Ivani Ribeiro

CLEIDE FREITAS ALVES FERREIRA
(73 anos)
Autora de Novelas

* São Vicente, SP (20/02/1922)
* São Paulo, SP (17/07/1995)

Cleide Freitas Alves Ferreira, conhecida artisticamente como Ivani Ribeiro, nasceu no dia 20 de fevereiro de 1922, em São Vicente, São Paulo (São Vicente é um município da Microrregião de Santos, na Região Metropolitana da Baixada Santista). Formada na Escola Normal de Santos, mudou-se para São Paulo para cursar a faculdade de Filosofia. Foi casada com o radialista Dárcio Alves Ferreira, com quem teve dois filhos: Luís Carlos e Eduardo.

Começou sua carreira profissional aos 16 anos, na Rádio Educadora de São Paulo, interpretando canções folclóricas e sambas – alguns de sua própria autoria. Logo depois, alcançaria grande sucesso no rádio, sobretudo através de dois programas que criou, Teatrinho da Dona Chiquinha e As Mais Belas Cartas de Amor. Neste, inclusive, Ivani Ribeiro viveu sua primeira experiência como radioatriz.

Passou ainda pela Rádio Difusora, antes de se transferir com o marido para a Rádio Bandeirantes, onde começaria a adaptar peças, poemas e letras de canções para diversos programas, entre os quais o Teatro Romântico, Os Grandes Amores da História e A Canção Que Viveu. Contratada pela recém inaugurada TV Tupi, escreveu a série Os Eternos Apaixonados. Anos depois, em 1963, Ivani Ribeiro assinaria sua primeira telenovela diária, Corações em Conflito. Tratava-se da adaptação de uma das histórias de sucesso que apresentara no rádio.

No final da década de 1960, transferiu-se para a TV Excelsior, onde se destacaria como autora do horário das 19:30 hs. Por conta disso, chegou a escrever 13 novelas consecutivas, obtendo grande sucesso em todas. A Deusa Vencida (1965), por exemplo, consagraria a atriz estreante Regina Duarte.

Em 1970, de volta à TV Tupi, desta vez como principal autora do horário das 20:00 hs, Ivani Ribeiro escreveu outros três clássicos da teledramaturgia brasileira: Mulheres de Areia (1973), estrelada por Eva Wilma, A Viagem (1975) e O Profeta (1977). O sucesso obtido por suas tramas era tamanho – e o colapso financeiro da Tupi, também – que, no final da década de 1970, a emissora decidiria exibir, nos seus três horários de maior audiência, reprises de novelas assinadas por Ivani Ribeiro.


Entre 1980 e 1982, teve uma passagem pela TV Bandeirantes, onde escreveu Cavalo Amarelo, que contava com a participação da atriz e comediante Dercy Gonçalves, e assinou os remakes de A Deusa Vencida e Meu Pé de Laranja Lima. Esta, baseada no livro homônimo de José Mauro de Vasconcelos, teria ainda uma terceira versão, produzida pela TV Bandeirantes em 1998, assinada por Ana Maria Moretszohn.

Ivani Ribeiro estreou como autora da TV Globo em novembro de 1982, com Final Feliz. A trama, que seria a única inédita da autora na emissora, era estrelada por José Wilker, no papel do genioso Rodrigo, e Natália do Vale, como a impetuosa Débora, entre outros.

Em seguida, Ivani Ribeiro assinaria uma série de remakes e adaptações a partir de seus principais sucessos na TV Tupi e na TV Excelsior. Amor Com Amor Se Paga, por exemplo, exibida em 1984, resultou de uma fusão entre as tramas de Camomila e Bem-me-Quer, produzidas originalmente pela TV Tupi.


Em A Gata Comeu (1985) – remake de A Barba Azul, exibida em 1974 pela TV Tupi –, a autora contou com a colaboração de Marilu Saldanha. Ambientada no Rio de Janeiro, a comédia romântica trazia os encontros e desencontros de uma jovem rica e mimada, Jô Penteado, Christiane Torloni, e um professor viúvo, Fábio Coutinho, Nuno Leal Maia. A novela representou um marco na consolidação da comédia como gênero principal da faixa de horário das 19:00 hs.

Hipertensão (1986) é o caso de uma trama que Ivani Ribeiro atualizou, sem alterar a estrutura central da história. Originalmente apresentada como Nossa Filha Gabriela, exibida pela TV Tupi em 1971, a novela tinha como foco principal o mistério em torno da paternidade de Carina (Maria Zilda Bethlem). O rol de possíveis pais era composto por três personagens: Napoleão (Cláudio Corrêa e Castro), Candinho (Paulo Gracindo) e Romeu (Ary Fontoura).

O O Sexo dos Anjos (1989), adaptada de O Terceiro Pecado, exibida pela TV Excelsior em 1968, envolvia a discussão sobre morte, destino e amor. A novela foi estrelada por Diana (Bia Seidl), o Anjo da Morte, seu emissário Adriano (Felipe Camargo) e a jovem Isabela (Isabela Garcia).

O trabalho seguinte de Ivani Ribeiro foi, talvez, seu maior sucesso: Mulheres de Areia. Exibida pela primeira vez em 1973, na TV Tupi, a nova versão da novela – que teve a colaboração de Solange Castro Neves – narrava a vida das gêmeas Ruth e Raquel, vividas pela atriz Glória Pires. Foi levada ao ar em 1993, transformando-se num marco de audiência do horário das 18:00 hs. Outro destaque foi a interpretação do ator Marcos Frota, no papel do escultor Tonho da Lua.

