Stuart Angel Jones

STUART EDGARD ANGEL JONES
(25 anos)
Militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro

* Salvador, BA (11/01/1946)
+ Rio de Janeiro, RJ (14/06/1971)

Foi um integrante da luta armada contra a Ditadura Militar no Brasil e militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), preso, torturado, morto e dado como desaparecido político brasileiro.

Stuart era filho do americano Norman Jones e de Zuleika Angel Jones, mais conhecida como Zuzu Angel, figurinista e estilista conhecida internacionalmente.

Bicampeão carioca de remo pelo Clube de Regatas Flamengo na adolescência, ele foi estudante de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Possuía dupla nacionalidade, brasileira e americana.

Na virada das décadas de 60/70, passou a militar no Movimento Revolucionário 8 de Outubro, grupo de extrema-esquerda que fazia a luta armada contra o Regime Militar, onde usava os codinomes Paulo e Henrique.

Preso, torturado e morto por membros do Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica (CISA) em 14 de junho de 1971, aos 25 anos de idade. Foi casado com a também militante e guerrilheira Sônia Maria de Moraes Angel Jones, presa, torturada e morta dois anos depois e também dada como desaparecida.

Morte

Preso próximo a seu aparelho, no bairro do Grajaú, perto da Avenida 28 de Setembro, na Zona Norte do Rio de Janeiro, Stuart foi levado pelos agentes do Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica (CISA) à Base Aérea do Galeão para interrogatório. Dele, os militares queriam a informação da localização do ex-capitão Carlos Lamarca, chefe do Movimento Revolucionário 8 de Outubro e então o grande procurado pelo regime. Negando-se a falar, Stuart Angel Jones foi então barbaramente torturado no pátio da base, vindo a morrer em consequência dos maus tratos.

A versão mais conhecida e aceita de sua tortura e morte foi dada pelo ex-guerrilheiro Alex Polari, também preso na base, e que assistiu da janela de sua cela as torturas feitas contra Stuart, presenciando inclusive a cena em que ele foi arrastado por um jipe militar, com o corpo completamente esfolado e com a boca no cano de descarga do veículo, pelo pátio interno do quartel, o que causou sua morte por asfixia e envenenamento por gás carbônico. Alex Polari escreveu uma carta a Zuzu Angel contando-lhe o ocorrido com o filho. De posse dela, a estilista denunciou o assassinato de Stuart - que tinha cidadania brasileira e americana - ao senador Edward Kennedy, que levou o caso ao Congresso dos Estados Unidos.

O livro Desaparecidos Políticos, de Reinaldo Cabral e Ronaldo Lapa, aponta duas versões para o desaparecimento do corpo do guerrilheiro:

"A primeira é de que teria sido transportado por um helicóptero da Marinha para uma área militar localizada na Restinga de Marambaia, na Barra de Guaratiba, próximo à (então) zona rural do Rio de Janeiro, e jogado em alto-mar pelo mesmo helicóptero. Mas, de acordo com outras informações, o corpo de Stuart teria sido enterrado como indigente, com o nome trocado, num cemitério de um subúrbio carioca, provavelmente Inhaúma."

Os responsáveis, segundo eles:

"Os brigadeiros João Paulo Burnier e Carlos Afonso Dellamora, o primeiro, chefe da Zona Aérea e, o segundo, comandante do CISA; o tenente-coronel Abílio Alcântara, o tenente-coronel Muniz, o capitão Lúcio Barroso e o major Pena - todos do mesmo organismo; o capitão Alfredo Poeck – do Centro de Informações da Marinha (CENIMAR); Mário Borges e Jair Gonçalves da Mota - agentes do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS)".

Pelos anos seguintes, a mãe de Stuart, Zuzu Angel, peregrinou pelo poder militar tentando conseguir explicações e informações sobre o corpo do filho, oficialmente dado como desaparecido. Sua campanha chegou ao mundo da moda, na qual tinha destaque, com desfiles de coleções feitas com roupas estampadas com manchas vermelhas, pássaros engaiolados e motivos bélicos. O anjo, ferido e amordaçado em suas estampas, tornou-se também o símbolo do filho. Zuzu Angel chegou a realizar em Nova York um desfile-protesto, no consulado do Brasil na cidade.

Usando de sua relativa notoriedade internacional, ela envolveu celebridades de Hollywood que eram suas clientes, como Joan Crawford, Liza Minelli e Kim Novak, em sua causa, e durante a visita de Henry Kissinger, então secretário de estado norte-americano, ao Brasil, chegou a furar a segurança para entregar-lhe um dossiê com os fatos sobre a morte do filho, também portador da cidadania americana.

Zuzu Angel morreu em 1976, num acidente de automóvel nunca devidamente explicado no bairro de São Conrado, Rio de Janeiro, sem jamais conseguir descobrir o paradeiro do corpo de Stuart Angel.

Cinema e Literatura

Em 2006, a vida de Stuart Angel Jones e de sua mãe foram levadas ao cinema, com o filme Zuzu Angel, dirigido por Sérgio Rezende, com Daniel de Oliveira e Patrícia Pillar no papel do militante-guerrilheiro e da estilista.

O escritor José Louzeiro escreveu o romance "Em Carne Viva", com personagens e situações que lembram o drama da morte de Stuart Angel.

Stuart Jones é patrono da Juventude Revolucionária 8 de Outubro, seção de jovens do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), hoje uma facção política integrante do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).

Fonte: Wikipédia

2 comentários:

  1. Nesse ano em que o golpe completa seu cinquentenário, a história se repete, afinal, onde anda Amarildo... ?

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  2. valteroc, os casos são diferentes, apesar de os fins terem sido praticamente os mesmos. Mas o seu ponto de vista é plausível. A diferença é que Amarildo era pobre, da favela, e um humilde ajudante de pedreiro. Já o Stuart, era totalmente o contrário, apesar de ter vivido e lutado até a morte pela democracia que todos temos hoje em dia. Ademais, ambos os casos foram muito lamentáveis. E, infelizmente, daqui a uns anos, não falarão mais em Amarildo, como falam de Stuart Angel Jones...

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