", do artista gaúcho Teixeirinha.

Em 1956 estreou na televisão com o programa "Rancho Alegre", na TV Tupi, na qual começou a fazer também a "Discoteca Do Chacrinha". Em seguida foi para a TV Rio e, em 1970, foi contratado pela TV Globo. Chegou a fazer dois programas semanais: "Buzina do Chacrinha" (no qual apresentava calouros, distribuía abacaxis e perguntava: Vai para o trono, ou não vai?) e "Discoteca Do Chacrinha". Dois anos depois voltou para a TV Tupi.

Em 1978 transferiu-se para a TV Bandeirantes e, em 1982, retornou à TV Globo, onde ocorreu a fusão de seus dois programas num só, o "Cassino do Chacrinha", que fez grande sucesso nas tardes de sábado.

Alcançou grande popularidade com os seus programas de calouros, nos quais apresentava-se com roupas engraçadas e espalhafatosas, acionando uma buzina de mão para desclassificar os calouros e empregando um humor debochado, utilizando bordões e expressões que se tornariam populares, como "Teresinha!", "Vocês querem bacalhau?", "Eu vim para confundir, não para explicar!" e "Quem não se comunica, se trumbica!".

Os jurados ajudavam a criar o clima de farsa, no qual se destacaram Carlos Imperial, Aracy de Almeida, Rogéria, Elke Maravilha, Pedro de Lara, dentre muitos outros.

Outro elemento para o sucesso dos programas para TV eram as chacretes, dançarinas, que faziam coreografias bastante simples e ingênuas para acompanhar as músicas. Além da coreografia ensaiada, as dançarinas recebiam nomes exóticos e chamativos como Rita Cadillac, Índia Amazonense, Fátima Boa Viagem, Suely Pingo de Ouro, Fernanda Terremoto, etc. Apesar de vestidas de forma decorosa e rigorosamente acompanhadas pelo apresentador que lhes vetava, por exemplo, encontrarem-se com fãs, elas fizeram parte do universo erótico de gerações de espectadores do programa.


Chacretes Mais Famosas

  • Baby
  • Beth Boné
  • Bia Zé Colméia
  • Cambalhota
  • Chininha
  • Cleópatra
  • Cristina Azul
  • Daisy Cristal
  • Elvira
  • Elza Cobrinha
  • Érica Selvagem
  • Esther Bem-Me-Quer
  • Estrela Dalva
  • Fátima Boa Viagem
  • Fernanda Terremoto
  • Geni
  • Gláucia Sued
  • Gleice Maravilha
  • Graça Portellão
  • Índia Amazonense
  • Índia Poti
  • Leda Zepelin
  • Lia Hollywood
  • Lucinha Ti-ti-ti
  • Marlene Morbeck
  • Mirian Cassino
  • Pimentinha
  • Regina Polivalente
  • Rita Cadillac
  • Rosane da Camiseta
  • Rosely Dinamite
  • Sandra Pérola Negra
  • Sandra Veneno
  • Sandrinha Radical
  • Soninha Toda Pura
  • Sarita Catatau
  • Sueli Pingo de Ouro
  • Valéria Mon Amour
  • Valderez
  • Gracinha Copacabana


No início eram conhecidas como as "Vitaminas do Chacrinha". A mais famosa de todas as chacretes foi, sem dúvida, Rita Cadillac.

Chacrinha apareceu em filmes brasileiros dos anos 1960 e 1970, geralmente interpretando ele mesmo. No filme "Na Onda do Iê-Iê-Iê", de 1966, ele encenou seu programa de calouros "A Hora da Buzina", exibido na TV Excelsior. Dentre os calouros, estavam Paulo Sérgio (como ele mesmo) e Silvio César, que interpretava o personagem César Silva. Chacrinha dizia diversos de seus bordões: "Vai para o trono ou não vai?", "Como vai, vai bem? Veio a pé ou veio de trem?", "Cheguei, baixei, saravei". Há também outras frases engraçadas, quando ele diz que "Graças a Deus o programa acabou", ou então "Alguns calouros saem daqui contratados por alguma fábrica de discos, outros vão para a cadeia".

Anualmente, lançava em seu programa uma marchinha para o carnaval. Conhecido como Velho Guerreiro, em 1987 foi homenageado pela escola de samba carioca Império Serrano com o enredo "Com A Boca No Mundo - Quem Não Se Comunica Se Trumbica", foi a única vez que desfilou numa escola de samba, surgiu no último carro alegórico, que reproduzia o cenário de seu programa, rodeado de chacretes, de Russo, seu assistente de palco, e Elke Maravilha.

