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Manoel Fiel Filho

MANOEL FIEL FILHO
(49 anos)
Operário Metalúrgico

☼ Quebrangulo, AL (07/01/1927)
┼ São Paulo, SP (17/01/1976)

Manoel Fiel Filho foi um operário metalúrgico brasileiro morto durante a Regime Militar no Brasil. 

As circunstâncias da sua morte são idênticas as do estudante Alexandre Vannucchi Leme, do 1º Tenente da PM, José Ferreira de Almeida e do jornalista Vladimir Herzog. Como ocorreu nesses casos, a morte de Manoel foi registrada, na época, como suicídio, mas abalou significativamente a estrutura do regime militar, provocando o  afastamento do general Ednardo D'Ávila Mello, ocorrido três dias após a divulgação de sua morte.

A morte de Manoel Fiel Filho é investigada pela Comissão Nacional da Verdade.

Manoel Fiel Filho saiu do Sítio Gavião, em Quebrangulo, Alagoas, aos 18 anos de idade. Morou na cidade de São Paulo, SP, desde os anos 50. Foi padeiro e cobrador de ônibus antes de se tornar operário metalúrgico na Metal Arte Industrial Reunidas, no bairro da Mooca. Lá trabalhou no setor de prensas hidráulicas por 19 anos.

Ele era casado com Thereza de Lourdes Martins Fiel, tinha duas filhas, e morava num sobrado na Vila Guarani.

Na manhã do dia 16/01/1976, uma sexta-feira, Manoel foi procurado na Metal Arte Industrial Reunidas por dois homens que se identificaram como agentes do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) e o convidaram a prestar esclarecimentos. De lá os três seguiram para a casa do operário onde os oficiais realizaram uma operação de busca e apreensão. Após ter a casa revistada Manoel Fiel Filho foi autorizado a ficar a sós com sua família por alguns instantes e em seguida entrou no carro dos agentes. O operário foi encaminhado para o Destacamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) do II Exército e essa foi a última vez que a esposa e as filhas o viram vivo.

Morte

Segundo relatório enviado à Agência Central do Serviço Nacional de Informações, durante investigação sobre o Partido Comunista Brasileiro (PCB), foi preso, no dia 15/01/1976, Sebastião de Almeida, que apontou Manoel Fiel Filho como seu contato.

Às 8h30 do dia 17/01/1976, um dia após ser levado para o DOI-COID, Manoel foi interrogado por duas horas e depois encaminhado de volta a cela.

Às 11h00 ele foi novamente chamado para uma acareação, que durou 15 minutos e avaliou sua ligação com Sebastião de Almeida. Dessa vez os agentes concluíram que Manoel Fiel Filho  recebia de Sebastião de Almeida, mensalmente, 8 exemplares do jornal a Voz do Operário, o que, diante do regime militar, era motivo suficiente para comprovar sua conexão com o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e justificar a prisão.

Ainda segundo o relatório Manoel Fiel Filho foi levado de volta a cela após a acareação e visto vivo e calmo, pelo carcereiro de serviço, por volta do 12h15. Já as 13h00 o carcereiro tomou ciência que "Manoel Fiel Filho suicidara-se no xadrez, utilizando-se de suas meias, que atou ao pescoço, estrangulando-se."

Às 22h00 a família foi comunicada do suicídio de Manoel Fiel Filho, mas a entrega de corpo só foi realizada com a condição de que os parentes o sepultassem o mais rápido possível e que não se falasse nada sobre sua morte.

No domingo, dia 18/01/1976, às 08h00, Manoel Fiel Filho foi sepultado por seus familiares no Cemitério da IV Parada, em São Paulo.

Pós-morte

Na nota em que comunicava o suicídio de Manoel Fiel Filho o II Exército manda instaurar um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar o caso. Em 30 dias o IPM foi concluído e em parecer datado de 28/04/1976, o procurador militar Darcy de Araújo Rebello pede o arquivamento do processo alegando que:

"As provas apuradas são suficientes e robustas para nos convencer da hipótese do suicídio de Manoel Fiel Filho, que estava sendo submetido a investigações por crime contra a segurança nacional. (...) Aliás, conclusão que também chegou o ilustre Encarregado do Inquérito Policial Militar"

O comandante do II Exército, Ednardo D'Ávila Mello, no entanto, foi exonerado do cargo meses depois do ocorrido, pelo presidente da época Ernesto Geisel. Segundo Paulo Egydio Martins, Ministro do Desenvolvimento de Castelo Branco, em reunião com dirigentes militares após a morte de Vladimir HerzogErnesto Geisel teria dito que não toleraria mais esse tipo de crime nas dependências do Exército, o que justificaria a exoneração do militar após a morte de Manoel Fiel Filho.

Em ação judicial movida pela família e patrocinada pelos advogados Marco Antônio Rodrigues Barbosa, Samuel Mac Dowell Figueiredo e Sérgio Bermudes, foi julgado procedente, em 1995, a condenação da União e o reconhecimento de sua responsabilidade pela prisão ilegal, tortura e morte de Manoel Fiel Filho.

Entre os argumentos foram citados: a exoneração do comandante do exercito, o relato dos operários presentes no dia da prisão de Manoel e o depoimento dos presos políticos que presenciaram a tortura de Manoel, dado, em 1978, a Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, então integrada por José Carlos Dias, José Gregori, Margaria Genevois, Hélio Bicudo entre outros defensores dos Direitos Humanos. 

Vida Em Obra

Documentário

Estreou em 2009, sob a direção de Jorge Oliveira, o documentário "Perdão, Mister Fiel". O filme conta a perseguição política ao metalúrgico pela ditadura militar brasileira, que resultou em seu assassinato nos porões do DOI-CODI, fato que desencadeou o processo de abertura política e redemocratização do país.

Personalidades como Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso, José Sarney, Jarbas Passarinho e Marival Chaves, ex-agente do DOI-CODI, dão seus depoimentos sobre o episódio.

Livro

Em 1980, foi lançado o livro "Manoel Fiel Filho: Quem Vai Pagar Por Este Crime?", de Carlos Alberto Luppi, pela Editora Escrita. 

Fonte: Wikipédia

Lúcia Lambertini

LÚCIA LAMBERTINI
(50 anos)
Atriz, Diretora e Autora

* São Paulo, SP (26/06/1926)
+ São Paulo, SP (23/08/1976)

Lúcia Lambertini foi uma atriz, diretora e autora brasileira. Graciosa, alegre, era baixinha e sempre aparentou menos idade do que tinha.

Quando a TV Tupi foi inaugurada em 1950, Lúcia Lambertini já tinha amizade com Tatiana Belinky e Júlio Gouveia, diretores do TESP. E estes começaram as tratativas para lançar os programas infantis na televisão, logo em 1952.

Lúcia Lambertini, seu tipo físico e seu talento, encaixaram-se perfeitamente no papel de Emília, a bonequinha do "Sítio do Pica-Pau Amarelo". Então, em 1952, ela estreou na televisão vivendo a Emília da primeira versão do "Sítio do Pica-Pau Amarelo". Depois participou do "TV de Vanguarda" e interpretou famosas personagens juvenis em especiais e tele-teatros, como "Heidi", "Pollyana", "A Moreninha" e "O Pequeno Lorde".

Grande atriz, intercalou seus trabalhos de atriz, aos de redatora de novelas e produtora de programas. Na década de 60 passou a escrever e dirigir para a TV Cultura e TV Excelsior, onde fez "Quem Casa Com Maria", "Yoshico, Um Poema de Amor", a primeira novela brasileira dedicada à colônia japonesa. Escreveu ainda "As Professorinhas" e "Os Amores de Bob".

HélioTozzi e Lúcia Lambertini

Foi produtora das novelas "Amor de Perdição", "Escrava do Silêncio" "O Moço Loiro". Sua importância também cresceu por ser um dos principais nomes da criação do modelo de TV Educativa. Esteve por muitos anos na TV Cultura, como produtora e autora.

Como atriz atuou no filme "O Homem das Encrencas" (1964), título alternativo "Imitando o Sol", e nas telenovelas "As Professorinhas", "Quem Casa Com Maria?", "Sozinho no Mundo" e "A Viagem", na TV Tupi, onde fez a divertida Dona Cidinha, proprietária de uma pensão.

Era irmã da também atriz Leonor Lambertini e foi casada com o diretor e produtor Hélio Tozzi, com quem teve filhos.

Lúcia Lambertini morreu repentinamente em 23/08/1976, vítima de uma parada cardíaca.


Sempre se disse sobre ela:

"Lúcia Lambertini foi a melhor Emília de todos os tempos!"

Indicação: Valdimir D'Angelo

Luíz Sérgio Person

LUIZ SÉRGIO PERSON
(39 anos)
Ator, Diretor, Roteirista e Produtor

* São Paulo, SP (12/02/1936)
+ São Paulo, SP (07/01/1976)

Luiz Sérgio Person foi um ator, diretor, roteirista e produtor brasileiro. É conhecido sobretudo por ter dirigido dois importantes filmes do cinema brasileiro dos anos 1960, "São Paulo S.A.", um contundente retrato da alienação e do desespero do cidadão médio perante a emergente e aguda industrialização iniciada no final dos anos 50, e "O Caso dos Irmãos Naves", no qual usa um episódio verídico de injustiça e abuso de poder ocorrido durante o Estado Novo para traçar um paralelo com a repressão da ditadura militar da época, de forma crua e bastante corajosa.

Em 1951, fez o curso de interpretação cinematográfica no Centro de Estudos Cinematográficos de São Paulo, como bolsista da prefeitura. Nesse mesmo ano, ele se increveu num processo de seleção de atores para a peça "O Massacre", de Manuel Robins. Ficou entre os cinco finalistas mas os pais o impediram de abandonar o curso clássico no Colégio São Bento para ser ator numa peça encenada no Rio de Janeiro.

