Paulo Gracindo

PELÓPIDAS GUIMARÃES BRANDÃO GRACINDO
(84 anos)
Ator

* Rio de Janeiro, RJ (16/07/1911)
+ Rio de Janeiro, RJ (04/09/1995)

Pelópidas Guimarães Brandão Gracindo nasceu em 16 de junho de 1911, no Rio de Janeiro. Era filho do ex-senador Demócrito Gracindo, falecido em 1928. Mudou-se ainda criança com a família para Maceió, em Alagoas, onde se formou em direito e teve seu primeiro contato com o teatro amador, para desgosto de seu pai, que o proibiu de atuar nos palcos.

Aos 20 anos, após a morte do pai, mudou-se para o Rio de Janeiro e adotou o nome artístico de Paulo Gracindo. Na então capital federal, participou das maiores companhias de teatro dos anos 1930 e 1940, entre as quais, as de Alda Garrido, Procópio Ferreira, Elza Gomes e Dulcina de Moraes. Foi locutor e apresentador de diversos programas musicais na época áurea da Rádio Nacional, entre os quais o "Noite de Estrelas" e o próprio "Programa Paulo Gracindo". Trabalhou como radioator, produtor, compositor e comediante. Um dos seus papéis mais famosos dessa época foi o Alberto Limonta, na clássica trama de "O Direito de Nascer".

Ainda na  Rádio Nacional, integrou o elenco da versão original do programa "Balança, Mas Não Cai" (1953), escrito por Max Nunes, no qual fez grande sucesso, ao lado de Brandão Filho, no quadro do "Primo Pobre e do Primo Rico". Anos mais tarde, tanto o programa quanto o quadro ganhariam nova versão nas telas da TV Rio e, em seguida, da TV Globo, repetindo o êxito anterior.

Começou a trabalhar na TV Globo no final da década de 1960. Atuou nas primeiras novelas da emissora, como "A Rainha Louca" (1967) e "A Gata de Vison" (1968), escritas pela cubana Glória Magadan. Em seguida, trabalhou em "A Próxima Atração" (1970), de Walther Negrão, e "O Cafona" (1971), de Bráulio Pedroso.

Seu primeiro personagem de destaque foi o bicheiro Tucão, na novela "Bandeira 2" (1971), de Dias Gomes. A consagração veio, dois anos depois, em outra novela de Dias Gomes, "O Bem-Amado", na qual viveu o antológico Odorico Paraguaçu, prefeito de Sucupira, pelo qual ganhou o prêmio de melhor ator da Associação Paulista de Críticos de Arte. Em 1976, o ator também recebeu o Prêmio Televisa, oferecido pela rede mexicana, por sua atuação na novela.

Dias Gomes e Paulo Gracindo já haviam trabalhado juntos no teatro, na primeira montagem de "O Santo Inquérito", e na televisão, em tele-teatros da TV Rio. Em "O Bem-Amado", primeira novela produzida e exibida totalmente em cores, um marco na televisão brasileira, a parceria imortalizou ambos. Adaptada de uma peça do autor Dias Gomes, a novela também tinha no elenco Lima Duarte, Emiliano Queiroz, Zilka Sallaberry e Gracindo Júnior, filho de Paulo Gracindo, entre outros.

Essa não era a primeira vez, também, que pai e filho trabalhavam juntos na TV Globo. A primeira novela de Paulo Gracindo na emissora, "A Rainha Louca", também teve Gracindo Júnior no elenco. Depois, vieram os trabalhos em "O Bem-Amado" e em "Os Ossos do Barão" (1973), de Jorge Andrade. Ainda na década de 1970, em "O Casarão" (1976), de Lauro César Muniz, os dois viveram o mesmo personagem, o João Maciel, aos 20 e aos 50 anos, respectivamente. Também trabalharam juntos em "Araponga" (1990), de Dias Gomes, Ferreira Gullar e Lauro César Muniz.

Após o sucesso em  "O Bem-Amado", que transformou o famoso apresentador de programas do rádio e talentoso ator de teatro Paulo Gracindo em um ícone da televisão, seguiu-se o trabalho em outra grande produção da TV Globo que marcou época: "Gabriela" (1975), adaptação do romance de Jorge Amado feita por Walter George Durst. Na novela, que ganhou o Grande Prêmio concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte, Paulo Gracindo deu vida ao Coronel Ramiro Bastos. Até o final da década de 1970, vieram os trabalhos em "Sinal de Alerta" (1978), de Dias Gomes, e "Pai Herói" (1979), de Janete Clair.

Em 1980, a obra de
Dias Gomes deu origem ao seriado "O Bem-Amado", escrito pelo próprio autor e, mais uma vez, com Paulo Gracindo no papel principal. Ainda na década de 1980, o ator voltou a comandar um programa de auditório, o "8 ou 800", desta vez ao lado de Silvia Falkenburg (Sílvia Bandeira). Em seguida, atuou nas novelas "Roque Santeiro", de Dias Gomes e Aguinaldo Silva, no papel do Padre Hipólito, em "Hipertensão" (1986), de Ivani Ribeiro, e fez uma participação especial na novela "Mandala" (1987), de Dias Gomes.


Na década de 1990, Paulo Gracindo voltou a viver um personagem que caiu no gosto popular, o Betinho, marido da vilã Laurinha Figueroa, interpretada por Glória Menezes, em "Rainha da Sucata" (1990), de Silvio de Abreu. Nos anos seguintes, atuou nas novelas "Vamp" (1991), de Antônio Calmon, e "Mulheres de Areia" (1993), adaptada da obra de Ivani Ribeiro por Solange Castro Neves. Também fez uma participação especial na minissérie "Agosto" (1993), adaptada do romance de Rubem Fonseca por Jorge Furtado e Giba Assis Brasil, no papel de Emílio.

Ator reconhecido por seu trabalho no teatro, na televisão e no rádio, Paulo Gracindo trabalhou em mais de 20 filmes, alguns marcantes, como
"A Falecida" (1965), de Leon Hirszman, "Terra em Transe" (1967), de Glauber Rocha, e "Cara a Cara" (1967), de Júlio Bressane.

Paulo Gracindo morreu, aos 84 anos, em decorrência de um Câncer de Próstata, Era casado com Dulce Xavier de Araújo Gracindo.
#FamososQuePartiram #PauloGracindo

4 comentários:

  1. Tenho saudades de "O bem amado" até hoje!25/07/2010

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  2. Sem dúvida um grande ator. Mas infelizmente quando ouço o nome dele e também do grande Mário Lago, me vem a mente algo que muito me intriga em se tratando de pessoas publicamente inteligentes, os dois viveram e morreram ateus.

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