Em Outubro de 1987 recebeu título de Doutor Honoris Causa da Faculdade da Cidade, no Rio de Janeiro.

Seu aniversário de 70 anos foi comemorado em setembro de 1987 com um jantar oferecido em sua homenagem pelo então Presidente da República, José Sarney.

Durante o ano de 1988, já doente, foi substituído em alguns programas por Paulo Silvino. Ao voltar à cena, no mês de junho, comandou a atração com João Kleber, até que pudesse se sentir forte novamente.

Faleceu no dia 30 de junho de 1988 às 23:30 hs vítima de um Infarto do Miocárdio e Insuficiência Respiratória, Chacrinha tinha câncer no pulmão, aos 70 anos.

O último programa "Cassino do Chacrinha" foi ao ar em 2 de julho de 1988.

Em 2008 foi lançado o documentário "Alô, Alô, Terezinha!" do cineasta Nelson Hoineff, reproduzindo o grande sucesso de seus programas, os diversos artistas que revelou e depois se firmaram na música brasileira, além das inesquecíveis chacretes.

Fonte: Wikipédia

Jece Valadão

GECY VALADÃO
(76 anos)
Ator e Diretor

* Campo dos Goytacazes, RJ (24/07/1930)
+ São Paulo, SP (27/11/2006)

Nascido Gecy Valadão, ele iniciou sua carreira como radialista e locutor em Cachoeiro do Itapemirim, ES, cidade onde cresceu.

Apaixonado pelo cinema, fez sua estréia como ator no final da década de 1940, com pequenas pontas em produções da Atlântida - chanchadas como "Carnaval Na Lama" (1949) e "Nem Sansão Nem Dalila" (1953), e até dramas atípicos da produtora, como o clássico "Também Somos Irmãos" (1949), de José Carlos Burle e "Amei Um Bicheiro" (1952), de Jorge Ileli e Paulo Vanderley.

Depois de casar-se com Dulce Rodrigues, irmã de Nelson Rodrigues, em 1957, Jece Valadão se lança de corpo e alma nas montagens das peças do dramaturgo no fim da década de 1950 e início da seguinte.


Entre seus trabalhos mais clássicos estão "Os Cafajestes", que provocou polêmica na época pelo nu frontal de Norma Bengell e a primeira versão de "Boca de Ouro", de Nelson Rodrigues.

Longe das telas desde 1997, quando interpretou o Comandante Dário, um papel atípico, em "Tieta", de Cacá Diegues, Jece Valadão perpetra uma inversão radical em sua vida pública ao se converter à Assembléia de Deus, chegando mesmo a tornar-se pastor evangélico - atividade à qual se dedicou com afinco.

Em 2005, faz um retorno triunfal à telinha no papel do bicheiro Gebara, na minissérie "Filhos Do Carnaval", produção da HBO e O2 Filmes, dirigida por Cao Hamburger.

Nos últimos anos, vinha atuando em novelas e séries de TV. Interpretou o machão Joe Wayne, na novela da TV Globo "Bang Bang" (2005), escrita originalmente por Mário Prata, e concluída por Carlos Lombardi, e fez uma participação especial na novela "Cidadão Brasileiro" da TV Record. Protagonizou ainda o documentário "O Evangelho Segundo Jece Valadão". Antes de morrer ele estava envolvido no projeto do novo filme de Zé do Caixão, diretor que estava 30 anos afastado do cinema, "Encarnação Do Demônio".


O ator se casou seis vezes e a união mais longa, de 14 anos, foi com a atriz Vera Gimenez, mãe da apresentadora Luciana Gimenez. De todas essas uniões o ator teve nove filhos e apenas um seguiu a carreira artística, Marco Antonio Gimenez Valadão.

Perguntado, em uma entrevista, qual seria o momento mais marcante em sua carreira, Jece Valadão respondeu: "Quando ganhei meu primeiro prêmio como ator pelo filme 'Rio 40 Graus', de Nelson Pereira dos Santos. Na época, o Rio ainda era a capital da República e ganhei o prêmio no Festival do Rio. Por este filme fui premiado duas vezes: em 1955 e em 2005 quando o filme completou 50 anos".

Jece Valadão faleceu aos 76 anos, após agravamento no quadro de arritmia cardíaca. De acordo com o boletim médico do Hospital Panamericano, onde estava internado, foi feita uma tentativa de reversão no quadro, porém sem sucesso. O ator ficou internado mais de uma semana por comprometimento da função renal.