Em 1954, ingressou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco (USP) onde ficou até o último ano sem contudo diplomar-se.

No ano seguinte, em 1955, junto com um grupo de jovens talentosos, como Antunes Filho, Cláudio Petraglia, Flávio Rangel e Antônio Henrique do Amaral, encenou inúmeras peças teatrais em casa de amigos, dentro do mais perfeito espírito amador.

Antes de completar 20 anos, organizou e editou uma revista de cinema e teatro, "Seqüência". Apesar do título, a revista não passou do primeiro número pelas dificuldades que Luiz Sérgio Person enfrentou em conduzir sozinho todas as tarefas indispensáveis à edição. Alguns meses mais tarde, engajou-se como ator na Companhia de Comédias de Odilon Azevedo e se apresentou no Teatro Municipal de Campinas como galã na peça "Vamos Brincar de Amor". Nesse ano, ainda escreveu um roteiro cinematográfico, inédito, com base no romance "Chão Bruto", de Hernani Donato; o argumento e roteiro de "A Lei do Mais Forte", e teve participação secundária como ator nos filmes "Cais do Vício" e "A Doutora é Muito Viva", ambos de 1956.

Em 1957, experimentou a televisão como ator de  teleteatro na TV Tupi, levado pelo amigo Antunes Filho. Na TV Tupi e TV Record, dirigiu gente consagrada como a atriz Cacilda Becker, de quem ficou amigo. Escreveu o roteiro de "Casei-me Com Um Xavante" (1957), em parceria com Alfredo Palácios, de quem foi também assistente de direção e onde apareceu ainda como ator ao lado de Pagano Sobrinho, Luely Figueiró e Lola Brah. Dirigiu o longa-metragem "Um Marido Para Três Mulheres" (1957).


Afastou-se do cinema em 1959, quando passou a se dedicar a atividades industriais, assumindo a diretoria comercial da empresa Person-Bouquet S/A, o que o levou a circular por ambientes que mais tarde surgiram em "São Paulo, Sociedade Anônima" (1965).

Em 1961, retornou à atividade cinematográfica. Foi para a Itália fazer curso de direção no Centro Sperimentale di Cinematografia (CSC), em Roma, onde ficou por dois anos. Junto com vários colegas do curso, realizou, como produtor, argumentista e diretor, o curta-metragem "Al Ladro" (1962). O filme recebeu o prêmio de qualidade do governo italiano e representou o país no Festival de Veneza em 1962 e, em seguida, no Festival de Bilbao. Como explicou o próprio Luiz Sérgio Person:

"O filme foi inteirinho rodado com a câmera na mão, a pouca distância e mesmo debaixo do nariz de transeuntes e pessoas completamente desprevenidas. Como preparação, de modo geral, o método consistiu em ensaiarmos os atores sem nos preocuparmos com os curiosos que iam se amontoando à nossa volta. Depois de estabelecida a posição da câmera, a objetiva, o diafragma, etc., nos retirávamos fingindo que o trabalho estava terminado; íamos tomar um café ou bater um papo distante do local escolhido, fazendo desaparecer a máquina, a fim de que ninguém nos seguisse. Em seguida, quando o grupo já havia se dispersado, voltávamos e, rapidamente, sem dar tempo ao público de perceber exatamente o que estava sucedendo diante dele, rodávamos a cena."

No mesmo ano, 1962, foi assistente de direção de Luigi Zampa no filme "Anni Ruggenti".

Em 1963, realizou o curta-metragem "L'ottimista Sorridente" em 16mm, seu trabalho de formatura no Centro Sperimentale di Cinematografia. Dirigiu também o documentário "Il Palazzo Doria Pamphili" sobre a sede da representação diplomática brasileira em Roma. Escreveu a primeira versão do argumento de "São Paulo, Sociedade Anônima", ainda com o título de "Agonia". Em Paris, tentou comprar os direitos de "Irma la Dulce" para o cinema.

De volta ao Brasil, em 1964, iniciou os preparativos para a produção de "São Paulo, Sociedade Anônima", em regime de quotas, com Renato Magalhães Gouvêa e Nelson Mattos Penteado.

No ano seguinte, o filme recebeu o Prêmio de Público na I Mostra Internacional do Novo Cinema realizada em Pesaro na Itália; Prêmio Cabeza de Palenque no VIII Festival Internacional do Filme de Acapulco, México; Prêmio Governador do Estado, da Comissão Estadual de Cinema de São Paulo; diversos Prêmios Cidade de São Paulo; os Prêmios Saci do jornal O Estado de S. Paulo para melhor filme, direção e montagem. Nesse mesmo ano, trabalhou na produção do documentário "Esportes no Brasil" para o Ministério das Relações Exteriores.


"São Paulo, Sociedade Anônima" é um marco no cinema paulista e foi a obra de Luiz Sérgio Person mais bem-sucedida, mostrando uma temática profundamente urbana tratada de um modo único dentro do movimento do Cinema Novo. Além de ser pioneiro no aprofundamento da problemática do jovem de classe média, é de se destacar a ausência do povo no filme, que era uma das características cinema-novistas. A forma narrativa assemelha-se ao questionamento da linguagem clássica feita pelo Cinema Novo e, com isso, Luiz Sérgio Person foi considerado um dos poucos participantes paulistas do movimento.

Em 1966, convidou Jean-Claude Bernadet para fazer a pesquisa e roteirizar o episódio do erro judiciário ocorrido em Araguari, MG, em que dois irmãos foram condenados sem terem cometido crime algum. Surgiu, entretanto, a possibilidade de dirigir um filme tendo Roberto Carlos e a Jovem Guarda no elenco, e Luiz Sérgio Person decidiu adiar o projeto sobre os Irmãos Naves. Tendo como parceiros Jean-Claude Bernadet e Jô Soares, escreveu o argumento e roteiro de "SSS Contra Jovem Guarda", mas o filme não chegou a ser rodado. Escreveu então o roteiro, a primeira versão, de "Panca de Valente" (1968).

Viajou inúmeras vezes até Araguari, MG, em companhia de Jean-Claude Bernadet para entrevistar testemunhas da época em que ocorreu o julgamento dos Irmãos Naves e levantar as locações para a realização do filme sobre o assunto. Antes das filmagens, organizou uma produtora com o amigo Glauco Mirko Laurelli, a Lauper Filmes. Em novembro começam as filmagens de "O Caso dos Irmãos Naves" (1967).

Integrou a Comissão Estadual de Cinema, onde ficou até 1971.

Em 1967, "O Caso dos Irmãos Naves" recebeu o Prêmio Governador do Estado para argumento e roteiro; Prêmio INC e Coruja de Ouro de melhor fotografia, cenografia e figurino. No III Festival de Brasília do Cinema Brasileiro recebeu os prêmios para melhor roteiro, diálogo e atriz coadjuvante. No final de 1968, o filme, considerado o melhor do ano, recebeu em Marília, SP, do Clube de Cinema da cidade, o Troféu Curumim

Iniciou um outro projeto, com Jean-Claude Bernadet: o roteiro de "A Hora dos Ruminantes", que não chegou a ser filmado.

Foi lançado "Marido Barra Limpa", o antigo "Um Marido Para Tês Mulheres", de 1957, com cenas adicionais filmadas por Renato Grecchi, que assinou o filme. Luiz Sérgio Person escreveu o roteiro de "Os Sete Pecados Capitalistas", não realizado, e deu aulas na cadeira de linguagem cienematográfica na Escola Superior de Cinema São Luiz, em São Paulo.

Luis Sérgio Person e sua filha Marina Person.
Participou de vários filmes paulistas como ator, em "O Quarto" (1968), dirigido por Rubem Biáfora, "Anuska, Manequim e Mulher", de Francisco Ramalho Jr. A amizade com José Mojica Marins, o Zé do Caixão, o levou mais uma vez a desempenhar a função de ator em "O Estranho Mundo de Zé do Caixão", no episódio "O Fabricante de Bonecas". Com o mesmo José Mojica Marins e Ozualdo Candeias, fez o longa "Trilogia do Terror", cabendo-lhe o episódio "A Procissão dos Mortos" (1968).

Luiz Sérgio Person liderou a criação da Reunião de Produtores Independentes (RPI), empresa de distribuição de filmes, revelando sua preocupações com a comercialização insatisfatória da produção nacional e dirigiu mais um longa metragem, "Panca de Valente" (1968).

Em 1969, já dedicado ao cinema publicitário, Luiz Sérgio Person recebeu o prêmio de melhor comercial de cinema, "Casa Zacharias", daquele ano, oferecido pelos cronistas publicitários de São Paulo. Continuou dirigindo comerciais - centenas, entre 1969 e 1971 - na G. Smith do Brasil e na sua empresa, a Lauper Filmes.

Voltou a interpretar, em 1970, em papel secundário no filme "Audácia!", de Antônio Lima e Carlos Reichenbach, seu antigo aluno na Escola Superior de Cinema.

"O Caso dos Irmãos Naves" impressionou a crítica americana e fez grande sucesso em Nova York, em 1972. Luíz Sérgio Person seguiu para lá, na tentativa de montar algum esquema de produção para "A Hora dos Ruminantes". Tentou comprar os direitos para montagem no Brasil da peça musical "Chorus Line".

Voltando ao Brasil, dirigiu no Rio de Janeiro a pornochanchada "Cassy Jones, o Magnífico Sedutor" (1973), com o qual ganhou, em 1973, o Kikito de melhor diretor no Festival de Gramado e também prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) que considerou seu filme o melhor do ano. O filme recebeu o Prêmio INC e Carlos Imperial foi premiado com o Troféu Coruja de Ouro de melhor autor das partituras musicais.