No ano seguinte, a autora assinou o remake de outro grande sucesso da TV Tupi, A Viagem. Exibida originalmente em 1975, a novela era inspirada na doutrina espírita de Allan Kardec, e abordava diversos temas relacionados ao espiritismo, como a mediunidade e a reencarnação. A versão de 1994 foi protagonizada por Guilherme Fontes, no papel do mau-caráter Alexandre, Christiane Torloni, como Dinah, e Antônio Fagundes, interpretando o criminalista Otávio Jordão.

Em 1995, Ivani Ribeiro voltaria a dividir um trabalho com Solange Castro Neves, desta vez, um argumento. Com a morte de Ivani Ribeiro, em 17 de julho daquele ano, decidiu-se que Quem é Você?, em fase adiantada de produção, seria escrita por Solange Castro Neves, com a colaboração de Isa Duboc, Rosane Lima, Aimar Labaki e Nelson Nadotti. A partir do capítulo 25, porém, Lauro César Muniz assumiu a autoria da novela, que apresentou a relação das irmãs Maria Luísa (Elizabeth Savalla) e Beatriz (Cássia Kiss). As duas reagem de modo diferente à ausência do pai, Nelson (Francisco Cuoco).

Mais de 10 anos após a morte de Ivani Ribeiro, a TV Globo voltou a exibir uma trama da autora. Em 2006, estreou o remake de O Profeta, que fora levada ao ar pela primeira vez em 1977, na TV Tupi. A adaptação ficou a cargo de Thelma Guedes e Duca Rachid, sob a supervisão de Walcyr Carrasco. Na nova versão, o personagem vivido pela atriz Nicete Bruno era uma homenagem à falecida autora: seu nome, Cleide, fazia referência ao verdadeiro nome de Ivani Ribeiro.

Falecimento e Trabalhos Póstumos

Ivani Ribeiro morreu vítima de Insuficiência Renal, provocada pela Diabetes, em 17 de julho de 1995, aos 73 anos. Deixou prontos dois trabalhos: a última telenovela, Quem é Você?, exibida em 1996, que aborda a vida da terceira idade e a farsa dos sexos, reunindo veteranos há tempos afastados da televisão como Castro Gonzaga, Norma Geraldy, Alberto Perez, Ênio Santos e Vanda Lacerda, protagonizada por Cássia Kiss e Elizabeth Savalla (o roteiro, do qual ela escreveu apenas o argumento e que foi redigido pela sua colaboradora Solange Castro Neves, que escreveu apenas os vinte e quatro primeiros capítulos e foi substituída por Lauro César Muniz após sua transferência para a TV Record) e a minissérie O Sarau, em doze capítulos, baseada em obras do escritor Machado de Assis, projeto este que acabou por ser abortado.


Além desta, Ivani Ribeiro também escreveu o argumento de A Selvagem (remake de Alma Cigana, 1964) e O Machão, de Sérgio Jockyman, exibidas pela TV Tupi em 1971 e 1974, respectivamente. Esta última foi adaptada de A Indomável, de 1965, pela TV Excelsior e ganharia uma terceira adaptação em 2000 exibida pela TV Globo, cujo título agora era O Cravo e a Rosa, de Walcyr Carrasco, protagonizada por Adriana Esteves e Eduardo Moscovis (na primeira versão, foram interpretados por Aracy Cardoso e Édson França e na segunda adaptação, os papéis foram defendidos por Maria Isabel de Lizandra e Antônio Fagundes) - uma livre adaptação do clássico A Megera Domada, de William Shakespeare.

Escreveu também um roteiro para um filme com direção de Roberto Santos, Pantomina. Até a década de 80, Ivani Ribeiro havia adaptado exatos 2922 contos, média de um por dia, além de 1300 peças para rádio. Sem colaboradores ela escrevia dois capítulos de novela, o dobro do que uma equipe de quatro novelistas escreve hoje.

Ivani Ribeiro também foi a única autora a ter suas novelas reprisadas duas vezes na sessão Vale a Pena Ver de Novo: A Viagem, em 1997 e 2006, A Gata Comeu, em 1989 e 2001 e Mulheres de Areia em 1996 e 2011. Durante a segunda reprise de A Viagem, a gravadora Som Livre relançou no mercado a trilha sonora internacional da novela.

Em 1998 a autora e colaboradora de Ivani Ribeiro, Solange Castro Neves, apresentou uma sinopse de A Viagem 2, que seria uma continuação da novela exibida em 1994, mas desavenças entre diretores de emissora fizeram com que o projeto fosse abortado.

Ivani Ribeiro não temia a morte, mas reprovava a forma como os ocidentais a tratavam. Por isso, em suas 30 novelas, nunca escreveu cenas de enterro, que mostrassem o corpo dentro da urna. "Ela achava horrível mostrar a pessoa nessa situação", diz Solange Castro Neves. Ela "Respeitava a dignidade do morto". Solange fez de tudo para impedir que os fotógrafos registrassem o velório. "Era um desejo dela", desculpou-se, emocionada, no dia seguinte à cerimônia de cremação do corpo da escritora.

Na sexta-feira, 14, três dias antes de morrer, Ivani Ribeiro conversou pela última vez com Solange. No Hospital Sírio Libanês, onde estava internada há 25 dias, o assunto era trabalho. Falou com Solange sobre a minissérie O Sarau, que estava escrevendo, baseada na obra de Machado de Assis. Falava pausadamente, o corpo não mais acompanhava o raciocínio. Sofria de Insuficiência Renal provocada pela Diabetes. No início da noite, despediu-se, otimista, de Solange.

Ela me disse: "Semana que vem estou em casa e conversamos melhor."

Três dias depois, não resistiu a três paradas cardíacas. Morreu 20 dias depois do marido, o escritor Dácio Moreira Alves Ferreira, deixando dois filhos, Luís Carlos de 45 anos, e Eduardo de 40.


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