Fonte: Dramaturgia Brasileira In Memoriam

Chico Mendes

FRANCISCO ALVES MENDES FILHO
(44 anos)
Seringueiro, Sindicalista e Ativista Ambiental

* Xapuri, AC (15/12/1944)
+ Xapuri, AC (22/12/1988)

Francisco Alves Mendes Filho, mais conhecido como Chico Mendes, foi um seringueiro, sindicalista, ativista ambiental e ultrarrevolucionário brasileiro. Sua atividade política visada à preservação da Floresta Amazônica e lhe deu projeção mundial. Em julho de 2012, foi eleito o 28º maior brasileiro de todos os tempos, no concurso "O Maior Brasileiro de Todos os Tempos", realizado pelo SBT com a BBC de Londres.

Chico Mendes, ainda criança, começou seu aprendizado do ofício de seringueiro, acompanhando o pai em excursões pela mata. Só aprendeu a ler aos 19 e 20 anos, já que na maioria dos seringais não havia escolas, nem os proprietários de terras tinham intenção de criá-las em suas propriedades.


Iniciou a vida de líder sindical em 1975, como secretário geral do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia. A partir de 1976 participou ativamente das lutas dos seringueiros para impedir o desmatamento através dos "empates" - manifestações pacíficas em que os seringueiros protegem as árvores com seus próprios corpos. Organizava também várias ações em defesa da posse da terra pelos habitantes nativos.

Em 1977 participou da fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, e foi eleito vereador pelo MDB local. Recebeu então as primeiras ameaças de morte, por parte dos fazendeiros, e começou a ter problemas com seu próprio partido, que não se identificava com suas lutas.

Em 1979 Chico Mendes reúniu lideranças sindicais, populares e religiosas na Câmara Municipal, transformando-a em um grande foro de debates. Acusado de subversão, foi submetido a interrogatórios. Sem apoio, não conseguiu registrar a denúncia de tortura que sofreu em dezembro daquele ano.

Chico Mendes foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores e um dos seus dirigentes no Acre, tendo participado de comícios com Lula na região. Em 1980 foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional a pedido de fazendeiros da região, que procuraram envolvê-lo no assassinato de um capataz de fazenda, possivelmente relacionado ao assassinato do presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Brasiléia, Wilson Sousa Pinheiro.


Em 1981 Chico Mendes assumiu a direção do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, do qual foi presidente até sua morte. Candidato a deputado estadual pelo PT nas eleições de 1982, não conseguiu se eleger e após isso começou a sofrer ameaças de mortes.

Acusado de incitar pessoas à violência, foi julgado pelo Tribunal Militar de Manaus, e absolvido por falta de provas, em 1984.

Liderou o I Encontro Nacional dos Seringueiros, em outubro de 1985, durante o qual foi criado o Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), que se tornou a principal referência da categoria. Sob sua liderança a luta dos seringueiros pela preservação do seu modo de vida adquiriu grande repercussão nacional e internacional. A proposta da "União dos Povos da Floresta" em defesa da Floresta Amazônica buscou unir os interesses dos indígenas, seringueiros, castanheiros, pequenos pescadores, quebradeiras de côco babaçu e populações ribeirinhas, através da criação de reservas extrativistas. Essas reservas preservam as áreas indígenas e a floresta, além de ser um instrumento da reforma agrária desejada pelos seringueiros.

Em 1986 participou das eleições daquele ano pelo PT-AC candidato a deputado estadual ao lado de outros candidatos entre eles Marina Silva para deputada federal, José Marques de Sousa para Senado, e Hélio Pimenta para Governador, não sendo nenhum deles eleito.

Em 1987, Chico Mendes recebeu a visita de alguns membros da Organização das Nações Unidas, em Xapuri, que puderam ver de perto a devastação da floresta e a expulsão dos seringueiros causadas por projetos financiados por bancos internacionais. Dois meses depois levou estas denúncias ao Senado norte-americano e à reunião de um banco financiador, o Banco Interamericano de Desenvolvimento. Os financiamentos a esses projetos são logo suspensos. Na ocasião, Chico Mendes foi acusado por fazendeiros e políticos locais de "prejudicar o progresso", o que aparentemente não convenceu a opinião pública internacional. Alguns meses depois, Chico Mendes recebeu vários prêmios internacionais, destacando-se o "Global 500", oferecido pela Organização das Nações Unidas, por sua luta em defesa do meio ambiente.