Associação Paulista de Críticos de Arte lhe conferiu uma menção especial pela abertura do Auditório Augusta, um velho cinema agora transformado em teatro que ele dirigiu com Glauco Mirko Laurelli e onde encenou inúmeras peças de muito sucesso.

Depois de uma famosa e controvertida entrevista dada a O Pasquim, em que criticou os cinema-novistas e fez afirmações contundentes ("Ipanema Não Existe!"), Luíz Sérgio Person foi convidado a colaborar no semanário enviando suas crônicas semanalmente de São Paulo.

Em 1975, concluiu o curta "Vicente do Rego Monteiro".

Luis Sérgio Person fotografado na região da Boca do Lixo, em São Paulo.
Morte

Luiz Sérgio Person faleceu vítima de um acidente automobilístico em 07/01/1976, deixando duas filhas pequenas, Marina Person e Domingas Person, que futuramente se tornariam bem-sucedidas apresentadoras de televisão, sobretudo de programas musicais.

Ele recebeu inúmeros prêmios póstumos, entre eles o Grande Prêmio da Crítica (APCA) e o prêmio do XI Festival de Brasília, por seu filme "Vicente do Rego Monteiro".


Filmografia

  • 1974 - Vicente do Rego Monteiro
  • 1972 - Cassy Jones, o Magnífico Sedutor
  • 1968 - Panca de Valente
  • 1968 - Trilogia do Terror (Episódio: A Procissão dos Mortos)
  • 1967 - O Caso dos Irmãos Naves
  • 1965 - São Paulo, Sociedade Anônima
  • 1963 - II Palazzo Doria Pamphil
  • 1963 - L'ottimista Sorridente (Curta-Metragem)
  • 1962 - Al Ladro (Curta-Metragem)
  • 1957 - Um Marido Barra-Limpa (Não Creditado)

Fonte: Filmescópio

Geraldo Assoviador

GERALDO CLEOFAS DIAS ALVES
(22 anos)
Jogador de Futebol

* Barão de Cocais, MG (16/04/1954)
+ Rio de Janeiro, RJ (26/08/1976)

Geraldo Cleofas Dias Alves ou Geraldo Assoviador, foi um meio-campista brasileiro, contemporâneo de Zico nas divisões de base do Clube de Regatas do FlamengoGeraldo conviveu com certa irregularidade até se firmar no time rubro-negro a partir do ano de 1974.

Praticante do futebol moleque: habilidoso, driblador, alegre e com um controle sensacional, o jogador chegou a disputar a Copa América de 1975 pela Seleção Brasileira de Futebol e vivia um momento ímpar na sua carreira entre fins de 1975 e início de 1976. Fez sete jogos pela Seleção Brasileira.

Dona Nilza Alves teve nove filhos. Dos nove, cinco tornaram-se jogadores de futebol e Geraldo era o mais habilidoso. O menino deixou Minas Gerais em direção ao Rio de Janeiro com a ajuda do irmão mais velho, Washington, que era zagueiro do Flamengo e apresentou o irmão à equipe da Gávea no início da década de 70. Geraldo faria parte da "geração de ouro" rubro-negra, comandada por Zico, maior ídolo da história rubro-negra.

Em campo, não demorou muito para Geraldo conquistar os companheiros e a torcida.

Campeão carioca em 1974 e convocado para a Seleção em 1976, era uma das promessas do país para a Copa do Mundo de 1978. Ficou marcado pela elegância como jogava, com a cabeça em pé. Mas ficou mesmo identificado pelo apelido curioso: "Geraldo Assoviador".

"Ele vivia assoviando, não só no campo, mas o dia inteiro. Assoviava músicas que gostava, principalmente "Your Song" (do cantor Elton John, interpretada por Billy Paul)"
(Zico)

Geraldo, que sempre jogava de cabeça erguida, desfilava o toque cerebral e refinado nas passadas largas com pé colado na bola. Travestido na camisa para fora do short, meias arriadas e muita irreverência.

Se Jairzinho lamenta não ter jogado com Geraldo, o mesmo não se pode dizer de Zico. Os dois pareciam irmãos siameses desde que chegaram, ainda garotos, ao Flamengo.

Geraldo e Zico

"Eu comecei um pouco antes, mas atuamos juntos em todas as categorias. Um dormia na casa do outro. Meu pai o chamava de filho preto. Nosso entendimento era perfeito. Geraldo tinha uma habilidade fora do comum, fazia tudo com a bola. Se não tivesse acontecido aquela tragédia, teria feito parte daquele Flamengo campeão do mundo em 1981."
(Zico)

O jornalista Raul Quadros, assessor de imprensa de Zico, cobria o Flamengo na época e lembra de história curiosa.

"Antes de começarem os treinos, os dois, em laterais opostas, ficavam lançando a bola um para o outro, sem deixá-la cair, até se aproximarem e a colarem entre as cabeças no meio do campo. Era lindo."

Um dos que mais assistiam à cena era o garoto Adílio, que com a morte do seu ídolo acabou tomando conta da camisa 8 rubro-negra.

"Ele era como um irmão mais velho. Sempre me dava toques e dizia que eu seria o seu sucessor. Quando eu estava no infanto, era recrutado para a reserva do juvenil e, no fim dos jogos, ele até inventava contusão para eu entrar no seu lugar."

Mas houve um dia em que Geraldo e Adílio jogaram juntos.

"A Seleção Brasileira treinou na Gávea e, para o coletivo, recrutou dois juvenis do Flamengo para completar o time reserva. Eu e Andrade formamos o meio-campo com o Geraldo. E derrotamos os titulares, que tinha Batista, Falcão e Carpeggiani, por 4 x 2."

Júlio César (Uri Gueller) e Geraldo, num treino na gávea
Morte

Calou o assovio, acabaram-se as brincadeiras com Zico, acabou tudo. Aos 22 anos, o coração de Geraldo parou. Morreu o craque do Flamengo na sala de operação. Uma simples operação de amídalas, com anestesia local. Foi uma reação alérgica à anestesia que o matou. O próprio otorrino Wilson Junqueira aplicou a infiltração de xilocaína. Teve tempo ainda de realizar a cirurgia, mas logo Geraldo começou a passar mal, com problemas respiratórios. Foi longa a luta dos médicos e Geraldo teve uma parada cardiorrespiratória.

Fizeram-lhe uma injeção no coração, aplicaram-lhe choques elétricos. Geraldo reanimou-se, mas por pouco tempo. A segunda parada cardíaca foi definitiva. Uma hora e meia depois de operado, Geraldo Cleofas Dias Alves estava morto. No dia 26 de agosto de 1976, o futebol brasileiro perdia precocemente, aos 22 anos, uma de suas maiores revelações.

Geraldo domina a bola diante de Rubens do Fluminense
Curiosidades

  • O apelido de Geraldo Assoviador foi dado em virtude da excêntrica mania que o jogador tinha de assoviar dentro de campo enquanto realizava jogadas inusitadas.
  • O atleta, em seu auge, foi por diversas vezes comparado por cronistas esportivos da época com o rei do futebol, Pelé.
  • A amizade de Geraldo com Zico era tão forte que, além de frequentar constantemente a casa da família Antunes, em Quintino, ele era considerado um filho postiço de Seu Antunes e Dona Matilde. "É meu filho marronzinho", costumava dizer o patriarca da família.
  • Não era para Geraldo ter feito a cirurgia no dia 26 de agosto. Na verdade, o jogador, que tinha muito medo de ser operado, deveria ter retirado as amídalas no mesmo dia em que Zico corrigiu um desvio de septo. Mas Geraldo não apareceu no dia e apenas Zico fez a cirurgia na data prevista.
  • Zico participou de dois amistosos em memória a Geraldo. O primeiro, no dia 6 de outubro (Flamengo 2 x 0 Seleção Brasileira), serviu para arrecadar fundos para a família do jogador, que vivia em Barão de Cocais. A segunda, em 1995, foi entre os masters do Flamengo e de Minas Gerais, em Barão de Cocais, onde o Flamengo perdeu por 2 x 1 e Zico fez o gol, para possibilitar a construção do mausoléu para Geraldo.
  • Geraldo é tio do zagueiro Bruno Alves, do Futebol Clube do Porto e da Seleção Portuguesa de Futebol.
  • Geraldo compareceu ao hospital no dia marcado, 25 de agosto de 1976, mas não operou porque o presidente do Flamengo na época, Hélio Maurício, não deixou comunicação oficial à respeito da operação. Hélio Maurício também era médico do hospital em que Geraldo iria realizar a operação.


Títulos Pelo Flamengo

  • 1973 - Taça Guanabara
  • 1973 - Taça Cidade do Rio de Janeiro
  • 1973 - Taça Rede Tupi de TV (RJ)
  • 1973 - Taça Araribóia (RJ)
  • 1973 - Taça Drº Manoel dos Reis e Silva (RJ)
  • 1974 - Campeonato Carioca
  • 1974 - 3º Turno do Campeonato Carioca
  • 1974 - Taça Deputado José Garcia Neto (MT)
  • 1974 - Taça Drº Manoel dos Reis e Silva (GO)
  • 1974 - Campeão da Taça Associação dos Servidores Civis do Brasil (RJ)
  • 1975 - Troféu João Havelange (RJ)
  • 1975 - Torneio Quadrangular de Goiás
  • 1975 - Torneio Quadrangular de Jundiaí (SP)
  • 1975 - Taça José João Altafini "Mazola" (RJ)
  • 1975 - Taça Jubileu de Prata da Rede Tupi de TV (DF)
  • 1976 - Taça Nelson Rodrigues
  • 1976 - Torneio Quadrangular de Mato Grosso


Títulos Pela Seleção Brasileira

  • 1976 - Taça do Atlântico
  • 1976 - Copa Roca


Madame Satã

JOÃO FRANCISCO DOS SANTOS SANT'ANNA
(76 anos)
Transformista, Bandido e Figura Folcórica

☼ Glória do Goitá, PE (25/02/1900)
┼ Rio de Janeiro, RJ (11/04/1976)

João Francisco dos Santos, mais conhecido como Madame Satã, foi um transformista, visto como personagem emblemático da vida noturna e marginal carioca na primeira metade do século XX.

Filho de Manoel Francisco dos Santos e Firmina Teresa da Conceição, criado numa família de dezessete irmãos, diz-se que João Francisco chegou a ser trocado, quando criança, por uma égua.

Jovem, foi para o Recife, onde viveu de pequenos serviços prestados. Posteriormente, mudou-se para o Rio de Janeiro, indo morar no bairro da Lapa. Analfabeto, o melhor emprego que conseguiu foi o de carregador de marmitas, embora houvesse o boato de que foi cozinheiro de mão-cheia. Considerado marginalizado, acredita-se que o fato de ter sido negro, pobre e homossexual tenha contribuído.


Dito dotado de uma índole irônica e extrovertida, João Francisco encantou-se pelo carnaval carioca. Foi assim que, em 1942, ao desfilar no bloco-de-rua Caçador de Veados, surgiu seu apelido. O transformista se apresentou com a fantasia Madame Satã, inspirada em filme homônimo de Cecil B. DeMille.

Era frequentador assíduo do bairro onde morava, conhecido como reduto carioca da malandragem e boemia na década de 1930, onde muitas vezes trabalhou como segurança de casas noturnas. Cuidava que as meretrizes não fossem vítimas de estupro ou agressão.

Foi preso várias vezes, chegando a ficar confinado ao Presídio da Ilha Grande, agora em ruínas. Freqüentemente, Madame Satã enfrentava a polícia, sendo detido por desacato à autoridade. Considerado exímio capoeirista, lutou por diversas vezes contra mais de um policial, geralmente em resposta a insultos que tivessem como alvo mendigos, prostitutas, travestis e negros.

É considerado uma referência na cultura marginal urbana do século XX.

Em 1971, concedeu uma polêmica entrevista ao jornal O Pasquim.


Morador da Vila do Abraão, Madame Satã era principalmente uma criatura enfurecida que não se conformava. Era um verdadeiro rebelde nacional ao longo de seus 76 anos de vida, 27 dos quais transcorreu como detento de vários presídios, dentre eles, o Instituto Candido Mendes em Dois Rios na Ilha Grande.

João Francisco definia-se como "Filho de Iansã e Ogum, devoto de Josephine Baker", inventando para si vários personagens como Mulata do Balacochê, Jamacy, a Rainha da Floresta, Tubarão, Gato Maracajá.

Cumpriu pena de 16 anos por assassinato de um policial em 1928. A ficha criminal ao longo de sua vida é vasta: No total foram 27 anos e 8 meses de prisão, 13 agressões, 4 resistências à prisão, 2 furtos, 2 recepções de furtos, 1 ultraje público ao pudor, 1 porte de arma, resistência à prisão entre outros.  

O último malandro da Lapa, área boêmia do Rio de Janeiro. Rei da navalha, da capoeira e um dos marginais mais famosos do país.

Madame Satã x Geraldo Pereira

Madame Satã era bastante famoso no baixo mundo carioca; homossexual, negro, artista de cabarés decadentes e, acima de tudo, valente, um homem que não levava desaforo para casa. Já matara, já brigara centenas de vezes, na maioria para defender seus direitos, em uma época que direitos para pessoas como ele não eram respeitados, e já passara dezenas de anos preso pelos mais diversos motivos. Seu encontro e sua briga com Geraldo Pereira naquele dia fatídico, no mês de maio de 1955, hoje estão envoltos em lendas e boatos.

Depois disseram que Geraldo Pereira já estava muito doente, emagrecendo a olhos vistos. Disseram até mesmo que, quando de seu aniversário, em 23/04/1955, passara mal no banheiro, com crises de vômito. Diziam também que já vinha evacuando sangue há algum tempo e que seu fígado estava em frangalhos, o que era de se esperar pela vida desregrada que levava.

Uma das versões conta que sua morte aconteceu logo depois de uma briga de bar, por causa de um copo de chopp, com Madame Satã. Depois da discussão no Restaurante Capela, na Lapa, Madame Satã teria acertado um soco no rosto de Geraldo Pereira, que, bêbado, perdeu o equilíbrio e caiu na calçada, na porta do bar. Com a queda, bateu com a cabeça no meio-fio, ficando desacordado, sendo carregado para o Hospital dos Servidores, onde morreu dois dias depois vítima de hemorragia intestinal reincidente. Muitos de seus amigos, porém, garantem que ele morreu de vítima câncer.

Madame Satã assim contou para O Pasquim o incidente com Geraldo Pereira:

"Eu entrei no Capela, estava sentado tomando um chopp. Ele chegou com uma amante dele (ainda vive essa mulher), pediu dois chopps e sentou ao meu lado. Aí tomou uns goles do chopp dele e cismou que eu tinha que tomar o chopp dele e ele quis tomar o meu copo, e eu disse pra ele: 'Olha, esse copo é meu'.
Aí ele achou que aquele copo era dele e não era o meu. Então peguei meu copo e levei para a minha mesa. Aí ele levantou e chamou pra briga. Disse uma porção de desaforos de palavras 'obicênias', eu não sei nem dizer essas coisas. Aí eu perdi a paciência, dei um soco nele: caiu com a cabeça no meio fio e morreu. Mas ele morreu por desleixo médico, porque foi para a assistência ainda vivo."

Contando com apenas 37 anos, e de maneira inglória, assim morreu um dos maiores compositores da fase de ouro da música popular brasileira.

Morte

Faleceu logo após a sua última saída da prisão, em abril de 1976 em sua casa, hoje um camping, vítima de câncer no pulmão, famoso mas sem um tostão. Foi sepultado no Cemitério da Vila do Abraão e em sua lapide consta uma foto em preto e branco de 1975 com seu nome completo e apelido, data de nascimento e de sepultamento.

Madame Satã teve publicado em 1972 o livro "Memórias de Madame Satã" e no ano de 2002, foi rodado no Brasil um filme sobre sua vida, que leva também o nome de "Madame Satã", dirigido por Karim Aïnouz, contando o início de sua história nos palcos da Lapa até a prisão pelo assassinado do policial em 1928. O filme foi premiado nacional e internacionalmente. Nesse filme, João Francisco dos Santos foi interpretado pelo ator Lázaro Ramos.

Zuzu Angel

ZULEIKA ANGEL JONES
(54 anos)
Estilista

* Curvelo, MG (05/06/1921)
+ Rio de Janeiro, RJ (14/04/1976)

Zuleika de Souza Neto (nome de solteira), conhecida como Zuzu Angel, foi uma estilista brasileira, mãe do militante político Stuart Edgard Angel Jones e da jornalista Hildegard Angel.

Nascida no interior de Minas Gerais, mudou-se quando criança para Belo Horizonte, onde começou a costurar e criar modelos, fazendo roupas para as primas, mudando-se depois para a Bahia, onde passou a juventude. A cultura e cores desse estado influenciaram significativamente o estilo das suas criações. Pioneira na moda brasileira, fez sucesso com seu estilo em todo o mundo, principalmente nos Estados Unidos.

Em 1947, foi morar no Rio de Janeiro e nos anos 50 iniciou seu trabalho como costureira, quando fazia roupas principalmente para alguns familiares próximos. No princípio dos anos 70, após muitos anos de costura e ganhando um dinheiro que teve que juntar a vida toda abriu uma loja de roupas em Ipanema.

Seu estilo misturava renda, seda, fitas e chitas com temas regionais e do folclore, com estampados de pássaros, borboletas e papagaios. Zuzu também trouxe para a moda as pedras brasileiras, fragmentos de bambu, de madeira e conchas.

Trabalhando muito, com o tempo fez algumas amizades importantes no bairro e através de ajudas de pessoas ricas e bem intencionadas que reconheciam seu trabalho teve a oportunidade de expandir seus negócios e começou a realizar desfiles de moda nos Estados Unidos. Nestes desfiles, sempre abordou a alegria e riqueza de cores da cultura brasileira, fazendo sucesso no universo da moda daquela época. Suas roupas eram bem costuradas e muito coloridas, pois ela passou a, além de costurar, desenhar e pintar suas roupas. O anjo, de seu sobrenome, passou a ser uma das marcas registradas de suas criações.

Nessa época de desfiles no exterior, Zuzu conheceu o americano Norman Jones, com quem iniciou um relacionamento. Após alguns anos juntos, voltaram para o Rio de Janeiro e se casaram, mudando-se depois para Salvador, onde ela morou muitos anos. Lá, Zuzu engravidou e deu à luz seu filho, chamado Stuart Edgard Angel Jones.

Confronto Com a Ditadura

Na virada dos anos 60 para os anos 70, Stuart, filho de Zuzu e então estudante de economia, passou a integrar as organizações clandestinas que combatiam a Ditadura Militar instalada no país desde 1964, filiando-se ao MR-8, grupo guerrilheiro do Rio de Janeiro. Preso em 14 de abril de 1971, Stuart foi torturado e morto pelo Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica (CISA) no Aeroporto do Galeão e dado como desaparecido pelas autoridades.