Ao longo de 1988 participou da implantação das primeiras reservas extrativistas criadas no Estado do Acre. Ameaçado e perseguido por ações organizadas após a instalação da União Democrática Ruralista no Estado, Chico Mendes percorreu o Brasil, participando de seminários, palestras e congressos onde denunciou a ação predatória contra a floresta e as violências dos fazendeiros contra os trabalhadores da região.

Após a desapropriação do Seringal Cachoeira, em Xapuri, propriedade de Darly Alves da Silva, agravaram-se as ameaças de morte contra Chico Mendes que por várias vezes denunciou publicamente os nomes de seus prováveis responsáveis. Deixou claro às autoridades policiais e governamentais que corria risco de perder a vida e que necessitava de garantias.

No III Congresso Nacional da CUT, voltou a denunciar sua situação, similar à de vários outros líderes de trabalhadores rurais em todo o país. Atribuiu a responsabilidade pela violência a  União Democrática Ruralista. A tese que apresentou em nome do Sindicato de Xapuri, "Em Defesa dos Povos da Floresta", é aprovada por aclamação pelos quase seis mil delegados presentes. Ao término do Congresso, Chico Mendes foi eleito suplente da direção nacional da CUT. Assumiria também a presidência do Conselho Nacional dos Seringueiros a partir do II Encontro Nacional da categoria, marcado para março de 1989, porém não sobreviveu até aquela data.

Morte

Em 22 de dezembro de 1988, exatamente uma semana após completar 44 anos, Chico Mendes foi assassinado com tiros de escopeta no peito na porta dos fundos de sua casa, quando saía de casa para tomar banho. Chico Mendes anunciou que seria morto em função de sua intensa luta pela preservação da Amazônia, e buscou proteção, mas as autoridades e a imprensa não deram atenção. Casado com Ilzamar Mendes, 2ª esposa, deixou dois filhos, Sandino e Elenira, na época com dois e quatro anos de idade, respectivamente. Em 1992, foi reconhecida, através de exames de DNA, uma terceira filha.

Após o assassinato de Chico Mendes mais de trinta entidades sindicalistas, religiosas, políticas, de direitos humanos e ambientalistas se juntaram para formar o "Comitê Chico Mendes". Eles exigiam providencias e através de articulação nacional e internacional pressionaram os órgãos oficiais para que o crime fosse punido.

Em dezembro de 1990, a justiça brasileira condenou os fazendeiros Darly Alves da Silva e Darcy Alves Ferreira, responsáveis por sua morte, a 19 anos de prisão. Darly fugiu em fevereiro de 1993 e escondeu-se num assentamento do INCRA, no interior do Pará, chegando mesmo a obter financiamento público do Banco da Amazônia sob falsa identidade. Só foi recapturado em junho de 1996. A falsidade ideológica rendeu-lhe uma segunda condenação: mais dois anos e 8 meses de prisão.

Legado

  • Como resultado da luta de Chico Mendes, o Brasil tinha, em 2006, 43 reservas extrativistas (Resex) que abrangiam 8,6 milhões de hectares e abrigavam 40 mil famílias. Este tipo de Unidade de Conservação (UC) de uso sustentável garante legalmente a preservação dos recursos naturais e, ao mesmo tempo, a manutenção da atividade econômica e a posse coletiva da terra pelas populações tradicionais (seringueiros, castanheiros, babaçueiros, caiçaras etc). A criação de uma Resex e a regularização fundiária estabelecida por ela, permitem a esses grupos ter acesso a financiamento agrícola, programas de segurança alimentar e investimentos na comercialização de seus produtos. Também fica mais fácil conseguir a construção de escolas e postos de saúde.
  • Em 1989, o Grupo Tortura Nunca Mais, uma ONG brasileira de direitos humanos, criou o prêmio Medalha Chico Mendes de Resistência, uma homenagem não só ao próprio Chico Mendes, mas também a todas as pessoas ou grupos que - segundo a entidade - lutam pelos direitos humanos. O prêmio é entregue todos os anos e personalidades como Dom Paulo Evaristo Arns, Jaime Wright, Luísa Erundina, Hélio Bicudo, Paulo Freire, Barbosa Lima Sobrinho, Herbert de Sousa, Alceu Amoroso Lima, Luís Fernando Veríssimo, Zuzu Angel, Oscar Niemeyer, Brad Will e organizações como a Human Rights Watch, Anistia Internacional, Ordem dos Advogados do Brasil, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o Centro de Mídia Independente e a Comissão de Justiça e Paz de São Paulo já receberam a homenagem.
  • Em 10 de dezembro de 2008, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça aprovou, em Rio Branco, no Acre, a condição de anistiado político post-mortem de Chico Mendes. O pedido de anistia havia sido protocolado pela viúva Ilzamar Mendes em 2005.
  • Elenira, filha de Chico Mendes, criou uma ONG chamada "Instituto Chico Mendes", para projetos sociais e ambientais. Em 2009, o Ministério Público do Acre propôs uma ação de improbidade administrativa contra ela e sua mãe, Ilzamar, viúva de Chico Mendes, por desvio de verbas recebidas do governo do Acre, que em três anos totalizaram 685 mil, sendo que Ilzamar foi acusada pela própria irmã de ser funcionária fantasma da ONG.
  • Em 2007 foi criado o "Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade" (ICMBio), autarquia responsável pela gestão das unidades de conservação federais do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza no Brasil.