A partir daí, a apolítica Zuzu entraria em uma guerra contra o regime pela recuperação do corpo de seu filho, envolvendo até os Estados Unidos, país de seu ex-marido e pai de Stuart. Como estilista, ela criou uma coleção estampada com manchas vermelhas, pássaros engaiolados e motivos bélicos. O anjo, ferido e amordaçado em suas estampas, tornou-se também o símbolo do filho. Zuzu chegou a realizar, também em Nova York, um desfile-protesto, realizado no consulado do Brasil na cidade.

Usando de sua relativa notoriedade internacional, ela envolveu celebridades de Hollywood que eram suas clientes, como Joan Crawford, Liza Minelli e Kim Novak, em sua causa, e durante a visita de Henry Kissinger, então secretário de estado norte-americano, ao Brasil, chegou a furar a segurança para entregar-lhe um dossiê com os fatos sobre a morte do filho, também portador da cidadania americana.

Foram anos em busca do corpo do filho, sem poder dar-lhe um enterro, pois o corpo de Stuart nunca foi encontrado e consta como desaparecido político brasileiro.

Morte

A busca de Zuzu pelas explicações, pelos culpados e pelo corpo do filho só terminou com sua morte, ocorrida na madrugada de 14 de abril de 1976, num acidente de carro na Estrada da Gávea, à saída do Túnel Dois Irmãos, RJ, hoje batizado com seu nome, em circunstâncias até hoje mal esclarecidas.

O carro dirigido por ela, um Karmann Ghia, derrapou na saída do túnel e saiu da pista, chocou-se contra a mureta de proteção, capotando e caindo na estrada abaixo, matando-a instantaneamente. Uma semana antes do acidente, Zuzu deixara na casa de Chico Buarque de Hollanda um documento que deveria ser publicado caso algo lhe acontecesse, em que escreveu:

"Se eu aparecer morta, por acidente ou outro meio, terá sido obra dos assassinos do meu amado filho"

Na Cultura Popular

Depois de sua morte, Zuzu foi homenageada em livros, música e filme. O mesmo Chico Buarque compôs, sobre melodia de Miltinho (MPB4), a música Angélica, em 1977, em homenagem à estilista.

Em 1988, o escritor José Louzeiro escreveu o romance Em Carne Viva, com personagens e situações que lembram o drama de Zuzu Angel.

Em 2006, o cineasta Sérgio Rezende dirigiu Zuzu Angel, filme que retrata a vida da estilista, protagonizada por Patrícia Pillar e com Daniel de Oliveira, Luana Piovani, Paulo Betti, Juca de Oliveira e Elke Maravilha, entre outros, no elenco.

Em 1993, a filha de Zuzu, a jornalista Hildegard Angel, criou o Instituto Zuzu Angel de Moda do Rio de Janeiro, em memória da mãe.

Citações
  • Eu sou a moda brasileira.
  • Eu não tenho coragem, coragem tinha meu filho. Eu tenho legitimidade.

Fonte: Wikipédia

Bertha Lutz

BERTHA MARIA JÚLIA LUTZ
(82 anos)
Bióloga, Advogada, Política e Feminista

* São Paulo, SP (02/08/1894)
+ Rio de Janeiro, RJ (16/09/1976)

Bertha Maria Júlia Lutz, filha da enfermeira inglesa Amy Fowler e do cientista e pioneiro da medicina tropical Adolfo Lutz. É uma das pioneiras da luta pelo voto feminino e pela igualdade de direitos entre homens e mulheres no país.

Desde 1918, Bertha tornou-se uma defensora incansável dos direitos da mulher no país. Publicou na Revista da Semana de 14 de dezembro uma carta denunciando o tratamento dado ao sexo feminino propondo a formação de uma associação de mulheres, visando a "canalizar todos esses esforços isolados".

Bertha empenhou-se na luta pelo voto feminino e junto com outras mulheres, entre as quais Maria Lacerda de Moura, criou, em 1919, a Liga Para a Emancipação Intelectual da Mulher, que foi o embrião da Federação Brasileira Pelo Progresso Feminino. Foi a segunda mulher a ingressar no serviço público brasileiro, após ser aprovada em concurso do Museu Nacional, no Rio de Janeiro - a primeira é Maria José Rabelo Castro Mendes, admitida em 1918 no Itamaraty.

Em 1922, representou as brasileiras na assembléia-geral da Liga das Mulheres Eleitoras, nos Estados Unidos, onde foi eleita vice-presidente da Sociedade Pan-Americana.

O direito de voto feminino foi estabelecido por decreto-lei do presidente Getúlio Vargas apenas dez anos depois, em 1932. Em 1936, Bertha Lutz assumiu o mandato de deputada federal na vaga deixada pelo titular, Cândido Mendes.

Defendeu a mudança da legislação referente ao trabalho da mulher e dos menores de idade, propondo a igualdade salarial, a licença de três meses para a gestante e a redução da jornada de trabalho, então de 13 horas.

Quando a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu o ano de 1975 como o Ano Internacional da Mulher, Bertha, já doente, foi convidada pelo governo brasileiro a integrar a delegação do país no I Congresso Internacional da Mulher, realizado na capital do México. Este foi seu último ato em prol da melhoria da condição feminina.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 16 de setembro de 1976.

Fonte: Wikipédia e Mulher Terra

João Goulart

JOÃO BELCHIOR MARQUES GOULART
(57 anos)
Político e Presidente do Brasil

* São Borja, RS (01/03/1919) Nota
+ Mercedes, Província de Corrientes, Argentina (06/12/1976)

Conhecido popularmente como Jango, foi um político brasileiro e o 24° presidente do Brasil, de 1961 a 1964. Antes disso, também foi vice-presidente, de 1956 a 1961, tendo sido eleito com mais votos que o próprio presidente, Juscelino Kubitschek.

A família de Goulart era de ascendência portuguesa, sendo ele filho de Vicente Goulart, estancieiro do Rio Grande do Sul que tinha grande influência na região, ajudando em sua entrada na vida política. Formou-se em Direito na Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1939. Foi deposto pelo Golpe Militar de 1964, liderado pelo alto escalão do exército.

Infância e Adolescência

João Goulart (Estados Unidos, 1962)
João Goulart nasceu na Estância de Yguariaçá, no distrito (hoje município) de Itacurubi, em São Borja, no Rio Grande do Sul, em 01/03/1919. Seus pais eram Vicente Rodrigues Goulart, um estancieiro e coronel da Guarda Nacional que havia lutado a favor de Borges de Medeiros na Revolução de 1923, e Vicentina Marques Goulart, uma dona-de-casa.

A maioria das fontes indica seu ano de nascimento como sendo 1918, mas na verdade é 1919. Isso acontece por causa de uma segunda certidão de nascimento que seu pai mandou fazer, na qual foi acrescentado um ano na idade de Jango para que ele pudesse ingressar na Faculdade de Direito de Porto Alegre.

Seu avô materno, Belchior Rodrigues Goulart, descendia de imigrantes açorianos que chegaram no Rio Grande do Sul na segunda metade do século XVIII. No grupo dos primeiros açorianos a se estabelecerem em solo gaúcho, mais especificamente em Rio Grande, no ano de 1749, e no Porto de Viamão, em 1752, havia pelo menos três imigrantes que usavam o sobrenome de origem flamenga Govaert, que pode ter sido depois modificado para Goulart. Mas tanto os nomes Govaert ou Gouvaert, como Goulars, Goulard ou Goulart têm registro entre as famílias da Valônia e de Bruxelas, mas como duas famílias diferentes.

Quando Jango nasceu, a Estância de Yguariaçá era um ponto isolado no interior do município de São Borja. Sua mãe Vicentina, não teve, portanto, nenhuma assistência médica no momento do parto. Mas teve, entretanto, a importante ajuda de sua mãe, Maria Thomaz Vasquez Marques, que impediu a ocorrência de um infortúnio na família. De acordo com a irmã de Jango, Yolanda, "minha avó foi quem conseguiu reanimar o Janguinho que, ao nascer, já parecia estar morrendo".

Como a maioria dos descendentes de açorianos, Maria Thomaz era uma católica muito devota. Enquanto reanimava o neto, aquecendo-o junto ao corpo, ela rezava para São João Batista. Ela prometeu ao santo que se o recém-nascido sobrevivesse, receberia seu nome, e não teria seus cabelos cortados até os três anos de idade, quando, vestido de São João Batista, acompanharia a procissão de 24 de junho.

Jango era o mais velho de oito irmãos. Teve cinco irmãs – Eufrides, Maria, Yolanda, Cila e Neuza – e dois irmãos, ambos falecidos prematuramente. Rivadávia (1920) morreu seis meses após nascer, e Ivan (1925), a quem era profundamente ligado, morreu de Leucemia aos 33 anos de idade, em 1958, quando Jango já era vice-presidente da República.

Após passar a infância em Yguariaçá, Jango partiu para o município vizinho de Itaqui para estudar, como resultado da decisão de seu pai de formar uma parceria com Protásio Vargas, irmão de Getúlio Vargas, após arrendarem um pequeno frigorífico naquele município de um empresário inglês. Enquanto Vicente permaneceu à frente do negócio nos dois anos seguintes, Jango estudou no Colégio das Irmãs Teresianas, junto com suas irmãs. Apesar de ser um colégio misto durante o dia, apenas as garotas podiam passar a noite no internato. Então ele tinha que dormir na casa de amigos de seu pai. Foi em Itaqui que Jango apaixonou pelo futebol e desenvolveu gosto pela natação em um açude localizado no terreno do frigorífico.