Fonte: Wikipédia

Sérgio Motta

SÉRGIO ROBERTO VIEIRA DA MOTTA
(57 anos)
Engenheiro, Político e Empresário

* São Paulo, SP (26/11/1940)
+ São Paulo, SP (19/04/1998)

Sérgio Motta foi um dos fundadores do PSDB  e uma das principais lideranças do partido. Foi coordenador da campanha do presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1994, quando ocupava o cargo de secretário-geral do seu partido.

Sérgio Motta tornou-se o mais influente integrante do governo Fernando Henrique Cardoso, com uma forma própria de fazer política, apelidada de "Estilo Trator". Exercendo o cargo de ministro das Comunicações, comandou o maior processo de privatização da história do Brasil. Foi ele o  responsável pela privatização do Sistema Telebrás.

Sérgio Motta e Fernando Henrique Cardoso (Foto: Getúlio Gurgel/PR)
Nos anos sessenta, como estudante da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Sérgio Motta participou da Ação Popular, organização de esquerda derivada da Juventude Universitária Católica. Na década seguinte, dirigiu o jornal O Movimento, um dos principais veículos dos militantes de esquerda e que tinha em seu conselho editorial o sociólogo Fernando Henrique Cardoso.

Durante a gestão de Ângelo Amaury Stábile no Ministério da Agricultura do governo João Baptista de Oliveira Figueiredo, Sérgio Motta, junto ao general Golbery do Couto e Silva, fundou a Coalbra, companhia para extração de álcool da madeira, e cujos recursos eram desviados para aplicação no mercado financeiro. Descoberto do esquema, o ministro foi demitido e o seu sucessor, o gaúcho Nestor Jost promoveu à demissão de todos os envolvidos nos escândalos do ministério. Sérgio Motta foi, então, para São Paulo, onde se aliou ao grupo do futuro presidente Fernando Henrique Cardoso. Do empreendimento restou um rombo de 250 milhões de dólares e as ruínas, na cidade de Uberlândia.

Sérgio Motta e a compra de votos (Revista Veja)
Acusações

Gravações obtidas pelo jornal, Folha de São Paulo, envolveram o ministro no escândalo de compra de votos para a aprovação da emenda de reeleição de Fernando Henrique Cardoso.

Nas gravações, o deputado João Maia (PFL) dizia que recebeu R$ 200 mil para votar a favor da emenda que permitiu a reeleição de Fernando Henrique Cardoso. O deputado revela ainda que a barganha pelo voto previa receber R$ 200 mil do governo federal e outros R$ 200 mil do governo do Estado do Acre. O dinheiro usado na operação, segundo João Maia, foi providenciado pelo governador do Amazonas, Amazonino Mendes (PFL), e pelo ministro Sérgio Motta.

Em conversa gravada, o deputado Ronivon Santiago disse que depois da aprovação da emenda da reeleição, recebeu uma retransmissora de TV do ministro Sérgio Motta. Segundo Ronivon Santiago, a TV não pôde ficar em seu nome e por isso registrou-a em nome de um amigo: "Mas não está no meu nome, não. É no nome de um cara lá, de um amigo meu. O cara está tocando", disse Ronivon a uma pessoa que não quis ser identificada e a quem a Folha de São Paulo chamou de "Senhor X".

Engenheiro industrial e empresário, era casado com Wilma Motta e pai de Fernanda, Juliana e Renata.

Morte

Morreu vítima de Infecção Pulmonar em 1998, dois dias antes do deputado Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA). Antes de ser internado pela última vez, Sérgio Motta escreveu um fax a Fernando Henrique Cardoso, onde agradecia todo o apoio dado pelo então presidente às privatizações.

Fonte: Wikipédia

Altemar Dutra

ALTEMAR DUTRA DE OLIVEIRA
(43 anos)
Cantor

* Aimorés, MG (06/10/1940)
+ Nova York, Estados Unidos (09/11/1983)

Altemar Dutra foi um cantor brasileiro, sucesso em toda a América Latina, interpretando obras como "Sentimental Demais", "O Trovador", "Brigas" e "Que Queres Tu de Mim", boa parte das canções de autoria da dupla Evaldo Gouveia e Jair Amorim. Foi progressivamente destacando-se no gênero musical bolero, e de fato, veio a ser aclamado como o "Rei do Bolero" no Brasil.  É considerado um dos maiores fenômenos da música romântica brasileira.

Ainda pequeno, sua família mudou para Colatina, ES. Nessa época, ganhou da mãe um violão, que aprendeu a tocar sozinho. Ainda na mesma cidade, apresentou-se pela primeira vez em público, no programa da Rádio Difusora de Colatina. Ficou em primeiro lugar e incentivado pelo sucesso que começava a fazer pela cidade, veio para o Rio de Janeiro com apenas 17 anos.

Chegou no Rio de Janeiro em 1957, trazendo uma carta de apresentação para o compositor Jair Amorim, que, percebendo o seu potencial, o apresentou a vários amigos do meio artístico. Tentou a sorte como crooner em boates e casas de espetáculos.

Começou então a se apresentar na boate Baccarat, porém, como ainda era menor de idade, teve que várias vezes se esconder do Juizado de Menores. A convite de Helena de Lima, que o ouvira cantar na Baccarat, passou a se apresentar, entre 1960 e 1965, na boite O Cangaceiro, uma das mais famosas da cidade. Nela fez amizade com várias pessoas do meio artístico, principalmente com os membros do Trio Irakitan. Foi, inclusive, Joãozinho, membro do trio, que o levou para a Odeon em 1963.

Lançou com sucesso o seu primeiro disco no mesmo ano, no qual se destacou o bolero "Tudo de Mim" (Evaldo Gouveia e Jair Amorim). A partir daí, o cantor se tornou o intérprete ideal da dupla que sempre o requisitava para cantar suas composições, entre as quais "Que Queres Tu de Mim?", "O Trovador" e "Somos Iguais", todas com sucesso.

Em 1964 gravou com sucesso "Que Queres Tu de Mim" e "Serenata da Chuva". Em 1965 lançou o LP "Sentimental Demais", com destaque para a música título, de Evaldo Gouveia e Jair Amorim, que se tornou uma marca de seu repertório. Outro sucesso do disco foi "O Trovador", título que lhe valeria a denominação carinhosa usada pelos fãs.

Em 1966 gravou com grande sucesso a música "Brigas" (Evaldo Gouveia e Jair Amorim), com a qual, declarou em um programa na TV Globo, gostaria de ser lembrado no futuro.


Seu sucesso extrapolou as fronteiras nacionais e chegou à América Latina, com apresentações em vários países. As versões dos seus sucessos em espanhol chegaram a vender 500 mil cópias no continente, dando-lhe prestígio e fazendo com que gravasse com Lucho Gatica, um dos maiores ícones do bolero, o disco "El Bolero Se Canta Así".

A partir de 1969, começou a investir no mercado de música latino-americana nos Estados Unidos, obtendo vários êxitos e tornando-se um dos mais famosos cantores latinos neste país. No mesmo ano lançou o LP  "Trovador das Américas", no qual cantou diversas músicas em espanhol, além de "Espera" (Tito Madi) e "Ébrio de Amor" (Romancito Gomes e Palmeira).

Em 1971 gravou com sucesso "Que Será?" (Sebastião Ferreira da Silva, Fontana e Migliacci) e "Bloco da Solidão" (Evaldo Gouveia e Jair Amorim).

Em 1977, no LP "Sempre Romântico", gravou "Os Olhinhos do Menino" (Luiz Vieira) e "Um Jeito Estúpido de Te Amar" (Isolda e Milton Carlos) e que foi sucesso na voz de Roberto Carlos.

Em 1981 lançou pela RCA Victor o LP "Eu Nunca Mais Vou Te Esquecer", com música título de Moacyr Franco, que alcançou grande sucesso.