Após retornar ao município de São Borja, com o fim de sua experiência como parceiro no frigorífico, Vicente decidiu matricular Jango no Ginásio Santana, escola pertencente a Irmãos Marista em Uruguaiana. Jango cursou as quatro primeiras séries no Internato Santana, mas, ao final de 1931, foi reprovado. Irritado com o fraco desempenho do filho naquela escola, Vicente decidiu mandá-lo estudar no Colégio Anchieta, em Porto Alegre. Embora esta fosse sua primeira vez na capital do estado, Jango não teve nenhum problema de adaptação, já que foi morar numa pensão em companhia dos amigos Almir Palmeiro e Abadé dos Santos Ayub, este último de São Borja e muito ligado a ele.

Conhecedores das habilidades excepcionais de Jango nos jogos de futebol da escola, onde atuava na posição de lateral-direito, Almir e Abadé o convenceram a fazer um teste para o time infanto-juvenil do Sport Club Internacional. Jango conseguiu ser selecionado e passou a dividir os períodos de aula no Colégio Anchieta com os treinos e jogos do Internacional. Em 1932 foi campeão estadual na categoria infanto-juvenil. O centroavante da equipe juvenil, Salvador Arísio, relatou que Jango era "um guri excepcional, meio fechado e muito, muito bom". Apesar de ser originário de uma família rica, ele nunca usou a influência do pai para conseguir qualquer coisa dentro do clube, segundo Arísio.

Ainda em 1932, Jango completou a terceira série do então curso ginasial no Colégio Anchieta, com uma atuação um tanto irregular, o que se repetiria durante os estudos na Faculdade de Direito. De volta a Uruguaiana, Jango concluiu o ensino médio no Ginásio Santana.

Carreira Política

Mandado para Porto Alegre após concluir o ensino médio, Jango cursou a Faculdade de Direito, a fim de satisfazer as necessidades do pai, que desejava ver seu primogênito com um diploma de ensino superior. Lá, ele restabeleceu contato com os amigos de infância Abadé Ayub e Salvador Arísio, ao mesmo tempo em que consolidou novas amizades através de incursões na vida noturna da capital do estado. Foi durante este período de intensa boêmia que Jango contraiu uma doença venérea que paralisou seu joelho esquerdo quase por completo. Mesmo após caros tratamentos médicos, incluindo uma viagem para São Paulo, Jango perdeu a esperança de que andaria normalmente de novo. Por causa da paralisia do joelho, Jango se formou separadamente do resto de sua turma, em 1939. Ele nunca atuaria no ramo do Direito.

Logo em seguida, Jango voltou para São Borja. Entretanto, seu abatimento em razão do problema na perna era visível. Ele se afastou do resto da cidade e passou a viver recluso no interior do município, na Estância de Yguariaçá. Arrumou novos amigos entre os peões da estância. Mas o abatimento em razão do problema do joelho não durou muito. Jango logo voltou a frequentar a cidade, tendo assumido publicamente o problema na perna ao desfilar na Ala dos Rengos do bloco carnavalesco Comigo Ninguém Pode.

Começo no PTB

João Goulart e Leonel Brizola
Vicente morreu em 1943, deixando ao filho mais velho a responsabilidade de cuidar de suas propriedades rurais. Jango logo se tornou um dos estancieiros mais influentes da região. Após a renúncia de Getúlio Vargas e seu retorno a São Borja em outubro de 1945, Jango já era um homem rico antes dos 30 anos de idade. Ele não precisava da política para subir na vida, mas os frequentes encontros com Getúlio Vargas, amigo íntimo de seu pai, influenciaram-no a escolher a carreira política.

O primeiro convite que Jango recebeu para entrar em um partido político foi o de Protásio Vargas, responsável por organizar o Partido Social Democrático (PSD) em São Borja. Protásio percebeu que Jango poderia ter sucesso na carreira política, mas ele recusou o convite por intervenção de Getúlio Vargas. Alguns meses depois, entretanto, Jango aceitou o convite de Getúlio Vargas para entrar no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Ele foi o primeiro presidente do PTB local e se tornaria, mais tarde, presidente do PTB estadual e nacional.

Em 1947, Getúlio Vargas convenceu Jango a concorrer a um assento na Assembleia Legislativa. Ele foi eleito com 4.150 votos, se tornando o quinto candidato mais votado, a frente de seu cunhado Leonel Brizola (casado com sua irmã Neusa até a morte dela em 1993), outra estrela em ascensão do PTB.

Jango não era um membro ativo da Assembleia Legislativa, mas lutou em defesa de um subsídio ao mais pobres na compra de comida. Ele logo virou um confidente e protegido político de Getúlio Vargas, se tornando um dos membros do partido que mais insistiram para que ele concorresse nas eleições de 1950. Em 19 de abril de 1949, Jango lançou a candidatura presidencial de Getúlio numa festa que deu em comemoração ao aniversário do ex-presidente na Granja São Vicente, de propriedade de Jango.

Em 1950, Jango foi eleito para a Câmara dos Deputados com quase 40 mil votos, se tornando o segundo candidato mais votado do PTB no Rio Grande do Sul.

Jango assumiu o cargo de deputado federal em fevereiro de 1951, mas logo em seguida licenciou-se do mandato para exercer o cargo de Secretário de Estado de Interior e Justiça na gestão de Ernesto Dorneles, primo de Getúlio Vargas, no Rio Grande do Sul. Durante o período em que foi secretário, que durou até 24 de março de 1952, Jango se comprometeu com a reestruturação do sistema carcerário, com a intenção de melhorar as condições de vida dos presos. Mais tarde ele renunciou ao cargo a pedido de Getúlio Vargas, a fim de ajudar o presidente com um impasse político no Ministério do Trabalho, usando sua influência no movimento sindical.

Ministro do Trabalho

João Goulart e Kennedy
Em 1953, com o agravamento do impasse, Getúlio Vargas nomeia Jango o novo Ministro do Trabalho. A gestão Vargas estava numa profunda crise. Os trabalhadores, insatisfeitos com os salários baixos, promoviam greves, e a União Democrática Nacional (UDN) mobilizava um golpe de estado com a mídia, a classe média e as Forças Armadas. Assim que assumiu, Jango teve que responder às acusações de vários jornais, incluindo o New York Times, que o acusou de manipular o movimento sindical aos moldes do Peronismo.

Como Ministro do Trabalho, ele convocou o primeiro Congresso Brasileiro de Previdência Social. Assinou uma série de decretos em favor da previdência, tais como o financiamento de casas, a regulação de empréstimos pelo Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Bancários (IAPB) e o reconhecimento dos funcionários do Conselho Fiscal do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários.

Em janeiro de 1954, Jango começou a estudar um aumento no salário mínimo, enfrentando dois tipos de pressão: a mobilização dos trabalhadores nas grandes cidades a favor de um reajuste de 100% e a rejeição dos empresários à revisão do salário desde o governo de Eurico Gaspar Dutra, que contribuiria para o empobrecimento de vários segmentos da sociedade brasileira. As entidades empresariais concordavam com um aumento de 42% no mínimo, uma medida que, segundo elas, igualaria os custos de vida aos de 1951. No Dia do Trabalhador, Getúlio Vargas assinou o decreto do novo salário mínimo, aumentado em 100%, como exigia a classe trabalhadora.

Jango foi forçado a renunciar ao cargo em 23 de fevereiro de 1954, após conceder o aumento do mínimo, que causou forte reação entre empresários e imprensa. Presidente nacional do PTB, tornou-se o principal nome trabalhista do país, após o suicídio de Getúlio.

Vice-Presidente

João Goulart e Kennedy
Em 1955 foi eleito vice-presidente do Brasil, na chapa PTB/PSD. Na ocasião, obteve mais votos que o presidente eleito, Juscelino Kubitschek. Naquela época, as votações para presidente e vice eram separadas. No ano seguinte, casou-se com a jovem Maria Teresa Fontela Goulart, com quem veio a ter dois filhos: Denise e João Vicente.

Na eleição de 1960, foi novamente eleito vice-presidente, concorrendo pela chapa de oposição ao candidato Jânio Quadros, do Partido Democrata Cristão (PDC) e apoiado pela União Democrática Nacional (UDN), que venceu o pleito.

Em 25 de agosto de 1961, enquanto João Goulart realizava uma missão diplomática na República Popular da China, Jânio Quadros renunciou ao cargo de Presidente da República. Os ministros militares Odílio Denys (Exército), Gabriel Grün Moss (Aeronáutica) e Sílvio Heck (Marinha) tentaram impedir a posse de Jango, e o presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, foi empossado presidente.

Presidente da República

A renúncia de Jânio Quadros criou uma grave situação de instabilidade política. Jango estava na China e a Constituição Brasileira era clara: o vice-presidente deveria assumir o governo. Porém, os ministros militares se opuseram à sua posse, pois viam nele uma ameaça ao país, por seus vínculos com políticos do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e do Partido Socialista Brasileiro (PSB). Apesar disso, não havia unanimidade nas altas esferas militares sobre o veto a Jango.

Liderada por Leonel Brizola, cunhado de Jango e governador do Rio Grande do Sul, teve início o que ficou conhecido como Campanha da Legalidade. Leonel Brizola e o general Machado Lopes, comandante do III Exército, baseado no Rio Grande do Sul, mobilizaram o estado em defesa da posse de Jango. Usando uma cadeia de mais de cem emissoras de rádio, o governador gaúcho conclamava a população a sair às ruas e defender a legalidade. A Campanha da Legalidade logo recebeu o apoio dos governadores Mauro Borges Teixeira, de Goiás, e Ney Aminthas de Barros Braga, do Paraná.

No Congresso Nacional, os parlamentares também se opuseram ao impedimento da posse de Jango. Na volta da China, Goulart aguardou em Montevidéu, capital do Uruguai, a solução da crise político-militar desencadeada após da renúncia de Jânio Quadros. Como os militares não retrocediam, o Congresso Nacional fez uma proposta conciliatória: a adoção do parlamentarismo. O presidente tomaria posse, preservando a ordem constitucional, mas parte de seu poder seria deslocada para um primeiro-ministro, que chefiaria o governo.