Morte

Altemar Dutra veio a falecer com apenas 43 anos em Nova York, quando se apresentava para a comunidade hispânica da cidade, na boate La Tanquera, e sofreu um Acidente Vascular Cerebral.

Em 1988, a BMG lançou uma caixa de LPs intitulada "O Trovador", nome de um dos seus maiores sucessos. Posteriormente foi relançada em CD, com suas 60 faixas remasterizadas e com um detalhado livreto com a biografia do autor escrita pelo jornalista Egídio Grandinetti.

Foi durante muitos anos um dos principais intépretes da chamada música romântica. Em 2000, sua gravação da música "Brigas" (Evaldo Gouveia e Jair Amorim) foi incluída na seleção "As Cem Melhores do Século da MPB" em votação de vários críticos musicais coordenada pelo crítico Ricardo Cravo Albin.

Foi casado com a cantora Marta Mendonça, tendo dois filhos, Deusa Dutra e Altemar Dutra de Oliveira Júnior, este também a seguir carreira artística.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB

Cássia Eller

CÁSSIA REJANE ELLER
(39 anos)
Cantora e Violonista

* Rio de Janeiro, RJ (10/12/1962)
+ Rio de Janeiro, RJ (29/12/2001)

Filha mais velha de Altair Eller, sargento pára-quedista reformado do Exército, e Nancy Eller, Cássia Eller tinha mais quatro irmãos. Seu nome foi sugerido pela avó, devota de Santa Rita de Cássia. Por conta do serviço do pai, que serviu em vários estados do Brasil, passou a infância e a adolescência em diferentes cidades, como Belo Horizonte, Santarém e Rio de Janeiro, onde passou a adolescência no bairro do Lins de Vasconcellos.

Nascida no Rio de Janeiro, aos 6 anos mudou-se com a família para Belo Horizonte. Aos 10, foi para Santarém, no Pará. Aos 12 anos, voltou para o Rio. O interesse pela música começou aos 14 anos, quando ganhou um violão de presente. Tocava principalmente músicas dos Beatles.

Aos 18 anos mudou-se para Brasília. Ali,  começou a cantar em corais, fez testes para musicais  e óperas, trabalhou em duas óperas como corista, além de se apresentar como cantora de um grupo de forró.  Tentou o canto lírico, porém a rígida disciplina desse estudo e sua paixão por música popular a fizeram desistir, permanecendo somente seis meses nos estudos. Também fez parte, durante dois anos, do primeiro trio elétrico de Brasília, denominado Massa Real, e tocou surdo em um grupo de samba. Trabalhou em vários bares como o Bom Demais, cantando e tocando. Despontou no mundo artístico em 1981, ao participar de um espetáculo de Oswaldo Montenegro.

Um ano mais tarde, foi para Minas Gerais, onde trabalhou como servente de pedreiro. "Fiz massa e assentei tijolos", contava. Na escola, não chegou a terminar o ensino médio, por causa também dos shows que fazia, não teria tempo para estudar.


Caracterizada pela voz grave e pelo ecletismo musical, interpretou canções de grandes compositores do rock brasileiro, como Cazuza e Renato Russo, além de artistas da MPB como Caetano Veloso e Chico Buarque, passando pelo pop de Nando Reis e o incomum de Arrigo Barnabé e Wally Salomão, até sambas de Riachão e rocks clássicos de Jimi Hendrix, Rita Lee, Beatles, John Lennon e Nirvana.

Teve uma trajetória musical bastante importante, embora curta, com algo em torno de dez álbuns próprios gravados no decorrer de doze anos de carreira. De fato, somente em 1989 sua carreira decolou. Ajudada por um tio seu, gravou uma fita demo com a canção "Por Enquanto", de Renato Russo. Este mesmo tio levou a fita à PolyGram, o que resultou na contratação de Cássia Eller pela gravadora. Sua primeira participação em disco foi em 1990, no LP de Wagner Tiso intitulado "Baobab".

Cássia Eller sempre teve uma presença de palco bastante intensa, assumia a preferência por álbuns gravados ao vivo e ela era convidada constantemente para participações especiais e interpretações sob encomenda, singulares, personalizadas.

Outra característica importante é o fato de ela ter assumido uma postura de intérprete declarada, tendo composto apenas três das canções que gravou: "Lullaby", em parceria com Márcio Faraco, em seu primeiro disco, "Cássia Eller", de 1990, LP com 60.000 cópias vendidas, sobretudo em razão do sucesso da faixa "Por Enquanto" de Renato Russo; "Eles", em parceria com Luiz Pinheiro e Tavinho Fialho, e "O Marginal", em parceria com Hermelino Neder, Luiz Pinheiro e Zé Marcos, no segundo disco, "O Marginal" (1992).