No dia 2 de setembro de 1961, o sistema parlamentarista foi aprovado pelo Congresso Nacional. No dia 8, Jango assumiu a Presidência da República. Tancredo Neves, do PSD de Minas Gerais, ministro do Governo Vargas, tornou-se primeiro-ministro.

Tancredo Neves demitiu-se do cargo em julho de 1962 para concorrer às eleições de outubro do mesmo ano, que iriam renovar o Congresso Nacional e eleger os governadores. Goulart articulou a retomada do Regime Presidencialista. Após a saída de Tancredo Neves, tornou-se primeiro-ministro o gaúcho Francisco de Paula Brochado da Rocha, também do PSD, que deixou o cargo em setembro do mesmo ano, sendo sucedido por Hermes Lima.

Em 1962 o governo divulgou o Plano Trienal, elaborado pelo economista Celso Furtado, para combater a inflação e promover o desenvolvimento econômico. O Plano Trienal falhou, após enfrentar forte oposição, e o governo brasileiro se viu obrigado a negociar empréstimos com o Fundo Monetário Internacional, o que exigiu cortes significativos nos investimentos.

Nesse período foi convocado um plebiscito sobre a manutenção do parlamentarismo ou o retorno ao presidencialismo, para janeiro de 1963. O parlamentarismo foi amplamente rejeitado, graças, em parte, a uma forte campanha publicitária promovida pelo governo.

Um Governo Reformista

A economia continuava com uma taxa inflacionária elevada e, com San Tiago Dantas como Ministro da Fazenda e Celso Furtado Ministro do Planejamento, lançou-se o Plano Trienal, um programa que incluía uma série de reformas institucionais visando atuar sobre os problemas estruturais do país. Entre as medidas, previa-se o controle do déficit público e, ao mesmo tempo, a manutenção da política desenvolvimentista com captação de recursos externos para a realização das chamadas reformas de base, que eram medidas econômicas e sociais de caráter nacionalista que previam uma maior intervenção do Estado na economia.

Nessa ampla denominação de reformas de base, incluíam-se as reformas bancária, fiscal, urbana, eleitoral, agrária e educacional. Defendia-se também o direito de voto para os analfabetos e para os militares de patentes subalternas. Além disso, eram propostas medidas de corte nacionalista, com maior intervenção do Estado na vida econômica e maior controle dos investimentos estrangeiros no país, mediante a regulamentação das remessas de lucros para o exterior. No que se refere a essas reformas, destacaram-se no governo João Goulart as seguintes medidas:

  • Reforma Agrária: Consistia em promover a democratização da terra, paralelamente à promulgação do Estatuto do Trabalhador Rural, estendendo ao campo os principais direitos dos trabalhadores urbanos. Nessa área, havia um decreto que previa a desapropriação das áreas rurais inexploradas ou exploradas contrariamente à função social da propriedade, situadas às margens dos eixos rodoviários e ferroviários federais e as terras beneficiadas ou recuperadas por investimentos da União em obras de irrigação, drenagem e açudagem. No entanto, a implementação da reforma agrária exigia mudança constitucional, já que o governo pretendia que as indenizações aos proprietários fossem pagas com títulos da dívida pública, enquanto que a Constituição Brasileira previa indenização paga previamente e em dinheiro.
  • Reforma Educacional: Visava a valorização do magistério e do ensino público em todos os níveis, o combate o analfabetismo com a multiplicação nacional das pioneiras experiências do Método Paulo Freire. O governo também se propunha a realizar uma reforma universitária, com abolição da cátedra vitalícia.
  • Reforma Fiscal: Tinha como objetivo promover a justiça fiscal e aumentar a capacidade de arrecadação do Estado. Além disso, pretendia-se limitar a remessa de lucros para o exterior, sobretudo por parte das empresas multinacionais, o que foi feito através do decreto nº 53451/64.
  • Reforma Eleitoral: Consistia basicamente na extensão do direito de voto aos analfabetos e aos militares de baixa patente. Previa-se também a legalização do Partido Comunista Brasileiro.
  • Reforma Urbana: Entendida como conjunto de medidas do Estado, "visando à justa utilização do solo urbano, à ordenação e ao equipamento das aglomerações urbanas e ao fornecimento de habitação condigna a todas as famílias". O projeto foi elaborado principalmente por urbanistas ligados ao Instituto de Arquitetos do Brasil.
  • Reforma Bancária: Com o objetivo de ampliar o acesso ao crédito pelos produtores.

As reformas também incluíam a nacionalização de vários setores industriais - energia elétrica, refino de petróleo, químico-farmacêutico. Os congressistas não aprovaram a proposta, o que impediu que o Plano Trienal obtivesse sucesso.

Jango e os Militares

Ao longo do ano de 1963, cresceu a politização entre os setores da baixa hierarquia das Forças Armadas (sargentos, cabos, soldados e marinheiro).

Em 12 de setembro de 1963 irrompeu em Brasília uma rebelião de sargentos da Aeronáutica e da Marinha, inconformados com a decisão do Supremo Tribunal Federal, baseada na Constituição vigente, de não reconhecer a elegibilidade dos sargentos para o Legislativo.

O movimento foi facilmente debelado, mas a posição de neutralidade adotada por Jango diante do movimento desagradou grande parte da oficialidade militar, preocupada com a quebra dos princípios de hierarquia e disciplina das Forças Armadas. Intensificaram-se suspeitas de que estivesse em preparação um Golpe de Estado, de orientação esquerdista, apoiado por cabos e sargentos. Ao mesmo tempo, fortalecia-se a posição dos oficiais generais que, em 1961, haviam sido contra a posse de João Goulart como Presidente da República.

Mesmo os chamados legalistas estavam inquietos: ainda em setembro, o general Peri Bevilaqua, comandante do II Exército, que fora um dos apoiadores da Campanha da Legalidade, divulgou ordem-do-dia contra a rebelião dos sargentos, denunciando a infiltração esquerdista e a atuação política do Comando Geral dos Trabalhadores nos quartéis. Na seqüência, o general foi exonerado do comando.

Em outubro, uma entrevista concedida pelo governador do estado da Guanabara, Carlos Lacerda, ao jornal Los Angeles Times tem forte repercussão.

Na entrevista, Carlos Lacerda atacava violentamente o presidente da República e criticava também os chefes militares. A situação política do país é tensa. Os ministros militares solicitam ao presidente a decretação de Estado de Sítio. O pedido, encaminhado ao Congresso Nacional, não encontra receptividade diante da maioria dos parlamentares, sendo então retirado. Diante disso, oficiais até então neutros passam a apoiar a conspiração golpista.

Em 20 de março de 1964, o general Humberto de Alencar Castelo Branco, chefe do Estado-Maior do Exército, envia uma circular reservada aos oficiais do Exército, advertindo contra os perigos do Comunismo.

No dia 28 de março, irrompe a revolta dos marinheiros e fuzileiros Navais no Rio de Janeiro. João Goulart recusou-se a punir os insubmissos, concentrados na sede do Sindicato dos Metalúrgicos, o que provocou a indignação dos oficiais da Marinha.

No dia 30 de março, Jango compareceu, como convidado de honra, a uma festa promovida pela Associação dos Sargentos e Suboficiais da Polícia Militar, na sede do Automóvel Clube do Brasil. Na ocasião, pronuncia um discurso no qual denuncia a existência de uma poderosa campanha contra o governo. De fato, o golpe já estava em curso. Na madrugada de 31 de março, em Minas Gerais, o general Olímpio Mourão Filho inicia a movimentação de tropas. No final da tarde, o general Peri Bevilaqua alerta o Presidente para a necessidade de ele optar imediatamente entre as Forças Armadas e os Sindicatos. No mesmo dia, o governo é derrubado.

O Golpe de 1964

Desgastado com a crise econômica e com a oposição de militares, o presidente procurou fortalecer-se, participando de manifestações e comícios que defendiam suas propostas. O comício mais importante ocorreu no dia 13 de março de 1964, em frente ao Edifício Central do Brasil, sede da Estrada de Ferro Central do Brasil. O Comício da Central, como ficou conhecido, reuniu cerca de 150 mil pessoas, incluindo sindicatos, associações de servidores públicos e estudantes. Os discursos pregavam o fim da política conciliadora do presidente com apoio de setores conservadores que, naquele momento, bloqueavam as reformas no Congresso Nacional. O presidente, em seu discurso, anunciou uma série de medidas, que estavam no embrião das reformas de base. Defendeu a reforma da Constituição para ampliar o direito de voto a analfabetos e militares de baixa patente e criticou seus opositores que, segundo ele, sob a máscara de democratas, estariam a serviço de grandes companhias internacionais e contra o povo e as reformas de base. João Goulart anunciou que tinha assinado um decreto encampando as refinarias de petróleo privadas e outro desapropriando terras às margens de ferrovias e rodovias federais.

A oposição acusava o presidente de desrespeito á ordem constitucional, pois o Congresso Nacional não havia aprovado a proposta do governo de alteração na forma de pagamento das indenizações aos proprietários. Carlos Lacerda, então governador da Guanabara, disse que o presidente era um "subversivo".

O decreto da Superintendência de Política Agrária (SUPRA) assinado no Comício da Central do Brasil, em 13 de março de 1964, provocou forte reação nos setores mais conservadores e contribuiu para a derrubada de João Goulart. O decreto nº 53.700, de 13 de março de 1964 (revogado por Ranieri Mazzilli, em 9 de abril de 1964), dizia:

"Declara de interesse social para fins de desapropriação as áreas rurais que ladeiam os eixos rodoviários federais, os leitos das ferrovias nacionais, e as terras beneficiadas ou recuperadas por investimentos exclusivos da União em obras de irrigação, drenagem e açudagem, atualmente inexploradas ou exploradas contrariamente à função social da propriedade, e dá outras providências."

Em 19 de março, em São Paulo, foi organizada a Marcha da Família Com Deus Pela Liberdade, cujo objetivo era mobilizar a opinião pública contra o governo de Jango e a política que, segundo eles, culminaria com a implantação de um regime totalitário comunista no Brasil.

Após a revolta dos marinheiros - que, para os militares, representou uma quebra da hierarquia - e o forte discurso no Automóvel Clube do Brasil, na reunião da Associação dos Sargentos e Suboficiais da Polícia Militar, o general Olímpio Mourão Filho iniciou, em 31 de março de 1964, a movimentação de tropas de Juiz de Fora, em direção ao Rio de Janeiro. Este foi o início da Revolução Redentora, um dos nomes dados pelos militares ao golpe de estado, que derrubou o governo de João Goulart .

No dia 1º de abril de 1964, Jango retornou a Brasília e, de lá, para o Rio Grande do Sul. Leonel Brizola sugeriu um novo movimento de resistência, mas João Goulart não acatou, para evitar "derramamento de sangue" (uma guerra civil).

Jango exilou-se no Uruguai e mais tarde na Argentina, onde veio a falecer em 1976.

No dia 2 de abril de 1964, o Congresso Nacional declarou a vacância de João Goulart no cargo de Presidente da República, entregando o cargo de chefe da nação novamente ao presidente da Câmara dos Deputados Ranieri Mazzilli.

No dia 10 de abril de 1964, João Goulart teve seus direitos políticos cassados por 10 anos, após a publicação do Ato Institucional Número Um (AI-1).

Documentos recentemente "desclassificados" fornecem indicações sobre o papel do governo dos Estados Unidos no golpe contra Jango. Em arquivo sonoro de cinco minutos, obtido na Biblioteca Lyndon Baines Johnson, há uma conversa entre o Subsecretário de Estado, George Ball, o Secretário Assistente para a América Latina, Thomas Mann, e o presidente Lyndon Johnson em que este mostra claramente seu apoio à derrubada de Jango: "Penso que devemos tomar todas as medidas que pudermos e estar preparados para fazer tudo o que for preciso."

Entre os documentos altamente secretos há telegramas enviados pelo embaixador americano no Brasil, Lincoln Gordon, que pressionavam Washington a se envolver diretamente no apoio na conspiração em curso. O embaixador envia telegramas a altos funcionários do governo americano, incluindo o diretor da CIA John McCone e aos Secretários de Defesa e de Estado, Robert McNamara e Dean Rusk.

Gordon informa que Jango está trabalhando com o Partido Comunista Brasileiro para instaurar uma ditadura e pede apoio dos Estados Unidos para o então general Humberto de Alencar Castelo Branco. Lincoln Gordon recomenda "uma remessa clandestina de armas", bem como gasolina e petróleo para os apoiadores de Castelo Branco, e sugere que esse apoio seja suplementado por operações secretas da CIA, sugerindo que o governo americano se prepare rapidamente para a possibilidade de intervenção aberta, em um segundo estágio.

Morte

João Goulart morreu, oficialmente, vítima de um Ataque Cardíaco, no município argentino de Mercedes, Corrientes em 6 de dezembro de 1976.

Existem, contudo, suspeitas por parte de familiares, colegas de política e outras personalidades de que João Goulart tenha sido assassinado por agentes da Operação Condor. Por decisão da família, não foi realizada autópsia alguma em seu corpo antes de seu sepultamento.

No dia 27 de janeiro de 2008, o jornal Folha de São Paulo, publicou uma matéria com o depoimento do ex-agente do serviço de inteligência uruguaio Mario Neira Barreiro, que declarou que João Goulart foi envenenado por ordem de Sérgio Fernando Paranhos Fleury, delegado do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). A autorização teria vindo do presidente da época, Ernesto Geisel.

Em julho do mesmo ano, uma comissão especial da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul divulgou um relatório afirmando que "são fortes os indícios de que Jango foi assassinado de forma premeditada, com o conhecimento do governo Geisel".

Em março de 2009, a revista CartaCapital publicou documentos inéditos do Serviço Nacional de Informações (SNI) produzidos por um agente infiltrado nas propriedades de Jango no Uruguai que reforçam a tese de envenenamento.

A família Goulart ainda não conseguiu identificar quem seria o "Agente B", como é denominado nos documentos. O agente era tão próximo de Jango que descreveu que durante a festa de 56 anos do ex-presidente, este teve uma discussão com o filho por causa de uma briga entre os funcionários Manoel dos Santos e Tito. De acordo com o agente, Manoel sacou uma faca contra Tito, um "invertido sexual", por não ter sido "atendido" por ele.

Após a publicação da reportagem, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados decidiu investigar a suspeita de envenenamento de Jango.

Posteriormente, na mesma revista, Maria Teresa Fontela Goulart mostra documentos do governo uruguaio que reforçam suas denúncias do monitoramento a Jango. Os militares uruguaios seguiam os passos de Jango, seus negócios, etc. Nessas fichas de 1965 (um ano após do golpe no Brasil), em que há dados sobre Jango e a sua vida no Uruguai, consta que ele poderia ser vítima de atentado. Em documento requisitado ao Uruguai pelo Movimento de Justiça e Direitos Humanos e pelo Instituto João Goulart, o Ministério do Interior uruguaio informou que "fontes sérias e responsáveis brasileiras" falavam de um "presumível complô contra o ex-presidente brasileiro".

Em maio de 2010, após investigar por dois anos as circunstâncias da morte de Jango, o historiador Luiz Alberto Moniz Bandeira afirmou em entrevista à Folha de São Paulo que a teoria do envenenamento não condiz com a verdade, acusando a família Goulart de endossar a suspeita na tentativa de obter indenizações do governo. A tese sobre o suposto assassinato do ex-presidente é analisada num apêndice inédito a seu livro O Governo João Goulart. Segundo o historiador, companheiro do ex-presidente no exílio, as denúncias carecem de provas, e a autópsia do corpo não foi feita não por veto da ditadura, mas por decisão da família. Ele afirma ainda não ter dúvidas de que Goulart morreu de Infarto, dado seu histórico de problemas cardíacos e falta de cuidados com a própria saúde.

Mesmo Miro Teixeira, aliado de Leonel Brizola reconhece: "Não há como afirmar, peremptoriamente, que João Goulart foi assassinado".


Homenagens e Anistia

Em 1984, exatos vinte anos após o Golpe Militar, o cineasta Sílvio Tendler realizou um documentário reconstruindo a trajetória política de João Goulart através de imagens de arquivo e entrevistas.
Jango atraiu mais de meio milhão de espectadores às salas de cinemas, se tornando o sexto documentário de maior bilheteria do país. O filme também foi aclamado pela crítica, recebendo três troféus no Festival de Gramado e um no Festival de Havana, além da Margarida de Prata da CNBB.

Existem em todo país pelo menos onze escolas cujo nome é uma homenagem a João Goulart, de acordo com o Google Maps. A maioria delas ficam no Rio Grande do Sul, nos municípios de Alvorada, Ijuí, Novo Hamburgo, Porto Alegre, Viamão e em São Borja, cidade natal do ex-presidente. Na cidade do Rio de Janeiro há três escolas homenageando Goulart: uma estadual e duas municipais (uma em Ipanema e outra na Tijuca). Há também uma no município catarinense de Balneário Camboriú e outra no município de São João de Meriti no Rio de Janeiro.

No centro do município de Niterói, Rio de Janeiro, há o Terminal Rodoviário João Goulart. O início das obras foi em 1992 e inaugurado em 1995. É dividido em 13 plataformas, conta com 102 linhas de ônibus municipais e intermunicipais e uma circulação de cerca de 350 mil pessoas por dia.

Ainda em Balneário Camboriú foi inaugurada, no dia 6 de dezembro de 2007, exatos 31 anos após a morte do ex-presidente, uma escultura de João Goulart sentado num dos bancos da Avenida Atlântica brincando com seus dois filhos pequenos. A obra foi concebida pelo artista plástico Jorge Schroder a pedido do prefeito Rubens Spernau.

No dia 28 de junho de 2008 foi inaugurada a Avenida Presidente João Goulart em Osasco, São Paulo. A avenida tem cerca de 760 metros de extensão e é a primeira da cidade com ciclovia.

Cidades como Canoas, Caxias do Sul, Cuiabá, Lages, Pelotas, Porto Alegre, Porto Velho, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro, Rondonópolis, São Borja, São Leopoldo, São Paulo e Sobral já possuem vias homenageando João Goulart, de acordo com o Google Maps.

Em 15 de novembro de 2008, foi julgado pela Comissão de Anistia Política do Ministério da Justiça o pedido de anistia movido por Maria Teresa Fontela Goulart. O julgamento ocorreu em caráter de sessão extraordinária e foi realizado durante o 20º Congresso Nacional dos Advogados, em Natal, no Rio Grande do Norte. O pedido foi aprovado e, de acordo com tal, a viúva de Goulart receberá uma pensão mensal de R$ 5.425, valor correspondente ao salário de um advogado sênior, pois Jango era bacharel em Direito. O valor é retroativo a 1999, o que totaliza R$ 643,9 mil. Maria Teresa também foi anistiada e recebeu uma indenização de R$ 100 mil.

"O governo reconhece os erros do passado e pede desculpas a um homem que defendeu a nação e seu povo do qual jamais poderíamos ter prescindido"
(Presidente Luiz Inácio Lula da Silva)

Fonte: Wikipédia