Era homossexual assumida e morava com a parceira Maria Eugênia Vieira Martins, com a qual criava o filho Francisco, chamado carinhosamente de Chicão. Ela teve seu filho com o baixista Tavinho Fialho. Ele faleceu em um acidente automobilístico meses antes do nascimento de Francisco. Maria ficou responsável pela criação do filho de Cássia Eller após a morte de sua companheira.

2001: O Ano Que Não Acabou

2001 foi um ano bastante produtivo para Cássia Eller. Em 13 de janeiro de 2001, apresentou-se no Rock In Rio III, num show em que baião, samba e clássicos da MPB foram cantados em ritmo de rock. Neste dia, o organograma de apresentação foi o seguinte: R.E.M., Foo Fighters, Beck, Barão Vermelho, Fernanda Abreu e Cássia Eller. 190 mil pessoas compareceram a esta apresentação.

Entre maio e dezembro, Cássia Eller fez 95 shows. O que levou a cantora a gravar um DVD, nos moldes de sua preferência - ao vivo: o "Acústico MTV", gravado entre 7 e 8 de março, em São Paulo, no qual Cássia Eller contou com o um grupo de alto nível técnico e artístico: Nando Reis (direção musical / autoria, voz e violão em "Relicário" / voz em "De Esquina" de Xis), os músicos da banda Luiz Brasil (direção musical / cifras / violões e bandolim), Walter Villaça (violões e bandolim), Fernando Nunes (baixolão), Paulo Calasans (piano acústico Hammond e órgão Hammond), João Vianna (bateria, surdo, ganzá, ralador e lâmina), Lan Lan (percussão) e Thamyma Brasil (percussão), os músicos convidados Bernardo Bessler (violino), Iura (Cello), Alberto Continentino (contrabaixo acústico), Cristiano Alves (clarinete e clarone), Dirceu Leite (sax, flauta e clarineta), entre muitos outros. Este álbum foi composto por 17 faixas, acrescidas do Making Off, galeria de fotos, discografia e i.clip. O álbum vendeu até hoje mais de um milhão de cópias e se tornou o maior sucesso da carreira de  Cássia Eller, sendo que até então, apesar das boas vendagens e da experiência, ela não era considerada uma cantora extremamente popular.

No mesmo ano de 2001, ela se apresentaria no Video Music Brasil, da MTV, ao lado de Rita Lee, Roberto de Carvalho e Nando Reis com "Top Top" do grupo Os Mutantes, presente no seu "Acústico MTV".

No fim do ano, ela se apresentaria na Praça do Ó, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, durante os festejos do réveillon. Faleceu dois dias antes, em 29 de dezembro. Foi substituída por Luciana Mello. Em vários pontos do Rio de Janeiro, fez-se um minuto de silêncio durante a homenagem da passagem do ano em memória de Cássia Eller. Vários artistas também prestaram homenagem à cantora em seus shows, na virada do ano.

Morte

Cássia Eller faleceu em 29 de dezembro de 2001, aos 39 anos, no auge de sua carreira. No dia 29 de dezembro foi internada na Clínica Santa Maria, em Laranjeiras com intoxicação exógena e após três paradas cardíacas veio a falecer neste mesmo dia em razão de um Infarto do Miocárdio.

Foi levantada a hipótese de overdose de drogas, já que ela já fora usuária de cocaína. A suspeita foi considerada inicialmente como causa da morte, porém foi descartada pelos laudos periciais do Instituto Médico Legal do Rio de Janeiro após autópsia. Cássia Eller encontra-se sepultada no Cemitério Jardim da Saudade  no bairro de Sulacap, no Rio de Janeiro.

Deixou o filho Francisco Ribeiro Eller (Chicão) e Maria Eugênia Viera Martins, companheira de 14 anos de convivência e com quem pretendia se casar, como declarou em entrevista à revista Marie Claire, caso o projeto-de-lei de reconhecimento de união civil de homossexuais fosse aceito no Congresso Nacional.

A guarda provisória de Francisco Ribeiro Eller foi dada à Maria Eugênia. Após disputa com Altayr Eller, pai da cantora, ganhou a guarda definitiva do menino, transformando-se em caso único na justiça brasileira.

Fonte: Wikipédia